quinta-feira, 26 de maio de 2016

As contas da Geringonça de abril estão fracotas

OK, agora o Costa só fala que o Orçamento de Estado está no previsto.
Mas o Costa entrou não foi para controlar o défice público, até dizia que era uma loucura dos neoliberais. Quando a Geringonça entrou foi para iniciarmos o "caminho do crescimento e do emprego".
Dizia o maquinista da Geringonça que ia acabar com a austeridade e, com isso, a economia iria acelerar para um crescimento nominal de 4,2% (face aos débeis 2,0% do Passos Coelho), aumentar o emprego e diminuir a taxa de desemprego.
O maquinista da Geringonça não se cansava de gritar "os neoliberais destruíram milhares e milhares de postos de trabalho que nós esquerdistas vamos recuperar e com empregos bem remunerados."

O problema é que, ao fim de 6 meses de tacho, está tudo a acontecer exactamente ao contrário.
Neste tempo da Geringonça a taxa de crescimento caiu para 1/3 do verificado no tempo do Passos Coelho (caiu de 0,35%/trimestre para 0,1%/trimestre) prevendo-se chegarmos ao fim do ano com pouco mais de 0,5% de crescimento.
A taxa de inflação do PIB (que era prevista pela Geringonça como 2,1%) está nos 0,5%.

Mas o pior dos piores é que o emprego está a cair rapidamente.
Pegando nos dados trimestrais do INE, ajustando uma função para estimar qual era o número de pessoas a trabalhar no principio de Dezembro de 2015 (4,519 milhões)  e quanto era esse número no princípio de Abril de 2016 (4,455 milhões) , verificamos que nos primeiros 4 meses da Geringonça, houve uma redução média de 20 mil empregos por mês, foram trucidadosmil empregos por cada dia útil.
Se destruir mil empregos por dia é a política de emprego dos esquerdistas, daqui a nada estamos "bem" como a Venezuela.

Fig. 1 -  Evolução do número de pessoas empregadas 2T2015:1T2016 (dados: www.ine.pt)



Mas o que me trouxe aqui é que as contas do défice estão marteladas.
O défice em 2015 foi de 3,03% do PIB e as contas até abril de 2016 dizem que "aumentou muito pouco face aos primeiros meses de 2015".
Mas, se o Costa disse e garantiu que em 2016 o défice vai ser de 2,2%, mesmo contando com um crescimento e uma taxa de inflação iguais aos valores de 2015 (previsão do Banco de Portugal), o défice deveria ter cair 26% face a 2015 e não ter aumentado "apenas ligeiramente"! 
          (2,2%/ 3,03%)/(100/102) -1 = -26%
Se está a "crescer só um bocadinho", penso eu que quer dizer que em 2016 vamos ter um défice acima dos 3,03% de 2015, a menos que haja uma "emergência" de 1000 milhões €.

Mas não quero ir por ai, mas pelo martelar das contas.
Já me estava a desviar para o mais importante e que, estranhamente, ainda ninguém reparou.

Como é possível que o imposto sobre o tabaco tenha aumentado 107% face a 2015?
Se a taxa de imposto sobre o tabaco aumentou apenas 1,6% do preço do maço, como é possível a receita fiscal ter aumentado 107%?
Isso obrigaria a que o consumo de tabaco tivesse duplicado.
Será que o consumo de tabaco duplicou sem que ninguém tenha dado conta?
Como é possível que o imposto sobre os combustíveis tenha aumentado 42,9% face a 2015?
Se a taxa de imposto sobre os combustíveis aumentou 6c/litro, 5% sobre o preço de venda, como é possível que a receita fiscal ter aumentado 42,9%?
Isso obrigaria a que o consumo de combustíveis tivesse duplicado 36% nos primeiros 4 meses de 2016 em comparação com os 4 primeiros meses de 2015!

E o IVA desceu 2,6%!
Se o PIB subiu 0,8%, a inflação foi de 0,5%, o IVA deveria ter subido 1,3%.
Acresce que sobre o imposto sobre os produtos petrolíferos e o imposto sobre o tabaco cai IVA a 23% pelo que, dado que estes impostos subiram tanto, é mais um grande factor para que o IVA tivesse subido.
Mas desceu e não foi pouco, foi 2,6%!

Fig. 2 - Algo aqui não bate certo! Querem-me para salvar um banco? Eu sou especialista é em bancarrotar!

O Maquinista da Geringonça foi à Grécia!
Já estou a compreender, o Maquinista foi ao berço da civilização aprender como martelar as contas públicas.




quarta-feira, 18 de maio de 2016

O ataque das Barrigas de Substituição

Foi aprovada a lei que legaliza a Maternidade de Substituição.
Mas, de facto, não foi bem isso que foi legalizado porque, pela lei antiga, Lei n.o 32/2006 de 26 de Julho, já era permitido Alguém pedir a Outrem para gerar um seu filho.
A diferença é que, na lei antiga, a criança ficava registada como filha da Outrem e a nova lei vem permitir que a criança, uma vez nascida, seja  registada como filha da Alguém.

Seria uma peninha meter estrias nesta barriguinha mas, maior pena, seria esta barriguinha não poder dar origem a novas barriguinhas

É que em Portugal é permitido tudo o que a Lei não proíba.
A "lei antiga" não proibia a Outrem gerar um filho de Alguém desde que a criança nascida fosse registada como filha da mulher que a teve no útero (ou noutro sítio qualquer que o conseguisse fazer como, por exemplo, na barriga da perna), isto é, da Outrem.

Artigo 8.o - Maternidade de substituição (lei antiga)
1 - São nulos os negócios jurídicos, gratuitos ou onerosos, de maternidade de substituição.
2 - Entende-se por «maternidade de substituição» qualquer situação em que a mulher se disponha a suportar uma gravidez por conta de outrem e a entregar a criança após o parto, renunciando aos poderes e deveres próprios da maternidade.
3 - A mulher que suportar uma gravidez de substituição de outrem é havida, para todos os efeitos legais, como a mãe da criança que vier a nascer.


A nova lei acrescenta possibilidades.
Mantém-se que nada é dito quanto à proibição de alguém ter um filho genético de outros desde que o registe em seu nome mas acrescenta a possibilidade de "a título excepcional e com natureza gratuita, nos casos de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas que o justifiquem" (Par. 2 do Art.º 8), poder haver um contrato em que que a criança que nasce fica registada como filha da pessoa que patrocinou a iniciativa (Par. 2 do Art.º 8).

Artigo 8.º - Gestação de substituição
7 - A criança que nascer através do recurso à gestação de substituição é tida como filha dos respetivos beneficiários.

Sou eu o pai desta lei esquerdista!
Já ninguém se deve lembrar mas fui eu quem deu inicio ao processo legislativo que terminou agora com a aprovação da lei da maternidade de substituição e da extensão da PMA a pessoas sós (só 14 pessoas assinaram a petição!). Podem confirmar directamente no sitio da AR que a minha petição entrou no dia 21 de Abril de 2014 (ver), já lá vão mais de 2 anos, e ver como todas as "conquistas" esquerdistas são retiradas da minha petição. 

Será que o pai do Tarcísio Filho é o Tarcísio Pai?
É que o pai da maternidade de substituição sou eu!
 
Ficava bem ao BE fazer-me um agradecimento público. 
Apesar de os Broquistas me odiarem (e eu a eles) porque são conservadores em termos económicos (e eu não), também têm coisas que eu acho positivas como seja o seu liberalismo em termos de costumes. Por exemplo, não vejo que mal venha ao mundo por causa do casamento entre pessoas do mesmo sexo (a famosa paneleiragem) ou a adopção gay e vou mesmo mais à frente defendendo a união de facto entre várias pessoas ou entre pessoas e "animais sensíveis" (na nova linguagem imposta pelo PAN).


A minha petição também deu origem a outra lei.
Para evitar choques parlamentares (os broquistas pensavam que a barriga de aluguer não ia passar), o BE dividiu a minha petição em duas partes, na primeira parte alarga o acesso às PMA aos "sozinhos" e só, na segunda parte é que abre a possibilidade da "gestação de substituição" (que já referi).
Se antes só as pessoas casadas ou em união de facto há pelo menos 2 anos é que podiam recorrer à PMA, agora, todas as pessoas, mesmo as pessoas celibatárias, a passam a poder utilizar.

Artigo 6.o - Beneficiários
1 (revogado) - Só as pessoas casadas que não se encontrem separadas judicialmente de pessoas e bens ou separadas de facto ou as que, sendo de sexo diferente, vivam em condições análogas às dos cônjuges há pelo menos dois anos podem recorrer a técnicas de PMA.

2 - As técnicas só podem ser utilizadas em benefício de quem tenha, pelo menos, 18 anos de idade e não se encontre interdito ou inabilitado por anomalia psíquica.

Esta revogação do Par.1.o do Art.o 6.o é importante porque todos os solteiros celibatários verificam a condição de admissibilidade (com excepção da Avé Maria cheia de graça, amém, e do Adão que foi pai da Eva) sem necessidade fazer qualquer teste, isto é, somos inférteis per se.
Artigo 4.o - Condições de admissibilidade
1—As técnicas de PMA são um método subsidiário, e não alternativo, de procriação. 

