quinta-feira, 26 de abril de 2018

O sol é gratuito mas a energia electrica solar ... queima.

Há o discurso de que "a energia solar é gratuita"
E, por isso, se tivermos energia eléctrica fornecida por painéis solares, não vamos ter qualquer custo.
O problema deste argumento é que se aplica a todos os recursos naturais, o petróleo não custa nada (só custa extraí-lo e refiná-lo), a água não custa nada (só custa construir a barragem e instalar as turbinas), o vento não custa nada (só custa fazer as turbinas) e, mesmo assim, temos que pagar as coisas que se obtêm a partir dos recursos naturais.
Neste post vou tentar explicar o problema da energia solar e qual será o seu custo para o utilizador doméstico.
 
Quanta electricidade precisamos.
Uma família de 4 pessoas consome uma média de 15kwh/dia, estando o consumo mais concentrado nos dias de semana entre as 7h e as 11h e as 18h e as 22h. Este consumo implica uma conta mensal na ordem dos 110€.
 
Quanta energia eléctrica aproveitável tem a luz solar.
Durante um dia médio solarengo, por exemplo, de Outubro, um painel de 1m2 virado a Sul com 40º de inclinação, tem uma produção de 11 horas com uma potência média de 115w.
 
Fig. 1- Evolução da produção elétrico-solar num dia solarengo de Outubro
 
O investimento nos painéis solares.
Em média anual de 10 anos, temos em Portugal o equivalente a 4 horas de sol por dia pelo que a "eficiência" do painel solar se traduz na produção média diária na ordem dos 0,115*4 = 0,46kwh/m2.
Se conseguíssemos armazenar a energia produzida (com perdas de 15%), para termos 15 kwh/dia apenas precisaríamos de 40m2 de painéis solares.
Mas não vamos conseguir armazenar pelo que precisamos de excesso de capacidade, no mínimo de 100% para termos electricidade nos meses de Inverno o que atira as necessidades para 80m2 que têm um custo de 20000€.
Estes 80m2 vão ter momentos em que produzem uma potencia de 20kw mas que não precisamos para nada (nem ninguém que tenha painéis solares precisa).
 
Aqui começa a primeira parcela do custo!
Amortizar 20000€ em 20 anos à taxa de juro de 3%/ano dá próximo dos 110€/mês!!!!!!
20000*3%/(1-(1+3%)^-20) = 1344€/ano.
Já está o preço que pagamos ligando a tomada à rede e ainda falta pagar a "contribuição audiovisual" para ajudar os comedores da RTP.
Vamos empatar o dinheiro 20 anos e não tenho a certeza que os painéis aguentem tanto ano!
 
É preciso armazenar a electricidade de dia para a noite.
A bateria vai perdendo capacidade e, por isso, tem que ser sobredimensionada para aguentar uns anitos. Além disso, há dias nublados que precisamos ir buscar energia à bateria.
Segundo um estudo que vi num site qualquer, a bateria tendo capacidade correspondente a 5 dias de consumo, vai durar 10 anos com o problema de, nos anos finais, ser preciso poupar muito nos dias nublados (não é bem a mesma coisa de aceder à rede).
No nosso caso, precisamos de 15kwh/dia*5 dias = 75kwh.
 
Aqui começa a segunda parcela do custo.
São duas baterias de 40kwh que têm um preço de 15000€ (utilizadas no Renault ZOE).
Amortizar 15000€ em 10 anos à taxa de juro de 3%/ano dá mais 150€/mês!!!!!!
15000*3%/(1-(1+3%)^-10) = 1758€/ano.
 
E depois, ainda há umas pequenas parcelas relacionadas com arranjar lugar para meter os painéis solares, instalar e testar o equipamento e a manutenção como a lavagem dos painéis.
 
Somando nada ao tudo dá
Energia solar => 0€
Custo financeiro dos painéis => 110€/mês
Custo financeiro das baterias => 150€/mês
Instalação e manutenção => 20€/mês
O total dá 0 + 110+150+20 = 280€/mês.
Gastar 280€/mês para aproveitar um recurso gratuito para evitar gastar 110€/mês com a ligação à rede que tem melhor serviço (a rede nunca falha e o Sol ...) parece-me uma coisa para intelectuais de esquerda.
 
Para ser competitivo, ainda falta encolher muito os custos.
Não quero dizer que não haja situações em que a energia electrica a partir do sol não seja competitiva como usada para pequenas potências (carregar telemóveis, fornecer uma lâmpada LED de 6w) em locais perdidos no meio do nada. Mas para ser competitiva em locais onde há rede electrica (e para grandes potências), obriga ainda a um significativo baixar de custos nos paineis e nas baterias.
Temos que esperar uma redução na ordem dos 2/3 o que ainda vai demorar pelo menso uns 20 anitos mas temos que ter esperança por chegarmos aqui demorou milhões de anos!
 
Apanhar sol é bom mas iosso da electricidade solar, já não vai ser para o meu tempo.
 
As mortes nos incêndios florestais.
Mesmo a chover, nos últimos dias morreram 4 pessoas queimadas em fogos florestais.
Velhinhos que estavam a tentar fugir da ameaça de multa.
Imagino que, começando o calor, vai ser uma catástrofe.
Os lares da terceira idade vão falir todos.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Será que devíamos e podíamos poupar água?

Este postesito tem duas partes mais um. 
A primeira é se devíamos e a segunda como podíamos.
No final, vou falar da desmatação.

Se devíamos poupar água.
A água tem um enorme valor, seja no consumo doméstico, industrial e serviços mas, em volume, principalmente na agricultura.Também tem enorme valor como ecossistema (para os peixes, batráquios e insectos).
O problema da água é que, apesar de ter muito valor, a sua abundância faz com que não estejamos disponíveis para pagar um preço elevado.
Por exemplo, o Rio Amazonas descarrega no mar 2100 vezes o caudal que entra na Barragem de Alqueva, vinda do Guadiana, mas não paga pegar nela e transporta-la até cá.
Por exemplo, um enorme saco de plástico com 1mm de espessura, praticamente à velocidade das correntes, para transportar água de rios caudalosos para zonas mais secas.

Um barco à vela a rebocar uma gigantesco saco plástico com 20 milhões de m3 de água doce.

Mas em Portugal há muita água.
Os nossos rios descarregam muita água no Mar, cerca de 2200 m3/s, colocando-se apenas a questão da economicidade de pegar na água disponível (por exemplo, no Rio Minho) e transporta-la para os campos (por exemplo, de Setúbal).
Por isso, enquanto consumidores domésticos disponíveis para pagar balúrdios todos os meses, não há necessidade de poupar sob o argumento de que é um recurso escasso.

Como podíamos poupar água.
Como penso já ter ficado claro, a questão da água é a questão do preço que estamos disponíveis a pagar por ela (para o transporte).
Vamos imaginar um país em que a água é um bem muito mais caro de obter do que a média, por exemplo, Israel, e que há verdadeiramente necessidade de reduzir o consumo doméstico.
Existe tecnológia que permitiria poupar pelo menos 50% da água que se gasta em casa.

Máquina de lavar roupa.
Uma máquina de lavar roupa gasta relativamente pouca água, cerca de 10 litros por cada quilograma de roupa, 50 litros de água numa máquina de 5kg. 
Mas o consumo é dividido em 4 partes.
A primeira parte é a lavagem na qual, junta-se o detergente, e a máquina roda a roupa durante 1,5 horas.
A água que sai é suja (dependente da roupa) e com detergente pelo que deve ser deitada fora.
A segunda parte já é enxaguamento e ainda sai um bocadinho suja e com detergente mas já pode ser usada para lavar o chão da cozinha.
A terça e quarta partes, são de enxaguamento mais fino, e a água sai praticamente limpa.
Esta água pode ser armazenada para reutilizar na próxima lavagem (para as fases 1 e 2)
Se a máquina tivesse um reservatório onde pudesse guardar esta água (para comodidade), poderia haver uma poupança de 50% na água que gasta.
Passa-se o mesmo com a máquina de lavar louca.

