terça-feira, 14 de agosto de 2018

A falência do transporte ferroviário é culpa do ...

Nos últimos meses tem-se discutido o mau estado dos comboios.
Comboios que reduzem a velocidade, cancelamentos, atrasos, má qualidade, clientes aborrecidos e tudo isto "por causa da redução no investimento público na via férrea". 
Por estranho que possa parecer, neste ponto tenho que felicitar a geringonça pois o transporte ferroviário é uma tecnologia obsoleta que deve acabar o mais rapidamente possível.
Os esquerdistas são conservadores, não tendo animo para fazer alterações estruturais na sociedade mas, como já referi no passado, são capazes de fazer as alterações estruturais mais difíceis. Por exemplo, todos nos lembramos que quem inventou os Recibos Verdes e os Despedimentos Colectivos foi o Dr. Mário Soares !!!!
Vejamos os argumentos contra e a favor dos transportes ferroviários.

Argumentos a favor da ferrovia.
O atrito nas rodas é menor.
O coeficiente atrito nas rodas é muito menos na ferrovia do que na rodovia.
Segundo a evidência empírica, num veículo desengatado, rodas de aço em carril de aço têm um atrito de 1,8kg/ton (0,18%) enquanto que os camiões 9kg/ton (0,9%) e os automóveis 18kg/km (1,8%).

A dimensão do veículo é maior, vencendo zonas congestionadas.
Um comboio pode ser muito comprido porque é o carril que faz de direcção, empurrando as rodas lateralmente. Assim, um comboio pode transportar centenas de pessoas e dezenas de contentores.

Usa electricidade.
Os comboios são eléctricos poupando o planeta dos gases com efeito de estufa.
Além disso, a electricidade é mais barata que o gasóleo.

É mais rápido.

Os argumentos contra a ferrovia.
A pouca flexibilidade e o elevado custo da ferrovia.
Enquanto que uma estrada pode ter subidas até 30%, ser de terra-batida, pedra, asfalto ou betão, ser larga com 10 faixas ou estreita como um caminho de cabras, o caminho de ferro tem que ser plana e ser feita por determinado tipo de carril em aço.
Por outro lado, numa estrada podem circular animais, pessoas a pé, ciclistas, carroças, autocarros e camiões.
Finalmente, não havendo dinheiro para manutenção rigorosa, a perda de qualidade das estradas pode ser ultrapassada com a redução da velocidade enquanto que na linha ferroviária leva a descarrilamentos.
A pouca flexibilidade e a exigência de um nível de qualidade constante faz com que a ferrovia seja muito cara o que limita a cobertura quando, pelo contrário, existe uma estrada até à porta de cada um de nós.

O atrito na roda é uma pequena parte do custo total.
Por um lado, considerando apenas as perdas energéticas no rolamento (sem atrito do ar), o consumo será num veículo com 1000kg, na ordem de 0,1 litros/100km para o comboio, 0,5 litros/100km para os camiões e 1,0litros/100km para os automóveis.
Por um lado, comparando com o consumo do nosso carro, estes números mostram que a maior parte do consumo de um veículo resulta do atrito com o ar.
Por outro lado, o custo do combustível é cerca de 1/3 do custo do transporte.

A electrificação é muito cara.
Primeiro, já houve autocarros eléctricos, os tróleis, mas a construção da linha eléctrica é muito cara e exige muita manutenção o que faz com que não seja económico electrificar as auto-estradas.
Segundo, é verdade que a electricidade tem fontes que não emitem gases com efeito de estufa mas outras, o carvão, emitem.
Finalmente, o custo da electricidade é menor que o gasóleo apenas porque não paga ISP.

É possível ter autocarros e camiões maiores.
Um autocarro de passageiros de 1 piso leva 52 passageiros sentadas mas os autocarros podem ser muito maiores, estando apenas limitados pela largura/curvatura da estrada.
Um veículo com 2,5 m de largura e com C metros de comprimento entre eixos, numa curva com R metros de raio interior precisa de uma largura de via de:
   Largura da via = 2,5 + (R^2 + C^2)^0,5 - R.

Para um veículo com 15 m de comprimento, numa auto-estrada sub-urbana (raio interior mínimo de 100m), será preciso uma via com 2,5 + (100^2 + 15^2)^0,5 - 100 = 3,61m e numa auto-estrada inter-urbana (raio mínimo de 700m) será precisa uma via com 2,7m.
Num veículo articulado, aplica-se a mesma formula a cada atrelado, indo o raio aumentando.

Será possível um autocarro com capacidade para 1000 pessoas sentadas?
Em termos tecnológicos é totalmente possível.
Com 2 pisos, terá que ter 130 m de comprimento precisando (num veículo articulado com 10 atrelados de 13 m, numa auto-estrada urbana com raio de curvatura de 700 m),  uma largura de via de 3,7 metros, que é a largura de uma faixa de rodagem normal.
Terá que ter uma potência na ordem dos 4000kw que é a potência do Alfa que só leva 300 passageiros.
Poderia muito bem haver uma linha de super-autocarros a ligar as principais cidades por auto-estrada, muito mais flexível que o comboio (que só serve o eixo litoral) e barato (porque usa as auto-estradas já existentes).
Em termos comerciais será indicado autocarros menores pois as poupanças no motorista e no atrito com o ar não compensam a diminuição na flexibilidade (as pessoas teriam que se reunir todas no mesmo sítio ou haver muitas paragens).
Também já há camiões com capacidade de transporte na ordem das 150 ton, usados na Austrália.


E vêm ai os veículos "robots"?
Quando as rodas dos "atrelados" forem direccionadas e não "mortas" como actualmente, um veículo mesmo com 500 m de comprimento pode fazer uma curvas apertadas, percorrendo as ruas dentro de uma cidade como se fosse um automóvel citadino.
Mas eu penso que a revolução vai ser em sentido diferente, com veículos pequenos, no limite, com lotação para uma pessoa, que apanham o cliente à porta de sua casa e o largam à porta do destino.
Eu já fiz postes com umas pequenas contas e uma viagem média urbana média (que é de cerca de 5 km) terá um custo na ordem dos 0,25€.

A velocidade.
A velocidade do comboio é anunciada desde o instante em que parte da estação de origem até que para na estação de destino mas as pessoas nem moram na estação de origem nem vão para a estação de destino.
Contabilizando toda a viagem desde a nossa porta até à porta de destino e tomando consciência que a maior parte das portas estão longe de uma estação, o comboio não é mais rápido.

Força camarada Costa.
Acabam com isso dos caminhos de ferro.

Eu achei graça ao Bruno de Carvalho.
Como saiu do Sporting SAD, devolveu o telemóvel, o carro e a mulher da empresa.
Só falta saber se a devolução da mulher também obriga a devolver a criancinha e se, agora, está tudo por conta do Sousa Cintra ou se ficou a ganhar teias de aranha e ferrugem à espera do próximo presidente.

Quanto aos incêndios.
Com este frio, os incendiários ficam no tasco a jogar às cartas e os eucaliptos descansam de dar cabo das políticas do Camarada Costa.
É que, além do vento, frio e chuva deste verão, a água do mar está nos 13.ºC.
Não dá nem para molhar os pés.
Alguém sabe quantas pessoas morreram no incêndio de Monchique de 2003?
Zero!
Alguém sabe quem era o primeiro ministro?
Durão Barroso!
Então, o que fez o Costa ficar tão contente por não ter morrido ninguém?
O que fez o Costa que não fez o Durão Barroso para agora terem morrido zero pessoas quando em 2003, morreram zero pessoas (e na altura o PS disse que tinha sido uma calamidade)?
Fez propaganda.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O populismo, o Rio e o Costa, os incêndios

No outro dia um amigo meu escreveu no JN sobre o populismo. 
Já lhe disse que escreve mal no sentido de que são textos de difícil leitura mas o que interessa é que ele falou de populismo ligando-o à globalização, o que eu discordo porque o populismo é um fenómeno muito antigo, já existindo na Grécia Antiga.
Então, vou tentar neste poste explicar o que é o populismo, em que sentido o Costa e o Rui Rio são exemplos de populistas e como os incêndios são um exemplo disso.

