sexta-feira, 29 de abril de 2016

Naturalmente, no 1T2016 o défice ficou nos 4% do PIB

Não pode a raposa comer e a galinha sobreviver. 
Se em janeiro o corte no meu salário, da responsabilidade do Eng. Sócrates, foi parcialmente revertido e se o Costa deu (anunciou mais do que deu) dinheiro a toda a gente, naturalmente, não poderíamos querer que o défice no primeiro trimestre de 2016 tivesse diminuído.
Naturalmente, o défice aumentou de 698,1 milhões € para 928,7 milhões €, um aumento relativo de 33% sendo que, desculpem, sou um dos principais culpados.
Extrapolando o défice do 1T2016 para a totalidade de 2016 (usando a famosa Regra dos Três Simples), teremos: 
     Défice em 2016 = 3,05% * 928,7/698,1 / (1+1,5%) = 4,0% do PIB

3,05% -> Défice em 2015
1,5% -> Taxa de crescimento do PIB para 2016, previsão do Banco de Portugal.




Esta Geringonça até pode andar, mas é uma coisa muito esquisita que até confunde a mente


E muito mais irá, ao longo do ano, cair no orçamento.
Virão as 3 reposições no meu salário (Abril, que já aconteceu, Julho e Outubro), o corte no IVA da restauração, a redução do horário dos funcionários públicos das 40h/ para as 35h/s e ainda uma coisas menores.
Com o caminho que estamos a ver, não consigo imaginar como vai ser possível reduzir o défice de qualquer coisa próxima de 3,1% em 2015 para 2,2% em 2016 e para 1,4% em 2017. Mas, estou-me agora a recordar, em 2017 faz 100 anos que apareceu a Nossa Senhora em Fátima ...

Para assinalar os 100 anos das suas aparições em Fátima, Nossa Senhora vai meter o défice de 2017 nos 1,4% do PIB. Como curiosidade, o meu pai disse toda a vida que o senhor dentro do círculo é o pai dele e meu avô, Jerónimo Alves Vieira, de Aguiar de Sousa, que assistiu ao Milagre do Sol. Eu irei assistir ao Milagre do Défice
 
Não nos podemos auto-derrotar.
Sendo que o Orçamento de Estado 2016 não contém um caminho que consiga terminar na meta do défice de 2,2%, ou o défice acaba em 4% ou vai ser preciso o costa fazer alguma coisa "recessiva".
Como acho muito improvável que a Comissão Europeia permita o resvalar do défice, vai então ser preciso fazer um orçamento retificativo (ou vários) onde o costa vai meter o "Plano B".
No tempo do Sócrates o "Plano B" começou por ser chamar PEC e, depois, veio o PEC2, PEC3 e, finalmente, PEC4.
Então, porque atacam os esquerdistas as medidas adicionais que o Gasparzinho teve que fazer obrigado pelas circunstâncias orçamentais adversas?
Porque atacam o resvalar das metas orçamentais do tempo do Passos Coelho quando era isso mesmo que os esquerdistas pediam?
Quando o Senteno tiver que apresentar o Orçamento Retificativo, talvez dois ou três, com que cara vai aparecer aos portugueses?

O problema das previsões da geringonça é o relógio não parar.
Quando a Geringonça apresenta as suas previsões para o futuro e o Banco de Portugal, o FMI, o Banco Mundial ou a Comissão Europeia apresentam outras, é tudo uma questão de previsões. O problema é que lentamente, minuto a minuto, dia a dia, semana a semana, mês a mês, sem fazermos qualquer esforço e sem a Geringonça o poder evitar, a realidade vai sendo criada o que torna visível a realidade e, assim, como a Gerigonça falhou nas suas previsões.
E, se a previsão relativamente ao governo neo-liberar era que o défice e o desemprego iriam diminuir e o PIB e o emprego iriam aumentar, no primeiro trimestre a realidade foi exatamente ao contrário. Claro que o Marcelo veio dizer "os dados do 1T são do orçamento de 2015" mas antes fossem pois, nesse caso, o défice não teria aumentado.
A única coisa que aumentou dentro das previsões foi o meu salário.

A crise energética na Venezuela e o subsídio no preço.
À escala mundial, a Venezuela é uma pais de rendimento intermédio com um nível de vida razoável, 10% superior ao do Brasil e apenas 30% abaixo do nosso.
Mas não é sobre a economia venezuelana que vou falar mas apenas da crise energética e dos preços controlados.

E também me apetecia falar das mulher boas que há por toda a Venezuela (Miss Marjorie De Sousa)
 
Os preços controlados / subsidiados.
Existem bens que são muito importantes para as pessoas como, por exemplo, os alimentos de primeira necessidade. Então, será de pensar que os preços destes bens têm que ser baixos sob pena de os pobrezinhos não os conseguirem comprar. Ao reduzirem-se os preços, como esses bens têm um custo de produção, será preciso subsidiar esses bens (ou serem produzidos por empresas públicas que terão prejuízo).
Por exemplo, em Portugal o IVA dos produtos alimentares e dos medicamentos é de 6% e as consultas médicas e o ensino não pagam nada. Os transportes coletivos públicos têm prejuízos enormes.

Mas subsidiar os preços é errado.
Primeiro, porque se a lógica é "ajudar os mais pobrezinhos", ao reduzir o preço para todos (como o IVA em Portugal), os ricos também recebem esse subsídio. Não me parece que faça qualquer sentido o Belmiro de Azevedo ter IVA reduzido no que come.
Em Portugal os transportes coletivos nas grandes cidades (onde o rendimento das pessoas é maior) são subsidiados não se sabe porquê até porque na parvónia não o são (onde o rendimento das pessoas é menor).

Segundo, com o preço mais baixo, a decisão das pessoas, produtores e consumidores, não será o economicamente aconselhável.
Terceiro, para beneficiarmos apenas os pobrezinhos, terá que haver uma infra-estrutura de administração, controlo e combate á fraude que tem custos elevados.
 
Será melhor subsidiar o fornecimento de trabalho.
Para resolver o problema dos pobrezinhos, o melhor é subsidiar o seu trabalho pois, assim, mesmo sendo pessoas de baixa produtividade, sempre produzem alguma coisa para o país.
Subsidiando o trabalho, os pobrezinhos (que têm baixa produtividade) ficarão com um incentivo extra para trabalhar e os empregadores para os poderem contratar.

Por questões de contenção orçamental, primeiro acabávamos com os subsídios aos preços (por exemplo, acabando com o IVA à taxa reduzida e os prejuízos das empresas de transportes coletivos) e pegávamos nessa massa e transformávamos num subsídio ao trabalho dos membros das famílias de mais baixo rendimento. O melhor seria reduzir a TSU paga pelo trabalhador (para incentivar trabalhar) e do empregador (para incentivar a contratação).

