domingo, 14 de janeiro de 2018

Será relevante fazer rios artificiais?

Sempre que há necessidade de alterar um rio ... 
Surge um grupo de pressão que se auto-intitula defensor do ambiente a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para prejudicar a intervenção.
O problema é que existe algum fundamento para que os rios sejam defendidos da destruição porque um rio tem uma área inundada muito pequena, principalmente nos períodos de verão, e contêm o ecossistema aquático que, sem rio, não pode existir.
Como os ecossistema aquáticos são reduzidos em área e volume e sempre em risco de desaparecimento no verão quando se reduzem a alguns pequenos fundões, naturalmente que têm que ser protegidos.
Mas, penso eu, o problema é que precisamos usar os rios de formas, muitas vezes, incompatíveis com os ecossistemas que lá existem.

Estava no outro dia a ver o Rio Paiva. 
A luz do Sol tem muita energia, cerca de 1000 w/m2, e, como já referi acreditar, talvez daqui por 100 anos (quando já estaremos todos mortos!), toda a energia que usamos em nossas casas e nos nossos carros terá origem directa na luz solar.
Já é tecnologicamente possível transformar a luz solar em electricidade sendo "apenas" necessário resolver o problema dos custos elevados da produção e do armazenamento da energia pois são poucas as horas do dia que tem sol.
Claro que pode acontecer que, semelhante aos actuais cabos de fibra óptica, nesse tempo futuro, vai haver uma rede eléctrica capaz de, à escala global, transportar a energia dos locais com sol para os locais às escuras ou que as baterias serão baratas e usarão materiais que há em abundância mas, enquanto isso não acontece, vai ser preciso usar barragens reversíveis.

Porquê o Rio Paiva.
Numa barragem reversível  existem duas albufeiras, uma de águas vivas e outra de águas mortas. Durante  a parte do dia em que há energia em excesso, bombeia-se água morta para água viva (para cima) e, durante as horas em que há défice de energia, turbina-se a água viva previamente acumulada que se transforma em água morta.
No Rio Paiva, em Alvarenga, existe um local extraordinariamente bom para um sistema reversível que não tem avançado porque "vai destruir o rio menos poluído da Europa".
Mas eu não quero agora falar deste projecto sobre o qual já escrevi qualquer coisa. A questão que eu quero discutir aqui é se poderemos aplicar a engenharia na "criação" de rios e ribeiras artificiais, não poluídos, e onde possa existir um ecossistema ribeirinho semelhante aos naturais.

Qual será a área do Rio Paiva?
O Rio Paiva já é uma coisa grande, drena uma bacia hidrográfica com 850 km2, tem 110 km de extensão desde a nascente na Serra de Leomil até à foz no Rio Douro e um caudal médio na ordem dos 27 m3/s (estimativas a partir dos 25,2 m3/s em Castelo de Paiva / Ponte Bateira) .
Como quase todos os rios, no início começa como um rego de água, muito pequenino, seco a maior parte do ano, depois, passa a uma ribeira atingindo na foz um pouco mais do que 20 m de largura.
Considerando o verão e o inverno, penso ser razoável assumir 9 m de largura e 0,5 m de profundidade  o que faz com que a área total inundada seja de 100 hectares e que o volume de água seja de 500 mil m3.

Será possível construir algo comparável a um rio natural?
O problema dos ecossistemas aquáticos não é o volume de água doce mas sim a falta de locais de águas rasas e fundos de cascalho que são importantes para os peixes pequenos como, por exemplo, a boga, o escalo e o barbo e que estão continuamente ameaçados pela seca, a poluição e que não conseguem competir com a carpa ou são comidos pelo achigã e lúcio que "contaminam" as águas calmas das albufeiras.
Também estou a imaginar os peixes migrantes como a enguia, o sável e a lampreia que não consegum transpor os açudes e as barragens.
Sendo ecossistemas raros e frágeis, penso ser importante experimentar construir rios com águas pouco profundas, menos de 50 cm, fundos em cascalho e águas puras e cristalinas, algo que nunca foi tentado e que deve ser uma área de investigação porque, além da raridade, existem projectos interrompidos que poderiam avançar se houvesse a possibilidade de criar ribeiras artificiais capazes de fazer a "compensação ambiental".

Há exemplos de aumento do volume dos rios mas eu quero mais.
No verão, o volume dos rios de águas rasas diminui drasticamente e o risco de seca total é tanto maior quanto mais pequeno for o rio, o que leva à morte de todos os peixes. Algumas localidades têm feito algum esforço na construção de açudes, principalmente motivados por questões estéticas, para que os rios que atravessam as localidades não sequem, por exemplo, o açude no Rio Mondego em Coimbra. Além do mais, estes açudes não têm o cuidado de ter escadas de peixes!
Mas eu estou a pensar em algo maior, feito em locais com águas puras e totalmente desproporcional relativamente ao que existe. Estou a pensar pegar num pequeno ribeiro em terras altas, ladeado por terrenos sem qualquer valor económico, e transformá-lo num rico ecossistema aquático de águas rasas, ladeado por vegetação ripária.

Fig. 1 - A linha azul escuro é o ribeirito natural e o intestino grosso representa o rio de águas rasas

A tecnologia será pegar num ribeiro de montanha de águas puras e que tenha a montante uma bacia hidrográfica pequena, sendo suficientes 10 km2, e meter em 2 ou 3 quilómetros, um canal com 10 m de largura, 0,25 m de profundidade e dezenas de quilómetros de comprimento (ver, Fig.1 um esquema que pode ter 5 km de comprimento).
Uma bacia hidrográfica com 10 km2 tem uma produtividade anual na ordem dos 3 milhões de m3 de água.
A minha ideia é uma reengenharia dos arrozais de montanha que existem no sudoeste asiático.

Fig. 2 - Arrozais em terraços de Yunnans, Vietname

Vamos então à engenharia.
Como projecto de investigação, vou pensar, olhando para a Fig. 1, um projecto com 10 m de largura e 25 cm de profundidade.
Vou, como projecto de investigação, imaginar um estudo piloto com 10 km de comprimento, um espelho de água com 100 000 m2 de área.

1) Primeiro passo, é preciso garantir água para o verão.
Temos que pensar se A) o caudal de entrada no rio artificial está limitado ao caudal do riacho existente ou se B) vai ser construído um açude que garanta que, no verão, o rio não seca.
Ambas as soluções estão dependentes das perdas de água por infiltração e por evapo-transpiração o que terá que ser medido no local. Por isso, os números que vou apresentar são apenas ilustrativos.
(Vou imaginar que serão perdidos 2 m3 de água por m2 de espelho de água)

A) Para evitar que o rio seque nos finais do verão, é preciso que no fim da primavera, o rio tenha 2,25 m de profundidade o que será um stock de água in situ. No período de verão, a profundidade vai diminuindo até, previsionalmente, os 0,25m.

B) Para a  profundidade se manter constante nos 0,25 cm, é necessário um stock de água que garanta a entrada dos 200 000 m3 que se vão perder durante o verão. Para isso será preciso construir um açude a montante que armazene essa água.
A água circulará por gravidade desde o açude até ao rio artificial.

A e B) Naturalmente, pode haver um misto entre a solução A) e a solução B), por exemplo, uma  variação de profundidade entre 1,25m e 0,25m e um açude com capacidade para 100 000 m3.

2) É preciso terreno.
O indicado é escolher um local com pouca valia económica, longe de fontes poluidoras e onde haja água pura e cristalina. Assim, o melhor local será no interior, em zona montanhosa. A construção começará num ribeiro e, depois, será construído o canal do rio artificial aos esses, um ou dois quilómetros para a esquerda e, depois, um ou dois quilómetros para a direita , repetindo-se o processo até ter a extensão pretendida.

Fig. 3 - Corte transversal do rio mostrando a vegetação ripária

3) A construção.
Em ambas as soluções, apenas serão usadas duas máquinas. Uma máquina será de rasto para abrir o canal e fazer o dique lateral com a terra retirada na escavação do canal e uma máquina com cilindro para compactar o solo e o dique de forma a reduzir as perdas por infiltração e evitar roturas no dique.
E, depois, o fundo coberto com uma camada de brita que pode ser produzidas no local e pedras.

Fig. 4 - Máquinas a utilizar.

Se o ribeiro tiver uma inclinação de 1%, o que é típico num ribeiro de montanha, se o canal tiver 10 metros de largura e a zona do dique tiver 20 m de largura, num ir e vir, a perda de nível será de 0,30m o que, numa extensão de 3 km, permite um caudal máximo entre 0,13 m3/s (0,25m de profundidade) e 4,00 m3/s (2,25m de profundidade).

Fig. 5 - Juntam-se uma pedras grandes que haja por lá que se usam para fazer uns labirintos e umas zonas de águas mais rápidas (pormenor do início do rio artificial) e a coisa torna-se uma atracção turística (e um instrumento de combate aos fogos florestais).

Só agora posso falar da batalha entre o Rui Rio e o Santana Lopes.
A informação que vou dar é totalmente fidedigna e o próprio Santana Lopes o confirmou na sexta-feira à noite "tenho que pensar em quem vou votar".
O Santana Lopes tinha o apoio de 54,37% dos votantes e o Rui Rio de apenas 45,63%.
O problema é que estas eleições eram "os últimos serão os primeiros" pelo que os apoiantes do Santana Lopes votaram no Rui Rio e o apoiantes do Rui Rio votaram no Santana Lopes.
O Rui Rio ainda pediu ao Pacheco Pereira para dizer qualquer coisa sem sentido a ver se perdia mas já não foi a tempo.
Eleger o Rui Rio foi a pior maldade que lhe poderiam ter feito.

