sexta-feira, 30 de março de 2012

Será que fui derrotado? Será que as taxas de juro estão bem?

O anúncio da queda nas taxas de juro é um embuste.
Nos últimos dias o governo tem anunciado que as descidas observadas nas taxas de juro implícita da dívida pública portuguesa indiciam que estamos a ser bem governados.
Isto é completamente errado e resulta de o nosso Primeiro, por ser filho de um médico, acreditar no efeito placebo. Fazendo o paciente acreditar que lhe estamos a dar um remédio muito potente (mas que é apenas farinha triga), ele melhora. Depois, anunciamos que já se observam melhoras significativas e ele fica completamente curado. Sem fazermos absolutamente nada.
Como eu queria com toda a minha força que isso fosse verdade pois recuperaria o "corte provisório de 5%" mais o "corte provisório dos subsídios" que durará "enquanto Portugal estiver a receber assistência internacional".
Rezo todos os dias à alma do gato da minha colega Manuela a ver se ela, a alma pois o bicho´é adubo da árvore que sempre lhe fez sombra, faz o milagre disto se tornar verdade.

Fig. 1 - O gatinho da Manuela depois de apanhado a fazer uma asneira. Rinhauuu...

A taxa de juro é imprevisível.
Se alguém soubesse, com certeza, que amanhã a taxa de juro ia estar menor que hoje, comprava imediatamente divida pública e vendia-a amanhã, tendo um ganho certo. No caso contrário, vendia hoje dívida e re-comprava-a amanhã, tendo também um ganho certo.
Como isso não é possível (todos ganhariam a todo o tempo), resulta o conceito de Mercado Eficiente, ME.

A melhor previsão para a taxa de juro futura é a taxa que se observou hoje.
Por isso, acreditar que alguém sabe em que sentido a taxa de juro vai evoluir é o mesmo que acreditar que a alma do gato da minha amiga foi para o Céu e que, se eu lhe rezar, vou voltar a receber aquelas maquias.
Eu, a Cristas e o Passos acreditamos que sim mesmo sabendo que não se vai concretizar.
"Tenho fé que vai chover nos próximos dias mas, se não chover, não perco a fé", Cristas
Mas fé em quê? Não é fé que vá chover mas noutra coisa qualquer.

Vejamos a evolução da taxa de juro dos últimos tempos.
Em 1/1/2010, quando começou a "Crise Portuguesa da Dívida Soberana", a taxa de juro a 10 anos exigida à divida pública portuguesa estava nos 4%/ano que comparava com 3.3%/ano para a Alemanha. Neste caso, a probabilidade de Portugal falir com um hair-cut de 75% (pagando 25% da obrigação) era antecipada como 8.7%.
        (1+4%)^10 x (25% x 8.7% + 100% x 92.3%) = (1+3.3%)^10

Em 23/3/2011, quando o Sócrates se demitiu, a taxa de juro portuguesa estava nos 7%/ano que comparava com  3.35%/ano para a Alemanha. Nesta altura, a probabilidade de Portugal falir estava avaliada em 39.1%.

Em 30/3/2012, já depois da "fortes quedas", a taxa de juro esteve nos 11.53%/ano que comparava com  1.80%/ano para a Alemanha. A probabilidade de Portugal falir está avaliada em 80.0%.
Quando o Sócrates teve que partir, a taxa estava nos 7%/ano e agora está nos 11.53%/ano. Se isto é demonstrativo do bom desempenho do Governo do Passos Coelho, eu vou ali e já volto.
Fig. 2 - Evolução da Taxa de Juro implícita da dívida Pública Portuguesa a 10 anos
(dados: Bloomberg)
A tendência
O conceito de ME diz não ser possível prever que, para o futuro, a taxa de juro terá uma tendência de subida. Se hoje a taxa de juro a 10 anos está nos 11.53%/ano então, o melhor que podemos dizer é que vai-se manter assim nos próximos 10 anos (que é o período de vigência do contrato).
Mas vamos supor que o podemos dizer sobre o passado e que a tendência verificada entre o inicio da "Crise", 1/1/2010, e o dia da demissão do Sócrates, 23/3/2011, se iria prolongar no tempo se o Sócrates e demais entulho governativo lá se tivessem mantido. Então, extrapolando essa tendência até ao dia de hoje, o mandato do Passos Coelho esteve sempre acima da tendência, o que é negativo, e apenas agora convergiu com a linha de Sócrates, o bancarrotador.

Sendo certo que o Sócrates encabeçou o pior governo que Portugal teve nos últimos 90 anos,
o Passos Coelho gaba-se quando ainda não conseguiu fazer melhor.
A taxa de juro estava nos 7%/ano e está nos 11.53%/ano, 4.53 pontos percentuais acima do que estava no dia da derrocada do socratismo.
O risco de bancarrota nos próximos 10 anos passou de 40% para 80%.
No melhor dos cenários, o Passos Coelho consegue estar na "previsível" tendência de degradação da situação economia nacional que aconteceria se ainda estivéssemos a ser desgovernados pelo Sócrates.
Se recordarmos que nesse dia 23/3/2012 se vivia um ambiente de cortar à faca, agora estamos  o dobro pior.

Nós vamos ao mercado em meados de 2013.
E tenho fé que vai chover muito ainda antes disso.
A afirmação de que vamos encontrar pessoas que, em meados de 2013, voluntariamente nos vão emprestam dinheiro não tem qualquer fundamento. É uma tontearia total.
Com a taxa de juro actual, 11.53%/ano, uma obrigação de 100€ a 10 anos equiparada a uma alemã (1.80%/ano), está a ser transaccionada por 43.80€.
Acreditando no Gaspar, que a taxa de juro estará nos 6%/ano, se alguém investir hoje 100€ em divida pública portuguesa a 10 anos, em meados de 2013, terá recebido 4.10€ em juros e as obrigações valerão 165.40€.

Fig. 3 - Em meados de 2013 Portugal já poderá ir aos mercados, comprar hortaliça.

Num prazo de 1 ano e 3 meses, será um ganho de 70%.
E sem qualquer risco, a menos que o Gaspar esteja enganado.
Eu, e toda a mais gente, considero as palavras do Gaspar equiparadas às do Sócrates quando dizia que "está tudo bem para não dizer que está óptimo". Pensamos nós e pensa ele pois, se acreditasse no que diz, estava cheínho de dívida pública portuguesa e, tanto quanto conste, não tem nem um euro emprestado ao Estado Português.
Tal como os administradores das empresas cotadas, deveria ser obrigatório que os membros do governo publicassem quanto têm de dívida pública na sua carteira de activos.

Qual é a taxa de juro sustentável para Portugal?
 Para simular o plano de pagamento vou ter que estimar certas grandezas.
H1) A divida é de 125% do PIB (pública e externa);
H2) Vamos reduzir a dívida a 60% do PIB em 30 anos;
H3) A taxa de inflação, se nos mantivermos no euro, será de 2%/ano (garante a Alemanha);
H4) A taxa de crescimento do PIB nos próximos 30 anos será de 1%/anos.

Fig. 4 - Estimativa para a taxa de crescimento do PIB nos próximos 30 anos
(dados: Banco Mundial, previsão do autor)

H5) Como o nosso défice público anda muito ligado ao défice comercial, o máximo que poderemos aspirar  de superávite para as contas do estado será o superávite conseguido pela Alemanha e pela China na década de 2000 para o seu saldo comercial: + 4.5% do PIB.

Fig. 5 - Balança comercial da China e da Alemanha, % do PIB (Dados: Banco Mundial)

Já posso fazer a simulação.
Dá uma taxa de juro limite de 5.5%/ano.

Isto é muito difícil para não dizer que é impossível.
As hipóteses consideradas têm risco.

Primeiro, é muito difícil que alguém alguma vez volte a emprestar-nos, a longo-prazo, dinheiro à taxa de 5.5%/ano.

