sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

O número 3577

Um prejuizo de 3577 milhões de euros é uma coisa muito importante. 
Esta soma, imaginando tudo em notas de 5€, corresponde a qualquer coisa como 425 toneladas de notas (uma nota de 5€ pesa 0,6 g). 
Para assaltar um banco e levar esta soma precisaríamos de 17  camiões TIR cheinhos. 
Dividindo este prejuízo por cada um dos 4,5 milhões portugueses que temos empregado, teríamos que pagar 66€/mês, durante um ano. 
Mas, apesar de ser muito grande, isto é apenas uma parte das perdas do Grupo Espírito Santo. Outras perdas vão ser contabilizadas, por exemplo, na Portugal Telecom. 
Estas perdas tiveram um impacto imediato na vida das pessoas que colocaram as suas poupanças em acções dos grupos económicos expostos ao Grupo Espírito Santo. Por exemplo, em 1/1/2014 a cotação do Banco Espírito Santo era de 1,05€/acção e hoje andou nos 0,10€/acção. A cotação da Portugal Telecom era de 3,20€/ acção e hoje está nos 1,60€/acção. 
O BES atingiu uma cotação máxima de 17,32€/acção (Julho 2007). 
Uma pessoa muito rica porque tinha, em Julho de 2007, 10 milhões € em acções do BES, hoje terá 60 mil € (vou-me esquecer dos direitos dos aumentos de capital). Hoje tem 0,5% da riqueza que tinha em Julho de 2007, perdeu 99,5% da sua riqueza.
Se o Grupo Espirito Santo se endividou dando como garantias a sua posição no BES que valia qualquer coisa como 2000 milhões€, hoje só tem 12 milhões e deve, à sua conta, 2000 milhões €.

Já não podemos acreditar que o espírito-santo nos vai salvar

Será que vamos ter que pagar este buraco?
Directamente como pagantes de impostos, não mas a descoberta desta "perda de capital" vai ter impacto na economia, com empresas a falir e a redimensionar as suas operações o que causará redução da receita fiscal que precisaremos de tapar. Também vai causar desemprego. 
Podemos ter a certeza que estas perdas vão ser canalizadas pela economia e acabarão por cair, mais nuns que noutros, em cima de todos nós. 
Apesar de sermos invejosos, teria sido muito melhor que o BES tivesse anunciado lucros em Angola de 3577 milhões de euros. Sempre seriam uns 700 milhões € de IRC a entrar nos cofres do Estado. 

Vamos ver a minha lógica.
Como pessoas pagamos impostos, estou-me a lembrar do IRS, IVA, TSU, IMI, selo, produtos petrolíferos e tabaco. Em troca recebemos serviços de saúde, estradas, segurança, etc., e, quando ficamos necessitados, por exemplo, desempregados ou doentes, recebemos subsídio para não morrermos de fome e de doença. 
Mas as empresas também pagam impostos, só o IRC, imposto que se aplica apenas sobre as empresas, nos últimos 10 anos cerca de 4500 milhões € por ano. 
Sendo assim, quando as empresas estão à rasca, têm direito a serem socorridos com o imposto que ano após anos pagam para financiar o Estado. 
Nos últimos 10 anos as empresas pagaram cerca de 45 mil milhões € de IRC e o BPN custou na ordem dos 5000 milhões€. 

E como fica o Banco Espirito Santo?
O BES tem um activo na ordem do 80 mil milhões €, talvez um pouco menos. E tinha, antes do anúncio do prejuízo colossal, um capital na ordem dos 6000 milhões de €. Então, por cada 100€ de activo tinha 7,50€ de capital próprio e 92,50€ de dívida. 
O capital serve para cobrir os imponderáveis do negócio bancário e um imponderável aconteceu, o que reduziu o capital para menos de metade, 2,5 mil milhões€. Cada 100€ de activo tem agora 3,10€ de capital próprio. 
O capital próprio está bastante baixo, apenas 3% do activo mas, acreditando que os esqueletos foram todos descobertos, ainda é um número que afasta para muito longe a probabilidade de falência.

Mas a capitalização bolsista está bem pior.
O valor contabilistico de cada acção é de cerca de 0,45€ e a cotação actual é de 0,12€.
Isto traduz que o "mercado" está a avaliar os 2500 milhões€ de capital prórpio em apenas 675 milhões €. O mercado indica que anda há 1750 milhões € de prejuixo escondidos nas contas do BES. 
Mas o capital próprio ainda não está a zero!

Será que o BES vai precisar de ajuda pública?
Nas duas últimas semanas de Julho a cotação do BES esteve nos 0,45€/acção o que traduzia que os investidores sabiam que seria anunciado um prejuízo na ordem do apresentado, de 3577 milhões€.
O problema é que hoje a cotação está nos 0,11€/acção o que indicia que novas más notícias estão para ser reveladas. Pode ser apenas uma reacção nervosa do mercado mas o mais certo é serem más notícias, tipo, que a garantia do estado angolano ao BES Angola é inválida. 
Se se concretizar o que o mercado está a dizer, o BES vai precisar de um aumento de capital de pelo menos 5000 milhões € e não acredito que haja quem arrisque meter tanto dinheiro lá. 
Mas uma coisa é ser preciso meter lá 5000 milhões€ e outra coisa é esse dinheiro estar perdido como aconteceu no BPN. 
Vai ser preciso o Estado meter lá dinheiro mas não será nada parecido com o BPN que, antes da nacionalização, já tinha 2000 milhões € de capital negativo. Na pior das situações, o BES ainda tem 600 milhões€ de capital.

O "problema" é que precisamos de empresas.
As empresas, às vezes, dão problemas para a sociedade mas são imprescindíveis à economia. 
As empresas, por serem de responsabilidade limitada, servem para proteger os empreendedores de riscos incontroláveis. 
Se não houvesse empresas, haveria muito menos investimento em actividades de risco o que faria diminuir o crescimento económico. 
O comunismo/socialismo tentou criar uma sociedade sem empresas e sem empresários mas, como vimos na URSS, Cuba, Coreia do Norte, Moçambique, Guiné-Bissau, etc. etc., foi um caminho rápido para o empobrecimento.
As empresas são como o nosso automóvel: nós sabemos que nos pode matar mas não podemos viver sem ele.

É nesta altura que apetece ser um daqueles polícias que, com o povo encostado à parede, fazem a revista à procura de armas sabe-se lá onde. Mas esta imagem era para dizer que, apesar de sabermos que as mulheres nos podem dar cabo da vida, não podemos viver sem elas.

O comissário europeu.
Vem mesmo a propósito, depois de desaparecerem 3577 milhões de euros, o governo indicou para  comissário europeu  o Moedas. 
Bem sei que não devemos fazer piadas com o nome das pessoas mas vem mesmo a calhar.
Já agora, quem terão sido os comissários anteriores?
Ninguém se lembra pelo que ir para lá este ou outro qualquer, excepto para o próprio que passa a receber uma boa maquia livre de IRS, dá tudo no mesmo. 

A batalha de Gaza.
Aquilo está a ficar feio, quando chegar a 1800 mortos teremos uma morte em cada 1000 pessoas que lá vive. 
Para podermos enquadrar estes números noutras guerras, 

Batalha de Gaza (25 dias) => 0,9 morto por cada 1000 habitantes.
Guerra do Iraque (desde 2003) => 5 mortos por cada 1000 habitantes. 
Guerra da Síria (desde 2011) => 8 mortos por cada 1000 habitantes.

Mas comparemos com uma guerra a sério (Segunda Guerra Mundial), 
   Bielorússia  => 253 mortos em cada 1000 habitantes.
   Ucrânia  => 163 mortos em cada 1000 habitantes.
   Polónia  => 165 mortos em cada 1000 habitantes.
   Rússia => 127 mortos em cada 1000 habitantes.
   Timor (Segunda Guerra Mundial) => 120 mortos em cada 1000 habitantes.
   Alemanha (Segunda Guerra Mundial) => 100 mortos em cada 1000 habitantes.

E com matanças a sério (judeus na WWII), 
   Holanda => 915 mortos em cada 1000 habitantes.
   Jugoslávia => 890 mortos em cada 1000 habitantes.
   Lituânia => 880 mortos em cada 1000 habitantes.
   Polónia  => 877 mortos em cada 1000 habitantes.
   Grécia => 863 mortos em cada 1000 habitantes.

Em 1939 viviam na Polónia 3,2 milhões de judeus e hoje vivem lá 3200.
Estes números mostram o que é um verdadeiro genocídio, uma verdadeira "limpeza étnica". 
Por cada 1000 que lá viviam, agora vive lá 1.
Esta guerras da Síria, Iraque ou Gaza são pequenas amostras do que pode atingir a brutalidade de uma guerra.

Será Gaza viável?
Gaza tem 1,8 milhões de habitantes em 360 km2 (rendimento per capita de 800USD, ver) .
Singapura tem 5,3 milhões em 716 km2 (rendimento per capita de 61000USD, ver).
Gaza tem uma densidade de 5000 pessoas por km2 e Singapura tem de 7600 habitantes / km2.
Mesmo implementando uma "zona de segurança" ao longo da fronteira com 3 km de largura, Gaza fica com a mesma densidade de Singapura o que indica que é totalmente viável. 
Não pode ser um país agrícola mas pode ser uma cidade prospera. 
Por exemplo, a cidade de Manila nas Filipinas tem 43 mil habitantes por km2 e nos centros das cidades chegam a haver uma densidade até as 100 mil pessoas por km2. O Gueto de Varzóvia tinha uma densidade de 112 mil pessoas por km2 (380 mil pessoas em 3,4 km2).

