segunda-feira, 16 de maio de 2011

A geração à rasca, obrigado por serem lorpas.

Alguém conseguiu convencer os jovens que o melhor caminho para a sua felicidade é defenderem o status quo, os “direitos adquiridos” pelo 25 de Abril. Nada mais errado pois, ao defenderem estão a proteger quem está bem empregado, como eu, e a prejudicar a probabilidade de virem a ter um emprego. Pela minha parte, só tenho que agradecer.
A produtividade e os salários
Para se produzir riqueza é necessário juntar trabalho, capital (por exemplo, máquinas) e ideias (e.g., patentes). Retirando-se à riqueza criada a remuneração do capital e das ideias, fica a produtividade líquida do trabalho.
Em concorrência, com despedimentos livres e com informação perfeita, o salário do trabalhador é igual à sua produtividade líquida (Fig. 1,linha a verde).
O mau investimento público induz uma diminuição nos salários
O investimento aumenta a riqueza produzida. Assim, fazer SCUTS, METROs, TGVs ou rotundas aumenta o PIB. No entanto, como esse aumento é inferior à taxa de juro paga pelo capital pedido emprestado, a produtividade líquida do trabalho diminui: O mau investimento público aumenta o PIB e pode aumentar o emprego mas implica sempre uma diminuição nos salários.
Os contratos de emprego vitalícios e os salários
A produtividade do trabalho aumenta com a experiência e diminui com a idade. Se o trabalhador não puder ser despedidos, o empregador tem que antecipar essa descida de produtividade pagando um salário de equilíbrio igual à produtividade média futura e que é inferior à produtividade da altura. Então, depois dos 30 anos, se o trabalhador trocar de emprego, vai ganhar menos (Fig. 1, área a amarelo).
Fig. 1 – Produtividade e salários com contratos definitivos


Vantagens e inconvenientes para o trabalhador dos empregos vitalícios
Vantagens:
As pessoas provavelmente vivem mais felizes se o seu consumo for constante ao longo do tempo. Supondo que os trabalhadores não são capazes de poupar nos anos em que são mais produtivos (como, por exemplo, o Eusébio) então, viverão mais felizes tendo um emprego menos remunerado mas definitivo.
Também é mais seguro porque o trabalhador pode vir a ser menos produtivo que a média.
Desvantagens:
Se o trabalhador mudar de emprego vai ganhar um salário menor. Então, depois dos 30 anos o trabalhador fica preso ao seu emprego. Pode querer mudar de actividade e não pode.
Se a empresa falir, o trabalhador vai ganhar menos perdendo o sacrifico feito nos anos em que o seu salário foi menos que a sua produtividade.

O salário e a expectativa de crescimento económico
Em Portugal existia a expectativa de que a economia ia crescer via aumento da produtividade do trabalho. Como essa expectativa não se concretizou, os trabalhadores com contratos de trabalho vitalícios têm um salário (Fig.2, linha a azul) superior à sua produtividade (Fig. 2, área a azul). Se houvesse flexibilidade, os salários desceriam.
Fig. 2 – Produtividade e salários com contratos definitivos (com erro na previsão do crescimento)


Obrigado aos à rasca
Eu fui trabalhador precário durante 18 anos (entre 1988 e 2006) e custa. Actualmente observo que existem pessoas capazes e disponíveis para fazer o que eu faço por metade do dinheiro. Isto faz-me pensar que, para não ser despedido, provavelmente teria que aceitar um salário substancialmente inferior. Então, interessa-me que se mantenha impossível despedir quem está empregado.
Por isso, força lorpas. Continuem a lutar pelos que, como eu, estão bem na vida.
Fig. 3 – Bem-aventurado o que acredita sem ver porque será enganado