2—A utilização de técnicas de PMA só pode verificar- se mediante diagnóstico de infertilidade ou ainda, sendo caso disso, para tratamento de doença grave ou do risco de transmissão de doenças de origem genética, infecciosa ou outras.

Será que, se eu engravidar a minha mão esquerda, o meu filho vai nascer canhoto?


E será que os homens celibatários podem contratar uma "gestação de substituição"?
Olhemos com atenção para o texto integral do Par. 2.o -Art.8.o que trata das condições de admissão:

2 - A celebração de negócios jurídicos de gestação de substituição só é possível a título excecional e com natureza gratuita, nos casos de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas que o justifiquem.

No meio do texto está a palavra "mulher" mas, saindo este texto de um partido que quer que o Cartão de Cidadão se passe a chamar Cartão da Pessoa, não acredito que este parágrafo queira separar os homens das mulheres. E, realmente, como está escrito parece separar 3 casos distintos (diz "nos casos")
1) de ausência de útero, (aplica-se a todas as pessoas)
2) de lesão ou de doença deste órgão que impeça de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher
3) em situações clínicas que o justifiquem (aplica-se a todas as pessoas)

Mas, dirão, só as mulheres é que têm útero pelo que a condição 1) só se poderá aplicar às mulheres.
Mas este seu argumento é errado porque o que lá diz é "ausência de útero" e isso aplica-se não só a todos os homens (e às galinhas) como também a algumas mulheres. 
Pelo contrário, lesão ou de doença do útero explicita mulheres porque só se aplica às mulheres (se os homens não têm útero ...)


Se o legislador queria que a condição se aplicasse apenas às mulheres, teria escrito: 


A celebração de negócios jurídicos de gestação de substituição só é possível a título excecional e com natureza gratuita, nos casos em que a mulher sofra de ausência de útero, de lesão ou de doença deste órgão que impeçam de forma absoluta e definitiva a gravidez da mulher ou em situações clínicas da mulher que o justifiquem.

Não terão também os homens celibatários direito a desenvolver um projecto de paternidade?
Conhecendo eu os esquerdistas como conheço, é por demais evidente que o texto tem por fim que, uma vez publicado, permita que os homens celibatários, porque não têm útero ou porque têm "situações clínicas que o justifiquem", possam contratar uma gestação por substituição com óvulos doados.

Será possível eu ter um filho com a minha mãe substituída na minha irmã?
Apesar de em Portugal ser proibido os pais casarem com os filhos, os irmãos entre si e os tios com os sobrinhos, não é proibido que tenhamos filhos uns dos outros. Não existe qualquer proibição das filhas terem meios filhos/netos do pai nem dos irmãos fazerem meios filhos/sobrinhos às irmãs.
Como o útero da minha mãe não pode mais suportar uma gravidez (tem 85 anos, está acamada, sofre de cancro da mama, faz hemodiálise e é diabética) será que eu mais a minha mãe podemos ter filhos por gestação por substituição em que eu sou o pai genético, os óvulos são doados e a substituta é uma das minhas irmãs?
Penso que é legal porque não encontro nada na lei que o proíba.

Como o meu útero já não funciona, ofereço-me para ser a mãe do filho que o Sr. Padre quer ter por maternidade de substituição.


Mas o que é que isso interessa à Sociedade?
Que prejuízo causará à Sociedade eu ter filhos/netos ou filhos/sobrinhos por "substituição"?
Que prejuízo terá os padres passarem a ter filhos com as beatas com gestação por substituição?
Que mal veio ao mundo do Cristianinho ser filho de mãe desconhecida?
Nenhum.


O significado de o CDS e o PCP terem votado contra e o Passos Coelho a favor.
O liberalismo defende que as pessoas devem poder fazer tudo o que bem entenderem desde que isso não cause à sociedade um prejuízo impossível de ser compensado.
Por exemplo, ao andar de carro emitimos poluição para o ar que prejudica as outras pessoas. Então, para o podermos fazer temos que pagar um imposto no combustível que (mais que) compense essa perda social.
Interessante que, em Portugal, a Direita é liberal em termos económicos mas conservadora em termos de costumes e a Esquerda é liberal em termos de costumes mas conservadora em termos económicos. Aberração é o Salazar ser de Direita e ser conservador em termos económicos (impôs a Lei do Condicionamento Industrial) e de costumes (achava que o divorcio era pior que o Diabo) e o  PCP dizer-se totalmente do outro lado mas também ser conservador em termos económicos (a nacionalização de tudo o que mexe) e em termos de costumes, que se traduziu no voto contra à lei da gestação de substituição .

O Passos Coelho é um verdadeiro liberal.
Defende não só a liberdade económica como dos costumes e, por isso, é que votou a favor da proposta do BE da gestação de substituição.
Por isso é que eu gosto dele pois é difícil encontrar na mesma pessoa estas duas qualidades.
O Sá Carneiro era outro (muito religioso mas tinha uma amante) e já nem se fala do Santana Lopes (faz filhos em tudo que mexe).

A principal "revolução" vai acontecer com o tempo.
Não imagino que, nos primeiros anos, haja mais de 100 substituições por ano mas, com o passar dos anos, vai começar a ser natural uma mulher aparecer grávida dizendo "é o filho de uma amiga" e toda a gente aceitar isso com naturalidade e dizer "és boa pessoa".
Vai ser um bocado como o top-less. Há uns 40 anos começaram a aparecer umas raparigas, desavergonhadas, ao fundo da praia que, mesmo assim, estavam sempre deitadas. depois, viam-se ao longe esporadicamente de pé. foram-se aproximado e, agora, andam com toda a naturalidade, novas e velhas, grandes e pequenas, inchadas e chupadas. Até jogam vólei de praia, tudo a abanar para cima e para baixo.


A minha mãe referia que, quando era jovem, o cabo do mar inspecionava os fatos de banho e passava multa a quem tivesse saias curtas ou decotes avantajados.


No futuro, os infantários vão fazer as crianças.

Quando as pessoas pensarem ter uma criança vão ao infantário que tem uma solução "tudo incluido".
Assim, nesse dia a pessoa "mete" o pré-embrião numa das meninas auxiliares e começa logo a pagar a mensalidade pois é necessário cuidar da criança a partir desse mesmo dia, primeiro, 24 horas por dia no ventre na menina e, depois de nascer, durante o dia.

O que eu acho mal na lei.
Primeiro, não é claro quem vai ter direito à Licença de Parentalidade.
Numa sociedade aberta em que a maternidade de substituição é gratuita e voluntária, penso que é justo que a "mãe de substituição" goze da licença de maternidade e que tenha, depois, o intervalo para amamentar a criança.

Segundo, sou contra a autorização prévia.
A Lei deveria conter as condições de aplicabilidade (o Par. 2.º do Art.o 8.o) e não deixar para outros, a Ordem dos Médicos e a CNPMA, a decisão de dizer sim ou não e sem serem definidos critérios claros para a recusa.
Além disso, a Ordem dos Médicos não é um tribunal para vigiar se as pessoas cumprem ou não a leis nem tem legitimidade democrática para isso.
No meu entendimento, havendo uma decisão médica de que se verificam as condições de aplicabilidade da lei, a decisão deveria ficar dentro da questão técnica/médica e não mandar para um organismo permeável a questões religiosas e políticas.
E em termos práticos, vamos supor que o CNPMA recusa com base no parecer da Ordem dos Médicos. Para onde é que a pessoa recorre? E quantos anos vai demorar o recurso?

O que eu acho bem na Lei.
Primeiro, estão previstas sanções  para os pais e para a mulher
 que leva a cabo a maternidade de substituição quando esta é feito à revelia do previsto no Art.o 8.o (se o contrato for gratuito, multa até 120 dias e, se for remunerado, multa até 240 dias) o que traduz que é possível ser feito à revelia da Lei e também obriga a que todos mantenham o bico calado.

Segundo, não estão previstas penas para a clínica.
Vamos supor que eu vou a uma clínica onde argumento que, por eu ser celibatário, sou estéril e, porque sou homem, não tenho útero podendo contratar uma maternidade por substituição.
Vamos ainda supor que eu digo "Não é preciso pedir parecer à CNPMA porque não vou fazer contrato, é minha prima e resolve-se a questão do registo quando criança nascer."
E termino dizendo, "como não têm óvulos disponíveis, tenho aqui esta minha amiga ucrâniana de boa raça que faz uma doação."
Vamos finalmente supor que na secretaria da clínica aceitam os meus argumentos como válidos e a coisa avança.
A criança nasce e, nessa altura, como não tenho o contrato, tenho que deixar o meu filhinho registado em nome da minha prima, que de pouco se importa porque até vai receber o abono. 
Logo na altura eu, querendo, posso reconhecer a paternidade e, daqui a uns 10 anos, alegar que a criança é minha filha e de uma ucraniana de quem não sei o nome e que eu fiz o registo "falso" para que ela não levasse a criança fugiu para o seu pais.
Qual o interesse e como é que o Ministério Público vai provar que a criança é da minha prima se o teste de ADN vai dar NEGATIVO?

