Cortar na despesa - a educação
Depois das transferências sociais e dos gastos em saúde, a educação é a rubrica orçamental que absorve mais recursos públicos
Será que o OE 2013 é exequível?
Na discussão em torno da actual crise económica portuguesa há duas perguntas que precisam ser respondidas. A primeira é se o OE2013 é exequível e a segunda é se existe uma alternativa à política de consolidação orçamental actualmente levada a cabo pelo governo português (a denominada austeridade)
Cortar na despesa - a Segurança Social
Analisando os OE2012 e OE2013, verifica-se que a consolidação real efectuada no período 2010-2013 de 10.0MM€ resulta de uma redução na despesa de 17.4MM€ (que compensa uma quebra na receita de 7.4MM€)
Será o "outro caminho" diferente da "austeridade"?
Vou mostrar que Portugal não vive em austeridade e que a "política de austeridade" é exactamente o mesmo que "a política do crescimento". Finalmente, mostrarei que o endividamento externo leva ao empobrecimento
Quanto custará Portugal sair do Euro?
Se saírmos da Zona Euro, o rendimento mantém-se mas as dívidas aumentam 25%. Actualmente ganhamos 1000 e pagamos uma prestação de 250.Se ficarmos na Zona Euro, passamos a ganhar 750 e continuamos a pagar 250.Se voltarmos ao Escudo, continuamos a ganhar 1000 e passamos a pagar 333. Isto é perfeitamente equivalente pelo que não haverá qualquer perda.
Porque os salários são altos nuns países e noutros não?
Quando eu (e outras pessoas com o António Borges) afirmo que "os salários em Portugal têm que descer para ganharmos competitividade" e assim melhorar as nossas contas externas (e o nosso nível de vida), os opositores a esta necessidade perguntam-me até quanto terão os salários que descer
O buraco dos transportes públicos
A subida dos transportes em 15%, 30% ou 50% custa muito mas vai melhorar a vida dos portugueses. De facto, o custo tem que ser pago pelos portugueses, e a política de preços baixos apenas serviu para ter uma rede de transportes exagerada e socialmente mal desenhadas.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
A poluição do Rio Tejo e o tratamento terciário
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
Israel/Palestina - O problema é ninguem querer resolver o problema
Este problema concentra-se num território onde vivem 13,3 milhões de pessoas mas que é muito pequeno, comparável com o nosso Alentejo (que só tem 760 mil habitantes).
O problema é a psicologia de porco.
Todos querem estar no mesmo sítio ao mesmo tempo.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a generalidade dos países reconheceu que os judeus tinham direito a construir um país lá.
Os palestinianos, estando com mais força, iniciaram uma guerra para expulsar os judeus de lá.
No entretanto, os judeus tornaram-se muito mais fortes e dominaram o território todo.
Agora, países que não têm nada a ver com o assunto (como o Irão ou a Turquia) acendem este conflito porque dá ganhos políticos internos.
Vamos à solução em cima da mesa.
1) Os palestinianos querem ter um país e a maioria dos 5 milhões de refugiados quer viver nesse país.
2) Israel quer ficar com a totalidade de Jerusalém mantendo-se o Monte do Templo com jurisdição jordana.
Problema 1 - Os judeus querem Jerusalém Oriental (área de 64 km2).
Problema 2 - A Faixa de Gaza (365 km²) mais a Cisjordânia (5640 km²) não dão para meter tanta gente.
Problema 3 - A Península do Sinai é desértica.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
A notícia falsa sobre o Mundo estar cada vez mais desigual.
E isto é uma notícia falsa que a nossa comunicação social poderia ter verificado pois nem sequer é verdade considerando os países como unidade de análise, isto é, calculando uma média simples dos países.
A desigualdade acontece por dois caminhos.
O primeiro caminho é porque, dentro de cada país, a desigualdade diminui. Mas o caminho mais importante é porque a desigualdade entre os países pobres e os países desenvolvidos tem diminuído.
O fenómeno da convergência no desenvolvimento dos países (o catching up) é algo que sempre aconteceu e chama-se difusão tecnológica e cultural (os esquerdistas chama-lhe colonização).
Nós ainda vivemos o impacto da "Revolução Industrial" que começou na Inglaterra, depois, difundiu-se para a Holanda, Alemanha, França, ... e, agora, está a toda a força na China, a começar na Índia, Indonésia, ... e que também chegará a África.
Podemos ver que os 10 maiores países em desenvolvimento onde vive mais de metade da população mundial cresceram entre 1990 e 2016 uma média de 6,0%/ano (ver Tabela 1) enquanto que os 10 países mais desenvolvidos cresceram entre 1990 e 2016 uma média de 1,2%/ano (ver Tabela 2).
Por comparação, nestes 26 anos, Portugal cresceu 1,14%/ano e a Espanha 1,31%/ano.
|
Tabela 2 - Crescimento dos maiores países desenvolvidos, 1990/2016 (dados, Banco Mundial)
|
O sonho pela sociedade igualitária levou a inúmeros massacres deste os estalinistas, maoistas, dos kmer vermelhos até aos que aconteceram nas nossas ex-colónias (o 27 de Maio de 1977 angolano foi uma amostra). Interessante o nosso Ministério Público não se preocupar por esses massacres e preocupar-se com a eventualidade de um fulano ter dado 740 mil euros a um português. Venham mais desses angolanos!!!
