sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

As guerras que nos rodeam

Neste Agosto fresco e regado, vivemos um mês bem quente, com guerras que começam no Ébola e acabam no PS passando pelo Constitucional, por Israel, Iraque e Ucrânia.

A guerra do Ébola está muito difícil. 
Não podemos entrar em pânico sempre que uma doença mata, algures no mundo, 100 ou 200 pessoas. Mas numa doença em que 90% das pessoas morrem, temos sempre que estar atentos. No actual surto de Ébola as coisas estão-se a descontrolar. 

Há que ter pensamento positivo.
Mas não podemos desanimar.
Primeiro, o vírus do Ébola "sabe" que, para sobreviver, não pode matar todas as pessoas. 
Os vírus são como uma chave que tem que encaixar no DNA da sua vítima. Como as pessoas são diferentes (existe diversidade genética), o vírus não consegue encaixar em todas as pessoas. Por isso é que, por exemplo, nem todas as pessoas são infectadas pela gripe e o efeito da doença é maior numas pessoas que noutras. 
No caso do Ébola, os dados passados mostram uma mortalidade de 66% (muito menos que os 90% que eu costumo anunciar) e não sabemos que percentagem das pessoas é imune à doença (que até poderá ser elevada). Os dados também mostram que é possível controlar os surtos. Nos 17 maiores que já aconteceram, só foram contaminadas, em média, 141 pessoas. 
Olhando para os dados passados, podemos ficar descansados (ver, Quadro 1). 

Ano País Casos Mortos
1976  Zaire 318 280
1976  Sudan 284 151
1979  Sudan 34 22
1994  Gabon 52 31
1995  Zaire 315 250
1996  Gabon 37 21
1996  Gabon 60 45
2000  Uganda 425 224
2001  Gabon 122 96
2002  Congo 143 128
2003  Congo 35 29
2004  Sudan 17 7
2007  Zaire* 264 187
2007  Uganda 149 37
2008  Zaire* 32 14
2012  Uganda 24 17
2012  Zaire* 77 36
  Média 140,5 92,6
  Mortalidade   66%
Quadro 1 - Número de contaminados e mortos nas 17 maiores ocorrências de Ébola (ver, *o Zaire chama-se agora RD Congo) 

E no pior dos cenários, termina o "aquecimento global".
Mesmo que aconteça a pior dos cenários (toda a gente ficar contaminada e a mortalidade ser de 90%),  ainda sobreviverão 750 milhões de pessoas que são mais que suficientes para continuar com a nossa espécie para a frente. Assim, não é desta que a humanidade se vai extinguir. E as florestas vão crescer, os oceanos ficarão novamente povoados de bacalhau extra-grandes e as emissões de CO2 vão diminuir drasticamente e as centrais nucleares vão encerrar todas. 

E se fossemos todos iguais?
Já estão a ver o problema da "pureza étnica" preconizada pelo nazismo. É que, quando viesse uma doença destas, morria toda a gente. Uma espécie mesmo que tenha muitos indivíduos, se tiver baixa diversidade genética (ter havido, algures no passado, menos de 100 indivíduos) está condenada à extinção. 

E será que o Ébola está controlado?
O problema agora é que já temos mais de 2000 casos, 15 vezes o valor médio observado no passado, e a mortalidade aproxima-se dos 90%, muito acima da média do passado (ver, Fig. 2).
Para sabermos se o surto está controlado temos que encaixar os dados disponíveis no modelo de difusão que é o aplicável às epidemias.
Neste modelo exponencial o número de casos infectados aumenta a uma taxa que é variável. Na fase inicial, de instalação da doença, a taxa de crescimento é pequena e vai aumentando, depois há um período de crescimento descontrolado (a taxa constante) até que chega ao ponto de inflexão, a partir do qual a doença se considera controlada. Se daqui a 5 anos colocarmos os dados num gráfico em escala logarítmica, iremos ver um S (ver, Fig. 1). A questão que temos que saber é em que parte do gráfico estamos.

Fig. 1 - Modelo de difusão do Ébola

É preciso ajustar o modelo aos dados do Ébola.
Existem dados disponíveis desde o dia 25 de Março 2014 até ao dia ao dia 11 de Agosto 2014 (ver, actualizações). Primeiro, este surto é diferente em magnitude dos verificados no passado porque, houve encobrimento. Sabe-se hoje que o primeiro caso surgiu na Guiné Conacri no dia 9 de Dezembro de 2013 mas só passados 106 dias, no dia 25 de Março de 2014 é que foi tornado público, quando já havia 86 casos e 59 mortes. Assim, em vez de ser preciso conter um foco, foi preciso fazer face a 86 focos. 
Depois, em princípios de Abril foi possível atingir o ponto de inflexão pelo que, em meados de Maio, parecia que o surto estava totalmente dominado com um total de 270 casos. O problema é que foi sol de pouca dura pois, de repente, o Ébola entrou numa nova fase de expansão descontrolada . Olhando agora para os dados, não se vê nenhum ponto de inflexão pelo que há qualquer dúvida de que a doença está descontrolada (ver, Fig. 2). 

Fig. 2 - Número de contaminados com Ébola (ver, actualizações) => está descontrolado.

Quando teremos outro ponto de inflexão?
Muitas pessoas estão a lutar para que seja conseguido o mais rapidamente possível mas nunca se sabe quando o conseguirão. As notícias falam, na melhor dos cenários, que será lá para o fim do ano. 
Entretanto, cada dia, o número de pessoas infectadas aumenta 2,5% o que traduz que, enquanto não se atingir o ponto de inflexão, cada mês mais que duplica o número de contaminados. 

Os especialistas já falam que este surto de Ébola pode matar um milhão de pessoas.
Se não se conseguir inflectir a tendência, no final de 2014 teremos 65 mil contaminados e, em meados de 2015, já teremos 6 milhões de contaminados. E, ainda resulta do modelo de difusão que, depois de atingir o ponto de inflexão, ainda muitas pessoas serão infectadas. 
Se o descontrole continuar até meados de 2015, teremos 10 milhões de mortos, mais que todas as guerras que aconteceram desde 1945.

Mas não é muito trágico.
Em África há cerca de 1000 milhões de pessoas e em 1600 havia 116 milhões. 
Se o Ébora ficar apenas em África, não será muito grave (para nós) pois apenas fará a população africana voltar aos valores da época dos descobrimentos. 
Moçambique voltará aos 2 milhões e Angola aos 1,5 milhões da época dos descobrimentos.
Vamos a ver no que dá. 

Fig. 3 - Vai ser uma pena o Ébola levar-te mas, temos que ter paciência

A guerra do PS.
Dizem os especialista que não se conseguem ganhar guerras com apenas bombardeamento aéreo porque as pessoas escondem-se. Para os tirar dos buracos é preciso ter "cães" no terreno. 
É exactamente isso que se está a passar no PS em que o "cão" do Costa é o Seguro e o "cão" do Seguro é o Costa. 
Cada um obriga o outro a revelar quais são as suas estratégias de governação e, afinal, são um manado de nada.

"Precisamos de austeridade inteligente".
É a frase mais vazia de conteúdo que pode um burro imaginar.
Afinal vão "vamos fazer tudo que o Passos faz mas de forma inteligente".
Ao menos isso, de forma inteligente.

