sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Taxas e taxinhas

O António Costa lembrou-se de cobrar 1€ 
a cada pessoa que sai no Aeroporto da Portela ou no Porto de Lisboa. 
Em 2016 vai cobrar 1€ por dia de dormida penso eu que em establecimentos hoteleiros.
Tenho dúvida se os que saiem dos cacilheiros mas aqui é que a taxinha dá uma pipa de massa pois a Transtejo transporta 23 milhões de passageiros por ano (2013, ver, p.7).
Esta taxinha é gravíssima não pelo seu valor mas por se aplicar a não votantes em Lisboa.

O que nos ensinou a História. 
Os governos são tentados a cobrar impostos às pessoas que não fazem parte da sua base de apoio (seja o apoio eleitoral como nas democracias ou militar como nas ditaduras). 
Lembram-se da frase do Luís Amado "não se pode acabar com a ADSE porque são apoiantes do PS"?
Os governos funcionam assim.

Se o PS tem apoio no Sul.
Vai apoiar obras públicas e transferencias para as populações do Sul em detrimento das do Norte.

Se o PS tem apoio nos Funcionários Públicos.
Vai aumentar os seus salários à custa de aumentos de impostos para toda a gente.

Se o CDS tem apoio nos velhinhos com pensões baixas.
Vai aumentar as pensões à custa do corte de outros que sejam apoiantes do PS.

A história ensina-nos
Que esse processo leva à perseguição das minorias e mesmo à limpeza étnica.
Quando havia qualquer poblema, a culpa era sempre dos judeus, dos ciganos, dos pretos, dos Jeovás, dos hipermercados ou dos latifundiários.

Reparem no surto da Legionéla.
No meu entendimento, o foco foi a água pública canalizada. Por causa disso é que a Câmara de Vila Franca de Xira mais que duplicou a quantidade de cloro que mete na água da rede pública e foi mandado que as pessoas deixassem de tomar banho de chuveiro.
Mas, assim que o cloro apagou qualque vestigio de que a rede pública podesse ser a causadora do foco, o Presidente da Câmara de Vila Franca atacou logo um grupo minuritário: as grandes empresas. 
Até passou a ofereceu dinheiros públicos para que as vítimas possam intentear acções judi«ciais contra as empresas.
Não assim que o Staline acabou com a "burguesia"?
Não assim que o Hitler acabou com os jdueus?
é a técnica de atirar para um minoria (a Sociedade de Adubos de Portugal) uma coisa que, mais que provável, foram os próprios serviços municipais os responsáveis.

A DGS podia publicar um mapa.
Pegavam na morada das pessoas infectadas, e faziam um mapa onde marcavam com uma bolinha vermelha o local onde a pessoa mora. Depois, marcavam a azul onde a pessoa trabalha.
Desta forma viamos a localização geográfica do foco. 
Porque será que não fazem isto?
Não falta lá pessoa e têm estes dados mas não querem que saibamos.
Connosco ignorantes podem atirar com ataques às minorias que não se podem defender.

O Princípio da Igualdade 
que está escrito na nossa Constituição procura evitar este fenómeno de acusar / espoliar as minorias em favor da maioria. 
É que sempre que há uma crise qualquer, e estão sempre a acontecer, vem logo ao de cima a ideia de que os responsáveis são os outros, sejam os alemães, o grande capital, os especuladores, os bancos, os patrões, o Passos Coelho, o Gasparzinho ou mesmo o Pinto da Costa e o Carlos Queirós.

Vamos imaginar o futuro.
Cobrar uma taxa aos passageiros do Aeroporto (não votantes) permite baixar o IRS e o IMI dos lisboetas (votantes). Então, este processo tem vantagens para quem está no poder que passará a ter mais votos. Esta dinâmica que se observa na Madeira (pelas transferências do "contenente" para periodicamente regularização da dívida pública) e em Angola (pelas receitas do petróleo) leva à perpetuação do regime.

Como será o futuro da taxinha.
Em 2015 vai ser de 1€ por passageiro o que, dirão, não é nada. Então, caso seja legal e verificando-se que o número de passageiros não diminuiu, em 2016 a taxa vai ser de 2€, em 2017 de 5€ e em 2018 de 10€.
Em 2015 vai-se aplicar aos aviões e aos navios de cruzeiros, em 2016 aos autocarros e em 2017 aos cacilheiros.
A taxinha vai crescer até se transformar numa taxa e, depois, ficará mesmo uma taxona.
Em 2020, vai toda a gente querer fazer aeroportos para cobrar a taxona. 
E quem é que se vai opor a essa taxa? Os lisboetas não porque vão ser beneficiados e os passageiros nem sabem a quem se podem queixar pelo que estão a pagar.

Fig. 1 - Com o tempo, a taxinha vai-se transformar numa taxona.

Depois, outros municípios vão ver nas taxinhas a galinha dos ovos de ouro.
Os municípios vizinhos de Lisboa vão cobrar 0,25€ por cada pessoa que atravesse o seu município para entrar em Lisboa. Dirão que "uma taxinha de 0,25€ que não é nada e vai ser para compensar as populações locais da poluição dos automóveis. Além do mais, vai servir para fazer um fundo para a manutenção das estradas gerido pela Dr. Isabel, a filha do presidente da câmara".

Depois vêm as taxinhas nas autoestradas.
Os municípios onde passam as autoestradas vão também ter direito a cobrar uma taxa de 0,25€ por  cada automóvel que atravessar o seu município. Vão à empresa concessionária das autoestradas e obrigam-nas a meter a taxinha em cima dos seus clientes. 
Depois, os municípios de onde é captada a água que bebemos, por onde passam as ondas hertzianas do nosso telemóvel, e por demais razões, vão arranjar taxinhas para tributar quem não é residente no seu município de forma a baixar o IMI, o IRS dos seus eleitores e fazer obras megalómanas.

Faz-me lembrar os tempos medievais.
Em que, as pessoas não podiam ir a lado nenhum pela enormidade das portagens que existiam. Cada ponte que se passava, cada cavalo que se trocava, cada estalagem que se visitava, cada terriola por onde se passava, pumba, lá vinha uma taxinha qualquer.
Até ao SEC. XIX a Cidade do Porto tinha uma vala (que hoje é a Estrada da Circunvalação) que, quem atravessasse, tinha que pagar uma taxinha. E as mercadorias pagavam "direitos aduaneiros".

Fig. 2 - Há pouco mais de 100 anos, entrar no Porto obrigava a pagar "direitos alfandegários"

A Legionela e o Ébola.
Ambas são doenças infecto-contagiosas mas o Ébola contamina-se de pessoas para pessoa e a Legionela passa de um local para a pessoa e morre ai.
Então, os casos de Ébola crescem de forma exponencial porque cada pessoa doente tem potencial para contaminar outras pessoas. Assim, de dia para dia o número de casos aumenta.
No caso da Legionela, a progressão é aritmética porque o foco de contaminação não se multiplica. Então, enquanto os focos estiverem activos, o número de casos é constante.
Além do mais, a mortalidade do Ébola (70%) é muito superior à mortalidade da Legionela.

E o Ébola estará controlado?
Ultimamente a nossa comunicação social não tem falado do Ébola pelo que dá ideia de que o problema está controlado.
Mas, de facto, não, apenas está estável. Em Junho havia menos de 10 novos casos por dia e agora estamos com 150 novos casos por dia.
Se vos recordar que, nos surtos anteriores, em média, cada surto teve 140 infectados, vemos que 150 novos infectados por dia é muita coisa.
Já não existe a situação explosiva que se verificou até finais de Agosto mas, havendo uma distracção, a coisa pode explodir novamente. É que há 3000 pessoa contaminadas que são 3000 focos potenciais da doença.

Fig. 3 - Evolução do número de novos casos de Ébola (dados: OMS)

E como vai a nossa economia?
Vai benzinho.
Nos últimos 4 trimestre tem estado a crescer uma média de 1,1%/ano.
A taxa de desemprego está a descer já estando quase ao nível de 2011.
As taxas de juro da dívida pública e que as empresas estão a pagar está em mínimos históricos. Depois de estas longos meses no patamar de 6,0%/ano, desceu depois da mensagem de ano novo do Cavaco para 3,7%/ano e, nas últimas semanas, está estável nos 3,2%/ano. Nada mal se pensarmos que o Sócrates nos endividou a 4,4%/ano.