Mais uma vez a pergunta, e que mal vem ao mundo por isso?
Nenhum



Até há quem diga que a Bomba Atómica ter rebentado em Hiroxima foi bom para a humanidade porque, na altura, poupou a vida de milhões de soldados japoneses e americanos e permitiu que a Europa (a maior parte) viva em paz há mais de 70 anos

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Vitória vs Peseiro, ensino público vs privado, Passos vs Costa

Esta última semana a minha cabeça esteve quase a rebentar. 
E isto tudo por causa de apenas 3 questões.
A primeira questão é saber se o Vitória (Benfica) é melhor treinador que o Peseiro (FCPorto).
A segunda questão é saber se as escolas públicas são uma melhor aplicação dos dinheiros dos nossos impostos do que as escolas privadas.
A terceira questão é saber se o "Caminho do crescimento e emprego e da reposição dos direitos e conquistas de Abril" do António Costa é melhor que o "Caminho Neoliberal, de baixos salários e de austeridade" do Passos Coelho.
A minha cabeça estava quase a rebentar, latejava e sentia tudo a andar à roda (sim, estou com síndrome vertiginoso o que dá direito directo a baixa médica!) mas, a minha mente contra-atacou com uma quarta questão.

Ai que a minha cabeça vai rebentar!


Porque será que acabaram os exames no ensino básico e secundário?

Bingo, está tudo aqui explicado.  É quase como a regra de que "menos por menos dá mais." Se não somos capazes de responder a uma questão, atacamos com outra questão e logo a coisa fica resolvida.

Faz-me lembrar uma guerra de questões nos malucos do riso.
-Oh Compadre, você que é todo esquerdista, diga-me porque é que no caminho da austeridade e da destruição da economia do Passos Coelho o desemprego estava a diminuir e a economia a crescer e, agora com o caminho do crescimento do Costa, a economia está a cair e o desemprego a aumentar!
- Sabe compadre direitista, isto tem a ver com os animais. Sabe-me dizer porque a vaca e a ovelha comem ambas erva e a vaca faz um cagalhotos grandes e a ovelha uma bolinhas pequeninas?
- Não compadre esquerdista, não sei.
- Então se não sabe de coisas de bosta, quer que nós os esquerdistas percebamos alguma coisa de economia?

 

Já estava quase a entrar num estado de loucura
(que, dizem, é o meu estado normal) quando me veio à cabeça uma questão que já estava meio esquecida mas que é a chave para isto tudo.
Porque será que a Geringonça acabou com os exames no ensino básico e secundário?
Será mesmo que é por serem traumatizantes para as frágeis mentes das criancinhas?

Não, nada disso, agora sei que apenas foi para preparar o terreno.

A existência de avaliação faz com que as acções das pessoas possam ser comparadas com a alternativa.
Vamos supor que o Benfica treina 2 horas de manhã, 2 horas a meio do dia e mais 2 horas à noite, 5 dias por semana e, no fim de cada treino, tem uma massagista com mamas secas para cada 3 jogadores.
Vamos ainda supor que o FCPorto treina de 3 horas de manhã, 3 ao meio do dia e mais 3 à noite 6 dias por semana e tem no fim de cada treino uma massagista de mamas boas por cada jogador.

Esta massagem (que custa 20€) só pode fazer bem às dores de costas mas a avaliação clínica diz que é melhor tomar um comprimido de Nimesulida (que custa apenas 0,10€).


Quem é o melhor treinador, o Vitória do Benfica ou o Peseiro do FCPorto?
Bem, não há dúvida que será o Peseiro já que treina mais horas e proporciona mais e melhores massagistas.
Naturalmente, o ensino público é melhor porque as turmas são mais pequenas, há menos alunos por professor (segundo os dados, uma média de 9 alunos por professor!) e as instalações são maiores (mais m2 de área por aluno).
Finalmente, o Costa é melhor que o Passos Coelho porque, além de ter reposto os direitos dos desgraçados (i.e., o meu salário e de outros malandros), ainda acabou com a austeridade e começou o caminho do crescimento e do emprego.

O problema é quando há avaliação.
Por mais que o Benfica e o FCPorto treinem e façam jogos "solteiros contra casados", nunca saberemos no exacto qual das equipas conseguirá jogar melhor quando for "a doer".
Agora, vamos olhar para os jogos a doer, naqueles que há avaliação fiável.
Olhando para o facto de nos últimos 3 campeonatos (2013/2014, 2014/2015 e 2015/16) o Benfica acabar com  uma média de mais 7 pontos que o FCPorto, teremos que concluir sem margem para discussão que o Benfica tem sido melhor treinado que o FCPorto.
Não sei se é por o Pinto da Costa estar dominado pelos comissionistas.
Não sei se é por a Fernanda rebentar com o homem com acrobacias sexuais.
Não sei se é por o Peseiro, o Lupetegui ou o Rui Barros não perceberem da poda.
Não sei se é por causa dos árbitros, das bolas ao poste ou da radioactividade no Dragão ser maior que na Luz (isto é verdade)
O que sei é que, postos a jogar todos contra todos à séria, o Benfica consegui mais pontos.

Se vemos que é branco e que a galinha o põe, só podemos concluir que é ovo.

Acabaram com os exames para não poder haver comparação!
É que não havendo avaliação dos alunos, os pais dos alunos (e nós os pagantes de impostos) não podem fazer uma comparação entre o conseguido nas escolas públicas e nas escolas privadas.
Se não podemos comparar, a Geringonça pode dizer à vontade que "o ensino público é melhor que o ensino privado e fica mais barato."
Afinal, o fim dos exames não foi porque tal traumatizava os alunos sem haver ganhos pedagógicos mas porque fazia parte do processo que está a levar ao fim a hipótese dos pais das crianças escolherem meter os filhos numa escola privada com financiamento público ou numa escola pública também com financiamento público).
 
Será que alguém perguntou?
Aos alunos, aos seus pais ou aos psicólogos se as crianças fazerem exames na escola é traumatizante?
Porque será que os pais e as crianças querem meter os filhos em escolas privadas quando têm a menos de 2 km escolas públicas vazias?
Será que esses pais querem filhos ignorantes? Será que têm que ser interditados do seu poder paternal porque só querem fazer mal dos filhos?
Será que essas crianças são dependentes de drogas que lhes alteram o discernimento a ponto de dizerem querer estar numa escola privada?
Será que o ministro da educação é Super Homem a ponto de saber o que é melhor para os alunos mesmo pensando estes o contrário? 

Consta que o amarelo é a cor dos malucos, só pode ser para quererem estar em escolas privadas que lhes fritam os cérebros


3 passos para tornar o sistema de ensino eficiente na utilização dos dinheiros públicos.
Para que um sistema seja eficiente, tem que ser possível compara-lo com outros (menos eficientes). 
Então, será preciso fazer uma avaliação aos custos e ao desempenho de forma a conseguir uma melhor relação preço/desempenho.
Vou considerar o ensino público como referência (benchmark).
1 passo) Avaliar qual é o custo padrão no ensino público.
Este custo padrão será calculado com base no custo médio por aluno nas escolas públicas controlando, por exemplo, pelo anos de escolaridade, pela área de ensino e por variáveis socioeconómicas.
Segundo as estatísticas do governo, cada aluno custa nas escolas públicas uma média de 4660€/ano (ver) sendo mais barato nos primeiros 4 anos de escolaridade, 2772€/ano, que nos seguintes 8 anos de escolaridade, 4921€/ano, (ver).

2 passo) Avaliar qual é desempenho padrão dos alunos do ensino público.
A avaliação do que o aluno sabe tem que ser feito sujeitando os alunos de todas as escolas ao mesmo teste de conhecimentos (incluindo raciocínio, criatividade, etc.) da mesma forma que nos Jogos Olímpicos todos os atletas, independentemente das metodologias de treino, raça ou religião, têm que correr um mesmo percurso de 42195 m (para a maratona).
Para sabermos como se compara a performance dos alunos da escola A em Vinhais relativamente aos alunos da escola B em Faro, todos terão que responder a um teste idêntico de que já existem modelos validados como, por exemplo, o GRE (Graduate Record Examination) cuja classificação é aceite por muitas universidades um pouco por todo o mundo.
Vamos supor que o desempenho padrão dos alunos é normalizado a 60 pontos numa escala de 0 a 100.

3 passo) Financiar todas as escolas que consigam melhor desempenho que as escolas públicas.
Vamos supor que uma escola se propõe ensinar alunos por 80% do custo padrão.
Não interessa se esta escola tem turmas com 10 alunos ou com 50 alunos, o que interessa é que consiga ensinar um aluno com um desconto de 20% em comparação com as escolas públicas e que os alunos consigam atingir o desempenho padrão.

O Estado apenas terá que fazer o seguinte contrato:
Compromissos
1 = O Estado financia a Escola com 80% do custo padrão.
2 = A Escola aceita todos os alunos que a queiram frequentar, independente da origem socio-económica, desempenho escolar, raça, género ou religião.
3 = A Escola garante que os alunos atingem em média, pelo menos o desempenho padrão.