E nos vistos gold, alguém pergunta de onde vem o dinheiro?
Alguém perguntou a Isabel dos Santos de onde vieram os milhares de milhões de euros que afundou no BCP?
Calculando a evolução do Coeficiente de Gini.
Quando li as notícias, pensei que, pegando nos países como unidade de análise, a média do Coeficiente de Gini estava a aumentar. Peguei nos 27 países com mais de 50 milhões de habitantes (têm 77% da população mundial), fui buscar ao Banco Mundial os dados, preenchi os buracos da base de dados e calculei, para cada ano, a média ponderada do coeficiente usando a população como ponderador. O resultado foi verificar-se uma descida da desigualdade!!!! (ver Fig.1).
Primeiro, vou pegar no coeficiente de Gini e no PIB per capita de cada país e transformar numa distribuição de rendimentos. Adoptei a seguinte forma funcional (e calculei o K para cada valor do coef. de Gini)
Cumulante rendimento = (1+K)^(Cumulante da população - 1)
Esta transformação não é importante desde que se use a inversa para calcular o coeficiente agregado.
Terceiro, agrego os escalões referentes a cada ano (para todos os 27 países).
Isto não é nada do outro mundo mas é muito, muito mais difícil de calcular do que a evolução da média que apresento na Figura 1. Por isso, seria aceitável que os jornalistas não conseguissem calcular mas, em vez de transmitirem notícias falsas, calavam-se ou pediam ajuda a quem soubesse calcular.
Vejo uma redução muito grande na desigualdade.
No Mundo, a desigualdade até poderia aumentar em todos os países mas, como o crescimento económico nos países menos desenvolvidos (especialmente na China e Índia onde vive metade da população mundial) é maior que nos países mais desenvolvidos, globalmente, existe uma diminuição na disparidade de rendimento à escala global.
O coeficiente de Gini valia 84,1 em 1990 e diminuiu para 65,0 em 2016!!!
Uma redução muito grande na desigualdade.
Dentro dos países o coeficiente é 38,8 mas, considerando as diferenças entre os países, sobe para 65 (2016)!
Notícias falsas!
Talvez isto traduza que a nossa comunicação social, por causa da redução de custos, se está a transformar num agregador de notícias que circulam por ai.
Eu escrevi "talvez"!
domingo, 14 de janeiro de 2018
Será relevante fazer rios artificiais?
O problema é que existe algum fundamento para que os rios sejam defendidos da destruição porque um rio tem uma área inundada muito pequena, principalmente nos períodos de verão, e contêm o ecossistema aquático que, sem rio, não pode existir.
Mas, penso eu, o problema é que precisamos usar os rios de formas, muitas vezes, incompatíveis com os ecossistemas que lá existem.
Claro que pode acontecer que, semelhante aos actuais cabos de fibra óptica, nesse tempo futuro, vai haver uma rede eléctrica capaz de, à escala global, transportar a energia dos locais com sol para os locais às escuras ou que as baterias serão baratas e usarão materiais que há em abundância mas, enquanto isso não acontece, vai ser preciso usar barragens reversíveis.
Porquê o Rio Paiva.
Numa barragem reversível existem duas albufeiras, uma de águas vivas e outra de águas mortas. Durante a parte do dia em que há energia em excesso, bombeia-se água morta para água viva (para cima) e, durante as horas em que há défice de energia, turbina-se a água viva previamente acumulada que se transforma em água morta.
Como quase todos os rios, no início começa como um rego de água, muito pequenino, seco a maior parte do ano, depois, passa a uma ribeira atingindo na foz um pouco mais do que 20 m de largura.
Considerando o verão e o inverno, penso ser razoável assumir 9 m de largura e 0,5 m de profundidade o que faz com que a área total inundada seja de 100 hectares e que o volume de água seja de 500 mil m3.
Será possível construir algo comparável a um rio natural?
O problema dos ecossistemas aquáticos não é o volume de água doce mas sim a falta de locais de águas rasas e fundos de cascalho que são importantes para os peixes pequenos como, por exemplo, a boga, o escalo e o barbo e que estão continuamente ameaçados pela seca, a poluição e que não conseguem competir com a carpa ou são comidos pelo achigã e lúcio que "contaminam" as águas calmas das albufeiras.
Também estou a imaginar os peixes migrantes como a enguia, o sável e a lampreia que não consegum transpor os açudes e as barragens.
Sendo ecossistemas raros e frágeis, penso ser importante experimentar construir rios com águas pouco profundas, menos de 50 cm, fundos em cascalho e águas puras e cristalinas, algo que nunca foi tentado e que deve ser uma área de investigação porque, além da raridade, existem projectos interrompidos que poderiam avançar se houvesse a possibilidade de criar ribeiras artificiais capazes de fazer a "compensação ambiental".
Há exemplos de aumento do volume dos rios mas eu quero mais.
No verão, o volume dos rios de águas rasas diminui drasticamente e o risco de seca total é tanto maior quanto mais pequeno for o rio, o que leva à morte de todos os peixes. Algumas localidades têm feito algum esforço na construção de açudes, principalmente motivados por questões estéticas, para que os rios que atravessam as localidades não sequem, por exemplo, o açude no Rio Mondego em Coimbra. Além do mais, estes açudes não têm o cuidado de ter escadas de peixes!