Está estudado no marketing.
É conhecido na ciência económica como "problema da slot machine". Quando uma pessoa, no casino, joga num slot machine, apenas troca de máquina em condições extraordinárias porque não tem informação sobre as outras máquinas e não quer  ficar com a ideia que "se eu não tivesse mudado, tinha ganho".
Também quando uma pessoa compra um produto, namora com uma mulher, vai a um supermercado, só troca se acontecer algo de anormalmente negativo com a coisa que tem.
Na política é igual.
O Costa só perderá em 2019 se acontecer algo terrível, semelhante ao que aconteceu em 2011 com o Sócrates, em 2002 com o Guterres ou em 1995 com o Cavaco Silva. Não é a oposição que ganha as eleições nem quem lá está que as perde mas são é a conjuntura que faz as coisas mudar.
O eleitor não quer facilmente trocar algo que conhece para algo desconhecido.
Daqui até 2019, vamos ver o Rio aos papeis, a tomar da maldade que fez ao Passos Coelho (ter que ser líder da oposição sem ser deputado) e a sofrer, semana após semana, os resultados negativos das sondagens.

Fig. 6 - "Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste? Com esta é que me tramaram! "

A menos que aconteça rapidamente uma crise económica muito grave, vai ser totalmente trucidado, humilhado, transformado em carne picada e, em 2019, vai ter um resultado muito muito muito muito pior que o resultado que o Passos Coelho teve em 2015 e, quem sabe, até pior que o Santana Lopes em 2005.
No próprio dia das eleições, vai-se embora para nunca mais voltar a ser visto.

Fig. 7 - "Sabes Rio, fiquei tão triste por ter perdido que vim até aqui chorar um bocadinho no ombrinho da Santanette" 








quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Como serão determinados os preços?

Quando vamos a uma loja, cada coisa tem um preço! 
O que eu quero transmitir neste poste é complicado pelo que, mesmo esforçando-me bastante e durante vários dias, saiu um texto um "bocadinho" aborrecido de ler. No entanto, peço um pouco de paciência e concentração porque penso que é um texto importante importante para as pessoas que pretendam ficar a compreender a problemática dos preços, porque o preço da água poderia ser menor e como se justifica que certos produtos sejam subsidiados pelo Estado!!!!! que haja descontos e porque o pica deve deixar que os jovens amalucados viagem nos transportes públicos sem bilhete!!!!
A determinação do preço das coisas é um assunto central na Economia de Mercado (a que os esquerdistas chamam Capitalismo) e na gestão das empresas (pois condiciona o lucro).

Nas últimas semanas surgiu por aqui uma discussão sobre preços.
Será que o preço da água é alto ou é baixo?
Será que o preço do Tesla tem baterias para andar ou vai ficar sem gás?
Tal com as dores de costas que atacam as pessoas, também todos nós nos perguntamos volta e meia "porquê este preço?".

Seguindo a metodologia do Equilíbrio Parcial (tecnicamente conhecido por equilíbrio de Marshall, 1890), vou dividir o problema em duas partes: a parte dos produtores e a parte dos consumidores que, depois, se combatem no mercado.

O lado dos produtores.
Os produtores são, de facto, transformadores.
Da mesma forma que o cozinheiro transforma arroz, batatas, couves, cebolas, enchidos e carnes de vaca, porco e frango em cozido à portuguesa, um produtor transforma os inputs (trabalho, capital, bens intermédios, matérias primas e conhecimento) num output (um novo bem).



Uma economia é feita por milhares de produtores interligados por produtos intermédios, capital e conhecimento sendo que cada ligação tem uma quantidade e um preço.

O objectivo da economia.
Muitas vezes vejo escrito que o objectivo da economia é satisfazer as necessidades insaciáveis das pessoas mas isso é o objectivo da engenharia! O que a economia faz é compreender como, enquanto fenómeno social, os produtores se coordenam com os consumidores e tentar desenhar formas de melhorar este processo de coordenação (i.e., melhorar o funcionamento do mercado).
A economia não produz nada, esse trabalho é o da engenharia.
Intermédio entre a engenharia e a economia está a gestão que optimiza processos (como a engenharia) mas que também aproveita o conhecimento sobre o comportamento dos consumidores e dos mercados (como a economia) para aumentar o lucro da empresa.

O que vai fazer o produtor.
A decisão do produtor é tomada em duas fases.
Na primeira fase, o produtor decide o nível do investimento (e a escala do processo produtivo) que, uma vez feito, é um custo afundado, i.e., não tem influência na decisão da segunda fase.
Na segunda fase, tomando a escala como um dado, o produtor decide o nível de produção e o preço a afixar no dia a dia.

Primeira fase = Investimento.
A escala vai ser decidida com base no que o produtor pensa vir a ser a quantidade que o mercado pode adquirir durante o período de amortização do investimento, por exemplo, 25 anos, e o seu preço. Assim, é uma análise especulativa (porque baseia-se em informação que vem do futuro).
Para ilustrar esta decisão, vou imaginar uma rede de abastecimento de água potável.
    População média servida: 250000 pessoas;
    Consumo médio por pessoa ao preço de 0,80€/m3: 250 litros/dia/pessoa;
Consumo médio diário: 250000*250 /1000 = 37500 m3/dia.
Facturação diária: 37500*0,80 = 30000€/dia.

Economias de escala, custo médio e custo marginal.
Duplicar a escala implica um aumento no investimento mas de forma menos que proporcional.
Vamos imaginar que uma escala de 37500 m3/dia implica um investimento de 50 milhões € e quadruplicar essa escala para 150000 m3/dia faz duplicar o investimento para 100 milhões €.
Amortizar um investimento de 50 milhões € em 25 anos com uma taxa de juro de 5%/ano traduz um custo médio do investimento de  9485 €/dia. Duplicar a escala para 75000 m3/dia faz aumentar o investimento mas faz diminuir o custo fixo de 0,253€/m3 para 0,178€/m3. 
O custo marginal é o custo das "ultimas" unidades produzidas. Assim, produzir os primeiros 37500 m3/dia tem um custo fixo médio de 0,253€/m3, os segundos 37500 m3/dia tem um custo de 0,105€/m3 e os terceiros 37500 m3/dia tem um custo de 0,080€/m3, 1/3 do custo dos primeiros 37500 m3/dia.

Escala adoptada.
Apesar de a previsão apontar para um consumo de 37500 m3/dia, como pode haver erros de previsão, variabilidade em torno da média (de dia e no verão o consumo é maior) e perdas da rede, e porque existem economias de escala no investimento, o produtor vai  adoptar uma escala de 100000 m3/dia que precisará de um investimento de 81,6 milhões € que, nas condições consideradas, implicam nos próximos 25 anos um custo fixo de 15500€/dia.
Custo fixo traduz que o produtor tem que o pagar independentemente da quantidade que produzir.

Segunda fase = o dia a dia.
Além do custo fixo, haverá um custo variável que, normalmente, é crescente a taxa crescente com a produção (duplicar a produção mais que duplica os custos).
Vamos imaginar que duplicar o nível de produção vai aumentar os custos totais em 110%. Esta estrutura de custos pode ser condensada numa função isoelástica:
   Custo variável (Q) =  0,086*Q^1,1

Agora, o produtor já tem a função custo total (em €/dia):
       Custo(Q) = 15500 + 0,086*Q^1,1

O preço e o custo médio.
O investimento é uma fase muito delicada porque, se antes de ser feito, a facturação prevista (dada pelo produto do preço pela quantidade vendida) tem que ser capaz de cobrir os custos fixos (a amortização do investimento) mais os custos variáveis, depois de feito o investimento (que é um custo afundado), o produtor passa a poder controlar apenas os custos variáveis.
Assim, se as conjecturas feitas sobre o futuro, a especulação, se revelarem erradas, o investimento pode-se tornar ruinoso (que é o que está a acontecer nos CTT).
Vamos imaginar que, em fase de projecto, o produtor vai fixar um preço de 0,80€/m3.
Neste preço, o produtor está a pensar que vai vender 37500 m3/dia facturando 30000€/dia para cobrir custos totais de 24850€/dia (uma margem de lucro de 21%).

Agora, vem o lado dos consumidores.
Vamos supor que, no futuro, se concretiza mesmo que, ao preço de 0,80€/m3, o produtor consegue vender exactamente 37500 m3/dia.
Acontece que uma das leis da natureza da economia é que, se o preço for menor, os consumidores  vão adquirir maior quantidade.
Esta lei da natureza resulta de:
1) as pessoas substituem os bens mais caros pelos bens mais baratos,
2) o bem-estar que as pessoas retiram de uma unidade de um bem é decrescente com a quantidade previamente consumida e
3) as pessoas de menores recursos passam a poder "entrar no mercado".

Vamos supor que, as pessoas no seu conjunto adquirem a quantidade:
    Qproc(P) = 33540*P^-0,5

Outra lei da natureza da economia é que, quando uma pessoa adquire um bem, fica melhor (porque apenas compra se atribuir ao bem um valor superior ao preço de aquisição).