A Gaza pode ser uma cidade rica principalmente porque está bem localizada (no Mediterrâneo) e tem acesso a energia barata (gás natural do Egipto). 
O problema é que para se desenvolver precisa de paz. E, apesar de, penso eu, a maior parte da população querer viver em paz, poucos fazem muito prejuízo. 

Não sei bem o que se passa na Líbia.
Quando foi a "Primavera Árabe" eu disse a uma colega minha, a APD, que estava muito entusiasmada com as revoluções comparando-as com o nosso 25-de-abril, que poderia ser o nosso 28-de-maio, altura em que começou a ditadura do Salazar.
Não sei o que irá na cabeça do líbios mas talvez tenha a ver com o petróleo estar no Leste, em Bengazi,  e 1/3 da população e o poder estarem no Ocidente, em Tripoli. 
E a Líbia é importantíssima para a Europa como potencial fornecedor de gás natural mas custa a estabilizar.

Os campos de petróleo líbios estão no deserto, entre Bengazi e Sirte.

São muitas guerras à nossa volta.
É a Ucrânia, o Iraque, a Síria, Israel, Líbia e o BES. 
A Europa está a ficar cercados por guerras.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

O Costa e a restrição orçamental

Há uns dias o António Costa lançou "a estratégia para 2025". 
Mesmo sendo um génio, o Costa não consegue avançar com uma única linha sobre o que vai fazer em alternativa ao que o Sócrates acordou com a Troika para sairmos da bancarrota que resultou de 15 anos de guterrismo-socratismo.
Sendo que o Costa não vê alternativa, acredita que o resto do nosso povo não percebe nada de nada e que, por isso, vai conseguir captar votos lançando frases vazias mas com convicção.
Tal qual as missas, basta ter boas mamas e dizer "Vou acabar com a guerra e a fome no Mundo" para ser eleito.
Faz parte da estratégia para ser primeiro ministro entre 2015 e 2019 falar sobre o que é preciso fazer lá para 2025! É como comprar uma lata para matar mosquitos com uma campanha de marketing que diz:

  Compre esta lata e, daqui a 6 meses, todos os mosquito terão morrido de velhice

Já na antiguidade se sabia que a melhor forma de convencer os ignorantes era complexar a conversa com conceitos confusos e prometer a felicidade "na outra vida", uma "vida eterna  no paraíso" depois da morte com a companhia de 72 devoradoras virgens.
O problema de prometer a felicidade para depois de morrermos é que os mortos sofrem de impotência sexual grave que nem uma caixa de viagra resolve e ... 

as virgens mortas perdem rapidamente o sexappeal. 

O investimento, o lucro e o salário.
Vamos imaginar uma economia simples em que produzo milho com o meu trabalho e terra pela qual pago uma prestação. 
H1 => A terra é o capital da economia pelo qual é paga uma prestação (a remuneração do capital); 
H2 => A produção segue uma relação funcional em que M quantifica a área da terra:
     Produção = M^0,3 x 40 ^0,7
Esta relação codifica que existe complementaridade entre capital e trabalho e que, no ponto óptimo, o capital recebe 30% da produção e o trabalho 70%.
H3 => Com 200m2 e 40h/sem, a produção vai ser de 64,8kg/sem que se divide pelo meu salário, 44,8kg/sem, e pela remuneração do capital, 20kg/sem.

A Economia e as Finanças
Os esquerdistas gostam muito de confundir estes dois conceitos. O Costa, uma vez mais, veio com a cassete de que "temos que nos concentrar na Economia e deixar as Finanças".
Mas Economia e Finanças são as duas faces de uma mesma moeda. São a mesma coisa, tal e qual, mas com outros nomes.  
A Economia trata da realidade em termos físicos. Nesta face da moeda temos o capital (a terra) e a remuneração do capital (a renda).
As Finanças tratam da realidade em termos monetários. Nesta face da moeda temos o valor financeiro do capital (o preço da terra) e a taxa de juro.
São duas faces da mesma moeda que se relacionam em termos numéricos através da expressão da renda perpétua:

    Finanças                                                 = Economia
    Valor financeiro do capital x Taxa de juro = Renda

Se a taxa de juro for de 0,1%/sem e a renda de 0,1kg/sem/m2 então, o valor do terreno será de 100kg/m2 (preço do capital).

Se umas máquinas, o capital, rendem 300€/mês (líquidos de impostos) e a taxa de juro é de 3%/ano então, o valor das máquinas (realidade financeira) será de 12*300/0.03 = 120000 €.


Economia e Finanças são duas faces da mesma moeda

Podia arrendar os 200m2 de terra por 20kg/sem (pedia "emprestado" capital físico)  ou comprava a terra com um crédito de 200x100 = 20000kg pelo qual pagava 0,1%/sem de taxa de juro, 20000 x 0,1% = 20kg/sem (pedia "emprestado" capital financeiro).
Seria exactamente a mesma coisa. A diferença é que num caso a terra pertence-me mas eu devo "dinheiro" pelo qual pago uma prestação e noutro caso, a terra não me pertence e eu pagava uma prestação.

O défice público e o salário.
Se a minha produção liquida é de 44,8kg/sem, não posso comer mais do que esta quantidade sem me endividar. Neste caso, outras pessoas têm que comer menos que o que produzem para me possam emprestar o que eu como a mais do que produzo.
Para alguém ter défice, outro qualquer tem que ter superavit. 
Por exemplo, para eu consumir 50kg/sem, tenho que aumentar a minha dívida em 5,2 kg/sem pelo que um vizinho meu tem que consumir apenas 39,6kg/sem.
Mas o Guterres e o Sócrates usaram outra estratégia para eu poder comer mais do que produzo: puxaram o défice das famílias para o Estado e foram-se endividar lá fora.
O Estado assumiu o défice da economia cobrando menos impostos que o valor da despesa pública. Em termos simples, povo pagava 13kg/sem de impostos (no modelo, uma taxa de imposto de 20% sobre a produção total) mas recebia do Estado 18,2kg/sem em subsídios e serviços prestados. 

O défice público esconde a violação da nossa restrição orçamental.
Nós queremos ter uma vida como a das crianças que, não produzindo nada, acham sempre que têm direito a todos os brinquedos, sem precisarem de saber de onde vem o rendimento. Se não recebem os brinquedos, fazem birra que são as manifes dos esquerdistas.
Sempre que trabalhamos numa empresa que tem prejuízo, vivemos numa família que se endivida ou num Estado que tem défice, estamos a consumir acima das nossas possibilidades, i.e., estamos a violar a nossa restrição orçamental.
O problema é que não damos conta disso e não temos, ou não queremos ter, inteligência suficiente para o entender. Atirar as culpas para a "baixa produtividade", os "maus gestores", os "maus governantes", o "grande capital", a "banca" e o seguro, a porta e o coelho é muito mais fácil que assumirmos que fazemos parte do problema.
Mas, de facto, nós fomos os culpados da dívida pública porque recebemos serviços públicos e subsídios acima do que pagamos em impostos.
E fomos nós que elegemos o Guterres e o Sócrates.

Como podemos ter um salário superior?
Trabalhando mais horas. 
Se, em vez das 40h/sem, eu trabalhar 60h/sem, a produção aumenta para 86,1kg/sem que, descontando a renda, aumenta o meu rendimento líquido de 44,8kg/s para 66,1kg/sem.
Sim mas isso não parece interessar aos esquerdistas porque o trabalhador não foi feito para trabalhar.

E, como dizem os esquerdistas, investindo e aumentando o capital? 
O investimento é o aumento do capital.
Vou aumentar a terra para 515m2 de forma a obter, como com o aumento do trabalho, uma produção de 86,1kg/sem. Agora, apesar de a produção aumentar, como é preciso pagar mais renda, o salário diminui para 34,6kg/sem.
Não.

O investimento fora da decisão económica reduz o nível de vida.
O nível de vida das pessoas de um país apenas aumenta com o investimento se ele for decidido dentro da decisão económica. Quero com isto dizer que o investimento tem que ser pertinente, surgindo no quadro de funcionamento da economia em que o investidor procura maximizar o seu lucro e o trabalhador o seu salário.
Investir como arma política para ganhar votos leva, invariavelmente, à redução do nível de vida das pessoas, sejam elas aforradores (baixa dos juros), investidores (baixa dos lucros) ou trabalhadores (baixa dos salários).

O Espírito Santo Salgado vai ser o ministro das finanças do próximo governo socialista..
E o Álvaro Sobrinho (do BES Angola) vai ser Secretário de Estado.
Porque o Sobrinho é especialista em write-off de dívidas à banca e o Salgado é especialista em reestruturação de dívidas. 
Sobre o calote da Rio-Forte à Portugal Telecom, o melhor é o Granadeiro ir às dívidas do PT e também as reestruturar proporcionalmente. 
Reestruturar as dívidas é uma "maravilha" inventada pela esquerda para liberta as famílias, as empresas e os Estados dos passivos. O problema é que também destrói os nossos activos.
Para a raposa comer, a galinha tem que ser comida.