Fig. 4 - Evolução da taxa de juro da dívida pública a 10 anos (Investing.com)

"Mas a taxa de desemprego está mal calculada"
Dizem os esquerdistas.
Talvez. Mas, como eu já referi repetidamente, a taxa de desemprego não traduz exactamente as pessoas que estão desempregadas. É apenas um número que, quando é maior há mais pessoas desempregadas e, quando é menor, há menos pessoas desempregadas.
O que sabemos é que, em Jan de 2005 estava em 7,5%, depois o Sócrates prometeu criar 150 mil postos de trabalho e, em  Jan de 2011 esse número tinha aumentado para 12,1%. Depois veio a calamidade e, em Jan 2013 esse número saltou para 17,5% mas agora está nos 13,1%.
O que quer dizer este 13,1%?
Que hoje há menos pessoas desempregadas do que havia em Janeiro de 2013.
Tentar agora, pegar numa lupa e dizer que isto é por causa de as pessoas terem morrido, emigrado, estarem desanimadas ou a receber estágios já é pedir demais a este indicador.
É como a nossa temperatura. Estávamos doentes e o termómetro indicava 41ºC. Depois, descendo para 40ºC já é uma melhoria, Mas essa melhoria não diz nada quanto à qualidade do termómetro. 

Os vistos Gold.
Ouvimos na comunicação social que é mau os nossos jovens saírem de Portugal para irem, por exemplo, para a Inglaterra, França, Alemanha ou Espanha.
Então, tem que ser bom que pessoas de outros países venham para Portugal.
E é muito mais barato do que fazer portugueses.
O problema dos vistos Gold é que a lei não é desenhada à prova de corrupção.

O Salazar deu um Visto Gold ao Gulbenkian.
Em 1942 o Gulbenkian estava na França de Vichy (a França estava ocupada pelos Nazis). Quando o Salazar soube que o Calouste Gulbenkian queria vir para Portugal, mandou o cônsul pegar num carro trazê-lo pessoalmente para cá.
É que o homem tinha vagões de dinheiro.

Fig. 5 - O Calouste Gulbenkian tinha um filho, o Nubar (e uma filha), mas o Salazar não se importou que praticamente os deserdasse porque a massa ficou na Fundação.


As leis do trabalho deveriam ser muito mais flexíveis.
De forma a que pudessem ser dados vistos de trabalho a estrangeiros com valor.
Deveriam ser possível concentrar as 1860h anuais de um contrato de trabalho normal em apenas 6 meses. Desta forma, seria possível ter estrangeiros nas actividades agrícolas sazonais sem quebrarem as ligações ao seu país de origem. 
É assim nos USA e na Inglaterra, porque não pode ser aqui? Será que somos mais civilizados?
Se é assim, acho estranho porque tanta gente quer ir para estes 2 países, muito mais que para o nosso.

Mas como vamos desenhar um sistema à prova de corrupção?
As pessoas são intrinsecamente corruptas.
Podemos pensar que a corrupção nasce da necessidade mas, vendo, no caso do processo Godinho e neste caso dos vistos, que pessoas que têm bons empregos e levam vidas confortáveis aceitam luvas, isto não tem solução fácil mas pode ser melhorado.
Penso que neste caso concreto, a solução terá que passar pela transparência dos processos, as pessoas que pedem visto gold têm que dar autorização para que os seus processos sejam públicos. 
Vamos supor que há necessidade de manter o sigilo sobre um processo, vamos supor, de um magnata da droga que traz 100 milhões de euros, neste caso deverá ser obrigatório que seja o Ministro da Economia a classificar o processo.
O Estado até pode ser "corrupto", serem dados vistos a pessoas que obtiveram o seu dinheiro por meios pouco lícitos, um bocado como acontecia com os corsários ingleses, mas as pessoas que concedem os vistos têm que ter sempre em mente o interesse de Portugal e não o seu interesse pessoal.

Fig. 6 - Só com transparencia é que se vê quem está a meter dinheiro ao bolso.

E o Costa disse alguma coisa?
Disse que, daqui a 10 anos, vamos estar uma maravilha.
E disse também que, afinal, já não ia desfazer nada do que era contra.
Obrigou o Seguro a ser contra a aplicação da taxa de IVA de 23% à restauração mas é para manter.
Obrigou o Seguro a ser contra a alteração do mapa judiciário mas é para manter.
Obrigou o Seguro a ser contra o corte dos salários e das pensões mas são para manter.
Só lhe falta a anunciar que o seu ministro das finanças vai ser o Gasparzinho.

"As sanções contra a Rússia são ilegais"
Diz o Putin.
Mas mandar carros blindados, diversas armas, misseis que mandaram abaixo aviões e soldados para a Ucrânia já é legal,
Andarem a matar povinho na Síria já é legal.
Proibir a importação de maças já é legal.
Isto só indica que, afinal, as sanções estão a causar dor.

É que há um ano eram precisos 44 Rublos para comprar um Euro e agora são precisos 57 Rublos.
Isto traduz que tudo o que compram ao estrangeiro está 30% mais caro.
É o problema da desvalorização, as coisas estrangeiras ficam mais caras.

Fig. 7 - Vem passar uns dias à minha Rússia que, em Euros, aqui está tudo 30% mais pequenino.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

A nacionalização da banca

Os esquerdistas estão sempre a falar da nacionalizaçãoda banca. 
Não só os comunas como também muitos socialistas continuamente defendem a nacionalização da banca. 
Isto tem fases altas e baixas mas, com a falência do BES, a fase passou a ser alta. 
Vejamos que isto não faz qualquer sentido pois, se nós quisermos, os bancos ficam automaticamente nacionalizados.
Basta mudarmos a nossa conta para a Caixa Geral de Depósitos.
Este caso é que é mesmo uma democracia directa.

O que é a banca?
Há pessoas que poupam parte do seu rendimento para poderem, no futuro, ter um pé-de-meia para fazer face às contingências ou a uma compra mais avolumada.
Por exemplo, algumas pessoas poupam porque querem que os filhos venham a frequentar uma universidade enquanto que outras poupam porque têm medo de virem a ficar desempregadas ou doentes. 
Para fazermos face ao risco de desemprego, doença, divorcio, acidente, etc., os especialistas em previdência dizem que devemos ter poupanças no valor do nosso rendimento anual. Se, por exemplo, uma pessoa ganha 400€/mês deverá ter 4800€ de poupanças e se ganha 2000€/mês deverá ter 24000€ de poupanças.
Imaginando que, em média, temos um azar a cada 10 anos, para fazer face aos azares devemos poupar 10% do nosso rendimento, seja isso pouco ou muito. Uma pessoa que ganhe o SMN deve poupar 45€ por mês.

Mas o que é poupar?
Pode parecer estranho mas poupar nada tem a ver com guardar notas.
Poupar é a pessoa A deixar de consumir bens e serviços no presente para que a pessoa B os possa consumir. 
Depois, no futuro a pessoa B deixa de consumir bens e serviços para que a pessoa A os possa consumir.
Poupar é transferir consumo entre pessoas, o aforrador permite que o devedor consuma e este, mais tardem, permite que o aforrador consuma.

E se eu guardar dinheiro?
Quando eu meto dinheiro debaixo do colchão, de facto estou a emprestar os meus rendimentos poupados ao Banco Central Europeu (a taxa de juro zero) porque este emite novas notas que empresta a outra pessoa. 

E se eu guardar ouro?
Antigamente a moeda era o ouro e o Banco Central não podia imprimir ouro. 
Mas, mesmo neste caso, quando eu guardo ouro estou a emprestar os meus recursos a outras pessoas pelo sistema de preços.
Se eu guardo ouro, os preços (em ouro) vão diminuir (o preço do ouro vai aumentar) de forma a que os recursos que eu não comprei encontrei outro comprador.
A diferença entre o ouro (qualquer sistema em que o Banco Central não controla a inflação) é que, no caso do ouro, eu empresto um bocadinho a cada pessoa que possui ouro.

Quando guardamos notas ou ouro.
Então, quando meto dinheiro debaixo do colchão, estou a emprestar os meus rendimentos poupados ao Banco Central Europeu (a taxa de juro zero) que, emitindo novas notas, os empresta a outra pessoa e, quando guardo ouro colchão a emprestar os meus rendimentos poupados às outras pessoas que têm ouro (porque o seu preço aumenta).
Quando gastarmos as notas ou vendermos o ouro, as outras pessoas deixam de consumir para que nós possamos aumentar o nosso consumo de bens e serviços.