Banhos.
Quando tomamos banho, como é mais um ritual que uma necessidades ...
Dizem que a Rainha de Inglaterra toma banho uma vez por mês, mesmo que não precise.
... a água que sai pelo ralo, poderia ser bombada para um depósito e, depois, utilizada na sanita.
Automaticamente para poupar o incómodo.

O que acontece se pouparmos água?
Segundo dados que recolhi do relatório de contas das Águas do Douro e Paiva, cada m3 de água produzida em alta pressão tem um custo de 0,40€/m3 do qual 80% são custos fixos. Depois, somam-se os custos da distribuição (da responsabilidade das autarquias) e  acabamos a pagar 5,00 €/m3!
O que interessa é que a maior parte do que pagamos são custos fixos o que faz com que, se reduzirmos o nosso consumo, continuaremos a pagar quase a mesma coisa.
Por isso, não vale a pena.

É como a desmatação da floresta.
Parece que, ao obrigar os pobres e desgraçados do itnerior a desmatar os seus terrenozitos, parece que a geringonça está a fazer alguma coisa para acabar com os incêndios florestais e com a desertificação do interior.
Dizem eles que "cria postos de trabalho" mas esquecem-se de dizer "não remunerados porque aquilo não rende um caralho."
Mas o problema dos fogos florestais não está nos fogos mas na ineficácia do combate.
Os nosso bombeiros não conseguem parar o fogo quando ele está mais vulnerável que é quando arde em vegetação rasteira.
E garanto-vos que o fogo arde em terreno desmatado, tecnicamente limpo, e os bombeiros olham e deixam andar porque não sabem o que fazer.
Se os bombeiros não conseguem conter os fogos nas auto-estradas e nos grandes rios, não vejo como desmatando se resolve o problema da incompetência no combate.
Desmatar a floresta (e obrigar a deixar 4 metros entre copas é cortar tudo, até as árvores dos parques das cidades) é como proibir de ter roupa e móveis em casa porque são combustíveis e podem arder.

Estava limpo e ardeu na mesma porque eu não sabia o que fazer.

E o que deveria ser feito?
Deixar a vegetação no mato pois cortá-la é o maior atentando ambiental dos últimos 10000 anos.
Depois, quando houver um incêndio, tem que ser feito contra-fogo sem dó nem piedade.
Tem que ser feita uma "analise de probabilidade" e tudo o que tiver risco de vir a ser atingido pelo fogo, tem que ser rapidamente queimado com um contra-fogo.
Meter nos outros, nas potenciais vítimas, a obrigatoriedade de cuidar delas e dizer "nós é que estamos a fazer coisas para acabar com os incêndios" é o maior golpe de propaganda da história da humanidade.

O Rui Rio não vale nada.
É que estão a obrigar a desmatar em locais de que não há registo histórico de alguma vez ter havido um incêndio florestal.
O PSD está calado e os esquerdistas lá vão fazendo o papel do hermafrodita, são em simultâneo macho e fêmea, governo e oposição.

O mãe, aquela senhora é um homem com mamas ou aquele senhor é uma mulher com pirilau?

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Libertem Rafaela e Inês

Estes dias rebentou mais uma bomba!
Alegadamente, a Rafael teve um filho.
Alegadamente, a Rafaela matou o filho recém nascido com 3 facadas no corpinho.
Alegadamente, a Inês, irmã gémea da Rafael, ajudou no parto e nas facadas.
A Rafaela e a Inês estão em prisão preventiva.
Mas é uma injustiça porque o que as irmãs fizeram foi um aborto depois das 12 semanas de gestação que é punido com o máximo de 1 ano de cadeia, o que não dá para a prisão preventiva.
 
Sem mãe, não há filho.
A Rafaela poderia ter ido a uma farmácia e ter mandado abaixo a coisa com uma pastilha.
Também poderia ter ido a um hospital, ter votado a coisa pelo cano abaixo e nem pagava taxa moderadora.
E todos os anos são "apenas" 16000 potenciais mães que "votaram abaixo" a coisa e nenhuma fica em prisão preventiva.
Sendo que a Rafaela não fez isso quando o poderia ter feito, agora merece compreensão e perdão.
A Rafaela mais que uma criminosa, é vítima da sociedade em que vive, vítima da vergonha, da pobreza, da mesquinhês das pessoas que apenas sabem apontar o dedo na hora do fracasso mas nunca se lembram de estender a mão na hora de ajudar.
 
Vamos ao que realmente se passou.
O Marques Mendes estava lá e garantiu-me que, juridicamente, o que aconteceu foi um aborto ilegal.
A Rafaela sempre quis fazer o aborto mas, contou mal o tempo e, quando deu conta, já tinham passado as 12 semanas.
Como não tinha dinheiro para ir a uma clínica (sim, quem tem dinheiro, resolve a coisa facilmente) pediu ajuda à irmã gémea.
A Inês segurou na perna direita e a Rafaela, tal como eu fazia metendo a gaiola a saída da toca do grilo, encostou a faca à "porta da criação" para o "bicho" não poder sair.
Mal o "bichinho" começou a sair, a faca vazou-lhe as carnes tenras. Não foi a Rafaela que o esfaqueou mas ele próprio que se enfiou na faca, podendo ter-se desviado e saído por outro lado.
Diz a Inês, única testemunha do caso (além do Marques Mendes), que a criança não chegou a nascer. Que a facada acabou com ela e que a irmã apenas lhe "deu mais 2 facadas porque sempre teve a vontade de ser médica e queria ver se, por dentro, o 'bichinho' era igual a um coelho".
E era.
 
"Foi mesmo assim, só que era a Inês que estava a segurar a perna e a Rafaela usava a mão para encostar a faca  á "boca da criação". E estava sem cueca!" (disse-me Marques Mendes que viu tudo)
 
Vamos ao crime.
Vamos ver o que diz o Código Penal Português.
Começa por dizer que o crime de aborto depois das 12 semanas de gestação é punido com 3 anos de cadeia.
 
Artigo 139.º - Aborto 
2.º - Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, fora dos casos previstos no artigo seguinte, será punido com prisão até 3 anos.
3.º - Na mesma pena incorre a mulher grávida que, fora dos casos previstos no artigo seguinte, der consentimento ao aborto causado por terceiro, ou que, por facto próprio ou de outrem, se fizer abortar.
Mas logo atenua a coisa para 1 ano de cadeia.
 
4 - Se o aborto previsto nos n.os 2 e 3 for praticado para evitar a reprovação social da mulher, ou por motivo que diminua sensivelmente a culpa do agente, a pena aplicável não será superior a 1 ano.
 
Onde estão as esganiçadas de esquerda?
É aqui, meninas, que têm que levantar a voz a defender estas duas vítimas da sociedade maxista.
Gritem até que a voz vos doa, "Libertem Rafaela e Inês".
 
 
 
 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Terá a Síria solução?

Eu já previa isto. 
Quando a guerra começou na Síria, há 7 anos, disse eu que, mais para o fim da guerra, milhares e milhares de pessoas iriam morrer. 
Uma guerra começa em nada e sem convicção mas, com o passar do tempo, com a morte dos amigos, dos familiares, das pessoas amadas, os sobreviventes tornam-se mais amargos e odientos, desumanizando os adversários que começaram por ser apenas pessoas com ideias políticas diferentes. 
durante muito tempo julguei que a queda do regime estava próximo mas, a Rússia procurar protagonismo e as aparentes divisões do Ocidente, principalmente dos USA, fizeram Assad ganhar momento e virar as batalhas a seu favor.

