domingo, 2 de agosto de 2015

26 - A selecção

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
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Ver o capítulo anterior (25 - O anúncio)    




26 – A selecção
Nessa noite o Dessilva mal pregou olho. Como poderia ele escolher uns e deixar outros à sua sorte, condenado-os à miséria e, talvez, até a uma morte violenta?
O Dessilva não parava de pensar nas implicações da escolha “Escolhendo os 30 casais que vão para a América, estou indirectamente a escolher os casais que vão viver uma vida de miséria.”
Como esteve toda a noite às voltas com este dilema, mal o galo cantou e ouviu que havia barulho na cozinha, levantou-se e foi, ainda com o seu pijama vestido e o gorro na cabeça, naturalmente brancos, falar à cozinha com a Sr.a Celeste.
– Bom dia Dr.a Celeste.
– Harre que hoje o Sr. Dessilva madrugou! Levantou-se ainda primeiro que as galinhas!
– É que estou com um problema muito difícil que nem me deixou pregar olho. É que candidataram-se mais de 500 casais e só podem ir 60 para a América.
– E onde é que está o problema? Querem ir mas não podem!
– O problema é que tenho que escolher quem vai e, ao escolher uns, estou a condenar os outros à miséria.
– Sabe Sr. Dessilva, eu não vejo nenhum problema mas nem vou dizer nada sobre isso porque, se o Sr. acha que isso é um problema, quem sou eu para o contrariar? Mas digo-lhe uma coisa, vá falar com o Padre Augusto que ele tem solução para todos os problemas do Mundo e, no caso de não ter, logo pergunta ao Espírito Santo e ele avança com a solução.
– Foi exactamente isso que o Sr. Costa me disse ontem! A Celeste acredita mesmo que o Espírito Santo fala com o Padre Augusto?
– Tenho a certeza disso. Quando o Sr. Padre tem um problema cabeludo, anda como que perdido pela aldeia, sem comer até que o Espírito Santo se digne dar-lhe uma resposta, havia de o ver, parece alienado. Eu só penso que, se um dia o Espírito Santo está ocupado, o velhote morre de fome!
– Bem, este problema está-me mesmo a consumir, eu pensa que estava preparado para tudo mas isto de haver 1000 pessoas a querer ir-se embora colheu-me de surpresa. E, o pior, é que não tenho esperança nenhuma que o Padre Augusto tenha uma solução para este problema.
– Mas vá, vá lá mesmo que sem esperança, é que o Sr. Dessilva não tendo a solução para o problema, naturalmente, muito menos saberá quem a tem. Procure sem esperança e vai encontrar a solução ou talvez não, só Deus o sabe. Mas pior do que está nunca ficará.
– Sim, sim, pensando assim, tenho mesmo que ir. Vou então preparar-me para depois, mesmo sem ter qualquer esperança, ir falar com ele.
– Sim, e até pode ser que a solução não venha pela boca dele mas de qualquer coisa que lhe aconteça pelo caminho. E nunca sabemos quais são os desígnios de Deus, até pode acontecer que a Sua vontade seja que ninguém saia daqui e esta confusão na mente do Sr. Dessilva não passe da forma de o fazer, faz-me lembrar a Torre de Babel ...
– Olhe Sr.a Celeste que eu nunca tinha pensado nessa hipótese mas pode mesmo ser verdade!
Quando o Dessilva chegou a casa do Padre Augusto este estava mesmo de partida para a missa matinal que rezava todos os dias às 7h da manhã.
– Dessilva, venha comigo e aproveitemos para fazer os dois juntos essa mesma pergunta ao Espírito Santo. Quem sabe se não é durante as nossas orações que nos vai enviar a luz.
A missa, por ser num dia comum, correu rapidamente, nem 20 minutos e já estava acabada. No final, o Padre Augusto apontou ao Dessilva o altar “Venha cá, vamo-nos ajoelhar aqui os dois a pedir inspiração divina, venha cá, chame pela ajuda que ela virá.”
E ali ficaram os dois ajoelhados, curvados perante Deus, sem nada dizerem, 5 minutos, 10 minutos e ao fim de 15 minutos o Dessilva perdeu a paciência.
– Sr. Padre Augusto, já rezei tudo o que sabia e estou na mesma!
– Pois era esse mesmo o sinal que eu esperava de Deus. Agora que tomou consciência de que tem que fazer alguma coisa, já está preparado para o que lhe vou dizer. A sua inacção, não escolher quem vai porque pensa que estás a condenar quem fica à miséria, está a condenar todos à miséria. Mas de facto, quem os condenou não foi o Dessilva mas sim as circunstâncias. Agora, escolha quem escolher, em nada vai afectar de negativo a quem fica. Por isso, tem a obrigação de fazer uma escolha não para condenar a maioria à vida que já tem mas sim para levar esses 60 casais para outra vida melhor.
– Bem Sr. Padre Augusto, mas é uma grande responsabilidade, muitas pessoas dirão que eu fui injusto!
– O poder tem um lado agradável, o podermos mudar as coisas, mas tem um lado sombrio, o ter que ser exercido muitas vezes a favor de uns e contra outros. Deus enviou-o cá com o poder de salvar algumas pessoas e só tem que o exercer. E, no fundo, a questão não é salvar a pessoa A ou a pessoa B mas sim salvar todo um povo. Qualquer um que decida que é o escolhido para partir será um bom elemento pois, no caso de acontecer por aqui uma tragédia, vai de igual forma perpetuar a memória do nosso povo. Só lhe peço uma coisa, sabendo que as pessoas que têm mais filhos o fazem em cumprimento dos mandamentos de Deus, considere isso na hora da decisão.
O Dessilva ficou contente, realmente tinha visto luz. “Obrigado Sr. Padre Augusto, o Sr. fala mesmo com o Espírito Santo!”
Pelo caminho até casa o Dessilva foi matutando “Já sei, vou fazer um scoring e escolher os que tiverem melhor pontuação. Vou apontar para pessoas com 25 anos, boas notas na escola e muitos filhos. Calculo a idade média do casal, subtraio a diferença que vai para 25 anos, somo este número à nota média da escola e ainda somo o número de filhos. Isto vai funcionar bem e respeito o pedido do Padre Augusto.
Chegando a casa, o Sr. Dessilva procurou a Sr.a Celeste para lhe dar a novidade de que o Padre Augusto tinha resolvido o problema e foi para o quarto agarrar-se ao trabalho. Primeiro contou as candidaturas, as mais de quinhentas e, depois, começou a calcular o score. Ia escrevendo na borda de cada candidatura os resultados, a média da nota, o número de filhos e a média da idade do marido e da mulher e calculava o score que também escrevia. Cada cálculo tinha que ser cuidadoso e ser conferido para que não houvesse erro. Por causa deste cuidado, cada candidatura demorava o seu tempo de forma que, entre as 7h30 a que começou a trabalhar e as 12h30 a que a Sr.a Celeste disse que o almoço estava pronto, o Sr. Dessilva processou apenas 100 candidaturas.
– Sabe Sr.a Celeste, já ver 100 casais o que dizer que vai demorar tempo até sair resultado.
– Não sei como o Sr. Dessilva tem cabeça para estar tantas horas a ver papeis e a fazer contas. Se fosse eu, a minha cabeça já teria explodido.
– Não custar, ser meu trabalho em América, ver papeis ser meu trabalho. Eu trabalhar sócio no Jonas, eu trabalhar no loja e no papeis, Jonas trabalhar no oficina, Jonas fazer jóias muito bonita, Jonas ser artista muito bom.

