terça-feira, 26 de julho de 2016

Falar então sobre a execução orçamental

O Emanuel Marques está muito preocupado com a Execução Orçamental.
E, por causa disso, pediu-me que fizesse umas contas.
Eu não gosto de dar reanimação boca-a-boca a pessoas cujos olhos já foram comidos por moscas varejeiras e é como esta execução orçamental do primeiro semestre de 2016, as contas estão todas gatadas pelas próprias contas dos 12 sábios: se com crescimento de 2,5% o défice ia ser de 3,0%, com um crescimento de 0,9% não pode nunca ser menor que 3,7% do PIB.


Vou só fazer umas contas simples a ver se alguém pega nestas inconsistências.
Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) em 2015 sobre a gasolina era de 0,6211€/litro e de 0,4059€/litro no gasóleo ( ver). O consumo no primeiro semestre de 2016 foi de 522,3 mil ton de gasolina e 2258,3 mil ton de gasóleo (ver).
Com esta taxa de imposto e estes consumos, a receita fiscal durante o primeiro semestre de 2015 foi de 1084,7M€.



Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) em 2016 subiu na gasolina para 0,6711€/litro e 0,4559€/litro no gasóleo (ver), um aumento ponderado de 11%.  O consumo no primeiro semestre de 2016 foi de 511 mil ton de gasolina e 2290,0 mil ton de gasóleo.

A taxa de imposto aumentos 11% e o consumo aumento 0,7%.
Multiplicando estas duas taxas de crescimento teríamos um aumento de imposto na ordem dos 12% para 1215M€.
O problema é que a execução orçamental de junho de 2016 diz que a receita fiscal em ISP foi de 1572M€, um desvio positivo de 357 M€.



E temos o tabaco.
O imposto sobre o tabaco aumentou cerca de 0,07€/maço (ver), cerca de 4,5% do imposto.
Não tenho aqui dados sobre a variação do consumo do tabaco mas acho improvável que tenha aumentado. Supondo que se manteve, sabendo que no primeiro semestre de 2015 a receita em IST foi de 425,4 M€, no 1T2016 deveria ser 445 M€ e foi de 650,4 M€.
De onde vem este desvio de 205 M€?


Digam-me Sr.s Esquerdistas de onde vêm estes 
560 milhões de euros de receita adicional de ISP e IST?
É que sem estes 560 M€, o défice do 1S2016 ficou nos 3,7% do PIB!
E mais gatagens existem por lá escondidas e que ninguém parece querer ver.

Rezem o terço e Deus talvez vos indiquem o caminho do crescimento e do emprego.

Maria Clara

Ser bombista suicida, a lógica do ilógico

Todos pensamos que ser bombista suicida é um ato de loucura.
Como pode uma pessoa no seu juízo perfeito, com a mente a trabalhar sem estar sob o efeito de drogas ou alucinado por uma promessa de 72 virgens no paraíso, transformar-se num bombista suicida?
Mais não pode ser que não praticado por um louco e num momento irrefletido.

Nada mais errado.
Para resolvermos este problema, e é o caso de Israel, apenas o conhecimento cientifico nos pode dar uma ajuda. Para isso, temos que começar pelas regularidades estatísticas.
1) Os atentados ocorrem em guerras onde há uma grande desproporção entre forças, sendo o suicida da parte mais fraca.
2) Os bombistas suicidas, BS, são jovens adultos masculinos.

A senhora reconhece o seu filhinho?

A desproporção das forças.
Na guerra, uma coisa certa é que algumas pessoas morrem. Por exemplo, na Segunda Guerra mundial, um em cada doze alemães morreu e na ex-URSS foi um em cada sete.

H1) Vamos supor que as partes A e B estão em conflito por um recurso ou por uma ideia e ainda que:

H2) A parte A é muito mais forte pelo que, se houver um ataque convencional com 1000 elementos de B, conseguem matar  100 elementos inimigos (da parte A) mas à custa de 500 baixas.

H3) Vou supor que se um elemento de B se fizer bombista suicida, consegue matar 10 elementos da parte A.

Vamos ao planeamento do atentado suicida.
Os 1000 elementos de B pensam assim:
"Sendo que pretendemos matar 100 inimigos, tanto 1000 de nós podem fazer um ataque convencional como podemos fazer 10 ataques suicida. Para o mesmo resultado, em qual das situações conseguimos atingir os objetivos com:
1- menor uso de recursos bélicos?
2 - menor probabilidade de cada um de nós morrer?"

Agora a questão matemática.
Se for feito um ataque convencional, a probabilidade individual de morte é de 500/1000 (e serão precisas armas fortes).
Se forem feitos 10 ataques suicidas, a probabilidade individual de morte é de 10/1000, calculada antes do sorteio (bastando uma bomba artesanal, um machado ou uma faca de talhante).

Temos que concluir que o racional é ...
Fazer um sorteio no qual se escolhem 10 pessoas (probabilidade de 1%) que se vão transformar em bombistas suicidas.
Depois, calhando na pessoa concreta (cuja probabilidade de morte passa a ser de 100%), tem que aguentar. Notar que alguns dos escolhidos desanimam, os israelitas têm números sobre isto mas que não divulgam pois, alguns deles, passam-se para o outro lado.

Porque será que os bombistas suicidas são jovens adultos?
Esta evidência vem de Israel e do Japão (WWII). Por esta regularidade é que os terroristas capturados são libertados quando atingem os 50 anos de idade.
Pela mesma razão, nas nossas forças militares existe uma idade máxima de candidatura (por exemplo, até aos 24 anos de idade no caso de praça da Marinha) e o contrato tem a duração máxima de 6 anos. E não pensem que é por causa da capacidade física pois, se fosse assim, faziam renovações condicionadas a testes físicos de aptidão.

Tem a ver com as hormonas.
Isto acontece com todos os mamíferos.
Imaginemos que toda a humanidade ainda é formada por pequenas aldeias espalhadas pelo sul da África. A probabilidade de uma aldeia desaparecer por causa de um ataque de elefantes ou pela seca é muito elevada pelo que a sobrevivência dos seus genes obriga a haver migração de alguns elementos entre aldeias mas não é fácil porque os leões podem comer a pessoa pelo caminho e o ambiente na outra aldeia é diferente.
A evolução das espécies fez com que essa missão ficasse confiada aos humanos masculinos jovens.
Quem controla se um humano é masculino jovem é o nível de testosterona.

O povo diz que ...
"A idade acaba por trazer o carro ao caminho."
Traduz isto que aqueles jovens rebeldes,que dão cabo da cabeça aos pais, acabam por tomar juizo com o tempo (porque as hormonas descem).

Um touro capado é dócil.
Uma das formas de domesticar os animais é capar os machos. 
Também se caparem um potencial terrorista suicida, ele deixará de o ser.

Estimado Reitor!
Bem sei que, por seremos engenheiros, temos dificuldades em compreender as palavras, mas, se fizeres um esforço, como eu costumo fazer, vais compreender que eu não estou a defender que os potenciais terroristas devam ser capados.
Também nunca defendi que se deveria afundar os barcos da pretalhada ou abate-los a tiro, apenas que, em termos científicos, para acabar com os afogamentos, tanto se podem mandar os aviões da TAP como ameaçar que vamos afundar os barcos (pode reler o texto aqui, Vamos resolver o problema dos afogamentos no Mediterraneo).
Agora, também só estou a dizer que, em termos científicos, capando uma pessoa ela perde a vontade de se tornar um bombista suicida, não que eu seja a favor disso.

Por falar dos aviões da TAP.
O que tem o Rui Moreira, o esquerdista do CDS, a dizer sobre a ponte Porto-Lisboa da TAP?
Disse tanto mal e agora está calado porquê?


Um abraço ecuménico e não se esqueçam de rezar o terço antes de deitar.

Maria Clara

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O Trunp vai a caminho da vitória

O sistema eleitoral americano é diferente do nosso. 
Como já mostrei num poste em junho (rever), os 51 estados americanos elegem delegados que, por maioria, elegem o presidente. Assim, é um sistema tipo parlamentar mas em que o "parlamento" é eleito apenas para a escolha do presidente da união.
O Trump precisa de 267 delegados e, olhando para as votações do passado, tudo se vai resolver em 4 estados empatados, Florida (29 representantes), Virginia (13), Colorado (9) e Ohio (18), onde Trump precisa de vencer na Florida mais dois.
Como não existem sondagens para estes 4 estados, vou ter que me concentrar nas sondagens globais que têm evoluido a favor do Trump.