O que é o populismo?

É democrático.
É um movimento democrata no sentido que os populistas precisam do apoio do povo para ganhar o poder contra o grupo que está no poder.
Historicamente, mais vezes o populismo apareceu para fazer face a ditaduras do que dentro do processo democrático. 

Aproveita a nossa maluqueira animalesca.
Os animais, sejam insectos, peixes, anfíbios, répteis, aves, marsupiais ou mamíferos, quando se sentem atacados por um perigo não identificado, cada um foge para o seu lado o que, em termos estatísticos, favorece a sobrevivência da espécie. Se uns morrem porque fogem para a "toca do lobo", outros escapam porque fogem para o outro lado dando origem às gerações futuras.
Nós, sendo também animais, comportamo-nos da mesma maneira, quando há uma crise, nós queremos que aconteça uma mudança sem, necessariamente, usarmos o raciocínio.
Porque será que, volta e meio, as mulheres desatam a gritar de forma descontrolada?
Porque será que há jovens europeus que vão para a Síria explodirem-se? 
Faz parte da nossa "maluqueira animalesca" que herdamos do processo evolutivo.

Aparece nas crises propondo soluções ERRADAS para os problemas do mundo.
Os movimentos políticos populistas estão sempre no "mercado" mas, quando há uma crise, seja económica ou de outro tipo, os nossos genes começam a empurrarem-nos para a "maluqueira animalesca". Então, esses movimentos começam  a cativar seguidores e, mais importante, entram no espaço da comunicação social.
As soluções que apresentam são erradas no sentido que são contrárias ao que aponta o conhecimento científico mas têm alguma lógica e fazem sentido para as pessoas que têm poucos conhecimentos.
Essas soluções erradas parecem verdadeiros se usarmos o senso comum e uma lógica imediata e infantil.

Vamos a um exemplo do PAN.
Existe o gado bravo que nasce e é criado para ser toureado, com sofrimento para os bichos. Então, no imediato, proibir as touradas parece no melhor interesse dos bicho.
Mas demos um passo atrás.
Não havendo touradas, as vacas bravas serão abatidas não havendo mais nascimentos de bezerros bravos.
E todos os filósofos garantem que existir com sofrimento é qualitativamente superior a não existir.
Além disso, o gado bravo é importante no financiamento da floresta de sobro/azinho alentejana.
Então, o fim das touradas levará à extinção do gado bravo e ao fim da agricultura extensiva na floresta de sobro/azinho.
Em criança eu achava que, em África, deveriam matar os leões, hienas e demais carnívoros porque esses malvados matam com requintes de crueldade os indefesos herbívoros. Mas, no entretanto, deixei de ser criança.

Exemplo de populismos.
Nas guerras de libertação africana, os combatentes procuravam o apoio da população contra uma força colonizadora opressora com ideias erradas (a libertação do Homem pela ideologia marxista-leninista-maoista).

Vamos a um exemplo do PS.
Promete na campanha que vai acabar com a austeridade, bater o pé à Europa, descongelar carreiras, aumentar salários, melhorar o SNS, fazer a água do mar quente, ...

Como se combate o populismo?
Com paciência, convicção e pedagogia para mostrar aos eleitores que as soluções apresentadas pelos populistas parecem ter lógica mas que estão erradas.
Não é apoiando as soluções erradas, como aconteceu com o Rui Rio que, anos e anos, combateu as políticas do Pedro Passos Coelho, colando-se ao populismo do PS que se resolve o problema, é antes, atacando-o de frente com ideias verdadeiras e coragem.
Ter paciência como teve o Cavaco Silva que foi em 1995 "expulso" pelo PSD (que meteram lá o Fernando Nogueira, alguém se lembra deste?) e pelo Guterres para, passados 10 anos, ser eleito presidente da república com a simples pergunta "Se somos tão bem governados, porque será que a Espanha cresce tanto mais do que nós?". 

Porque evolui o populismo para a ditadura.
Estando as ideias erradas, com o tempo, as pessoas começam a ver que o populista não consegue resolver nenhum dos problemas.
Em países com instituições democráticas frágeis, como a Venezuela, o populista alegando que as suas ideias precisam de mais tempo para darem resultado, os fracassos são fruto de acções estrangeiras e o povo não sabe o que faz, vai começando a destruir as instituições democráticas.

O Irão tem Israel como principal inimigo.
Então, será importante comparar o nível de vida no Irão em comparação com Israel.
Se, sobe o regímen monárquico, o nível de vida foi-se aproximando até ficar, em 1986, nos 61%, a revolução veio prometer que um regímen teocrático iria trazer liberdade (onde é que ela está?) e desenvolvimento económico (como disse?).
Desde então, o PIB per capita iraniano anda à volta de 20% do israelita mas já é tarde para o povo pedir que os ayatolas se vão embora.


Evolução do PIB per capita do Irão relativamente ao de Israel, 1960:2017 (dados, Banco Mundial)


É que, no fundo, todos os que mandam estão agarrados ao poder porque são Robins dos Robles, querem tirar um bocadinho a cada pobre para viver bem e ser rico.

Vamos aos incêndios.
Não era com multas, obrigando os velhinhos do interior a sair dos lares da terceira idade para desmatar as courelas, com plantações de árvores esquisitas, com aviões, com martas soares e com camiões cheios de água que iam acabar com os incêndios?
Afinal, não, veio um dia de calor e logo apareceram incêndios incontroláveis.
Não estará na hora de ver o que fazem nos outros países?
Não será que os marta soares não poderiam ir à Austrália ou África ver como funcionam os contra-fogos e como estão metodologia milenar é a única capaz de apagar incêndios florestais?
Mas o que vamos ver é mais meios, mais comissões, mais bombeiros, mais camiões, mais multas, mais desmatações, mais velhinhos a morrer em queimadas, e mais incêndios.

O Costa está a acompanhar os incêndios como eu: às voltas do comando a ver como mudar de canal.
A diferença é que tem fotógrafo e uma barriga de cerveja que mete medo.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Será o nosso crescimento estrutural ou não passa das melhoras do moribundo?

O António Costa diz que "apresentou um modelo diferente". 
Diz ele que o Passos Coelho tinha um modelo e que ele tem outro modelo.
Que o do Passos Coelho leva à miséria e o dele ao paraíso.
E que prova disso é haver crescimento económico sustentável.
Vejamos o que dizem os dados.

As causas para o crescimento da economia.
A economia apenas pode crescer por 4 vias.
  Via 1 => Aumento da quantidade de Capital;
  Via 2 => Aumento da quantidade de Trabalho;
  Via 3 => Difusão tecnológica que inclui melhor afectação dos factores 1 e 2.
  Via 4 => Descoberta de "Petróleo".

A produtividade.
Como o Trabalho é o factor de produção mais importante, ponderando em cada ano cerca de 70% na produção, uma forma de medir se o crescimento se deve ao aumento na quantidade de Trabalho (crescimento não sustentável) ou pelas outras vias, calcula-se a produtividade dividindo o PIB pelo número de trabalhadores.
Escalando a produtividade ao nível 100 como a média para o período 1T:1998 / 1T:2018, observamos que a produtividade está a diminuir 0,35% por ano, desde princípios de 2012, já lá vão 6 anos, 3 no mandato do Pedro Passos Coelho, facto tanto atacado na campanha eleitoral pelo António Costa, e outros 3 no mandato do António Costa, facto silenciado pelo Rui Rio.
Se a produtividade está a diminuir, então, a economia por via das componentes que não o trabalho (e que traduzem a sustentabilidade do crescimento económico, capital e difusão tecnológica) está a contrair.

