domingo, 23 de outubro de 2011

Quem terá razão, o Cavaco ou o Passos?

O Pedro Passos Coelho decidiu baixar os salários da Função Pública dizendo que "ganham mais que a média" e o Cavaco veio dizer que isso violava o Princípio da Equidade.
O Cavaco é professor catedrático de economia e o Passos foi um fracote aluno de economia, pós-laboral e num "curso para adultos". No entanto, neste caso é o Passos que tem razão.
Para vos explicar porque a razão está do lado do Passos, preciso apresentar um dos grandes teoremas da Teoria Económica.

Fig.1 - Nós que vemos, sabemos que este abraço foi pertinente mas quem decide na ignorância corre grande risco de se enganar. Podia estar a abraçar um motoqueiro de bigode.

A Teoria Económica por trás da discussão
A determinação do "preço de venda"
Existem duas formas de determinar o preço de venda de um bem. Por um lado, há o custo médio de produção e, por outro lado, há o preço de mercado.
No caso do trabalho, a análise pelo "custo médio" é difícil. Podemos facilmente determinar o custo necessário para uma pessoa poder trabalhar (transportes, roupa, alimentação, etc.) mas é muito difícil medir o sacrifício de ir trabalhar (levantar-se cedo, deixar de ir para o café todo o dia, estar longe da família, aturar o patrão, etc.).

1. O custo de produção
Os esquerdistas privilegiam o custo médio de produção como forma de determinar o preço de venda. É o principio marxista do "valor trabalho".
Contabilizamos as quantidade de matérias-primas, produtos intermédios, horas de máquinas e ferramentas (bens de capital) e as horas de trabalho usados no fabrico. Depois, multiplicamos as quantidades pelos preços e obtemos o custo de fabrico.
O preço de venda será o custo médio de fabrico.
As empresas, apesar de não saírem de nenhum filme marxista, usam esta técnica para dar um preço aos bens e serviços produzidos internamente. É a Contabilidade de Custos (o mais fino é chamar-lhe Contabilidade Analítica).

2. O preço de mercado
Os direitistas defendem o preço de mercado como forma de determinar o preço de venda. É o principio liberal do "deixar fazer, deixar passar, desenrasca-te". A liberdade de cada um decidir o que produzir e  vender onde bem o entender e pelo preço que puder.
Nós que fornecemos trabalho temos a liberdade de escolher a profissão que quisermos, trabalhar onde quisermos e cobrar o que entendermos.
Na ex-URSS, o Estado tinha um grande peso na tomada de decisão da profissão que as pessoas poderiam exercer. Era como no exército.
Claro que estamos restringidos às decisões dos outros.


No mercado, os compradores encontram-se com vendedores.
Os vendedores procuram o preço máximo e os compradores o preço mínimo.

As diferenças.
Com "preço de mercado", se um produtor conseguir melhorar o processo produtivo passando a produzir abaixo do preço então, terá lucro. Se produzir a um custo acima do preço de mercado, terá prejuízo.
Com o "custo de produção", se um produtor conseguir melhorar o processo produtivo passando a produzir abaixo do preço então, o "regulador" baixa o preço de venda. Se produzir a um custo acima do preço, o "regulador" sobe o preço de venda.
É o que se passa com a água e a electricidade: se custar mais produzir porque eles são ineficientes, sobem-se as tarifas.
O "preço de mercado" incentiva a que o produtor se torne eficiente enquanto que o "custo de produção" não.
Há ainda a dificuldade de avaliar o custo de produção.

Em concorrência perfeita.
Quando temos um mercado em concorrência perfeita (com muitos vendedores e  compradores em que cada agente económico representa uma pequena percentagem desse mercado), em concorrência e equilíbrio de longo prazo o preço de mercado é igual ao custo médio de produção.
Este teorema é um dos mais importantes da teoria económica.
Não é preciso gastar tempo a ver quanto custa produzir maçãs bastando ir ao mercado e ver qual o seu preço.
Não vale a pena grandes auditorias às contas do BCP para ver as imparidades pois basta ir ao mercado e ver que as acções que em termos contabilísticos valem 1€, estão a ser vendidas por 0.16€.

Onde o Pedro tem razão.
O Pedro acha que os salários dos "empregos privados" são determinados num mercado em "concorrência perfeita em equilíbrio de longo prazo" pelo que traduzem o custo médio de produzir trabalho.
Pensa o Pedro que será injusto diminuir esses salários porque já são iguais ao esforço médio de trabalhar.
Por outro lado, pensa que os salários dos "empregos públicos" não foram determinados no mercado. Por os "trabalhadores públicos" terem muito poder reivindicativo e os governos serem fracos, o salário foi determinado fora do mercado estando acima do "custo médio" de produzir trabalho.
Agora que é preciso fazer alguma coisa para cortar na despesa (e também por uma questão de justiça), é necessário fazer os salários dos "empregos públicos" igualar os salários dos "empregos privados".

Fig. 3 - E, para poupar, é preciso cortar em algum lado.
Por exemplo.
O Pedro deu o exemplo dos transportes públicos. Não encontra nenhuma razão lógica para que um motorista de uma empresa pública de transportes tenha um ordenado superior a um motorista de uma empresa de transportes privada. Como ambos fazem exactamente a mesma coisa, o lógico é que ganhem o exactamente o mesmo.
Parece-me certíssimo.

Outro exemplo.
Quando abre um lugar para um "emprego público" candidatam-se centenas de pessoas. Por exemplo, todos os anos candidatam-se dezenas de milhar de pessoas para meia dúzia de lugares de professor. Isto traduz que o salário é superior ao custo de produzir trabalho. Senão, para uma vaga, haveria um ou dois candidatos.

Onde está o erro do Cavaco.
Está em assumir que o mercado dos "empregos públicos" é concorrencial e que está em equilíbrio de longo prazo. Se assim fosse, o Estado deveria aplicar a receita tanto aos "trabalhadores públicos" como aos "trabalhadores privados", por exemplo, via IRS.

Fig. 4 - Não basta saber o que os livros dizem. É preciso pegar neles e propor uma forma de resolver os problemas que enfrentamos.

3. Uma extensão ao "preço de mercado"
O trabalho não é um bem homogéneo.
Do lado do trabalhador há diferenças na escolaridade, experiência profissional, força física, inteligência, jeito, disponibilidade, idade, sexo, etc.
Do lado do emprego há diferenças no horário, dificuldade técnica, perigo, risco dê despedir, etc.
Como não há um mercado para cada situação (por exemplo, um motorista com 55 anos, 9 ano de escolaridade, 12 anos de experiência, etc. que trabalha numa empresa por turnos, fracota, etc.) então, estende-se o mercado a uma equação homogenizadora:

      Salário = f(características do trabalhador, características do emprego) + e

Isto tem que ser quantificado
Por esta razão é que o Carvalho da Silva veio dizer que "os funcionários públicos ganham mais que a média porque têm mais escolaridade que a média".