Semana         Trump / Clinton / Erro95%
03-19 julho     46,1% / 53,9% / 0,3pp
10- 26 julho    49,0% / 51,0% / 0,3pp
17- 23 julho    50,3% / 49,7% / 0,4%

O Trump ganhou 8 pp em 3 semanas
Quando o Trump anunciou que iria concorrer às primarias do Partido Republicano, parecia que as suas hipóteses eram zero. O certo é que venceu 17 governadores republicanos.
Também em princípios de junho, as sondagens indicavam que a probabilidade de ganhar à Clinton era zero mas, semana a semana está a subir e já está à frente.
Tudo indica que vai ganhar.

A Melani tem cá um par de olhos !!!

Sobre a execução orçamental.
Os números da propaganda que o geringonça manda cá para fora não têm qualquer informação.
O que eu sei é que a minha mãe está à espera faz meses do reembolso do táxi que eu pago para ela ir fazer a hemodiálise ao Hospital de Gaia.
E estes atrasos não aconteciam quando estava lá o Passos Coelho.

Insistem com o aumento nos impostos sobre os combustíveis e o tabaco.
Isso é tudo falso, esse aumento de impostos não existe, é um buraco que vai acabar por aparecer.

Mas a Geringonça o que prometeu foi crescimento económico.
Para termos défice controlado, o Passos Coelho servia muito bem, com mostras dadas.
O que a geringonça nos prometeu foi um crescimento económico muito acima do 1,5% que o Passos Coelho conseguiu em 2015, pelo menos 2,5% para 2016.
O problema é que tudo indica que não só não vai conseguir os 1,5% de 2015 como nem conseguirá os 0,9% de 2014. Talvez ainda acabe nos 0,4%/ano que foi a média que o Sócrates conseguiu nos 6 anos e 3 meses que foi primeiro ministro e com as políticas corretas (na ótica dos esquerdistas desmiolados) e um massivo endividamento público, das famílias, das empresas e externo.

Na frente do terrorismo, as coisas estão a mudar.
quando aconteceu o primeiro atentado em Paris, por franceses que viviam na Bélgica, foram logo acusadas pessoas que vivem (ou viviam pois mataram-nas juntamente com mais uns milhares em bombardeamentos aéreos de que ninguém fala) na Síria.
Agora, o discurso está a mudar, os atentados já não têm nada a ver com os Sírios mesmo que os terroristas digam que sim.

Lembram-se de alguém ter dito que no meio dos refugiados viriam terroristas?
E lembram-se de membros da geringonça e comentadores respeitáveis (de esquerda, naturalmente, porque os outros não lhes dão hipóteses de aparecer) dizerem que isso era uma estupidez do tamanho do mosteiro de Alcobaça?
Agora parece que estão caladinhos, a ver se ninguém se lembra do que disseram.

O Daesh ainda vai ser aliado dos USA.
Na Ásia, atualmente o grande aliado americano é o Vietname!
A minha sobrinha esteve lá de férias e aconselha a todas as pessoas. Um hotel ótimo para duas pessoas custa 7€/dia e uma refeição custa 1,5€. Contratar um Tuk Tuk o dia todo custa 16€.
Também disse que as mulheres bonitas são a pontapé (têm o cozinho magrinho e mamocas secas) e por tuta e meia.
 
Até estou a pensar mandar vir uma vietnamita para o meu sobrinho que, pelo andar da coisa, daqui a nada qinda vira paneleiro, o que será um enorme desprestígio para a Universidade do Porto.

É preciso rebentar com o Assad.
O Daesh é a única força no terreno capaz de dar cabo do assassino Assad que já matou 100 vezes mais pessoas que todos os terroristas juntos.
É preciso dar tempo ao tempo para que o Daesh evolua para uma geringonça, e se foram dadas dezenas de anos aos assassinos, pai e filho, Assad, e à Coreia do Norte que faz mísseis e tem o povo a morrer de fome, também se tem que dar tempo ao Daesh.
 
Eu, Maria Clara, sou morena e uso sempre roupas pretas com uma cruz branca (porque sou muito devota de Deus, Nosso Senhor, Jesus o Cristo).
 
Maria Clara 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O tempo da geringonça está a chegar ao fim

-Preciso falar com os familiares ou amigos do Sr. Geringonça.
Disse a médica na sala das visitas. 
- Mas, Sr. Dr.a, o que se passa com o nosso querido familiar?
-Preparem-se para o pior.
- Mas como é isso possível se o Geringonça não se cansava de anunciar que "estava tudo a correr como o orçamentado"?
- É que o orçamentado não passava da Crônica de uma morte anunciada (no Brasil escreve-se Crônica e eles são a maioria dos falantes de Português pelo que não sei como escrever para não dar mais um erro ortográfico).


Vejamos qual é a doença que está a matar a Geringonça.
É que na campanha eleitoral, o Costa (ver, p. 95) afirma uma política orçamental baseada em taxas de crescimento elevadas e, mesmo assim, com défices públicos elevados. 
Prevê em 2016 um crescimento real do PIB de 2,4% e, para 2017, 3,1%. Crescimento económico implica mais receita fiscal (em IVA, IRS, etc.) e menos despesa pública (em subsídio de desemprego, RSI, etc.). Com este crescimento, o défice previsto é de 3,0% para 2016 e 2,5% para 2017.
Mais ou menos, 1 ponto percentual de taxa de crescimento a mais, reduz o défice em 1100 milhões €.

Depois, veio o Orçamento de Estado de 2016.
Por causa de Bruxelas, teve que ser metido juízo na previsão de crescimento (que passou para 1,8%, p.18) e mais cortes no défice (que passou para 2,2%, p.19), ver o documento.
O crescimento reduziu em 0,6pp e o défice 0,8 pp que, somados, implicariam políticas de contenção orçamental de (0,6*60% + 0,8%)*185 = 2150 milhões €.

Bem, subiu os combustíveis e o tabaco em tuta e meia.
Mas isso, no máximo, representa 350 milhões €.
Assim, mesmo que o aumento dos salários da função pública, o corte de metade da sobretaxa de IRS e o IVA da restauração, já estava na proposta de governo do PS, a proposta de OE2016 tem um buraco de 1800 milhões €.
Acreditando em tudo que estava na proposta de governo do PS, a tal coisa feita pelos 12 macacos, o défice para 2016 iria ser 3,2% = 2,2% + 1,8G€/185G€.

Relativamente à proposta de governo do PS, há no OE2016 um buraco de 1800 milhões € e nada foi dito ou feito para tapar este buraco.
 
E o crescimento veio por ai abaixo.
O Passos Coelho conseguiu 1,5% em 2015 e o costa achou pouco, que ia duplicar este valor com as políticas de emprego e crescimento.
O problema é que em 2016, o crescimento vai ficar, na melhor das hipóteses,  e, 1%. Não que este valor seja uma surpresa pois já há muito tempo que muita gente fala deste número. Este desvio vai acrescentar 0,5pp ao desvio orçamental, (1,8%-1%)*0,6 = 0,5 % do PIB.

Por isso, o défice para 2016 já estava previsto no OE2016 de Março que seria de 3,7% do PIB.

O Costa acreditava que iriam aceitar fosse o que fosse.
Agora dizem que "Dissemos que o défice ia ser de 2,2% mas já será suficiente se acabarmos com 2,99%". De facto sempre foi esta a estratégia, empurrar com a barriga e deixar que o tempo tornasse as coisas irreversíveis, à moda do Sócrates.
E, mesmo apra os 2,99%, nunca jamais o Costa conseguiria poupar 0,7% do PIB que faltampara os 2,99% que agora Marcelo e Costa anunciam, nunca, mas "Vamos indo e vamos vendo pois o caminho faz-se caminhando e enquanto cá estamos, cá estamos". 
Mas Bruxelas não tinha dito que 2,8% nem pensar? Então como poderão aceitar 3,7% ou mesmo 2,99%)
Bruxelas já não tinha dito em finais de 2015 "Menino Costa, não vá por ai que vai levar um puxão de orelhas"? 
Então porque tanta admiração por causa das sanções?
É fazer deles parvos, ser parvo ou fazer dos portugueses parvos.

O ano aproxima-se do fim e o buraco começa-se a ver.
O OE é anual, não é por duodécimos, e, por isso, o dinheiro pode ser gasto todo logo em Janeiro. O problema é que, quando nos aproximamos de dezembro, começa-se a ver que as contas não batem certas, que não há dinheiro para os tempos que ai vêm.

