quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A irrelevância de Marcelo chama-se Tancos

Tive o seguinte pesadelo! 
Vou pela rua e pergunto às pessoas por quem vou passando "Diga, por favor, os 100 problemas que a afligem ou afligiram desde que nasceu".
Feita a pergunta a todos os portugueses, depois, calculei quantas pessoas referiram Tancos.
Contei, contei, e foram, foi, uma pessoa, Sua Excelência o Senhor Presidente da República Portuguesa Professor Marcelo Rebelo de Sousa.
Apenas uma pessoa acha que Tancos está entre os 100 problemas que lhe afligem a vida.

Não pode ser!
No dia seguinte tive um pesadelo ainda maior! Perguntei pelos 1000 problemas, toda a noite a fazer a contar inquéritos e quantas pessoas referiram Tancos?
Contei, contei, e foram, foi, a mesma uma pessoa, Sua Excelência o Senhor Presidente da República Portuguesa Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

Fig. 1 - Foi gravíssimo ter morrido toda a sua família afogada na banheira mas Tancos ..., é que, eu não sei de nada, mas o Marques Mendes disse que roubaram cento e trinta e duas bombas atómicas, três porta aviões com 5 mil homens fardados a bordo e ainda um submarino nuclear armado com o Manuel de Oliveira ao leme da câmaras (dos torpedos?). Já imaginou? O Manuel! Que perigo! É que, não sei de nada, mas deve ter a carta caducada!
Ai o Manuel já morreu? Eu não sei de nada, ninguém me informou de nada! Vou demitir o gajo da casa ... mortuária da Belém SAD.

O Marcelo é uma pessoa extraordinária.
Conseguiu pegar na Presidência da República que o Cavaco Silva tinha resgatado ao estilo caravana do circo Dr. Táquí Tálí Tácolá (isto é, do Mário Soares) e transforma-la numa nova "rainha de Inglaterra" ao estilo Américo Tomás, adaptada, com as selfies, ao século XXI.
Agora, como começou a ver que chegando a algum lado, ninguém lhe ligava um caracol, arranjou um "problema gravíssimo" que não existe, nunca existiu nem nunca será problema algum na vida dos portugueses.

E pensar que eu votei nele! 
Mais valia ter votado no outro palhaço que chegou a reitor de uma merda qualquer sem nunca ter feito qualquer licenciatura. E ainda pensar que o Ministério Público perdeu tempo com a licenciatura do Relvas que, pelo menos, fez 4 cadeiras!
Dr. Relvas.

Vamos um bocadinho ao Trump.
Os esquerdistas já o viam a ser posto fora com um "impichema" como fizeram à Presidenta Dilma mas não é que o fulano conseguiu a maioria no Senado e sem senado não há "impichema"!
Isto pode não parecer muito mas, em 2014, o Obama não conseguiu, perdeu 9 senadores tendo o Senado passado para os republicanos (53 em 100) e 13 deputados na "Casa dos Representantes" passando também a ser controlada pelos Republicanos (247 em 415).
Por isso, atendendo a que o Trump foi repetidamente referido como o presidente americano com maior taxa de rejeição, teve muito bons resultados.

Velha lá o "impichema" Mayweather!

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Salário Mínimo - Esta semana fui entrevistado!

Mas não foi pela "comunicação social".
Eu fui uma espécie de "guerra civil espanhola", onde a esquerda experimentou a estratégia de atacar as pessoas que lhes destapam a careca com "racista, homofóbico, misógino e filho da puta".
Por causa disso, nunca mais fiz "trabalho não remunerado" para a comunicação social.
Como ninguém compra jornais, as redacções tiveram que reduzir o pessoal a uma garfadita de povo que tem que cobrir todos os temas, desde o desporto, ao crime, passando pela economia.
Eu ajudava todos os que me pediam até que deixaram de pedir.
É esse o trabalho que tenho a menos pois nunca recebi qualquer benefício disso.
Então, agora as entrevistas são de alunas de jornalismo.
Dei-lhes forte e feio!
O mais certo é as alunas terem negativa!!!!!

1 = O emprego tem aumentado quase ininterruptamente desde meados de 2013. Neste mesmo período o salário mínimo nacional foi aumentado três vezes (e, em 2018, uma quarta vez). Fica assim desfeito o argumento de que o SMN aumenta o desemprego? E de que forma é que este afeta a taxa de desemprego?
Decorridos 10 anos da crise do sub-prime iniciada em 2008, o nível de emprego recuperou quase completamente e, no entretanto, o SMN aumentou 19,5%. Esse aumento é importante mas não se traduz directamente nos custos do trabalho porque apenas 20% dos trabalhadores auferem o SMN e, no entretanto, o PIB nominal por trabalhador aumentou em 16,0% (dados, INE). Em termos de custos do trabalho de 2008, o aumento do SMN ao longo da última década foi moderado, 3,1%, e com diminuto impacto na massa salarial, 0,06% por ano.
Os dados, por melhores que sejam, nunca colocam em dúvida que a imposição de um salário mínimo prejudica o emprego pois a simples prova por redução ao absurdo é inquestionável. Se o SMN não prejudicasse o emprego, todos os países teriam como salário mínimo os 2,143 milhões de euros por mês auferidos pelo Cristiano Ronaldo.
O problema do SMN não se coloca à escala macroeconómica nem a Lisboa mas, ao estarmos a proibir que um trabalhador pouco produtivo possa aceitar de forma livre e consciente um emprego adequado às suas limitações por 300€/mês, estamos a prejudicar as pessoas de baixa escolaridade, que vivem no interior, com idade mais avançada, com alguma condição desfavorável de saúde ou dependência de álcool, condenando-as ao desemprego, miséria e subsídio-dependência e, os jovens, à migração para as grandes cidades, isto é, à desertificação do interior onde as pessoas são menos produtivas.
Não existe qualquer fundamento económico para a existência de SMN sendo apenas um decisão política errada, populista e demagógica que colhe votos exactamente junto das pessoas que mais prejudica, os menos escolarizados e marginalizados.

Fig. 1 - Salário mínimo como percentagem do PIB por pessoa empregada
(dados, INE; grafismo e cálculos do autor)
O Costa retomou a tendência do Sócrates! Cuidado que o Diabo veste Prada.

2 = O recente e forte crescimento do SMN culminará novamente num longo período de congelamento ou mesmo queda real do seu valor?
O aumento ser forte é um juízo de valor que não corresponde à verdade dos números.
O que a evidência mostra principalmente na Europa e para salários mais baixos é que nos períodos de crise os trabalhadores preferem ir para o desemprego a verem o seu salário reduzido. Por isso, um SMN elevado hoje será causador, na crise futura, de taxas de desemprego mais elevadas e não tanto de reduções no seu valor. Por exemplo, a Espanha teve recentemente uma taxa de desemprego superiores a 25% sem reduções no SMN. De qualquer modo, o nosso SMN ainda tem um valor razoável, cerca de 25% do PIB por trabalhador.

3= O aumento do salário mínimo é a melhor forma de aumentar os rendimentos da população? Que outras soluções existem?
Claro que não. Para aumentar o rendimento da população é preciso produzir mais. Claro que podemos pensar que isso passa por mais investimento mas não é verdade para o trabalhador pois o capitalista também tem que ser remunerado. Só se consegue um aumento sustentável nos salários flexibilizando a economia de que o crescimento do turismo é um exemplo (induzido pela flexibilização do conceito de hotele pelo processo de venda). Para focar apenas 3 coisas, Portugal tem muitas empresas pública monopolísticas ineficientes principalmente no sector dos transportes colectivos de passageiros que é preciso acabar; Tem muitas restrições ao horário de trabalho que também é preciso reduzir; E tem restrições ao nível da atribuição de vistos temporários de trabalho que, para a agricultura, será fundamental acabar.