Penalizações
4 = Violando o ponto 2 do contrato, a Escola sofre uma penalização de 10000€ por aluno.
5 = Não atingindo a meta do ponto 3, a Escola tem uma penalização proporcional ao desvio.

Vejamos um exemplo numérico.
A Escola propôs 80% do custo padrão e consegue cativar um total de 1000 alunos.
Pro razões que não explicou, excluiu 10 alunos em no final do ano, os alunos atingiram um desempenho médio 2 pontos abaixo do desempenho padrão (que é de 60 pontos).
Então, o financiamento total da Escola para este ano vai ser de:
       (1000 * 4921*80% - 10 * 10000€) * 58/60 = 3,71 milhões € por


Para melhorar a eficiência, é preciso avaliar


Mas os esquerdistas falam na "exclusão dos desfavorecidos" por parte dos privados
Mas, facilmente, o sistema de financiamento pode ultrapassar esse problema com um caderno de encargos que inclua na formula de financiamento variáveis socioeconómicas (vou apresentar apenas um exemplo).
O financiamento é atribuído a quem atinge o desempenho padrão (60 pontos na escala 0-100) adaptado à seguinte regra "anti exclusão":
   Rpc = ((Rendimento mensal per capita do agregado familiar do aluno) / 420)^0,5
   Esc = ((Número médio de anos escolaridade dos pais do aluno) / 6 )^0,5
   C = Rpc*Esc
   No caso de C<1, o aluno será financiado se atingir 60 * C pontos.

Por exemplo, uma criança com Rpc = 300€/mês e  Esc = 4 anos, para obter financiamento terá que ter um desempenho de pelo menos 35 pontos, 600 * (300/420)^0,5 * (4/6)^0,5 = 34,5 pontos.

Finalmente, Geringonça contra Caranguejola.
sim, sim, a Geringonça está a funcionar e, por isso, já podemos avaliar do que ela é capaz.
Se disséssemos, "não, o PCP está a levantar obstáculos e o BE não é construtivo" ainda poderíamos pensar "quando a Geringonça começar a funcionar, isto vai ser melhor que o Paraíso" mas não, a Geringonça está a funcionar plenamente.
Então, nestes últimos tempos saíram os resultados para o desempenho da Geringonça. Relativamente ao Passos Coelho temos que
   A) O défice aumentou
   B) A dívida aumentou
   C) O emprego diminuiu
   D) O desemprego aumentou
   E) O crescimento do PIB diminuiu
   F) O investimento diminuiu
   E) As exportações diminuíram
   G) As importações aumentaram
   H) As taxas de juro aumentaram
É que não há uma única vertente onde a Geringonça PS+CDU+BE tenha conseguido melhor desempenho que a Caranguejola PSD + PP.

Os resultados da caranguejola eram anémicos mas os da Geringonça são ainda piores


A culpa é dos outros.
Disse o Peseiro que 2016 foi um ano de transição mas em que, mesmo assim, se não fossem os árbitro e as bolas aos ferros, o FCPorto teria sido campeão. 
Mas, pergunto eu, então não deveria ser a capacidade do Peseiro enquanto treinador que deveria fazer o FCPorto Campeão?

Disseram várias vozes da Geringonça que o primeiro trimestre foi apenas de transição e que, mesmo assim, se não fossem a crise em Angola e no Brasil, o desempenho da economia teria sido melhor que o da Caranguejola. 
Mas, pergunto eu, o Costa quando entrou não prometeu que, pela sua capacidade e do Centeno mais o Cabral,  a economia iria ficar muito melhor que no tempo da Caranguejola? Não era a competência deles que iria fazer explodir o "crescimento anémico" de 1,5% da Caranguejola?
Agora que o crescimento no primeiro trimestre voltou à tendência de 0,5%/ano dos 6 anos do Sócrates (os 0,8% em termos homólogos inclui 2,5 trimestres de 2015 da Caranguejola), só tem a dizer que a culpa é dos outros? 

Não é culpa do Brasil nem de Angola.
Mais não é porque Portugal teve no 1.º T 2016 o pior desempenho da Zona Euro (excluindo a Grécia onde o Costa foi fazer furas de amor e de solidariedade). Faz-me lembrar as provas de bicicleta em que um ciclista estando muito atrasado, há um desgraçado que fica para trás para o ajudar a não desistir.
Num mercado globalizado com milhares de milhões de pessoas, é o preço relativo que conta. Se nós conseguirmos fazer bicicletas mais baratas e melhores que os espanhois, ficamos com o mercado todo espanhol. Se os nossos camionistas conseguirem fazer transportes melhores e mais baratos que os outros transportadores europeus, ficamos com a totalidade do negócio dos transportes na União Europeia.
O mercado é vastíssimo pelo que uma pequena diferença na relação preço/qualidade é suficiente para arruinarmos o nosso tecido produtivo.
é que não foi só a questão da diminuição das exportações mas o aumento das importações também traduz que as nossas empresas se tornaram menos competitivas face às empresas exteriores.

"A partir de agora é que vai ser"
O Peseiro diz que vai ganhar o título em 2017 e muitos mais virão sobre o seu comando.
Os da Geringonça também dizem que é exatamente agora que a economia vai explodir com mais emprego, menos desemprego e mais crescimento económico.
Acredito tanto que o peseiro vai ser campeão no FCPorto como que a Geringonça vá conseguir sair do marasmos dos 0,5%/ano de crescimento.

Então,a subida do Salário Mínimo Nacional eram mais 1000 milhões nas mãos das famílias?
Lembram-se do argumento de que subir o salário mínimo não tem nenhum impacto negativo na economia.
Claro que esta afirmação não resiste sequer à prova por absurdo.
Pois imediatamente, o investimento caiu, o emprego caiu, as exportações caíram, o crescimento caiu e, pelo contrário, o desemprego aumentou.
Se subir o salário mínimo nacional não causa prejuízo a ninguém e melhora a vida dos assalariados então, que se suba o SMN para 1 milhão € por hora.

Força Costa, sobe isso rápido para os 600€/mês.
Porque quanto mais rápido fizeres as asneiras, menos tempo temos que te aturar.

E o Brasil?
Em tempos escrevi um poste a prever que o Brasil ia, lá para 2019, bancarrotar.
Alguns dos brasileiros que são meus leitores insultaram-me.
Afinal, as más notícias não estavam em quem as anunciava, em mim, mas no Brasil.

Mas muita coisa continua boa e gostosinha lá para os lados do Brasil

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Uma pequena nota sobre o défice de nascimentos.

Hoje está-se a discutir no parlamento incentivos à fertilidade.
Para na geração seguinte haver tantas pessoas como na geração actual, cada mulher tem que ter, em média, uma filha o que resulta em 2,07 filhos (nascem ligeiramente mais homens do que mulheres). Ora, o último ano em que esse número de equilíbrio se observou foi em 1982, já lá vão 34 anos.
Assim, apesar de ser sempre anunciado como um problema que precisa de rápida intervenção, já dura há 34 anos e nada de eficaz foi feito porque, ano após ano, caiu.
claro que os esquerdistas gostam de dizer que é um problema criado pela direita e as suas políticas destruidoras da economia. Mas atentemos aos números.
Quando o Guterres entrou (1995) era de 1,41 f/m. Foram criados não sei quantos instrumentos e mecanismos (o famoso "ter filhos para receber o rendimento mínimo") e quando saiu (2002), a fertilidade estava em 1,46 f/m, umas 5 centésimas a mais que nem dão para o erro estatístico.
Quando Sócrates entrou (em 2005), estava de volta aos 1,41 f/m e quando saiu (2010) já tinha caído para 1,39 f/m.
Agora, está em 1,21 f/m.

Porque será que não nascem crianças?
Há muitas opiniões mas nenhum estudo científico que identifique os instrumentos que permitam fazer aumentar o número de crianças que nascem todos os anos.
Será o aborto ser livre?
Será as pessoas não irem à missa?
Será não haver infantários?
Será a política neoliberal do Passos Coelho?
Será a pobreza?
Cada cabeça opina uma hipótese mas não existe nenhum estudo que diga que "por cada 1000€ investidos em infantários, nascem mais 0,3 crianças" ou "se aumentarmos a licença de maternidade numa semana, nascem mais 1472 crianças/ano."

Apenas sei duas regularidades estatísticas.
Pegando nos dados do Banco Mundial, sei que a diminuição da fertilidade é um fenómeno global que tem como principais variáveis o tempo e o rendimento.

A variável ano.
Cada ano que passa, nascem menos filhos por mulher.
Se houve uma redução em Portugal (nos anos 1960 nasciam 3,1 f/m e agora nascem 1,2 f/m), também houve uma redução à escala mundial (nos anos 1960 nasciam 7,5 f/m e agora nascem  3,7 f/m).


Evolução da fertilidade ao longo do tempo, 1960:2014 (dados, Banco Mundial)

A variável rendimento.
Contrariamente ao que se possa pensar, é nos países pobres onde a fertilidade é mais elevada. Assim, considerando 227 países e a média dos últimos 10 anos, quando um país aumenta o seu rendimento em 10%, a fertilidade diminui 3%.

