terça-feira, 22 de maio de 2018

Porque será que Jesus chorou?

Na final da Taça, quando a derrota era irreversível, Jesus chorou.
Claro que todos pensaram "Jesus queria muito ganhar a Taça porque ama o Sporting" mas não foi nada disto.
Jesus chorou porque, no último mandato no Benfica, quando queria que o Sr. Califa dos Pneus lhe pagasse 500€/mês, não se cansou de repetir "Eu sei o meu valor, não é a estrutura que ganha, não é a estrutura que valoriza jogadores, sou eu, Jorge Fernando Pereira de Jesus e não o Califa ou qualquer outro".
Agora, chorou porque ficou provado que quem ganha não é o treinador nem os jogadores, mesmo que ganhem milhões.
Claro que tendo Jesus a capacidade de ressuscitar, ao terceiro dia veio virar o bico ao prego, culpando agora a estrutura directiva do Sporting pelas derrotas.

Fig. 1 - Sr. Jornalista, a culpa é do Bruno de Carvalho por ter dito que os meninos são mimados.

Porque chorou Rui Patrício?
Porque, com o papo cheio de cagança, enfiou um frango no Marítimo e 2 no final da taça.
Dói, para quem se julga o melhor guardar redes do Mundo, deixar um jogador sozinho na frente meter de cabeça um golo ao segundo e, depois, ainda deixar a bola passar por baixo, um jogador que se pensava o melhor guardar redes do mundo

Fig. 2 - O que faz o Rui Patrício encostado ao 1.º poste quando está um jogador solto no 2.º poste?
O que faz o Battaglia na terra de ninguém?

Fig. 3 - Quando a bola chegou à cabeça do avançado, o Rui Patrício estava a meio da baliza e o Battaglia a ver jogar.

Fig. 4 - A esta grande distância, deixa a bola passar por baixo do corpo.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

O Bruno de Carvalho tem toda a razão.

Aquilo no Sporting anda um pouco agitado.
Vejamos as estatísticas dos treinadores dos 3 grandes.
O Jorge Jesus recebe 500 mil €/mês (7 milhões por ano) e conseguiu 78 pontos.
O Vitória recebe 100 mil €/mês (1,4 milhões por ano) e conseguiu 81 pontos
O Sérgio Conceição recebe 71,4 mil €/mês (1 milhão por ano) e conseguiu 88 pontos.
Sendo que o Jorge Jesus recebe mais do que todos os outros treinadores da primeira liga juntos, é natural o presidente do Sporting pedir-lhe contas.

Os jogadores e o Jorge Jesus não recebem os ordenados do Marítimo.
Podemos pensar que a equipa do Sporting tem a mesma obrigação de ganhar que o Marítimo mas não é bem assim pois ganham muito mais.
Além disso, o Jorge Jesus tem responsabilidade a dobrar porque foi ele quem escolheu os jogadores e o Sporting paga-lhes ordenados milionários.
Se o Jorge Jesus recebe pipas de dinheiro para escolher e treinar jogadores que custam pipas de dinheiro e a equipa fica em terceiro lugar com menos 10 pontos que o primeiro classificado cujo treinador ganho 1/7, não vejo como se pode melindrar por receber um puxão de orelhas e ser apelidado de incompetente.
Claro que demonstrou incompetência e não tem como defender os jogadores.

Quando eu era mineiro ...
Sim, eu já trabalhei numa mina na África do Sul e conheci lá um italiano com quem conversava de vez em quando.
Lembro-me de uma conversa em que ele disse:
 - Vim trabalhar para a África do Sul há 20 anos, em 1968, porque me ofereceram um emprego igual ao que tinha em Itália mas a ganhar um terço do que ganhava lá.
Eu fiquei abananado mas esperei que ele clarificasse.
- Quando ganhamos pouco, nunca estamos preocupados em ser despedidos porque ninguém quer o nosso emprego e os nossos patrões acham-nos competentes.Quando ganhamos muito, é um stress total.
Pensei eu - este homem até tem razão.
Terminou a sua tese dizendo:
- Quando entramos num emprego com salário elevado, temos que garantir que a nossa capacidade é adequada à missão que temos que executar e, pela minha experiência, isso passa por abandonarmos a nossa vida pessoal e, muitas vezes, deixarmo-nos humilharmos com um sorriso na cara. Se não formos capazes, não podemos aceitar porque estaremos a destruir-nos.
Ai perguntei eu "Mas como podemos nos deixar humilhar sem mais nem menos?"
- Não é sem mais nem menos, é pelo ordenado chorudo.

Argumentar que os jogadores se esforçaram?
Os que se esforçaram foram os do Marítimo que ganham uma décima parte do que ganham os do Sporting e ganharam. Foram também os do Braga que quase ultrapassaram o Sporting.
Os do Sporting são estrelas, alegadamente, e tinham a obrigação de ganhar o campeonato.
E, perderem contra o Marítimo demonstrou que não valem mais que uma equipa do meio da tabela.
Já alguém ouviu falar de um tal Ghazaryan, Gaz para os amigos?
Foi o tal que espetou um frango ao Rui Patrício.

Quanto à pancadaria.
Acontece. Foi um exagero mas nada do outro mundo.
O problema é que quem apanhou acha-se acima dos mortais, acha que, por receber centenas de milhares de euros por mês, é um deus que não pode ser chamado à palmatória.
Há que engolir o orgulho e mostrar humildade pois saíram do Funchal totalmente derrotados.

Tanto dinheiro gasto em vão

Finalmente, a corrupção.
Agora é que caímos no absurdo total.
O Jorge Jesus e os jogadores do Sporting ganham balúrdios e, para ficarem em terceiro lugar e perderem com o Marítimo por apenas 2-1 foi ainda preciso subornar os jogadores das outras equipas para facilitarem?
Eu acredito que alguém pagou a Jesus e aos jogadores do Sporting para perder, só pode com tanta qualidade.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Terá sido boa ideia rasgar o acordo com o Irão?

O acordo não faz qualquer sentido!
Olhemos para Portugal.
Nunca assinamos nenhum acordo com os USA ou com quem quer que seja a garantir que não vamos desenvolver a bomba nuclear.
Não assinamos nós nem mais nenhum país do mundo além do Irão e há perto de 200 países.
E nós somos mais capazes de fazer uma bomba atómica do que o Irão.

Os países têm que manter convivência pacífica.
E o Irão não é um país pacífico.
O Obama deu-lhe a oportunidade de ouro de tomar conta do Iraque e, a partir dai, tomaram-lhe o gosto e querem tomar conta do Médio Oriente o que coloca em perigo a Arábia Saudita e Israel.
O Irão tem 80 milhões de habitantes, capacidade para ter 8 milhões de soldados, enquanto que a Arábia Saudita tem apenas 32 milhões, a maior parte estrangeiros.

Os perigos do Irão à ordem mundial.
Vamos supor que o Irão se torna uma potencia nuclear como pretende, sempre pretendeu e sempre pretenderá, tornar-se o novo Saladino que conquistou Jerusalém em 1187 aos cruzados.
Poderá dar a ideia ao Irão que podem entrar pela Arábia Saudita dentro para "socorrer" os shiitas do Iemen, tal como está a fazer já no Iraque e na Síria e que ninguém vai fazer nada.
Depois, ainda podem ter a ideia de que podem financiar uma guerra de desgaste sobre Israel que nada irá acontecer.