Mas eu estou a pensar em algo maior, feito em locais com águas puras e totalmente desproporcional relativamente ao que existe. Estou a pensar pegar num pequeno ribeiro em terras altas, ladeado por terrenos sem qualquer valor económico, e transformá-lo num rico ecossistema aquático de águas rasas, ladeado por vegetação ripária.
A tecnologia será pegar num ribeiro de montanha de águas puras e que tenha a montante uma bacia hidrográfica pequena, sendo suficientes 10 km2, e meter em 2 ou 3 quilómetros, um canal com 10 m de largura, 0,25 m de profundidade e dezenas de quilómetros de comprimento (ver, Fig.1 um esquema que pode ter 5 km de comprimento).
Uma bacia hidrográfica com 10 km2 tem uma produtividade anual na ordem dos 3 milhões de m3 de água.
A minha ideia é uma reengenharia dos arrozais de montanha que existem no sudoeste asiático.
Vamos então à engenharia.
Como projecto de investigação, vou pensar, olhando para a Fig. 1, um projecto com 10 m de largura e 25 cm de profundidade.
Vou, como projecto de investigação, imaginar um estudo piloto com 10 km de comprimento, um espelho de água com 100 000 m2 de área.
1) Primeiro passo, é preciso garantir água para o verão.
Temos que pensar se A) o caudal de entrada no rio artificial está limitado ao caudal do riacho existente ou se B) vai ser construído um açude que garanta que, no verão, o rio não seca.
Ambas as soluções estão dependentes das perdas de água por infiltração e por evapo-transpiração o que terá que ser medido no local. Por isso, os números que vou apresentar são apenas ilustrativos.
(Vou imaginar que serão perdidos 2 m3 de água por m2 de espelho de água)
A) Para evitar que o rio seque nos finais do verão, é preciso que no fim da primavera, o rio tenha 2,25 m de profundidade o que será um stock de água in situ. No período de verão, a profundidade vai diminuindo até, previsionalmente, os 0,25m.
B) Para a profundidade se manter constante nos 0,25 cm, é necessário um stock de água que garanta a entrada dos 200 000 m3 que se vão perder durante o verão. Para isso será preciso construir um açude a montante que armazene essa água.
A água circulará por gravidade desde o açude até ao rio artificial.
A e B) Naturalmente, pode haver um misto entre a solução A) e a solução B), por exemplo, uma variação de profundidade entre 1,25m e 0,25m e um açude com capacidade para 100 000 m3.
A água pode ser re-circulada (para se manter em movimento).
Se o rio artificial tiver uma inclinação de 0,1m por 1 km e 0,25m de profundidade, terá uma velocidade de 0,05m/s e um caudal de 190 l/s (Usando a equação de Manning, com n = 0,05).
Para manter o rio sempre a correr sem entrada de água (re-circulação total) em 100 km haverá um desnível de 10 m o que obrigará a uma bomba de 10 * 0,19 * 9,81 / 90% = 21 kw.
2) É preciso terreno.
O indicado é escolher um local com pouca valia económica, longe de fontes poluidoras e onde haja água pura e cristalina. Assim, o melhor local será no interior, em zona montanhosa. A construção começará num ribeiro e, depois, será construído o canal do rio artificial aos esses, um ou dois quilómetros para a esquerda e, depois, um ou dois quilómetros para a direita , repetindo-se o processo até ter a extensão pretendida.
3) A construção.
Em ambas as soluções, apenas serão usadas duas máquinas. Uma máquina será de rasto para abrir o canal e fazer o dique lateral com a terra retirada na escavação do canal e uma máquina com cilindro para compactar o solo e o dique de forma a reduzir as perdas por infiltração e evitar roturas no dique.
E, depois, o fundo coberto com uma camada de brita que pode ser produzidas no local e pedras.
Se o ribeiro tiver uma inclinação de 1%, o que é típico num ribeiro de montanha, se o canal tiver 10 metros de largura e a zona do dique tiver 20 m de largura, num ir e vir, a perda de nível será de 0,30m o que, numa extensão de 3 km, permite um caudal máximo entre 0,13 m3/s (0,25m de profundidade) e 4,00 m3/s (2,25m de profundidade).
Antes do Rio vou falar do Rio Caster.
Porque é uma intervenção tipo do que é feito às ribeiras que passam pelas terriolas.
A Ribeira do Castro nasce em Sanfins-Feira e, depois de percorrer uns 20 km, passa em Ovar, meia dúzia de quilómetros antes de morrer na Ria de Aveiro.
Para a coisa ficar mais bonita, a Câmara de Ovar fez um parque urbano que inclui a ribeira do Caster e onde, além do Açude 5 que já existia, construiu mais 4 açudes que travam completamente a migração dos peixes para cima, especialmente da enguia.
Há guarda rios, amigos do Caster e milhares de ecologistas para dizerem mal de tudo mas, neste caso, ninguém diz nada!!!
E ainda tem mais um açude para uma ribeira afluente.
Só agora posso falar da batalha entre o Rui Rio e o Santana Lopes.
A informação que vou dar é totalmente fidedigna e o próprio Santana Lopes o confirmou na sexta-feira à noite "tenho que pensar em quem vou votar".