Será que o produtor deveria fazer descontos?
Com o modelo de custos considerado, apesar de ter capacidade excedentária, o produtor não tem incentivos a aumentar o nível de produção porque, para isso, teria que diminuir o preço a todos os consumidores o que reduziria o seu lucro. Isto acontece porque o produtor é monopolista e não existem alternativas à água (a quantidade adquirida pelos consumidores varia relativamente pouco com a diminuição do preço).
Sendo um monopólio, existe um regulador que vai olhar para os custos totais e vai obrigar o produtor a afixar um preço máximo que cubra esses custos com uma margem, no caso, seria de 0,80€/m3.
Mas a questão é saber se o produtor poderá aumentar o seu lucro fazendo descontos.
Produzir os 37500 m3/dia tem um custo médio total de 0,663€/m3 o que, com a margem de 21%, dá os tais 0,80€/m3. Mas produzir mais 1m3 só vai custar 0,276€/m3 pelo que o produtor terá um aumento do lucro se vender, além do que já vende a 0,80€/m3, esse m3 com um desconto de 50%!
O problema está na "divisão do mercado". Como será possível garantir que a água vendida com desconto não vai fazer diminuir a quantidade de água normalmente vendida a 0,80€/m3?

Escalões decrescentes ou existência de parte fixa.
A decisão das pessoas não tem em atenção a parte fixa do preço mas apenas a parte variável.
Assim, vamos supor que em média as pessoas gastam 10 m3/mês pelo qual pagam 5€/m3. Se o preço  diminuir para 1€/m3 e houver dois escalões (ou uma parte fixa), as pessoas passarão a consumir mais e a facturação aumenta.
Vamos supor a introdução de um segundo escalão com desconto de 60%.
Consumo <=10   =>     5€/m3
                > 10    =>     2€/m3
Se o custo marginal de produção for de 1,50€/m3, o produtor aumentará o seu lucro quando a família adquire mais água a 2€/m3.

É aqui que entram os subsídios!
O óptimo seria o preço ser igual à parte variável dos custos e a parte fixa (que resulta do investimento inicial) ser obtida de forma independente da quantidade consumida, por exemplo, como uma parte fixa na factura.
O problema é que pessoas diferentes (rendimento, idade, estado civil, número de filhos, sexo, escolaridade, estado de saúde, etc.) têm condições diferentes para pagar a parte fixa pelo que essa parte deveria ser diferenciada, uns deveriam contribuir com mais e outros com menos.

E o que será justo?
Tem a ver com a função "bem-estar social".
Quando eu era pobre pensava "o dinheiro só é importante para quem não o tem". Na altura imaginava-me chegar à cantina e não ter os 30 escudos que custava uma refeição.
E por isso é que tenho tanta pena da ucraniana!
É que um euro não é igual para todas as pessoas, para um pobre são duas refeições (compra 10 pães secos) ou uma viagem que demora a pé mais de uma hora. Para um rico, um euro não é nada. Por isso, os ricos têm a "obrigação moral" de pagar mais pelos custos fixos.
Digo "obrigação moral" porque o meu pai andou longos anos a estudar para padre e dizia que a moral da igreja era "cada um contribuir conforme puder e receber conforme necessitar"

É este princípio económico que está em Lucas 21:1-4
1 Certo dia, quando Jesus estava de frente às caixas de ofertas, sentado, observando como as várias pessoas depositavam suas doações e a maneira como muitos ricos ofertavam grandes quantias, 2 notou que também estava ali uma viúva, bem pobrezinha, que se aproximou e despejou numa delas duas pequenas moedas que valiam quase nada.
3 Ele, então, assim que viu isso, pediu aos seus discípulos que prestassem bastante atenção ao que iria lhes dizer, e depois comentou:
— Olhem essa pobre mulher! O pouco que ela deu vale mais do que todas as doações que foram feitas aqui. 4 Pois ela, apesar de sua pobreza material, deu tudo o que possuía, enquanto todos os outros deram apenas o que tinham em excesso. Sua oferta foi realmente de alto valor, pois ela ofereceu tudo o que lhe restava para se manter, seu último dinheirinho.

É sempre óptimo haver descontos.
Este é um problema muito importante na gestão.
Como desenhar um desconto que faça aumentar o lucro da empresa?
É óptimo deixar os jovens amalucados dos bairros sociais viajar nos transportes públicos sem bilhete (se não levantarem problemas) pois ir um a mais ou a menos não aumenta os custos e esses jovens, de outra maneira, teriam que ir a pé! Mas para isso é preciso separar os amalucados dos outros, por exemplo, metendo uma grade que é preciso saltar por cima (como há em Paris onde os gestores da rede de transportes não são mais burros do que os nossos gestores), meter um patim na traseira do autocarro (como tinha o eléctrico), coisas que só os amalucados possam utilizar.

Por fim, os subsídios do Estado.
Quando não é possível diferenciar o que é justo cada pessoa contribuir para a parte fixa, o melhor é haver um subsídio por parte do Estado que cubra esse custo!!!!!
Os impostos servem exactamente para isso, para pagar aquilo onde não seja possível aplicar o principio do "utilizador pagador".
Se ir caminhar precisa de um passeio e não é possível cobrar uma portagem aos peões que passam por lá, o melhor é essa obra ser paga com os nossos impostos.
Claro que há muitas coisas que recebem subsídios e que não deveriam receber mas isso é uma discussão velha e sem solução.

Finalmente, e não tendo nada a ver.
Sou contra o Presidente da República ter vetado a proposta de lei dos partidos que tinha o voto favorável de mais de 95% dos deputados. Não é só o presidente que é um cata-vento. Desta vez fiquei a admirar o PCP que não se deixou seduzir pelo populismo, que defendeu com unhas e dentes o que acha certo mesmo que possa não ser popular.

Contrariamente ao que dizem os comentadores sobres as eleições no PSD, os partidos não devem defender as ideias nem escolher os líderes que a maioria gosta mas sim aquilo que os seus "donos" acham mais adequado. Depois, haverá eleições e um partido ganha e os outros perdem (excepto o PCP e, ultimamente, o CDS, que ganham sempre). Nenhum dos candidatos presta mas escolham o que acharem melhor que ninguém tem nada com isso.
Na América os democratas escolheram a Clinton e os republicanos escolheram o Trump.
O Trump dizia o contrário do que a Clinton dizia e a Clinton dizia contrário do que o Trump dizia.
Quem gostava da Clinton não gostava do Trump e quem gostava do Trump não gostava da Clinton.
Depois, vieram as eleições e os eleitores escolheram.
Os populistas querem um candidato desinfectado, que agrade a toda a gente, tenha um discurso tipo Miss "desejo para o próximo ano paz, harmonia e estabilidade", tipo o cata-vento que temos por aqui.

Sou contra o Estado ter recebido 909 milhões de euros na privatização dos CTT e , agora, porque esse capital tem que ser remunerado, lave as mãos dizendo que não é nada com ele. Claro que os CTT têm que dar pelo menos 65 milhões € por ano para pagar o "juro" dos 909 milhões € (em vez de mandar bocas, os esquerdistas deveriam  disponibilizar-se para devolver o dinheiro da privatização, corrigido dos dividendos e dos juros).

Desejos de bom ano e só espero que o peru não tenha queimado

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

É preciso uma ponte entre a D. Luis I e a Arrábida

Todos sabemos isso! 
Eu nasci na freguesia da Sé da cidade do Porto já faz muitos anos. 
Sou do tempo em que o trânsito dentro da cidade era infernal, muito pior do que agora, horas infindáveis em para arranque e buzinadelas, do tempo em que não havia a Ponte do Freixo, a VCI nem os semáforos. Era o tempo da "prioridade da direita" combatida com o "mete, mete, mete, mete, já entrou".
No entretanto, muita coisa melhorou mas subsiste um grande problema: na parte ocidental da cidade, há visível incapacidade de a Ponte da Arrábida dar vazão ao trânsito, seja para circular, seja para ligar a A28 (a Norte) com a A44, a A29 e a A1.
E a população da cidade diminui para metade e o comercio mudou para os centros comerciais em Gaia e Matosinhos!

E quando há um toque?
Santa Vaca (da expressão americana, holy cow), são horas de desespero, uma manhã de trabalho perdida, muitos litros de combustível desaproveitados, muito carro sobre-aquecido.
Muita gente já pensou neste problema e a conclusão de todos foi que é preciso fazer um novo atravessamento entre a Ponte da Arrábida e a Ponte Luís I e até há propostas arquitectónicas, por exemplo, para uma ponte na zona da alfândega. 
No entanto, todas as ideias foram chumbadas por causa do impacto na paisagem. 
É preciso fazer uma ponte alta como a Ponte Arrábida e isso causa na paisagem uma enorme alteração visual. 
Como somos, em termos estéticos, conservadores, não é possível fazer tal ponte, pelo menos nos próximos 50 anos.

Calma, calma, tem que ser possível!
Tem que se fazer uma ponte que ninguém consiga ver!
O Luís Filipe Meneses pensou num túnel, que é possível em termos de engenharia, mas eu quero uma ponte, grande, enorme mas que ninguém veja.
Pensei eu, "isto tem que ser possível". 
Se, por um lado, o David Copperfield foi capaz de esconder a Estátua da Liberdade e o Sócrates milhões de euros e, por outro lado, dizem (a ucraniana e a minha mãe ;-) que sou a pessoa mais inteligente do mundo, mesmo que precise da ajuda da Santa Vaca, tenho que ser capaz de a esconder, é só uma pontezita sobre o Rio Douro.
Mas como se pode esconder uma coisa tão grande?
Pintando de tinta invisível? Não!
Ficando o mais longe possível da Arrábida? Era essa a ideia da ponte na Alfândega mas não dá porque fica perto da Luís I.
Para uma ponte não causar impacto na paisagem é preciso esconde-la atrás de outra coisa qualquer. 

