sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O governo esquerdista vai derrotar o Covid-19 fazendo o TGV!!!!!!

O Trump é negacionista e maluco porque não ouve os especialistas.

O nosso governo esquerdista queria escolas com salas de aula maiores para os alunos estarem convenientemente distanciados, reforçar os hospitais e fazer mais médicos e enfermeiros mas os especialistas não deixam.

Dizem os especialistas que a solução está em fazer o TGV, reforçar os apoios à TAP e abrir mais uns buracos públicos.

Não sei que atracção têm os esquerdistas pelo TGV já que, assim que o povinho se distrai, atacam com isto. Seria muito básico e conspirativo eu pensar que estão à espera de comissões mas alguém consegue compreender esta obsessão?

 

Estamos pior que no tempo pior dos Estados Unidos da América.

Interessante a comunicação social esquerdista continuar a dizer que tudo nos USA e no Brasil são mal geridos pelos diabólicos Bolsonaro e Trump quando estamos com muito mais infectados que nos tempos piores desses 2 países.

A média da última semana dos USA+Brasil está com 105 positivos por dia por 100 mil habitantes enquanto que Portugal está com161.

Se temos hoje 3000 casos, para os USA que uma população de 328,2 milhões de pessoas estarem equivalentes, teriam que ter  96000 casos quando têm 69000.

Casos diários na última semana por 100mil habitantes (dados, wiki)

E os USA não têm confinamento.

 São os contaminados que vão acontecendo sem confinamentos, obrigatoriedade de máscaras, fechar as pessoas nos concelhos. E não há qualquer pressão nos hospitais americanos.

Se em Maio houve problemas com falta de camas e ventiladores, o problema foi totalmente resolvido nos meses de trégua.

Nós estamos na mesma!

Estão agora a refazer os hospitais de campanha que tinha desmantelado por o problema já estar resolvido.

E os mortos?

Os números não são comparáveis porque os critérios são diferentes e alteraram-se ao longo do tempo.
Há países com critérios mais abrangentes (basta ter no passado estado contaminado mesmo que morram atropelados) e outros com critérios mais restritivos (tem que estar positivo no dia da morte, ser saudável e ter morrido de pneumonia). 
Esta alteração de critérios justifica que houvesse milhares de mortos em Maio e actualmente haja centenas. Por exemplo, na Espanha a mudança de critérios fez com que a mortalidade diminuísse de 12% em Maio para 1,2% actualmente.
É desonesto comparar os países por mortalidade.
 
Olá Azar, o TGV sempre vai avançar, consegui convencer os pacóvios que andar no TGV cura o Covid-19.
 

sábado, 17 de outubro de 2020

Covid-19 : Já foram contaminados 73 milhões de brasileiros e 400 milhões de indianos.

Se os dados oficiais referem 5,2 milhões, querem saber como cheguei aos 72 milhões!!!

Olhando para os dados brasileiros, inicialmente o número de novos casos cresceu 35%/dia o que traduz uma taxa de reprodução de 1,35^5 = 4,54 (assumindo os dados espanhóis de que o ciclo de vida é de 5 dias). Este número traduz que, em média, cada pessoa contaminada vai contaminar 4,54 pessoas.

Entre o dia 20 e o dia 40 da pandemia, a taxa de reprodução caiu rapidamente de 4,54 para 1,34 (um crescimento no número de novos casos positivos de 6%/dia).

Desde então, a taxa de reprodução tem continuado a cair.

 

Fig. 1 - Taxa de crescimento diário de novos casos positivos ao covid-19 no Brasil (dados, wikipedia)
 

O que eu pensei.

Olhando o que diz a comunicação social, desde o dia 40 da pandemia não tem havido alterações nas políticas do Bolsonaro nem no comportamento das pessoas. O mesmo se passa na Índia. Então, a queda na taxa de reprodução tem que acontecer porque o vírus encontra mais e mais pessoas que estão imunes porque já estiveram contaminadas.

Vejamos um exemplo de como funciona uma epidemia. Uma pessoa contaminada cruza com varias pessoas ao longo dos dias e, porque espirra, tosse ou fala, liberta perdigotos que vão atingir algumas dessas pessoas. Estatisticamente, se a quantidade de perdigotos (a carga viral) for superior a um determinado valor, uma nova pessoa é contaminada. No dia 40 da pandemia, em média, o número de novos contaminados estava em 1,34.

Acontece que se parte das pessoas já tiver tido a doença, não vai ser infectado de novo, caindo os perdigotos em "saco roto". Se, por exemplo, 40% das pessoas com quem cruzamos estiverem imunes porque já estiveram contaminadas, então, o número de novos contaminados será de apenas 1,34*(1-40%) = 0,804 o que traduz que o número de novos casos diminui de dia para dia.

Se não houve alteração de comportamentos nem de políticas, então, a queda ao longo do tempo da taxa de novos contaminados traduz que cada vez maior percentagem de população já foi contaminada e está imune.

O R = 0 foi atingido no dia 170.

Isso traduz que no dia 170 desde o inicio da pandemia, meados de Agosto,  a percentagem da população brasileira que já tinha tido a doença e estava imune seria de 25%:

1,34*(1-X) = 1 <=>  (1-X) = 1/1,34 <=>  1- 1/1,34 = X <=>  X = 1- 1/1,34 = 25%

 E, desde meados de Agosto, mais pessoas têm sido contaminadas e, por isso, a taxa de crescimento de novos contaminados está em - 2,7%. Desta forma, calculo que já foram contaminadas e estão imunes cerca de 35% da população brasileira, isto é, 73 milhões de pessoas.

Por cada brasileiro que é testado e dá positivo, há mais 13 brasileiros que estão contaminados e que, ou porque não têm sintomas ou não podem ser testados, não são registados nas estatísticas.

Na Índia já houve 400 milhões de contaminados.

A evolução de novos positivos tem sido muito semelhante ao caso brasileiro. Depois de um período inicial de grande velocidade de propagação, por volta do dia 4o do inicio da pandemia, atingiu uma R igual ao brasileiro, de 1,34 (aumento de 6%/dia).

Ao dia 211 atingiu R = 1 (que no Brasil foi ao dia 170) e está actualmente nos 0,95 o que traduz que já 30% da população indiana foi contaminada e está imune. São então 400 milhões de indianos.

 

Por cada indiano que é testado positivo, há mais 53 indianos que estão contaminados mas que não foram testados. 

O número de contaminados não testados ser 53 quando no Brasil é de "apenas" 13 é razoável atendendo a que o teste tem um preço de 100€, mais do que o salário mensal da maioria dos indianos.

Fig. 2 - Taxa de crescimento diário de novos casos positivos ao covid-19 na Índia (dados, wikipedia)

A boa notícia é que, afinal, não morreram assim tantas pessoas e, a partir daqui, será sempre a descer.


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

A obrigatoriedade de instalar o Satyaway covid é o princípio do estado policial

 Todas as ditaduras começam por uma boa ideia.

E todas essas boas ideias pretendem o bem comum do povo e são apelativas e correctas para a grande maioria da população. É uma boa ideia contra um Deus errado, que vai levar as almas para o Inferno, contra uma ideologia  que corrompe a juventude com a promessa da sociedade igualitária e justa ou contra uma doença mortal. O problema é que a boa ideia tem sempre falhas que, , quando se torna obrigatória de respeitar, obrigam a cada vez mais e mais obrigações.

Vejamos porque a obrigatoriedade de instalar o Satyaway covid é a semente da ditadura.

1) Vamos acreditar a 100% que actualmente a app mantém perfeito anonimato. Então, vai ser preciso que a polícia mande parar toda a gente e verifique no telemóvel se tem a aplicação instalada e a funcionar. Isto é impossível de implementar.

2) Para permitir a verificação policial sem revista, a app vai ter que quebrar parte do anonimato permitindo que um polícia, ao se aproximar de um qualquer telemóvel, receba no seu telemóvel por bluetooth se a aplicação está activa. Da mesma forma que inserem a matricula do carro a ver se tem estacionamento pago, Se não estiver activa, sai logo a multa.

3) Uma pessoa recebe o resultado "positivo" e, actualmente, é livre de o inserir na sua aplicação. Como quase ninguém insere, vai ter que passar a ser obrigatório. Aqui, vai passar a ser obrigatório inserir o resultado o que apenas é possível se se quebrar ainda mais a confidencialidade: o médico do médico "fala" com a aplicação e insere o código de infectado.  

4) Uma vez a aplicação comunicando que estamos em risco de estar contaminado, actualmente a pessoa não precisa fazer nada, ignora. Mas a polícia precisa saber se estamos em risco pelo que, finalmente, a aplicação vai ter que quebrar toda a nossa privacidade médica: vai dizer ao telemóvel da polícia se estamos em risco.

Depois das e-facturas e do Stayaway covid virá o Stayaway fuga fiscal.

Quando entrarmos num estabelecimento, a app vai comunicar às finanças que estamos lá e com uns algoritmos vai ser estimado o nosso consumo que será comparado com a e-factura.

Haverá outra app que vai controlar a velocidade do automóvel e passar logo a multa.

Onde é que eu já vi isto?

Terá sido num filme?

O Costa apenas se preocupa em transmitir a ideia de que a culpa não é dele.

No Brasil, a culpa é do Bolsonaro e nos USA a culpa é do Trump porque não tomaram as medidas que o nosso grande líder tomou por nós.