Fig. 4 - A"austeridade inteligente" aplicada pelo socialista Holland à França "apenas" reduziu o crescimento económico a 1/3 do que era no tempo da "austeridade estúpida" do "neo-liberal" Sarkozy.

A guerra do Constitucional.
Em 2011 eu escrevi que era impossível diminuir a despesa pública. Que, na melhor das hipóteses, o Passos Coelho iria mantê-la constante. E parece que vai ser esse o caso. 
Mas também é um bocado de teimosia. 

O Constitucional está como eu.
Tem que haver uma mexida nas pensões que torne mais semelhantes as reformas do passado com as reformas que recebem as pessoas que se reformam hoje. 
Não faz qualquer sentido ter duas pessoas que começaram a trabalhar exactamente no mesmo dia e, porque a pessoa A se aposentado em 2000 e a pessoa B fez o sacrifício de trabalhar mais 14 anos e recebeu menos 14 anos de pensão, a pessoa B ficar a receber uma pensão muito menor que a pessoa A. 
O Constitucional chumbou os cortes nas pensões porque diz que esta diferença tem que ser corrigida. 
Só em 2014 as "novas reformas" levaram um corte de 10% e as outras ficaram na mesma. 

Mas ainda vou falar da guerra em Israel.
Vamos imaginar uma economia onde existe uma grande empresa e várias pequenas em que o custo de produção da empresa grande é 0.45€/u. e a das pequenas é de 0.50€/u.
Em termos de lucro, o óptimo global será que todas cobrem um preço como se fossem monopolistas, vamos imaginar que esse preço é de 1.00€/u.
O problema desta estratégia é que, se uma das pequenas empresas diminuir o preço para 0.99€/u., fica com os clientes (quase) todos. Seremos então levados a pensar que a grande empresa tem que descer o preço para 0.99€/u. e que, continuando a guerra de descontos, vamos acabar com um preço pouco acima dos 0.50€/u, com lucros esmagados.

O que é que isto terá a ver com a guerra?
É que, sempre que uma pequena empresa descer o preço (para 0.99€/u.), a grande empresa faz uma promoção em que desce o seu preço "50% em cartão" (para 0.50€/u.). 
Os clientes sabendo disto, quando veem que uma pequena empresa está a fazer uma promoção, não compra porque sabe que na empresa terá no dia seguinte "50% de desconto em cartão".
A pequena empresa aprende rapidamente que se afixar um preço abaixo do preço de monopolista, não vende nada.

Israel está a explorar esta mesma estratégia.
Em 12 de Julho de 2006 Israel sofreu uma pequena invasão do Hezebola vinda do Líbano que matou 3 militares, feriu 2 e capturou 2. Israel atacou com bombardiamento de artilharia pesada e aéreo as zonas controladas pelo Hezebola. No final, no Líbano morreram 1200 pessoas (e 157 israelitas, uma relação de 7,6 para 1) e houve enorme destruição de infraestruturas.
Desde essa altura, nunca mais houve ataques a partir do Sul do Líbano, importantes, e sempre que é disparado um tiro, Israel retalia com bombardeamento de artilharia.

Na Faixa de Gaza aconteceu o mesmo. 
Em 30 de Junho são encontrados mortos os 3 jovens raptados. 
Começaram aí "pequenas operações" e a serem disparados rockets de Gaza.
No dia 8 de Julho Israel começa os bombardeamentos na Faixa de Gaza.
No final, morreram 2000 pessoas na Faixa de Gaza e 67 israelitas (uma relação de 30 para 1).
Agora, sempre que é disparado um rocket, Israel bombardeia um sítio qualquer.
O mais certo é que não haja mais ataques a partir da Faixa de Gaza.

Iraque e Ucrânia.
Eu defendo que cada povo deve ter o seu país. Defendo que os países devem ser formados por uma grande maioria de pessoas que partilhem a mesma cultura. E se 25% dos países do Mundo têm menos de 1,5 milhões de habitantes, há muitos povos perdidos por esse mundo fora que também deveriam ter um país.
Eu defendo que os 650 mil Yazidis, os 1,5 milhões de cristãos, os 6 milhões de Curdos do norte do Iraque e os 3 milhões da Síria, devem formar um país. 
Depois, quando a Turquia for uma democracia de facto, e o Irão se democratizar, o Curdistão deve unificar-se num país que terá 40 milhões de pessoas.
40 milhões é um povo muito grande que quer ter um país e que não os deixam.
Desapareciam 90% dos problemas da zona.

A Rússia deveria negociar. 
Também acho que a fronteira entre a Ucrânia e a Rússia devia ser ligeiramente alterada. Mas essa alteração deveria ser negociada e não ser um acto de guerra como aconteceu na Crimeia.
Por exemplo, a Ucrânia cedia à Rússia a Crimeia e mais uns terrotoriozitos e a Rússia fornecia à Ucrânia gás natural a um preço baixo durante 50 anos. 
O gás natural russo tem que passar pela Ucrânia para chegar à Europa pelo que é um monopólio bilateral que não tem solução. A Ucrânia precisa de gás.
Resolviam-se vários problemas com uma conversinha.
Pena o Putin sonhar que é chefe de uma superpotência.

Fig. 5 - Os tubos do gás natural russo passam pela Ucrânia porque foram feitos no tempo da URSS e os polacos odeiam os russos.

Pedro Cosme Costa Vieira.

sábado, 9 de Agosto de 2014

A expropriação do BES

Sabíamos muito pouco sobre a situação do BES. 
Há uma semana sabíamos que: 
1) o BES precisava de um aumento de capital de 4900 M€. 
2) Não havia condições para conseguir, de um dia para o outro, investidores privados que pudessem avançar com essa pipa de massa. 
3) As entidades públicas* acharam que não havia condições para confiar ao BES os necessários 4900 M€. 

* Apesar de publicamente o processo ter sido conduzido pelo governador do Banco de Portugal, foi desenhado pelo Passos Coelho + Maria Luís + Gasparzinho. Sim, tive a informação (não confirmada => tipo Marques Mendes) de que o Passos lhe telefonou. 

Continuamos a saber pouco.
Só consegui numa frase da Maria Luís - "se o Novo Banco tiver lucro será entregue ao BES" - ficar a saber mais ou menos como vai ser a estratégia para evitar que, no futuro, o Estado venha a ser condenado a indemnizar os accionistas do BES.

Na liquidação do BES terão que ser seguidas as regras do rateio do activo.
Uma instituição abre falência porque o activo é menor que o passivo. Neste caso, a Lei obriga a seriar os credores por prioridades.
No caso da falência de um banco (agora chama-se insolvência) também existem credores prioritários:
Primeiro, é pago o BCE porque está garantido por activos sem risco, por dívida pública. 
Segundo, são pagos os depositantes.
Terceiro, são pagos os obrigacionistas "normais" e os créditos de outros bancos.
Quarto, são pagos aos obrigacionistas subordinados.
Finalmente, o que sobrar é dividido pelos accionistas. 

As classes com maior prioridade recebem primeiro e, apenas se sobrar alguma coisa, é que a classe seguinte recebe.

O Novo Banco é um "lote de liquidação" do BES.
Na liquidação do BES, os activos e passivos foram apartados em dois montes tendo-se chamado a um o "Novo Banco" e a outro o "BES". 