Mas Costa anunciou já em Março de 2016 que não chegaria ao fim do ano.
Quando disse que, em 2016, não faria nenhum orçamento retificativo, estava a anunciar que se iria embora antes do fim do ano.

O professor Augusto Rocha e Silva suicidou-se.
Foi professor do meu sobrinho de Geologia (em 1983) e de Mineralogia e Petrologia (em 1984), era ainda assistente.
O processo dele foi parecido com o do meu sobrinho (desse tempo na Faculdade de Engenharia do Porto) que teve a sorte de ter sido despedido em 2002. Chegado a 2000, deixaram de lhe atribuir serviço letivo, estava o homem para ali encostado. Até chegaram a tirar-lhe o gabinete.
Também é idêntico ao processo do meu sobrinho na Faculdade de Economia do Porto dos últimos anos a quem também já chegaram a não atribuir serviço letivo, há uns anos, mas ele foi mais resistente que o professor pois meteu férias (cortou as silvas do meu mato) e, depois, foi dar outra coisa qualquer, agradeço ao Professor Pavel Brazdil que aceitou eu dar informática. Quando eu lhe fui falar ele disse "Se quiser dar as turmas todas, força que tenho mais coisas para fazer."
No outro dia o Rocha, decorridos 30 anos, foi-o visitar à FEP. Notou que estava afetado porque adorava dar aulas. Na página dele diz apenas "O meu maior interesse: não me aborreçam."

E o que fez o reitor da universidade do porto?
A universidade do porto tem dezenas e dezenas de casos de perseguição de que o Rocha foi apenas mais uma vítima.
E o reitor gasta o seu tempo a perseguir moinhos de vento e a fazer parte dessas perseguições (sim, ele era o diretor da FEUP durante esses anos de chumbo!).
Gente que não presta, FDP.
O que salva o meu sobrinho é ser temente a Deus Nosso Senhor e amante da verdade.

Eu gosto do Trump.
Não me perguntem o porquê, talvez por não gostar na Hillary ou por ser louco mas, como consigo ver valor ao Trump que, aparentemente, não passa de um louco, também os americanos lhe verão valor.
Gostei especialmente do discurso da mulher. Se gostaram do discurso quando a Michelle o disse, porque não gostarãod ele agora?
Adorei o sotaque!


Fazer o muro com o méxico.
As mesmas pessoas que criticam os USA não quererem receber imigrantes, assinaram um acordo com a Turquia para devolverem os imigrantes que entram na Europa, construiram uma vedação com arame farpado em Ceuta e muitas coisas piores.
A única diferença está na verdade do Trump e na hipocrisia dos outros.
Vejam como é o muro em Ceuta, a nossa praça perdida em 1640 para os espanhois:


Esquerdistas!
O vosso problema não é o que eu digo, as contas que eu apresento mas a verdade dos factos. Por isso, não basta eu me calar para que as vossas mentiras se transformem em verdades.
O dia da libertação aproxima-se e, o dia mais feliz de 2016 será nesse dia, quando a geringonça for pelo cano abaixo.

Maria Clara

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O atentado de Nice é apenas uma amostra do que está para vir

OK, em Nice morreram 84 pessoas atropelada.
Os comentadores acham que 84 mortos é muita coisa, e que para matar tantas pessoas, não poderia ser uma pessoa sem treino militar, ligado a um grupo terrorísta. Mas, por um lado, é errado pensar que 84 mortos é muito e, por outro lado, isso apenas traduz que os comentaristas nunca tiveram treino militar.
Para relativizarmos a coisa, em Julho de 1994, no Ruanda foram assassinadas 10000 pessoas por dia, um total de 20% da população desse país africano, e apenas utilizando armas brancas e gasolina.


Como facilmente poderiam ter morrido milhares de pessoas.
O terrorista comprava contentores em plástico para líquidos, daqueles que levam 1000 litros e, lentamente, comprava 10 mil litros de gasolina que carregava no camião. Ia com o seu carro a uma bomba de gasolina, metia 50 litros e, chegando a casa, tirava-a com um tubo para o contentor. Se fizesse 10 abastecimentos por dia, em menos de 30 dias, conseguia a gasolina com um custo de 13000€.

Comprava quatro moto bombas (1000€ cada, novas) que ligava aos contentores com gasolina e instalava umas agulheta para a direita e outras para a esquerda do camião. As moto bombas atirariam 1000 litros/minuto cada pelo que os 10 mil litros dariam para 3 minutos o que dava para 3 km a 60 km/h.


Já imaginaram quantos teriam morrido queimados?
Um atentado com gasolina foi usado em Bagdade há duas semanas, em 3 de Julho, tendo conseguido matar 309 pessoas numa zona altamente militarizada (ver).
Agora, imaginem numa cidade europeia, numa avenida à beira mar, cheia com milhares de pessoas. Haveria muito mais de mil mortos, muito mais, seriam milhares e milhares de mortos.
E, mais cedo do que tarde, vamos assistir a um atentado na Europa com esta magnitude.

É preciso dividir a Síria em duas áreas de influência.
Dizem que, quando uma pessoa com os pais marroquinos ou tunisinos que nasceu na França ou Bélgica e é cidadão europeu comete um atentado na Europa, o problema está na Síria, sendo necessário bombardear Alepo ou outra cidade qualquer e matar milhares de pessoas por lá.
Sim, a NATO e os USA já mataram milhares e milhares de pessoas na Síria sem terem recebido mandato de ninguém, nem da lei dos nossos países nem mandato da ONU.
A solução passa sempre pela auto-determinação dos povos e, no caso da Síria, pela divisão do território em duas zonas, uma sob influência da Rússia/Irão (com capital em Damasco) e outra sob influência da NATO/Arábia Saudita (com capital em Alepo).


Só a divisão em zonas mais homogéneas e o haver tempo para o Daesh amadurecer (como foi dado ao Vietname, Angola ou Moçambique) pode trazer a paz e o fim da destruição ao médio oriente.

Vou passar à clandestinidade porque o Erdogan afirmou que "o bloggista português é o responsável pelo golpe".
Na Turquia houve uma tentativa de golpe militar e foram presos 2800 juízes e 9000 funcionários públicos despedidos!
Penso eu que na Turquia os militar chamam-se juízes e são funcionários públicos!
Mas o mais grave é que existem erdogans um pouco por todo o mundo e um deles é o reitor da universidade do porto. Segundo este, eu sou a causa de todos os males que acontecem um pouco pelo mundo fora, atentados terroristas, sanções de bruxelas, o buraco da CGD, a falência do BES e do BANIF (ou foi a TVI?), barcos que se afundam no Mediterrâneo e por nunca a universidade do porto ter graduado um cigano.
Por causa desses erdogans, vou passar à clandestinidade.
Assim, por um lado, fico a ganhar porque não me aborreço com a PJ atrás de mim, cartas registadas de advogados e, por outro lado, fica a humanidade a ganhar porque o reitor deixa de perder o seu tempo a pedir pareceres à comissão de ética e a gastar dinheiro público em processos disciplinares contra moínhos de vento.
Faz-me lembrar a famosa frase do Cristiano Ronaldo no final do europeu de futebol, "Pá, QSFD".

Será crime ter sonhos eróticos com uma coxa de porca "pata negra"? É que se for, estou FD.

Maria Clara

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A minha mulher é uma porca

Um homem vive em união de facto com uma porca.
Acho que foi esta a notícia mais interessante num tempo em que fomos campeões europeus de futebol, a Mamona ganhou medalhas nos mundiais de atletismo, e o EconFin decidiu (por unanimidade) que nos devem ser aplicadas sanções.
Fazer o amor com uma ovelha, já todos nós ouvimos que é prática comum no Alentejo. Quem não se lembra destas graças?
  1) De onde vem a lã virgem? Das velhas que correm mais que o pastor.
  2) Se Adão fosse alentejano, sabendo que a ovelha já tinha sido criada, nunca teria pedido a Eva.
  3) A mulher disse para o marido "As ovelhas disseram-me que andas a fornicar com elas" a que o pastor respondeu "Não acredites que elas são muito mentirosas."



Também tive um vizinho que, um dia, disse que "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata." 
Mas de uma porca, já o tinha sonhado, mas nunca o tinha visto dado às noticias (ver).