Mais dia, menos dia, haverá uma guerra entre Israel e o Irão.
Israel tem, alegadamente, bombardeado posições iranianas na Síria matando algumas desenas de militares iranianos.
Os Russos, para manterem a ideia de que são capazes de proteger o Assad e o Irão, ameaçaram que vão meter mísseis anti-aéreos na Síria para travar as incursões israelitas (e americanas) mas não passam de ameaças porque, na verdade, não querem que esses misseis sejam testados (que se veja que não valem um caracol).
Estas incursões israelitas nunca poderiam acontecer sem o apoio do Trump porque os aviões, mísseis e bombas são americanos. E isto não passa de treinos para avaliar a capacidade militar dos iranianos, e saber até que ponto os russos estão dispostos a enterrarem-se na lama. 

Agora, o Trump apenas empurrou mais um bocadinho.
Faz-me lembrar a resposta do Trump ao maluco da Coreia do Norte:
"Will someone from his depleted and food starved regime please inform him that I too have a Nuclear Button, but it is a much bigger & more powerful one than his, and my Button works!"

O Irão disse que "vai castigar" Israel e é disso que o Trump está à espera.
Israel garantiu que vai bombardear Teerão "com toda a força que tem".
A Arábia Saudita dá total liberdade de acção aos israelitas.
E se as coisas ficarem feias, com ataques massivos a partir do Líbano e da Síria, o Trump "fechar os olhos" a um ataque nuclear por parte dos israelitas ao Teerão.

Se Teerão ficar como Homs, será que alguém se vai importar?

O que o Irão tem que, agora, fazer?
Comportar-se como os outros países.
Deixar de dizer que vai destruir Israel.
Deixar essas toleiras das bombas atómicas.
Tornar-se um país confiável e ordeiro como os outros 200 países que existem por aí.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Futebol - Estarão os grandes cada vez mais grandes?

Há dias veio um artigo no JN sobre isto.
Dizia o artigo, olhando para a diferença pontual entre o quarto classificado e o quinto classificado dos últimos anos, que nunca os grandes foram tão grandes como o são agora e que isso, alegavam, tinha a ver com a distribuição dos direitos televisivos.
Ouviam vários gurus e todos diziam "Eu já o tinha visto e avisado há muitos anos, estamos a matar a competitividade do futebol".
Lembrando-me dos indicadores de concentração de mercado, a análise é muito pobrezinha pois, havendo informação sobre todos os agentes de mercado (isto é, as classificações de todos os clubes), não se pode deitar essa informação fora.

Fui buscar os resultados ao site www.zerozero.pt
 referentes aos últimos 50 anos, os campeonatos entre 1968/69 e 2017/2018.
Para poder comparar os campeonatos que têm diferente número de equipas e diferente forma de classificar as vitórias, primeiro, corrigi para 3 pontos por vitória e 1 ponto por empate e, depois, construí a pontuação como a percentagem de pontos que cada clube teve em comparação com o máximo possível (3 vezes o número de jogos).
Calculei um índice de competitividade subtraindo um do desvio padrão da pontuação a dividir pelo máximo teórico possível (0,316 pontos) o que permite obter um número com um máximo teórico de 100% (as equipas empatam todos os jogos) e o mínimo de zero (a equipa mais forte ganhar os jogos todos, a segunda os jogos todos menos 2, a terceira os jogos todos menos 4, ...).
Fiz um gráfico com os últimos 40 anos e, voi la, não vejo grandes tendências ao longo do tempo:

Fig. 1 - Evolução do índice de competitividade do campeonato de futebol português.
A vermelho, a média de 10 anos.

Depois, meti as ferramentas estatísticas.
Em termos de variáveis relevantes, o que se alterou ao longo do tempo foi o número de equipas do campeonato, variando entre 14 e 20 equipas. Fiz então um modelo de regressão em que as variáveis explicativas são o ano (para ver a tendência de evolução da competitividade com o tempo) e o número de equipas e obtive:

Conpetitividade = 1,748 + 0,0236*N.Equipas - 0,0008*ano
         (t stat.)                     (3,30)                    (-1,27)

O modelo mostra que haver mais equipas aumenta a competitividade (o aumento de uma equipa induz um aumento no índice de competitividade de 2,36 pontos percentuais, significativo a 0,5%) e que o passar dos anos não é significativo (o número é negativo mas muito pequenino e não significativo), o que contraria a opinião dos gurus citados.

Se queremos mais competitividades, temos que aumentar o número de equipas.
Penso que isto tem a ver com a gestão dos planteis.
As equipas fracas têm jogadores fracos pelo que, estarem cansados ou descansados, vai dar ao mesmo e metem outros fracos.
As equipas fortes têm alguns jogadores muito bons que, havendo muitos jogos, ficam cansados, lesionados, sofrem castigos, fazendo com que seja preciso rodar jogadores menos bons.

Fiz o campeonato dos últimos 50 anos.
Peguei nos resultados e fiz um campeonato a 30 equipas (simulado) somando a pontuação calculada referente a todos os anos e escalando a um campeonato com 58 jogos.
Em primeiro lugar fica o FC Porto, com mais 2 pontos que o SC Benfica e os "três grandes" fazem uma grande diferença para o quarto classificado, de cerca de 100 pontos, que é o Guimarães taco a taco com o Braga e o Boavista.
Neste campeonato de 50 anos estão 4 grupos. Os três grandes (Porto, Benfica e Sporting) com 250 pontos, os três médios (Guimarães, Braga e Boavista) com 150 pontos, os três pequenos (Belenense, Setúbal e Marítimo) com 120 pontos e, depois, o grupo dos "de vez em quando" que têm menos de 1/3 dos pontos dos três grandes.
A diferença entre os 3 grandes e os três médios já dura há 50 anos e será assim nos próximos 50 anos.
Interessante notar que apenas os 3 grandes estiveram em todos os últimos 50 campeonatos e que só 10 equipas estiveram em mais de metade dos campeonatos.

Rk Clube N.Camp. Pontos
1 FC Porto 50 255
2 Benfica 50 253
3 Sporting 50 227
4 V. Guimarães 46 151
5 Braga 45 147
6 Boavista 43 145
7 Belenenses 43 127
8 V. Setúbal 41 121
9 Marítimo 37 110
10 Académica 31 75
11 Rio Ave 24 64
12 Farense 23 60
13 Beira-Mar 24 58
14 Nacional 17 51
15 U. Leiria 18 48
16 Salgueiros 18 47
17 P. Ferreira 17 47
18 Estoril Praia 18 46
19 Gil Vicente 18 45
20 Est. Amadora 16 42
21 Portimonense 15 40
22 Varzim 16 40
23 Chaves 15 39
24 Penafiel 13 29
25 Leixões 12 29
26 Sp. Espinho 11 26
27 Moreirense 8 19
28 Tirsense 7 17
29 Olhanense 7 15
30 Barreirense 6 15



Deveria haver o título de Campeão de Inverno.
Quando o campeonato está a chegar ao fim, os estádios estão cheios, as televisões fazem transmissões com grandes audiências, os comentadores ficam todos entusiasmados, as apostas desportivas aumentam.
Tudo isto faz entrar dinheiro no negócio do futebol.
Não custava nada pegar nos pontos da segunda parte do campeonato anterior e soma-los aos pontos da primeira parte do campeonato seguinte para encontrar o "campeão de inverso" a ser encontrado nas vésperas do Natal.
Não implica mais jogos e penso que iria dar um bocadinho mais de emoção.
E seria uma oportunidade de ouro para o Sporting (que, alegadamente, sofre do "Fantasma do Natal").