Eu previ mesmo o aparecimento de um novo país.
Pensava eu que o Estado Islâmico iria aprender com a Al Kaeda e, em vez de atacar tudo e todos, iria consolidar o seu território e tentando fazer pontes com os USA (e Israel) contra a Rússia, o Irão e Assad mas não, fez tudo mal e ao contrário do que deveria ter feito, repetiu apenas os erros do passado.

E o Trump não faz nada!
Aqui é que eu penso de forma diferente.
O Trump está a trabalhar mas, para poder actuar, as forças no terreno que estão a ser massacrados pelo  Assad+Rússia+Irão têm que "assinar" um acordo de não agressão com o Ocidente.
E por isso é que o Trump deixou a Turquia avançar e, depois de repetidas violações da proibição de uso de armas químicas e constantes bombardeamentos contra pessoas indefesas, anunciou que os USA vai retirar as tropas da Síria.

Um dia ...
Os do Daesh vão identificar que os USA são a única potência que os pode salvar e vão dizer "nós amamos o Trump" e nesse dia, os mísseis terra-ar portáteis vão entrar no teatro de operações e a Rússia vai entrar num atoleiro pior ao que viveu, nos anos 1980, no Afeganistão.

O Afeganistão foi a batalha final em que o Ocidente conseguiu derrotar a URSS (depois de batalhas por toda a parte, incluindo Angola)

A Rússia de Putin tem que ser derrotada.
A Rússia, apesar de ser um governo de direita, é a mãe dos esquerdistas órfãos (basta ver como o Bloco de Esquerda e os Comunistas defendem tudo o que o Putin faz).
Agora, a Rússia como contra-poder tem que ser derrotada e, para isso, não se vão usar armas nucleares mas, repetindo a guerra fria, puxa-los para conflitos por procuração que desgastem economicamente.
A dimensão da economia dos USA mais a da UE é 26 vezes a dimensão da economia russa, uma desproporção muito maior do que no tempo da URSS o que indica que a Rússia de Putin não vai aguentar Assad assim que entrarem no teatro de operações os mísseis terra ar portáteis.

Quadro 1 - Lista das maiores economias (GDP 2017, média entre o FMI, o BM e ONU).
País PIB(E12) %PIBMundo
USA 18,9 25,0%
UE 16,6 22,0%
China 11,5 15,2%
Japão 4,9 6,5%
India 2,3 3,1%
Brasil 1,8 2,4%
Canada 1,6 2,1%
Korea do Sul 1,5 1,9%
Russia 1,4 1,8%

Falar um bocadinho do Sporting.
Não me parece grande problema pois o Bruno de Carvalho apenas tenta ser o Trump do futebol português.
Tal como os peixes precisam de águas revoltas para, procurando redemoinhos, subir os rios, o Bruno de Carvalho precisa do caos, da loucura total para criar um espírito de grupo.
O Sporting tem o "problema do Natal", que já tinha muito antes do Bruno de Carvalho aparecer, e isso não se resolve facilmente, de um dia para o outro.

Será que o Jorge Jesus actuou melhor que o Bruno de Carvalho?
Nem poderia ser de outra forma.
O Bruno de Carvalho recebe 140mil € por ano.
O Jorge Jesus ganha 6000mil € por ano.
O Jesus ganha 42 vezes mais do que ganha o Bruno de Carvalho pelo que tem que ser 42 vezes mais competente que o Bruno de Carvalho.
Isto vai acalmar e só espero que ganhe o melhor (o FCP!).

terça-feira, 13 de março de 2018

O fim da Terra e a colónia de Musk em Marte

O Musk parece um pastor evangélico apocalíptico. 
Faz um discurso catastrófico sobre o futuro da Terra (aquecimento global dramático por causa dos combustíveis fósseis) para logo apresentar soluções (carros eléctricos e uma colónia em Marte ou noutro planeta qualquer).
O que eu quero falar hoje é sobre essa colónia fora da Terra.

O aquecimento global da Terra. 
Vamos imaginar que acontece muito pior que as piores previsões.
As piores previsões indicam um aumento na ordem dos 4.ºC  que 2100 mas vamos imaginar que a temperatura global média aumenta 10.ºC dos actuais 14.ºC para 24.ºC.
Como as correntes de vento e a água não deixam a temperatura subir acima dos 50.ºC, acontecerá um incremento proporcionalmente maior nas zonas frias o que levará ao descongelar completo da Antárctica e dos territórios árcticos com a subida das águas dos mares talvez uns 100m.
As elevadas temperaturas evaporarão muito mais água dos mares, ventos mais fortes, tempestades violentíssimas com pluviosidades nunca antes vistas.

A guerra nuclear.
Vamos ainda imaginar que, motivado por uma tonteira qualquer, há uma guerra nuclear global em que são disparadas todas as bombas atómicas e todos os reactores nucleares fundem libertando quantidades astronómicas de radiação.

Mais tragédias.
Incêndios descontrolados, terramotos, cheias, vulcões e tsunamis nunca antes vistos atacam a Terra e ainda somos atingidos por um meteorito com 10km de diâmetro que, além da destruição causada pelo choque, traz o Anti-Cristo no seu interior.

E a bio-diversidade?
Vamos ainda imaginar que morrem na Terra 99,99% dos humanos (ficam "apenas 730000") e ainda 99,99% de todos os outros animais, plantas, fungos, bactérias, vírus e pardais.

Depois disto tudo!
O planeta Terra ainda terá muito melhores condições de habitabilidades do que Marte!
Ainda assim haverá muitos mais seres humanos na Terra do que alguma vez será possível haver em Marte.
Ainda assim, haverá muito maior diversidade genética e espécies de ser vivos que alguma vez poderá existir em Marte.

As características de Marte.
Como a pressão atmosférica em Marte é, no seu ponto máximo, apenas 1% da pressão verificada na Terra, a água lá ferve a 10.ºC. Então, se uma pessoa caísse lá desprotegida, os seus 37.ºC de temperatura corporal fariam com que explodisse.
Então, seria preciso criar uma estrutura pressurizada onde se introduziria ar comprimido que é constiruido a 95% por CO2.
Em termos de temperatura, em Marte observam-se valores entre -150.ºC (nos pólos, no inverno) e 25.ºC (no equador, durante os dias solarengos) com variações diárias na ordem dos 100.ºC.
Com céu limpo, uma célula solar funciona razoavelmente porque a intensidade da luz solar que chega à superfície não é muito menor que a que chega à da Terra (chega à atmosfera do Marte apenas 44% da intensidade que chega à atmosfera da Terra mas a nossa atmosfera absorve muito maior percentagem). O problema são as tempestades de pó que podem durar mais de um mês e bloqueiam a chegada de luz solar à superfície.
Porque a atmosfera marciana é ténue, a radiação emitida pelo Sol atinge a superfície com grande intensidade.

Porque não construir essa colónia em sítios terrestres extremos?
O meio do deserto mais seco, mais quente e mais desolado da Terra, é mais habitável que Marte porque, pelo menos, tem atmosfera com oxigénio.
Faça-se uma colónia autónoma no Vale da Morte (onde a temperatura chega a ultrapassar os 55.ºC) para testar a capacidade de garantir a sobrevivência de uma população humano no caso de o clima da Terra se alterar dramaticamente e deixem-se das toleiras das colónias nos outros planetas .

Aqui, do meio do deserto, estamos bem e até já tivemos tempo para construiu este monumento.

sexta-feira, 9 de março de 2018

A guerra do aço. Estará o Trump maluco?

