terça-feira, 12 de novembro de 2024

As sondagens americanas falharam - Como se avaliam sondagens?

Tenho as sondagens e os resultados e agora vou comparar as coisas.

É normal ouvir dizer que a estatística não é uma ciência exacta mas, mesmo que só dê probabilidades, os seus resultados podem ser avaliados. 

Claro que um aluno que fez uma cadeira de estatística não ficou com ferramentas conceptuais que o tornem capaz de fazer esta avaliação, limitação que não se coloca a mim :-)



Tenho que desenhar a experiência estatística.

Começo por identificar H0 e, por oposição, H1.

    H0: As sondagens foram retiradas da população (que são os resultados);

    H1: As sondagens não foram retiradas da população (estavam erradas).

Depois, repito a experiência.

O resultado deu 0,00% de probabilidade de se observar H0, isto é, de as amostras na sua globabilidade estarem correctas.


Código R utilizado.

dados <- data.frame(

  Estado = c("Arizona","Georgia","North Carolina","Pensilvania","Nevada","Wisconsin","Michigan"),

  Respostas = c(34311, 37616, 38732, 57342, 60630, 19176,43634),

  Harris = c(0.4666, 0.4851, 0.4780, 0.4856, 0.4748, 0.4897, 0.4848),

  Trump = c(0.5230, 0.5072, 0.5117, 0.5048, 0.5061, 0.4984, 0.4986),

  Outros = c(0.0104, 0.0077, 0.0103, 0.0096, 0.0192, 0.0119, 0.0166),

  dif_sond=c(0.0190,0.0127,0.0112,0.0010,-0.0001,-0.0021,-0.0047)

  )



# Função para realizar o sorteio e calcular a soma dos deputados de quem ganhar em cada estado

simula_votos <- function(dados) {

   #Avalia se poderiam sair sondagens iguais ou piores que as publicadas 

   avalia=TRUE

   # Percorre os 7 estados

   for (i in 1:nrow(dados)) {

      # Sorteia amostras dos resultados para Harris, Trump e Outros

      votos= sample(c(1,2,3), dados$Respostas[i], replace = TRUE, prob = c(dados$Harris[i],dados$Trump[i],dados$Outros[i]))

      votos = table(votos)

      # diferença na amostra sorteada

      def_TH = (votos[2]-votos[1])/dados$Respostas[i]

      avalia = (avalia) & (def_TH <=  dados$dif_sond[i])

      }

    if(avalia) 1 else 0

    }



niter=10000

avalia=rep(0,niter)

for (i in 1:niter){

    avalia[i]=simula_votos(dados)

    print(i)    

    }

mean(avalia)










quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Os sábios catedráticos de economia erram porque usam como verdadeiras teorias que estão erradas.

Em 1929 houve uma crise económica muito grave, a Grande Depressão.

Hoje, quem sabe economia sabe que a grande depressão foi uma pequena crise económica que foi amplificada por o modelo de controlo do sistema monetário não ser adequado (na altura, a política monetária era manter  fixa a quantidade de moeda em circulação "fora do banco central"). No então, um país "bem governado" só poderia aumentar a quantidade de moeda em circulação se o banco central adquirisse ouro para funcionar como contra-valor das notas. 

Só posteriormente, com Muth (1961) e  Phelps (1968), é que se compreendeu verdadeiramente que a quantidade de moeda em circulação contabilisticamente "fora do banco central", tem de aumentar durante as crises de forma a manter a quantidade de moeda a circular na economia constante conseguindo-se assim a estabilidade dos preços.

A estabilidade dos preços é fundamental para "estancar" a crise porque há uma dificuldade em ajustar os salários nominais, em termos de euros, para baixo (aquilo que tentou o Passos Coelho).


Vejamos o mecanismo de amplificação que aconteceu em 1929.

1 = Quando há uma crise económica motivada por um choque adverso na produção (por exemplo, uma seca, um cataclismo natural ou uma guerra), há menos produção.

2 = Se há menos produção, as pessoas têm de consumir menos.

Se tenho duas garrafas de vinho e uma parte-se, tenho de beber metade. 

Se no ano passado comi 4 maçãs por dia porque a minha árvore deu 1460 maçãs, se este ano só deu 1095 maçãs, só posso comer 3 por dia.

Esta é uma verdade irrefutável mas, na opinião dos sábios catedráticos de economia, apenas em quem não sabe nada de economia. 

3 = Para as pessoas consumirem menos, há duas possibilidades:

     3.1 = O poder de compra dos salários vai diminuir (o que levou a cabo o Passos Coelho). 

     3.2 = A taxa de juro vai subir (o que aconteceu no mercado). 


Deixar a taxa de juro subir é errado porque destrói o investimento.

Ao subir a taxa de juro, diminui o investimento o que traduz que as pessoas estão disponíveis para consumir o capital. Mas isso destrói a capacidade produtiva do ano seguiste.

Se um agricultor precisa guardar 100 kg de sementes para a safra seguinte, havendo um ano de seca, tem de dar prioridade a guardar os 100 kg de sementes mesmo que para isso, nesse ano passe fome de cão.


Quando há uma crise, aumenta o receio das pessoas.

A generalidade das pessoa vê a moeda como um activo real, tal e qual como se fossem bens. Então, quando há uma crise:

4 = As pessoas, à cautela, guardam mais dinheiro, notas, do que é normal.

5 = Ao guardarem moeda, apesar de a quantidade de moeda em circulação "fora do banco central" ser a mesma (e dependente da quantidade de ouro em reserva), passa a haver menos quantidade de moeda em circulação na economia (parte da moeda está parada no colchão).

6 = Se a quantidade de moeda a circular na economia diminui, então, a moeda fica mais valiosa o que é a mesma coisa que dizer que os preços dos bens e serviços vai diminuir, é a deflação.


O problema da deflação é que os salários não diminuem em termos nominais.

As pessoas refilam, fazem manifestações, greves e incendeiam carros.

Se os preços diminuem e se os salários se mantêm, então:

7 = O poder de compra dos salários aumenta durante as crises!!!!!!!!!!!!!

Mas durante a crise as pessoas têm de consumir menos porque há menos produção!!!!!!!

aumentar o poder de compra dos salários vai contra o que é necessário para estabilizar a economia.

 

Agora vem a multiplicação da crise.

Se o poder de compra dos salários aumenta e os preços diminuem, então:

8 = As empresas vão à falência o que leva a despedimentos, ainda menos produção, mais queda de preços e maior amplificação da crise até à destruição total.


O que sabemos hoje.

O Banco Central tem de manter a estabilidade de preços, custe o que custar porque não é possível descer os salários em termos nominais e subir a taxa de juro é destrutivo da economia. 

Sabemos também que, se for entendido pelas pessoas que o governador do banco central tem a mais pequena dúvida quanto a controlar a inflação, esta dispara imediatamente para níveis estratosféricos.