Á hora do lanche já estavam 150 casais processados e, ao adormecer, o Dessilva já tinha passado os 250. Afinal, a classificação estava a ser mais rápida do que tinha pensado, mais um dia e estaria tudo feito.

Capítulo seguinte ( 27 - A lista)

sexta-feira, 31 de julho de 2015

A vida custa, Costa - Os dados do desemprego

Já ninguém se lembra mas
em 2013, eu previ que, se o Passos Coelho conseguisse chegar ao fim da legislatura, iria terminar o seu reinado com uma taxa de desemprego nos 25%, um valor semelhante ao que temos hoje na Espanha e na Grécia. Previ ainda que, assim que a taxa de desemprego chegasse aos 20%, o Passos ia-se embora.
Previa eu essa tragédia e todas as demais pessoas desde os esquerdistas desmiolados até ao próprio Aníbal, o Cavaco Silva. dizia toda a gente, até o OF, um colega meu especialistão em Economia Portuguesa, que "sem crescimento acima dos 3%/ano, não há criação de emprego suficiente que fazer a taxa de desemprego diminuir."
Contrariamente, nessa altura, fazendo figura do bombo da festa, do charlatão que anuncia que o seu unguento apesar de arder nos olhos vai curar todas as enfermidades,  o esquecido Gasparzinho afirmava a pés juntos que "é neste mês que chegamos ao ponto de viragem, a partir de agora a taxa de desemprego vai começar a descer." Mas ninguém acreditava nessas previsões, tenho a certeza que nem o próprio.

Fig. 1 - Evolução da taxa de desemprego até princípios de 2013 (a azul, dados: INE) e a minha previsão de evolução (a tracejado).

Isto faz-me lembrar uma história.
Como sabem, existem muitos livros de Pensamento Positivo escritos por vendedores da banha da cobra e que defendem que afirmarmos (mesmo que sem convicção) "Eu sou capaz" tem um efeito positivo na nossa capacidade de fazer coisas. Neste sentido, também ouvirmos dos outros "Tu és capaz" tem efeito positivo.
Eu nunca acreditei nesta teoria pensando que a identificação das fraquezas seria mais produtiva, se penso que a pessoa não é capaz, devo dizer-lhe "desiste".
Mas há coisas que a pessoa não pode desistir, tem mesmo que fazer. 
Nos meus tempos de estudante tive um caso com a Carioca (natural do Estado do Rio de Janeiro) que, por minha pressão, acabou por se naturalizar portuguesas "para poder ir a Espanha sem ter passaporte". Cozinhava muito bem mas era pouco dada a fazer coisas que envolvessem sacrifícios. Por causa disso, depois de termos sido colegas de trabalho durante 8 anos, acabou por ser despedida. Ficou desempregada (e sem rendimentos) mas, mesmo assim, não fazia nada para alterar a sua situação. Então, eu comecei a escrever e a mandar currículos para muitos sítios sendo que um deles deu resultado, há uns 15 anos arranjou emprego num politécnico perto da terra dos pais dela (esqueci-me de dizer que ambos os pais da Carioca  eram portugueses da Beira Alta). Depois, teve que fazer o mestrado que eu orientei a tese (tive que fazer a maior parte da coisa).

Fig. 2 - A Carioca agora já não é nada disto, está muito gasta.

Mas vamos ao que interessa. 
Chegados a 2009, veio um decreto-lei que dizia que, para não ser despedida lá do politécnico, a Carioca teria que fazer o doutoramento até 31 de Julho de 2015 (até exactamente hoje!).
Naturalmente, tendo eu visto o que aconteceu no mestrado, que eu tive que fazer a maior parte da coisa, pensei logo "Isso vai ser impossível" mas disse-lhe exactamente o contrário "Tu és capaz, o que é que as outras pessoas têm a mais do que tu?"
Sempre que fazia uma cadeiras eu pensava "Que milagre" até que, um dia, acabou a última cadeira e teve que começar a fazer a tese. Eu pensei "Não, não vais conseguir, Meu Deus diz à Carioca que está a deitar propinas fora". Mas eu, adoptando a ideia dos "positivistas", repetia sem me cansar "Estás a avançar muito bem, isto está bem encaminhado."
Foi fazendo qualquer coisita com dificuldade e com longos intervalos em que nada fazia. A meio do percurso, o orientador não vendo nada feito, quis abandonar o barco. Eu meti-me no meio, pedi ajuda ao meu amigo e colega de praia PS, reorganizei as coisas e lá foi caminhando muito a manquejar.
Em Janeiro passado começou a dizer "Preciso entregar até 30 de Março senão despedem-me". Eu interrogava-me "Mas entregar o quê? Tu não tens praticamente nada!"
Lá estivemos a reorganizar o (pouco) material que tinha, dar-lhe um novo caminho em termos de aplicação, fez um esforço final e, no dia 30 de Março lá entregou o que tinha.
Desde esse dia eu só pensava "Ai meu Deus que a Carioca vai chumbar, vai apanhar um chumbo maior que a bala de canhão que cortou o Almirante Nelson a meio", até tinha crises de ansiedade mas dizia-lhe sempre, "Não te preocupes que vais passar, tenho a certeza disso."
Nunca menti tanto na minha vida!
  
Isto vem a propósito do Gasparzinho.
O Gasparzinho repetidamente dizia "já atingimos o ponto de viragem, a partir de agora isto vai melhorar" até que, como por milagre, começou mesmo a melhorar.
Depois da taxa de desemprego atingir 17,9% em Janeiro de 2013, em Fevereiro caiu uma décima. Isso não foi nada de relevante porque em Maio e Junho de 2012 também tinha caído para, depois, voltar a subir com toda a força.
Mas depois veio Março, menos 0,2pp, Abril, menos 0,5pp, Maio, menos 0,4pp, Junho, menos 0,6pp, "Mau", pensaram os esquerdistas, "em 5 meses a taxa de desemprego tinha caído de 17,9% para 16,1%! INE só pode estar a manipular os dados".

Em Junho de 2013 eu fui mesmo o primeiro a anunciar o fim da crise.
Teve ali um mesito que subiu uma décima e logo os esquerdistas ficaram cheios de esperança de que a coisa voltasse a subir mas não, retomou a descida vertiginosa até que chegamos a Junho de 2015 com uma taxa de desemprego de 12,0%.

Mas as notícias falaram de 12,4%!
Sim, falaram, mas a taxa de desemprego observada é de 12,0%. O que acontece é que o INE faz umas contas e diz que é preciso acrescentar 0,4 pp ao desemprego de todos os meses de Junho por causa da sazonalidade. É que, normalmente, no Verão há menos desemprego por causa das férias e do turismo.
Acrescentou agora 0,4 mas também aumento 0,4 no Junho de 2011 (do Sócrates)
Mas, efectivamente, em Junho de 2015 a taxa de desemprego é de "apenas" 12,0% da população activa.

Durante o governo esquerdistas do Sócrates, o desemprego aumentou!
No mês em que o grande estadista socialista José Sócrates entrou (Março 2005), herdando uma situação catastrófica deixada pelo populista Santana Lopes, a taxa de desemprego estava nos 8,6% e quando saiu, depois de um governo extraordinário onde se deu prioridade às políticas de crescimento e emprego (Junho 2011), a taxa de desemprego estava nos 11,9% (com a tal correcção da sazonalidade, fica em 12,3%).
E durante esse tempo, Portugal endividou-se face ao exterior em 100 mil milhões de euros.

