quarta-feira, 13 de julho de 2022

O modelo de negócio das "trotinetes partilhadas" está completamente errado.

Este poste serve para introduzir conceitos de gestão "Modelo de Negócio".

Uma empresa pega em inputs (bens e serviços intermédios e matérias-primas) que, com trabalho e capital (equipamento, instalações e conhecimento) transforma no output (outros bens e serviços finais ou intermédios) que têm mais "valor" do que o custo de produção. A diferença, em termos de preços, será o lucro da empresa:

  Lucro = Preço de venda do output - (Preço dos inputs + Capital + Salários) 

Uma empresa para ser viável tem de ter um lucro, pelo menos, ligeiramente positivo.


Vamos ao Modelo de Negócio das trotinetes partilhadas.

Para o comum dos mortais, está certo o dito popular de que "já está tudo inventado" mas, para o empreendedor, existe disponível todo um mundo de novos produtos e novas oportunidades lucrativos.

Primeiro, o novo negócio tem de "criar valor", isto é, o valor atribuído pelos compradores ao novo bem ou serviço tem de ser maior do que o "valor destruído" na fabricação do produto. 

Segundo, o empreendedor tem de ser capaz de se apropriar de uma parte significativa desse valor criado.

Terceiro, a margem do empreendedor está limitada pelas alternativas que já existem no mercado, isto é, pela concorrência.


O valor criado pelas trotinetes partilhadas.

A pessoa pretende deslocar-se do ponto A para o ponto B, distantes 7,5km entre si. 

Se a pessoa for a pé, demora 2 horas. 

O valor da viagem da trotinete está em reduzir o tempo da viagem de 2 horas para 30 minutos. 

Supondo que a pessoa tem a trotinete em A e a pode deixar em B e que o custo do tempo são 10€/hora, então a viagem de trotinete cria um valor de 15€.


Agora, vamos ao custo de produção do transporte (o valor "destruído").

Vamos supor uma Trotinete Eléctrica Xiaomi Mi Electric Scooter Pro 2 que tem um preço de 445€,   uma autonomia de 40km (a 15km/h) e aguenta o equivalente a 500 cargas completas (20000km).

Custo = (445/20000 + 0,01)*7,5 = 0,25€ por viagem.


Se não houvesse concorrência.

A empresa vai poder cobrar um preço algures entre 0,25€ e 15€ por cada viagem.

Como o taxi tem um preço de 7,60€, a trotinete não pode cobrar mais do que este preço.

A trotinete BIRD/CIRC (é a mesma empresa) tem um preço de 5,50€ por viagem (1€ + 0,15€/min).


O preço da trotinete partilhada é 22 vezes o custo da trotinete pessoal!

Sendo que as trotinetes pessoais têm um custo na ordem dos 0,25€/viagem, o preço das trotinetes partilhadas é extraordinariamente elevado pelo que será de pensar que a BIRD/CIRC tem lucros enormes.

Nada mais errado pois a empresa tem é enormes prejuízos!!!!!!!!!! 

Em 2021 a empresa teve uma faturação de cerca de 200 milhões de euros para pagar custos na ordem dos 400 milhões de euros!!!!!!!

A empresa só seria rentável se cada pessoa tivesse pago 11€ por viagem, mais do que cobra um taxi (e que pode levar até 4 pessoas).


O que estará errado no Modelo de Negócio?

Está nos custos acrescentados para ser possível cobrar o preço ao consumidor.

A empresa tem um produto, a viagem de trotinete, que custa 0,25€ a produzir mas que, depois, precisa de um custo de 10,75€ para poderem ser cobrados os 0,25€!!!!!!

Digamos que a empresa incorre no grave erro de gestão de ter um "custo da embalagem e gestão" que é 43 vezes o custo de produção do produto.

Seria como ter um pão que custa 0,10€ a produzir mas, porque é entregue embrulhado em seda e por uma limusina, fica em 4,40€.

Não faz qualquer sentido.


Em que sentido tem de ser alterado o modelo de negócio?

A trotinete partilhada tem de se aproximar da trotinete pessoal o que se consegue alterando radicalmente o relacionamento com a trotinete partilhada.

O cliente toma a trotinete e só a vai deixar quando já não precisar dela. 

     Preço = 1€ por dia + 0,10€ por km + 0,50€ por troca + 2,50€ pela carga.

Será obrigação do cliente "tomar conta" dela. 

Se o cliente tiver necessidade de a deixar num local, esta fica bloqueada à sua espera. Se o cliente tiver necessidade de a deixar e apanhar outra noutro local, terá de pagar mais 0,50€.

Se o cliente carregar a trotinete, não precisa pagar a carga.

Se, por exemplo, o turista ficar 5 dias na cidade, percorrer 40 km por dia, pegou a trotinete com 90% de carga e devolve-a com 60% de carga. Terá de pagar.

     5*1,00€+ 40*5*0,10€ + (90%-60%)*2,50€ =25,75€

Se, um cliente pega de manhã a trotinete à saída do comboio com 90% de carga, faz 10km, demora 40 min e devolve-a com 75% de carga. Terá de pagar:

     1,00€ + 10*0,10€ + (90%-75%)*2,50€ =2,38€

Pegando noutra trotinete à noite para fazer o trajecto de volta, vai pagar 1,88€ (um total de 4,25€).

Se o cliente tomou uma trotinete com 30% de carga, ficou com ela no gabinete e devolveu-a com 85% de carga, vai pagar menos:

    1,00€ + 20*0,10€ + (30%-85%)*2,50€ = 1,63€

Este preço passa a ser inferior ao preço de um bilhete de autocarro.


Como é possível o cliente pagando muito menos para a empresa passar a ter lucro?

É que, ao considerar a possibilidade de o cliente tomar conta e carregar a trotinete, os custos de gestão ficam extraordinariamente diminuídos.

O cliente, durante algum tempo, vai considerar a trotinete como se fosse sua.


Vamos à minha trotinete particular.

Comprei-a no dia 1 de Abril e, em 100 dias fiz 1100 km, uma média de 11km por dia.

No entretanto tive um acidente a 20km/h que me obrigou a levar 3 pontos e a fazer um TAC. Por causa disso, ando agora de capacete (bem me diziam que deveria ser obrigatório). Ganhei respeito ao asfalto!

A principal regra de segurança é nunca tirar a mão do guiador, seja em que circunstâncias for. 

A segunda regra é olhar para trás apenas ligeiramente pois existe a tendência de, ao olhar para trás, guinarmos o guiador.

A terceira regra é abordar os obstáculos sempre na perpendicular

Mesmo as riscas brancas das passadeiras, porque têm uns milímetros de altura e são escorregadias, instabilizam a marcha. Nunca tentar subir da estrada para o passeio, mesmo quando este é rebaixado, sem ser na perpendicular.

A quarta regra é, em caso de dúvida, travar (que a queda será a menor velocidade :-).


Meti-lhe uma segunda bateria.

Em termos tecnológicos, quero falar deste projecto de engenharia.

A minha trotinete, AOVOPRO, não tem as características anunciadas (tem menos potência e menos autonomia) pelo que protestei pedindo que me enviassem outra bateria.

Depois de pensarem um bocadinho, mandaram-me uma bateria nova e eu decidi junta-la à que lá estava.

O meu irmão Rui (que é engenheiro na Toyota) abriu o compartimento da bateria, soldou uns cabos em paralelo aos cabos que saem da bateria (só cortou o isolamento, não chegando a cortar nenhum cabo) e colou a nova bateria ao poste do guiador.

Ligou o fio vermelho ao fio vermelho e o fio preto ao fio preto e já está, muito simples e ficou a funcionar perfeitamente bem.

Esquema da ligação em paralelo da segunda bateria (que ficou colada no exterior). A bateria tem de ter "controlador interno" mas não é preciso mudar o carregador nem fazer qualquer alteração interna.

As alterações que aconteceram.

Uso exactamente o mesmo carregador mas agora demora o dobro do tempo a carregar. Se antes demorava 3h45m, agora demora 7h30m. Isto é um inconveniente para quem tem muita pressa mas tem a vantagem de aumentar a duração da bateria (quanto mais lentamente se carregar, mais cargas a bateria aguenta).

A autonomia duplicou de 20km para 40km (a 15km/h). Isto traduz que a bateria que me enviaram é exactamente igual à bateria que estava instalada na trotinete (e que eu pensava ter um problema!).

Se andar a 30km/hora, a autonomia diminui para 30km.

Os modos de limitação de velocidade (ECO, LENTO e SPORT) descomandaram-se (aumentaram substancialmente) mas o limite fino (em km/h) continua a funcionar bem.