Passeie, passei.
Já fiz aquele caminho entre pontes muitas vezes, sempre com a pergunta "onde se pode esconder a nova ponte?" na mente.
Como é possível meter uma ponte bem à vista de toda a gente, com toda a gente a olhar e sem que ninguém seja capaz de ver. 
Tem que ser atrás de alguma coisa mas o que há por ali suficientemente grande para esconder uma ponte de enorme dimensão?

Já sei, descobri!
Ora olhe para a figura seguinte! É capaz de ver lá a nova ponte?
Não consegue? Mas olhe que ela está lá !!!!!!

Fig. 1 - A Ponte da Arrábida e, à esquerda, ..., a nova ponte!

A solução é encostar a nova ponte à Ponte da Arrábida.
A Ponte da Arrábida tem um piso com 25,5 m de largura que apoiam em dois arcos com 8,5m de largura cada e, entre eles, há um espaço rendilhado com outros 8,5m. 
No piso actual, tem 6 faixas de rodagem (de 3,25m), uma faixa central (de 1,8m) e 2 passeios (de 2,1m).
A ideia é a nova ponte ficar encostada à actual Ponte da Arrábida, ser apenas mais um arco e mais um espaço rendilhado, iguais em tudo ao que existe ficando perfeitamente misturados com o que lá está.
Uma pessoa que olhe para a linha de horizonte, não vai ver qualquer diferença estética, vai ficar tudo na mesma. A única diferença é que, por baixo, vai passar a haver 3 arcos em vez de dois.

Fig. 2 - A nova ponte está ali, encostadinha, mas ninguém a consegue ver.

A nova ponte.
Actualmente, os elevadores não funcionam por os passeios superiores não oferecerem condições de segurança (são muito estreitos e encostados a carros a passar a mais de 100km/h). 
Começa-se por demolir os actuais elevadores de um lado da ponte, constrói-se a nova ponte e refazem-se os elevadores de forma a ficar, em termos visuais, tudo na mesma.
Durante a construção haverá condicionamento no trânsito mas a ponte pode continuar aberta.
Na ponte aumentada, será possível meter mais 10 baixas de rodagem (de 3,25m) e duplicar a largura dos  passeios para 4 m o que tornará mais seguro o atravessamento por pessoas e bicicletas e possibilitando que os elevadores voltem a funcionar.

Vamos a umas contas.
Vi no JN (2011) que passam na Ponte da Arrábida uma média de 136 mil carros por dia.
Vamos supor que 60% desse tráfego é a horas em que há algum congestionamento.
Vamos supor que com a nova ponte, a vida dos passantes melhorava 0,10€ por passagem.
Resultaria da nova ponte um ganho de 8160€/dia
Vamos supor que a obra se amortiza em 25 anos a uma taxa de juro de 5%/ano.
Dá 43 milhões de euros.
Bastava cobrar uma portagem de 0,10€/passagem entre as 7h30 e as 9h30 e as 5h00 e as 7h00 e a receita seria mais do que suficiente para fazer a nova ponte e ainda para melhorar os 7 km que ligam a A28 (Norte) à A44(Sul).

Fiquei contente com este poste.
Porque, apesar de haver 7300 milhões de pessoas no mundo, tive uma ideia que nunca ninguém teve.
Nem o Edgar Cardoso.

Fig. 3 - Para poderem comparar a actual Ponte da Arrábida com a futura (Fig. 1)

O problema do canal.
Um anónimo levantou o problema de não haver canal para alargar a VCI entre a A28 e a A44.
Primeiro, se a nova ponte "resolver" o problema Campo Alegre /Afurada (2600m) já justifica a obra.
Actualmente, no sentido Norte-Sul, à tarde, a entrada a Norte a partir do Campo Alegre causa muito congestionamento porque o tráfego entra numa pista já com trânsito muito intenso (que vem da VCI). A saída a Sul para a Afurada também causa congestionamento porque os carros têm que cruzar sobre a ponte e a saída é imediatamente a seguir à ponte.
No sentido Sul-Norte, de manhã, a entrada a Sul a partir do "Gaia Shopping" causa muito congestionamento porque entram todos os veículos da Afurada e a pista já tem trânsito intenso (que vem da A44). A saída a Norte para a Campo Alegre é terrível, causa enorme congestionamento porque os carros têm que vêm de Sul cruzar sobre a ponte, a saída é imediatamente a seguir à ponte e a entrada está sempre empancada.
O melhoramento deste nó obriga a alargar a VCI numa extensão de 2000m mas não precisa de qualquer intervenção ao nível dos viadutos.
A ponte mais a melhoria no nó deve custar entre 25 milhões€ e 35 milhões € (fazendo uma proporção com os 54 milhões € que custou da Ponte da Arrábida e os 28 milhões € da Ponte do Infante, a preços de 2017).
Fig. 4 - Nova Ponte (faixas a vermelho) com a melhoria do nó Campo Alegre e Afurada (faixas a azul são as existentes). As 10 pistas na ponte, reduzem para 4 pistas até Boavista/Bessa Leite e, depois, para as actuais 6 pistas.

Segundo, melhorar a ligação A28/A44-A29 (extensão de 6500m) obriga a demolir apenas duas casas.
Passando na auto-estrada, parece que as casas estão encostadas mas apenas em dois pontos não existe o necessário canal com 50m de largura.
Por isso, basta demolir duas casas para passar de 6 faixas para 8 faixas (duas faixas da ponte morreriam no nó do Campo-Alegre / Afurada), o que não tem comparação com abrir outra via com 4 faixas.
Fazer o alargamento em 4 km de VCI deve custar mais uns 8 milhões €, 2 milhões€ por km.

Fig. 5 - Entre a A28 e a A44-A29, só existem 2 pontos com menos de 50m de largura

O financiamento dos partidos e dos políticos

Eu sou contra os que são contra! 
A nossa democracia tem por base os partidos e as pessoas que os formam, os políticos, e alguns deles (os pequenos) não podem desenvolver o discurso de que estes são genericamente desonestos e incompetentes porque, diz a história, foi sempre esta argumentação que precedeu o aparecimento das ditaduras.
Mesmo que todas as pessoas que formam os partidos tenham más intenções, tenham nascido desonestas e vigaristas, não é acabando com elas que se resolve o problema porque todas as outras também nasceram desonestas e vigaristas. 
A solução não está na caça às bruxas e nos discursos dos "sérios e com boas intenções" contra os "maus e desonestos" mas está, diz a evidência, na transparência e no controlo democrático.
Temos que nos convencer que todos nós, mas mesmo todos, somos intrinsecamente desonestos e que só não estamos a receber 12000€/mês sem nada fazermos porque nunca nos deram essa oportunidade.

O limite do financiamento dos partidos.
Não faz qualquer sentido as dádivas anual aos partidos estarem limitadas a 1500IAS, i.e., 643350 €/ano, independentemente da sua dimensão.
Pelo menos em teoria, a velha lei serve apenas para transformar os partidos em coligações. Por exemplo, o PPD pode receber 643350€/ano e o PSD mais 643350€/ano para, no final, se coligarem. No limite, cada partido podia partir-se em mil partidos e já poderia receber 643 milhões €/ano.

Vamos à devolução do IVA.
Os partidos são como as Testemunhas de Jeová: tudo o que fazem, mesmo que aparentemente não o pareça, tem por fim captar votos. Se os comunistas vendem uma bifana por 1,00€, não estão a pensar no negócio das bifanas mas apenas a tentar captar, pela boca, um votinho.
Também o pescador de carpas, dias antes de lançar o anzol, manda à água milho cozido sem se estar a preocupar com a fominha dos bichos!
Parece-me justo que tudo o que as pessoas dão ao seu partido, na hora de ser gasto, esteja isento de IVA.
Não é justo que, dando eu 100€ a um partido (que o vai gastar na compra de 50 chapéus de plástico com IVA a 23%), o Estado fique com 18,70€de IVA.
Eu defendo mesmo que as doações aos partidos sejam dedutíveis a 100% no nosso IRS e no IRC das empresas.

O que deve haver é transparência.
A única forma de combater a desonestidade das pessoas, incluindo a dos os políticos, é a transparência.
Sempre que uma pessoa fizer uma doação ou um desconto na prestação de um serviço, seja um valor pequeno ou grande, o valor tem que ficar registado na contabilidade do partido que terá que ser pública.
Vamos imaginar que uma concelhia vai fazer uma "acção" precisando alugar uma tenda (preço normal de 1000€) e dar um jantar para 500 pessoas (preço normal de 5000€). Agora, os da tenda vão fazer a coisa por 250€ e o restaurante vai fazer um desconto de 50%. Além disso, as pessoas vão pagar 7,50€/ refeição.
Na contabilidade do partido deveriam ficar registados não só os valores pagos como os descontos:

Almoço para 500 pessoas no dia 30/02/2018
   Aluguer da tenda
      Preço normal C/IVA   1000,00€
              Desconto              750,00€
      Total a pagar C/IVA     250,00€
      IVA pago (23%)            46,75€ 
    Refeições
      Preço normal C/IVA   5000,00€
              Desconto            2500,00€
      Total a pagar               2500,00€
      IVA pago (13%)           287,61€ 
    Vendas 
      500 refeições               3750,00€
      IVA (Isento)                      0,00€  
    
Neste caso, o Partido teria com este jantar um "lucro" de 1334,36€ resultante de receitas de 7000€ (750,00€ + 2500,00€ + 3750,00€) mais o reembolso do IVA no valor de 334,36€ (46,75€ + 287,61€) e  despesas de 6000€ (1000,00€+5000€).