Durante o governo neo-liberal do PSD+PP, o desemprego diminuiu.
No mês em que os Passos Coelho + Porta tomaram posse, a taxa de desemprego herdada do Sócrates era de 11,9%. Em Junho está nos 12,0% e, prevejo, em Outubro de 2015 estará nos 11,8%.
Daqui até Outubro o desemprego vai diminuir pouco por causa do efeito do fim do Verão.
Não pode ser!
Não pode ser mas é mesmo assim, no tempo do grande estadista socialista José Sócrates o desemprego aumentou e no tempo do Passos, o destruidor da economia, o desemprego diminuiu.
O Sócrates e as suas políticas expansionistas (que o António Costa quer fazer retornar) causaram um aumento do desemprego em 3,3 pontos percentuais e um massivo endividamento.
O Passos Coelho, com a sua austeridade, a destruição da economia e a política neo-liberal, vai chegar a Outubro com uma taxa de desemprego inferior à que existia no mês em que tomou posse (Junho 2011) e sem endividamento.
É notável ver que, desde Janeiro de 2013, o desemprego está a cair 1,8 pontos percentuais por ano enquanto que nos governos do Sócrates aumentou 0,3 pp por ano..

Fig. 3 - Evolução da taxa de desemprego (a azul, dados: INE) e linha de tendência (a tracejado, minha).

A previsão do FMI e da Proposta Eleitoral da Coligação PSD+PP.
Esta semana veio uma notícia de um estudo do FMI (ver, DN) a dizer que apenas daqui a 20 anos é que Portugal vai voltar ao nível da taxa de desemprego que havia "antes da crise".
Mas que crise? Pois é, esta notícia/previsão não indica qual a crise a que se estão a referir, se à Crise Financeira de 2002 (desemprego de 5,2%), à Crise do Sub-prime de 2008 (desemprego de 8,8%) ou à Crise das Dívidas Soberanas de 2010 (desemprego de 11,5%).

Vou olhar para estes 3 valores.
Se olharmos para os dados do INE, já estamos no nível anterior à última crise (a das dívidas suberanas de 2010) e, prevejo eu, vamos atingir o nível anterior à Crise do Sub-prime em meados de 2017 (os tais 8,8%, ver a Fig. 2) e chegaremos mesmo aos 5,5% de 2011 por volta de 2020 (ver, Fig. 4).

Fig. 4 - Evolução da taxa de desemprego (a azul, dados: INE) e a minha previsão até 2020 (a tracejado).

E o governo também faz previsões exageradamente cautelosa.
Desde Janeiro de 2013, i.e., nos últimos dois anos e meio, o desemprego está a cair 1,8 pontos percentuais por ano.
Mas, estranhamente, a coligação PS+PP prevê na sua proposta de governação para 2015-2019 uma queda de apenas 0,5 pontos percentuais por ano. 
A minha previsão, usando a tendência retirada dos dados dos últimos 30 meses (e a minha capacidade de torturar os dados), é muito mais optimistas:
Em 2015, contra 13,7%, prevejo 12,4%.
Em 2016, contra 13,2%, prevejo 10,6%.
Em 2019, contra 11,1%, prevejo 5,2%, o nível de desemprego anterior à Crise de 2002.

Não é dentro de 20 anos, é em 2020!
Deve ter havido um errozito na tradução do tal estudo e onde dizia "no ano 20 do século 21" leram "daqui a 20 anos".
A menos que eu não esteja a ver algo que os outros estão a ver.
...
...
Ahhhhhh, deve ser isso!

As minhas previsões têm um problema. 
É que eu prevejo a vitória do PSD+PP em 4 de Outubro e o FMI deve estar a prever a vitória do PS.
Se tivermos o "privilégio" de voltarmos a ter um governo socratista mas agora chefiado pelo António Costa, a tendência vai voltar aos tempos do engenheiro Sócrates, vamos ter 2 anos de subida de desemprego, nova bancarrota, novo pedido de resgate, novo governo neo-liberal lá para 2017.
Para o FMI (e o Passos Coelho) fazer uma previsão tão pessimista, só pode estar a imaginar o Costa a governar nos próximos anos!
Mas Passos, tens que ter pensamentos positivos, tu mais o Portais vais ganhar as eleições e com maioria absoluta.

Vamos ao corte de 600 milhões na Segurança Social.
No Memorando da Troika estão lá escritos, preto no branco, estes 600 milhões, mais euro, menos euro.
Esta massa foi cortada mas com medidas provisórias (a Contribuição Extraordinária de Solidariedade) que, ultimamente, têm vindo a ser levantadas.
Se as medidas são levantadas, é preciso cortar novamente os 600 milhões de euros e não novos (mais) 600 milhões de euros.
São exactamente os mesmos que o Sócrates se comprometeu a cortar e que só não cortou porque onde está não pode cortar nada.

Mas o Passos + Portas desistiram desse corte!
Não foi bem desistir, foi antes, deixar que as coisas aconteçam por si.
A técnica vai ser (tal como a do PS) deixar que a inflação coma esses 600 milhões.
Sendo as pensões 15,5 mil milhões € por ano (Rel OE 2015), 600 M€ por ano são 3,9%.
Acontece que a inflação dos próximos 4 anos prevista para a Zona Euro pelo BCE (ver) é um total 6,6% (uma média de 1,6%/ano).
Então, mantendo as pensões mais elevadas congeladas e aumentando as mínimas de acordo com a taxa de inflação, vai ser possível diminuir o valor das pensões em pagamento sem necessidade de cortar nominalmente o seu valor.

E tem o "rolamento".
É que todos os anos morrem cerca de 5% dos reformados e entram outros 5% para a reforma.
Como estes novos reformados já têm cortes na formula de calculo da pensão, por este rolamento, também vai haver um corte efectivo na despesa do sistema de pensões.

E ainda falam do plafonamento.
Isso não vai dar em nada.
O CDS-PP quer que se fale disto, que as reformas (e as contribuições) vão ter um valor máximo, por exemplo, 3 IAS (1260€/mês).
Mas não vou descutir isso porque não vai ser implementado.

A esquerda fala que o plafonamento é a privatização do Sistema de Pensões.
Vamos supor que as formulas de cálculo das pensões e as contribuições dos trabalhadores eram defenidas pelo Estado que cobriria o défice do sistema com transferências do Orçamento de Estado, tal qual como agora é, mas que o sistema de PEnsões saia da Segurança Social e passava a ser uma instituição privada.
Qual seria a diferença?
Nenhuma.
Que é que interessa se a electricidade, a água, a recolha de lixo, a reciclagem, etc. etc. são emepresas públicas ou privada se temos o mesmo serviço e pagamos a mesma coisa?
Ia dar tudo no mesmo, a única diferença sendo a forma de gestão.
Poderia ser que houvesse melhorias ao nível não do sistema de pensões em si (o deve e o haver) mas do funcionamento que somam 200 Milhões € (60% da verba Administração do Rel OE 2015).

Fig. 5 - Não precisamos que o cavalo seja nosso, precisamos é que puxe a carroça.

Estão com curiosidade para saber o que se passou com a Carioca?
Passou e por unanimidade!
Afinal, o pensamento positivo dá resultado.
O Desemprego (e a taxa de juro) afinal diminuiram.