Para ajudar os pobrezinhos eu faria uma regra assim.
1 = Calculava o rendimento per capita do agregado familiar, RPC.
2 = A TSU sofreria uma redução em função do RPC:
   i)  Se o RPC fosse menor que 0,5*IAS (209,61€/mês), a TSU ficaria a zero;
   ii) Se o RPC fosse maior que 0,5IAS e menos que IAS (419,22€/mês), a TSU ficaria reduzida a uma percentagem da TSU actual, %TSU = 2* (RPC/IAS-0,5).
Exemplo 1 - Uma família de 5 pessoas (2 adultos e 3 crianças) em que o marido ganha 800€/mês e a mulher trabalha a meio tempo ganhando 215€/mês (meio SMN).
    TSU de ambos seria zero -> RPC = (800 + 215) /5 = 203,00€€/mês < 209,61€/mês

Exemplo 2 - Uma família de 3 pessoas (2 adultos e 1 crianças) em que ambos ganham 530€/mês.
    TSU de ambos seria 68,6% -> RPC = (520 + 530) /3 = 353,33€; > 209,61€/mês e < 419,22€/mês
    Seriam 16,28% para o empregador (23,75%*68,6%) e 7,54% para o trabalhador (11%*68,6%).

Na Venezuela o preço da eletricidade é demasiadamente baixo.
A eletricidade tem um custo de produção. Na Venezuela fica mais barato produzir eletricidade do que em Portugal mas n´s pagamos na ordem dos 0,17€/kwh e o preço na Venezuela é inferior a 0,015€/kmh, menos de 1/10 do que nós pagamos e superior ao custo de produção.
Com um preço tão baixo, a decisão dos agentes económicos deixa de ser economicamente racional, por um lado, as pessoas consomem mais do que seria aconselhável e a produção fica menor do que seria possível  o que obriga o governo a dar subsídios à produção e a racionar energia.

Camarada Maduro, ouve o que te digo, o preço tem que ser variável.
É natural que, num país com enorme capacidade hídrica (actualmente, 2/3 da eletricidade é de produção hidroelétrica no rio Caroní), a produção electrica varie ao longo do ano, mais produção na estação das chuvas e bastante menor na estação seca. como a Venezuela tem a sua produção electrica concentrada no Rio Caroní que varia o caudal entre 6260m3/s (média dos máximos) e 3570 m3/s (média dos mínimos), nos meses maus a produção electrica será naturalmente menor que metade da produção dos meses bons.
 1 = O preço da electricidade tem que variar ao longo do ano
Quando a produção é maior, o preço tem que descer para incentivar o consumo.
Quando a produção é menor, o preço tem que subir para moderar o consumo.
O preço terá que ser de forma a que seja efetiva, tendo que variar até equilibrar a rede.
Se, o preço é 0,05€/kwh, a produção possível é 1000kw e o consumo é de apenas 750kw, o preço vai descendo até que o consumo passe a ser 1000kw, por exemplo, a 0,025€/kwh.
Se agora, a produção possível se reduz para 500kw, o consumo também terá que reduzir para metade o que é conseguido pelo aumentando do preço, por exemplo, até 0,15€/kwh.
Com a recolha de dados, torna-se possível determinar a Curva da Procura e, assim, calcular e publicar   antecipadamente qual vai ser o preço da eletricidade para a semana seguinte.

Com preços mais elevados, uma pessoa que tenha baixos rendimentos vai desligar o ar condicionado, enquanto um hospital vai conseguir ter eletricidade sem necessidade de ter um gerador a gasolina, bastante mais caro.


2 = O preço da eletricidade tem que cobrir os custos de produção.

O preço tem que, em média, pagar o custo de produção e ainda libertar recursos para o constante aumento, renovação e melhoria da rede electrica. Como a rede electrica venezuelana é atualmente dependente de subsídios estatais, a crise petrolífera leva ao seu colapso.

Fará sentido fazer centrais termoeléctricas de back-up?
Isto terá que ser determinado pelo mercado.
O custo de produção hidroelétrico na Venezuela deve andar próximo dos 0,025€/kwh enquanto que a produção termoelectrica de back-up andará não muito longe dos 0,10€/kwh. Assim, só faz sentido ter produção termo-electrica para os períodos em que o preço da eletricidade esteja acima dos 0,10€/kwh.
Implementado o sistema dos preços variáveis ao longo do tempo, as barragens passarão a ser rentáveis pelo que numa primeira fase surgirão mais barragens. Apenas numa segunda fase e se o preço da eletricidade estiver longos períodos de tempo acima de 0,10€/kwh é que será de avançar com centrais termo-elétrica.

O problema dos taxistas.
Taxista é uma profissão que vai acabar não só por causa da UBER mas porque, a qualquer momento, vão surgir os carros sem condutor.
Por isso, a guerra de hoje é inglória e não levará a lado nenhum.
Tal como na agricultura, dia para dia, "perdem-se" empregos (36 por dia), nos táxis vai acontecer o mesmo, dia a dia os taxistas profissionais vão mudando de profissão e apareceram outras pessoas a trabalhar em part-time até que os carros sem condutor acabarão de vez com a profissão do "motorista de carro de aluguer".

Nos últimos anos, a agricultura está a "perder" 36 empregos por dia, 4,6% por ano.
 
Estará o problema dos taxistas nos "impostos que a UBER não paga"
Nem pensar pois, caso fosse esse o problema, os taxistas defenderiam o fim dos numerus clausus.
Neste momento, o número de taxistas que existem é limitado pela emissão de um alvará. Acabando a necessidade do alvará, deixa de haver espaço para a existencia como hoje de taxistas profissionais.
Por isso, tal como ao longo dos anos, a agricultura reduziu o 

É o "custo" do progresso.
Por vezes passam na TV a pergunta às criancinhas "O que queres ser quando fores grande?" e nunca ouvi "Quero ser taxista." nem "Quero tratar de vacas, andar todo o dia enterrado em merda a´te ao pescoço."
Por isso, não tenhamos pena destas profissões estarem em vias de extinção.
Eu não as queria e, no seu juizo perfeit, também ninguém as quer.
É só que não estão a ver alternativa mas elas existem.

Estivemos a tratar das vacas que é o trabalho com que sempre sonhamos, podemos ganhar pouco mas adoramos os "banhos de merda de vaca"

sexta-feira, 22 de abril de 2016

O PEC 6 e o xico-espertismo da BIAL

Vou começar pela BIAL. 
Vamos supor que o estimado leitor não tem uma inteligência nem é nenhum génio ao nível do Dr. Luís Portela (presidente da BIAL). Mesmo assim, terei lhe colocar uma questão.