A relação entre a "carga da bateria" do computador de bordo e a autonomia alterou-se. Pego na carga indicada, multiplico por 52km e subtraio 12km para obter os quilómetros que ainda me sobram.

Relação entre a carga indicada e a autonomia (a 15km/h).

Estou muito contente com a trotinete.

É uma enorme liberdade estar num sítio qualquer e decidir "Vou ver aquela coisa que está a 5km daqui" e percorrer essa distância sem qualquer custo.

Já andei de comboio com ela e correu muito bem. Tem apenas o inconveniente de dentro da estação não se pode andar em cima dela (se estiverem a ver :-).

Aconselho a todas as pessoas mas reforço, capacete, roupa com manga comprida, nunca tirar a mão do volante, nunca olhar para trás nem tentar subir obstáculos na diagonal.

quarta-feira, 22 de junho de 2022

O problema do actual aumento dos preços é não ser inflação!!!!!

O senso comum diz que a inflação é o aumento dos preços mas não é correcto.

Pede-se às pessoas mais sensíveis que não leiam este texto nem olhem para a fotografia. Se desobecer, assume inteira responsabilidade pelas consequenciais nefastas que lhe possam vir a acontecer. O

Este texto não pretende ofender seja quem for, traduz uma opinião pessoal que não vincula a minha entidade patronal, Portugal, a UE ou quem quer que seja e não pretende ofender ninguém.

 

Não ler a partir daqui!

Actualmente, por causa da cultura woke esquerdista de cancelamento, todos os textos têm de ter uma bolinha vermelha e a avisar as "pessoas mais sensíveis", isto é, os mentecaptos esquerdistas.

Em tempos leccionei um curso na faculdade de letras da universidade do porto e tentei "rebentar" com o senso comum sem fazer este aviso e o que aconteceu é que acabaram por "rebentar" comigo. Mas, diz o povo, o último a rir é o que ri melhor.

I see trees of green, red roses too; I see them bloom for me and you; And I think to myself what a wonderful world.


Mas vamos à subida dos preços. 

Há uma discussão em Portugal em torno da actual subida dos preços e do seu pretendido aumento dos  salários e pensões para compensar a perda do poder de compra. Anunciou mesmo o nosso primeiro ministro que, no próximo ano, as pensões e os salários (das empresas privadas) terão um aumento histórico.

O problema económico é que, não sendo o actual aumento dos preços uma verdadeira inflação, caminhamos novamente a passos largos para a bancarrota.


A inflação é tratadana Macroeconomia e é um caso particular de subida de preços.

A inflação é uma subida de preços mas generalizada, isto é, que afecta todos os bens e serviços, salários, pensões e impostos na mesma forma. Se, por exemplo, as batatas aumentam de 10€/saco para 11€/saco (aumento de 10%), também as discotecas aumentam de 15€ para 16,5€ e os cortes de cabelo de 5,00€ para 5,50€ (os mesmos 10%). Também os salários e as pensões "sofrem" o mesmo aumento percentual.

Ao aumentarem os preços de todos os bens, salários e pensões na mesma proporção, o efeito na economia é nulo. Chama-se a isto Neutralidade da Moeda. Não se chama Neutralidade da Inflação porque o que causa inflação é o aumento da quantidade de moeda em circulação.

Taxa de Inflação = Taxa de aumento da quantidade de moeda - Taxa de crescimento da economia.

Se, por exemplo, o BCE aumentar a quantidade de moeda em 10%/ano e o crescimento económico for de 3%/ano, então, a inflação vai ser de 7%/ano.


A subida de preços que não a inflação é tratada pela Microeconomia.

Vamos imaginar que em Portugal, todos os anos, se produzem 1000 toneladas de maçãs e que as empresas portuguesas  produzem produzem compota de maçã. A receita da compota  é 100kg de maçã (100€), 100kg de açúcar (100€) e trabalho (20€). Assim, produzimos 2000 toneladas de compota com um custo de 1,10€/kg.

Portugal importa o açúcar ao preço de 1€/kg, metade à Rússia e metade ao Brasil (total de 1 milhão €) que paga com a exportação de 909 ton de compota, metade para cada país fornecedor.

Subtraindo as exportações à produção,  ficamos com 2000-909 = 1091 ton para consumir.

O "dinheiro" para o consumo vem da produção de maçãs e do salário na fábrica de compotas.


De repente, a Rússia deixou de nos vender açúcar!!!!!

Não podemos continuar a usar as 1000 ton de açúcar pois já só temos o Brasil como fornecedor! 

Por um lado, a escassez faz com que o preço do açúcar aumente para 2,00€/kg o que faz o Brasil aumentar a produção e as exportações de 500 ton para 750 ton (custo de 1,5 milhões €).

Por outro lado, o excesso de produção de maçãs faz o seu preço cair de 1,00€/kg para 0,50€/kg. Esta redução de preço faz com que a produção diminua para 750 ton.

O custo é de (100*2€/kg + 100*0,5€/kg + 20)/200kg = 1,35€/kg.

Apesar de os portugueses não comerem açúcar, notaram que o preço da compota aumentou 35%. Os produtores de maçã também notaram uma quebra no seu rendimento de 1000 (1000*1€/kg) para 375 (750*0,5€/kg).


Será de aumentar o salário dos trabalhadores em 35% e subsidiar os produtores de maçãs?

O problema é que, para pagar o açúcar ao Brasil (1,5 milhões €) temos de lhes vender 1111 ton de compota, ficando para os portugueses apenas 389 toneladas.

Desta forma, não há como compensar usando meios monetários a diminuição da riqueza disponível de 1091 ton para 389 ton.


Vamos a um exemplo ainda mais ilucidativo.

Quando as pessoas entraram no Titanique foi dada uma nota de 1000 Titaneuros a cada passageiro tendo-lhes sido dito "Se o barco for ao fundo, dão esta nota ao bombeiro e ele leva-vos para um salva-vidas".

Havia 5000 pessoas a bordo e 100 salva-vidas com capacidade individual para 50 pessoas.

Quando o Titanique começou a afundar, repararam que um sabotador tinha rebentado com metade dos salva-vidas.

Será que se o capitão tivesse dado outra nota de 1000 Titaneuros a cada passageiro, já haveria salva-vidas para todas as pessoas?

É este o efeito monetário, imprimir notas e dá-las às pessoas não aumenta a produção e, consequentemente, não pode aumentar o consumo.


"Usem-se garrafas de água vazias como flutuadores"

Foi o que gritou o bombeiro mas o capitão logo respondeu "Não, não, as pessoas não podem ficar molhadas, dêem titaneuros com fartura a todos os passageiros".

Onde eu quero chegar com isto?

Portugal poderia utilizar as centrais termoeléctricas a carvão para fazer face à escassez de gás natural e de petróleo mas não, dá-se 60€ a cada família e logo está tudo resolvido.

A Alemanha vai recomeçar a usar carvão mas também podia tornar a ligar as centrais nucleares mas também não quer, vai descer o IVA dos combustíveis.

Mas isto não vai dar em nada porque NÃO HÁ SALVA-VIDAS SUFICIENTES.


Difícil de entender?

Os wokes esquerdistas da faculdade de letras da universidade do porto não perceberam.


É uma guerra.

A Europa está em guerra, muitas pessoas estão a ser mortas, muitos bens estão a ser destruídos, muita produção não está a ser feita ou está a ser desviada para a frente de batalha e nós, mesmo distantes, vamos sofrer uma degradação da nossa qualidade de vida.

Não vale a pena os esquerdistas venderem ilusões. 


Quanto mais ilusões venderem menos tempo se vão aguentar no poleiro.

O Costa diz maravilha da sua governação mas reparemos no perigo em estamos de uma nova bancarrota: em 2010 a dívida pública portuguesa era 100,2% do PIB (suficiente para a bancarrota Sócrates+Teixeira dos Santos) e em 2020 está em 120,8% do PIB!!!!!!!

As taxas de juro vão disparar por ai acima e o Costa não tem estaleca para governar em tempos de crise, não é um Cavaco Silva e muito menos um Passos Coelho.

É fácil navegar quando o vento está de feição.


Porque as taxas de juro aumentam.

Se consumíamos 1091 ton e agora só temos 389 ton disponíveis, tem de haver uma redução do poder de compra dos consumidores, isto é, uma redução nos salários.

Se o governo esquerdista popularucho obrigar a haver aumento nos rendimentos, por exemplo, aumentando o salário mínimo, a variável macroeconómica de ajustamento que fica é a taxa de juro.