As reformas estruturais.
Os esquerdistas não dizem o que estão a pensar quando falam em reformas estruturais.
Para reformar é preciso alterar o que temos. Portanto, precisamos de propostas de mudança.
E o que será que o Costa vai mudar?
Pelos vistos vai voltar ao tempo do Grande Líder, ao tempo do Sócrates.
O consenso dos especialistas referem que reformas estruturais passa por flexibilizar o mercado de trabalho, acabar com as empresas públicas, equilibrar o sistema de pensões, reduzir a despesa pública em termos de percentagem do PIB.
Mas o Costa não refere nada disto.

Vamos à Guiné Equatorial.
É um país muito pequeno, 3/4 a área da Guiné-Bissau e, que, até 1995, também era um dos paises mais pobres do Mundo. Aconteceu o milagre de, em 1995, ter sido descoberto uma importante jazida de petróleo. Entre 1993 e 2005 o PIB per capita foi multiplicado por 24, cresceu a uma média de 30%/ano, tendo passado de 473USD/ano para 11457USD/ano.

Mas aquilo é uma tirania.
Ok, até pode ser uma tirania segundo os padrões portugueses mas, relativamente a África, está na média.
Por exemplo, a mortalidade até aos 5 anos era, em 1985 era de 20% (morria uma criança em cada 5 que nasciam) e em 2013 foi de 10% (morre uma criança em cada 10). Estes números são astronómicos, se transpostos para Portugal traduziriam a morte de 8000 crianças por dia mas é o normal em África. Na Guiné-Bissau morrem 12,9% e em Moçambique 9,0% das crianças antes dos 5 anos de idade.
É terrível mas está a melhorar.
Não é fácil uma economia passar de 400USD/ano para 12000USD/ano, digerir a multiplicação do PIB por 30 em pouco mais de uma década.
Temos que dar tempo ao tempo.

Comparação entre o crescimento do PIBpc da China e da Guiné-Equatorial (Dados: Banco Mundial)

Em termos históricos e geográficos, cabe como uma luva na CPLP.
Em tempos, até 1778, a Guiné Equatorial (melhor dizendo, a Ilha de Fernão Pó) foi colónia portuguesa, quando foi oferecida à Espanha.
A ilha de Fernão Pó (Bioko) tem quase o triplo da ilha da madeira e 260 mil habitantes, 1/3 da população da Guiné Equatorial e foi importante na economia portuguesa do séc. XVI quando se tornou o principal fornecedor de açúcar à Europa.
Depois, também muitos dos escravos que levamos para o Brasil circularam por esta ilha e, por isso, muitos brasileiros localizam os seus antepassados na Guiné Equatorial.
Era o famoso Comercio Triangular que estudamos na Escola Primária em que um dos vértices era na ilha de Fernão Pó.
E os esquerdistas esquecem-se de dizer que São Tomé e Príncipe faz fronteira com a Guiné Equatorial e partilha os campos petrolíferos e de gás. E a ilha de Príncipe só tem 5000 habitantes o que, atendendo ao referendo da Crimeia, pode vir a ser ocupada e "emancipada", por exemplo, com o patrocínio da Nigéria que é um colosso (tem "apenas" 170 milhões de habitantes).

São Tomé e Príncipe partilha o seu petróleo com a Guiné Equatorial

Por isto tudo, faz todo o sentido que as fortes ligações entre Portugal, Brasil e a Guiné-Equatorial se materializem com a passagem deste pequeno país para a CPLP.
Não falam português mas também na Guiné Bissau não falam.
É uma oportunidade para exportarmos bens (por exemplo, móveis), e quadros qualificados pois é um pequeno país em acelerado desenvolvimento.
É assim tipo Timor mas mais perto e melhor governado pois Timor, mesmo com petróleo, não sai da cepa torta.
Vamos ter um pouco de paciência porque uma democracia não se faz de um dia para o outro, basta olhar para Angola onde o "respeitado presidente" nunca foi eleito e está lá desde 1979. Como escreveu o Tribunal Constitucional de Angola "José Eduardo dos Santos pode-se candidatar a um novo mandato que será o primeiro pois, até à data, ainda não cumpriu nenhum".
Mas Angola, no olhar da Ana Gomes, ou Moçambique onde o candidato da oposição tem que andar escondido para não ser fuzilado, devem ser democracias consolidadas.

Com 35 anos de presidência, está a um ano de ultrapassar os 36 anos de governação do nosso Salazar sem nunca ter cumpriu nenhum mandato (TCA). E tudo isto em democracia.

E como vai a execução orçamental.
Vai difícil mas a consolidação é algo muito difícil de fazer.
O ano passado conseguisse os 4,9% mas com muitas medidas de emergência pelo que não é fácil fechar 2014 com os 4% pretendidos.
Mas a coisa está calma com as taxas de juro a reflectir isso mesmo. Por exemplo, a taxa de juro a 5 anos tem, nos últimas 10 semanas, oscilado entre 2,2%/ano e 2,6%/ano o que resulta de uma variação na cotação das obrigações em torno da média na ordem dos 1%, o que é pouco.
 
A taxa de juro das obrigações do tesouro portuguesas estão nos 2,4%/ano, abaixo dos 3%/ano defendidos pelos bancarrotanos

E a "guerra" em Israel?
É o problema das guerras assimétricas. 
Portugal viveu em África, durante 13 anos, guerras de guerrilha onde morreram 8831 combatentes (ver) e os 800000 que combateram nessas guerras assimétricas sabem que o terrorismo só pode ser combatido com retaliação, com punição colectiva. A questão está no nível aceitável de retaliação. 
Se um bombista suicida tenta entrar no objectivo "protegido" por civis mesmo que seja contra a sua vontade, não sobra outra solução que abater os inocentes. Se usam uma ambulância, uma escola, hospitais ou outra coisa qualquer, custa muito mas têm que levar chumbo.
É que se não for assim, Israel torna-se imediatamente indefensável.
No limite, se continuarem a cair misseis da Faixa de Gaza, o território terá que ser evacuado, minado e deixado aos animais. Não será nada diferente do que está a acontecer no Iraque com os Cristão.
Expulsar, destruir as igrejas e, quem ficar para trás, abatido.
E não vejo os esquerdistas do nosso parlamento a propor um voto de pesar pelos cristão do Iraque nem aos bombardeamentos indescriminados do Assad na Síria.
Já quase me esquecia. É que a Síria é aliada da Rússia e, mesmo já tendo acabado a URSS e o comunismo, os nossos comunas ainda vêm a Rússia como a sua "pátria".

Pedro Cosme da Costa Vieira.

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

O relatório da natalidade são só banalidades

O nosso problema é sermos racistas. 
Saiu um estudo sobre o "problema da natalidade"  (ver) que falha totalmente na identificação do problema.
É certo que, com a nossa fertilidade nos 1,30 filhos por mulher, no fim do século XXI já só haverá em Portugal 3 milhões de descendentes dos actuais portugueses. Mas quando há milhares de jovens que todos os dias tentam entrar na Europa e que, quando não morrem afogadas, são internados em campos de concentração e repatriados o mais rápido possível, não podemos dizer que nos preocupamos com a falta de jovens.
Para quê preocuparmo-nos a fazer nascer, aturar, alimentar, educar e escolarizar pessoas quando há milhões de jovens disponíveis por esse mundo fora a custo zero?
A razão está em sermos racistas e conservadores.
O que não queremos é africanos, magrebinos, brasileiros, vietnamitas ou indianos por aqui porque não aceitamos que se altere a "nossa matriz genética/ líguística/ cultural".

Fig. 1 - Para quê fazermos criançinhas se as etíopes são tão queridinhas? 

Achei interessante um comentário. 
Estava a ouvir um debate na TV e uma paineleira disse "a França conseguiu resolver o problema da baixa natalidade" a que outro respondeu "porque deixou entrar 5 milhões de magrebinos que têm muitos filhos". A outra pessoa rematou "não vamos agora separar os filhos dos magrebinos dos dos outros franceses porque isso é racismo".
Mas isto é apenas uma mentira "politicamente correcta". Se tanto dá ter portugueses filhos de magrebinos como filhos dos parolos que por cá vivem então, mandem-se logo vir magrebinos já criados e prontos a trabalhar porque criar filhos dá chatices e custa muito dinheiro.

1 - Será que precisamos mesmo de mais filhos?
O relatório sobre a natalidade encomendado pelo PSD deveria, como ponto prévio, provar que precisamos de ter mais filhos.
De que serve propor medidas para que as mulheres tenham mais filhos se não se começa por provar que essa necessidade existe?
É certo que nós temos um défice anual de 40 mil crianças mas existe uma alternativa, a importação de jovens já prontos.
Qualquer estudo sobre demografia tem que avaliar se será melhor fazermos nós essas crianças, gastando tempo e dinheiro na sua criação, educação, alimentação e escolarização ou se será melhor mandarmos vir do estrangeiro os 40 mil jovens por ano de que temos falta.