A interpretação da lei antiga.
Estavam a surgir, nas finanças, muitos problemas na classificação do que são actividades políticas e o que não são.
Vejamos o tal jantar.
O jantar durou 2 hora e o candidato do partido falou durante 30 minutos. Então, apenas 25% das despesas é que podem ter dedução de IVA!
Além disso, o candidato falou 10 minutos no principio e 20 minutos no fim. Então, só pode haver dedução em 25% da factura da tenda, na sopa e em metade da sobremesa.
Complicar coisas sem necessidade.

Irá algum partido dedicar-se a negócios?
O grande medo do CDS/PP e do Rui Rio é que os partidos se transformem, tal como os Guardas Revolucionários do Irão, em empresas do "quarto sector".
Parvoíces e demagogia.
As leis não são eternas pelo que vamos dar uma oportunidade à  Lei avançar e logo veremos.
Se o PCP quer ter lá a festa da atalaia, isso não é nenhum negócio, é como os encontros de escuteiros, é uma actividade política.

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos.
O importante é a transparência e esta entidade vai aumentar a transparência das contas dos partidos.
Portugal tem-se transformado num estado judicial e isso tem que ser controlado pois os juízes não têm legitimidade democrática directa.
Excepto nos casos declaradamente contra a Lei, deve-se dar à política o que é da política, ao desporto o que é do desporto, à religião o que é da religião, à liberdade de expressão o que é da liberdade de expressão.
Os partidos têm que prestar contas aos eleitores e não a processos judiciais a que ninguém tem acesso.

O Presidente da República deveria ganhar 30000€/mês.
E todos os políticos deveriam ter aumentos correspondentes.
Não pode um deputado ter um salário exactamente igual ao meu!
Se queremos deputados competentes, o seu salário tem que ser de pelo menos 10000€/mês.
Todos aqueles que desgostam do Trump, recordo que tem apenas um ordenado de 0,85€/ano.

Eu fui condenado por "atentado à ética e aos bons costumes".
É o problema de deixarmos a alguns o poder de interpretar.
O que são actividades políticas?
É mau ter funcionários nas finanças com o poder para interpretar o que tem ou não direito a devolução do IVA
O que é isso da ética?
É maus ter pessoas com o poder de interpretar o que é ético ou não
As pessoas devem estar sujeitas ao que a Lei explicitamente diz mas nunca ao que os outros julgam ser ético ou moral.
É como haver uma brigada do "vestir com bom gosto" (quando não há um código de vestuário) com o poder de aplicar multas a quem veste mal!
Por isso é que digo que deve ser dado à liberdade de expressão o que é da liberdade de expressão.

Sabem o que é a liberdade?
É aceitarmos que os outros façam e digam aquilo que nós não faríamos nem diríamos.
Que façam e digam aquilo que não gostamos e seguirmos em frente como se nada fosse.
É alguém que é contra as mulheres, os panacas ou os pretos, fazer uma entrevista de emprego e contratar a pessoa mais capaz para o lugar, independente da sua condição pessoal.
Infelizmente, há pouca tolerância em Portugal e os menos tolerantes são os esquerdistas (e as beatas)!

O grupo dos 15 no futebol.
A nossa vida política é como o futebol.
Na política existem 2 partidos que acumulam a grande maioria dos votos.
No futebol existem 3 clubes que acumulam a grande maioria das receitas.
Se nos partidos, os pequenos querem, com um discurso moralista, tomar conta da agenda política.
No futebol, juntaram-se os 15 pequenos para chupar as receitas dos 3 grandes.
Eu penso que a concertação dos 15 pequenos é ilegal porque viola a Lei da Concorrência.
Como o Paulo Morais diz, investigue-se.


Bom ano 2018

domingo, 24 de dezembro de 2017

Proposta para Ponte de D. Cosme, no Rio Douro

A cidade do Porto tem a baixa histórica congestionada. 
As guerras no Norte de África, os problemas políticos na Turquia, a confusão na Catalunha e as viagens de avião e os hosteis baratos têm alimentado o crescimento do turismo nas cidades portuguesas de que o Porto/Gaia é apenas um exemplo. Garantiu-me o meu amigo P.S. que até Valongo tem turistas!
Povinho aos magotes quer dizer reabilitação urbana para a reconversão das casas velhas, decrepitas e abandonadas em  locais de apoio aos turistas, actividade económica e animação generalizada sem qualquer mérito dos autarcas (que encontraram nas taxas turísticas a galinha dos ovos de ouro) ou do governo central.
Havendo muito turista, sem nada para fazer, com vontade de circular no espaço público, sem sossego no corpo, caminham em movimento aleatório à espera de encontrar alguma coisa nunca antes vista e que possa ser fotografada e contada para fazer roer de inveja os amigos que ficaram em casa, descansadinhos.
A baixa do Porto é cortada pelo Rio Douro e o turista, vendo de um lado que pouco ou nada há para ver, olhando para a outra margem, vem-lhe à esperança que é lá que está a tal pedra que o José Hermano Saraiva dizia ser do maior significado histórico para a humanidade:

"Foi aqui, nesta mesma pedra, neste mesmo sítio onde estou a pousar a minha mão, que D. Afonso Henriques se apoiou pelas 14 horas e 32 minutos do dia 13 de Setembro de 1127, a meio da Batalha do Courato e da Francesinha contra os mouros liderados pelo Zapussaqueno, num momento de vento e chuva miudinha, com perigo para a própria vida, para arrear o calhau.
Não fosse esse momento de enorme importância para a humanidade, hoje, em vez do courato, comíamos chamuças, em vez de francesinhas, comíamos kebabes e, em vez de coca-cola, bebíamos sumo de tomate."

Sempre segundo a lei do movimento browneano, isto é, andando como uma barata tonta, o turista volta e meia atravessa o Rio Douro pela Ponte Luís I, tanto pelo tabuleiro inferior (onde circulam carros) como pelo tabuleiro superior (onde circula o metro).
Além da esperança que vê na outra margem, a travessia per si já é uma atracção turística.
O ritual da subida das Escadas do Codeçal onde as gordas, logo na curva à direita, já perderam o fôlego e param curvadas com a mão apoiada no joelho, olham para trás para a Ponte Luís I, imaginando ser assim o "momento" com o Brad Pitt em cima delas. O chegar lá cima, ao fim dos 226 degraus, e virar à esquerda por um caminho todo porco e a cheira mal, a recordar o cheirinho da infância, dos tempos em que o povinho dormia com o penico debaixo da cama. Atravessar o Douro pelo tabuleiro superior com a esperança de poder dizer "quase fui trucidado pelo metro", carruagens que quase nunca passam. Subir à Serra do Pilar que, afinal, não é serra nenhuma, "Chama-se Serra do Pilar porque em tempos houve aqui um serração que o Infante Santo usou para construir os mastros das Naus que foram tomar Ceuta aos  infiéis sarracenos". Depois, descer pelas vielas de Gaia, a olhar para um lado e para o outro, na tentativa de encontrar as atracções turísticas que não existem para, finalmente, re-atravessar o rio pelo tabuleiro inferior de volta ao estado de barata tonta.

O problema destas travessias é que os passeios do tabuleiro inferior da ponte são muito estreitos, um metrito, o que causa problemas de segurança aos peregrinos e congestionamento aos automobilistas. Por causa disso, os autarcas do Porto e de Gaia reuniram-se e apontaram a ideia de que há necessidade de construir uma ponte a conta baixa entre a Ponte Luís I e a Ponte do Infante.
Este poste serve para apresentar a minha proposta de arquitectura.

O teste da foto.
O turismo é um negócio que favorece as pessoas das terriolas. Então, quando o artista  projecta uma obra  não pode pensar apenas na funcionalidade directa nem na minimização dos custos pois a obra tem uma funcionalidade indirecta que é chamar turistas.
A coisa até pode não servir directamente para nada, como a Torre Eiffel ou as Pirâmides do Egipto, mas tem que ser uma atracção turística!
Desta forma, para começar, o artista vai ter que responder a duas simples questões filosóficas:

Questão 1: Será que alguém no seu juízo perfeito vai tirar uma selfie com esta merda como fundo?
Questão 2: Será possível identificar o local por esta merda estar como fundo da selfie?

O meu emprego.
É num edifício que os parolos meus colegas (notar que parolo apenas quer dizer que não têm formação estética nem gosto estético sofisticado) acham ser de grande valia arquitectónica.
O problema é que chumba o teste da selfie, nunca lá foi visto nenhum turista a tirar selfies!

Vamos à minha proposta.
Existem 665 m entre a Ponte de Luís I e a Ponte do Infante. A localização que proponho é a meia distância, no ponto em que a Serra do Pilar é mais elevada, com distância suficiente para a ponte se individualizar pois prevejo que se vai tornar a maior atracção Porto.
O mais barato seria uma ponte de betão igual à Ponte do Infante mas, como nunca vi ninguém fotografar tal ponte, eu quero uma coisa diferente, algo nunca visto em mais parte nenhuma do mundo.
Depois de muito pensar, a minha proposta é uma ponte metálica suspensa por dois cabos de aço.
Claro que vão dizer "Mas isso já é por demais conhecido e visto, temos a ponte sobre o Tejo e milhars de outras pontes espalhadas pelo mundo."
Mas eu estou a pensar algo diferente, algo assimétrico, sem pilares e com os cabos ancorados directamente no maciço rochoso das Fontainhas / Guindais (à cota 43m) e da Serra do Pilar (à cota 88m).
Fig. 1 - Vista lateral da nova ponte sobre o Douro, a Ponte de D. Cosme.