É que quanto maior a taxa de juro, menor é o consumo e maior é a vontade das pessoas em trabalhar (aumentando a produção).

O Costa até pode pensar que controla os salários mas não tem hipóteses na taxa de juro.

quinta-feira, 9 de junho de 2022

É uma imoralidade subsidiar carros eléctricos

Os carros eléctricos têm "incentivos".

Têm isenção do IUC, do ISV e do IVA sobre o ISV e ainda há 5 milhões € para os primeiros compradores do ano.

Isto é imoral porque, por um lado, só quem tem muito dinheiro é que compra carros eléctricos (o carro eléctrico mais vendido em Portugal, o Tesla Model 3, tem um preço mínimo 55000€) e, por outro lado, existem muitas pessoas com muitas dificuldades económicas a viver em locais, fora dos centros das grandes cidades, com inexistentes ou muito caros transportes públicos.

Sendo assim, o incentivo à compra de veículos eléctricos deveria maior em termos percentuais mas  apenas para quem tem dificuldades económicas e que têm dificuldades de transportes.


A minha ideia de veículo eléctrico é a trotinete!

Os decisores políticos, sejam ministros, presidentes da câmara ou da junta devem começar por dar umas voltas de trotinete pelas suas terras para verem como um meio de transporte tão barato é cómodo e poderoso. As voltas permitiriam rapidamente identificar as políticas erradas que estão a ser tomadas como seja o empedrar nas zonas centrais e de maior densidade das cidades.

Basta meter, no meio do empedrado, uma pista lisa com 40cm de largura, como se fosse uma pista para o eléctrico. A pista deve estar no meio da linha de tráfego de forma a que os carros não a possam utilizar, sob pena de degradação. 

Fig. 1 - As vias empedradas têm de ter uma faixa central lisa para as trotinetes poderem circular


Mas vamos à economia da trotinete.
A minha trotinete custou-me 280€, tem uma autonomia de 20km a 12km/h e de 15km a 24km/h.
O vendedor diz que vai dar para 12000km mas vamos supor que também está errado, que só vai dar para 8000 km, um custo de 280/8000 = 0,035€/km.
A electricidade implica um custo de 0,005€/km.  
Somando as duas parcelas dá 0,04€/km.

Uma pessoa que precise fazer uma viagem de 7,5 km (que é a extensão média das viagens em Lisboa), demorará cerca de uma 30 min e terá um custo de 0,30€. Em comparação, um taxi custa 6,00€ durante o dia e 7,35€ durante a noite e uma viagem ocasional em autocarro custa 2,00€.


Finalmente, o subsídio à aquisição do veículo elétrico.
Eu lavo a roupa a todas as pessoas necessitadas que mo pedem e isso inclui o José Alberto que é esquizofrénico, tem 52 anos e vive sozinho numa pensão muito fraquinha a 100 m da minha casa com uma pequena pensão, disse-me que recebe 297€/mês, para tudo.
O moço, quando precisa ir a algum lado, seja comer na cantina social, ao centro de saúde ou visitar um amigo, tem de ir a pé.
No outro dia, para experimentar se "um maluco" consegue andar de trotinete e porque ele me andava sempre a pedir, disse-lhe. Zé, pega a minha trotinete e vai dar uma volta.
Nos primeiros 10 metros percorridos oscilou mas ao fim de 50 metros já parecia um profissional.
Supondo que o "desgraçado" paga 100€ para dar valor ao equipamento, 5 milhões de euros por ano davam para quase 30 mil trotinetes.

Vejam só a quantidade de pessoa precisadas (incluindo crianças das aldeias que têm muitas dificuldades no deslocamento para a escola) era possível ajudar com um subsídio que é dado apenas a ricos.


quinta-feira, 2 de junho de 2022

O modelo de negócio das apostas desportivas e a falência da Betmarkets.io

Em tempos tive um aluno que teve uma enorme média de curso.

Não interessa o valor, interessa apenas dizer que foi o aluno com melhor média de sempre da faculdade onde eu trabalho. Depois, foi fazer um mestrado no Reino Unido e também teve excelente desempenho académico.

Esse aluno criou uma empresa que tinha como produto um "agregador" de apostas desportivas, acessível no endereço Betmarkets.io.

Quando eu soube do projecto, disse logo "Isso vai falhar porque o produto não cria valor" e foi exactamente isso que aconteceu, falhou com estrondo.

Neste post vamos ver o que é o negócio das apostas desportivas e porque o Betemarkets.io teria mesmo de falhar.

Fig. 1 - É grande mas não deixa de ser um asno


A tecnologia das apostas desportivas.

Uma aposta desportiva é um "jogo de soma nula", isto é, o que um apostador ganha é exactamente o que outro apostador perde.

Vamos supor que o jogo "Benfica-Porto" dá 2€ por cada 1€ apostado (proporção, odds, de 2 para 1). Neste caso, se o apostador A mete 10€ em "O Benfica vai ganhar ao Porto" o apostador B tem de meter 10€ em "O Benfica não vai ganhar ao Porto". Desta forma, se o Benfica ganhar, o apostador A ganha 10€ e o apostador B perde 10€.

A proporção do ganho vai ser determinada pela proporção das apostas. Vamos supor que existem muitos apostadores e que as apostas na "Vitoria" somam 123456€ e as apostas na "Não Vitória" somam 234567€. Como os prémios têm de ser iguais a (123456+234567) =358023€, a proporção terá de ser: 

    Vitória = 358023/123456 =  2,9000

    Não Vitória = 358023/234567 =  1,5263

Um apostador que tenha metido 100€ na "Vitória", caso acerte vai receber 290€. Outro apostador que tenha metido 100€ na "Não Vitória", caso acerte vai receber 152,63€.

Quem não acertar não recebe nada (tem perda total).


Um jogo mais complicado.

Vamso apostar na diferença de golos que pode ficar em >=3; 2; 1; 0; -1; -2; <=-3.

Agora temos 7 hipóteses sendo que as Odds vão garantir que, qualquer que seja o resultado do jogo, o total pago aos apostadores é igual ao total recebido de apostas (3438632€).

Fig. 2 - Exemplo de apostas na diferença de golos num jogo de futebol

No exemplo, as melhores Odds são para um resultado muito desequilibrado a favor do Benfica (porque é improvável) mas esta proporção não é uma previsão de nenhum cartomante mas apenas a razão  entre os valores apostados, 42,213 = 3438732€/81442€.

Quanto mais resultados forem possível, mais improvável é acertar num resultado particular pelo que as Odds serão maiores. Se, por exemplo, o jogo fosse "As diferenças de golos nos jogos Benfica-Porto e Sporting- Braga" já haveria 7 x 7 = 49 resultados possíveis. Por exemplo, apostando 10€ no resultado de 3 ou mais golos de diferença para as equipas de fora e acertando, recebe 8473€ (ver, Fig. 3). 

No exemplo representado na Fig. 3, o que os apostadores acham mais provável (e onde apostam mais dinheiro) são os resultados assinalado a amarelo (e que têm menores odds).

Fig.3 - O apostador tem de acertar em simultâneo na diferença de golos de 2 jogos (a casa cobra 1% de taxa). 


O modelo de negócio da "casa de apostas".

A "casa das apostas" precisa de facturar para viver, o que vai conseguir cobrando uma percentagem  sobre as apostadas, por exemplo, de 1%.

Neste caso, a expressão I2: =SOMA(B2:H2) passará a ser I2: =SOMA(B2:H2)*(1-1%) o que vai diminuir as odds em 1%.


Se a empresa não cria nada, onde está a criação de valor para o apostador?

Está em três lugares.

1) O apostador pensa, erradamente, que tem mais conhecimento do que os demais apostadores, isto é, pensa que consegue "bater o mercado". Seja porque lê muitos jornais desportivos ou apenas porque se pensa mais inteligente do que a média, pensa que está a apostar contra jogadores maioritariamente lorpas e que, por isso, vai conseguir um ganho à custa dos lorpas. 

2) O apostador é fanfarrão, sente necessidade de, no seu circulo de amigos, mostrar que tem valor e vai conseguir isso anunciando ganhos nas apostas de forma entusiasmada. Quando perde, cala-se, "Esta semana não apostei nada".

3) O apostador é amante do risco. Prefere perder 10€ (com probabilidade de 99%) podendo ganhar 990€ (com probabilidade de 1%) a ter 10€ (assumi uma taxa de intermediação de 1%).

E a "casa de apostas" vai-se apropriar de parte deste ganho de valor.