Fig. 1 Evolução da produtividade em Portugal, 1998/2018 (dados do INE; cálculos e grafismo do autor)

Vejamos a evolução do emprego.
Nos últimos 5 anos o emprego tem crescido uma média de 1,9%/ano e a PIB tem crescido uma média de 1,6%/ano os que traduz que, se o emprego não crescer, o PIB começa a contrair 0,3% por ano (na Fig. 1  a diferença dá -0,35%).
Se o crescimento económico deriva mais do que totalmente de a taxa de desemprego ter diminuído de 17% para 7%, agora já não há muita margem para diminuir à velocidade que tem vindo a diminuir já que a taxa de desemprego de equilíbrio anda entre os 5% e os 6%.
Além do mais, entre Novembro de 2002 que tinha uma taxa de desemprego idêntica à de hoje, houve uma perda de 300 mil trabalhadores (o que não é recuperável porque resulta do envelhecimento da nossa população, a menos que o António Costa mande vir 300 mil refugiados que queiram trabalhar, que não são fáceis de encontrar).

Fig. 2 - Número de trabalhadores, 1998/2018 (dados do INE; cálculos e grafismo do autor)

E como estarão as remunerações?
Ouvindo o discurso esquerdista de "reposição e aumento de rendimentos dos trabalhadores", é obrigatório mostrar o aumento do salário líquido dos trabalhadores.
Vemos que têm uma tendência constante de aumento em termos reais 1,1%/ano, com um período de ajustamento em baixa na crise de 2011 de 6,5%.

Fig. 3 - Evolução do salário médio, 1998/2018 (dados do INE; cálculos e grafismo do autor)

Finalmente, os custos do factor trabalho.
Se os salários aumentam em média 1,1%/ano e a economia excluindo o factor trabalho está a contrair, isto traduz que os custos do trabalho estão a aumentar o que vai colocar, novamente, à nossa economia problemas de competitividade.

Fig. 4 - Evolução dos custos do trabalho, 1998/2018 (dados do INE; cálculos e grafismo do autor)

Concluindo, o Jerónimo sempre teve razão.
PS e PSD são farinha do mesmo saco, a diferença é que uma diz-se de esquerda e outro de direita.
Um, o Costa, tem a comunicação social na mão e o outro, o Passos Coelho, não.

Olhemos para Lisboa e para o Porto.
Um diz-se do PS e outro "independente" do CDS.
Parcómetros, taxas e taxinhas, tudo igual.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

O Penta-Xau e a economia do futebol

O Benfica perdeu o penta e o Rui Gomes da Silva veio dizer cobras e lagartos do Luís Filipe Vieira.
Neste poste vou tentar mostrar que o LFV está completamente certo e que, por oposição, o RGS está completamente errado.
Este poste também vai servir para destruir o mito de que eu só defendo o Bruno de Carvalho!
 
Como é a economia do futebol.
Um campeonato tem N equipas, desde a equipa 1 até à equipa N.
 
Primeira verdade:
O campeonato é organizado de forma a que, mesmo que todas as equipas sejam extraordinárias, juntando os melhores e mais caros jogadores, treinadores, presidentes da assembleias gerais, etc. do mundo, apenas uma ficará em primeiro lugar.
 
Segunda verdade:
Para uma equipa ter mais receita, as outras terão menos de receita.
Vamos supor que, se a equipa 1 aumentar a receita em 1,00€, as outras equipas diminuem a receita em 0,90€.
 
Terceira verdade:
Se a equipa 1 gastar mais dinheiro e todas as outras equipas mantiverem a despesa constantes (chama-se a esta situação uma análise em ceteris paribus), a equipa 1 consegue, em média:
A) Ter mais pontos.
B) Aumentar a receita (em bilhetes, publicidade, merchandise, direitos televisivos, patrocínios, etc.) porque os jogos têm mais qualidade.
Vamos supor que, se a despesa de uma equipa aumentar em 1 milhão €, o resultado aumenta em 1 ponto e a receita aumenta em 1,1 milhão €.
 
Quarta verdade:
Todas as equipas querem ganhar o campeonato, gastando o máximo dinheiro possível.
 
A dinâmica do campeonato.
Vamos partir de um campeonato financeiramente equilibrado e que o RGS ganha a presidência do SLB. Vai então aumentar imediatamente a despesa em 10milhão€ para ter mais 10 pontinho que garantem a vitória que fugiu em 2017/2018. 
Parece boa estratégia pois, por um lado, consegue o pontinho e, por outro lado, consegue melhorar as contas do SLB pois a receita aumenta mais do que a despesa.
O problema é que as outras equipas (principalmente o Porto), não ficam a dormir. Não querendo perder, vão responder aumentando a despesa também em 10 milhões €.
Então, vai-se iniciar uma "corrida aos armamentos" em que, no final, o resultado é o mesmo com um prejuizo para o SLF de 9 milhões € (e para todos os demais clubes que entrarem na guerra).
 
A história dos resultados.
Os pontos que um clube tem num determinado ano está muito dependente dos pontos conseguidos nos anos anteriores.
Pegando nos últimos 8 campeonatos, para as 9 equipas que competiram em todos eles, o resultado no ano seguinte foi o resultado no ano anterior mais ou menos 7 pontos (desvio padrão, corrigi o campeonato ter passado de 16 para 18 equipas).
 
Tabela 1: Resultados médios da Primeira Liga de Futebol, 2010/2011 até 2017/2018

EquipaPontosVariação
Benfica 77 5
FC Porto 77 8
Sporting 66 9
Braga 55 10
Vitória Guimarães 45 7
Maritimo 43 6
Rio Ave 42 5
Paços Ferreira 39 11
Vitória Setúbal 32 5
Média537
 
No passado, o Benfica conseguiu 4 campeonatos subindo um pouco a despesa o que levou a algum desequilíbrio financeiro. O ano passado perdeu o campeonato porque equilibrou as contas e foi vítima do azar (os resultados têm uma componente de sorte e azar).
Agora, para recuperar o campeonato, o Benfica pode manter a actual despesa e esperar pela sorte (como defende o LFV) ou aumentar a despesa em 5+8 milhões € (como defende o RGS) e acreditar que o Porto vai manter a sua despesa actual.
Como o mais provável é o Porto responder com um aumento da despesa, o mais inteligente para todos em termos económicos e desportivos é o Benfica manter-se como está e esperar que a sorte lhe traga mais campeonatos.

Até sou capaz de calcular as probabilidades do Benfica ganhar o próximo campeonato.
Partindo da Tabela 1, apenas existem 4 equipas com probabilidade de vitória no próximo campeonato:
Benfica = 46,1%
Porto = 46,1%
Sporting = 6,8%
Braga = 1,0%
 
Ouça, ouça, ouça, ouça, ouça, ouça, ouça.
É este o comentário que ouço mais sair do RGS.
 
O caminho é por aqui, é só seguir a ponta do meu dedo.  

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Mundial de Futebol e os meios jogos

Ok, a França ganhou mas não ganhou grande coisa.
Eu acho o futebol chato porque, uma vez uma equipa marcando, é muito difícil a outra dar a volta. 
Mais chato ainda é quando, tal como no Campeonato do Mundo de Futebol, o modelo é a eliminar porque as grandes equipas, aquelas que daria gosto ver jogar umas contra as outras, nunca se encontram.
Se a França tivesse jogado contra a Alemanha, Brasil, Argentina, Itália, Espanha (e Portugal ;-), ai, talvez os jogos tivessem ficado na memoria.
Agora, tudo joguitos tipo Moreirense / Farense, dá pouco gosto.
Então, veio-me à ideia que o formato do campeonato do mundo poderia ser alterado e, em vez de um modelo "taça da liga", poderia ser um verdadeiro campeonato onde veríamos jogos a sério, ou melhor, meios jogos a sério.

