segunda-feira, 20 de novembro de 2017

O poder dos computadores na Engenharia

Este poste vai ser muito pequenino. 
E vai servir para avaliar o impacto do poder de cálculo dos computadores na construção de grandes obras.
Assim, vou comparar duas pontes que são totalmente iguais (arco de betão sobre o rio Douro) uma feita por volta de 1960 e outra por volta de 2001.

Ponte da Arrábida.
Construída entre 1957 e 1963 (em média, em 1960).
Desenhada e projectada à "mão" pela equipa do Eng. Edgar Cardoso.
Vence um vão de 270 m e tem uma largura de 26,5 m.
Construída em 6 anos, custou 1,2 milhões de euros o que, a preços de 2017, corresponde a 103,6 milhões de euros.

Fig. 1 - A Ponte da Arrábida tem um arco enorme

Ponte do Infante Dão Henrique.
Vence um vão de 280 m e tem uma largura de 20 m.
Desenhada e projectada em "computador" pela equipa do Eng. Adão da Fonseca.
Construída em 27 meses, custou em 2001 próximo de 14 milhões de euros o que, a preços de 2017, corresponde a 28,2 milhões de euros.

Fig. 2 - A Ponte do Infante tem um arco pequenino

A ponte da Arrábida dava para construir 4 pontes do Infante.
E essa diferença resulta do poder de cálculo dos computadores.
Na Ponte da Arrábida o arco teve que ser forte e massivo na Ponte da Arrábida, feito com cofragens complicadas e caras (que estiveram décadas depositadas na Marginal Porto-Entre os Rios para se poder fazer outra igual) porque a equipa do Eng. Edgar Cardoso só pode dividir a ponte em meia dúzia de "peças simples" que calculou à mão.
Na Ponte do Infante o arco pode ser fininho e quase invisível, feito com uma cobragenzinha suspensa no tabuleiro da ponte, muito mais baratas, porque equipa do Eng. Adão da Fonseca pode dividiu a ponte em milhares de elementos finitos, calculados no computador.
O custo da Ponte da Arrábida daria hoje para construir 4 novas pontes.


Convido-vos para, um dia, verem o passado da engenharia na FEP-UP.
Entrando pela porta príncipal do edifício, existe um grande espaço livre (são os Passos Perdidos). Olhem para o tecto para verem como o piso de cima está suportado com vigas massivas, cortadas e em sacada.
São cortadas porque o engenheiro (não sei quem foi) não foi capaz de calcular vigas únicas (cortando-as, simplificou o cálculo). Além disso, meteu 2 pilares que o arquitecto não queria mas que o engenheiro não conseguiu evitar.
Se aquilo fosse feito hoje, não haveria esses pilares nem vigas à vista à vista e muito menos "vigas cortas e em sacada". É que o próprio piso serviria de estrutura de suporte,  tudo liso, feito em pré-esforço moldado no local e traccionado pelo piso de cima.
Mais elegante e muito mais barato.

Fig. 3 - Podem-se usar tirantes para deixar na entrada do R/C um espaço livre de pilares. Os tirantes podem ficar à vista ou serem escondidos em elementos de arquitectura.

Fig.4 - Os tirantes são feios? Olhe o Ninho do Pássaro!

Fig.5 - E o que acha deste edifício?
Uma faculdade não seria uma oportunidade para fazer algo avant gard?
Já está convencido que somos rodeados por parolos?

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Acuda-me Deus que vem ai a Inteligência Artificial

Nos últimos tempos falou-se muito da Inteligência artificial.
Naturalmente, tudo comentários de pessoas que nem sabem o que é a inteligência, quanto mais, a inteligência artificial.
Entre os principais medos dessas pessoas, vem a "perda de postos de trabalho" e as "máquinas virarem-se contra a mulher, o homem e o sexo indeterminado"
Mas vamos ver estas análises são sem sentido.


Comparemos um processador de um computador com um cérebro humano.
A inteligência tem por base o nosso cérebro que, para todos os efeitos, é uma máquina (sem alma).
Sendo o cérebro uma máquina e o computador também uma máquina, será de pensar que, um dia, haverá um computador mais inteligente que um cérebro humano.
O cérebro e o computador são máquinas muito simples, feitas pela repetição de elementos, transístores no caso do computador e neurónios no caso do cérebro.


Cada transístor tem três ligações.
Cada neurónio tem cerca de 10000 ligações.
Para uma máquina emular um neurónio, terá que ter vários transístores, não sei bem quantos, mas talvez  3300.
O processador topo de gama da Intel (Xeon Broadwell-E5) tem 330 milhões transístores (médio por núcleo físico) o que será equivalente a 100000 neurónios.
Um cérebro tem 100 000 milhões de neurónios, um milhão de vezes mais que o processador Xeon.

O que faz um computador.Tem transístores que realizam a operação lógica "E" (e outras coisas).
Se entrar corrente corrente eléctrica por ambos os terminais de entrada, sai corrente eléctrica pelo terminal de saída.
Se falhar corrente em alguma das entradas, não sai corrente na saída.


Fig. 1 - O que faz um transístor (0 é sem corrente eléctrica e 1 é com corrente eléctrica)


Fig. 2 - Ilustração do operador "Soma" de dois números com 1 bit (A+B=Z+Of)

A soma de 2 números do Excel (com 15 casas significativas = 64 bits) obriga a usar 2 * 64 -1 = 127 vezes o operador Soma  da Fig. 1. No caso de uma multiplicação será necessário usar o "processador" 127 * 64 = 8128 vezes e uma potenciação obriga a 127 * 64*64 = 520192 somas.
A evolução dos processadores é no sentido de realizar operações "complexas" e em simultâneo (é o Instruction Set). Por exemplo, num processador de 2 bits, são realizadas duas somas das Fig. 2 em simultâneo (ver Fig. 3). Os processadores que usamos são de 64 bits realizam 64 somas elementares em simultâneo (no esquema da Fig. 3, precisará de 256 transístores).
Também são implementadas operações mais exigentes como multiplicações (exigirá 16256 transístores).
Pela extensão da Fig. 3 podemos imaginar a confusão que vai dentro de um processador, com milhares de milhões de transístores (e outras coisas) e milhares de milhões de ligações numa área de 6 cm2.

Ilustração do operador "Soma" de dois números com 2 bit (A1A2+B1B2=Z1Z2Of)

Se o processador trabalhar a 3 GHz e em cada ciclo de relógio for realizada, em média, uma soma de 64 bits, podem ser realizadas 3 mil milhões de somas por segundo.
O processador é extraordinário porque, partindo das coisas muito simples que um transístor faz com a electricidade, sem ter qualquer parte móvel, acede à memória para  ler o programa a executar (a lista das instruções) e, de acordo com esse programa, acede à memória para ler dados e escrever resultados. Além disso, controla o acesso aos periféricos como, por exemplo, o disco rígido e a placa gráfica.
Talvez seja a maior realização da humanidade (depois do controlo do fogo, da invenção da escrita, da descoberta da electricidade, bem, ... muita coisa é extraordinária).

Bem sei do anúncio que o número de transístores num processador duplica a cada 2 anos.
Sendo verdade, seriam precisos apenas 40 anos para termos um processador com a capacidade do cérebro humano.
O problema é que a duplicação de transístores tem sido na "batata frita" e não no processador propriamente dito. Assim, acontece pelo multiplicar do número de processadores, cores, em cada unidade de processamento, por estar lá mais e mais memória e por conter ainda outras coisas como controladores.
Por exemplo, o processador Xeon Broadwell-E5 (preço de 3500€) tem 7200 milhões de transístores com 22 núcleos físicos e 44 virtuais e com 55MB de memória SRAM na "batata frita" (que usam cerca de 2640 milhões de transístores).
E por causa da dificuldade na paralelização e pelos problemas de controlo da comunicação entre os núcleos, 100 núcleos têm uma capacidade bastante menor que 100 vezes a capacidade de um núcleo.