Mas essas medidas não deram em nada pois estamos numa trajectoria explosiva de casos.

Então, a culpa é dos alunos ERASMUS, das famílias, de o povinho não usar máscara na rua, de não instalar a Stayaway-covid.

Vai o Costa anunciar aos quatro ventos: "A minha política era a correcta mas o país não me deixou (obrigar a instalar a Atayaway-covid)"

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

As razões para o StayWay Covid ter falhado

Como já ouviram falar, há uma APP para smartphone para seguir o Covid-19.
Essa aplicação é simples.
O emissor de bluetooth,  tem um número único (de 48 bits), o bt-address, que emite sempre que detecta outro aparelho bluetooth. Um exemplo desse número, em hexadecimal, será 00:11:22:33:FF:EE
Em particular, os smartphones têm um emissor bluetooth e quando dois smartphones passam perto um do outro, trocam entre si a sua identificação.

O bt-address pode ser usado no marketing.
Imaginem uma pessoa que se aproxima de uma montra.
A loja capta o bt-Address guardando a hora e o tempo que a pessoa esteve em frente à montra.
No supermercado, com a ajuda das câmaras, pode ser registado por onde a pessoa passou e para onde olhou.
Um dia a pessoa entra na loja (com o seu smartphone) e é imediatamente emitido um "alarme" a dizer que a pessoa observou a montra sendo-lhe oferecido um "cupão de desconto" para as coisas que a pessoa observou.
Quando a pessoa chegar à caixa, é lido o bt-Address e, se a pessoa pagar com cartão multibanco, fica registado o seu nome.

Pode ser usado para coisas muito variadas.
Imaginem um cego que quer atravessar a rua.
Os semáforo emitem bip repetitivo que é incomodativo para quem vive perto. Como raramente p cego quert atravessar a rua, seria óptimo se o semáforo detectasse o bt-address do cego para ligar o bip.
Também uma pessoa de muletas pode ter mais tempo para atravessar a rua.

Mas vamos à aplicação.
1 = É gerado um número aleatório.
Quando a pessoa instala a aplicação no smartphone, é gerado um número aleatório, por exemplo 453.729.312.045.263.381, que mais ninguém sabe que é o nosso identificador.
Como este número é grande, fica garantido que mais nenhum smartphone criará um número igual.

2 = Quando dois telemóveis se aproximam.
Os smartphones trocam os números aleatórios. O telemóvel A fica com o número do telemóvel B e vice-versa e ainda é registado o tempo que estivemos próximos.
Na memória do nosso smartphone fica uma lista com todos os números aleatórios com quem cruzamos, com a hora/data.

3 = A comunicação de um caso positivo.
Se alguém ficar doente, insere o seu número aleatório numa base de dados.
Teoricamente, fica registado a nosso número aleatória mas nada mais sobre a nossa identificação.

4 = Verificação de casos positivos.
Regularmente, digamos que uma vez por hora, o nosso smartphone pergunta ao "dono" da App por todos os números positivos que foram registados nos últimos 14 dias.
Depois, vamos procurar na lista dos números aleatórios que guardamos se algum deles está lá e se o contacto foi maior do que 15 minutos.
Se estiver, somos avisados de que estivemos junto de uma pessoa contaminada.
 
A primeira falha é a não garantia de confidencialidade
Em teoria, a APP é totalmente anónima mas ninguém o verificou.
No software sensível como, por exemplo, de encriptação, a empresa disponibiliza o código fonte para que possa ser verificado por qualquer pessoa.
Ao não estar totalmente garantida a confidencialidade, as pessoas acabam por ter medo de instalar a app e, pior ainda, de introduzir o código quando estão positivos.

As pessoas positivas não precisam de ficar em confinamento.
Se a pessoa usar máscara, não tossir, falar ou espirrar, e guardar uma distância de alguns metros das outras pessoas, não existe qualquer problema em a pessoa com teste positivo fazer a sua vida normal.
Para "dominarmos" a covid-19 é preciso que todo e cada um de nós pense a cada momento que está contaminado e comportar-se de forma a não transmitir o vírus que está dentro de nós.
a pessoa, ao inserir o código de positivo, fica com medo de ser proibido de sair de casa.

Um dia o meu termómetro deu 37,7.ºC.
Também me doía qualquer coisa do lado direito, tipo o pulmão, e tinha tosse.
O problema é que no dia seguinte tinha que ir trabalhar.
Tomei 1g de Paracetamol, um Fluimucil e um omeprazol (poderia ser refluxo) e fui dormir.
No dia seguinte, levantei-me, medi a temperatura que deu 36,3.ºC e lá fui, com o cuidado de não me aproximar de ninguém.
Até poderia estar contaminado, não faço ideia, mas por causa do efeito psicológico de ficarmos doentes assim que pensamos que estamos doentes, não podemos parar assim que a aplicação nos diz que estivemos perto de alguém positivo.
Eu já estive relativamente perto de uma pessoa contaminada mas não fiquei em quarentena, fechado em casa. Tomei cuidado extra para não contaminar ninguém.
 
A segunda falha é a app dar pouca informação.
Dizer "Esteve, nos últimos 14 dias, a menos de 2 metros e por um período superior a 15 minutos de  uma pessoa que testou positivo" é muito pouco.
Essa pessoa positiva com com nos cruzamos estava de máscara?
Terá sido num local fechado ou ao ar livre?
Havia alguma coisa entre nós, por exemplo, uma divisão de acrílico?

A app deveria ter um contaminometro!
Esse contaminometro é uma escala de 0 a 100 onde o zero traduz risco muito baixo e o 100 risco muito elevado de termos sido contaminados.
Ao longo do dia, vamos metendo informação no nosso smartphone, com maior ou menor regularidade. Por exemplo, dizer "metemos a máscara" / "tiramos a máscara", "entramos num espaço fechado", "estamos em espaço aberto".
Agora, quando nos aproximamos de outro smartphone, fica registado se temos máscara, se a outra pessoa tem máscara, se estamos num espaço fechado ou aberto.
Também deveria estar registada a idade e se pertencemos a um grupo de risco.

A terceira falha é ser assumido que os portugueses são trafulhas.
Para dizer que está positivo, tem que haver um processo borucrático com a intervenção de um médico.
Acontece que, porque as pessoas instalam a app para seu benefício próprio, não se dão ao trabalho de inserir no sistema que estão positivas.
O problema deste cientístas do INESC é não saberem que é mais grave não haver dados do que haver dados com erro.
Putura e simplesmente, a pessoa deveria ter toda a liberdade para inserir "Estou doente" e mais algum detalhe relativamente a esta informação como "Tenho teste positivo" // "Não fiz teste".
No caso de "Não fiz teste" acrescentar "Tenho febre de 39,4.C", "Tenho tosse", "Tenho falta de ar", etc.
Também, quem não fez teste, poderia dizer "Disse há 3 dias que poderia estar contaminado mas já me sinto bem" ou "Disse que estava doente há 3 dias, fiz hoje teste e deu positivo".

O cálculo do contaminómetro usará inteligência artificial.
Com toda a informação, é possível usar "aprendizagem supervisionada".
Assim, a "supervisão" acontece quando uma pessoa insere no sistema "Estou contaminado com teste positivo".
Em função do dados de todos os utilizadores, será calculada uma "probabilidade" para nós em função dos nossos dados e de todas os contactos que temos registados.
O contaminómetro vai ainda dizer o que devemos fazer.
Se podemos sair de casa, ir trabalhar, fazer compras ou se devemos ir ao hospital.
Nos casos que o contaminómetro considere complicados, o nosso smartphone contacta um call-center para falar connosco.

E a informação falsa?
Isso faz parte de todo o sistema de previsão. Má informação é melhor que ausência de informação porque os sistemas de análise conseguem separar o erro da verdade.
Havendo milhões de dados continuamente a entrar, a inteligência artificial vai conseguir fazer melhor do que com meia dúzia de "bons dados".
Além disso, continua a haver "erro" que é os positivos não inserirem essa informação.

Se a stayaway covid fosse assim...
Muitas mais pessoas instalariam e colocariam informação pois, ao inserir dados, estavam a receber um serviço personalizado.

No entretanto, ultrapassamos a China em número de casos positivos.
Existe dúvida sobre o número real de contaminadas na China  não por darem dados falsos mas por as pessoas serem obrigadas a ficar 14 dias em confinamento sem serem testadas.
Isso acontece em toda a parte pelo que Organização Mundial de Saúde afirmou que já deve haver 800 milhões de contaminados apesar de só terem sido detectados 35 milhões (ver).
Comparando os positivos identificados, já temos mais do que a China e sempre a subir.
 
Número de casos positivos em Portugal (pontos azuis), dias desde o primeiro caso (2 de Março 2020).
Linha de tendência a vermelho (dados da DGS, grafismo do autor).








sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Bejamos porque é uma loucura os outros bancos financiarem o Novo Banco.

Para um banco funcionar tem que ter capitais próprios.

O capital dos bancos é metido pelos accionistas e, grosso modo, serve para proteger os depositantes do risco de falência do banco. 

Os bancos regulam-se pelo acordo de Basileia 3 que, grosso modo, obriga a que exista 6% de capital próprio relativamente ao volume de negócios (que se chama O Activo).

