sexta-feira, 17 de abril de 2015

Don't Cry for me Euro Zone

Portugal tem os cofres cheios. 
Quando a nossa Ministra das Finanças veio, no passado dia 18 de Março, comunicar ao país que tínhamos dinheiro no cofre para fazer face aos nossos compromissos até finais de 2016, estava implicitamente a dizer que já tinha sido decidido (pela Sr. Merkel e companhia) que a Grécia não iria receber mais um euro alemão e que, por isso, ia bancarrotar a curto prazo. 
Como a bancarrota da Grécia vai criar confusão nos mercados não se sabendo com que intensidade nem durante quanto tempo, como precaução, a Maria Luís deu ordens, como fez o Magalhães quando chegou em 1520 à Terra do Fogo e se preparava para atravessar o desconhecido Oceano Pacífico, para que se enchessem os porões com tudo o que pudesse ser comido (no caso, pinguins e focas). 
O Varofakis lá continuou a dizer que "Portugal tinha uma agenda política muito própria" mas o certo é que essa agenda política existe mesmo e que não vai sofrer alterações ao ponto de irmos meter dinheiro na Grécia.

Os franceses também têm uma agenda política muito própria.
No triângulo Berlim, Londres, Paris, a França tem tentando, ao longo dos séculos, assumir-se como o líder dos países latinos, substituir-se a Roma como centro do Império Romano do Ocidente.

fig. 1 - Divisão da Europa Ocidental em 3 áreas de influência geopolítica

A Alemanha está a ganhar terreno.
Olhando para a Fig. 1 vê-se como o desmoronar da URSS abriu espaço à influência Alemanha. No espaço de 20 anos, a Alemanha integrou a sua economia com a polaca, checa, a Eslovaca e dos países bálticos e, com a ajuda da Polónia, está a caminhar para a integração com a economia ucraniana. 
O Reino Unido tem as suas ligações às ex-colónias onde tem importância, além dos USA, o crescimento da antiga Índia (a Índia, o Paquistão e o Bangladesh), da Austrália e Nova Zelândia.
A França sente-se cada vez no meio de nada. As ex-colónias estão com muitos problemas (Norte de África e Médio Oriente) pelo que tenta na Grécia uma cartada.

Michel Sapin.
O ministro das finanças francês tem, nas últimas horas, repetido (juntamente com o Varofaquis) que vai haver acordo com a Grécia mas nenhum dos dois diz quem vai dar o braço a torcer. Se é a Grécia que chama o Gasparzinho para ser ministro das finanças grego, se é a França que abre os cordões à bolsa e resgata o Varofaquis por sua conta e risco ou, finalmente, se é a Sr.a Merkel que vai abrir o cordão à bolsa dos alemães.
Tenho a certeza que ambos estão a pensar na última hipótese, que a Alemanha vai avançar com a massa, mas, vendo que o ministro das finanças alemão diz, do alto da sua cadeira de rodas, que não tem esperança em que haja acordo e a Sr.a Merkel nem se dá ao trabalho de dizer nada, o horizonte grego está  cada vez mais e mais negro, vem ai a bancarrota não demora muitos dias.

Mas o Holland que lhes dá a massa.
Apesar de a França estar com um nível de dívida pública já está acima de 2 000 000 000 000€ e sempre a crescer, 9 vezes a nossa dívida pública, podia com facilidade avançar com uns 100 000 000 000 € para salvar o Varofakis. Era só um aumentozito de 5% no total da dívida pública francesa, não era nada.
Vamos lá esquerdistas, vamos a fazer campanha para que o Holland avance com a massa e deixem o Passos, a Maria Luís e a Sr.a Merkel em paz pois não precisam destes neo-liberiais para nada.

Fig. 2 - Força Holland, vai de moto ajudar o Varofakis.

Será que, se o Costa fosse primeiro ministro metia dinheiro dos portugueses na Grécia?
É bom que lhe façam essa pergunta antes de votarem nesse esquerdista.

É mais uns dias.
Lá vão ter que pegar no meu road map da saída do euro e aplicá-lo à Grécia. 
Bye Bye Grécia.
Bye Bye esquerdistas e o seu "outro caminho" o badalado "caminho do crescimento e do emprego".

Bye Bye TAP.
Na Ciência Económica existe uma situação teórica (em que o custo unitário de produção é decrescente com a dimensão da empresa) em que, ceteris paribus (mantendo tudo o resto constante),  haver uma só empresa no mercado (um monopólio) é melhor para as pessoas que haver duas (ou mais) empresas (concorrência). 
Esta foi a justificação usada pelo Salazar para a Lei do Condicionamento Industrial (os monopólios do antes do 25-de-Abril-de-1974) e é usada hoje pelos esquerdistas para justificar a existência de empresas públicas deficitárias, em particular, a guerra pela manutenção da TAP como empresa pública.

Mas essa ideia está completamente errada.
Porque, uma vez que só exista uma empresa no mercado, os trabalhadores vão sugar a "renda do monopolista". Prova de que isso acontece é que as greves são exactamente nas empresas públicas monopolistas, na TAP, CP, ANA, etc., etc., etc.

Querem saber qual é a melhor solução para a TAP?
A TAP não vale a ponta de um chavo, não vale um tostão furado, só dá prejuízo atrás de prejuízo.
Então, se Portugal der a TAP pelas dívidas, temos que ficar todos contentes.
Desta forma, a melhor solução não é dar 10% nem 20% aos funcionários da TAP, é dar-lhes 100% e eles que rebentem com aquilo, que metam lá o PC e as suas comissões de trabalhadores e que vão para o Inferno com aquilo.
Mas o que eles querem é 20% pois sabem bem a TAP como está não a aguentam nem 6 meses. Querem é 20% acreditando que os donos dos restantes 80% se vão esforçar para que a TAP funcione e eles a mamar os salários chorudos.

Fig. 3 - Vermo-nos livres da TAP o mais rapidamente possível.

Fui dar uma vista de olhos ao Brasil.
O meu amigo Jorge, colega cego do judo, foi passar um mesito com os sogros ao Brasil.
Por causa disso lembrei-me de ir ver ao Banco Central do Brasil as estatísticas do Saldo da Balança Corrente que quantifica o endividamento dos brasileiros face ao exterior.
Não fiquei muito admirado porque já há anos que previ esta evolução (O Brasil vai ser uma grande potência mas em sonho) mas os números são enormes.
O Brasil está-se a endividar 8 000 000 000 € por mês face ao exterior. Cada brasileiro, novo ou velho, homem ou mulher, endivida-se 40€/mês face ao exterior.
Actualmente, a Grécia, a Rússia e o Brasil são os grandes riscos da economia mundial.

Fig. 4 - Balança Corrente brasileira 1995_2015 (dados, Banco Central do Brasil)

Vão ter que aguentar.
Amigos brasileiros, depois de anos a prometerem-vos que a "repartição da renda" iria ter um efeito enorme no crescimento da economia, que os "baixa renda" iriam gastar o dinheiro todo em bens de consumo e que o consumo é o motor do crescimento económico, começa a vir o resultado: taxas de juro na casa dos 15%/ano.
Aguentem que em 1520 o Fernão Magalhães também aguentou a comer carne de foca e de pinguim e consta que sabe pior que lamber aquele óleo preto que sai do cárter do motor dos nossos carros.

Fig. 5 - Anda lamber um bocado de óleo do cárter.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Faltam 6 meses para as eleições

O tempo passa depressa.
Lembro-me do dia 5 de Junho de 2011 em que fui votar no Passos Coelho porque, enquanto exerci o meu dever, o pára-brisas do meu carrito estalou. 
Nesse dia estava muito calor e, talvez por causa disso, o vidro deu de si.  
Nessa altura Portugal estava em total bancarrota e parecia que os astros me estavam a dizer que as coisas iriam de mal para pior.
Ainda andei dois anitos com o vidro estalado mas, no entretanto, tive que substituir, primeiro, o vidro porque chumbou na inspecção e, finalmente, o próprio carro porque rebentou a correia de transmissão. 
Por as eleições terem sido antecipadas (o Sócrates demitiu-se quando ficou sem dinheiro para gastar), em vez de o mandato durar os normais 4 anos, vai durar mais 4 mesitos.

São os 4 meses que a Grécia pediu.
Interessante que, dos 4 meses do "plano ponte" acordado com "as instituições", já passaram 2,5 meses e os gregos ainda não fizeram nada do que se propuseram fazer e, por causa disso, não receberam mais nenhum reforço de verbas.
Sim, reforço pois continuam a receber as verbas acordadas com a Troika para 2015 via emissão de dívida pública de curto prazo que o BCE aceita como colateral. 
Por exemplo, aqueles 450 milhões € entregues esta semana ao FMI vieram de 1000 milhões € "adiantados" ao sistema bancário pelo BCE (e que já estavam acordados desde 2010, com revisões).
Vamos supor que o Varofakis tinha dito "não pagamos ao FMI" então, não teria recebido os 1000 milhões € do BCE.