Comparemos o volume de um processador com o volume do nosso cérebro.
O nosso cérebro tem um volume de 1200 cm3, todo cheinho de neurónios a realizar operações, cada um ligado a 10000 outros.
O processador é uma fatiazinha muito fininha com um volume de menos de 0,01 cm3.
Em termos tecnológicos (que, naturalmente, pode mudar) não se vê como aumentar o volume dos processadores para uma máquina tridimensional.

Mas os computadores fazem coisas extraordinárias.
Se pegarmos num engenheiro bom e o pusermos a fazer contas com papel e lápis, no tempo em que o engenheiro faz uma conta, um computador de 500€ faz 500 milhões de contas.
Uma hora desse computador a calcular uma estrutura obrigaria 6000 engenheiros a fazer contas durante toda a sua vida profissional.
Um computador é capaz de ter 100000 livros em formato PDF num disco que custa 50€ (uma média de 0,05 cêntimos por livro) e encontrar em alguns segundos todos os livros onde está escrita uma determinada frase, trabalho que levaria dezenas de anos a um leitor atento.
Imaginemos milhares de pessoas por hora a entrar numa estação de metropolitano e um computador com acesso a uma câmara é capaz de as identificar todas em tempo real.
Milhares de carros a andar numa autoestrada a 120km/h e, partindo das imagens de uma câmara, o computador identifica todos os veículos, vai à conta e chumba cada um com a portagem.
Mas será isto inteligência artificial?


O que será a inteligência?
Para podermos saber se existe IA temos, primeiro, que saber o que é a inteligência.
Não é fácil definir este conceito mas, sendo que já investiguei nesta área (a minha aula nas provas de agregação foram sobre a racionalidade económica) vou tentar.
Para saber se algo é inteligente, temos que
  1) ter um problema sobre o qual sabemos o que responderia um ser perfeitamente inteligente,
  2) o que responderia um ser não inteligente e
  3) estar garantido que o ser respondeu de forma autónoma (i.e., sem intervenção de outro ser inteligente).
Um ser não inteligente responde aleatoriamente.

Vamos supor que descobrimos um extraterrestre que queremos avaliar.
Primeiro) O avaliador começa por ter um problema do qual conhece a solução, por exemplo, 100 perguntas de  escolha múltipla do tipo:
Pergunta 1 - Multiplicando 2 por 9 e dividindo por 3, obtemos o valor:
A)  5          B) 6         C) 7        D) 8         E) 9
...
Pergunta 100 - Multiplicando 3 por 7 e dividindo por 3, obtemos o valor:
A)  5          B) 6         C) 7        D) 8         E) 9
Por cada resposta certa é somado um ponto e, por cada errada, são descontados 0,25 pontos.

Segundo) Depois de sabida a nota obtida pelo extraterrestre, o avaliador calcular a probabilidade de essa nota ou uma superior ser obtida por um indivíduo não inteligente (i.e., que responde aleatoriamente).
Vamos supor que o extraterrestre teve 4 valores. A probabilidade de obter uma nota igual ou maior que esta com respostas perfeitamente aleatórias é de apenas 0,016%.
    #R code
    notas<-rep(0,1000000)
    for (i in 1:1000000)
        {resp = sample(1:5,100, rep=TRUE)
         notas[i]=1.25*length(resp[resp==1]) - 25}
   length(notas[notas>=20])/1000000 #Prob. de uma nota >=4 valores


Fig. 1 - Probabilidade de obter uma nota na escala 1/20 quando a resposta é aleatória.


Terceiro) O avaliador garantiu que o extraterrestre é autónomo (não recebeu as resposta de outro ser inteligente).

Então, o avaliador tem que concluir que o extraterrestre é inteligente (com probabilidade superior a 99,99%)  porque passou o teste da aleatoriedade e está verificada a autonomia.

Será uma árvore inteligente?
A finalidade de uma árvore é produzir sementes e, para atingir este fim, as suas folhas captam energia do Sol. Acontece que as folhas que estão à sombra gastam mais energia do que a que captam do Sol.
Se a planta for inteligente, vai ter mais folhas viradas para a luz.
Acontece que, realmente, as árvores têm mais folhas viradas a Sul e, havendo outras árvores que fazem sombra, desse lado tem menos folhas. Além disso, a resposta da árvore é autónoma (não é o jardineiro que corta as folhas que estão À sombra). Assim sendo, as árvores são inteligentes porque passam quer o teste da aleatoriedade quer o teste da autonomia. 
Este exemplo mostra que, entre o ser inteligente e ter a inteligência (e capacidades) de um cérebro humano, vai uma grande distância.
Fig. 2 - Se estes arbustos tivessem crescido de forma autónoma, com certeza que eram inteligentes

Será uma máquina de lavar inteligente?
Vou imaginar uma máquina muito à frentex.
Metemos a roupa no tambor, dizemos numa escala o que achamos da sujidade da roupa e carregamos no botão START.
Depois, a máquina faz tudo
Mete água até atingir um determinado nível e vai medindo o teor de sais para, juntamente com a nossa informação quanto à sujidades, calcular a quantidade óptima de detergente e a temperatura da água.
Vai dando voltas e mais voltas medindo sempre quão turva vai ficando a água.
Quando determinar que não fica mais turva, deita a água fora, centrifuga e mete outra água.
Volta a dar voltas e mais voltas. Se a água ficar turva novamente, mete mais detergente e dá mais voltas e voltas.
Se não ficar turva, deita a água fora e centrifuga.
Mete mais um pouco de água, dá voltas e voltas e centrifuga.
Está pronta.
Agora, a pessoa retira a roupa e, se quiser, avalia a lavagem, a centrifugação e o cheiro.
A máquina vai usar a avaliação para melhorar o seu funcionamento.
Vai ainda estar ligada em rede com outras máquinas com quem partilha a informação.
Será esta máquina inteligente?
Passa o teste da aleatoriedade mas não passa o teste da autonomia.
A máquina apenas faz o que um programa pré-carregado a manda fazer, por mais complexo que seja esse programa e mesmo que se vá adaptando, segundo um programa pré-definido, em presença de nova informação.

Os flops da ficção cientifica.
Quando era criança, nos anos 1960, todos nós tínhamos a certeza que o "Espaço 1999" iria ser uma realidade. Que no anos 2000 haveria pessoas a viver na Lua e mesmo em Marte.
Nesses anos tínhamos a certeza que, em 2000, a energia nuclear de fusão iria fornecer electricidade sem limite e quase à borla.
E ainda tínhamos a certeza  que Portugal sem as colónias de África estaria condenado à pobreza e ao atraso e que, nesse caso, Angola se tornaria país rico e próspero (pois tinha petróleo e diamantes).
Sobre quanta coisa tínhamos a certeza, tínhamos a certeza que a União Soviética iria dominar o Mundo!
Hoje, na conquista do Espaço e na energia nuclear de fusão estamos exactamente no mesmo sítio que estávamos há 40 anos
Há 20 anos, quando se soube que tinham clonado a Ovelha Dolly, já se falava em clonar pessoas, centenas de países perderam tempo a proibir que se fizesse clonagem. Passado este tempo todo, estamos exactamente como no dia em que nasceu a Dolly. Se hoje alguém tentar clonar uma ovelha, vai ter tantas dificuldades como existiam há 20 anos.
As previsões feitas pelos jornalistas e comentadores, isto é, a ficção científica, está cheia de flops e hoje ainda usamos automóveis e bicicletas que são, na sua base, iguais ao que se usava há 100

Haverá hoje Inteligência Artificial?
O meu chefe, o Pavel Brazdil, fez um doutoramento, em finais dos anos 1970, em IA, trabalho pioneiro (nessa altura os computadores eram muito fraquinhos), pelo que quando eu comecei a trabalhar, como que fui obrigado a meter-me nisso. Era uma espécie de assédio: ou trabalhas nisto ou arranjo outro que trabalhe.
Nessa altura pensava-se que, com o aumento da capacidade de cálculo, a IA pudesse aparecer mas hoje, 50 anos depois dos trabalhos pioneiros, estamos exactamente no mesmo sítio. Os computadores fazem coisas maravilhosas mas não são autónomos, apenas executam programas e processam informação de acordo com o que os seus criadores decidiram.