Os meios jogos.
Atualmente, os finalistas fazem 7 jogos espalhados durante 6 semanas que, contando com alguns prolongamentos, dão cerca de 720 minutos de jogo.
Se dividirmos esse tempo em meios jogos (uma duração de 45 minutos), as equipas poderão realizar 16 meios jogos, mais juntos no tempo, por exemplo, de 2 em 2 dias.

Como eu organizaria a coisa.
O campeonato começaria com os quartos de final onde haveria 6 grupos de 6 equipas cada, em que os cabeças de série seriam quem já ganhou o campeonato do mundo. Cada equipa jogaria 5 meios jogos e passariam 3 equipas por grupo.
Nas meias finais, teríamos 3 grupos de 6 equipas em que já haveria duas equipas boas por grupo. Haveria novamente 5 meios jogos mas passariam à final apenas 2 equipas por grupo.
Na final teríamos 6 equipas que jogariam 5 meios jogos. Neste grupo final com certeza que teríamos as grandes equipas mundiais.
O tempo de jogo seria de 15 meios jogos e com 36 equipas (atualmente, são 32).

Cada jogo seriam dois meios jogos.
Começava o jogo, fazia-se uma meia parte de 22,5 minutos, trocava-se de campo, fazia-se a outra parte meia parte e acabava.
Depois, fazia-se um intervalo de 10 minutos e entravam outras 2 equipas para o campo, fazendo o seu meio jogo.
Assim, com um bilhete, viam-se dois meios jogos.

Até metia um meio jogo de mulheres.
Porque não misturar no intervalo dos jogos um campeonato do mundo feminino com 18 seleções?
No espaço de 3 horas, haveria no mesmo campo, dois meios jogos masculinos e um meio jogo feminino.
Talvez fosse melhor do que proibir as televisões de captar imagens de mulheres bonitas!









sexta-feira, 13 de julho de 2018

Economia, mercados financeiros e derivados

Os esquerdistas falam que os mercados financeiros são um perigo.
Se a economia são mil euros, os mercados financeiros transaccionam um milhão de euros e os mercados de derivados mil milhões de euros.
O que vou (tentar) explicar neste poste é que, apesar de ser verdade esta desproporção, tal resulta apenas de haver baixos custos de transacção e que não trazem qualquer perigo à economia, pelo contrário.

Comecemos pelo "mercado" de resultados desportivos.
Este mercado é educativo porque não tem por base nenhum bem económico, apenas especulação quanto aos resultados desportivos.


Imaginemos o campeonato 2018/2019 onde há 18 equipas, um total de 153 jogos em que o resultado de cada jogo pode ser "Ganha-casa" ou "Empata".
Cada combinação resultado/jogo vai ser transformada numa "acção" que pode ser transaccionada.
Exemplo de acção será "Ganha-casa / Portimonense- Sporting" (jogo da 7.a ronda).
Então, iniciada a épocas, o mercado vai ter 306 "empresas cotadas" em que, a cada semana, 17*2 empresas "são liquidadas".

O mercado.
Cada pessoa tem uma conjectura quanto à probabilidade de um determinado resultado acontecer. Isto traduz que a empresa liquidada "Ganha-casa / Portimonense- Sporting" se concretiza favoravelmente.
No mercado, umas pessoas "compram" e outras pessoas "vendem" acções a um determinado preço.
No momento da transacção, o comprador paga o preço ao vendedor que fica com ele o que traduz um empréstimo "estranho". 
No fim do jogo, se o resultado for o previsto pelo comprador, o vendedor paga-lhe 10€. Caso contrário, o vendedor fica com o dinheiro.
Por exemplo, o João comprou uma acção por 0,90€ dando esse dinheiro à Maria.

Se o resultado for favorável, teremos
Resultado do João = +10€ - 0,90€ = 9,10€
Resultado da Maria = +0,90€-10€  = -9,10€

Se o resultado for desfavorável, teremos
Resultado do João = - 0,90€ = -0,90€
Resultado da Maria = +0,90€  = +0,90€

Como funciona a transacção de entrada no mercado.
Por simplicidade, vamos supor que, a cada 15 minutos, há um leilão que junta as propostas que entraram no sistema.
As pessoas têm previsões quanto à probabilidade de cada um dos 306 acontecimentos possíveis.
Por exemplo, o João prevê que o "Ganha-casa + Portimonense- Sporting" tem 10% de probabilidade de se concretizar pelo que coloca uma oferta de compra de 1000 acções ao preço de 0,90€/acção (um investimento de 900€ que pode perder). Neste caso, prevê ganhar 1000*(+10%*10€ - 90%*0,90€) = +100€
Já a Maria prevê que a probabilidade seja de 8% pelo que também coloca uma oferta mas de compra de 1000 acções a 0,90€/acção (recebe um crédito de 900€). Neste caso, prevê ganhar 1000*(-8%*10€ + 92%*0,90€) = +28€ com o risco de ter que pagar 10000€.
O leilão vai permitir que esta transacção se materialize.

Como funcionam as transacções de saída do mercado.
Havendo muitas pessoas continuamente a realizar compras e vendas, o preço de cada acção vai evoluindo ao longo do tempo em resultado da informação que vai sendo conhecida, por exemplo, um jogador que se lesiona ou um treinador que é despedido. Essa evolução traduz a probabilidade que, em média, as pessoas atribuem a cada acontecimento.
Imaginemos que a Maria, de repente, acha que a probabilidade aumenta para 12% e vê que o preço evoluiu para 1,1€/acção. Então, a Maria querendo anular o seu risco e porque não pode anular a sua posição, vai fazer uma transacção simétrica: vai comprar 1000 acções ao Alberto por 1100€.
A Maria, porque houve uma desvalorização, teve um prejuízo de 1100€-900€ mas conseguiu transferir para o Alberto o risco dos 10000€ de perdas.

Motivado pelos baixos custos de transacção.
Imaginemos que as transacções são gratuitas e que a "CMVM" cobra uma taxa de 1% sobre os 10€.
Então, vai haver milhões e milhões de transacções ao longo do tempo.
Uma pessoa vai entrar no mercado, por exemplo, adquirindo 250€ de diferentes acções e, a toda a hora, porque recebe informação que acha importante, vai recompor a sua carteira de activos.
Sempre que uma pessoa encontre um preço que, dadas as suas previsões, permita um ganho, faz uma transacção de recomposição da carteira.
Até pode acontecer que o investidor nunca chegue a esperar pela liquidação, i.e., nunca chegue a receber ou a pagar os 10€, vindo o seu ganho da diferença entre comprar e vender.
Os baixos custos de transacção fazem com que possa haver milhares de milhões de euros transaccionados, em valores 1000 vezes superior ao facturado pelos clubes mas essas transacções não traduzem nada pois a maioria delas anula-se.
Por exemplo, o João, porque recompõe a sua carteira centenas de vezes por dia, pode ao longo da época ter comprado e vendido milhões de euros, mantendo-se com uma carteira de 250€.  

Porque é o mercado financeiro positivo para a economia?
Primeiro, porque tudo o que as pessoas fazem, desde que não se prove que causa prejuízo aos outros, é positivo para a economia.
Segundo, tudo está nos custos de transacção baixos e na circulação da informação sobre a economia.
Vou dar um exemplo.

Um proprietário está a pensar plantar um pomar.
Tem um terreno que não produz nada e, com um investimento de 100000€, consegue passar a produzir, em média, 100 toneladas de maças por ano.
O proprietário pensa amortizar o investimento em 25 anos à taxa de juro de 5%/ano e precisa de  15000€/ano para tratar do pomar.
Em média, o preço de venda das maças terá que ser no mínimo 0,25€/kg.
Mas existem problemas.
1) O proprietário não tem dinheiro e o terreno não serve como garantia.
2) A produção só começa em 2025.
2) O preço médio das maças é na ordem dos 0,40€/kg mas na época da colheita é muito baixo, 0,10€/kg, porque os compradores aproveitam-se da situação de necessidade dos produtores.
3) A produção média é de 100 t/ano mas há anos em que é apenas 50 t pelo que a venda antecipada tem problemas. 