Segundo, é muito difícil termos um superávite primário das contas públicas (e da balança comercial) de 4.5% do PIB. E mais num país habituado a défices enormes.
Passar de umas contas publicas com um saldo de -4% (sem juros) para + 4.5% é uma pancada de 15 mil milhões de euros que obriga a reduzir a despesa em 10% e aumentar os impostos em 15%.

Terceiro, o crescimento médio do PIB nos 13 anos de 2000 a 2012 ficou-se pelos 0.4%/ano pelo que não é certo que no período de consolidação consigamos um crescimento do PIB de 1%/ano.
Até podemos sonhar que vamos voltar a crescer 7%/ano como no ante-1974 mas isso é apenas um sonho lindo. Um sonho de quando éramos crianças e brincávamos às dívidas públicas.

Quarto, nos próximos 30 anos hão-de vir pelo menos mais quatro ou cinco crises tão graves como a actual. Olhando para os últimos 30 anos, o superávite comercial médio da China ficou-se pelos 2.1% do PIB e o da Alemanha pelos 1.1% do PIB (ver Fig. 5, linhas a tracejado).

Concluindo.
As taxas de juros implícitas de longo prazo da dívida pública estão proibitivamente elevadas.
11.53% é muito pior que o verificado no tempo do Sócrates o que indica que estamos numa situação muito pior que estávamos no dia em que o Sócrates se demitiu.
E ninguém no seu perfeito juizo pode garantir que as taxas vão diminuir nos próximos 10 anos.
Ninguém, a menos que alguém fale com Deus.
Podemos apresentar muitas desculpas e muitas histórias para justificar que os "7% do Sócrates" eram muito piores que os "11.53% do Passos Coelho" mas não passam de uma cantilena para adormecer o boi.
Como pode o Gaspar dizer que estamos no bom caminho se não indica minimamente como se podem arranjar os 15 mil milhões de euros em falta?
Vai ser impossível pagarmos o que devemos.

Mas ainda há notícias positivas.
A minha amiga Manuela perdeu o seu gatinho cujo corpo foi para debaixo da árvore e a alma para o céu.
Mas está praticamente com a sua tese de doutoramento concluída.
Claro que está uma pilha de nervos porque "os últimos dias" são os que custam mais a ponto de haver a Nossa Senhora dos Últimos Dias e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Mas passam depressa.

Fig. 6 - Estou mortinho que a Manuela entregue a tese porque prometeu que, depois, vai trazer esta mulher para almoçarmos juntos. Vamos a isso rápido.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 23 de março de 2012

Estive na Universidade de Aveiro - Parte I - a bancarrota

O NEEC-AAUAv convidou-me para dar uma comunicação sobre a saída do Euro.
"Tratou-se de um gesto de confiança dos Portugueses que muito me honra. Senti, naturalmente, o peso desta responsabilidade histórica." (retirado do tal prefácio do Cavaco). 
Aceitei e lá fui com toda a alegria.
Tinha que estar lá às 16h00 e, como saí um pouco atrasado da FEP (às 15h12), fui pela auto-estrada à velocidade supersónica de 120km/h. Nem sabia que a minha máquina dava tamanha velocidade. Estacionei a minha nave espacial (sim, move-se no espaço) em frente à reitoria às 16h03 e ainda tive que correr a toda a velocidade, sempre a perguntar onde ficaria o edifício de Economia, para chegar à hora, mais ou menos.
    - É lá ao fundo, depois daquela curva. 

Mamã, porque será que o Moisés andou 40 anos perdido?
Em pequenino fiz esta pergunta à minha mãe. Sendo o a Península do Sinai  um território relativamente  pequeno (200km de largura e 350km de altura) e sem rios nem montanhas, parecia-me impossível o Moisés ter andado por lá perdido 40 anos. Ainda mais estranho é, logo a seguir à sua morte, a viúva ter  descoberto como se saía dali.
   - Meu filhinho, o Moisés era como o papá que, por mais perdido que esteja, nunca pergunta o caminho.
Dizem historiadores que os pastores que por lá andavam viam aquele povo a caminhar de um lado para o outro sem tino mas pensavam que eram de uma dessas provas de "ultra-maratonas no deserto".
Quando perguntavam ao Moisés "que destino devemos tomar?" respondia como os nossos políticos: "a culpa é de Deus que me confunde os caminhos" (actualmente Deus dá pelo nome de "Santa Crise Internacional").
Mas não, a razão está nos homens não procurarem, em diálogo com os outros, um rumo.
   - Mal o Moisés morreu, a viúva, que era uma Etíope habituada ao deserto, fez uma perguntas aos pastores e passada meia hora já estavam a cruzar o Jordão.

O povo da organização já estava aflito.
Às 14h07 cheguei a um local onde estava uma pequena multidão. Pensei que estivessem alí por ser intervalo das aulas mas não. Por estranho que pareça, estavam ali para me ouvir.
Foi uma demonstração do extraordinário dinamismo das raparigas do NEEC. Mandaram e-mails, afixaram cartazes, intersectaram o povo na rua e, assim, conseguiram arregimentar cerca de 100 pessoas para me ouvir (87 assinaram a folha de presenças).
Foi um recorde para o meu guinness.
A primeira coisa que notei é que o departamente de Economia fica num sítio muito bonito, dando directamente para a Ria de Aveiro.

Fig. 1 - Saindo do edifício de Economia da UA, tirei esta fotografia.

Estará na hora de Portugal sair da Zona Euro?
Foi este o título da comunicação e o pensei para seu objectivo que "está na hora de tomar  uma decisão" (sair ou tentar ficar) mas para isso "precisamos de informação".
A minha comunicação iria apresentar toda a informação "objectiva" necessária à tomada de decisão quanto à saída do Euro.
Prometi não haver nenhum enviesamento a favor da saída mas apenas informação. Apesar de a objectividade ser muito difícil de alcançar, temos que fazer um esforço e, no caso de não o conseguirmos, devemos explicitar que temos uma certa queda para um dos lado.
Se nós estamos certos, se temos confiança no que afirmamos então, a objectividade indicará a nossa opinião. Se temos que esconder alguma coisa, é sinal de que estamos errados.

Então, será preciso saber o que é necessário fazer para nos podermos manter no Euro.
Não basta dizer que queremos ficar, que temos que ficar ou que será uma tragédia sair.
Para podermos ficar temos que fazer coisas e é preciso saber que coisas são essas.
Eu pensava que iria expor o meu caso em 30 minutos mas não consegui.
Falei como uma picareta durante 90 minutos. É obra o povo ter aguentado. Por ser tão extensa, vou dividi-la em 2 postes. No primeiro, este, vou falar como chegamos à bancarrota e na segunda parte, a fazer qualquer dia, vou explicar como vamos sair da camisa de forças em que nos metemos.

PARTE I - Como chegamos à bancarrota

A Teoria das Zonas Monetárias
A Moeda serve principalmente para que exista um preço nominal para cada bem e serviço transaccionado na economia. Sem moeda, havendo 1000 bens e serviços, seria preciso que houvesse 999 preço para cada bem e serviço da economia. Isso daria 499500 preços relativos.
Com moeda (como unidade de preço relativo), só será preciso haver 1000 preços porque com os preços nominais é possível obter qualquer um dos 499500 preços relativos.
Por exemplo, se temos milho = 0.15€/kg e galinha = 1.65€/kg, então calculam que 1 kg de galinha = 13 kg de milho.

Se uma zona monetária for maior, haverá vantagens.
Em termos financeiros é evidente que:
   1. Diminuem os custos de câmbio das moedas;
   2. Diminui o risco cambial (nos contratos que prevêem pagamentos futuros em moeda estrangeira).

Estas vantagens têm implicações económicas positivas:
   3. Aumenta o comércio entre os países o que favorece a exploração das vantagens comparativas;
   4. Abre novas oportunidades de investimento transfronteiriços o que favorece o crescimento;
   5. Aumenta a mobilidade dos factores de produção o que favorece a convergência real.