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 13 de maio de 2011

É urgente acabar com os comboios

Os comboios são uma tecnologia completamente ultrapassada. Por isso é que a CP, REFER e Metros dão tanto prejuízo. Tal como já acabaram os carros puxados a bois e os cavalos de transporte, os comboios também têm que acabar para o bem de Portugal.
Esta é a minha segunda medida de fundo.
A antipatia pela mudança
Eu treinei Kung-Fu mas era fracote porque não executava as danças como está definido há milhares de anos. Como professor, também classifico os meus alunos um pouco desta forma. Rotular como excelente a pessoa que repete o passado é uma forma da sociedade conservar a sua estrutura actual. Apesar de a mudança ser necessária para o progresso, as pessoas têm medo do desconhecido preferindo a estabilidade e o marasmo.
Fig. 1 – Cuidado que eu sou Kung-Fu-dista. Hiarrr… r… r… i… i… ó… ó…
Nas empresas também existe aversão à mudança. Se for possível, as tarefas serão executadas como sempre o foram. As empresas apenas melhoram quando têm a concorrência de uma minoria de indivíduos, os empreendedores, que ousa inovar avançando com novos produtos e métodos de produção mais eficientes. As empresas antigas mudam ou abrem falência.
As empresas públicas, por os seus prejuízos serem financiados pelos impostos, nunca abrem falência (até ver). Mais grave é o Estado, numa tentativa para diminuir os prejuízos, fechar o mercado à concorrência e à inovação.
O caso dos comboios
Comboio é um substantivo colectivo. É uma récua carregada; Um grupo de muares carregados; Uma manada de cavalgaduras em fila.
Fig. 1 – O comboio que governa Portugal
Um muar transporta às costas uma mulata que são 3 alqueires. Como andar sobre carris tem menos atrito, o mesmo muar, puxando uma carruagem sobre carris de madeira, transporta 5 mulatas.
 
Fig. 2 – Esta mulata é carga de mais para o meu comboio
Em Portugal, nos anos 1950, nas minas ainda se usavam comboios de mulas sobre carris de madeira.
Os comboios mecanizados
Começam em Portugal em 1856 concorrendo com os burros e bois no transporte de carga e com os cavalos no transporte de pessoas. Nessa altura, ir do Porto a Lisboa a cavalo demorava uma semana e implicava trocar 15 vezes de montada. A mesma viagem de comboio demorava 12horas. Um burro transportava 45kg (em carreiro) e uma junta de bois 500kg (em estrada macadame) e percorriam 30km por dia. O comboio de carga transportava 500t e percorria 300km por dia.
Quando, no início do Sec. XX, surge o automóvel com motor de explosão interna (carros, carrinhas, furgonetas, camionetas e camiões), a estrada asfaltada, e as grandes reservas de petróleo do Médio Oriente, o comboio ficou completamente obsoleto.
O automóvel é tecnologicamente superior porque é flexível.
Por exemplo, um camião carrega fruta num pomar no meio de Marrocos e, passadas 24 horas, está a descarregá-la dentro de um hipermercado em Matosinhos. Num contentor climatizado, sem transbordo, paragens, ligações, greves, nada. Esse mesmo camião recolhe sapatos em Felgueiras e, passadas 24 horas, está a descarregá-los na Marks & Spencers em Londres.
Fig. 3 – Sr. Costa, quando, em Marrocos, aparece um sinal com uma mulher deitada com uma cadeira em cima, não é o que pensa
As carreiras Porto-Lisboa.
Um autocarro faz a ligação Porto Lisboa em 2h45m e o bilhete é mais barato que o do comboio.
O Comboio recebe subsídios e ainda dá um prejuízo terrível. O autocarro paga imposto de circulação, ISP, IVA, Portagens e ainda tem que dar lucro senão o BE diz que fogem ao fisco.
Vamos pensar nos terminais de autocarros que o Estado construiu nestas cidades: NADA. A Praça das Cebolas em Lisboa é uma vergonha. A Cordoaria no Porto é outra vergonha.
Porque é que os autocarros não podem receber passageiros nas estações de serviço das auto-estradas? É uma vergonha.



A questão ambiental
Uma carrinha (15l/100km) de 1+8 lugares, lotada, emite 50g de C02/km por passageiro, um autocarro (45l/100km) de 50 lugares, lotada, emite 25g de C02/km por passageiro. Somando, numa viagem Porto Lisboa, a carrinha emite 15kg/passageiro, o Alfa, lotado, emite 13Kg/passageiro (fonte: CP) e o autocarro emite 7.5kg/passageiro. E o gasóleo paga uma imensidão de ISP alegadamente pelas emissões de CO2 que o comboio não paga.
O comboio tem que desaparecer como os carros de bois desapareceram
Não é privatizar, é acabar de vez com os comboios.
O Estado, em vez de deixar morrer uma tecnologia ultrapassada há 100 anos, sobrecarrega os automóveis com proibições, taxas, impostos, portagens, alvarás, multas e atribui aos comboios subsídios, avais, compensações, subvenções. Com que lógica?
A CP mais a REFER (para não falar dos Metros) dão mais de 3 milhões de euros de prejuízo por dia. Estes números não aparecem nas contas porque são classificados como “investimentos” mas que nunca mais vão ser amortizados.
E têm que ser construídos terminais de autocarros decentes para as empresas privadas do sector rodoviário poderem funcionar livremente e com qualidade.
Porque é que não existem terminais rodoviários nas auto-estradas à entrada de Lisboa e de Porto com 20mil lugares de estacionamento e ligações em Shuttle com o centro da cidade?
Penso que é por sermos governados comboios.
Última hora: Provavelmente Marrocos vai ter TGV antes de Portugal
Li no JN que o governo está muito preocupados com a possibilidade de Marrocos ter TGV antes de Portugal. Ao que nós chegamos, estarmos a competir com Marrocos por um lugar no Guinness.
Fig. 5 – Olhi u tapét bárátu. É igualu no TGV do Marôcu.