Mas vamos aos 6 meses que faltam ao Passos Coelho.
Estes meses serão de campanha eleitoral. Mas é uma campanha estranha porque não existe oposição ao governo. 
Isto já parece a campanha angolana com a diferença de os elementos da "nossa" oposição não estarem enfiados na cadeia legal mas sim na cadeia da falta de ideia. 
A única coisa que o António Costa (o nosso "líder" da oposição) consegue fazer em termos políticos é dizer "eu estou disponível".

Que é feito do "outro caminho"?
Onde andará o caminho do bater o pé à Sr.a Merkel, de nos unirmos aos gregos para rasgarmos o Memorando de Entendimento e para corrermos com a Troika daqui para fora?
Onde andará o "caminho do crescimento e do emprego" que vai rebentar com a "espiral recessiva" da "política austeritária dos neo-liberais de direita que governam Portugal"?
Onde andará o caminho que "vai inverter a destruição do Estado Social e o empobrecimento dos portugueses levados a cabo pelo Passos mais o Portas"?

Ontem estive a falar um colega meu esquerdista (com o PM).
Que, como sempre, veio com uns chavões tipo "a politica fiscal tem um multiplicador-elasticidade no produto maior que um pelo que uma expansão da despesa pública terá como efeito um crescimento acelerado do produto, da receita fiscal e, consequentemente, uma redução do desemprego e do peso da dívida pública."
O meu outro colega PS perguntou "mas não foi isso que tentou o Sócrates e que redundou na bancarrota?"
E eu ataquei ainda mais forte, "oh pá, deixemos Portugal e o Sócrates porque são pequenos de mais para mim. Olhemos para os gajos da Venezuela, do Brasil, de Angola e da Rússia que precisam lá de ti urgentemente porque estão a cortar na despesa quando, dizes tu, tem que aumentar. Afinal esses esquerdistas são neo-liberais camuflados perigosíssimos, vais ser mais famoso como conselheiro económico destes comuna que os fulanos neo-liberais da Escola de Chicago que ajudaram o Boris Yieltsing a desmantelar a URRS. De certeza que vais ser prémio Nobel da Economia."
"Como assim" disse ele todo surpreendido.
- Então não é que Cuba, Brasil, Angola e Rússia, em resposta à quebra dos preços do petróleo, entraram em austeridade quando deveriam, como dizes, fazer exactamente o contrário, despesa pública com fartura como fez o nosso Sócrates + Teixeira dos Santos em 2008-2010? Estou a ver que, é por causa da austeridade que a economia destes países está em crise e não o contrário. Avança para lá e com força. Vais ser recebido como o Yuri Gagarine quando retornou do Espaço.
Mas aí, veio a questão fulcral.
"Bem, vê-se bem que não percebes mesmo nada de economia" - disse o tal esquerdista - "É que estas políticas só dão resultado em países desenvolvidos como, por exemplo, na Alemanha."

Ora grande caminho.
Ora uma teoria económica que se diz capaz de acabar com a pobreza dos países mas que, afinal, só é eficaz nos países ricos e contra-producente nos pobres! É como aqueles tratamentos de combate às rugas da pele anunciados na TV que só se aplica a moças com menos de 25 anos.
Eu até já posso anunciar que tenho uma erva especial que faz os bois crescer até aos 10000kg sobe a condição desses bois serem acinzentados e de raça "elefante africano."
Também posso garantir que quem comer um pão diariamente durante 100 anos morrerá com mais de um século de vida.

Mas vamos aos números.
Nestes últimos 4 anos muita coisa aconteceu e podemos usar muitos números para medir o desempenho do governo do Passos Coelho mas o mais informativo é a Balança Corrente. Depois vou ainda mostrar o emprego e, por fim, as exportações.

A Balança Corrente.
Mede as nossas contas com o exterior.
Se somarmos o dinheiro de tudo o que exportamos mais as transferências que recebemos e subtrairmos o dinheiro de tudo o que importamos e transferências que enviamos, temos o saldo da Balança Corrente que, sendo negativo, traduz que nos estamos a endividar face aos exterior.
No tempo em que o Sócrates foi primeiro ministro, nos 75 meses entre Abril de 2005 e Junho de 2011,  Portugal endividou-se face ao exterior em 99423 milhões €, uma média de 125€/mês por cada português. Isto traduz que, nestes 75 meses, em média, cada família de 4 pessoas, endividou-se 500€/mês face ao exterior.
No tempo do Passos Coelhos como primeiro ministro, os 43 meses entre Julho de 2011 e Janeiro de 2015, Portugal emprestou ao exterior (reduziu o seu endividamento) em 8253 milhões €, uma média de 18€/mês por cada português. Isto traduz que, neste 43 anos de austeridade, cada família poupou 72€ face ao exterior.
Nos últimos 24 meses cada português está a poupar 36€/mês face ao exterior.

Fig.1 - Evolução do nosso endividamento face ao exterior (dados: Banco de Portugal)

Isto é um resultado notável.
No espaço de poucos meses, cada família deixou de se endividar 500€/mês e passou a poupar 150€/mês o que pareceu uma redução no nível de vida de 650€/mês.
Mas é esta redução no endividamento face ao exterior (e não à quebra nada economia) que dá a sensação de aperto à carteira dos portugueses. É isto que reduziu o nosso nível de vida.
Naturalmente, todos viveríamos melhor se fosse possível endividarmo-nos face ao exterior para todo o sempre pensando que "o pagamento das dívidas é uma brincadeira de crianças" (Sócrates). 

Mas houve destruição de 15% do emprego.
Foi toda a parte da economia que vivia do crédito, a construção civil e tudo que lhe estava ligado.
Mas essa destruição começou em 2008 e não em 2011 quando o Passos entrou (ver, Fig. 2). No dia em que tomou posso já se tinham auto.destruído 7,5% dos empregos e os esquerdistas diziam que era da crise internacional. No tempo do Passos, auto-destruíram-se mais 7,5%.  
O desemprego só não aumentou 15 pontos porque muitas destas pessoas eram Ucranianos que trabalhavam na construção civil e que foram para a Polónia que está com grande crescimento económico (foi o que aconteceu ao marido da Vira, a minha antiga empregada) e outra parte foram portugueses que partiram para Angola e para a Europa. 
A boa notícia é que o emprego tem vindo a recuperar, a economia já recuperou 1 emprego em cada 6 perdidos no período 2008-2013.

Fig. 2 - Destruição do emprego atingiu 15% relativamente ao nível de 2002-2008 (dados: INE)

E temos as exportações.
Considerando os preços de 2012, nos primeiros 6 meses de 2008, exactamente quando as nossas exportações atingiram o seu máximo, exportávamos 3265 milhões € por mês.
Com a crise do sub-prime, no ano seguinte as exportações desceram 30% para 2300 milhões € por mês.
No entretanto foram recuperando e actualmente já representam mais de 4000 milhões € por mês.
Em tendência, as exportações hoje estão 30% acima do valor de 2008 o que traduz a transformação da nossa economia especialisando-se nas actividades em que temos vantagens comparativas.

Fig. 3 - Evolução relativa das exportações portuguesas a azul (dados: INE)  e série alisada (a castanho)

A linha de tendência indica que as exportações estão agora com dificuldades em crescer. O problema de Angola se ter rendido à austeridade e também o Brasil, vai colocar nos próximos meses dificuldades às nossas exportações. Mas não podemos olhar para a taxa de variação e esquecer que cresceram 30% relativamente a 2011 e 60% relativamente a meados de 2009.

Até tu, esquerdista francês!
O primeiro ministro francês, o Manuel Valles, veio a Lisboa dizer bem das políticas do Passos Coelho.
Só disse estar de acordo quando a "somos amigos e socialistas" mais nada.
Coitado do Costa, até dá pena. Até se assusta com as jornalistas.

Aquele comuna, o Póvoa do Varzim é um leão (de papel, felizmente).
É um esquerdista perigoso porque, propondo-se a uma eleição, diz que não aceita a legitimidade democrática do Passos Coelho e do Portas.
Disse o comuna "se eu fosse Presidente, obviamente o Passos Coelho não se teria lá aguentado nem um ano."
Mas o Passos Coelho foi eleito pelo voto livre e consciente do povo português.
Cá temos outro chavista que, se fosse presidente em vez do Cavaco, não só teria demitido o Passos Coelho como lá teria metido de volta o Camarada Sócrates.
Afinal, o que este homem dava era carcereiro em Évora!

Fig. 4 - Queremos cá o Póvoa do Varzim que até o esfolamos vivo.