Novo Banco => No primeiro lote foram colocadas as classes de passivos com prioridade (BCE, depositantes e obrigacionistas "normais"). Ainda não foi tornado público o balanço do Novo Banco mas se os 4900 M€ forem exactamente 8% do activo, o balanço terá 61250 milhões € de activo/passivo. 
Naturalmente, também foram transferidos créditos neste montante, de empresas, de clubes de futebol, de hipotecas de casas, etc. Como os activos têm sempre algum risco, foram "desvalorizados" não se sabendo quanto (i.e., em termos nominais, o activo é superior ao passivo de forma a que o risco de haver prejuízo para o Fundo seja praticamente zero).
As desvalorizações serão proporcionais ao risco, por exemplo, uma desvalorização de 10% para o crédito ao consumo e de 1,5% para o crédito imobiliário com hipoteca.

BES => Neste lote ficaram os passivos com menor prioridade (obrigações subordinadas e acções) e o valor remanescente do activo do BES que andará nos 20000 milhões €.  
Neste velho BES ficaram os activos com maior risco, os créditos das empresas do Grupo Espírito Santo, o BES-Angola e outros banquitos que eles tinham por esse mundo fora. Não interessam as reservas porque as perdas serão suportadas pelos detentores do capital próprio (accionistas e obrigacionistas subordinados).

Não compreendo.
Porque o velho BES não é entregue aos seus proprietários. Em termos contabilisticos este lote tem uma situação líquida positiva de 2500 M€ pelo que poderia e deveria continuar a operar com uma administração nomeada pelos seus proprietários, os accionistas. E, em termos contabilísticos, até tem capital suficiente para continuar a operar como banco comercial. E até já tem alguns depósitos (dos accionistas com mais de 2% de capital) não havendo qualquer justificação para que estas contas não possam ser movimentadas.
Os proprietários é que, posteriormente, decidiriam se havia necessidade de pedir protecção de credores ou não.
O que se passará com o BESI? Será que continua a operar normalmente?

Terá havido acordo na partilha?
Não sei se os accionistas do BES foram chamados a pronunciarem-se sobre a partilha dos activos entre o BES e o Novo Banco. Ainda ninguém falou sobre isto mas penso que não houve acordo. 
Como não houve acordo (penso eu), tecnicamente, o BES foi expropriado. Se a administração do velho BES for entregue aos seus proprietários ainda podemos falar de "protecção de credores" mas tendo o Banco de Portugal nomeado uma administração para o BES, tratasse mesmo de uma expropriação.

Qual a lógica do Banco de Portugal ter nomeado uma administração para o BES?
Se o BES já não é um banco, o BP não tem jurisdição sobre o mesmo.
Se é uma empresa que pedir protecção de credores, teria que ser um tribunal a declarar a insolvência e a nomear uma administrador judicial.
Não se passou nada disso. O BP nomeou uma administração para uma empresa que já não faz parte do Sistema Financeiro e que não foi declarada insolvente.
Como o BES não é um banco, a sua liquidação, como disse o governador do BP que iria acontecer, só pode ser decidido depois de ouvidos os credores e tem que ser decretado por um tribunal.

O problema é que as expropriações têm que ser pagas.
Os detentores de créditos onde se incluem os accionistas podem  ir para tribunal tentar obter um indemnização de forma semelhante ao que aconteceu com a Yukos. Se Portugal não actuar de forma séria, tal como a Rússia foi condenada a pagar 50 000 milhões de dólares, um dia o Estado Português também poderá vir a ser condenado.

Como se pode o Estado proteger?
Garantindo que tudo fez para proteger os direitos de todos credores onde se incluem os accionistas do BES. Neste sentido, foram dados dois passos muito importantes:
1 => A taxa de juro dos 4900M€ é baixa, menor que o BES conseguiria no mercado. Isso indica que o Estado não se quer aproveitar do seu poder de império que tem sobre o BES.
2 => O lucro que do Novo Banco e as mais valias da venda do Novo Banco serão entregues ao velho BES para pagar aos seus credores (a Maria Luís disse isto no Parlamento)..

O futuro do Novo Banco deve ser a liquidação.
O anuncio do BP de que "existem estrangeiros interessados na tomada de uma posição no Novo Banco" é uma total mentira semelhante à afirmação de que "o BES é um banco sólido" feita horas antes de se descobrir que estava falido.
É semelhante a dizer que existem muitos bancos interessados na aquisição dos bancos falidos gregos.
É uma alucinação tipo da dos da Guiné-Bissau quando declaram um embargo a Portugal.
Os bancos estrangeiros querem é sair de Portugal.
E manter o Novo Banco aberto será para, ano após ano, acumular prejuízo.

Como deverá ser liquidado o Novo Banco.
Como, em termos legais, são os bancos que actuam em Portugal que vão financiar as eventuais perdas da operação do Novo Banco, os seus activos e passivos devem ser divididos pelos bancos do sistema. O operação de desmantelamento do Novo Banco traduz um aumento de 25% no balanço dos bancos.

Tabela 1 - Peso relativo dos bancos dos 11 maiores bancos portugueses (excluindo CGS, BES, BESI e Novo Banco, detêm 95% do activo).
 Nome Activo Passivo Capital Próprio
 Millennium bcp 28% 28% 23%
 Banco BPI 15% 15% 11%
 Santander Totta 14% 14% 12%
 Barclays 9% 10% -1%
 Montepio 9% 8% 12%
 Banif 6% 6% 8%
 CCCAM 5% 5% 9%
 Popular 3% 3% 6%
 BII 2% 3% 1%
 BBVA 2% 2% 3%
 Banco BIC 2% 2% 3%
Fonte: Associação de bancos Portugueses, 1.º semestre 2013 (ver)

Será a expropriação à prova de bala?
Será desde que,
1=> O velho BES seja rapidamente devolvido aos seus proprietários.
2 => Globalmente, os critérios de seriação dos créditos sejam respeitados. 
Os credores do BES, independentemente de terem caído no Novo Banco ou no BES, têm que ser tratados da mesma forma. Os riscos para o Tesouro surgirão de o Novo Banco pensar que está legalmente desvinculado da seriação de créditos do velho BES.



Primeiro risco => A administração nomeada pelo BP para o velho BES vir a ser declarada como inapta, causadora de grandes prejuízos para os proprietários do banco. 

Segundo risco => tem a ver com a violação da seriação dos créditos.
A) Serem pagas obrigações que estão no Novo Banco e não serem pagos depósitos que estão no velho BES. Eu não faço ideia do total de depósitos que ficaram no BES e de qual o risco de o activo não chegar para os pagar (mas devem ser poucos). 
B) A indemnização do trabalhadores que vão ser despedidos serem pagas sem respeitar a seriação dos créditos. Se metade dos actuais 10000 trabalhadores for para o desemprego e cada um levar 50000€, soma 250 milhões €.

Terceiro risco => em teoria são os bancos que vão pagar eventuais prejuízos do Novo Banco. Mas se a administração violar a seriação dos créditos ou for considerada inapta, vão conseguir atirar o prejuízo para o Estado.

Será o risco elevado?
Se a coisa não se arrastar como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, anos e anos a dar prejuízo, provavelmente os contribuintes vão ficar a salvo.
Provavelmente mas, como mete despedimentos, tenho dúvidas.
Muitos dos problemas do BPN resultaram da manutenção dos 2000 trabalhadores ao serviços mesmo sem haver negócio bancário para fazer.