Como funcionava a Betmarkets.io

A) Era um "agregador" de casas de apostas, semelhante ao que faz o skyscanner para as viagens de avião. Observando um leque alargado de "casas de apostas", pagaria a maior proporção encontrada.

Se a "Casa A" propunha 1.98; a "Casa B" 1,93 e a "Casa C" 1,97, seria para a proporção 1,98.

B) Mas o principal "produto" era a replicação da estratégia dos apostadores ganhadores.

Vamos supor que tinha 1000 apostadores, ao fim de algum tempo, uns mostravam ganhos e outros perdas. Um apostador poderia pedir para replicar as apostas de um apostador pagando 20% do que conseguisse ganhar com a replicação.

Vamos supor que o apostador Joaquim foi quem, nos últimos 6 meses, mostrou melhor resultado (por cada 100€ apostados, recebeu 150€). Se eu escolho "nos próximo mês aplica 1000€ e segue o Joaquim", o algoritmo vai fazer, proporcionalmente, as mesmas apostas que o Joaquim e, supondo que no fim do mês tenho 1500€ (ganhei 500€), tenho de pagar 100€.


Problema do "agregador".

Ao escolher a maior proporção para cada um dos resultados possíveis, estatisticamente, o resultado seria de prejuízo.

Individualmente, as "casas de apostas" não têm risco porque o valor que vão pagar é igual ao valor que recebem menos a margem mas, ao considerar sempre o melhor de todas as "casas de apostas", em média, serão sempre pagos mais prémios do que os valores apostados.

Para evitar este prejuízo, seria preciso cobrar uma taxa pelo serviço o que, psicologicamente, seria mal visto pelos apostadores: "Se posso apostar na casa A a 1,98, vou directamente a A e não passo a taxa".


Problema do "seguidor"

É que, nas apostas, ganhar é, em grande parte, resultado da sorte e do azar. Assim, o apostador que foi o mais ganhador nos últimos 6 meses tem quase a mesma probabilidade de perder dinheiro nos próximos 6 meses como  o apostador que foi o mais perdedor nos últimos 6 meses.

Além disso, havendo muitas pessoas a replicar a aposta do apostador A, motivado pela forma como as odds são calculadas (em concorrência com os outros que perdem), degrada os potenciais ganhos de A, causando-lhe um prejuízo não compensado e tornando a sua estratégia, mesmo que melhor informada, perdedora.


Não há nenhuma aposta que seja melhor do que a outra.

Voltemos à Fig.2.

Apostar no resultado ">=3" e perder não é "menos inteligente" do que apostar "-1" e ganhar pois a improbabilidade do resultado ">=3" é compensado com odds muito superiores. Desta forma, meter o dinheiro em qualquer das opções demonstra a mesma racionalidade, sendo o resultado final, falhou ou perdeu, apenas o resultado da sorte e do azar.


Há aqui um problema qualquer.

De um aluno considerado brilhantíssimo pela academia resultou uma ideia de negócio totalmente errada e tola.

Isto traduz que i) o que lhe foi ensinado não foi adequado e ii) o sistema de classificação da academia está errado.


Uma vez chamei-o à atenção.

Eu ensinava "computadores" e obrigava os alunos a irem às aulas (assinavam o nome numa folha). Claro que nunca ia ver as assinatura ou controlar quem ia às aulas, sendo apenas uma tentativa para que os alunos não se perdessem nas noitadas.

Quando houve o primeiro teste e esse aluno teve 20 valores, fui ver a fotografia. Reparei depois que, apesar de não estar na aula, a assinatura aparecia na folha!!!!!

Um dia ele apareceu e eu, em tom descontraído disse "Interessante que nas últimas aulas não apareceste mas a tua assinatura está na folha".

Tratou-me mal, só faltando dizer "as suas aulas apenas servem para perder tempo".

Digamos que as notas funcionavam como reforço da sobranceria, pensando que era mais inteligente que todos os outros, que tinha o rei na barriga.

Pessoas "reforçadas" não aceitam ideias diferentes só se rodeando por bajuladores e lambe botas. E isso leva ao fracasso pois se não conseguirmos, com argumentos, convencer os outros de que a nossa ideia está correcta, é porque está errada.

É muito o que acontece no nosso Portugal!

O coitado estragou a vida dele pois o dinheiro dos apostadores desapareceu!!!!!!

Afinal, era um esquema de ponzi!!!!!!!


Finalmente, continuo com a trotineta.

Já fiz 512 km por ciclovias, estradas secundárias, estradas de terra batida, estradas nacionais e vias rápidas.

Como já referi, as características da trotineta não são as anunciadas (tem menos potência, menos autonomia, menos bateria, menos velocidade) mas foi relativamente barata e tem-se aguentado bem.

O que gosto mais é da liberdade de violar as leis da estrada!!!!!!

Vou contra-a-mão, passo nos vermelhos, subo passeios, atravesso a relva dos parques, sempre a andar.

E os condutores de carro têm-se mostrado muito respeitadores.

O problema são as trepidações, os paralelos que os "camaristas" insistem a meter nas zonas de baixa velocidade para os carros.

Fig. 4 - O empedrado liquefaz os miolos



sexta-feira, 27 de maio de 2022

A invenção que mais contribuiu para o combate à fome foi "frio".

O frio é muito importante na segurança alimentar mas gasta energia.

Os alimentos refrigerados duram muito tempo, podendo não só ser armazenados durante muito tempo como transportados a longas distâncias, por exemplo, bananas desde a Colômbia até nossa casa.

Todos estamos habituados a comer maçãs todo ano quando a produção se concentra entre os meses de Julho e Setembro. Também comemos peixe que foi pescado em mares longínquos com no Chile ou no Alasca. E isto apenas é possível por causa do frio.

Mais importante ainda do que as frutas e legumes é o armazenamento refrigerado de cereais que evita a degradação das qualidades alimentares, a germinação, o apodrecimento, o aparecimento de bolores e a reprodução de insectos como a traça e o gorgulho sem uso de químicos.

Se já agora se perdem muitos alimentos por causa da degradação, sem a refrigeração essa perda seria extraordinariamente maior e, ainda pior, seria muito difícil continuar a fornecer alimentos frescos aos habitantes das grandes cidades.


O  problema do frio é que gasta energia.

Um terreno com 500 ha produz cerca de 2500 toneladas de milho, concentrada a produção num instante de tempo. Vamos supor que o agricultor usa 4 silo refrigerados a 2.º C com 10 m de diâmetro e 15 m de altura (capacidade total de 2500 toneladas) em que as paredes estão isoladas com 20 cm de espessura. Se a temperatura média exterior for de 22.º C, serão precisos 10KW (COP = 1) que implicam um custo em energia eléctrica de cerca de 25000€/ano, 10€/tonelada/ano.

O problema é maior se pensarmos que nos campos remotos não há electricidade.

Fig. 1 - Silos para cereais.


Mas podem ser usados painéis solares.
O futuro tem de ser inventado e são necessárias novas ideias para a transição das fontes de energia confiáveis (energia fóssil) para as fontes de energia intermitentes (energia solar e do vento). 

Fazendo uma pesquisa sobre o preço de painéis solares, o melhor que consegui foi 267.97€ por um painel de 500 W, 2,108x1,048 =  2,21m2 (ver a proposta). 
Como os 500W são obtidos em condições óptimas, vamos multiplicar este valor por 80% e usar outro tanto valor para a instalação e montagem. 
Vamos ainda acrescentar 10% para o "controlador".
Um painel solar, nas condições do Alentejo, produz cerca de 20% do tempo, 5 KWh/dia.
Usando estes pressupostos, dá um investimento de 3000€/KW equivalente.

Vamos amortizar este valor em 25 anos.
Para uma taxa de juro de 4%/ano, teremos:
3000*4%/(1-(1+4%)^-25) = 170€/ano = 0,47€/dia = 0,02€/KWh.
Como os painéis solares precisam de manutenção e a sua capacidade diminui ao longo do tempo, assumindo um custo de 50% do custo financeiro, resultam 0,03€/KWh.
Este custo traduz uma redução de cerca de 90% relativamente ao preço da electricidade da rede.

O problema é que, em 80% do tempo, não há electricidade com origem solar!!!!!
Pois é este o grande problema da energia eletrovoltaica, como armazenar a energia a baixo custo.
Vamos imaginar que o agricultor precisa guardar os 10KW de "frio" para 10 dias. Neste caso, precisa de uma bateria com 7200KWH que tem um custo na ordem dos 750 mil €. Impossível.
Considerando que as baterias têm um custo de 350€/KWH, aguentam 1000 cargas e a eficiência é de 80% (armazena 1KWh por cada 1,25kWh), estamos a falar em custos na ordem dos 0,40€/KWh.  