Será que vai avançar a coligação PSD+CDS?
Tive uma informação de que só ainda não avançou porque o Passos Coelho está à espera das sondagens.
As sondagens dizem que uma coligação PSD+CDS é ganhadora mas o Passos Coelho é de opinião de que não vale a pena ganhar se for para ter apenas uma maioria relativa.
Então, se as sondagens não derem alguma probabilidade de o PSD+CDS terem maioria absoluta, o PAssos é de opinião que cada um deve ir por si e dar a vitória (de Pirro) ao PS. Nessa altura o Costa vai à sua vida e quem vier pode fazer uma coligação com o Portas.
É que em democracia é preciso haver soluções de governação.
Depois, as políticas desse PS com uma vitória à tangente será igual à dos esquerdistas grego: não há dinheiro, não há vinho nem mulheres da vida.

Um abraço,

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A 4.a guerra mundial no Kenya

Há quem diga que não houve 3.a guerra mundial.
E, se não houve a 3.a, muito menos podemos estar a viver a 4.a guerra mundial.
Mas, de facto, a 3.a existiu, combateu-se na Coreia e no Vietname,  África do Sul / Angola / Moçambique, América Central e do Sul, no Afeganistão e mesmo na Europa Central. 
A 3.a guerra mundial começou logo a seguir ao fim da WW2 e, contrariamente a esta, as maiores batalhas foram distantes da Europa. A última grande batalha foi a do Afeganistão e, simbolicamente, acabou com a queda do muro de Berlim e a reunificação alemã.
A União Soviética desmoronou-se, a China manteve-se politicamente comunista mas converteu-se ao capitalismo e, um pouco por todo o Mundo, as ditaduras comunistas ou acabaram ou converteram-se em ditaduras capitalistas (como em Angola e, em menor grau, em Moçambique que se matem como uma meia-democracia).
A Rússia do Putin, a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e mais uns paisécos ainda querem estrebuchar mas não passam dos derrotados da 3.a Guerra Mundial.
A WW3 foi menos intensa que a WW2 e a WW1 mas durou mais anos, foi uma guerra de 40 anos.

A bomba nuclear.
Interessante que, apesar de haver milhares de bombas nucleares, a WW3 foi combatida sem um único tiro nuclear. Talvez tivesse sido a sua existência que fez a WW3 ter sido uma guerra mais de desgaste económico que de confronto militar puro e duro.

Aqui, tenho que ir ao acordo 5+1 com o Irão.
Com o conhecimento actual, é muito fácil produzir uma bomba atómica.
Pode ser de Urânio 235, o que obriga a ter centrifugadoras para separar o U235 do U238 (que forma 99,3% do urânio). São precisos 60 kg de U235 enriquecido a 98% para fazer uma bomba atómico idêntica à lançada em Hiroshima. O Irão, com os seus 3000kg enriquecido a 20%, já podia construir uma bomba atómica tosca. 
Mas o mais fácil é usar Plutónio 239 produzido num reactor de grafite (do tipo do de Chernobil). A grafite faz-se por cozedura a partir de "condensado de refinação" (sem boro) e, depois, o Pu239 obtém-se por reciclagem do combustível em ciclo rápido. A bomba usada em Nagashaqui foi de Pu239.
O problema de usar o PU239 é que os satélites detectam a reciclagem (o processo liberta radiação) pelo que um processo secreto tem que passar pelo U235.

Mas o importante não é a bomba.
Vamos imaginar que o Irão pretendia que os judeus saíssem de Israel. Podia contaminar o território com Cobalto 60.
O Co60 tem a vantagem de ser fácil de produzir (num reactor nuclear) e da radioactividade decair rapidamente. Se, por exemplo, hoje Jerusalém fosse contaminada com um nível de radioactividade 1000 vezes o recomendado à vida humana, a cidade voltaria a ser segura em apenas 53 anos.
E o Co60 poderia ser discretamente usado na contaminação, a partir do Líbano, do Rio Jordão.

Mas se Israel soubesse da contaminação.
Caia em cima deles como, num dia de calor, moscas varejeiras em cima de carne morta.
Estou a imaginar 8 milhões de pessoas a fugir de Israel para os USA e, depois, um bombardeamento nuclear sobre o Irão que não deixaria pedra sobre pedra.
E, depois, ficava mesmo assim.
Por isso, o mais inteligente foi o Irão se ter comprometido a nunca mais tentar fazer uma bomba atómica.
Até porque a Arábia Saudita (sunitas) deu o OK para que os Israelitas sobrevoem o seu território a caminho do Irão (shiitas).

A 4.a guerra mundial. 
Parece ter duas frentes, a guerra entre islâmicos e cristão (e budistas) e outra entre os islâmicos shiitas (do Irão) e islâmicos sunitas (os outros islâmicos todos). 
No Iraque e Síria a guerra é mais shiitas - sunitas (o IS). 
Em África, a guerra é mais islâmicos - cristãos.

Fig. 1 - A frente de batalha Cristãos- Islâmicos em África (a vermelho).

Já vimos guerras destas em Moçambique.
Na década de 1980, na "batalha" de Moçambique também havia mortandades de civis. Mandavam parar um comboio e matavam toda a gente, centenas de uma vez.
Isto acontece porque é muito mais fácil matar 100 civis do que 1 militar. E. como os militares são civis com armas, matando civis, estão a matar sucedâneos de militares.
Na frente africana, seja no Kenya, RCA ou Chade, a táctica militar é matar à força toda.
MAs isto não vai levar a lado nenhum

Vejamos uns números.
No Kenya mais Etiópia há 140 milhões de pessoas enquanto que na Somália só há 11 milhões. Se hoje houvesse uma guerra em que por cada somali morto houvesse 5 etíopes e quenianos mortos, no fim do dia não haverá ninguém na Somália e ainda haveria 85 milhões de pessoas na Etiópia e no Kenya.
Além disso, por cada criança que nasce na Somália, nascem 10 no Kenya e na Etiópia.
Por isso, esta guerra a ser nos tempos medievais, já teria acabado com a aniquilação ou redução à escravatura de todas as pessoas que vivem na Somália.
Mas hoje existem os Direitos Humanos.

Um dia a "maioria" zanga-se.
O problema é que nessa frente de batalha não existe Convenção de Genebra nem Direitos Humanos.
Já vimos uma pequena amostra na República Centro Africana em que, de um dia para o outro, os cristãos começaram a caçar e a matar islâmicos. Também vimos uma amostra na Birmânia onde cidades inteiras desapareceram do mapa.
É que as pessoas vivem com grande carência material. Se em Portugal o salário líquido médio anda nos 800€/mês, nesses países as pessoas têm que viver com muito menos (cálculo em paridade do poder de compra, dados, Banco Mundial):

Portugal => 800€/mês
Kenya   =>    80€/mês
Etiópia   =>   40€/mês
Somália =>    20€/mês

Fig. 2 - Se em Portugal temos 800€/mês, no  Kenya, Etiópia e Somália têm muito menos

Alguém se está a imaginar a viver com um salário de 20€/mês, 40€/mês ou mesmo de 80€/mês?
É muito difícil, têm carências de toda a espécie, vivem em barracas, não têm roupa, comem só farinha  de milho cozida, passam sede, não têm assistência médica nem medicamentosa, não podem ir à escola, trabalham horas infindas. 
Estes "pequenos" massacres não causam dano nenhum na população queniana que, todos os dias, aumenta em 3000 pessoas (seriam precisos 20 destes massacres por dia).
Mas causam a enraivização e desumanização da população. 
De repente, dá-se um massacre como se viu no Ruanda.

É a "pacífica" guerra demográfica.
Apesar de ser pacífica, lentamente torna-se tensa quando a população que vai invadindo tem uma cultura difícil de ser assimilada.
Vamos ver no que dá.

A semana passada não disse nada.
É que na sexta-feira passada foram as eleições lá no meu trabalho, quero antes dizer, emprego, e eu perdi.
Quase que ganhava como CDU na madeira.
Na primeira votação, só me faltaram 8 votos para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
E na segunda votação, só me faltou apenas 1 voto para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
É que na primeira votação um candidato teve 11 votos e o outro 28 e na segunda votação, um candidato teve 7 votos e o outro 8.
(Falta dizer um pequeno pormenor: é que em ambas as votações, eu tive zero votos).
Naturalmente, fiquei a pensar na minha quase vitória, foi por um voto que não retirei a maioria absoluta ao que ganhou. 

Tive uma vitória à Álvaro Cunhal.
Eu andei toda a semana a gabar-me da minha grande vitória à Álvaro Cunhal mas uma comuna achou que eu não tinha tido vitória nenhuma "Tanto quanto sei, o Camarada Cunhal nunca teve zero votos."
Mas penso que chegou a ter, lá no tempo do Salazar, e que, mesmo assim, achava-se vitorioso.