Fig. 6 - Vitória!

Pedro Cosme Vieira 

quarta-feira, 29 de julho de 2015

25 - O Anúncio

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
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Ver o capítulo anterior (24 - A reunião)    




25 – O anúncio
Quando todos se preparavam para ir embora, o Sr. Dessilva pediu à Isabel se poderia ficar mais um pouco para falar um pouco da história da morte do Abel e do seu amigo Alberto havia muitos anos assassinados no monte. A razão da sua curiosidade, disse, tinha a ver com o Jonas, seu sócio na ourivesaria que tinha na América, lhe falar repetidamente nessas duas pessoas de quem era muito amigo.
– Sabe Sr. Dessilva, não lhe vou poder avançar com muita informação porque não a tenho, a minha irmã é que os procurou no monte e foi mesmo ela quem encontrou o Alberto, já morto e comido pelos lobos. Nesse tempo eu era praticamente uma criança pelo que pouco me lembro. Lá em casa falava-se que a Júlia iria casar com esse Abel mas o casamento não chegou a acontecer exactamente por o terem matado, disseram que foram pessoas que vieram do Vale com o intuito de lhe roubar as ovelhas.
– E a Isabel tem mesmo a certeza de que o Abel morreu?
– Eu tenho a certeza absoluta tal como todas as pessoas daqui menos a minha irmã que diz que, tendo procurado por todo esse monte, nunca encontrou nada que indicasse a sua morte. Nunca encontrou nada do Abel, nem os cães nem a roupa, o lhe dá esperanças de que nunca tenha morrido.
– A Isabel acha mesmo que pode estar vivo, perdido numa gruta qualquer?
– Nunca, é impossível uma pessoa sobreviver sozinha, lá encima, uma noite sequer quanto mais 40 anos e sem nunca ter dado notícias! Eu penso que os lobos enfiaram o corpo numa toca tendo assim enterrado a roupa, os lobos  são como os cães, têm o hábito de enterrar a comida para o Inverno. A Júlia nunca perdeu a esperança mas é uma maluqueira dela, não se cansa de repetir que “O Abel não morreu porque os cães não apareceram.”
– Mas então os cães não poderiam também ter sido comidos pelos lobos?
– A Júlia diz que não pode ser porque o Abel punha sempre a coleira de espetos nos cães e que nenhum lobo seria capaz de os comer assim protegidos. Mas o Sr. acha que decorridos 40 e tal anos pode lá esse Abel estar vivo? Os cães podem até ter escapado num primeiro momento mas alguém de outra aldeia viu-os, gostou deles elevou-os.
O Dessilva abanou a cabeça em sinal afirmativo. Depois, despediu-se e foi-se para casa ainda pensando durante o caminho um pouco no assunto “Sim, estou a ver que toda a gente pensa que o Abel está morto.”
Quando chegou a casa do Sr. Costa já estava a pensar na organização da viagem para América. No dia seguinte iria mandar afixar um aviso a informar as pessoas das condições da viagem e assim foi. No dia seguinte levantou-se cedo, preparou-se e foi falar com o Sr. Padre Augusto para que fosse afixado um folheto na porta da igreja a anunciar a abertura de candidaturas. Ficou acordado que os casais interessados teriam que escrever os nomes, as datas de nascimento e as notas de conclusão da escola de cada um e ainda o número de filhos e as suas idades, informação que teria que ser entregue em casa do Sr. Costa durante a semana seguinte.
O Padre Augusto achou bem que também fossem dadas algumas palavras às pessoas. Então, combinou com o Dessilva que o melhor que, no fim da missas, o Dessilva falasse com as pessoas que o quisessem.
– Meus irmãos, vou agora terminar esta Santa Missa trazendo-vos uma boa notícia. Como sabem tem estado entre nós um senhor americano, o Sr. Dessilva. Este senhor que está aqui a meu lado, que está na aldeia para organizar a viagem de 30 casais jovens rumo à América – criou-se um certo burburinho, tudo em voz baixa “O quê, o quê, não ouvi bem, quem é que vai para a América?”.
– Um nosso irmão, o Jonas, emigrou há muitos anos para a América e vai mandar carta de chamada para que 30 casais possam emigrar para a beira dele. É o Sr. Dessilva que está a tratar de tudo.
Nessa altura todos se esticaram para ver onde estava o Sr. Dessilva. Como o burburinho aumentou, o Padre Augusto teve que pôr ordem na multidão “Silêncio, silêncio que estamos na casa do Senhor. Como eu ia dizendo, claro que devem estar a pensar no problema da viagem, como tratar os papeis, onde arranjar dinheiro para pagar o navio e para sustentar as crianças que vão ficar aqui. Mas tenho a dizer que não precisam de se preocupar, que tanto podem ir pobres como ricos pois todas as despesas serão custeadas por pessoas das relações do Sr. Dessilva mediante contrapartidas, uma vez na América, terão que trabalhar durante 5 anos ganhando 150€/semana os homens e 120€/semana as mulheres e, depois, têm que entregar 10% do vosso salário aos financiadores. Quem estiver a pensar candidatar-se à viagem pode passar no fim da missa pela sacristia que estará lá o Sr. Dessilva para poderem conversar um pouco. Depois, podem ainda procurar o Sr. Dessilva em casa do Sr. Costa, onde está hospedado.
Dóminus vobíscum – a que o povo respondeu “Et cum spíritu tuo.”
Benedícat vos omnípotens Deus, Pater, et Fílius, et Spíritus Sanctus.
Amen.
Ite, missa est.
Deo grátias.
Comparando com a dimensão média das casas da aldeia, a igreja era grande, uns 25m de comprimento por 12 m de largura mas pequena de mais para as pessoas da aldeia. Assim, como era normal, estava completamente cheia, talvez mais de 1000 pessoas de pé. Terminada a missa, a grande maioria dos fieis tentou entrar na sacristia o que era fisicamente impossível porque lá não caberiam mais do que 30 pessoas mesmo que apertadas. Na Igreja talvez só algumas quisessem ir para a América mas outras tinham filhos, irmãos primos ou vizinhos que talvez estivessem interessados e queriam ser eles a transmitir a notícia. Como não cabiam, gerou-se uma guerra de empurrões e de chega-para-ai que precisou de uma intervenção musculada do Padre Augusto. Além do mais, o Sr. Dessilva que estava com ele junto ao altar nunca poderia entrar na sacristia para dizer fosse o que fosse. Disse então o Padre Augusto em voz alta:
– Meus filhos, meus filhos, vamos a ter calma, como não cabem na sacristia, vamos aguardar que o Sr. Dessilva está aqui mesmo a meu lado e vai-vos falar aqui mesmo dentro da casa do Senhor. Deus há-de compreender a situação.
O Sr. Dessilva olhou para o padre Augusto e encolheu os ombros como que a dizer “Assim terá que ser.” Então, o Padre Augusto voltou ao ataque na tentativa de por ordem na multidão “Irmãos, por amor de Deus, aguardem que não cabe mais ninguém na sacristia. O Sr. Dessilva vai-vos falar aqui mesmo no corpo da igreja, por favor voltem aos vossos lugares e façam silêncio que o Sr. Dessilva vai falar.”
– Boa tarde, eu falar mal, desculpar se não perceber good. Pessoas ir no América Dessilva tratar de tudo, viagem no comboio e no navio pagar eu. Deixar filhos no aldeia, fundo pagar 20€ por mês cada crianço. Depois, chegar no América ter casa, comida e trabalho 5 anos, homens ir ganhar 150€ no semana e mulheres 120€ no semana. Depois do 5 anos, se arranjar outro emprego no América vai pagar 10% aos investidores.
­ Eu quero ir, por favor, leve-me a mim, salve-me desta miséria, não me deixe morrer aqui nem aos menus filhos – gritaram as pessoas fazendo um grande burburinho.
– Silêncio, silêncio que estamos na casa do Senhor – disse o Padre Augusto – Vamos ouvir o Sr. Dessilva um pouco mais sobre quem poderá ir.
– Não precisar pressa, pessoa escrever informação e, depois, eu ir escolher pessoa certa. Pessoa escrever em casa uma folha no nome, idade, nota da escola, de homem e de mulher, quanto filha tem, escrever morada, entregar em casa de Sr. Costa e eu avaliar.
Mas as pessoas não paravam de levantar o braço e de gritar cada vez com mais força “Eu quero ir, por favor, leve-me a mim, salve-me desta miséria, não me deixe morrer aqui nem aos meus filhos”. Assim, as pessoas não perceberam bem o que o Sr. Dessilva tinha dito mas o Padre Augusto remeteu-as para a folheto que estava à porta da igreja e em quem ninguém tinha reparado. Também, antecipando isso, distribuiu 10 cópias do folheto que tinha o Mariazinha mandado fazer de urgência.
Cá fora, aquelas 10 folhas deram origem a 10 pequenas multidões que se acotovelavam para se poderem informar sobre os pormenores da viagem.
Na melhor das hipóteses, o Dessilva tinha antecipado que haveria umas 100 casais interessados em partir mas, logo naquele Domingo, recebeu mais de 200 candidaturas e, nos dias seguinte, mais e mais centenas. No final da semana tinha mais de 500 candidaturas.
– Nunca pensar que tanta gente querer ir embora, é que receber mais de 500 candidatura – disse o Sr. Dessilva ao Sr. Costa ao jantar – mais de 1000 pessoa querer partir.