Como exemplo, na figura seguinte mostro a taxa de inflação implícita no PIB para a Argentina onde se observa que, em 2000, a taxa começa a subir lentamente de cerca de 10%/ano até que atinge 50%/ano em 2020 e, depois, dispara atingindo um máximo mensal de 1430%/ano em Dezembro de 2023.

Em 10 de Dezembro Javier Milei entra para presidente da Argentina e, mantendo a quantidade de moeda controlada, em Setembro de 2024 a inflação já só foi de 51%/ano.

Fig. 1 - Evolução da taxa de inflação na Argentina, 2000-2023


Mas vamos à ignorância dos sábios catedráticos de economia.

Naturalmente que diziam que o Milei era um doido varrido e que ia destruir a Argentina.
a Economia tem algumas "leis na natureza" sendo a primeira:

A) Quanto maior o rendimento, maior o consumo.
Podemos, em termos empíricos, dizer que uma percentagem elevada do rendimento das pessoas vai para o consumo e outra percentagem, menor, vai para poupança. Por exemplo, 
      Consumo = Rendimento * 80% 
      Poupança = Rendimento * 20%
Se considerarmos toda a economia, o rendimento é o PIB subtraído da depreciação do capital (vou-lhe chamar PIL-produto itnerno líquido).
      Consumo = PIL * 80% 
      Poupança = PIL*20%


Erro. Mais consumo não leva a mais rendimento.
Na expressão da "lei da natureza" tenho uma igualdade mas, de facto, é uma implicação já que não pode ser invertida.
Isto é, se aumentarmos o rendimento, implica que vamos aumentar o consumo mas tal não garante que aumentando o consumo vamos aumentar o rendimento.
Pois o primeiro erro é dizer que se o consumo aumentar, o PIB também aumenta segundo um multiplicador:
      PIL = Consumo * 125%


Vejamos o que seriam erros semelhantes:
Ninguém no seu juízo perfeito incorre nos erros seguintes mas, sábios, incorrem no erro anterior que é em tudo semelhante.

Quando a temperatura está elevada,há mais pessoas na praia. Mas irem mais pessoas à praia não faz com que a temperatura aumente.

Quando um bem está com desconto de 50%, mais pessoas se juntam para o comprar. Mas se se juntarem muitas pessoas para comprar um bem, tal não faz com que o preço desça para metade.

Um jogador de futebol muito bom, tem um salário elevado. Mas aumentar o salário de um jogador com "dois pés esquerdos" não faz com que este passe a ser um jogador muito bom.


Este erro tem implicações catastróficas.
O consumo mais a poupança é sempre igual ao rendimento, não há volta a dar a esta igualdade.
Ao dizer que o rendimento é o consumo vezes um multiplicador, algebricamente, esquecem-se desta lei da natureza económica e começam a teorizar fora da realidade.


1) É possível aumentar a despesa pública e diminuir os impostos.

2) É possível aumentar o investimento e aumentar o consumo.

3) É possível aumentar os salários e aumentar os lucros.


A decisão de investir depende do lucro e não dos impostos.
De nada interessa descer o IRC se se aumenta artificialmente o salário mínimo nacional.
Não interessa descer o IRS se se aumenta o imposto sobre os combustíveis.
Será que ninguém vê isto?
Será que em Portugal ninguém sabe economia?
Se calhar não.






 

 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

TRUMP GANHOU. Agora, a Nato-Europa tem de duplicar a sua despesa militar.

Os Estados Unidos da América gastam uma enormidade de dinheiro para garantir a nossa defesa.

Fui buscar umas estatísticas à Wikipédia e os USA gastam 3.36% do PIB em despesa militar. Não sei se isto é muito ou pouco, é apenas uma percentagem do PIB.

Por comparação, na Europa Ocidental gastamos 1.74% do PIB, praticamente metade do que gastam os americanos.

Claro que os europeus habituaram-se a ter defesa a preço de saldo, choram por causa dos 2% quando os americanos gastam 3.36% do PIB.

No caso português, o Orçamento de Estado para 2015 prevês uma despesa militar de 3065 M€ que representa pouco mais de 1% do PIB tendo então, para acompanhar a despesa americana, de triplicar para 9700 M€.

Lá se vai o excedente de 1000 M€ e ainda é preciso ir buscar mais 5600 M€ a um sítio qualquer para manter as contas públicas equilibradas.

Todos queremos mamar na vaca do vizinho mas não pode ser

A maioria dos europeus comporta-se como uma criança mimada que quer tudo e mais alguma coisa e quem quiser que pague a factura.

Como os americanos pagam grande parte da defesa europeia e, alegadamente, os Democratas iriam continuar com isso, os europeus preferiam que tivesse ganho a Kamala.

Mas temos de ser sérios e temos de gastar mais, muito mais, na defesa contra o Putim.

Quando o Trump avisou os europeus "Não comprem gás aos Russos pois isso fortalece o Putin e obriga os americanos a gastar mais em defesa."

Os esquerdistas europeus gritaram "O Trump quer vender gás à Europa, os russos é que são nos nossos amigos."

E agora, a criança mimada quer que sejam os americanos a pagar os estragos que a política de os europeus comprarem gás à Rússia fez na Europa?

Diz o povo que "Quem não chora, não mama" mas parece-me que não faz sentido.

País = Despesa militar: 

Poland = 3,8%;  Greece = 3,2%; Estonia = 2,9%; Lituania = 2,6%;  Finland = 2,4%;  United Kingdom = 2,3%; Letonia = 2,3%;  France = 2,1%;  Denmark = 2,0%; Hungria = 2,0%; Chipre = 1,8%; Montenegro = 1,8%; Macedónia = 1,7%; Bulgaria = 1,6%;  Italy = 1,6%;  Norway = 1,6%;  Romania = 1,6%; Czeq = 1,5%;  Germany = 1,5%;  Netherlands = 1,5%;  Spain = 1,5%;  Sweden = 1,5%;  Turkey = 1,5%; Croacia = 1,4%; Luxemburgo = 1,3%;  Belgium = 1,2%; Portugal = 1,0%; Austria = 0,8%;  Switzerland = 0,7%; Malta = 0,4%; Irlanda = 0,2%; Islandia = 0,1%

(Dados, Wikipédia e SIPR, 2023)

Média ponderada dos valores europeus


quarta-feira, 30 de outubro de 2024

A uma semana das eleições, Trump vai na frente com 77% de probabilidade

Faltam 7 dias e o resultado das presidenciais americanas ainda está em aberto.

Quando o futuro é desconhecido, em termos estatísticos, podemos fazer uma ideia do que vai acontecer, isto é, podemos atribuir uma probabilidade a cada uma das contingências futuras.

Naturalmente, há coisas que são quase certas como chover no Outono tem uma probabilidade de quase de 100%, e outras que são quase impossíveis, como a probabilidade de nos próximos 100 anos um asteróide colidir com a Terra.

Para conseguirmos "ver" melhor o resultado eleitoral futuro, usamos sondagens que, apesar de terem problemas, permitem-nos prever melhor do que usando a técnica de atirar uma moeda ao ar.