Mas a evidência histórica diz que cada país tende a ter a sua moeda.
Tirando o exemplo da Zona Euro (que dura há apenas 13 anos e, prevejo, não durará muito mais), as zonas monetárias com mais que um país têm um país grande (por exemplo, a Índia) e um pequeno (por exemplo, o Nepal).
Pegando nos países (que representam as zonas monetárias) e regredindo o PIBpc contra a dimensão do país em termos de população, não vemos nenhuma tendência de aumento do PIBpc com a dimensão da zona monetária (ver Fig. 2).

Fig. 2 - Relação entre PIBpc e dimensão das zonas Monetárias

Apesar de não ser um resultado estatístico forte, os dados (Fig 2) parecem indicar haver uma dimensão óptima para a ZM que estará entre os 35 e os 100 milhões de habitantes. Na Europa, 65% das pessoas vive em países com esta dimensão "óptima" o que não deve ser só coincidência.

Porque falham as Zonas Monetárias multi-país?
Como a teoria parece indicar que uma zona monetária maior é mais eficiente e isso não se verifica, tem que haver razões teóricas para esse "fracasso".

As vantagens são pequenas.
Os custos de câmbio reduziram-se a quase zero.
Actualmente, com os meios electrónicos de pagamento é possível fazer pagamentos automático (com Visa ou Maestro) com um câmbio instantanêo que tem reduzidíssimos custos. É apenas um conta feita por um computador e meia dúzia de bits por um canal de Internet.
Tem menor custos de produção que pagar a portagem numa ex-SCUT em que se passa por um pórtico, a câmara capta a nossa matricula, o computador vai a uma base de dados e lança lá um movimento a débito. Já está.
Se há pórticos que cobram 0.25€, naturalmente que os custos de cobrança são extremamente baixos, menores que 0.05€/transacção.
Num movimento de 100€, são 0.05%.
Isto não é suficiente para ser considerada uma vantagem.

O risco cambial pode ser coberto com instrumentos financeiros (swaps de divisas).
Supondo um contrato de fornecimento de um navio que será pago daqui a 5 anos em Dólares Americanos, USD, o fornecedor pode fazer hoje um contrato de troca entre USD por Euros a executar daqui a 5 anos a um cambio previamente acordado.
Assim, mesmo vendendo em USD, com o contrato de troca tenho o meu preço em Euros. Então, consigo cobrir o risco cambial.
Tem custos mas, como são movimentos electrónico, são diminutos, os tais 0.05%.

As desvantagens
Os ciclos económicos são desfasados
Ao longo do tempo a economia oscila entre períodos de "vacas magras" e de "vacas gordas". Faz parte da realidade económica e não há nada a fazer. É mesmo assim. É como no Verão fazer calor.

Fig. 3 - Evolução do PIBpc ao longo do tempo (fonte: Banco Mundial)

O ciclo económico não está perfeitamente em fase em toda a parte do mundo. Quanto mais distante em termos económicos estiverem dois países, menor é a correlação entre os seus ciclos económicos. Em termos de correlação linear entre o PIBpc temos, por exemplo (1970-2010, fonte: Banco Mundial):

     Portugal / Espanha             0.704
     Portugal / Alemanha           0.569
     Portugal / Coreia do Sul     0.233
     Portugal / Paquistão          -0.122

Como os países não estão na mesma posição do ciclo económico então, as políticas macroeconómicas de estabilização das condições económicas médias da Zona Monetária irão instabilizar os países pequenos e periféricos.
Mais instabilidade implica ajustamentos mais violentos que apenas serão possíveis de fazer se as economias forem muito flexíveis (se houver a possibilidade de, nos períodos de "vacas magras",  ocorrerem descidas nominais nos salários e nos preços).

A evolução da economia portuguesa, grega e alemã no contexto europeu
É repetidamente afirmado que
  Q1. A entrada na União europeia e na Zona Euro foram positivas para Portugal e para a Grécia;
  Q2. O país que mais ganhou foi a Alemanha.
Mas isto é senso comum que precisa ser avaliado com os dados.
Então, peguei no PIB por cada pessoa em idade activa (com idade entre 15 anos e 65 anos, fonte: Banco Mundial) e fiz um gráfico da sua evolução em Portugal e Grécia (os países em bancarrota) e a Alemanha (o tal país que alegadamente nos suga).
Para avaliarmos o dinamismo económico de um país penso ser importante retirar da análise as pessoas sem capacidade de trabalhar (os menores que 16 anos e os maiores que 65 anos).

Fig.4 - Evolução do PIBpcia 1960-2010 (fonte: Banco Mundial, cálculo meu)

O choque petrolífero.
Antes do choque petrolífero de 1973, Portugal e Grécia cresceram à taxa de 7.5%/ano enquanto que a Alemanha cresceu à taxa de 1.8%/ano.
Se tivéssemos continuado a crescer assim, atingiríamos o estado de desenvolvimento da Alemanha em 1985. Mas tal não aconteceu.
Mas, depois de 1973, o nosso crescimento reduziu-se a 0.85%/ano.
O crescimento da Alemanha parece pouco mas é equiparado ao dos USA e leva à duplicação da riqueza produzida por cada pessoa em idade activa a cada 40 anos.

A Entrada na União Europeia
Portugal, com o Cavaco, aumentou o crescimento para 3.3%/ano. E a Alemanha continuou serena no seu "lento" crescimento de 1.8%/ano.
Mais grave para Portugal foi que, depois da nossa entrada na Zona Euro, o crescimento caiu para (considerando 2011) 0.4%/ano.
Apesar das arrancadas, no período 1973-2010, o nosso crescimento foi exactamente igual ao da Alemanha, 1.64%/ano.
Apenas de no período pós-Choque Petrolífero de 1973 a taxa de crescimento da Alemanha ter diminuído,  manteve-se estável nos 1.64%/ano. E a entrada na Zona Euro não teve qualquer efeito positivo perceptível.

A evolução relativa.
Como a Alemanha manteve o seu crescimento lento mas certo, no final acabou por ganhar muito terreno à Grécia (que passou de 68% do PIBpcia alemão em 1973 para 50% em 2013) e manteve-se taco a taco com Portugal (que passou de 48% para 55% mas que vai voltar em 2013 para os 48%).
Faz lembrar a história da lebre e da tartaruga. A gente adormeceu.
Fig. 5 - Em relação à Alemanha, em 2013 voltamos ao nível de 1973 (fonte: Banco Mundial, cálculo meu) 

Conclusão
    Q1. NÃO. Em termos económicos, a entrada na Zona Euro não foram positivas para Portugal nem para a Grécia (ver Fig. 5). Para a Grécia a entrada na União Europeia foi muito negativa e a entrada no Euro foi inicialmente positiva mas foi sol de pouca dura (foi devido ao endividamento).
    Q2. NÃO. E a Alemanha continuou o seu "lento" caminho, não parecendo ter aumentado nem diminuído a taxa de crescimento da sua economia com a entrada no Euro (ver Fig. 4).

Por que diminuiu tanto o crescimento de Portugal e da Grécia em 1973?
Atingimos a fronteira tecnológica ou fizemos de conta que sim.
Os países menos desenvolvidos podem aproveitar a tecnologia dos países ricos para se desenvolverem por imitação. Para isso têm que se deixar os sonhos do Choque Tecnológico, a maluqueira do Sócrates de nos transformarmos nos líderes mundiais das energias alternativas, e procurarmos tecnologia adequadas ao nosso nível de desenvolvimento e que estejam disponíveis a preço de saldo.

As eólicas
Agora os esquerdistas (onde se encontram os que assinaram os contratos com as eólicas e a co-geração) querem que o Passos rasgue os contratos. Eu já tinha avisado em 2006 que a energia "alternativa" era cara (ver, Nuclear reduziria em 50% factura da electricidade). Chamaram-me maluco. Que metesse o reactor em minha casa.
Agora berram que a electricidade é cara. Já me sinto como o Cavaco ("eu bem tinha avisado").