Fig. 3 - Toda a semana a comemorar a vitória

Até me subiu a tensão arterial.
Esta semana fui ao médico e ele detectou que eu estava a ver pior e que a minha tensão arterial estava alta. Tinha a mínima a 9.
Imaginem que eu tinha verdadeiramente ganho! O mais certo seria que já estivesse morto.
Além disso, antes da eleição houve uma apresentação seguida de uma sessão de perguntas. Não é que um berdameco insinuou que este meu blog põe em causa o bom nome da instituição onde trabalho? E, ainda para mais, foi um aluno daqueles das associações, os que se dizem todos irreverentes e que querem mudar o mundo para melhor.
Como diz o povo, há males que vêm por bem.
Muita sorte para o verdadeiro vencedor que bem vai precisar dela.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 20 de março de 2015

A crise do Euro e a Grécia

Eu faço parte 
de um núcleo qualquer de investigação em Politica Monetária.
Nesse grupo estão (deveriam estar) pessoas com aprofundados conhecimentos em politicas monetárias. Mas, estando consolidado na Ciência Económica que o Banco Central apenas tem capacidade para alterar a taxa de inflação, não sei porque insistem em dizer que a intervenção de compra de activos do BCE vai, finalmente, aumentar o crescimento económico e descer o desemprego e a taxa de juro.

Bem sei que parece ter lógica.
Parece ter lógica que, se o Banco Central imprimir camiões e camiões de notas e as emprestar às pessoas, a taxa de juro vai baixar.
A lógica é "pegando na Lei da Oferta e da Procura (se houver um reforço da oferta, o preço desce), havendo mais e mais notas no mercado, o preço das notas vai diminui." Até aqui tudo bem mas agora é que vem o erro:  " e o preço das notas é a taxa de juro que vai baixar".
(É um erro porque o preço do dinheiro não é a taxa de juro)
A partir deste pequeno erro, continuam:
"Baixando a taxa de juro, as empresas aumentam o investimento o que leva ao crescimento económico, ao aumento dos salários e à diminuição do desemprego."
Rematam alegremente "O outro caminho, o caminho do crescimento, do emprego e dos salários dignos, o fim da pobreeza e o reforço do Estado Social, está nas mãos do BCE." 
Esta lógica esquerdista até parece ter lógica mas é apenas uma lógica da batata pensadora (se é que a batata, representante dos esquerdistas, pensa).
E tudo por causa daquele "pequeno" erro de pensar que a taxa de juro é o "preço do dinheiro".

O preço do dinheiro.
A taxa de juro não é o "preço do dinheiro" porque os camiões e camiões de notas não entram no Mercado de Crédito (da poupança e do investimento) onde a taxa de juro (real) é determinada mas apenas no Mercado de Moeda onde a taxa de inflação é determinada.
É que o "preço do dinheiro" não é a taxa de juro mas sim "o inverso do preço das coisas". É a quantidade de bens que eu tenho que me desfazer em troca de uma nota.
Por exemplo, se um kg de arroz custa 0,714€, agora tenho que pensar ao contrário: uma nota de 20€ custará 28kg de arroz.

Confundido?
Vamos então ver o mercado monetário.
Existem notas porque nós precisamos de andar com elas no bolso para podermos fazer as nossas compras. Além disso, as notas dos nossos depósitos bancários estão, parcialmente, guardados no cofre do banco (as reservas).
Se, por exemplo, gastamos 250€/semana e levantamos dinheiro uma vez por semana, teremos em média 125€ na carteira. Acrescentando a hipótese de termos o valor de 12 meses de despesas futuras depositado no banco e de o banco guardar 13% desse valor em notas, teremos mais 1560€ guardados no cofre do banco. Neste caso, teremos 1685€ em notas, parte na carteira e parte (à nossa ordem) no cofre do banco.

A velocidade de circulação da moeda.
Se pegarmos no valor total de compras que fazemos num ano (12000€) e dividirmos pelo valor das nossas notas (1685€) obtemos a "velocidade de circulação da moeda", neste caso, 7,1, que traduz, grosso modo, que cada nota demora 51 dias a percorrer o circuito económico.
A nota está paradinha, guardadinha debaixo do colchão, a dormir, durante 50 dias e, no 51.º dia, é acordada para fazermos o pagamento de uma compra. Depois, fica a dormir no bolso de outra pessoa e, decorridos mais 50 dias, é novamente chamada a trabalhar.

Apliquemos estes conceitos a toda a economia.
Grosso modo, existem em circulação notas no valor de 10% do PIB, 17MM€. Isto traduz que a velocidade de circulação da moeda é cerca de 10 vezes, 36 dias entre transacções.
Como o Banco Central é a única instituição que pode emitir notas ("vender"), haverá notas neste valor que são emprestadas pelo Banco Central.
Vendo noutra perspectiva, as notas são títulos ao portador de coisas que emprestamos ao Banco Central sem juros, kgs de arroz.

E quanto será o volume do mercado de crédito?
Considerando os créditos bancários (porque a generalidade das pessoas pensa que são dinheiro), fui às estatísticas do Banco de Portugal ver que os nossos bancos têm emprestados 256 mil milhões € ("crédito líquido a clientes"). Depois fui ver a capitalização bolsista e são mais 266MM€ (ver).
Somando apenas os activos destes dois mercados (bancários mais mobiliários) ficamos acima dos 310MM€ que comparam com os 17MM€ de notas.
Vamos supor que as notas também são consideradas um activo. Então, temos um total de 330MM€ de activos em que as notas são 5%.

E se houvesse mais notas?
Vamos supor que caiam do Céu outros 17 mil milhões € de notas (duplicando a quantidade de notas em circula), Ficávamos com o dobro de notas mas o total de activos só aumentaria em 5%. Por isso, o efeito na riqueza das pessoas seria marginal. É que a duplicação das notas não faria duplicar os nossos depósitos bancários pois eles não são notas.
Como, a velocidade de circulação da moeda é estável (as pessoas não querem mais de 10% do PIB em notas), não seria possível passar a haver 20% de notas em circulação pelo que o PIB vai ter que duplicar.
Mas o problema é que não vai duplicar em quantidade mas apenas nos preços.
O que aconteceria é que os preços duplicariam de um dia para o outro, mais nada.

Mas o mercado monetário comunica com o mercado de crédito.
Mas no sentido contrário ao da lógica da batata esquerdista.
É que se a quantidade de moeda aumentar, a taxa de juro aumenta (e não diminui).
Os aforradores que vão fazer um empréstimo a 10 anos querem receber um determinado juro em termos reais (por exemplo, 1%/ano, que traduz o aumento do poder de compra) e, para isso, têm que calcular a taxa de juro (nominal que escrevem no contrato) somando-lhe a taxa de inflação esperada nos próximos 10 anos (diz o BCE que será 1,9%/ano). Desta forma, irão escrever no contrato 2,9%/ano.
Mas se a quantidade de moeda aumentar, os preços irão aumentar, isto é, a inflação irá aumentar pelo que os aforradores irão exigir uma taxa de juro nominal maior.
Se a inflação aumentar, por exemplo, para 3%/ano, o mesmo aforrador já vai exigir 4,0%/ano.

A comunicação.
Tem a ver com as expectativas (a previsão do efeito da medida na taxa de juro futura).
Se a intervenção do Banco Central não alterar a previsão de inflação então, faça o que fizer, não afectará as taxas de juro. Se houver um aumento das notas em circulação que faça as pessoas pensar que a inflação vai subir, a taxa de juro nominal irá aumentar.
Parece-me simples mas não é porque quase todos os comentadores da nossa praça pública cometem o erro de pensar que a intervenção do BCE vai fazer alguma coisa pela economia.

A crise da Zona Euro.
Outro problema que tenho com os meus colegas é que eles, porque vivem em Portugal e são esquerdistas, querem dizer que a Zona Euro está a viver uma grave crise.
Vou mostrar o gráfico da evolução da taxa de juro média das obrigações do tesouro a 10 anos (média usando o PIB como ponderador.
Reparemos que os 5 maiores países ponderam quase 84% da economia da Zona euro e que somando todos os países intervencionados pela Troika, dá menos de 6% do PIB da ZE.

Fig. 1 - Peso de cada país na economia na Zona Euro (média 1992-2013, dados: Banco Mundial)

Vejamos então como têm evoluído as taxas de juro a ver se descobrimos alguma crise (ver, Fig. 2). O que se observa é que, entre 2003 e 2012, a taxa de juro esteve em torno dos 4%/ano, nem se vê crise do Sub-Prime (2008) nem da dívida soberana (2010), não há crise nenhuma. Estranhamente, em princípios de 2012 a taxa de juro começou a cair, 1 ponto percentual cada ano.