Mas metamos 1000 anos para o futuro!
A IA é um flop tecnológico que não avançou nada nos últimos 50 anos mas vamos pensar que daqui a 1000 anos, haverá máquinas que replicam exactamente um cérebro humano.
1000 anos é muito tempo, basta pensar os problemas que tinha a humanidade no anos 1017.
Talvez imaginemos que ainda existe partes da estrada romana que liga Lisboa a Santiago de Compostela e que haverá turistas a fazer esse caminho mas também pode acontecer que já praticamente não haja humanos.
Mantendo-se em Portugal o número de filhos por mulher dos últimos 10 anos (1,32 filhos por mulher), daqui a 1000 anos Portugal só terá 10 habitantes.
A Europa terá uma população reduzida dos actuais 750 milhões de habitantes para 750 habitantes e a população mundial não será mais do que 10000 pessoas.
Esse mundo de daqui a 1000 anos, do tempo em que os computadores serão tão inteligentes como as mulheres, os homens e os sexos indeterminados, será um mundo pós-humano, em que toda a humanidade se reduzirá, por vontade própria, a uns milhares de pessoas, talvez todos a viver na mesma cidade, uma ilha paradisíaca e máquinas inteligentes tratarão de tudo, da produção agrícola, das pescas e demais coisas que dão trabalho.

Quem é que, daqui a 1000 anos vai querer trabalhar?
Se já hoje poucos o querem fazer, penso que nessa altura, ninguém vai querer trabalhar.
Apenas gozar a vida.
Como eu gostava de viver até esses tempos


Meu amor, podes não acreditar mas hoje faço 1050 anos

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Vamos então falar de transvases

Este  ano há seca e a coisa vai piorar. 
Esta afirmação é dos Ecologistas mas não é uma verdade aceite por todos. 
Se há pessoas que dizem que a temperatura está cada vez mais quente (e a chover menos), outras dizem que não, que apenas estão a acontecer flutuações climatológicas que são normais.
De entre as pessoas que acreditam que a temperatura está cada vez mais elevada, umas dizem que tal se deve à emissão de CO2 para a atmosfera (que pode ser combatida evitando a queima de combustíveis fósseis) e outras dizem que é um fenómeno natural (sobre o qual nada podemos fazer, apenas adaptarmo-nos).

Apesar do calor, no sábado passado apanhei tanto frio que até adoeci

Mau seria se estivéssemos a arrefecer.
Apesar de acharmos que o calor é mau, o frio seria muito pior.
Se for verdade que a Terra vai aquecer, as calotes polares vão derreter o que levará à subida do nível do nível do Mar com a consequente inundação dos terrenos e cidades costeiros.
Haverá mais tufões e furacões, talvez mais extremos climáticos e vão-se perder bons terrenos agrícolas mas terrenos de Tundra, no Canada e na Rússia, passarão a ser cultivados. Além disso, uma maior temperatura, apesar de aumentar a evaporação, também aumenta a quantidade de chuva e a produtividade das plantas.
Agora pensemos no arrefecer. O Norte da Europa, a Pradaria Americana e vastas regiões da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia deixariam de ser produtivos. Além disso, teríamos Invernos mais rigorosos na maioria das grandes cidades do "ocidente".

Temos então 3 correntes quanto à subida da temperatura.
Negacionistas =  Não existe ou é passageira pelo que não precisamos fazer nada. 
Engenheiros = É natural pelo que temos que nos adaptar.
Ecologistas = É causada pelo Homem pelo que temos que reduzir a emissão de CO2.

Os Ecologistas são contra a adaptação.
Porque, se forem apresentadas formas de nos adaptarmos a um planeta mais quente, a sua luta de "voltar tudo ao antigamente e ficar assim para todo o sempre" perde adeptos.
Os Ecologistas têm que nos fazer crer que, havendo aquecimento global, isso vai ter consequências tão catastróficas que o melhor é morrermos antes disso acontecer.
A luta dos Ecologistas contra os transvases está dentro dessa estratégia, a mesma contida na conhecida frase dos velhotes "No tempo do Salazar podíamos não ter tanta fartura de coisas mas havia respeito e as nossas filhas não o andavam a dar como a canalhada de agora".

Vamos aos transvases.
Se as alterações climatológicas vão mesmo acontecer e se essas alteração vão implicar um Portugal mais quente e seco, o melhor é prendermos a água no interior (com barragens) e fazermos transvases de água do Norte para o Sul (com canais).
Bem sei que os Ecologistas são contra isto tudo, se bem me lembro, também eram contra a Barragem do Alqueva, que a água chegava a Portugal contaminada pelos espanhóis pelo que a albufeira monstruosa se iria transformar numa esterqueira cujo cheiro pestilento chegaria a Lisboa.
O mais interessante da argumentação da notícia é que, por um lado, a água está altamente contaminada mas, por outro lado, é uma atracão turística. Só é pena o Mário Ferreira ainda não ter descoberto o filão das  viagens turísticas às lixeiras e zonas emporcalhadas.
Vejam também aqui que, em Janeiro de 1995, a os ecologistas da Adenex apresentaram uma queixa à União Europeia contra a barragem do Alqueva.

Como se faz um transvase.
Na Península Ibérica, incluindo Portugal, chove muito mais no Norte que no Sul pelo será preciso transportar água dos rios do Norte para Sul.
O que se faz na distribuição da água até às nossas torneiras (bomba-se a água do Rio Douro que, depois se transporta por canos até à nossa torneira) é proibitivamente caro para a agricultura.
Se podemos pagar 5€/m3 na água da torneira, os agricultores vêm-se aflitos para pagar os 0,038€/m3 cobrados na barragem do Alqueva.
Nunca será possível meter água do Rio Douro no Sul por um preço próximo disto (nem será necessário porque temos o Rio Tejo muito mais próximo) mas vamos ver isto apenas como um exercício.

1) O transvase faz-se à mais alta cota possível.
O movimento da água vai perdendo altura pelo que, começando num ponto mais alto, vai ser necessário gastar menos energia em bombagens.
Vamos usar um rio na margem esquerda do Rio Douro, que no caso de o trasnvase ser em Portugal, obriga a usar o Rio Coa. Vai-se usar este rio como canal o que obriga a construir barragens e a bombear a água para que o caudal do rio seja em sentido contrário ao natural. Assim, a água vai ser bombada do Rio Douro a uma cota baixa (assumo 150m) e vai subindo até aos 600m onde vai atravessar a Serra da Estrela num túnel com algumas dezenas de quilómetros até renascer na bacia hidrográfica do Tejo.
A água tem que ser bombeada porque 1) é nas zonas baixas que os rios têm maior caudal e 2) a passagem de uma bacia hidrográfica para outra obriga sempre a atravessar uma zona de cumeada.
Bombear a água 600m tem um custo energético de 2 kwh (com um rendimento de 85%) o que implica um custo na ordem dos 0,10€/m3.
Depois, a ideia é tentar aproveitar 85% desta energia do lado de lá.
Chegado ao Tejo, é preciso fazer a mesma operação para passar a água mais para Sul.


Esquema do transvase do Rio Douro para o Rio Tejo usando o Rio Coa como canal e um túnel por baixo da Serra da Estrela

É melhor pedir ajuda à Espanha.
Atualmente a Espanha faz um transvase de cerca de 20m3/s do Rio Tejo para o Rio Segura que representa menos de 5% do caudal do rio em Lisboa. 
O melhor seria deixar a Espanha tirar mais água do Douro em cota alta (que apenas tem impacto nas nossa produção eléctrica) e pedir à Espanha para mandar 40m3/s do Tejo mais para Sul o que duplicaria o caudal do Rio Guadiana (que será mais ou menos metade do que a Espanha mete no Tejo na fronteira,  2410 hm3/ano).
Mas isto são coisas para o futuro, quando a água for muito mais necessária, pois ficará muito mais caro que o atual preço de 0,038€/m3 cobrado na Barragem do Alqueva.



domingo, 5 de novembro de 2017

O "tempo volta atrás" dos esquerdistas

Para acabar com os fogos florestais, querem-nos de volta a 1960.
Dizem os esquerdistas que o problema de Portugal, onde se incluem os fogos florestais, é não haver pessoas no interior.
Pensam eles que, com as "políticas correctas", políticas de reposição de rendimentos e anúncios de avultadas obras públicas, voltaremos aos anos 1960 onde as aldeias estavam cheias de pessoas, melhor dizendo, cheias de pobres que fuçavam na terra de sol a sol para terem um rendimento que, a preços de hoje, não passava dos 100€/mês.