"Nós amamo-nos e até já falamos em casar e ter filhos", disse o homem.
Isto das aldeias, cada vez mais é uma imagem muito distante e minoritária pois já quase todos somos urbanos.
Mas, quando eu era pequenino, vivia numa aldeia atrasadas (chamada pelos parolos de "Sã Mecente") e os meus pais tinham, com licença, porcos e porcas.
Sim, o parolo nunca dizia porca, vaca, sangue ou qualquer outra coisa destas sem antes dizer "com licença". 
E, realmente, as bichinhas, talvez por usarem pouca roupa, quando se viravam de costas (melhor dizendo, com os presuntos para trás, eram muito sexys, davam uns passos curtos com o rabiosque e as naturezas a abanar para um lado e para o outro, mesmo a desafiar os seres humanos. Parecia mesmo que estava cheias de malícia, tomadas pelo Belzebu, mandatadas para puxar as almas das crianças inocentes para serem bifanas no infernal churrasco eterno.

É que as, com licença, porcas são quase humanas.
No fundo, uma porca é o mais próximo de uma mulher que uma criança da aldeia pode ver ao vivo. Também havia as cadelas, as gatas e as coelhas mas era tudo mais pequenino. Quando, por exemplo, era preciso separar as gatinhas dos gatinhos (para dar os gatinhos e enterrar as gatinhas) ou as coelhas dos coelhos (para meter em casotas diferentes), era uma dificuldade para ver as naturezas de tão pequenininhas. Tinha que se retirar o pelo com os dedos previamente molhados em saliva para ver a pequena diferença entre um coelhinho (ou um gatinho) e uma coelhinha (ou gatinha).
O porco é o animal geneticamente mais próximo do homem que existe (depois dos macacos e dos lémures que são tipo macacos de Madagáscar), muito mais do que o cão.
Além disso, o porco é muito inteligente, reconhecendo as pessoas não só pelo cheiro como tamném pela voz e pelo nome. Um porco consegue mesmo compreender frases inteiras como aquela que o companheiro lhe mandava:
"Minha Bébé, se encostares aqui as naturezas, vou à loja comprar-te um quilinho de farinha de milho."

Mas não é sobre isso que quero falar, é sobre a questão física.
Na aldeia as pessoas gostam de porcas grandes, sempre acima de 10 arrobas que são 150kg. Ora, além do peso, uma porca é muito mais musculosa que um ser humano, tendo umas pernas fortes que são só febra (quem quiser confirmar, basta ir ver um presunto ao talho).
Quando o bicho enterra os cascos no chão e avança de cabeça, é capaz de rebentar com uma parede e esmagar um humano. Finalmente, quando está zangada, a bichinha ferra de forma desalmada a ponto de ter que ser contada às crianças a história de que "uma porca comeu uma criança nas bandas de além, nem os sapatos ficaram" e berra com tal intensidade que se ouve a centenas de metros.
Juntando tudo com o facto de a bichina ter um corpo roliço sem sítio ou saliência para agarrar, o sexo só pode ter sido consentido.

Outra história que se contava.
Que, há uns 30 anos, nasceram 14 mulatos de porco (meio humanos, meio porcos) ao Sr. Sharabaneco da Silva (que era um desgraçado, cego, que tinha um filho-neto na filha mais nova que também era cega). O Sr. Padre Augusto batizou as criancinhas e, depois, uma senhora caridosa, teve-os em sua casa fechados até que morrerem, com uns 15 anos, gordos, com mais de 200 quilo cada.
Dizia-se ainda que "quem quiser confirmar esta história, os nomes constam no livro de batismos, um era o José Reco da Silva,  outro o António Reco da Silva, tinha ainda a Rosa Reco da Silva e mais 11 de que já não me lembro do nome."


Até havia fotografias dos mulatos de porco, este era o António, o mais parecidinho com o pai.

Mas, afinal, qual é o crime?
Meter-se uma faca no pescoço da porca, corta-la aos bocadinho e fazer dela chouriços, não é crime nenhum. Mas, prometer-lhe 1 kg de farinha em troco de favores sexuais já é um crime contra a dignidade da espécie Sus domesticus.
Mas afinal o crime foi outro, a bichinha era menor de idade. Diziam os denunciadores que "o homem pratica sexo com a Bébé que só tem 12 meses de idade e já faz isso desde que a criatura de Deus tinha 9 meses de vida".

Sim, para piorar a coisa, o nome da porca é Bébé.
Então, a coisa foi adulterada e no auto da notícia, em vez de "com a Bébé" escreveram "com uma bébé":
"Aldeão atrasado mental praticou sexo com uma bébé com apenas 12 meses de idade."

Uma porca com 12 meses na vida já atingiu a maioridade.
Nós, criados na aldeia, sabemos que cada duas semanas de vida de um porco correspondem a um ano humano. Assim, a Bébé já tem 26 anos e, com 9 meses, já teria atingido os 18 anos da maior-idade.
O problema dos intelectuais da cidade, é que não conhecem a Teoria da Relatividade da Vida dos animais onde 12 meses são 26 anos. 

Estamos a regredir a olhos vistos.
As forças mais retrógradas da nossa sociedade elegeram sempre a sexualidade como algo do Demónio. Mas se o Demónio não existe (nem Deus), porque nos arrastam estes novos esquerdistas bacocos (de que o Partido dos Animais e da Natureza é o exemplo acabado) para esta caça às bruxas?
Deixem lá os campónios fornicar com as porcas, ovelhas, galinhas ou patas porque diz a Constituição da República que todos temos direito a constituir família e a ter filhos. Se não arranjam uma mulher para os desgraçados, que tentem fazer filhos nem que seja numa porca.

Já imaginaram um filho feito numa vaca? 
Daria um jogador de basquete ou lutador de sumo.
Já agora, mais tarde atingi o significado de o meu vizinho dizer "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata" quando ele comentou a história dos 14 mulatos porcos, "é mais seguro ir-me à pata porque dali não tenho descendência pois, assim que sai um ovo, estrelo-o logo".

Como éramos inocentes.
Nesse tempo, até acreditávamos que o défice de 2016 ia ser de 2,2% do PIB e que o crescimento ia ficar bem acima dos anémicos 1,5% do tempo de 2015, tempo do Passos Coelho.
Se eu soubesse que era mentira a história dos mulatos porcos, talvez tivesse sido mais feliz! 

Olhava para a miss Piggy e lembrava-me das minhas porquinhas, todas nuas.

Já agora.
Se o matarroano passou horas a ver o sapo Cocas apaixonado pela porca Peggy, porque não aceitamos que o humano matarruano possa estar apaixonado pela porca Bébé?
É que genéticamente, o sapo é muito, muito mais distante da porca que o humano.

Maria Clara

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sanções, défice, Brexit e transportes

OK, Portugal está em défice excessivo há muitos e muitos anos.
Mas porque será que só agora os bruxelenses se preocuparam com isso, agora que estamos quase nos 3%?
Parece que o problema está mo tratado orçamental que foi assinado em finais de 2011 pelo Estado Português e pelo PS e que só tomou efeito em 2012 já nós sob resgate.

O que diz o Tratado Orçamental.
Obriga a que (Art. 3.º) os países da Zona Euro:
A) Deve haver equilíbrio orçamental (e já não défice de 3% do PIB).
B) O défice estrutural não pode ser superior a 0,5% do PIB.

Diz ainda que haverá mecanismos para obrigar os inconseguimentos:
E) Se for constatado um desvio significativo do objetivo de médio prazo ou da respetiva trajetória de ajustamento, é automaticamente acionado um mecanismo de correção. Esse mecanismo compreende a obrigação de a Parte Contratante em causa aplicar medidas para corrigir o desvio dentro de um determinado prazo.

O problema está quando o António Costa afirma "não vamos fazer mais nada" quando está obrigado a "aplicar medidas para corrigir o desvio."

 Lembram-se das palavras do Gasparzinho "será feito o que for preciso fazer"?
Se estivesse lá a Maria Luís, talvez dizendo vamos fazer todos os possíveis", a coisa parasse.
É esta frase que falta ao António Costa. Até, no final, podia a coisa resvalar, mas era preciso pelo menos vontade falsa de fazer alguma coisa, coisa que não existe vontade.

Será que em 2015 inconseguimos apenas 0,2 pp?
Para isso tenho que calcular o défice estrutural e compara-lo com os 0,5% do tratado orçamental que veio substituir a os 3,0% do Tratado de Maastricht.


Quanto terá sido o défice estrutural de 2015?
O défice estrutural é o défice médio ao longo do ciclo económico. Assim, como nos períodos de crise a receita fiscal é menor e a despesa pública maior, quando o PIB contrai, o défice nominal pode ser maior que 0,5%, passando-se o contrário nos períodos de crescimento económico.