Fig. 2 - A FPF tem que dar alegrias às mulheres

domingo, 6 de maio de 2018

O Eng. José Sócrates está inocente

O bicho está rico mas está inocente.
Toda a gente sabe que o Sócrates tem muito dinheiro, que esse dinheiro andou por aí a voar e que ele, na sua vaidade, precisou que algum viesse para Portugal.
Eu sei de fonte fidedigna (que não posso revelar) como o Sócrates arranjou o dinheiro e, depois de a explicar, vão ver que o homem não cometeu nenhum crime de corrupção nem fraude fiscal.


De onde veio o dinheiro do Sócrates?
Lembram-se do problema do Pernil de Porco que o Sócrates vendeu ao Chaves?
O Sócrates conseguiu, negócio dele, vender 14 milhões de quilos por ano de carne de porco ao preço de 4,54€/kg sem IVA (ver).
Depois, telefonou a potenciais fornecedores e fechou o negócio com a Agrovarius que é apenas uma consultora na área da alimentação (não tem produção, apenas faz intermediação).
O preço da perna de porco está, em vários talhos, nos 1,88€/kg (sem IVA).
Este negócio fechado pelo Sócrates, da sua total responsabilidade, tem uma margem de lucro na ordem dos 2,66€/kg, um total de 37 milhões de euros por ano.

O Sócrates fez uma empresa.
SAC - Sócrates e Agrovárius Caimão localizada nas Ilhas Caimão.
A carne de porco é comprada em Espanha (a 1,50€/kg) pela SAC e metida num barco. Pelo caminho, a SAC vende a carne à Agrovárius por 4,00€/kg.
O barco segue viagem até à República Boliveriana da Venezuela.
A Agrovárius tem uma margem em Portugal de 0,54€/kg que paga o frete e demais despesas.
A margem de lucro de (4,00-1,50)*14000000 = 35 milhões de euros por ano fica na SAC.

Mas ele era primeiro ministro!
OK, podemos pensar que o primeiro ministro está obrigado a exclusividade mas onde diz isso?
Há alguma lei, decreto-lei, portaria ou regulamento que diga "as funções de primeiro ministro são exercidas em exclusividade, não podendo ser realizados quaisquer negócios privados enquanto exercer a função"?
Se não diz, a isso não pode estar obrigado.
E mesmo que fosse obrigado a exclusividade, o não o ter sido seria um problema disciplinar e nunca um crime (procurem no Código Penal Português).

Cometeu o Sócrates fraude fiscal?
O Sócrates, enquanto residente em Portugal, está obrigado a declarar os seus rendimentos, mesmo que surjam nas Ilhas Caimão.
Acontece que os rendimentos são da SAC que é tributada em sede de IRC (nas Ilhas Caimão) e a SAC nunca distribuiu dividendos pelo que o Eng. Sócrates, enquanto accionista, nunca teve rendimentos.
A SAC teve uma liberalidade com o amigo do Sócrates no valor de 23 milhões e, enquanto empresa, é livre de o fazer e responde perante as autoridades fiscais das Ilhas Caimão.
O Amigo do Sócrates era obrigado a declarar essa doação mas ficou amnistiado "Regime Excepcional de Regularização Tributária".
Notar que os 23 milhões do amigo do sócrates foram uma gota de água nos 4600 milhões transferidos entre 2006 e 2012 (ver)e, tanto quanto me consta, não há processos contra os donos dos outros 4577 milhões.
O amigo do Sócrates tem a liberalidade de lhe emprestar algum dinheiro e pagar algumas contas.
Apesar de a AdSAC ter um lucro de 35 milhões€/ano, enquanto o Sócrates não receber dividendos, não é devedor que qualquer imposto em Portugal.

E há mais negócios com o Chaves.
As casas pré-fabricadas fornecidas, depois, pelo Grupo Lena que lucrou 146 milhões (ver).
Por isso, eu penso que o Sócrates tem 200 milhões € mas isso não faz dele um criminoso.
É o mundo dos negócios, também o Amorim meteu 500 milhões de euros na Galp e ninguém perguntou de onde essa massa veio.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

PMA- Concordo com o chumbo da confidencialidade

Fui eu que pedi a lei das barrigas de substituição. 
Claro que o meu pedido não deu em nada mas a petição entrou e pode ser consultada em:

E eu defendi na minha proposta muito menos regulamentação e o fim da confidencialidade: 
Artigo 15.º - Confidencialidade 
2 – revogado e substituído por – As crianças que vierem a nascer em resultado da aplicação de técnicas de PMA têm o direito a tomar conhecimento dos termos do Contrato Familiar.

O problema da PMA está na confidencialidade e anonimato.
As pessoas que não podem ter filhos querem que os seu futuro filho seja, seus familiar, por exemplo, o dador ser um irmão ou um primo.
Também pessoas que têm amigos com embriões sobrantes podem querer tentar gerar essas potenciais crianças (sim, tentar porque a taxa natural de sucesso é cerca de 1 em 6).
Também pessoas pertencentes a grupos étnicos, por exemplo, judeus ou ciganos, querem que os seus filhos pertençam geneticamente ao seu grupo.
E a doação anónima torna impossível todas essas possibilidades e mais algumas como pedir a alguma amiga "por favor dá-me ovócitos".
Na América, existe muito mais liberdade de negociar e, tanto quanto sei, por lá a dignidade das pessoas é protegida há muitos mais anos do que por cá.

Entre um filho bonito ou um que fosse mesmo filho deles, os meus pais preferiram que eu fosse mesmo filho deles e sai igualzinho ao meu pai mas mais novo.

Talvez por isso é que ainda só houve sete pedidos de barriga de substituição.
Isto não é nada, mais pensando que acumula situações correspondentes a pelo menos 20 anos (mulheres sem útero com idades entre os 20 anos e os 40 anos).

Tanta regulamentação para proteger o que não existe fazendo com que nunca venha a existir.
Eu tenho uma colega do judo, uma jovem com 14 anos, que ambos os pais são cegos e que tiveram esta filha (com uma probabilidade de 25% de nascer cega) porque precisavam de um familiar com visão!
A questão ética que se coloca é
H0 = A jovem estaria melhor se não existisse, i.e., se uma lei tivesse proibido os pais de a terem feito pessoa.
H1 = Sejam quais forem as circunstâncias, a jovem está melhor por ter sido dada à viva.
Eu acredito em H1

Os críticos, principalmente da direita e das missas, esquecem-se que
não se defende a dignidade de ninguém que não existe proibindo-a de vir a existir.

O Conselho Nacional de PMA não é democrático.
Quero com isto dizer que os indivíduos que a compõem  não respeitam o Estado de Direito e a separação de poderes, tentando os seus membros impor a sua visão "moral" sobre a PMA.
São como um polícia que, discordando de num troço der auto-estrada o limite de velocidade passar de 100km/h para 120km/h, mete pedras no meio do caminho.
Foi isso que fez o CN-PMA ao dar por extintos os 7 pedidos em curso sendo que apenas teria que aplica a Lei(que continua válida) estripada das normas inconstitucionais (a confidencialidade).
O CN precisa de pessoas profissionais e não ideológicos e confessionais.




O sol é gratuito mas a energia electrica solar ... queima.