– Sabe Dessilva, eu também nunca o imaginei mas, realmente, as pessoas aqui têm uma vida muito dura, trabalham muito e por pouco dinheiro, sofrem constantes ataques das pessoas do Vale e, por vezes, são mesmo assassinadas. Se der uma volta pela aldeia vai ver muitas pessoas com fome e muitas crianças que morrem exactamente porque não têm o que comer. Se nestes montes há alguma coisa com fartura é a fome e a miséria, as pessoas nem roupa têm para vestir. A vida aqui é uma autêntica miséria. E como é que o Dessilva vai agora escolher os 60 casais? 

Capítulo seguinte ( 26 - A selecção)

segunda-feira, 27 de julho de 2015

O problema do fim das cotas leiteiras

Os esquerdistas (e os agricultores) são contra as cotas. 
Dizem eles que "estão-nos a proibir de produzir."
Agora que acabaram as cotas leiteiras, deveria estar toda a gente contente, mas não.
Os esquerdistas (e os agricultores) já falam outra vez da necessidade de haver cotas.

Para que servem as cotas leiteiras?
Servem para aumentar o preço, aproximando-o do valor de monopólio.
Quando existe apenas um vendedor no mercado (o monopolista), a sua estratégia para maximizar o lucro é diminuir a produção até o lucro ser máximo.
Como para vender maior quantidade é necessário diminuir o preço, ao haver muita produção, o lucro do produtor diminui.
No sistema de cotas, uma entidade centralizada determina a quantidade que maximizaria o lucro se houvesse apenas um produtor e, depois, distribui essa quantidade total pelos produtores.
No caso do leite, quanto menor for a produção, maior será o lucro dos agricultores (ver, Fig. 1), o problema é que, como já muitos produtores, é quase impossível manter o sistema de cotas estável pelo que o nível de produção vai aumentar até o preço de venda igualar o custo de produção (equilíbrio de concorrência perfeita). 

Fig. 1 - Relação entre a produção e o preço de venda: o aumento da produção em 1% faz o preço cair 0,935% o que traduz que quanto menor for a produção, menor é o lucro (Dados: Nunes, 2009, p. 40 e INE)

Na generalidade dos sectores, a prática das cotas é ilegal.
Porque é uma política anti-concorrência mas, no caso da agricultura era legal porque quando se formou a União Europeia, os agricultores franceses tinham muita capacidade de pressão.

O fim do sistema de cotas é positivo para quase todos.
Em termos individuais, cada agricultor quer furar o sistema de cotas porque o preço a que vai conseguir vender a sua produção acrescida é maior que o aumento nos custos. O problema é que, apesar de todos quererem aumentar a produção, no fim, os produtores ficam pior 
Mas ganham os consumidores pois o preço desce até ao preço de custo. Por exemplo, entre 1980 e 2015 o preço desceu quase 50% (de 0,95€/litro para 0,49€/litro, cálculos a partir de Nunes, 2009, p. 40).
Também ganham as regiões e as unidades produtoras mais competitivas.

O Leite no produtor está com um preço de concorrência perfeita.
Verificando que o lucro das explorações é nulo e que o preço pago no Brasil (entre 0,28 €/kg e 0,30/kg) é igual ao pago na União Europeia (em França e em Portugal são pagos 0,30€/kg) então, temos que concluir que o mercado está em concorrência perfeito.

Mas o problema não serão as importações vindas da Roménia?
Não, nem pensar, o preço do leite não permite o transporte a tão grande distância.
O custo do transporte mais barato que existe é em camião TIR e custa cerca de 1€/km para transportar 25000 litros. Mesmo que houvesse uma diferença nos custos de produção de 0,10€/litro (que não há), apenas seria competitivo transportar o leite para Portugal de locais a menos de 2500 km. E a Roménia está a 2800 km de Portugal!
E ainda existe outro problema, é que nunca seria rentável atravessar os Pirenéus porque na França o leite no produtor está a 0,30€/litro, o mesmo preço que cá.
O "problema" do leite português é a concorrência entre os produtores portugueses estarem a empurrar o preço para o valor de lucro nulo (concorrência perfeita).

E agora o que vai acontecer aos nossos produtores leiteiros?
Apenas os produtores mais eficientes é que vão sobreviver e isso passa pela separação da propriedade dos terrenos da actividade de agricultor e ainda a separação da actividade de agricultor da actividade de  pecuarista.

A tecnologia leiteira.
O gado está estabulado e come ração seca cuja base é o bagaço de soja e milho (importado das Américas) e ração verde que é a planta do milho triturada e ensilada (produzida nos nossos campos).
A silagem verde é uma parte muito pequena do custo de produção do lei, calculo que entre 10% e 15%.
Foi herdado da Política Agrícola Comum que a capacidade de produzir ração verde determine o número de animais mas, em termos económicos, isso é errado porque obriga a que as instalações pecuárias sejam de pequena dimensão e, portanto, com custos de produção elevados e sem capacidade de tratamento dos efluentes.
O que vamos observar é, por um lado, a separação da agricultura (que produz silagem verde) da pecuária (que consume silagem verde e produz leite). Também vamos assistir à separação da propriedade da terra da actividade de agricultor.