Primeiro.
Para calcularmos o défice estrutural começamos por calcular o défice nominal do ano para efeitos do tratado, défice nominal que se obtém retirando do défice nominal em euros as medidas extraordinárias negativas como o BANIF e somando as positivas como privatizações, a dividir pelo PIB. 
Atualmente, existem 3 números encima da mesa para o défice nominal, 2,8%, 3,03% e 3,2%. Vou dar de barato que o valor certo é a média = 3,01% do PIB.

Segundo.
Depois, temos que calcular onde estamos no ciclo económico que passa por calcularmos qual é a taxa de crescimento económico média e o cálculo da diferença para essa média.
Pegando em dados do Banco Mundial, vejo que a taxa de crescimento média (o famoso crescimento estrutural) está em ZERO.
Dito assim, ninguém acredita: a nossa taxa de crescimento económico é zero. O Costa bem pode dizer que os 1,5% de 2015 foram um crescimento débil e que vai conseguir 1,8% em 2016 mas, se conseguir os 0,8% do primeiro trimestre, já se pode dar por contente pois a média está em
ZERO VÍRGULA ZERO POR CENTO POR ANO.
 
 Fig. 1 - Evolução da taxa de crescimento do PIB, 1961-2015, Portugal (dados: Banco Mundial) indica que o futuro é sombrio.

Terceiro.

Agora, obtêm-se o défice estrutural somando ao défice nominal uma percentagem da diferença entre a taxa de crescimento do PIB do ano em estudo e a taxa média de crescimento do PIB.

Vamos então ao cálculo.
Vou considerar como percentagem 60% e usar como crescimento potencial a taxa média nos anos 2000-2015 = 0,42%/ano. Como em 2015 tivemos um crescimento de 1,5%, o défice estrutural de 2015 foi de

Défice Estrutural 2015 = 3,01% + (1,5%-0,42%)*60% =  3,66% do PIB

Tivemos 3,66% e estávamos obrigados a ter um máximo de 0,5%!
Olhando assim, o inconseguimento não foi de 0,2 décimas mas de 31,6 décimas!


Felizmente, ainda estamos sob resgate.
Se não estivéssemos sob resgate, mesmo com um crescimento ténue de 0,8% para 2016, o défice deste ano teria que ser de 0,3% do PIB e não 2,2%(como escreveu o Costa no OE) ou 2,3% (como está a pedir Bruxelas).
         Défice de 2016 = 0,5% - (0,8%-0,42%)*60% =  +0,3%
Permitirem que tenhamos 2,3% do PIB porque tem implícita uma consolidação de 1,3 p.p. entre 2015 e 2016, o que já traduz que estamos a caminho dos 0,5%.

Seria 1,3 pp muito?
Se o défice em 2010 foi de 9,4% (sem BPN) e em 2015 foi de 3,0% (sem BANIF), houve uma melhoria anual de 1,2 pp.
Por isso, passar para 2,3% em 2016 obrigaria a um esforço orçamental semelhante ao que vivemos no período 2011-2015 e não temos vista nada parecido com isso.
Se não temos visto nada parecido com isso, o défice de 2016 não vai ser nada parecido com 2,3% do PIB.

Vou agora falar um bocadinho do Reino Unido.
Todos nos querem fazer crer que o RU vai entrar num período de grande turbulência que vai levar a perdas económicas. Mas eu tenho o mau gosto de ir ver os dados e, o que melhor reflete o que as pessoas informadas pensam sobre o futuro de uma economia é a evolução da taxa de juro das obrigações do tesouro de longo prazo.

Peguei nas obrigações britânicas a 30 anos.
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 30 anos estava em 2,5%/ano e hoje, depois da "turbulência da vitória do Brexit", está em 1,6%/ano.
Uma obrigação a 30 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 130 libras!

Se 30 anos é pouco tempo, peguei nas a 50 anos!
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 50 anos estava em 2,4%/ano e hoje, depois do referendo, está nos 1,4%/ano. 
Uma obrigação a 50 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 160 libras!

Afinal ...
as pessoas que têm 1,6 milhões de milhões de libras, 1,9 milhões de milhões de euros, 1900 mil milhoes €, 1900000000000€, emprestados ao RU, têm hoje mais confiança que o RU vá pagar a sua dívida pública daqui a 30 ou 50 anos do que tinham antes do referendo ter sido pela saída.
Se calhar, isso de o RU estar muito arrependido e a caminho da desgraça é um exagero do tipo "come a sopa senão vem ai o lobo mau."

Mas, afinal, há problemas para a UE pela saída do RU.
O Rating do RU diminuiu um nível mas o da UE também!
E o maior problema é que o RU gasta anualmente 56 mil milhões USD com a NATO para a defesa da Europa continental (já que o RU não tem fronteira com a Rússia!).
Em oposição, a Alemanha gasta anualmente 38 mil milhões USD, bastante menos quando está lá encostadinha!

Se o RU decidir cortar a sua participação na NATO, os países da Europa Continental vão ter que entrar com essa massa.
Se somarmos a isso que, se o Trump ganhar, os europeus vão ter que contribuir muito mais para a NATO, estou a ver um grave problema para os do continente.


Finalmente, um bocadinho de transportes.
Em termos económicos, os transportes têm um peso muito grande no PIB, superior ao peso da agricultura.
Em Portugal, os transportes são responsáveis por 4,8% do PIB e a crescer 0,07pp/ano e a agricultura 2,35% e a descer 0,07pp/ano.
O contributo para o PIB português dos transportes é de 7500 milhões € por ano, muita massa.
Mas o problema é endereçamento, termos milhões de pessoas que querem receber encomendas de milhões de pessoas e ser preciso uma forma tecnológica de realizar esses milhões de endereçamentos.
Isso é tão importante que a Amazon está a investir dezenas de milhões de euros em desenvolvimento de  veículos e equipamentos que façam esse endereçamento de forma económica e quem está lá a trabalhar é o meu colega ZFG.

Vamos ao problema do endereçamento.
As redes de telemóveis recebem som de milhões de telemóveis (em pequenos pacotes) que endereçam para outros milhões de telemóveis. isso é conseguido pegando no nosso som, dividindo-o em pequenos pacotes com um endereço e o encaminhamento por uma rede de meios desde a nossa máquina até à máquina do destinatário e volta.

1 - Falo para o microfone que transforma o som numa corrente elétrica
2 - A corrente elétrica é digitalizada ficando uma sequência de 0s e 1s
010010101010101010101010101010101010101
3 - O código digitalizado é cortado em pacotes
010010101010    101010101010    101010101010  etc.

4 - É acrescentado o número de destino à frente
01001010101091123456    10101010101091123456    10101010101091123456  etc.
(o número de destino é condensado para ocupar menos espaço).

5 - O nosso telemóvel emite 100 pacotes por segundo que chegam à antena que tem capacidade para receber 1000 telemóveis em simultâneo (100000 pacotes/segundo).
Chegando um pacote, o torre envia-o por cabo para uma central de endereçamento, que o passa a outra central, etc. etc. até chegar à torre que vai emitir o pacote para o telemóvel de destino.

Fig. 2 - Os pacotes em que uma chamada telefónica é dividada, são reencaminhados muitas vezes entre a origem e o destino

6 - Em cada ponto de reencaminhamento chegam em simultâneo milhões de pacotes (que contêm um bocadinho de uma conversa) que são endereçados para outros pontos de reencaminhamento até que chegam ao telemóvel de destino.

7 - Finalmente, os pacotes chegam ao telemóvel de destino que lhe retira o número do endereço, recompõe a mensagem digital que, no auscultador, transforma em som.
Quando um pacote é perdido, "ouvimos" um corte no som.

Um pacote é equivalente a uma palete (ou um contentor num navio) e um cabo (onde cabem milhar de conversações em simultâneo) é equivalente a um camião (ou um navio no transporte marítimo).

A Internet funciona exactamente da mesma forma e foi a tecnologia da Internet (os pacotes com endereço e as centrais de endereçamento) que permitiram o aparecimento dos telemóveis e mesmo da TV cabo digital.