Vamos ao mercado futuro de fruta.
1 = O produtor conseguiu vender 75 t/ano de fruta em todos os julhos dos anos de duração do pomar, em 2025, 2026, ..., 2049 a 0,35€/kg. Por exemplo, o produtor obriga-se a entregar 75t de maçã em 2030 pela qual o comprador se obriga a pagar 26250€.
Se descontarmos estas vendas ao presente à taxa de 5%/ano, dará 260 mil€.

2 = O produtor vai usar as vendas já realizadas "vendendo" parte delas para obter financiamento. Assim, as vendas criaram um "activo financeiro" que pode ser comprado e vendido vezes sem conta.
O produtor fica sem responsabilidades no pagamento do financiamento porque o dinheiro obtido não é um empréstimo mas resulta da venda de um activo financeiro. 
A responsabilidade do pagamento ao investidor passa para o comprador das maçãs.

3 = O investidor que emprestou o dinheiro, precisando rapidamente de reaver a massa, "vende" os créditos.

Houve problemas!
Se um ano a produção for superior às 75t, o excedente é vendido na hora.
O problema é que, chegamos a Março de 2030, 4 meses antes de as maças serem colhidas e entregues, o produtor prevê que só vai ter 50t porque na sua zona houve uma geada tardia!!!!
Então, à cautela, vai ao mercado e compra 25t para entrega em Julho pagando 0,40€/t. Vai ter um "pequeno prejuízo" mas evita o risco de, mais tarde, as maçãs estarem ainda mais caras.
Este "mercado secundário" vai ter milhares de transacções de pessoas que nunca vão chegar a ter as maças em sua posse, tentando ganhar na margem entre a compra e a venda.
Estas transacções dão liquidez ao mercado permitindo que os bons investimentos tenham financiadores e também "digerem" a informação que vai surgindo como a evolução do estado do tempo, da procura e de novos pomares.

A Esquerda é a nova Direita.
A dicotomia Esquerda /Direita tinha por base a ideia de que a Esquerda era progressistas, inovadora, e a Direita retrograda, conservadora.
Mas o que observamos é exactamente ao contrário, a Esquerda quer repor o passado, manter o que existe, conservar os velhinhos nas casas a cair, combater a nova economia enquanto que a Direita quer a mudança.
Por isso, a Esquerda tem medo do que é novo, dos mercados que surgiram das novas tecnologias, a Uber, os arrendamentos de curta duração, os hosteis, os contratos de trabalho na hora.
Com a diminuição dos custos de transacção induzidos pelos computadores e pela Internet, o número de transacções financeiras por cada euro de bens tem tendência a explodir mas isso não traz qualquer mal à nossa sociedade, muito antes pelo contrário.

Imaginem um novo mercado de segurança.
Existem 10000 câmaras espalhadas na cidade e há pessoas que, no conforto do seu lar, umas em Portugal, outras em Moçambique ou no Bangladesh, observam o que se passa, 24 horas por dia.
Existe um algoritmo que calcula quantas pessoas devem estar a observar e quais as câmaras monitorizadas.
Vamos supor que, numa situação normal, há 100 pessoas.
De repente chegaram uns motoqueiros é, na próxima hora, é preciso aumentar para 250 pessoas. Então, é enviado uma SMS a 500 pessoas (que previamente mostraram disponibilidade) e são aceites pelo sistema as primeiras 150 que fizerem log-in.
O pagamento é feito mediante o "apanhar" de diamantes: aparecem na imagem diamantes amarelos e, em cada que a pessoa carregue, recebe 0,50€ (forma de garantir que a pessoa está mesmo a observar a imagem).
Também as pessoas podem contratar o serviço para sua casa, colocando uma câmara em cada divisão que serão monitorizadas por alguém que pode estar a milhares de quilómetros de distância.
Tudo isto é progresso, tudo isto é futuro que os esquerdistas querem torpedear com o argumento de que "não dá direitos aos trabalhadores".
Mas tudo o que as pessoas quiserem fazer de forma informada e livre, é positivo para as pessoas.

Quem é que não quer ser livre?
Os esquerdistas dizem que tirar liberdades é bom para as pessoas!

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O Papa Xico e o populismo

Não há qualquer dúvida que todas as religiões são populistas. 
Ao prometerem o Céu eterno a quem for bom (e cumprir os mandamentos) e o Inferno a quem for mau, não se pode ser mais populistas.
Claro que se pode dizer "mas os padres acreditam mesmo que podem dar o Céu eterno às pessoas" mas o acreditar não lhes retira populismo pois a mensagem deveria ser "eu acredito que vais ter o Céu mas isso ainda não teve confirmação credível por parte de ninguém que lá tenha estado".
Nem o Lázaro que, alegadamente esteve no Reino dos Céus e voltou à Terra, disse fosse o que fosse sobre esses tempos passados alegadamente no Céu.
Vem isto a propósito do Papa Xico ter nomeado mais um cardeal português que "apoia as suas ideias".


Mas o que são, afinal, as ideias do Papa Xico?
Será que tem alguma ideia teológica, isto é, referente ao Deus descrito na Bíblia e à interpretação que a Igreja faz da mensagem desse Deus que seja diferente das ideias que os outros papas tinham?
Não.
O que pensa Xico sobre a sexualidade? O mesmo.
O que pensa Xico sobre o celibato dos padres? O mesmo.
O que pensa Xico sobre as mulheres? O mesmo.
Se pensa o mesmo, porque quer a Igreja (e a comunicação social) dar a ideia de que tem ideias diferentes?
Demagogia e populismo.

A diferença está apenas na comunicação.
Lembra-me a diferença entre um pai sério a dizer "vais apanhar porrada" ou um pai sorridente a dizer "vais levar tautau".
A diferença entre austeridade e cativações.

Faz-me lembrar a Bem Aventurança pregada pelos vendedores
"Bem aventurado auele que acredita sem ver porque será enganado"

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Será sábio o Sousa Cintra ter rescindido com o treinador?

Esta questão é muito discutida em democracia.
O mandato do governo tem uma determinada duração e, pergunta-se, se será lícito e ético o governo assinar contratos para além do término do mandato.
A resposta tem que ser "é lícito e ético" porque, caso contrário, o governo não poderia fazer quase nada.
Por exemplo, não poderia contratar funcionários públicos (ou os contratos teriam que ser sempre a termo certo, renovados ou não a cada novo governo).
No caso do Sporting, o Bruno de Carvalho ficou sem o Jesus e, depois de algumas dificuldades, contratou um treinador no dia 18 de junho porque os trabalhos de pré-época começavam no dia 21 de junho. Depois, veio a destituição no dia 23 de junho.
Os da oposição vieram, na altura, dizer que o treinador não prestava e não valia o ordenado contratado.
Em Portugal os ordenados que o Sporting paga são, genericamente, muito elevados pois, por exemplo, em 2017/18 o Del Neri (que em 2004 treinou o Porto umas semanas) ganhou 450 mil€ no Udinese e  o Mihajlović, mesmo sendo o quarto treinador mais caro de Itália, estava a ganhou 1,5 milhões€/ano no Turino (penso que brutos).
 
Vamos ao contrato.
Eu não tive acesso ao contrato mas está depositado na Federação Portuguesa de Futebol (alguém que vá lá ver).
Vamos supor que o contrato foi assinado no dia 18 de junho e é válido até 30/06/2021 (ver).
Vamos supor que o SCP-SAD denunciou o contrato passados 10 dias, no dia 28 de junho alegando que estava dentro do período experimental e sem mais nada invocar (ver).
Será que o SCP-SAD tem razão jurídica para o despedimento?
Eu penso que não por duas razões.
 