Como se faz um banco sem capital?
O problema das nossas empresas é que o próprio Capital Próprio é capital alheio.
Isto funciona bem quando as empresas dão lucro mas, quando dão prejuízo, não têm onde acomodar as perdas e o sistema desfaz-se.

1) O capital está totalmente nas famílias que o depositam nos bancos.

A) Uma pessoa pede 11 mil € a um banco.
B) Cria um "grupo" com 11 empresas,  E1, ... , E11, cada uma com 1000€ de capital próprio (que é crédito pessoal obtido em A).
C) As empresas pedem crédito bancário de 4 mil € dando o seu activo como garantia. Ficam com 5 mil€ de activo e uma autonomia financeira de 20%.
D) Cada uma das empresas faz um aumento de capital para 6000€ em que as entradas de capital são das outras empresas, 500€ cada uma. Cada uma das empresas ficará com capital próprio de 6000€ em que o passivo são dívidas de 4000€ ao banco e 1000€ de capital do investidor que também o deve ao banco.
E) Com capital próprio de 6000€, podem aumentar o endividamento bancário para 24000€.
F) AS 11 empresas fundam um banco em que cada uma "mete" os 30 000€ que tem de activo, somando 230 mil€. Para um rácio de 8%m podem aceitar depósitos até 4.1 milhões €.
G) Usam o dinheiro dos depositantes para "emprestar" às 11 empresas e o crédito pessoal.

Começando com nada, o investidor controla  11 empresas que têm 330 mil euros de capital do Banco e só deve 11 mil euros. 

2) O capital continua, indirectamente, nas famílias que têm depósitos do banco criado. 
O capital próprio é zero.
Entretanto há uns aumentos de capital que conseguem convencer uns distraídos e umas participações cruzadas com outras empresas com accionistas distraídos (tipo, PT) e os "donos do banco" são donos sem lá terem metido um euro. 
Recebem ordenados chorudos, e, enquanto houver lucros, são empresários de sucesso. Se o sistema começa a acumular prejuízos, o baralho de cartas desmorona-se e, quem quiser, que se aguente.
Como disse o Ulrich, "Ai aguenta, aguenta".

É toda boa mas, sendo insuflável, se tem um furo, reduz-se a nada.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 5 de Agosto de 2014

O Ebola é pior que a guerra nuclear e que o BES

Nos anos 1950-1990 viveu-se o medo do Inverno Nuclear. 
Diziam os pacifistas que havia armas nucleares para destruir o Mundo várias vezes. 
Dividindo as 17300 bombas atómicas pelos 10% da superfície seca da Terra com maior densidade populacional, rebentaria uma bomba atómica a cada 30 km. Em termos de destruição, se cada bombas atómicas matasse, como em Hiroshima, 150000 pessoas (o que é ppouco provável), as bombas atómicas "só" matariam 2,6 mil milhões de pessoas.35% da população mundial. 
Bem sei que a destruição seria muito grande, cidades a arder, e que muito mais pessoas morreria de fome e de doenças resultantes da radiação mas penso que seria um exagero dizer que a Terra seria destruída várias vezes. 
Mas, apesar de as bombas atómicas parecerem ser um grande perigo, como dependem da vontade destruído do Homem e parecem ser armas suicidas, ainda não se concretizou. 

Fig. 1 - O perigo eram as bombas atómicas (que atacavam aos pares)

Mas o Ébola é um perigo maior que as bombas atómicas.
Digo que é pior porque não depende de nós. 
Os vírus atacaram-nos continuamente e, por isso, é que grande parte do nosso DNA é dedicado ao combate das infecções. 
Os animais e as pessoas co-evoluem com as doenças ao longo de milhares de anos e o DNA vai  evoluindo por mutação e selecção de forma a que as se vão tornando relativamente benignas.
Por exemplo, foi o que aconteceu com o Sarampo na Europa. 
Acontece que de vez em quando, motivado pela movimentação das populações, grupos que nunca estiveram expostas a uma doença são contaminadas. Quando em 1498 o Sarampo foi levado pelos Europeus para a América acidentalmente, nos índios teve um efeito devastador matando 95% dos nativos do continente americano.
Aconteceu o mesmo com a Peste Negra que na Ásia era uma doença sem grande taxa de mortalidade, e que, quando apareceu na Europa em meados do séc. XIV, matou metade da população. 
As doenças víricas não afectam todas as pessoas. Como temos exemplo com a Gripe, a nossa diversidade genética faz com que umas pessoas fiquem doentes e outras não. 

Fig. 2 - Evolução dos casos de Ébola 2014 (ver actualização)

O aumento não mostra quebra.
A primeira má notícia é que a taxa de difusão da doença está nos 2,3%/dia e que não mostra vontade de diminuir (ver, Fig. 2). E enquanto a taxa de difusão for maior que zero, o número de pessoas contaminadas vai aumentando.
A segunda má notícia é que, ao fim de 30 dias, 90% das pessoas contaminadas estão mortas.
A boa notícia é que 10% das pessoas contaminadas, ao fim de 30 dias estão novamente saudáveis.

Mas a OMS diz que a mortalidade é de "apenas" 55%
Pois diz mas está errada. Realmente, se dividirmos o número de mortos pelo número de contaminados dá "apenas" 55% mas é preciso ter em atenção que a doença incuba durante 21 dias. 
Acompanhando os doentes, ao fim de 30 dias, 90% estão mortos.
Os 55% é só para motivar as pessoas a ir para os centros de isolamento.

Estamos nós a discutir políticas de natalidade para os próximos 20 anos!
Quando, se a D. Inércia não estancar a difusão da doença, em finais de 2016 a doença já estará ultrapassada mas à custa da morte de 90% da população mundial. 
No Natal de 2016 Portugal terá um milhão de habitantes. Dentro de pouco mais de um ano teremos a população de 1415, quando roubamos Ceuta aos Mouros. 

Como será o Mundo com 10% da população actual?
Se formos nós a morrer, o mundo que se dane. Mas se escaparmos, vamos ter vantagens e problemas.
Primeiro, durante muitos anos não precisaremos de comprar carros. Damos uma volta pelos parques de estacionamento e pegamos nos que lá estiverem abandonados.
Depois, casas também teremos fartura, poderemos mesmo mudar para as melhores zonas. Será só chegar, ver as casas que estão vazias e entrar. 
Haverá muitos campos, estradas e fábricas para podermos tomar conta.
O problema é que, a economia global vai entrar em colapso por falta de trabalhadores e de consumidores. 
Não será possível manter as refinarias de petróleo a trabalhar se o consumo reduzir em 90%.
As fábricas, centrais eléctricas, sistemas de manutenção das estradas, tudo vai entrar em colapso.
Os 550 mil habitantes de Lisboa vão ficar reduzidos a 55 mil habitantes.
Os 12 milhões de habitantes da cidade de São Paulo vão ficar reduzidos a 1,2 milhões.

Mas isso nunca acontecerá.
Vamos ver se isto corre melhor que o BES que há uns dias estava sólido (palavras do sr. governador do Banco de Portugal) e só a marca "Banco Espírito Santo" valia 640 milhões € (ver) e hoje já nada disso existe.