Mas vamos aos transportes de mercadorias.
Viajam milhares e milhares de camiões que têm cargas misturadas que precisam de ser reencaminhadas.
Imaginemos uma central de reencaminhamento algures no centro da Europa onde chegam 1000 camiões carregados com paletes, 33 mil paletes por hora, que precisam ser descarregadas, armazenadas algum tempo, e metidas noutra camião.
Imaginemos um armazém com um milhão de paletes num armazém com um milhão de m2, com 4 mil monta cargas as trabalhar continuamente a carregar e a descarregar camiões que chegam da auto-estrada e volta, passado uma hora para lá já com a carga recombinada. Para minimizar o tempo de paragens dos camiões, teremos um espaço congestionado em que a distância entre dois monta cargas será menor que 15 metros, haverá um camião a chegar e outro a partir a cada 3,6 segundos, dia e noite, todos os dias do ano.
Mas isto apenas será possível com camiões sem condutores e monta cargas que não passam de robots controlados por um supercomputador que otimiza todas as milhares de movimentações que acontecem ao mesmo tempo, de forma semelhante ao que acontece com os pacotes do telemóvel mas, em vez de serem metidos num cabo de fibra ótica, são metidos num camião. 
Estou a ter uma visão apocalítica de um espaço onde nenhum humano pode entrar sob risco de ser atropelado pelos robots, quase sem luz porque os monta cargas usam localização por GPS.
Estou a imaginar o Exterminador Implacável em que os monstros serão monta cargas e camiões que, de repente, ganham inteligência e começam a dominar o mundo.

Fig. 3 - As máquina vão dominar o mundo e a humanidade será escravizada sendo obrigada a enviar cada vez mais encomendas! Nesse tempo até haverá água enchida em França que vai ser bebida no Japão (vai-se chamar Perrier e terá uma garrafa verde)
 
Fig. 4 - Os robots assassinos não passarão de monta cargas sem cabine


Fig. 5 - Será uma mulher a trabalhar ou um robot? 
O importante é que faça o serviço!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Grexit, livre comércio, camiões e racismo

OK, vou tentar ligar estas coisas todas! 
No rescaldo da votação do povo britanico para sair da UE, têm surgido nos comentários questões sobre eu conseguir (ou não) dar racionalidade à decisão de sair. Como as minhas respostas foram num comentário, não ficou claro aquilo que a Ciência Económica e a evidência empírica mostram.

A) A movimentação de bens, serviços, capitais e trabalhadores é um factor chave no desenvolvimento dos povos.
Sobre esta questão não pode ficar a mais pequena das dúvidas.
E este ganho de bem estar vem de vários caminhos.

Os escoceses são tão diferentes dos ingleses que o Mel Colm-Cille Gerard Gibson fez de escocês e é de origem galesa, Colm, holandês, Cille, inglês, Gibson e nasceu em NY.
O Mel Gibson está para os escoceses como os brancos com a cara pintada de preto para os africanos.

Primeiro, as descobertas de novos produtos como, por exemplo, medicamentos, software ou processadores, têm um custo fixo de I&D muito elevado e um posterior custo de produção muito mais baixo. Assim, quanto maior for o mercado, mais os custos de I&D vão ser diluidos o que leva a preços mais baixos e a lucro mais elevados para quem faz I&D o que leva ao seu aumento.
Vamos supor que uma farmacêutica precisa investir 1000 milhões € na descoberta de um novo antibiótico cuja produção custa 1€ por caixa. Vamos ainda supor que a farmacêutica precisa de um lucro de 50% para fazer face ao risco e que a patente se mantém por 20 anos.
Num mercado em que se vendam 1 milhão de caixas por ano, o preço de venda ficará em 76,5€ por embalagem, =(1000E6/(1E6*20)+1)*1,5 e o lucro da farmacêutica será de 510M€.
Num mercado global onde se vendam 100 milhões de caixas por ano, o preço médio de venda ficará reduzido a 2,25€/embalagem, =1000E6/(100E6*20)+1, e o lucro da farmacêitica aumentado para 1050M€.

Segundo, as economias de escala permitem produzir a um custo mais baixo.
Uma fábrica de automóveis, um estaleiro de contrução naval, uma siderurgia, conseguem custos de produção mais baixos se produzirem volumes maiores. Então, havendo mercados maiores, é possível conseguir preços mais baixos para os consumidores, lucros maiores para os produtores e mais diversidade para os consumidores.

Terceiro, as regiões podem-se especializar nas actividades em que têm vantagens competitivas.
Por exemplo, Portugal tem um clima agradável durante a maior parte do ano enquanto que o RU tem frio, chuva e vento. Então, será de nos especializarmos na produção de turismo e o RU na produção de outra coisa qualquer para pagar as estadias dos turistas britâncos aqui.

Falei apenas de bens mas podemos aplicar os mesmos princípios ás pessoas. Por exemplo, uma equipa de cirurgiões que se especializou depois de milhares de horas de investigação e estudo no tratamento das roturas do tendão cruzado do joelho, porque se trata de uma lesão bastante rara, obriga a ter acesso a um "mercado" muito grande para poder ser rentabilizada.

B) Existe racionalidade na saída do RU da UE.
Vamos imaginar que, separados, o PIB do RU era 800€ e o da UE 9000€ e que, unidos, o PIB do RU passa a ser 1000€ e o da UE é 10000€.
Olhando para esta situação, não há qualquer dúvida que o RU deve fica na UE mas também que a UE deve ficar com o RU. 
O problema é a guerra pela divisão do ganho do comérico (um total de 1200€). É que o RU acha que o justo é receber 500€, metade do ganho da UE, e a UE acha que o justo é o RU ainda lhe pagar 100€.
Como nas guerras nunca há cavalheiros, esta negociação tem que passar pelo esticar da corda que, agora, partiu do lado do RU.

Será que a separação vai durar para todo o sempre?
Depois de a Alemanha ter bombardeado Londres dia e noite durante 5 anos e de Dresden ter sido reduzida a um monte de escombros, seria de prever que a separação seria para sempre e não foi.
Agora, o RU apenas tem que mostrar que a UE vai perder muito e ele pouco e a UE mostrar o inverso.
O RU vai avançar com negociações com países terceiros e retaliar com tarifas onde a opinião pública seja mais sensível como, por exemplo, nos vinhos e queijos franceses e a UE vai atacar noutro sítio qualquer.
Mas estas coisas todas não passam de fases do processo negocial da divisão dos ganhos do comércio.



Porque não permitimos a entrada de trabalhadores sazonais?
Em Marrocos, a jorna agrícola de 8 horas anda na casa dos 5€, cerca de 0,60€/hora. No Bangladesh é na casa de 1€ por dia.
Incluindo salário, viagem e alojamento, conseguem-se trabalhadores a um custo de 2,50€/h para trabalhar na agricultura, sem limite de número, 100 milhões se forem precisos.
Se a nossa nossa agricultura tivesse trabalhadores a 2,50€/hora, poderíamos produzir e exportar muitos mais produtos, frutas e hortícolas, para o Norte da Europa.
Num ano, um agricultor marroquino trabalha 2400 para ganhar 1500/ano.
Como um visto de 3 meses / 936h (12h/dia, 6 dias por semana), esse trabalhador conseguiria, a 2€/h líquidos, levar para casa 1872€, mais 20% que o seu salário anual trabalhando menos de metade das horas.
Nós ficaríamos melhor, os marroquinos ficariam melhor e os países do norte da Europa também pois teriam acesso a produtos hortículas e frutas melhores e mais baratos.
Não faltam pessoas válidas desde vietnamitas até nigerianos passando por bangladeshianos e moçambicanos que estão a passar necessidade grave e que nos poderiam ajudar.

Tudo isto seriam liberalizações que promoveriam o aumento do nosso PIB.
Porque não existe liberdade para que os sazonais possam vir trabalhar para Portugal ao salário que for?
Porque não acabamos com a regulação do mercado de trabalho?
Porque não acabamos com os alvarás dos transportes públicos?
Porque não pode a UBER operar livremente?
Porque não acabamos com o Salário Mínimo?
Porque não privatizamos os portos e acabamos com a chupeta dos estivadores?
Porque não privatizamos o subsídio de desemprego?
Porque não acabamos com as empresas públicas que são ineficientes?
Porque não paga o Estado aos seus funcionários o salário de mercado?(ups, enganei-me pois esta ia doer forte no meu bolso).

Imagine razões várias e serão essas mesmas razões as que levaram os britâncios a votar pela saida da UE.
Até chegará a pensar que "é proibido essas pessoas virem para cá para o bem delas" e que "o melhor era mesmo acabarmos de vez com o seu sofrimento."