A importação da tecnologia automóvel.
O projecto de um automóvel e o desenvolvimento das prensas e robôs que fazem automóveis demorou dezenas de anos e custou milhares de milhões de euros às contrutoras pelo que não seriamos capazes de o fazer. O Cavaco, aproveitando os fundos estruturais, negociou a instalação em Portugal da fábrica de automóveis da AutoEuropa em Palmela (1991) e a expansão da Peugeot-Citroen de Mangualde (por volta da mesma data). Hoje, Portugal exporta quase tantos automóveis e peças (5.4MM€) como Têxteis e Vestuário (4.1MM€) mais Sapatos (1.5MM€).
A partir de 1973, apesar de termos um nível de rendimento na ordem da metade do da Alemanha, passamo-nos a comportar como se fossemos ricos (apareceram as férias, os subsídios de férias e Natal, houve a redução do horário de trabalho das 48h/s para 40h/s, o aumento da proporção do PIB afecto a salários e a redução da poupança).
 - Também temos direito
Então, ficamos pobres porque faltam factores de produção (falta investimento físico e escolaridade).

Por "coincidência", em 1973 o Japão igualou os USA.
Foi exactamente em 1973 que o Japão deixou de crescer como um país atrasado (+7.3%) e passou a crescer como um país na fronteira tecnológica (+1.7%/ano). A partir desse ponto, o país já não consegue crescer por imitação pelo que se passou a comportar como as economias mais desenvolvidas.
Notar que o Brasil nunca teve o crescimento próprio de uma economia em desenvolvimento tendo, no máximo, atingido um crescimento do PIBpcia de 4%/ano.
Para digerir a tecnologia importada a preço de saldo, o povo não pode classificar as ideias do exterior como "colonização" mas antes como "ajuda ao seu desenvolvimento".

Fig. 6 - Em 1973, o Japão atingiu o PIBpcia dos USA (fonte: Banco Mundial, cálculo meu)

Os preços aumentaram.
A entrada na Zona Euro iniciou um processo de alteração dos preços relativos. Alguns países acumularam inflações mais elevadas que a média (os que estão agora em dificuldades) e outros ficaram abaixo da média
      Alemanha   119.1
      Portugal      134,0       +11.1%
      Ireland         136,9      +13.0%
      Spain            139,4      +14.6%
      Greece         146,7      +18.8%
(2010, 100 em 1998, fonte: Banco Mundial)

Os salários aumentaram (e o horário de trabalho diminuiu).
Desde que entramos no Euro, a redução do horário de trabalho (de 45h/s para 40h/s) induziu um aumento dos custos do trabalho em 12.5%. Acresce que, por exemplo, o Salário Mínimo Nacional aumentou no período 2005-2010 15% acima dos aumentos da produtividade.

Fig. 7 - Comparação entre a evolução do PIBpcia e o Salário Mínimo Nacional

O Dólar Americano desvalorizou significativamente
Relativamente à cotação média do USD no período 2000/2002 (0.90USD/Euro), o USD desvalorizou um máximo de 42% em finais de 2008 (para 1.55USD/Euro) estando actualmente em 1.35USD/Euro que representa uma desvalorização de 33% relativamente à data da nossa entrada no Euro.
Esta desvalorização prejudica as nossas exportações denominadas em USD e representa uma concorrência acrescida nos mercados denominados em Euros.

Fig. 8 - Evolução da contação do USD/Euro (fonte: FED)


A Balança Corrente desequilíbrou-se
O aumento dos preços, dos custos do trabalho e a desvalorização do USD criaram dificuldades acrescidas às nossas exportações e tornaram mais atractivos os produtos importados.
Naturalmente, as nossas contas com o exterior desequilibraram-se.
Importarmos mais que exportamos aumenta a nossa qualidade de vida mas ficamos endividados.

Fig. 9 - Evolução da balança corrente portuguesa (Fonte: Banco Mundial e Banco de Portugal)

Os desequilíbrios externos persistiram e foram-se acumulando ao longo dos anos atirando-nos para a zona de "perigo de bancarrota" juntamente com a Grécia. ficamos mesmo encostadinhos um ao outro.

Fig. 10 - Défice Corrente acumulado nos países da Zona Euro (Fonte: Banco Mundial)

No espaço de 13 anos, Portugal e a Grécia acumularam (acumulamos) um défice corrente próximo de 120% do PIB e nos últimos 3 anos (a resposta à crise do "subprime" tivemos défices próximos dos 12% do PIB por ano).

Não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe.
Com um Défice Corrente persistente de 10% do PIB (rever Fig. 8) algum dia iríamos ficar sem crédito.
Nunca nenhum país, em tempo de paz, conseguiu a proeza de acumular um défice corrente de 120% do PIB em tão curto espaço de tempo.
Nós, juntamente com os gregos, somos povos pioneiros da grande calotice. Vamos para o Guinness por esta proeza.
Mas algum dia isto iria acabar. E acabou em Janeiro de 2010.
Nessa altura, as taxas de juro dispararam dos 4%/ano para os actuais astronómicos 13.5%/ano
Agora, apenas temos algum dinheiro porque os países nossos amigos nos estão a ajudar.

Fig. 11 - Evolução das taxas de juro a 10Y (implícitas) da dívida pública.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 17 de março de 2012

Eu estive a ler o prefácio do Cavaco Silva

Aquilo é tão chato.
Repete, repete, repete, mastiga, mastiga, mastiga, e pouco diz. É um bom exemplo de como escrever mal. O melhor será o Cavaco, doravante, pedir à professora que ajudou a Carolina Salgado a escrever o Eu Carolina que lhe reveja os escritos. Concerteza que passarão a ser mais interessantes.
A coisa é tão chata que não será difícil escrever qualquer coisa mais interessante.

Valerá a pena ler o dito cujo?
Falar do Benfica é deprimente (está equiparado ao Braga), do Porto dá stress (parece sempre que vai perder), de mulheres boas entristece (vemo-las ao longe) pelo que fica o prefácio do Cavaco. Mas como aquilo é tão chato, tão chato, tão chato, de certeza que ninguém vai ler aquilo pelo que a comunicação social pode falar do assunto sem ler a coisa. Como ninguém vai ler, vão-se criar múltiplas interpretações sobre "o que o fulado disse sobre o que o Cavaco terá escrito". Mas ler, nem pensar pois, quem o tentou,  adormeceu para um estado de coma profundo.

O Cavaco pediu para que o povinho lesse o prefácio
Diz ele que são poucas páginas. Já nem pediu que lêssemos o livro tudo, contentando-se com o prefácio.
Se as entradas são tão chatas, imagine como será o prato principal. Deve ser capaz de fazer adormecer profundamente um ciclista enquanto pedala a subir a Serra da Estrela.
Ahhhhh, agora percebi. Quando Jesus foi ressuscitar o Lázaro, de facto ele não estava morto. Tinha começado a ler o prefácio do Herodum Cavacum, estadista similar ao nosso presidente. Na processo de reanimação, Jesus ameaçou,
- Levanta-te Lázaro senão eu leio mais um pouco do livro
- Nãããããaaaaaa, gritou imediatamente o comatoso Lázaro Santos Pereira ficando logo vivinho da silva.

Primeiro, o título do livro, Roteiros IV é aziago.
Faz lembra o famoso PEC que arruinou o Sócrates, o PEC IV.
O Cavaco deveria fazer como na tropa onde os mancebos passam do número 10 para o 12 ( o número do seminarista) e do número 68 para o número 70 (o número da besta).
Meter qualquer destes números num mancebo, seria uma condenação à chacota e vexame eternos.
Ainda quando fossem velhinhos, no lar da 4.a idade, diriam,
- Aquele ali é o 69.
Seria mais inteligente passar do "Roteiros III" para o "Roteiros MMXII".

Fig. 1 - O número da besta.

Vamos agora ao prefácio
Tem 6500 palavras o que dá 15 páginas de texto.
Para um coisa anunciada como pequena, isto é muito grande. É como a coisa do elefante que só é pequena na óptica da baleia.
Mas 15 páginas para dizer o quê? Que o Sócrates foi desleal? Bastavam, mesmo com 5 repetições, umas 100 palavras.