A bolsa da silagem.
Os agricultores terão que se especializar na produção de silagem que vão vender a quem lhes oferecer  o melhor preço. Será mais uma bolsa de matérias primas como as de soja ou de milho.
A produção de silagem verde de milho é de cerca de 50 toneladas por ha por ano e tem um custo de produção à volta dos 0,03€/kg (ver, dados do Brasil).
O agricultor vai vender a silagem a quem lhe der mais dentro de um mercado potencial com 50 km de raio (dado o baixo valor da silagem verde, não será economicamente viável fazer viagens maiores).
Como a silagem verde exige pouca mão de obra, a generalidade dos actuais agricultores produtores leiteiros vai desaparecer (para ocupar profissões mais produtivas) e vai arrendar os seus campos a algumas poucas pessoas que ficarão nas aldeias e que vão cultivar todos os campos.

A pecuária.
Os pecuaristas vão comprar a silagem verde no mercado podendo assim passar a haver milhares de animais num mesmo local.
Dentro de 10 anos, onde hoje há milhares de produtores (como, por exemplo, no Entre o Vouga e Douro), teremos menos de 10 produtores de leite.

Fig. 2 - Vai haver 3 mercados, o do arrendamento de terra, o da silagem e o do leite (não representado). 

É o progresso.
Nos anos 1960, 1/3 das nossas pessoas trabalhavam na agricultura e hoje já são menos de 10%. 
Mas, olhando para os USA (que é um grande produtor agrícola) são pouco mais de 1%, temos que aceitar que, nos próximos 10 anos, em cada 10 agricultores actuais, só haverá uns 2 ou 3 é que se manterá na agricultura.
Mas também que de nós quereria meter virar produtor de leite?
Vocês sabem que lidar com vacas entranha nas pessoas um cheiro a merda que não sai mais?
Lembro-me quando era pequeno e vivia na aldeia desse cheiro horrível que parecia que se colava às pessoas. Tinha que se tirar a roupa à porta de casa para não empestar o seu interior.

A minha mãe tem pessoa amigas na aldeia.
Quando a vêm visitar, meu Deus, a minha casa fica a cheira a merda de vaca durante pelo menos uma semana. Agora imaginem como é em casa dessas pessoas.
Aquilo não sai nem com lixívia.
"Mau por mau" - diz o alentejano - "prefiro o cheiro a ovelha."

Fig. 3 - A menina até é bem feitinha mas tem cá um cheiro! meu Deus!

Pedro Cosme Vieira

domingo, 26 de julho de 2015

24 - A reunião

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
______________________

Ver o capítulo anterior (23 - O passeio)    




24 – A reunião
Ás 20h em ponto todos os membros da comissão já estavam em casa do Sr. Costa, a Isabel, o Padre Augusto, o Dr. Acácio e o Sr. Costa. Também estava o Sr. Dessilva para apresentar a sua solução para o problema da falta de dinheiro.
– Boa noite Isabel e meus senhores, façam favor, antes de nos sentarmos apresento-vos aqui o Sr. Dessilva que veio da América para nos ajudar, pelo que já conversamos, vai ser uma pessoa fundamental nesta nossa missão impossíveis pois garante saber como arranjar o dinheiro para a viagem dos jovens.
Yes, sim, meu ser de América, de Nova York, ser no sócio de Jonas que enviou eu no ajudar. América ser colosso. América ser o terra prometida.
Apertos de mão para aqui e para ali.
– Vamo-nos agora sentar aqui na Sala. Sr.a Celeste traga um cafezinho para as pessoas, se faz favor. Vamos que temos muito que falar – disse o Sr. Costa, o dono da casa. Um cafezinho com biscoitos e lá começou a reunião.
– O grande problema que temos que resolver é o do financiamento, problema que enquanto não for resolvido não permite que avancemos. Como o Sr. Dessilva disse que ia ajudar a resolver este problema, vou-lhe dar a palavra, faça favor Sr. Dessilva de tomar a palavra – disse o sr. Costa.
– Sim, eu ir no ajudar. Este projecto ter que ser negócio e não caridade. Usa-se no América fazer um fundo de investimento, por isso, a meu ideia foi fazer um fundo para financiar todo o operação.
– Um fundo de investimento, mas o que é isso?
– Investidor entrega dinheiro no fundo que vai pagar despesas. No futuro, o fundo paga no investidor. Para 60 pessoa, eu ter fundo de 150000€.
– Ena pá, que isso é ainda mais do que nós tínhamos pensado – disse a Isabel quase saltando da cadeira – nós tínhamos pensado em 100000€ e, mesmo assim, achamos que é impossível de arranjar pelo o que nos está a dizer é que vai ser duplamente impossível.
– Não, não vai ser impossível porque eu já ter dinheiro no fundo. Eu já ter dinheiro no América, não preocupar.
– Mas isso é uma grande novidade ou será que percebi mal? Quer então dizer que, como nós não temos esse dinheiro, o Sr. Dessilva arranjou ou vai arranjar quem avance com os 150000€ necessários? Mas isso é uma enormidade de dinheiro! E metem assim o dinheiro sem mais nem menos? E depois onde é que esse fundo vai buscar o dinheiro para pagar a esses investidores? Quem é que paga isso?
– Ser jovens que chegar no América. Primeiro ir trabalhar 5 anos nos empresas de financiadores, homens ir ganhar 150€ por semana e mulheres 120€ por semana. Depois, jovens poder ir trabalhar no que quiser mas pagar 10% no fundo, se ganhar 800€, dar 80€ no fundo, se ganhar 1000€, dar 100€ no fundo.
– O que acham desta ideia?! – perguntou o Sr. Costa com cara de espanto às pessoas presentes – 150€ por semana é muito dinheiro, é pelo menos quatro vezes o que ganham aqui, isso é muito dinheiro, não estou a perceber onde os investidores poderão ter lucro suficiente para pagar o investimento feito na viagem!
– Não preocupar – disse o Dessilva – ser problema dos investidores.
– Bem, lá isso é verdade, o Sr. Dessilva está a dizer as condições do financiamento. Se não for preciso meter dinheiro, se os investidores americanos garantirem mesmo todo o dinheiro necessário para que os nossos jovens possam ir para a América, não vejo qualquer razão para não avançarmos com o projecto até porque 150€ por semana para os homens e 120€ por semana para as mulheres é muito dinheiro. As condições estão claras, ninguém irá ao engano, quem quiser ir, vai sabendo que tem que cumprir com isso, quem não quiser cumprir, não vai – disse o Dr. Acácio.
– Sim, sim, acho aceitável mais ainda porque não precisamos de dar garantias aos investidores, também não as teríamos como dar. Os nossos jovens são de palavra pelo que, quem quiser ir, irá cumprir as condições. Pelo que conheço das sagradas escrituras, não vejo qualquer problema neste negócio, quem quiser vai, quem não quiser fica – disse o Padre Augusto a que todos responderam com um afirmativo abanar de cabeça.
– Vamos então fazer ordem na discussão – disse o Sr. Costa – quer então dizer que as pessoas saem daqui e vão até à América sem nada terem que pagar e, depois, trabalham 5 anos mais a contribuição dos 10%, é isto, percebi bem?
– Totalmente. Eu ter dinheiro em América, ir pagar tudo.
– Então, sendo que o problema do dinheiro já está resolvido, vamos ver quem poderá ir.
A Isabel levantou logo a mão para poder falar – “As pessoas casadas têm filhos pelo que não vão poder ir. Vejo aqui um problema porque, a carta de chamada sendo para casais, quem fica que possa sustentar as crianças?”
– Não ter no problema – Disse o Dessilva – me esquecer dizer que fundo vai pagar no crianço ficar no aldeia, fundo pagar 20€ cada mês a cada criança que ficar.
– Sr. Dessilva, não estou a perceber – disse o Sr. Costa – como é isso?
– Fundo pagar 20€ por mês no cada criança. Fundo pagar dinheiro no criança que fica aqui.
– Ai que boa ideia – disse a Isabel – é que todos os casais jovens têm filhos pelo que, penso eu, seria uma dificuldade se os tivessem que deixar abandonados à sua sorte, seria destiná-los à morte. É muito boa ideia mas esse fundo terá dinheiro suficiente para as crianças?
– Não preocupar, ser problema do investidor – disse o Dessilva – Viagem no barco, papéis e chegada no América, Jonas pagar. Viagem e despesa aqui eu pagar, não preocupar.
– Sendo assim, posso concluir que todos os nossos problemas já estão resolvidos, já há dinheiro para a viagem e para as crianças cujos pais emigrem, sendo que o Sr. Dessilva avança com o dinheiro, todos os problemas já estão resolvidos – todos afirmaram que sim com a cabeça.
– Estar faltar problema – disse o Sr. Dessilva – ser preciso ensinar inglês nos jovens. Quando chegar no América jovens precisar falar pouco pouco de inglês, eu ensinar mas precisar de sala do escola.
As pessoas olharam umas para as outras e, disse o Sr. Padre Augusto que, realmente, seria bom se os jovens já fossem a saber um pouco de inglês.
– Eu estar pensar dividir jovens em dois viagem. Primeiro 30 jovens, aprender 6 meses e ir no América. Depois, outros 30 aprender e ir no América mas precisar sala, ter sala para 30 jovens aprender o inglês?
– Temos a escola das crianças que acaba às 18h. Se essa aula de inglês for depois das 18h, pode ser uma das salas da escola, mas as salas são pequenas, para meter lá 30 adultos vai ter que ser muito apertado. O que acha Sr. Dessilva, o que acha? Das 18h às 21h estará bem?
– Está bem – disse o sr. Dessilva – amanhã vou ver sala a ver se cabem os jovens.
– Pronto, já está tudo resolvido pelo que podemos dar esta reunião por terminada. Alguém tem mais alguma coisa a dizer?
– Sr. Costa, ainda falta saber quem vai poder ir, havendo muitos candidatos como penso que haverá, terá que ser pensado como vai ser feita a escolha – disse a Isabel, mulher muito vocacionada para as coisas práticas.
As pessoas olharam para o Sr. Dessilva.