Razão primeira - Cláusula 11.a do CCT dos treinadores de futebol.
Primeiro, a existência de período experimental não resulta genericamente do contrato mas deve ser estabelecido e ter um prazo máximo de 15 dias (parágrafos 1.º e 2.º da Cláusula 11.a).
 
1- Apenas poderá estabelecer-se um período experimental no primeiro contrato de trabalho ...
2- O período experimental não poderá ser superior a 15 dias ...
 
Assim, se nada lá estiver escrito, não se pode concluir que as partes acordaram em que o prazo seja o máximo possível, isto é, de 15 dias.
Bem sei que o parágrafo 3.º parece contraditório com estes 2 primeiros:
 
3 - O período experimental pode ser excluído por acordo escrito entre as partes.
 
mas, no meu entendimento, este parágrafo só tem aplicação no caso em que foi estabelecido no contrato de trabalho um período experimental.
Por exemplo, no contrato de trabalho do dia 18 de junho dizia "estabelece-se um período experimental de 15 dias" para, por exemplo, no dia 20 de junho, vir um acordo escrito fora do contrato dizer "fica sem efeito a existência de período experimental prevista no contrato de trabalho".
 
Razão segunda - Cláusula 7.a do CCT dos treinadores de futebol.
Prevê a existência de um contrato promessa de trabalho!!!!
E, naturalmente, no contrato promessa ainda não começou a contar qualquer período experimental.
Como o contrato de trabalho tem mais força legal que o contrato promessa de trabalho e, neste último caso, se o clube não contratar o treinador, tem que lhe pagar 70% dos ordenados previstos, parece-me muito optimista alegar despedimento por "período experimental" e pensar que não vai pagar nada, nem os 10 dias que o homem trabalhou.
 
Voltamos ao problema da legitimidade.
Ouvi na comunicação social que o contrato são 2 milhões líquidos o que traduz um valor bruto de 4 milhões por ano.
O contrato são 3 anos e 12 dias o que dá um total na ordem dos 12 milhões de euros.
Este encargo vai persistir para todo o sempre, para além do termo do mandato do Sousa Cintra!!!!
 
Teria sido melhor renegociar o contrato.
Primeiro, o prazo deveria ter sido diminuído para 1 ano com mais 2 anos de opção por parte do SCP-SAD. Dava a entender que mantinha a duração de 3 anos mas, de facto, só tinha a duração de 1 ano.
Segundo, o ordenado deveria ser diminuído para os 1,5 milhões brutos que estava a ganhar no Turino mais 1,5 milhões no caso da ganhar o campeonato, 1 milhão se ganhasse a Liga Europa, 500 mil se ganhasse a Taça de Portugal e 250 mil se ganhasse a taça da liga e mais uns prémios por vitória e para o segundo lugar. Daria a entender que o valor aumentava estando a reduzir significativamente.
Partir para a "denúncia do contrato" tão levianamente, sem se ter a certeza que o homem não presta, parece-me muito pouco sensato.
 
Até na careca me sinto um novo Vale e Azevedo, "está resolvido" 
 
Finalmente, os ex-jogadores do SCP-SAD
Eram tão bons e tinham tantas razões para a rescisão por justa causa que ninguém os quer contratar!!!!
Como já disse, vai ser como o Bruma que teve que bater os 12 milhões a menos que o Sousa Cintra lhes perdoe a indemnização. 
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 26 de junho de 2018

O turismo, as cidades e os nativos

Fui viver para a cidade do Porto há 35 anos. 
Foi no dia 15 de Outubro de 1983, quando entrei para a universidade.
Nesse tempo, havia muitas casas degradadas, muitas famílias a viver em quartos minúsculos e em casas velhas.
Havia ainda famílias "ocupas" de casas velhas e degradadas do tempo dos retornados de África.

Com o passar dos anos.
As principais faculdades também saíram do centro da cidade, principalmente a faculdade de engenharia e a faculdade de ciências.
Os cafés foram ficando vazias, as velhotas deixaram de ter clientes para os quartos e foram morrendo.
As famílias foram abandonando as condições de vida degradantes e deslocaram-se para casas melhores nos subúrbios.
As casas foram fechando e a degradação foi tomando cada vez mais o centro da cidade.

Depois veio o turismo.
Foi um processo lento que se começou a notar com a "primavera árabe".
Começaram, primeiro, a aparecer meia dúzia de estrangeiros na baixa, depois vieram os barcos Douro acima, os cruzeiros, os voos low cost, os hosteis e a cidade foi-se transformando para mais dinamismo.
As casas começaram a ser recuperadas ao ponto de hoje, quando dou o meu passeio semanal pela baixa, ter continuamente que atravessar de passeio para passeio por causa das obras.

Vamos ao problema das rendas.
Por causa do congelamento das rendas, os contratos antigos tinham rendas ridículas.
Bem sei que os esquerdistas não sabem nada de economia mas, por uma questão de racionalidade económica, esta situação tinha que ser corrigida. Não era para defender os donos das casas mas apenas por racionalidade económica.

Como se faz um país mais rico?
Este é um problema económico central à economia. Vejamos as condições que levam a um país ser o mais rico possível.

Primeiro) O valor atribuído às coisas vem das pessoas.
Bem sei que a Natureza tem direito a existir fora da vontade dos humanos mas o valor económico das coisas resulta directamente do interesse que as pessoas, nós, temos nelas. Esse valor pode ser indirecto (podermos vender as coisas a alguém que tem maior interesse nelas do que nós).


Segundo) Cada pessoa é diferente e, por isso, atribui valor diferente às coisas.
Todos temos gostos diferentes, uns gostam da cor vermelha, outros azul e outros ainda verde.
Há pessoas que gostam de casas viradas para a rua e outras preferem o sucesso das traseiras.

Terceiro) A riqueza é máxima se cada coisas ficar com a pessoa que lhe atribui maior valor.
Vamos imaginar duas pessoas, o João e a Maria, e dois bens, um carro e uma mota.
O João atribui o valor de 10000€ ao carro e 15000€ à mota e a Maria atribui o valor de 5000€ à mota e 10000€ à mota.
Imaginemos que o João é dono do carro e a Maria da mota, a riqueza total será 15000€ = 10000€+5000€.
Agora, se trocarem ficando o João a mota e a Maria com o carro, a riqueza total aumenta para 25000€, 15000€+10000€.

O sistema de preços de mercado
Faz com que as pessoas que atribuem mais valor a uma coisa vai ficar proprietários dessas coisas.
O conceito de valor que a pessoa atribui está ligado, naturalmente, à restrição orçamental de cada pessoa.

Oh riqueza, será um desperdício acabares na cama de um homem que adore mulheres gordas

Vamos ao que interessa.
Se uma velhota atribui o valor de 100€/mês a uma casa velha (até porque não pode pagar mais).
Se um turista atribui o valor de 1000€/mês por essa mesma casa velha depois de reabilitada (vamos supor que reabilitar a casa implica uma amortização de 400€/mês).
A senhora velhota sair e dar lugar à reabilitação vai ajudar os pedreiros e aumentar a riqueza do país.

E o que fazer à velhota?
Terá que arranjar outra casa cuja renda seja de apenas 100€/mês.
Se esta senhora não conseguir arranjar, não querendo nós transforma-la numa sem abrigo, aqui entra o Estado com os bairros sociais.