Mas existe a possibilidade de armazenar a energia na forma física, isto é, mantendo amoníaco no estado líquido que, quando evapora, retira 325 KCal/Kg. Neste caso e para os mesmos 10 dias, serão precisas 6,5 toneladas de amoníaco (dentro de um contentor com 9 m3, resistente a 10 atmosferas).

Historicamente, o preço do amoníaco anda nos 200€/ton mas, motivado pela invasão russa, pensemos num preço de 1000€/ton. Mesmo assim, o investimento em amónia é de 6500€, em comparação com 750 mil€ em baterias.

E a produção do amoníaco não usa metais valiosos, não tem impacto ambiental e dura muito mais anos do que as baterias.


A estratégia utilizada na gestão da rede solar.
Vamos supor que a instalação precisa de uma média de 240KWh/dia de energia para refrigeração (média de 10KW) e que ainda são necessários mais 120KWh/dia para outros usos (média de 5KW). Assumindo uma produção diária é 4kwh/kw, será preciso instalar  100 KW de potência nominal, uma área na ordem dos 2000m2.
A rede elétrica vai ser utilizada de "forma inteligente", onde os "outros usos" vão ter prioridade na utilização da eletricidade. Desta forma, como a potência instalada é de 100KW, mesmo quando há apenas 10% de sol, a produção vai ser suficiente para os "outros usos", o que minimiza a necessidade de baterias.
Quando há "sobras", a eletricidade vai ser utilizada na refrigeração, armazenando-se a energia na forma de amoníaco líquido.

O futuro da energia solar passa pelo armazenamento.
E o armazenamento vai ser principalmente na forma de calor (caldeira de água a 95.ºC) e na forma de frio (amoníaco líquido a 10 atmosferas).
A rede vai ter um preço que varia em contínuo (em cada segundo haverá um preço diferente) que traduz o balanço entre o consumo e a produção e as caldeiras e os frigoríficos vão utilizar armazenar a energia nos instantes em que a electricidade é mais barata para utilizar depois.
Dado o elevado custo, as baterias têm de ficar reservadas para situações muito específicas.



  

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Mesmo que a economia cresça, vamos empobrecer!

As crises económicas resultam da necessidade de ajustamentos estruturais.

Ontem estive a falar sobre economia com a minha colega de judo que frequenta o 11.º ano. Interessante que o que lhe ensinam é totalmente ideológico de esquerda, a exploração do trabalhador, as crises causadas pelo excesso de produção, blá blá blá, tudo o que vem nos manuais marxistas. Meter esta catequese na cabeça dos jovens é a melhor forma de criar mentecaptos esquerdistas (é um pleonasmo pois esquerdista é sinónimo de mentecapto).

Agora percebo porque os meus alunos da faculdade de letras me odiavam, é que estavam intoxicados com essas teorias marxistas de que o capital explora o proletariado e eu pretendia mostrar-lhes a verdade, de que sempre que a pessoa está na situação A (trabalhar na agricultura) e lhe é a possibilidade de escolher entre A e uma nova situação B (trabalhar na industria), se escolhe B de forma livre e informada podendo continuar em A, obrigatoriamente fica numa situação melhor.

Pensava eu que qualquer pessoa com inteligência média veria nisto lógica mas vejo agora que não.


Vamos à alteração estrutural agricultura/industria.

Imaginemos que inicialmente 100 pessoas trabalham na agricultura de sobrevivência onde produzem 5€/dia de bens (5kg/dia a 1€/kg). De repente, surge a industria, onde cada pessoa produz 50€ de bens (10kg/dia a 5€/kg).

Para mudar da agricultura para a industria é necessário um período de aprendizagem correspondente a um ano de produção (correspondente a  capital humano de 365x5€ = 1825€).

Esta mudança estrutural tem dois problemas:

A) Saber como se vão financiar os 1825€ (é preciso alguém poupar para haver esta disponibilidade).

B) A mudança das pessoas da agricultura para a industria vai reduzir a produção agrícola (o que faz aumentar os preços dos bens agrícolas) e aumentar a produção dos bens industriais (o que vai reduzir os preços dos bens industriais).

C) Menos pessoas a trabalhar na agricultura faz com que cada pessoa produza mais e mais pessoas na industria faz com que cada pessoa produza menos.


A inovação vai aumentar o rendimento dos trabalhadores.

Vamos supor que, a nova situação de equilíbrio é 50 pessoas a trabalhar na agricultura (cada pessoa produz 8kg/dia a 2,50€/kg) e 50 pessoa a trabalha na industria (cada pessoa produz 8kg/dia a 2,5€/kg).


Fig. 1 - No novo equilíbrio o PIB e o rendimento é 4 vezes o rendimento inicial.



A crise surge de haver um exagero na alteração estrutural.

No processo de ajustamento, apesar de o rendimento do agricultor subir continuamente ao longo do tempo, este sente-se pobre por comparação com os trabalhadores da industria. como a decisão é individual, todos os trabalhadores querem, instantaneamente, deixar a agricultura e ingressar na industria.

Como demora tempo a aprender a nova profissão e os salários têm dificuldade a ajustar em baixa, vai haver um "overshooting" que, depois, vai cair criando uma crise de excesso de produção de bens industriais (e queda de preços e de rendimentos) e de défice de produção de bens agrícolas (e de subida de preços e de rendimentos).

Esta crise vai criar um novo ajustamento em sentido contrário e de menor intensidade.

Além disso, durante a crise, o nível de rendimento das pessoas é muito superior ao inicial mas, como nos habituamos rapidamente à boa vida, essa crise é sempre vista como "a mais grave dos últimos 100 anos".

Fig. 2 - No caminho para o novo equilíbrio, há um exagero no ajustamento o que causa uma crise económica e novo ajustamento mas em sentido contrário.

Será que o overshooting poderia ser evitado com "coordenação centralizada" (com esquerdismo)?

Seria no modelo simplificado, onde todas as pessoas são iguais nas suas capacidades, gostos e o Putin tem informação perfeita sobre cada um dos trabalhadores.

Mas como as pessoas são diferentes e isso não é conhecido pelo Putin, então a coordenação centralizada não consegue resolver o overshoting e, assim, evitar as crises.

Vamos supor que era possível. Então, nos países esquerdistas não haveria crises económicas e, tanto como sabemos, ... esquerdismo é sinónimo de pobreza!

Por exemplo, desde que em 2013 o camarada Maduro tomou o poder na Venezuela, o nível de vida (medido pelo PIB per capita em paridade de poder de compra), caiu 15% por ano, num total de 71% (ver). Se em 2013 um venezuelano tinha um poder de compra de 250€/mês, agora está nos 75€/mês.

É o esquerdismo a funcionar no seu melhor, aquele que os camaradas Jerónimo, Catarina, Louçã, etc. querem implementado em Portugal.


Voltemos a Portugal.

Toda a gente já ouviu dizer que a nossa economia não cresce desde 2000, isto é, dentro que entramos na Zona Euro! Se pegarmos nos dados, vemos que o PIB tem crescido uns ténues 0,7%/ano.

Fig. 3 - Na evolução do PIB vemos que, desde 2000, o crescimento é de 0,7%/ano e que sofremos 2 crises, a do Sub-prime e a do Covid-19 (dados, INE).

Bem o Costa grita que temos crescido muito mas não é verdade, estamos agora na tendência de longo prazo de 0,7%/ano que tinha sido interrompida com o Crise do Sub-prime.

O Costa terá razão se conseguir fazer com que Portugal cresça nos próximos 4 anos tanto como cresceu entre 2016 e 2020, isto é, 2,9%/ano.


O problema é que a Crise Assassina Russa está a bater à porta e tudo assobia para o lado.

É uma crise porque a Rússia vai ser "desligada" do comércio internacional e isso é uma importante alteração estrutural na economia mundial.

Tudo o que se importa da Rússia, principalmente energia, vai ter de ser encontrado noutras paragens e isso obriga a investimentos que já estavam feitos na Rússia e que vão ser deitados fora.

Tudo o que se exporta para a Rússia vai ter de ser colocado em mercados alternativos e isso também obriga a investimentos porque, por exemplo, os bens que Moçambique vai importar se desenvolver a sua industria de gás natural não são os mesmos que hoje a Rússia importa. Por exemplo, onde hoje se vêem turistas russos não se passará a ver turistas moçambicanos.