Fig. 2 - Taxa de juro média nas obrigações a 10 anos da dívida pública da Zona Euro (dados: ECB, "long term interest rates for the criteria of convergence")

O que irá acontecer à Grécia?
Já se sabe que vai sair da Zona euro.
Atentem à conversa da ministra das finanças: "na eventualidade de acontecer algo de grave, não precisaremos ir ao mercado nos próximos tempos para nos financiarmos."
Se a taxa de juro está a descer, para que é a pressa em garantir o financiamento para os próximos 18 meses?
Tem milhares de milhões de euros no cofre a pagar juros para quê?
Não seria melhor esperar pela data das necessidades?
É que a Maria Luís já sabe que a Grécia vai rebentar e que está por dias, no máximo, por semanas, poucas.

Prova disso foi a conversa aos jornalistas do Tsipras e do Junker.
Enquanto o Tsipras dizia "tenho a certeza de que vamos chegar a acordo porque existe vontade política para isso" o Junker abanava com a cabeça a dizer que não para logo rematar "eu não tenho esperança."
Depois temos a evolução da taxa de juro da dívida pública grega a longo prazo (10 anos) que já está bem acima dos 10%/ano.
Atenção que isto não traduz que a Grécia está a pagar 11,6%/ano de taxa de juro mas sim que quem emprestou dinheiro à Grécia está a vender títulos com valor nominal de 100€ por 34€, estão a perder 2/3 do valor.

Fig. 3 - Evolução da taxa de juro Grega a 10 anos (implícita)

Agora tenho que ir.


Fig. 4 - Любовь, прийти к постели

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 13 de março de 2015

O caminho do Brasil

Os países são como os músculos. 
Para termos boa musculatura temos que trabalhar.
Todos os dias, em vez de ficarmos a ver televisão e a ler bloggues parvos como este, temos que pegar num peso de 1kg em cada mão e amarrar outro nos tornozelos e ir caminhar em passo acelerado durante uma horita, fazer pelo menos uns 6 km.
Se fizermos isso, lentamente (e com muito sacrifício), a gordura irá desaparecer e o músculo crescer.

Também, para podermos ter um emprego seguro e bem remunerado, em vez de gastarmos o nosso tempo e dinheiro em mulherido, jantares e noitadas, poupamo-los e investimo-los em estudo, livros e aulas o que, lentamente (e com muito sacrifício), nos vai tornar mais capazes de produzir mais valor, o que é a chave do sucesso no emprego. 

Os países também ganham músculo e são capazes de produzir mais se houver poupança que é a fonte de financiamento do investimento produtivo.  Desta forma, ano após ano, a quantidade de capital aumenta o que (com muito sacrifício) faz com que o PIB aumente.

Fig. 1 - Está a crescer

Mas o que acontece quando paramos de nos esforçar?
Os músculos tornam-se mais volumosos. Porque os músculos ganham gordura (que não vemos), ficamos com a sensação de que estão a crescer, cada vez mais fortes.

O trabalhador torna-se mais produtivo. Como já não perde tempo a estudar, tem mais tempo disponível e está podendo assim tornar-se mais produtivos. 

A economia do país, que deixa de poupar e encaminha todo o rendimento para o consumo, cresce. Porque mais pessoas querem consumir, os estabelecimentos vão precisar de contratar mais horas de trabalho.

Mas isto é uma realidade de curto prazo, pois, mais dia menos dia, a falta de esforço, seja musculação, estudo ou poupança, encaminha-nos para o abismo.

Há um exemplo muito interessante de crescimento económico.
O crescimento acontece por haver inovação em alguma das milhares de actividades que compõem a economia. Uma de cada vez, encontra formas mais eficientes de produzir e o mecanismo (de mercado) que coordena as actividades (os preços) vai difundir esse inovação a toda a economia. O problema é que, no curto prazo, a inovação vai parecer que caminha a economia para o fracasso. Pro isso é que tantas pessoas são contra as inovações.

Vamos imaginar 
Uma economia com 99 pessoas a trabalhar em padarias, salsicharias e rolotes de cachorros quentes (que usam os pães e as salsichas).
Como as pessoas apenas dão valor aos cachorros quentes (ninguém come pão ou salsicha simples), vão gastar todo o rendimento em cachorros quentes.

Sendo o preço dos cachorros quentes normalizado a 0,99€/u (será a unidade de valor) e a produtividade de cada trabalhadores é 6 (pães, salsichas e cachorros, respectivamente), a economia caminha para o equilíbrio seguinte:

Sector.............. Padaria .......Salsicharia.......Rolote
Trabalhadores .....33 .................33 ................33
Produtividade .......6....................6...................6
Preço.................0,33€/u.........0,33€/u.........0,99€/u.
VA....................65,34€..........65,34€..........65,34€
...........................(33%)...........(33%)...........(33%)
Salário...............0,99€.............0,99€............0,99€
Consumo..............2...................2....................2

Esta economia está em equilíbrio de pleno emprego (todas as 99 pessoas têm emprego, o salário é igual à produção e a produção é igual ao rendimento).

Mas dá-se uma inovação tecnológica.
Nas padarias descobrem um novo processo produtivo em que cada padeiro passa a produzir 30 pães por dia. Aparentemente isto será bom para as padarias (e para os padeiros) e que os outros sectores ficarão diminuídos. Mas, veremos que não, que vai ser exactamente ao contrário.
A economia vai evoluir no sentido de um novo equilíbrio. Supor que já passou o tempo de ajustamento, a economia estará num novo equilíbrio em que todas as pessoas estão melhor (os preços do cachorro quente mantém-se nos 0,99€/u que é a unidade de valor):

Sector.............. Padaria .......Salsicharia.......Rolote
Trabalhadores ......9 .................45 ................45
Produtividade ......30.................3...................3
Preço.................0,09€/u.........0,45€/u.........0,99€/u.
VA....................24,30€.........121,50€........121,50€
...........................(9%)...........(45%)...........(45%)
Salário................2,70€...........2,70€............2,70€
Consumo............2,73.............2,73..............2,73

No novo equilíbrio, todas as pessoas ficaram melhor (e não apenas os padeiros). O preço do pão desce e o preço da salsichas sobe (e a margem da rolote também sobe de 0,33 para 0,99 - 0,45 - 0,09 = 0,45).
Mas o sector de padaria, onde houve a inovação, diminui o peso na economia de 33% para apenas 9%.

Isto acontece todos os dias.
Por exemplo, a crise na Agricultura deve-se aos grandes ganhos de produtividade. Hoje um agricultor consegue produzir mais de 1000x o que produzia um agricultor em 1950.
Pelo contrário, os sectores que vão ganhando peso, por exemplo, o ensino e a saúde, deve-se ao facto de os ganhos de produtividade serem pequenos. ensinar hoje um aluno não é muito diferente do que era há 2500 anos atrás.

Mas o que é que isto tem a ver com o Brasil?
É que este gigantesco país pensou, com o Lula da Silva, que o combate à pobreza poderia ser a estratégia de crescimento económico que levaria o Brasil a ser uma superpotência mundial. Esta política de redistribuição fez-se pela diminuição da poupança (aumento do consumo financiado com crédito que deveria ir para investimento).
Se até 1990 a poupança líquida do Brasil (poupança interna bruta menos a depreciação de capital em percentagem do PIB) estava acima dos 10% e acima da alemã, desde então caiu para um valor próximo de zero.

Fig. 2 - Evolução da poupança líquida, 1970-2013 (dados: BM)

E, entre 200 e 2010, a redistribuição fez a economia crescer, passada uma década, a falta de poupança meteu-lhe um travão. Se o PIB per capita brasileiro relativamente ao alemão (que é a comparação europeia) recuperou 3 pontos, mantém-se há vários anos nos 24%, a mesma relação que existia em 1971-1972.

Fig. 3 - Relação entre o PIB per capita brasileiro e alemão, 1970.2013 (dados: BM)

E onde nos leva a questão da inovação?
É que o Brasil tem uma regra automática que aumenta os salários (salário mínimo e dos funcionários públicos) para corrigir a inflação e acrescentar poder de compra.
Mas, por um lado, este mecanismo ao se aplicar a toda a economia evita que a economia ajuste em função da inovação que vai acontecendo. Por um lado, transmite para os sectores onde não há inovação (e que não têm ganhos de produtividade) aumentos de salário que não deveriam existir prejudicando o ajustamento da economia ao longo do tempo.