4 = Quem são os mais beneficiados e os mais prejudicados com a subida do SMN?
Os prejudicados são as pessoas do interior, com baixa escolaridade, idade avançada e dependências. Os beneficiados são os políticos que consigam arranjar votos com essa política populista e demagógica.
O SMN deveria pura e simplesmente acabar pois prejudica alguns e não beneficia ninguém. Tal como os bombeiros voluntários encontram satisfação pessoal a trabalhar de graça no combate aos incêndios, as pessoas devem ser livres de trabalhar pelo salário, horário e condições que acharem mais conveniente para si, sem qualquer espartilho legal.

5 = Portugal deveria seguir o exemplo de Espanha e aumentar novamente o SMN? Quais seriam as consequências disso tendo em conta o panorama económico e político atual?
Porque adoptar o SMN da Espanha, prometidos 900,00€/mês para 2019, e não o valor de outro país qualquer como, por exemplo, o outro nosso vizinho Marrocos, 200€/mês?

6 = No caso de Espanha, que consequências acarreta o aumento do salário mínimo em 22% em 2019?
Esta medida é a cópia do que fez Nicolas Maduro quando foi eleito presidente da Venezuela com os resultados que se conhecem.
Esta política não faz qualquer sentido quando a Espanha teve em 2013 uma taxa de desemprego acima de 26% e ainda está acima dos 15%. Parece que os espanhóis estão fartos de estabilidade económica estando a pedir que venha por aí uma nova crise.

Finalmente, uma advinha?
Sabem porque os esquerdistas não percebem como pode o Bolsonaro e o Trump terem ganho as eleições?
Primeiro, diz a intelectualidade de esquerda pós derrota, porque a comunicação social deu-lhes muito tempo de antena e transmitindo a mensagem errada. Ao chamarem-lhes racistas, misóginos, homofóbicos, nazis, fascistas, filhos da puta, ..., a cabeça do povo burro e ignorante ficou com a ideia de que isso era a normalidade e votaram neles. Deveriam pura e simplesmente terem-lhes cortado o pio, haver uma Lei que os proibisse de falar e que os metesse num "hospital psiquiátrico" (isto é, num Gulag na Sibéria).
Segundo, digo eu, o povo não é tão burro e ignorante como os esquerdistas pensam.

E que dizem os esquerdistas da eleição do Chaves, Maduro e Ortega?
Justas, e limpas.
Povos sábios!

Agora, a minha dúvida existencial.
Se os animais, por influência do do PAN que parece ganzado, deixaram de ser coisas.
Isso quer dizer que os agricultores já não podem coisar, agora, têm que "fazer o amor".
E como pode a coisa que já não é coisa dar autorização para que isso seja considerado consensual?
Será que é o ministério público mediante pedido do proprietário e com parecer da alta autoridade para a foda?
Será que tem que ter 18 anos de idade?
Mas as ovelhas não duram tanto tempo.
Será que tem que ter o 9.º ano de novas oportunidades?
Não sei.

Fig. 2 - A cabra pode ser montada e emprenhar de um cabrão qualquer mas de quem trata dela e lhe dá carinho, é ilegal.



terça-feira, 30 de outubro de 2018

Porque não baixar a idade para conduzir automóvel?

Hoje fala-se nos veículos autónomos.
Já existe o GPS que ajuda toda a gente quando entra por caminhos desconhecidos mas, dizem que num futuro próximo, os automóveis poderão circular sem condutor, serem chamados pelo smartphone para virem desde o estacionamento até à nossa porta.
Se os sistemas automáticos, tão inteligentes como um mosquito, vão tomar conta dos nossos automóveis, porque não baixar a idade com que é possível conduzir automóveis?

Porquê 18 anos?
Quando, há 100 anos, os automóveis apareceram, eram máquinas difíceis de conduzir.
Era precisa dar à manivela, perceber de remendar pneus, desentupir o carburador e muitos mais coisas.
Sendo uma máquina rara e complexa, era aceitável só ser possível tirar carta na maior-idade, 21 anos.
No entretanto, o automóvel tornou-se tão fácil de conduzir como uma máquina de lavar roupa.
Então, porque continua a regra da "maioridade"?
Haverá algum estudo científico que diga que as pessoas com menos de 18 anos são inadaptadas para conduzir um automóvel?
Não.

Fig. 1 - Por não 13 anos?

Por não 13 anos?
Em Alberta-Canadá os jovens podem conduzir com 14 anos (e, no resto do Canadá, 16 anos).
Nos USA os jovens podem conduzir com 14 anos e 3 meses no South Dakota, 15 anos no Idaho, Montana, Wyoming e North Dakota e 16 anos na maioria dos outros estados.
Na França, a idade mínima são 15 anos, com supervisão.
Não consta que os jovens com menos de 18 anos tenham mais acidentes que os adultos.
Se o livro do Génesis diz num verso qualquer que Levi era homem quando tinha 13 anos (é a festa judaica Bar Mitzvá que marca a maioridade), não há qualquer razão para os jovens não poderem ter carta a partir dos 13 anos.
Vejamos esta notícia em que uma mãe foi detida porque deixou um filho de 10 anos conduzir o carro.
A criança causou algum acidente?
Não.
O que acontece aos adultos que matam pessoas nas passadeiras? 
Nada.

Iria facilitar muito a vida dos pais.
É muito difícil levar as crianças para a escola, o ballet, piano, judo, karaté, piscina, futebol. Se o jovem pudesse conduzir, tudo ficaria facilitado.
E as crianças poderiam ter actividades que não podem ter por dificuldades de transporte, principalmente no interior onde os transportes públicos são muito deficitários e caros.
E até talvez tivessem mais filhos já que o mais velhinho poderia levar o mais novo à escola!

Também defendo que o direito de voto deveria começar aos 13 anos.
É que já há tão poucos jovens com idade compreendida entre os 13 e os 18 anos que, mesmo que votassem aleatoriamente, não viria mal nenhum ao mundo. 
É que só 5% dos portugueses estão neste intervalo de idades (ver, Fig. 2).
Se calhar, a vota a maioria das pessoas vota aleatoriamente.

Fig. 2 - População com mais de 13 anos e menos de 18 anos, Portugal (dados, World Bank; interpolação e grafismo do autor)




sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Bolsonaro vs. Haddad - O que dizem as pesquisas

Domingo é eleito o presidente brasileiro
 e, no entretanto, as pesquisas têm mostrado uma tendência de queda do candidato Bolsonaro.
Será que essa tendência é verdadeira e coloca em causa a eleição de Bolsonaro ou são apenas oscilações estatísticas sem importância?

Vejamos as 4 últimas pesquisas

Observado Corrigido
Data N Empresa Bols Had Bols Had
15-Out 2506 Ibope 52 37 59 41
17-Out 9137 Datafolha 52 36 59 41
23-Out 3010 Ibope 50 37 57 43
25-Out 9137 Datafolha 48 38 56 44

Tenho que processar estes dados.
Fiz um programinha de bootstrapping e os resultados mostram, a partir das pesquisas, que

1) Há uma tendência muito pequenina de queda de 0,26 pp/dia
-0,26 pp/dia, desv. padrão de 0,1pp => t-stat de -2,64 => estatísticamente significante a 1%.

2) O Bolsonario vai ter, no Domingo, entre 53,4% e 57,7%, com um grau de confiança de 99%.

3) A probabilidade do Bolsonaro perder é inferior 0,01%

Fig. 1 - Distribuição dos resultados esperados calculados a partir das sondagens

Os resultados (29 de Outubro).
Decorreram as eleições ontem e os resultados forma
  Bolsonado = 55,1%
  Haddad = 44,9%
Isto compara com o valor mais provável que resulta das pesquisas que era entre 55,0% e 56,0% para Bolsonado (ver, Fig. 1).
Porque não dizer que as notícias que, pegando nas pesquisas, disseram que o Bolsonado poderia perder eram fake news?