Fig. 3 - Pouco mais de dois anos depois da queda do BES, 90% da população mundial já estava morta.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

A reestruturação do BES

O problema do BES foi a desconfiança.
A situação contabilistica do BES não é desesperante.
Olhando para o Relatório e Contas do 1T2014 do BES, em 31 de Março 2014 o banco tinha 7017 milhões € de Capital próprio e 82817 milhões € de  activo bancário:

     ATIVIDADE (milhões de euros)
     Ativo                                => 82817M€
     Crédito a Clientes (bruto) => 51001M€
     Depósitos de Clientes       =>36242M€
     Capital Próprio                 =>  7017M€
Relatório e Contas do Grupo Banco Espitito Santo referente ao 1.º trimestre 2014, p. 6


Se dividirmos o capital próprio pelo activo, temos um rácio de CP/Activo de 8,5%.

Depois, veio o 2.º trimestre.
O prejuízo descoberto no 2.º trimestre foram de 3577 milhões €.
Temos que acreditar que o Vítor Bento fez o trabalho de forma totalmente correcta. A não ser verdade então este homem não faz diferença relativamente ao Salgado. 
Nessa situação, o capital próprio de BES está reduzido para

     7017 - 3577 = 3440 milhões €

Se o capital próprio é de 3440 milhões €, o BES tem um rácio CP/Activo de 4,2% que é metade do exigido, >8%, mas que ainda está bastante positivo (nos meus cálculos não pondero o capital pelo risco porque não tenho acesso a esses dados). 

De onde virá a desconfiança?
De haver uma teia de créditos entre empresas do grupo e que não é transparente. 

Até podem ser gajas boas mas não tenho muita confianças

O que vai ser feito agora?
Se houvesse um aumento de capital de 4900M€ proporcional ao capital contabilistico (3440M€), os actuais accionistas ficariam com 41% do banco capitalizado. Se o aumento de capital fosse proporcional à capitalização bolsista (670M€), os actuais accionistas ficariam com 12% do banco capitalizado.
Como não havia possibilidade de acordo, foi decidido separar a parte em que o capital foi aumentado, do resto do banco.  
Por um lado, alguém entra com 4900M€ para criar o "Novo Banco" que compra os activos do BES sobre a qual não existem problemas de avaliação (na ordem dos 50000) e os passivos (depósitos e obrigações do banco). Esta compra será avaliada ao valor nominal.
Por outro lado, fica o BES com os activos de maior risco e sobre os quais não há acordo sobre a avaliação. Em princípio vão ficar no BES os activo do GrupoBES na ordem dos 30 mil€ e passivos sem garantias (capital próprio o obrigações subordinadas). 
Os que eram proprietários do BES até ontem, continuarão proprietários do "novo" BES que ficará esvaziado do negócio de banca comercial.  

Será que o Novo Banco vai dar prejuizo?
Se for gerido de forma eficiente, será um banco viável.
O problema do BES tem sido as perdas associadas ao financiamento das emrpesas do grupo e não ao negócio bancário. Por isso, enquanto existir, será um banco como outro qualquer.

Será que o banco "Novo BES" irá falir?
Se falir é porque o Vítor Bento falhou na avaliação dos prejuízos. 
Agora, se a sua avaliação foi bem feita, se em Angola as coisas correrem menos mal, o capital contabilistico de 3440M€ ainda vai permitir que o BES funcione de forma razoável como SGPS ou mesmo como banco de investimento.
Em termos contabilisticos, cada acção deste "Novo BES" vale 0,65€ e a última transacção do BES foi a 0,12€.
Terá sido apenas pânico ou o Vítor Bento, afinal, fez mal as contas?
Só o futuro permitirá clarificar este ponto.

Casei com uma mulher de burka que me parecia com boas proporções e, no final, saiu-me esta

Em Portugal não há produto bancário para tantos bancos.
Não há depósitos nem há créditos estando o nossos sistema bancário sobredimensionado.
Cada terriola tem 5 ou 6 balcões quando só precisa, no máximo, de 2. 
Por isso, os bancos têm que reduzir o número de colaboradores e de balcões. 
Prevejo que os activos do Novo Banco vão ser distribuidos pelo sistema bancário e, depois, será encerrado.
Serão uns milhares de trabalhadores que vão para o desemprego mas é algo inevitável. 
Se os 2000 do BPN tivessem sido despedidos, não teria sido táo grande o prejuizo e, talvez, agora não fosse necessário liquidar o BES de forma tão urgente.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

O número 3577

Um prejuizo de 3577 milhões de euros é uma coisa muito importante. 
Esta soma, imaginando tudo em notas de 5€, corresponde a qualquer coisa como 425 toneladas de notas (uma nota de 5€ pesa 0,6 g). 
Para assaltar um banco e levar esta soma precisaríamos de 17  camiões TIR cheinhos. 
Dividindo este prejuízo por cada um dos 4,5 milhões portugueses que temos empregado, teríamos que pagar 66€/mês, durante um ano. 
Mas, apesar de ser muito grande, isto é apenas uma parte das perdas do Grupo Espírito Santo. Outras perdas vão ser contabilizadas, por exemplo, na Portugal Telecom. 
Estas perdas tiveram um impacto imediato na vida das pessoas que colocaram as suas poupanças em acções dos grupos económicos expostos ao Grupo Espírito Santo. Por exemplo, em 1/1/2014 a cotação do Banco Espírito Santo era de 1,05€/acção e hoje andou nos 0,10€/acção. A cotação da Portugal Telecom era de 3,20€/ acção e hoje está nos 1,60€/acção. 
O BES atingiu uma cotação máxima de 17,32€/acção (Julho 2007). 
Uma pessoa muito rica porque tinha, em Julho de 2007, 10 milhões € em acções do BES, hoje terá 60 mil € (vou-me esquecer dos direitos dos aumentos de capital). Hoje tem 0,5% da riqueza que tinha em Julho de 2007, perdeu 99,5% da sua riqueza.
Se o Grupo Espirito Santo se endividou dando como garantias a sua posição no BES que valia qualquer coisa como 2000 milhões€, hoje só tem 12 milhões e deve, à sua conta, 2000 milhões €.

Já não podemos acreditar que o espírito-santo nos vai salvar

Será que vamos ter que pagar este buraco?
Directamente como pagantes de impostos, não mas a descoberta desta "perda de capital" vai ter impacto na economia, com empresas a falir e a redimensionar as suas operações o que causará redução da receita fiscal que precisaremos de tapar. Também vai causar desemprego. 
Podemos ter a certeza que estas perdas vão ser canalizadas pela economia e acabarão por cair, mais nuns que noutros, em cima de todos nós. 
Apesar de sermos invejosos, teria sido muito melhor que o BES tivesse anunciado lucros em Angola de 3577 milhões de euros. Sempre seriam uns 700 milhões € de IRC a entrar nos cofres do Estado. 

Vamos ver a minha lógica.
Como pessoas pagamos impostos, estou-me a lembrar do IRS, IVA, TSU, IMI, selo, produtos petrolíferos e tabaco. Em troca recebemos serviços de saúde, estradas, segurança, etc., e, quando ficamos necessitados, por exemplo, desempregados ou doentes, recebemos subsídio para não morrermos de fome e de doença. 
Mas as empresas também pagam impostos, só o IRC, imposto que se aplica apenas sobre as empresas, nos últimos 10 anos cerca de 4500 milhões € por ano. 
Sendo assim, quando as empresas estão à rasca, têm direito a serem socorridos com o imposto que ano após anos pagam para financiar o Estado. 
Nos últimos 10 anos as empresas pagaram cerca de 45 mil milhões € de IRC e o BPN custou na ordem dos 5000 milhões€. 