Já estou preocupado porque, se o Sócrates não ganha as eleições, ainda a Grécia declara a bancarrota antes de nós e lá se vai o guinness.
Ultíssima hora: O pêlo púbico do Catroga
O pêlo púbico aparece no ser humano depois da puberdade e é curto, grosso e encaracolado.
Há um animal, o pthirus pubiso, que vive exclusivamente nessa zona pilosa do ser humano  e que, por causar prurido, está em perigo de extinção.
As expressões idiomáticas associadas ao pêlo púbico traduzem a ideia de que o assunto tem pouca importância.
Fig. 6 – Ai c'um Catroga, isto é que é uma pentelhada a sério.

Pedro Cosme da Costa Vieira

domingo, 1 de maio de 2011

O não cumprimento dos serviços mínimos tem que doer

A minha primeira medida de médio prazo
É terminar com as greves nas empresas públicas que dão centenas de milhões de euros de prejuízo por ano e que são autêntico terrorismo social. Terá que ser criminalizado o não cumprimento dos serviços mínimos e o seu não cumprimento tem que passar a ser justa causa para o despedimento.
A chave para a eficiência é a concorrência
Imagine que se propõe correr a Maratona de Santo Aleixo dos Mendigos pelo prémio do 1.º lugar que são 1000€. Se não houver mais concorrentes, não vai treinar. Chegado o dia, vai a passo, pára para almoçar, dorme uma sesta, depois faz mais um pouco, lancha numa esplanada e, quando chegar à noite, com sorte já vai a meio. Paciência. Acaba-se amanhã, se Deus quiser. Senão, é mais dia, menos dia. Os 1000€ já estão no papo.
Se houver mais concorrentes, já não pode ser bem assim. Para trazer o prémio vai ter que treinar e, na prova, andar ligeiro e esforçar-se.
Figura 1 – A concorrência aumenta o nível do desempenho
 A função dos sindicatos
A concorrência obriga-nos a um esforço redobrado, a ir buscar forças que nem sabíamos que possuíamos. Isto passa-se em todas as vertentes da vida até na economia.
Quando um agente económico não tem concorrência, um monopolista (um vendedor) ou monopsonista (um comprador), então, tem poder de mercado para impor o seu preço. Se tiver concorrência, perde esse poder porque há a alternativa do preço dos concorrentes: tem que se esforçar mais e baixar o preço para conseguir vender/comprar.
Relações económicas desequilibradas
A economia é feita de relações de troca entre partes que sofrem diferentes níveis de concorrência. Por exemplo, existem três operadores de telemóvel e 10 milhões de consumidores. Então, um operador tem mais poder de decidir o preço que um consumidor. Como a concorrência aumenta a eficiência económica então, quando existem poucos concorrentes, a lei proíbe que estes combinem as suas decisões: a Lei da Concorrência. Se houver muitos concorrentes, não é tão importante que alguns se combinem.
Quando só há três empresas no mercado, se os seus administradores se reúnem a jogar um golfezinho, a Entidade da Concorrência fica logo de orelha guiada.
Figura 2 – É só um joguinho. Não estamos a combinar nada.

No sec. XIX, a relação entre as empresas e os seus trabalhados era muito desequilibrada: por um lado, as empresas tinham poucos concorrentes (a contratar trabalhadores) e, por outro lado, os trabalhadores tinham muitos concorrentes (a oferecerem-se para trabalhar). Então, os salários eram bastante menores que a produtividade do trabalho. Isso já não se passa actualmente. Por exemplo, em Portugal, o salário médio pago pelas grandes empresas é 3.3 vezes o salário médio pago nas pequenas empresas.
Figura 3 – Dimensão das empresas, peso no emprego, nos salários e salário médio (Fonte: INE, 2007)