Olhe que não, olhe que não. 
Nos últimos dias a administração americana, i.e., o Trump, meteu uma taxa de 25% nas importações de aço e 10% nas de alumínio.
Não vou entrar em pormenores sobre os produtos que estas taxas vão ser aplicadas (porque não sei se incide apenas sobre "chapas, perfis e varas" ou se também vai incidir sobre os metais incorporados nos produtos acabados como os automóveis).
Mesmo que a taxa se aplique aos automóveis, não terá muito impacto, serão menos de 100€ por veículo, menos de 1% do preço total.
Mas o que eu quero discutir é se estas taxas fazem algum sentido ou se o Trump não passa de um louco, populista e perigoso como é pintado pelos esquerdistas.

You are f**ing America and that makes me furious.

O Brexit é a primeira pista.
O Reino Unido vai sair da União Europeia e quer manter o regime de livre comércio com a UE.
Como dizem as meninas testemunhas de Jeová, é 1-0 contra o Trump pois, "se o RU quer manter o comércio livre é porque é bom".
Mas a União Europeia restante diz que não vai permitir, que vai cobrar taxas alfandegárias.
Mau! Quer então dizer que a UE acha mau ter livre comércio com o RU, 1-1 para o Trump.
Por um lado, a UE diz que o Trump é louco por cobrar taxas alfandegárias sobre o Aço e o Alumínio importado mas, por outro lado, quer cobrar taxas alfandegárias sobre tudo o que importar do RU!

A ameaça de retaliação é a segunda pista.
Se a UE vem dizer que vai retaliar criando taxas alfandegárias nos produtos americanos importados, sendo verdade a afirmação de que as taxas alfandegárias são más para todos, a UE vai infligir a si própria um tiro no pé.
Diria que, por agora, ficou 1-2 a favor do Trump.

Porque estão a demorar tanto as encomendas vindas da China?
Comprei umas memorias na China para o meu computador.
No OLX um fulano pediu-me 30€ por umas usadas. Na China comprei, novas, por 4,60€.
Isto foi em Novembro e estando previsto chegarem nos fins de Janeiro, só chegaram esta semana.
Dizem os blogs que é uma tentativa do UE para diminuir as compras directas na china pois não pagam taxas alfandegárias nem IVA.
Mas, então, as taxas alfandegárias são boas?
Diria que, acabou 1-3 a favor do Trump.

O livre comércio é bom mas é preciso repartir os ganhos de forma justa.
O comércio é bom para a humanidade por duas razões.

1) Escala mínima e economias de escala.
Os processos de produção têm uma escala mínima eficiente e, depois, há uma escala em que a eficiência é máxima (até onde se exploram as economias de escala).
Quando a eficiência é máxima, o custo médio de produzir cada unidade é mínimo.
Por exemplo, não é eficiente fazer uma fábrica de automóveis para produzir 10 automóveis por ano!
Sendo que, por exemplo, a escala de custo médio mínimo é produzir 1 milhão de automóveis por ano e existem 100 marcas de automóveis, um país mesmo que grande como a Alemanha (vendem-se cerca de 5 milhões de carros novos por ano) não pode produzir todos os automóveis de todas as marcas que os alemães querem comprar. Assim, vai produzir milhões de umas marcas (Mercedes, Audi, VW, ...) e comprar milhões de outras marcas (Toyota, ...).

2) Vantagens comparativas.
Há regiões que, por causa de características locais, são mais eficientes a produzir uns bens que outros bens. Então, à escala global ficaremos todos melhor se cada região se especializar a produzir os bens em que tem vantagens comparativamente às outras regiões.
Se, por exemplo, Portugal tem mais sol e calor que os países do Norte da Europa, especializa-se em turismo e esses países especializam-se noutras coisas.

Vamos a um exemplo.
Existem 3 bens  e 3 países (ou regiões). 
As diferenças locais fazem com que as capacidades de produção de cada trabalhador sejam diferentes em cada país. Os trabalhadores até podem ser iguais mas, localmente, a sua capacidade de produção é diferente (por exemplo, se vivem à beira mar podem ser mais eficientes a servir esplanadas e, se vivem no monte, a pastorear ovelhas).
Imaginemos que as produtividades são as seguintes (em unidades por pessoa):

Bem 1 Bem 2 Bem 3
País 1 15 5 5
País 2 10 10 15
País 3 5 15 10

Imaginemos ainda que os consumidores querem adquirir a mesma quantidade de cada bem e que, em cada região, existem 1000 trabalhadores/consumidores.

Se não houver comércio. 
Cada região vai aplicar
  545 trabalhadores na actividade onde é menos eficiente,
  273 onde é medianamente eficiente e
  182 onde é mais eficiente,
Parece totalmente contra a lógica mas são as actividades menos produtivas que vão ocupar a maior parte dos trabalhadores.
Cada pessoa vai receber um salário que lhe permitirá adquirir 2,75 unidades de cada um dos bens.

Se houver comércio.
Cada região vai aplicar os 1000 trabalhadores na actividade em que é mais eficiente, consumindo-se localmente 1/3 dos bens produzidos e exportando-se 2/3 para as outras regiões de onde se importam os outros bens.
Agora, cada trabalhador vai ter um rendimento que lhe permite consumir 5,00 unidades de cada um dos bens.
Cada país passará a produzir 15000 unidades de apenas um bem consumindo 5000 e exportando 10000. Também vai importar 5000 unidades de cada um dos outros bens (que não produz).

Entra aqui a flexibilidade a que o esquerdistas chamam "neo-liberalismo".
Sem comércio, 82% dos trabalhadores está em actividades onde é pouco produtivo que são denominadas  pelos esquerdistas como "sectores tradicionais".
Para aumentar a produtividade é preciso abandonar esses sectores o que, no curto prazo, é conseguido com falências, desemprego e pobreza das pessoas que vivem deles.
Mas, se esse processo de flexibilização não existir, a economia não pode progredir para o novo equilíbrio.
Vemos como os esquerdistas são contra a "destruição da agricultura, das pescas e do pequeno empresário, do despejo dos velhinhos dos centros históricos" mas essa destruição é a única forma de melhorarmos, globalmente, a nossa produtividade.

Não é a inovação que faz a economia crescer!
O Costa é um ignorante e, por isso, está continuamente a afirmar que "precisamos de inovação para crescer" quando o que precisamos é de re-estruturação da economia.
Precisamos que os sectores em que as pessoas são menos produtivas diminuam em favor dos sectores em que as pessoas são mais produtivas.
Por exemplo, a Cristas fez a "lei dos desejos dos velhotes das zonas históricas".
Tínhamos prédios inteiros nos centros do Porto e de Lisboa que não produziam qualquer riqueza, foram despejados para a periferia e substituídos por actividades relacionadas com o turismo que induziram grande desenvolvimento nos centros das cidades.
E Portugal tem crescido apenas à conta disto.
Os esquerdistas eram totalmente contra a flexibilidade do mercado dos arrendamentos mas, agora, chamam para si o mérito do crescimento do turismo e da renovação dos centros históricos.

Vamos às tarifas do Trump.
Não há qualquer dúvida que o comércio induz ganhos de produtividade e de bem estar.
O que seria de cada um de nós se tivesse que produzir todos os bens e serviços que consome!
Mas o problema está na divisão do ganho.
Se no exemplo eu fui boa pessoa e dividi o ganho igualmente pelos 3 países, normalmente, no mundo real, um país consegue sempre apropriar-se de uma fatia maior do ganho (e por isso é que existem negociações).
Podem todos melhorar mas uns melhorar mais do que outros, por exemplo:
  País 1, cada consumidor passa de 2,75 para 3,00
  País 2, cada consumidor passa de 2,75 para 5,00
  País 3, cada consumidor passa de 2,75 para 7,00

O que diz o Trump.
"Com a guerra comercial todos vamos perder mas uns, os que estão a dizer que vai ser o fim do Mundo, vão perder mais do que nós".
E, realmente, se os USA forem a País 1, o Canadá e o México o País 2 e o resto do mundo (onde se inclui a UE) o País 3, quem vai perder mais é o resto do mundo.