Fig. 1 - Isto pode ser bonito de ver ao longe mas do que é que o povinho vive?

As aldeias estavam cheias não porque as pessoas não saíssem continuamente de lá na procura de actividades onde o seu trabalho fosse mais produtivo (i.e., tivessem maior produtividade) e, consequentemente, melhor remunerado mas porque nasciam muitas crianças.
Com tantos filhos nascido entre quatro parede de pedra suja sem as menores condições, pelo menos 6 por cada mulher, mesmo indo um para a França, outro para Lisboa para ser GNR, um terceiro para o Luxemburgo e um quarto para o cemitério, ainda ficavam suficientes para ter a aldeia sempre cheia de povo que mais não era que o alimento da miséria.
O problema é que veio a pílula e o fim do Mandamento da Lei de Deus "Crescei e multiplicai-vos"!
Se nas duas décadas 1960-1979 nasceram em Portugal mais 2 milhões de pessoas do que aquelas que morreram, nos últimos 10 anos, 2008-2016, morreram mais 125 mil do que as que nasceram.
E por este andar, daqui por 100 anos, não só o nosso interior vai estar ao gosto do PAN e do ICNF (uma reserva ecológica integral em que as poucas pessoas serão animais de companhia de cães e gatos), como todo o nosso território vai estar despovoado. Melhor dizendo, vai estar povoado por paquistaneses.

Fig. 2 - Nascimentos, mortes e saldo natural português, 1960-2016 (dados: Banco Mundial)

Será que alguma vez a desertificação do interior será revertida?
E como estamos atrasados relativamente ao nosso vizinho Espanha, é só dar uma volta por lá.
Um dia fui a Bilbau e, tendo-me enganado na estrada, entrei na estrada nacional que passava pelos pueblos. As casas todas caídas onde se incluíam as igrejas.
Vai ser esse o destino das nossas aldeias: juntarem-se às gravuras rupestres de Foz Coa.

Para acabar com a falta de água, querem-nos a andar a pé.
Mais uma vez os esquerdistas querem voltar para o passado, fazerem contas mirabolantes sobre quanto chovia ou deixava de chover, discussões sobre se há ou não aquecimento global e de como o podemos fazer andar para trás andando a pé e de bicicleta.
Segundo a minha mãe (e da Assunção Cristas), o problema da seca é já ninguém rezar a pedir chuva.
Que no tempo dela, havia muita seca (até porque as culturas eram menos resistentes e o milhinho separava os anos de fome dos outros), mas, porque se faziam enormes procissões a rezar fervorosamente e, mais dia, menos dia, lá o Senhor mandava a Santa Chuvinha.

Será que temos falta de água?
Para avaliar se há falta de água em Portugal, peguem na vossa factura da água e vejam quanto gastam mesmo antes de usar a técnica do Cláudio Ramos de urinar na banheira para poupar. Talvez gastem uns 5 m3/pessoa por mês. 
Vejamos agora o caudal dos 8 rios mais importantes de Portugal e quanto daria a cada português.

Minho ---> 305 m3/s --> 77,6 m3/mês por pessoa
Lima ----> 63,5 m3/s --> 16,2 m3/mês por pessoa
Cavado -> 70,5 m3/s --> 17,9 m3/mês por pessoa
Douro ---> 710 m3/s -> 180,7 m3/mês por pessoa
Vouga ---> 108 m3/s --> 27,5 m3/mês por pessoa
Tejo -----> 444 m3/s -> 113,0 m3/mês por pessoa
Sado ------> 40 m3/s --> 10,2 m3/mês por pessoa
Guadiana --> 80 m3/s --> 20,4 m3/mês por pessoa

Temos um total de 463,5 m3/mês por pessoa.
Só neste 8 rios, temos 100 vezes mais água do que a que gastamos no nosso consumo doméstico.
O problema é que precisamos de armazenar água no inverno para a termos no verão.
O problema é que os esquerdistas são contra as barragens porque isso é andar para a frente e eles querem repor o passado!

Lembram-se da barragem do Foz Coa?
Que é feito das gravuras enquanto polo de desenvolvimento?
Que é feito dos opinion makers que diziam que aquilo era mais importante para o desenvolvimento local que a barragem?
E daqueles opinion makers que, quando eu fiquei sem um mês de salário diziam que entre os refugiados não viria nenhum terrorista porque esses só andariam de avião e bem financiados?



Precisamos de mais barragens.
Mas não são barragens como as que temos no Rio Douro pois não têm capacidade de armazenamento.
Se quisermos uma barragem para armazenar metade do caudal anual médio do Rio Douro, precisamos de uma albufeira com 7 vezes a capacidade da Barragem do Alqueva (i.e., 22 hm3).
O problema é que na bacia do Douro não há local para fazer tal barragem pelo que será preciso fazer transvases. 
Ainda agora começou a  ser feito um túnel na China com 1000 km de extensão (e apenas 5 m de diâmetro ) para fazer um transvase de 100 m2/s do Rio Yarlung Tsangpo do Tibete para Xinjiang. 
O custo previsto do túnel é pouco mais que 10 milhões € / km, uma ridicularia.
Bem sei que os ecologistas são contra barragens e transvases mas resolveriam completamente, o problema da nossa falta de água

Agora, a Falácia do Ceteris Paribus.
A Catarina Martins tem formação em teatro pelo que se compreende que nada saiba de economia. O problema é que, sem nada saber, quer mandar e controlar a nossa economia.
Quase diariamente, não só ela como mais esquerdistas, usam uma metodologia económico, o ceteris paribus (se tudo o resto se mantiver constante) para dar opinião sobre o que deve ou não ser feito no nosso pais. O problema é que este c.p., apesar de importante na análise económica porque permite ver uma realidade parcial sem nos preocuparmos com o equilíbrio geral, só é válida no curto prazo.

Quanto dura o curto prazo?
Não sei bem.
Se eu assumir que nos próximos 10 mil anos a distância do Porto a Nova York se vai manter nos 5419 km (é o que diz o Google), estarei a assumir um erro (pois há a deriva dos continentes) que será inferior a 0,01% (daqui a 10 mil anos, o Porto talvez esteja 40 ou 50 km mais distante de NY).
Já se eu assumirmos que a cotação da Google é 1040 USD, provavelmente, daqui a um minuto já estarei com um erro maior do que 0,01%.

Vamos à afirmação.
"As Parcerias Público Privadas na saúde têm que acabar e os hospitais votar para a gestão do estado porque, como é o Estado que paga os tratamentos e os privados precisam de ter lucro, [ceteris paribus] no Estado os hospitais ficarão mais baratos."
Nesta afirmação é assumido que os custos nos privados são iguais aos custos no público.
É esquecido que os provados, porque têm como objectivo o lucro, vão ter um incentivo para reduzir os custos.
É ainda esquecido que o preço que o Estado paga aos privados é menor que o custo que os mesmos tratamentos têm nos hospitais que são actualmente públicos.

Mas há muitas mais afirmações que são correctas apenas no curto prazo.
Aquela autarca de Vila do Rei que, em 2006, mandou vir 250 brasileiros para esse interior. 
Quantos brasileiros lá estão? 
Zero.
E o Costa que ofereceu Portugal para receber refugiados que estavam na Grécia? 
Quantos refugiados continuam em Portugal? 
Zero.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

O Costa à moda do Guterres

O Costa pediu ajuda ao Guterres.
O Costa, à moda do Sócrates, baseia a sua vida nos amigos íntimos.
Até numa escuta, num negócio de cobrança de uma dívida à Venezuela (que, no meu intender, não tem nada de criminoso), o Sócrates falou que "o Costa foi o número dois do meu governo".
Sendo que a sua vida foi pedir ajuda aos amigos, soube eu pelo CMTV que, depois dos fogos florestais, o Costa telefonou ao Guterres.
 