Claro que os políticos portugueses, do BE ao PP, falam muito que as nano-micro-mini-médias empresas são muito boas e que as grandes empresas são o diabo mas é por serem demagógicos e isso, pensam, dar votos.
Figura 4 – Nano-micro camião TIR
Justificado na hipotética mas inexistente falta de concorrência na contratação de trabalhadores, foi permitido que os trabalhadores se associassem em sindicatos e combinassem os salários. Essa autorização, em violação da Lei da Concorrência, favorece os trabalhadores (que são 38% da população, fonte: INE) mas desfavorece todas as outras pessoas (que são 62% do total).
O efeito dos sindicatos e da greve
O efeito dos sindicatos é negligenciável porque, primeiro, os trabalhadores são móveis entre sectores de actividade, segundo, é pequena a percentagem de trabalhadores sindicalizados e, terceiro, existem muitos sindicatos.
Mesmo o direito à greve não tem efeito quase nenhum porque as empresas portuguesas têm excesso de stocks de forma que um atraso na entrega de um ou dois dias não causa prejuízo. Além disso, nas nossas empresas os custos variáveis são a principal componentes pelo estar parada é quase igual a estar em laboração. Como a greve tem pouco efeito e o trabalhador deixa de receber o salário, quase ninguém faz greve.
O terrorismo social
Como os trabalhadores querem ter muito poder de pressão chamando para si salários superiores à sua produtividade e não são capazes de o fazer contra os seus empregadores, têm que usar meios contra a sociedade. A questão já não é a greve causar a máxima pressão sobre a empresa mas pretende causar o máximo prejuízo ao país. Isso acontece, principalmente, nas empresas públicas que são monopolistas.
Como pode um camionista parar o camião no meio da autoestrada, atirar pedras a outros camiões e não lhe acontecer nada?
Vivemos num bananal.
A CP, a REFER, a RTP, a TAP, a TRANSTEJO, etc.
Sob a desculpa de que prestam um serviço público, as empresas públicas são um prejuízo terrível. Para tentar diminuir o prejuízo, o Estado condiciona a entrada nestes sectores de empresas privadas transformando as empresas públicas em monopólios o que, já de si, é mau para a eficiência económica.
Como são monopolistas, se os trabalhadores fizerem greve, os clientes não têm alternativas. Então, a greve nas empresas públicas causa um grande prejuízo social. E a greve é sempre desenhada para causar o máximo prejuízo social com o mínimo custo: são sempre num dia da semana, das 7h às 9h.
Os governos, fracos e demagógicos, cedem ao ponto de um pica da CP ganhar mais de 2000€/mês (dados do CP). Resulta nas empresas públicas darem prejuízos colossais que temos que pagar.

As greves nas empresas públicas têm que acabar
Este problema já foi identificado e vertido na lei no Artigo 601.º  do Código do Trabalho - os serviços mínimos - que é uma forma de, mantendo o direito à greve, diminuir o terrorismo social. Mas ninguém cumpre o serviço mínimo e não acontece nada.
Os serviços mínimos terão que ser maximizados e, terão que ser feitas alterações legislativas de forma a que sejam mesmo cumpridos.
Aditamento ao Código Penal
Artigo XXX - Desobediência a ordem de cumprimento dos Serviços Mínimos
1 — Quem não obedecer a ordem legítima de cumprir serviços mínimos, dada por autoridade competente, com advertência de que a desobediência constitui crime, é punido com pena de multa de 60 dias de salário.
2 — Quem inibir outro de cumprir os serviços mínimos, é punido com pena de multa de 120 dias de salário.
3 — Quem, em acordo com o Art 601.º do Código do Trabalho, for requisitado e não cumprir os serviços mínimos, é punido com pena de multa de 240 dias de salário.


Aditamento ao Código do Trabalho
Artigo 601.º - Incumprimento da obrigação de prestação dos serviços mínimos
1 - No caso de não cumprimento da obrigação de prestação de serviços mínimos, sem prejuízo dos efeitos gerais, o Governo pode determinar a requisição ou mobilização, nos termos previstos em legislação especial.
2 - O não cumprimento pelo trabalhador requisitado ou mobilizado da obrigação de prestação de serviços mínimos, sem prejuízo da vertente criminal, é justa causa para o despedimento.
3 – A reincidência no não cumprimento da obrigação de prestação de serviços mínimos, sem prejuízo da vertente  criminal, é justa causa para o despedimento.
Figura 5 – Não queres trabalhar, rua
Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Passos Coelho não vai a Primeiro-ministro