Até podemos impor critérios para a selecção dos imigrantes:
   1 => Cristão.
   2 => Coeficiente de inteligência superior a 115 pontos.
   3 => Cor da pele inferior a 27 pontos (na escala de von Luschan);
   4 => Pelo menos 11 anos de escolaridade.

Fig. 2 - Escala de cor da pele de von Luschan. Os portugueses estão, maioritariamente, entre o 12 e o 18. 

Será a selecção nas fronteiras um sistema de apartheid?
Claro que sim mas todos os países o fazem.
Os países têm o direito de barrar a entrada a quem bem entenderem. A Austrália recebe todos as pessoas que falem inglês e sejam brancas mas não quer mais ninguém.
Com o nosso país é igual aos outros, temos o direito de só deixar entrar quem entendermos, por exemplo, os vistos gold só deixam entrar as pessoas com dinheiro.
O verdadeiro apartheid (da África do Sul) era, dentro de um mesmo país, obrigar as etnias africanas a viver à parte das etnias europeias. Era um sistema de ghettos em que, na mesma cidade, os grupos étnicos moravam em bairros separados.

Podemos recrutar por esse mundo fora só os melhores.
Ser cristão não coloca o problema de termos as nossas ruas de povo com o cu para o ar a dar graças a Deus.
E não é demasiado restritivo porque existem milhões de cristãos por esse mundo fora que vivem na pior das pobrezas. Vou dar apenas o exemplo da Etiópia mas existem muitos mais por aí.

Na Etiópia há 45 milhões de cristãos cooptas. 
Considerando a média da população, os cristão têm 1,5 milhões de filhos por ano, 4,5 filhos por mulher.
50% da população etíope é cristã e vive em miséria extrema, com um rendimento médio inferior a 0,50€ por dia. O salário médio, quando existe um emprego, anda nos 30€/mês.
Além disso, existem 4 milhões de crianças órfãs.
Então, podemos facilmente ir às comunidades cristãs da Etiópia e seleccionar 40 mil jovens por ano do melhor que houver por lá.

Fig. 3 - Teremos uma "Rosa Mota" mais morena mas voltaremos a dar cartas na maratona. E, nem são feias de todo, dava-se-lhes um jeito.

Mas o melhor é começar cedo.
Como queremos pessoas escolarizadas e as famílias etíopes não as conseguem mandar à escola porque são muito pobres (60% dos etíopes não sabe ler nem escrever), precisamos iniciar o processo de recrutamento quando as crianças ainda são pequeninas.

Fase 1 - Selecção
A) Aos 6 anos, à entrada na escola primária, fazemos um teste para seleccionar as 250 mil crianças  mais brancas e, potencialmente, mais inteligentes, 17% da população infantil, a quem atribuímos uma bolsa de estudo de 5€/mês. Parece-nos pouco mas é suficiente para que uma criança etíope possa ir à escola.

B) Aos 10 anos, quando as crianças concluem o ensino primário, fazemos um desbaste escolhendo as 50 mil mais brancas e com melhores notas. A estas crianças aumentamos a bolsa de estudo para 25€/mês para que possam frequentar o ensino secundário.
Provavelmente a Etiópia não vai deixar que ensinemos português aos seus alunos mas, como ajudamos 250 mil, pode ser possível que no secundário as 50 mil já tenham uma disciplina de língua e cultura portuguesa.

C) Aos 17 anos, quando os jovens concluem o ensino secundário, fazemos o desbaste final pegando nos  melhores 40 mil, metemo-las num avião e trazemo-las para cá.
Este processo é duplamente positivo. Por um lado, ajudamos 250 mil crianças pobres a frequentar a escola primária e, por outro lado, ficamos com os 40000 melhores.
O custo desta fase de selecção é na ordem dos 165 milhões€ por ano, 4000€ por cabeça.

Fase 2 - Aculturação
D) Quando os jovens chegarem a Portugal, metemo-los na escola durante um ano a fazer o 12.º ano onde aprendem português, a nossa história e cultura e damos uma refrescadela aos conhecimentos em matemática e ciências da natureza.

E)  Pegamos nos 10 mil com melhores notas nesse 12.º ano e damos-lhes uma bolsa para tirarem uma licenciatura.
A aculturação fica mais cara porque é feita em Portugal. Um ano na escola mais 3 anos na universidade para 25% dos jovens implica um custos na ordem dos 330 milhões€/ano, 8000€ por cabeça.

Fase 3  - Trabalhar
Teremos cada ano mais 40 mil jovens morenos, inteligentes, com o ensino secundário concluído dos quais 10 mil serão licenciados.
Agora é só deixar o mercado de trabalho digerir esta força de trabalho.

Na minha opinião, é melhor importar jovens da Etiópia do que fazê-los por cá.
Criar um jovem com o 12.º ano em Portugal custa ao Estado 60 mil€ e aos pais 30 mil€. Se o quisermos licenciado, temos que acrescentar 25 mil€ à despesa do Estado e outros 25 mil€ aos pais.
(ver, custos do ensino primário, 2300€/ano/aluno, e secundário, 4600€/ano/aluno, Tribunal de Contas)
Em média, um jovem nascido em Portugal custa 100000€ enquanto que um etíope, que apenas tem a diferença de ser um pouco mais moreno, custa 12500€.
Para termos mais 40000 jovens por ano, se forem feitos cá custam 4 000 milhões € enquanto que se forem importados, custam 500 milhões €.

2 - Porque diabo as mulheres não têm filhos?
O segundo ponto de investigação deveria ser a descoberta das razões que levam as mulheres a não ter filhos.
Se alguém tem falta de ar, não se lhe vai dar um antibiótico contra a tuberculose sem saber se o problema não será uma crise asmática ou um cancro no pulmão.
Avançar com medidas antes de saber as causas é tempo perdido.
Se a redução da natalidade é um tendência de longo prazo, é preciso procurar, usando métodos científicos e não apenas o senso comum, uma explicar para evidencia empírica.
O que nós observamos é que:
     1) As pessoas mais pobres têm mais filhos.
     2) A natalidade está a diminuir há já 40 anos.
Controlando pelo aumento do rendimento, mesmo assim, a natalidade tem diminuído ao longo dos anos.

Fig. 4 - Evolução da fertilidade (filhos por mulher) por níveis de rendimento (dados: Banco Mundial)

Se se verifica que são os pobres que têm mais filhos, não podemos defender o aumento do rendimento disponível para que as pessoas para que tenham mais filhos (ver Fig. 1 e Quadro 1).

Década Elevado Médio Baixo
1960 2,73 5,78 6,60
1970 2,14 4,78 6,55
1980 1,89 3,81 6,10
1990 1,71 2,98 5,31
2000 1,66 2,50 4,58
2010 1,69 2,40 4,15
Quadro 1 - Evolução da fertilidade (filhos por mulher) ao longo das décadas em função do nível de rendimento dos países (dados: Banco Mundial)

O que a ciência diz sobre a decisão de ter filhos.
Todas as decisões humanas resultam de um problema de maximização. E todos os problemas de maximização podem ser divididos numa análise custo benefício em que se maximiza a diferença entre o custo e o benefício de ter um filho.
Dó temos que identificar quais são os custos e quais são os benefícios.

Custos de ter filhos.
Como todos nós somos filhos e alguns de nós pais, todos somos capazes de identificar os principais custos.

1) Custos humanos. A mulher considera andar grávida como um custo. Em termos físicos, andar com o peso é um sacrifício a que se acrescenta que vai engordar, ficar com as mamas descaídas, estrias, celulite, varizes e, nos casos mais grave, pode mesmo ficar com problemas de saúde. Em termos profissionais, vai perder um ano de trabalho e, durante a infância da criança, vai perder dias de trabalho, disponibilidade para viajar e concentração porque tem a prisão da criança.
Cada vez mais, o custo de tomar conta da criança também passa para o pai.

2) Os custos financeiros. A alimentação, infantário, roupa, casa, água, transportes etc. custam muito dinheiro. Numa família de rendimento médio, uma criança/jovem custa na ordem dos 150€/mês o que, em 21 anos, soma 40 mil€. Ter 2,1 filhos representa um investimento por parte dos pais de 80 mil€.

Quando o rendimento das pessoas aumenta, os custos humanos ficam maiores. Se o salário dos pais é menor, o tempo que gastam a criar as crianças tem menos valor pelo que, nos pobres, o custo humano de produção é menor. Também com menos rendimentos a criança tem menores custos financeiros porque, como sociedade, não permitimos que os mais ricos imponham aos seus filhos a mesma vida austera que fazem os pobres.
Em termos financeiros, se um pobre sustenta 2 filhos, um rico poderia sustentar 10 filhos mas a nossa sociedade não permite que um rico tenha 10 filhos pobres. Basta ver como os nossos tribunais obrigam os pais mais ricos a pagar pensões de alimento mais elevadas. Mas as crianças não têm todas os mesmos direitos? Se o filho de um pobre aguenta ser sustentado com 85€/mês, um filho de um rico também tem que aguentar.

Benefícios de ter filhos.
Vamos ver alguns dos benefício para os pais.