-Está lá? António? És tu António?
-Yes yes, who is talking? 
- Sou eu, o António, o teu amigo íntimo de quando usavas bigode.
- My friend? António Banderas?
- Não pá!
- António Seguro?
- Não pá, como dizem aí na América "dei cabo do Seguro" é o meu nome do meio, sou o António Costa pá.
- Aahhhhhhh, queres me dar os parabéns por eu ser melhor que o Ronaldo, pá?
- Também pá, mas é mais porque preciso da tua ajuda!
- Oh pá, não me peças nada que estamos a ser escutados pelo Correio da Manhã!
- Não é isso, quero-te perguntar como me posso safar desta merda dos incêndios. é que tu, quando caiu a ponte de Entre os Rios, safaste-te à grande!
- Isso é fácil. Primeiro, arranja um ministro que se vá embora e, depois, manda massa para essa merda, anuncia que vais dar milhões para tudo o que mexe. Deixa-te dessas merdas que o dinheiro não é teu. Eu meti logo 10000 contos para cada morto e mais uns milhões para obras.
- Oh pá, muito obrigado, vou então anunciar uns 4 milhões.
- Não sejas burro, anuncia 400 milhões e depois logo se vê, o povo esquece.
 
Será que as medidas vão servir para alguma coisa?
Vão servir para que, nos próximos meses (por ser inverno) mais ninguém diga que o Costa não fez nada.
Se vierem umas inundações, ataca com "são os efeitos dos incêndios do verão passado mas já tomamos medidas"e, não havendo nada, ataca com "já estamos a resolver os problemas".
Assim, até junho do próximo ano, por este lado não virá mais problema nenhum.
 
Qual é o problema dos fogos florestais.
Não é feita uma análise Custo-Benefício.
Tem que ser ponderado o efeito de cada euro que se gasta no combate aos fogos florestais e, sem essa análise, não se pode duplicar a despesa em meios de combate.
Estamos a proteger o quê?
Qual o ganho que temos por cada euro que se gaste em prevenção e combate aos fogos?
Como nada disto foi feito nem vai ser feito, tudo o que foi dito e feito será sem sentido.
 
Vejamos esta análise Custo-Benefício.
Resumidamente, um homem bateu numa mulher.
A mulher foi para o hospital mas nada de grande monta, não partiu dentes, não perdeu visão nem audição, não ficou manca nem com um braço diminuído.
A violência doméstica é punida com pena de prisão entre 1 e 5 anos mas, juntando Posse de Arma Proibida, Fraude Fiscal, Tráfico de Influências, Branqueamento de Capitais, Usurpação de Funções, Homícidio na Forma Tentada, Atentado à Auto-determinação Sexual, Sequestro e mais uma lista enorme de coisas de que o ministério público é especialista em fazer Copy+Past, as esquerdistas esganiçadas pediam que o homem apanhasse pelo menos 5 anos de cadeia.
O problema é que Portugal já é um dos países do Mundo com mais presos e ter um homem um dia na cadeia custa 50€ aos contribuintes pelo que, se o tal meliante estivesse preso 5 anos, teríamos que pagar mais 91250€.
Será que se justifica que nós contribuintes paguemos mais 91250€ porque um homem não gostou de ser corneado?
O juiz teve toda a razão.
O melhor  é mandar o corno em paz com o conselho "Para a próxima, arranje uma mulher muito feia a ver se não é novamente corneado".
 
Qual é o problema da nossa floresta.
É económico.
Um hectare de floresta rende 200€/ano e "limpar" o terreno de forma a evitar a propagação rápida dos fogos florestas custa entre 500€/ano (terreno plano) e 1000€/ano (terreno acidentado).
Porque é que o Estado não "limpou" o Pinhal de Leiria?
Porque as nossas autoestradas têm as margens cheias de vegetação alta?
Porque custa muito dinheiro cortar e, com o nosso clima, aquilo rebenta e, passados alguns meses,  volta tudo ao mesma.
 
Terá solução?
Como diz o povo, tudo tem solução, mais não seja, a morte.
Neste caso, também tem solução.
 
Questão importante: não interessa que arda menos.
Em média, todos os anos arde cerca de 1,5% do nosso território, cerca de 65000ha de matos e 65000ha de floresta.
No mato cresce vegetação rasteira (tojo e giestas) e arbustiva (loureiro, carvalhadas e, cada vez mais, alta e densa por causa das acácias).
A floresta é um mato onde alguns carvalhos, pinheiros ou eucalíptos conseguiram vingar, normalmente, com pouca densidade, menos de 100 árvores por hectare.
O que interessa não é que arda menos mas antes que, ardendo esta mesma área (ou até maior), o prejuízo causado seja menor e o custo de prevenção e combate também seja menor.
 
Fogo tático.
Pelas imagens da TV, os bombeiros deixam que os incêndios se propaguem de mancha floresta em mancha florestal pelas zonas de mato.
Então, o que é preciso é que em Março-Abril-Maio se queimem as zonas de mato.
Bem, era isto o que os pastores faziam!
Para isso é preciso que os bombeiros (ou empresas privadas certificadas) promovam e apoiem a queima controlada de mato, à força toda, nunca menos que 130000ha por ano.
 
 
Vejam esta conta.
Tal como a UE dá um subsídio de 400€/ha/ano para ter silagem, dá 200€/ha/ano para os terrenos de pastagem ficarem incultos, também pode subsidiar os matos que vão ser queimados, com 200€/ha/ano (que é a rentabilidade média conseguida na floresta).
Pagar 130 000ha de matos para queimar serão 26 milhões€/ano em subsídios aos proprietários que comparam com os mais de 200 milhões €/ano que se gasta em combate aos incêndios.
Parece-me mais produtivo e os donos dos terrenos ficarão muito mais contentes.
E nesses matos queimados, pode ainda surgir o pastoreio como actividade secundária.
 
Contra fogo.
Uma vez começado o fogo, tem que se usar contra-fogo de forma massiva e nunca bombeiros que mais aprecem baratas tontas, a arriscar as suas vidas com uma mangueira que dá umas mijadelas.
 
Não se pode aceitar que um incêndio atravesse uma autoestrada de 6 faixas, mesmo que ladeada por acácias.
 

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tanto Estado e, afinal, o povo tem que se desenrascar?

Já não sei se esta geringonça é de direita ou da esquerda. 
Os de Direita, dizem que o Estado não pode tomar conta das pessoas. Como diz (ou pensa) o Trump, cada um que se aguente como puder, se está doente e não pode pagar por não trabalhar nem se esforçar, que morra longe para não pegar a peçonha.
Mas em Portugal, contra o neo-liberalismo, apareceu a geringonça a dizer que o Estado, com mais e mias impostos, vai resolver todos os problemas de toda a gente.
Não é agora que.em, face do falhanço do Estado nos incêndios, vem a ministra d administração interna dizer que "as populações têm que se tornar resilientes às catástrofes?"
Então para que são os nossos impostos? Para meter nas contas da Suíça do Carlos Santos Silva?

O Obamacare e a procura de trabalho.
O Estado Americano pode bem pagar a assistência médica aos pobrezinhos e desempregados mas a questão não é essa.
É que quem tem emprego, tem seguro de família e a falta de assistência médica para os pobrezinhos desempregados é apenas uma pressão para que procurem emprego.
Bem sei que os esquerdistas gostam muito de anunciar o "estado social" mas estão todos contentes por o pagamento do Subsídio de Desemprego estar a diminuir.
Porque será que o subsídio de Desemprego não é pago aos desempregados de longa duração?
Por é que a geringonça não estende o prazo do subsídio de desemprego?
Porque, se o aumentar, o povinho não procura emprego.

O assédio sexual.
É por todos sabido que, em igualdade de competência, as mulheres bonitas têm mais sucesso que as feias.
Naturalmente, têm mais sucesso porque se insinuam junto dos homens.

Faz-me lembrar uma adivinha.
Qual a diferença entre uma puta e uma esposa?
A esposa tem contrato sem termo.