C) Para haver livre comércio, o custo de movimentar mercadorias é importantíssimo.
Se eu quiser mandar um camião TIR carregado de Guimarães para Frankfurt (2130km), consigo um preço próximo dos 2200€ que dá cerca de 0,10€/kg. Se pensarmos que uma carga leva 33 europaletes, teremos 67€/palete com um peso na ordem dos 750kg.
Haver um preço baixo para as mercadorias permite que as empresas possam vender no mercado global e, assim, aproveitarem vantagens comparativas locais.
Mas o problema não está nas grandes cargas mas nas pequenas encomendas, um fabriqueta qualquer de sapatos que tem a possibildaide de enviar uma palete com 200 pares de sapatos de Guimarães para uma loja em Frankfurt, outra palete para Milão e ainda outra apra outro sítio qualquer. Sendo que os CTT levam 25,30€ mais 3,20€/kg (ver, CTT), para 300kg, estamos a falar de um valor próximo de 1000€ ( semelhante ao preço da DHL ver, DHL), 5 € por par de sapatos, o que é um entrave a que as chafaricas possam exportar.

Mas a Mercedes já tem um camião que anda sem condutor!
A evidência dos últimos 50 anos mostra que para haver uma redução significativa do preço de um bem ou serviço é preciso robotizar o processo produtivo.
No caso dos transportes, é preciso robotizar os camiões, o processo de bundling / debundling - empacotamento / desempacotamento e de endereçamento e encaminhamento.
A questão é que a Mercedes já tem no mercado um camião sem condutor, o Freightliner Inspiration Truck, que até já tem licença para operar nas auto-estradas do Estado do Nevada / USA (ver) mas, estranhamente, não tem licença na UE que, alegadamente, existe para promover a liberdade de movimentação de bens e pessoas.  Mais estranho ainda quando a Mercedes é europeia.
Na minha previsão, a robotização de que o camião robotizado é um elo importante, vai permitir que o custo de transportar uma  palete individual desça dos actuais 1000€ para qualquer coisa próxima dos 50€.

Vejamos como vai funcionar a tecnologia dos transportes.
Haverá terminais de paletes nas autoestradas que será um grande armazém coberto onde as pessoas vão  levar e buscar carga. 
Eu já pedi repetidamente que se construam terminais de passageiros nas autoestradas mas as entidades não querem porque isso iria permitir liberalizar os transportes colectivos de passageiros (chamam eles, desregulamentar o sector)! 

Primeiro passo, o leilão.
Ainda na chafarica e talvez uma ou duas semanas antes da partida, o empresário introduz no sistema as características da carga, imaginemos que tem 4 paletes com 300kg cada em que uma vai para Frankfurt, outra para París, outra para Milão e a quarta para Barcelona.
Uma vez no sistema, os diversos transportadores vão propôr o preço, local de carga e de descarga e horário para o transporte de cada palete numa espécie de leilão.
Uma viagem pode ser dividida por diversos transportadores, por exemplo, um desde Guimarães até à Guarda, outro da Guarda até Madrid, um terceiro de Madrid até Paris e o final desde París até Frankfurt. Este tipo de fatiação da viagem já é normal nas viagens aéreas com ligações.
Os transportadores terão programas informáticos que vão propôr preços e desenhar trajectos e o site vai reunindo propostas para que o cliente possa escolher o que achar mais conveninente.

Segundo passo, a carga.
No dia em que vai levar as paletes, o empresário imprime uma folha com um código de barras que cola na parte lateral de cada palete.

Mete as 4 paletes na forgoneta e dirige-se ao terminal de cargas seleccionado.
Chegando lá, encosta a forgoneta e vem um monta-cargas robotizado que descarrega as palettes que armazena à espera de ordens do transportador.

Terceiro passo, o transporte + bundling/debundling + endereçamento.
O transportador chega ao terminal de carga, deixa algumas paletes que vão ser carregadas por outros transportadores (cada terminal de carga é também um ponto ligação) ou por clientes finais e vai meter paletes para transportar até outra zona de carga. Toda a movimentação das cargas será feita pelos monta-cargas robotizados.
Em todo o espaço europeu haverá milhares de terminais de carga / pontos de ligação por onde as paletes viajarão passando de uns camiões para outros camiões, operações empre realizadas por monta-cargas robotizados.

Quarto passo, a descarga.
Chegado ao ponto de destino, a palete é descarregada à espera que vá lá o cliente buscás-la com uma carrinha.

Porque os custos serão significativamente reduzidos.
Primeiro, porque 1/3 do custo do transporte é devido ao motorista que se evitará.
Segundo, porque o camião vai poder viajar dia e noite o que aumenta o aproveitamento do equipamento e permite poupar combustível reduzindo a velocidade.
Terceiro, porque, se for conveniente, o camião pode ficar parado à espera de cargas pois não há o custo da espera do motorista.
Quarto, porque a distância entre dois camiões normais é de 50 metros e entre dois camiões robotizados é de apenas 7,5m o que i) reduz os custos em combustível e ii) ocupa metade do espaço de auto-estrada o que levará à diminuição das portagens.


Os custos vão ficar reduzidos mas não estou a ver a UE a permitir a circulação de camiões robotizados nas nossas auto-estradas. Vão levantar mil e um problemas para evitar ao máximo que leite da Polónia seja vendido em Portugal ou carne de porco português seja vendido na França.

D) O racismo.
Vou aqui chamar racismo quando os cidadãos de um país não querem lá pessoas de outros países a trabalhar e a viver. Neste sentido, não querermos aqui os marroquinos a trabalhar a 2,5€/h é racismo.
Vou então mostrar porque as pessoas são racistas.
Imaginemos que o nosso país tem um recurso natural, seja gás natural, petróleo ou apenas sol, praias e bom tempo.
Imaginemos que a produção, o PIB, é dependente desse recurso natural, de trabalho e de capital segundo uma função produção igual nos dois países (a mesma tecnologia):
      Y = RN^0.1 * N^0.6 * K^0.3.
 
Imaginemos ainda que o país A tem 1000 unidades de RN, 1000 trabalhadores e 1000 unidades de capital e que o país B tem apenas 100 de RN, também 1000 trabalhadores e, porque há liberdade de movimentação de capitais, 720 unidades de capital (de forma a que a rentabilidade do capital seja igual nos 2 países).
Imaginemos que as pessoas do país A são exactamente iguais às pessoas do país B, só diferentes porque nasceram uns em A e outros em B.
Nestas circunstâncias, o PIB per capita no país A é 100% e no país B é de 72%. Na média dos 2 países, o PIB per capita é de 86%.

E se as fronteiras se abrirem?
Neste modelo não haverá comércio porque existe apenas um bem mas as pessoas do país B vão migrar para o país A porque o PIB per capita é superior (porque há mais RN).
No equilíbrio, o país A vai ficar com 1818 pessoas e o país B com apenas 182 pessoas, grande parte do capital vai migrar do país B para o país A e o PIB per capita vai ficar igual nos 2 países. 
A abertura vai fazer com que a economia do país A se desenvolvesse muito e a do país B entre em grave crise. Globalmente, a abertura é boa porque o nível de vida sobe de 86% para 92%.
O problema é que os "nativos" do país A ficam com um nível de vida reduzido de 100% para 92% e o país B fica quase sem população.

A movimentação das pessoas é, globalmente, é positivo.
O problema é que desenvolve o país A mas a população "nativa" fica mais pobre e enriquece as pessoas do país B mas causa desertificação e desinvestimento.
É a diminuição do nível de vida dos nativos de A que leva a que não queiram lá estrangeiros e a desertificação do país mais pobre que faz o António Costa criticar quem emigra.

Vejamos os escoceses.
São brancos, falam inglês e são protestantes como os ingleses mas acham-se diferentes porque têm gás natural e petróleo (no Mar do Norte).
E, por isso, querem-se independentes do RU, dizendo que querem continuar na UE como argumento.
Mas, quando tiverem que pagar as cotas que agora são pagas pelo RU sem receberem nada em troca (porque têm um PIBper capita muito elevado) e tiverem que receber os estrangeiros que o RU vai deixar de receber, rapidamente, vão ver que é má ideia.
Lembram-se de Cabinda que queria a descolonização para, logo depois, gritar que queria pertencer a Portugal?

Veja se consegue separar as escocesas das inglesas (digo apenas que as mais morenas são inglesas).
A Escócia tem 4% de minorias (ver) enquanto que Londres tem 40%.



Maria Clara (Sr. Reitor, é este o nome que agora a minha mãe me chama.Se lhe quiser meter um processo disciplinar ou uma queixa qualquer, aviso que a senhora morreu em 2004)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O BREXIT ganhou e depois?

Mas, o mais certo, é nada acontecer.
Isto já aconteceu há um ano quando a Grécia votou um referendo contra a Austeridade (ver) e já antes, em 2005, quando a França e os países baixos recusaram o tratado orçamental.
Nessa altura, o Tony Blair (e não um populista de direita) anunciou que o tratado orçamental seria referendado.