1) Benefícios humanos. A criança é um brinquedinho mais engraçado do que um cão. Fala, diz coisas engraçadas, está sempre à nossa beira, dá para vestir umas roupinhas bonitas. E, quando os pais forem velhinhos e menos válidos, os filhos vão tomar conta deles evitando assim que morram abandonados.

2) Benefícios financeiros. Um dia a criança vai trabalhar. Então, quando formos velhinhos imaginamos que os nossos filhos nos vão ajudar porque se lembram do que custaram a criar. Se investimos 80000€ nos nossos filhos mais milhares de horas, imaginamos que os nossos filhos nos vão, pelo menos, devolver esses 80 mil € mais juros.
O problema é que esta devolução é problemática (tem risco elevado) porque não existe nenhum mecanismo legal que obrigue os filhos a pagar aos pais o investimento feito.

Quando o rendimento das pessoas aumenta, os custos humanos de tomar conta dos pais aumenta. Então, em termos humanos, a probabilidade de os ricos não darem atenção aos pais é maior do que a dos pobres.

Vou fazer uma simulação.
Para criar uma criança:
    1 => Em termos humanos, os país gastam 15000 horas de trabalho.
    2 => Os pais gastam 10% do seu rendimento.
    3 => O Estado gasta 100000€ em cada criança.
    4 => O rendimento do filho é o custo de produção a dividir por 20 anos.
    5 => Na velhice, os pais precisam de 7500 horas de trabalho dos filhos.

H1 => Pais ganham 3€/hora 
O filho custará 170000€ dos quais 70000€ investidos pelos pais.
O rendimento do filho vai ser de 705€/mês
Para o filho, amortizar o investimento dos pais, o tempo gasto corresponde a 33000€ e a amortização da dívida financeira corresponde a 100 meses de trabalho.

H2 => Pais ganham 10€/hora
Filho custará 330000€ dos quais 230000€ investidos pelos pais.
O rendimento do filho vai ser de 1380€/mês
Para o filho, amortizar o investimento dos pais, o tempo gasto corresponde a 64000€ e a amortização da dívida financeira corresponde a 167 meses de trabalho.

Contra o senso comum. Como o Estado paga grande parte, através dos nossos impostos, dos custos de criar um filho (o custo médico e escolar), em termos financeiros e humanos é mais benéfico para os pobres terem filhos que os ricos.
Afinal, a ciência consegue explicar porque os ricos têm menos filhos que os pobres!

O que fazer para aumentar a natalidade?
Como já tenho uma ideia da forma como funciona a tomada de decisão quanto a ter filhos, já posso avançar com medidas para aumentar a natalidade.

Medida 1 => É calculado um custo padrão de criar um filho em termos humanos e financeiros e os filhos ficam legalmente obrigados a devolver esse investimento capitalizado à taxa de juro de mercado. Se não pagarem (em horas se atenção e financeiramente) os filhos sofrem uma penhora pelas finanças. Ao custo padrão acrescentam-se os custos que os filhos considerem bons como, por exemplo, ter carro e arrendar um apartamento enquanto estão na faculdade.

Medida 2 => Permitir que os pais ricos possam criar os filhos como se fossem os pobres, com os 85€/mês do abono de família e do RSI. Desta forma, é possível que os ricos venham a ter mais filhos.

Medida 3 => Como sociedade temos que deixar de ver cada criança como um principezinho e passar a ver a fotografia toda, as 120 mil que deveriam nascer cada ano e onde, mil acima ou abaixo, não interessa para nada.
Não interessa dizer que temos das mais baixas mortalidades infantis do mundo e depois não nascer ninguém.
Não interessa dizer que temos o melhor sistema de protecção de menores se não há ninguém para proteger.

Custa muito.
Ouvir dizer que uma mãe maltratou ou matou uma criança. Quando eu era criança, por volta de 1975, na minha terra lembro-me de uma mãe que tinha 7 filhos e que matou 3 e de outra mãe, esta que conhecia bem porque trabalhava lá em casa, que tinha 4 filhos e que matou 2, um deles, com poucos dias, mergulhando-o em água a ferver. A mãe que matou os 3 filhos apanhou 7 anos de cadeia e a que matou os 2 nem teve processo.
Temos meses a fio os noticiários a abrir porque uma criança inglesa desapareceu, uma mãe que simulou um rapto ou ou outra matou um filho. Mas se elas não tivessem abortado, não havia notícia nenhuma.
Com o passar do tempo, as penas aplicadas às mães e amas têm sido cada vez maiores e as crianças têm sido cada vez menos.
A protecção das poucas crianças que nascem não pode ser um entrave ao nascimento de outras crianças.
Se o Estado não quer ou não pode ter crianças em vez das mães então, tem que lhes dar carta branca.

A nossa mentalidade tem que evoluir.
Se os pais decidirem que as crianças se 10 anos ficam em casa sozinha a tomar conta dos mais pequeninos, ninguém tem nada a ver com o assunto pois foram eles que as tiveram. Quem se quiser meter que faça filhos.
Se acontecer algum problema, paciência, é meter que não terem feito nenhuma.

Não custam nada.
As 3 medidas que eu proponho não custam nada ao erário público e ainda permitem poupar dinheiro com esses processos contra mães que não fazem nada de positivo pela natalidade.

Os incentivos fiscais não vão dar qualquer resultado.
Porque a decisão quanto a ter filhos não foi compreendida, propõem-se medidas para reduzir os custos de produção das crianças que nunca poderão ter impacto.
Ter crianças para quê se não está garantido que esse investimento seja algum dia rentável?
a medida só propõe medidas que custam pipas de dinheiro e que não vão ter qualquer impacto.
Ainda bem que o Passos veio dizer que "temos que pensar" pois parece um relatório feito pelo Guterres: todo e qualquer problema pode ser resolvido enfiando dinheiro em cima dele.
É deitar dinheiro fora.

Fig. 5 - O Sr. Professor é feio e tem uma caneta pequenininha mas isso resolve-se com um boa nota mas não é dessas que dá nos testes, é das de 500€.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 11 de Julho de 2014

O BES, os caloteiros e a turbulencia financeira

As taxas de juro têm estado a subir. 
As taxas de longo prazo (a 10 anos) têm estado a subir. Depois do mínimo de 10 de Junho (3,25%/ano), começaram a subir e já chegaram aos 4,00%/ano. Se este aumento da taxa de juro se aplicasse a toda a dívida pública, esta alteração traduzir-se-ia numa despesa pública adicional de 1600 milhões de euros por ano. Mas, felizmente, no curto prazo as alterações têm sido em sentido contrário com a taxa de juro a 12 meses já abaixo de 0,5%/ano. Se, retirando a inflação prevista, a taxa de juro a 10 anos está nos 2,0%/ano enquanto que, a 12 meses, está negativa, nos - 0,7%/ano. 
Isto traduz que os nossos financiadores não têm dúvidas quanto ao que se vai passar enquanto o Passos Coelho estiver à frente do governo mas já sentem um certo nervoso quanto ao futuro mais distante, talvez a sermos governados por caloteiros. 

Fig. 1 - Será que sou eu que estou a fazer subir a sua taxa de juro?

Os caloteiros voltaram a atacar. 
Umas pessoas voltaram a atacar com a ideia da caloteiragem a que chamam reescalonamento da dívida pública. A simulação que estão a propor é um bem que fazem ao povinho porque permite que as pessoas mais distraídas antevejam o que acontecerá quando tivermos de novo um governo socialista do tipo do do Sócrates. Será a falência dos bancos e consequente nacionalização, mais BPNs para a gente pagar. Será o corte de 10% nas poupanças que temos depositadas e nos Certificados de Aforro e do Tesouro. É também a falência das seguradoras e da Segurança Social porque também estão cheias de Dívida Pública e têm aplicações nos bancos. Atrás dos bancos e das seguradores, como vimos com a PT relativamente ao Grupo Espírito Santo, a economia entrará em ruína porque tudo está ligado.
Se a Austeridade causou comichão, a bancarrota será um tsunami.
Comparando com a Grécia, a taxa de juro voltará rapidamente a ultrapassar os 6%/ano.

Fig. 2 - Nos últimos 3 meses, a taxa de juro a 3 anos tem andado em torno dos 1,3%/ano com oscilações até 0.2 pontos que traduzem alterações na cotação das obrigações menores que 0,5%. Nunca pagamos taxas de juro tão baixas.

E se prometermos pagar?
Nesse caso, a taxa de juro vai-se manter baixa. Descontando a inflação, a taxa de juro está nos 0,25%/ano  (actualmente, com as taxas de mercado, a taxa de juro nominal do mix óptimo de prazos para uma média de 5 anos está nos 2,10%/ano a que temos que descontar a inflação prevista). Mantendo o actual esforço de pagamento do serviço da dívida público nos 4% do PIB, conseguiremos voltar a dever 60% do PIB em cerca de 20 anos (em 2014, o esforço é de 4,5%).

Não pagar metade da dívida é pior que prometer pagar tudo.
Se, como dizem os caloteiros, não pagássemos metade da dívida pública, ficávamos a dever cerca de 65% do PIB. Com o actual esforço de 4% do PIB, com uma taxa de juro de 6%/ano, daqui a 30 anos estávamos a dever mais do que deveremos se prometermos pagar tudo o que devemos (a 0,.25%/ano).
No curto prazo ficávamos com a ideia contabilística de que devíamos menos mas, porque no longo-prazo iríamos pagar uma taxa de juro superior, no final iríamos pagar mais.