E onde entram os bancos?
Na sua origem, um banco era um sítio onde as pessoas apenas depositavam os valores. Era uma caixa forte que conseguia guardar as nossas notas e ouro de forma mais segura.
Com o passar do tempo, os bancos tornaram-se "agências de casamento". Umas pessoas depositam a parte do seu rendimento que poupam (denominado em euros), e outras pessoas vão aos bancos e pedem esses valores emprestados seja para consumir ou para investir.

Fig. 1 - A Banca é uma intermediaria entre os depositantes (os pescadores) e os devedores (as freguesas). Naturalmente, sem pescadores (sem depositantes), não há banca. 

Mas os bancos têm muito dinheiro.
Isso é totalmente falso. 
Os bancos só têm papeis, têm papeis a dizer que devem dinheiro aos depositantes (a quem chamam passivo) e papeis que dizem que há pessoas que lhes devem dinheiro (a quem chamam activo). 

Lembram-se da Dona Branca?
Um banco é uma empresa especial porque é difícil observar se o activo (quem deve dinheiro aos bancos) é suficiente para pagar o passivo (os nossos depósitos). 
Como o activo são papeis que traduzem devedores do banco, é muito difícil ao comum dos mortais (impossível por causa do sigilo bancário) verificar se os papeis traduzem mesmo activo ou se não são alucinações do tipo daquela casa de "investimento" em selos que avaliava cada selo em centenas de milhar de euros quando não valiam nada.

Os bancos são obrigados a certos rácios.
Para poderem funcionar, os bancos centrais verificam a qualidade dos activos dos bancos e obrigam-nos a respeitar certos rácios.

Primeiro, têm que ter capitais próprios.
O capital próprio são, tal como os depósitos, recursos mas que, em caso de falência, os seus donos perdem-nos. 
Se acontecer um imponderável que leve o banco à falência, da massa falida (o que der o activo) primeiro são pagos os depósitos, depois as obrigações e, só por fim e se sobrar alguma coisa, é que é pago o capital próprio.
Então, os capitais próprios são como um seguro, uma garantia, em como os depositantes vão receber o seu dinheiro de volta.

O Core Tier 1.
O capital próprio dos bancos tem este nome esquisito. 
Actualmente, se um banco tem um activo de 100€, tem que ter 8€ de capital próprio.
Quer isto dizer que, para um banco emprestar 100€ tem que ter pelo menos 8€ próprios e 92€ alheios (dos depositantes e obrigacionistas).
Por exemplo, o Novo Banco precisou de 4900 milhões € por tinha de activo 61250 milhões €.

Segundo, têm que ter depósitos.
Se para emprestar 100€ o Banco precisa de 8€ de capitais próprios, tem que ter 83,33€ de depósitos pelo que só pode ter 8,67€ de outras fontes de financiamento como, por exemplo, empréstimos de outros bancos.

Relação de alavancagem dos depósitos.
Dividindo o activo pelos depósitos, não pode dar um rácio maior que 120%.
Não quer isto dizer que os bancos inventam ou criam crédito.
O que quer dizer é que não basta ter capital próprio para que o banco possa funcionar. Também o banco não pode funcionar pedindo crédito junto dos outros bancos.
O banco é obrigado a ter depósitos.
Mesmo que um banco tenha muito dinheiro dos seus donos, se não tiver depósitos, não pode emprestar dinheiro.

Vamos à nacionalização dos bancos.
Vamos supor que o BXP tem o seguinte balanço (apenas a título ilustrativo)

Activo
Crédito a clientes =>  70000M€

Passivo
  Capitais próprios                     => 5600M€  (8,0% do total)
  Depósitos                               => 58333M€ (83,3% do total)
  Empréstimos de outros bancos => 6067M€ (8,7% do total)
TOTAL               => 70000M€

Vamos supor que eu defendo a nacionalização do BXP.
Então, pego no depósito de 1000€ que tenho no BXP e tranfiro-o para a CGD (que é um banco público).
Neste mesmo momento, o BXP tem que diminuir o seu activo em 1200€ e a CGD pode aumentar o seu activo em 1200€.
Naturalmente, o BXP vai reduzir o seu capital próprio em 96€ e a CGD vai aumentar o capital próprio em 96€.
Se todas as pessoas quiserem que o BXP seja nacionalizado, transferem os seus depósitos para a CGD.
Lentamente, o BXP vai desaparecendo e a CGD vai crescendo até que o BXP desaparece.
O BXP acaba, por decisão democrática dos depositante, por ser nacionalizado (absorvido pela CGD).

Será que os esquerdistas têm os depósitos na CGD?
Se não têm então, são como o Frei Tomás, pregam uma coisa e fazem outra.

A "intervenção" na Portugal Telecom
A brigada do reumático, dos esquerdistas aos direitistas ressabiádos, tem muito medo que a PT "passe a ser estrangeira". Por isso, defendem uma nacionalização da PT.
Bem sei que dizem que defendem "apenas uma intervenção" mas, se somos um estado de direito, para fazer "apenas uma intervenção" o Estado tem que ser dono da Portugal Telecom.
Por isso, "apenas um intervenção" é o mesmo que uma nacionalização.

Argumentam que vamos perder uma das nossas melhores empresas.
A PT foi a vaquinha de leite do regime.
Sempre que era preciso meter um amigo, um filho, um camarada a ganhar bem, metia-se na CGD (lembram-se do Vara?) ou na PT.
Faz-me lembrar o Catroga na EDP.

A PT já é uma empresa estrangeira, é 100% brasileira!
Pertence à Oi a 100%
E foi o governo socialista do Sócrates que manobrou as coisas para que a Oi passasse a ser brasileira.
Foi "uma pequena intervenção" possível porque a PT e o governo socialista era a mesma coisa.

Fig. 2 - A brigada do resgate fala da PT - Portugal Telecom quando a empresa se chama Oi - Brasil Telecom

Agora, o que será melhor?
H0 - O negócio em Portugal da Oi - Brasil Telecom continuar na sua posse.
H1 - Vender esse negócio a uma empresa francesa
H2 - Vender esse negócio a uma empresa que se diz portuguesa quando sabemos que pertence à filha do presidente da República Angolana. 
O que acham que será melhor?
Eu preferia alemães,

E porque não pode a PT ser portuguesa?
Porque não temos poupanças.
Os esquerdistas defendem que o que é bom para a economia é consumo, cada vez mais consumo, então, as nossa empresas vão ter que ser vendidas aos estrangeiros que poupam. 
Um país que gasta o que tem e o que não tem, acaba por ter que vender as suas empresas aos estrangeiros. 

Um ano de silêncio.
Será que o Costa vai aguentar um ano inteirinho de silêncio?
Será que o Passos Coelho vai governar um ano inteirinho com apenas a oposição do PC e do BE?
Eu até chego a pensar que o Costa foi ameaçado de morte pelo regime. Raptaram-lhe a mulher e os filhos e, caso ele diga alguma coisa que desagrade ao Portas, matam-nos logo. 
Olhando bem, realmente ele fala com medo. E engana-se porque o manda fazer assim. Mandam-lhe uma papeizitos cheios de erros que ele tem que ler na televisão para que os entes queridos possam continuar vivos.

Fig. 3 - Se o António Costa disser alguma coisa de jeito, se conseguir articular duas ideias, matem-lhe logo a família.

Quais são as linhas políticas do Costa?
Acabar com a fome e as guerras no mundo.
Também vai acabar com o sofrimento das criancinhas.
E vai fazer isto tudo de forma inteligente, vai baixar impostos (o IRS, o IVA da restauração, a contribuição para a ADSE, o IMI), e vai subir os salários dos funcionários públicos, as pensões dos velhinhos, as transferencias para a educação e para a saúde.
Vai ser um período ainda melhor do que os 6 anos do socratismo.
Como eu anseio por essa vitória do Costa.

Fig. 4 - Também vai fazer com que as mulheres gordas e feias fiquem assim, com aquela mãozinha marota.

O que estará a correr mal no BES?
O Banco Espirito Santo deve falir.
Deve ser organizada uma sessão em bolsa onde sejam transaccionados os activos e passivos do BES.
Anuncia-se aos quatro ventos em que dia vai ser o leilão da venda e os diversos intervenientes no mercado, onde se incluem os actuais accionistas do BES. apresentam propostas.
Se o Banco de Portugal quizer fazer o Novo Banco, compra os activos/passivos que bem entender mas paga-os ao preço de mercado e não ao preço que bem entender.
Fazer como está a ser feito, um burocrata a decidir o que "é bom" e o que "é mau" e a que preço compra, é arriscado e não há necessidade.
A liquidação dos bancos é uma prática corrente nos países desenvolvidos pelo que, se Portugual aspira a pertencer a esse grupo, tem que liquidar o BES quanto antes.
Já o deveria ter feito no BPP, no BPN e, agora, deve ser imediatamente feito com o BES. Não é "rapidamente" mas sim imediatamente, hoje mesmo.