#Código que usei no R
A0<- c(rep(0,276),rep(1,1303),rep(2,927))
A1<- c(rep(0,1097),rep(1,4751),rep(2,3289))
A2<- c(rep(0,391),rep(1,1505),rep(2,1114))
A3<- c(rep(0,1279),rep(1,4386),rep(2,3472))

tend<-rep(0,100000)
res<-rep(0,100000)

for (i in 1:100000)
{B0 <- sample(A0,length(A0),rep=TRUE)
 B0 <- length(B0[B0==1])/length(B0[B0!=0])
 B1 <- sample(A1,length(A1),rep=TRUE)
 B1 <- length(B1[B1==1])/length(B1[B1!=0])
 B2 <- sample(A2,length(A2),rep=TRUE)
 B2 <- length(B2[B2==1])/length(B2[B2!=0])
 B3 <- sample(A3,length(A3),rep=TRUE)
 B3 <- length(B3[B3==1])/length(B3[B3!=0])
x <- c(0,2,8,10)
y <- c(B0,B1,B2,B3)
d<- data.frame(x,y)
m<- lm(y~x,data=d)
d[5,]<- c(13,0)
tend[i] <-m$coefficients[2]
res[i]<-predict(m,d[5,])
}
mean(res)
hist(res)




terça-feira, 23 de outubro de 2018

Será acertado o OE2018 baixar os preços dos transportes de passageiros?

Os esquerdistas têm uma visão deficiente da economia social. 
Pensam eles que as pessoas de menores recursos financeiros, os pobres, devem pagar menos nos transportes públicos, electricidade, água, propinas, etc. exactamente porque são pobres.
Vêem eles, esquerdistas, esta redução no preço do acesso como um subsídio que o Estado tem que dar a quem precisa mais.
Mas esta visão está errada pois, em termos económicos, o preço social não tem por fim subsidiar os pobres mas, pelo contrário, aumentar a margem operacional (mais conhecida por "lucro antes de amortizações e juros") e subsidiar os mais ricos!
Vejamos como, em termos económicos, a coisa funciona usando o exemplo aos transportes público de passageiros.

Curva da procura.
A quantidade que se consegue vender agrega-se na "curva da procura" que, para cada preço, quantifica a quantidade total que as pessoas estão disponíveis para comprar.
Quanto mais baixo o preço, maior é a quantidade que as pessoas querem comprar o que se aplica também aos transportes públicos de passageiros.
Assim, a quantidade de bilhetes validados no sistema de transportes públicos aumenta quando o preço das viagens diminui mas o preço não afecta de igual modo as pessoas, pessoas com diferente rendimento, idade, estado de saúde, etc. reagem de forma diferente ao preço.
Estas diferenças podem ser aproveitadas pelos vendedores no sentido de melhorarem o serviço ao mesmo tempo que aumentam o seu lucro.
Vamos supor que as pessoas de uma cidade se podem dividir em nível de rendimento.
Apesar de falar do nível de rendimento, podem pensar noutras variáveis de segmentação.

Vou supor que existem 3 segmentos de mercado.
Os ricos que estão disponíveis para pagar um preço mais elevado mas viajam menos de transportes públicos.
Segmento 1 - Vamos supor que a quantidade de ricos que viajam, em milhares por dia, se agrega em:
    Q.ricos = 66.67-33.33*P

Segmento 2 - Também existem os remediados:
    Q.médios = 80-66.67*P

Segmento 3- E os pobres:
    Q.pobres = 200 - 400*P

Estas curvas da procura agregam-se na Curva de Mercado que, por exemplo, para um preço de 0.70€/viagem, quantifica que viajarão 76,67 mil pessoas por dia.
66.67-33.33*0.7 = 43,33 ricos;  80-66.67*0.7 = 33.33 médios e ZERO pobres.

Se o preço for de 0.20€/viagem, viajarão 246,67 mil pessoas por dia onde se incluem muitos pobres.
60 ricos;  66.7 médios e 120 pobres.

Fig. 1 - Curva da procura dos Ricos, Médios e Pobres e Curva de Mercado (a amarelo)

O custo de transportar mais um passageiro é muito pequeno.
Existem muitos bens cuja produção tem um custo fixo elevado e um custo variável (de produzir mais uma unidade) muito pequeno de que o transporte públicos de passageiros é um exemplo.
Grosso modo, o autocarro parado custa 60$; a andar sem passageiros, custa mais 40$ e acrescentar mais  um passageiro acresce apenas 0.1$ ao custo total.
O óptimo em termos sociais será, quando o autocarro tem lugares vagos, meter passageiros desde que paguem pelo menos 0.1$. O problema é que a empresa tem que "esfolar" o cliente para conseguir pagar os custos fixos.

Vamos supor que o custos fixos são 50000€/dia e o custo variável 0.1€/passageiro.
Se a empresa cobrar 0,7€/viagem, valor muito próximo do preço do monopolista, o lucro operacional será de 46 mil€ por dia (a área a amarelo da Fig. 2) o que implica um prejuízo de 4 mil€/dia.
Este preço quase anula os prejuízos mas exclui os pobres.

Fig. 2 - Para diminuir os prejuízos, é preciso cobrar 0,70€/viagem o que exclui os pobres.

Agora, a "política social" vai obrigar a empresa a cobrar apenas 0,20€/viagem o que já vai incluir a maioria dos pobres à custa do aumento do o prejuízo para 25 mil€/dia.

Subsidiar os pobres  não é caridade mas boa gestão.
Os esquerdistas defendem que subsidiar os pobres estigmatiza-los. Por isso, devem todos pagar o mesmo preço e o Orçamento de Estado subsidiar as empresas de transportes.
Esta visão está errada porque cobrar um preço diferente a alguns não é subsidiar já que todos ficam melhor. Os ricos e médios também vão poder pagar menos e o prejuízo vai diminuir!
E é exactamente isto que mostra a Ciência Económica: a segmentação do mercado é positiva para todos.
Parece um contra-senso mas, o preço geral (para os ricos e médios) pode diminuir para 0.6€/viagem se se permitir que os pobres paguem apenas 0,20€/viagem!
E, mesmo assim, o prejuízo diminui!
Apesar de a margem obtida com o "preço normal" diminuir 2,7 mil € por dia (a área a amarelo da Fig. 3), os pobres vão acrescentar 16 mil€/dia a esta margem (a área a azul à direita do tracejado da Fig. 3).
Assim, os pobres não estão a ser subsidiados pois, a redução do seu preço permite mesmo que os ricos e médios paguem menos e que, mesmo assim, o prejuízo de 4 mil €/dia se transforme num lucro de 9,9 mil€/dia.

Fig. 3 - Criar um preço para pobres  não é caridade pois permite diminuir o preço dos ricos e médios (perdendo a área a amarelo) e ainda aumentar a margem operacional (ganha-se a área azul à direita do tracejado)

Dito isto, o que concluir?
Que é preciso meter na cabeça dos esquerdistas que subsidiar os pobres não é caridade mas apenas uma forma inteligente de segmentar o mercado em tecnologias em que o custo fixo é muito elevado.
No caso concreto, a redução dos preços nos passes sociais é uma política tremendamente mal desenhada porque leva ao aumento do prejuízo das empresas de transportes.

O que eu defendo.
O tarifário é muito complexo.
As minhas propostas são no sentido de acabar com as zonas e com os passes e reduzir tudo a um cartão que funciona como "via verde".

1 - Acabar com as zonas.
As zonas têm por finalidade segmentar o mercado entre quem faz uma viagem longa (disponível para pagar menos por km) e quem faz uma viagem curta mas são muito complexos e difíceis quando a pessoa faz viagens diferentes ao longo do tempo.
A construção das zonas tem uma fórmula por trás que poderia estimar mas não vou perder tempo com isso.
(Afinal, dei-me ao trabalho de estimar a regra das zonas e é 0,80€ + 0,08€*km)
A minha proposta é que a pessoa valide o cartão à entrada e à saída e sejam calculados os quilómetros percorridos. Depois, é aplicada uma formula contínua.
Não concordo a ser proporcional (os tais 0,08€/km) e defendo que deve haver um desconto maior com a distância, por exemplo, 0,90 + 0,60Ln(Km):

 Km Preço   || Km Preço
 0,5 0,48 € || 4,0  1,73 €
 1,0 0,90 € || 5,0  1,87 €
 2,0 1,32 € || 10,0 2,28 €
 3,0 1,56 € || 20,0 2,70 €

Eu sou a favor de uma formula contínua para não haver perdas de direitos por meia dúzia de cêntimos (a famosa "mudança de escalão").
Quem não validar o passe à saída, paga 3,30€.