Se, por exemplo, a CGD tem um activo de 90 mil milhões de €, terá que ter um mínimo de 5400 milhões de euros de capital próprio (metidos lá pelo proprietário, o António Costa).

Se os negócios do banco derem para o torto, isto é, concederem créditos a Berardo ou ao Vieira, é o capital próprio que vai ser "roubado" e não os depósitos das pessoas.


Porque não pode o Novo Banco conceder crédito ao Novo Banco?

Na essência, é isto que os inteligentes do Bloco de Esquerda querem.

Se consolidarmos os bancos, somando todos os seus balanços, os créditos e participações cruzadas têm que ser anuladas para não haver "capital falso".

Vamos supor, hipoteticamente, os bancos BA e BC, cada um com 100 mil milhões de activo. Então, é preciso haver 6 mil milhões € no capital de cada banco, no sistema um total de 12 mil milhões €.

Agora vamos supor que o BA mete 4 mil milhões € no BC. Neste caso, apesar de em termos contabilísticos  6 mil milhões € em cada banco, em termos consolidados, já só existem 8 mil milhões €.

No limite, se o BA meter 5999 milhões € no BC e o BC meter 5999 milhões € no BA, em termos contabilisticos está tudo bem mas, consolidado, o sistema só tem 2 milhões € de capital.

Se um dos bancos falir, vai todo o sistema falir porque não existe capital em lado nenhum para acomodar as perdas.

O capital de um banco (ou de uma emrpesa) não pode ser crédito de terceiros pois esse capital existe para assumir o risco de perdas e os terceiros não estão avisados de que estão a assumir esse risco. Por semelhança, foi o que aconteceu aos Lesados do BES: carregaram-nos com perdas que eles não estavam à espera. Muito menos, pode ser crédito de outros bancos porque colocaria em risco de falência de todo o sistema bancário (e não respeitaria Basel 3).

Sim, os outros bancos que emprestem ao Novo Banco
 

Os esquerdistas podem dizer as maiores barbaridades que logo são assumidas por verdade.

Vou dar um exemplo de uma manipulação que a comunicação social tem andado a passar relativamente a hidroxocloroquina, as afirmações do Trump e um estudo publicado no JAMA.

O Trump disse que, como os casos mais graves de Covid-19 resultam de uma reacção inflamatória exagerada por parte do nosso sistema imunitário, um anti-inflamatório irá reduzir a severidade dos sintomas.

Como a hidroxicloroquina é um anti-inflamatório muito potente, as pessoas infectadas tomarem esta droga será positiva.

O estudo do JAMA, usando 125 pessoas divididas em 2 grupos semelhantes, verifica que em ambos os grupos houve um total de 4 contaminados. Daqui concluiu que a hidroxocloroquina não diminui o risco de a pessoa ser contaminada.


São duas coisas diferente.

Uma coisa é a hidroxicloroquina diminuir a severidade dos sintomas nas pessoas contaminadas.

Outra coisa é a hidroxicloroquina diminuir a probabilidade de a pessoa ser contaminada.


Vejamos uma comparação para compreenderem bem a diferença.

Quando temos gripe, tomar benuron diminui os sintomas e as consequências da doença.

Mas tomar benuron todos os dias não diminui a probabilidade de virmos a ter gripe.

Juntar tudo no mesmo saco não se deveria chamar a isto Fake News?

Não porque vem da esquerda contra a direita.

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

A dinâmica da bomba atómica e da covid-19

Aparentemente, covid-19 não tem nada a ver com a bomba atómica.

Haverá quem pense "a bomba atómica mata muita gente e a covid-19 também" mas a ligação entre estes dois fenómenos é diferente pois tem a ver com a dinâmica, tem a ver com o r.

Em ambas, por um lado, quando existe maior proximidade, o r é maior e, por outro lado, quando o nível de actividade é maior, a proximidade torna-se menor e, consequentemente, o r.


Como funciona uma bomba atómica.

Os átomos de Urânio 235 "explodem" naturalmente mas muito lentamente. Assim, se tivermos 1400 milhões de átomos, em média, um átomo explodirá a cada ano. Nessa explosão, será libertada energia e 3 neutrões.

A bomba atómica precisa de velocidades de explosão muito mais elevadas o que pode acontecer porque, quando um átomo de Urânio 235 adormecido é atingido por um neutrão, este explode quase imediatamente (ao fim de 10^-14 segundos) libertando energia e 3 novos neutrões.

Quando algum desses novos neutrões atingir algum novo átomo de Urânio 235, haverá uma nova "micro-explosão".

A probabilidade de um neutrão atingir um novo átomo será tanto maior quanto mais átomos houver e mais juntos estiverem.

Na figura seguinte representamos cada átomo por um ponto. Podemos ver de forma gráfica que, quando a densidade é menor (parte de cima), a probabilidade de um neutrão colidir com um átomo é menor do que quando a densidade é maior (parte de baixo).


Vamos então ao R da explosão nuclear.

Se tivermos R=0,99, quer dizer que se 100 neutrões atingirem um átomo cada um, estes explodem libertando 300 neutrões que vão conseguir atingir 99 novos átomos. Desta forma, a radioactividade natural vai ser ampliada 100 vezes, 1/(1-0,99), mas não há explosão.

Se tivermos R=1,01 a bomba vai explodir. Em menos de 1 segundo, sendo possível manter este R, os átomos explodem em cadeia. Esta grande velocidade de ampliação da radioactividade natural porque o ciclo de vida da reacção é muito curto (em apenas 1s, acontecem 100000000000000 ciclos).

 

 A dificuldade da explosão nuclear é manter os átomos juntos.

 Primeiro, o R tem que ser muito maior que 1 (o máximo teórico é 3) para a reacção continuar mesmo quando parte do combustível já explodiu. No máximo haverá reacção enquanto houver uma percentagem X de combustível que garantam que R.X > 1. Por exemplo, se R = 1,5, teremos X > 67%.

Depois, uma vez iniciada a explosão, o material da bomba vai expandir o que leva a que a reacção pare.

Assim, além de ser necessário ter, inicialmente, um R elevado, é preciso incluir a bomba numa esfera de aço com 20cm de espessura que seja capaz de conter a expansão da bomba.

Mesmo com 20 cm do aço mais resistente do mundo, apenas é possível manter a expansão durante uns milissegundos e, por isso, apenas uma percentagem muito pequena do combustível acaba por ser utilizado na explosão.


Vamos agora ao Covid-19.

Pegando nos dados iniciais (quando não se sabia que existia a doença), fiz umas contas obtive que a taxa de reprodução, o R, é 10 e o ciclo de vida é de 5 dias.

Quer isto dizer que, se hoje houvesse 10 contaminados, amanhã já haveria 16 contaminados e, ao fim de apenas 5 dias, 100 contaminados.

Mas a dinâmica  é muito semelhante à bomba atómica. Quando há muitos novos casos (e a severidade é elevada), as pessoas afastam-se e tomam precauções o que leva a que o R diminua. Pelo contrário, quando o número de novos casos diminui (ou existe pouca severidade), as pessoas aproximam-se e relaxam as precauções.

Desta forma, a dinâmica terá oscilações. Quando baixa o número de novos casos, há aceleração na propagação e quando aumenta o número de casos, há desaceleração na propagação.

 

Novos positivos diários de Covid-19 e linha de tendência a vermelho onde vemos as ondas (dados, DGS)

 

Estou cada vez menos preocupado.

O número de positivos está em máximos de sempre mas, se no início pouco me preocupava, agora estou mesmo no nada.

Eu ando no judo que é uma actividade classificada como de alto risco de contágio.

Andamos ali ali agarrados uns aos outros e, um dia, recebi um email a dizer "Urgente". Telefonei e um deles, um gordo barrigudo, tinha dado positivo. Foi visitar a mulher ao hospital, fizeram-lhe o teste e deu positivo.

Pensei eu, vamos ficar todos contaminados mas não. Não aconteceu nada.

E o gordo voltou, decorridos 14 dias, e diz que não lhe aconteceu nada. Que se não tivesse ido ao hospital não tinha sabido que estava contaminado.

Ficou contaminado e novamente descontaminado sem ter sequer uma pequena constipação, nada, absolutamente, nada, nem um peido deu, nada.

 


As normas das DGS para as escolas estão erradas.

Diz a DGS que os jovens na escola têm que manter distanciamento entre eles e usar máscara enquanto que em casa ou quando estão com quem vive com elas não precisam dessas cautelas.

Mas deveria ser exactamente ao contrário, segmentando a população por idades e não por agregados familiares.

Assim, junto com outros jovens, fosse na escola, no desporto ou nas discotecas, não deveriam usar máscara mas em casa, quando estivesse com pessoas com outras idades, deveriam manter distanciamento social e usar máscara.

O covid-19 não tem qualquer efeito negativo nos jovens pelo que, o mais inteligente, é deixar que se contaminem todos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

A "Educação para a Cidadania" é própria de um regime ditatorial

Educação para a Cidadania é uma disciplina do ensino básico.

Sendo obrigatória dos 6 anos de idade até aos 15 anos, pretende formatar o pensamento da criança no sentido que alguém acha como positivo para a sociedade, no sentido da maioria.

O problema desta disciplina é que as disciplinas que formatam o pensamento e os valores das crianças (e futuros adultos) de acordo com o que pensa a maioria são próprias de regimes políticos ditatoriais da esquerda à direita, como o fascismo, nazismo, salazarismo, leninismo, estalinismo ou maoismo e de correntes religiosas.