É preciso urgentemente que o Banco de Portugal ou o INE, que têm lá milhares de pessoas a "trabalhar", pegue nos dados referentes aos 2 milhões de "trabalhadores privados" e determine a "equação dos salários".
Depois, o Passos terá todas a informação e força política para poder aplicar ao "trabalhadores públicos" os resultados obtidos com os "trabalhadores privados".
E dar uma lição de economia ao Cavaco.

Os consultores fazem benchmarking e re-engenharia.
Esta é para os meus brilhantes alunos, futuros gestores de empresas.
As empresas aprendem pelos preços e produtos que vêm no mercado se são, globalmente, mais ou menos eficientes que a concorrência. Pegam em produtos que vêm à venda mais baratos e melhores que os seus, demontam-nos e tentam aprender como se podem tornar mais eficientes. Isto chama-se re-engenharia.
Como podem outros países mais evoluidos que Portugal viver com menos despesa pública?

Mas, no concreto de cada operação, não é possível retirar informação do mercado.
Por exemplo, sei que um concorrente meu vende o par de sapatos a 5€ e eu não consigo produzir a esse preço. Mas não sei se é por as minhas gaspeadeiras serem lentas ou por o spread que o banco me cobra ser mais elevado.
Os consultores, ao trabalharem com várias empresas do ramo, servem para eu identificar a eficiência de cada actividade não sujeita a concorrência do mercado. Isto chama-se benchmarking.
Apesar de parecer que ter um consultor que trabalha com outras empresas vai revelar segredos do meu negócio, de facto, é um pequeno custo que eu tenho que incorrer para poder utilizar informação agregada (também secreta) das empresas minhas concorrentes.
O consultor diz-me: em média, cada gaspeadeira deveria coser 25 gáspeas por dia e, no seu caso, cosem 27. Logo, não é aqui que está o problema.
Qualquer empresa para ter sucesso tem que fazer re-engenharia e ter um consultou que faça benchmarking.
O mercado é muito grande pelo que eu tenho mais a ganhar que a perder.
Como é a gestão dos transportes públicos noutros países da OCDE em que as empresas públicas não são ruinosas?
Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A paranoia americana

Nos últimos 10 anos tive a impressão que o Bush reagiu de forma exagerada aos atentados do dia 11 de Setembro 2001. Está certo que morreram 2996 americanos em resultado dos atentados terroristas e, se pensarmos nos individuais, são 2996 tragédias. No entanto, em termos estatísticos, não aconteceu nada. Em 2001, nos USA, por cada pessoa que morreu nos atentados, morreram 14 pessoas em acidentes de trânsito e não houve uma guerra às estradas.

Do que é que os Americanos têm medo?
Há três factos que, desligados, não fazem sentido mas que, em conjunto, fazem soar os sinais de alarme.
1) O Iraque encomendou 54000 metros de tubos de alumínio com 7.44cm de diâmetro interno.
2) O Iraque comprou 550 t de Urânio.
3) O Iraque tem refinarias de petróleo.
As 550t de Urânio estavam inventariadas e "presas" pela IAEA mas estavam lá e constava que o Iraque procurava comprar secretamente Urânio à Nigéria.
Mas para fazer uma bomba atómica é preciso Urânio enriquecido em U235 superior a 50% que é muito difícil de conseguir, ou de Plutónio que obriga a ter uma central nuclear.
Aí surgiu uma questão na minha mente. 

Será que é possível construir uma bomba atómica com Urânio Natural e sem ter uma central nuclear?

É possível. Não é preciso que seja um engenho explosivo mas apenas ser um mecanismo de contaminação radioactiva.

O reactor.
Tem que se usar um moderador sendo o Coke de Petróleo com baixo teor em boro o eleito.
Este material obtém-se como subproduto no Craking do gasóleo feito nas refinarias de petroléo. Por questões de segurança pode-se converter em grafite (que não arde facilmente) mas não é obrigatório.
Constrói-se um cilindro com 20m de diâmetro e profundidade trespassado por tubos de alumínio e envolto em água (que não permite a fuga de radiação).
Fig. 1 - O núcleo com os tubos e o escudo biológico
Seré uma silo com 8000t de Coke de Petróleo que pode fazer parte de uma instalção industrial  completamente disfarçado.

A carga de combustível.
Transforma-se o oxido de Urânio Natural em varas de metal com 1.5 cm de diametro e enfiam-se dentro de varetas de aluminio estanques que se agrupam em conjuntos de 7 que se colocam dentro dos tubos de alumínio que trespassam o reactor.
Fig. 2 - O tubo e a organização do combustível

Não havendo cálculos pormenorizados das características do reactor, não se sabe quanto combustivel é necessário para "acender" a reacção em cadeia. Para isso colocam-se alguns contadores geiguer na parede do reactor. São baratos e de fácil aquisição. Vai-se preenchendo os tubos, de fora para o centro, com combustível nuclear e vai-se marcando o nível de radioactividade num gráfico. Se não houver uma "fonte de neutrões" esta operação  tem que ser feito de forma lenta, levando meses.


A refrigeração.
A potência do reactor vai ser muito inferior ao usado numa central nuclear comercial que consegue 100MWt por m3. Aqui, não é certo qual o nível de potência mas poderá andar, no centro, num máximo de 2MWt/m3 e na periferia em 1MWt/m3.
A refrigeração será a ar atmosférico, em circuito aberto. Para controlar a reacção, haverá a possibilidade de injectar água, também em circuito aberto, nos tubos do meio.
O Alumínio não pode ultrapassar os 250ºC pelo que, caso o ar saia a um temperatura superior a 200ºC, injecta-se água no tubo até que a temperatura desça abaixo desse valor.

Usam-se varas de prata para controlar em caso de emergência o reactor e para o "desligar".


Quanto custa isto?.
Serão precisas 350t de Urânio que custam 35 milhões €, 8000t de Coke de petróleo que custam 3 milhões € e a infraestura custará  20 milhões €. Totalizará 58 milhões €.

E agora?
Agora vem o Cobalto. Pega-se em Nitrato de Cobalto (por ser solúvel em água) compacta-se nas mesmas varetas usadas para o combustivel e enfiam-se em tubos que ficaram livres no centro de reactor (onde o fluxo de neutrões é maior). Num tubo cabem 50 kg de Nitrato de Cobalto Anidro.
Também se pode colocar Cobalto metálico em esferas pequenas em latas tipo "coca-cola" de aço-inox.
A filosofia é colocar num recipiente que não precise manipulação depois da irradiação porque o material vai ficar muito radioactivo.
Lentamente, algum do Cobalto vai-se transformar em Cobalto 60.
Vamos supor acontece a transformação de 0.1% do cobalto em 3 anos. Serão 50g de material radioactivo.
Cinquenta gramas de Cobalto 60 contaminam 370 km2 durante 16 anos com uma nível de radioactividade superior a 40Ci que é o nível da zona de exclusão absoluta de Chernobyl e demorará 50 anos a atingir um nível de radioactividade aceitável.
Então, pegando nestes 50kg de nitrato de colanto e descarregando-o no Rio Hudson, Nova York deixa de poder ser habitada durante dezenas de anos.
On então, mistura-se o cobalto com um explosivo convencional e faz-se a famosa "bomba suja".