O Lázaro Resuscitou mas voltou a morrer.
Foi um grande milagre ter resuscitado quando já cheirava mal mas, poucos dias depois, voltou a morrer.
E, no entretanto, comeu, bebeu e espalhou mau cheiro e doença lá pela aldeia.
O BES também resuscitou como Novo Banco mas, além de já ter perdido 1/3 dos depósitos, está a oferecer taxas de juro que são proibitivas para que o banco seja rentável.
Mais dia, menos dia vai-se transformar num novo BPN mas 10 vezes maior.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

A taxa de desemprego está a cair

Hoje foi anunciada a taxa de desemprego de Setembro de 2014.
E as notícias não podiam ser melhores: depois do máximo de 17,5% de Janeiro e Fevereiro de 2013, a taxa de desemprego começou a cair e atingiu em Setembro de 2014 os 13,6% da população activa.
Tem sido uma queda média de duas décimas de ponto percentual por mês, o que é muito.
Sabendo que a população activa são 4,5 milhões de pessoas, cada mês 9000 pessoas têm deixado a situação de desemprego.

E como tem evoluído o emprego?
Dizem os esquerdistas que o desemprego está a diminuir à custa da imigração e dos trabalhadores desanimarem de procurar emprego.
Mas pegando nos dados do emprego, no primeiro trimestre de 2013 havia 4,3546 milhões de pessoas a trabalhar e no segundo trimestre de 2014 havia 4,5146 milhões (dados do EuroStat) o que traduz que, cada mês que passa, mais 10700 têm arranjado emprego.
Mas isto é incrível, cada mês não só as 9000 pessoas que deixam o desemprego arranjam um emprego como ainda 1700 pessoas deixam a inactividade porque arranjam emprego.

Fig. 1 - Evolução da taxa de desemprego em Portugal (dados mensais, EuroStat)

Mas não tem havido crescimento económico!
O que têm repetido vezes sem conta os comentadores (esquerdistas) da praça é que, sem crescimento económico, não há redução no desemprego. Que só com taxas de crescimento acima de 3%/ano é que o desemprego cai. Concluem então que, para o desemprego cair, são precisas "politicas de crescimento", mais investimento público, mais subsídios e subvenções.
Mas os dados mostram que, com o crescimento débil que temos tido, a taxa de desemprego está a cair rapidamente.
Será que os economistas assumem estar enganados?
O que será que eles têm a dizer relativamente aos dados?
Que estão errados.

Mas há a questão dos estágios.
Bem sei que muitos dos empregos são estágios pagos pela Segurança Social com 180€ por mês.
Mas isto sempre foi utilizado pelo que o desemprego estar a reduzir tão rapidamente e o emprego a subir são, mesmo com os estágios, boas notícias.

A evolução histórica do nosso desemprego.
Olhando para os dados, a taxa de desemprego que traduz o "desemprego zero" (taxa denominada por  NAIRU - Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment) é de 6,25%. Depois, o valor oscila entre os 4% (períodos das vacas gordas) e os 8,5% (períodos de crise).
As taxas de desemprego dos diversos países oscilam como a nossa mas o valor médio é ligeiramente diferente. Os países onde a "protecção social" é maior, tem uma taxa média superior.
Por exemplo, relativamente aos USA, nós temos +1,7pp, a Itália +2,9pp, a Grécia +6,9pp e a Espanha +10,3pp (dados, EuroStat).

Qual foi o nosso problema em 2013?
Segundo o meu colega OF, grande conhecedor destas coisas, o problema é que, quando surgiu a rise do Sub-prime (meados de 2008) nós estávamos numa taxa de desemprego já muito elevada.
Bem sei que nesse tempo já levávamos 3 anos de "políticas de emprego e crescimento" do Eng. Sócrates. Mas o facto é que nem a taxa de desemprego diminuiu nem a economia cresceu e, quando apareceu a crise do sub-prime, no fim destes 3 anos de socratismo, tínhamos uma taxa de desemprego de 8,5%.
Como uma crise faz a taxa de desemprego aumentar em 4,5 pontos percentuais (normalmente, seria de 4% para 8,5%), quando veio a crise do sub-prime, o normal aconteceu, a taxa passou de 8,5% para os 13,0%.
Foi mais ou menos este o valor que o Pedro Passos Coelho recebeu no dia da tomada de posse.

E depois?
Veio nova crise, a crise da bancarrota, a Crise das Dívidas Soberanas em cima disto.
Os 13,0% mais 4,5% dá 17,5%.
E nós, realmente, atingimos um máximo de 17,5% de taxa de desemprego.
Afinal estava tudo dentro do previsto.
Eu na altura discordei do OF mas agora tenho que dar o braço a torcer, tenho que concluir que o "azar" foi termos uma crise em cima de outra crise quando o socratismo ainda não tinha resolvido a crise que tinha herdado.
Foi somar 9pp de desemprego aos 8,5% que existiam.

O governo só muda em tempos de crise.
Normalmente, os governos só mudam quando vêm os tempos das vacas magras, os tempos em que o desemprego está elevado.
Aconteceu isso com o Mário Soares (1985), com o Cavaco Silva (1995), com o Guterres (2002), com o Durão Barroso / Santanete (2005), com o Sócrates (2011) e continuará a acontecer.
Por isso, quando o Sócrates entrou no governo, a taxa de desemprego era elevada mas ele nunca a conseguiu reduzir.
Todas as suas "políticas de crescimento e emprego" foram um flop que só nos endividaram.

O Passos Coelho vai ser reeleito.
É que a taxa de desemprego está a diminuir rapidamente.
Mantendo-se a tendência de descida, vamos chegar a Setembro de 2015 com uma taxa de 11,5% o que traduz que a crise da bancarrota já está resolvida bastando agora resolver a crise do sub-prime..
Afinal a "política de austeridade" consegue pôr a economia a funcionar.

O interessante é o Japão.
O Japão entrou em euforia com um governo esquerditas, com o Shinzō Abe, que defendia que a economia cresceria de volta como cresceu antes de 1992.
Até lhe chamaram uma nova era, o Abenomics.
Quando eu digo esquerdista quero dizer keynesiano em que o governo faz investimento público para tentar fazer crescer a economia.
Agora vê-se: é um total fracasso. Depois de uns trimestres onde a economia parecia estar a crescer, no último trimestre, a economia contraiu, em termos anualizados, 7,1%.
É obra se eu vos disser que o máximo que nós caímos foi 3,8%.

Mas pode acontecer uma tragédia.
E o Passos não ser reeleito.
Vamos pensar que não, vamos pensar que as coisas vão evoluir como têm evoluído.
Vamos pensar que a queda do preço do petróleo é uma coisa boa (que não sei se será pois, normalmente, precede uma crise mundial). 

Fig. 2 - Nos últimos 4 meses, o petróleo caiu 20%

Porque será que o petróleo está a descer tanto?
Segundo os analistas, a queda dos preços do petróleo tem a ver, muito estranhamente, com os problemas nos países produtores de petróleo.
Estranho?
É estranho mas tem a ver com o mercado de petróleo ser um monopólio.
Não é bem um monopólio mas é um cartel. Os países produtores de petróleo, através da OPEP, controlam a quantidade de petróleo que cada país pode produzir.
Assim, havendo problemas como os da Síria, Iraque, Irão, Rússia, os países começam a produzir mais do que o acordado e o cartel entra em colapso.

Também é uma guerra sunitas/shiitas, americanos/russos.
A Arábia Saudita, sunita, aumentou a produção para fazer cair as receitas do Irão (shiita).
Desta forma, torna difícil que o Irão financie o regime sírio.
Também a queda dos preços do petróleo tem um impacto muito negativo na Rússia e na Venezuela.
Pelo caminho, apanha o Brasil e de forma muito forte.
E nós ficamos a ganhar em importações que se reduzem em 1000 milhões por ano.