Ainda este ano, milhares de pessoas foram presas, torturadas e mortas por querem pensar de forma desadequada seja na Venezuela, na Bielorússia ou na Síria.

Hoje mesmo fecharam os tempos da IURD em Angola, por as pessoas terem um "errado" pensamento sobre Deus.


O pensamento não é o mesmo que a acção.

 Uma pessoa é formada pelo pensamento (que vive dentro do seu cérebro) e pela acção (que vive no exterior do corpo).

A acção ainda pode ser privada (que tem impacto apenas em si próprio ou em quem o quer) e pública (que tem impacto nos outros).

Desde que a Inquisição queimou milhares de pessoa apenas pelo os seus pensamentos, sem a pessoa realizar qualquer acção, a civilização veio reconhecer a liberdade de pensamento.

Não estando provado que exista alguma relação entre o que uma pessoa pensa em termos filosóficos/religiosos/estéticos e a sua valia como cidadão, jamais devem as crianças ser formatadas para o pensamento da maioria.

 

Vejamos alguns exemplos.

Vou apresentar aqui alguns exemplos que essa disciplina pretende retirar da cabeça das pessoas. 


Um casal homossexual.

Num país islâmico cortam-lhes a cabeça. Claro que achamos isso terrivelmente errado porque a sua acção é privada não tendo impacto em mais ninguém.

Agora vamos supor que alguém, por razão religiosa, cultural ou outra, pensa que a homossexualidade uma aberração da natureza mas que nada faz quando se depara com a situação.

Porque é que esta pessoa deve ser perseguida e normalizado o seu pensamento no nosso mundo livre? Estamos a ser iguais aos islâmicos mas do outro lado.

 

Alguém pensa que as mulheres são inferiores aos homens.

Pensa isso mas vamos supor que se fez médico especialista no cancro da mama salvando, no seu trabalho, muitas mulheres.

De que interessa o que ele pensa quando está a tratar de uma paciente?


Os ciganos.

Vivem em Portugal há pelo menos 500 anos e falam a língua que se falava em Portugal há 500 anos, parecido com o que nesses tempos escreveram Gilves Vicente ou Fernão Lopes.

Porque temos que obrigar as crianças ciganas na escola primária a ter aulas em português moderno?

Porque é que os ciganos não podem lutar pela preservação da sua "algarviada"?

O que a História mostrou.

Que as inovações disruptivas aparecem de pessoas com pensamento diferente da maioria.

Galileu pensava, contrariamente à maioria, que a Terra andava à volta do Sol.

Einstein pensava, contrariamente à maioria, que o povo judeu era o povo eleito por Deus.

Steve Jobs pensava, contrariamente à maioria, que era possível ter um computador em cada casa e, posteriormente, que o telemóvel poderia ser multi-média.

Na música, pintura, escultura, literatura, filosofia, na ciência e mesmo na paz, os prémios nobel são pessoas que pensam de forma diferente da maioria, que são capazes de ver soluções onde a formatação do pensamento da maioria só vê problemas.

 

Acabar com essa disciplina.

 Por tudo o que a História nos mostra, também sou a favor que essa disciplina acabe.

Oscar Wilde foi condenado e acabou por morrer por pensar de forma diferente da maioria


sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Aumento de Covid-19: A culpa é do Trump e do Bolsonaro

Como todos sabemos, o número de positivos está a aumentar.
Se na segunda semana de Maio, depois de um confinamento de 8 semanas, conseguimos diminuir para 200 por dia o número de novos positivos ao Covid-19, no entretanto, estamos no triplo desse valor, aproximando-nos rapidamente para valores recordes.
Essa subida foi paulatina, cerca de 1%/dia, interrompida que se começou a notar claramente a partir da segunda semana de  10 de Agosto.
Em Março, os esquerdistas garantiram-nos que "Se fizermos confinamento durante umas semanas, a doença desaparece". Para provar esta tese, os esquerdistas apontaram "O que se observa no Brasil e nos USA causado pelos negacionistas da ciência, populistas, demagogos e imbecis Bolsonaro e Trump."

Agora que é evidente a cada dia que passa que essa tese esquerdista estava errada.
Mas os esquerdistas não desarmam, avançam o argumento que ouvi ontem no judo de que "A culpa de os nossos números estarem a aumentar é dos negacionistas da ciência, populistas, demagogos e imbecis Bolsonaro e Trump."
Se o confinamento permitiu atingir em Junho na média da França e Espanha uma velocidade de contágio de 4 positivos semanais por 100 mil habitantes enquanto que na média dos USA mais Brasil estava em 60, desde então, a situação está muito mais controlada nos países americanos.
Mas como pode tudo o que os esquerdistas fazem, seja o Costa ou o Sanches em Espanha, estar bem feito com os números a aumentar?
Na média da França e Espanha os números estão a duplicar a cada 19 dias, 3,8%/dia.
Como pode tudo o que o Bolsonaro e o Trump fazem está mal se os números estão a diminuir por lá e já estão abaixo dos valores europeus?
Na média da França e Espanha os números estão a cair a metade a cada 64 dias, -1,1%/dia.

Fig. 1 - Evolução do número de casos positivos na última semana por 100 habitantes na Espanha mais a França e no Brasil mais os USA (dados, wiki, infograma do autor)

 

Vamos aos números em Portugal.
Estão a aumentar.
Se considerarmos todo o período desde o fim do confinamento (Fig.2, linha tracejada a azul), um uma pequena queda em Julho para "inglês ver", então, o número de novos positivos está a aumentar 1%/dia, a duplicar a cada 74 dias!
Se considerarmos que a queda de Julho foi verdadeira (Fig.2, linha tracejada a vermelho), então, a nossa situação é bastante pior pois os novos positivos estão a crescer 4,1%/dia, a duplicar a cada 17 dias, na ordem de grandeza da Espanha e da França (que estão a duplicar a cada 19 dias).
 

Fig. 2 - Evolução do número de novos positivos por dia em Portugal desde o confinamento (dados, DGS, infograma do autor)


E o que fazer agora?
Complicado, os esquerdista vão ter que reconhecer que os negacionistas estavam certos. 
Cada vez mais, o nosso Costa repete o discurso que o Trump iniciou em Março, "Our country wasn’t built to be shut down. This is not a country that was built for this.”
Fazer o mesmo mas dizer que estão a fazer exactamente o contrário.
Não é orçamento retificativo, é orçamento suplementar.
Não é austeridade é rigor orçamental.
Não é negacionismo da ciência, populismo, demagogia e imbecilidade mas exactamente o contrário. 
Os bons vi sempre passar no Mundo graves tormentos;
E para mais me espantar, os maus vi sempre nadar em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim O bem tão mal ordenado, fui mau, mas fui castigado.
Assim que, só para mim, anda o Mundo concertado.



segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Japão - O balanço final da revolução Abe-economics e os negacionistas da ciência

O Japão respondeu à crise de 2008 com "contenção orçamental".
O Japão teve 3 fases de crescimento económico.
Até 1973 o PIB japonês cresceu 9,0%/ano, entre 1973 e 1992 reduziu o crescimento para 4,4%/ano e, desde 1992, consegui 1,0%/ano.
Quando chegamos a 2008 já a oposição esquerdista gritava que o Japão estava havia 16 anos a crescer pouco. Este discurso agudizou-se com a crise de 2008.

Veio, em 2012, o Shinzo Abe para implementar as políticas esquerdistas.
Se Abe apareceu em 2012 como uma esperança para quem defende (contra toda a evidência e conhecimento científico) que as políticas monetárias expansionistas são a solução para combater as crises económicas, deixou hoje de ser primeiro ministro com uma inflamação intestinal.
Claro que é uma doença mas talvez seja a vingança do destino, entrou cheio de cagança e saiu com problemas intestinais.

Mas vamos ao resultado económico.
Entre 1991 e 2007 o PIB japonês cresceu 1,0%/ano.
Entre 2007 e 2008 o PIB caiu 6,5% mas recuperou parcialmente em 2010 pelo que a queda se ficou nos 2,3%.
Desde então, mesmo com o que os esquerdistas apelidaram de "milagre económico de Abe", a economia voltou a crescer 1,0%/ano, exactamente como cresceu entre 1992 e 2007.
Afinal, as famosas políticas monetárias expansionistas defendidas pelos esquerdistas não tiveram qualquer impacto na economia real.

Fig. 1 - Evolução do PIB japonês (dados: WB; 100 em 1990)

Os esquerdistas são negacionistas da ciência.
Está mais do que assente na ciência económica que as políticas monetárias expansionistas não têm qualquer impacto positivo na economia real.
Este consenso é denominado por "super neutralidade da moeda" (Hayek, Friedrich A., 1931).
Reparem bem, já se sabe desde 1931 que as políticas monetárias expansionistas não têm impacto na economia real (apesar de ainda não nesse ano ainda não haver consenso) mas os esquerdistas, passados 90 anos, continuam a defender essa política que só leva a mais inflação.

A mortalidade do Covid-19 e o negacionista Trump.
O Trump disse que a covid-19 não poderia ser derrotada com confinamento.
A Europa usou o confinamento e, se teve resultados no curto prazo, hoje tem piores resultados que os USA.
Interessante que já nem os nossos esquerdistas defendem mais o confinamento mas também não dizem que o Trump/Bolsonaro talvez tivessem alguma razão.