O Santana Lopes tinha o apoio de 54,37% dos votantes e o Rui Rio de apenas 45,63%.
O problema é que estas eleições eram "os últimos serão os primeiros" pelo que os apoiantes do Santana Lopes votaram no Rui Rio e o apoiantes do Rui Rio votaram no Santana Lopes.
O Rui Rio ainda pediu ao Pacheco Pereira para dizer qualquer coisa sem sentido a ver se perdia mas já não foi a tempo.
Eleger o Rui Rio foi a pior maldade que lhe poderiam ter feito.
Está estudado no markting.
É conhecido na ciência económica como "problema da slot machine". Quando uma pessoa, no casino, joga num slot machine, apenas troca de máquina em condições extraordinárias porque não tem informação sobre as outras máquinas e não quer ficar com a ideia que "se eu não tivesse mudado, tinha ganho".
Também quando uma pessoa compra um produto, namora com uma mulher, vai a um supermercado, só troca se acontecer algo de anormalmente negativo com a coisa que tem.
Na política é igual.
O Costa só perderá em 2019 se acontecer algo terrível, semelhante ao que aconteceu em 2011 com o Sócrates, em 2002 com o Guterres ou em 1995 com o Cavaco Silva. Não é a oposição que ganha as eleições nem quem lá está que as perde mas são é a conjuntura que faz as coisas mudar.
O eleitor não quer facilmente trocar algo que conhece para algo desconhecido.
Daqui até 2019, vamos ver o Rio aos papeis, a tomar da maldade que fez ao Passos Coelho (ter que ser líder da oposição sem ser deputado) e a sofrer, semana após semana, os resultados negativos das sondagens.
A menos que aconteça rapidamente uma crise económica muito grave, vai ser totalmente trucidado, humilhado, transformado em carne picada e, em 2019, vai ter um resultado muito muito muito muito pior que o resultado que o Passos Coelho teve em 2015 e, quem sabe, até pior que o Santana Lopes em 2005.
No próprio dia das eleições, vai-se embora para nunca mais voltar a ser visto.
Acrescentei este gráfico para ilustrar o comentário.
Podemos ver na figura seguinte o crescimento do PIB português (linha azul), a tendência que é decrescente (linha castanha) e os períodos de crise (sombreado a cor de rosa).
Pior que as crises é a tendência de crescimento (que se denomina por crescimento potencial) estar continuamente a decrescer e próxima de zero.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
Como serão determinados os preços?
A determinação do preço das coisas é um assunto central na Economia de Mercado (a que os esquerdistas chamam Capitalismo) e na gestão das empresas (pois condiciona o lucro).
Nas últimas semanas surgiu por aqui uma discussão sobre preços.
Será que o preço da água é alto ou é baixo?
Será que o preço do Tesla tem baterias para andar ou vai ficar sem gás?
Tal com as dores de costas que atacam as pessoas, também todos nós nos perguntamos volta e meia "porquê este preço?".
Seguindo a metodologia do Equilíbrio Parcial (tecnicamente conhecido por equilíbrio de Marshall, 1890), vou dividir o problema em duas partes: a parte dos produtores e a parte dos consumidores que, depois, se combatem no mercado.
O objectivo da economia.
Muitas vezes vejo escrito que o objectivo da economia é satisfazer as necessidades insaciáveis das pessoas mas isso é o objectivo da engenharia! O que a economia faz é compreender como, enquanto fenómeno social, os produtores se coordenam com os consumidores e tentar desenhar formas de melhorar este processo de coordenação (i.e., melhorar o funcionamento do mercado).
A economia não produz nada, esse trabalho é o da engenharia.
Intermédio entre a engenharia e a economia está a gestão que optimiza processos (como a engenharia) mas que também aproveita o conhecimento sobre o comportamento dos consumidores e dos mercados (como a economia) para aumentar o lucro da empresa.
O que vai fazer o produtor.
A decisão do produtor é tomada em duas fases.
Na primeira fase, o produtor decide o nível do investimento (e a escala do processo produtivo) que, uma vez feito, é um custo afundado, i.e., não tem influência na decisão da segunda fase.
Na segunda fase, tomando a escala como um dado, o produtor decide o nível de produção e o preço a afixar no dia a dia.
Primeira fase = Investimento.
A escala vai ser decidida com base no que o produtor pensa vir a ser a quantidade que o mercado pode adquirir durante o período de amortização do investimento, por exemplo, 25 anos, e o seu preço. Assim, é uma análise especulativa (porque baseia-se em informação que vem do futuro).
Para ilustrar esta decisão, vou imaginar uma rede de abastecimento de água potável.
População média servida: 250000 pessoas;
Consumo médio por pessoa ao preço de 0,80€/m3: 250 litros/dia/pessoa;
Consumo médio diário: 250000*250 /1000 = 37500 m3/dia.
Facturação diária: 37500*0,80 = 30000€/dia.
Economias de escala, custo médio e custo marginal.
Duplicar a escala implica um aumento no investimento mas de forma menos que proporcional.
Vamos imaginar que uma escala de 37500 m3/dia implica um investimento de 50 milhões € e quadruplicar essa escala para 150000 m3/dia faz duplicar o investimento para 100 milhões €.