O que pode correr mal? o Ébola.
Depois de os novos casos estarem a cair rapidamente de um valor próximo de 3,3%/dia para menos de 2%/dia, desde meados de Outubro, os casos estão outra vez a acelerar.
É um sinal de perigo.

Fig. 3 - Novos casos de ébola por dia, média dos últimos 30 dias, relativamente aos casos vivos.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Onde pára o PS?

Dizia o Costa que o Seguro ladrava pouco.
Dizia, há um ano e tal, que o Seguro era muito meigo para com o governo, que não tinha poder de combate, que, assim, o governo tinha carta branca para fazer as asneiras que bem entendesse.
Depois, o Seguro, pensando ainda que isso o iria levar a algum lado, começou a ladrar, ladrar, ladrar mesmo que não soubesse porquê. Pensava ele que assim ainda iria chegar a Primeiro Ministro.
 
Como estavas enganado.
Eu avisei-te repetidamente para seguires o teu caminho e, se então te pusessem fora, saias e cabeça levantada. Agora, foste um joguete na mão dos outros e, no final, achaste estranho que te dessem um pontapé.
Isso está no Maquiavel, devias tê-lo lido.
 
Devias ter carregado no Sócrates à força toda.
Em política temos que ser acertivos. Claro que temos que captar os votos dos eleitores mas as pessoas têm que ver em nós firmesa. Não podemos dizer amem com A e Amém com B.

Fig 1 - Se não ladrares, a gente põe-se fora (mas se ladrares, também)
 
Esta faz-me lembrar o Vice de Lisboa.
Eu já disse muito mal do Fernando Medina pelo que não vou dizer mais nada que não seja a sua ideia para a "mutualização da dívida".
A ideia dos esquerdistas é que, apesar de haver um tratado que assinamos em 1992 onde nos obrigamos a manter a dívida pública abaixo dos 60% o PIB, como não respeitamos o tratado, os outros, os que respeitaram, têm que assumir a nossa dívida que está acima dos 60% do PIB.
Seria tal e qual como, no nosso emprego, termos todos assinado um contrato de trabalho onde nos obrigamos a trabalhar 40h por semana. Depois, metade não ia trabalhar. No final da semana, vendo-se que ainda havia muito para fazer, mutualizava-se aquilo tudo e, nós que tínhamos trabalhado, ainda íamos trabalhar mais compensar as faltas dos outros. Mas ganhávamos todos o mesmo.
Agora a coisa chegou ao bolso dele, o Passos, vendo que a maioria das câmaras é esquerdista então, pensou que a maioria das câmaras é a favor da mutualização a dívida das câmaras. Assim pensou e assim a fez, as câmaras que ultrapassaram o endividamento são auxiliadas pelas câmaras que não ultrapassarem.
Mas agora espantemo-nos, a âmara de Lisboa, a arauto da esquerditude, o arauto da mutualização com a Alemanha, é contra a mutualização com as câmaras falidas.
 
Afinal é só para os burros.
Contava o meu pai que, um dia, um agricultor  chegou a casa de outro e disse-lhe "Vizinho, tens dois burros e eu nenhum. Como vivemos em socialismo, tens que me dar um burro."
O desgraçado lá lhe deu o burro mas, à noite, vendo a mulher que ele estava triste, perguntou o que se tinha passado "Tive que dar um burro dos nossos ao vizinho porque ele não tem nenhum e vivemos em socialismo."
A mulher ficou indignada "Vai lá que ele tem duas vacas, vai lá que temos direito a uma vaca."
Ele foi mas voltou ainda mais triste "Mulher, afinal o socialismo é só para os burros!"
 
Mas o Costa não ladra mesmo nada.
Está calado.
As sondagens do outro dia disseram que, calado, pode vir a ter maioria absoluta e, por isso, continuará calado até ao dia das eleições legislativas.
Será que vai conseguir enganar o povinho durante um ano?
Tenho esperança que não, penso que não, acredito que não.

Fig. 2 - O António Costa está algures por aqui, atrás de uma árvore.
 
O IRS e o fazer das criancinhas.
A comissão de reforma do IRS propôs e foi aceite que cada filho passasse a contar no cálculo do coeficiente familiar. Quer isto dizer que, no cálculo dos escalões do IRS, as pessoas com filhos será beneficiadas. Por exemplo, dois pais com 4 filhos que ganhem 80000€, em vez de a taxa ser determinada fazendo 80000/2 será fazendo 80000/3,2.
Isto causa uma redução nos impostos a pagar mas o corte não é tão grande assim por duas razões:
 
1) São as famílias pobres as que têm mais filhos e estas já não pagam IRS;
2) A generalidade das famílias já só tem 1 filho a cargo.
 
Esta medida é errada.
Porque é cara, só beneficia os ricos e não existe nenhum estudo que indique que uma redução fiscal faz com que as famílias tenham mais filhos. Faz-me lembrar o que diziam os amigos quando tinham um filho: "A televisão estava avariada".
Mas eu vou indicar medidas que teriam mais efeito.
Medida 1 =>  O incentivo a existir deveria ser em termos absolutos, abater 1800€ ao rendimento tributável.
Medida 2 => Não deveria ser aplicado aos 2 primeiros filhos e deveria ser crescente. O 3.º filho abatia 1800€ ao rendimento, o quarto filho 2400€ e, acima do 4.º, abatia 3600€ ao rendimento.

Com o mesmo dinheiro, podia-se fazer melhor.
Mas para isso é preciso mudar as mentalidades. As pessoas têm que ser vistas como uma necessidade e, por isso, um objecto económico que tem um custo mas que dá um benefício.
Rapidamente,
Media 3 => Existência de "contratos programa" com as família mais pobres em que o Estado pagava 150€/mês.
Seria uma espécie de Rendimento Mínimo. Mas se cada criança gasta em educação pública 500€/mês, 150€ acima ou abaixo não faria grane diferença para o Orçamento do Estado.
Para conseguir mais 30000 crianças por ano, seriam precisos 1000 milhões de euros.
Medida 4 => A pensão de reforma das pessoas estar ligada aos descontos que os filhos fazem para a Segurança Social. Acima da pensão normal, os pais deveriam receber 20% do que os filhos descontam. Esta medida faria com que os pais quisessem ter mais filhos e que os educassem bem e forma a que tivessem bons rendimentos.
 
E onde se iria buscar o dinheiro?
Aos que não têm filhos. Isto tem que funcionar como um leilão.
Se a sociedade decide que é preciso haver mais, por exemplo, 30000 crianças por ano, se os contratos programa gastam 1000 milhões € por ano, quem não tem filhos tem que pagar isso numa sobretaxa qualquer do IRS. Deixem lá a sobretaxa dos 3,5% para pagar isto.
Eu não tenho filhos e penso que não existe alternativa.
Mas isto tem que ser feito de forma transparente: ou fazem filhos ou pagam a quem os faça.

Sem qualquer condição de salvaguarda
Para que as pessoas tenham filhos é preciso não só beneficiar quem os tem como castigar quem não os tem.
Deixar de castigar quem não os tem é deitar fora metade da medida. 

Fig. 3 - Enquanto a tecnologia não muda, qualquer português sabe como fazer filhos. É só porem-nos a trabalhar.

E a "reforma verde"?
Aquilo dos sacos plásticos é uma loucura. O preço de um daqueles sacos que dão nos supermercados anda nos 0,02€ já com IVA. E meter-lhe em cima 0,10€ de imposto é uma total aberração da natureza.
É uma maneira de tornar o seu uso proibido sem o proibirem porque não existe nenhuma razão suficientemente forte para que o seu uso seja proibido.

Vamos supor que era por causa da poluição.
Vamos supor que o problema é a água levar os sacos para os rios, dos rios para o Mar causando poluição marítima.
Então, as pessoas devolvendo os sacos para reciclagem (no sítio de compra), recebiam de volta os 0,10€ por saco.
É uma falta total de tino, são medidas avançadas por pessoas que têm a cabeça cheia de azoto.

Fig. 4 - Esses ecologistas de trazer-por-casa, em vez de mioleira, têm ar.

Mas vão reforçar a nossa ligação eléctrica à Europa.
Eu já defendi isso muitas vezes porque temos excesso de capacidade nos vira-ventos e a produção é ainda mais excessiva porque é maioritariamente no Inverno quando já tínhamos excesso de produção nas barragens. Por isso, como o Sócrates fez contratos em que somos obrigados a comprar a electricidade mesmo que não a queiramos, isto só podem ser boas notícias para que a nossa conta da electricidade possa diminuir um pouco.