Evolução da fertilidade com o PIB, 227 países, 2004:2014 (dados, Banco Mundial)

 E o que poderá ser feito para aumentar o número de nascimentos?
Noutros postes, já avancei várias medidas possíveis mas a principal é haver uma alteração de mentalidades. 
A criança (e, genericamente, a sexualidade) tem que deixar de ser vista como algo de criação divina e passar a ser vista como o output de um processo produtivo que tem que responder ao menor custo a um mercado em crescimento.
Se há um défice de 50 mil crianças por ano, talvez a Geringonça abrir um concurso público a ver quem as consegue fornecer ao menor preço. Talvez o caderno de encargos diga "Criança com 3 anos, que fale português como primeira língua, pronta a entrar no ensino pré-primário, filha genética de pais com naturalidade portuguesa ou que residam em Portugal legalmente há mais de 5 anos".

A esquerda não deve gostar das crianças.
Porque são feitas por empresas privadas.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O fim do "modelo político de baixos salários"

O maquinista de geringonça apelou ao fim do "Modelo Político dos Baixos Salários".
Os esquerdistas e as mentes simples bateram palmas mas eu fiquei com uma dúvida.

O que é um Modelo Político?
O conceito "Modelo Político" refere-se à forma como o Estado se organiza seja em termos territoriais (Estado Unitário, Estado Federado, Estado Confederado ou um misto disto tudo) seja em termos de exercício do poder (Monarquia, Aristocracia, Democracia ou um misto disto tudo).
Sendo assim, esse "Modelo Político de Baixos Salários" é uma criação do maquinista da geringonça.


O Costa vai ficar na História por ter acabado com o que nunca chegou a existir.
É mais que possível se atendermos ao facto de Nietzsche* ter ficado na História por ter matado o que nunca existiu, i.e., Deus e D. Quixote ter ficado na História por ter lutado e vencido guerreiro enormes que também nunca existiram (não passavam de moinhos de vento).
Assim, daqui a 100 ou 200 anos, quando já todos estivermos velhinhos ou mesmo mortos, ainda se falará de Costa. Dirão os livros de História de então "Nos princípios do Sec. XXI, Marcelo fez a paz em Moçambique e Costa exterminou de forma implacável o que nunca chegou a existir."
Na Wikipédia ser-lhe-á mesmo atribuído o seguinte texto:

"O Modelo Político dos Baixos Salários está morto! O Modelo Político dos Baixos Salários permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!"


Encontrei um texto interessante do Pedro Portugal (2006).
"O Esgotamento do Modelo Económico Baseado em Baixos Salários", Banco de Portugal (ver)
O Pedro Portugal foi meu colega de trabalho quando eu era estagiário e ele já era doutorado e com trabalho científico de grande valia. Agora, está lá para Lisboa a fazer coisas importantes para o país (e a ganhar bom cacau) e eu estou aqui a escrever estas coisas.
Reparem bem na diferença de discurso entre um tosco, o maquinista da geringonça, e quem sabe, o Pedro. 
Não é o "Modelo Político de Baixos Salários" (serão os salários uma decisão política?),  mas sim o "Modelo Económico Baseado em Baixos Salários" (já faz algum sentido porque os salários são uma determinação económica).

Mas, mesmo o Modelo Económico Baseado em Baixos Salários, não existe.
Quem o diz é o Pedro Portugal.
Assim, o salário não passa de um preço de um serviço determinado da mesma forma que o preço de qualquer outro bem ou serviço, BoS.
Sendo a nossa economia livre, o salário resulta da concorrência entre os trabalhadores e os empregadores, sujeito a interferências políticas da mesma forma que os preços dos transportes públicos ou dos medicamentos têm influência política.

Se o Maquinista tivesse razão, o Cristiano Ronaldo 655,08€/mês.
Segundo a ideia linear dos esquerdistas, como os empregadores procuram pagar o mínimo salário legalmente possível, toda a gente deveria ganhar o SMN, os tais 530€/mês (que correspondem a um custo total para o empregador de 5,00€/h de trabalho) ou 655,08€/mês para quem trabalha em Espanha.
Se a grande maioria das pessoas ganha mais do que 5,00€/h, é porque a tese dos esquerdistas não tem aderência à realidade.


Vamos então ver como, em termos económicos, o salário é determinado.
Existe um espaço de processos produtivos (tecnológicas de transformação) de inputs em outputs, espaço F, que contém todos os processos possíveis, f1, f2, f3, ..., fn.
Cada processo conseguem transformar inputs (matérias primas + bens e serviços intermédios + mão de obra + capital) em outputs (outros bens intermédios + bens finais + mão de obra + bens de capital) onde a mão de obra é apenas um dos inputs.
Para manter um certo grau de generalidade, o output pode ser mão de obra, por exemplo, uma empresa que fornece médicos a hospitais e que tem nos seus quadros de pessoal, além dos médicos, motoristas e pessoal administrativo. 
No limite, a mão de obra é um processo produtivo que transforma arroz, massa, carne, chamadas telefónicas, etc, em trabalho.
 

Modelo Económico de uma empresa (processo de transformação)


Qualquer pessoas pode pegar num processo produtivo e implementá-lo, tornando-se assim empregador. Faz um leasing do capital (máquinas, instalações, veículos, etc.), vai ao mercado comprar bens e serviços intermédios e contratar trabalhadores e volta ao mercado para vender os seus outputs.
A economia vai ser uma malha com milhares de "processos tecnológicos de transformação" ligados pelos bens e serviços intermédios. Assim, é um circuito aberto que começa nos recursos naturais e acaba na lixeira.


 
Uma economia é um fluxo que começa nos recursos naturais, passa por milhares e milhares de processos produtivos interligados e acaba na lixeira.

A margem económica de uma empresa tem que ser, no mínimo, zero.
Uma empresa, que pode incluir vários processos produtivos, apenas sobrevive se o preço conseguido com a venda dos outputs for, no mínimo, igual ao preço dos inputs utilizados. Esta diferença é a  Margem Económica da Empresa e quantifica o valor criado pela empresa.
   Valor Criado pela Empresa = Preço dos outputs - Preço dos inputs incluindo mão de obra
 
Se a Margem Económica for negativa, a empresa apenas poderá continuar a funcionar se for financiada com os impostos, sendo uma empresa pública deficitária ou uma empresa privada subsidiada.

Como é decidido o preço dos inputs.
O empresário vai ao mercado comprar os inputs e vender os outputs.
Os esquerdistas gostam de falar do "monstro mercado" mas, de facto, as compras e as vendas são realizadas por pessoas, mano a mano, que negoceiam os termos da compra e venda.
O empresário, primeiro, vai procurar potenciais fornecedores, trabalhadores e clientes e, depois, vai regatear com cada um deles os preços e qualidades de forma a conseguir que a margem económica seja o mais positiva possível.
Os outros intervenientes nos negócios (vendedores, trabalhadores e compradores) têm exactamente a mesma estratégia (maximizar a margem dos seus negócios ou do trabalho) pelo que é difícil conseguir um "bom preço".
Numa economia em concorrência, a margem económica é zero (depois de pagos todos os inputs onde se inclui a remuneração do empresário e os juros do capital investido)

O regatear é fundamental para a eficiência económica.
Porque vai permitir descobrir onde o recurso é melhor utilizado.
Se eu quero um mínimo de 30€/h pelo meu trabalho, ao negociar com um agricultor cujo processo produtivo não pode pagar mais de 4€/h, nunca chegaremos a acordo. Então, eu vou procurar outras oportunidades e ele também até que eu encontre um trabalho em que seja suficientemente produtivo para poder receber 30€/h e ele encontre um trabalhador que seja produtivo exactamente na sua empresa (por exemplo, porque tem baixa escolaridade).
O salário de cada pessoa surge desse processo de regateagem e não do bicho papão a que os esquerdistas chamam Mercado.




Querias bloguista de merda, mas não tens palheta para esta viola.


O Desemprego de Longa Duração.
É um problema de informação quanto ao impacto do trabalhador na margem económica.
Quando o empregador considera contratar um trabalhador, avalia quanto essa pessoa irá aumentar a margem económica da sua empresa. Se pensar que o impacto na margem vai ser negativo, não a contrata.

A informação.
Não é fácil avaliar com rigor qual será o impacto de cada trabalhador na margem económica da empresa pelo que, usando dados do passado, o responsável pelos recursos humanos, constrói regras de actuação. O que a evidência empírica mostra é que:
Regra 1 => Quem está desempregado tem algum problema.
Imaginemos que tem uma colega de trabalho com muito bom aspecto que, de repente, é largada. Sendo que ela o convida para tomar um café, salta-lhe logo à cabeça "Porque será que foi largada? Deve ter algum defeito que não estou a ver pois, caso contrario, não teria sido largada!"
Agora imagine que conhece o ex-dela e que o acha uma joia de pessoa, vem-lhe logo à cabeça "Deve ter um feitio impossível de aturar."
Com os trabalhadores passa-se o mesmo, há informação que é publica (o currículo e como responde na entrevista) e outra que é desconhecida (quanto vai contribuir para a margem da empresa) e é necessário estimar a informação desconhecida a partir da conhecida.