O que poderão fazer os países visados?
As taxas distorcem o mercado e reduzem o comércio o que, globalmente é mau.
Mas alguma coisa tem que ser feita e a solução é o que a UE quer impor ao Reino Unido: o país que tem ganhos desequilibrados tem que pagar contrapartidas ao país menos beneficiado.
Sendo que na actual situação o Trump quer reduzir o défice comercial, essas contrapartidas não precisam ser transferências financeiras como se faz na UE (ajudas ao desenvolvimento) mas podem ser sobre a Balança Comercial:
  1) Auto imposição de um limite às exportações (como já aconteceu no passado por parte do Japão)
  2) Criação de incentivos à importação de bens produzidos na América do Norte.

Concluindo.
Em termos económicos, faz todo o sentido que os Americanos se sintam prejudicados pelos países em industrialização acelerada e estes países têm que se sentar à mesa das negociações e encontrar formas de dividir os ganhos do comércio com os USA.
como, naturalmente, os países beneficiados não querem abrir mão do que têm conseguido, a única forma é impondo tarifas aos produtos importados.

Como gostas de mim e eu vivo triste, com saudades da minha mãezinha, vais ter que me compensar.

quarta-feira, 7 de março de 2018

A oposição e a governabilidade

O Costa está muito contente por o PSD ter perdido o pio. 
Já alguém se perguntou para que é que o Rio se candidatou a presidente do "maior partido da aposição" se não quer fazer oposição?
Não teria sido melhor ter-se candidatado a qualquer coisa num dos partidos da geringonça?
Porque não no partido dos animais?

Imaginem o FC Porto sem rivais.
Imaginem que o Pinto da Costa (e os demais dirigentes) só diziam bem uns dos outros e reuniam-se para "procurar consensos alargados".
Imaginem ainda que o Vincent Aboubakar, antes de rematar à baliza, olhava para o guarda redes e apontava-lhe com o dedo o lado para o qual ia rematar "não fosse o desgraçado atirar-se para o lado errado".
Imaginem ainda que o Yacine Brahimi caia na área por um encosto do Fábio Coentrão, o árbitro reunia com os dois mais algumas testemunhas e chegavam todos a um consenso. 
Naturalmente que o futebol espectáculo acabava.
Continuaria o futebol "solteiros contra casados" mas aquele que move multidões, nunca mais.
Tem que ser uma "guerra total" porque as pessoas mesmo que pacíficas no seu dia a dia, têm no seu interior o gene da guerra, querem que "os nossos" dêem "cabo do canastro aos lampiões e aos lagartos".

Vamos imaginar que aquilo do Benfica se passava no Porto.
Se a CMTV fosse entrevistar alguém, ouviria uns dizer "Não nos comem mais por lorpas, carago! estes 4 campeonatos já ninguém no los tira, o tempo do Capote e do Salazar já acabou" e outros "Prefiro ouvir dizer que um assessor qualquer apanhou perpétua do que ouvir dizer que perdemos o campeonato por sermos anjinhos, quanto mais 4 de uma assentada". Finalmente, começaria logo a circular um peditório para se fazer uma estátua ao mártires detidos.

A oposição é muito importante.
Porque as outras pessoas têm uma visão diferente da nossa.
Bem sei que não é agradável estarmos sempre a ouvir "isso está mal" mas, se queremos melhorar, temos que ouvir, pensar naquilo que os outros dizem e ver até que ponto os opositores têm razão.
Só sociedades em que a oposição é forte é que há progresso.
Pelo contrário, nas sociedades onde quem tem opiniões contrárias é perseguido, ridicularizado e perseguido,  só existe infelicidade, atraso e falta de liberdade.

Logo, os opositores têm que se esforçar.
Mesmo que concordem com tudo, têm a obrigação de fazer o "papel do advogado do Diabo". Procurar mesmo pormenores para criarem uma oposição.
Não foi em "5 ou 6 pormenores" que o FC Porto apanhou 0-5 do Liverpool?
Eu, antigamente, dizia aos meus alunos "por favor, esforcem-se em me colocar questões difíceis, daquelas em que eu vou ter que dizer 'Desculpa, eu não vou poder responder agora para não interromper a fluência da aula mas depois, voltarei a isso'" que é a tradução para professorês de "entalaste-me".
Estas questões são importantes não só para o aluno que as faz (porque tem que realizar um constante exercício de crítica ao que eu vou dizendo) como para os colegas que, no momento da pergunta, vão tentar construir a resposta. Naturalmente que para mim pode ser um aborrecimento mas também é positivo porque aumenta a minha motivação para preparar a aula "tenho que ver isto e aquilo não vá entalarem-me". 

Portugal tem um grave problema de desenvolvimento. 
A oposição deveria pegar nisto e debater o porquê do nosso atraso.
Em 2006, na sua campanha para as presidenciais, o Cavaco Silva perguntou "porque será que a Espanha tem um PIB maior que o nosso e cresce mais do que nós?"
Se compararmos a produtividade (o PIB per capita considerando as pessoas com idade entre os 15 e os 64 anos), a nossa 55% da conseguida nas 5 maiores economias europeias (Alemanha, RU, França, Itália e Espanha). Isto traduz que, em média, cada português produz 55€ quando um cidadão desses 5 países produz 100€.
Mas o problema não é esse, é que em 1970, a relação era de 50% o que mostra que nos últimos 50 anos só progredimos 0,1 ponto por ano.
E ainda pior, nos últimos 25 anos temos estado a piorar. Em 1990 atingimos um máximo de 59% edesde então, paulatinamente, temos estado a cair.

Fig. 1 - Convergência da produtividade de Portugal para as 5 maiores economias da UE 
(PIB per capita de pessoas com idades 15-64, dados do WB, cálculos e grafismo do autor)

Em Portugal está-se a criar uma ditadura do vácuo.
O governo é um vácuo de ideias e a oposição outro vácuo de ideias.
"O que faz falta é a inovação e o investimento"
"O que faz falta é o povinho desmatar a floresta" 
"O que faz falta é animar a malta"
Mas já são 50 anos e nada de resultados.
Como dizia o Jesus, "Nada, batata".

Como se pode ser alternativa sem ser oposição?
No meu emprego há quem pense o mesmo.
O mandato do director está a acabar e vai haver eleições daqui a pouco.
Como pode alguém apresentar-se como alternativa se, nestes últimos 4 anos, a única oposição (mesmo que pequenina, reduzida a alguns emails e 30 dias de suspensão sem salário) fui eu?
Claro que não pode.

O Passos Coelho tentou dar uma pedrada no charco.
Acabou eleito como "a encarnação do Diabo".



terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Rui Rio: a eleição do alvo!

OK, houve o congresso do PSD e eu não disse nada. 
Já se sabia que o Rui Rio ia ser eleito e a comunicação social transmitiu que a ideia de que ia ser eleito como dirigente do PPD/PSD. Mas não podia estar mais errada.
O Rio foi eleito para alvo, para a "oposição" poder onde fazer tiro ao alvo.
Adivinhando-se uma pesada derrota em 2019, muito mais pesada que a vitória do Passos Coelho de 2015, foi a oportunidade perfeita para arranjar um cristo e crucificá-lo, não numa sexta-feira à tarde, mas ao longo de 18 meses para não haver qualquer hipóteses de, em 2020 ou 2030, alguém vir dizer "o bicho não está na sepultura, se calhar ressuscitou".
Claro que esses que estavam desaparecidos e que agora aparecem, como o Capucho, vão dizer "Mas o Rio foi um super herói, foi o único que teve a coragem de aparecer quando a derrota era certa".
Certo, é isso que acontece aos heróis, travam batalhas impossíveis, levam um tiro entre os cornos e fazem-lhes uma romagem anual à campa.