2 - Acabar com os passes mensais.
O passe mensal tem por finalidade segmentar o mercado entre quem faz muitas viagens ao longo do mês (disponível para pagar menos por viagem) e quem faz uma viagem ocasional.
É um problema a revalidação, o cálculo se valerá a pena ou não, etc.
A minha proposta é estender a filosofia dos quilómetros a a um período alargado de tempo, por exemplo, a média dos quilómetros percorridos diariamente nos últimos 90 dias.
Existe uma regra para a determinação do preço do passe que, grosso modo, são 24 viagens (uma redução de 60% para quem faça duas viagens por dia).
Então, pegar em todas as viagens realizadas nos passados 90 dias e aplicar à viagem de hoje um desconto crescente com essa média (também uma formula contínua), por exemplo,

 NV   Desc.    || NV     Desc.
 10    5%   || 50   60%
 15  10%  || 75   70%
 20  25%  || 100 75%
 30  40%  || 200 87%

3 - Os passes de empresa, de grupo e familiares.
Seria apenas agregar os cartões e obter descontos, o que já é feito pelas operadoras de telemóveis.
Por exemplo, para efeito do desconto da regra 2, a média de viagens de cada pessoa ponderar com o grupo, por exemplo:
   NVi = NV da pessoa + 0,1 * NV da mediana do grupo.

E onde entrava a segmentação pelo rendimento?
Sobre o preço normal da viagem, seria aplicado um desconto decrescente com o rendimento, por exemplo, Desconto Social = (Rendimento per capita - 2*IAS)/1000.
Uma família (um a ganhar o SMN e outro meio SNN e 2 filhos menores) com um rendimento per capita de 217,50€/mês, teria um desconto em todos os membros da família de 62,5%.


Fig. 4 - Não se resolve nada porque preterem as gajas boas em favor de cepos.

sábado, 20 de outubro de 2018

O Erro de Colombo

Quando, em 1492, Cristóvão Colombo chegou à América, pensou que tinha chegado à Índia.
Quando era aluno do secundário, este erro pareceu-me colossal e, por isso, foi causa de grande chacota por parte dos meus colegas e da própria professora de história mas intrigou-me. 
Como poderia uma pessoa inteligente ao ponto de ter feito tamanha viagem de descoberta ter confundido 5,5 mil km com 23 mil km?
Em termos de velocidade, confundiu 3,3 km/h com 13,7 km/h.

O problema está em a História ser ensinada de forma fragmentada.
A Terra é uma esfera que se referencia na vertical com a latitude e na horizontal com a longitude.


A latitude calcula-se facilmente observando a altura do Sol no seu ponto máximo (ao meio dia local).
A longitude, para ser medida, obriga a saber com rigor a diferença da hora local relativamente à hora do ponto de origem!
A Terra tendo uma rotação aparente a cada 24 horas, cada um dos 360 graus em que se divide a longitude corresponde a uma alteração de 24/360 = 4 minutos na hora.
Supondo que Colombo chegou a Havana que tem uma diferença de longitude relativamente a Lisboa de 73.23 graus, o seu "relógio de quartzo" deveria marcar 16h52m55s em Lisboa quando o relógio de Havana marcasse 12h00m00s (o Sol estivesse no seu ponto mais alto).
Quando chegasse à Índia, o "relógio de quartzo" marcaria 22h08m58s do dia anterior.

Já viu onde está o problema?
É que, em 1492, não havia "relógio de quartzo" e os relógios que existiam eram muito deficitários especialmente dentro de um barco em constante oscilação.
Por causa da oscilação do barco, os relógios de pêndulo não funcionavam de todo e os relógios de mola oscilante alimentados por pesos, tinham muito erro. Ao fim de um dia, já teriam bem mais que uma hora de erro.
Nos 70 dias em que demorou a viagem, quando chegou à América, Cristóvão Colombo nem sequer sabia em que dia estava.

Quando se soube que a América estava muito mais próxima?
Foi com o tempo e teve que se utilizar a estatística.
Vamos imaginar que o relógio tinha um erro de 1h/dia e que a viagem demorava 30 dias, Então, cada relógio teria um erro total de 30h (maior do que 1 dia).
Se o navio levasse 10 relógios, quando chegasse à América, o erro da hora média poderia ser calculado dividindo o desvio padrão pela raiz quadrada do número de relógios:
  Erro = 30/10^0.5 = 9,49h.
Fazendo a mesma medição na viagem de volta, o erro reduz-se para 
  Erro = 9,49/2^0.5 = 6,71h.
Cada hora de erro são cerca de 1150km pelo que, depois desta viagem de ida e volta, saberiam a localização de Havana com um erro de 7500km.

Agora imaginemos que se faziam 10 viagens cada ano.
Com mais e mais medições, o erro iria diminuindo.
A cada viagem recalculava-se a hora e, passados 10 anos, a hora de Espanha seria conhecida nas Américas com um erro menor do que uma hora:
    Erro = 30/(10*2*10*10)^0,5 = 0,67h => 770 km.

Por os relógios serem fracos é que os mapas tinham grandes distorções na horizontal.
Era muito fácil errar milhares de km na medição entre a costa Leste e Oeste dos continentes.
Afinal, não sendo ensinado que em 1492 não havia relógios fidedignos, mais não poderíamos fazer do que rir do "Erro de Colombo".


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Brasil - Será que Lula tirou mesmo milhões da pobreza?

O Brasil é de "renda média" e muito desigual. 
O Brasil tem um PIB per capita ligeiramente superior à média mundial, mais cerca de 20% (ver, Fig. 1).
Se o crescimento no PIB pc de 6,3%/ano verificado entre 1965 e 1975 criou nos brasileiros a esperança de que o Brasil se iria guindar ao clube das grandes potência mundiais, a estagnação que se instalou depois de 1975, com crescimento de apenas 0,7%/ano, pedia há muito um salvador da pátria (ver, Fig. 2). 
O Brasil tem grandes desigualdades. O coeficiente de Gini para o período [1975:2002] de 59 pontos traduz que 25% da população mais rica se apropriava de 70% do PIB enquanto que 25% da população mais pobre só se apropriava de apenas 3% do PIB. Assim, no meio dos seus 200 milhões de cidadãos, havia 50 milhões com um nível de vida semelhante ao do dos países mais ricos e 100 milhões a viver uma pobreza semelhante à observada nos países mais pobres de África.
Lula foi eleito prometendo voltar ao crescimento dos anos 1965:1975 e para que iria diminuir significativamente as desigualdades.

Fig. 1 - Relação entre o PIB per capita brasileiro e mundial (Dados: Banco Mundial)

Fig. 2 - Evolução do PIB per capita brasileiro, 1960:2017 (Dados: Banco Mundial)

Será que Lula cumpriu com alguma das duas promessas?
Infelizmente para o povo brasileiro que depositou tantas esperanças no salvador da pátria, não,
No crescimento económico, houve uma duplicação relativamente à tendência de 1975:2002 (ver, Fig. 2) mas isso esteve apenas ligado ao crescimento mundial a ponto de, em termos relativos, o Brasil se ter tornado mais pobre. Se em 2002 o PIB pc brasileiro estava 22% acima da média mundial, em 2016 já só estava  17% acima (Ver, Fig. 1).
A desigualdade medida pelo coeficiente de Gini diminuiu de 58 pontos para 52 pontos mas essa diminuição, mais uma vez, esteve ligada à evolução mundial (que reduziu de 77 pontos para 65 pontos) e não às políticas progressistas do mandato Lula+Dilma.