Questão 1) Imagine que pretende contratar um economista e que lhe aparecem dois candidatos. O candidato A está empregado há 10 anos em Lisboa onde está a ganhar 1200€/mês mas que pretende vir morar para o Porto porque arranjou ali uma mulher boa. O candidato B está desempregado há 5 anos. Se ambos pretendem um salário de 1000€/mês, qual será a pessoa que irá contratar?


Regra 2) Quantas mais vezes foi despedido ou há mais tempo estiver desempregado, mais problemas deve ter.
Com o passar do tempo, foi a mais entrevistas e teve mais hipóteses de mostrar o seu valor. Se não arranjou emprego ou arranjou mas depois foi novamente despedido, mais é certo que a pessoa tem problemas.
Também, com o passar do tempo, a pessoa vai-se desactualizando e perdendo conhecimentos e capacidade de trabalho.

Questão 2) Imagine que pretende contratar um economista e aparecem-lhe dois candidatos que estão actualmente desempregados. O candidato A licenciou-se há 2 meses e o candidato B já se licenciou há 10 anos, teve 10  empregos que em média duraram 3 meses e já não trabalha há 5 anos. Se ambos pretendem um salário de 1000€/mês, qual a pessoa que irá contratar?

Penso que respondeu a ambas as questões que contrataria o candidato A. Sendo assim, fica justificado porque os desempregados de longa duração têm tantas dificuldades em arranjar novo emprego (e os solteirões como eu mulheres boas).

E como se resolve o problema?

Eu dava duas medidas para combater o desemprego de longa duração.

Medida 1) O Salário Mínimo Nacional (ou o salário mínimo previsto no contrato colectivo de trabalho) sofrer uma diminuição de 1% por cada mês de desemprego. Por exemplo, se o trabalhador está desempregado há 3 anos, o SMN reduzir-se para 339,20€/mês, 64% do SMN.

Medida 2) O tempo máximo de renovação do contrato a termo certo aumentar 2% por cada mês de desemprego. Por exemplo, se o trabalhador está desempregado há 3 anos, o contrato poder ser renovado até um máximo de 62 meses, 64% dos 36 meses actuais.

No caso da Geringonça, o mais natural é a Medida 1) ser uma redução da TSU (até ficar a zero).

Falta-me falar do fracasso do Marcelo em Moçambique.
Moçambique é um país muito pobre, com um rendimento corregido dos preços na ordem de 5% do nosso.
Quer isto dizer que, se o salário médio em Portugal é na ordem dos 1000€/mês, em Moçambique é na ordem dos 50€/mês.
Mas 50€/mês não dá para nada, pensa o estimado leitor, e olhando para as imagens dos governantes moçambicanos, estão bem gordinhos pelo que não podem viver com 50€/mês.
Não podem viver nem vivem.
O que se passa é que uma massa muito grande vive com 30€/mês para que a minoria que tem o poder possa ter rendimentos razoáveis.
Moçambique tem uma desigualdade que é das maiores do Mundo (um coeficiente de Gini de 46%)
A guerra vem dai, de os poucos que têm o poder não o querem largar pois isso seria condenarem-se à pobreza a que condenam os outros.

Vejam se tem lógica alguma.
Vamos supor que as eleições de 2014 foram justas.
Moçambique tem 10 províncias, o governo ganhou em 5 delas e em Maputo e a Renamo ganhou noutras 5 províncias, Sofala (56,01%), Zambézia (52,93%), Tete (49,76%), Nampula (49,80%) e Manica (48,76).
Naturalmente, haveria eleições provinciais e a Renamo governaria estas 5 regiões que, por acaso, são as mais pobres de Moçambique (não é por acaso).
Mas não, a Frelimo achou por bem que o governador fosse indicado pelo governo central!
Claro que não há nenhum problema de guerra, há um problema de ditadura.

O que diz o Mia Couto sobre isto?
Contou-me (mas posso estar enganado) que o Mia Couto se referiu a mim como "o racista não sei quê"
Mas será que o Mia Couto vive com os tais 50€/mês que deveriam calhar a cada moçambicano?
O que tem a dizer sobre a Renamo ser maioritária em 5 regiões de Moçambique e a Frelimo ter impossibilitado a eleição dos governadores de província por voto directo?
Parece-me que nada.
É melhor arranjar umas distrações para dizer "eu sou preto por dentro" mas vivo bem como os brancos viviam no tempo do colonialismo.

Para alguns poderem viver como brancos, milhões têm que viver sem nada
 
O Marcelo foi ao local errado oferecer os seus empréstimos.
Não é dizer aos gordos "estou aqui apra ajudar" pois o ajudar seria acabar com a mamadeira.
Tem é que ir oferecer ajuda aos miseráveis.
Não +e fazer um discurso a dizer "Moçambique é um país soberano e estou aqui para ajudar se for preciso" mas teria que dizer "Moçambique é um país com desigualdades gritantes que tenho que denunciar."
Não receberiam tantos abraços e beijo encenados pelo governo mas talvez ficasse na história por ter dito alguma coisa de jeito.
Com esta forma de "fazer política" (dizer o que querem ouvir), o melhor é fazer uma viagem à Coreia do Norte.

Viva ao Camarada Marcelo que é o segundo maior estadista do mundo.


Para onde foi a dívida pública oculta de Moçambique?
Será que foi para combater os mosquitos e a malária como disse o Presidente Machela Quartoou foi para os bolsos dos corruptos que se governam por lá?
Pois, eu não aposto muito na parte do combate à malária.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Naturalmente, no 1T2016 o défice ficou nos 4% do PIB

Não pode a raposa comer e a galinha sobreviver. 
Se em janeiro o corte no meu salário, da responsabilidade do Eng. Sócrates, foi parcialmente revertido e se o Costa deu (anunciou mais do que deu) dinheiro a toda a gente, naturalmente, não poderíamos querer que o défice no primeiro trimestre de 2016 tivesse diminuído.
Naturalmente, o défice aumentou de 698,1 milhões € para 928,7 milhões €, um aumento relativo de 33% sendo que, desculpem, sou um dos principais culpados.
Extrapolando o défice do 1T2016 para a totalidade de 2016 (usando a famosa Regra dos Três Simples), teremos: 
     Défice em 2016 = 3,05% * 928,7/698,1 / (1+1,5%) = 4,0% do PIB

3,05% -> Défice em 2015
1,5% -> Taxa de crescimento do PIB para 2016, previsão do Banco de Portugal.




Esta Geringonça até pode andar, mas é uma coisa muito esquisita que até confunde a mente


E muito mais irá, ao longo do ano, cair no orçamento.
Virão as 3 reposições no meu salário (Abril, que já aconteceu, Julho e Outubro), o corte no IVA da restauração, a redução do horário dos funcionários públicos das 40h/ para as 35h/s e ainda uma coisas menores.
Com o caminho que estamos a ver, não consigo imaginar como vai ser possível reduzir o défice de qualquer coisa próxima de 3,1% em 2015 para 2,2% em 2016 e para 1,4% em 2017. Mas, estou-me agora a recordar, em 2017 faz 100 anos que apareceu a Nossa Senhora em Fátima ...

Para assinalar os 100 anos das suas aparições em Fátima, Nossa Senhora vai meter o défice de 2017 nos 1,4% do PIB. Como curiosidade, o meu pai disse toda a vida que o senhor dentro do círculo é o pai dele e meu avô, Jerónimo Alves Vieira, de Aguiar de Sousa, que assistiu ao Milagre do Sol. Eu irei assistir ao Milagre do Défice
 
Não nos podemos auto-derrotar.
Sendo que o Orçamento de Estado 2016 não contém um caminho que consiga terminar na meta do défice de 2,2%, ou o défice acaba em 4% ou vai ser preciso o costa fazer alguma coisa "recessiva".
Como acho muito improvável que a Comissão Europeia permita o resvalar do défice, vai então ser preciso fazer um orçamento retificativo (ou vários) onde o costa vai meter o "Plano B".
No tempo do Sócrates o "Plano B" começou por ser chamar PEC e, depois, veio o PEC2, PEC3 e, finalmente, PEC4.
Então, porque atacam os esquerdistas as medidas adicionais que o Gasparzinho teve que fazer obrigado pelas circunstâncias orçamentais adversas?
Porque atacam o resvalar das metas orçamentais do tempo do Passos Coelho quando era isso mesmo que os esquerdistas pediam?
Quando o Senteno tiver que apresentar o Orçamento Retificativo, talvez dois ou três, com que cara vai aparecer aos portugueses?