Pegando em todas as fotografias tiradas pelos turistas por esse mundo fora, milhares e milhares de milhões de milhões, não existe nenhuma que se assemelhe à minha proposta pelo que será, com  toda a certeza, uma atracção turística capaz de identificar o local de forma única. Quem vir uma selfie com isto, já sabe onde foi tirada. Dirão "You have been in D. Cosme Bridge"

Em planta.
Do lado de Gaia, o acesso à ponte será pelas Caves Burmester que serão destruídas (ver Fig. 2) e, depois, para não destruir a escarpa que vai até ao rio (ver, Fig. 3), passa para cima da água e faz uma curva à esquerda (ver, Fig. 4).
Do lado do Porto, a D. Cosme encosta a 90.º à Av. do Gustavo Eiffel (ver, Fig. 4).

Fig. 2 - Mesmo no sítio onde estão as Caves Burmester (que mudem para outro sítio).
Aquela foto da mulher nua, está mesmo no google street, podem confirmar!

Fig. 3 - Vista da Escarpa da Serra do Pilar com o local de amarração dos cabos (cruzes vermelhas) e "encosto" da Ponte de D. Cosme (traço vermelho).


Fig. 4 - Vista em planta da localização da Ponte de D. Cosme (a vermelho) e dos cabos (a preto).

Ainda falta uma atracção turística.
Ao contrário do que pensa o Sr. Presidente da Câmara, não é preciso meter elevadores na baixa do Porto porque o turista gosta de subir e descer escadarias para ocupar o tempo.
Querem saber quantas pessoas, por ano, sobem no elevador que vai da Ribeira para a Sé?
Zero, nem uma para amostra (aquilo até está fechado).
E no funicular dos Guindais?
Eu passo lá muitas vezes e vão meia dúzia de pessoas, de vez em quando, muito raramente.
Então, a boa atracção turística é o cabo ser uma ponte pedonal a ligar os Guindais à Serra do Pilar, o cabo a abanar, quase com perigo de vida, uma subida difícil, alguns lugar com 30% de inclinação, óptimo lugar para tirar selfies únicas.

O perfil transversal.
Proponho um perfil com 12 metros, dois passeios de 2,2m  e duas faixas de rodagem de 3.75m e, quando à ponte pedonal, proponho 3m (ver, Fig. 5).

Fig. 5 - Corte transversal da ponte onde os cabos mais se aproximam do tabuleiro.

Uma nota sobre o nome das cidades do Porto e de Gaia.
É senso comum que, no antigamente, Porto e Gaia eram a mesma cidade que se chamavam Portus Cale mas isso não corresponde ao consenso histórico.
Quando vieram os romanos chegaram à região norte-litoral da Península Ibérica, puseram o nome de Gallaecia a toda a região a norte do Rio Vouga. Cale talvez fosse o nome da deusa mãe dos celta ou o termo usado pelos grego para dizer que a terra era bonita (ver). O certo é que, na altura da chegada dos romanos, a região era muito pouco povoada, a actual cidade do Porto não teria mais de 100 habitantes,  situação que piorou aquando da reconquista (havia constantes incursões ora para matar todos os sarracenos, ora para matar todos os cristãos que se aventuravam nesta terra de atrito entre cristãos a norte e sarracenos a sul).
Com achegada dos romanos, como a sua economia era carregar coisas (madeira, minerais, peixe e carne salgados, cereais e escravos) em barcos para levar para Roma, não havendo estradas, foi construído um porto fluvial/marítimo na Ribeira da Vila no que é hoje a Praça da Ribeira.
Esse porto, naturalmente, era conhecido pelos romanos como o Porto de Cale.
Portus deu origem a Porto e Cale a Gaia.
No Sec. IX, foi re-utilizado o termo Portus Cale para separar o condado da Galiza (na parte norte da Galécia)  do condado que se formou a sul, com as terras conquistadas por Vímara Peresa os mouros.

Fig. 6 - Nesta selfie, quando a menina tirar o braço, vê-se a Ponte de D. Cosme, a maior atracção turística da Península Ibérica e arredores.

Fig. 7 - O que dirá à entrada da ponte para turista ver.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Relatório da Comissão Independente sobre a falta de água em Viseu

O Parlamento gosta de fazer comissões de inquérito. 
Estas comissões não servem para investigar seja o que for mas apenas para meter água fria, abafar, retirar da discussão do momento assunto embaraçosos.
Talvez as comissões mais interessantes sejam as dúzias de Comissões de Investigação ao Crime de Camarate. 

Fig. 1 - Feliz Natal (borrego a 7,15€/kg no Continente)

Mas vamos ao que interessa.
No dia 10 de Novembro de 2017, a albufeira de Fagilde que abastece o sistema de água de Viseu+Mangualde+Nelas desceu abaixo dos 10%de capacidade, ficando com reservas para apenas 15 dias. 
Como o risco de rotura do abastecimento alarmou as populações, decidi criar uma Comissão Independente.

Questões.
A comissão teve como objecto responder a 3 questões:
Q1) O que falhou em Novembro de 2017?
Q2) Pode-se responsabilizar alguém pelas falhas?
Q3) O que fazer para que tal problema não se venha a repetir?

Resposta à Questão 1)
Com os dados que foi possível obter, período 2004-2011, a albufeira esteve abaixo de 10% em 90% dos anos e esteve abaixo dos 5% em 70% dos anos (ver, quadro 1).

Quadro 1 - Volume mínimo e máximo armazenado na albufeira de Fagilde (dados: snirh.apambiente.pt)
Ano Mínimo Máximo
1994 8% 95%
1995 5% 95%
1996 4% 95%
1997 4% 98%
1998 4% 95%
1999 4% 98%
2000 4% 95%
2001 4% 33%
2002 2% 105%
2003 2% 146%
2004 4% 105%
2005 4% 105%
2006 2% 133%
2007 4% 132%
2008 31% 126%
2009 1% 129%
2010 3% 113%
2011 4% 160%
2012 24% 130%
2014 6% 101%
2015 10% 131%
2016 6% 139%
2017 7% 127%

Os meses mais problemáticos foram Dezembro, Janeiro e Fevereiro (probabilidade maior que 50% de o volume estar abaixo de 50%).

A partir de 2005, o gestor da albufeira tentou evitar a sistemática falta de água usando a "margem de segurança" da barragem. Como era normal nos anos anteriores, no dia 3 de Junho de 2017 o nível estava a 127%.
Depois, nos 3 meses seguintes, o gestor não foi previdente.
  No dia 3 de Julho a albufeira atingiu 100% (perda de 1050 m3/hora, 290 l/s), 
  No 3 de Agosto a albufeira atingiu 65%  (perda de 1360 m3/hora, 380 l/s)
  No dia 3 de Setembro a albufeira atingiu 39% (perda de 980 m3/hora, 270 l/s)
Em particular, no mês de Julho verificou-se uma quebra de 16 pp relativamente aos anos antiores (450 mil m3) sem justificação (ver Quadro 2).

Quadro 2 - Comparação entre o volume médio de 2006/2016 e o de 2017
Jun Jul Ago Set
2006/16 127% 119% 86% 59%
2017 127% 103% 68% 32%
Dif 0% -16% -18% -27%

Resposta: Se ponderarmos os diversos usos da água (abastecimento de água potável, caudal ecológico e praias fluviais a jusante), a albufeira tem um problema de sub-dimensionamento.
Para ser possível perdas continuadas de 300 l/s, 1080 m3/h, entre 1 de Junho e 1 de Dezembro, a albufeira deveria ter uma capacidade de 4,8 hm3.  

Resposta à Questão 2)
O gestor foi imprudente mas a parte principal da culpa está com o objectivo inicial da barragem (abastecimento de água a Viseu) ter sido estendido em termos de território e objectivos (o aparecimento do turismo/praias fluviais).

Resposta à Questão 3)
A albufeira tem a margem de segurança mas não nos podemos esquecer que esta margem existe para fazer face a cheias repentinas (que acontecem um dia em cada 1000 anos). Actualmente, a gestão tem sido no sentido de, em Junho, atingir os 140%, quando já não há risco de cheia mas é sempre um risco.
Para manter os 400 l/s entre 1/Jun e 1/Dez são precisos 7,2 hm3 o que, retirando os 3,6 hm3 da albufeira de Fagilde a 130%, obriga a "arranjar" uma reserva adicional de 3,6 hm3, i.e., duplicar a capacidade da albufeira de Fagilde.

No médio/longo prazo, existem 3 opções:
A) Aumentar a altura do coroamento da barragem em 1.5 m (mitiga o problema).
B) Construir outra barragem a montante
C) Fazer uma ligação desde a barragem da Aguieira (15 polegadas, desnível de 185 m, distância de 40 km)

Fig. 2 - Evolução da água armazenada na albufeira de Fagilde e o caudal perdido entre Abril e Dezembro de 2017 (dados, snirh.apambiente.pt)

Nota sobre o preço da água.
O preço que pagamos por consumir mais um copo de água deveríamos ser o custo de produzir e meter em nossa casa esse copo de água. É a regra do "otimo social" Preço = Custo marginal.
Acontece que o preço que pagamos é muito superior ao custo marginal porque o regulador quer que paguemos o preço médio.
Como produzir água, canaliza-la até nossa casa e, depois, levar os esgotos e trata-los tem um custo fixo de investimento muito grande, a estratégia de diluir esse custo fixo no preço da água faz com que consumamos menos água do que seria bom em termos económicos. E isto é particularmente penalizante para os agregados familiar mais pobres e com mais elementos.
Na nossa factura, 10% é "custo marginal" e 90% é o "custo fixo". Não sendo possível pagarmos apenas o custo marginal deveria haver outra estratégia para pagarmos o custo fixo, por exemplo, ser uma prestação proporcional ao rendimento do agregado familiar.
  Consumo da água => 0,25€/m3
  Tratamento dos esgotos => 0,25€/m3
  Contribuição para o custo fixo => 2% do rendimento.
Isto seria bom para todos porque os ricos poderiam passar a regar o jardim e a encher a piscina e os pobres passariam a ter água a preços razoáveis. Além disso, os fornecedores de água poderiam vender mais quantidades (e existem muitas economias de escala) e, assim, acabar com o défice tarifário.
Pensem nisto senhores políticos (enquanto estiverem no Brasil ;-).