Enunciado.
Há uma molécula sobre a qual vai ser feito em 6 humanos um primeiro teste clínico.
Como é o primeiro teste, terá naturalmente que haver um cuidado especial quanto à toxicidade da molécula.
1) São feitos testes médicos rigorosos aos 6 humanos e resulta que são perfeitamente saudáveis.
2) Começa o teste e os 6 humanos adoecem quase imediatamente e em simultâneo gravemente tendo um deles morrido.
3) O teste é interrompido e os 5 humanos vivos sobrantes recuperam rapidamente a sua saúde.
4) Enquanto o teste clínico foi realizado, mais ninguém no hospital sofreu sintomas parecidos com o que sofreram os 6 que realizaram o teste. Nunca na Historia da Humanidade foi descrita nenhuma doença com os sintomas observados nos 6 humanos.

O que terá causado o adoecimento dos 6 humanos? (Só uma das opções está correcta)
A - À semelhança da extinção dos dinausauros, foi a queda de um meteorito.
B - À semelhança do que aconteceu ao Alexander Litvinenko, o Putin envenenou-os com Polónio 210.
C - Foi o Passos Coelho que os esfaqueou com a adaga neo-liberal.
D - Foi o Carlos Costa que negociou isso com o BCE sem ter dado conhecimento ao Sem-teno.
E - Teve a ver com o ensaio clínico.

O Portela teve dúvidas ente A e C e acabou por responder B!
Diz que respondeu que foi o Putin mas não tem a certeza a 100%. A única coisa que tem a certeza é que não foi o Carlos Costa nem o ensaio clínico. 
Disse ele "Em termos estatísticos, morrem 57 milhões de pessoa por dia, pelo que nada podemos concluir a partir da informação de que no dia do ensaio morreram 57 milhões e uma pessoas, um aumento de 0,0000018% na mortalidade."
O Dr. Portela não tem a certeza a 100% de que a Isabel Figueiras seja uma mulher.

Agora o PEC 6.
Está bem no sentido de que a geringonça diz que o défice vai passar dos 2,2%do PIB de 2016 para 1,4% do PIB de 2017.
Está bem no sentido de isto acontecer tendo eu recebido em Abril de 2016 mais 86,25€ do que recebi em Abril de 2015 e estando previsto que venha a receber em Dezembro de 2016 mais 172,50€ do que recebi em Dezembro de 2016.
Está bem no sentido de isto acontecer com redução do horário de trabalho dos funcionários públicos para as 35h/semana.
Está bem no sentido que isso acontecer sem diminuição dos salários nem das pensões, não havendo aumento de impostos sobre as famílias nem sobre as empresas. 


O problema é que isso tudo é apenas conversa.


Esta minha semana foi muito complicada.
A minha mãe é muito doente. Além de ser diabética, fazer hemodiálise, ter cancro da mama, o cotovelo com uma ferida que resulta de uma cirurgia feita há 3 meses e que não cicatriza mais, está acamada, sofre de demência ligeira e grita de noite. Acontece que, foi hospitalizada faz hoje uma semana para que fosse investigada a razão de, ultimamente, o estado de confusão ter piorado bastante e rapidamente sem razão aparente.
Acontece que, na quarta feira, fui visita-la e estava muito pior, tinha as pernas muito inchadas, vermelhas e com derrames pretos por dentro, com feridas e estava mesmo a deitar um pouco de sangue pela boca. Fiquei muito, muito preocupado (pensei logo que ia perder a pensão).

Mas eu sou muito acanhado.
Desde pequenininho, a minha mãe até me mandava perguntar as horas às pessoas a ver se eu desenvolvia (confessou-o há uns anos).
Por isso, pensei não ser necessário perguntar nada a ninguém, que seria normal.  Mas, mesmo assim, perguntei a uma auxiliar que me pareceu nervosa "tem que perguntar ao Sr. Enfermeiro"
O que achei estranho foi eu te-la levado para o hospital com as pernas impecáveis e, passados apenas 5 dias, estarem em estado lastimoso.
Como mandei umas mensagens pelo telemóvel da minha mãe aos meus irmãos, a minha irmã do meio disse "a Mamã vai morrer esta semana porque, como está com cancro terminal, tiveram que interromper os tratamentos."
"Mas de onde retiraste esta conclusão?"
"Bem, há um relatório que diz isso a que a Tuxa teve acesso!" (a minha irmã mais velha)
Ora a minha mãe vive em minha casa já faz 23 anos, sou eu que a acompanho às consultas, o médico oncologista disse-me "não se preocupe com o cancro que estava no estadio zero (não tem acento!) que ficou resolvido com a cirurgia," como podem agora as minhas irmãs concluir que é cancro em estado terminal?


Ter filhas para quê!
Eu tinha uma empregada russa, a Marina, que um dia me disse indignada "compete às filhas tratar das mães", deu-me a chave e foi-se embora para não mais voltar.
No meu julgamento, a minha irmã do meio induziu a equipa médica em erro dizendo~lhe que a minha mãe estava com cancro terminal e que, sofrendo muito, queria morrer. Disse-me que estava na hora de "acabar com o seu sofrimento." E isto tudo porque eu lhe disse, porque ela achou que a mãe não estava a ser convenientemente tratada por mim, eu lhe disse "Em minha casa mando eu. Se queres mandar, leva a tua mãe para tua casa."
Mas lhe valia a mãe morta e enterrada.

Há frases que são piores do que adagadas neo-liberais. 
Quando eu perguntei à minha mãe "Quer fazer os tratamentos" e ela me respondeu "Claro que eu quero melhorar, quero fazer os tratamentos a menos que já não tenha dinheiro."
A vulnerabilidade de se conformar com a morte para não sobrecarregar os filhos que criou, de ter a sua vida na mão de uma filha que pariu e criou da melhor forma que pôde para, na hora da verdade, ser traída.


Por agora, o problema está resolvido mas vou fazer uma procuração.
Em Portugal as procurações são válidas até ser declarado o óbito ou a interdição ou inabilitação em consequência de anomalia psíquica (processo judicial). Pela Lei n.º 25/2012, de 16 de Julho foi criado a Procuração de cuidados de saúde que, implicitamente, é válida mesmo quando a pessoa está incapaz.
Vou então, assim que a minha mãe vier do hospital, fazer uma procuração. 