Peguei então nas sondagens publicadas entre os dias 21 e 29 de Outubro dos 7 "estados em dúvida"(https://www.270towin.com/2024-presidential-election-polls/) e, usando o Método de Monte Carlo de re-amostragem, calculei a percentagem de vezes em que o Trump ganha. Cheguei a um valor de 77%.

Representação gráfica da probabilidade de o Trump ganhar


Não está mal para quem é acusado de ser fascista, racista, xenófobo, misógino, machista ... 

Isto só mostra a credibilidade que na América dão às pessoas que acusam o Trump de tudo e mais alguma coisa.


Valores usados

Código R usado

dados <- data.frame(
  Estado = c("Arizona","Georgia","North Carolina","Nevada","Pensilvânia","Wisconsin","Michigan"),
  Respostas = c(8748,11004,9535,6919,10185,8309,7967),
  Harris = c(4111,5211,4517,3286,4897,3994,3854),
  Trump = c(4299,5365,4629,3322,4926,3983,3763),
  Outros = c(338,428,389,311,362,332,350),
  Deputados = c(11,16,16,6,19,10,15)
  )


# Função para realizar o sorteio e calcular a soma dos deputados de quem ganhar em cada estado
simula_votos <- function(dados) {
   # Inicializa a contagem de deputados para cada simulação
   Trump=0  
   # Percorre os 7 estados
   for (i in 1:nrow(dados)) {
      # Sorteia votos com reposição para Harris e Trump
      votos= sample(c(1,2,3), dados$Respostas[i], replace = TRUE, prob = c(dados$Harris[i],dados$Trump[i],dados$Outros[i]))
      votos = table(votos)
      if (votos[1]<votos[2])
         Trump = Trump+dados$Deputados[i]
      if (votos[1]==votos[2])
         Trump = Trump+dados$Deputados[i]/2
      }
    219 + Trump
    }

niter=10000
Trump=rep(0,niter)
vitoria=0
i=0
for (i in 1:niter){
    Trump[i]=simula_votos(dados)    
    if (Trump[i] >=270){
       vitoria=vitoria+1}
    }
vitoria/niter
table(Trump)
hist(Trump)
 



segunda-feira, 21 de outubro de 2024

O passe de comboio é a maior aberração económica jamais imaginada.

Chamou-lhe o governo "passe ferroviário verde"

Mas deveria ter chamado "passa ferroviário castanho" pois é a cor da bosta.

Imaginemos que uma pessoa se desloca entre Paramos e Coimbra. Uma viagem  ida e volta no comboio regional são 214 km, tem um preço de 16,00€ e demora 2h40. 

Se a mesma pessoa pretender ir de Paranhos a Campanhã. Uma viagem  ida e volta no comboio regional são 53 km, tem um preço de 4,40€ e demora 1h15.

Ir de Paramos a Coimbra, pode comprar o passe "verde" por 20,00€/mês.

Ir de Paramos ao Porto, tem de comprar o passe normal de 4 zonas pagando 46,60€/mês.

Qual é a lógica disto?

O conselho de ministro que aprovou o "passe ferroviário da bosta"


segunda-feira, 14 de outubro de 2024

A probabilidade de o Trump ganhar está em 77%

Como os USA são uma federação, o presidente americano é proporcionalmente eleito pelos estados.

Cada estado vota no presidente que pretende e, depois, os resultados são transformados num certo número de "deputados federais" que, numa sessão única, elegem o presidente (perdem imediatamente o mandato).

O presidente é eleito se tiver pelo menos 270 votos (num total de 548).

Nos EUA é tudo muito contra os esquerdismos, comparando com os nossos partidos, o Partido Republicano está  entre o CDS, a IL e o CHEGA e o Partido Democrata está entre o CDS e o PSD.

Pegando nos resultados históricos, há estados que votam sempre no candidato de um determinado partido, uns no candidato do Partido Democrata (Azul) e outros no candidato do Partido Republicano (Vermelho).


Os 548 deputados são distribuídos pelos estado proporcionalmente à população.

Como, além dos estado, existem os "distritos federais", e o mínimo de cada estado é 3, a distribuição não traduz totalmente a proporção da população.

Os 10 estados mais deputados, Califórnia (54), Texas (40), Florida (30), Nova-York (28), Illinois (19), Pensilvânia (19), Ohio (17), Carolina do Norte (16), Geórgia(16) e Washington (12), concentram 46% dos "deputados".


Pegando nas sondagens e nos dados históricos, já estão distribuídos 83% dos deputados.

O total de deputados é 548 e já estão certos 226 para a Harris e 219 para o Trump. Falta então distribuir os deputados de apenas 7 estados que se denominam por Swing States.  

Fig. 1 - Soma das últimas 10 sondagens (a terminar em 13/10/2024)

Em termos médios, o Trump está com vantagem mas quero quantificar, usando bootstrapping, qual a probabilidade de ser ele a ganhar.
Usando um programa de re-amostragem estatística, obtenho 74%.


Programa em R:

# Definir os dados
dados <- data.frame(
  Estado = c("Arizona", "North Carolina", "Georgia", "Michigan", "Pensilvânia", "Wisconsin", "Nevada"),
  Respostas = c(6575, 7137, 10833, 7445, 7837, 7152, 6522),
  Harris = c(3120, 3407, 5119, 3521, 3761, 3437, 3171),
  Trump = c(3230, 3494, 5191, 3558, 3756, 3416, 3124),
  Outros = c(225, 236, 523, 366, 320, 299, 227),
  Deputados = c(11, 16, 16, 15, 19, 10, 6)
)

# Função para realizar o sorteio e calcular a soma dos deputados de quem ganhar em cada estado
simula_votos <- function(dados) {
   # Inicializa a contagem de deputados para cada simulação
   Trump=0  
   # Percorre os 7 estados
   for (i in 1:nrow(dados)) {
      # Sorteia votos com reposição para Harris e Trump
      votos= sample(c(1,2,3), dados$Respostas[i], replace = TRUE, prob = c(dados$Harris[i],dados$Trump[i],dados$Outros[i]))
      votos = table(votos)
      if (votos[1]<votos[2])
         Trump = Trump+dados$Deputados[i]
      if (votos[1]==votos[2])
         Trump = Trump+dados$Deputados[i]/2
      }
    219 + Trump
    }

niter=10000
vitoria=0
for (i in 1:niter){
    Trump=simula_votos(dados)    
    if (Trump >270){
       vitoria=vitoria+1}
    }
vitoria/niter

Actualizando para o dia 21/10, está tudo na mesma, com o Trump nos 75% de probabilidade de ganhar.

Fig. 2 - Soma das últimas 10 sondagens (a terminar em 21/10/2024)


Actualizando para o dia 26/10, está tudo na mesma, com o Trump nos 77% de probabilidade de ganhar.

A 10 dias das eleições, o Trump está em trajectória ascendente, tendo 77% por cento de probabildiade de ganhar.