Será fácil resolver os 2 problemas do Brasil?
Não mas, o que defende Bolsonado, é seguir o Consenso de Washington (liberalização, desregulamentação, privatização, diminuição do peso do Estado na economia), adoptado pelo Chile.
O Chile, depois do golpe de Pinochet parecer estar a perder a corrida contra o Brasil onde o PIB pc relativo passou de 90% para 160%, depois de 1988 a tendência inverteu-se e hoje o PIB pc brasileiro está quase 20 pontos abaixo dos valores de 1960. E esta tendência de perda relativa não foi alterada com Lula+Dilma.
Será que vai dar resultado?
A Ciência Económica diz que sim, que já deu bons resultados em muitos países e que também dará bpons resultados no Brasil. 
Mas teremos que ver se as especificidades do Brasil não prejudicam o que diz a Ciência Económica.
E isto se o Bolsonado ganhar.

Fig. 1 - Relação entre o PIB per capita brasileiro e chileno (Dados: Banco Mundial)

E não há nada a dizer sobre a corrupção e a violência?
São complicações que resultam mais das desigualdades.
A China resolveu esses problemas com um sistema penal muito pesado, com campos de trabalho forçado e execuções à força toda que é o que defende Bolsonado.

Concluo sem nada dizer sobre os candidatos.
Não em compete a mim dizer que candidato será melhor para os brasileiros.
E, no meio de todas as transformação, há sempre milhões que saem prejudicados.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

O impacto da concorrência nos taxis

Muito se tem falado do problema dos táxis. 
Uns dizem que a concorrência não faz mal a ninguém, outros dizem que vai acabar com os táxis.
Uns dizem que vão acabar mais pela obsolescência tecnológica do que pela concorrência.
Neste poste vou explicar o mercado dos táxis à luz da Economia Industrial e quantificar o impacto da concorrência no negócio.

O mercado dos táxis.
Trata-se de transporte de passageiros por chamada.
Primeiro, é preciso "criar" o mercado que eu vou considerar como:
1) A cidade é quadrada com 6 km de lado.
2) Existem horas de ponta e horas de vazio (ver, Fig. 1).
3) As viagens começam num ponto e acabam noutro ponto escolhidos de forma aleatória com igual probabilidade dentro da "cidade".
4) O número de veículos garante que o tempo de espera médio na hora de ponta é entre 4 e 5 minutos.
5) Os veículos pertencem a empresas de táxis em que cada empresa cobra o mesmo preço por km em todos os seus veículos.

Fig. 1 - Evolução simulada da intensidade de tráfego ao longo do dia

Agora, o problema dos taxistas.
O rendimento dos taxistas depende de duas "restrições" impostas administrativamente:
A) O número de veículos é fixo (o contingente), não havendo possibilidade de novas entradas;
B) O preço por km é fixo para todos os veículos, não havendo possibilidade de fazer descontos. 
O mecanismo económico de funcionamento destas duas restrições é diferente mas a relaxação de qualquer uma delas leva à diminuição do rendimento dos taxistas.

Se se mantiver B) e acabar A) 
Vão entrar veículos no mercado o que leva a que cada vez haja menos e menos serviço para cada um. Esta quebra na procura individual leva à diminuição do rendimento até que só existem no mercado os taxistas dispostos a ganhar menos.
Como a ocupação dos táxis será muito baixa, havendo pessoas que não se importam do trabalho de esperar, prevejo eu que o rendimento do taxista cairá muito abaixo do SMN por hora.
O aumento do número de veículos é ligeiramente positivo para o consumidor (o tempo de espera e a distância do táxi chamado diminuem).

Se se mantiver A) e acabar B) 
Como actualmente a taxa de ocupação dos táxis é baixa (segundo o meu amigo do judo taxista, está muito abaixo dos 50%), mesmo mantendo o actual número de veículos, a concorrência vai fazer o preço cair muito significativamente.
Sob a condição de o preço actualmente corresponder à solução de monopólio, para 10 operadores no mercado, o preço por km do transporte de passageiros vai diminuir mais de 50% e o rendimento dos motoristas ligeiramente mais do que proporcionalmente (por causa dos custos fixos).
Os consumidores melhoram substancialmente com esta situação porque as que actualmente viajam beneficiam da redução do preço e haverá mais pessoas a viajar de táxi.

Fig. 2 - Evolução do preço e do lucro dos taxistas com o fim do preço administrativo.

Agora, venha o diabo e escolha.
Supondo que a Geringonça tem que acomodar a reivindicação dos taxistas de manter A) com alguma flexibilidade e deixam relaxar B), para o consumidor fica garantido que irão ter preços mais baixos e melhores serviços.
Uma solução que estou a imaginar é uma liberalização progressiva, por exemplo, em 10 anos, em que de ano para ano o mercado fica mais liberalizado.

Contingente.
Há uma proporção entre licenças para veículos descaracterizados e táxis. Por exemplo, essa proporção seria inicialmente de 10%, aumentando a cada ano. No primeiro ano, haveria um máximo de 1500 mil licenças para veículos descaracterizados.
Estas licenças seriam como "slots" de um aeroporto.

Funcionamento do mercado das licenças.
No instante em que o veículo descaracterizado está a negociar um serviço, acede ao servidor de slots e reserva uma "slot" cujo aluguer tem um preço de 5% do preço do serviço, valor que faz parte do preço a pagar pelo cliente.
A reserva tem o preço de 0,01€ e mantém-se válida durante 60 segundos (o tempo de negociação).
Por uma questão de eficiência, se não houver "slots de classe 1" disponíveis, o veículo terá que alugar uma "slot de classe 2" (outros 10% de contingente) que tem um preço de 10% do preço base do serviço.
Pode ainda haver a "slot de classe 3" outros 10% de contingente) com um preço de 20% do preço base do serviço.
O valor recolhido pelo negócio das "slots" será usado em apoio ao rendimento dos taxistas e das suas reformas.


Uma coisa para pensar! 
Em termos de eficiência económica, é sempre melhor cobrar um preço do que proibir a existência do serviço.
Seria melhor cobrar um preço elevado pelos jantares no Panteão Nacional, dinheiro a usar pelos museus, do que proibir.
Seria melhor cobrar "taxas moderadoras" do que deixar os pacientes horas e horas à espera em corredores.
Este facto é importante e justifica a Venezuela estar de pantanas.
Cuidado com os esquerdistas que, apesar de apregoarem a liberdade, apenas querem proibir o funcionamento livre da economia.



quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Todos querem os melhores e matam-se os outros?

Os políticos estão a discutir os funcionários públicos. 
É o descongelamento das progressões.
É a contagem integral do tempo de serviço dos professores.
É a subida dos salários.
Tudo isto tem como argumento que "para servir bem as populações, a função pública precisa dos melhores".
  Precisa dos melhores médicos.
  Precisa dos melhores enfermeiros.
  Precisa dos melhores professores.
  Precisa dos melhores juízes.
  Precisa dos melhores funcionários para as finanças, os tribunais e as escolas.
E a função pública só pode ter os melhores com horários de 35h semanais e subidas de salários.

Este discurso vem mesmo do Rui Rio.
Que, por mera curiosidade, não faz parte do grupo dos melhores em nada.
E do PCP que deveria defender os desprotegidos. É que ninguém precisa defender os melhores.
Do BE é normal porque não passagem de meninos de bem, a viver à custa dos paizinhos, especuladores sobre "negócios de relacionamento" e da máquina do Estado (auto-intitulam "os melhores servidores da população").

Já agora, um pouquinho sobre o populismo do brasileiro Bolsonaro.
Será que o bicho será capaz de prometer tudo a todos para todo o sempre e fazer pior ao Brasil do que estão a fazer os esquerdistas Maduro à Venezuela e o Ortega à Nicarágua?
Nos últimos 5 anos, o nível de vida na Venezuela caiu para metade e vejo os esquerdista em silêncio sobre isto e a chamar populistas a todos os outros.

E o que fazer aos outros?
O que fazer à maioria de nós que não somos dos melhores em nada?
Não somos dos melhores médicos, enfermeiros, professores, juízes, escriturários ou funcionários no geral?
Que fazer aos que não são esquerdistas? A esses que os esquerdista intitulam de racistas, xenófobos, violadores, misóginos, demagogos, abusadores da condição de mulher, retrocedores da civilização?
Será que nos vão eutanaziar como foi moda no tempo da Santa Inquisição (e dos Mao, Fidel e Estaline)?