– Não preocupar, eu pensar e resolver problema. Poder ir embora e amanhã eu começar a tratar dos coisas.

Capítulo seguinte (25 - O anúncio)

Carne assada na panela de pressão

Hoje vou falar de um cozinhado. 
Neste fim de semana, a minha irmã do meio, a Micose, fez anos e fiquei eu, como todos os Domingos, de fazer o almoço. Pensei, pensei e, como há uns meses comprei uma panela de pressão com 50% de desconto no Continente, nada melhor que esta oportunidade para fazer um assado.

Mas não precisará o assado de um forno?
Também pode ser mas na panela de pressão é mais rápido, gasta menos energia e não espalha cheiros pela casa.

Vamos então ver como eu fiz.
1. Meti um pouco de óleo na panela, mais umas folhas de louro, alecrim e três cravinhos da índia. 


2. Meti dois bocados de Pá de York que tinha comprado há uns meses de saldo no Intermarché. A carne estava na arca congeladora e, desde ontem à noite quando cheguei da praia de Miramar,  estava fora a descongelar.


3 . A carne ficou a fritar uns 15 minutos sem tampa, tendo-a virado várias vezes para não pegar ao fundo.


4. Fiz um preparado com cebola picada, massa de tomate, alho em pó, meio caldo de galinha, colorau e um pouco de vinho tinto da Meda (Douro) que a minha cunhada Sandra me traz à boliex de casa dos pais. O vinho já está todo cheio de flor mas serve.


5. Passei tudo pela varinha mágica e meti em cima da carne que já estava frita por fora.


6. Fechei a panela de pressão (sem acrescentar água ou qualquer outro líquido) e garanti que o botãozinho da pressão subiu. Meti no mínimo.
No entretanto, preparei uns vegetais para acrescentar. Diz o Ramsey que os vegetais dão muito sabor ao assado.


Tenho a cozinha muito desarrumada.
7. Como estava no mínimo, a panela nunca disparou a válvula da pressão, verifiquei que tinha pressão mas não a suficiente para disparar. Desta forma poupei energia e não enchi a casa de cheiro e de gordura. No entretanto, olhei para a cozinha e reparei que tenho a coisa totalmente desarrumada.


Pensei então que o que eu preciso é de uma mulher para tomar conta da cozinha. Fui no entretanto estudar umas matérias que tenho que preparar para o próximo ano lectivo.


E ainda tive que ver uns pormenores da matéria.


Mas, em vez das gajas, tenho o meu bonsai que tenho desde pequenino (começou como um raminho com duas folhas sem raiz que "roubei" quando fui para o meu actual emprego, já lá vão 24 anos).


8. Decorridos 30 minutos, desliguei o fogão e esperei que a panela perdesse a pressão. Já estava pronta a primeira fase do assado. Neste momento a carne já estava cozinhada mas ainda era preciso fazer mais umas coisitas.


Mas não é obrigatório meter água para a panela de pressão funcionar? poderão perguntar.
Não é preciso porque a carne tem muita água dentro de si.
Reparem como a panela tem molho que, para poderem ver melhor, retirei para uma malga.


9 . Retirei a carne e cozi os vegetais no molho. Se tivesse pressa, os vegetais poderiam ter sido cozido à parte.


10. Tapei a panela e deixei que ganhasse pressão e ficou a cozer 20 minutos no mínimo. Desliguei outra vez o fogão para perder pressão. Abri a panela, tirei o molho do qual, com uma colher, retirei a gordura que voltei a meter dentro da panela. Meti a carne nessa gordura, os vegetais por cima, e tornei a ligar o fogão.
A carne ficou a fritar na gordura (no mínimo) até que chegaram os comedores (uns 15 minutos) sem deixar ganhar pressão.
Ficou pronto. Tirei tudo da panela para uma travessa e mandei para a mesa.


11. Ficou bem mas o melhor foi a sobremesa. Salada de fruta e gelados dos supermercados, desses que se compram ao litro quando estão em promoção de 50%.


12 . Para não rebentar, tive que fugir para o café.


13. Ainda estou a pensar no cuzinhado. Mas seria um desperdício mete-la a arrumar a cozinha.


Tempo de preparação?
Para o almoço, uma horita é suficiente desde que se cozam os vegetais à parte. Para servir às 13h, ligar a panela às 12h. Para as gajas, não sei.
Bom apetite.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A Terra não é o Kepler-186f e Portugal não é a Grécia

Esta semana descobriram um planeta semelhante à Terra. 
É ligeiramente maior, um pouco mais velho, tem uma pressão atmosférica e uma gravidade um pouco superiores mas, em termos de potencial para ter seres vivos, é bastante semelhante com o nosso planeta.
Mas o que estão a pensar é "o que é que isso me interessa?"