Fig. 5 - Mas isto não é para fazer mais vira-ventos, pois já temos a mais. É para que se dê  uso aos que temos.

Estará o Passos condenado?
Quando as últimas sondagens indicaram uma vitória do PS com 40% dos votos (ver), pensei que houvesse movimentos dentro do PSD mas não, ficou tudo sossegado.
Se as sondagens dissessem que o Passos ganhava, ficava tudo sossegado mas dizendo que perde também ficam sossegados porque eles próprios não consegueriam ganhar. Talvez o meio termo e que fosse capaz de causar movimentações.

Faz-me lembrar a minha campanha eleitoral.
À partida havia dois potenciais candidatos, o A e o B. Como agora o A tem 99% de probabilidade vai ganhar ao B, entra o C, eu, para explorar o facto de o B que não querer levar a marretada da derrota.
Vamos supor que as minhas hipóteses são os mesmos 1% (são mais). Estranhamente, esse 1% é maior do que seria se coisa estivesse mais empatada porque o A e o B lutariam até ao último segundo não me dando hipóteses de entrar na corrida.
Claro que eu apenas tenho espaço para entrar porque o B sabe que está derrotado.
Nos partidos é igual, o Rio não se quer sujeitar a fazer uma guerra para substituir o Passos e, chegando a 2015, levar um banho nas eleições.
O Passos será o cabeça de lista nas próximas legislativas e, se ganhar, como espero, governará, mas se perder, só um "seguro do PSD" é que vai meter a cabeça no cepo.
Se calha eu sou o "seguro da minha faculdade".
Ou serei, como o Passos que, em 26 de Fevereiro 2010, o Rio nem ninguém imaginava capaz de derrotar o Sócrates que ainda tinha mais 3 anos de mandato? O certo é que o Sócrates caiu e o Passos ganhou.
E a História só fala das vitórias impossíveis.

Fig 6 - É que ninguém sabe como vai ser o futuro.

Bom fim de semana e não se arreliem que a morte é certa.
Deixem fluir as energias negativas.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

O Orçamento de Estado de 2015

Poderia dizer que o OE2015 está bem. 
Se me centrasse no meu umbigo, na minha conta bancária, no meu egoísmo então, o Orçamento de Estado para 2015 estaria muito bem. De facto, vou ser aumentado em 1,9% quando a inflação se antecipa vir a ser de zero. Desta forma, num ano que continua a ser de forte consolidação orçamental, pelo menos em teoria, o meu rendimento (e o de muitos mais funcionários públicos) vai aumentar. 

Mas isto é negativo.
Como o Tribunal Constitucional, por ter sido proposto pelo governo socialista do Sócrates, aceita o corte até 10% dos salários como constitucional então, o Passos deveria mantê-lo até que houvesse novamente um governo socialista que o cortasse. 
Se eles o fizeram, eles que o desfizessem. 

Reparemos nas dificuldades de 2015.
Em 2009-2010 o défice foi na rodem dos 10% do PIB.
Em 2014 o défice vai ficar, depois de muita maquilhagem, nos 4,8% do PIB. De de facto vai ser novamente de 10% porque há muitas dívidas que é preciso reconhecer e os 4900M€ do BES. Mas o governo fala, mesmo assim, de que atingiu os 4,0% porque existem despesas que a troika aceita como não fazendo parte do "défice económico".
Mas fiquemos nos 4% do PIB. Então, entre 2010 e 2014 houve uma consolidação anual de 1,5% do PIB, qualquer coisa como 2500 milhões€ por ano (por ano).
E, como se lembram, essa consolidação obrigou a um grande esforço de austeridade pública.

O que é isso de milhões de euros por ano por ano?
Normalmente, olhamos para o PIB, a despesa pública, a receita fiscal, o défice como se fossem em euros mas não são.
O PIB português não é 171210956  (2013) mas sim 171210956 por ano
Igualmente, o nosso PIB é de 19545€ por hora e de 375,24€ por minuto.
Dito assim, que o nosso PIB é de 375,24€ por minuto, não parece nada comparável com 171210956€ por ano mas é exactamente a mesma coisa.
O défice público, porque é uma percentagem do PIB, também é em euros por ano pelo que, para o reduzir, é preciso uma austeridade também em euros por ano, uma austeridade para sempre, e não apenas milhares de milhões de euros como dizem os esquerdistas.

Fig. 1 - Tenho um bom curriculum mas aviso já que o meu forte não é fazer as contas do orçamento. 


Reduzir um défice (em € por ano) e a austeridade (em €).
Para eu reduzir o défice em um euro para sempre so nos próximos 100 anos vai-me obrigar a uma austeridade de 100€. 
Se o défice em 2010 era de 17 mil milhões € (por ano) e em 2014 vai ser de 6800€ (por ano), para reduzir a défice em 10 mil milhões € (por ano) obriga, ao longo de 4 anos, a uma austeridade de 25 mil milhões € e não de 10 mil milhões €.
E, manter o défice nos 2,5% do PIB vai obrigar apenas nos próximos 10 anos (e relativamente a 2010), uma austeridade de 230 mil milhões €. 
A comparação que os esquedistas fazem é comparável à comparação entre a velocidade do nosso carro (em km por h) e o espaço percorrido (em km).
Se um carro viaja a 200 km por hora e outro a 5 km por hora, será que conseguem dizer qual dos veículos percorreu maior disntância em km?
Claro que não pois precisamos do tempo. Se o rápido andou um minuto, percorreu 3,33km enquanto que o lento se andou uma hora, percorreu 5,00km, mais que o rápido.

Sendo o défice uma velocidade, a redução do défice é uma (des)aceleração.
Então, as unidades de redução do défice são euros por ano por ano.
Euros por ano ao quadrado.

Mas a meta para 2015 deslizou para os 3,7% do PIB.
Exactamente 3,7%. Diz claramente no quadro III.1.1 do relatório do OE2015 que o défice vai ser de 3,7% mas também haverá despesas de 1 % do PIB que a troika acha que não são despesas relevantes pelo que o "défice para efeitos da troika será de 2,7% do PIB"
Portugal acordou com a Troika o deslizar das metas acordadas pelo PS de Sócrates no Memorando de Entendimento e esse deslizar apontava para que, em 2015, o défice fosse de 2,5% do PIB. Então, entre 2014 e 2015 também seria preciso reduzir um esforço de consolidação comparavel ao que vivemos entre 2011 e 2014, 1,5% do PIB.
Mas o governo, precisando abriu os cordões à bolsa por causa das eleições, deslizou as metas para 3,7% do PIB.
Será, relativamente aos 4,8%, uma consolidação de 1,1% do PIB.

Temos o crescimento.
O que dizem os especialistas é que o crescimento económico de 1,5% do PIB vai fazer com que o défice reduza automaticamente de 4,8% do PIB para qualquer coisa próxima dos 4,0% do PIB. Com mais PIB há mais receita pública (impostos, taxas, etc.) e menos despesa pública (subsídio de desemprego, etc.). Somando os dois efeitos, um crescimento de 1,5% do PIB melhora as contas públicas em 0,8% do PIB.
Este efeito jogou contra o Passos em 2011, 2012 e 2013 mas já começou a jogar a favor em 2014, razão proque em 2014 não houve aumento das taxas de imposto.
Somando o efeito do crescimento com o "deslize", a consolidação para 2015 ficou reduzida a apenas 0,3% do PIB, uma quinta parte do que, à partida, seria obrigatório fazer. 

Mas não deveria ter havido deslizamento sem autorização. 
Uma coisa era a Troika dizer que "podem deslizar para 3,7% porque o défice primário (sem juros) já está positivo, em 0,9% do PIB, permitindo assim uma redução na dívida pública de 3,5 pontos percentuais".
Notar que, para reduzir a nossa dívida pública de volta aos 60% do PIB em 20 anos (como prevê o Tratado Orçamental) teremos que reduzir a cada ano a dívida pública em 3,36 % do PIB e em 2015 está prevista uma redução de 3,50% do PIB!

E que falta faz o acordo com a troika?
As taxas de juro dispararam como já não se via há muito tempo.
Depois de estarem nos 2,95%/ano (dívida a 10 anos), ontem saltou quase para os 3,80%/ano.
Para vermos a enormidade deste aumento, se se aplicasse a toda a nossa dívida pública implicaria um aumento da despesa em juros em 1800 milhões € por ano.
Este aumento implicaria a revisão em alta do défice em 1,0% do PIB.
Mas, no entretanto, a troika não disse nada de negativo pelo que os investidores acalmaram um pouco e o aumento caiu de 0,85 pontos para 0,35 ponto que, mesmo assim, terá (a manter-se) um impacto no orçamento de 0,45% do PIB, o dobro do deslize não acordado.