Como nos podemos proteger deste perigo?
Os USA colocaram em órbita satélites que medem o nível de radiação gama emitida pela terra.
O Oxigénio do ar e da água que passa pelo reactor torna-se activo(N16) emitindo radiação gama. Então, sendo usada refrigeração em circuito aberto, é possivel detectar um aumento da radiação gama na zona.
Mas não é certo que consiga ser detectado.
Quanto menor for a potência do reactor, mais dificil será detectá-lo.
Por isso, a paranóia dos americanos, dos israelitas e de outros é ser possível que algures perdido no meio do Irão, da Somália, do Pakistão ou de outro sítio qualquer, alguém tenha um reactor pronto a produzir cobalto 60.

Afinal, o perigo é real.
Existe mas não se pode assustar a população. O povinho acha que é imperialismo os americanos andarem por ai feitos cães danados, mas o perigo de aparecerem atentados radioactivos é muito sério não precisa de nenhuma tecnologia sofisticada.
Americanos, pá, não se destraiam.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O problema dos medicamentos a crédito

Os medicamentos são um "Ovo de Colombo": custa muito a descobrir uma molécula com efeitos terapêuticos mas, uma vez descoberta, custa pouco produzir o medicamento.
Por exemplo, supondo que o preço final de venda do medicamento da SIDA é 100€/u. então, 75€/u. vão para o laboratório que descobriu o medicamento, 24€/u. vão para a margem da comercialização (distribuidor e farmácia) e 1€/u. vai para a produção.

Fig. 1 - A suspensão dos pagamento aos fornecedores é o precursor da bancarrota

A concorrência
Se não houvesse patentes que protegessem o investimento feito na investigação então, qualquer um poderia copiar o medicamento. É o que acontece com os genéricos. Desta forma o preço do medicamento ficaria reduzido a 1.25€/u.. Aparentemente seria positivo mas acabava a investigação em novos medicamentos.
Para haver investigação de novos medicamentos a sua descoberta tem que ser lucrativa. Sem patentes, nunca o seria.
Por exemplo, as doenças tropicais, por ocorrem principalmente em países pobres, não têm potencial comercial pelo que a  investigação de novos medicamentos tem que ser subsidiada pela ONU.

A venda a crédito
A estratégia que maximiza o lucro do laboratório é afixar um preço diferente para cada país. Assim, deveria cobrar um preço elevado nos países ricos e um preço baixo nos países pobres que, de outra forma , não compraria o medicamento. Chama-se a isto a "divisão do mercado".
Por exemplo, vendendo o medicamento da SIDA nos países da OCDE a 76€/u. (+24€ para a comercialização), nos países intermédios a 36€/u.(+14€ para a comercialização) e nos países pobres a 5€/u. (+2€ para a comercialização).
Mas é proibido pelo Organização Mundial do Comercio vender a preços diferentes em regiões diferentes. A literatura diz que isso uma prática anti-concorrencial.
Então, uma alternativa permitida é vender a crédito para os países mais pobres sendo os juros imputados ao vendedor.

O preço real de venda
Como os laboratórios não são instituições de crédito, uma vez efectuada a venda, o activo é transaccionado à taxa de juro do mercado.
Por exemplo, o laboratório vende a 100€/u. para a República Centro Africana que só vai pagar daqui a 10 anos. Vamos supor uma taxa de juro de mercado de 35%/ano então, o laboratório vai vender essa divida por 5€ = (1+35%)^-10. Apesar de formalmente vender por 100€, de facto está a vender por 5€.
A República Centro Africana arranja países doadores que comprem os activos ao laboratório pelos 5€/u.
O mais interessante é que o mercado diz automaticamente na taxa de juro quais os países financeiramente mais frágeis e que por isso incorpora automaticamente maior desconto para os mais frágeis.

Esta também é uma das razões para os países venderem bens e serviços que têm no preço final  uma componente fixa muito elevada (por exemplo, aviões comerciais, reactores nucleares, submarinos, etc.): é um desconto no preço real sem o ser no preço nominal.

O problema grego e português.
O medicamento é vendido a 100€/u. dos quais 25€/u. são para a comercialização.
Em Portugal a farmácia recebe 100€/u. a um ano. Então, para uma taxa de juro de 17%/ano (que é quanto está o Risco da República), vai ser equivalente a vender a pronto por 85.5€/u. A farmácia retira  25€/u. e entrega 60.5€/u ao laboratório que paga 1€/u. pela produção. OK, o laboratório teve uma margem de 59.5€/u.
Agora vejamos a Grécia que está a pagar os medicamentos com 3 anos de atraso e com taxas de juro da república na ordem dos 65%/ano.
A farmácia grega vendeu por 100€ mas é equivalente a receber a pronto 22.26€ =  (1+65%)^-3. Descontando os 25€/u. para a comercialização, não fica nada para o laboratório que não consegue pagar os custos de produção.
Naturalmente, o laboratório recusa-se a vender pois, no mínimo dos mínimos, tinha que receber 1€/u.
Acresce ainda o risco de os hospitais gregos começarem a vender os medicamentos, que não pagam, para países terceiros prejudicando as vendas do laboratório.

Será um problema muito grave?
Gravíssimo.
Ai mas as pessoas têm direito a um Serviço Nacional de Saúde universal e de qualidade, blá blá blá blá.
Mas porque será que nos países com menor rendimento as pessoas duram menos tempo?

Fig. 1 - Relação entre esperança de vida à nascença e PIB per capital, ppc (fonte: Banco Mundial)

São os direitos abstratos que depois não há como fazer cumprir.
É como o Alberto João que pensa ser justificação para a divida colossal ter feito muitas coisas.
Primeiro, são obras de pequena utilidade. Se assim não fosse, as obras geravam receitas capazes de amortizar o investimento não sendo preciso carregar os cubanos do cont'nente.
Segundo, se os Madeirenses têm direito a viver bem, também  os de Arouca e os de Marrocos e não me consta que façam lá obras escondidas e depois nos venham apresentar a conta.

Escolhe outro, amigo.
Ser pobre custa muito mas quem não pode, não pode. Não vale a pena berrar.