E como fica o Banco Espirito Santo?
O BES tem um activo na ordem do 80 mil milhões €, talvez um pouco menos. E tinha, antes do anúncio do prejuízo colossal, um capital na ordem dos 6000 milhões de €. Então, por cada 100€ de activo tinha 7,50€ de capital próprio e 92,50€ de dívida. 
O capital serve para cobrir os imponderáveis do negócio bancário e um imponderável aconteceu, o que reduziu o capital para menos de metade, 2,5 mil milhões€. Cada 100€ de activo tem agora 3,10€ de capital próprio. 
O capital próprio está bastante baixo, apenas 3% do activo mas, acreditando que os esqueletos foram todos descobertos, ainda é um número que afasta para muito longe a probabilidade de falência.

Mas a capitalização bolsista está bem pior.
O valor contabilistico de cada acção é de cerca de 0,45€ e a cotação actual é de 0,12€.
Isto traduz que o "mercado" está a avaliar os 2500 milhões€ de capital prórpio em apenas 675 milhões €. O mercado indica que anda há 1750 milhões € de prejuixo escondidos nas contas do BES. 
Mas o capital próprio ainda não está a zero!

Será que o BES vai precisar de ajuda pública?
Nas duas últimas semanas de Julho a cotação do BES esteve nos 0,45€/acção o que traduzia que os investidores sabiam que seria anunciado um prejuízo na ordem do apresentado, de 3577 milhões€.
O problema é que hoje a cotação está nos 0,11€/acção o que indicia que novas más notícias estão para ser reveladas. Pode ser apenas uma reacção nervosa do mercado mas o mais certo é serem más notícias, tipo, que a garantia do estado angolano ao BES Angola é inválida. 
Se se concretizar o que o mercado está a dizer, o BES vai precisar de um aumento de capital de pelo menos 5000 milhões € e não acredito que haja quem arrisque meter tanto dinheiro lá. 
Mas uma coisa é ser preciso meter lá 5000 milhões€ e outra coisa é esse dinheiro estar perdido como aconteceu no BPN. 
Vai ser preciso o Estado meter lá dinheiro mas não será nada parecido com o BPN que, antes da nacionalização, já tinha 2000 milhões € de capital negativo. Na pior das situações, o BES ainda tem 600 milhões€ de capital.

O "problema" é que precisamos de empresas.
As empresas, às vezes, dão problemas para a sociedade mas são imprescindíveis à economia. 
As empresas, por serem de responsabilidade limitada, servem para proteger os empreendedores de riscos incontroláveis. 
Se não houvesse empresas, haveria muito menos investimento em actividades de risco o que faria diminuir o crescimento económico. 
O comunismo/socialismo tentou criar uma sociedade sem empresas e sem empresários mas, como vimos na URSS, Cuba, Coreia do Norte, Moçambique, Guiné-Bissau, etc. etc., foi um caminho rápido para o empobrecimento.
As empresas são como o nosso automóvel: nós sabemos que nos pode matar mas não podemos viver sem ele.

É nesta altura que apetece ser um daqueles polícias que, com o povo encostado à parede, fazem a revista à procura de armas sabe-se lá onde. Mas esta imagem era para dizer que, apesar de sabermos que as mulheres nos podem dar cabo da vida, não podemos viver sem elas.

O comissário europeu.
Vem mesmo a propósito, depois de desaparecerem 3577 milhões de euros, o governo indicou para  comissário europeu  o Moedas. 
Bem sei que não devemos fazer piadas com o nome das pessoas mas vem mesmo a calhar.
Já agora, quem terão sido os comissários anteriores?
Ninguém se lembra pelo que ir para lá este ou outro qualquer, excepto para o próprio que passa a receber uma boa maquia livre de IRS, dá tudo no mesmo. 

A batalha de Gaza.
Aquilo está a ficar feio, quando chegar a 1800 mortos teremos uma morte em cada 1000 pessoas que lá vive. 
Para podermos enquadrar estes números noutras guerras, 

Batalha de Gaza (25 dias) => 0,9 morto por cada 1000 habitantes.
Guerra do Iraque (desde 2003) => 5 mortos por cada 1000 habitantes. 
Guerra da Síria (desde 2011) => 8 mortos por cada 1000 habitantes.

Mas comparemos com uma guerra a sério (Segunda Guerra Mundial), 
   Bielorússia  => 253 mortos em cada 1000 habitantes.
   Ucrânia  => 163 mortos em cada 1000 habitantes.
   Polónia  => 165 mortos em cada 1000 habitantes.
   Rússia => 127 mortos em cada 1000 habitantes.
   Timor (Segunda Guerra Mundial) => 120 mortos em cada 1000 habitantes.
   Alemanha (Segunda Guerra Mundial) => 100 mortos em cada 1000 habitantes.

E com matanças a sério (judeus na WWII), 
   Holanda => 915 mortos em cada 1000 habitantes.
   Jugoslávia => 890 mortos em cada 1000 habitantes.
   Lituânia => 880 mortos em cada 1000 habitantes.
   Polónia  => 877 mortos em cada 1000 habitantes.
   Grécia => 863 mortos em cada 1000 habitantes.

Em 1939 viviam na Polónia 3,2 milhões de judeus e hoje vivem lá 3200.
Estes números mostram o que é um verdadeiro genocídio, uma verdadeira "limpeza étnica". 
Por cada 1000 que lá viviam, agora vive lá 1.
Esta guerras da Síria, Iraque ou Gaza são pequenas amostras do que pode atingir a brutalidade de uma guerra.

Será Gaza viável?
Gaza tem 1,8 milhões de habitantes em 360 km2 (rendimento per capita de 800USD, ver) .
Singapura tem 5,3 milhões em 716 km2 (rendimento per capita de 61000USD, ver).
Gaza tem uma densidade de 5000 pessoas por km2 e Singapura tem de 7600 habitantes / km2.
Mesmo implementando uma "zona de segurança" ao longo da fronteira com 3 km de largura, Gaza fica com a mesma densidade de Singapura o que indica que é totalmente viável. 
Não pode ser um país agrícola mas pode ser uma cidade prospera. 
Por exemplo, a cidade de Manila nas Filipinas tem 43 mil habitantes por km2 e nos centros das cidades chegam a haver uma densidade até as 100 mil pessoas por km2. O Gueto de Varzóvia tinha uma densidade de 112 mil pessoas por km2 (380 mil pessoas em 3,4 km2).

A Gaza pode ser uma cidade rica principalmente porque está bem localizada (no Mediterrâneo) e tem acesso a energia barata (gás natural do Egipto). 
O problema é que para se desenvolver precisa de paz. E, apesar de, penso eu, a maior parte da população querer viver em paz, poucos fazem muito prejuízo. 

Não sei bem o que se passa na Líbia.
Quando foi a "Primavera Árabe" eu disse a uma colega minha, a APD, que estava muito entusiasmada com as revoluções comparando-as com o nosso 25-de-abril, que poderia ser o nosso 28-de-maio, altura em que começou a ditadura do Salazar.
Não sei o que irá na cabeça do líbios mas talvez tenha a ver com o petróleo estar no Leste, em Bengazi,  e 1/3 da população e o poder estarem no Ocidente, em Tripoli. 
E a Líbia é importantíssima para a Europa como potencial fornecedor de gás natural mas custa a estabilizar.