As pessoas normais também têm direito a serem felizes.

A função pública precisa de ajudar os piores.
Eu tenho alguns amigos do judo que são cegos. Como devem imaginar, têm muita dificuldade em arranjar um emprego remunerado.
Com a ajuda da ACAPO e de pessoas boas de coração, podem ser telefonistas em sítios que não sejam muito competitivos pois, naturalmente, quem vê bem é melhor telefonista do que quem é cego.
Aqui estão pessoas boas para a função pública.
 
Os melhores devem ir para o privado.
Isto é dito no Consenso de Washington com todas as letras.
Porque a função pública e empresas públicas não têm objectivo claro, uma pessoa que seja muito boa transforma-se rapidamente numa barata tonta, de um lado para o outro, mais preocupada em cumprir os regulamentos do que em fazer seja o que for.
É que se não cumprir os regulamentos pode ter um processo disciplinar mas se não fizer nada, o salário ao fim do mês está certinho e o tempo para as progressões continua a contar.

Vejamos o exemplo do chefe da PJ Militar.
O Presidente Marcelo disse que o roubo das armas de Tancos era gravíssimo.
Vieram mesmo vozes da NATO declarar que iriam ser utilizadas em atentados terroristas gravíssimos, muito mais graves que que invasão da academia de Alcochete.
Já agora, já repararam que os únicos terroristas que temos presos são os da Juveleo e os motoqueiros? E que os verdadeiros terroristas da FP 25, que mataram muitas pessoas, foram indultados e andam por aí?
Sendo que alguém telefonou a dizer "as armas estão aqui em casa, se as quiserem eu entrego-as mas não quero ser preso."
O homem resolveu o problema rapidamente e, agora, está preso.
Se não tivesse feito nada, dissesse "estou, estou estou, não se ouve nada" e tivesse desligado o telefone, tivesse ido de férias para o gabinete, continuaria a coçar os ... e a receber a mesada até se aposentar por tédio.

Agora uma pergunta de algibeira.
A função pública precisa dos melhores para quê se ninguém nos manda trabalhar e quando trabalhamos só desenvolvemos a inveja e somos vítimas de processos?
Repararam no "nos"?
Venham lá os descongelamentos, as contagens do tempo de serviço e os aumentos salariais.
Viva Maduro!
Viva Chaves!
Viva Ortega!
Viva Lula!
Viva Sócrates!
Viva Estaline!
Viva Mao!
Viva Fidel Castro!
Viva Louçã!
Viva Arménio Carlos!
Viva Jerónimo de Sousa!

Grande líder! Para não ser chamado de populista, matou milhões de populares.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Os direitos (como entrave à felicidade) e o equilíbrio de Nash

Nota prévia.
Como mais de 100 pessoas me contactaram por se considerarem as personagens retratadas neste poste, aviso que são referidas situações imaginadas, personagens fictícias, em que qualquer correspondência com uma pessoa viva e que conhecem é pura coincidência.
A linguagem utilizada foi deliberadamente urbana mas onde se lê "carro e casa" pode ser lido "vacas, cabras, ovelhas, pinhais, vinho, lameiros e milho".
Onde se lê "uma betoneira" pode ser lido "um porco" ou "um bezerro".
Onde se lê "uma colega" pode ser lido "um colega", "um agricultor" ou "um pescador" e onde se lê "a filha" pode ser lido "o filho", "os filhos" ou "as filhas".
Onde se lê "autocarro" pode ser lido "carroça de cavalos" ou "burros a zurrar".
Onde se lê "cão a ladrar" pode ser lido "galo a cantar".
Onde se lê "milionária" pode ser lido "tem as caixas cheias de milho, as pipas cheios de vinho, a salgadeira cheia de carne, chouriços e presuntos com fartura, o alpendre cheio de lenha, a horta cheia de legumes e a capoeira cheia de galinhas".

Eu tenho uma colega que é milionária.
Tem centenas de milhares de euros no banco, um rendimento que é o dobro das despesas, bons casa e carro integralmente pagos. Além disso é saudável e não tem ninguém que a chateie.
Dito isto, só podem pensar que é feliz mas não é e tudo por causa dos direitos.
Este exemplo de vida é importante porque tem ligação a conceitos fundamentais da Ciência Económica:

É a Dona Cintilante.

Conceito 1 : Equilíbrio de Nash
O indivíduo até pode estar numa posição que não acha agradável mas conjectura que, se mudar, vai ainda piorar a sua situação.
Por exemplo, uma pessoa está casada e não se sente feliz mas aguenta porque, simulando-se divorciado, vê-se muito mais infeliz "Queixo-me de quê? Já estamos habituados, cozinha bem, é razoável na cama, tenho dois filhos bonitos e, se a deixasse, imagino que ia encontrar uma cabra ainda pior."
O Equilíbrio de Nash, porque nenhum individuo tem incentivos para mudar, traduz uma situação de estabilidade.

Conceito 2:  Óptimo de Pareto
O indivíduo não está num equilíbrio de Nash no sentido de que tem a vontade de mudar mas sabe que, mudando, vai prejudicar outra pessoa.
O exemplo mais simples é a partilha de um prato de comida quando todos estão esfomeados: se um come mais, algum dos outros tem que comer menos.
O Óptimo de Pareto traduz uma situação de instabilidade e conflito principalmente se o "jogo de partilha" estiver incluído num Equilíbrio de Nash.
Por exemplo, um prato de comida grande (tamanho 10) custa 10€ e um prato de comida pequeno (tamanho 1) custa 5€. Encontrando-se 10 amigos cheios de fome em que cada um tem apenas 1,50€, o equilíbrio de Nash é comprarem e dividirem o prato grande. Dentro desta situação, cada um vai querer comer o máximo possível, prejudicando os outros(qualquer situação é um Óptimo de Pareto).

Conceito 3:  Preço / trade-off
O preço vai permitir transformar um Óptimo de Pareto num Equilíbrio de Nash compensa quem perde e penalizando quem melhora.
No exemplo do prato grande, alguém que queira comer mais 25%, vai pagar 0,50€ a alguém que passe a estar disponível para comer menos 25% porque, mais tarde, em vez de ir a pé para casa, vai usar esses 0,50€ para o bilhete do autocarro.
Todos nós nos levantamos de manhã cedo e vamos trabalhar para, no fim do mês, termos o nosso salário (para comprarmos coisas) e o patrão para ter quem faça coisas (que vendo com lucro).Existe então um balanceamento entre o sacrifício e a recompensa.
A mulher com tendência para ser gorda faz dieta e ginásio (sacrifício) para gostarem dela (benefício).

Primeiro problema: ruído.
Os nossos prédios, por causa de regulamentação errada, autarquias corruptas, empreiteiros pouco cuidadosos, tribunais ineficientes e clientes optimistas, têm muito fraco isolamento acústico o que, juntando a pessoas pouco cívicas, dá problemas nocturnos.
No caso concreto, a milionário enquanto tenta dormir ouve o cão e o roncar do vizinho (sim, ronca mais alto que uma betoneira). Já se foi queixar várias vezes e o que ouve é "se não está bem, mude-se".
Claro que, nos bairros da ciganada, mais dia menos dia, isto daria direito a um tiro.
Outra fonte de ruído são os autocarros.

O direito a um ambiente sadio.
Diz a minha colega que a Constituição lhe reconhece o direito a um "ambiente sadio" (Art. 66.º, Par. 1.º) e que, por isso, tem que reclamar até o cão se calar, a betoneira parar de roncar e os autocarros se silenciarem.
O problema é que já lá vão anos e anos e nada mudou, só se enerva, dorme mal e tem o carro todo riscado.