Há o discurso de que "a energia solar é gratuita"
E, por isso, se tivermos energia eléctrica fornecida por painéis solares, não vamos ter qualquer custo.
O problema deste argumento é que se aplica a todos os recursos naturais, o petróleo não custa nada (só custa extraí-lo e refiná-lo), a água não custa nada (só custa construir a barragem e instalar as turbinas), o vento não custa nada (só custa fazer as turbinas) e, mesmo assim, temos que pagar as coisas que se obtêm a partir dos recursos naturais.
Neste post vou tentar explicar o problema da energia solar e qual será o seu custo para o utilizador doméstico.
 
Quanta electricidade precisamos.
Uma família de 4 pessoas consome uma média de 15kwh/dia, estando o consumo mais concentrado nos dias de semana entre as 7h e as 11h e as 18h e as 22h. Este consumo implica uma conta mensal na ordem dos 110€.
 
Quanta energia eléctrica aproveitável tem a luz solar.
Durante um dia médio solarengo, por exemplo, de Outubro, um painel de 1m2 virado a Sul com 40º de inclinação, tem uma produção de 11 horas com uma potência média de 115w.
 
Fig. 1- Evolução da produção elétrico-solar num dia solarengo de Outubro
 
O investimento nos painéis solares.
Em média anual de 10 anos, temos em Portugal o equivalente a 4 horas de sol por dia pelo que a "eficiência" do painel solar se traduz na produção média diária na ordem dos 0,115*4 = 0,46kwh/m2.
Se conseguíssemos armazenar a energia produzida (com perdas de 15%), para termos 15 kwh/dia apenas precisaríamos de 40m2 de painéis solares.
Mas não vamos conseguir armazenar pelo que precisamos de excesso de capacidade, no mínimo de 100% para termos electricidade nos meses de Inverno o que atira as necessidades para 80m2 que têm um custo de 20000€.
Estes 80m2 vão ter momentos em que produzem uma potencia de 20kw mas que não precisamos para nada (nem ninguém que tenha painéis solares precisa).
 
Aqui começa a primeira parcela do custo!
Amortizar 20000€ em 20 anos à taxa de juro de 3%/ano dá próximo dos 110€/mês!!!!!!
20000*3%/(1-(1+3%)^-20) = 1344€/ano.
Já está o preço que pagamos ligando a tomada à rede e ainda falta pagar a "contribuição audiovisual" para ajudar os comedores da RTP.
Vamos empatar o dinheiro 20 anos e não tenho a certeza que os painéis aguentem tanto ano!
 
É preciso armazenar a electricidade de dia para a noite.
A bateria vai perdendo capacidade e, por isso, tem que ser sobredimensionada para aguentar uns anitos. Além disso, há dias nublados que precisamos ir buscar energia à bateria.
Segundo um estudo que vi num site qualquer, a bateria tendo capacidade correspondente a 5 dias de consumo, vai durar 10 anos com o problema de, nos anos finais, ser preciso poupar muito nos dias nublados (não é bem a mesma coisa de aceder à rede).
No nosso caso, precisamos de 15kwh/dia*5 dias = 75kwh.
 
Aqui começa a segunda parcela do custo.
São duas baterias de 40kwh que têm um preço de 15000€ (utilizadas no Renault ZOE).
Amortizar 15000€ em 10 anos à taxa de juro de 3%/ano dá mais 150€/mês!!!!!!
15000*3%/(1-(1+3%)^-10) = 1758€/ano.
 
E depois, ainda há umas pequenas parcelas relacionadas com arranjar lugar para meter os painéis solares, instalar e testar o equipamento e a manutenção como a lavagem dos painéis.
 
Somando nada ao tudo dá
Energia solar => 0€
Custo financeiro dos painéis => 110€/mês
Custo financeiro das baterias => 150€/mês
Instalação e manutenção => 20€/mês
O total dá 0 + 110+150+20 = 280€/mês.
Gastar 280€/mês para aproveitar um recurso gratuito para evitar gastar 110€/mês com a ligação à rede que tem melhor serviço (a rede nunca falha e o Sol ...) parece-me uma coisa para intelectuais de esquerda.
 
Para ser competitivo, ainda falta encolher muito os custos.
Não quero dizer que não haja situações em que a energia electrica a partir do sol não seja competitiva como usada para pequenas potências (carregar telemóveis, fornecer uma lâmpada LED de 6w) em locais perdidos no meio do nada. Mas para ser competitiva em locais onde há rede electrica (e para grandes potências), obriga ainda a um significativo baixar de custos nos paineis e nas baterias.
Temos que esperar uma redução na ordem dos 2/3 o que ainda vai demorar pelo menso uns 20 anitos mas temos que ter esperança por chegarmos aqui demorou milhões de anos!
 
Apanhar sol é bom mas iosso da electricidade solar, já não vai ser para o meu tempo.
 
As mortes nos incêndios florestais.
Mesmo a chover, nos últimos dias morreram 4 pessoas queimadas em fogos florestais.
Velhinhos que estavam a tentar fugir da ameaça de multa.
Imagino que, começando o calor, vai ser uma catástrofe.
Os lares da terceira idade vão falir todos.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Será que devíamos e podíamos poupar água?

Este postesito tem duas partes mais um. 
A primeira é se devíamos e a segunda como podíamos.
No final, vou falar da desmatação.

Se devíamos poupar água.
A água tem um enorme valor, seja no consumo doméstico, industrial e serviços mas, em volume, principalmente na agricultura.Também tem enorme valor como ecossistema (para os peixes, batráquios e insectos).
O problema da água é que, apesar de ter muito valor, a sua abundância faz com que não estejamos disponíveis para pagar um preço elevado.
Por exemplo, o Rio Amazonas descarrega no mar 2100 vezes o caudal que entra na Barragem de Alqueva, vinda do Guadiana, mas não paga pegar nela e transporta-la até cá.
Por exemplo, um enorme saco de plástico com 1mm de espessura, praticamente à velocidade das correntes, para transportar água de rios caudalosos para zonas mais secas.

Um barco à vela a rebocar uma gigantesco saco plástico com 20 milhões de m3 de água doce.

Mas em Portugal há muita água.
Os nossos rios descarregam muita água no Mar, cerca de 2200 m3/s, colocando-se apenas a questão da economicidade de pegar na água disponível (por exemplo, no Rio Minho) e transporta-la para os campos (por exemplo, de Setúbal).
Por isso, enquanto consumidores domésticos disponíveis para pagar balúrdios todos os meses, não há necessidade de poupar sob o argumento de que é um recurso escasso.

Como podíamos poupar água.
Como penso já ter ficado claro, a questão da água é a questão do preço que estamos disponíveis a pagar por ela (para o transporte).
Vamos imaginar um país em que a água é um bem muito mais caro de obter do que a média, por exemplo, Israel, e que há verdadeiramente necessidade de reduzir o consumo doméstico.
Existe tecnológia que permitiria poupar pelo menos 50% da água que se gasta em casa.

Máquina de lavar roupa.
Uma máquina de lavar roupa gasta relativamente pouca água, cerca de 10 litros por cada quilograma de roupa, 50 litros de água numa máquina de 5kg. 
Mas o consumo é dividido em 4 partes.
A primeira parte é a lavagem na qual, junta-se o detergente, e a máquina roda a roupa durante 1,5 horas.
A água que sai é suja (dependente da roupa) e com detergente pelo que deve ser deitada fora.
A segunda parte já é enxaguamento e ainda sai um bocadinho suja e com detergente mas já pode ser usada para lavar o chão da cozinha.
A terça e quarta partes, são de enxaguamento mais fino, e a água sai praticamente limpa.
Esta água pode ser armazenada para reutilizar na próxima lavagem (para as fases 1 e 2)
Se a máquina tivesse um reservatório onde pudesse guardar esta água (para comodidade), poderia haver uma poupança de 50% na água que gasta.
Passa-se o mesmo com a máquina de lavar louca.