Futuro ..........................Agora ... 10anos ....20anos.... 30anos ..... Juro real
Bancarrota de metade ...65% ...... 55% ....... 46% ...... 30% ........ 6,0%/ano (é o grego)
Pagar tudo ...................130% ..... 97% ....... 59% ...... 20% ........ 0,25%/ano (é, actualmente, o nosso)

Este exercício é imaginando que vamos pagar sempre o mesmo em serviço da dívida pública, 4,0% do PIB.
Tenho que concluir que, mesmo não considerando as perdas na vida das pessoas causadas pela perda das suas poupanças e as falências, pagamos muito menos se prometermos que vamos pagar tudo com língua de palmo do que, de forma peregrina, declararmos do dia para a noite de que só vamos pagar metade.

Afinal o António Costa já disse como vai resolver os problemas de Portugal.
Vai criar ministérios.
Para resolver o problema da falta de espectadores nos espectáculos, cria o Ministério da Cultura.
Para resolver o problema do desemprego, cria o Ministério do Emprego.
Para resolver o problema da estagnação económica que se vive desde o tempo do Sócrates, cria o Ministério do Crescimento.
Para resolver o problema do défice público, cria o Ministério da Receita Pública Aumentada Sem Aumento dos Impostos e o Ministério da Redução da Despesa Pública Sem Cortar em Lado Nenhum.
Vai ainda cria o Ministério das Empresas Públicas que Vão Passar a dar Lucro Sem Haver Diminuição da Qualidade dos Serviço Fornecidos às Comunidades.
Vai ainda criar o Ministério do Tudo Para Todas as Terriolas, com Secretarias de Estado Das Universidades, Dos Aeroportos, Das Linhas de Comboio, Das Maternidades, Das Escolas Primárias, dos Correios, Dos Tribunais, Das Juntas de Freguesia, Das Criancinhas a Rodos, e Das Casas de Putas Boas e Baratas Pagas com o QREN.
Ministério dos Empregos Qualificados e Bem Remunerados Para os Milhares de Licenciados Em Arquitetura, Psicologia, Ciências Jurídicas e Outras Merdas.
São só ideias boas que eu nunca tinha pensado. O homem é mesmo um génio da política mas que vai ser desperdiçado pois não vai chegar a lado nenhum. Vai ser um novo Santana Lopes mas sem ter direito a uns mesitos de Primeiro Ministro. 

O nervosismo é uma amostra de como serão os tempos de um governo de caloteiros.
Vamos imaginar um futuro em que temos um governo de um Costa, Seguro ou Rio a anunciar todos os dias cortes nos cortes do Passos Coelho. As possibilidades de financiamento irão secar muito rapidamente. Claro que este problema vai ser aproveitado demagogicamente pelo candidato a futuro governo dizendo que é uma demonstração das falhas da austeridade.
Se as sondagens indicarem que o Costa vai ser primeiro ministro, as taxas de juro sobem o que será anunciado como culpa do governo.
Se o povo acreditar, como o povo argentino e o povo venezuelano acreditaram, nesses caloteiros, teremos a bancarrota de 2011 repetida em 2015. Mas eu não quero acreditar que o nosso povo seja assim tão burrinho.

Será a subida das taxas de juro um efeito do Grupo Espírito Santo?
Não se pode dizer que sim nem que não pois ninguém perguntou aos investidores porque estão a vender as suas obrigações a um preço mais baixo. Como eu sigo o Positivismo em que apenas pode ser afirmado o que conheço de forma positiva, não basta "não saber o que se passa" para afirmar o Espírito Santo tem algo a ver com as taxas de juro. Mas vou rezar e pedir à NSF - Nossa Senhora de Fátima.
O que se sabe é que o BES tem activos totais de 100 mil milhões € e o BPN tinha activos totais de 8 mil milhões €. (ver, relatório e contas do Grupo BES 2012, p. 5)
Imaginemos que o buraco era proporcionalmente idêntico o que, como já referi, não tenho qualquer informação de que o seja, um resgate equivalente implicaria a injecção de 60 mil milhões €. Iríamos ter  em 2014, em vez dos previstos 4%, um défice de 40% do PIB. Seria uma alegria para os esquerdistas.

O Daniel Bessa comparou o Sócrates a um terrorista suicida ao comando de um avião.
Finalmente, alguém abriu a boca para dizer a verdade.
O Sócrates era um mentecapto que apenas seguia instruções, no caso do Constâncio e, digo eu, do Teixeira dos Santos.
O Sócrates apenas aplicou com toda a convicção, politicas erradas que nos levaram, tal como os terroristas que conduziram os aviões contra as torres gémeas, à tragédia.
É esse o riscos dos governantes carismáticos e voluntariosos: estando errados, levam-nos rapidamente à desgraça.
Obrigado Daniel por teres saído do armário.

Fig. 3 - Lá vai o país comandado pelo Sócrates rumo ao desastre.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 5 de Julho de 2014

O desemprego, a emigração e a natalidade

A taxa de desemprego tem descido rapidamente. 
H0: Os esquerdistas diziam que o desemprego apenas poderia descer se o investimento, principalmente público, voltasse aos níveis do guterrismo-socratismo, quando nos endividamos loucamente. 
H1: Eu, o falecido Borges e a literatura da especialidade, defendemos que o desemprego iria diminuir se os custos do trabalho diminuíssem.
O que se verifica é que o investimento não voltou aos níveis dos anos 1995-2010, nem lá perto, e o desemprego está a diminuir a grande velocidade.
O que dizem os esquerdistas sobre isto? 

É a emigração.
Quando aderimos à CEE, o nosso sonho era ganharmos a liberdade para ir trabalhar nos países mais ricos da Europa, onde quiséssemos. Com o Espaço Schengen, essa liberdade tornou-se total. Qualquer um de nós pode ir para qualquer país da Europa Central e Ocidental viver e trabalhar tal e qual como estamos e trabalhamos em Portugal. Podemos mesmo, enquanto não arranjamos trabalho, pedir ajuda monetária para viver ( Rendimento Mínimo e Abono de Família). 

Fig. 1 - E pensar que há um anito estava desempregada e a viver do RSI e agora estou a trabalhar e nas ilhas gregas.

Quando eu comecei a trabalhar.
Foi na África do Sul. Licenciei-me em Engenharia de Minas já com o sonho de ir trabalhar para um país exótico. Fiz uns contactos e recebi uma proposta de trabalho de uma mina de Ouro. Mandaram-me o bilhete de avião e o visto de trabalho e lá fui eu todo contente. Aquilo durou pouco mas foi por minha opção. Fui livre de ir e de vir.

Mas, assim, ficamos sem pessoas.
Mas isso não é problema de cada um de nós que quer ir trabalhar e viver para onde bem lhe apetece.
Nos anos 1960 emigrou muita gente para a França e o Salazar achava que isso ia destruir o nosso país. De facto, a maioria dessas pessoas perdeu-se enquanto português porque integrou-se nos países de acolhimento. Daqui a 50 anos, os portugueses emigrantes em França serão tão portugueses como são arménios os arménios que vieram em 1500 para Portugal em 1500 (não sobra nem um que se assuma arménio).
Mas nos anos 1960 a nossa natalidade era de 3,15 filhos por mulher quando a reposição da população se dá com uma natalidade de 2,07 filhos por mulher. Então, nos anos 1960 Portugal tinha um "excesso" de produção de 50 mil pessoas por ano, principalmente nas aldeias pobres e do interior.
Agora, a fertilidade está muito baixa, 1,30 filhos por mulher, o que traduz, sem emigração, um défice 50 mil pessoas por ano.
A baixa natalidade é que torna visível o impacto da emigração. 

Mas não podemos obrigar as pessoas a ter filhos nem a ficar.
O Salazar queria povoar o Mundo com portugueses e, por isso, pediu ajuda à Igreja para que as pessoas tivessem muitos filhos. Também dificultava a emigração ao máximo.
Mas agora, as pessoas são livres de fazer o que bem entenderem e não querem ter filhos e querem ir trabalhar para onde for melhor para elas. 
Eu tive essa liberdade e toda a gente tem direito a ela. 

Mas o desemprego está mesmo a diminuir.
A nossa taxa de desemprego de "pleno emprego", NAIRU, é na ordem dos 6% que se calcula como a média de 1987.2007.  Em 2007 estávamos no "pico" da Crise de Liquidez das Economias Emergentes de 2002 (9% de desemprego). Com a Crise do Sub-prime, a taxa de desemprego subiu 3 pontos para 12% e com a Crise das Dívidas Soberanas de 2011, começou a crescer de forma explosiva não parecendo ter tecto à vista. Quando em Fevereiro de 2013 atingiu 17,3%, eu pensei que só pararia lá para os 30% mas, quase por milagre, começou então a descer ainda mais rápido do que tinha subido (ver, Fig. 2). 
Se vimos o desemprego subir 9 mil pessoas por mês, agora estamos a vê-lo descer 10 mil pessoas por mês.
A queda é tão rápida que até parece mentira.