Pedro Cosme Costa Vieira



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A constituição e o limite ao endividamento

Estimado Francisco, obrigado pela questão.
A taxa de juro real de longo prazo exigida a Portugal está acima de 10%/ano. Real quer dizer que se retira da taxa nominal, 12 ponto tal, a taxa de inflação, 2%/ano. Estas taxas de juro levam qualquer país à miséria. São taxas observadas apenas em países em guerra.
A taxa está elevada porque os credores não acreditam que Portugal vá pagar o que deve. Ou vai entrar em bancarrota ou vai abandonar o Euro.
Nunca nenhum país conseguiu manter-se numa zona monetária (i.e., o câmbio fixo) depois de os credores anteciparem que iria sair.

Fig. 1 - Angola, diz a Constituição, é uma Democracia.
Erfuhr von der portugiesischen (este aprendeu com os portugueses)

É uma profecia que se faz auto-concretizar.
Imagine que um barco de recreio que afunda a 10 km da costa e decorrida uma hora chega o pedido de socorro aos helicopteristas. Se estes estão a jogar sueca e dizem "éh pá, o mar está muito bravo, vão morrer todos na mesma, não vale a pena apressarmo-nos", automaticamente que morrem todos.

Será que o Salazar era um froxo?
Nunca mais as taxas de juro vão descer. Isto já aconteceu centenas de vezes e nunca teve solução. É esta a razão porque cada país tem a sua moeda. O Francisco não se recorda, mas nas "províncias ultramarinas" começou por circular o Escudo mas o Salazar teve que criar uma moeda para província. Mesmo dizendo que eram parte integrante de Portugal, não conseguiu manter a províncias ultramarinas integradas na Zona Escudo.
Até o Macauzito teve que ter a Pataca que ainda hoje perdura. A China não integrou Macau na sua Zona Monetária. Serão os chinas nabos e nós os mais finos do Mundo? Mau. Eu sou democrata e 1300 milhões a dizer que não funciona e 10 milhões a dizer que funciona, eu vou pelos 1300 milhões.

Eu andava no Thai Shi
E havia um Grande Mestre Chinês que, uma vez por ano, vinha de Inglaterra dar uma aula. Batia com o pé no chão e o prédio estremecia todo mas eu, está quieto que isto é frágil. "Nau, Nau foot stlong, stlong". Um dia, "stlong, stlong, bummmm, aiiiiiii, xhau xhing stal fui di do". Partiu o tornozelo.

Escrever na Constituição
Portugal assinou tratados com a UE na qual se comprometeu a ter um défice menor que 3% do PIB, tendencialmente 0% e uma dívida pública inferior a 60% do PIB, tendencialmente 30%. Mas nunca cumpriu. E o governo do Guterres, Santana Lopes, Sócrates, Alberto João e grande percentagem da população portuguesa está-se borrifando para isso.
Então, assinar mais papeis não aumenta a nossa credibilidade em nada.
A sr.a Merkel pensou que, se os PIIGS escreverem na Constituição, talvez eu consiga convencer os alemães a ajudá-los.

É perda de tempo.
Vamos supor que se escreve na constituição que a défice tem que ser menor que 3% do PIB. Na lei do orçamento, tudo bem: se estiver lá previsto um défice maior que 3%, a lei de orçamento será inconstitucional.
O problema está na concretização do orçamento. Como se faz quando houver um desvio? o Estado não paga? Os credores perdem o dinheiro? O tribunal de contas tem que dar visto prévio? mas agora já é praticamente assim e ninguém cumpre.

O que está escrito na Constituição
Que toda a pessoa tem direito a constituir família. E as feias e gordas que não arranjam ninguém o que podem fazer? Metém o Estado em tribunal? Pedem ao Tribunal Constitucional que lhes arrange um parceiro? Pedem indemnização ao Estado? Ainda na sexta-feira passada uma veio a minha casa com essa conversa. A Constituição, a Constituição, ... Fui logo consultar um advogado que me disse que todos temos obrigação de promover o cumprimento da Constituição pelo que vou ter que a carimbar. Lá terá que ser por obrigação da Constitucional.
O Afeganistão escreveu na Constituição que é um estado laico e que a pessoa pode ter a religião que quiser. Alguém acredita que vão dar cumprimento a isto?
O Kadaffi também dizia que era um democrata.

Não vale a pena perder tinta com isso.
É como um mulher feia pensar que dizendo trinta vezes seguida que é bonita que melhora. Não vale a pena. Ninguém vai acreditar que, de repente, vamos mudar de caloteiros para cumpridores.
E depois mete-se o Alberto João a Primeiro Ministro.
E é pior escrever pensando que os nossos problemas vão ficar resolvidos, depois constatar que as taxas de juro se mantêm altas, e o povo ver que o Governo não sabe o que anda a fazer.

Temos é que tratar dos nossos problemas.
Cortar salários o que irá reduzir o desemprego, aumentar as exportações e trazer crescimento económico.
Aumentar os impostos e reduzir as reformas, abonos, assistência médica, ensino, para reduzir o endividamento do Estado.
Sair do euro.
Tudo o resto é dar rebuçados benzidos pelo Padre Pio pensando que curam o cancro.

Um abraço,

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 3 de setembro de 2011

Será que o governo se aguenta até ao Natal?

O Pedro é bom rapaz, o Álvaro é uma jóia, o Gaspar é um castiço sempre a dar sinais de luzes com as mãos. Mas este governo é fracote. Pensam que as coisas se resolvem com falas mansas, com um aumentozito e logo depois um passe social para os coitadinhos. Não vão a lado nenhum  

Fig. 1 - É o bicho, é o bicho vou-tas apalpar.

O PSD e a mamadeira.
As pessoas acreditam em milagres. Os da direitistas acreditam na "Nossa Senhora de Fátima" e no "Valha-me Deus" e os esquerditas na "defesa da classe média", no "ataque aos capitalistas" e na "redução da despesa". Tudo miragens.
Depois vem o concreto.
Na Madeira são 500 milhões nas duas primeira "pinguinhas" pois, como reconheceu o Alberto João, as coisas agora vão vir, virão, às pinguinhas. Eu diria, no fim do virão, serão baldadas.
Temos as empresas públicas controladas pelos PSDezistas e que é preciso liquidar.
Temos as empresas privadas que têm as PPPs, contratos de SCUTS, TGVs, e cancalhada, as éolicas e a co-geração que recebem do PERE e que são geridas por PSDistas.
Ei no que o homem foi mexer.
Até a Ferreira Leite veio a terreiro.

O que é preciso fazer: dizer a verdade.

Fig. 2 - A senhora tem uns olhos bonitos pelo que fazendo umas madeixas, fica perfeita.