Lei n.º 25/2012, de 16 de Julho
Procurador e procuração de cuidados de saúde
  Artigo 11.º
Procurador de cuidados de saúde
1 - Qualquer pessoa pode nomear um procurador de cuidados de saúde, atribuindo-lhe poderes representativos para decidir sobre os cuidados de saúde a receber, ou a não receber, pelo outorgante, quando este se encontre incapaz de expressar a sua vontade pessoal e autonomamente. 
2 - Só podem nomear e ser nomeadas procurador de cuidados de saúde as pessoas que preencham os requisitos do artigo 4.º, com exceção dos casos previstos no número seguinte. 
3 - Não podem ser nomeados procurador de cuidados de saúde: 
a) Os funcionários do Registo previsto no artigo 1.º e os do cartório notarial que intervenham nos atos regulados pela presente lei; 
b) Os proprietários e os gestores de entidades que administram ou prestam cuidados de saúde. 
4 - Excetuam-se da alínea b) do número anterior as pessoas que tenham uma relação familiar com o outorgante. 
5 - O outorgante pode nomear um segundo procurador de cuidados de saúde, para o caso de impedimento do indicado.




  Artigo 12.º
Procuração de cuidados de saúde
1 - A procuração de cuidados de saúde é o documento pelo qual se atribui a uma pessoa, voluntariamente e de forma gratuita, poderes representativos em matéria de cuidados de saúde, para que aquela os exerça no caso de o outorgante se encontrar incapaz de expressar de forma pessoal e autónoma a sua vontade. 
2 - É aplicável, com as necessárias adaptações, o disposto nos artigos 262.º, 264.º e nos n.os 1 e 2 do artigo 265.º do Código Civil.



  Artigo 13.º
Efeitos da representação
1 - As decisões tomadas pelo procurador de cuidados de saúde, dentro dos limites dos poderes representativos que lhe competem, devem ser respeitadas pelos profissionais que prestam cuidados de saúde ao outorgante, nos termos da presente lei. 
2 - Em caso de conflito entre as disposições formuladas no documento de diretivas antecipadas de vontade e a vontade do procurador de cuidados de saúde, prevalece a vontade do outorgante expressa naquele documento.






sexta-feira, 15 de abril de 2016

Eu compro roupa usada

Hoje estalou uma polémica sobre a roupa dada.
Quando alguém quer dar uma peça de roupa a outra pessoa, seja em África ou num acampamento de ciganos na Roménia, tem que ser ajudada por alguém que
     1) Coloque contentores para recolher a roupa (custa dinheiro!)
     2) Mande uma pessoa numa carrinha ao contentor buscar a roupa (custa dinheiro!)
     3) Veja se a roupa presta, organize-a e a enfarde (custa dinheiro!)
     4) Promover o transporte para o destino (custa dinheiro!)
    5) Distribua a roupa pelos necessitados (custa dinheiro!).
E alguém tem que pagar estes custos todos!

Alguém daria roupa se tivesse que pagar?
Tenho a certeza que muito menos pessoas daria roupa, preferindo enfia-la no contentor do lixo.
Se quem dá a roupa não está disponível a pagar os custos que levam a roupa da sua mão até aos necessitados, têm que ser os necessitados a pagar os custos.
Qualquer burro compreende isto.


Vamos à roupa que eu comprei.
Na minha terra é a ciganada que vende a roupa usada que vem do Norte da Europa.
Comprei 18 peças de roupa:
4 => 3 pares de calças de ganga (2 Levis, 501 e 521, uma Pier Cardin) e 1 de sarja sem marca.
1 => 1 anoraque de penas NAF NAF (excelente para quando, nas minhas caminhadas noturnas em Miramar, faz frio).
3 => 1 casaco curto de ganga bege (Salsa), 1 casaco idêntico mas de pano fino e sem marca e ainda 1 casaquito de malha
8 => 5 camisolas de malha grossas sem marca, 1 camisola de algodão Springfield, 1 camisola de cashemira Gant e 1 camisola aos quadrados, fina, sem marca.
2 => 1 camisa e uns calções de praia.

A Susaninha garantiu-me que, se eu comprasse umas Levis e uma Gant, ia arranjar uma mulher assim boa. Se calhar isto é tão verdade como a previsão do Centeno de que o crescimento em 2016 vai ser de 1,8% e o défice de 2,2%

Qual foi o preço?
Estas 18 peças de roupa novas teriam um preço acima dos 600€ (Umas Levis custam 99€, a Gant 125€, o NAF NAF 120€, a Springfield 25€) As calças valem uma pequena fortuna mas eu paguei 18,00€ por tudo, 3% do preço de novo, em média, 1,00€ por cada peça de roupa (a peça mais cara foi a Gantt que custou 3,00€).

Foi esta a roupa que eu comprei por 18€

Para onde vai o meu euro.
Como pareço cigano, consegui descobrir, mais ou menos, para onde vai o euro que eu paguei por cada peça de roupa.
O António Cigano chega com a sua furgoneta Ford Transit ao armazém (que fica para os lados da Serra da Estrela) onde a roupa é escolhida, loteada e enfardada, e dá uma vista de olhos pelos milhares de fardos que estão empilhados e que têm uma etiqueta por fora a dizer aproximadamente o que contêm, por exemplo, "Roupa de Inverno de homem". 
Aqui vai a informação mais difícil de saber: um fardo contém, em média, 100 peças de roupa e o preço é de 15,00€ o que dá 0,15€/peça de roupa.

Quando o António chega ao acampamento, distribui os fardos pelos familiares. Como é preciso pagar a viagem, vão ter que pagar 30€ por fardo.
O resto vai para o retalho.
Resumindo, o meu euro, vai 15% para a recolha, transporte, escolha e enfardamento, 15% para a viagem do António Cigano e 70% para o cigano que vende a roupa (para o retalho).

Ninguém vai sequer sonhar que a minha Gant é da colecção "Second hand clothes"


Eu acho justo.
Alguém de boa fé imagina que, meter contentores e recolher roupa no Norte da Europa, transportá-la até cá, escolhe-la e enfardá-la por 0,15€ a peça, onde se incluem coisas volumosas como casacos, camisolas grossas e calças, faz alguém rico?
Fiquei contente com o aparecimento deste negócio porque, por um lado, comprei roupa por 1€ a peça que custaria, nova, 30€, por outro lado, ajudei os ciganos retirando-os do caminho do crime e da droga. Finalmente, permiti que quem pretendeu que a sua roupa fosse reutilizada cumprisse a sua vontade.