Mas vamos ao Weinstein.
A sexualidade é uma vulnerabilidade dos homens e uma arma das mulheres.
Interessante que, quando subiram depois de se deitarem, nenhuma dessas mulheres disse que as prejudicadas foram as que não se deitaram e que elas passaram à frente.
Nenhuma disse "Eu consegui este papel no filme passando à frente centenas de pessoas melhores do que eu porque sou uma puta e descobri que o Weinstein é um fraco."
Porque é que essas mulheres não se puseram ao fresco?
Porque queriam o dinheiro e aquilo não se rompe.
Atacaram o coitadinho como antes atacaram o Dominique Strauss-Kahn ou o Carlos Cruz.
Nós homens temos que ouvir essas acusações com muita reserva e não embarcar na caça às bruxas porque essas mulheres não passam de umas putas.

O que terá a sexualidade de tão especial?
Nós vivemos num mundo perigoso.
A sexualidade é uma coisa como outra qualquer.
Um homem (ou uma mulher) sentir-se sexualmente atraído por uma mulher (ou por um homem), são coisas totalmente naturais e, se uma mulher se mete debaixo de um homem para subir na vida, isso é o pão nosso de cada dia.
O Weinstein tinha um negócio privado, onde metia os atores que bem quisesse e, se os filmes não prestassem, era ele que tinha prejuízo.
Se a fama dele era que se mandava às atrizes, que fossem para outros filmes, de outros gajos.

Imaginem os filmes pornográficos.
Não acham natural que, chegando lá uma atriz para fazer o casting, tenha que tirar a roupa fora e fazer uma cena adequada ao filme?
Se o produtor se meter em cima dela, será apenas para ver se a coisa enrola ou desenrola.
Vir depois a atriz dizer "Quero um milhão de euros porque fui engana. Como o filme se chamava "Mulher com boca divina", pensei que era para ler a Bíblia".

As férias.
Um casal de classe média/baixa estava na brincadeira e a mulher disse:
- Sabes amor, há tantos anos que não vamos comer a um restaurantes, já não tiramos férias há mais de 10 anos, gostava tanto de ir a algum sítio como a nossa vizinha!
- Mulher, realmente tens razão, também tenho andado a pensar nisso e penso que tenho a solução. A começar hoje, sempre que fizermos amor, meto uma nota de 5€ na gaveta e, quando chegar a Julho, vemos se o dinheiro dá para irmos a algum sítio.
Os meses foram passando e, chegado Julho, o homem lembrou-se que era tempo de ver o saldo da gaveta.
- Amor, é hoje que vou ver o dinheiro que temos para as férias, pelas minhas contas, se comermos sandes e fizermos campismo, dá para tirarmos 7 dias no Algarve.
- OK? Devemos ter dinheiro para passar um ano no Rio de Janeiro num hotel de 5 estrelas com tudo incluído. Abre lá a gaveta!
A gaveta lá tinha meia dúzia de notas de 5€ e muitas mais, dezenas, de 20€, 50€, 100€ e até tinha uma de 200€.
- Mas mulher, como é que tem aqui estas notas tão altas?
- É que nem todos são forretas como tu.

É como no meu judo.
Na minha primeira aula de judo eu achava que era forte, já tinha feito 3 anos de Kung Fu, tinha andado uns meses em Luta Urbana ...
Então, o Mestre mandou-me fazer um combatezito com uma mocinha que, na minha óptica, tinha um "bocadinho" de peso a mais o que, entre outros sítios, se traduzia numa mamas muito avantajadas.
O Mestre disse-me, e por isso é que ainda estou vivo, "quando não puderes respirar ou achares que o braço vai partir, bate com a mão para avisares a Mafalda".
Eu pensei "O Mestre está maluco, algum dia este moça me vai derrotar"
Começamos, ela no espaço de 5 segundos, manda-me ao chão e, quando dou conta, estou a asfixiar porque ela prendeu-me pelo cinto na posição Norte Sul (Kami Shio Gatame) e tinha metido as mamas em cima da minha cara tapando-me a boca e o nariz.
Eu bem tentei gritar mas não saiu nada.
Lá me lembrei de bater com a mão nas costas dela que parou. Senão fossem as palavras do Mestre ...

Mas vamos aos incêndios.
Naturalmente que os incêndios traduzem incompetência.
Quando ardem milhares e milhares de hectares, morrem dezenas e dezenas de pessoas e continua tudo na mesma.
Quando o presidente da liga dos bombeiros vem dizer que "a ciência não serve para nada no terreno, que venha quem vier, vai arder na mesma" e continua lá.
Se ninguém (que lá está) consegue fazer nada, naturalmente, seria tempo de dar lugar a outros.
E dar lugar à experimentação de novas metodologias de combate e controle dos fogos.

Os bombeiros fazer lembra os Vietcoms (uma arma dava para 10 combatentes) pois uma mangueira ocupa uns 10 bombeiros, todos a perder tempo, água e a exporem-se ao perigo de forma desnecessária e sem resultado

Vamos ao problema.
O incêndio tem uma Frente entre a área queimada e a área virgem.
A Frente tem chamas altas e a área queimada não tem chamas mas está em combustão lenta nas raízes e na madeira carbonizada, que vai durar horas a extinguir-se.
Quando os bombeiros atacam a frente, apagam apenas as chamas altas de forma que, se não ficar terreno livre entre a zona queimada e a zona virgem, passado um bocado, acontece um re - acendimento.
É um erro, é deitar água fora, tentar parar a progressão da Frente no meio do matagal porque vai tornar a arder.
Tem que se usar as estradas, caminhos, rios e outros locais sem vegetação para local de ataque à progressão da Frente.
Eu já fiz queimadas e isto parece-me elementar.
Não compreendo como milhares de bombeiros no terreno não compreendem isto, que estão a perder o seu tempo e a dar caminho livre aos incêndios.
Apagam e logo recomeça e volta a apagar e volta a recomeçar até que vem a chuva.

A Frente é muito quente.
Ninguém consegue fazer frente à Frente de fogo num dia de calor e vento.
Então, tem que se fazer um contra-fogo a começar no local onde existe a barreira sem vegetação.
Mete-se uma barreira com tecido que não arda e começa-se o contra-fogo à força toda.
E os meios, em vezes de tentarem apagar a Frente, ficam a controla a progressão do contra-fogo que é muito mais fácil de fazer que apanhar de frente com a Frente de fogo.
Isto, não é preciso tirar uma licenciatura em Proteção Civil para saber isto.
E não em venham dizer que é por causa das equivalências.

Isto vai cair nos mais desfavorecidos.
Quem é que vai apanhar com a fava do fogos florestais?
Os velhotes que têm um terrenito perdido no meio de nada.
Vão chumbar com taxas, impostos, multas e ainda com cadeia.

Sabem porque este fim de semana houve tantos incêndios?
E isto porque as Câmaras estão a mandar centenas de cartas a ameaçar "Ou limpam os terrenos ou apanham com uma multa que até lhes vão cair os dentes."
Os velhotes aproveitaram o anúncio de que viria um furação para queimar o mato.
E queimou mesmo, já estão limpos.

Qualquer dia!
Não estranhem se, qualquer dia, começarem a aparecer licenciados em Bombeiro com mestrado em Mangueirista e doutoramento em Ramos (a bater nas chamas).
Como dizia a minha mãe (Deus lhe dê muitos anos de vida) "Meu filho, arranja qualquer coisas no Estado que és tão malandro que não te safas em mais lado nenhum."
Bombeiro parece-me bom, meia dúzia de incêndio em que, se não fizer nada, será dito que nada poderia ser feito e, o resto do ano, a assobiar para o ar. E, depois, tem noites e horas extraordinárias.

A Mata de Leiria ardeu!
Então é culpa dos velhotes não limparem as matas ou é culpa do Diabo?
Como podem as mesmas pessoas que deixam as matas do Estado arder virem dizer o que os privados devem fazer para evitar os incêndios?