Agora vou um bocadinho à Grécia.
Vão cada vez mais a caminho da parede pensando que a encornadura é rija o suficiente para deitar o juro abaixo.
O certo é que a nossa taxa de juro (da dívida pública) a 5 anos está nos 0,85%/ano enquanto que a grega está nos 15%/ano.
Parece que quem tem uma dívida massiva (como nós e a Grécia), se disser "Não podemos pagar as nossas dívidas", a taxa de juro sobe de tal maneira que a dívida fica mesmo impossível de pagar mas se disser "Vamos pagar tudo até ao último cêntimo" a taxa de juro desce de tal maneira que se torna mesmo possível pagar essa dívida.
Portugal (o Passos Coelho e não a brigada de caloteiros esquerdistas) disse, mesmo sem ser possível na altura, que íamos pagar tudo e a taxa de juro desceu. Pelo contrário, os gregos disseram nas mesmas circunstâncias que iam bancarrotar, e vão mesmo bancarrotar.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 6 de março de 2015

A saida do Euro (da Grécia) e as finanças do Passos Coelho

Eu tenho investigado sobre a saída do Euro.
Todos os dias ouvimos toda a gente dizer coisas sobre a crise da Grécia.
Como tenho investigado estas questões desde 2010, posso garantir que não passam de opiniões sem  qualquer fundamento e que não têm nada a ver com a realidade.
Já muitas uniões monetárias foram dissolvidas, (nós mesmos tivemos uma união monetária com Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Cabo Verde), sem haver qualquer impacto negativo nos países.
A Irlanda saiu da "Zona Libra Esterlina" para entrar na "Zona Euro" e nem ninguém se lembra disso porque não houve qualquer impacto negativo nem no Reino Unido nem na Irlanda.
Vou então tratar das duas questões em discussão.

1= Se a Grécia não chegar a acordo com as instituições europeias (os credores), terá obrigatoriamente que sair da Zona Euro.
Nesta afirmação não existe o mínimo de verdade.
O dinheiro é apenas um meio contabilistico para registar o nosso trabalho (e pelo qual recebemos as notas correspondentes ao nosso salários), os bens e serviços que vendemos (e pelos quais recebemos as notas correspondentes ao preço) e os bens e serviços que compramos (e pelos quais entregamos as notas correspondentes ao preço). Além disso também regista os recursos escassos pedidos emprestados (se recebemos notas) ou os recursos escassos emprestados (se entregamos notas).
As notas que temos na nossa carteira ou debaixo do colchão não são mais do que o saldo de todos os movimentos realizados em dinheiro (trabalho, compra/venda, empréstimo, doações, roubos, achamentos) que fizemos desde o dia em que nascemos até agora. 
Os movimentos em dinheiro são denominados por "movimentos financeiros".

Para a economia, é irrelevante a unidade de contabilização.
A) Se o nosso ordenado for contabilizado em Euros (recebemos 1000€) e os preços dos bens e serviços também (gastamos 900€), ficamos com 100€ no bolso para gastar, no futuro, em mais bens e serviços.
B) Se o nosso ordenado for contabilizado em Contos (recebemos 200C) e os preços dos bens e serviços também (gastamos 180C), ficamos com 20C no bolso para gastar, no futuro, em mais bens e serviços.
C) Poderia até o nosso ordenado ser contabilizado em Contos (recebemos 200C), os preços dos bens e serviços serem contabilizados em euros (gastamos 900€) e a nota em circulação ser o Parolo com as taxas de câmbio 1 Conto = 1000 Parolos, 1 Euro = 200 Parolos e 1 Conto = 5 Euros.
Em termos económicos, ter A, B ou C é totalmente equivalente. A Economia é totalmente independente da moeda em que são realizados os contratos e a moeda física que está no bolso das pessoas.

Mas existe o custo de câmbio.
No passado sim, mudar a denominação da moeda causava custo de câmbio mas agora não. Como agora a maior parte dos pagamentos são intermediados por computadores (os cartões VISA, multibanco e a Internet), não existe qualquer custo de câmbio diferente do normal custo das transacções computacionadas.

E o risco cambial?
Já agora, se quisermos, podemos fazer contratos em moeda diferente do Euro.
Cada um correrá o risco que quiser. Se uma pessoa quiser fazer o seu contrato eu Parolos, assume a taxa de inflação e o risco cambial dessa moeda. Se quiser fazer em Euros, terá outra inflação e outro risco cambial.
Segundo a segundo, a taxa de câmbio entre as moedas é calculado (de forma semelhante à EURIBOR) e o computador aplica essa taxa à transacção.

Mas, na Grécia, há o problema dos depósitos bancários.
Não existe problema nenhum pois os bancos gregos têm activos suficientes para poderem pagar todos os depósitos, independentemente da moeda de denominação.
O problema é se o Estado Grega não pagar as suas dívidas pois, neste caso, o activo dos bancos gregos sofrerá desvalorização.
E se não tiverem dinheiro para pagar os depósitos (e obrigações), abrem falência.
Mas, também se em euros também não tiverem euros, só não abrirão falência se alguém lhes der Euros (a Alemanha e os nossos esquerdistas).

Qual será o problema da Grécia bancarrotar?
O Estado tem que ajustar as suas despesas aos euros que consegue recolher em impostos.
Se os impostos não conseguirem cobrir a despesa pública, o Estado não poderá pagar os salários dos funcionários públicos nem as pensões.
Será um corte forçado pela falta de notas e não pela imposição de ninguém.
Neste caso o Farovakis não poderá mais dizer "vou rasgar as imposições da Troika pois estão-nos a impor austeridade" nem dizer "não pago salários aos funcionários públicos por causa de Portugal"
Pura e simplemente terá que dizer "não posso pagar salários nem pensões porque os gregos não pagam impostos suficientes."

Mas os euros podem sempre continuar.
O Farovakis pode começar a imprimir Parolos e a pagar a parte dos salários dos funcionários públicos e das pensões em Parolos para os quais não tem euros. 
O Estado grego até pode passar a receber os impostos e a pagar a despesa em Parolos mas isso não faz com que o Euro não possa continuar no bolso das pessoas e a ser a moeda de referência da economia grega.
O Estado é apenas mais um agente económico no meio de tantos outros milhões.
Tal como o BES falir não nos obriga a sair do Euro, também se o Estado Português bancarrotasse, não teríamos que sair da Zona Euro.
Se em Marrocos o Euro é a unidade de referência, na Grécia, mesmo havendo Parolos, também o será.

2= A saída da Grécia do Euro será terrível para a Grécia e para a Zona Euro.
A saída não será notada por ninguém pois será apenas uma mudança na denominação das transacções financeiras gregas.
O que as pessoas estão a pensar é que pode haver uma bancarrota total de Grécia o que implica perdas de 340 mil milhões de euros.
Este valor, perdendo-se na totalidade, corresponde a 3,4% do PIB da Zona Euro, o que implicaria que Portugal tivesse que assumir perdas de 5,8 mil milhões €, equivalente às perdas que o Estado assumiu com a falência do BPN. Como as instituições da Zona Euro só detêm 80% da dívida grega, será uma perda de "apenas" 450€ por cada português.
Isso mesmo, o que os nossos esquerdistas querem para a Grécia implica que cada português vai perder 450€, homens, mulheres, velhos, novos e crianças, empregados e desempregados, 450€ por cabeça. E o Passos tenta apenas proteger-nos desta perda.
Quem for esquerdista, verdadeiramente esquerdista, e que tenha peninha dos gregos, que pegue num cheque de 450€ e que o envie para o Farovaquis que ele vai agradecer e que deixe os meus 450€ em paz. 
O maior problema é que, depois de gastar este cheque, vai querer mais e mais e mais.

Mas toda a gente já antecipa a bancarrota.
Mesmo com a dívida pública denominada em Euros, os credores (particulares) quando assumem uma taxa de juro implícita nas obrigações gregas entre 9%/ano e 10%/ano quando as alemãs estão entre os 0,35%/ano e os 0,42%/ano, estão a antecipar perdas na dívida grega de 58%.
Antecipam que há mais de metade de hipóteses de perderem todo o seu dinheirinho.

Fig. 1 - Os esquerdistas portugueses falam muito que a descida das taxas de juro portuguesas se devem ao BCE (e não a Passos Coelho)

Fig. 2 - Mas na Grécia, exactamente onde há um governo esquerdista, as taxas de juro sobem!

Os problemas fiscais do Passos Coelho.
Toda a gente já teve problemas com o fisco. Eu, que não faço mal a uma mosca, já fui "multado" em mais de 3000€. Por razões que nunca cheguei a compreender, fizeram umas contas e aplicaram-me uma correcção qualquer de que resultaram quase 3000€ para eu pagar. 
Bufei mas paguei. O interessante é que na carta que me enviaram tinha o parecer de um inspector tributário qualquer que dizia "vai pagar xpto€ porque, aparentemente, o dinheiro não lhe vai fazer falta."
Depois, chamaram-me lá e disseram que eu tinha que corrigir a minha declaração "sob o risco de sobrer pesadas coimas". O problema é que eu não sabia do que eles estavam a falar pelo que não fui capaz de fazer o que eles diziam eu saber bem, não fazia a mais pequena ideia do que eles estavam a falar.
Passado um mês ou dois, "apanhei" mais 300€.
Como sou funcionário público, vinguei-me não trabalhando durante uns dias.
Não fiz nada, mesmo nada e não foram 2 nem 3 dias!.