Fig. 2 - Esta baleia é tão pequenina. Só pesa 6500kg.

O Cavaco adoptou a estratégia de comunicação da esquerda
Pega em meia dúzia de palavras e repete-as

1. Toma e embrulha. Atacaram-me na campanha eleitoral mas eu ganhei à primeira volta.

2. Eu já tinha avisado que caminhávamos para a bancarrota. Dizem que eu estive calado mas eu não me cansei de martelar na cabeça do Sócrates.

3. O Sócrates trafolhou-me. Eu lia os números oficiais que eram preocupantes mas ele vinha sempre com informação de última hora a dizer que estava tudo bem para não dizer que estava óptimo. O Sócrates mentia a mim e ao povo.

4. É quinta-feira, marretada. Aproveitava as reuniões da quinta-feira com o Sócrates para lhe dar cabo da cabeça. Ele saia de lá cheio de galos pois eu não me cansava de o marretar. Pumba, pumba, pumba, pumba.

5. O Sócrates não me ligava nada. Eu bem marretava, marretava, mas ele mantinha-se sempre na dele.

6. O Sócrates avançou com o casamento gay. Para anestesiar o povo. Quando eu falava, ele atacava com um porcaria qualquer e já ninguém me ligava. Era dar uma comunicação ao país em simultâneo com o Futre. 

7. Eu não podia fazer mais nada. Eu queria tirar de lá o Sócrates mas não podia e o PS não queria. Pensei em dissolver a Assembleia da República mas as sondagens diziam que o Sócrates voltava a ganhar. Estava atado de pés e mãos pela campanha desinformativa do Sócrates. Tive que esperar pelo momento certo.

8. Cooperação estratégica. Sendo que não podia fazer nada, tentei o meu melhor pedindo colaboração ao PSD para tentar controlar o manicómio em que Portugal se tinha transformado.

10. Falta de lealdade. Foi o nome de código da batalha final que levou à derrota do Sócrates. Dedico no prefácio uma secção à historiografia dos desenvolvimentos tácticos desta famosa batalha.

A táctica da batalha

A) O Sócrates mordeu o isco. Como eu lhe marretava a cabeça, o Sócrates pensou que a Sr.a Merkel ao aceitar um plano de austeridade, eu ia ficar ainda mais amarrado. Então apresentou o PEC IV no exterior antes de o fazer a mim e ao PSD. Mordeu o isco. Fiz-lhe um derrote que ele ficou confundido e demitiu-se porque as sondagens diziam que ele iria ganhar outra vez.


B) Lancei a uma granada aos partidos. Reuni o Conselho de Estado dizendo aos partidos para fazerem um esforço adicional para encontrar um compromisso. Tudo falso.

C) Armas que utilizei.
  1."O governo não me comunicou nada";
  2. "Fiquei impedido de realizar uma magistratura de influência";
  3. "Foi o Sócrates que se demitiu";
  4. "Os partidos é que defenderam a dissolução da Assembleia da República";
  5. "Não podia obrigar ninguém a coligar-se com o Sócrates";
  6. "Eu acreditava na informação do Governo; caso contrário, teria de admitir que este a deturpava";
  7. "Eu gostava do Sócrates. Mandou-me 1741 diplomas e eu promulguei-os todos"

O Pós Guerra - Eu sou um santo incompreendido.
Os da comunicação social são uns esquerditas ressabiados e ignorantes que apenas querem dar cabo da minha paciência. Eles sabem a verdade mas, como eu os derrotei apenas com a minha grande inteligência, seriedade  e conhecimento, esses esquerdista iniciaram uma campanha de guerrilha contra mim e contra Portugal.

O Cavaco deveria escrever um prefácio ao prefácio.Tipo o resumo daquelas obras que é preciso ler no secundário.

Eu sou o maior, sou um génio, sou o Cavaco.
Sou sério, inteligente, conhecedor da realidade e leal para com o povo português que, ao votar em mim, demonstra que o sabe. Agradeço essa honra.
O Sócrates era terrível. Além de deturpar a verdade, conduziu Portugal à bancarrota.
Eu, sabendo disso, dei início à guerra de destruição total do socratismo.
Comecei, lentamente, a dizer ao povo que caminhávamos para uma tragédia. Aparentemente  ninguém queria acreditar porque o bicho usava técnicas informacionais difíceis de anular num ataque directo, mas fui enervando a onça. Depois, no privado das reuniões da quinta-feira, eu ficava com o braço a doer de tanto marretar a cabeça do bicho.
Nem lhe dava tempo para pensar, era marretada atrás de marretada.

Eu sou o maior, sou um génio, sou o Cavaco.
Não podia usar um ataque mais forte porque senão ele ganhava outra vez as eleições.
Mas tanto dei que levei o bicho ao erro: apresentou o PEC IV à Sr.a Merkel sem me dizer nada. Foi burro porque era disso que eu estava à espera.
Pumba, iniciei a batalha final: "a falta de lealdade".

Eu sou o maior, sou um génio, sou o Cavaco.
Oficialmente eu não fiz nada. O Sócrates é que se demitiu, os partidos é que disseram que queriam a dissolução da Assembleia da República. Eu ainda "tentei um compromisso" mas "revelou-se uma perda total de tempo".
Mas a mão era a minha. O bicho estava desequilibrado pelo que eu apenas o conduzi à queda total.
Foi um estrondo lindo.
Mais difícil foi eu ter consegui que o Pedro Passos Coelho ganhasse as eleições ao Sócrates. Custou mas, com a ajuda do Catroga e do Vítor Bento, dei cabo do bicho. Ainda não é tempo para falar disto.
No final até me recordei dos tempos da Salazar: o bicho só parou em Paris.
Eu sou um génio e toda a gente o sabe. Mas os esquerdistas, demagogos e ignorantes da comunicação social andam a dizer mal de mim. Pensam que me vão derrotar mas esperem para ver. Até vão deitar fumo pelas orelhas.

Eu sou o maior, sou um génio, sou o Aníbal Cavaco Silva.

Um abraço ao povo português.

Fig. 3 - Dar cabo do bicho deu-me uma enorme alegria. Pena ter que lá meter aquele rapazola da Jota e o Portas de quem não gosto nada. Mas não perdem pela demora.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 15 de março de 2012

As operações de LTRO não são emissão de moeda

O que é o LTRO - Long Term Refinancing Operation?
O Banco Central Europeu controla o nível geral de preços (a inflação) usando empréstimos de curto prazo (MRO - Main Refinancing Operation) e de longo prazo (LTRO).
Normalmente os contratos de curto prazo duram 1 semana e os de longo prazo entre 3 e 6 meses.
Nos tempos mais recentes o BCE lançou dois LTRO com um prazo anormalmente elevado, 3 anos.

Fig. 1 - Não te preocupes que o Banco Central Alemão vai-te ajudar.

De facto o BCE não existe.
O BcE define uma política mas são os bancos centrais dos países que lhe dão cumprimento.
No caso, o BCE decidiu lançar 1000 milhares de milhões de euros mas quem cedeu os crédito foram os Bancos Centrais Locais.
Por exemplo, foi o Banco de Portugal que cedeu os créditos aos bancos portugueses e que "recolheu" os colaterais (as garantias pois os movimentos do BCE são contra garantias) e compensou esses empréstimos com dívida ao BC alemão.

Fig. 2 - O Euro Sistema materializa-se com os Bancos Centrais Nacionais
(Setas: fluxos de crédito, Verde: bancos superavitários; Vermelho: bancos deficitários)

Esta operação do BCE não foi uma emissão de moeda.
O sistema de refinanciamento não emite moeda. As estatísticas do BCE indicam que a quantidade de euros em circulação (valor das notas e moedas nas carteiras das pessoas e nos bancos) até diminuiu de 883,7 MM€ em 17 Jan 2012 para 868,8 MM€ em 13 de Março de 2012, -1,69%.