Tudo isto vai levar tempo e vai reduzir o nível de vida não só dos russos como de todos os outros.


E se o PIB crescer como o Costa diz?

Vamos supor que nos próximos 3 anos o nosso PIB vai aumentar um total de 10%. Mesmo assim, vamos ficar mais pobres por causa do aumento do preço das importações. 

Vejamos com um exemplo numérico.

O nosso PIB é 100€/ano, exportamos 40€/ano e importamos 40€/ano (podemos consumir 100€/ano). 

  Consumo = 100€/ano + 40€/ano - 40€/ano = 100€/ano.

Estes valores são obtidos multiplicando as quantidades pelos preços. Vamos supor que os preços de todos os bens é 1€/unidade. Então, produzimos 100kg/ano, exportamos 40kg/ano e importamos 40kg/ano (e consumimos 100kg/ano).

  Consumo = 100kg/ano + 40kg/ano - 40kg/ano = 100kg/ano.

Daqui a 3 anos estaremos a produzir 110kg/ano mas, como os preços das importações aumentaram para 1,5€/kg, o que teremos disponíveis para consumir fica menor porque temos de exportar mais para podermos pagar as importações (exportações = 40*1,5€/1€ = 60kg).

O consumo vai reduzir para 90kg/ano

   Consumo = 110kg/ano + 40kg/ano - 60kg/ano = 90kg.

Se temos de consumir menos porque as importações estão mais caras, não há forma de dar volta à crise que ai vem.

Recordando o estadista Passos Coelho, temos de aguentar com valentia.


A minha situação?

Está boa, continuo activo (a receber) e penso que assim ficarei até me aposentar, com 70 anos.

É a coisa boa dos esquerdistas, não é assim fácil despedir um trabalhador mesmo que não preste para nada.


No entretanto, tenho feito passeios de trotineta.

Já fiz 370 km na minha AOVO e estou a gostar da experiência. 

A autonomia é pequena para turismo (20km a velocidade de 12km/h e de 14km a 25km/h) mas é mais do que suficiente para as movimentações dentro da cidade, principalmente se o utilizador conseguir carregar "no emprego". 

Apesar de parecer um meio de locomoção lento e frágil, na cidade conseguem-se facilmente fazer viagens de forma mais rápida do que nos transportes públicos. Por exemplo, uma carga dá para fazerem 45 minutos desde Massamá e 25 minutos desde a Amadora  até ao Rossio (centro de Lisboa).

As únicas falhas são: 

1) Não haver locais onde recarregar 

2) Não haver locais de estacionamento seguras

3) A nova moda das os autarcas que é meterem pavimento de paralelos nos cruzamentos. É um cancro, nem a pé se pode andar.

4) Não haver trotivias (têm de ser mais lisas do que as ciclovias mas podem ser mais estreitas).

Escolhendo "caminhar", o Google manda para lugares impossíveis (toca a carregar)!

São precisas mais trotivias (bermas de piso liso com 50 cm).

Uma razoável trotivia no meio do empedrado.


sexta-feira, 6 de maio de 2022

O perigo de entregar mísseis sofisticados aos ucranianos é nulo!

Cresce nas cabeças comunistas que a Ucrânia é um perigo de segurança.

Já que não podem continuar a dizer (excepto o mentecapto Lula da Silva) que a Rússia tem todo o direito de invadir e destruir a Ucrânia para, assim, libertar os ucranianos das suas ideias fascistas, racistas, sexistas e xenófobas, avançam com duas novas ideias brilhantes:

1) Quanto mais armas mandarmos para a Ucrânia, mais ucranianos morrem porque o Putin tem de ganhar a "operação especial de libertação da Ucrânia do fascismo, racismo, sexismo e xenofobia".

2) As armas sofisticadas, nomeadamente os mísseis, que enviamos aos fascistas, racistas, sexistas, xenófobos ucranianos vão ser usadas, no futuro pelos ucranianos, para atacar os aviões ocidentais.


As armas sofisticadas tem um chip de segurança parecido com o do nosso cartão multibanco.

Quando o chip de segurança é programado, é introduzido na sua memória um número aleatório com 1229 dígitos (com 4096 bits). Este número é a "chave privada".

A "chave privada" fica apenas guardada no chip e nunca mais pode ser lida ou retirada de dentro do cartão.

Juntamente com a "chave privada" é criada a "chave pública" que é um número que está relacionado com a "chave privada" mas de uma forma tão complexa que a partir da "chave pública" não é possível calcular a "chave privada".

A "chave pública" fica guardada no Pentágono.



Primeiro nível de segurança = Programação do tempo de validade.

Quando o míssil está em armazém ou em trânsito, a data está a zero, não podendo ser utilizado.

Quando vai ser "armado" para entrar na batalha é introduzido um instante de tempo, por exemplo, 05/06/2022 00:00:00, a partir do qual o míssil não funciona. O prazo de validade pode ser de apenas uma hora. A validade é enviada ao Pentágono que envia uma mensagem encriptada ao míssil que a vai descodificar com a sua "chave privada".

Se o míssil não for usado no tempo de validade, a data volta a zero, podendo ser novamente programado (apenas pelo Pentágono).


Segundo nível de segurança = Coordenadas do GPS.

São introduzidas coordenadas de GPS que vão limitar os locais onde a arma pode ser utilizada.

Por exemplo, se queremos que a arma só possa ser usada num raio de 100km do centro de Kiev, introduzimos +(50.435N, 30.482E, 100KM). Esta informação vai ser encriptada com a "chave pública" que está no Pentágono, tornando impossível a introdução de novas localizações pelo "inimigo".

Se quisermos restringir uma área, substituímos o "+" por "-".

Quando o atirador liga a arma, esta vai calcular a sua posição GPS e só vai funcionar se estiver em local permitido pela informação com que foi programada (e estiver dentro do período de validade). 


Terceiro nível de segurança = Código de desactivação.

Acontece haver aviões "aliados" a voar em simultâneo com aviões "inimigos".  

Quando o míssil é disparado, emite um código identificativo, por exemplo, XjsTkso23!84Wd9R que o avião capta.

O avião "aliado" o avião envia esse código para o Pentágono que identifica o míssil e envia, de volta ao avião, um código de "desactivação", por exemplo, 5YtkSdoe?2gAf4hW.

O avião "aliado" emite esse código que vai ser recebido pelo míssil que desiste imediatamente de perseguir o avião. 


Quarto nível de segurança = O míssil não pode ser desmontado.

Podemos pensar que o fascista, racista, sexista e xenófobo vai desmontar o míssil, introduzir outro cartão e, desta forma, ganhar acesso à programação do míssil.

Acontece que, para desmontar o míssil é preciso introduzir, previamente, um "código de desmontagem". Se o código não for correto, assim que comecem a desapertar os parafusos, o míssil deflagra. 


Isto já aconteceu (ver).

Em 28 de Novembro de 2002, no aeroporto de Mombaça, um míssil  foi disparado contra um avião comercial israelita com 271 pessoa a bordo.

O míssil foi direitinho ao avião mas, estranhamente e como que por milagre, houve um pequeno desvio "causado por incompetência do terrorista" que fez o míssil se desviar o suficiente para falhar o alvo.

Não foi um erro mas apenas um milagre da tecnologia que não interessou tornar público. 


E o meu estado?

Podem acompanhar o meu estado  aqui.

Cada dia que passa, mais me convenço que essa coisa de que acusam, de ser "fascista, racista, sexista e xenófobo", não passa da cassete dos estalinistas.

Acham mesmo que alguém pode concluir das frases "As professoras da faculdade de letras são velhas, feias e gordas" ou "Os homens casam porque não querem comer sandes" que estamos em presença de alguém "fascista, racista, sexista e xenófobo"?


Sabem que já há dados sobre o comboinho Guarda-Castelo branco do Pedro Nuno Santos?

Enterraram lá 77 milhões €.

Diariamente circulam 6 comboios com uma lotação média de 12 passageiros por comboio!!!!!!!!!!!

Amortizando os 77 milhões em 35 anos a uma taxa de juro de 2%/ano, dá, apenas para a amortização, 120€ por passageiro (e ainda é preciso somar pelo menos outro tanto para os custos operacionais).

Tão lindo o comboinho


Quanto custaria um linha baseada em táxis?

A viagem da Guarda a Castelo Branco, ida e volta, um táxi de 8 passageiros tem um preço de 115€.

Para uma taxa de ocupação de 66%, dá um preço médio de  11€/viagem.

Reparem bem, uma linha de táxis teria um custo de 11€/viagem enquanto que o comboinho tem um custo, só em amortização de capital, de 120€/viagem.