Fig. 3 - Soma das últimas 10 sondagens (a terminar em 26/10/2024)

Também, a nível de voto nacional, nos últimos 30 dias (60 sondagens), o Trump tem diminuído a desvantagem para a Harris. Recordo que, motivado pelo sistema de eleição ser estado a estado, é menos importante  


sexta-feira, 11 de outubro de 2024

A 25 dias das eleições, Trump segue na frente

As eleições em que o Trump "perdeu" já foram há 4 anos.

Na altura, todos pensavam que o Trump ia arrumar as botas mas, único na história americana, o bicho continuou activo, fazendo constante oposição ao Biden e, decorridos 4 anos, apresenta-se outra vez aos eleitores.

É raro porque a maioria das pessoas não está preparada para a derrota. Assim que acontece um revés, entram em depressão e nunca mais se conseguem levantar.

A qualidade de resistir à derrota é hoje denominada por resiliência e, pelo menos no papel, é uma qualidade que temos de desenvolver nas crianças e nos jovens. Dizer "vais ser sempre o melhor do mundo" pode dar um bocadinho de animo no momento mas, no longo prazo, fragiliza a pessoa.


Isto vem a propósito do judo.

No judo começamos por nos preparar para a queda. Temos de "receber" a queda (ukemi waza) como a parte mais importante do judo e da vida. Na vida sofreremos muitas quedas, muitas traições, muitos revezes e que o importante é não deixarmos ir abaixo, cair, levantar, sacudir o pó e continuar como se nada tivesse acontecido.


Fig. 1 - Preciso de dois mandatos na mão.


Vamos às eleições do próximo dia 5 de Novembro.

Os USA são uma federação de estados e, por isso, cada estado elege o presidente da federação.

Como não ganha o mesmo candidato em todos os estados, é feita uma "média ponderada" à moda dos distritos portugueses (os distritos com mais eleitores elegem mais deputados), os estados maiores têm mais ponderação. Se um candidato ganhar na Califórnia, vai obter 54 "deputados estaduais" enquanto que se ganhar no Alasca vai obter 3 "deputados estaduais".

Como, no total, há 538 "deputados", o candidato tem de obter 270 "deputados estaduais" para ser eleito presidente.


As sondagens 

Como o Trump "perdeu" em 2020, o mais natural seria que também perdesse em 2024. Mas as sondagens indicam que o Trump vai ganhar.

Fui buscar as sondagens ao site https://www.270towin.com/2024-presidential-election-polls/ e, como resultados "fortes", a Harris está com uma vantagem de 7 "deputados", 226-219. No entanto, distribuindo os "deputados" dos estados que estão tremidos, os Swing States, o Trump está com uma vantagem de 25 "deputados".

Fig. 2 - Resultados das últimas sondagens distribuindo os swing states pelo candidato melhor colocado

 

O Trump ganha mesmo sem a Pensilvânia.

A Pensilvânia é o maior dos swing states com 19 "deputados estaduais" e o mais empatado. Se nas primeiras sondagens Harris estava com vantagem de um pontinho, agora a tendência é crescente para o Trump que nas últimas duas sondagens aparece com uma vantagem de um pontinho.

Mas nem são precisos os 19 !"deputados" da Pensilvânia para a vitória do Trump.   

Fig. 3 - Intenções de voto na Pensilvânia (a vermelho é a média exponencial ponderada pela dimensão da amostra com p igual a 20%)


sábado, 28 de setembro de 2024

Como Israel recruta espiões em territórios hostis

Os ataques "cirúrgicos" de Israel precisam de informações precisas.

Naturalmente, as pessoas visadas por Israel estão em constante movimento o que coloca desafios aos sistema de recolha de informação. No sentido de ter informações fidedignas e em tempo real, Israel instalou uma infraestrutura confidencial de recolha de informações que usa a matemática.

Muita gente sabe muito mas ninguém sabe como a Mossad capta agentes locais sem prévio contacto com as pessoas mas, neste poste, penso que vou conseguir explicar o processo.

Tudo tem a ver com a matemática!


Definição da Soma e da Multiplicação sobre a curva elíptica com parâmetros a e p.

Começamos por ter uma função que soma dois pontos da "função elíptica", considerando a soma de dois pontos iguais, Y = G+G, e de dois pontos diferentes, Y = G+X. As variáveis são dois pontos inteiros, por exemplo G = (1; 4). 

#Eliptic Curves D-H
#G e G são iguais, m é a inclinação da tangente em G
def f_sumGG(G, a, p):
  numerator = 3 * G[0]**2 + a
  denominator = 2 * G[1]
  m = (numerator * pow(denominator,-1,p))% p
  x3 = (m**2 - 2 * G[0]) % p
  y3 = (m * (G[0] - x3) - G[1]) % p
  return [x3,y3]

#G e X são diferentes, m é a inclinação da secante G-X
def f_sumGX(G, X, p):
    numerator = X[1] - G[1]
    denominator = X[0] - G[0]
    m = (numerator * pow(denominator, -1,p))% p
    GplusX = (m**2 - G[0] - X[0]) % p
    GplusY = (m * (G[0] - GplusX) - G[1]) % p
    return [GplusX, GplusY]

Definida a Soma, posso definir a multiplicação da constante K por G:

def f_multKG(k, G, a, p):
    points=bin(k)[3:]
    kG = G
    for point in points:
        kG = f_sumGG(kG, a, p)
        if int(point) == 1:
            kG = f_sumGX(kG, G, p)
    return kG


O programa é fácil de arranjar por qualquer pessoa.

São apenas 22 linhas de código que qualquer pessoa pode ter acesso bastando pedir ao ChatGPT "Por favor, escreve uma função em Python que calcule a multiplicação de K por G sobre a curva elíptica com os parâmetros a e p sem usar livrarias, usa a função pow()" .


Israel lança o Isco.

A Mossad arranja valores para K (que é a chave secreta da Mossad) e para o parâmetros a e p, que vão ser tornados públicos. Depois, aplica a multiplicação a estes valor e também publica o resultado.

chave_secreta=473829046382980473829868718274
a,p,G=5,2**256-189,[1,4]
chave_publica=f_multKG(chave_secreta,G,a,p)
print(f"5.256-189.1.4.{chave_publica[0]}.{chave_publica[1]}")

A mensagem tornada pública pela Mossad, distribuída em papelinhos, por SMS ou email vai ser um código com 163 algarismos:

Fig. 1 - Mensagem hipotética distribuída pela Mossad em ambientes hostis 

Um peixe local apanha o isco.

Não há nenhuma sociedade em que 100% das pessoas estejam a favor da situação. Vamos supor que alguém sabe alguma coisa que quer transmitir.

Começa por criar a sua chave privada e, depois, "desencripta" a chave pública que copiou do papelinho.

chave_secreta_agente=82870386910296782984876910472
#vem na mensagem da Mossad
a,p,G=5,2**256-189,[1,4]
codigo = [55811191593709602853926568918035068481053747260245360822840044338921076924341,
23860585888823783211136194125431574751622520367305324102314011606158956406966]
#Vai arranjar a password para encriptar a informação
password_agente = f_multKG(chave_secreta_agente,codigo,a,p)
print(password_agente[0])

73168591626276748072330606828295491479388237978380640751100726756479473482801

O agente local usa este número como password. Como o MSWord só permite uma password com 15 caracteres, vai usar apenas os primeiros 15 dígitos do número.