Banhos.
Quando tomamos banho, como é mais um ritual que uma necessidades ...
Dizem que a Rainha de Inglaterra toma banho uma vez por mês, mesmo que não precise.
... a água que sai pelo ralo, poderia ser bombada para um depósito e, depois, utilizada na sanita.
Automaticamente para poupar o incómodo.

O que acontece se pouparmos água?
Segundo dados que recolhi do relatório de contas das Águas do Douro e Paiva, cada m3 de água produzida em alta pressão tem um custo de 0,40€/m3 do qual 80% são custos fixos. Depois, somam-se os custos da distribuição (da responsabilidade das autarquias) e  acabamos a pagar 5,00 €/m3!
O que interessa é que a maior parte do que pagamos são custos fixos o que faz com que, se reduzirmos o nosso consumo, continuaremos a pagar quase a mesma coisa.
Por isso, não vale a pena.

É como a desmatação da floresta.
Parece que, ao obrigar os pobres e desgraçados do itnerior a desmatar os seus terrenozitos, parece que a geringonça está a fazer alguma coisa para acabar com os incêndios florestais e com a desertificação do interior.
Dizem eles que "cria postos de trabalho" mas esquecem-se de dizer "não remunerados porque aquilo não rende um caralho."
Mas o problema dos fogos florestais não está nos fogos mas na ineficácia do combate.
Os nosso bombeiros não conseguem parar o fogo quando ele está mais vulnerável que é quando arde em vegetação rasteira.
E garanto-vos que o fogo arde em terreno desmatado, tecnicamente limpo, e os bombeiros olham e deixam andar porque não sabem o que fazer.
Se os bombeiros não conseguem conter os fogos nas auto-estradas e nos grandes rios, não vejo como desmatando se resolve o problema da incompetência no combate.
Desmatar a floresta (e obrigar a deixar 4 metros entre copas é cortar tudo, até as árvores dos parques das cidades) é como proibir de ter roupa e móveis em casa porque são combustíveis e podem arder.

Estava limpo e ardeu na mesma porque eu não sabia o que fazer.

E o que deveria ser feito?
Deixar a vegetação no mato pois cortá-la é o maior atentando ambiental dos últimos 10000 anos.
Depois, quando houver um incêndio, tem que ser feito contra-fogo sem dó nem piedade.
Tem que ser feita uma "analise de probabilidade" e tudo o que tiver risco de vir a ser atingido pelo fogo, tem que ser rapidamente queimado com um contra-fogo.
Meter nos outros, nas potenciais vítimas, a obrigatoriedade de cuidar delas e dizer "nós é que estamos a fazer coisas para acabar com os incêndios" é o maior golpe de propaganda da história da humanidade.

O Rui Rio não vale nada.
É que estão a obrigar a desmatar em locais de que não há registo histórico de alguma vez ter havido um incêndio florestal.
O PSD está calado e os esquerdistas lá vão fazendo o papel do hermafrodita, são em simultâneo macho e fêmea, governo e oposição.

O mãe, aquela senhora é um homem com mamas ou aquele senhor é uma mulher com pirilau?

sexta-feira, 13 de abril de 2018

A nova ponte no Douro é uma insanidade.

O problema dos loucos é quando têm poder. 
Quando ouvi o anúncio da nova ponte sobre o Douro, achei muito estranho a coisa ter surgido assim do nada mas, mais estranho, foi o discurso do "não precisamos de dinheiro de ninguém" o que traduz que "não queremos ouvir a opinião de ninguém".
A ponte sobre o Douro é algo positivo mas não naquele sítio, que liga Nenhures com Lado Nenhum.
O lado de Gaia, temos a Praia do Areínho, um lugarezo que mais parece uma aldeia do interior, com campos de milho e batata. Do lado do Porto temos uma enorme escapa onde encosta a ponte dos comboios.
E pior ainda, tem a Ponte do Freixo a 500 m de distância, com 4 faixas para cada lado!!!


Alguém me consegue explicar!
Como pode uma ponte encostada à Ponte do Freixo, com a Ponte do Infante pelo meio, pode ser alternativa à Ponte D. Luís I se, por essa nova ponte, ir  da Ribeira de Gaia até à Ribeira do Porto passam a ser 7 km em estradas altamente congestionadas e outras autênticos caminhos de cabras?
E quando fica muito mais perto e rápido usar a Ponte do Infante que quase não tem trânsito?

Vamos supor que era importantíssimo fazer uma ponte à cota baixa ali.
Então, tinha-se feito a Ponte do Infante, feita apenas há 15 anos, com um tabuleiro inferior.
Será que, no entretanto, o trânsito aumentou?
Não, diminuiu.

O Problema não está ali!
O problema está na travessia do Douro pelo trânsito que vem da ligação da A28 (que vem de Norte junto ao mar - Matosinhos/Aeroporto/ Vila do Conde/ Póvoa de Varzim/Viana do Castelo) à A1.
São milhares e milhares de carros, camiões e autocarros que se congestionam na Ponte da Arrábida e que, a volta pela Ponte do Freixo, congestiona a VCI (e enche a cidade de poluição) e acrescenta 8 km ao trajecto.
Só estes 8 km, contabilizando apenas metade do combustível (0,04€/km), permitiria financiar um alargamento da Ponte da Arrábida com uma portagem de 0,35€ por cada veículo ligeiro e 1,20€/km por cada camião grande.

Para aqueles que diziam que o Luís Filipe Menezes era um louco!
Aqui está a resposta vinda das profundezas do manicómio.

Vão-nos dar cabo da praizinha do Areinho.

E o nome é uma parolada.
O que é que esse homem que foi bispo fez?
A cidade já teve centenas de bispos e que tem este de especial?
Não será de manter a regra do Local (Ponte da Arrábida e Ponte do Freixo) ou de uma figura histórica (Ponte de Luís I, Ponte da D. Maria II. e Ponte do Infante).

E o nome todo, como dizem as crianças?
A seguir a regra destes 2 parolos que agora presidem às câmaras do Porto e Gaia, a Ponte Luís I. terá que se passar a chamar Ponte Luís Filipe Maria Carlos Amélio Fernando Victor Manuel António Lourenço Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Bento de Orleãns-Bragança e Saxe-Coburgo-Gotha. 
No máximo, deveria ser Ponte D. António mas em referência a António Ferreira Gomes e não a este António Francisco dos Santos que ninguém conhece.
Mas se querem o nome, ficava bem D. Vimara Peres que tomou a cidade aos mouros no ano 868.


quinta-feira, 12 de abril de 2018

Libertem Rafaela e Inês

Estes dias rebentou mais uma bomba!
Alegadamente, a Rafael teve um filho.
Alegadamente, a Rafaela matou o filho recém nascido com 3 facadas no corpinho.
Alegadamente, a Inês, irmã gémea da Rafael, ajudou no parto e nas facadas.
A Rafaela e a Inês estão em prisão preventiva.
Mas é uma injustiça porque o que as irmãs fizeram foi um aborto depois das 12 semanas de gestação que é punido com o máximo de 1 ano de cadeia, o que não dá para a prisão preventiva.
 