Eu tive muita sorte.
Imaginem que eu tinha um tacho na Raríssimas a ganhar 12000€/mês mais carro.
Teria sido terrível ficar 30 dias sem salário!




quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Tesla vai falir e não demora muito

O futuro pode ser que sejam os automóveis elétricos. 
Os automóveis precisam transportar energia com eles, quanto maior a quantidade, maior a autonomia.
Neste momento, a melhor forma económica de transportar energia é o gasóleo e a gasolina que contêm  uma potência de 7,0 cavalos durante uma hora por kg de combustível (5,2 kwh/kg, rendimento de 40%, incluindo o aquecimento).
Um automóvel pequeno gasta 4,3 litros de gasolina por 100km o que traduz um consumo de 0,17 kwh/km.

Um automóvel elétrico tem o problema da bateria!
Peso/autonomia.
Uma bateria básica (22 kwh do Renault Zoe R90 22) pesa 290 kg e equivale a 5 litros / 4kg de gasolina.
Assim, um automóvel com um depósito de 32 litros, tem 6 vezes mais autonomia que um automóvel elétrico.

Abastecimento.
Meter gasolina demora 5 minutos. Carregar a bateria demora 5 horas.

Duração.
O depósito de gasolina dura para todo o sempre.
A bateria permite 600 re-cargas e sempre a perder capacidade.

Custo.
O depósito de gasolina custa alguns euros.
A bateria é metade do preço do automóvel elétrico.
O BMW série 1 a gasolina custa 30750€ e é melhor que o Tesla X 75 D que custa 67500€.
Pensando que ambos os carros se amortizam em 15 anos a 20000km/ano (total de 300000km) e que a bateria dura essa quilometragem toda, para uma taxa de juro de 3%/ano temos como custo do veículo, sem combustível nem manutenção, de:

BMW série 1 => 0,129€/km
Tesla X 75 D => 0,283€/km
O meu carrinho a gasolina custa-me (amortização do carro mais combustível) 0,10€/km!

No princípio, parecia tudo bem.
Seria de prever que, inicialmente, a Tesla iria ter prejuízo porque era preciso investir uma grande soma de dinheiro em investigação e desenvolvimento para, depois, ter lucros com os produtos desenvolvidos.
Assim, seria aceitável que entre 2009 e 2012 apresentasse um prejuízo de 36% da faturação desde que esse prejuízo fosse diminuindo com o tempo (e o aumento da faturação). E, realmente, isso foi acontecendo parecendo que em 2014 tinha sido atingido o break even point (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - Evolução do prejuízo/faturação da Tesla, 2010 - 2014 (dados, YCharts.com)

O problema, veio depois.
É que, afinal, os produtos não eram assim tão bons e foi preciso reforçar o investimento em I&D.
Desta forma, verificou-se que 2014 não tinha sido o break even point (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Evolução do prejuízo/faturação da Tesla 2014 - 2017 (dados, YCharts.com)

A razão para a Tesla ir falir.
São várias as razões.

1) O produto tem pouca margem.
Quando a Intel desenvolveu o novo processador Core i7-6950X, teve que fazer um grande investimento inicial  mas, depois, consegue diluir esse investimento porque produzir cada unidade custa 20€ e tem um preço de venda de 1400€.
A Intel consegue vender o Core i7-6950X com tal margem porque A) o design é patenteado e B) a performance é bastante superior aos concorrentes existentes no mercado (AMD Ryzen 7 1800X por 425€).
O automóvel elétrico fica muito caro de produzir em relação aos preços a que pode ser vendidos (não há margem para diluir os custos de I&D).
A Tesla está a cobrar preços que são 300% dos preços dos carros idênticos a combustível líquido e, mesmo assim, não consegue ter lucro.

2) É uma inovação incremental.

Em termos de design,
São conservadores, procurando manter total semelhança com os automóveis a gasolina e isto, em termos comerciais e tecnológicos, está errado.
Um automóvel ou um camião não têm nada a ver com as carroças puxadas a cavalos e a bois.
O veículo elétrico também deveria procurar ser diferente em relação aos automóveis atuais. Penso que não se deveriam preocupar com o peso, a aceleração e a velocidade do veículo mas com novas funcionalidades (por exemplo, o estacionar autonomamente e de forma compacta) e com o custo.
E o veículo tem que ser maior e mais lento que os automóveis a gasolina (para conter baterias mais baratas).

Porque me lembrei do estacionamento.
Um carro tem 1,2 m de altura. Então, podemos imaginar um silo-auto com um pé direito de meio piso, apenas 1,25 m o que, em cidade, será muito vantajoso.
O automóvel sendo elétrico e movendo-se autonomamente, pode andar 1 m e parar. Então, esse silo-auto poderia ser gerido como a memória de um computador, em que os automóveis se moveriam sozinhos de um lugar para o outro de acordo com as necessidades: uma área teria os automóveis a recuperar daqui a algumas horas, estacionados encostados uns aos outros (a memória do "disco") e outra área teria os automóveis mais facilmente acessíveis (a memória "cache").
A não emissão de gases e a condução autónoma, permitiria que esse silo-auto fosse subterrâneo e com atmosfera pobre em oxigénio (para evitar incêndios).
Mas o designer teria que pensar outras novas funcionalidades.

Em termos tecnológicos,
Querem usar a baterias de iões lítio porque já existe muito trabalho feito por causa dos portáteis e dos telemóveis.
Mas isto causa dois problemas. Primeiro, os portáteis e telemóveis precisam de pouca energia, cada vez menos. Segundo, já existem muitas patentes sobre este tipo de bateria. Terceiro, em termos de kwh, são muito caras de construir.
Já que queriam fazer um veículo novo, teriam que pensar num tipo diferente de baterias, baratas, pouco desenvolvidas (para poderem ter patentes fortes) e que durassem muito de forma a terem muita margem na  fase da produção. E essas baterias seriam as de metal líquido, a exemplo da bateria Sódio + Enxofre.
As baterias de metal líquido são baratas, sustentáveis (usam metais abundantes) e duráveis (podem ser recarregadas 3000 vezes) mas são grandes, quentes e "perigosas" (em caso de rotura, o metal líquido arde) pelo que o design do veículo elétrico não pode ser semelhante ao do automóvel a gasolina.
Teria que ser um veículo grande, lento, mais um camião ou um suv do que um automóvel utilitário ou coupé.

NOTA: Como a Testa Inc. é cotada em bolsa ...
Este poste não traduz informação de mercado, não aconselho a venda, manutenção ou compra de títulos desta empresa nem de qualquer outra e não tenho qualquer interesse na mesma nem conflito de interesses.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Baixar o preço da electricidade à Maduro

Em Portugal, as utilidades são muito caras. 
As utilidades, utilities em inglês, são a água, esgotos, recolha de lixos, eletricidade e gás e em Portugal são muito caras e uma fatia muito importante do orçamento das famílias de menores recursos. 
São muito caras, dizem os esquerdistas, por causa das rendas excessivas que os governos socialistas "negociaram" no passado.
São muito caras porque, sendo monopólios, os governos não se têm preocupado em criar condições para que possa haver uma diminuição dos custos de produção (que é diferente dos preços).
Neste poste vou falar da eletricidade e mostrar como todos poderíamos ficar a pagar muito menos se tivéssemos um governo que não fosse populista e incompetente.
Bem sei que o Rui Rio e o Santana Lopes também são populistas e incompetentes mas também sei que, num futuro não muito distante, vai surgir uma pessoa competente como foram o Cavaco silva e o Passos Coelho.

A redução do preço à Maduro.
Fase 1 = Faz-se uma campanha na comunicação social contra o grande capital e as rendas excessivas no sector da eletricidade dizendo que os preços têm que diminuir.
Fase 2 = Impõe-se administrativamente uma redução nos preços.
Fase 3 = Começamos a ter cortes de energia nas horas de maior consumo (a qualidade do serviço diminui).

O problema da coisa pública é a função objetivo não incluir o bem comum.
O objetivo de cada um de nós é o nosso próprio bem-estar.
Não são os inocentes das Raríssimas e o Sócrates que são desvios ao comportamento humano.
Acham natural que o Rui Rio, pessoa que nunca assinou uma contabilidade, nem os recibos verdes de um engraxador, receba 1500€ por mês da Ordem dos Contabilistas para estar de corpo presente em duas reuniões por ano? Eu acho totalmente natural, eu faria o mesmo ou pior mas eu não digo que sou sério.
E aquele Lacerda que negociou qualquer na TAP porque era amigo do Costa. Depois, ficou com um tachinho na TAP porque era especialista em TAPs. Finalmente, vai substituir o Catroga a receber 40000€/mês porque tem muita experiência em mamadeira na vaca que até voa.