As taxas de juro não param de subir atingindo os 12%/ano e o povo português não sabe o que fazer. Ainda agora as sondagens dão o Sócrates à frente do Passos.
O povo sabe que o Sócrates é mau e que nos levou à bancarrota, mas não tem confiança no Passos porque os dois são em tudo semelhantes: Desde pequeninos que são políticos; Obtiveram o curso em escolas manhosas; Têm um discurso com convicção mas sem conteúdo; A única experiencia de vida é a carreira no partido.
Tenho a convicção que o Passos dará um melhor Primeiro que o Sócrates mas não é uma convicção forte. Diz, desdiz, fala de coisas que não interessam, não diz nada sobre o importante, os do PSD atacam-no, ele responde torto. Tenho eu dúvidas e têm os eleitores.
O Pedro tem que fazer o sacrifício último de desistir de ser candidato a primeiro-ministro e indicar um nome que cause impacto. O PSD ganhando as eleições, o Passos vai para presidente da Assembleia da República.  
Ou isto ou nada porque o Sócrates vai ganhar. Em 2009, a Ferreira Leite também começou à frente do Sócrates, desvalorizou as sondágens e perdeu.
Figura 1 - Evolução das sondagens nas Legislativas de 2009
O Sócrates  em campanha eleitoral é mais forte que o Kadaffi.
O Vítor Bento ou o Bagão Félix são bons nomes para primeiro-ministro.
Mas um nome mesmo bom era eu. Eu tenho a certeza que dou um bom Primeiro.

Figura 2 - Io sono un primo-ministro così bella e non siamo in bancarotta
Eu mesmo a primeiro-ministro

Como o Churchill, só prometo sangue, suor e lágrimas.
No dia em que tomar posse, vou:
1) Decretar o fim dos Subsídios de Natal e de Férias nos salários e nas pensões.
2) Subir o IVA para 30%.
3) Permitir a subida a taxa de juro dos créditos à habitação.
Depois logo vou estudar os dossiês a ver onde cortar mais.
Garanto que Portugal não vai à bancarrota.
Amigo Pedro,
Sabes que não vais ganhar e Portugal precisa de um bom governo. Assim, tens que fazer o sacrifício de desistir de te anunciares como futuro Primeiro-ministro.
Anuncia já que indicarás para Primeiro-ministro o Pedro Cosme, para Ministro das Finanças o Bagão Felix, que ficas Presidente da Assembleia da República e que o Nobre volta para o Sri Lanka.
Portugal precisa de ti.
Um abraço,
Figura 3 - O amanhã de ontem é o ontem de amanhã. Não te safas.

Pedro Cosme da Costa Vieira

domingo, 10 de abril de 2011

O Tono do Passador morreu

Eu só me desloco à faculdade às terças e quintas-feiras.
Como me acabou de dizer a Joana, tenho um bom tacho. Levo uma vida simples pelo que não preciso de me ralar. Mas esta sexta-feira fui lá a uma reunião (para não dizer que não) mas ainda vim almoçar a casa. Depois, fui até ao café e estava a ler, com calma, o JN quando reparei numa pequena notícia: “Ovar - Homem morreu atingido por um ramo de uma árvore. António Carvalho, de 31 anos, vivia sozinho em S. Vicente de Pereira.” Era o Tono, o meu caseiro. Coitado do desventurado que, para cúmulo da desgraça, morreu a trabalhar.
O Tono era filho do Passador. O nome do pai advinha de nos anos 1960/70 fazer transportes para a França numa furgoneta Ford Transit a cair de podre. Tinha oito filhos e, sendo uma pessoa agradável em público, em casa derretia a mulher e os filhos de porrada e de fome. Viviam todos numa casa degradada do Pinha do Cruzeiro, 6x8m2, a quem nunca pagou renda. é o número 72, estranho sabendo que nesse beco sem saída só existe mais uma barraca.

Eu conhecia o Passador da minha juventude vivida na aldeia.
 Primeiro, porque é uma terra pequena e, depois, porque ele vendeu, por um conto de reis, uma filha a uma cunhada de um primo meu que estava na América.
Os filhos, um a um, foram abandonando a barraca materna, depois foi a mulher porque não aguentava mais e, finalmente, num dia de inverno o Tono foi-se embora.
Eu herdei, da minha tia menina Maria Clara, uma quinta-parte de uma casita e de um mato em S. Vicente de Pereira. Quando estou pior, vou até lá cortar mato e, por distracção, guardo os fetos num coberto de duas chapas de zinco enferrujadas. Num dia de inverno os fetos estavam amassados. Será que algum animal estava a dormir ali?