1. Portugal está completamente falido.
Fora o dinheiro que a Troika mete cá, o Estado endivida-se 500milhões de € a cada 15 dias a um prazo de 6 meses. Quer dizer que daqui a 6 meses vai ter que pagar estes empréstimos e não tem onde ir buscar dinheiro. Daqui a 6 meses, vai-se endividar 500M€ por semana. É uma loucura total.
Mesmo assim, não consegue pagar aos advogados, os medicamentos dos hospitais, as obras em curso, fornecimentos, está a atrasar todos os pagamentos. É uma falência total.

2. Não é possível cortar a despesa pública.
Como já referi, 2/3 da despesa são transferências da Segurança Social (reformas, RSI, Sub. de  desemprego, abonos, ajuda aos velhinhos dos lares, crianças abandonadas) e salários. Como é possível cortar isto se não se fala em cortar reformas nem salários?
No que sobra, 35% são despesas em saúde que não salários. Como é possível cortar isto se não se fala em renegociar os contratos de fornecimentos de serviços?
É impossível. É uma mentira para anestesiar. Depois vai acontecer como no tempo do Sócrates e na Madeira, nada se concretiza.

Onde estão os instrumentos de política.
Imaginem um carro que gasta 6l/100km e eu anuncio que vou reduzir o consumo como nunca ninguém conseguiu fazer desde 1950. Mas vou reduzir como? Que instrumento é que eu vou utilizar? Fica-se pela minha vontade de entrar no guinness? Eu teria que dizer que "existe um parafuso no carburador que virando para a direita meia volta, o consumo reduz-se e vamos usar esse parafuso".
O governo tinha que dizer os instrumentos de política que vai utilizar.
Como vai reduzir a despesa da S.S.? Vai reduzir as pensões?
Como vai reduzir a despesa no ensino? Vai reduzir os salários?
E na prestação de serviços? Vai fazer uma lei em que os pagamentos nos acordos de PPPs se reduzem em 10%?
Corta na Saúde como? As pessoas vão pagar mais taxas moderadoras? Vai fazer o quê?
Isto é conversa para adormecer as criancinhas e o pisca pisca é para nos hipnotizar.
Eu vou, pisca pisca, cortar, pisca pisca, na despesa, pisca pisca, e vou ajudar, pisca pisca, toda a gente, pisca pisca, a Madeira, pisca pisca, vai assinar, pisca pisca, um acordo, pisca pisca, de estabilização, pisca pisca, a gente entrega-lhe a massa, pisca pisca, e o Alberto João usa o acordo, pisca pisca, para limpar o cu.
O estimado leitor provavelmente não percebeu o fim da frase anterior porque já estava hipnotizado. Volte lá para ver que o governo vai mandar 1000M€ para a Madeira e eles continuam no regabofe.

3. Falar claramente nos impostos.
O Gaspar tem que dizer claramente que os impostos têm que subir 20%. Que o IVA tem que ir para 30%. Que as contribuições para a Segurança Social têm que aumentar 20%. Que os preços dos transportes têm que aumentar mais 20%.

Estamos num manicómio.
Subiram os transportes e quando o povo já estava preparado, voltam atrás ficando as pessoas a pagar ainda menos que pagavam antes dos aumentos. Mas o Estado não vai compensar as Empresas Públicas.
Então quem vai? Vão falir? Conversa fiada.
E os Estaleiros de Viana do Castelo? Mais um adiamento e lá continuam 720 homens ao alto.

Diz o Papa, o Jorge Nuno.
Quando começam a dizer que um jogador ou treinador está a pedra e cal, dura lá pouco.
Quando o Gaspar vem dizer que "não vamos falhar" para depois amenizar "não podemos falhar" e dar logo o dito por não dito "falhar será terrível" quer dizer que não é capaz de levar a nau a bom porto.
Já falhou e será terrível, pisca pisca.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A redução do desemprego não existe

Os meios de comunicação social não param de anunciar que, nos últimos dois meses, houve uma redução do desemprego. Mas isto não corresponde à verdade. De facto, houve um aumento de 20 mil o que traduz o acelerar da velocidade de perda de emprego.Vejamos porquê.

A estatística.
A quantificação da taxa de desemprego é complexo porque lida com a vontade das pessoas (se, ao salário de mercado,  pretendem trabalhar mais).
Por exemplo, uma pessoa que trabalha 30h/semana e está à procura de um part-time para trabalhar mais 15h/semana, está 33% desempregada. Outra pessoa que não trabalha porque não quer trabalhar, não está desempregada.
Assim, ninguém sabe em concreto qual a taxa de desemprego.
A Estatística é uma ciência que permite medir fenómenos complexos. Mas os números obtidos pela estatística não são exactos mas apenas tendências.
Por exemplo, dizer que as pessoas que fumam têm uma probabilidade em 50% superior à média de morrer de cancro do pulmão não quer dizer que eu, se fumasse, ia morrer de cancro do pulmão. É apenas um tendência.

O Desemprego.
As variáveis económicas oscilam ao longo do ano, é a sazonalidade. Por exemplo, no verão vendem-se mais gelados que no inverno. No caso do desemprego, acontece o mesmo: no segundo trimestre do ano há menos desemprego que na média:
1.º trimestre   2.º trimestre    3.º trimestre   4.º trimestre
      101%            96%               100%            104%
Como nestes meses muita gente quer gozar férias, por um lado, menos pessoas procuram trabalho e, por outro lado, há necessidade de contratar bastantes pessoas para as actividades de verão.
Entre o 4.º trimestre e o 1.º trimestre, o desemprego diminui 2.3% e entre o 1.º trimestre e o 2.º trimestre, o desemprego diminui mais 5.6% motivado apenas pela a sazonalidade. Sempre que a diminuição é menor que estes valores médios, o desemprego aumentou.
Mas esta diminuição não traduz nenhuma redução do problema do desemprego.

O desemprego aumentou em 20 mil
Se a taxa de desemprego no primeiro trimestre foi de 12.4%, para haver diminuição teria que no segundo trimestre ficar abaixo dos 11.7%. No entanto, ficou-se pelos 12.1% pelo que houve um agravamento de 0.4pp.
O desemprego reduziu para 605 mil pessoa e deveria ter reduzido para 585 mil pessoas. Em termos de tendência, no espaço de um trimestre, o desemprego aumentou em 20 mil pessoas.
Este número traduz uma aceleração do desemprego. Nos últimos 10 anos, em média, o número de desempregados aumento 10 mil por trimestre e neste último, a tendência foi de aumento em 20 mil.
A coisa está a ficar cada vez mais preta.

O governo
Não disse nada o que já é uma diferença para com o Sócrates que todos os anos nos massacrava com a redução dos primeiros 6 meses do ano para se calar com os aumentos dos últimos 6 meses.
Mas esse dava para ir governar a Madeira. Os dois lá, eram como unha e carne.
Vamos então aguardar. Que remédio.