Vamos imaginar que duplicar o nível de produção vai aumentar os custos totais em 110%. Esta estrutura de custos pode ser condensada numa função isoelástica:
Custo variável (Q) = 0,086*Q^1,1
Agora, o produtor já tem a função custo total (em €/dia):
Custo(Q) = 15500 + 0,086*Q^1,1
O preço e o custo médio.
O investimento é uma fase muito delicada porque, se antes de ser feito, a facturação prevista (dada pelo produto do preço pela quantidade vendida) tem que ser capaz de cobrir os custos fixos (a amortização do investimento) mais os custos variáveis, depois de feito o investimento (que é um custo afundado), o produtor passa a poder controlar apenas os custos variáveis.
Assim, se as conjecturas feitas sobre o futuro, a especulação, se revelarem erradas, o investimento pode-se tornar ruinoso (que é o que está a acontecer nos CTT).
Vamos imaginar que, em fase de projecto, o produtor vai fixar um preço de 0,80€/m3.
Neste preço, o produtor está a pensar que vai vender 37500 m3/dia facturando 30000€/dia para cobrir custos totais de 24850€/dia (uma margem de lucro de 21%).
Agora, vem o lado dos consumidores.
Vamos supor que, no futuro, se concretiza mesmo que, ao preço de 0,80€/m3, o produtor consegue vender exactamente 37500 m3/dia.
Acontece que uma das leis da natureza da economia é que, se o preço for menor, os consumidores vão adquirir maior quantidade.
Esta lei da natureza resulta de:
1) as pessoas substituem os bens mais caros pelos bens mais baratos,
2) o bem-estar que as pessoas retiram de uma unidade de um bem é decrescente com a quantidade previamente consumida e
3) as pessoas de menores recursos passam a poder "entrar no mercado".
Vamos supor que, as pessoas no seu conjunto adquirem a quantidade:
Qproc(P) = 33540*P^-0,5
Outra lei da natureza da economia é que, quando uma pessoa adquire um bem, fica melhor (porque apenas compra se atribuir ao bem um valor superior ao preço de aquisição).
Será que o produtor deveria fazer descontos?
Com o modelo de custos considerado, apesar de ter capacidade excedentária, o produtor não tem incentivos a aumentar o nível de produção porque, para isso, teria que diminuir o preço a todos os consumidores o que reduziria o seu lucro. Isto acontece porque o produtor é monopolista e não existem alternativas à água (a quantidade adquirida pelos consumidores varia relativamente pouco com a diminuição do preço).
Sendo um monopólio, existe um regulador que vai olhar para os custos totais e vai obrigar o produtor a afixar um preço máximo que cubra esses custos com uma margem, no caso, seria de 0,80€/m3.
Mas a questão é saber se o produtor poderá aumentar o seu lucro fazendo descontos.
Produzir os 37500 m3/dia tem um custo médio total de 0,663€/m3 o que, com a margem de 21%, dá os tais 0,80€/m3. Mas produzir mais 1m3 só vai custar 0,276€/m3 pelo que o produtor terá um aumento do lucro se vender, além do que já vende a 0,80€/m3, esse m3 com um desconto de 50%!
O problema está na "divisão do mercado". Como será possível garantir que a água vendida com desconto não vai fazer diminuir a quantidade de água normalmente vendida a 0,80€/m3?
Escalões decrescentes ou existência de parte fixa.
A decisão das pessoas não tem em atenção a parte fixa do preço mas apenas a parte variável.
Assim, vamos supor que em média as pessoas gastam 10 m3/mês pelo qual pagam 5€/m3. Se o preço diminuir para 1€/m3 e houver dois escalões (ou uma parte fixa), as pessoas passarão a consumir mais e a facturação aumenta.
Vamos supor a introdução de um segundo escalão com desconto de 60%.
Consumo <=10 => 5€/m3
> 10 => 2€/m3
Se o custo marginal de produção for de 1,50€/m3, o produtor aumentará o seu lucro quando a família adquire mais água a 2€/m3.
É aqui que entram os subsídios!
O óptimo seria o preço ser igual à parte variável dos custos e a parte fixa (que resulta do investimento inicial) ser obtida de forma independente da quantidade consumida, por exemplo, como uma parte fixa na factura.
O problema é que pessoas diferentes (rendimento, idade, estado civil, número de filhos, sexo, escolaridade, estado de saúde, etc.) têm condições diferentes para pagar a parte fixa pelo que essa parte deveria ser diferenciada, uns deveriam contribuir com mais e outros com menos.
E o que será justo?
Tem a ver com a função "bem-estar social".
Quando eu era pobre pensava "o dinheiro só é importante para quem não o tem". Na altura imaginava-me chegar à cantina e não ter os 30 escudos que custava uma refeição.
E por isso é que tenho tanta pena da ucraniana!
É que um euro não é igual para todas as pessoas, para um pobre são duas refeições (compra 10 pães secos) ou uma viagem que demora a pé mais de uma hora. Para um rico, um euro não é nada. Por isso, os ricos têm a "obrigação moral" de pagar mais pelos custos fixos.