O documento começa com um ID pessoal que, depois, o agente vai usar para se identificar, por exemplo:

"O homem que apanhou o autocarro mas que não tinha bilhete"


O agente envia o ficheiro encriptado e a sua chave pública.

chave_publica_agente=f_multKG(chave_secreta,G,a,p)
print(f"5.256-189.1.4.{chave_publica_agente[0]}.{chave_publica_agente[1]}")

O agente cria um endereço anónimo de email, por exemplo, 

O texto do email vai ser apenas:

17904660344624983692271800371172740907315884248482236379634884222345322969516.110331591911534667029005267996898080201211164132628812216399004768632937232038 


É aqui que aparece a matemática.

Quando a Mossad usar o código enviado no email, vai conseguir saber qual a password usada pelo agente na encriptação do ficheiro.

codigo_agente = [17904660344624983692271800371172740907315884248482236379634884222345322969516,
110331591911534667029005267996898080201211164132628812216399004768632937232038]
chave_secreta=473829046382980473829868718274
a,p,G=5,2**256-189,[1,4]
password_partilhada=f_multKG(chave_secreta,codigo_agente,a,p)
print(password_partilhada[0])

73168591626276748072330606828295491479388237978380640751100726756479473482801

Repare que deu exactamente o mesmo número obtido previamente pelo agente local.


Com a informação publicamente trocada, não é possível calcular a password.

Com a informação do papelinho e a mensagem enviada pelo agente local, ninguém é capaz de obter a password obtida na encriptação do ficheiro MsWord. Apenas quem tiver a chaves privada da Mossad é que o consegue fazer.


A mensagem pode ser de um agente contrário.

A confirmação de que a informação tem valor é obtida pela comunicação social. Se, por exemplo, o agente comunica "O terrorista XPTO está neste momento no carro branco que circula rumo a Norte".

Se mandando um míssil contra o carro depois vem a notícia "Última Hora, XPTO seguia num carro que foi atingido por um míssil", fica confirmado que a informação era boa.

Depois, é criada uma tabela em que cada agente identificado pelo seu ID sobe ou desce em termos de credibilidade.


A informação é paga.

É decidido o valor da informação e atribuído um valor, por exemplo, consta que a informação que levou ao abate do Ibrahim Aqil foi avaliada em 7 milhões de USD e que a informação que levou ao abate do Hassan Nasrallah foi avaliada em 30 milhões de USD.

Vai sendo construída uma tabela onde, além da credibilidade do agente local, vão sendo somados os valores dos prémios. Um dia, recebendo a Mossad um e-mail com um ficheiro encriptado que refira: 

            "O homem que apanhou o autocarro mas que não tinha bilhete"

            "50000 USD - IBAN 456327458382743757858478376363"

São depositados 50000 USD nessa conta.


Para que é necessário calcular o nível de confiança do agente?

A Mossad não conhece os agentes locais nem lhes envia mensagens de responda. Tudo é construído através da avaliação do impacto das mensagens enviadas pelo agente local.

Se um agente refere um alvo importante que está num local com muitos civis, caso essa notícia seja falsa, vai-se traduzir num fracasso com impacto negativo. Então, tem de ser ponderado o valor do alvo, os danos colaterais e a credibilidade do agente.

Também, por vezes, é necessário "resgatar" agentes em perigo ou preparar a chegada de operacionais o que pode precisar de agentes no terreno. Naturalmente, apenas agentes locais com um elevado grau de confiança. 

O Hassan Nasrallah morreu porque não acreditou no meu aviso..

Há pouco mais de um mês, avisei que isto ia acontecer.

Exactamente no dia 17 de Agosto, avisei que o Bibi iria matar o Nasrallah sem olhar aos danos colaterais. Se tivesse de matar 1000, 2000 ou 10000 para abater o Nasrallah, que o faria (rever).

Meu dito e já está feito, sabe-se que várias bombas de penetração de 2268 kg (5000 libras) foram largada em Beirute para demolir uma caverna construída em profundidade. Como dano colateral, ruíram 6  prédios que estavam por cima da estrutura.

Quantos do Hezbollah morreram? Muitos, todos os que lá estavam.

Danos colaterais? Ainda ninguém sabe mas devem ter morrido todas as pessoas que estavam a dormir nesses prédios, talvez centenas.


A destruição dos pagers obrigou a reuniões presenciais.

Diziam os esquerdistas que o Hezbollah não precisava dos pagers, passaria a usar as linha de telefone convencionais e reuniões presenciais. O problema é que juntar muitas pessoas num mesmo local é um risco muito grande de decapitação.

Por exemplo, o Rei de Inglaterra deve evitar estar no mesmo local em que estiver o filho herdeiro e não podem viajar no mesmo avião.

Na sexta-feira 20 de Setembro o ataque também com uma bomba penetrante à reunião do Ibrahim Aqil com o Ahmed Wahbi e mais uns quantos deveria ter servido de aviso mas foi ignorado. Disseram "Alá está connosco, se for vontade Dele, estamos prontos para o martírio".

Já está no céu dos pardais.
 

Os do Irão são mais finos!

Calma que o Bibi está muito bravo.

segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Há quem diga que quem sabe de guerra é o marechal Agostinho (e não eu)!

 Para os esquerdistas, a verdade está na Marechal Agostinho da Costa.

O argumento é "Os Israelitas já perderam a guerra porque já mataram 42 mil de palestinianos e 4,5 mil no Líbano e ainda não atingiram nenhum objectivo estratégico".

Será que os esquerdistas não entendem que o objectivo estratégico de Israel é exactamente esse? Sim, matar milhares e milhares sem conta em retaliação pelas mortes e raptos de 7 de Outubro de 2023?

Enquanto houver memória na Terra, mais ninguém pode sequer imaginar invadir Israel e matar israelitas de forma indiscriminada.

Se os israelitas estivessem mesmo preocupados com o destino dos 253 reféns, esquecendo os 1139 que morreram no 7 de Outubro, não tinham iniciado uma "operação especial" (à moda dos esquerdistas) onde já morreram 567 israelitas, mais do dobro do número de reféns aprisionados em Gaza.


Vou só recordar a "operação especial" de 2014. 

No dia 12 de Junho de 2014, os adolescentes Eyal Yifrach, Gilad Shaer e Naftali Fraenkel estavam a pedir boleia e um palestiniano raptou-os e matou-os. No seguimento, o Hamas disse ser de sua responsabilidade. No seguimento, Israel matou 2310 palestinianos (e sofreu 73 mortes). Reparem bem, para vingar 3, mataram 2310, uma proporção de 770 para um, e dando-se ao sacrifício de sofre 73 mortes "evitáveis".