A quantidade de notas e moedas de euros em circulação é muito pequena.
Se, como esses analista ignorantes que aparecem na TV anunciam, o BCE tivesse feito entrar 1000 MM€  de novas notas em circulação (emitisse moeda), aumentaria em 115% as notas em circulação o que faria a taxa de inflação da Zona Euro explodir para mais de 100%/ano.
É engraçado como os comentadores especialistas em questões de economia, além de perceberem tão pouco, não se dão ao trabalho de ir consultar as estatísticas do BCE.
Bem, nem os professores se dão a esse trabalho e, em teoria, falam para alunos informados, quanto mais quem fala para a massa ignorante que apenas gosta de ouvir falar no "grande capital", "os bancos", a "bandalheira das rendas excessivas" e outras palavras sem conteúdo.

Fig 3 - Valor das moedas e notas de euros em circulação, MM€ (fonte: BCE)

Os LTRO são apenas uma intermediação entre os bancos que têm excesso de recursos (do Norte) e os bancos que têm défice de recursos (do Sul).
Normalmente esta compensação é feita no Euro Mercado Interbancário (de que resulta a EURIBOR). Como este mercado está inoperante porque os bancos com défice de recursos têm um nível de risco inaceitável (estão falidos), quem tem recursos deposita-os no Banco Central Local.
O BCE apenas deu ordem para que os Bancos Centrais com excesso de recursos enviassem esses valores para o bancos centrais deficitários.
No final, os recursos são emprestado pelos bancos sólidos aos bancos falidos (é o "refinanciamento") com a intermediação dos Bancos Centrais (do euro sistema).
Mas é um movimento contabilístico que permite o rollover da dívida dos bancos do SUL aos residentes no Norte e permite manter os défices das contas externas dos países do Sul.

O presidente do Banco Central Alemão veio refilar.
Porque, feitas as contas finais da operação, o BC Alemão ficou a arder em 500 mil milhões de euros, tendo este dinheiro ido principalmente para o Banco Central da Grécia, Itália, Espanha e Portugal.
E 500 mil milhões é muito dinheiro correspondendo a 20% do PIB alemão.
É a poupança do povo alemão face ao exterior dos últimos 3.5 anos.


Fig. 4 - Balança Corrente Alemã anual, MM€ (fonte: Banco Mundial)

E o BC Alemão não recebeu qualquer garantia para esse empréstimo. Nem está claro que lei se aplica a esses empréstimos.

E o que acontece se um banco for à falência?
Os bancos depositam garantias quando recebem os créditos do Banco Central mas quem avalia as garantias é o BC de cada país e fica com elas. Assim, o Banco Central Alemão não sabe se as garantias são de facto garantias ou se são puro lixo tóxico.
Se imaginarmos que os bancos portugueses usam dívida pública portuguesa como garantia e que esta  (a 10 anos) já só vale metade do par então, o Banco de Portugal apenas garantias para metade dos 50 mil milhões de euros canalizados da Alemanha.

O desvalor da dívida pública portuguesa.
Apesar de a dívida pública ter um determinado cupão (juro) e valor nominal (o valor que se vai receber no futuro, o par), a alteração das condições de mercado fazem com que o valor de mercado da obrigação seja diferente do valor facial.
Se a taxa de juro diminuir, o valor de mercado da obrigação aumenta (e vice-versa).
Imaginemos que a dívida pública foi emitida à taxa de juro de 5%/ano e que faltam 10 anos para a maturidade. Como a taxa de mercado está nos 4%/ano, os título de dívida pública desvalorizaram de 100€ para 53.00€.
Então, o as suas garantias estão diminuídas de 50MM€ para 26.5MM€.
Se o BCE fosse rigoroso, o Bando de Portugal teria que obrigar os bancos portugueses a arranjarem um reforço das garantias en 23.5MM€ de novos colaterais.
Onde é que os nossos bancos têm tais activos sem risco?
Agora imaginem as garantias que os bancos gregos têm depositadas no BC da Grécia.
Fig. 5 - Isto é um satélite grego (de fazer torradas espaciais) dado ao BE como garantia de 10MM€.

E que acontece se um banco central grego, português, espanhol ou italiano bancarrotar?
Aí é que não se sabe e por isso é que os alemães estão preocupados.
As garantias não excluem o banco das suas obrigações pelo que, se um banco for à falência e as garantias não chegarem, o Banco Central vai buscar o que puder à massa falida.
Mas se os bancos de um país falirem em massa, como é muito provável que aconteça na Grécia (e em Portugal) porque grande parte da sua carteira de créditos está muito desvalorizada (dívida pública a não valer nada, as empresas públicas em incumprimento, contratos públicos a serem "rasgados", famílias a falir, empresas na bancarrota), o banco central não vai ter como cumprir com as suas obrigações face ao euro sistema.
E os Estados desses países não podem assumir a dívida do banco central porque também estão falidos.
Alemão perde.

O problema da lei que se aplica.
Quando a Grécia sair da Zona euro, a dívida ao BC Alemão ficará em Euros ou passam para Dracmas ao câmbio da hora da saída e depois sofre desvalorização?
É que não houve nenhum acordo quanto a isto.
O BC Alemão emprestou mais recursos que o previsto no Fundo de Resgate, e ninguém pediu ao Parlamento Alemão autorização para isto nem houve comprometimentos dos países falidos quanto ao pagamento destas somas.

Isto já aconteceu, na União Soviética.
No final da União Soviética, o Banco Central Ucraniano começou a "criar moeda" mediante movimentos contabilístico a descoberto.
Por exemplo, a empresa Uc (ucraniana) comprava 1000R de gás à empresa Rs (russa).
A Uc ia a um banco ucraniano que lhe colocava 1000R na conta que tinha obtido no BC ucraniano.
A Uc transferia os 1000R para a Rs que usava para pagar salários na Rússia.
Então, como o BC russo não tinha compensado os 1000R do BC ucraniano, havia um aumento da massa monetária o que causava inflação em toda a URSS.
Então,  a Rússia vendia o gás e não recebia nada em troca, era dado, porque a Ucrânia se apropriava de todos os "direitos de senhoriagem" da Zona Rublo (apenas ela emitia moeda).
Quando os bancos centrais das outras repúblicas descobriram este descontrolo, tentaram fazer o mesmo pelo que o Banco Central da Rússia deixou de aceitar ordens de pagamento em Rublos e o Rublo acabou.

Será assim que vai acabar a Zona Euro?
Irá acabar quando o Banco Central Alemão se a recusar a ceder mais crédito aos bancos centrais dos países bancarrotados.
Se as garantias que os bancos centrais estão a aceitar são "falsas", o risco de bancarrota dos bancos centrais vai crescer, os cidadãos alemães vão começar a ter consciência disso e vão fazer pressão para que o BC alemão se recuse a dar cumprimento às ordens do BCE, abandonando o euro sistema.

Será que há o risco de isto acontecer?
A Espanha ter relaxado a consolidação orçamental depois da operação do BCE indicia que, havendo dinheiro, faz-se fiesta.
Em vez de descer os custos do trabalho e fazer funcionar o mercado de trabalho, o mais fácil em termos políticos é aumentar a despesa pública.
O Banco Central Espanhol (e Português), enquanto os alemães estiverem a dormir, irá sacar crédito ao BC alemão para financiar os défices.
Não vale mais a pena ter austeridade.
Até o Alberto João já recomeçou a falar.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 6 de março de 2012

A short list foi adiada

Sei que estão com curiosidade de saber o resultado do prémio Wolfson.
Há pouco anunciaram no sitio que "Due to the sheer number of Prize entries, we will be publishing the shortlisted submissions later this month. Entrants who make the final shortlist will be contacted in advance. Further details on date for publication of the shortlist will be announced soon."

Vamos ter que aguardar mais um mesito.


Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 4 de março de 2012

O porquê da explosão do desemprego

Ao longo do tempo a economia sobe e desce.
Durante uns anos a economia expande (período das vacas gordas) e depois entra em contracção (período das vacas magras). Durante a expansão o PIB aumenta  e a taxa de desemprego diminui (podendo atingir 4% da população activa) e durante a contracção o PIB diminui e o desemprego aumenta (podendo atingir 10% da população activa).
Estas oscilações denominam-se por Ciclo Económico e têm um período de cerca de 10 anos.
  O Ciclo Económico não acontece em todo o Mundo ao mesmo tempo.  No entanto, quanto mais integrados forem os países (tiverem maiores relações comerciais) mais correlacionado no tempo está o ciclo económico. Por exemplo, no período 1980-2010, a correlação temporal do PIBpc entre Portugal e Espanha é de 0.81, entre Portugal e a Alemanha é 0.54 e entre Portugal e Grécia é de 0.24.

Fig. 1 - Evolução do PIBpc relativamente à média 1980/2010 (Fonte: Banco Mundial) 

Observando a evolução do PIBpc, identificam-se os ciclos de 1983/1993; de 1993/2003 e de 2003/2009. Em termos da "maioria dos países" agora estamos na parte da expansão do ciclo económico.
Naturalmente, os analistas do Sócrates indicaram-lhe que se iria safar porque a nossa economia iria começar a crescer em 2010, como as outras . Mas enganaram-se e o Sócrates foi-se.
E o Passos pensa que é em finais de 2012 que vamos retomar o crescimento. Mas também está enganado.

Uma das razões para o colapso das Zonas Monetária é o ciclo económico desfasado.
Até hoje ainda nenhuma zona monetária com vários países (de idêntica dimensão) resistiu à prova do tempo.
Como a fase do ciclo económico não é idêntico em todos os países (por exemplo, enquanto que actualmente os PIIGS têm taxas de desemprego muito altas, a Alemanha tem taxas muito baixas), não é possível conduzir uma políticas monetária adequada à situação de cada país.
Por exemplo, agora deveria ser conduzida um política de austeridade na Alemanha.
Quanto menor for a correlação de um país com o "centro" da Zona Monetária, mais difícil é manter-se na Zona Monetária.

Mas há zonas monetárias estáveis muito maiores que a Zona Euro.
Sim e que também têm o "problema do desfasamento do ciclo económico".
Por exemplo, a ZM do Dólar Americano tem 50 Estados e é geograficamente muito maior que a Zona Euro.
E, pelo contrário, a Zona Monetária da Jugoslávia era muito pequenina e integrada (tinham 10 milhões de habitantes) e entrou em colapso.
Então, a estabilidade não terá só a ver com a dimensão.

Eu penso que o problema está na democracia.
Num país o governo é eleito pelo "eleitor médio" pelo que, quando implementa uma politica que tem um efeito pernicioso sobre uma parte da população, esse grupo sente-se contido pela legitimidade democrática do governo.
Por exemplo, se 8 milhões de alemães quiserem uma inflação maior (10% da população), contentam-se com uma menor porque não têm nenhum representante eleito que lute pelos seus gostos.

Numa ZM em que o governo de cada país é eleito localmente, se, por exemplo, 8 milhões de portugueses quiserem uma taxa de inflação maior que a média dos alemães, vão eleger um governante que defenda esta política junto da governação da Zona Monetária.
Como agora os 8 milhões de portugueses estão representados por um governo com forte legitimidade democrática, desenvolvem-se na Zona Monetária tensões inultrapassáveis.

A competitividade das empresas
Uma empresa produz bens e serviços utilizando capital (máquinas, instalações, camiões, patentes, marcas, etc.), trabalho e matérias-primas & produtos-intermédios. Multiplicando as quantidades utilizadas pelo preço de aquisição resulta o custo de produção.
Depois, a empresa vende a sua produção no mercado.
Uma empresa é competitiva quando o preço de venda dos bens e serviços que produz é maior que os seus custos de produção.
A competitividade da empresa diminui quando aumenta a taxa de juro (que é o preço do capital) e o salário (que é o preço do trabalho).
Uma empresa monopolista (num mercado protegido) pode aumentar a sua competitividade aumentando o preço de venda dos seus bens e serviços. É o que acontece, por exemplo, com a EDP.
Uma empresa monopolista é sempre competitiva.
Uma empresa num mercado concorrencial não tem controle sobre o preço de venda.

Porque a nossa crise actual é diferente de todas as outras
Numa crise normal, já estaríamos a começar a crescer e o desemprego a diminuir (como a Alemanha).
Mas esta crise é especial porque nos últimos 15 anos foi conduzida uma politica suicida de endividamento externo.
Como o governo não tem coragem de mexer nos custos do trabalho, esse endividamento despoletou um "ciclo de perdição" que nos vai conduzir à bancarrota e ao abandono da Zona Euro.
Vamos ver como.

1- A entrada no euro e as baixas taxas de juro.
Ao aderirmos ao Euro o governo (e as empresas e as famílias) passou a ter acesso a uma fonte inesgotável externa de crédito a taxas de juro muito baixas. Depois, governantes populistas (primeiro o Guterres e depois o Sócrates), conseguiram convencer os eleitores de que o endividamento externo nos permitiria viver para sempre como se fossemos ricos.
Quanto ao pagar as dividas no futuro seria uma brincadeira de crianças.
Isso induziu um aumento no nível dos salários e nos preços o que fez com que as empresas exportadoras perdessem competitividade (a "doença holandesa") em favor das empresas que produzem coisas não exportáveis (obras públicas, casas, cafés e distribuição).

2 - O aumento do risco de falência do Estado e o aumento da taxa de juro.
Portugal conseguia-se financiar a longo prazo a taxas de juro idênticas às alemãs até que veio o normal período de crise de 2008/9 no qual a Islândia faliu. Então, a elevada dívida dos países periféricos da Zona Euro passou a ser visto como um risco de bancarrota o implicou a subida da taxa de juro exigida a Portugal.

E a Grécia bancarrotou.
Se compararmos com as condições alemãs (1.80%/ano em contratos de 10 anos), as pessoas que emprestaram dinheiro a 10 anos à Grécia estão a trocar 100€ por 5.10€. É a bancarrota total.
Interessante é o facto de os comunas parecerem bezerras no desmame quando as agências de rating disseram que havia o risco da Grécia calotear e, agora que bancarrotou, não vêm dizer que afinal as ditas sanguinárias acertaram e eles erraram.

O caso português não é tão grave.
Mas é como um médico olhar para uma pessoa que não respira há um ano e dizer que nós estamos bem de  saúde porque só não respiramos há 48 horas.
Há pessoas que emprestaram dinheiro a Portugal a 10 anos e que, por cada 100€, contentam-se em receber 32.81€.
Alguma coisa vai mal no reino de Portugal para as pessoas assumirem a perda de 67% do dinheiro que pouparam e emprestaram a Portugal. E poupar custa muito.
Será que quem está a assumir tamanhas perdas nas suas poupanças é maluco ou o nosso governo ao dizer na televisão que está tudo bem, que os 14.8% de desemprego foi uma surpresa e que vamos no bom caminho é que está maluco?
Se foi surpresa logo, são uns incompetentes.

3 - Efeito da taxa de juro na competitividade das empresas
O Estado transmite risco às empresas porque é um cliente importante e tem poder de império (por exemplo, aumenta os impostos, rasga contratos e não paga o que deve às empresas). Então, o aumento da taxa de juro da dívida pública vai-se transmitindo às empresas.
Aumentando a taxa de juro, aumentam os custos financeiros das empresas.
O aumento dos custos financeiros implica que as empresas se tornem menos competitivas.
Têm mais custos e o preço é o mesmo porque depende do mercado concorrêncial.

4 - Efeito da diminuição da competitividade no emprego.
O único sítio onde as empresas em mercado concorrenciais poderiam refletir os incrementos dos custos financeiros seria na redução dos custos do trabalho (mais horas de trabalho e menos salário).
Como a nossa lei o proíbe, o Seguro fica todo contente com o discurso dos "direitos adquiridos" e o nosso governo tem a cabeça oca e enfiada no buraco pensando que com o tempo tudo se resolve, os custos do trabalho têm-se mantido.
Então, as empresas pequenas vão à falência e as maiores encerram as actividades menos competitivas.
As falência e a redução de capacidade fazem aumentar o desemprego.