Digo "obrigação moral" porque o meu pai andou longos anos a estudar para padre e dizia que a moral da igreja era "cada um contribuir conforme puder e receber conforme necessitar"
É este princípio económico que está em Lucas 21:1-4
1 Certo dia, quando Jesus estava de frente às caixas de ofertas, sentado, observando como as várias pessoas depositavam suas doações e a maneira como muitos ricos ofertavam grandes quantias, 2 notou que também estava ali uma viúva, bem pobrezinha, que se aproximou e despejou numa delas duas pequenas moedas que valiam quase nada.
3 Ele, então, assim que viu isso, pediu aos seus discípulos que prestassem bastante atenção ao que iria lhes dizer, e depois comentou:
— Olhem essa pobre mulher! O pouco que ela deu vale mais do que todas as doações que foram feitas aqui. 4 Pois ela, apesar de sua pobreza material, deu tudo o que possuía, enquanto todos os outros deram apenas o que tinham em excesso. Sua oferta foi realmente de alto valor, pois ela ofereceu tudo o que lhe restava para se manter, seu último dinheirinho.
É sempre óptimo haver descontos.
Este é um problema muito importante na gestão.
Como desenhar um desconto que faça aumentar o lucro da empresa?
É óptimo deixar os jovens amalucados dos bairros sociais viajar nos transportes públicos sem bilhete (se não levantarem problemas) pois ir um a mais ou a menos não aumenta os custos e esses jovens, de outra maneira, teriam que ir a pé! Mas para isso é preciso separar os amalucados dos outros, por exemplo, metendo uma grade que é preciso saltar por cima (como há em Paris onde os gestores da rede de transportes não são mais burros do que os nossos gestores), meter um patim na traseira do autocarro (como tinha o eléctrico), coisas que só os amalucados possam utilizar.
Por fim, os subsídios do Estado.
Quando não é possível diferenciar o que é justo cada pessoa contribuir para a parte fixa, o melhor é haver um subsídio por parte do Estado que cubra esse custo!!!!!
Os impostos servem exactamente para isso, para pagar aquilo onde não seja possível aplicar o principio do "utilizador pagador".
Se ir caminhar precisa de um passeio e não é possível cobrar uma portagem aos peões que passam por lá, o melhor é essa obra ser paga com os nossos impostos.
Claro que há muitas coisas que recebem subsídios e que não deveriam receber mas isso é uma discussão velha e sem solução.
Finalmente, e não tendo nada a ver.
Sou contra o Presidente da República ter vetado a proposta de lei dos partidos que tinha o voto favorável de mais de 95% dos deputados. Não é só o presidente que é um cata-vento. Desta vez fiquei a admirar o PCP que não se deixou seduzir pelo populismo, que defendeu com unhas e dentes o que acha certo mesmo que possa não ser popular.
Contrariamente ao que dizem os comentadores sobres as eleições no PSD, os partidos não devem defender as ideias nem escolher os líderes que a maioria gosta mas sim aquilo que os seus "donos" acham mais adequado. Depois, haverá eleições e um partido ganha e os outros perdem (excepto o PCP e, ultimamente, o CDS, que ganham sempre). Nenhum dos candidatos presta mas escolham o que acharem melhor que ninguém tem nada com isso.
Na América os democratas escolheram a Clinton e os republicanos escolheram o Trump.
O Trump dizia o contrário do que a Clinton dizia e a Clinton dizia contrário do que o Trump dizia.
Quem gostava da Clinton não gostava do Trump e quem gostava do Trump não gostava da Clinton.
Depois, vieram as eleições e os eleitores escolheram.
Os populistas querem um candidato desinfectado, que agrade a toda a gente, tenha um discurso tipo Miss "desejo para o próximo ano paz, harmonia e estabilidade", tipo o cata-vento que temos por aqui.
Sou contra o Estado ter recebido 909 milhões de euros na privatização dos CTT e , agora, porque esse capital tem que ser remunerado, lave as mãos dizendo que não é nada com ele. Claro que os CTT têm que dar pelo menos 65 milhões € por ano para pagar o "juro" dos 909 milhões € (em vez de mandar bocas, os esquerdistas deveriam disponibilizar-se para devolver o dinheiro da privatização, corrigido dos dividendos e dos juros).
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
É preciso uma ponte entre a D. Luis I e a Arrábida
E a população da cidade diminui para metade e o comercio mudou para os centros comerciais em Gaia e Matosinhos!
Vamos a umas contas.
Vi no JN (2011) que passam na Ponte da Arrábida uma média de 136 mil carros por dia.
Vamos supor que 60% desse tráfego é a horas em que há algum congestionamento.
Vamos supor que com a nova ponte, a vida dos passantes melhorava 0,10€ por passagem.
Resultaria da nova ponte um ganho de 8160€/dia
Vamos supor que a obra se amortiza em 25 anos a uma taxa de juro de 5%/ano.
Dá 43 milhões de euros.
Bastava cobrar uma portagem de 0,10€/passagem entre as 7h30 e as 9h30 e as 5h00 e as 7h00 e a receita seria mais do que suficiente para fazer a nova ponte e ainda para melhorar os 7 km que ligam a A28 (Norte) à A44(Sul).
O problema do canal.
Um anónimo levantou o problema de não haver canal para alargar a VCI entre a A28 e a A44.
Primeiro, se a nova ponte "resolver" o problema Campo Alegre /Afurada (2600m) já justifica a obra.