Dias depois, eu estava sentado no meio mato, num cadeira de encosto de plástico, a pensar na vida e a gozar a natureza e vejo aproximar-se um calmeirão de 1.85m.
– Boa tarde sr. Pedro, eu sou o Tono do Passador e queria-lhe pedir se me arrendava ali a casa porque eu não tenho onde ficar.
– Mau... mas tu és de uma família de caloteiros, o teu pai nunca pagou renda.
– Sim, o meu pai era um roleta mas eu não. Para não acabar com ele, saí de casa. Eu não posso pagar muito mas pago qualquer coisa.
– Gastas o dinheiro todo em vinho e mulheres. Não te arrendo nada.
Eu tinha tido um caseiro, que está preso, que me tinha dado muitos problemas e eu estava farto. Mas ai, deu-me um flash:
– És tu que dormes ali no barraco no meio do mato?
– Quem? eu? Não, não, bem, não, quem? quem? eu? eu? não, não sei …
Mas ai rematou:
– Ai custa tanto dormir ao relento sr. Pedro.
Ena pá, o que foste tu dizer. Eu em casa com 5 cobertores, uma botija de água quente e tenho frio e este homem vive ao relento, no meio do mato, em pleno inverno, com um frio de rachar, e nem a isso se acha com direito. Foi como se uma marreta me tivesse acertado na cabeça. Fiquei comovido.
– Fica para ai e, quando estiver calor, falamos da renda.
Vim a saber que o Tono estava a trabalhar para o Costeira nos pinhais, um primo meu a quem a minha mãe chama Papordão, e que ganhava 120€ por semana. Nem caixa, nem seguro, nem férias, nem nada. E que a mulher do Paralta, o meu colega de comunhão orelhudo, lhe lavava e passava a roupa por caridade.
O Tono viveu 20 meses na minha casita.
Nunca pagou renda, água ou electricidade. Como eu já tinha pago mais de 1000€ em água e electricidade, em Março obriguei-o a dar-me 480€. Pediu-os adiantados ao patrão. Na quinta-feira foi almoçar à Lígia com o Quim Soleiras, meu amigo, outro falido, e disse-lhe que no sábado me ia dar mais 80€. Morreu uma hora depois, atingido na cabeça por um ramo de um eucalipto. Hoje, domingo, fui a S. Vicente e tudo o que o Tono possuía nesta vida estava à porta de minha casa: dois pares de calças de ganga, quatro T-shirts, dois pares de cuecas, uma sweet-shirt, uma bicicleta e um balde de plástico. Coisa chocante, comovente.
Este post custou-me a escrever mas o Tono merece-o.
Qual herói de Fukushima, o Tono deu a vida para eu puder ter papel na secretária a um preço irrisório. Todos os dias, pessoas dão a vida para pudermos ter um país onde a CP, a REFER, o Metro, etc. dão milhões de euros de prejuízo e, mesmo assim, estão sempre em greve. Dão a vida para que o governo se pavoneie e se gabe que o nosso país é líder nas energias renováveis, nos TGV, nas pontes, nas auto-estradas, nos doutoramentos.
Nós, os escolarizados, urbanizados e com bons tachos, não podemos, com o nosso egoísmo, permitir que as vidas destes desafortunados se esfumem em PPPs, TGVs, OTAs, e outros projectos megalómanos.

Paz à tua alma pá.
Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 2 de abril de 2011

As energias renováveis são um erro colossal


Nos anos 1930 decidiu-se um plano para a produção energética que incluia três tecnologias: a hidroeléctrica, a térmica a carvão e a térmica a fuelóleo. Com pequenas adaptações, este plano foi implementado antes do fim do seculo XX. Nos últimos 15 anos o Estado implementou a politica megalómana de duplicar a potência de produção com um investimento de 15000 milhões de euros na tecnologia eólica o que não tem qualquer racionalidade económica e que se traduz num buraco financeiro de 1000 milhões de euros por ano.

A procura de energia eléctrica
Apesar de em termos individuais a quantidade procurada de electricidade ser imprevisível, em termos agregados, é variável mas tem um padrão razoavelmente estável. Observa-se uma variação do consumo ao longo do dia, da semana e do ano. A variação mais importante é em termos diários, indo de 3750Mw no período de Super Vazio (de madrugada) até 7500Mw no período de Ponta (entre as 18h30 e as 21h30). Em termos semanais, ao Domingo a quantidade procurada é menor em 1000Mw e, em termos anuais, em Dezembro a quantidade procurada é maior em 750Mw que a procurada em Maio.