O problema das previsões da geringonça é o relógio não parar.
Quando a Geringonça apresenta as suas previsões para o futuro e o Banco de Portugal, o FMI, o Banco Mundial ou a Comissão Europeia apresentam outras, é tudo uma questão de previsões. O problema é que lentamente, minuto a minuto, dia a dia, semana a semana, mês a mês, sem fazermos qualquer esforço e sem a Geringonça o poder evitar, a realidade vai sendo criada o que torna visível a realidade e, assim, como a Gerigonça falhou nas suas previsões.
E, se a previsão relativamente ao governo neo-liberar era que o défice e o desemprego iriam diminuir e o PIB e o emprego iriam aumentar, no primeiro trimestre a realidade foi exatamente ao contrário. Claro que o Marcelo veio dizer "os dados do 1T são do orçamento de 2015" mas antes fossem pois, nesse caso, o défice não teria aumentado.
A única coisa que aumentou dentro das previsões foi o meu salário.

A crise energética na Venezuela e o subsídio no preço.
À escala mundial, a Venezuela é uma pais de rendimento intermédio com um nível de vida razoável, 10% superior ao do Brasil e apenas 30% abaixo do nosso.
Mas não é sobre a economia venezuelana que vou falar mas apenas da crise energética e dos preços controlados.

E também me apetecia falar das mulher boas que há por toda a Venezuela (Miss Marjorie De Sousa)
 
Os preços controlados / subsidiados.
Existem bens que são muito importantes para as pessoas como, por exemplo, os alimentos de primeira necessidade. Então, será de pensar que os preços destes bens têm que ser baixos sob pena de os pobrezinhos não os conseguirem comprar. Ao reduzirem-se os preços, como esses bens têm um custo de produção, será preciso subsidiar esses bens (ou serem produzidos por empresas públicas que terão prejuízo).
Por exemplo, em Portugal o IVA dos produtos alimentares e dos medicamentos é de 6% e as consultas médicas e o ensino não pagam nada. Os transportes coletivos públicos têm prejuízos enormes.

Mas subsidiar os preços é errado.
Primeiro, porque se a lógica é "ajudar os mais pobrezinhos", ao reduzir o preço para todos (como o IVA em Portugal), os ricos também recebem esse subsídio. Não me parece que faça qualquer sentido o Belmiro de Azevedo ter IVA reduzido no que come.
Em Portugal os transportes coletivos nas grandes cidades (onde o rendimento das pessoas é maior) são subsidiados não se sabe porquê até porque na parvónia não o são (onde o rendimento das pessoas é menor).

Segundo, com o preço mais baixo, a decisão das pessoas, produtores e consumidores, não será o economicamente aconselhável.
Terceiro, para beneficiarmos apenas os pobrezinhos, terá que haver uma infra-estrutura de administração, controlo e combate á fraude que tem custos elevados.
 
Será melhor subsidiar o fornecimento de trabalho.
Para resolver o problema dos pobrezinhos, o melhor é subsidiar o seu trabalho pois, assim, mesmo sendo pessoas de baixa produtividade, sempre produzem alguma coisa para o país.
Subsidiando o trabalho, os pobrezinhos (que têm baixa produtividade) ficarão com um incentivo extra para trabalhar e os empregadores para os poderem contratar.

Por questões de contenção orçamental, primeiro acabávamos com os subsídios aos preços (por exemplo, acabando com o IVA à taxa reduzida e os prejuízos das empresas de transportes coletivos) e pegávamos nessa massa e transformávamos num subsídio ao trabalho dos membros das famílias de mais baixo rendimento. O melhor seria reduzir a TSU paga pelo trabalhador (para incentivar trabalhar) e do empregador (para incentivar a contratação).

Para ajudar os pobrezinhos eu faria uma regra assim.
1 = Calculava o rendimento per capita do agregado familiar, RPC.
2 = A TSU sofreria uma redução em função do RPC:
   i)  Se o RPC fosse menor que 0,5*IAS (209,61€/mês), a TSU ficaria a zero;
   ii) Se o RPC fosse maior que 0,5IAS e menos que IAS (419,22€/mês), a TSU ficaria reduzida a uma percentagem da TSU actual, %TSU = 2* (RPC/IAS-0,5).
Exemplo 1 - Uma família de 5 pessoas (2 adultos e 3 crianças) em que o marido ganha 800€/mês e a mulher trabalha a meio tempo ganhando 215€/mês (meio SMN).
    TSU de ambos seria zero -> RPC = (800 + 215) /5 = 203,00€€/mês < 209,61€/mês

Exemplo 2 - Uma família de 3 pessoas (2 adultos e 1 crianças) em que ambos ganham 530€/mês.
    TSU de ambos seria 68,6% -> RPC = (520 + 530) /3 = 353,33€; > 209,61€/mês e < 419,22€/mês
    Seriam 16,28% para o empregador (23,75%*68,6%) e 7,54% para o trabalhador (11%*68,6%).

Na Venezuela o preço da eletricidade é demasiadamente baixo.
A eletricidade tem um custo de produção. Na Venezuela fica mais barato produzir eletricidade do que em Portugal mas n´s pagamos na ordem dos 0,17€/kwh e o preço na Venezuela é inferior a 0,015€/kmh, menos de 1/10 do que nós pagamos e superior ao custo de produção.
Com um preço tão baixo, a decisão dos agentes económicos deixa de ser economicamente racional, por um lado, as pessoas consomem mais do que seria aconselhável e a produção fica menor do que seria possível  o que obriga o governo a dar subsídios à produção e a racionar energia.

Camarada Maduro, ouve o que te digo, o preço tem que ser variável.
É natural que, num país com enorme capacidade hídrica (actualmente, 2/3 da eletricidade é de produção hidroelétrica no rio Caroní), a produção electrica varie ao longo do ano, mais produção na estação das chuvas e bastante menor na estação seca. como a Venezuela tem a sua produção electrica concentrada no Rio Caroní que varia o caudal entre 6260m3/s (média dos máximos) e 3570 m3/s (média dos mínimos), nos meses maus a produção electrica será naturalmente menor que metade da produção dos meses bons.
 1 = O preço da electricidade tem que variar ao longo do ano
Quando a produção é maior, o preço tem que descer para incentivar o consumo.
Quando a produção é menor, o preço tem que subir para moderar o consumo.
O preço terá que ser de forma a que seja efetiva, tendo que variar até equilibrar a rede.
Se, o preço é 0,05€/kwh, a produção possível é 1000kw e o consumo é de apenas 750kw, o preço vai descendo até que o consumo passe a ser 1000kw, por exemplo, a 0,025€/kwh.
Se agora, a produção possível se reduz para 500kw, o consumo também terá que reduzir para metade o que é conseguido pelo aumentando do preço, por exemplo, até 0,15€/kwh.
Com a recolha de dados, torna-se possível determinar a Curva da Procura e, assim, calcular e publicar   antecipadamente qual vai ser o preço da eletricidade para a semana seguinte.

Com preços mais elevados, uma pessoa que tenha baixos rendimentos vai desligar o ar condicionado, enquanto um hospital vai conseguir ter eletricidade sem necessidade de ter um gerador a gasolina, bastante mais caro.


2 = O preço da eletricidade tem que cobrir os custos de produção.

O preço tem que, em média, pagar o custo de produção e ainda libertar recursos para o constante aumento, renovação e melhoria da rede electrica. Como a rede electrica venezuelana é atualmente dependente de subsídios estatais, a crise petrolífera leva ao seu colapso.

Fará sentido fazer centrais termoeléctricas de back-up?
Isto terá que ser determinado pelo mercado.
O custo de produção hidroelétrico na Venezuela deve andar próximo dos 0,025€/kwh enquanto que a produção termoelectrica de back-up andará não muito longe dos 0,10€/kwh. Assim, só faz sentido ter produção termo-electrica para os períodos em que o preço da eletricidade esteja acima dos 0,10€/kwh.
Implementado o sistema dos preços variáveis ao longo do tempo, as barragens passarão a ser rentáveis pelo que numa primeira fase surgirão mais barragens. Apenas numa segunda fase e se o preço da eletricidade estiver longos períodos de tempo acima de 0,10€/kwh é que será de avançar com centrais termo-elétrica.

O problema dos taxistas.
Taxista é uma profissão que vai acabar não só por causa da UBER mas porque, a qualquer momento, vão surgir os carros sem condutor.
Por isso, a guerra de hoje é inglória e não levará a lado nenhum.
Tal como na agricultura, dia para dia, "perdem-se" empregos (36 por dia), nos táxis vai acontecer o mesmo, dia a dia os taxistas profissionais vão mudando de profissão e apareceram outras pessoas a trabalhar em part-time até que os carros sem condutor acabarão de vez com a profissão do "motorista de carro de aluguer".

Nos últimos anos, a agricultura está a "perder" 36 empregos por dia, 4,6% por ano.
 
Estará o problema dos taxistas nos "impostos que a UBER não paga"
Nem pensar pois, caso fosse esse o problema, os taxistas defenderiam o fim dos numerus clausus.
Neste momento, o número de taxistas que existem é limitado pela emissão de um alvará. Acabando a necessidade do alvará, deixa de haver espaço para a existencia como hoje de taxistas profissionais.
Por isso, tal como ao longo dos anos, a agricultura reduziu o 

É o "custo" do progresso.
Por vezes passam na TV a pergunta às criancinhas "O que queres ser quando fores grande?" e nunca ouvi "Quero ser taxista." nem "Quero tratar de vacas, andar todo o dia enterrado em merda a´te ao pescoço."
Por isso, não tenhamos pena destas profissões estarem em vias de extinção.
Eu não as queria e, no seu juizo perfeit, também ninguém as quer.
É só que não estão a ver alternativa mas elas existem.