Fig. - Evolução da taxa de desemprego em Portugal (dados: Eurostat), crises financeiras e possível evolução a tracejado (autor). A esta velocidade, em 2017 volta aos 12%.

E porque cai o desemprego?
Primeiro, temos que nos lembrar que o desemprego aumentou porque a construção civil e as obras públicas pararam. Milhares de trabalhadores pouco qualificados ficaram na rua e pensava-se que muito dificilmente esses trabalhadores poderiam ser alguma vez reabsorvidos pela economia.
Mas surgiram oportunidades para essas pessoas não só em Angola como também na Europa. E, melhor do que estar à espera que o Costa possa retomar o PEC 4, as tais "politicas de crescimento e emprego, versão  4", o povo foi marear vida.
E fez muito bem.

Vamos ao "problema" da Europa do Norte.
Nós dizemos que a nossa natalidade é pequena e depois ouvimos todos os dias que milhares e milhares de emigrantes atravessam o Mediterraneo para Itália. Onde será que metem essas pessoas?
É que na Europa há uma escassez muito grande de trabalhadores pouco qualificados porque não nascem pessoas.
Nos países do Norte da Europa (Austria, Belgium, Czech Republic, Denmark, Estonia, Finland, Germany, Lithuania, Luxembourg, Netherlands, Norway, Poland, Slovak Republic, Sweden, Switzerland) os casais (as mulheres) têm menos 0.60 filhos que o necessário para repor a população (ver, Fig. 3). Numa população de 210 milhões de pessoas, é um défice populacional de 800 mil pessoas por ano.

Fig. 3 - Evolução do défice de filhos por mulher no Norte da Europa (dados: World Bank, cálculos do autor).

E da Europa do Sul.
O panorama ainda é pior com a Itália e Espanha com uma fertilidade 0,70 filhos por mulher abaixo do necessário para repor a população. Aplicando o défice de natalidade destes dois países à sua população de 106 milhões de habitantes, há "apenas" um défice de 450 mil pessoas por ano.
Somando estas duas parcelas, há na Europa uma necessidade anual de 1,3 milhões de pessoas.

Vamos mesmo ficar sem ninguém.
Como sabem, a tal comissão da natalidade (para a qual eu me ofereci mas não me quiseram) está a trabalhar. Não sei o que estarão a fazer mas o mais certo é estarem a escrever um Livro Branco.
Escrevem, escrevem, escrevem e a Terra continua a andar à volta do Sol.

O problema é que o nosso trabalho é substitutivo.
A população destes países está a diminuir mas o efeito mais visíveis é o envelhecimento que faz com que deixem de poder executar trabalhos fisicamente exigentes, principalmente, trabalho pouco qualificado.
Então, a contracção e envelhecimento da população dos países europeus mais ricos do que nós vai aumentar a necessidade de importar trabalhadores como os nossos.

O pior será quando acabar a crise.
Quando a Europa ultrapassar definitivamente a Crise das Dívidas Soberanas, aumentará a necessidade de trabalho pouco qualificado e corremos o risco de ficar sem pessoas.
Por um lado, não nascem e, por outro lado, os países europeus captam os poucos que vão aparecendo.

Muito mais haveria para dizer.
1 -> A crise no BES
Em termos contabilisticos, o BES é um banco muito sólido, dando total garantia aos seus depositantes e demais parceiros comerciais. O problema está em saber se o BES tem nos seus balanços activos de empresas falidas, principalmente do grupo. O buraco de Angola, maior que o do BPN, é problema de Angola pois os depositantes são de lá, mas quanto desse problema é garantido pelo BES? Não sabemos.

2 -> A crise no PS.
É interessante como o Costa não avança com uma ideia. É a cassete do crescimento e mais nada. Mais valia dizer que apostava no Quarto Segredo de Fátima: um homem mago com origem no Oriente vai somar à dívida colossal feita pelos seus amigos Sócrates e Guterres outra dívida colossal e, apostando que menos vezes menos dá mais, a divida mega-colossal vai-se transformar num crescimento estratosférico.

3 -> A crise do Avião da TAP que se atrasou 2 h.
Foi o Cavaco que pediu para que o avião não levantasse enquanto o Alberto João estivesse lá dentro porque informações dos americanos garantiam que o homem vinha rebentar com o "cuntenente".
E o Mário Soares, em vez de ir dormir a soneca para Belém, ficou a dormir no táxi. O Cavaco contratou um taxista especial que deu voltas sem parar pela cidade alegando que se tinha de desviar das obras públicas que, já em Lisboa, iniciaram o "choque do crescimento e emprego" do Costa.

4 -> Mas o Cavaco avançou com revolucionário, algo verdadeiramente novo.
Para ser totalmente revolucionário, disse a mesma coisa: os partidos têm que se entender. Já não tem cabeça para escrever coisas e o pessoal já foi todo de férias. então, abre a gaveta e tira de lá qualquer coisa que, por acaso, é sempre a mesma coisa.

Fig. 4 - Maria, a gaveta dos novos discursos está vazia (Cavaco). Vai à gaveta de cima onde está sempre o discurso de emergência (Maria). 

Qual é a pessoa que tem a coragem de estar sempre a repetir a mesma coisa. Pensando bem, só os comunistas, o António Costa, o Sócrates, os socratistas, o Paulo Portas, ... é pá, afinal, toda a gente está sempre a dizer a mesma coisa.

5 -> Lancei a minha primeira campanha politica.
Lá no sítio onde eu vou buscar o meu sustento vai haver eleições para uma porção de coisas.
E eu decidi avançar contra tudo e contra todos.
As minhas armas são muito fraquitas, apenas três e-mails a marretar e 3 posteres.
A minha campanha não é para eu ser eleito mas sim para que a brigada da naftalina seja posta a andar.
É que, dizem os das construções, que antes de começar a obra é preciso terraplanar o terreno.
Vamos ver na próxima segunda feira qual foi o impacto dos 3 e-mails.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 27 de Junho de 2014

Costa, Portugal precisa de ti.

Precisamos de ti como seleccionador nacional. 
Amigo Costa, disponibilizaste-te para seres primeiro-ministro de Portugal, um tacho de 6850,24€/mês que dá muito trabalho e, mesmo que faças alguma coisa de jeito que duvido, vão chamar-te ladrão e vigarista um número incontável de vezes. 
Mas se te disponibilizares para ser seleccionador nacional, na tua lógica, o Paulo Bento vai-se demitir imediatamente e tu entras tipo D. Sebastião logo a ganhar 114287,71€/mês, 17 vezes mais que a primeiro-ministro, e, mesmo que percas todos os jogos, que sejas um fracasso total, que metas só mancos e bisgarolhos a jogar, serás sempre visto como o salvador da pátria porque, "a bola é a bola e há problemas muito mais graves no país que ganhar ou perder um jogo de futebol". 
O problema é que quem trata dos problemas sem importância, o seleccionador nacional, ganha 114287,71€/mês, e quem trata dos problemas que interessam mesmo, o primeiro-ministro, ganha 6850,24€/mês. 
Deixa-te dessa ideia peregrina de ser primeiro ministro e, se queres viver a tua vida a cavalgar a onda das oportunidades, atira-te de cabeça é para seleccionador nacional. 

Como é que eu explico a eliminação de Portugal? Falem com Carlos Queiroz
Se calhar esta frase já tem 4 anos.
Claro que já ninguém se lembra da revolta contra o Carlos Queiróz por este querer meter ordem nas tropas.
Quando os soldados, o Ronaldo e Pepe, mandam mais na selecção que os generais, seleccionador e FPF, a coisa não pode funcionar. 
Claro que os jogadores hoje estão 100% com o Paulo Bento porque são eles que mandam, estes 23 mancos que ele seleccionou e os outros têm que estar calados pois, caso contrário, acusam-nos de ressentimento. 
Se perguntassem aos PIDEs, eram todos a favor do Salazar.
O futebol passa pela defesa de ferro, pelos autocarros a tapar a baliza e quem pensar o contrário leva 4 da Alemanha e 2 da Austrália. Levar 7 golos em 3 jogos é mau de mais. 

Alguém se lembra?
Na África do Sul, 2010, com o Carlos Queiróz sofremos ZZZZ EEEEE RRRRR OOOOO golos.

     Grupo G
         Portugal 0 – 0 Costa do Marfim
         Portugal 7 – 0 Coreia do Norte
         Portugal 0 – 0 Brasil

Fomos eliminados pela Espanha por 1-0 com um golo em fora de jogo de 22 cm (ver) e a Espanha foi apenas campeã do Mundo. 
O Queiróz foi despedido por incompetência e o Bento é bento.

Fig. 1 - Se fosses português e amigo do Bento, essa barriga tinha passeado pela Copa 2014. 

Vamos ao que interessa, aos números do INE.
O INE veio dizer que o défice público nos últimos 12 meses for de 4% do PIB. Apesar de o défice ser medido entre o dia 1 de Janeiro até ao dia 31 de Dezembro, este número é bastante bom. Se pensarmos que o défice vem em tendência de descer, ter já 4% de "média móvel" é um bom indicador de que não vai ser muito difícil fechar 2014 com um défice de 4%. 
A suspensão dos cortes em Junho, Julho e talvez Agosto traduz um aumento na despesa pública de 300 milhões, 0,18 décimas, mas é capaz de ser possível resolver este problema sem grandes sobressaltos.