Porque será que agora não morre quase ninguém?
Lembram-se que eu coloquei essa pergunta à avozinha Graça da DGS?
E a senhora veio responder dizendo "agora os contaminados são jovens".
Então, para avaliar essa afirmação peguei nos dados referentes à Espanha pois, relativamente a Portugal, os dados estão guardados a 7 chaves.
Talvez tenham medo de vermos coisas que não queiram que sejam vistas como seja as mentiras com que nos desinformam todos os dias.

A redução da idade dos casos positivos.
Comparei os dados do período até 21 de Maio (relatório n.º 32, total de 247 mil positivos e taxa de mortalidade de 8,2%) e o período desde 10 de Maio até ao presente (relatório n.º 43, total de 304 mil positivos e mortalidade de 0,46%).
Realmente, a percentagem de jovens infectados aumentou. Se no relatório n.º 32 havia 30% de infectados com idade inferior a 50 anos, no relatório n.º 43 essa percentagem aumentou para 70%.
Como há menos mortalidade nas pessoas mais novas, esta alteração demográfica explica a diminuição da mortalidade mas apenas em parte.
Dividindo as pessoas por classes etárias, aplicando aos dados demográficos do relatório n.º 43 as taxas de mortalidade por escalão etário do relatório do relatório n.º 32 a mortalidade deveria ser de 2,60%.

A diminuição da mortalidade nos escalões mais idosos.
Sem ser apresentada qualquer razão, a mortalidade nos escalões mais idosos diminuiu substancialmente.
Se até aos 50 anos a taxa de mortalidade diminuiu de 0,42% para quase zero, 0,015%, foi nas idades mais elevadas que a taxa de mortalidade mais caiu, de 15,9% para apenas 2,4%.
Se antes, nas pessoas com mais de 50 anos, morria uma em cada 6, agora só morre uma em casa 40.

No mínimo é estranho.
Se antes nos diziam que morriam 6 pessoas (corrigido da alteração das idades), agora morre dizem-nos que morre apenas 1 pessoas.
E isto sem ter sido descoberto qualquer tratamento, medicamento ou vacina.
Em contrapartida, cada dia morrem em Portugal mais 33 pessoas do que morreram o ano passado, exactamente o número de mortos que nos meses de Abril e Maio nos anunciavam como sendo de COVID-19.

Fig. 2 - Ali há gato.

Mas a ser verdade as novas taxas de mortalidade!
O que disseram o Trump, o Bolsonaro e eu, o confinamento não foi mais do que uma perda de tempo e de dinheiro.
Afinal, a Covid-19 não mata tanto como os esquerdistas anunciaram já que a sua taxa a mortalidade é de apenas 8 vezes a taxa de mortalidade da gripe de 2018.
Se em 2018 morreram 0,056% da pessoas que tiveram gripe (nos USA morreram 18 mil pessoas em 32 milhões de infectados), agora morrem 0,46% das que têm Covid-19 (na Espanha, após 10 de Maio).
Estes dados mostram que, afinal, os chineses ao apresentarem taxas de mortalidade de 5,9% estavam a exagerar!

Os nossos dados de positivos Covid-19.
Em termos de tendência, em finais de Março/princípios de Abril, tivemos ligeiramente acima de 600 casos por dia. Com confinamento rigoroso, os casos diminuíram para cerca de 180 por dia mas já estamos outra vez acima dos 600 casos por dia e com tendência para a subida.


Fig. 3 - Evolução do número de novos positivos em Portugal (pontos azuis) e a tendência (linha a vermelho. Dados da DGS.





quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Covid-19: o problema na vacina Oxford e o negacionista Trump

Comecemos pela guerra Esquerda // Direita.
Na nossa comunicação social e um pouco pela de todo o mundo, o que a Esquerda faz está sempre certo e o que a Direita faz está sempre errado.
Em particular, no ataque ao covid-19 surgiu, pelo lado da Direita, a normal resposta liberal, que a resposta deve ser individual, cada pessoa deve-se preocupar com a sua vidinha e proteger-se o melhor que puder. Depois, o vírus vai seguir o seu caminho e, quando se fartar de infectar pessoas, logo desaparece.
Pelo lado da Esquerda surgiu a resposta colectivista, em que a resposta tem que ser da sociedade como um todo, comandada por um novo staline. Retiram-se as liberdades ao indivíduo, obriga-se por lei que toda a gente fique fechada em casa e quem não respeitar levar cacetada da grossa e multas. Neste caso, o indivíduo é assumido como mentecapto e o nosso stalinezito é que sabe o que deve ser feito para o nosso bem.

O negacionista Trump (USA-Direita) e o iluminado Sanches (Espanha-Esquerda).
O problema dos esquerdistas é que a evidência nega a sua estratégia de limitar as liberdades individuais.
Naturalmente, se toda a gente ficar fechada dentro de casa, o vírus deixa de se poder reproduzir. O problema que se sabia desde o primeiro dia do confinamento é que isso não era possível ser feito por um período longo de tempo.
Se não se conseguia manter as pessoas fechadas dentro de casa até o covid-19 desaparecer, essa redução das liberdades individuais mais não foi/seria que uma perda de tempo e de dinheiro.

O que é preciso é manter a liberdade das pessoas poderem optar mas com informação.
Quando numa zona existem muitos assaltos, se essa informação for partilhada com a comunidade, as pessoas reforçam as portas e retiram os bens de valor de suas casas.
Reforçar a polícia e os tribunais será um caminho possível mas que terá que ser comparado em termos de custos com o reforço individual da segurança.
Passa-se o mesmo com as doenças.
Com informação, as pessoas optam entre manter a sua vida (com risco aumentado de serem infectadas) ou mudam de vida passando a protegerem-se.
Umas pessoas vão manter a sua vida porque assim querem ou a isso são obrigadas (por isso é que ainda há pessoas a trabalhar em profissões perigosas). Outras vão optar por evitar as outras pessoas e lugares fechados.

Vamos aos dados USA//Espanha.
Os USA têm um presidente, o Trump, que, no dizer da nossa comunicação social e mentes iluminadas, um sub-homem, sem inteligência, negacionista da ciência, mentecapto, demagogo, populista, racista e de cor laranja.
Pelas mesmas mentes, a Espanha é governada pelo Sanches que é exactamente tudo que o Trump não é mas que deveria ser.
O problema é que, nos USA, as pessoas foram obtendo informação e, de forma livre e informada, foram-se adaptando à doença.
Se, numa primeira fase, houve sucesso na Espanha (que reduziu o número de novos infectados por semana por 100 mil habitantes de 120 para apenas 5) e pouco sucesso nos USA (que em meados de Julho atingiu 140 novos infectados por semana por 100 mil habitantes), no últimas 6 semanas as coisas inverteram-se completamente.
Os USA desceram de 140 para 78 enquanto que os espanhóis subiram de 5 para quase 140. 

Evolução do número de positivos ao Covid-19 semanal por 100 mil habitantes, USA e Espanha
(dados, Wiki; cálculos e grafismo do autor)

Vamos ao problema da vacina da Oxford.
A vacina da Oxford é com vírus vivo transgénico.
A Oxford pegou num vírus que não causa grandes problemas (um adenovírus que causa um pequeno resfriado), junta-se-lhe um gene do Covid-19 e injecta-se o novo vírus nas pessoas.
Com esta estratégia procura-se que o novo vírus herde a benignidade do adenovírus (a sua "mãe") e a resposta imunitária do covid-19 (o seu "pai").

Onde está o maior problema.
É que o novo vírus está vivo e é capaz de se reproduzir. Pode acontecer que herde a perigosidade do "pai" em termos de capacidade de contágio e mortalidade, tornando-se uma nova doença infecciosa de consequências imprevisíveis.
Em Abril, quando ainda havia pouca informação, levantei a hipótese de que o Covid-19 é uma vacina falhada contra o Covid-02 e ainda penso o mesmo.
Disse na altura que injectar lixívia na veia das pessoas poderia matar a pessoa mas a "doença" não se propagava enquanto fazer uma vacina com vírus vivo pode curar a pessoa mas começar a propagar-se e matar outras pessoas aos milhões.
Imaginem que o novo vírus é testado apenas em pessoas com globulina-alfa-1 (95% da população) e verifica-se que é totalmente inofensiva e eficaz. Mas pode acontecer ser mortal para quem tem hemoglobina-alfa-2 e beta (5% da população). De repente, a vacinação mata 400 milhões de pessoas.

Não é isso que acontece com o Covid-19?
Nas pessoas saudáveis com menos de 70 anos o vírus nem causa qualquer sintoma e é bastante mortal nas pessoas com problemas cardíacos, pulmonares e diabetes.
Falei na hemoglobina mas existem muitas mais variações genéticas que podem tornar um vírus benigno numa doença altamente mortal e ai é que está o problema de uma pessoa vacinada ter ficado doente com uma doença desconhecida, uma nova doença.

Eu, em tempos ensinei Risco.
Vamos ver a coisa com 2 cenários.
No cenário 1, enfrentamos o Covid-19 de frente, como os forcados que seguram o touro pelos cornos, em que sabemos que há uma mortalidade entre as pessoas saudáveis 0,5% e 1% (e muito mais elevada nos grupos de risco).
No cenário 2, criamos criarmos uma vacina com um vírus vivo e esse novo vírus até pode acabar com o Covid-19 mas também pode dar origem a uma nova doença de consequências desconhecidas.
Será melhor enfrentar o cenário 1 (como dizem o Trump e o Bolsonaro) ou apostar no cenário 2 (como dizem os esquerdistas)?