O problema é que nós portugueses somos invejosos.
Lembram-se da "incineração dos resíduos industriais perigosos"? Manifestações, grandes reportagens nas TV's, acções em tribunal e tudo porque "as cimenteiras vão ter lucro com uma coisa que deitamos fora."
As pessoas preferiam que o Estado Português exportasse os resíduos industriais para Espanha o que acarretava um elevado custo a dá-lo às cimenteiras porque estas teriam lucro.
Lembram-se daquele senhor que dava cadeiras de rodas, camas articuladas e muletas aos lares de velhotes mas que se cobrava da "viagem"? Chegavam aos lares camas que custavam 1000€ em novas por 50€ mas, porque o homenzinho tinha um lucrozito, acabaram-lhe com o negócio.
Desde então, esses indignados com o lucrozito do homem fizeram chegar alguma cama articulada aos lares?
Nada.


Sem lucro, nada funciona.
Se eu não trabalho de graça, porque hão-de os outros ter que trabalhar?
Para irem para o Céu? Mas já ninguém acredita no Pai Natal.

Em Portugal os esquerdistas dizem lutar contra os paraísos fiscais ... 
O problema é que a Bolívia, país liderado por um esquerdista total, o Presidente Ivo Morales, é um paraíso fiscal!

E Portugal também é um paraíso fiscal (para alguns).
Além de haver a Zona Franca da Madeira, a Zona Franca de Santa Maria, todo o Portugal é um Paraíso fiscal para os reformados cuja pensão seja de um sistema de pensões não localizada em Portugal pagam zero de IRS.

Já imaginaram esta situação?
Os pensionistas alemães, ingleses, espanhóis, franceses, americanos, etc. que vivam em Portugal todo o tempo, estão isentos de IRS. Este regime é pior que os piores que ouvimos do Panamá porque é zero e só se aplica aos que têm pensão estrangeira (no Panamá, a baixa tributação aplica-se a todos).
Um dia, a Alemanha, Reino Unido, França, USA, etc. vão tributar os seus pensionistas na fonte, o que será de maior justiça já que o rendimento é obtido lá.

Ainda não ouvi nenhum esquerdista contra isto!
Será a Elisa Ferreira contra a isenção de IRS dos pensionistas estrangeiros? E o Louçã, Jerónimo de Sousa e a Catarina Martins?
E contra o facto de a Bolívia ser um Paraíso fiscal, governada pelo mais esquerdista dos esquerdistas?

Os paraísos fiscais existem para os Estados poderem aumentar os impostos.
As mentes simples pensam que, ao haver paraísos fiscais, Portugal perde receita fiscal mas, sendo assim, é incompreensível a sua existência mesmo em território nacional e em múltiplo.
O que acontece é que os paraísos fiscais permitem "segmentar o mercado fiscal."
Quando a taxa de imposto sobe, mais pessoas fogem ao fisco pelo que, acima de uma certa taxa, a receita fiscal diminui porque a economia para e muitas pessoas passam a fugir ao fisco. Ao haver paraísos fiscais, é possível aumentar as taxas de imposto sem fazer a economia parar e podendo o estado colher impostos ao "pequeno" que não pode fugir. Depois, o Estado ainda vai receber parte do imposto "fugido" com perdões fiscais.

Vejamos um exemplo.
O cigano compra 1000 peças de roupa a 0,30€/peça e, se afixar o preço em "2 por 5€", só vai vender 300 peça (factura 750€), se afixar "2 a 3€" vai vender 700 peças (factura 1050€) e se fixar "2 por 1€" vai vender as 1000 peças (factura 500€). Então, o Cigano vai maximizar a sua facturação segmentando o mercado.
Mete 333 peças em cruzetas e dependuradas a "2 por 5€", outras 333 peças misturadas em cima de uma bancada a "2 por 3€" e, finalmente, 333 peças no chão tudo misturado a "2 por 1€". A roupa é toda igual mas, quem não quiser andar a escolher na molhada, vai pagar "2 por 5€" enquanto que quem não se importar de perder tempo, vai escolher no chão e pagar "2 por 1€".
O Cigano também usa o tempo, às 8h da manhã começa por ter as 1000 peças nas cruzetas, às 10h atira metade das peças para a banca, misturando tudo e, ao meu dia, pega em tudo o que sobra e atira para o chão.
Por exemplo, o meu casaco NAF NAF de penas cujo preço de novo é, pelo menos 120€, foi comprado às 12h45m por 1€. Estava no chão, todo molhado (pois estava à chuva) o que fazia com que as penas formassem grumos. Tinha um aspecto horrível mas, depois de lavado e seco, as penas cresceram e ficou uma maravilha. Antes, vim a saber, o casaco já tinha estado abrigadinho numa cruzeta a 5€.

Eu, enquanto escolhia as calças, arrumei-as.
Era um monte que teria uns 100 pares de calças (talvez já tivesse formado um fardo com "Calças de ganga" escrito por fora), misturados de homem e mulher, e eu fui separando para um lado as calças de mulher e, para o outro, as de homem. Depois, fui alinhando as calças de homem. 
O cigano estava distraído com a parte das camisolas e, quando se virou para trás e viu as calças alinhadinhas, foi lá e misturou tudo.
Como o cigano percebe tanto de economia e sem sabe ler nem escrever!

Vejamos os impostos.
O Sócrates  fez um perdão fiscal em que, quem quisesse repatriar dinheiro de paraísos fiscais para Portugal teria que pagar apenas 7,5% de imposto e ficava tudo perdoado.
Não ouvi nenhum esquerdista a insurgir-se contra a ideia.
Nesta leva, o amigo do Sócrates repatriou 30 milhões € de algures para Portugal.  

É a santa hipocrisia e a santa inveja de gente rasteira.


Sou tão invejoso por o meu vizinho ter uma testa linda que não paro de pensar em lhe enfiar um par de cornos.

Falta falar do "Banco Mau" do António Costa.
O Banco Mau chama-se Caixa Geral de Depósitos que tem um buraco de 5000 milhões € por causa do crédito concedido pelos amigos de alguém (como o Vara) para acudir a empresas (e amigos) falidos.
Agora, como não é possível injectar dinheiros públicos em bancos públicos porque tal seria concorrência desleal com os bancos privados, só resta à Caixa Geral de Depósitos a privatização ou a redução do seu activo em 2/3, fechando 450 balcões e despedindo 6000 trabalhadores.
A jogada de Costa é "salvar" a CGD enfiando aos contribuintes um fardo de 5000 milhões €.