O Passos é uma pessoa simples.
Lembram-se da casa que arrenda no Algarve?
Quando os reportesres lhe perguntaram "O Sr. Primeiro-Ministro exige que lhe passem recibo?
- Mas recibo de quê? Isto não é uma farmácia!
E deu uma gargalhada.

Com os recibos verdes foi igual.
Em tempos distantes, nos finais dos anos 1980, uma estudante de matemática que passava recibos verdes por uns trabalhitos que fazia, uns inquéritos ao consumo e umas reposições em supermercados. 
Eu não percebia nada daquilo, só me lembro que eram uns livros muito grandes, pretos, penso que 3, onde a pessoa escrevia os recibos emitidos com a data, o valor e o IVA retido, outro livro para o IVA retido e pago, e ainda um livro para as despesas da actividade, facturas que eu pedia nas bombas de gasolina (facturas "falsas" pois ninguém tinha carro) e nos cafés (para simular os "almoços de serviço") até fazer uma certa percentagem, penso que 30% da facturação.
Era um amadorismo total mas toda a canalhada passava assim uns recibozitos, compravam-se nas finanças e até umas pessoas passavam por outras, iam fazer os trabalhitos com o nome das outras pessoas.
(Também aconteceu comigo, eu fazer uns trabalhitos com nome doutro).

Fig. 3 - Oh pá, eu precisava de alguém que soubesse dessas coisas dos recibos verdes, tu conheces alguém?
Eu, eu, eu sei, sei, sei, sei disso tudo, aprendi lá nas engenharias, tenho uma cadeira mesmo disso, sei de tudo, de recibos verdes e de recibos maduros, de tudo.
Ai que bom ter-te encontrado.
Pois foi, vai ser, bom vai, se for vai.

Era tudo feito no joelho.
Aquilo era tão aldrabado e sem conhecimento que eu optei por escrever as coisas a lápis para, no caso de a pessoa ser chamada às finanças, os técnicos poderem corrigir aquilo.
De 3 em 3 meses, eu fazia uma conta qualquer e mandava um cheque para os do IVA. No fim do ano, mais umas contas e vinha o IRS para pagar. Para a Segurança Social, nada, havia pessoas que falavam disso, que, se calhar, era preciso pagar, mas ninguém sabia como, nem havia livro para isso.
O interessante é que nunca ninguém me pediu os livros, nem a mim nem a ninguém.
Uma vez a pessoa foi chamada às finanças e eu fiquei a tremer de medo. Disse-lhe que estava tudo bem para ela ganhar confiança mas só Deus sabe, até fiquei com diarreia.
Era uma coisa com um nome de código tipo "operação locomotiva".
Ela lá levou os livros de baixo do braço e chegando lá os financistas perguntaram-lhe: 
- Estes valores que estão aqui declarados correspondem à realidade?
- Sim Sim Sr. Chefe, é isso mesmo - sem fazer ideia do que ele estava a falar.
- Então está bem. Assine aqui e pode ir embora que está tudo correcto.
Quando eu soube disto, até fui beber um cafezinho para comemorar. Naquele tempo o meu dinheiro não dava para mais.

Se calhar.
Sei hoje que essas coisa eram crimes, na minha inocência devo ter cometido mais crimes que o Sócrates.
E vejam só, crimes que, somados, deveriam dar mais de 200 anos de cadeia mas que, em euros, deram para uns cafezitos, umas centenas de euros.

O Passos Coelho era igual.
O moço não sabia nem sabe de nada desses pormenores.
A mente dele é virada para a música, para as artes, em casa ele distrai-se é a cantar ópera, não é a ver as cartas das finanças, o código do IRS ou a legislação da Segurança Social.
Nada disso, é uma pessoa como outra qualquer.

Faz-me lembrar quando eu fui ao Centro de Saúde.
E passou um médico gordo e a fumar. Um dos que estavam lá comigo disse "este médico prega muito que ser gordo e fumar faz mal à saude mas não para de comer, beber e fumar"
- Deixe isso amigo que eu estou cá para tratar da minha saúde e não da saúde do médico. Se ele morrer, arranjam logo outro mas se eu moirrer, não há quem me substitua.
Com o Passos é igual, não precisamos de uma pessoa exemplar (como dizem ser o Guterres) mas que nos leva à bancarrota. 
Eu gosto do Passos.

Será que uma pessoas que copiou ...
poderá ser vigilante de exames?
Mau era se não pudesse, não haveria vigilantes.

Pedro Cosme Vieira

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Até onde cairá a taxa de juro?

Isso é totalmente imprevisível.
A taxa de juro da dívida pública portuguesa está a bater em baixo recordes históricos.
No período 2006-2009, a 10 anos tínhamos uma taxa de juro média de 4,4%/ano. Hoje a mesma taxa de juro está a esbarrar nos 2,0%/ano.

Lembram-se dos 74 esquerdistas caloteiros?
Que diziam há apenas uns meses de que tínhamos que bancarrotar porque a nossa dívida pública seria insustentável com a então taxas de juro maior do que 3,0%/ano?
Que será que dizem agora?

Vamos a umas contas.
Temos uma dívida pública de 130% do PIB, o que parece muito.
Supondo uma taxa de crescimento do PIB de 1,2%/ano, uma taxa de inflação média de 1,9%/ano, uma taxa de juro de 2,0%/ano.
Com um superávite primário de 1% do PIB, atingimos uma dívida de 60% do PIB em 2050.
Para cumprirmos o acordado com os nossos parceiros europeus (redução de 2% do PIB da dívida pública por ano), só temos que pôr de lado 1% do PIB e não os 6% ou 7% que os esquerdistas anunciavam (que é o orçamento da Saúde).

E se a taxa de juro descer?
Se a taxa de juro descer para 1%/ano, nas mesmas condições, já não precisamos de superávite.
Basta o défice público privado ser equilibrado para que em 2050 já tenhamos pago 70% da nossa dívida pública.

Fig. 1 - Evolução da taxa de juro da dívida pública portuguesa (dados: Investing, "previsão" do autor)


E o acordo da Grécia?
É só fumaça mas, com a redução das taxas de juro (sem risco), é possível que a Grécia "pague" a sua dívida de 180% do PIB de forma muito mais suave que o previsto há 4 anos atrás.
Se com taxas de juro de 4%/ano era preciso que a Grécia apontasse para um superávite primário na ordem dos 4% do PIB (para reduzir por ano à dívida 3% do PIB), com taxas de juro de 2,0%/ano, já só é preciso um superávite primário de 1,5% do PIB.

Mas o Salário Mínimo!
Em teoria até pode haver lá ideias boas, o chavão do combate à evasão fiscal e outras conversas, mas não tenho esperança de que isso funcione.
Mas passar o SMN grego dos 580€/mês, já muito maior que o nosso, para 751€/mês, vai destruir toda e qualquer boa ideia.

Fig. 2 - Podem ser boas mas não tenho esperança de que funcionem.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Livre para ser infeliz

Aqui vai algo que parece nada ter a ver com a economia.
O PS, um amigo, pensando que o texto do Padre Anselmo Borges ("Solidão e ética do cuidado", JN, 21 Fev 2015) lhe era dirigido, pediu-me um comentário.

A Sociedade do Descartável
Em termos estéticos, Borges começa com uma citação que tem extensão exagerada (25% do texto) mais porque apenas quer transmitir a ideia de que, além da Sociedade de Consumo em que as pessoas são felizes se tiverem mais coisas (combatida ferozmente no discurso oficial da Igreja), começa a aparecer a Sociedade do Descartável em que as pessoas são felizes por descartarem as coisas que compraram recentemente e que ainda se mantêm como novas.
Não é um pensamento nada de novo já estando mesmo contido no conceito de "amor platónico": antecipamos que a nossa felicidade vem de possuir algo mas, mal nos apropriamos desse algo, deixamos de lhe dar valor. O valor da coisa perde-se não pela mudança do objecto (do bem, que se mantém tal e qual) mas sim do sujeito (de nós, que ficamos saturados).
Confúcio condensa esta ideia na afirmação de que A nossa felicidade não vem de aquirirmos o que não temos ou de recuperarmos o que já tivemos mas sim de darmos valor ao que temos. 
Eu (e esse amigo) sou um contra-exemplo dessa sociedade do descartável porque uso roupa que comprei há já 25 anos e mesmo outra que me deram (por os donos se terem cansado dela).
Mas Borges tem um pequeno erro de leitura do conceito pois condensa a sociedade do descartável como "a sociedade que quer o permanentemente novo, atirando o velho para fora" quando, nessa sociedade, o deitado fora continua totalmente novo, indistinto do que vai ser comprado para o substituir. 