Em termos pessoais, penso melhor apostar na cenário 1!

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O corredor aéreo inglês vai durar uma semanita

Eu já desconfiava de que era apenas para inglês ver.
Se o número de novos positivos à Covid-19 estava a aumentar em toda a Europa, como poderia em Portugal, um país que amamos mas não é conhecido pela organização, estar a diminuir rapidamente?
Como é possível termos passado em três semana de uma média semanal de 350 casos diários para apenas 175?

Afinal, foi apenas para inglês ver.
é que os ingleses colocaram fora da "lista segura" todos os países com mais de 20 casos positivos por 100 mil habitantes o que traduz que tínhamos que ter menos de 295 novos positivos por dia.
Se estivemos alguns dias abaixo desse limiar, afinal, disse a Sr.a Ministra, foi por atraso nas notificações.
Nos últimos 2 dias os casos positivos já foram 362 e 399 o que traduz que, afinal, não diminuiu nada.
Mais 3 dias assim e saímos dos destinos que os ingleses consideram seguros.
A nossa sorte é que vem aí o fim de semana.

Número médio de novos positivos nos últimos 7 dias (dados, DGS).
Para estarmos no "corredor inglês", temos que ter menos de 295 casos por dia.

Faz-me lembrar a novela Benfica//Cavanni.
Uma novela para inglês ver!
Anuncio aos quatro ventos de que vou comprar um Porche 911 Carrera.
Entro no stand, o carro tem marcado 136 000€ e eu ofereço 68 000€.
Volto lá várias vezes, telefono, envio um emissário e volta-se sempre a repetir que o preço são 136000€ e que eu pretendo pagar 68000€.
Será que posso, passados umas semanas, dizer que desisto da compra porque o stand não foi sério na negociação? Dizer ainda que a gota de água foi o vendedor ter ido de férias sem me dizer nada?
Pois o anunciado negócio do Cavanni foi mesmo assim.
Ele queria 60 milhões e o Benfica estava disponível a pagar 30 milhões.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Covid-19 = Uma única re-infecção prova que nunca haverá vacina

Já há muito que se desconfiava disto.
Existem 7 Corona-vírus que atacam os humanos sendo que 4 deles são vulgares e causam a constipação/resfriado (outras constipações são causadas por adeno-vírus).
Acontece que as pessoas são repetidamente, ano após ano, infectadas por esses 4 corona-vírus, não sendo assim possível fazer uma vacina.

O Dr. Paulo Paixão (OMS) acaba de dizer na SIC Notícias uma barbaridade.
Disse desvalorizou a re-infectação porque "apenas duas ou três pessoas foram re-infectadas num total de 25 milhões pelo que a probabilidade de uma pessoa ser re-infetada é muito baixa."
Esta afirmação está errada por diversas razões.

Uma só pessoa prova que nenhum humano desenvolve imunidade de longo prazo.
Basta uma só pessoa porque somos todos humanos, todos geneticamente razoavelmente iguais. Se uma re-adoeceu, qualquer humano pode re-adoecer.
E a re-infecção foi ao fim de 4 meses o que traduz que temos que nos re-vacinar, pelo menos 4 vezes por ano.

As pessoas re-infectadas são assintomáticas.
Mas, cada vez mais, se pensa que a maior parte das pessoas são assintomáticas.
Se a pessoa, da primeira vez teve sintomas e da segunda não, nada garante que não tem agora sintomas por ser uma re-infecção.

A probabilidade foi mal calculada.
Imaginemos que, no Mundo (que tem 7800 milhões de pessoas), já foram contaminadas 25 milhões de pessoas. Isto quer dizer, escolhendo uma humano aleatoriamente, a probabilidade de ter sido infectados é de 25/7800 = 0,32%.
Se a probabilidade de uma pessoa ter sido infectada uma vez é de 0,32%, a probabilidade de ser infectada duas vezes é de 0,32% * 0,32% = 0,0010%, uma pessoa em cada 100 mil terráqueos.

Mas a probabilidade é ainda menor.
Temos que pegar nos que estavam infectados há 4 meses atrás (apenas 2,5 milhões) o que dá uma probabilidade de 0,032%. Depois, temos que ver quantas pessoas foram contaminadas nos últimos 30 dias  (potencias já sem imunidade) que foram 15 milhões (0,019%).
A probabilidade de encontrarmos uma pessoa re-infectada será de 0,032%*0,019% = 0,00006% o que traduz que a probabilidade será encontrar 1 pessoa re-infectada em 1,6 milhões de pessoas.

Talvez os privados tenham uma solução diferente.
O progresso acontece fazendo-se coisas mesmo que ligeiramente piores se se usarem muito menos recursos.
Vamos imaginar que o actual teste à Covid-19 tem um taxa de sucesso de 99% (só 1% são falsos negativos) e que que custa 100€ e demora 12 horas a dar resultados.
Comparemos com outro teste à saliva que tem apenas uma taxa de sucesso de 50% (falha em metade das análises) mas custa 1€ e demora apenas 2 minuto a obter o resultado.
O menor preço e a rapidez do teste vão compensar a menor taxa de sucesso dando, globalmente, melhores resultados no controlo da pandemia.
Com o teste rápido, será possível testar todos os dias, todos os alunos à entrada da escola.

Voltemos outra vez à estatística.
Vamos que entram 1000 alunos numa escola e que são todos testados e, passados uns 5 minutos, recebem  o resultado no telemóvel.
Se alguém der positivo, essa pessoa sai e vai para quarentena e todos os mais próximos passam a ter cuidados especiais.
Dando todos negativo, o comportamento pode ser ligeiramente relaxado.
Notar que terá que haver sempre cuidado porque, mesmo com todos negativos, ainda é possível haver contaminados. Por exemplo, com uma taxa de sucesso de 50%, havendo 10 contaminados, a probabilidade  de serem todos erradamente classificados como negativos é de apenas 0,1%.

Parece que estão todos preocupados com os USA porque o número de casos está a diminuir.
Para retirar o efeito do fim de semana e do tamanho da população, a comparação entre países faz-se pelo  número de novos positivos nos últimos 7 dias.
Nos USA, esta estatística atingiu na semana 20/ 27 de Julho um máximo de 141.
Decorrido cerca de um mês, este número caiu na semana 17/24 de Agosto para 89,15.
É uma redução de 37% em 32 dias.
Continuando a cair, lá se vai a ideia dos esquerdistas de que o Trump é um negacionista desmiolado e que não sabe o que está a fazer.

Evolução de novos positivos nos USA nos últimos 3 meses (casos por semana por 100mil habitantes)


segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Carlos Guimarães Pinto - economia real, financeira e monetária

O Carlos escreveu um artigo no ECO.
O Carlos é o fundador da Iniciativa Liberal, apesar de não o conhecer pessoalmente, sou professor na escola onde o Carlos estudou e, por isso, responsável pela sua "ignorância" em assuntos de economia.
Apesar de  ser uma pessoa de grande valor tenho que falar do artigo que escreveu (Pinto,C G, 13 Ag 2020, "A grande redistribuição", ECO) e onde mostra muita confusão de conceitos e bastantes erros de análise.
Esses erros não são óbvios, antes pelo contrário, da mesma forma que não é óbvio que a Terra ande à volta do Sol pelo que vai ser difícil explicá-los num texto curto mas vou tentar o meu melhor.


Aviso
O Carlos foi um extraordinário aluno de licenciatura e é um excelente aluno no curso de doutoramento sendo, com total certeza, muito melhor do que eu fui ou poderia ter sido, medido por qualquer parâmetro.
Assim sendo, podem pensar que o que ele escreveu é mais verdade do que eu escrevo aqui mas, nesse caso, continuarão a viver na escuridão da ignorância.
Pensem neste ditado popular (que acabei de inventar): "Se a ovelha manca não dormir a sesta, acabará por comer mais que as outras."
Este ditado é uma paráfrase da história da lebre e da tartaruga e pretende mostrar que, mesmo os mais inteligentes, se não pensarem nos problemas, acabam por apresentar explicações não satisfatórias para a natureza que nos rodeia.
O Golias, sendo o homem mais forte do Mundo, facilitou e acabou derrotado pelo David.

Não vou identificar essa confusão ponto por ponto, vou antes clarificar os conceitos.
Para compreendermos a economia temos que a ver como uma cebola com 4 camadas.
No interior da cebola temos a Economia Real que tem a parte da Produção e a parte da Distribuição.
Uma economia primitiva tem apenas estas duas camadas. A maior-parte das disciplinas (senão na totalidade) de um curso de economia trata apenas destas duas camadas, da "economia sem moeda" em que o "a unidade de valor" é a referência a um dos bens produzidos na economia.
Na parte de fora da cebola temos a Economia Nominal formada por duas outras camadas, a Economia Financeira e a Economia Monetária.

1 = A Economia Real.
Apesar de a Economia real ter duas faces (a produção e a distribuição), primeiro, tem que haver produção e, só depois, é que pode haver distribuição.