 Figura 1 - Padrão de procura de electricidade ao longo do dia



Para responder à procura, existem várias soluções  técnicas para a produção de electricidade que têm diferentes custos e características.
A produção eléctrica
Um produtor eficiente procurará uma mistura de tecnologias de produção que permitam o menor custo de produção. Nos anos 1930 decidiu-se usar três tecnologias: hidroeléctrica, térmica a carvão e térmica a fuelóleo que foi implementada. 
Produção hidroeléctrica
É muito barata, entre 15€/Mwh e 25€/Mwh, mas é um recurso limitado porque depende de haver rios com elevados declives, é variável, imprevisível num horizonte temporal de um mês e não é controlável porque depende da chuva. Em termos económicos, porque são necessário grandes investimentos iniciais e não é controlável, o custo de oportunidade é quase nulo o que torna economicamente obrigatório que toda a energia hidroeléctrica produzida seja injectada na rede eléctrica.
A variabilidade da produção eléctrica resulta das alterações na pluviosidade. Em Portugal o factor de capacidade, FC, dos aproveitamentos hidroeléctricos é, em média, 25% mas varia ao longo do ano atingindo um mínimo em Agosto (na ordem dos 8%, 400MW) e um máximo em Dezembro (até 100%, 4837Mw). Como a electricidade não é armazenável, comparando com a quantidade procurada, há bastantes dias no Inverno em que, entre a 3h e as 7h, há excedente de produção que tem que ser destruída.
Figura 2 - Produção média anual hidroeléctrica (Mw)
Produção termoeléctrica a carvão
Também tem um custo baixo, entre 25€/Mwh e 35€/Mwh, tendo as vantagens de não ser um recurso escasso e de a potência produzida ser controlável. No entanto, uma máquina a carvão tem pouco controle: apenas produz com FC de 0% ou próximo de 100% e demora pelo menos uma semana a ligar. Assim, esta tecnologia não consegue responder às alterações da quantidade procurada ao longo do dia. Ao longo do ano, já é controlável ligando-se ou desligando-se uma das 12 máquinas existentes em Portugal. A potência máxima que pode ser injectada na rede eléctrica portuguesa usando o carvão é de 2486Mw.
Em termos económicos, por ter um baixo custo de produção, assumida a produção hidroeléctrica como um dado, tenta-se maximizar a produção termoeléctrica a carvão. A optimização incorpora a destruição de electricidade durante a noite (que tem um custo de oportunidade quase zero).
Produção termoeléctrica a gás natural e fuelóleo
A produção termoeléctrica a gás natural e fuelóleo é bastante mais cara que as anteriores, na ordem dos 40€/Mwh a 60€/Mwh. A principal vantagem desta tecnologia é a sua controlabilidade no curto prazo: pode-se ligar uma turbina a gás natural em 15 minutos e oscilar quase instantaneamente a sua potência entre 60% e 100%. Em termos económicos, apenas se utiliza quando não for possível cobrir as necessidades com produção hidroeléctrica e termoeléctrica a carvão. O custo de produção está muito dependente da cotação do petróleo. A potência máxima que se pode produzir é de 4941Mw.
A mistura de centrais eléctricas existentes com estas 3 tecnologias foi decidida na década de 1930 e lentamente implementada até ao fim do cavaquismo (1995) com a adaptação do gás natural. Foi desenhada para permitir responder a situações de seca extremas (pois o carvão mais o gás e fuelóleo podem atingir 7400Mw de produção) e construir uma mistura óptima na gestão corrente.
Um produtor eléctrico racional responde à quantidade procurada de electricidade tendo a produção hidroeléctrica como um dado do seu problema de minimização do custo de produção. Assim, planeia a uma semana de distância que máquinas a carvão devem ser ligadas e varia a produção eléctrica de curto prazo com as máquinas a fuelóleo e a gás natural. Apresento uma simulação para um dia de Inverno em que há um pequeno reforço da produção hidroeléctrica e térmica a carvão na hora de pico de consumo:

Figura 3 - Mistura óptima de produção electrica ao longo do dia

Produção eléctrica eólica
É uma tecnologia muito cara, na ordem dos 60€/Mwh a 70€/Mwh. Tal como a produção hidroeléctrica, obriga a grandes investimentos; tem um custo variável de produção baixo, na casa dos 10%; é um recurso limitado porque depende de haver locais com vento; é muito variável e muito imprevisível num horizonte temporal de um dia; a produção é maior no Outono/Inverno e não é controlável. Tem um FC média na ordem dos 20%. Dada a grande potência instalada, 10000Mw, e a variabilidade dos ventos, existem períodos em que a potência injectada na rede eléctrica é praticamente zero e outros em que é superior ao consumo total de pico, 8000Mw. Tem então as desvantagens da produção hidroeléctrica (não controlável e variável) e as desvantagens da produção a gás natural e fuelóleo (muito cara).
Acresce como desvantagem que no período em que há mais vento, o Inverno, também é quando há maior produção hidroeléctrica que já era excedentária em parte desse período. Então, a energia eólica é pouco aproveitável (ver, fig.3). No Verão, quando seria necessária para compensar a menor pluviosidade, também não há vento. Na primavera e Outono, a grande oscilação diária prejudica o uso das máquinas a carvão e obriga a expandir o uso das máquinas a gás que são uma tecnologia cara.
Independentemente de a electricidade produzida ter não uso, o Estado garante um preço próximo dos 75€/Mwh.
Figura 24 - A inutilidade de grande parte da produção electrica de origem eólica