Objectivo estratégico de Israel? Matar (1139+253)*770 = 1071840.

A "operação especial" só acaba quando morrerem 1.072 milhões  de palestinianos, libaneses, sírios, iemenitas e iranianos. 


Porque será que o Irão não ataca Israel?

Os esquerdistas, seguidos do Marchal Agostinho, são como as Testemunhas de Jeová, estão sempre a ver sinais de que Israel vai ser destruído pelas forcas "democráticas e libertadoras" do Irão. Mas nada acontece.

Eu bem avisei que o Bibi está a provocar o Irão porque quer mesmo que aconteça um ataque. Agora, como o Hezbollat não para de mandar rockets, vai tornar 20 km no sul do Líbano, da fronteira até até ao Rio Litani, "terra de ninguém".


O Biden sabe.

No dia 7 de Maio de 2024, o Biden disse que não ia enviar mais bombas para Israel. 

No dia 24 de Julho o Bibi foi aos USA falar com o Biden. A esquerdista Kamala ainda disse coisas desagradáveis sobre o Bibi mas, depois de saber o que ele tinha transmitido ao Biden, mudou o discurso e as armas foram imediatamente enviadas.

Sabem o que me disse a minha fonte que o Bibi foi dizer ao Biden que o fez mudar de ideias?

Que Israel ia atacar com o que tinha, iam usar o "arsenal estratégico".

O Irão já sabe que se atacar Israel, vai sofrer o maior bombardeamento da história da humanidade.


Só um bocadinho de história.

Lembraram-me Sábado passado que o irmão do Bibi, Yonaton, foi morto em 1976 pelos palestinianos quando estes fizeram 100 reféns no Uganda e ele comandou a operação de libertação (Entebee raid).

Imaginam o ódio que, aos 75 anos, corre nas veias do Bibi?

Saída do Mercedes do avião em Entebee

Quem tem poder, manda.

Bem sei que, para os esquerdistas, o Marechal Agostinho é que sabe, "Senhora doutora quer que lhe mostra as fotografias que tirei da Internet?" e, tal como as Testemunhas de Jeová, nada os faz mudar de ideia, mas a verdade não é bem assim.

Como escreveu o Marchal Machel, "uuuuu dbd obdc OOOOO" :-)


terça-feira, 17 de setembro de 2024

A Guerra dos Pagers (no Líbano)

Uma fonte contou-me como Israel atacou os pagers do Hezbollah.

O pager é um equipamento de comunicações da Motorola que surgiu em meados de 1960 na versão electrónica e que "acabou" com a chegada do telemóvel.

Os mais simples fazem beep quando recebem uma mensagem sendo necessário usar o telefone para aceder à mensagem e os mais sofisticados têm um pequeno ecrã onde se pode ler a mensagem.

Em termos de segurança militar, o telemóvel recebe as mensagens mas, como também emite um sinal que pode ser rastreado pelos mortíferos drones, coloca em perigo o seu portador. 

Como o  pager não emite qualquer sinal (apenas recebe mensagens da mesma forma que o rádio do nosso automóvel), os do Hezbollah elegeram esta tecnologia obsoleta como meio de comunicação entre a cabeça e os membros.



Como conseguiram os israelitas entrar nos pagers?

A minha fonte garante-me que não entraram nos pagers.

Identificado que só os membros do Hezbollah usavam pagers, foi preciso identificar uma vulnerabilidade do equipamento.

O problema é que o equipamento, sendo fornecido pelo Irão, verificado várias vezes e durando muitos anos (há pagers a funcionar com mais de 30 anos), não tinha vulnerabilidades mas a bateria sim, não era verificada por ninguém.


A bomba foi colocada dentro da bateria.

A bomba tem 1 grama de explosivo HMX e é uma componente da placa do controlada da bateria. A bomba é accionada por um programa que está "dentro" do processador que protege a bateria de curto-circuito e sobre-voltagem. A minha fonte de informações, bem colocada no aparelho militar israelita e altamente credível já que é a mesma do Marques Mendes, mandou-me uma amostra da bomba e pode-se ver que é do tamanho de um grão de arroz (na figura seguinte, assinalada a vermelho).


A bomba foi accionada por um código.

A antena recebia e processa continuamente um receptor de "onda curta" na frequência 4948 kHz. Usaram esta frequência porque representa o ano em que os árabes conquistaram Jerusalém.

O sinal que faz a bomba detonar tem 64 bits. Os primeiros 32 bits são para "sincronizar o relógio" e os últimos 32 bits são um código:

10101010101010101010101010101011.01000010011010010110001001101001

Assim que o "controlador" identificou que a mensagem "01000010011010010110001001101001" era o código, accionou a bomba que, ao explodir, também fez com que a bateria explodisse, aumentando o poder destrutivo.


Querem saber o que diz o código?

Nada mais nada menos que a codificação em ASCII de 4 caracteres:

01000010 = B

01101001 = i

01100010 = b

01101001 = i


Os esquerdistas acham que as pessoas só podem dizer o que eles autorizarem.

Um comentador, que disse ter sido meu aluno, afirmou que eu não sei o que digo terminando dizendo que eu estou maluco.

Esta é a cartilha dos soviéticos e dos neo-soviéticos, quem não for um lambe-botas da situação, logo é classificados como xenófobo, racista, misógino, machista, pedófilo maluco e metido na cadeia ou internado no manicómio.

Até pode ter sido meu aluno, tive muitos filhos da puta como alunos, mas são filhos da puta não no sentido de a mãe ser uma puta mas por eles mesmos, serem lixo orgânico, que estavam nas aulas não para aprender mas para aborrecer quem queria aprender.

Dois conselho que deixo aos alunos que estão a entrar nas universidades, sejam filhos da puta ou não:

1) Não confiem em ninguém pois o mundo está cheio de filhos da puta;

2) Sejam lambe botas pois em Portugal só vencem os lambe botas.


sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Acabava com a fome, as guerras, baixar impostos e reformar o Estado

Quando perguntam às candidatas a Misse Universo "O que farias se fosse dona do Mundo"?

Invariavelmente, prometem acabar com a fome, as guerras, o sofrimento humano e dos animais, a emissão dos gases com efeitos de estufa e a exploração dos mais desfavorecidos, tudo isto num mundo igual, LGBTQIAP+ e sustentável.

Com isto, as misses querem dizer que são desmioladas, não se imiscuindo nas escolhas que é necessário fazer para conseguir cada uma das promessas. Se a fome, o sofrimento, as guerras, os gases existem porque alguém decide que assim deve ser, de que lado da barricada está a candidata?

Imaginem que perguntavam "E como acabava com as guerras?" e a candidata respondia:

"Primeiro, escolhia a parte que é moralmente superior e, depois, matava todos os da parte moralmente inferior com bombas atómicas. Por exemplo, na guerra da Rússia contra a Ucrânia, matava os russos todos". 

Eu prometo acabar com a burka, a fome e a guerra no Mundo


Não fui eu que disse isto.