Além de o táxi ser mais confortável e rápido do que o comboio, em vez de haver 3 viagens para cada lado por dia, poderia haver 6 viagens, muito mais flexível em termos de horário para os utilizadores.


O problema é que o ministro dos comboinhos é um estalinista.

Para os estalinistas não interessa a verdade, apensa interessa o que eles acham que está certo.

E a nossa oposição está calada.

Onde está a Iniciativa Liberal? Não querem saber do comboinho?



segunda-feira, 18 de abril de 2022

A project to increase the throughput of HDDs without increasing the cost of production.

A project to increase the throughput of HDDs without increasing the cost of production.

HDDs, on low-end (a 2TB HDD has a price identical to a 256GB SSD, 40€), have a price 8 times smaller than a SSD but have 30 times less IOPS and 5 times less throughput. As the reading/writing is done on only one side of a platter (1 bit HDD) and it is not possible to increase the rotation speed of the disk or the areal density, bigger HDDs are becoming even slower to backup, for example, for a speed of 100MBps (7200 rpm HDD) it takes 52 hours to backup a disk of 18TB.

To compete with SSDs on server market, HDDs have to increase their capacity to 100 TB by 2030 which, given the difficulty in increasing density, only is possible by increasing the number of platters (or the diameter of each platter). Then, even assuming an expensive 10000 rpm HDD (150MBps), the backup of 100TB HDD will take 200 hours.
Intel Mach 2, by using two independent actuatores, can double the throughput (no so strainforward!) but increases the complexity and price of the HDD (and do not increaseas IOPS).

Imagine that it is necessary to reset the system.
An organization has 10,000 customers and each uses 100GB, for a total of 1000TB.
Then, it uses 2 backup copies on HDD, (a RAID 99 + 1 file servers, 5400 rpm).
In the event of an attack, it will be necessary to restore the system that will take weeks.

Data must be organized "vertically".
My idea is to organize the data “vertically” with all heads being read/written simultaneously with just one actuator. In this way, keeping all the actual mechanics, velocity and density (and the cost, just need to change the data controller), it will be possible to increase the writing and reading throughput proportionally to the number of platters (although not increasing the IOPS).
One could have: 
                                                           7200RPM  / 5400RPM 
     2 bits HDD = 1 platter  -    2TB - 200MBPS  - 150MBPS
     4 bits HDD = 2 platters -   4TB - 400MBPS   - 300MBPS
     8 bits HDD = 4 platters -   8TB - 800MBPS   - 600MBPS
   16 bits HDD = 8 platters - 16TB - 1600MBPS - 1200MBPS

In the future, assuming a 50% increase in density (pitch from 25nm to 20 nm), one can have: 
   32  bits HDD = 16 platters -   50 TB - 3200MBPS - 2400MBPS
   64  bits HDD = 32 platters - 100 TB - 6400MBPS - 4800MBPS
Increasing HDD to 16/32 platters will increase thickness from 26 mm to 40/72 mm.

With the actual density, the first HDD (the 1956 IBM 350 HDD 24 inch with 50 platters) would have 580TB.

Fig. 1 - Schematic of a 16-bits HDD where data is read/writing simultaneously by all 16 heads moving together (i.e., in the same vertical position).


Fig. 2 - To double IOPS with two actuatores, they must be in opposite sides of the platter (wright).


A project to significantly lower the cost of producing of Intel Optane memory chips by verticalization.

(Probably this will not work because or the need for heating!)

Optane memory tecnology has potencial (it is RAM and 10 times faster than NAND memory) but it is is slowly fading out due to high production costs. Each layer require deposition, lithography and etching that is expensive.

My project is transforming Optane from planar to vertical, having just two lithography and etching fases, first, to etch holes (Fig. 1, Section view - 3) and, second, to etch trenches (Fig. 1, Section view - 6). 

The design woud be similar to 3D-NAND (inexpensive).

Fig. 3 - V-Optane construction operations (part 1)


Fig. 4 - V-Optane construction operations (part 2)


Fig. 5 - V-Optane top view


Fig. 6 - Reading/programming a bit

domingo, 17 de abril de 2022

Comprei uma trotineta elétrica!!!!!

Estimados amigos que estão preocupados.

Ontem fui caminhar um bocadinho com o PSAS e ele disse-me que um aluno se mostrou preocupado com a minha situação.

Eu que até já tinha perdido a esperança na humanidade vi que, afinal, há uma pessoa boa e, como afirmou Deus quando destruiu Sodoma e Gomorra (Ge 17), basta que haja um homem bom para que a humanidade seja salva.

Mas não se preocupem que está tudo bem encaminhado, acreditem como eu sempre acreditei na incompetência de quem me persegue. 

No entretanto, escrevi uns textos sobre tecnologia que talvez seja interessante publicar neste blog, mas vai ficar para depois de enviar o recursos para o TAF.

Mas vamos ao que interessa.


Comprei uma trotineta.

Já sou um bocadinho velhote mas, com toda a certeza, amanhã serei ainda mais velhote.

Herdei este pensamento da minha mãe e, por isso, é que fui para o judo quando já tinha 45 anos e nunca mais deixei. No outro dia, umas mães na casa dos 40 que estavam a assistir exclamaram no fim da minha aula de judo,"O Senhor mexe-se bem, chega bem para eles!".

Andei a ver vídeos de trotinetes e, depois, apareceu-me um anúncio de uma AOVOPRO M365 em promoção por 279,99€ na Electric Future (agora está em promoção por 267,23€). É a modernice do "marketing digital" que explora as cookies, se pesquisamos alguma coisa, logo nos aparecem anúncios "seleccionados especialmente para nós".

Comprei a medo pois não sabia se tinha de pagar o IVA ou sequer se alguma vez receberia alguma coisa mas correu tudo bem, ao fim de 9 dias, a 30/03, estava a Tartaruga Veloz à minha porta com uma encomenda vinda da Alemanha.

Interessante que a encomenda foi numa empresa do Reino Unido, Electric Future, que mandou o pedido para Shenzhen - China para, no final, a mercadoria vir da Alemanha.

Uma das principais vantagens da trotinete relativamente à bicicleta é as meninas poderem usar mini-saia (e as madamas poderem usar sapato alto).


A e-scooter AOVOPRO tem alguns problemas.
1 = Na montagem, os parafusos do guiador não encaixaram bem pelo que ficou com alguma folga que vou tentar corrigir (já melhorei quase completamente, tirei o volante, meti um pequeno pano e voltei a aparafusar). Mas é um problema que resulta, penso eu, por o guiador não ser montado na fábrica (para poupar na largura da embalagem).

2 = O conta-quilómetros tem um erro de 23%. Fiz o cálculo várias vezes, comparando a distância registada com a obtida no google-maps e confirmei este erro. Desta forma, numa viagem de 20 km medida no google maps precisa, na aplicação, de 24,6 km.

Também tem um exagero na velocidade mas menor, de 7%. Assim, quando no modo ECO indica 16km/h, vai a 15km/h e quando na velocidade máxima SPORT indica 31km/h, vai a 29km/h.

A velocidade máxima não tem limite (nas descidas), o motor aplicando força até os 60km/h. Sim, é possível atingir 60km/h mas é pior do que andar num caça bombardeiro a 3 vezes a velocidade do som (o máximo que dei foram 45km/h, bom piso e em linha reta e mete mesmo medo).


3 = A autonomia é cerca de metade da anunciada de "30 km a 35km". 
Sem vento, em terreno plano, uma pessoa de 75 km, 
      A uma velocidade entre 13km/h e 15km/h consegui uma autonomia de 20 km (indica 25km).
      A uma velocidade de 30km/h consegui uma autonomia de 15 km  (indica 18km).

4 = O indicador da bateria tem exagero de 20%. Isto é, a bateria morre quando chega a 20%. Isto talvez seja para aumentar a vida da bateria pois ainda indica 34,5Volts (o mínimo poderia ir até 25 Volts).

     As contas da autonomia têm de ser calculadas descontando estes 20% (distâncias da app): 

           Autonomia a 15km/h = 30 x (Carga - 20%).

           Autonomia a 30km/h = 20 x (Carga - 20%).

Por exemplo, quando indica 60% já chegou a metade da autonomia (altura de voltar para casa!) e quando chega aos 30% já só tem energia para 2 ou 3 km.

Atenção que atingindo 20%, a velocidade "morre" para uns 10km/h e já só anda mais 700km.

5 = Nas subidas não é nada parecido com o anunciado, acima de 5%, vai devagarinho e a morrer, parando nas subidas com mais de 10%.A solução é subir aos SSS.