E se não tivesse direitos?
Seguia o meu conselho e mudava-se para um "Equilíbrio de Nash". Não estando bem e podendo mudar para melhor, fazia-o, isolava acusticamente o quartinho.
Cortiça talvez fosse mais bonito mas o melhor seria colar uma espuma de poliuretano expandido com 5 cm de espessura nas paredes e no tecto (do chão não vem ruído), metia outra janela por fora dos estores e ainda um cortina grossa.
O trade-off seria investir 1000€ e ficar com o quarto um bocadinho de nada mais pequenino e sem paredes estanhadas.
O problema?
"Não vou gastar 1000€ quando não sou eu que faço o barulho, isso seria deixar de acreditar no estado de direito e dar parte de fraca. Tenho que exigir os meus direitos, lutar pelo cumprimento da Constituição."
E os 1000€ nem lhe fazem falta nenhuma.

Segundo problema: as relações amorosas.
Imaginem que A encontra B e que, em conjunto, se sentem mais felizes do que em separado.
Esta situação será, em termos globais, um Equilíbrio de Nash e aqui é que está o problema.
É que A pode melhorar ainda mais se "empurrar" o B um bocadinho.
Se o B for à praia quando o A quiser, se o B cozinhar o que o A quiser, se o B fizer o que o A quiser será melhor para o A e, naturalmente, pior para o B.
Claro que o A vai dizer "Se o B me amar vai ficar contente por responder afirmativamente aos meus pedidos, vai gostar de me ver feliz." Mas, com esta afirmação está a confessar "eu não amo o B, tenho é interesse em que ele me faça as vontades."
Quando estas situações são um Equilíbrio de Nash, nem A nem B querem sair da relação, tem um ambiente de constante violência verbal que, muitas vezes, evolui para violência física.

Vamos aos direitos.
Quando A conhece B, o A passa a pensar que adquiriu direitos sobre B.
Mas esses direitos vêm de onde?
Qual é a origem dos direitos?
Onde está o contrato em que esses direitos são instituídos?
De facto, os direitos não existem e são apenas um justificação sem justificação que A usa para "empurrar" o B.

Há duas questões filosóficas relacionadas com a sexualidade.
Imaginem que B não é uma menina de coro, que previamente já trancou com 10 pessoas diferentes.
Será que A, começando uma relação com B, tem o direito de "exigir" relações sexuais a B?
Vamos ainda supor que o B nunca teve relações sexuais com ninguém (que não com ele próprio).
Será que B tem o direito a proibir A de ter relações sexuais com terceiros até um quantitativo de 10?

Isto trás à discussão a Teoria da Relatividade!
O tempo é mais uma dimensão da realidade espacio-temporal.
Sendo assim, em que é que o Passado é diferente do Futuro?
Para a relação actual, em que distingue A ter trancado com 10 no passado com B vir a trancar com 10 no futuro?
Porque impõe A a B que o Futuro é diferente do Passado?
De onde lhe vem este poder?

Vou gritar até fazeres o que eu quero.

Também tenho uma amiga falida.
E o interessante é que ganha o mesmo que a milionária.
O problema é que pensa ter o direito a uma casa num dos sítios mais caros da cidade, a ter a filha num colégio caríssimo, a ter um homem bonito e inteligente (mas que deu à sola).

A minha empregada foi-se hoje embora.
Vejam só.
Contratei uma empregada que veio para Portugal nessas vagas de refugiados da Ex-URSS, veio do Uzbequistão, com pena dela.
Dei-lhe a chave de minha casa.
Tem a minha casa numa desarrumação total.
Nunca a mandei trabalhar nem lhe disse alguma vez "tem que arrumar melhor".
Pedi à minha irmã para a contratar que, depois de lá estar uns meses, me disse "não a quero nem de graça."
É feia como um sapo, gorda e velha.
Teve a lata de dizer mal das camisolas de lã da Pull & Bear que comprei ao cigano (paguei 6€ por 5 camisolas, para o ajudar). Quando lhe fui mostrar as camisolas em horas remuneradas, disse "isso não presta, eu não dava nem 1€ pelas 5".
Hoje disse-me "Se não me pagar mais, vou-me embora."
Deixou a chave em cima da mesa e foi-se embora.

Não se pode ter pena de ninguém.
Eu fiquei na mesma pois já estava farto dela mas, pensando ela que eu estava precisado por ter que tratar da minha mãe acamada, decidir "empurrar" um bocadinho.
Com a máquina de lavar roupa, a máquina de lavar louça, a varinha mágica e a comer sandes, I will survive.

Finalmente, o Teorema de Coase.
Numa economia de mercado (com custos de transacção reduzidos), todos os problemas de relacionamento entre as pessoas podem ser resolvido individualmente, alterando nós o nosso comportamento ou pagando para que o outro altere o seu.
Assim, se as pessoas não se concentrassem em defender direitos que o Estado não consegue fazer cumprir (como o Direito a Constituir Família), todos seríamos mais felizes.
Isto não é mais do que o pensamento de Sidarta Gautama, Buda: A nossa felicidade está dentro de cada um de nós.



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Guerra dos taxistas, crises económicas, gajas

Por incrível que pareça, isto está tudo ligado!
O estimado leitor pode pensar que vou ter que fazer um truque de mágica para ligar isto tudo mas vai ver que não.

Vou começar pelas crises económicas.
No antigamente, no tempo do Homem Primitivo, já havia crises económicas que eram causadas pelas oscilações do clima (secas, inundações, geadas), incêndios e invasões.
Ainda mais antigo, no tempo do homem caçador/recolector, os animais podiam ser dizimados por doenças.
Estas crises combatiam-se com migrações e armazenamento (carne salgada, azeitonas, azeite, mel, cereais).
Importante para colocar em perspectiva é que, nesses tempos primitivos, o crescimento do nível de vida era muito lento, não mais de 0,035%/ano (duplicar o PIB per capita a cada 2000).

Depois o crescimento económico acelerou.
Se fizermos o que é costume fazer, produzirmos os mesmos bens, da mesma forma, até atingirmos a perfeição, não haverá crescimento económico porque os recursos naturais são limitados!
Para haver crescimento económico é preciso, usando os mesmos recursos naturais, fazer coisas novas.
Até os caçadores poderiam ter desenvolvido a capacidade de correr atrás dos bichos mas o aumento no nível de vida veio de, em vez de caçar os animais, domestica-los e cria-los em casa.
As pessoas, genericamente, não imaginam as fases da domesticação dos animais mas, tendo eu sido criado na aldeia, ainda consegui ver nas práticas diárias como foi esse processo. Pega-se nos animais em pequeninos, que são adoráveis (javalis, lobos, bisontes, galos, cabras, elefantes, cavalos, etc.), e capá-los para que se mantivessem infantis mas grandes.Depois, já é possível lidar com eles.
Andar pelo mato a recolher bagas e ervas comestíveis foi substituído pela agricultura. Arrancar as plantas fracas e tratar das plantas boas.

É uma prática comum capar os bois para reduzir a bravura (e dizem que melhora a carne)

O progresso económico obriga a haver propriedade privada.
Como os animais domesticados são mais fáceis de caçar que os bravos, se não tivessem dono, seriam os primeiros a ser mortos.
Também os campos agricultados seriam invadidos por toda a gente não valendo a pena cultiva-los.
Por isso, a domesticação dos animais e a agricultura só puderam acontecer depois de ter surgido a propriedade privada.

Nos últimos 70 anos houve 7 crises (já estou a contar com a de 2020), uma a cada 10 anos.
Em termos mundiais, as crises são pouco significativas (quebras relativamente à tendência inferiores a 2%), havendo na comunicação social uma cobertura bastante exagerada.
Entre cada crise, há crescimento do nível de vida.
Dados do Banco Mundial (PIB per capita a preços constantes), cálculos e grafismo do autor.


A guerra dos taxistas.
No meu carro, o custo de uma viagem é de 0,12€/km (incluindo o veículo, combustível, manutenção e algumas portagens).
O preço de um táxi anda na ordem de 1,00€/km.
Se um taxista fizesse 25km/h, teria um rendimento equivalente a um ordenado de 2000€/mês.
O problema é a concorrência fazer com que, a maior parte do tempo, tenha que estar parado à espera do próximo cliente.
Assim, a rentabilidade do taxista depende de não haver concorrência.
Se houver livre entrada, o rendimento vai ser nivelado pelo mínimo que, no conjunto da sociedade, os motoristas estão disponíveis a receber.
Vão entrando no negócio quem não se importa trabalhar por alguns euros por hora.
Por isso é que, em Londres, os taxistas são todos asiáticos. 