E do Carlos Costa?
Havia o perigo de se repetir no BANIF o que aconteceu no BES: nos últimos dias haver transferência de centenas de milhões de euros para lugares esquisitos como, por exemplo, os 1800 milhões € que voaram para a Venezuela.
Constava que as familiares do Roque tentaram levantar 500 milhões €.
Para evitar isso, o Carlos Costa avisou, e fez bem, o BCE para estar atento a estes movimentos.
Com esta precaução, concerteza que nos poupou centenas de milhões de euros.
Mas o António Costa quer meter um amigo no Banco de Portugal. Como fez o João Soares no CCB, estão a meter amigos em tudo que é sítio o que faz lembrar aquelas "democracias" esquerdistas da América do Sul a caminho da bancarrota.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O João Soares foi derrotado por dois zombies

Sempre pensei que o Vasco Polido Valente fosse um zombie. 
Ver o VPV falar faz-me ficar com a ideia de que existem pessoas muito mais vivas e lúcidas entre os velhinhos que, nas residências seniores, passam o dia a dormitar no cadeirão geriátrico. 
O problema é quando o homem se vira para a câmara que capta o seu pestanejar. 
Sim, porque não estou a imaginar o VPV a teclar no computador, deve antes ter uma câmara daquela que, enquanto dormita, lhe capta o  pestanejar e o transforma em palavras, à moda do Steve Hawking. 
Mas que palavras saiem daquele pestanejar, são como lanças envenenadas ao coração do visado mas nunca caindo na grosseria. 
Como eu tenho pena de nunca ter sido vítima das suas crónicas.

Com a escrita (usando o pestanejar), o VPV torna-se um fera mortal

Mas, afinal, não é o pior dos zombies.
O Augusto M. Seabra não só parece mais morto que o VPV como do seu pestanejar saiem palavras muito mais venenosas: 
O João Soares "passados quatro meses não afirmou uma linha de acção política, tão-só um estilo de compadrio, prepotência e grosseria." ... "Que um governante se rodeie de pessoas de confiança é óbvio. Mas no caso do gabinete de Soares trata-se de uma confraria de socialistas e maçons."
Já se sabe dos filmes que, quem pensa que vai despachar os zombies à bofetada, acaba ele próprio num morto vivo (ou, no caso do João soares, num vivo morto).
 
Um curiosidade sobre a palavra Zombie.
O mais certo é ser uma palavra de origem africana, vindo de Zumbi (da língua Kikongo). No entanto, se quisermos forçar um bocadinho para um centrismo nas culturas europeias, também podemos ver semelhanças com a palavra Sombra (portuguesa ou espanhola), corrompida nos creolos das caraíbas.
Mas o interessante é como uma palavra dos confins de África pode ser incorporada nas línguas de todo o mundo. É a globalização.

"Essa não valer!"
Uma vez eu disse à senhora da loja chinesa que sabia algumas palavras em chinês. Ela ficou admirada mas eu logo ataquei com "Internet".

Mas algo se passa com a Geringonça. Estará o défice descontrolado?
Geringonça foi o nome proposto pelo VPV para o governo dos esquerdistas, posteriormente repetido pelo Paulo Portas no Parlamento.
Mas algo vai mal na Geringonça porque as taxas de juro estão muito elevadas.
Eu penso que tem a ver com um problema no Orçamento de Estado para 2016, o défice está descontrolado.

Porque será que veio cá o Draghi?
Talvez porque o Marcelo sabe que o défice está a resvalar e quer apoio institucional europeu para forçar o Costa às medidas adicionais.  
O Costa escreveu no OE2016 que o défice vai ser de 2,2%do PIB mas imaginando que isso seria só para bruxelês. Os políticos são os mesmo pelo que a acção é uma repetição do que fez o Sócrates em 2009.
Se bem se lembram, o Sócrates escreveu no OE2009 que o défice ia ser de 2,2% PIB (ver, estranhamente, ou talvez não, o número que o Costa meteu no OE2016) e acabou em 9,4% do PIB, e ninguém disse nada.

O Sócrates assinou o Memorando de Entendimento, com todo o apoio do PS, porque sabia que não lhe iria dar cumprimento.
O problema é que agora os mercados estão mais atentos, mais nervosos e, por isso, a taxa de juro já está 3 pontos percentuais acima da taxa de juro alemã e 1,3 pp acima do que estava em princípios de 2015.

Quanto vale 1,3pp de taxa de juro?
Se aplicada a toda a dívida pública, são mais 3000 milhões por ano em despesa pública em juros, 1,65% do PIB.
Interessante que o aumento na despesa em juros é muito maior os 0,4pp de resvalar do défice (dos 1,8% do Passos Coelho para os 2,2% do Costa) que levou ao anunciar do fim da austeridade.


Diferença entre a taxa de juro a 10 anos portuguesa alemã está muito elevada

Não será a acção do Soares uma demonstração do desespero da geringonça?
Espelho meu, espelho meu, será que esta cena do Soares não traduz o nervoso dentro da geringonça em que o Primeiro Ministro tem que dizer ao seu Ministro da Cultura pela televisão de que tem que se ir embora?

Vejamos um dos problemas que se avolumam.
Além do défice descontrolado, há problemas graves na Caixa Geral de Depósitos que, segundo alguns analistas (eu), tem prejuízos escondidos e reconhecidos na ordem dos 4000 milhões € pelo que, não sendo possível um aumento de capital, vai ter que reduzir o seu activo para 1/3 do valor actual.

E há o BCP.
Tem um total de activos de 74885 milhões € (ver) pelo que terá que ter um capital mínimo de 6000 Milhões € (um Tier 1 de 8%, ver). No entanto, a capitalização bolsista de hoje do BCP derrapou de há apenas um ano dos 6000 milhões€ para os atuais 2000 Milhões €. Então, segundo avaliado pelo mercado, o BCP tem uma necessidade de reforçar o capital em 4000 milhões€.
E não é dinheiro previsional como no caso do BANIF, é dinheiro firme.
E onde é que vai ser possível ir buscar este dinheiro com a oposição do BE e da CDU?
By By Costa.

Será que o caso BANIF poderia ser diferente?
Poder, podia se o Tomé não fosse teimoso ou se tivesse sido possível arranjar alguém para gerir o banco, que não foi possível depois do que se passou com o BES onde a administração do Vitor Bento esteve apenas uns mesitos e saiu toda queimadinha.
Querem saber onde parará o João Moreira Rato que tinha um grande tacho como presidente do IGCP? Está a dar umas aulitas, como eu, mas como professor convidado (dá mais horas e ganha menos que do que eu).
Vamos assumir que o BANIF estava a dar lucro, que estava a fazer a sua reestruturação e que estava a funcionar muito bem. O problema é que não tinha capital suficiente para poder operar com 13MM€ de activo.
Se alguém quiser operar um banco, tem que ter como capital um mínimo de 8% do activo. Se, o BANIF queria ter um volume de negócios de 13000 milhões €, tinha que ter 1000 milhões € de capital próprio. Como não tinha, em meados de 2015, o valor de mercado era de 300 milhões €, havia a necessidade de reduzir o activo de 13000M€ para 3750M€ que a administração do BANIF não fez porque não quis fazer.
Sendo que o Tomé foi teimoso, mais não ficou que acabar com o banco e vender o que sobrou por tuta e meia. 
É a vida!