A capacidade da bateria e a potência estão exageradas em 40%.

Diz o vendedor que a bateria é de 10,5Ah mas carrega a 2A em 3,75 horas, o que dá 7,5Ah!!!!

Por isso, a bateria deve ser a normal 7,5Ah (10 x 3 pilhas de 2,5Ah), 270Wh ou ainda menos, de 6,0Ah.

Proporcionalmente, a potência também está exagerada, o motor deve ter 250W.


Fiquei desapontado, queixei-me e responderam-me.

O anúncio diz "30 km/h + velocidade" e é verdade.

Também diz "35 km + alcance" e aqui a realidade fica muito longe do anúncio. Mesmo considerando uma velocidade lenta, a realidade é apenas 60% do prometido.

Por causa da pouca autonomia, mandei um email e responderam-me.


A resposta já veio (20 de Junho).

Mandaram-me uma bateria nova pela Tartaruga Veloz!!!!!!

Estive a ver e estão a vendê-la por 125€ e enviaram-ma de graça, zero, borla e não pediram a outra de volta.

Meti a bateria nova no poste da trotinete (foi o meu irmão que é engenheiro mecânico) em paralelo com a bateria original. Quando fui experimentar, pumba, 

É muito fácil meter uma segunda bateria em paralelo, descarnam-se os fios e estanha-se a derivação, mas a estética ainda precisa ser afinada com uma fita preta!


TIVE UM ACIDENTE 

Sim, estava a experimentar a autonomia com as duas baterias a 20km/h e o meu chapéu voou.

Ato reflexo, tirei a mão direita do guiador para o tentar segurar, e pumba, acidente.

NUNCA SE PODE TIRAR A MÃO DO GUIADOR, NUNCA MESMO.



i) No momento do acidente, ii) em casa depois de lavar, iii) na sala de cirurgia, depois de levar 4 pontos


Já fiz 720km (22 de Junho)!

A quilometragem do computador é de 886 km.

Esta distância é equivalente a 36 carregamentos da bateria (fazendo uma média de 20km/carga completa) e não notei qualquer diminuição na capacidade da bateria. 

Carrego sempre que faço uma viagem pois os técnicos indicam que a bateria dura mais se não deixar a bateria descer abaixo dos 30% de carga.


A evolução da autonomia com os quilómetros percorridos não mostra tendência decrescente (com uma bateria)


Agora que meti a segunda bateria.

Fiz duas viagens longas, mesmo longas, demoraram quase 3 horas, a uma velocidade de 15km/h (parei pelo meio para apreciar a paisagem, tirar fotografiase consultar o GPS pois perco-me com muita facilidade). 

A autonomia estimada, com as duas baterias, é de 48km (a 15km/h e sem vento).


Andar de trotineta é uma maravilha.

Aprende-se rápido.

Mesmo os mais aselhas, os que nunca aprenderam a andar de bicicleta, conseguem aprender a andar na trotineta em menos de 5 minutos, não tem nada a ver com o skate, é muito mais fácil.

Até a minha amiga a milionária, cheia de salamaleques e finesse, toda "não me toques", a Susaninha (e não a Marta porque é ceguinha, não pode andar de trotinete :-) montou-se na minha trotinete e, ao fim de 5 minutos, já dizia "a trotinete só dá 17km/h" (pois eu tinha limitado a velocidade).


NUNCA SE PODE TIRAR A MÃO DO GUIADOR, NUNCA MESMO.

Seja em que circunstâncias for, meter a mão no travão, parar, meter o pé no chão, o descanso na trotinete e só depois se pode tirar a mão do guiador.


É rápida e não cansa (muito...).

15km/h pode parecer pouco mas é 4 vezes a velocidade a pé e é ainda mais rápida do que os transportes públicos urbanos.

Percorrer 10 km a pé é desgastante e demora 160 minutos. De trotinete é um passeio que demora 20 minutos. 

Os dados sobre Lisboa indicam que percorrer 7,5 km de transportes públicos demora 45 minutos (750 m para apanhar o transporte, espera 7 minutos na paragem, 6 km de autocarro e, no final, mais 750m para chegar ao destino). De trotinete, a 15km/h, demora 30 minutos.

Faz-se com muita facilidade uma viagem de 20 km em 60 minutos. 

E 20 km são uma enormidade, é a distância entre a Praia de Carcavelos e o centro de Lisboa (Rossio).


É uma sensação maravilhosa para fazer turismo.

Passear com a trotinete é algo de extraordinário porque é como andar a pé mas não nos cansamos e percorremos distâncias muito maiores.

No primeiro dia, fiz uma viagem (com a minha irmã), na cidade do Porto, desde o Passeio Alegre pela marginal junto ao Mar até ao Castelo do Queijo, os dois montados na trotineta!!!!, à velocidade máxima, sempre a gritar. Uma maravilha.

Sim, em plano, dá para duas pessoas (os dois juntos, pesamos 125kg) !!!!!!! Apesar de ser proibido, a polícia não liga, graças a Deus.

Depois, comprei outra trotinete!!!! Para eu ter uma e a minha irmão outra.

Fomos, agora um em cada uma, desde o Passeio Alegre até à Avenida dos Aliados (subimos a Rua da Restauração!) e voltamos pela marginal junto ao rio Douro. Uma maravilha.

Outro dia fomos desde o Passeio Alegre até ao cais de Leixões e voltamos. 

Também fomos ao Parque da Cidade mas não aconselho porque o piso NÃO PRESTA.


É muito segura.

Os travões são excelentes, a coisa pára muito rápido. Além disso, como vamos de pé, é como ir a correr, qualquer problema, metemos o pé no chão e já está (travando sempre). 

Há as ciclovias mas, principalmente, as faixas BUS. 

Quando o trânsito está parado, vamos pelo meio dos carros em total segurança (bem sei que é proibido ...). 

Nos semáforos, pode-se passar no vermelho e pelas passadeiras de vagarinho e a olhar (bem sei que é proibido...) e quando fica verde tem uma aceleração de arranque maior do que os carros, parece um Ferrari.

Quando a coisa complica, vamos pelo passeio devagarinho (bem sei que é proibido ...).

Na estrada os carros são respeitadores e a visibilidade é boa. 

NUNCA SE PODE TIRAR A MÃO DO GUIADOR, NUNCA MESMO.

Este chapéu já não tem risco de fugir com o vento e protege do Sol (Local: edifício no Buçaquino).

Dentro de 5 anos, todas as pessoas vão ter um telemóvel e uma trotineta.

Olhemos para as estatísticas dos transportes públicos em Lisboa (daqui).

Uma viagem tem 7,8km (7,1 km em transporte e 0,7 km a pé) e dura 48 minutos. Sendo assim, a velocidade média é de 10km/h.

Facilmente, a trotineta faz essa mesma viagem em 30 minutos (uma média de 15km/h).


É o futuro.

Aconselho vivamente e sem reservas a todas as pessoas que têm 300€ a comprar uma trotineta elétrica!!!!

A trotineta AOVO PRO m365, mesmo com a publicidade exagerada, atendendo ao preço ser relativamente baixo, é uma muito boa aquisição (pelo menos até agora, com a nova bateria, não encontro nada melhor) mas existem muitas alternativas.

A da minha irmã é a OLSSON SPECTRE 8.5 que adquiriu na Norauto por 250€, em promoção. Apesar de as especificações serem menores, tem mais aceleração, sobe melhor e tem a mesma autonomia que a AOVO mas a velocidade máxima é um bocadinho menor porque está limitada a 25km/h. Tem a vantagem de ser ligeiramente mais pequena (para transportar nos transportes públicos).

Outra semelhante deve ser a Xiaomi Essential mas que não testei. 

Só tenho pena que não haja locais para carregamento.

Jovens (e menos jovens), está na hora de andar de trotinete.

Para os velhotes é melhor do que muletas!! E a probabilidade de queda é menor do que a andar a pé (penso pela minha experiência, mas já tive um acidente!).

O problema são os empedrados.

Já andei em ciclovias, estradas nacional 109, vias rápidas de acesso à autoestrada, estradas secundárias, passeios e caminhos de terra e o único problema são os empedrados!!!!!!

Tem de se ir com a trotineta à mão e, mesmo assim, treme muito.

Essa doença que atacou os autarcas depois das rotundas é horrível, serve apenas para atirar o "transporte suave" para longe das cidades. 

Basta haver uma faixa lisa com 40cm de largura no centro da via!


Aqui estão dois bons exemplos na cidade do Porto


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