Actualmente, no sentido Norte-Sul, à tarde, a entrada a Norte a partir do Campo Alegre causa muito congestionamento porque o tráfego entra numa pista já com trânsito muito intenso (que vem da VCI). A saída a Sul para a Afurada também causa congestionamento porque os carros têm que cruzar sobre a ponte e a saída é imediatamente a seguir à ponte.
No sentido Sul-Norte, de manhã, a entrada a Sul a partir do "Gaia Shopping" causa muito congestionamento porque entram todos os veículos da Afurada e a pista já tem trânsito intenso (que vem da A44). A saída a Norte para a Campo Alegre é terrível, causa enorme congestionamento porque os carros têm que vêm de Sul cruzar sobre a ponte, a saída é imediatamente a seguir à ponte e a entrada está sempre empancada.
O melhoramento deste nó obriga a alargar a VCI numa extensão de 2000m mas não precisa de qualquer intervenção ao nível dos viadutos.
A ponte mais a melhoria no nó deve custar entre 25 milhões€ e 35 milhões € (fazendo uma proporção com os 54 milhões € que custou da Ponte da Arrábida e os 28 milhões € da Ponte do Infante, a preços de 2017).
Fig. 4 - Nova Ponte (faixas a vermelho) com a melhoria do nó Campo Alegre e Afurada (faixas a azul são as existentes). As 10 pistas na ponte, reduzem para 4 pistas até Boavista/Bessa Leite e, depois, para as actuais 6 pistas.
Segundo, melhorar a ligação A28/A44-A29 (extensão de 6500m) obriga a demolir apenas duas casas.
Passando na auto-estrada, parece que as casas estão encostadas mas apenas em dois pontos não existe o necessário canal com 50m de largura.
Por isso, basta demolir duas casas para passar de 6 faixas para 8 faixas (duas faixas da ponte morreriam no nó do Campo-Alegre / Afurada), o que não tem comparação com abrir outra via com 4 faixas.
Fazer o alargamento em 4 km de VCI deve custar mais uns 8 milhões €, 2 milhões€ por km.
domingo, 24 de dezembro de 2017
Proposta para Ponte de D. Cosme, no Rio Douro
Povinho aos magotes quer dizer reabilitação urbana para a reconversão das casas velhas, decrepitas e abandonadas em locais de apoio aos turistas, actividade económica e animação generalizada sem qualquer mérito dos autarcas (que encontraram nas taxas turísticas a galinha dos ovos de ouro) ou do governo central.
Havendo muito turista, sem nada para fazer, com vontade de circular no espaço público, sem sossego no corpo, caminham em movimento aleatório à espera de encontrar alguma coisa nunca antes vista e que possa ser fotografada e contada para fazer roer de inveja os amigos que ficaram em casa, descansadinhos.
A baixa do Porto é cortada pelo Rio Douro e o turista, vendo de um lado que pouco ou nada há para ver, olhando para a outra margem, vem-lhe à esperança que é lá que está a tal pedra que o José Hermano Saraiva dizia ser do maior significado histórico para a humanidade:
"Foi aqui, nesta mesma pedra, neste mesmo sítio onde estou a pousar a minha mão, que D. Afonso Henriques se apoiou pelas 14 horas e 32 minutos do dia 13 de Setembro de 1127, a meio da Batalha do Courato e da Francesinha contra os mouros liderados pelo Zapussaqueno, num momento de vento e chuva miudinha, com perigo para a própria vida, para arrear o calhau.
Não fosse esse momento de enorme importância para a humanidade, hoje, em vez do courato, comíamos chamuças, em vez de francesinhas, comíamos kebabes e, em vez de coca-cola, bebíamos sumo de tomate."
Sempre segundo a lei do movimento browneano, isto é, andando como uma barata tonta, o turista volta e meia atravessa o Rio Douro pela Ponte Luís I, tanto pelo tabuleiro inferior (onde circulam carros) como pelo tabuleiro superior (onde circula o metro).
Além da esperança que vê na outra margem, a travessia per si já é uma atracção turística.
O ritual da subida das Escadas do Codeçal onde as gordas, logo na curva à direita, já perderam o fôlego e param curvadas com a mão apoiada no joelho, olham para trás para a Ponte Luís I, imaginando ser assim o "momento" com o Brad Pitt em cima delas. O chegar lá cima, ao fim dos 226 degraus, e virar à esquerda por um caminho todo porco e a cheira mal, a recordar o cheirinho da infância, dos tempos em que o povinho dormia com o penico debaixo da cama. Atravessar o Douro pelo tabuleiro superior com a esperança de poder dizer "quase fui trucidado pelo metro", carruagens que quase nunca passam. Subir à Serra do Pilar que, afinal, não é serra nenhuma, "Chama-se Serra do Pilar porque em tempos houve aqui um serração que o Infante Santo usou para construir os mastros das Naus que foram tomar Ceuta aos infiéis sarracenos". Depois, descer pelas vielas de Gaia, a olhar para um lado e para o outro, na tentativa de encontrar as atracções turísticas que não existem para, finalmente, re-atravessar o rio pelo tabuleiro inferior de volta ao estado de barata tonta.