terça-feira, 5 de abril de 2016

O XXXVI congresso do PSD

Mudam-se o tempos, mantém-se o discurso. 
Discurso, discurso propriamente dito, não ouvi o de ninguém mas ouvi as entrevistas à porta do pavilhão e encontrei uma regularidade interessante. Tal e qual como quando o António Costa iniciou a trucidação do António Seguro, os da oposição ao Passos Coelho (leia-se, Rui Rio por intermédio de mentecaptos), pediam/exigiam ao Passos uma oposição mais energética à geringonça. 
A estratégia é simples e já deu resultados no PS, querem transformar o Passos Coelho no Passos Lebre, derretendo o motor a combater a geringonça para, quando chegarem a autárquicas, repetirem o "Sabe a poucuchinho." 
Mas o Passos Coelho não é assim tão burro.



A ideia do Rio é mandar o Passos correr à frente para ele, como fez o Costa ao Seguro, o atacar por trás

Será que o Passos Coelho está à espera que a vida corra mal à geringonça e ao país?
Nada disso, o Passos quer que todas a consequências previstas pela aplicação da política esquerdista funcionem como está previsto.
Se o programa da geringonça é aumentar salários quando há desemprego elevado, funcionar bem é o desemprego aumentar.

Se o programa da geringonça é aumentar o impostos sobre as empresas, funcionar bem é o investimento diminuir.
Se o programa da geringonça é aumentar a despesa pública (repondo o meu salário) sem equivalente aumento de impostos, funcionar bem é as taxas de juro sobre a dívida pública aumentarem.

O Passos Coelho vai traçar o seu caminho.
Mais do que fazer de morto, vai fazendo de ancião.
Na hora certa, quando for preciso avançar com as medidas adicionais e a geringonça não o conseguir fazer, avançará com "o Costa derrubou o meu governo alegando que tinha um outro caminho para salvar Portugal sem austeridade. Eu bem aviei que esse caminho não existia mas, as esquerdas teimaram e agora deram com a cabeça na parede."
"Bem vos avisei."

Bem te aviei que fumar fazia mal à saúde mas não me quiseste ouvir. Agora, aguenta.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Será verdade que o emprego está a cair?

Lembram-se que a geringonça prometeu emprego e crescimento do PIB?
Diziam eles os esquerdistas que o Passos Coelho fez tudo mal. Que, em 2011, Portugal estava muito bem mas que, depois, o Passos Coelho, por opção ideológica, começou com a austeridade (quando deveria ter feito o contrário) que foi a causa da crise do nosso país. Assim, a austeridade causou a crise e não o contrário. 
No dia 26 de Novembro de 2015, com a tomada de posse da geringonça, a austeridade acabou o que se materializou pela reposição dos salários dos funcionários públicos, pelo aumento do salário Mínimo Nacional e pelo fim dos exames dos putos. 
Já lá vão 127 dias pelo que já devemos estar a ver resultados.

O emprego está a ser destruido 4 vezes mais rápidamente que no mandato do Passos Coelho!
Não pode ser!
Mas então a geringonça não tinha prometido que o emprego ia aumentar? Que o Passos Coelho com a sua agenda neoliberal destruiu centenas de milhar de empregos que a geringonça ia reverter?
Não, é mesmo verdade que o emprego diminuiu. Em Novembro de 2015 havia 4495200 pessoas empregadas e em Fevereiro de 2016 já só havia 4430500 pessoas empregadas, uma destriução de 21500 empregos por mês!
Se corrigirmos da sazonalidade (uma conta que o INE faz para tentar corrigir o emrpego sazonal), nos 53 meses de governo do Passos Coelho houve uma destruição de 3750 empregos por mês enquanto que nos 3 meses até fevereiro que leva a gerigonça houve uma destruição de 12400 empregos por mês.
Com a política de "crescimento e empeego" o Costa está a destruir quatro vezes mais empregos que o Passos Coelho destruiu!

Fig. 1 - Evolução do emprego, Nov 2015 - Fev 2016, corrigido da sazonalidade (fonte: www.ine.pt)


As previsões para o crescimento estão em queda.
Tirando os 12 sábios da geringonça, toda a gente com pelo menos um neuroneo indicam que o crescimento em 2016 vai ficar abaixo ao crescimento de 2015 (o FMI 1,4% e Banco de Portugal 1,5%).

 Fig. 2 - Estou a ver que vou ter que deixar a boa vida e voltar a trabalhar em joelharia.


É uma vergonha.
Claro que os esquerdistas, na tentativa de se manterem a flutuar mais um ou dois mesitos, vão dizer que os números ainda não permitem dizer nada e que precisam ser lidos com olhos de quem sabe. O Louçã (que se diz defensor das liberdades de expressão em Angola) vai mesmo propôr "a troca bloggista mais racista e odiado do Mundo pelos lutadores pela liberdade de expressão angolanos e lá que o esfolem vivo e entreguem aos pedaços como comida para as hienas e abutres."
 Mas é uma vergonha tantos anos de retórica esquerdista a falar no "outro caminho" e, agora que começaram o "outro caminho", a economia engasga.


O que será joelharia?
Não é erro ortográfico mas sim um regionalismo de Gondomar. Trabalhar em joelharia é trabalhar de joelhos! O trabalho tanto pode ser feito na admissão do ar ou às quatro rodas.



segunda-feira, 28 de março de 2016

Os terroristas de Bruxelas eram amadores

E, além de serem amadores, não queriam matar muita gente.
Bem sei que as minhas afirmações vão causar polémica mas vou provar que o atentado de Bruxelas não passou de uma ação desmiolada semelhantes às dos jovens que partem candeeiros nos partes públicos.

1 - O Salah Abdeslam não tem treino nem apoio militar.
Vamos imaginar que, como a comunicação social nos vende, o Salada era um perigoso terrorista com elevado treino militar e contactos com o Estado Islâmico. Neste caso, quando tentavam fugir do apartamento em Bruxelas teria que:
A) Aproximava-se da porta de saída do edifício onde depositava uma carga explosiva de demolição programada para explodir decorridos 20 segundos.
B) Imediatamente, mandava porta fora uma granada de fragmentação (para o meio dos polícias).
C) Mal a granada explodisse, saia a correr e largava uma granada de atordoamento (sem fragmentos para não ser atingido na corrida).
D) Antes de virar a esquina da rua, largava mais uma granada de fragmentação.
E) Atirava-se para o chão e aguardava que a carga de demolição explodisse.
F) Levantava-se e caminhava como se fosse uma das vítimas. 
Se o Salada não tinha granadas, nunca teve apoio militar. 