Estivemos a tratar das vacas que é o trabalho com que sempre sonhamos, podemos ganhar pouco mas adoramos os "banhos de merda de vaca"

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O PEC 6 e o xico-espertismo da BIAL

Vou começar pela BIAL. 
Vamos supor que o estimado leitor não tem uma inteligência nem é nenhum génio ao nível do Dr. Luís Portela (presidente da BIAL). Mesmo assim, terei lhe colocar uma questão.

Enunciado.
Há uma molécula sobre a qual vai ser feito em 6 humanos um primeiro teste clínico.
Como é o primeiro teste, terá naturalmente que haver um cuidado especial quanto à toxicidade da molécula.
1) São feitos testes médicos rigorosos aos 6 humanos e resulta que são perfeitamente saudáveis.
2) Começa o teste e os 6 humanos adoecem quase imediatamente e em simultâneo gravemente tendo um deles morrido.
3) O teste é interrompido e os 5 humanos vivos sobrantes recuperam rapidamente a sua saúde.
4) Enquanto o teste clínico foi realizado, mais ninguém no hospital sofreu sintomas parecidos com o que sofreram os 6 que realizaram o teste. Nunca na Historia da Humanidade foi descrita nenhuma doença com os sintomas observados nos 6 humanos.

O que terá causado o adoecimento dos 6 humanos? (Só uma das opções está correcta)
A - À semelhança da extinção dos dinausauros, foi a queda de um meteorito.
B - À semelhança do que aconteceu ao Alexander Litvinenko, o Putin envenenou-os com Polónio 210.
C - Foi o Passos Coelho que os esfaqueou com a adaga neo-liberal.
D - Foi o Carlos Costa que negociou isso com o BCE sem ter dado conhecimento ao Sem-teno.
E - Teve a ver com o ensaio clínico.

O Portela teve dúvidas ente A e C e acabou por responder B!
Diz que respondeu que foi o Putin mas não tem a certeza a 100%. A única coisa que tem a certeza é que não foi o Carlos Costa nem o ensaio clínico. 
Disse ele "Em termos estatísticos, morrem 57 milhões de pessoa por dia, pelo que nada podemos concluir a partir da informação de que no dia do ensaio morreram 57 milhões e uma pessoas, um aumento de 0,0000018% na mortalidade."
O Dr. Portela não tem a certeza a 100% de que a Isabel Figueiras seja uma mulher.

Agora o PEC 6.
Está bem no sentido de que a geringonça diz que o défice vai passar dos 2,2%do PIB de 2016 para 1,4% do PIB de 2017.
Está bem no sentido de isto acontecer tendo eu recebido em Abril de 2016 mais 86,25€ do que recebi em Abril de 2015 e estando previsto que venha a receber em Dezembro de 2016 mais 172,50€ do que recebi em Dezembro de 2016.
Está bem no sentido de isto acontecer com redução do horário de trabalho dos funcionários públicos para as 35h/semana.
Está bem no sentido que isso acontecer sem diminuição dos salários nem das pensões, não havendo aumento de impostos sobre as famílias nem sobre as empresas. 


O problema é que isso tudo é apenas conversa.


Esta minha semana foi muito complicada.
A minha mãe é muito doente. Além de ser diabética, fazer hemodiálise, ter cancro da mama, o cotovelo com uma ferida que resulta de uma cirurgia feita há 3 meses e que não cicatriza mais, está acamada, sofre de demência ligeira e grita de noite. Acontece que, foi hospitalizada faz hoje uma semana para que fosse investigada a razão de, ultimamente, o estado de confusão ter piorado bastante e rapidamente sem razão aparente.
Acontece que, na quarta feira, fui visita-la e estava muito pior, tinha as pernas muito inchadas, vermelhas e com derrames pretos por dentro, com feridas e estava mesmo a deitar um pouco de sangue pela boca. Fiquei muito, muito preocupado (pensei logo que ia perder a pensão).

Mas eu sou muito acanhado.
Desde pequenininho, a minha mãe até me mandava perguntar as horas às pessoas a ver se eu desenvolvia (confessou-o há uns anos).
Por isso, pensei não ser necessário perguntar nada a ninguém, que seria normal.  Mas, mesmo assim, perguntei a uma auxiliar que me pareceu nervosa "tem que perguntar ao Sr. Enfermeiro"
O que achei estranho foi eu te-la levado para o hospital com as pernas impecáveis e, passados apenas 5 dias, estarem em estado lastimoso.
Como mandei umas mensagens pelo telemóvel da minha mãe aos meus irmãos, a minha irmã do meio disse "a Mamã vai morrer esta semana porque, como está com cancro terminal, tiveram que interromper os tratamentos."
"Mas de onde retiraste esta conclusão?"
"Bem, há um relatório que diz isso a que a Tuxa teve acesso!" (a minha irmã mais velha)
Ora a minha mãe vive em minha casa já faz 23 anos, sou eu que a acompanho às consultas, o médico oncologista disse-me "não se preocupe com o cancro que estava no estadio zero (não tem acento!) que ficou resolvido com a cirurgia," como podem agora as minhas irmãs concluir que é cancro em estado terminal?


Ter filhas para quê!
Eu tinha uma empregada russa, a Marina, que um dia me disse indignada "compete às filhas tratar das mães", deu-me a chave e foi-se embora para não mais voltar.
No meu julgamento, a minha irmã do meio induziu a equipa médica em erro dizendo~lhe que a minha mãe estava com cancro terminal e que, sofrendo muito, queria morrer. Disse-me que estava na hora de "acabar com o seu sofrimento." E isto tudo porque eu lhe disse, porque ela achou que a mãe não estava a ser convenientemente tratada por mim, eu lhe disse "Em minha casa mando eu. Se queres mandar, leva a tua mãe para tua casa."
Mas lhe valia a mãe morta e enterrada.

Há frases que são piores do que adagadas neo-liberais. 
Quando eu perguntei à minha mãe "Quer fazer os tratamentos" e ela me respondeu "Claro que eu quero melhorar, quero fazer os tratamentos a menos que já não tenha dinheiro."
A vulnerabilidade de se conformar com a morte para não sobrecarregar os filhos que criou, de ter a sua vida na mão de uma filha que pariu e criou da melhor forma que pôde para, na hora da verdade, ser traída.


Por agora, o problema está resolvido mas vou fazer uma procuração.
Em Portugal as procurações são válidas até ser declarado o óbito ou a interdição ou inabilitação em consequência de anomalia psíquica (processo judicial). Pela Lei n.º 25/2012, de 16 de Julho foi criado a Procuração de cuidados de saúde que, implicitamente, é válida mesmo quando a pessoa está incapaz.
Vou então, assim que a minha mãe vier do hospital, fazer uma procuração. 

Lei n.º 25/2012, de 16 de Julho
Procurador e procuração de cuidados de saúde
  Artigo 11.º
Procurador de cuidados de saúde
1 - Qualquer pessoa pode nomear um procurador de cuidados de saúde, atribuindo-lhe poderes representativos para decidir sobre os cuidados de saúde a receber, ou a não receber, pelo outorgante, quando este se encontre incapaz de expressar a sua vontade pessoal e autonomamente. 
2 - Só podem nomear e ser nomeadas procurador de cuidados de saúde as pessoas que preencham os requisitos do artigo 4.º, com exceção dos casos previstos no número seguinte. 
3 - Não podem ser nomeados procurador de cuidados de saúde: 
a) Os funcionários do Registo previsto no artigo 1.º e os do cartório notarial que intervenham nos atos regulados pela presente lei; 
b) Os proprietários e os gestores de entidades que administram ou prestam cuidados de saúde. 
4 - Excetuam-se da alínea b) do número anterior as pessoas que tenham uma relação familiar com o outorgante. 
5 - O outorgante pode nomear um segundo procurador de cuidados de saúde, para o caso de impedimento do indicado.




  Artigo 12.º
Procuração de cuidados de saúde
1 - A procuração de cuidados de saúde é o documento pelo qual se atribui a uma pessoa, voluntariamente e de forma gratuita, poderes representativos em matéria de cuidados de saúde, para que aquela os exerça no caso de o outorgante se encontrar incapaz de expressar de forma pessoal e autónoma a sua vontade. 
2 - É aplicável, com as necessárias adaptações, o disposto nos artigos 262.º, 264.º e nos n.os 1 e 2 do artigo 265.º do Código Civil.



  Artigo 13.º
Efeitos da representação
1 - As decisões tomadas pelo procurador de cuidados de saúde, dentro dos limites dos poderes representativos que lhe competem, devem ser respeitadas pelos profissionais que prestam cuidados de saúde ao outorgante, nos termos da presente lei. 
2 - Em caso de conflito entre as disposições formuladas no documento de diretivas antecipadas de vontade e a vontade do procurador de cuidados de saúde, prevalece a vontade do outorgante expressa naquele documento.






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