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro implícita na dívida pública portuguesa depois do anúncio do OE2015

As cheias em Lisboa.
Este nervosismo indica que, se viermos a ter um governo que diga "acabou a austeridade", voltamos rapidamente às taxas proibitivas de 2011.
Eu acho interessante o António Costa, depois de dizer que o Passos Coelho é um incompetente, vir também dizer que precisa da sua ajuda para resolver os problemas das inundações em Lisboa.
Por este andar, ainda vamos ver o Passos a presidente da câmara de Lisboa.

Fig. 3 - Até é mais agradável passear na Lisboa pós-Costa.

São eleições e é preciso ganhá-las.
Eu agora sou um político no activo. Ando em campanha eleitoral. Umas pessoas tratam-me mal e outras  pedem-nos coisas.
Ambas as coisas são boas porque revelam que as pessoas atribuem probabilidade à possibilidade de eu vir a ser eleito. Como as pessoas não são estúpidas, quanto mais uns se zangarem e outros me pedirem coisas, mais provável é que eu ganhe. 
Mas o político que quer ganhar eleições tem que prometer coisas. Tem que ser prudente "não posso aumentar os vossos salários" mas tem que se ver o que se pode fazer. 
Claro que eu penso "Prometer isto vai, depois, causar problemas" mas tem que ser, é guerra é guerra, bombardear e depois ver se há feridos.

Aquela da devolução da sobretaxa.
Foi uma forma de acomodar a descida da sobretaxa exigida pelo Portas e a necessidade de controlar o défice.
Mesmo o deslize foi para dar margem ao Portas.
É a política. É assim aqui, em Angola, na Serra Leoa mas também na Alemanha, no Luxemburgo e na Suécia.

E o Ébola?
Existem cada vez mais notícias nas notícias mas a coisa está a caminho de estar controlada.
Em meados de Setembro, todos os dias o número de novos casos aumentava 3%. Passado um mês, cada dia o número de novos casos "só" aumentava 2%.
Se a diminuição continuar a esta velocidade, daqui a 2 meses a doença acaba com "apenas" mais 4000 doentes relativamente aos que existem actualmente.
Mas a pressão não pode abrandar e. por isso, é que é importante que a comunicação social não pare a pressão.
Se não for assim, de um momento para o outro, a doença torna a explodir.

Fig. 4 - Evolução da taxa de crescimento dos novos casos de Ébola (dados, WHO)

Pedro Cosme Vieira

sábado, 11 de Outubro de 2014

Cada um tem o que quer

A acção. 
Ontem, estava eu em acesa discussão com o meu amigo PM que é esquerdistas, altas criticas contra o Passos Coelho e, no geral, contra tudo e contra todos e eu disse-lhe apenas.
- Eu sou contra a crítica porque defendo a acção. Ser velho é criticar tudo sem avançar com ideias nem nos disponibilizarmos para a acção. Se o mundo está mal, temos que pegar nas nossas forças e mudá-lo.
- Ai mas é impossível mudar o que está mal.
- Eu tenho o meu blog que me dá trabalho mas que é a minha acção para que o mundo possa melhorar. Se achas que é impossível mudares o mundo com as tuas ideias e acção é porque não lhes reconheces valor. 
- Tens razão.
E eu pensei, a minha ideia venceu, a partir de agora, talvez o meu amigo se torne mais construtivo e veja que o "outro caminho" não passa de uma miragem enganadora. 

A democracia em acção.
No meu emprego andam em eleições para director. Em todo o sítio existem facções, umas mais à esquerda e outras mais à direita, umas do FC do Porto e outras do Benfica, umas admiradoras do bagaço e outras do copo de leite. Por isso, no meu emprego surgiram duas listas, a A e a B. 
Todos têm as suas qualidades e os seus defeitos. Uns são mais conversadores outros menos; vestem melhor e outros pior, uns são altos e outros baixos mas todos têm muito valor. 
Acontece que a coisa está muito dividida, tudo muito empatado e, por causa disso, o combate tem, de dia para dia, subido de tom. Se a princípio éramos todos companheiros, ao longo do tempo, cada vez mais uns são de uns e outros são de outros.  Lentamente, estamos todos a tornarmo-nos inimigos dos outros.
Mas eu sou um desalinhado e penso que isso é errado, cada pessoa tem as ideias que tem e isso não pode por em causa o relacionamento entre as pessoas.
Por causa da forma como eu vejo o mundo, decidi que era preciso avançar. Mesmo sem ter, à vista dos meus colegas, uma competência especial, decidi que ia abandonar o conforto do meu sofá e lançar-me para dentro da jaula das feras.

A força da democracia é que cada qual tem os governantes que quer.
Agora, o meu nome está em discussão. Estou em campanha mostrando-me exactamente como sou, bem disposto, brincalhão e gozão. Mas sou mesmo assim e, se não mudei até agora, não vou mudar mais.
Depois, haverá eleições e será escolhido um director que, tenho quase a certeza, serei eu.

É o equilíbrio de Hotelling.
Vamos imaginar que eu tenho um território onde existem diversas lojas e clientes espalhados pelo território. O que provou Hotelling (1929) é que o equilíbrio em que cada lojista maximiza o seu lucro consiste em todos se localizarem no centro do território.
Isto não parece ter lógica pois, aparentemente, se um se afastar consegue captar mais clientes mas isso não acontece porque os outros vão atrás dele.
No meu caso, com as posições estremadas como estão, aparecendo eu no meio, no ponto de equilíbrio de Hotelling, venço.
Para ser director de uma faculdade de economia, tenho que por em prática o que diz a teoria económica.

As pessoas têm o que gostam.
Mas vamos imaginar que, por hipótese académica, é outro o eleito.
Então, nesse tempo, as pessoas não poderei dizer "este fulano é um mau director" porque tiveram a oportunidade de escolher outro e não o fizeram.
Um povo pode gostar de governantes gordos e outro de governantes magros mas é assim que funciona a democracia: cada um é que sabe o que é melhor para si. Nas Filipinas até há aqueles que se fazem pregar numa cruz. É assim que querem, é assim que se faz.
Não é Deus, o papa ou o Pinto da Costa que vai escolher o futuro director mas as pessoas.
Vamos ver no que dá.

Fig. 1 - Eu fui eleito com 61,09% dos votos e a Rainha de Inglaterra nunca foi eleita.

Ontem a minha futura vice-directora lançou um livro.
A minha colega de gabinete é de uma das listas, é da A, e eu, mesmo não sendo de lista nenhuma, ao candidatar-me acabo por ser seu opositor. Mas quero-a como minha vice-presidente porque é uma pessoa extraordinária em termos de competência e humanos. É que eu gosto pouco de trabalhar.
E ontem lançou um livro onde estava a minha colega e deputada europeia Elisa Ferreira.
Como sabem, é esquerdista, e eu "ataquei-a" com uma pergunta.
"Sou Pedro Cosme da Faculdade de Economia do Porto"

Depois, passei ao ataque.
É que um director de uma faculdade de economia de referência tem que ser capaz de confundir o mais resistente dos esquerdistas. Tem que intervir para apresentar a verdade.
"Existem zonas monetárias maiores que a Zona Euro como, por exemplo, os USA, a China, a Índia, a Indonésia mas nessas zonas monetárias existem muito maior flexibilidade do mercado de trabalho. Se os nossos políticos e os nossos povos não estiverem preparados para tornar o nosso mercado de trabalho idêntico ao dessas xona monetária. Se a esquerda continuar com a ilusão de que o ajustamento nominal viola o princípio da confiança mas a desvalorização cambial não, se continuarem a batalhar nos ´direitos adquiridos´ nominais, a Zona Euro não tem futuro."

Nem queiram imaginar a resposta.
Foi de uma dureza inimaginável, o verniz estalou todo, diria mesmo que a chapa rebentou, os meus opositores até se riram à gargalhada.
"Isso é uma ideia muito perigosa"
"Devia estar melhor preparado quando faz perguntas"
"Porque isso dos salários baixos"
Eu levantei o dedinho
"Desculpe interromper mas, tanto quanto eu sei, nos USA os salários são bastante superiores aos portugueses".
"Bem, bem, bem, bem, retomando a cassete, os baixos salários ...."
E ficou-se pela cassete, não veio nenhuma ideia, nenhum estudo, nada, apenas que eu não estava preparado.
Ah, veio o do costume, o Krugman, que aparece sempre que um esquerdista não sabe o que dizer.
Faz-me lembrar a minha falecida tia Clara: se não fizeres o que eu te mando, Deus vai-te castigar.