A granada de fragmentação/defensivas (esquerda) só pode ser usada com segurança quando o atirador está protegido pois os fragmentos atingem grande distância (letal a 30m, corrida de 5 s). 

Mas vamos supor que o Salada tinha treino militar. 
Estava prevenido com equipamento básico que lhe permitiria passar para o edifício vizinho. 
Primeiro, tinha 5 litros de gasolina que espalhava pelas escadas abaixo do prédio pegando-lhe fogo.
Depois, abria um buraco na parede com o prédio vizinho, com uma marreta de 5kg (que custa na ordem dos 20€) para o qual só precisaria de um ou dois minutos. Finalmente, descia as escadas do prédio vizinho e saia para a rua com passo normal (a polícia além de ter dificuldade em identifica-lo, não tinha mandato judicial para deter as pessoas do prédio vizinho).

Os atentados.
Foi usado peróxido de acetona como explosivo. Este explosivo é um pó branco que se sintetiza (facilmente) juntando água oxigenada 30 volumes com acetona em meio ácido (ácido sulfúrico das baterias dos carros).
     2C9H18O6 + 21O2=> 18H20 + 18C02 + Energia

O uso deste explosivo indica que os terroristas não conseguiram explosivos militares.

2 - Qual a necessidade de os terroristas serem suicidas?
Muito facilmente, as bombas poderia ter sido acionadas remotamente.

Deu-me ideia que os bombistas apenas se queriam suicidar com estrondo.

3 - Porque não usaram gasolina?
Em ambiente confinado, 1kg de peróxido de acetona consome o oxigénio de 9m3 de ar enquanto que 1kg de gasolina consome 15 m3 de ar. Além disso a gasolina contem mais energia o que causa, por simpatia, incêndio nos materiais do ambiente envolvente. Assim, se juntamente com os explosivos, transportassem uns 25 litros de gasolina, os danos causados em termos de mortes seriam, em vez de 3 dezenas, na ordem das centenas.

4 - E o minute after?
No atentado terrorista levado a cabo na Noruega pelo Breivik (ver), viu-se como o treino militar mesmo rudimentar, multiplica por centenas de vezes o impacto do atentado.
No caso dos atentados de Bruxelas, depois das bombas terem explodido por controlo remoto e de a gasolina ter esgotado o oxigénio e incendiado vasta área, os terroristas entravam com um machado.

No meio da confusão, um militar armado com um machado curto (machadinha) que custa 15€, causaria 10 mortos por minuto.

Viu-se em Israel, um terrorista armado com uma faca de cozinha, ...
causa muitas mortes e é impossível de desarmar.
Nas artes marciais há a ideia de que existem técnicas para desarmar um atacante armado com uma faca.
Nada mais errado. A ideia de que uma faca é uma coisa que não causa grande perigo é a responsável por este utencílio que todos temos em casa seja tão mortal.

Uma faca de 20cm de lamina (custa 19,90€ no IKEA) é mais mortal que uma pistola de calibre 6,35mm (inclui carregador ilimitado com 2000 facadas por hora)
 
Concluindo, não estamos preparados para terroristas treinados e com equipamento.
Se, de facto, houver um ataque em que os terroristas tenham treino militar e apoio (equipamento), a contagem de mortos será na ordem dos milhares.
Será como os massacres que os alemães faziam quando recolhiam a população de uma aldeia e, depois, matavam um a um a tiro e os últimos ainda colaboravam na incineração dos cadáveres.
Na Ravina de Babvi Yar, sem qualquer equipamento que os ajudasse como havia nos campos de extermínio, em pouco mais de 1 dia, uma dúzia de alemães matou 33771 judeus, mais de 1000 pessoas por hora (ver).

 Sou boa mas aqui ninguém mete a mão

A propaganda serve para desculpabilizar a polícia.
Ao diabolizarem os terroristas, as nos convencerem de que se tratava de terroristas muito perigosos, estão a dizer que estamos preparados para ataques sofisticados mas, de facto, não estamos.
Para uma sociedade estar preparada para todo o tipo de ataque tem que comprometer muitos "direitos do homem". E em parte, já estamos a fazer isso de que sáo prova as execuções extra-judiciais conduzidas por países que nem têm pena de morte, como a França, no exterior sem que ninguém diga nada.

Estamos preparados para fazer face a tudo e a todos


quarta-feira, 23 de março de 2016

Os atentados na Europa são peanuts

Em termos estatísticos, houve menos de 1 morto por semana. 
Desde o Ataque às Torres Gémeas (11 de Set 2001) houve na Europa Ocidental 24 atentados terroristas de que resultaram 476 mortos (19,8 mortos/atentado) e 3731 feridos (7,8 feridos / morto) o que dá 0,63 mortos/semana e 4,9 feridos/semana (ver).
Neste mesmo período, morreram na União Europeia 96 mil pessoas por semana (ver) o que traduz que apenas uma em cada 153 mil pessoas que morreram na UE foi vítima de um atentado terrorista. E morreram em acidentes rodoviários cerca de 580 mil pessoas, 770 mortes por semana (ver). 


Será que alguma vez alguém bombardearam Detroit por causa dos acidentes rodoviários?
Então qual é lógica de bombardear cidades na Síria porque alguns franceses, nascidos em França, em bairros franceses e alguns belgas, nascidos na Bélgica, em bairros franceses terem feito uns pequenos atentados na Bélgica e na França?
Se os fabricantes de fords em Detroit não têm culpa nenhuma por Renaults matarem pessoas na França, também os Raqqanos ou os Holmanos não têm culpa nenhuma porque meia dúzia de franceses e outra meia dúzia de Belgas cometem atentados nos seus países.
Não seria mais lógico bombardear bairros na França e na Bélgica?

Mas vamos ao Brasil.
Mesmo com uma população que é apenas 40% da população da União Europeia, morrem mil pessoas por semana vítimas de violência, o país em paz onde morrem mais pessoas.
Morrem mais pessoas assassinadas no Brasil (em paz) que na Síria (em guerra civil e com constantes bombardeamentos aéreos por parte dos países ocidentais e a Rússia).

E em Israel?
Um país com apenas 8 milhões de judeus, morreram 1300, uma média de 2 pessoas por semana (ver).
E, aparentemente, tudo funciona com normalidade.


Eu achei graça às palavras do António Costa.
Diz ele, culpando as vítimas pelos crimes, de que é preciso mais integração, de que é preciso integrar mais esses terroristas.
O problema, Costa, é que depois de os terroristas se desintegrarem, nada mais pode ser feito.

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