A Madeira.
É a Troika, é a maçonaria, é o socialismo, é a falta de vergonha.
É a prova provada que vamos a caminho ao abismo.
Mais vale chamarmos o Kadaffi, que está no desemprego, para nos governar.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 30 de agosto de 2011

É preciso dar uma passo atrás

A Europa vive em crise e, contrariamente ao defendido por alguns, é preciso dar um passo atrás.
Neste post vou justificar o porquê de a estabilização da União Europeia obrigar a alterar a estrutura da Zona Euro: os PIIGS têm que sair.


Guerra e paz.
A tendência dos povos é oscilar entre a guerra e a paz.
No período de paz a economia desenvolve-se e os povos melhoram o seu nível de vida.
No período de guerra a economia regride e os povos pioram o seu nível de vida.
Como a guerra prejudica o agredido e o agressor, é irracional que os povos não levem uma perene convivência pacífica.
Onde estará a racionalidade da guerra?
Todos os dias há noticias de novas guerras pelo que tem que haver uma racionalidade nisso.
Em 1928 um economista, Cournot, começou a desvendar este mistério ao criar o conceito de comportamento estratégico.

Teoria do Monopólio Bilateral.
Vamos supor que existe o indivíduo A que tem 100€ que tem que dividir com o individuo B. Se B não ficar contente com a divisão recusa-a ficando ambos sem nada.
A lógica indica que se o A oferecer 5€, o B aceita porque é melhor que ficar sem nada.
Mas o B tem o poder de chantagiar o A ameaçando que ele vai perder tudo.
O B tem que criar a reputação de que é invejoso.

Será bluff?
Um assaltante entra num banco e diz "abra o cofre ou eu mato-o".
Se o bancário se recusar a abrir o cofre para que é que o assaltante o vai matar?
Depois de morto, de certeza que não abre o cofre.
É uma questão de reputação.

66/33
A evidência empírica indica que a maioria dos indivíduos não aceita uma divisão inferior a 33%.
Quando existe na sociedade um grupo social com um rendimento inferior a 50% da mediana dos rendimentos (o tal limiar de pobreza relativa), esse grupo torna-se violento, deixando de respeitar as normas sociais vigentes.
É esta a razão para a violência observada nos subúrbios das cidades europeias. Já que os mais ricos não nos dão parte significativa do seu rendimento, vamos destruir tudo, inclusive, o pouco que temos.
Uma sociedade não se torna instável por ser heterogénea. Antes, os indivíduos desfavorecidos têm que formar um grupo, por exemplo, os ciganos, os africanos, os judeus, os brancos, os russos, os Alcaidistas.

A moralidade imoral
Os desfavorecidos entranham-se de uma nova moralidade.
     Ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão.
     Roubar para comer não é pecado.
     Deus criou o melro com a missão de roubar para dar de comer aos filhinhos.
     Roubar aos ricos para dar aos pobres é heróico.
     Pecado é roubar e não poder carregar.
     Deus quando criou o Sol foi para todos.
     Desenrascar é próprio do português.

Como se resolve este problema?
Dentro de um país a sociedade tem que ser homogénea.
Então, no fim da I Guerra Mundial a Sociedade das Nações procurou acabar com os Impérios e substitui-los por Estados - Nação. Ainda hoje é essa a filosofia das Nações Unidas.
Pensava-se que a guerra acabaria quando cada povo tivesse um país para governar.

Mas a guerra continuou.
Porque dois povos não podem ser vizinhos e coexistir em paz se um tiver um rendimento muito superior ao outro. Mesmo que o rico não queira imperar sobre o pobre, o pobre ameaça o rico da destruição.
É esta a estratégia da Coreia do Norte.
É esta a estratégia dos PIIGS quando dizemos que vamos destruir o Euro.
À sua pequena escala, é esta a estratégia do Alberto João quando diz que a Madeira quer ser independente.
Força. Já havia de ter sido em 1974.
O que está a acontecer na União Europeia.
A ideia que levou à criação da União Europeia foi que, diminuindo as diferenças no rendimento dos países europeus, diminuiria a probabilidade de aparecerem novos conflitos bélicos.
Enquanto os países menos desenvolvidos receberam rios de dinheiro dos países mais desenvolvidos, as coisas funcionaram bem. O problema começa a surgir quando o desempenho económico da UE piora. Nos últimos 10 anos, o rendimento disponível nos 5 grandes países da UE têm crescido a uma taxa inferior a 1% por ano.
Alemanha: 0.9%/ano; RU: 0.8%/ano; Espanha: 0.7%/ano; França: 0.5%/ano;  Itália: -0.4%/ano.
(PIB per capita, paridade do poder de compra, preços constantes, fonte: Banco Mundial)
Agora, os povos mais desenvolvidos não querem transferir rendimento para os menos desenvolvidos.

Qual a solução para ultrapassar a crise?
Como justifiquei, já não parece um acaso que a crise seja mais grave nos países que adoptaram a moeda única. O caminhar para maior integração leva a que os povos menos desenvolvidos se sintam dentro de um império tornando-se mais ameaçadores da estabilidade.
A solução terá que ser diminuir a integração e não aumentar.
Insistir em maior integração avançando-se para uma governação económica à escala da Zona Euro, é traçar o fim da União Europeia.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os nossos governantes são mesmo burros

O Krugman pregava que Portugal tinha que aumenar o investimento público, e o Sócrates aplaudia e vinha aquele do olhinho fechado e o delfim dele, o Medina, bater palmas e chamar-me burro.
Vinha aquele da câmara de Lisboa, o Costa,
-aí que esses catastrofistas são uns burros, o Kruman e o Stiglitz que são Premio Nobel sabendo muito mais que esses burros, dizem que descer salários e cortar no investimento é uma barbaridade.

É preciso ser pedagógico.
Um cigano fazia pequenos furtos a um vizino. Umas maçãs, uns pepinos, nada de monta mas chateava.
Certo dia pensou que estava errado e foi falar com o vizinho:
-Aí, sr. vizinho, desculpe-me que eu tenho-lhe roubado umas coisas, mas não volta a acontecer.
- Deixa  lá pá. Não precisas mudar de vida - disse o vizinho 
O cigano acredito e nessa mesma noite foi roubar mais umas coisita. Tentar. Pumba, pumba, chumbou com dois tiros de caçadeira entre os olhos. Emendou-se de vez.

O Krugman foi igual.
Não é preciso fazer isso, gastem mais, invistam em mais TGVs e outras trampas.
Agora vem com os dois tiros de caçadeira entre os olhos:
Portugal está em bancarrota.
Portugal é o pior da Zona Euro
Portugal tem que sair do Euro

Mas isso já eu tinha dito.

Secalhar agora é torcer a orelha e ver que os burros é que sabiam o caminho.

Pedro Cosme Costa Vieira


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Querem uma linha de comboio de carga desde Sines até Madrid. Asneira.