Os campos de petróleo líbios estão no deserto, entre Bengazi e Sirte.

São muitas guerras à nossa volta.
É a Ucrânia, o Iraque, a Síria, Israel, Líbia e o BES. 
A Europa está a ficar cercados por guerras.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

O Costa e a restrição orçamental

Há uns dias o António Costa lançou "a estratégia para 2025". 
Mesmo sendo um génio, o Costa não consegue avançar com uma única linha sobre o que vai fazer em alternativa ao que o Sócrates acordou com a Troika para sairmos da bancarrota que resultou de 15 anos de guterrismo-socratismo.
Sendo que o Costa não vê alternativa, acredita que o resto do nosso povo não percebe nada de nada e que, por isso, vai conseguir captar votos lançando frases vazias mas com convicção.
Tal qual as missas, basta ter boas mamas e dizer "Vou acabar com a guerra e a fome no Mundo" para ser eleito.
Faz parte da estratégia para ser primeiro ministro entre 2015 e 2019 falar sobre o que é preciso fazer lá para 2025! É como comprar uma lata para matar mosquitos com uma campanha de marketing que diz:

  Compre esta lata e, daqui a 6 meses, todos os mosquito terão morrido de velhice

Já na antiguidade se sabia que a melhor forma de convencer os ignorantes era complexar a conversa com conceitos confusos e prometer a felicidade "na outra vida", uma "vida eterna  no paraíso" depois da morte com a companhia de 72 devoradoras virgens.
O problema de prometer a felicidade para depois de morrermos é que os mortos sofrem de impotência sexual grave que nem uma caixa de viagra resolve e ... 

as virgens mortas perdem rapidamente o sexappeal. 

O investimento, o lucro e o salário.
Vamos imaginar uma economia simples em que produzo milho com o meu trabalho e terra pela qual pago uma prestação. 
H1 => A terra é o capital da economia pelo qual é paga uma prestação (a remuneração do capital); 
H2 => A produção segue uma relação funcional em que M quantifica a área da terra:
     Produção = M^0,3 x 40 ^0,7
Esta relação codifica que existe complementaridade entre capital e trabalho e que, no ponto óptimo, o capital recebe 30% da produção e o trabalho 70%.
H3 => Com 200m2 e 40h/sem, a produção vai ser de 64,8kg/sem que se divide pelo meu salário, 44,8kg/sem, e pela remuneração do capital, 20kg/sem.

A Economia e as Finanças
Os esquerdistas gostam muito de confundir estes dois conceitos. O Costa, uma vez mais, veio com a cassete de que "temos que nos concentrar na Economia e deixar as Finanças".
Mas Economia e Finanças são as duas faces de uma mesma moeda. São a mesma coisa, tal e qual, mas com outros nomes.  
A Economia trata da realidade em termos físicos. Nesta face da moeda temos o capital (a terra) e a remuneração do capital (a renda).
As Finanças tratam da realidade em termos monetários. Nesta face da moeda temos o valor financeiro do capital (o preço da terra) e a taxa de juro.
São duas faces da mesma moeda que se relacionam em termos numéricos através da expressão da renda perpétua:

    Finanças                                                 = Economia
    Valor financeiro do capital x Taxa de juro = Renda

Se a taxa de juro for de 0,1%/sem e a renda de 0,1kg/sem/m2 então, o valor do terreno será de 100kg/m2 (preço do capital).

Se umas máquinas, o capital, rendem 300€/mês (líquidos de impostos) e a taxa de juro é de 3%/ano então, o valor das máquinas (realidade financeira) será de 12*300/0.03 = 120000 €.


Economia e Finanças são duas faces da mesma moeda

Podia arrendar os 200m2 de terra por 20kg/sem (pedia "emprestado" capital físico)  ou comprava a terra com um crédito de 200x100 = 20000kg pelo qual pagava 0,1%/sem de taxa de juro, 20000 x 0,1% = 20kg/sem (pedia "emprestado" capital financeiro).
Seria exactamente a mesma coisa. A diferença é que num caso a terra pertence-me mas eu devo "dinheiro" pelo qual pago uma prestação e noutro caso, a terra não me pertence e eu pagava uma prestação.

O défice público e o salário.
Se a minha produção liquida é de 44,8kg/sem, não posso comer mais do que esta quantidade sem me endividar. Neste caso, outras pessoas têm que comer menos que o que produzem para me possam emprestar o que eu como a mais do que produzo.
Para alguém ter défice, outro qualquer tem que ter superavit. 
Por exemplo, para eu consumir 50kg/sem, tenho que aumentar a minha dívida em 5,2 kg/sem pelo que um vizinho meu tem que consumir apenas 39,6kg/sem.
Mas o Guterres e o Sócrates usaram outra estratégia para eu poder comer mais do que produzo: puxaram o défice das famílias para o Estado e foram-se endividar lá fora.
O Estado assumiu o défice da economia cobrando menos impostos que o valor da despesa pública. Em termos simples, povo pagava 13kg/sem de impostos (no modelo, uma taxa de imposto de 20% sobre a produção total) mas recebia do Estado 18,2kg/sem em subsídios e serviços prestados. 

O défice público esconde a violação da nossa restrição orçamental.
Nós queremos ter uma vida como a das crianças que, não produzindo nada, acham sempre que têm direito a todos os brinquedos, sem precisarem de saber de onde vem o rendimento. Se não recebem os brinquedos, fazem birra que são as manifes dos esquerdistas.
Sempre que trabalhamos numa empresa que tem prejuízo, vivemos numa família que se endivida ou num Estado que tem défice, estamos a consumir acima das nossas possibilidades, i.e., estamos a violar a nossa restrição orçamental.
O problema é que não damos conta disso e não temos, ou não queremos ter, inteligência suficiente para o entender. Atirar as culpas para a "baixa produtividade", os "maus gestores", os "maus governantes", o "grande capital", a "banca" e o seguro, a porta e o coelho é muito mais fácil que assumirmos que fazemos parte do problema.
Mas, de facto, nós fomos os culpados da dívida pública porque recebemos serviços públicos e subsídios acima do que pagamos em impostos.
E fomos nós que elegemos o Guterres e o Sócrates.

Como podemos ter um salário superior?
Trabalhando mais horas. 
Se, em vez das 40h/sem, eu trabalhar 60h/sem, a produção aumenta para 86,1kg/sem que, descontando a renda, aumenta o meu rendimento líquido de 44,8kg/s para 66,1kg/sem.
Sim mas isso não parece interessar aos esquerdistas porque o trabalhador não foi feito para trabalhar.

E, como dizem os esquerdistas, investindo e aumentando o capital? 
O investimento é o aumento do capital.
Vou aumentar a terra para 515m2 de forma a obter, como com o aumento do trabalho, uma produção de 86,1kg/sem. Agora, apesar de a produção aumentar, como é preciso pagar mais renda, o salário diminui para 34,6kg/sem.
Não.

O investimento fora da decisão económica reduz o nível de vida.
O nível de vida das pessoas de um país apenas aumenta com o investimento se ele for decidido dentro da decisão económica. Quero com isto dizer que o investimento tem que ser pertinente, surgindo no quadro de funcionamento da economia em que o investidor procura maximizar o seu lucro e o trabalhador o seu salário.
Investir como arma política para ganhar votos leva, invariavelmente, à redução do nível de vida das pessoas, sejam elas aforradores (baixa dos juros), investidores (baixa dos lucros) ou trabalhadores (baixa dos salários).