O Universo é muito grande e vazio.
Esse planeta está a uma distância tal que se nós telefonássemos para um amigo desse planeta, só daqui a 1400 anos é que o telefone tocava e, a "pessoa" atendendo, só passados outros 1400 anos é que ouviríamos, "Está lá? És o meu amigo terráqueo?"
Imaginemo-nos há 1400 anos atrás, no ano 615 DC. Estaríamos hoje a receber na nossa caixa de correio os e-mails que alguém nos enviou "há segundos" e dos quais só receberia a nossa resposta no ano 3415 DC.

Fig. 1 - Menina, cuidado que vai ser atacada por um boobsucker, o ser vivo mais inteligente de Kepler-186f.

E se enviássemos uma nave a esse planeta?
Vamos imaginar que conseguíamos construir um foguetão que atingisse 1% da velocidade da Luz. Nesse caso, para enviar o meu carrito (com 875kg) a esse Kepler- 186f, seriam precisas, para uma eficiência de 25%, 1 milhão de toneladas de combustível líquido H2+O2.
Teríamos que fazer um foguetão com 70 metros de diâmetro e 700 metros de altura, o que seria "apenas" 350 vezes o tamanho do maior foguetão existente (10m de diâmetro e 100m de altura). Seria maior que o maior super-petroleiro jamais construído, metido ao alto e com o fogo aceso no Cartão Único.

Mas pronto, vamos imaginar que conseguíamos.
Se não houvesse curvas pelo caminho, o meu carrinho chegaria ao Kepler-186f no ano 142015 DC.
Nessa altura, "receberia" um telefonema a dizer "O teu carro chegou em ordem" mas que só ouviria no ano 143415 DC.

Vamos imaginar que os de lá ...
tinham "detectado" a nossa existência por causa das explosões nucleares de 1945.
Só daqui a 1330 anos é que, de facto, o clarão nuclear chega lá e, se nessa altura mandarem imediatamente um OVNI à velocidade da Luz, só chegarão cá no ano 4745 anos.

Fig. 2  - Realmente, não lhe interessa para nada terem descoberto o tal Kepler- 186f.

O discurso do Cavaco Silva.
Falou exactamente 10 minutos e quis dizer apenas duas coisas.
1) As eleições vão ser no dia 4 de Outubro o que, sendo feriado no dia 5 de Outubro, vai fazer com que quem se está nas tintas para as eleições não vá votar. Desta forma, na campanha eleitoral os partidos vão ter que convencer o eleitorado de que é fundamental ir votar.

2) Não vai dar posse a um governo que não tenha maioria absoluta no Parlamento.
O mais certo é que, no dia 4, a vitória seja por maioria relativa. 
Um partido terá no máximo 100 deputados (quando precisa de 116 para ter a tal maioria absoluta "exigida" pelo Cavaco) e o derrotado também andará ai próximo. 

Se ganhar o PSD+CDS.
O António Costa vai-se demitir e o Cavaco Silva vai convidar o Passos Coelho para formar um novo governo.
O PS vai encontrar fazer um congresso para eleger o novo líder, o que demora tempo, e depois começam as negociações.
O processo vai-se arrastar meses e meses.

Porque será que o António Costa ficou tão desagradado?
Porque o Costa sabe que vai ter uma vitória à moda do Seguro e, armando-se em cavaleiro valente, vai dizer que avançar com um governo minoritário.
O Cavaco até o pode convidar a formar governo mas, chegados os nomes à sua mesa sem os tais 116 deputados por trás, vai mandá-lo dar um volta. Vai ser o famoso "veto de gaveta": vai aguardando sentado.
Como o Costa é teimoso como um burro ou burro como um teimoso, o processo vai demorar meses e meses e o homem a grelhar.
Não sei o que vai fazer o Passos Coelho mas é provável que se mantenha à frente do PSD enquanto for Primeiro Ministro.

E no entretanto?
Vão pensar "ai meu Deus que vamos ficar meses e meses sem governo" mas não é nada de muito grave pois a Bélgica esteve 541 dias sem governo e não aconteceu grande mal ao Mundo (nem à Bélgica).
O Passos Coelho vai continuar a governar, certo que num governo de gestão e sem Orçamento de Estado (terá que governar em duodécimos).
Ter um governo de gestão não é em nada diferente de ter um governo em minoria que, a qualquer momento, pode cair com um Voto de Censura.

No entretanto, vem o Durão Barroso.
Em Janeiro de 2016 serão as eleições presidenciais.
Fontes bem colocadas disseram-me que o Durão Barroso se vai candidatar e que vai ganhar a Presidência da República. 
Podem pensar "mas isso não é possível saber porque só na Rússia e noutras tiranias é que se sabem os resultados das eleições antes destas acontecerem." 
Bem, como vivemos num país livre, cada um pode pensar o que quiser.
É certo que o Passos Coelho vai ficar lá até finais de Janeiro de 2016

Fig. 3 - Eu é que sou o verdadeiro candidato da Esquerda. À minha beira, comunista dos quatro costados do PCTP/MRPP, esse Póvoas e a de Belém não passam de meninos de coro.

Como foi a Execução Orçamental?
Para o Passos Coelho, está tudo a correr bem.

Dizem os esquedistas "Caiu tanto que agora só pode melhorar"
Mas na Grécia, onde a economia já tinha caído 27% (enquanto que nós caímos 7%), em 2015 vão cair mais 4% por causa das varofaquices.
Pode sempre cair mais e Portugal está a subir, está a aumentar o PIB, a diminuir o desemprego, o défice público está a cair.

O défice público.
Se não contarmos com os juros, no primeiro semestre houve um saldo positivo de quase 560 milhões de euros que ainda é um valor pequenino (0,65% do PIB) mas que já não se conseguia há muitos anos.
Depois, juntando os juros, o DP desceu um bocadinho (desceu 390 milhões €, 0,5% do PIB) relativamente a 2014. ainda está bastante longe dos 2,7% mas está a descer aos pouquinhos, estamos num ajustamento "com mais tempo e mais dinheiro".
Os juros é muito dinheiro (4506 milhões €, 45€ por cada português) mas é o custo a pagar pelos défices socialistas do Guterres e do Sócrates. Além disso, esses governantes endividaram o Estado com taxas de juro muito elevadas (a nossa taxa de juro média está na ordem dos 4,1%/ano quando, hoje no mercado, está nos 2,5%/ano).
Por este andar, vamos ficar acima dos 3% mas não é possível em ano de eleições fazer melhor. E a Sr. Schauble já disse que podia ser assim.

Afinal, a Austeridade acabou.
É que a despesa pública aumentou (ligeiramente) o que traduz que "o fim da Austeridade" prometida pelo PS já está a acontecer com o CDS+PSD.

E o que tem a Grécia a ver com Portugal?
Nada.
Na Grécia continuam em discussões do "isto não funciona" enquanto deseperam pelo terceiro resgate e, no entretanto, a economia vai caindo e o desemprego aumentado.
É esse o caminho de pressão junto das instituições defendido pelo António Costa.
E, no fim, além da queda do PIB e o crescimento do desemprego, virá mais austeridade.

Fig. 4 - Se o Tsipras dissesse como o Passos Coelho disse "Adoro as medidas da Troika, vou tomar disto ao pequeno almoço, almoço e jantar" talvez a taxa de juro grega descesse dos actuais 11,5%/ano para os 2,5%/ano de Portugal.

Pedro Cosme Vieira

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