Dá para asfixiar

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Sempre conseguiram empurrar o Rui Rio

Dois anos para preparar aquele discurso? 
Muito pobrezinho.
Quem me chamou à atenção para a pobreza franciscana do discurso foi o meu amigo SP.
Primeiro, perder tanto tempo a tentar justificar a razão de, no passado, estar sempre a fazer peito para, depois, recuar com o rabinho entre as pernas.
Era a Câmara do Porto?
Mas em 2010, quando o Passos Coelho avançou depois da derrota da Ferreira Leite contra o Sócrates, ninguém adivinhava que, passado apenas uns meses, o Sócrates ia cair.
E o Rui Rio poderia ser presidente da Câmara do Porto e presidente, na oposição, do PSD?

Vamos para a esquerda!
disse ele.
Mas o que é isso de estar na direita e ir para a esquerda?
Mas a esquerda tem sido o voltar para trás, volta 43 anos parar trás para "as conquistas do 25 de Abril de 1974".
O Passos Coelho foi andar para a frente, a liberalização do mercado do arrendamento que levou à explosão do alojamento local e da reabilitação dos centros históricos com o turismo.
Será que o Rui rio quer fazer as coisas voltar ao primeiro semestre de 2008?
Será que o Rui Rio quer, tal como aconteceu em 1640 que voltaram a 1580, esquecer que o Passos Coelho existiu e voltar ao último dia do governo do Sócrates, a 21 de Junho de 2011?

O que o Rio deveria ter dito.
A Economia tem duas partes, a Produção e o Consumo.
A Produção são os empresários com o investimento e o progresso tecnológico, o abrir de novos mercados para a exportação, o captar turistas, e o fazer bens e serviços melhores e mais acessíveis.
O Consumo tem os funcionários públicos, os reformados e pensionistas e os trabalhadores.
Acontece que não pode haver melhorias no Consumo sem haver progresso na Produção.
Porque o Consumo tem muito mais votantes que a Produção, o governo populista do António Costa foca a sua acção política no Consumo desvalorizando a Produção e carregando-a com impostos.
É que há muitos mais votantes do lado do Consumo do que do lado da Produção.
Porque sabemos que não pode, no futuro, haver melhorias no nível de vida das pessoas sem aumentos na produção, no meu governo será dada mais atenção à Produção.
Bem sei que este discurso não é popular mas nós, enquanto políticos preocupados com o bem estar futuro de todas as pessoas, estamos aqui com a função pedagógica de demonstrar aos eleitores de que a política actual das esquerdas não tem futuro. 

Vamos ganhar em 2019.
Ao dizer isto, o Rio está a dizer que, na noite das eleições legislativas de 2019, quando se souber da sua derrota, vai sair borda fora.
O que devia ter feito era preparar o período pós-derrota dizendo:
O meu caminho nunca foi nem nunca será guiado por interesse eleitoralistas de curto-prazo mas por batalhas que levem ao bem comum.
Daqui até 2019 não posso prometer que, comigo ao leme do PSD, vamos conseguir mostrar aos eleitores que o caminho socialista está errado mas prometo que vou lutar para que isso aconteça.
Mesmo lutando muito pela verdade, muito provavelmente, em 2019 sofreremos um derrota. Mas teremos que lutar nem que seja por 100 anos pois acredito que, tal como em 2011, acabaremos por mostrar ao povo português que o caminho socialista apenas nos vai levar à pobreza.

E do Santana Lopes?
Apenas dizer que é mais um para queimar.
Quer palco para as presidenciais mas não é o sítio certo.
Mais uma vez, longas palavras para justificar porque deixou o Passos Coelho com as calças na mão em Lisboa, dizendo que estava a pensar avançar para logo dizer que "A Santa Casa, blá blá" para deixa-la passado poucos meses.

Vão voltar as Santanetes

Será que a Catalunha já é independente?
Os nossos esquerdistas defendem que a Catalunha tem todo o direito a fazer o referendo e que deve ser independente.
Porque será que se esquecem do exemplo de Tawain, um país com 24 milhões de habitantes, independente de facto há mais de 60 anos, com exército, governo e presidente democraticamente eleito e uma economia 2,5 vezes a nossa economia?
Porque será que se esquecem de tantos outros territórios por esse mundo fora como a Tchetchénia ou Cabinda?
É que, depois do casamento gay, do aborto, das ambulâncias e bombeiros para socorrer os animais feridos, a única "questão fracturante" que os esquerdistas identificam é a independência da Catalunha contra a austeridade da direita central de Espanha.

Se todos têm direito à autodeterminação.
Também os ciganos têm direito a fazer um referendo para a independência das barracas e o direito à contrafação.

Kisses friends,

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O que é preciso para o PSD voltar a ganhar?

Parece uma pergunta muito difícil. 
Que me faz lembrar os anos 1950 quando se perguntava "Que armamento temos que desenvolver para derrotar a União Soviética"? 
E qual foi a arma? Foi a crise económica.
Também nenhum dos nossos "estadistas", aqueles que tudo indicava que ficariam lá para sempre, foi derrubado por ter surgido um líder da oposição com grandes ideias. Foram todos derrubados pelo desgaste  do tempo e pela crise.
Quem derrubou o Cavaco Silva?
Quem derrubou o Guterres?
Quem derrubou o Sócrates?
Foi a crise económica.
Também, o Costa vai cair não por o PSD se re-centrar (não sei o que isso é) depois de o Rui Rio se tornar  Grande Líder mas vai cair de podre, pela crise que há-de surgir.

Há tempo de construir e tempo de destruir.
Quando Paulo Rangel disse "Há tempo de rasgar e tempo de cozer, tempo de estar calar e tempo de falar"  (Ecl 3:7), todos pensaram que o Rangel estava a querer dizer que não ia falar (e ele mesmo indicou esse significado) mas o que estava a dizer é que as guerras têm tempo de avançar e tempo de recuar. Que o mar transforma as rochas em areia exactamente porque avança e recua.
E que o tempo de agora, é o tempo de recuar para rasgar o Rui Rio, deixa-lo avançar para se auto-destruir. Logo, em 2019, a começar logo na noite das legislativas, será tempo de cozer já com os fantasmas que sempre minaram (Rui Rio, Ferreira Leite, Marques Mendes, e muitos outros menos públicos como o Capucho) transformados em nevoeiro ténue.

Só para recordar.
Um comentador que não me lembro quem disse que "o PSD não se pode contentar a ser governo de vez em quando nos intervalos do PS". Mas olhando para as estatísticas, desde a Pintasilgo, Janeiro 1980, até hoje, o PSD+CDS foram governo durante 7585 dias e o PS+BE+CDU foram governo 6210 dias.
O PSD+CDS foram governo em 55% do tempo e o PS+BE+CDU em 45% do tempo.

A próxima crise vai ser pior que a de 2008.
E vai ser pior porque a dívida pública é hoje o dobro do que era em princípios de 2008.
Em princípios de 2008, devíamos 122 mil milhões € e agora devemos 250 mil milhões €.
Isto quantifica que, nos últimos anos, o Governo teve cada ano um défice público médio de 8,25% do PIB, uma despesa pública 14 mil milhões € maior que a receita pública, para tentar amenizar os efeitos da crise do sub-prime na vida dos portugueses.
Bem sei que, fazendo a média dos défices dos últimos 9 anos, temos 6,25% mas este número mente pois muita coisa foi directamente para a dívida pública sem ser ventilada nas contas do défice.
O que não mente é a dívida pública que é o que temos que pagar.

Mas há uma tendência interessantes.
 Apesar de a geringônça anunciar que repôs salários, de facto, o salário em termos de percentagem do PIB está a diminuir, o que é positivo para a economia.
Vendo o Governo do Passos Coelho, o custo do trabalho diminuir 1,5 pp. Quando entrou (no segundo trimestre de 2011) o salário era 108,5% e quando saiu (último trimestre de 2015) era de  107,0%.
Vendo o Governo do António Costa, o custo do trabalho desceu 4,0 pp. Quando entrou (último trimestre de 2015), o salário era 107% e agora (segundo trimestre de 2017) é 103%.
O Passos Coelho em 4,5 anos desceu os salários em 1,5 pp e o Costa em 1,7 anos já desceu mais do dobro.