Mas como é que ela sabe o que Deus fazer? 
Pensava eu, se Deus é omnisciente, isto é, sabe tudo, é um sabichão, e a minha tia sabe o que Ele vai fazer então, sabe tanto ou mais do que Ele.
Será que a minha tia é o próprio Deus em figura de vaca?

Fig. 2 - Desiste disso de director, olha que vais sofrer, olha que Deus castiga-te!

O que será uma ideia perigosa?
Vamos supor que eu dizia que "nessas zonas monetárias as pessoas andam de pernas para o ar e que, por isso, também temos que passar a andar de pernas para o ar."
Isto não me parece que tivesse perigo algum.
Uma ideia é perigosa se conseguir mudar o mundo.
Eu sou perigoso porque tenho ideias capazes de mudar o mundo.
Eu, avançando no instante em que o diabo esfregou o olho, com a ideia do Hotelling na cabeça, vou ser  capaz de derrotar quem tem um grande exército há meses no terreno e que já julgava ter a vitória no papo.
A ideia do liberalismo, no mercado de trabalho, no mercado de bens e serviços, no mercado de capitais, no mercado externo é o motor de arranque, em meados dos anos 1970, do crescimento da China.
Em 1977 o PIB per capita chinês estava em 10€ por mês e em 2014 está em 322€/mês. Foi um crescimento no rendimento das pessoas de 8,7% por ano.
E não teve ajudas de ninguém, da UNICEF, Cruz Vermelha, nada.
Por oposição, em 1977 o PIBpc da Guiné Bissau era de 23€/mês e em 2014 está nos 23€ por mês. Foi um crescimento no rendimento das pessoas de 0,0% por ano.

Então, apresentei uma ideia que é mesmo perigosa.
A Etiópia adoptou, há pouco mais de 10 anos, o modelo de liberalismo chinês. Desde então, tem crescido quase 10%/ano.
A Índia, Indonésia, Bangladesh e até o comunistíssimo Vietname estão a adoptar o liberalismo e a Europa esquerdista quer continuar a marretar na tecla de que os direitos adquiridos são uma conquista da humanidade.
Que é preciso voltar aos investimentos públicos, aos salários mínimos alucinantes, à conversa do "outro caminho, o caminho do crescimento e do emprego, o caminho do leite e do mel, o caminho do Maná".

Calou!
Mais interessante foi que as tropas da minha colega, em peso na segunda fila, atrás de mim, iminentes e reputados economistas (esquerdista), ouviram e calaram. Penso que, quando chegaram a casa, esvaziaram o frasco de sais de frutos ou, como, desde que o Passos fez o preço descer de 56€ por caisa para 2,6€ por caixa, se usa, esvaziaram a caixa do Omeprazol.

O Passos Coelho e o Costa.
O Passos Coelho foi eleito pelo povo português. Eu e outras pessoas saímos de casa, fizemos o sacrifício de ir ao local de voto para que o Sócrates e a sua corja fossem atirados borda fora e para que o Passos Coelho pudesse começar a governar o nosso querido país.
Confesso que, nesse dia, fui votar mais para me ver livre do Sócrates (em quem tinha votado havia uns tempos) do que para meter lá o Passos pois não o via com estaleca para governar Portugal na difícil situação em que o socratismo nos tinha metido.

Acontece que a coisa até está a correr bem.
A nossa discussão pública anda em volta do défice público e da dívida pública e esses números não estão, em termos absolutos, bem. Mesmo que este ano consigamos 4%, é muito défice.
Mas não podemos olhar só para o valor actual de 4% (ou 4,8%) per si mas temos que ver a tendência e para antes a tenacidade do governo.

Vejamos a febre.
A nossa temperatura deve estar nos 37.ºc. Imaginem que vamos à loja de um africano qualquer e que, no dia seguinte, a nossa temperatura sobe para os 40.ºc (o equivalente a 4% de défice de 2014). Pensam logo "Meu Deus, devo estar com Ébola".
Agora vamos imaginar que a temperatura vai subindo, subindo até que atinge os 50.ºC e que se mantém nessa temperatura durante 3 dias (o equivalente ao défice de 10% de 2009-2011). Pensamos que vamos mesmo morrer antes de o Costa dizer qual é o "outro caminho".
Mas, vem um novo doutor, o Passos, e passados apenas 3 dias, a temperatura volta aos 40.ºc.
O que pensam? "Já estou safo desta."
O interessante é que a temperatura está nos mesmo 40.ºc que, dias antes, nos tinham levado a pensar que a morte estava perto mas agora já achamos que estamos safos.

Estaremos mesmo safos?
Totalmente safos.
Claro que há aqueles casos do cão e da enfermeira espanhóis que foram contaminados com Ébola.
Se fosse eu a mandar, metia aqueles todos que amavam o cão, e obrigava-os a serem lambidos pelo bichinho. Não lhes deveria fazer mal nenhum ou será que fazia? Penso que o matavam com as próprias mãos.
Voltemos ao que interessa.
Desde 15 de Setembro, de dia para dia, o número de casos de Ébola em termos percentuais e mesmo em termos absolutos está a diminuir.
O problema é que ainda muitas mais pessoas vão morrer antes da epidemia acabar.
A dinâmica das epidemias é mesmo assim mas a coisa está controlada.

Fig. 3 - Número de novos casos de Ébola em termos percentuais (dados, WHO)

E a dívida pública?
É exactamente o mesmo fenómeno que o Ébola.
O Passos está a conseguir controlar as contas públicas mas o dinamismo da despesa, as contas escondidas nas empresas públicas, nas autarquias e nos serviços autónomos, têm feito com que a dívida reconhecida tenha continuado a crescer e já esteja nos 130% do PIB.
Mas esta dívida já existia só que não estava reconhecida.

Será que conseguimos pagar uma dívida de 130% do PIB?
Diz o Pacto de Estabilidade que precisamos reduzir a nossa dívida em 2% do PIB por ano pelo que teremos 33 anos para voltar a uma dívida de 60% do PIB. E, para um crescimento de 1,2%/ano, conseguimos atingir essa meta se tivermos um défice de 0,5% do PIB.

Será possível ter, com uma dívida massiva, um défice de 0,5% do PIB?
 É possível porque vamos pagar de juros pela actual dívida pública de 130% do PIB menos do que pagávamos, há uns anos, pelos  60% de dívida.
Reparemos os dados de mercado.
Para um prazo de 5 anos, a taxa de juro está nos 1,6%/ano e, entre 2006 e 2009, estava nos 3,7%/ano.
Então, 60% de dívida custavam 2,2% do PIB em juros enquanto que agora, os 130% custam 2,1% do PIB em juros.
Como podem os xuxas dizer que, no tempo deles, nos podíamos endividar à força toda porque a dívida pública era sustentável se pagávamos em serviço da dívida do que pagamos agora?
Se colocarem esta questão a um xuxa vão ouvir:
"Isso é uma ideia muito perigosa"
"Devia estar melhor preparado quando faz perguntas"

Agora é só continuar.
Continuar o combate ao Ébola.
Continuar a política de consolidação orçamental.
Continuar com a minha campanha para director.
Ainda há muitos espinhos pelo caminho, ainda muitas pessoas vão morrer de Ébola, ainda muitos sacrifícios teremos que passar, anda muito vou ter que ouvir sem o querer mas o caminho está a ser percorrido.

Fig. 4 - O gordo ainda vai ter que fazer muita dieta mas as gajas já estão boas.

As sondagens são impressionantes.
A única coisa do Sócrates que valeu a pena foi o dinheiro que se gastou a aumentar a escolaridade da nossa população.
Não é que, "depois de 3 anos da mais dura austeridade de que temos memória" (palavras do Costa) as sondagem colocam empatados o PS liderado pelo salvador da humanidade e o PSD+PP liderados pelo diabo e pela peste?
34,6 para o PS e 34,2 para o PSD+PP com uma margem de erro de 3 pontos percentuais.
O nosso povo sabe mesmo separar a verdade da intrugisse do "outro caminho".

Até pr'á semana.

Pedro Cosme Costa Vieira

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