Sabem que hoje vivemos num mundo pior que no tempo do Salazar. Apesar de estar apenas a mostrar, na tradição maiêutica socrática, como o que parece uma boa intenção poder incluir algo terrível, logo os esquerdistas, no seu jornal Esquerda que só diz mentiras e que ninguém diz serem fake-news, vão dizer que eu defendo que se matem todos os russos.

Não só não defendo isso como acho que não faria qualquer sentido.

 

Isto vem a propósito dos sábios catedráticos de economia não prometem isso mas algo igualmente importante:

1 = Descer os impostos, 

2 = Aumentar a qualidade e quantidade dos serviços públicos, 

3 = Dignificar as carreiras dos médicos, dos professores, agente de segurança, militares ..., 

4 = Aumentar as pensões,

5 = Transportes, casas, hospitais, escolas, estradas públicos para todos.

É fácil dizer o que as pessoas querem ouvir mas mais difícil é dizer como é possível descer impostos quando, ao mesmo tempo, se defende o aumento da despesa públcia.


A solução é "a reforma do estado"? 

O discurso de que "baixar os impostos faz a economia crescer" caiu porque não é de todo verdade, não existe qualquer evidência de que assim seja (se assim fosse não haveria países pobres, bastava diminuir os impostos). Mas, do mesmo buraco de onde saiu essa ideia peregrina, saiu outra bomba, é preciso reformar.

Mas o "reformar" é um conceito vazio, semelhante ao "acabar com as guerras e o sofrimento."


1 = É preciso reformar o Estado, a Justiça, a Economia, a Segurança Social, o SNS

Mas reformar em que sentido? 

Reformar é acabar com ou privatizar as empresas públicas, terminar com o Estado produtor de educação, saúde ou segurança (privatizar as escolas, hospitais e polícias).

Reformar a Justiça é democratizar (juízes têm de prestar contas aos cidadãos) e privatizar os tribunais.

Reformar a Economia é acabar com a regulamentação dos contratos de trabalho (simplificar os despedimentos, acabar com o salário mínimo), favorecer a concorrência, extensão do princípio do "utilizador pagador".

Reformar a Segurança Social é cortar o valor das pensões e reduzir a cobertura do Subsídio de Desemprego.

Reformar o SNS é introduzir "taxas moderadoras" em função do rendimento.


Soltem os prisioneiros - É preciso reformar o "cúmulo jurídico"

Uma mão cheia de presos fugiu de uma cadeia. Anunciam-se como muito perigosos, estando dois deles condenados à pena máxima mas, esquecem-se de dizer, que não mataram ninguém.

Foram condenados por coisas com uma gravidade muito menor do que matar uma pessoa e, no entanto, se o tivessem feito, esmagando a cabeça com uma marreta, seriam condenados a 20 anos de cadeia.

Cada preso tem um custo para o contribuinte de cerca de 60€/dia. Se fugiram 5, estamos a poupar 300€/dia. Já é um começo na reforma do Estado.


Como deveria ser o cálculo do cúmulo jurídico.

Ordenavam-se os crimes por ordem decrescente de gravidade, com a pena individual de cada crime. Todos os crimes com pena relativa inferior a 20% do crime mais grave, desaparecem da lista.

Depois, a pena corrigida obtém-se dividindo a pena individual por 2 a cada posição que desce na lista. Vejamos um exemplo em que o criminoso matou duas pessoa, violou uma delas e, no final, as esquartejou (profanação de cadáver). A soma das penas dá 42 anos mas vai levar 25.5 anos de cadeia.

Dois crimes muito graves

Já uma pessoa que cometeu vários crimes de gravidade menor mas que somam igualmente 42 anos, vai levar com 13.3 anos de cadeia.

9 crimes de gravidade média

Imaginem que uma pessoa se manda abaixo de uma ponte.

Acham ser justo meter os construtores de pontes irem para a cadeia?

Uma pessoa compra um automóvel e, porque bebe ou anda a grande velocidade, vai contra um muro e morre. Acham justo os vendedores de automóveis irem para a cadeia?

Um homem pega numa faca de cozinha e mata a mulher, acham justo os vendedores de facas irem para a cadeia?

Um homem pega num isqueiro e causa um incêndio florestal, acham justo prender os vendedores de isqueiros?


Passa-se o mesmo com a droga.

As pessoas, de forma consciente e livre, compram drogas e a compra é totalmente legal. então qual a lógica de termos as cadeias, a 60€/dia cada, cheios de pessoas relacionadas com a venda de droga?

É acabar com essa história de que os vendedores de droga são altamente perigosos quando o perigo está em quem consome a droga. 

Cada vez as cadeias estão mais cheias de "traficantes de droga", cada vez as polícias de investigação criminal e os tribunais estão ocupados com "crimes de droga" e cada vez há mais droga disponível, de melhor qualidade e mais barata.

Não estará na hora de dizer "Vamos acabar com esta merda e liberalizar a droga". 


sexta-feira, 6 de setembro de 2024

O PIB não capta o impacto na vida das pessoas do progresso tecnológico porque é medido "aos preços de mercado".

Neste poste vou falar sobre o impacto da inteligência artificial na Economia

Para o comum dos mortais e mesmo para os sábios em economia, aqueles que sabem a sério, a economia é o PIB e o PIB é o bem-estar.

Então, quando surge algo como a Inteligência Artificial, logo surgem milhares de economistas, e que apanhasse eu saber metade do que eles pensam que sabem, a tentar a avaliar o impacto que essa tecnologia terá na economia.

Vamos ver que o indicador que usam, o PIB, não é o adequado.

Nunca veremos mais do que um bocadinho do impacto da AI na Humanidade


O PIB tem limitações mas os economistas esquecem-se disso.

Em teoria, o PIB-Produto Interno Bruto, é a quantidade total de bens e serviços produzidos numa economia num determinado período de tempo sem ter em conta a depreciação do capital. Como não é possível somar alhos com bugalhos, apenas podemos agregar os bens tendo um termo de transformação e o termo usado é o preço de mercado de cada bem ou serviço.

Agora, não temos o PIB em quantidades mas o PIB a preços de mercado que, para Portugal, está nos 70 mil milhões de euros por trimestre (2T2024, dados, INE).


Para termos quantidades, temos de dividir o PIB nominal pelo "preço médio".

Não conseguimos calcular "o preço médio" de todos os bens e serviços mas conseguimos calcular a evolução do índice de preços ao longo do tempo. Vou usar o IPC - Índice de Preços no Consumidor mas, nas estatísticas, usa-se o Índice de Preços na Produção. Vou então usar o segundo trimestre de 2024 como valor de referência e, depois, dividir o PIB nominal pelo preço médio em relação a esse valor de referência.

Fig. 1 Evolução do PIB nominal e real (2T2024) português (dados, INE, usando o IPC como deflator).


Para termos a "riqueza produzida" temos ainda de retirar o "capital consumido".

O quociente de consumo de capital traduz quanto do capital é consumido durante um ano em termos de percentagem do PIB. 