Sem mãe, não há filho.
A Rafaela poderia ter ido a uma farmácia e ter mandado abaixo a coisa com uma pastilha.
Também poderia ter ido a um hospital, ter votado a coisa pelo cano abaixo e nem pagava taxa moderadora.
E todos os anos são "apenas" 16000 potenciais mães que "votaram abaixo" a coisa e nenhuma fica em prisão preventiva.
Sendo que a Rafaela não fez isso quando o poderia ter feito, agora merece compreensão e perdão.
A Rafaela mais que uma criminosa, é vítima da sociedade em que vive, vítima da vergonha, da pobreza, da mesquinhês das pessoas que apenas sabem apontar o dedo na hora do fracasso mas nunca se lembram de estender a mão na hora de ajudar.
 
Vamos ao que realmente se passou.
O Marques Mendes estava lá e garantiu-me que, juridicamente, o que aconteceu foi um aborto ilegal.
A Rafaela sempre quis fazer o aborto mas, contou mal o tempo e, quando deu conta, já tinham passado as 12 semanas.
Como não tinha dinheiro para ir a uma clínica (sim, quem tem dinheiro, resolve a coisa facilmente) pediu ajuda à irmã gémea.
A Inês segurou na perna direita e a Rafaela, tal como eu fazia metendo a gaiola a saída da toca do grilo, encostou a faca à "porta da criação" para o "bicho" não poder sair.
Mal o "bichinho" começou a sair, a faca vazou-lhe as carnes tenras. Não foi a Rafaela que o esfaqueou mas ele próprio que se enfiou na faca, podendo ter-se desviado e saído por outro lado.
Diz a Inês, única testemunha do caso (além do Marques Mendes), que a criança não chegou a nascer. Que a facada acabou com ela e que a irmã apenas lhe "deu mais 2 facadas porque sempre teve a vontade de ser médica e queria ver se, por dentro, o 'bichinho' era igual a um coelho".
E era.
 
"Foi mesmo assim, só que era a Inês que estava a segurar a perna e a Rafaela usava a mão para encostar a faca  á "boca da criação". E estava sem cueca!" (disse-me Marques Mendes que viu tudo)
 
Vamos ao crime.
Vamos ver o que diz o Código Penal Português.
Começa por dizer que o crime de aborto depois das 12 semanas de gestação é punido com 3 anos de cadeia.
 
Artigo 139.º - Aborto 
2.º - Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, fora dos casos previstos no artigo seguinte, será punido com prisão até 3 anos.
3.º - Na mesma pena incorre a mulher grávida que, fora dos casos previstos no artigo seguinte, der consentimento ao aborto causado por terceiro, ou que, por facto próprio ou de outrem, se fizer abortar.
Mas logo atenua a coisa para 1 ano de cadeia.
 
4 - Se o aborto previsto nos n.os 2 e 3 for praticado para evitar a reprovação social da mulher, ou por motivo que diminua sensivelmente a culpa do agente, a pena aplicável não será superior a 1 ano.
 
Onde estão as esganiçadas de esquerda?
É aqui, meninas, que têm que levantar a voz a defender estas duas vítimas da sociedade maxista.
Gritem até que a voz vos doa, "Libertem Rafaela e Inês".
 
 
 
 

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Terá a Síria solução?

Eu já previa isto. 
Quando a guerra começou na Síria, há 7 anos, disse eu que, mais para o fim da guerra, milhares e milhares de pessoas iriam morrer. 
Uma guerra começa em nada e sem convicção mas, com o passar do tempo, com a morte dos amigos, dos familiares, das pessoas amadas, os sobreviventes tornam-se mais amargos e odientos, desumanizando os adversários que começaram por ser apenas pessoas com ideias políticas diferentes. 
durante muito tempo julguei que a queda do regime estava próximo mas, a Rússia procurar protagonismo e as aparentes divisões do Ocidente, principalmente dos USA, fizeram Assad ganhar momento e virar as batalhas a seu favor.

Eu previ mesmo o aparecimento de um novo país.
Pensava eu que o Estado Islâmico iria aprender com a Al Kaeda e, em vez de atacar tudo e todos, iria consolidar o seu território e tentando fazer pontes com os USA (e Israel) contra a Rússia, o Irão e Assad mas não, fez tudo mal e ao contrário do que deveria ter feito, repetiu apenas os erros do passado.

E o Trump não faz nada!
Aqui é que eu penso de forma diferente.
O Trump está a trabalhar mas, para poder actuar, as forças no terreno que estão a ser massacrados pelo  Assad+Rússia+Irão têm que "assinar" um acordo de não agressão com o Ocidente.
E por isso é que o Trump deixou a Turquia avançar e, depois de repetidas violações da proibição de uso de armas químicas e constantes bombardeamentos contra pessoas indefesas, anunciou que os USA vai retirar as tropas da Síria.

Um dia ...
Os do Daesh vão identificar que os USA são a única potência que os pode salvar e vão dizer "nós amamos o Trump" e nesse dia, os mísseis terra-ar portáteis vão entrar no teatro de operações e a Rússia vai entrar num atoleiro pior ao que viveu, nos anos 1980, no Afeganistão.

O Afeganistão foi a batalha final em que o Ocidente conseguiu derrotar a URSS (depois de batalhas por toda a parte, incluindo Angola)

A Rússia de Putin tem que ser derrotada.
A Rússia, apesar de ser um governo de direita, é a mãe dos esquerdistas órfãos (basta ver como o Bloco de Esquerda e os Comunistas defendem tudo o que o Putin faz).
Agora, a Rússia como contra-poder tem que ser derrotada e, para isso, não se vão usar armas nucleares mas, repetindo a guerra fria, puxa-los para conflitos por procuração que desgastem economicamente.
A dimensão da economia dos USA mais a da UE é 26 vezes a dimensão da economia russa, uma desproporção muito maior do que no tempo da URSS o que indica que a Rússia de Putin não vai aguentar Assad assim que entrarem no teatro de operações os mísseis terra ar portáteis.

Quadro 1 - Lista das maiores economias (GDP 2017, média entre o FMI, o BM e ONU).
País PIB(E12) %PIBMundo
USA 18,9 25,0%
UE 16,6 22,0%
China 11,5 15,2%
Japão 4,9 6,5%
India 2,3 3,1%
Brasil 1,8 2,4%
Canada 1,6 2,1%
Korea do Sul 1,5 1,9%
Russia 1,4 1,8%

Falar um bocadinho do Sporting.
Não me parece grande problema pois o Bruno de Carvalho apenas tenta ser o Trump do futebol português.
Tal como os peixes precisam de águas revoltas para, procurando redemoinhos, subir os rios, o Bruno de Carvalho precisa do caos, da loucura total para criar um espírito de grupo.
O Sporting tem o "problema do Natal", que já tinha muito antes do Bruno de Carvalho aparecer, e isso não se resolve facilmente, de um dia para o outro.