O Salazar, quando pensou no Porto de Sines, estava maluco. Imaginou, nos anos 1930, Portugal como o maior império do Mundo, isolado, onde o transporte marítimo faria a ligação entre a metrópole e as pérolas do império. Evidentemente que estava maluco e, além do mais, já passaram 80 anos. Na altura não havia aviões nem camiões TIR.
Nos dias de hoje pensar que Sines vai ser a porta de entrada da Península Ibérica é continuar essa loucura.

A ideia parecer correcta mas a pior das ideias erradas é aquela que parece estar certa.

Primeiro, pensar que, por Sines ser um porto de águas profundas é uma vantagem que vai garantir sucesso ao porto, é não querer ver que os petroleiros descarregam nas bóias e que, com a reabertura do Canal do Suez, os barcos de contentores já não precisam deste tipo de portos. É viver de memórias.
Segundo, Madrid é servido pelo Porto de Valência que dista apenas 350 km em auto-estrada sem portagem. A distância de Sines a Madrid são 660 km, 90% em auto-estrada, mas as portuguesas têm portagem.


Terceiro, 0 transporte ferroviário de contentores não é competitivo relativamente ao transporte em Camião TIR. O Camião carrega o contentor em Sines e leva-o até ao destino, por exemplo, na Zona Industrial de Valadolide. De comboio, tem que fazer não sei quantos transbordos, paragens e esperas.
Quarto, Portugal gastou milhares de milhões de Euros em auto-estradas pelo que não pode agora fazer novas infra-estruturas para lhes retirar movimento. O guterrismo-socratismo cometeu a loucura de fazer auto-estradas onde não viaja ninguém. Este governo quer retirar das auto-estradas o pouco transito que têm. E depois quem as vai pagar? Mais impostos.
Pensar que Sines, com ou sem linha de caminho de ferro é alternativa a Valência, é de uma loucura. Vai ser enterrar mais uns milhares de milhões de euros num projecto que não tem qualquer viabilidade.

No fundo, os governantes são todos iguais: a principio parecem competentes. com o passar do tempo ve-se que têm competência duvidosa, que decidem com base em pareceres errados e que querem mostrar obras megalómanas sem utilidade nenhuma.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 14 de agosto de 2011

Cinco questões de um comentarista


Estive a ler um comentário com umas questões muito pertinentes.
Se os amigos me colocarem dúvidas, torna-se mais fácil eu encaminhar o meu pensamento para as vossas dificuldades. Obrigado.

Questão 1. Antes, no tempo do escudo, as nossas notas perante o endividamento externo iam para o Banco Central de Portugal. Hoje vão para o estrangeiro. Que diferença faz?
A liquidez diminui menos por irem para o Banco Central de Portugal?

Resposta 1: Não era no endividamento porque ninguém emprestava dinheiro em escudos. Quando alguém queria divisas entregava as notas de Escudos ao Banco de Portugal (que as trocava por Divisas) mas não ficava, necessáriamente, lá. Vendo que a quantidade de escudos em circulação tinha diminuido, o BC re-injectava essas notas em circulação pela compra de Titulos do Tesouro aos bancos (operações de Open Market) o que levava à diminuição da taxa de desconto (a extinta LISBOR). Quando a taxa de inflação estava abaixo do objectivo, o BP injectava mais moeda em circulação e, no caso contrário, o BP retirava moeda de circulação (subia a LISBOR). Este mecanismo de esterilização é independente da quantidade de reservas de divisas que eram controladas pela cotação do Escudo.

Questão 2. A diminuição da liquidez com o euro é mais rápida porque? Se sim, não deveria facilitar o ajustamento pela via da deflação?

Resposta 2: Com os Euros, o BCE tem em atenção no nível médio de liquidez (inflação) em toda a zona euro pelo que não consegue controlar a liquidez num país periférico e de pequena dimensão como Portugal. O BCE não pode injectar moeda só em Portugal porque ela caminha para outros sitios, fazendo aumentar a inflação média da zona euro. Isso violaria o seu mandato de estabilidade dos preços.
Realmente a quebra de liquidez induz uma diminuição dos preços. Mas os preços diminuindo, os salários reais (dados pelos salários nominais a dividir pelo nível de preços) aumenta, levando as empresas à falência.
Como os salários nominais não podem descer e o mercado de trabalho não é flexivel, a diminuição da liquidez leva ao desequilíbrio interno da economia: o desemprego explode.

Questão 3. "Guardar moeda é, em termos económicos, igual a emprestar as nossas poupanças porque o Banco Central (ver, cambista) acomoda a minha poupança emitindo exactamente a mesma quantidade de nova moeda." Como funciona isto?

Resposta 3: O BC mede, via taxa de inflação, a quantidade de moeda em circulação. O BC tem várias variáveis que observa todos os dias (compras de aço de construção, cimento, adubos, portagens nas auto-estradas, chamadas telefónicas, consumo de electricidade, EURIBOR, etc.) e com isso constrói uma estimativa das necessidades de liquidez da economia. Observando uma diminuição da liquidez, injecta moeda e, caso contrário, retira moeda.
A liquidez aumenta com a quantidade de moeda em circulação e diminui com o entesouramento dos particulares (diminuição da velocidade média de circulação)

Questão 4. Não poderia fazer uma discussão/ensaio sobre o interesse e as vantagens de Portugal em ter uma moeda forte como o euro ou mais fraca como o escudo. Não é esta uma das questões mais importantes?

Resposta 4: A moeda ser forte ou fraca tem apenas a ver com a taxa de inflação do país que tem essa moeda. Se houver inflação, a moeda não pode ser usada como reserva de valor (porque desvaloriza) pelo que se diz fraca.
Portugal pode ter Escudo e ser uma moeda forte. Mas para se construir uma reputação de que não vai haver inflação, é preciso um historial de muitas décadas com inflação baixa.
O Euro é uma moeda forte porque a Alemanha e a Fraça dão-lhe essa reputação: nos últimos 50 anos, estes países tiveram uma taxa de inflação baixa e, se perguntarmos na rua, a grande maioria dos povos destes países é a favor desta política monetária.
Quantas pessoas importantes portuguesas aparecem na televisão portuguesa a pedir maior taxa de inflação? na Almanha não existe ninguém que o afirme.

Qual o interesse de uma moeda forte?
Em termos teóricos, não existem vantagens nem inconvenientes em ter uma moeda forte. O importante é que a taxa de inflação seja constante. Se variar, os investimentos de longo prazo passam a ter um risco acrescido pelo que há uma tendência para que não se realizem.
A evidencia empirica diz que os Estados que permitem uma taxa de inflação elevada têm menos rigor em manter essa taxa de inflação estável. Por isso, os agentes económicos localizados em Estados com taxa de inflação mais elevada têm que pagar taxas de juro reais mais elevadas pelo que o investimento e o crescimento económico fica menor.