Mas vamos ao que interessa.
Os do meu emprego são pessoas muito sérias, acima de qualquer dúvida.
Acontece que, agora, começaram com obras de manutenção.
Vão mudar a caixilharia das janelas (mas não os vidros), fazer umas melhorias em 10 casas de banho, obras em 7 salas e refazer a canalização do aquecimento. Depois, ainda vão fixar algumas coisas da parede, ver um teto falso que está descaído (não mexem na estrutura) e concertar uma pala em madeira que está podre porque começou a meter água e ninguém mandou impermeabilizar.
Não vão tratar da cobertura nem do piso, o mobiliário vai ficar o mesmo, apenas pequenas coisas.
Agora, feche os olhos, imagine as obras a serem feitas e, agora, vem o preço, 5 600 000€.

Eu não posso dizer onde trabalho!
Se por uma coisa de nada, por ter dito que para resolver o problema do afogamento dos refugiados era mandar os aviões da TAP buscá-los antes de entrarem nos barcos, estive 30 dias sem ordenado ...
Agora, dizer que 5 600 000€ davam para construir um edifício novinho em folha, tudo materiais de primeira categoria, com 30 salas de 80 alunos, uma biblioteca com 500 lugares sentados, 50 gabinetes de estudo, uma sala  para exames com 300 lugares sentados, 20 casas de banho e ainda espaços de convívio à farta vai-me tirar 300 dias.
Como dizia o meu pai, "e esta massa toda, vai ser enterrada em meia dúzia de merdas".

O problema da eletricidade é a variabilidade temporal.
Há variabilidade no consumo e na produção que não são controláveis.

O consumo.
Em média, em 2016 consumimos uma potência de 5600 Mw mas este valor variou entre um mínimo de 4500Mw e um máximo de 11000Mw.
As pessoas consomem menos eletricidade quando as temperaturas são amenas e durante a noite. Assim, o consumo máximo observa-se no Inverno, durante os dias de trabalho e entre as 7h e as 9h e entre as 20h e as 22h. O consumo mínimo observa-se nas noites da primavera e do outono.

A produção.
Há uma parte substancial da potência instalada que está dependente da Natureza (a produção eólica que depende do vento e a produção hídrica que depende das chuvas).

A gestão da rede elétrica.
Em cada instante a quantidade consumida tem que ser pelo menos igual à quantidade produzida.
   Consumo <= Produção
Quando a produção hídrica e eólica é maior que o consumo, tem que se destruir parte da produção
   Consumo = Eólica + Hídrica + Desperdícios
Quando a produção hídrica e eólica é menor que o consumo, usam-se as centrais a combustíveis fósseis
  Consumo = Eólica + Hídrica + Fósseis
Como Portugal tem uma potencia instalada eólica muito grande, que em dias de vento produz mais que o consumo, e ainda se soma que quando há mais vento também chove (as barragens produzem muita eletricidade), há muita eletricidade que "vai para o lixo".
OK, também há exportação e importação mas o mercado externo sofre dos mesmos problemas que o nosso: quando nós precisamos, eles também precisam e, quando temos a mais, eles também têm a mais. Além disso, há perdas na rede e as linhas de transporte para a Europa têm pouca capacidade.

A tarifa bi-horária.
O custo da eletricidade eólica e hídrica resulta da amortização do investimento no equipamento o que faz com que o custo do dia a dia (o custo variável) seja praticamente zero. 
Por causa disso, durante os períodos de menor consumo, a "EDP" vende a eletricidade com desconto de 50%.

Vamos imaginar um mundo daqui a 50 anos, talvez já pós-futurista.
Nesse tempo, toda a energia será produzida por luz solar, apenas 8 horas em cada dia, que é armazenada para gastar durante a noite.
Para um consumo médio de 5600 Mw, será necessário produzir 19600 Mw durante o dia, 5600 Mw para gastar e 14000 Mw para armazenar e usar nas 16 horas em que não há luz solar (assumindo uma recuperação de 80%).
Mas, como será tecnologicamente possível armazenar tal quantidade de energia?
Se hoje pudéssemos transferir eletricidade dos momentos de maior produção e menor consumo para os momentos de menor produção e maior consumo, poderíamos ter um preço mais baixo e, mesmo assim, emitir menos C02 e as "elétricas" terem mais lucro.
Mas transferir, já o estou a imaginar a pensar, obriga a ter baterias e as baterias são muito caras e duram pouco.

Mas não só há baterias! 
Existem as barragens reversíveis que bombeiam a água para cima durante os períodos em que há excesso de eletricidade (e que está no "mercado" a preço quase zero) e que turbinam essa mesma água nos períodos em que há défice de eletricidade (e que está no "mercado" a preço elevado). Com a tecnologia existente, por cada 100 kwh usados a bombear água para cima (comprada a energia a 0,02€/kwh), são posteriormente produzidos 80kwh (vendidos a 0,075€/kwh).
Assim, a barragem reversível é lucrativa (porque tem um custo de 0,025€ para produzir 1kwh que tem um preço de 0,075€) e esta "arbitragem" é boa para o consumidor porque a produção "em ponta" é muito mais cara.

O problema é que as barragens reversíveis precisam de sítios especiais e que são raros.
Há poucos locais no mundo adequados para construir uma barragem reversível com potência instalada acima dos 1000 GW porque é precisam um local onde seja possível construir duas albufeiras que armazenem muita água e estejam a cotas bastante diferentes.
Se imaginarmos uma central capaz de produzir 5600 Mw, os locais talvez se contem pelos dedos de uma mão com alguns dedos cortados.
Mas, por força do destino, Portugal tem um desses locais mesmo à mão de semear.

Fig. 1 - Esquema de uma barragem reversível


A Barragem reversível de Alvarenga (no Rio Paiva). 
Alvarenga fica próximo da cidade do Porto, no Rio Paiva.
Os estudos relativamente à construção de uma barragem nas proximidades da ponte que liga Arouca a Alvarenga começaram em 1915 e apontam para a possibilidade de construir uma barragem com 1000 hm3 de armazenamento, com 150 m de altura e com capacidade para produzir 2000 Mw durante 48 h.

É preciso fazer outra ponte sobre o Douro, à cota baixa.
O investimento público a maior parte das vezes é estúpido e só serve para encher os bolsos de alguém.
Mas há coisas que fazem jeito e uma delas é uma nova ponte sobre o Rio Douro no Porto, próximo do mar à cota-baixa.
Neste momento, o Porto é uma cidade turística à beira rio e tem apenas um atravessamento à cota-baixa (a Ponte Luís I) e que está muito congestionado e que tem passeios muito pequeninos e perigosos.
Então, faz todo o sentido pensar num novo atravessamento à cota-baixa mais próximo do mar.
Quando foram as eleições de 2011, o candidato do PSD, avançou com a ideia de se fazer um túnel (e perdeu as eleições) mas eu que costumo passear à beira rio, penso que vi uma solução melhor e mais barata: a criação de um tabuleiro inferior na Ponte da Arrábida.
Como o tabuleiro inferior da Ponte Luís I está à cota 17 m,  navegabilidade só obriga a que o novo tabuleiro fique acima desta cota, 20m será suficiente.
O novo tabuleiro, feito em arco, pode descarregar toda a carga no maciço rochoso mas, além disso (e talvez fique mais bonito), também pode ser suspenso no arco da Ponte da Arrábida.

Fig. 2 - Um novo tabuleiro inferior na Ponte da Arrábida fica mesmo a matar.

Hoje tive uma visita do passado.
Quando eu era pequenino, uma vizinha minha que estava na França tinha 3 filhas, mais novas que eu mas com um cabelo muito comprido. Já lá vão 40 anos.
Hoje às 20h tocaram-me muito à porta lá de baixo mas eu não fiz caso. Depois, telefonaram-me e eu vi que eram as Testemunhas do Senhor Jeová. Não liguei porque estava mesmo na hora de jantar.
Mas, passado um bocadinho, tocaram mesmo na minha porta e eu tive que ir abrir.
Era a Raquel, a testemunha habitual, e outra, morena, cabelo comprido, tipo cigana que disse, "Eu sou a Ilda, a filha da Georgina do Pamparão."
Eu fiquei altamente irritado por estar na hora do jantar mas, para controlar a minha raiva, fui para a cozinha (comer) e deixei-as a falar com a minha mãe (que já quase não diz coisa com coisa).
Depois, passado meia hora, vim falar com elas e moça está toda boa, ainda com cabelo muito comprido (usa trança) mas em nada parece ter 48 anos e um filho com 30 anos!

A lição foi interessante, tratou-se de um exercício de exegese.
1 = Se Jesus, que era Deus, era amigo de Lázaro é porque Lázaro era bom aos olhos de Deus.
2 = Se há Céu, espaço de felicidade eterna, como Lázaro era bom aos olhos de Deus, quando Lázaro morreu, foi para o Céu.
3 = Jesus chorou quando soube que o amigo Lázaro tinha morrido pelo que sabia que Lázaro estava num sítio pior que a Terra.
4 = Jesus ressuscitou Lázaro porque o queria bem e este não disse "Foste mau porque me trouxeste de um sítio muito melhor."
Daqui fica mais do que provado que, quando as pessoas boas morrem, não vão para o céu. 

Sem mais nem quê, a Pamparoninha disse "o meu casamento correu mal, estou divorciada" e terminou com uma frase bíblica que, normalmente, é usada pelos borguistas: "Nascemos do pó e ao pó voltaremos."
Eu até pensei em lhe pedir o telefone ... para discutirmos mais aprofundadamente esse mandamento de Deus do "crescei e multiplicai-vos".
Mau! - pensei logo eu - Será que vou acabar, a "vender bíblias" porta a porta?
Pensei logo no ditado popular: "5 minutos em cavalo novo dá um mês de dores de costas."

Fig. 3 - Eu venho com a mensagem do Deus cujo nome é Sr. Jeová. 

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