Fig.1 - O Rui Rio vai ficar, para a posteridade, no meio da galeria dos super heróis.

O PPD/PSD/PS-B.
Será que o PS+BE+PCP+PEV estão a destruir o nosso querido país?
Não.
Será que estamos sob crise grave, guerra ou ameaça de consequências catastróficas?
Não.
Haverá alguma reforma estrutural inadiável, importante para o país, com o desacordo dos esquerdistas e que a geringonça queira fazer nos próximos 18 meses (e para a qual precise do apoio do PPD/PSD)?
Não.
Será que alguma vez o António Costa disse que era preciso um consenso com o PSD?
Não.
Então, porque diabo é que o Rio faz da sua "política de oposição" querer fazer consensos com o PS?
Parece-me que o Rio quer transformar o PPD/PSD num sucedâneo do PS.
à moda do futebol em que os grandes criam as equipas B que jogam na Segunda Liga, o Rio quer transformar o partido do Sá Carneiro, Cavaco Silva, Passos Coelho no PS-B que vai jogar na liga dos partidecos, BE, PC e CDS, a ver quem há-de fazer coligação com o Costa.

O PSD deixou de ser um partido da oposição.
Tem havida algum comentário do PSD às políticas, evolução conjuntural, problemas levantados na comunicação social sobre seja o que for?
Não.
Vou dar um pequeno exemplo.
Em 2016, a geringonça prometeu que em 2017 a receita pública (impostos e contribuições para a SS) em percentagem do PIB iria diminuir não sei quantos pontos percentuais.
Acontece que, veio a execução orçamental de 2017, não só não diminuiu como aumentou (mesmo que muito ligeiramente, de 42,14% para 42,20%).
O PSD veio dizer alguma coisa?
Não.

Vamos ao passado ver o futuro.
Todos pensavam que o Cavaco Silva, o Guterres ou o Sócrates nunca mais de lá sairiam.
Durante esse tempo, os líderes da oposição estavam lá só a encher balões.
O certo é que acabaram por acabar.
Também o António costa, não vejo que mais alguma vez saia de lá.
O certo é que vai acabar por sair mas não será no tempo do Rui Rio.

Guerras que não levam a lado nenhum que não seja à derrota.
O Rio pensa que o PSD é a Câmara do Porto mas é completamente diferente.
Quando foi eleito Presidente da Câmara o seu objectivo era gerir a Câmara.
Quando foi eleito Presidente do Partido o seu objectivo não é gerir o PSD mas, dali, conquistar o lugar de Primeiro Ministro.
Com as guerras que iniciou, até pode "limpar o partido" mas não é isso que interessa.
Devia ter seguido o exemplo do Sérgio Conceição: é preciso valorizar o que temos dentro de casa pois é com eles que temos que ir a jogo todas as semanas e, no final, ganhar o campeonato.
Mas o Sérgio Conceição é muito mais inteligente do que o Rui Rio e, por isso, é que tem um ordenado de 71429€/mês mais prémios chorudos enquanto que o líder do PSD parece que vai receber 4668€/mês dos cofres do PSD.

Fig. 2 - D. Rio - diz Sancho Pança - está a fazer guerra a esses moinhos que são dos nossos!
- Mas eu quero fazer guerra e os moinhos do Costa metem-me medo - diz D. Rio.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

A Fabrióleo e a constante litigânica

Foi emitida uma ordem de encerramento contra a Fabrióleo. 
Que, no meu entender, resulta de culpas próprias.
Há pessoas que são "líderes fortes", assumem o confronto, a litigância, a colisão inflamada e a mentira como estratégia de vida e há outras pessoas que são "cordeiros", vulneráveis, vergadas ao "deixa andar que pouco me aflige" e que permitem que esses truculentos obtenham poder, seja nos negócios, no desporto ou mesmo na família. 
Porque é que as mulheres gritam tanto? 
Porque é que o Bruno de Carvalho é tão grosseiro?
Os autarcas, os inspectores, a tutela têm feito o papel de cordeiros porque estas empresas "criam postos de trabalho e riqueza em regiões deprimidas" (e a poluição vai para outros concelhos) mas agora a coisa vai mudar porque os decisores políticos estão pressionados pela "ecological awareness" das populações.

São tudo estratégias de manipulação e imposição de domínio.

Vejamos o caso da Fabrióleo (e da Celtejo).
É um contra-senso mas esta empresa, que até se dedica a uma actividade "amiga do ambiente" (reciclagem de óleos alimentares usados), tem causado graves problemas de poluição no Rio Tejo.
Bem sei que os seus responsáveis negam e negam e negam mesmo havendo cheiro pestilento num raio de quilómetros e a ribeira da proximidade estar cheia de borras de óleo. 
O que me parece é que os seus responsáveis, em vez de resolver o problema ambiental, gastam as suas energias a negar o evidente, a combater em tribunal os resultados das inspecções e a perseguir os denunciantes.
E até lhes foi dado prazo, e até gastaram dinheiro numa ETAR e até fizeram um protocolo com a Universidade Nova de Lisboa para serem feitos "rigorosos testes e pesquisas" mas é tudo fachada, o problema não tem solução porque têm na mente a ideia de que, pela calada da noite, não havendo um inspector a olhar, não tem mal nenhum descarregar.
É como os ladrões que têm a ideia que "Todos roubam e roubar para comer não é pecado". 

Fiz um teste de sedimentação.
Peguei em farinha de trigo e misturei 2g num litro de água (o efluente do processo industrial da Celtejo começa por ter 35 g/litro e, na descarga, só pode ter 0,035g/litro).
Observa-se que, ao fim de 1 hora, a maior parte da farinha já sedimentou mas que, depois, a sedimentação é muito lenta, ao fim de 24 horas, continua em suspensão uma parte da farinha.
Se quisesse tratar 15 mil m3/dia desta água com 1g de farinha por litro, começaria com um tanque primário com 625 m3 que garantiria um tempo de residência de uma hora (com alguma segurança, usaria um tanque com 25 m de diâmetro) e que reduziria a carga em 99% (medido a olho).
No retirar do 1% final é que está o problema.
E é por isso que a Fabrióleio (e a Celtejo) vai encerrar: não se preocupa com o 1%.

Teste de sedimentação com farinha de trigo (2g/litro)

Existe solução técnica.
O problema é que, mesmo que os gestores destas empresas mudem a sua forma de pensar porque "viram a luz", já ninguém acredita neles.
A única hipótese de salvação é copiarem o que fazem os restaurantes falhados: mudar de gerência.
Talvez meter o Sr. Arlindo Marques como responsável pela ETAR com poder absoluto para mandar parar a laboração da fábrica.

Abre com nova gerência, mais preocupada com a poluição.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais

Terá isto a ver com o Juiz Rui Rangel? 
Quando os crimes são criados na lei, o legislador pensa neles de forma individualizada mas os nossos juízes gostam de atacar à molhada.
Um homem mata uma mulher, mete-a debaixo da cama, lava a mãos, escreve um papel a dizer "Adeus, vou-me matar" e foge. Vem logo a cartilha toda.
Homicídio (certo), violação de cadáver (porque moveu o corpo de sítio), falsificação de documentos (porque escreveu a nota e não se suicidou), destruição de provas (porque lavou as mãos), injúria (porque antes deve ter chamado nomes à mulher), violência doméstica (porque o crime foi dentro de casa), fraude junto da Segurança Social (por causa da pensão de viuvez), obstrução à justiça (porque fugiu), roubo (talvez tenha tirado umas moedas do bolso da morta) e lavagem de dinheiro (lavou as moedas que tinham sangue :-).
Eu penso que se isto acabasse, seria bom para toda a gente.