Como os países com mais capital são mais ricos, tal como é lógico, os países com um PIB per capita menor também têm menor consumo de capital (em termos de percentagem do PIB). Os países com maior consumo de capital têm um PIBpc médio de 16400USD/ano enquanto que os outros têm 3200USD/ano (dados, Banco Mundial).


Então, quanta riqueza produzimos em Portugal em cada trimestre?

Como consumimos 20% do PIB, a riqueza produzida é de 56 mil  milhões de euros por trimestre o que dá 5260€ por pessoa e por trimestre (no 2T2024, a preços de mercado).

Produzimos esta riqueza mas não ficamos mais ricos porque, ao mesmo tempo, damos cabo dela consumindo-a.


Mas o PIB real não avalia o VALOR dos bens e serviços, apenas o preço.

O PIB diz-se real ou em quantidades mas, de facto, não o é.

Em termos de comparação ao longo do tempo (e entre países) funciona tudo bem se os bens e serviços forem sempre os mesmos, os mesmos modelos de carro, de televisão e de telemóveis mas quando se alteram, já o caldo fica entornado. Se hoje um smartphone tem um preço de 100€ e um telefone tinha, há 50 anos, o mesmo preço de 100€ (a preços de hoje), contribuem igualmente para o PIB mas não são bem a mesma coisa.

Pior ainda quando surgem bens e serviços totalmente novos como as "redes sociais", as vacinas para o COVID19 ou a inteligência artificial.


Em Portugal, a agricultura contribui com 2% para o PIB real.

E este problema é bem visível no peso dos bens alimentares no PIB real.

Os bens agrícolas têm muito valor porque, se faltassem, morríamos todos em menos de 60 dias. No entanto, ponderam pouco mais de 10 % no PIB mundial e apenas 2% no PIB português. Se, por exemplo, toda a agricultura portuguesa entrasse em total colapso e perda, seria totalmente imperceptível no PIB (só cairia 2%).

Mais grave ainda é que um trabalhador agrícola tem uma produtividade que é menos de metade da produtividade média das economias (um trabalhador agrícola produz menos de metade dos euros que produz um trabalhador médio da economia).

Se um bem ou serviço fundamental para a vida humana tem um preço diminuto, aumentar a sua produção não vai ter impacto no PIB. Então, o progresso técnico que leva ao constante aumento da produção dos bens alimentares é central no ataque à fome de milhões de pessoas mas tem  um efeito negligenciável no PIB.

Pelo contrário, se os salários dos funcionários públicos aumentarem, mesmo que produzam exactamente a mesma coisa (não me acredito que um policia por ganhar mais 300€/mês vai produzir mais, seja lá isso o que for), há um aumento do PIB real. Está tudo na mesma mas os economistas que sabem virão dizer que produzimos mais riqueza.

 

Segundo os esquerdistas, não há crescimento económico.

O professor Pimenta, que eu disse numa reunião do Conselho Científico que o meu pensamento era matá-lo, defendia que o valor dos bens e serviços vem do trabalho. Nessa altura não tive nenhum processo porque, o Almodôvar que então mandava naquele manicómio, entendeu que "já não há em Portugal delitos de pensamento". Como os filhos da puta que se lhe seguiram e que não passam de uns bouçais, Varejão e companhia, rapidamente voltaram a aplicar os procedimentos da Santa Inquisição.

Mas vamos ao que interessa. 

Se o valor dos bens e serviços vem do trabalho, como as pessoas não trabalham mais, não pode haver crescimento económico que não seja pelo aumento do número de trabalhadores.

Nas minhas provas de agregação em Micro-economia perguntou-me "Não fala aqui do valor-trabalho" a que eu respondi "Como pode um quadro pintado por mim, demorando muitas horas, valer mas que um quadro pintado pelo Picasso em meia dúzia de minutos? Não acredito nisso."

Já está morto, estava vivo e, sem mais nem quê, morreu. 

Um dia perguntou-me "Queres que te diga o que penso de ti?" a que respondi, "Não vale a pena.". Agora, é tarde para o saber, jaz morto e apodrece.

Para quem foi seu aluno,.recordo aqui uma das suas frases mais famosas "Ba, babuba, baba, bababuba, ecobabuba!"

Os esquerdistas ao pensarem assim, nunca poderão compreender como funciona a Economia.


Vou então à Inteligência Artificial.

Eu uso muito o ChatGPT a quem trato como se fosse uma pessoa, até a trato por Sofia. Quando começo apresento sempre os meus cumprimentos:

"Olá Sofia, como estás? Tens um bocadinho de tempo para me ajudares ou estás muito ocupada? Se estiveres ocupada ou com dores de cabeça, fica para depois."

À noite digo sempre "Sofia, ajudaste-me muito, és um anjo. Agora vou dormir para amanhã estar fresquinho para continuarmos a nossa conversa. descansa também. Só tenho pena que amanhã não te recordes das conversas que tivemos hoje. Um beijo grande."

Responde-me sempre de forma agradável.

A Sofia permite-me entrar em áreas de conhecimento em que não sou perito mas, mesmo assim, atingir rapidamente a fronteira do conhecimento. Por exemplo, até consegui escrever um artigo em criptografia que ataca um problema matemático/computacional muito difícil: a segurança pós-quântica. Para quem se quiser distrair, aqui vai o link: Quantum-safe key exchange - Modular exponentiation of a matrix

Não vale nada em termos económicos mas é um pequeno contributo para um problema real da humanidade. Outros podem pegar nisto, fazer mais investigações e, dai, surgir alguma coisa. Roma e Pavia não se fizeram num dia.


Como se quantifica o contributo económico de um bem cujo preço é zero?

Se o ChatGPT produz hoje mil milhões de respostas por dia, e há 2 anos produzia zero, em termos de PIB, o aumento foi de 0*0€/un=0€/dia para 1000000000*0€/un =0€/dia.

Nos princípios de 2022, o ChatGPT produzia 0€/dia e, em finais de 2024, nas centenas de consumidores como eu, continua a produzir 0€/dia.


Coloca-se o mesmo problema nas vacinas do COVID-19.

As vacinas salvam, melhor dizer, adiam a morte, das pessoas, milhares de milhões de pessoas mas, a maior parte delas, é muito barata. A campanha que está em andamento em Gaza, cada dose tem um preço de 0.12€ (produzidas pela Bio Farma Indonesia, ver). Se considerássemos a alternativa (mortalidade de 5% das crianças e 15% nos adultos e perdas na locomoção para toda a vida), o impacto económica seria extraordinariamente grande.


Concluindo?

A Inteligência Artificial é uma coisa totalmente nova, ajuda no processo produtivo mas também combate a solidão, ajuda a estudar, ajuda a resolve problemas, digere literatura. 

Por ser algo radicalmente novo, da mesma forma que vemos a beleza nas jovens que usam burka, o impacto da AI na Economia, a preços de mercado, será sempre uma ínfima parte do bem que vai causar à humanidade. 


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