Fig. 2 - Houve uma quebra do PIB no 1T mas a tendência está num crescimento de 1,4%/ano (dados: INE)

As horas trabalhadas estão a crescer.
No mercado de trabalho há o desemprego, o emprego e as horas trabalhadas. 
Quando alguém refere que o desemprego está a diminuir, os esquerdistas atacam dizendo que o emprego não está a aumentar. 
Quando alguém refere que o emprego está a aumentar, os esquerdistas atacam dizendo que o o número de horas trabalhadas está a diminuir. Que o emprego aumenta e o desemprego diminui porque basta uma pessoa trabalhar uma hora para contar como empregado.
Mas o desemprego está a diminuir, o emprego a aumentar e as horas trabalhadas a aumentar.
Se nos concentrarmos no número de horas trabalhadas por semana, têm aumentado, 3,6%/ano, o que é um número bastante forte. 

Fig. 3 - No últimos 5 trimestre houve aumento das horas trabalhadas, 3,6%/ano (dados: INE)

Também nos interessa a Ucrânia.
Hoje a Ucrânia, a Moldávia e a Geórgia assinaram o acordo de associação com a União Europeia.
Esse acordo é muito importante porque a Ucrânia faz parte dos grandes países europeus. Em termos geográfico será "apenas" o maior país da UE e, em termos populacionais, mesmo depois de 5 milhões de russos irem à sua vida, ainda fica com 40 milhões, o sexto país mais populoso da UE. 
A Moldávia e a Geórgia são países mais simbólicos mas a UE também existe para enquadrar os países pequenos. A Geórgia tem menos de metade da população portuguesa e a Moldávia apenas 1/3.
As economia destes países são muito débeis mas, se olharmos para o exemplo da Polónia, dentro de 20 anos podemos ter na Ucrânia uma nova potencia europeia.

A intervenção do Putin.
só vai causar prejuízo aos russos que vivem na Ucrânia. Eu já tinha previsto que, daqui a 10 anos, nem metade estariam lá e a indicação de que já abandonaram a Ucrânia 90000, dá uma indicação de como o êxodo vai mesmo acontecer.

Fig. 4 - Há uns meses, estas russas viviam na Ucrânia.

Também no fim da Segunda Guerra Mundial, 13 milhões de alemães tiveram que abandonar a Prússia Oriental e fazerem-se à vida noutro sítio. 

Fig. 5 - Aqui estão elas, antes do Putin entrar da loucura de querer roubar partes da Ucrânia. 

A guerra fria está a acabar.
O Regan sempre defendeu que a derrota da URSS seria por fatias e que, uma estocada muito importante, seria trazer a Ucrânia para a UE. Já só falta a Bielorússia e, em termos internacionais, a Síria.

Fig. 5 - A estratégia do Regan para derrotar a URSS passava pela fatiação dos seus apoios.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 21 de Junho de 2014

Natalidade: o alemão vai desaparecer

A Alemanha é o país mais importante da Europa. 
Se ponderarmos a população e o PIB, a Alemanha com os seus 80M de habitantes e um PIB de 3.1B USD, é o país mais importantes da Europa.

Rank País PIB Popul. Imp. relativa
1 Alemanha 3074 80 100%
2 Rússia 981 144 84,5%
3 Reino Unido 2392 64 78,3%
4 França 2249 66 76,2%
5 Itália 1727 60 62,6%
6 Turquia 628 74 46,1%
7 Espanha 1160 47 45,1%
8 Polónia 408 39 25,7%
9 Ucrânia 95 46 22,3%
10 Holanda 681 17 21,7%
11 Uzbequistão 25 30 13,8%
12 Bélgica 407 11 13,5%
13 Suécia 417 10 12,9%
14 Suíça 440 8 12,7%
15 Roménia 117 20 11,4%
16 Áustria 338 8 10,8%
17 Grécia 210 11   9,3%
18 Kazakistão 87 17   9,3%
19 Noruega 329 5   9,1%
20 Portugal 188 11   8,6%
Quadro 1 - Importância relativa dos países europeus, população + PIB (dados: Banco Mundial, PIB em mil milhões de USD 2005 e população em milhões) A bold os países europeus que não fazem parte da UE.

Atendendo sua actual importância no contexto europeu, parece antecipável que, daqui a 100 anos, a Alemanha enquanto pátria do povo alemão, continuará a ser central na Europa. 

Fig. 1 - A beleza alemã está condenada a desaparecer.

O problema é que os alemães estão em extinção.
Para que uma população se mantenha ao longo do tempo, a cada geração é preciso que nasçam tantas pessoas quantas as existentes. Como nascem ligeiramente mais homens que mulheres, a manutenção de uma população obriga a que cada mulher tenha, em média, 2.1 filhos. 
Mas a Alemanha tem há várias décadas uma média de 1.35 filhos por mulher. 

Fig. 2 - Evolução da fertilidade alemã (filhos por mulher, dados: Banco Mundial)

Se acumularmos a baixa fertilidade verificada desde 1970, nos últimos 43 anos a Alemanha já perdeu 30 milhões de habitantes.

Mas essa redução não se parece verificar nas bases de dados.
Não parece possível afirmar que a Alemanha perdeu 30 milhões de habitantes quando, olhando para as estatísticas populacionais, em 1970 a Alemanha tinha 78M e em 2014 tem 80M. 
Esta discrepancia resulta de, entre 1970 e 2014, a idade média a que as pessoas morrem na Alemanha ter aumentado em 10 anos. Assim, em 1970 um alemão morria com 71 anos enquanto que em 2014 morre com 81 anos.  
E também houve a entrada massiva de imigrantes, principalmente turcos (não falantes de alemão). Claro que acabam por aprender a falar alemão mas nunca será como se fosse a língua mãe.

O Alemão perde 700 mil falantes por ano.
Em termos de tendência de longo prazo, era necessário que nascessem 2.1 milhões de alemães  por ano e, nos últimos 40 anos, apenas nasceram 1.4 milhões por ano, havendo assim uma perda anual de 700 mil habitantes. 
O que se observa é que, depois de um máximo de 82,5 milhões de habitantes em 2003, nos últimos 10 anos a Alemanha perdeu uma média de 250 mil habitantes por ano, menos que os 700 mil previsto olhando para a fertilidade mas acompanhado pelo envelhecimento da população que se detecta-se olhando para a redução da percentagem da população com menos de 15 anos e o aumento da população com mais de 65 anos. Se em 1970 havia 2 jovens por cada alemão com mais de 65 anos, em 2014 já só há meio jovem. 
Este problema não tem sido grave para a sustentabilidade social porque a percentagem de população em idade activa tem-se mantido constante porque o aumento dos encargos com os mais velhos tem sido balançado pela diminuição dos encargos com os jovens (que não nascem). Mas nas próximas algumas décadas, a sociedade alemã vai entrar em colapso. 

Fig. 3 - Evolução da percentagem da população alemã com menos de 15 anos e com mais de 65 anos (Dados: Banco Mundial)

E isto terá solução?
Se a fertilidade se mantiver nos 1.35 filhos por mulher, no final do século XXI apenas haverá 25 milhões falantes de alemão como língua materna.
Exactamente: em 86 anos a população falante de alemão vai perder 70% da actual população.
E isto não tem solução.
Em termos tecnológicos é um problema de simples resolução mas, desde a extrema esquerda à extrema direita, ninguém quer que este problema se resolva.
Os da direita dizem que o ser humano é algo de divino pelo que o seu nascimento tem que ser deixado às forças da natureza. Para resolver o problema da baixa natalidade é proibir a pílula e o preservativo.
Os da esquerda dizem que a dignidade humana não permite que se programam nascimentos para responder a uma necessidade da sociedade actual. 
Se a mentalidade alemã continuar a impor aos nascimentos a visão de que é um problema privado, daqui a 100 anos já quase ninguém falará alemão.

E Portugal?
Vamos no mesmo caminho só que o Português continuará a falar-se no Brasil, em Angola e talvez em Moçambique.

A minha petição foi aceite.
Eu fiz uma petição à Assembleia da República para uma alteração legislativa na Lei da Procriação Medicamente Assistida que foi aceite com o número 385/XII sendo a relatora a deputada Isabel Galriça Neto do PP. 
Ainda só 12 pessoas assinaram a petição mas também só 4 pessoas assinaram o manifesto contra a guerra do Einstein. Façam lá um assinaturazita.

E a guerra no PS?
Está mais interessante que o nosso campeonato do mundo.
Os socráticos pensavam que o Seguro era manso mas o homem é um autentico bicho.
Pode sair mas, antes, vai partir a louça toda para quem vier não ter onde comer. 
O passos coeljo até já está preocupado: por este caminho, quando chegarem as eleições o PS não vai aparecer.

fig. 4 - O lema do Seguro é "se querias bolota agora, trepasses há 3 anos. Nas que eu deitei abaixo nunca meterás o teu dente pois eu vou rebentar com tudo".

Pedro Cosme Costa Vieira

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