Será que o Jorge Jesus actuou melhor que o Bruno de Carvalho?
Nem poderia ser de outra forma.
O Bruno de Carvalho recebe 140mil € por ano.
O Jorge Jesus ganha 6000mil € por ano.
O Jesus ganha 42 vezes mais do que ganha o Bruno de Carvalho pelo que tem que ser 42 vezes mais competente que o Bruno de Carvalho.
Isto vai acalmar e só espero que ganhe o melhor (o FCP!).

sexta-feira, 23 de março de 2018

O problema dos ciganos

Não é politicamente correcto falar dos ciganos mas vou arriscar. 
Quem sabe se este poste não me vai custar mais um mês de ordenado!
Mas isso pouco me interessa pois quero mesmo falar deste assunto (ia dizer problema mas acho melhor ficar por "assunto") até porque têm sido, nos últimos meses, os meus (e da minha mãe) fornecedores de roupa.
E, como diz a minha mãe, "nunca tivemos tanta roupa".
Além disso, o Presidente Marcelo já falou deste problema (numa visita que fez a um acampamento em Faro).

Porque existem ciganos?
Porque são perseguidos e discriminados (não, não me enganei, na ortografia, como o Feliciano Barreiras fez).
Se todos nós gostássemos muito dos ciganos (digo "nós" como povo europeu e ao longo dos séculos), estes já teriam desaparecidos, diluídos no meio dos povos que foram moldando o nosso genoma e a nossa cultura. Teria acontecido como aconteceu aos escravos africanos, que eram em muito maior percentagem ("Em 1500 já a população de Lisboa era composta por 10% de escravos negros") e que desapareceram sem deixar rasto visível.
Outro exemplo são os judeus que nos países onde eram menos perseguidos se tinham, na maioria, diluído e perdido. Por exemplo, na segunda guerra mundial, os nazis com a colaboração de pessoas de outros países, mataram cerca de 6 milhões de judeus. Esta pessoas foram mesmo mortas mas existe controvérsia quanto a serem judeus pois, muitas delas, já nem se lembravam que tinham ascendentes judeus.
Sim, em Portugal os judeus também "desapareceram".

Os ciganos precisam ser ajudados mas têm uma cultura muito própria.
Os ciganos vivem em grande miséria sendo que o principal problema é a habitação e as utilitidades (água, esgoto e electricidade).
Eu, nas minhas compras de roupa usada, converso com os vendedores e o problema maior que me relatam é a falta de alojamento. Ainda no Sábado passado um chamou-me para uma conversa:
- Oh chefe, você não tem uma barraquita que me possa arrendar?
- Mas o senhor não mora nas barracas da Câmara quem vai para a Marinha?
- Sim, vivo lá mas o vendaval arrancou as folhetas e a Câmara não me quer deixar metê-las outra vez,dizem que nos querem meter dali para fora. E para onde é que a gente vai morar?
(Penso que não é bem verdade, a Câmara não os quer expulsar mas fica a conversa)

Pensei eu!
Mas porque é que estas pessoas não compram um mato e fazem lá umas barracas?
Se o terreno fosse deles, será que algum presidente da câmara iria ter coragem para lhes mandar as barracas abaixo?
Até vinham cá os da ONU, é que nós ainda não vivemos na Síria!
Eu até já identifiquei um mato que está à venda por 21000€ o que, mais despesas, fica nos 22500€.
São 12500m2, numa zona sossegada, perto de uma estrada, que dão à vontade para 30 barracas grandes, estacionamento para as carrinhas e ainda uns cobertos para meter a roupa usada com que fazem a vida.
22500€ para amortizar em 25 anos, dá 100€/mês.

O problema?
Não sei como dizer isto sem ferir suscetibilidades.
Primeiro, se os vizinhos souberem que os ciganos querem comprar o mato, não vão deixar (ninguém os quer por perto). 
Segundo, eu até podia comprar o mato, ser o  "landlord" e cobrar 100€/mês mas o problema é que o cigano procura sempre enganar seja quem for (nunca iria receber a "prestação").
É como o Maradona que, quando marcou o golo com a mão, ficou mais contente do que se tivesse marcado 100 golos com os pés ou o Paulinho Santos que se riu sozinho quando, com uma cotovelada, partiu os dentes ao João Vieira Pinto  (e até eram amigos!).

Os pais querem os filhos longe da outra canalha!
Interessante este facto!
O Presidente Marcelo disse "temos que os integrar" mas, aparentemente, os ciganos não querem viver com os outros. Chegam a um sítio qualquer e até parece que criam problemas para serem expulsos dali.
É que os ciganos são inteligentes e sabem perfeitamente que "integrar" é sinónimo de "destruir", de "aculturar".
Um dia perguntei a uns ciganos se os filhos andavam na escola "Nem pensar, é que eles, depois, ficam com vergonha de serem ciganos, querem ser como os outros. Gente como a outra há muitos e ciganos somos poucos, não estou para sustentar canalha para, no fim, serem gente como a outra, que os sustentem os outros."

O sistema tem que ser "à prova de calote".
Uma ligação de água e esgotos à rede custa, numa família de 6 pessoas, no mínimo 30€/mês! Para ser "à prova de cigano", o sistema de abastecimento de água potável e de esgotos tem que ser "fora da rede" (que não seja preciso pagar)!!
Imaginemos números exagerados de população e consumo.
30 barracas com 6 pessoas por barraca, são 180 pessoas.
110 litros de água por dia por pessoa, são 20 m3 por dia, 0,25l/s.

1) Faz-se uma captação a uns 100 metros do acampamento, mete-se um doseador de cloro à entrada de um depósito de 20 m3 e já temos água potável para toda a gente sem o problema do "corte por falta de pagamento."

2) Faz-se uma fossa séptica de 3 compartimentos com sumidouro (para tratamento dos esgotos domésticos) com 90 m3, 0.5m3/pessoa.

A) Um compartimento onde entra a água residual e que serve para separar os sólidos (que vão ao fundo) dos líquidos (ainda contaminados mas com muito menos carga orgânica).
B) Outro compartimento, serve de armazenamento dos sólidos (lamas) que serão, uma vez por ano, descarregados para adubar os campos. Se cada pessoa produzir 30g de lamas (peso seco) por dia, diluídas a 95%, é preciso armazenar 40 m3 de lamas por ano (chama-se "água choca").
Como um terreno agrícola pode receber até 4kg/m2/ano de lamas (peso seco), é suficiente pedir a alguém com 1000m2 de terreno agrícola longe dali (a custo zero, e ainda vai agradecer) e "virar a leiva" .
Sempre que se retira parte do compartimento B, as lamas do compartimento A deslocam-se pelo tubo de fundo para preencher o vazio deixado.
C) Um sumidouro que infiltra no subsolo as águas residuais já com pouca carga orgânica.

Fig. 1 - Uma fossa céptica de 3 compartimentos: 
A = decantação, B = armazenamento de lamas, C = sumidouro

Desta forma, a água e o saneamento ficam baratíssimos, na ordem dos 0,10€/m3, e é água segura.
20 m3/dia * 30dias * 0,10€/m3 / 30 barracas = 2,00€/mês por barraca.
Mesmo que os consumos sejam maiores, a factura total da água ficará sempre abaixo dos 100€/mês o que torna possível que, mesmo os ciganos, paguem.
O custo da água é principalmente electricidade para as bombas.

Fazer mais umas infraestruturas.
Dividem-se o terreno em talhões, fazem-se os caminhos em macadame, metem-se os tubos de água e de saneamento e metem-se uma lâmpadas para iluminação pública.