Vamos então ao caso do Juiz Rui Rangel.
Vou falar do eventual caso de ele ter recebido honorários por uns trabalhos que fez em Angola.
Trabalhar não é crime nenhum, abençoado seja quem gosta de trabalhar, mas é um ilícito disciplinar/laboral porque o contrato de juiz obriga a exclusividade.
Naturalmente, o juiz Rangel deveria ter declarado este rendimento ao Fisco mas o problema é que, apesar de se dizer que a informação fiscal é confidencial, mais cedo ou mais tarde, a entidade laboral iria ter acesso à declaração de IRS descobrindo o ilícito disciplinar.
Como não podia declarar este rendimento, caiu na Fraude Fiscal e como teve que fazer uns esquemas para receber a massa, caiu no Branqueamento de Capitais, tudo por culpa da incompetência do legislador!

Para que servem as leis.
Para o bem da sociedade como um todo.
Na "lei da selva" apenas existe a lei do mais forte o que é mau para a sociedade porque o indivíduo não tem incentivos para mostrar toda a sua capacidade.
Então, ao longo da História, foi-se construindo um quadro legal que foi tornando a nossa sociedade mais rica e os indivíduos mais felizes. 
O legislador quando está a pensar escrever uma lei tem sempre que ter isto na mente: a lei é para melhorar a vida das pessoas.

A separação dos efeitos das leis.
Nós vemos a América, USA, como uma sociedade atrasada, feita de parolos de que o Trump é o exemplo maior mas não é nada assim.
Eles separam as coisas em "Terrorismo com potencial para causar grande dano à sociedade"; "Crimes"; "Coisas pequenas".
No caso do "Terrorismo" vale tudo, até executar a pessoa com um míssil disparado por um drone. Valem escutas telefónicas ilegais, invasões de propriedade, tudo o que seja mas estas provas só podem ser usadas nisto.
Se, por exemplo, nas escutas ilegais à procura do Bin Laden descobrissem "Foi o Cristiano Ronaldo que matou o Eusébio", essa informação não poderia ser usada, seria pura e simplesmente destruída e ninguém o saberia  (lá não há fugas de informação para o Correio da Manhã) nem apareceriam umas "denúncias anónimas" que toda a gente sabe serem os próprios da judiciária a enviar. 
Se, acidentalmente, noutra investigação a um homicídio, se descobrisse que o potencial assassino costumava faltar ao trabalho e que alguém usava um dedo falso em látex para marcar a entrada, essa informação nunca seria usada num processo disciplinar laboral, morreria sem ninguém bufar.

Vamos ao caso concreto da Fraude Fiscal.
O juiz receber em Angola por trabalhos que realizou não é crime, apenas a entidade laboral dele não quer que o faça porque pensa que prejudicará o seu desempenho.
O que interessava ao fisco é que ele declarasse esta verba e pagasse IRS. Acontece que, como não existe confidencialidade fiscal, se o juiz declarasse este rendimento e pagasse o correspondente IRS iria sofrer um processo disciplinar.
Como para o fisco o que interessa é o IRS, deveriam garantir a confidencialidade.

Vejamos como.
Nas declarações submetidas eletronicamente, a declaração deveria ter uma parte "aberta" onde o contribuinte iria inserir os seus dados "normais", por exemplo, o juiz declarava que recebeu 76966,40€ de salário, metia as despesas em saúde, etc. e era calculado quanto tinha que pagar de IRS. Ia ao Multibanco e pagava. 
Depois, a declaração teria ainda uma parte "fechada" onde seria garantida a total confidencialidade. Neste caso, o juiz declarava ainda que recebeu, vamos supor, 10000€ e seria calculada uma parcela adicional a pagar de IRS, por exemplo 4000€. Ia ao Multibanco e pagava esta verba de forma independente. 
Esta informação ficaria confidencial para toda a gente, encriptada com uma chave conhecida apenas pelo declarante. Caso o declarante fosse acusado de Fraude Fiscal, poderia invocar esta declaração "fechada" para se defender.
Mas deveria ser dada total garantia ao declarante que a informação fechada, depois de aberta, jamais poderia ser usada em processo disciplinar (ou outro qualquer). 

Não era fazer como fazem ao Sócrates.
Fizeram uma lei em que, no caso da pessoa trazer dinheiro escondido, pagando 7,5%, mais ninguém lhe iria perguntar de onde veio esse dinheiro. 
Naturalmente que esta lei foi feita para casos de ilegalidade, dinheiro obtido de forma criminosa mais não fosse o tal crime de fraude fiscal e branqueamento de capitais.
O problema está que, apesar de os 7,5% terem sido pago, veio um juiz alegar que "como a propriedade do dinheiro não é do declarante, a lei não se aplica".
Reparem no contra-senso.
Diz a lei que pagando, ninguém pergunta de onde veio o dinheiro. Agora que foi pago, vem dizer que a lei não se aplica e perguntar ao declarante "de quem é este dinheiro?" Não será isto perguntar ao declarante onde arranjou o dinheiro?
E qual seria a diferença de ser o Sócrates o declarante? Só não foi porque tudo bufa e o homem queria confidencialidade.
Se a lei não se aplica, devolvam os 7,5% e o declarante terá que levar o dinheiro de volta para onde o tinha.
Parece-me lógico.

Eu tiro a roupa mas, depois, não podes perguntar se sou um homem ou mulher.


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A Eutanásia e a liberdade individual de decidir.

Os esquerdistas defendem o suicídio ajudado pelo Estado. 
Dizem eles que, sendo defensores da liberdade individual, estão apenas a querer dar mais liberdade às pessoas.
Assim, quando uma pessoa quiser acabar com a sua vida, tem direito a ser ajudada pelo Estado a morrer, sem pagamento de taxa moderadora.
(Mas já não é isso que fazem os hospitais com as infecções e as esperas por consultas que chegam a ser de mais de 3 anos?)
Como veem que isto não faz qualquer sentido, começam por dar outro nome à coisa, chamam-lhe Eutanásia. Depois, acrescentam-lhe várias condições restritivas como 1) doença terminal e 2) sofrimento insuportável.
Se querem dar liberdade para quê impor restrições?
Vou tentar rebater estes 3 pontos!!

1 = A Liberdade individual.
Vamos supor que um homem quer trabalhar, tem necessidade de trabalhar e que arranjou um emprego que gosta e onde, trabalhando 12h seguidas, o patrão está disponível para pagar um total de 53€, sendo 35€/dia para o bolso do trabalhador e 18,00€/h de TSU.
O homem acha bem e aceita trabalhar nestas condições.
O homem está na plenitude das suas funções mentais e físicas, garantido por psicólogo e psiquiatra.
O trabalho não lhe causa qualquer dano à saúde, garantido pela comissão independente de inspectores da segurança e saúde no trabalho.
O homem disse de forma clara que quer este emprego e que precisa do dinheiro.
Não é que os esquerdistas proíbem este homem de trabalhar porque 1) as 12h/dia ultrapassam o horário máximo permitido por lei e 2) o salário é menor que o salário mínimo nacional obrigatório!
Mas não são os esquerdistas a favor da liberdade individual?
O homem terá que continuar na miséria ou trabalhar na clandestinidade!

Agora a Eutanásia.
Acabar com a nossa vida parece-me uma coisa muito mais importante do que arranjarmos um emprego qualquer porque a morte é irreversível.
Acabar com a vida é liberdade individual onde o esquerdista diz que ninguém pode meter o focinho. Mas aceitar um emprego já não é liberdade individual, já o esquerdista vai condicionar e proibir.