Mas isto é o progresso.
Inovações que permitam produzir os mesmos bens usando menos recursos.
No caso, é produzir transportes utilizando menos tempo de taxista.
A pessoa está na praia, em casa a ver televisão, a dormir na sua cama, a escrever em blogues e cai uma SMS no seu telemóvel a dizer "Tens um serviço".
A pessoa levanta a toalha, congela o filme, levanta-se da cama ou adia a escrita e vai fazer o servicinho.
Assim, pode estar ao serviço 24h sobre 24h sem precisar de estar na fila, dentro do táxi, aborrecido com a vida.
Isto é poupança de recursos escassos.

Os táxis, comboios e metropolitano estão condenados.
E não é por causa da UBER mas por causa dos carros autónomos.
Quando, mesmo que daqui a 10 ou 20 anos, os carros puderem circular sem condutor, as pessoas poderão ter um transporte ponto a ponto, passando a ser utilizados mesmo na movimentação de massas veículos pequenos em vez de comboios enormes.
Por exemplo, na auto-estrada A5 cruzam 150 mil veículos por dia que transportam cerca de 200mil pessoas para  espalhar por Lisboa. Com veículos com uma média de 5 passageiros, o transito reduzir-se-à para 40 mil veículos por dia.
Uma pessoa que precisa deslocar-se diariamente dos subúrbios para o centro tem hoje um passe com um custo mensal na ordem dos 100€. Com veículos de 9 passageiros autónomos, muito mais rápidos porque recolhem a pessoa na sua porta de casa e a levam até à porta do destino, o custo ficará em metade.
É o progresso.

Vou então acabar com gajas.
Para os homens, as gajas são um bem económico estando, por isso, disponíveis a pagar um preço.
Esse preço pode ser monetário (prendas, jantares, viagens) ou psicológico (aturar-lhes as maluqueiras, manias e gritarias).
Quando um homem tem dinheiro e pensa em aumentar a sua felicidade, pensa em comprar um carro novo, comer boas comidas, fazer viagens, comprar roupas mas também pensa em arranjar uma gaja boa, daquelas que fazem parar o trânsito.
Como dizia a ucraniana (já quase me esqueci dela) "uma mulher para ser bonita, cheirosa e apetitosa, gasta dinheiro".
Agora, as questões que coloco.
1) Será que existe progresso tecnológico nas gajas?
Será que as gajas de hoje são melhores do que eram as gajas de há 100 anos ou de há 1000 anos?

2) Será que as gajas têm mesmo a capacidade de melhorar a vida dos homens?
Como dizia um amigo meu (que era muito gordo), "Prefiro comer uma dúzia de pasteis a comer uma gaja".

Está na hora de ir lanchar.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Um corredor BUS na A5

O Fernando Medina parece que quer meter BUS na auto-estrada A5.
Apesar de não me parecer uma pessoa extraordinariamente inteligente (conheço-o enquanto estudante universitário), a ser verdade que quer meter um corredor BUS na A5, tenho que reconhecer que é uma ideia inovadora e que vem quebrar a ideia esquerdista de que temos que voltar para o passado, para os comboios.
É uma ideia boa mas não é suficiente pois, além disso, é preciso construir terminais intermodais carro-BUS com 5000 lugares de estacionamento (do lado do mar) e , do lado de Lisboa, BUS-Metro (em Lisboa).

Fig. 1 -  A A5 tem uma extensão de 25 km e serve liga toda a "linha"

Um bocadinho da história dos comboios.
O comboio, nascido nos princípios de 1800, foi muito importante como "motor" da revolução industrial.
Foi importante porque os processos industriais precisam de grande escala de produção (por exemplo, uma siderurgia) e, consequentemente, de mercado alargados.
Então, o comboio sobre caminhos de ferro puxados por máquinas a vapor, ao diminuírem muito significativamente os preços do transporte, permitiram o aparecimento de grandes zonas industriais que serviam vastos mercados.
O problema da máquina a vapor é que é muito pesada e tem pouca densidade de potência (w/kg).
Por esta razão, os comboios a vapor têm que andar em caminhos de ferro (menor atrito na ligação roda/piso) e o declive das "estradas" tem que ser pequena, nunca mais do que 1%.

Um bocadinho da história dos automóveis.
O automóvel aparece 100 anos depois do comboio, nos princípios dos anos 1900, e o seu aparecimento só foi possível depois do desenvolvimento do motor a explosão (que é muito mais denso).
Em termos físicos, o motor a explosão é idêntico à máquina a vapor mas, em vez de entrar vapor a alta pressão dentro da câmara do motor, dá-se ai mesmo uma explosão de uma mistura de ar e gasolina. 
Assim, num espaço do tamanho de um copo é possível meter a fornalha e a caldeira que, na máquina a vapor, são de enorme dimensão e peso.
Ao ser denso em termos de potência, o motor a explosão permitiu o aparecimento de veículos sobre pneus que transitam em todo o tipo de terreno vencendo declives até 25%.
O motor dos nossos carros têm densidade de potência na ordem dos 1kw/kg enquanto que um motor de  Formula 1 tem densidade de potência na ordem dos 7kw/kg.

O motor do meu carro são 3 copos de 33 cm3

O caminho de ferro está 100 anos atrasado.
Porque já havia caminhos de ferro feitos e porque há a falsa verdade de que sobre ferro os veículos gastam menos energia, os comboios foram-se aguentando, subsidiados pelo poder político.
A tecnologia tem destas coisas, como foi um investimento grande feito ao longo de dezenas e dezenas de anos, com infraestruturas de grande monta, vai-se remendando aqui, colando um bocadito acolá, estendendo mais um quilometro, electrificando, e a tecnologia mesmo que obsoleta vai perdurando no tempo.
Tirando a falsa verdade de que consome menos energia, o veículo de estrada é muito superior ao veículo de carris.
Esta verdade do menor consumo de energia é falsa porque, por um lado, para se aguentar nos carris sem saltar, o comboio tem que ser muito mais pesado. 
Assim, enquanto um autocarro pesa 200kg/ passageiro, um comboio pesa 500kg/passageiro.
Por um lado, o comboio não vence declives o que reduz a comparação a locais planos. 

É uma boa ideia.
Mas tem algumas infraestruturas que é necessário construir e, sem as quais, o sistema não vai funcionar.

Passo 1  = Terminais intermodais Carro-BUS
É preciso construir terminais intermodais onde, de manhã, a pessoa que vai na A5 possa parar o seu carro, apanhar o BUS e, voltando à noite de BUS, retomar o seu carro fazendo inversão de marcha para voltar a casa. Se houver 5 terminais (1 a cada 5 km), cada terminal terá que ter lugar para 5000 automóveis (uma área de 100 mil m2).

Passo 2  = Terminais intermodais Metro-BUS
Quando as pessoas chegarem a Lisboa é preciso escoar as pessoas garantindo a fluidez dos autocarros ligando-os ao metropolitano. Vai ser difícil fazer esse terminal no Marquês do Pombal mas talvez seja possível subterrâneo.

Passo 3 = O tal corredor BUS.
Para ser competitivo em termos de tempo face ao automóvel (que vai da porta da pessoa à porta do destino), o BUS não pode estar dependente dos congestionamentos. E aqui é que surge a ideia do Media de construir um corredor BUS na A5.
O óptimo será construir mais uma faixa mas, numa primeira fase, é aceitável que o corredor BUS seja na actual configuração e apenas nas horas de maior tráfego.

Passo 4 = Estender a experiência a outras auto-estradas.
Depois de ver os resultados, estender as ligações a mais autoestradas em redor de Lisboa.

Estou ansioso por ver o "Volvo Gran Lisbon" com 200 lugares sentados a circular na A5








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