E a electricidade?
Aqui é que está o maior problema porque é razoavelmente caro e os ciganos custa-lhes pagar isto (fazem muitos "desencaminhamentos")
O sistema teria que ser tipo "condomínio" tendo dois níveis de medição.
Ao nível um, seria medido o consumo de electricidade de todo o acampamento e calculado o total facturado.
Ao nível dois, seria medido o consumo individual e o total facturado dividido proporcionalmente pelas barracas.
Assim, se alguém "desencaminhar" electricidade, pagam os outros (que passarão a estar atentos).

Depois, é só fazer as barracas.
Casqueiras de madeira (que é a parte de desperdício quando se fazem tábuas, enchimento com desperdícios florestais como isolamento térmico, casqueiras asfaltadas como telhado (é mais barato que folhetas metálicas e muito melhor) e janelas pequenas para melhorar o conforto térmico.
Já está.

Um subsídiositos.
As obras nas infra-estruturas podiam ser feitas pela Câmara, tipo uma ajuda em géneros, que não custa assim tanto. 
A electricidade também podia ter um subsídio de "60% em cartão Continente", 30% pago pela "tarifa social" e 30% pelo Continente.
As casqueiras e demais materiais de construção também se poderiam arranjar quase à borliex.
É só haver boa vontade.

sexta-feira, 16 de março de 2018

O homem que matou a cabeleireira é uma vítima

Bem sei que isto vai causar polémica mas vamos a ela. 
Ontem um homem matou uma mulher e dois cães, à facada.
Hoje esse homem apareceu enforcado num poste de Alta Tensão.
Até aqui, é apenas mais um caso da CMTV.
Mas este caso é muito interessante de analisar porque contém os sentimentos mais forte que alguém pode sentir e é uma história que se repete ao longo da História da humanidade. 
Começa com a confiança (e como a confiança é importante), passa pela traição, dá lugar ao desespero, desenvolve a vingança e acaba na loucura descontrolada.
Há tantos casos de "homens bons" que ficam tresloucados e matam por desespero.

Vamos ao que aconteceu.
Uma criancinha nasceu e puseram-lhe o nome de Adolfo. Os pais eram pobres, também cresceu pobre, passou fome, frio, desmazelo, usou roupa dada, rota, teve que abandonar a escola cedo porque era longe, tinha que ajudar os pais no campo e nunca pode comprar um livro.
Adolfo fez-se homem, sempre na miséria de cavar campo de manhã à noite, casou-se nessa aldeiazinha, foi morar para uma barraca que era curral para o gado e, certo dia, porque se via que era trabalhador, alguém lhe disse "anda comigo para a Suíça que arranjo-te qualquer coisa, não podes continuar enterrado nesta miséria".
Lá foi, deixou a aldeia, a mulher, a filha, foi para um meio totalmente diferente, sem saber uma palavra, que sacrifício, mas esforçou-se por vencer, ganhou dinheiro que mandou para a mulher e poupou para, um dia, viver.

A confiança.
Esse dia, um dia, aconteceu, quando conheceu a cabeleireira, mulher fulgosa.
Então, o plano do Adolfo foi pegar no seu dinheirinho, escapar da mulher e da filha que, com o tempo, se tinham transformado em duas cabras, e começar a viver a vida que sempre imaginou poder um dia ter.
Pegou então no dinheirinho, comprou uma casa e um mercedes que meteu em nome da cabeleireira para que "as cabras não mo possam tirar". 
Saiu de casa dizendo, "Adeus filha, até nunca mais". 
"Para onde vais pai?" -Perguntou a filha.
Disse "Vou  viver!" quando não sabia que os dias da sua vida já estavam contados.

A traição.
Chegou a casa da cabeleireira 
-Meu amor, agora vamos viver! - disse o Adolfo
-Adolfo! Tu estás maluco ou quê! Tu não passa de um chato! Põe-te mas é a andar daqui, vai para a porca da tua mulher!
-Mas tua dizias que me amavas!
-Tu és um tanso, bem dizia a minha mãe que és burro como uma porta.
-Mas..., e a minha casa e o meu mercedes...?
- És mesmo burro! Olha para ti! Achas que tens estaleca para uma mulher como eu?  A casa e o mercedes são meus, estão em meu nome, põe é a andar daqui senão ainda chamo a GNR. Até me metes nojo!

O desespero.
Adolfo sentiu um calor invadir-lhe todo o corpo, a cabeça a inchar e as veias da testa a latejar.
Era a adrenalina a inunda-lo como acontece ao soldado no momento que salta da trincheira para carregar sobre o inimigo e nem sente as balas no corpo.
A visão ficou turva, ficou cego de ódio, a boca secou, a respiração ficou ofegante, começou a suar.

A vingança.
Pegou numa faca que tinha ali à mão de semear, foi-se a ela, "Puta" e espetou-lha vezes sem conta.
Não parava de repetir, "Filha da puta, hás-de arder na puta do Inferno!!!!"
Vêm os cães, ladram, ladram, um deles morde-o numa perna mas o Adolfo nada sentiu, enfia-lhe a faca entre as costelas - "Filho da puta, não comes mais da minha ração".
Vem o outro e acontece-lhe o mesmo.
-Filhos da puta, ide fazer companhia a esta cabra que deu cabo da minha vida.

A loucura.
A mente do Adolfo não voltou mais ao seu estado natural.
A carga emocional desestrutura toda a mente, a sede de vingança aumenta a cada segundo, se pudesse, se tivesse um bomba atómica, acabava com a humanidade. O eu dissocia-se do seu corpo passando-se a ver como um elemento estranho à realidade, como se estivesse a ver um filme, alucinações infernais inundaram a sua visão, ouve gritos vindos de toda a parte, gritos vindos do inferno. Pegou no carro e começou a gritar, gritou, gritou, gritou e gritou de desespero. Parou num sítio qualquer, voltou a gritar, gritar e gritar e terminou com a sua vida como se, com isso, fosse começar a tal vida que sempre quis viver.

Há os que recuperam.
Há homens que conseguem recuperar o seu estado normal e que, depois, não conseguem expicar o que aconteceu.
Há heróis que, depois, não querem ouvir falar do que fizeram nem sequer ver quem quer que seja lhes recorde o que se passou.
É a PPST, a perturbação pós-stress traumático.

Porque é que o homem foi uma vítima.
Claro que foi vítima da cabeleireira que mais não era do que uma burlista.
Mas, verdadeiramente, o Adolfo foi vítima da natureza humana, das estratégias que a nossa mente desenvolveu ao longo dos milénios para que conseguíssemos sobreviver enquanto espécie animal perdido num meio ambiente muito agressivo.
Sim, gosto de me colocar milénios atrás, como os nossos antepassados, no meio da savana africana, cercado por leões e hienas, vítima de secas terríveis, de ataques de outros humanos e imaginar como o comportamento de hoje vem desses tempos.
E vem, esta reacção automática e animalesca que transforma "um bom homem" (sim, toda a gente diz destes assassinos tresloucados "era um bom homem") num assassino impiedoso foi o que permitiu, no passado, actos de grande valentia e heroísmo, de David enfrentar Golias, de "um punhado de heróis" enfrentar e vencer os castelhanos que eram muito mais numerosos, de esquecer a dor e a incapacidade e sacrificar a própria vida para "corrigir uma injustiça".

Será que podemos confiar?
Cada vez mais penso que não.
Ao menor sinal de alarme, o melhor é passar ao estado de segurança.
Hoje, tinha muito mais que dizer, mas vou-me ficar por aqui.

Dizia o meu pai: há coisas mais perigosas do que metermo-nos debaixo de um comboio.



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