O problema destas travessias é que os passeios do tabuleiro inferior da ponte são muito estreitos, um metrito, o que causa problemas de segurança aos peregrinos e congestionamento aos automobilistas. Por causa disso, os autarcas do Porto e de Gaia reuniram-se e apontaram a ideia de que há necessidade de construir uma ponte a conta baixa entre a Ponte Luís I e a Ponte do Infante.
Este poste serve para apresentar a minha proposta de arquitectura.
O teste da foto.
O turismo é um negócio que favorece as pessoas das terriolas. Então, quando o artista projecta uma obra não pode pensar apenas na funcionalidade directa nem na minimização dos custos pois a obra tem uma funcionalidade indirecta que é chamar turistas.
A coisa até pode não servir directamente para nada, como a Torre Eiffel ou as Pirâmides do Egipto, mas tem que ser uma atracção turística!
Desta forma, para começar, o artista vai ter que responder a duas simples questões filosóficas:
Questão 1: Será que alguém no seu juízo perfeito vai tirar uma selfie com esta merda como fundo?
Questão 2: Será possível identificar o local por esta merda estar como fundo da selfie?
O meu emprego.
É num edifício que os parolos meus colegas (notar que parolo apenas quer dizer que não têm formação estética nem gosto estético sofisticado) acham ser de grande valia arquitectónica.
O problema é que chumba o teste da selfie, nunca lá foi visto nenhum turista a tirar selfies!
Vamos à minha proposta.
Existem 665 m entre a Ponte de Luís I e a Ponte do Infante. A localização que proponho é a meia distância, no ponto em que a Serra do Pilar é mais elevada, com distância suficiente para a ponte se individualizar pois prevejo que se vai tornar a maior atracção Porto.
O mais barato seria uma ponte de betão igual à Ponte do Infante mas, como nunca vi ninguém fotografar tal ponte, eu quero uma coisa diferente, algo nunca visto em mais parte nenhuma do mundo.
Depois de muito pensar, a minha proposta é uma ponte metálica suspensa por dois cabos de aço.
Claro que vão dizer "Mas isso já é por demais conhecido e visto, temos a ponte sobre o Tejo e milhars de outras pontes espalhadas pelo mundo."
Mas eu estou a pensar algo diferente, algo assimétrico, sem pilares e com os cabos ancorados directamente no maciço rochoso das Fontainhas / Guindais (à cota 43m) e da Serra do Pilar (à cota 88m).
Em planta.
Do lado de Gaia, o acesso à ponte será pelas Caves Burmester que serão destruídas (ver Fig. 2) e, depois, para não destruir a escarpa que vai até ao rio (ver, Fig. 3), passa para cima da água e faz uma curva à esquerda (ver, Fig. 4).
Do lado do Porto, a D. Cosme encosta a 90.º à Av. do Gustavo Eiffel (ver, Fig. 4).
Ao contrário do que pensa o Sr. Presidente da Câmara, não é preciso meter elevadores na baixa do Porto porque o turista gosta de subir e descer escadarias para ocupar o tempo.
Querem saber quantas pessoas, por ano, sobem no elevador que vai da Ribeira para a Sé?
Zero, nem uma para amostra (aquilo até está fechado).
E no funicular dos Guindais?
Eu passo lá muitas vezes e vão meia dúzia de pessoas, de vez em quando, muito raramente.
Então, a boa atracção turística é o cabo ser uma ponte pedonal a ligar os Guindais à Serra do Pilar, o cabo a abanar, quase com perigo de vida, uma subida difícil, alguns lugar com 30% de inclinação, óptimo lugar para tirar selfies únicas.
O perfil transversal.
Proponho um perfil com 12 metros, dois passeios de 2,2m e duas faixas de rodagem de 3.75m e, quando à ponte pedonal, proponho 3m (ver, Fig. 5).
Uma nota sobre o nome das cidades do Porto e de Gaia.
É senso comum que, no antigamente, Porto e Gaia eram a mesma cidade que se chamavam Portus Cale mas isso não corresponde ao consenso histórico.
Quando vieram os romanos chegaram à região norte-litoral da Península Ibérica, puseram o nome de Gallaecia a toda a região a norte do Rio Vouga. Cale talvez fosse o nome da deusa mãe dos celta ou o termo usado pelos grego para dizer que a terra era bonita (ver). O certo é que, na altura da chegada dos romanos, a região era muito pouco povoada, a actual cidade do Porto não teria mais de 100 habitantes, situação que piorou aquando da reconquista (havia constantes incursões ora para matar todos os sarracenos, ora para matar todos os cristãos que se aventuravam nesta terra de atrito entre cristãos a norte e sarracenos a sul).
Com achegada dos romanos, como a sua economia era carregar coisas (madeira, minerais, peixe e carne salgados, cereais e escravos) em barcos para levar para Roma, não havendo estradas, foi construído um porto fluvial/marítimo na Ribeira da Vila no que é hoje a Praça da Ribeira.
Esse porto, naturalmente, era conhecido pelos romanos como o Porto de Cale.
Portus deu origem a Porto e Cale a Gaia.
No Sec. IX, foi re-utilizado o termo Portus Cale para separar o condado da Galiza (na parte norte da Galécia) do condado que se formou a sul, com as terras conquistadas por Vímara Peresa os mouros.
segunda-feira, janeiro 29, 2018
