1.1 = A produção.
Para haver produção tem que haver Trabalho e Recursos Naturais.
A quantidade de recursos naturais é fixa pelo que, para haver aumento da produção, as pessoas têm que trabalhar mais horas.
Na economia mais simples que existe, a economia caçadora-recolectora, o trabalho são as horas que os caçadores correm atrás dos animais e que os recolectores colhem fruto e plantas. Os recursos naturais são o território com os animais e plantas que nele vivem e crescem.
Se num determinado dia apenas pode haver aumento de produção se as pessoas trabalharem mais, sendo aplicado parte do trabalho na domesticação de animais e plantas e na construção de máquinas, muros, casas,  a produção nos dias futuros vai aumentar sem haver necessidade de aumentar as horas trabalhadas.
Esta actividade de melhoramento da economia no futuro denomina-se por Investimento e a sua acumulação chama-se Capital.
Para haver investimento (que melhora o nível de vida futuro), é necessário piorar o nível de vida no presente (obriga a que haja Poupança de bens de consumo que é usada no investimento em bens de capital).
Para os alunos poderem vir a ganhar um salário maior no futuro, têm que fazer sacrifícios hoje (estudando e indo a aulas aborrecidas) para aumentarem o conhecimento, o capital humano.

A Produção é diferente da Riqueza.
A produção é um fluxo, tal como a água que corre num rio medida em m3 por segundo. Assim, as unidades da produção são unidades físicas por hora, por exemplo, um homem recolhe 10kg de maças por hora.
A produção pode ser de "bens de consumo" (um homem recolhe 10kg de maçãs por hora) mas também pode ser de "bens de investimento", (um homem planta 5 macieiras por hora).
A produção total é a soma do total produzido de "bens de consumo" e "bens de investimento".

A riqueza é um stock, tal como a água de uma barragem que é medida em m3.
As unidades de riqueza são unidades físicas, por exemplo, o Sr. João é dono de 100 macieiras.
Tal como um rio pequeno pode alimentar uma grande barragem (o Rio Guadiana tem um caudal de 80m3/s e a barragem do Alqueva tem uma capacidade de 4 150 milhões m3 correspondente a 1 ano e 8 meses de fluxo), uma pessoa com pouca produção pode ter uma grande riqueza (que foi acumulada ao longo dos séculos).
Não podemos confundir nível de produção com nível de riqueza porque são em unidades diferentes.
Será como dizer que o Rio Guadiana é maior que o Rio Douro porque a Barragem do Alqueva (no guadiana) tem capacidade de 4150 milhões m3 e a barragem de Lever-Crestuma (no Douro) tem capacidade de apenas 110 milhões m3.


Imaginem esta situação.
Dois automóveis cruzam na estrada, um Toyota que circula a 160km/h (unidade fluxo) e um Nissan que já percorreu 300 mil km (unidade de stock).
Será que podemos afirmar que o Nissam é mais rápido que o Toyota?
Não porque kg/h não são comparáveis com km.
O João planta 10kg macieiras por hora (fluxo) e a Ana tem 1000 macieiras (stock).
Será que podemos afirmar que a Ana é mais rica que o João?
Não porque macieiras/h não são comparáveis com macieiras.

A poupança, o investimento e o capital.
O João planta 10kg macieiras por hora (fluxo), colhe 10 kg de maças por hora (fluxo) e tem 100 macieiras (stock).
O João tem disponíveis 50h de trabalho por semana.
Então, pode aplicar todo o seu tempo a colher e comer maças (500 kg de maçãs por semana) mantendo as mesmas macieiras ou dedicar parte do seu tempo a plantar macieiras (10h/semana) diminuindo o consumo  (de 500kg para 400kg por semana) e aumentando o número de macieiras (de 100 para 200 macieiras).
O consumir menos traduz poupança e o plantar árvores traduz investimento o que vai fazer aumentar o capital.

1.2 = A distribuição.
Uma vez havendo produção, é necessário distribui-la pelas pessoas.
Este problema é difícil de resolver porque há pessoas que não produzem (as crianças, os doentes, os mais velhos, os malandros), cada pessoa tem diferente capacidade de produzir (uns são mais fortes, outros mais inteligentes) e os gostos das pessoas são diferentes (uns preferem 5 camisas e 2 calças e outros 3 camisas e 3 calças).
Não existe uma "regra moral" que diga como deve ser feita a distribuição pelo que sociedades diferentes têm entendimentos diferentes quanto a definição de "distribuição justa".
No limite "inferior", a distribuição é igualitária (dividir o total produzido atribuindo a mesma quantidade a cada cabeça) e no limite "superior", cada pessoa apropria-se de tudo o que produz.
Estas "distribuições limite" não são possíveis porque têm problemas que não vou discutir aqui por falta de espaço mas interessa fixar que as "esquerdas" defendem distribuições mais igualitárias (independentes da capacidade de produção de cada pessoa) e as "direitas" defendem distribuições menos igualitárias (o rendimento ser dependente do mérito de cada um).

A distribuição é separada da produção.
Interessa vincar que primeiro surge a produção e só depois é que é possível haver distribuição.
Será uma decisão colectiva a sociedade estar mais na direcção do "limite inferior" (o caso da Europa Ocidental) ou do "limite superior" (o caso dos USA).
Existem teorias que dizem que as pessoas com maior rendimento poupam mais e que, por isso, nas economias igualitárias, a poupança é menor mas estas teorias não estão confirmadas pela realidade.
O que se sabe é que há bens e serviços que apenas as pessoas com maior rendimento consomem (por exemplo, literatura, teatro, vinho do porto de 10 anos) e que, por isso, a estrutura produtiva de uma economia igualitária é diferente da de uma economia com assimetria de rendimento.
Mas, apesar de a estrutura ser diferente (por exemplo, diferente proporção de bens de investimento//bens de consumo), o nível de produção não sofre alterações por haver diferente assimetria na distribuição da riqueza produzida.
Tanto faz haver mais ou menos ricos, haver mais ou menos assimetria na distribuição da produção porque, no concreto, o nível de produção vai ser o mesmo, vai dar tudo igual ao litro.

2 = A Economia Nominal.
A economia nominal apenas vai existir sobre a economia real e não produz nada nem tem nada que se possa consumir (bens e serviços) mas apenas um registo contabilístico do que existe na economia real.
É perfeitamente possível haver uma economia sem parte nominal mas o contrário é impossível.
A Economia Nominal é uma "titularização" da economia real e existe como uma camada sobre a Economia Real para "diminuir os custos de transacção" e, desta forma, aumentar a eficiência económica, o que leva ao aumento do nível de produção.
A economia nominal começa por denominar todos os bens e serviços da economia real em unidades monetárias, no nosso caso são os euros. Essa denominação chama-se o Preço.
Por exemplo, os telemóveis têm um preço de 120€/unidade e as laranjas um preço de 1,20€/kg.

A produção a preços de mercado.
A produção de uma economia é muito diversificada sendo impossível agrega-la em quantidades.
O preço é uma quantidade nominal e permite a comparação de bens e serviços diferente.
Então, havendo um preço para cada bem ou serviço produzido na economia, podemos calcular o PIB- Produto Interno Bruto como a soma dos preços de todos os bens (multiplicados pelas quantidades).
Se hoje se produziram 100 telemóveis e 1000kg de maçãs e amanhã se produzem 100 telemóveis e 500kg de maçãs, então, a produção aumenta de 13200€, 100x120 + 1000x1,2, para 13800€, 110x120 + 500x1,2.
O total que se produz numa economia é a soma de todos os bens e serviços produzidos durante um ano ao preço a que são transaccionados no mercado (também poderá ser referenciado a um trimestre ou a um mês). Desta forma já é possível somar alhos, bugalhos, cebolas, pepinos, massagens, automóveis, telemóveis, aulas e toda a diversidade que é produzida e transaccionada no mercado (caso contrário, não tem preço, como o tempo que os pais despendem a cuidar dos filhos).
Quando os preços aumentam, o PIB nominal aumenta sem haver aumento da produção pelo que, para se poder comparar a evolução da produção real ao longo dos anos é preciso retirar ao PIB Nominal o efeito da subida dos preços (a famosa Taxa de Inflação).

2.1 = A Riqueza nominal = a Economia Financeira.
A riqueza real é o número de macieiras mas a riqueza nominal tem duas formas de ser calculada.
Por um lado, pode ser o Preço de cada macieira a multiplicar pelo número de macieiras (a óptica do passado, usada pela contabilidade).
Se o preço de cada macieira é 100€, quem tiver 100 macieiras, terá 10 mil € de riqueza contabilística.

Por outro lado, pode ser o que as pessoas pensam que as macieiras vão produzir no futuro (a óptica do futuro, usada pela economia financeira).
Vamos imaginar que cada macieira vai produzir, especula-se, 100kg por ano e que as maçãs vão ser vendidas a 0,05€/kg. Então, em cada um dos anos futuros, a macieira vai produzir 5€.
Expeculando que a macieira durar para todo o sempre e a taxa de juro for de 5%/ano, então, a macieira vai "valer" 100€, calculado dividindo 5€/ano por 5%/ano:
Valor Actual da Macieira = 5/5% = 100€/macieira
A riqueza financeira será de 100€/macieira*100 macieiras = 10 mil €.