O Espírito Santo Salgado vai ser o ministro das finanças do próximo governo socialista..
E o Álvaro Sobrinho (do BES Angola) vai ser Secretário de Estado.
Porque o Sobrinho é especialista em write-off de dívidas à banca e o Salgado é especialista em reestruturação de dívidas. 
Sobre o calote da Rio-Forte à Portugal Telecom, o melhor é o Granadeiro ir às dívidas do PT e também as reestruturar proporcionalmente. 
Reestruturar as dívidas é uma "maravilha" inventada pela esquerda para liberta as famílias, as empresas e os Estados dos passivos. O problema é que também destrói os nossos activos.
Para a raposa comer, a galinha tem que ser comida.

As reformas estruturais.
Os esquerdistas não dizem o que estão a pensar quando falam em reformas estruturais.
Para reformar é preciso alterar o que temos. Portanto, precisamos de propostas de mudança.
E o que será que o Costa vai mudar?
Pelos vistos vai voltar ao tempo do Grande Líder, ao tempo do Sócrates.
O consenso dos especialistas referem que reformas estruturais passa por flexibilizar o mercado de trabalho, acabar com as empresas públicas, equilibrar o sistema de pensões, reduzir a despesa pública em termos de percentagem do PIB.
Mas o Costa não refere nada disto.

Vamos à Guiné Equatorial.
É um país muito pequeno, 3/4 a área da Guiné-Bissau e, que, até 1995, também era um dos paises mais pobres do Mundo. Aconteceu o milagre de, em 1995, ter sido descoberto uma importante jazida de petróleo. Entre 1993 e 2005 o PIB per capita foi multiplicado por 24, cresceu a uma média de 30%/ano, tendo passado de 473USD/ano para 11457USD/ano.

Mas aquilo é uma tirania.
Ok, até pode ser uma tirania segundo os padrões portugueses mas, relativamente a África, está na média.
Por exemplo, a mortalidade até aos 5 anos era, em 1985 era de 20% (morria uma criança em cada 5 que nasciam) e em 2013 foi de 10% (morre uma criança em cada 10). Estes números são astronómicos, se transpostos para Portugal traduziriam a morte de 8000 crianças por dia mas é o normal em África. Na Guiné-Bissau morrem 12,9% e em Moçambique 9,0% das crianças antes dos 5 anos de idade.
É terrível mas está a melhorar.
Não é fácil uma economia passar de 400USD/ano para 12000USD/ano, digerir a multiplicação do PIB por 30 em pouco mais de uma década.
Temos que dar tempo ao tempo.

Comparação entre o crescimento do PIBpc da China e da Guiné-Equatorial (Dados: Banco Mundial)

Em termos históricos e geográficos, cabe como uma luva na CPLP.
Em tempos, até 1778, a Guiné Equatorial (melhor dizendo, a Ilha de Fernão Pó) foi colónia portuguesa, quando foi oferecida à Espanha.
A ilha de Fernão Pó (Bioko) tem quase o triplo da ilha da madeira e 260 mil habitantes, 1/3 da população da Guiné Equatorial e foi importante na economia portuguesa do séc. XVI quando se tornou o principal fornecedor de açúcar à Europa.
Depois, também muitos dos escravos que levamos para o Brasil circularam por esta ilha e, por isso, muitos brasileiros localizam os seus antepassados na Guiné Equatorial.
Era o famoso Comercio Triangular que estudamos na Escola Primária em que um dos vértices era na ilha de Fernão Pó.
E os esquerdistas esquecem-se de dizer que São Tomé e Príncipe faz fronteira com a Guiné Equatorial e partilha os campos petrolíferos e de gás. E a ilha de Príncipe só tem 5000 habitantes o que, atendendo ao referendo da Crimeia, pode vir a ser ocupada e "emancipada", por exemplo, com o patrocínio da Nigéria que é um colosso (tem "apenas" 170 milhões de habitantes).

São Tomé e Príncipe partilha o seu petróleo com a Guiné Equatorial

Por isto tudo, faz todo o sentido que as fortes ligações entre Portugal, Brasil e a Guiné-Equatorial se materializem com a passagem deste pequeno país para a CPLP.
Não falam português mas também na Guiné Bissau não falam.
É uma oportunidade para exportarmos bens (por exemplo, móveis), e quadros qualificados pois é um pequeno país em acelerado desenvolvimento.
É assim tipo Timor mas mais perto e melhor governado pois Timor, mesmo com petróleo, não sai da cepa torta.
Vamos ter um pouco de paciência porque uma democracia não se faz de um dia para o outro, basta olhar para Angola onde o "respeitado presidente" nunca foi eleito e está lá desde 1979. Como escreveu o Tribunal Constitucional de Angola "José Eduardo dos Santos pode-se candidatar a um novo mandato que será o primeiro pois, até à data, ainda não cumpriu nenhum".
Mas Angola, no olhar da Ana Gomes, ou Moçambique onde o candidato da oposição tem que andar escondido para não ser fuzilado, devem ser democracias consolidadas.

Com 35 anos de presidência, está a um ano de ultrapassar os 36 anos de governação do nosso Salazar sem nunca ter cumpriu nenhum mandato (TCA). E tudo isto em democracia.

E como vai a execução orçamental.
Vai difícil mas a consolidação é algo muito difícil de fazer.
O ano passado conseguisse os 4,9% mas com muitas medidas de emergência pelo que não é fácil fechar 2014 com os 4% pretendidos.
Mas a coisa está calma com as taxas de juro a reflectir isso mesmo. Por exemplo, a taxa de juro a 5 anos tem, nos últimas 10 semanas, oscilado entre 2,2%/ano e 2,6%/ano o que resulta de uma variação na cotação das obrigações em torno da média na ordem dos 1%, o que é pouco.
 
A taxa de juro das obrigações do tesouro portuguesas estão nos 2,4%/ano, abaixo dos 3%/ano defendidos pelos bancarrotanos

E a "guerra" em Israel?
É o problema das guerras assimétricas. 
Portugal viveu em África, durante 13 anos, guerras de guerrilha onde morreram 8831 combatentes (ver) e os 800000 que combateram nessas guerras assimétricas sabem que o terrorismo só pode ser combatido com retaliação, com punição colectiva. A questão está no nível aceitável de retaliação. 
Se um bombista suicida tenta entrar no objectivo "protegido" por civis mesmo que seja contra a sua vontade, não sobra outra solução que abater os inocentes. Se usam uma ambulância, uma escola, hospitais ou outra coisa qualquer, custa muito mas têm que levar chumbo.
É que se não for assim, Israel torna-se imediatamente indefensável.
No limite, se continuarem a cair misseis da Faixa de Gaza, o território terá que ser evacuado, minado e deixado aos animais. Não será nada diferente do que está a acontecer no Iraque com os Cristão.
Expulsar, destruir as igrejas e, quem ficar para trás, abatido.
E não vejo os esquerdistas do nosso parlamento a propor um voto de pesar pelos cristão do Iraque nem aos bombardeamentos indescriminados do Assad na Síria.
Já quase me esquecia. É que a Síria é aliada da Rússia e, mesmo já tendo acabado a URSS e o comunismo, os nossos comunas ainda vêm a Rússia como a sua "pátria".

Pedro Cosme da Costa Vieira.

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