O descartar das relações e a solidão da rejeição.
Borges, afinal, não quer falar das coisas mas da solidão dos "velhos" (por isso é que usa, erradamente, "o velho" para justificar o descartar). No entanto, a comparação que faz entre os bens e as relações é bastante forçada para não dizer mesmo, errada.

O erro na comparação entre bens e relações é que, por um lado, os bens existem (e podemos comprá-los) enquanto que, por outro lado, as relações se criam e são uma partilha entre pessoa, nós e o outro (ou outros). Assim, não são comparáveis. 
Podemos mandar os bens para o lixo mas nunca as relações pois, uma vez criadas, vão perdurar para todo o sempre nas outras pessoas onde continuaremos presentes em pensamento. Quantas vezes encontramos pessoas de quem não temos a mais pequena recordação mas que, tendo-se cruzado connosco no passado, se lembram de nós como se essa relação nunca tivesse terminado?

O paradoxo é que Borges afirma que o combate da solidão obriga à existência de "solidez de relações e de afectos." Mas se caminhamos para a Sociedade do Descartável, todas as pessoas ficarão mais felizes por as relações e afectos serem descartáveis. Nessa sociedade a solidão combater-se-á exactamente com  encontros de curta duração, as pessoas encontrarão solidariedade na Sociedade do Alterne (pois as pessoas nunca poderão ser descartadas). Será  nos transportes públicos, nos cafés, nos tempos de espera que as pessoas encontrarão as relações (que durarão apenas alguns minutos).
Afinal "velhos" é uma metáfora para aqueles que se mantêm na antiga Sociedade do Permanente e os "outros" é uma metáfora para aqueles que entraram na Sociedade do Descártavel.

A culpa. Prmeiro, Borges pensa que não devem ser os "velhos" a fazer um esforço para combater a sua solidão mas sim os "outros". Isto vem muito da moral cristã (o Messias veio à Terra para nos salvar) mas, porque as relações e os afectos se criam a partir do nada, não podemos pensar assim. Na Sociedade do Descartável em que os "velhos" se sentem perdidos (uma minoria de pessoas desadaptadas), cada "velho" pode combater a sua solidão criando relações e afectos com outros "velhos". Assim, não haverá qualquer necessidade de os "velhos" estarem à espera que os "outros" os salvem. A salvação está entre eles.

A ética. Depois, Borges pensa que os "outros" têm o dever moral de ajudar os "velhos" a vencer a solidão,  quem se tornou "outro" tem a obrigação ética de ajudar quem se quer manter "velho". Mas se o "velho" se quer manter na Sociedade do Permanente por opção própria, se quer ter essa liberdade, então, tem que assumir as suas consequências. 

A maldição. Borges anuncia que aquele que hoje é um "outro", descartando relações e afectos, no futuro será um "velho", vivendo na solidão.
Mas isso obrigaria a imaginar que o que já é "outro", que já vive na Sociedade do Descartável (ou do Alterne), vai querer regredir para a Sociedade do Permanente, procurando exactamente nas relações que descartou (e não noutras quaisquer) a sua companhia. 
E porquê nas relações que descartou e não noutras novas? O que têm de especial as pessoas que conheceu no passado (ou hoje) relativamente às que vai conhecer no futuro?


Isto é um discurso contra a mudança.
A sociedade está em constante mudança, é um constante devir, o que faz com que as gerações mais velhas estejam em constante choque com as gerações mais novas.
Isto é algo que dura há centenas de milhar de anos e que continuará enquanto houver Humanidade.
E Borges já é a geração anterior.
E eu já sou a geração anterior.
Mas a sociedade nunca volta para trás, o progresso é um caminho sem retorno, nunca o que já é "outro" vai querer voltar a ser "velho." 

A Liberdade.
A nossa sociedade evolui no sentido da Sociedade Livre, em que cada um sabe o que é melhor para si e em que apenas as acções declaradamente prejudiciais aos outros (à sociedade) é que são limitadas pela Lei.
Claro que ainda vamos no início do caminho, onde muitas Leis e muitas imposições éticas condicionam o nosso comportamento (e nós o do outro), mas isso vai acabando.
Vemos aproximar o fim da Ética (que não é mais do que a tentativa de uns para condicionar o comportamento dos outros de acordo com as suas convicções de bem e de mal, ideia de Nietzsche), onde cada um é que sabe o que é o bem e o mal (para si) e a Lei trata de lhe lembrar o que é o Mal para os outros.
É a liberdade económica, o famigerado neoliberalismo, de fazermos o que bem nos apetece, trabalhando muito e tendo muitos bens ou não trabalhando e tendo uma vida espartana, despidos dos confortos modernos.
Teremos a liberdade de viver na solidão, na infelicidade ou mesmo de deixar de viver. 
Mas para vivermos de forma livre, sem constrangimentos, teremos que assumir todas as consequências das nossas opções de vida.
Como diz o povo "Quem não trabuca, não manduca."

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Com ou sem acordo, a Grécia não tem futuro risonho

Parece que chegaram a um acordo qualquer.
Mas o problema da Grécia de pouco crescimento económico não resulta do endividamento público e externo e que se possa resolver com um acordo qualquer porque já dura há 40 anos.
Exactamente, se olharmos para a evolução do PIB per capita grego, medida que quantifica o nível de vida dos países, desde 1973 até 2014, a taxa de crescimento grego foi de apenas 0,70%/ano, tendo o crescimento de 3,50%/ano de 1995-2007 sido um bolha de crédito (não sustentado) pois, havendo necessidade de corrigir em 2009-2013, esse crescimento desapareceu totalmente (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - PIBpc grego onde se vê que, retirando a bolha de crédito (a amarelo), desde 1973 o crescimento é de apenas 0,7%/ano (dados: Banco Mundial)

E como nos comportamos?
Em 1973-1975 Portugal tremeu um bocadinho mas recuperou. O nosso problema foi, uma vez na Zona Euro, os governos socialistas terem-se esquecido que uma política de rendimentos e preços generosa levaria ao desemprego e ao endividamento externo. Assim, foram induzidos aumentos nos salários que levaram ao aumento dos preços o que tornou os nossos bens menos competitivos. Por outro lado, a politica de "Estado Social" levaram ao desequilíbrio das contas públicas.

Fig. 2 - PIBpc português onde se vê que, desde 1960 até à entrada no Euro, o crescimento foi robusto, de 3,9%/ano (dados: Banco Mundial)

Comparando Portugal com a Grécia.
Para a comparação ficar mais visíveis vou meter as duas séries num só gráfico.
Vemos que, em 1973, o PIB per capita da Grécia era 50% superior ao nosso e, quando entramos na Zona Euro, já estávamos taco a taco (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - PIBpc grego (laranja) e português (verde) onde se vê que, desde 1973, temos crescido bastante mais do que a Grécia excepto na bolha de crédito grega de 1995-2007 (dados: Banco Mundial)

A nossa economia tem tido bom desempenho.
Nós temos a mania de dizer que somos uns desgraçadinhos quando, de facto, não o somos.
Temos uma taxa de crescimento do PIB per capital mais forte que o grego e mesmo maior que o alemão.

Este acordo tem um grande risco para a Zona Euro.
É que o sentimento contra o Euro pode crescer na Alemanha a ponto de começar a ser posta a hipótese da Alemanha sair do Euro.

E há o facto Ucrânia. 
A Alemanha tem uma muito forte ligação á Polónia e a Polónia à Ucrânia.
Depois da WWII, 13 milhões de alemães tiveram que sair do território que é hoje a Polónia pelo que muitos alemães ainda veem a Polónia como a sua terra natal.
A Polónia, durante mais de 200 anos, formou uma união com a Ucrânia a Lituânia (entre 1569 e 1795).
Vamos supor que a Grécia passa a alinhar pelo lado russo na guerra Rússia-Ucrânia bloqueando a Alemanha na sua política externa.
Vai ser um problema.

Há quem diga que a queda do PIB na Grécia.
Nunca foi observada em nenhum país em tempos de paz.
Claro que isto é tudo mentira.
A Ucrânia teve, entre 1990 e 1997 um queda no PIB de 60%. Em média, a economia ucraniana caiu 12%/ano e estavam em Paz. 
E isto aconteceu em muitos mais países da Ex-URSS mesmo em paz.
Hoje a Ucrânia tem um PIB per capita que é menos de 1/3 do PIB per capita grego (e nosso) e a Moldávia é menos de 1/6.

Fig. 4 - a Grécia tem um PIB pc de 81% da média europeia e 1 em cada 3 europeus vive em países com um PIBpc menor (dados: Banco Mundial).

Vamos ver no que dá mas, além de estar triste por a Grécia não ter rebentado já,  não estou nada optimista como o que resultará disto.

Pedro Cosme Vieira

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