O investimento feito em parques eólicos foi da ordem dos 15 mil milhões de euros que estão garantidos pelo Estado. Assim o Estado Português comprometeu-se a pagar, melhor dizendo, obriga os consumidores de electricidade a pagar, mais de 1300 milhões de euros por ano por uma mercadoria que vale, a preços de mercado, pouco mais que 300 milhões de euros por ano. Assim, a fachada de ir à ONU anunciar que somos dos países do mundo que temos maior produção eólica tem um custo para Portugal de mais de 1000 milhões de euros por ano. Este é mais um buraco financeiro que deveria estar contabilizado na Dívida Pública e que ajuda à descida do rating da república.
Centrais hidroeléctricas reversíveis
A electricidade não se pode armazenar em grande quantidade. Mas é possível, com as centrais hidroeléctricas reversíveis, usar os excessos de produção das máquinas a carvão durante a madrugada, que tem um custo de oportunidade quase nulo, para aumentar a produção durante a hora de ponta. Não é viável a transferência enérgicas a uma distância maior que um dia.
É um recurso muito escasso porque obriga a zonas com muito elevada inclinação e que permitam a construção de barragens com muito volume de água. Como tem um investimento que é o dobro de uma hidroeléctrica normal, o custo de produção ficará entre os 40Mwh e 50Mwh. Além disso, por cada Mwh produzido consome 1,5Mwh.
Esta tecnologia não tem grande interesse para mitigar o problema do excesso de produção eólica do Inverno porque nessa altura do ano já existe uma produção hídrica excedentária. Será mais um elevado encargo para o país que não resolve nada.
Carros eléctricos
Outra forma de tentar resolver o problema da irracionalidade do investimento megalómano em energia eólica é actuar do lado da procura. Assim, o Governo lembrou-se dos carros eléctricos. Mas isso, contrariamente ao anunciado, fica muito caro.
Um litro de gasolina tem 8.1 Mcal. Um automóvel que consome 6l/h, que tem um motor com rendimento de 45% então, terá uma potência útil média de 35cv que são 25Kw. Aparentemente custa 9.60€ porque o preço da gasolina é 1.60€/l. Mas nesse preço o custo é de apenas 0,68€/l a que acresce  0.12€/l da margem de comercialização e 0,90€/l de impostos. Assim, para o país, o custo do carro a gasolina é de 4,1€/h. O resto não é custo mas uma receita do Estado (1350 M€ por ano) e das bombas de gasolina.
O custo de produção da electricidade eólica é 0,070€/kwh a que tem que se acrescentar o custo do transporte da electricidade, 0,05€/kwh, mais as perdas na rede, na bateria e no motor eléctrico que soma pelo menos 30%. Então, o carro eléctrico a circular com a mesma potência custa 4.35€/h. Fica mais caro que o carro a gasolina e ainda temos que somar que um carro eléctrico é bastante mais caro que um carro a gasolina e é mais pesado pelo que gasta mais energia e tem pior performance.
Podem dizer que o custo de oportunidade da electricidade é zero mas então que a disponibilizem já a preço zero para consumo doméstico e industrial.
Produção termoeléctrica nuclear
É muito barata, entre 20€/Mwh e 25€/Mwh, mas, como o investimento é muito grande, a máquina nuclear tem que trabalhar com FC de 100%. Desta forma, o dimensionamento da produção nuclear tem que considerar apenas o consumo de Super Vazio que em Portugal é de 4000Mw. Como existe produção hidroeléctrica que cobre esse período durante 4 meses do ano, a opção nuclear não é viável em Portugal. Se acrescentarmos a variabilidade induzida na rede pela produção eólica, fica totalmente fora de questão.
Se Portugal quiser investir na tecnologia nuclear terá que ser para o mercado espanhol que tem um consumo em Super Vazio de 20000Mwh e pouca produção hídrica.

Meu Deus, como é possível sermos governados por pessoas tão incompetentes?
Nossa Senhora de Fátima, que apareceste para salvar Portugal, como permites que 30% do povo tenha intenção de votar nos incompetentes que nos levaram à bancarrota?

Fig. 5 - I'm the father of the electro-eolical-country, the bancarroted portugalo

Pedro Cosme Costa Vieira

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