A óptica do futuro cria a Economia Financeira.
Na óptica do futuro, havendo alterações nas expectativas (no que as pessoas pensam sobre o futuro quanto à produção de maçãs, o preço das maçãs e a taxa de juro), também haverá alterações na riqueza sem haver qualquer alteração na economia real.
São apenas alterações nas expectativas, no que as pessoas pensam sobre o futuro e nada sobre a realidade.
Se se antecipar que a taxa de juro vai descer para 4%/ano, a riqueza aumenta instantaneamente para 12,5 mil €, 100*5/4%, sem haver qualquer alteração na quantidade de macieiras nem no nível de produção.
Este aumento de riqueza não terá qualquer impacto na economia real.
A Economia Financeira é a titularização dos activos, sejam capital ou bens e serviços futuros ou derivados sobre estes titulos, em que os títulos criados "ganham vida" e passam a ser tratados como se fossem bens.

Por exemplo, o dono das 100 macieiras titulariza-as criando 1000 "Acções Macieira".
O detentor de cada Acção Macieira vai receber, todos os anos, a produção das macieiras vendida ao preço de mercado a dividir por mil.
Agora, o dono das 1000 acções macieira (já me esqueci que ele é dono das 100 macieiras) vai vender 499 acções pedindo o preço de 10€/acção. Se houver pessoas que queiram poupar e que especulem que o "valor" das acções é mais do que 10€/acção (pensem que a produção, o preço e a taxa de juro futuros são favoráveis), o proprietário das acções vai conseguir vender os seus títulos a 10€/acção.
Depois, se a expectativas quanto ao futuro induzir que a taxa de juro vai diminuir, a produção ou o preço das maças vão aumentar, o "valor" das acções irá aumentar ficando as pessoas mais ricas.
Mas o número de macieiras é sempre o mesmo não tendo esta riqueza nominal qualquer efeito sobre a economia real.

Existem muitos "produtos" financeiros.
As acções são os mais simples (a titularização e divisão do capital em pequenas partes) mas existem produtos complexos que usam as acções como "substrato", por exemplo, os futuros ou as opções sobre as acções.
Também existem produtos financeiros sobre bens (por exemplo, a venda de bens que ainda não existem e cuja entrega será feita no futuro).
E ainda existem misturas e remisturas de activos financeiros, com seguros e opções de compra e de venda pelo meio.
Mas interessa revincar que estes produtos financeiros não têm impacto directo na economia real, apenas indirecto pela diminuição dos custos de transacção.
Nem tem impacto na economia real uns terem mais riqueza financeira e outros menos.

2.2 = A Economia Monetária.
A moeda é um instrumento financeiro que titulariza os bens e serviços que o seu detentor vendeu no passado e que lhe vai permitir comprar bens e serviços no futuro (onde se incluem activos financeiros e moeda estrangeira).
Se alguém tem no bolso notas e moedas no valor de 10 mil€, isso traduz que, no passado, trabalhou (recebendo salários), vendeu bens e serviços (recebendo o preço) e comprou bens e serviços (pagando o preço) e que a soma dos salários com os preços que recebeu subtraindo os preços que pagou deu 10 mil€ positivos.
Estes 10 mil € permitem que, no futuro, a pessoa compre 10 mil € de bens e serviços.
Uma nota é como uma acção de uma empresa com a diferença de que o "valor" da acção "condensa" todos os rendimentos futuros da empresa (a dividir pelo número de acções) e a nota condensa o "valor" de todos os bens e serviços que podemos comprar com essa nota no futuro.

A super-neutralidade.
A quantidade de moeda ou o seu aumento ao longo do tempo não tem qualquer impacto na economia real  (no nível de produção nem na distribuição) mas apenas influencia os preços e, portanto, a produção nominal.
Portugal tem aproximadamente 25 mil  milhões de Euros e se passasse a ter 50 mil milhões de Euros, as pessoas passariam a ter mais dinheiro no bolso mas o que se produz e consome seria exactamente igual, havendo apenas uma alteração nos preços.
Se hoje uma empregada doméstica tem um salário de 6,00€/h passaria a ter 12,00€/h.
Se hoje o café tem um preço de 0,75€/chávena, passaria a ter 1,50€/chávena.
Se hoje a renda de uma casa é de 500€/mês, passaria a ser de 1000€/mês.
Ficaria, em termos reais, tudo na mesma.

O Banco Central.
A função do Banco Central é APENAS manter a estabilidade dos preços.
Se o Banco Central aumentar a quantidade de moeda na economia, funcionando como um bem qualquer, o valor da moeda diminui o que traduz que haverá aumento proporcional dos preços.
Como o aumento generalizado dos preços prejudica a capacidade de as pessoas compararem os preços dos bens e serviços e, desta forma, aumentam os custos de transacção, o Banco Central deve manter os preços o mais estável possível, isto é, a inflação deve ser o mais baixo possível.
No caso do Banco Central Europeu, a taxa de inflação (que mede o aumento anual dos preços), deve ser próximo de 2%/ano.

Os instrumentos do BCE.
Se os preços estiverem baixos, o banco central tem que aumentar a quantidade de moeda em circulação e, se estiverem altos, terá que diminuir.
O Banco central tem formas de controlar os nível de preço (os instrumentos de política monetária) que podem ser de longo prazo (entrega de notas novas aos governos sob a forma de dividendos, cerca de 0,3% do PIB) e de curto prazo (por exemplo, as operações de open market em que "dá" notas em troca de activos financeiros e vice-versa e a janela de desconto em que concede crédito a uma determinada taxa de juro e vice versa).
Se, por exemplo, o banco central permitisse que as pessoas realizassem pagamentos multibanco com a conta bancária negativa (até -500€), estaria a aumentar a quantidade de moeda em circulação sem emitir notas!!!!

A compra de dívida pública.
Quando, no curto prazo, o banco central decide aumentar a quantidade de moeda em circulação, não a pode dar aos governos para gastar porque, quando decidir diminuir a quantidade de moeda em circulação os governos não terão disponibilidade para devolver o dinheiro.
Então, o banco central entrega notas a privados mediante garantias (empréstimos) ou mediante a compra de activos (compras em open market).
Estas operações são apenas de curto prazo pois, no longo prazo, o banco central entrega notas ao governo para que este as gaste (são denominados por dividendos do banco central).

O Banco Central não tem qualquer efeito na economia real.
Haver mais ou menos moeda em circulação não tem qualquer impacto na economia real.
Vamos supor que aumentar a quantidade de moeda em circulação fazia os países serem ricos. Então Moçambique, que pode emitir quantos meticais quiser, seria um país rico.
Todo o país que tem moeda própria seria rico e não são necessariamente.

Conseguiram perceber a confusão no texto do Carlos?
A confusão vem de a Economia Real ser denominada em Euros e de os "activos" financeiros e monetários também serem denominados em euros.
Assim, pensamos que 20€ de batatas é o mesmo que uma nota de 20€ mas as batatas são produção e a nota é apenas uma realidade contabilística.
Não é fácil lendo um pequeno texto como este ficar a compreender que as camadas nominais são importantes para o melhor funcionamento da economia real mas que a ligação é ténue.
Porque o artigo de opinião do Carlos não faz qualquer sentido?
Confunde Riqueza com Produção, o que não é possível por serem realidades diferentes.
Confunde Moeda e activos financeiros com Produção.
Também confunde Riqueza com Consumo.

O Ruanda é a prova de que liberalismo económico permite que a economia funcione melhor.
O Ruanda é um país pobre perdido algures no meio de África.
É um país que ficou famoso porque, em 1994, mataram-se uns aos outros, talvez uns tenham matado 1 milhão de outros, cerca de 15% da população foi assassinada.
Mas o que interessa é que, antes de 1994, as pessoas tinham no seu Bilhete de Identidade qual era a sua etnia e as empresas e o estado tinham que contratar proporcionalmente de cada etnia.
Referindo Portugal, se os ciganos são 0,1% da população portuguesa, nas universidades teriam que entrar 53 ciganos por ano (em 53 mil alunos novos), o Estado teria que contratar 700 ciganos (em 700 mil funcionários públicos) e a mesma proporção teria que ser observada nas fábricas e nas cadeias!!!!
Em 1994, o Ruanda acabou com a referência à etnias no bilhete de identidade e passou a haver liberdade de contratação.
Se entre 1960 e 2013 a economia cresceu (em termos de PIB per capita) 0,9%/ano, depois da liberalização do mercado de trabalho de 2014, a economia passou a crescer 5,0%/ano.
Antes da crise o PIBpc era de 420€/ano/cabeça e em 2019 já era de 905€/ano/cabeça.
Uma coisa tão pequena (a liberalização do mercado de trabalho) teve um impacto enorme na melhoria das condições de vida dos ruandeses.

PIB per capital do Ruanda, 1960:2019 (dados, WB)

O Carlos cometeu mais uma falhazita!
Os textos que escreve devem mostrar as vantagens do liberalismo do Laissez faire laissez passer e essa ideia não está no texto, pelo contrário.
Se, das forças do mercado, resultar que cada vez mais existem mais ricos (e não necessariamente mais pessoas com baixos rendimentos), é preciso vincar que o Bill Gates ou o Mark Zuckelberg serem podres de rico não prejudica ninguém, muito antes pelo contrário, é a motivação para que mais e mais pessoas criem produtos e serviços que melhoram as nossas vidas.
A riqueza de quem cria coisas novas em nada prejudica seja quem for, antes pelo contrário, criam oportunidades.

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