5 - O desemprego aumenta o risco de bancarrota do país.
Fecha-se agora o ciclo negativo.
Aumentando a taxa de desemprego, aumenta a despesa pública (em subsídio de desemprego e políticas de combate à pobreza) e diminui a receita fiscal (diminuição da actividade económica).
Então, o aumento do desemprego faz aumentar ainda mais o risco de que o Estado vá à bancarrota alimentando assim o ciclo negativo.


Fig. 2 - A explosão do desemprego 

Quando é que isto pára?
Para parar o ciclo negativo os custos do trabalho têm que reduzir o que apenas se consegue pelo aumento do horário de trabalho e pela redução do salário nominal.

Eu proponho uma medida de choque.
   1- O horário de trabalho aumenta de 40h/s para 45h/s.
   2 - Os salários aumentam proporcionalmente, 12.5% (para ser declaradamente constitucional).
   3 - Aumenta-se a TSU do trabalhador de 11% para
        20% para os salários menores que 675€/mês (que actualmente é de 600€)
        29.5% para os salários maiores que 1250€/mês (como os recibos verdes)
        Uma regra linear no intervalos [675€; 1250€].
Em termos nominais os salários mais baixos aumentam 1.1% e os mais altos descem 11%.
   4 - A receita adicional será usada na redução da TSU do empregador dos actuais 23.5% para 5%.

Esta dupla medida causará uma redução dos custos do trabalho em 15%.
Tem a vantagem de diminuir o custo de um trabalhador a ganhar o salário mínimo (principalmente no sector exportador) de 485€/mês para 412€/mês sem diminuir o rendimento disponível desse trabalhador.

Mas o Krugman diz que é preciso reduzir os salários em 30%.
Vamos supor que os custos do capital são 40% e os custos do trabalho 60% no Valor Acrescentado;
Que as empresas amortizam o capital em 7 anos;
Que a taxa de juro normal é de 6%/ano e que a taxa de juro "com risco de país" passou a 12%/ano.
Então, os custos de capital aumentaram 22%.
Desta forma, os custos do trabalho têm que diminuir 22%*2/3 = 14.9%
    22%*0.40 + x*0.60 = 0

Vêm daqui os meus 15%.
Quando forem implementadas as minhas medidas, a competitividade das nossas empresas retorna imediatamente à situação de 2009 pelo que a taxa de desemprego tenderá a diminuir rapidamente para uma taxa inferior a 10%.

Mas os número do Krugman não estão errados.
Mas a situação da nossa economia já não era famosa em 2009 porque os nossos preços têm aumentado (+2.73%/ano) acima da média dos preços da Zona Euro (+2%/ano).
Considerando o período 1999-2011, esta pequena diferença anual traduz-se numa perda de 9%.
Mas a redução destes 9% adicionais obrigaria à descida do nível médio dos preços (deflação).
Acredito que estes 9% podem ser conseguidos no processo de ajustamento.
Como disse o Mao, mesmo a maior de todas as marchas começa com um pequeno passo.

Ou então sair da Zona Euro
Sair para poder desvalorizar o Escudo 15%.
Não se pode dizer, por um lado, que os salários não vão diminuir e, por outro lado, que nos vamos manter na Zona Euro.
Faço aqui ao Pedro Passos Coelho a pergunta que fizeram ao Teixeira dos Santos (qual a taxa de juro que obrigará o Sócrates a pedir ajuda?)

Coelho, qual é a taxa de desemprego que te obrigará a diminuir os custos do trabalho?
Estás à espera dos 25%?

Faltam 2 dias para saber se estou na Short List do Wolfson
No dia 6 de Março comunicarão se o meu trabalho sobre a saída do Euro está seleccionado para o grupo dos 10 com mais potencial de ganhar. Isto dá-me um nervoso miudinho.
Os meus amigos dizem que fiz mal em anunciar que tinha concorrido porque acreditam que o meu trabalho não presta (imaginem o que pensarão os meus inimigos). Então, vou passar por uma grande vergonha.
Se eu não tivesse dito nada, ninguém saberia do meu fracasso.
Eu penso que é sempre positivo anunciarmos o nosso trabalho.

1. Esforcei-me mais.
Como não queria passar pela vergonha de perder, tive que aplicar um esforço redobrado.

2. Confio no meu trabalho.
Trabalhei com afinco e respondi a todas as questões que a situação colocava. Mesmo tendo decorrido mais de um mês desde a entrega e de ter consultado 5 outros trabalhos submetidos, ainda não encontrei nenhuma opção melhor que a minha.
Um deles até tem uma introdução muito parecida com a minha mas a proposta de saida é diferente: defendem que os PIIGS devem sair todos ao mesmo tempo e com o procedimento usado na Chekoslováquia: suspender a liberdade de circulação de capitais e fazer a transição num fim de semana.
Até vi um que dizia que a Grécia irá sair da Zona Euro no proximo fim de semana de 10-11 de Março ou no seguinte (17-18 de Março).

Fiquei com a convicção de que fiz tudo o que estava ao meu alcance e, se ganhar, não será uma grande surpresa.
Se perder não será por eu ser calaceiro. Aconteceu.
Imaginando que perdi, fico com curiosidade de ver o que propuseram os vencedores.
Acredito que possa haver trabalhos melhores que o meu mas estou com curiosidade para os ver. 

Perder será como ver o Real Madrid ser goleado pelo Barcelona. Fico triste porque gosto do Mourinho mas hipnotizado pela beleza do jogo do Guardiola.
Também espero que esse trabalho me deixe hipnotizado pelo brilhantismo da solução apresentada.

Estou a pensar arranjar uma amante.
Uma mulher dá muito trabalho pelo que será melhor uma amante casada e com filhos. Já tenho uma debaixo de olho. 
É jeitosa para não dizer que é boa como o milho e muito ingénua. Se eu lhe disser que preciso apalpar-lhe as mamas para ver se amanhã chove, ela acredita.
Com o pouco que disse já muita gente vai descobrir quem é. Se digo mais alguma coisa, torna-se público.
Ter uma amante será como um divorciado que tem um filho: quando está cansado de aturar a criança, manda-a para o outro. Quando ganha saudades, vai lanchar com ela à saida da escola.
E é positivo mesmo para o "enganado" pois, imaginando que há qualquer coisa no ar, tem que dar o litro. Vai passar a fazer umas caminhadas, umas dietas e a barba antes de "deitar".

Fig. 3 - A "candidata" a minha amante é parecida com esta. Pensando bem, esta amante vai contribuir mais para a minha felicidade que ganhar os 300000€. Imaginando 1000€ de felicidade por carimbadela, amortiza-se a coisa num ano.

Amante que se preze, faz a barba a toda a hora.
Dizem as mulheres que a barba-por-fazer fica bonito no Mourinho mas que é o que mais odeiam nos seus homens porque dá-lhes cabo da pele.
Outra vantagem de ter uma amante é que a mais chata das conversas se torna agradável.
Ninguém tem uma amante para conversar. Quando ela começa a falar da mulher a dias ter partido um prato qualquer; da criança ter batido num colega de escola; da mãe dela dizer mal do seu legitimo homeme; etc. a gente até se ri porque pensa "coitado do desgraçado que tem que aturar esta conversa".
    - Vamos ao castigo amor.
O amante é como o funcionário dos CTT: não quer saber o conteúdo da carta porque está ali apenas para carimbar.
Diz o povo na tua sabedoria
"Se vires um homem por barbear ou é solteiro ou está na hora de atacar".

Diz o marido para a mulher
  - Amor, o que faz aquele homem dentro do nosso guarda fatos?
  - Está a concertá-lo.
  - E precisa estar nu?
  - É por causa da traça, ficou com medo que lhe comesse a roupa.
  - Aaah, é um homem previdente. Nem eu, que me considero inteligente, me lembrava de tomar essa precaução. É uma profissão dificil, deve passar muito frio.
  - Pois.

Pedro Cosme Costa Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code