A causa da saída é a extrema-esquerda e a esquerda demagógica.
A UE iniciou-se em 1952, chamando-se então CECA, na procura de resolver os desacordos históricos entre a Alemanha e a França e que já tinham levado a variadas guerras de que as de 1914-1918 e 1939-1945 foram as mais terríveis. Mas também serviu para  amarrar a Itália que estava sob ameaça do avanço soviético (em 1953, o PCI foi o segundo partido mais votado com 22,6% dos votos). Assim, foi formada pelos noivos (Alemanha e França), o padrinho (a Itália) e as damas de honor (Bélgica, Luxemburgo e Holanda). 
Nessa altura altura, a França era o país mais rico e a Alemanha estava nos 80% e a Itália nos 65% do PIB per capita francês.
Depois, em 1958, veio a CEE (Tratado de Roma) e, em 2007, a UE (Tratado de Lisboa).

Esquerda ou direita, radicais e demagógicas, são duas faces da mesma moeda


A CECA servia para liberalizar o comércio e acabar com os subsídios do Estado.
O comércio entre os países é muito importante para o crescimento económico mas, pensando cada país que as exportações eram fundamentais para o desenvolvimento das suas economias, em particular, da indústria do carvão e do aço, começou-se a instalar uma guerra de subsídios e de barreiras às importações que fez surgir novamente as tensões entre estes tradicionais inimigos. Com o importante é o comércio e não apenas as exportações, a UE surgiu para diminuir as barreiras às importações e os subsídios às exportações. 

A Holanda, Bélgica e o Luxemburgo serviam para diminuir tensões.
Inicialmente, as decisões eram tomadas por unanimidade, servindo os países do Benelux como mediadores dos conflitos. Imaginando que havia apenas a França, a Alemanha (Ocidental) e a Itália, o processo de decisão quase certamente ficaria bloqueado pelos interesses individuais.


Nos primeiros 30 anos, a CEE cresceu pouco.
Com a entrada em 1973 do Reino Unido, da Dinamarca, da Irlanda aconteceu um aumento de 20% na população. Com o alargamento de 1981, da Grécia e 1986, da Espanha e Portugal, houve um novo aumento de novos 20% da população. 
Quando caiu o Muro de Berlim, o CEE tinha 12 países e 330 milhões de habitantes, sendo que 2/3 residiam nos 6 países originais. 
As 12 estrelas na bandeira azul são colocadas então para assinalar os 12 países.

Mas, um dia, o Muro de Berlim caiu ...
A União Europeia aumentou de 12 países para 28 países e foi-se aprofundando, tendo cada vez mais poderes.
Gerir os interesses de 28 países não é a mesma coisa de gerir os interesses dos 6 países originais ou dos 12 pré queda do Muro.

Não se prevendo o fim da influência soviética na Europa de Leste, em 1986 imaginava-se a CEE eternamente com 12 países.

Vamos aos populistas.
A comunicação social tem grande asco aos partidos de direita, apelidando-os de radicais de direita, extrema direita e populistas de direita. Mas, quem alimenta esses extremos e populismo de direita são os extremos e populismo da esquerda que fazem crer aos eleitores dos seus países que vão bater o pé à Alemanha e a Bruxelas. Esses esquerdistas do Sul da Europa usam o chavão da legitimidade democrática para extorquir vantagens junto dos países do Norte da Europa.
Esta tentativa que os esquerdistas têm feito para chupar nos países anglosaxónicos é que tem levado a que, nesses países, os eleitores queriam a saída da UE.

Mas o interessante é os Esquerdistas radicais e populistas não defenderem a saída!
Não querem sair porque a sua plataforma política passa por extorquir dinheiro aos países cumpridores.
O Reino Unido ao votar pela saída não tem nada de radical, é apenas a legitimidade democrática que o Bloco de Esquerda e o Siriza invocam para não cumprirem o Tratado Orçamental.
E não são os partidos britânicos, sejam de direita ou de esquerda, que fizeram o RU querer sair da UE mas o votos dos eleitores, nada de mais democrático poderia ser feito ou defendido.

As instituições europeias...
Ameaçaram o Reino Unido com retaliações, prejuízos e a independência da Escócia e da Irlanda do Norte.
Mas essas pessoas não passam de funcionários, o importante é o que diz a Sr. Merkel.
Normalmente, os esquerdistas do BE berrariam muito mas, no caso, ficaram calados.
Penso ser a preparação para votarem a favor de 3000 despedimentos na Caixa Geral de Depósitos a que vão chamar "oportunidades para mudarem de vida".


E, agora, qual será o futuro?
Não vai acontecer nada de relevante.
Tecnicamente, o Tratado da União Europeia tem previsto no Art. 50.º (p. 54) que "Qualquer Estado-Membro pode decidir (...) retirar-se da União" e que essa saída é um processo negocial de que resulta um Acordo de Saída.
Mas, apesar de o Reino Unido ir sair do UE, em termos práticos, apenas será criado, um  novo estatuto que encaixe as exigências do UK (e de outros países reticentes como a Holanda e a Dinamarca).
Continuará a haver livre movimentação de bens, serviços e capitais pois é uma regra que se está a instalar entre todos os países. Mas a liberdade de movimentação de pessoas com o objetivo de irem viver da segurança social e de peditórios vai ter cortes e os benefícios sociais terão também ajustamentos para baixo.


Irá ter o RU sofrer prejuízos?
A esquerda radical e populista quer que o RU seja castigado de forma a que outros países não se arrisquem a sair. Em particular, estão a olhar para a Alemanha.
Digamos que a esquerda europeia é como a carraça que, uma vez arrancada, morre mas deixa lá a cabeça para causar o máximo de dano possível à vítima de forma a servir de aviso para as outras vítima onde as suas irmãs chupam sangue.

Até já falam, sem serem de lá, que a Escócia e a Irlanda do Norte vão abandonar o RU.

Se ele se emburracha e te bate, dá-lhe carinho que ele deixará o alcool e a violência e responderá com carinho.
(Mas não é exactamente este o ensinamento de Jesus Cristo?)

Mas que é que isso interessa para a Inglaterra e Gales?
A Escócia fica muito longe de tudo e a Irlanda do Norte não é um país viável (vai Bruxelas aguentar os terroristas católicos!). Irá que a Escócia e a Irlanda do Norte vão fazer um união?
Isto não tem pés nem cabeça e, mesmo que tenha, em termos de importancia relativa, a Escócia (5,4M) mais a Irlanda do Norte (1,8M), só têm 10% da população do RU, o que não conta para nada do que se vive no Sul da Grã-bretanha.
E irá a Espanha votar a favor da entrada de um paiséco que sai de outro país?

A Escócia e a Irlanda do Norte vão ficar dentro da UE com um estatuto especial.
Da mesma forma que o Kosovo faz parte da Zona Euro sem nunca ter entrado, também estes dois territórios vão continuar a pertencer ao RU e também continuar a pertencer á UE como sendo uma espécie de Zona Franca da Madeira.

E quais as vantagens para o RU?
Primeiro, é uma decisão dos votantes. Mesmo que isso lhes cause prejuizo económico, a vida não é só economia.
Segundo, apesar de o RU deixar de ter voto na condução dos assuntos da UE, será tratado como igual na relação bilateral com a UE.
Terceiro, o UK passará a ter total liberdade para fazer acordos bilaterias de livre comércio com os grandes países tradicionalmente seus parceiros como as suas antigas colónias (USA, Índia, Austrália, PAquistão, etc.) e com a China.




A estabilidade da UE vai aumentar.
Já vários políticos pediram referendos nos seus países quanto á saída  mas, o que irá acontecer é a diminuição da retórica dos países do Sul da Europa de culparem a Alemanha pelos problemas que vivem (pois, a partir de hoje, torna-se possível a própria Alemanha sair do projecto europeu).
Também será possível acomudar a Turquia, a Ucrânia ou a Geórgia com um estatuto semelhante ao futuro tratado com o RU.

Não poderá a permanencia na UE ser diferenciada?
Eu não compreendo, nem ninguém, porque a pertença à UE não possa ser personalizada para cada Estado quando à liberdade de movimentação de bens, serviços, pessoas e capitais, quanto à eprteça ou não ao Euro, quanto à aplicabilidade dos benefícios sociais diferenciados entre nacionais e estrangeiros.
No futuro, a UE vai evoluir neste sentido.

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