Salário nominal relativo a 2008 a dividir pelo PIB nominal relativo a 2008 (dados, INE)

Mas já viram o PCP ficar na História como o apoiante do governo que levou à maior descida do peso dos salário no PIB do tempo da nossa democracia?
Há tempo de subir salários e tempo de descer salários e o tempo do PCP está a ser de descer salários de forma pior que o tempo do Passos Coelho.
Ainda bem que assim é pois, continuando assim, ficamos melhor preparados para fazer face à próxima crise.

Dá que pensar.
Enquanto se espera para ver o Rio e a independência da Catalunha a avançar ou talvez não.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

O Santana Lopes é o nome certo para o PSD

Fiquei muito triste pelo "fim" do Passos Coelho. 
Podemos pensar que o PPC foi vítima de Sócrates, de ter sido obrigado durante os seus 4 anos, 22 semanas e 4 dias de governo a aguentar taxas de juro elevadíssimas e a um Memorando da Troika que não lhe deixou mais que não fosse cortar a torto e a direito mas, de facto, também foi beneficiado.
Se não fosse o Sócrates ter ganho em 2009 (tendo o PSD + CDS ficado com 102 deputados e as esquerdas com 128 deputados) e, depois da Ferreira Leite se ter demitido, haver a convicção por parte dos "Rui Rios" de que o próximo presidente do PSD seria para queimar até 2015 (como o Costa fez com o Seguro), nunca o PPC teria chegado a presidente do PSD/PPD a 9 de Abril de 2010.
Por isso, quando o Sócrates se demite, era primeiro ministro com dificuldades ou nunca o ter sido.
Agora isso tudo é passado.

Vamos aos ciclos económicos.
Os ciclos políticos estão intimamente ligados à evolução da economia. Pegando em dados dos USA para o desemprego, considerando que a crise começa no ano em que a taxa de desemprego é mínima o ciclo económico dura em média 7,6 anos, com um máximo de 11 anos e um mínimo de 4 anos (ver Fig. 1).

Evolução da taxa de desemprego nos USA (dados, Banco Mundial)

Acontece ainda que o ciclo económico em Portugal tem um atraso de um ou 2 anos relativamente aos USA.

Quando será a próxima crise?
Ninguém sabe e não indica que possa acontecer, o que é normal.
Pessoalmente não acredito que surja uma nova crise nos próximos 2 anos mas eu não sei nada de economia.
O que se pode dizer é que, desde a última crise (que começou em 2008), já decorreram 9 anos e que a taxa de desemprego americana já está próxima dos valores pré-crises. Então, estatisticamente, os agentes económicos começam a ter um nervoso miudinho de que, a qualquer altura, alguma coisa pode rebentar.
Será que a independência da Catalunha vai despoletar a futura crise?
Será um ataque da Coreia do Norte?
Não sei. 
Só sei que, se rebentar até meados de 2018, ainda é possível que o Costa caia em desgraça antes das legislativas de 2019.
Se até meados de 2018 não surgir nova crise económica, o Costa vai sair vencedor nas legislativas de 2019 e o PSD vai ter piores resultados que teve em 2015.

Será que alguém quer ser grelhado?
Qualquer que seja o "Rui Rio" eleito agora presidentes do PSD/PPD, vai apanhar em 2019 um resultado pior que o de Passos Coelho teve em 2015.
E esse "Rui Rio" não se vai aguentar nas canetas contra esse resultado.
Se for o Santana Lopes,  um senhor que terá 63 anos, a apanhar com a derrota, tem estofo para aguentar.
(Eu tinha-me enganado no cáculo da idade!)
Demite-se, dá lugar a outro e vai à sua vidinha.

O que deveriam fazer os "Rui Rios"?
Pedir a Deus e ao Passos Coelho para que se recandidate e aguente ele com as legislativas de 2019.
Fazer o que estão a fazer os "amigos" do Jerónimo de Sousa: "Camarada, continua para, em 2019, te fazermos um funeral de estado"
Dizer o Costa que o PCP, com o nome de CDU, não teve uma derrota eleitoral quando nas autárquicas de 2017 reduziu em 11,5% o número de votos em comparação com 2017, só pode estar a querer que o Jerónimo lá continue de vitória em vitória até ao desaparecimento total.
Quando se for embora, o Costa vai deixar algo importante, o ter acabado com o PCP.

Boodbye PCP e Jerónimo que não deixas saudades.



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Qual a vantagem de a Catalunha ser independente?

No dia 1 de Outubro tivemos as Autárquicas. 
Os bota abaixo da direita (Ferreira Leite, Marques Mendes, Pacheco Pereira) falaram de um terramoto eleitoral para o Passos Coelho mas, de facto, a "direita", PSD + CDS teve apenas uma pequena derrota. 
Se em 2013 teve 111 presidentes da câmara, teve agora 109.
Se em 2013 teve 35% dos votos, teve agora 34% dos votos.
Não foi bom mas não se pode chamar um terramoto.

O PCP é que está a caminho de desaparecer.
Inteligência é aprender com os erros dos outros pelo que o Jerónimo de Sousa e mais quem o segura lá não são inteligentes pois não observaram o que aconteceu ao PC francês quando se meteram a apoiar um governo socialista.
O PCP vivia da promessa da construção da utopia, da sociedade igualitária, da democracia directa e, ao meter-se a apoiar um governo, acaba com esse sonho.
Se o Jerónimo quer garantir a sobrevivência do PCP só tem um caminho.

Primeira fase) Meter como condição para viabilizar o Orçamento de 2018 a reversão do Código do Trabalho para repor as conquistas de Abril e a "renegociação da dívida". O PS vai dizer que não e o PC manda a geringonça abaixo.
Claro que vão dizer que, havendo agora eleições legislativas o PCP vai levar uma tareia mas quanto mais esperar, pior será. então, passamos à

Segunda fase) Dizendo que "O PS é tão de direita como o PSD + CDS e esteve este tempo todo a enganar-nos" e que "O país não aguenta agora novas eleições", tentam ganhar tempo dizendo que "Vamos viabilizar a reposição do governo PSD+CDS durante 2 anos."

Bem sei que isto não vai acontecer.
Porque se viesse a acontecer, nunca o PCP teria viabilizado a geringonça, como eu em muitos posts disse ao Camarada Jerónimo. 

A Cristas herdou o pensamento do Cunhal.
A ideia do CDS avançar em Lisboa foi um erro.
Nunca jamais um candidato do PSD ou CDS, fosse ele quem fosse, mesmo que fosse o Marcelo, o Rui Rio ou a Ferreira Leite, ganharia. Por isso, a Cristas avançar foi um terrivel erro.
Desse erro resultou uma vitória do PS.
Vir chamar a isso vitória, faz mesmo recordar a escola do Alvaro Cunhal em que encontrava sempre algo para poder anunciar "O Partido Comunista Português teve uma estrondosa vitória"


Também houve o "referendo" na Catalunha.
Não vou discutir se houve ou não houve, se a maioria quer ou não quer a independência.
O que vou discutir é o que a Catalunha (o Algarve ou o Minho) tem a ganhar em ser independente.
Será que vai fazer legislação criminal ou cívil diferente da que existe?
Será que as regras das reformas e aposentações vão ser diferentes?
Será que vai poder gastar quanto quer e deixar de pagar a dívida pública?
Será que vai deixar de ser solidária com as regiões mais pobres da UE?
Será que vai emitir passaportes e cartões de cidadão mais bonitos?
Será que vai fechar as fronteiras com Espanha para não entrarem "emigrantes" nem mercadorias da UE?
Será que vai ter Banco Central e moeda própria?
Será que vai ter embaixadas e consulados?
Será que vai ter 2 lugares na Liga dos Campeões?
Será que vai comprar água e electricidade a Espanha? E a que preço?

Não percebo que ganhos pode ter uma pequena região dentro da Zona Euro de se dizer independente.

Mas é bom para Portugal.
Qualquer confusão em destinos turísticos nossos concorrentes é uma boa notícia para o nosso turismo.
A confusão na Tunísia foi uma maravilha, no Egipto, uma bênção de Deus, na Turquia um presente do Arcanjo Gabriel e, agora, confusão na Catalunha, será a cereja no cimo do bolo.


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