2 = Doença terminal.
Todos nós sofremos de uma doença terminal!
Até há quem diga que a passagem bíblica do Adão ter comido da "árvore da sabedoria" tem a ver com a humanidade ter tomado consciência (ao contrário dos demais animais e das plantas) de que é certo que vamos morrer.
Qualquer médico pode atestar que vamos morrer.
Quanto ao "atestado a garantir que a pessoa sofre de uma doença terminal que não a normal morte devido ao decorrer dos anos", é muito discutível tal poder ser feito com rigor.
Depois, vou contar a história da minha mãe e da sua morte iminente e em sofrimento.

3 = Sofrimento insuportável.
Todas as pessoas que se suicidam (e muitas mais que não o fazem por falta de coragem) pensam que, naquele momento, o sofrimento pelo qual estão a passar é superior ao suportável.
Isto é uma verdade de Lapalice, se assim não o fosse, não se suicidavam.
Mas, de facto, o suicídio não resulta do sofrimento pois, pessoas em igualdade de circunstâncias, umas suicidam-se e outras continuam com muita vontade de viver. O que dizem os estudos científicos é que, primeiro, o suicídio é o resultado de um estado doentio da mente agudo (isto é, localizado no tempo como um episódio depressivo ou psicótico). Segundo, muitas pessoas dependentes, pensando que são um fardo para a família e para a sociedade, optam pelo suicídio como um acto heróico.
O sofrimento é relativo e pode ser resolvido com soluções terapêuticas, sociais e humanas.

Anda, faz-me sofrer que eu gosto e, no fim, só tens que largar 100€.

 Vou dar testemunho do que se passou com a minha mãe.
A minha mãezinha tem diabetes, demência, alucinações visuais e auditivas, está acamada, faz hemodiálise e sofre de cancro da mama. 
Andava a sofrer de "estado confusional agudo" e, uma noite, pelas 6 h, caiu abaixo da cama , bateu com a cabeça na mesinha de cabeceira e começou a deitar sangue abundantemente. Levei-a a um hospital onde a trataram muito bem e, no final da 6 horas regulamentares de observação, o neurologista chamou-me e disse-me "Fizemos uma TAC, veja aqui, a demência resulta de o cérebro estar reduzido em volume por causa da idade e da diabetes, mas no cérebro não tem qualquer lesão ou hemorragia. Vou dar-lhe alta e nada mais deve acontecer mas, se nas próximas 48 horas houver alguma alteração do seu comportamento, venha imediatamente cá."
Como gritava, tirava a roupa, e estava agitada, na clínica de hemodiálise telefonaram-me a dizer que havia uma vaga noutro hospital para tentar descobrir o porquê do estado confusional.
Passado uma semana, a minha mãe foi internada noutro hospital.
Eu ia visita-la todos os dias mas notava que estava cada vez pior até que, um dia, vi que as pernas estavam muito inchadas (pé diabético) e deitava sangue pela boca.
Eu sou acanhado mas, vendo tão grave quadro clínico, comecei a pedir ajuda e a minha irmã mandou-me uma sms a dizer "as médicas disseram-me que vai morrer daqui a um ou dois dias porque deixou de fazer hemodiálise há já vários dias devido a ter uma metástase no cérebro, terminal, que lhe está a causar muito sofrimento. É a vontade de Deus".
O problema é que nada disso era verdade.
Nem a minha mãe tinha qualquer metástase nem estava com sofrimento nem Deus se mete nisso.
No dia seguinte, recomeçou a fazer hemodiálise.
A médica que falou comigo garantiu-me que tinha uma metástase na cérebro.
E eu perguntei-lhe "Desculpe o que eu vou dizer mas a Sr.a Dr.a viu a TAC? É que eu vi com um neurologista do hospital Z e não tem qualquer metástase."
"Eu não vi mas circula um relatório que diz isso mas, realmente, ninguém fez qualquer TAC."
Quem sofria toda a noite era eu e se eu tivesse dito "OK, eu sofro muito.", lá a velhota tinha ido para o outro mundo sem nada lhe ter sido perguntado. Mas eu disse "Volta para minha casa e Deus que ajude os outros que eu já estou habituado a sofrer".
No entretanto, decorreram 2 anos, recebi os milhares da pensão e a minha mãe continua bem de saúde, melhor do que estava há 2 anos.
Só muito raramente é que tem "confusão aguda".

O impacto económico da Eutanásia, negativo.
Não podia deixar de falar na parte económica do problema.
Vamos supor que o estimado leitor descobria que ia morrer daqui a 30 dias. Será que amanhã iria  trabalhar? Será que iria fazer sacrifícios, poupança ou investimentos? Com certeza que não.
Quando eu tinha 18 anos e entrei na universidade pensei "se me esforçar o máximo por aprender muito e por ter boas notas, vou ter um bom emprego durante 47 anos e uma boa reforma durante mais 20 anos".
Nesse tempo, cada ano de sacrifício, em previsão, transformava-se em 13,4 anos de vida boa.
A nossa decisão económica de hoje (quanto a esforçarmo-nos) depende do que pensamos ser a duração futura da nossa vida.
Quem já não ouviu a frase "já estou velho para me aborrecer"?
Quanto mais longa pensamos ser a nossa vida, mais sacrifícios estamos disponíveis a fazer no presente porque o período de amortização é maior.
Esses sacrifícios traduzem-se em mais trabalho, mais criatividade, mais produtividade, mais poupança, mais hábitos saudáveis.

Eutanasiar as pessoas aos 110 anos.
Imaginemos uma pessoa que quer ter sempre o mesmo rendimento disponível (teoria do rendimento permanente).
A pessoa começou a trabalhar aos 20 anos, ganha 1000€/mês e desconta 25% para a reforma (tem disponíveis 750€/mês).
Se pensar que vai durar até aos 90 anos, vai querer trabalhar até aos 72,5 anos.
Se pensar que vai durar até aos 72,5 anos, vai querer trabalhar até aos 59,4 anos.
Se pensar que vai durar até aos 59,4 anos, vai querer trabalhar até aos 49,5 anos.
...
Se pensar que vai durar até aos 30 anos, vai querer trabalhar até aos 27,5 anos.

E o sofrimento?
O sofrimento também tem um impacto positivo nas nossas decisões económicas porque, ao anteciparmos esse sofrimento, vamos tomar medidas que, potencialmente, o vão diminuir.
O fumador deixa mais depressa o vício se pensar "vou ter cancro e sofrer muito durante muito tempo" do que se pensar "se vier a ter cancro, suicido-me".
O temente a Deus cumpre mais os mandamentos se pensar que, cometendo pecados, "vai arder eternamente nos confins do Inferno". Mandar meios aéreos para apagar o incêndio infernal apenas nos irá tornar mais pecadores.

Em que condições concordaria eu com a eutanásia?
Se uma das condições de aplicabilidade for "A pessoa tem que ter pelo menos 110 anos".
Até podem tirar de lá todas as outras condições, incluindo o estado de lucidez e o consentimento informado.
Chega aos 110 anos, pumba, eutanásia com um tiro no cachaço.
Será de aplicabilidade tão restrita (como muitas leis que existem por ai) que em nada me afligiria.
Caso não esteja, sou totalmente contra.

Vejam as 8 pecinhas de roupa  que comprei no "cigano da pala no olho" por 8€ (excluindo a T-Shirt que encontrei no caixote do lixo)! O casaco bege é Karl Kani, a camisola azul é Quebramar e as calças de ganga são Pierre Cardin!!!!! 

Lembram-se da Lei da Barriga de Aluguer?
Foi aprovada em finais de Junho de 2017.
Como eu previ, são tantas as limitações que, nos últimos 7 meses só se aplicou a dois casos!
Tanta coisa para 2 casos.
A eutanásia depois dos 110 anos talvez tivesse 2 casos por ano mas era uma lei dos esquerdistas a "dar liberdade".

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