Os USA, onde as pessoas têm um poder de compra 50% superior ao da União Europeia, desde a independencia em 1776 que têm um Historial de inflação baixa. Por exemplo, nos últimos 100 anos (em que travaram 2 guerras mundiais), a taxa de inflação média foi de 3.25%/ano e nos últimos últimos 25 anos foi 2.93%/ano.
O USDólar é a moeda de referência em todo o mundo porque mais nenhum país do mundo tem um historial de inflação baixa minimamente comparável.

Questão 5. Relativamente ao endividamento do cambista, é possível os Bancos centrais endividarem-se de qualquer maneira? Não são assistidos ou acompanhados por nenhuma entidade de supervisão?

Resposta 5: Os países são livres de conduzir a politica monetária que quizerem. Quando o BC conduz cambios flexiveis desvalorizando quando há defice corrente e valorizando quando há superávite, a situação é estável, sendo a moeda convertível. Isto funciona mesmo em países muito pobres.
Um regime de cambios flexiveis bem governado precisa de reservas de divisas pelo menos na ordem do valor das importações de 6 meses.
Por exemplo, Moçambique importa 4.8MM€ por ano pelo que deve ter pelo menso 2.4MM$ em divisas.
Como moçambique paga uma taxa de juro elevada (>10%) estas divisas seriam um encargo grande. Então, se o BCM se comportar adequadamente, o FMI empresta este dinheiro sem cobrar juros.
Depois, o FMI dá aconselhamento técnico quanto às políticas monetárias e de câmbios.

A generalidade dos governantes pensam que o trabalho do BC é uma brincadeira. Se o broquista more que é economista pensa isto, imagine como será dificil convencer o Chaves de que a governação do BC é uma ciência.  Nestes caso de má governação, o BC fica sem reservas, a moeda deixa de ser convertível e as reservas do BC têm que ser compradas.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Quanto vale um aluno de 10 valores?

Estimados amigos,
Andam por ai às voltas com as notas a matemática e a português serem negativas.
A questão que os avaliadores têm que responder é quanto vale um aluno de 10 valores.
Não deve valer nada.
Uma pessoa que saiba falar português com apenas uma calinada aqui e outra acolá, tem que ter 10 valores. A escola tem que construir cidadão integrados, válidos e produtivos não é poetas e trovadores.

Metade da população tem uma inteligência abaixo de 100
Ou estas pessoas ficam com a terceira classe, ou a escola é inclusiva como nos países mais desenvolvidos e faz o melhor possível com estes cidadão. Se fizemos como o Hitler que os matava, aí sim, podíamos ter uma escola só para a elite. Mas não pode ser assim.
O 10 deve ser entendido como uma medalha dos paraolímpicos. Uma medalha na maratona quer dizer que sabe caminhar. Anda muito mais depressa que um acamado. Óptimo.
Antes que tudo, a escola tem que valorizar os indivíduos que tem para que se tornem trabalhadores mais produtivos, mais criativos, cidadão mais integrados, mais felizes mais do que são e não os melhores do mundo.

Para que serve aprender português?
Um dia fui arguir uma tese a Coimbra e o orientador era grego. Dizia ele, para que é que eu perdi tempo na escola a aprender grego? Para que é que se perde tempo a ensinar português? É a língua materna, cada um aprende por si. Temos que ter aulas é de inglês e de outras línguas estrangeiras.
Fala mal? faz parte da cultura, é um regionalismo. É mesmo assim.

As notas deveriam ser assim
Criou-se a norma de que o aluno com 10 tem aprovação. Então, como Deus tem inteligência infinita e os homens têm a que têm, as notas devem ser adaptadas à humanidade. O vinte está lá para reconhecer os alunos que são muito bons. E esses representam 10% da população.
Deveria ser uma distribuição normal mais ou menso com  média 15 valores e o desvio padrão 3.33 valores.
Em 10 mil alunos, deveria haver as seguintes notas:

Nota:      5         6          7             8              9              10           11           12
Alunos:  23       34       72           141         251          410         613         840
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nota:       13           14           15            16             17           18           19           20
Alunos:  1049     1200       1254       1200        1049         840        613         410

Que fazer aos alunos com negativa
Esses 10% de alunos com negativa deveriam ter ensino personalizado e não voltar a assistir a aulas nas quais não compreenderam nada. Isso só cria frustração e violência.

A menina fala português? Vi logo que não. Não me safo.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 6 de agosto de 2011

Teria o Cavaco razão?

O Cavaco foi mesmo escutado.
Quando se soube, em 2009, que o Cavaco pensava estar a ser escutado desde 2008, eu, e toda a gente, julguei-o louco. Refugiou-se na Madeira, tipo a série 24horas, e não parecia dizer coisa com coisa. Parecia estar alzheimado.
Mas agora, depois de se saber que o chefe das secretas escutava quem bem entendia e dava a informação a quem pagava mais, começo a acreditar que o homem tinha razão.

Fig. 1 - Venha o bolo-rei

É uma situação gravíssima
As secretas terem uma agenda própria e responderem a interesses privados é extremamente grave.
E desculpar com o argumento de que existem empresas portuguesas estratégicas que precisam de informações confidenciais que o Estado pode fornecer, é um porreirismo gravíssimo.
Existe um Estado de Direito que tem que responder perante todos. E esse Estado tem que respeitar a lei em todas as circunstâncias. Não existem interesses que possam justificar a preversão do Estado de Direito.
Senão, é o salve-se quem puder:
O Estado escuta porque tem interesse e depois os particulares o que fazem? Matam?

Nunca esteve em causa o interesse do Estado
E as pessoas? Quem protege os indivíduos dessa máquina do Estado?
Quando uma pessoa é prejudicada, automaticamente, estão prejudicados os interesses do Estado.
Ou nós não contamos para nada?

Terá sido cometido algum crime?
Dando uma vista de olhos pelo código penal, os acontecimentos traduzem mais de 10 tipos diferentes de crimes:
1. Devassa e transmissão de segredos (art.s 192 a 197 do CP)
2. Violação de Segredo de Estado (art. 316 do CP)
3. Atentado contra a liberdade do Presidente da República (art. 327 do CP)
4. Tráfico de influências (art. 335 do CP) 
5. Descaminho de documentos colocados sob poder público (art. 355 do CP)
6. Suborno (art. 363 do CP)
7. Corrupção (art. 373, 374 do CP)
8. Peculato (art. 375 e 376 do CP)
9. Participação económica em negócio (art. 377 do CP)
10. Abuso de poder (art. 382 do CP)
11. Violação de segredo (art. 383,384 do CP)

Fig. 1 - Eu sou uma jovem boa e inocente

Pedro Cosme Costa Vieira

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