O que o Estado pode fazer.
Vou começar por tocar num ponto que ninguém se tem lembrado, as cérceas.
O centro das cidades, além dos centros históricos que interessa preservar como memória histórica, existem grandes limitações ao que se pode construir em temos de volumetria e altura.
Estas limitações são um "direito público" que podem ser "privatizadas" com o mesmo impacto que teria vender terrenos novos.
Se, por exemplo, as cércea passar de 5 pisos para 12 pisos, sem necessidade de aumentar as infra-estruturas como as ruas, tubagens de água, saneamento, electricidade, fibra óptica, a área disponível para construção mais do que duplica.
Claro que (e essa é a razão para existirem) os conservadores (de esquerda e de direita) irão dizer que vamos destruir as cidades e que, com isso, vamos acabar com o turismo mas tal não corresponde em nada à verdade. Se em Nova York os prédios mais pequenos têm 20 pisos e os intermédios têm 50 pisos e é uma das cidades com mais turismo do mundo, ...

Os prédios mais pequeninos de NY têm 20 pisos e os médios entre 30 e 50 pisos.

O que eu defendo.
Nos centros históricos até deixo que se mantenham as cérceas actuais que, no caso do Porto, até são bastante razoáveis (por exemplo, a rua dos Mercadores tem uns 5 metros de largura e prédios com 20 metros de altura) mas, fora destes centros e onde o impacto visual é praticamente nulo, duplicava ou triplicava as cérceas actuais. 
Esses aumentos seriam por venda de direitos, 50% para as autarquias e 50% para o Estado central.
Assim, seria algo positivo para os donos dos imóveis, para os nativos (mais oferta de habitação), para os turistas (mais área para alojamento e mais trabalhadores no sector do turismo) e para as pessoas das outras regiões (a venda dos direitos seria receita pública).
Se o preço das casas nas cidades andar nos 1500€/m2 e a construção custar 750€/m2, tal traduz que o aumento da cércea poderá ser vendido por 750€/m2 o que traduz um potencial enorme para aumentar a riqueza do nosso país.
Mas penso que somos, enquanto eleitores, conservadores de mais para isto sendo mais popular o discurso demagógico do combate aos despejos das velhinhas.


Só um bocadinho do Bruno de Carvalho.
Caiu e está com um esgotamento nervoso.
Aconselhava a ir ao Bruxo de Fafe pois também acredito que está a ser vítima de bruxaria.
Tem que levar "defumações, encruzilhadas e rezas de contra-fogo para banir Lúcifer" senão, nunca mais volta a ser presidente do SCP.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Eu votaria Bruno de Carvalho

O homem está a ser injustiçado. 
No dia 5 de Março de 2017, o BdC foi eleito com 86% dos votos, um total de 18755 votos, nas eleições mais concorridas de sempre (tsf).
Apesar de eleito de forma clara, BdC nunca recebeu a aprovação dos "notáveis" nem da comunicação social.
Então, decorridos 13 meses, no rescaldo do jogo Atlético de Madrid - Sporting, começou o "ataque ao castelo".

Vejamos o facto precursor.
Depois do jogo do Atlético de Madrid o que o BdC queria dizer era "... [precisamos] rectificar nos treinos o que não fizemos bem [em Madrid] (...) e espero que consigamos corrigir aquilo onde não estivemos tão bem” (palavras do Fernando Santos depois do jogo contra a Espanha em que Portugal empatou, ver)
"De 11 (...) fomos nove, muitas vezes, e isso paga-se caro (...) [Fomos 9 porque] Coates e Mathieu fizeram o que os avançados do Atlético não conseguiram [fazer,] com o 2-0 a surgir sem nada terem feito para isso".
Realmente, em Madrid, a defesa do Sporting parecia que tinha sido paga para perder.
O Sporting tinha todas as condições para ultrapassar o Atlético de Madrid mas com aquelas duas fífias que deram origem aos 2 golos, a coisa tornou-se impossível.

E depois!
Os jogadores amuaram e retaliaram com uma derrota vergonhosa contra o Marítimo, com um frango monumental do Rui Patrício, que valeu a perda do segundo lugar e, pior ainda, perder com o Aves na final da Taça de Portugal.
Jogadores a ganhar milhões de euros por ano amuados
Ninguém me tira a ideia da cabeça de que os jogadores do Sporting perderam contra o Marítimo e contra o Aves de propósito, para darem cabo do Bruno de Carvalho.

Cheira-me a esturro!!!!
Bem, não quero fazer insinuações mas, se o Sporting perdesse com o Marítimo, o Benfica ia buscar mais de 40 milhões à Liga dos campeões ..., para onde foram os tais 1.9 milhões levantados em notas? ... e para os jogadores até seria positivo!!!!! pois conhecendo o BdC como todos conhecemos, já se sabia que ia atacar os e foi isso que os jogadores usaram como principal argumento para pedir a rescisão com justa causa!!!!!e libertarem-se das clausulas de rescisão!!!!!


A comunicação social é só veneno.
Ontem, Rui Santos sobre o novo treinador do Sporting, não se cansava de dizer "nunca ganhou nada".
Mas o que disse Rui Santos quando o Sérgio Conceição (que o melhor que tinha conseguido tinha sido um 7.º lugar na liga francesa)?
"Sérgio Conceição tem o perfil ideal para liderar o FC Porto" (ver)
O que tinham ganho Pedroto, Mourinho ou Fernado Santos quando foram para o Porto?
O que tinham ganho Jesus ou Rui Vitória quando foram para o Benfica?
O que tinham ganho Laszlo Boloni (2002), Malcolm Allison (1993) ou Rodrigues Dias e Fernando Mendes (1991) quando foram para o Sporting?
E foram todos campeões nacionais de futebol.

O que disse a consultora PwC?
Diz que as rescisões dos jogadores têm um impacto negativo nas contas do Sporting de 16,5 milhões de euros (ver, ponto 3).
Mas não diziam que a rescisão de apenas o frangueiro Rui Patrício seria um prejuízo de 18 milhões?
Não valiam os jogadores que rescindiram mas de 100 milhões de euros?

Finalmente, a AG destitutiva.
É já no Sábado e vai ser destitutiva do Bruno de Carvalho ou do Marta Soares.
Se o Bruno de Carvalho tiver menos de 50% a favor, vai-se embora mas se tiver mais de 50% o Marta Soares e demais apaniguados têm que ir embora.
Eu tenho quase a certeza absoluta que o Bruno de Carvalho vai ganhar esta batalha porque, tirando o ataque da comunicação social, não vejo que tenha havido qualquer alteração entre 5 de Março de 2017 e 23 de Junho de 2018.
Se em 5 de Março de 2017 teve 86% dos votos expressos (e em 17 de Fevereiro de 2018 a alteração dos estatutos pedida por BdC teve 87,5%), não vejo como agora o Marta Soares consiga arranjar 50% mais 1 voto para destituir o Bruno de Carvalho.
Mas vamos aguardar com serenidade, que <<como diria o meu tio avô Pinheiro de Azevedo, "é só fumaça" e "bardamerda para todos aqueles que não são do SCP">>



segunda-feira, 18 de junho de 2018

A mobilidade social tem duas faces

Demora 125 anos a sair da pobreza. 
Foi este o resumo das notícias sobre um relatório da OCDE. 
Primeiro, vamos compreender este número.
Peguemos nas pessoas que conhecemos e vamos meter 1/3 em cada uma das 3 classes em que as famílias se dividem, "mais pobres", "médios" e "mais ricos".
Depois, andemos 125 anos para trás, até ao ano de 1893, e tentemos indagar se os avós/bisavós dos nossos conhecidos pertenciam ao mesmo grupo que ela pertencem actualmente.
O "125 anos" traduz que, decorridas 5 gerações, 50% das pessoa que em 1893 eram "mais pobre" hoje os seus descendentes são "médios" (e 50% continuam "mais pobres").
Noutra perspectiva, a cada geração, 100 famílias "mais pobres" dão origem a 87 famílias "mais pobres" e 13 famílias "médios" 

O que é ser "mais pobre"?
É um conceito relativo de forma que um "mais rico" em 1893 até vivia muito pior que um "médio" de agora (por exemplo, o dentista arrancava os dentes a frio!!!).
Assim, apesar de os "mais pobres" estarem condenados a gerar "mais pobres" isso não quer dizer que não há progresso e melhoria nas condições de vida.

O reverso da medalha.
Se os "mais pobres" têm dificuldade a passar a "médios", isso traduz que os "médios" também têm dificuldade a passar a "mais pobres" (porque, em cada grupo, há sempre 33.3% das pessoas).
Assim, política que favoreçam o "ascensor" social terão o efeito perverso de favorecer o "descensor" social.

Razões para a pouca mobilidade social.
Há diversas razões/hipóteses.

1) Razões orgânicas/genéticas.
Vamos supor que uma pessoa consegue gerar rendimento elevado porque tem alguma característica genética particular seja inteligência, beleza ou jeito para o desporto.
Vamos supor que essas características se transmitem geneticamente aos seus filhos (filho de peixe sabe nadar).
Vamos supor que "pessoas com mais sucesso" têm filhos com outras "pessoas com mais sucesso".
Então, os filhos de famílias de sucesso acima da média vão também ter sucesso acima da média, perpetuando-se as famílias no escalão de rendimento.

2) Razões económicas.
Por sorte, uma família teve sucesso e acumulou fortuna (por exemplo, Cristiano Ronaldo).
Ao transmitir o património aos seus filhos, mesmo que estes não tenham grande capacidade, vão continuar ricos.

3) Razões sociais.
O grupo defende-se da entrada de outros (favorecimento).
Assim, quando há necessidade de contratar um trabalhador, vão escolher alguém do seu grupo de rendimento. Como os ricos estão em lugares melhor remunerados, vão contratar os filhos de outros ricos que vão ter melhores salários que os filhos dos "mais pobres" com igual capacidade, perpetuando os grupos sociais.
Também a ideia de que os mais ricos não casam com mais pobres e os ciganos não gostarem que haja casamentos fora da etnia são barreiras social.

Acredito que a Sara Sampaio vá ter filhas bonitas

quarta-feira, 13 de junho de 2018

O Sporting e o acordo Trump-Kim

Primeiro, o Sporting para falar da cotação da SAD.
A comunicação social tem transmitido a ideia de que as acções da Sporting-SAD desvalorizaram muito com o Bruno de Carvalho e, ultimamente, com as rescisões dos jogadores e que, porque agora foi alegadamente destituído, subiram astronomicamente.
Dizem que a cotação traduz o valor da Sporting SAD e que o Bruno de Carvalho está a destruir valor pois as rescisões estão a causar um prejuízo de mais de 100 milhões €.

Vamos à verdade.
A cotação "disparou" hoje 30% com apenas 2531,16€ transaccionados. Assim, porque a liquidez é muito pequena, qualquer pessoa com alguns euros é capaz de meter ofertas de compra que causem um grande aumento ma cotação.
Até pode um amigo dar as ordens de compra e outro as ordens de venda, como fazem os da máfia para enganar as pessoas (leva-las a comprar títulos que estão a subir).

Será que o Bruno de Carvalho destruiu valor?
A cotação das acções no dia 4 de Abril de 2018, véspera do jogo Sporting-Atlético de Madrid e do poste que iniciou a guerra com os jogadores, estava em 0,60€/acção, um valor total para a SAD de 23,5 milhões €.
Depois das rescisões de jogadores avaliados em mais de 115 milhões €, seria de esperar que o valor passasse a ser zero pois 23,5 milhões € - 115 milhões € = - 91,5 milhões €, mas não, ontem estava a 0,61€/acção, praticamente a mesma coisa.



Ninguém acredita nesses valores para os jogadores ou ...
Se a cotação ontem, 0,61€/acção, é praticamente a mesma do dia 4 de Abril, as pessoas não acreditam no valor dos jogadores ou acreditam que quem rescindiu vai pagar cara a ousadia pois, não sendo reconhecida justa causa na rescisão, as indemnizações vão ser pesadas.

O que diz o Contrato Colectivo de Trabalho.
Os comentadores vão buscar o Par.º 1 do Art. 50 para afirmarem que, se não for dada razão aos jogadores, estes têm que pagar o valor dos salários do tempo de contrato que falta cumprir mas não é isso que diz lá.
O parágrafo referido diz "em montante não inferior" não prevendo um limite superior!

Artigo 50.º - Responsabilidade do jogador em caso de rescisão unilateral sem justa causa
1 — Quando a justa causa invocada nos termos do artigo 43.o venha a ser declarada insubsistente por inexistência de fundamento ou inadequação dos factos imputados, o jogador fica constituído na obrigação de indemnizar o clube ou sociedade desportiva em montante não inferior ao valor das retribuições que lhe seriam devidas se o contrato de trabalho tivesse cessado no seu termo.

Agora cruzemos com o Artigo 46.º e vemos que o jogador está obrigado a pagar a clausula de rescisão:

Artigo 46.º - Resolução por iniciativa do jogador sem justa causa quando contratualmente convencionada
1 — Pode clausular-se no contrato de trabalho desportivo o direito de o jogador fazer cessar unilateralmente e sem justa causa o contrato em vigor mediante o pagamento ao clube de uma indemnização fixada para o efeito.

O Rui Patrício e o William de Carvalho têm clausulas de rescisão de 45 milhões €, o Bas Dost são 60 milhões €, O Gelson Martins e Bruno Fernandes estão nos 100 milhões €.
É um risco muito grande de virem a acabar na miséria.
Talvez por isso é que os contratos dos jogadores têm clausulas de rescisão e, tirando este episódio do Sporting, ninguém vai por esse caminho da invocação da "justa causa".
Vejam a aberração de o Braga perder 20% do passe do Battaglia sem nada ter feito.

Segundo, o papel assinado entre o Trump e o Kim.
O Kim Jon-un tinha uma amante, a cantora Hyon Song-wol, que adorava.
O tio e outros comparsas obrigaram o Kim a executar com as próprias mãos, a tiro de metralhadora, a amada(entre outras cantoras). 
Isto no dia 20 Agosto 2013 e o Kim aguentou com valentia.


Não sei como pode alguém estranhar que, à primeira oportunidade, o Kim tenha executado todos os que o forçaram a matar a sua amante. 
Uns a tiro de metralhadora antiaérea mas o tio teve tratamento especial, foi comido vivo por 120 cães (confirmar).



O que eu soube de fonte fidedigna.
Dias depois de ter tomado posse, o Trump recebeu a seguinte mensagem no Whatsapp.

Holy might President Trump, 
I am your admirer on the part of touching the women in that place.
Please start telling that you are going to destroy the North Korea if they do not stop that bulshitt of nuclear bombs to give me some room to maneuver.
When you come here to visit us you can put you big hands whoever you want that will even be an honor (and whoever complains ... machine gun).
My name is Kim Jong-un and, together, we will be nobel of peace.

O Trump mandou lá imediatamente o Dennis Rodman que confirmou a veracidade da mensagem.
A partir dai, cada um cumpriu a sua parte na encenação.


E soube ainda mais.
Quando entrou, quem mandava na Assembleia Popular Suprema (equiparada à nossa Assembleia da República) eram os partidários do tio do Kim. Mas, lentamente, a CIA foi matando os deputados e substituindo-os por outros muito parecidos e favoráveis ao Kim.
Quando o Kim obteve a maioria, deu cabo dos que sobravam, com a tal metralhadora antiaérea e os 120 cães que só comem deputados. 

Este era um dos 120 antes das "reestruturação da Mesa da Assembleia Geral"

Vamos ao texto.
Ninguém perguntou pelo texto ao Mikhail Gorbachev quando disse que a URSS ia ser democratizada.
Também ninguém perguntou ao Deng Xiaoping quando disse que ia transformar a China numa economia de mercado.
Porque querem agora um texto com centenas de páginas e formas de verificação?
Isso não interessa para nada pois o Kim Jong-un já é um dos nossos.

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