segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

O Krugman deu-me razão quanto a descer os salários

Em finais de 2009 a taxa de juro da dívida pública portuguesa tinha descido de 4.8% para 4.0%/ano e o país estava entretido no "choque tecnológico" do Sócrates. Era o tempo das eólicas, dos carros eléctricos, dos magalhães, das obras da Parque Escolar, do TGV e da famosa "isto está bom para não dizer que está óptimo".
Mas eu estava a re-estudar o Barro e vi que havia sinais de que um tsunami se aproximava de Portugal. Então, escrevi um texto que publiquei em Fevereiro de 2010:
Escrevi, penso que fui eu o primeiro em Portugal, que os juros iriam subir e que o endividamento sem tino de então iria obrigar a descer os salários.

O Krugman era, até ontem, o ideólogo dos esquerdistas.
Nem imaginam o que os meus colegas da academia disseram de mim.
O ataque foi, e continua a ser, de tal magnitude que fui praticamente proibido de abrir mais a boca.
Como já relatei, até este blog é vítima constante de tentativas de silenciamento post 1 post 2.
Mas eu continuei a pregar que o futuro do socratismo seria a descida generalizada dos salários.
O Krugman e o Stiglitz vieram a terreiro dizer repetidamente que isso seria uma aberração. Eu disse que estavam errados e repeti que estavam errados.

A autoridade das ideias não vem de quem as diz mas das próprias ideias.
As pessoas têm cabeça para pensar e, analizando a argumentação, são capazes de tirar um conclusão quanto à razoabilidade das afirmações. Mesmo que uma afirmação venha de um ou dois prémios Nobel, eu pensei sobre o assunto e conclui que estavam errados. Confiante na minha argumentação, disse-o publicamente sem medo do ridículo.
Hoje, 30 de Janeiro 2010, o Krugman vem afirmar no Le Monde que os salários em Portugal têm que descer 20%.
O que irão agora dizer aqueles que tanto mal disseram da minha argumentação?
Vão dizer que o Krugman enlouqueceu.

Fig. 1 - Qualquer parte da ideia é boa mas a moça não pode abrir a boca.


Agora vamos ver a taxa de juro.

Ontem de madrugada observei que o pânico estava a crescer e aumentou hoje com a explosão da taxa de juro implicita da dívida pública portuguesa a 10 anos para 17.4%/ano. As pessoas do governo gostam de dizer que a culpa é dos outros, que é da Grécia, da Merkel do Sarkozy ou dos Mercados mas o mal está em nós.

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro implícita 10Y nos últimos 6 meses (bloomberg)

No trimestre Set-Nov 2011 a taxa de juro esteve estável entre os 11%/ano e os 12%/ano. Uma obrigação portuguesa equivalente a uma alemã de 100€ já estava desvalorizada para 46€. Depois veio a greve da CP e das outras empresas pública e a taxa de juro saltou 2 pontos percentuais (para entre 13%/ano e 14%/ano).
Depois, a intervenção do BCE fez descer ligeiramente a taxa de juro mas no dia 13 de janeiro de 2012 veio a bomba "acabou a meia hora". A taxa de juro aumentou imediatamente de 12.5%/ano para 14.5%/ano e, decorridos 15 dias, já vai nos 17.4%/ano (ver Fig. 2). Em oposição, a taxa de juro de toda a gente diminuiu, até a da Grécia. É preciso ser mesmo mau. É obra.

A minha proposta para uma redução de 15% dos custos do trabalho.
Primeiro, os horários aumentam para 45h/semana e o salários aumentam 12.5% para não ser inconstitucional.
Segundo, a TSU do trabalhador de todos os salários aumenta de 11% para
20%                                          para salários <= 675€/mês (que corresponde a um salário actual de 600€)
20% + 12%(salário-675)/675    para salários > 675€/mês e <= 1350€/mês . 
32%                                          para salários >= 1350€/mês

Esta TSU inclui o corte dos subsídios de Natal e de férias da mesma forma que foi aplicado aos empregos públicos.
Terceiro, a TSU do empregador diminui de 23.5% para 5%.
A TSU dos recibos verdes fica na mesma pois esse mercado de trabalho é perfeitamente flexivel.

Esta contabilidade de TSU diminui os custos do trabalho
Aumenta os salários em 12.5%;
E faz aumentar automaticamente o PIB em pelo menos 5% (é a contabilização dos salários);
Aumenta o horário de trabalho para o nível de 1995 (pré-socratismo);
Corta os subsídios de férias e de Natal sem mexer nos contratos (a equidade do Cavaco);
É constitucional.

Se lerem aquele texto chato que escrevi vão ver que
Esta diminuição dos custos do trabalho faz diminuir o desemprego (e não aumentar como dizem os esquerdistas).
Faz diminui o rendimento dos empregados mas aumenta o dos desempregados. Ponderando empregados e desempregados, aumenta o rendimento disponível das famílias.
É um factor de crescimento económico fazendo aumentar o PIB (e não diminuindo como parece óbvio).
Mas estas conclusões não são óbvias  
Pois. Mas nem tudo é óbvio. Por isso é que o povo tem que estudar.
Não é nada óbvio que a radioactividade cure o cancro mas é isso que fazem na Radioterapia.
Não é nada óbvio que meter carne de porco crua 15 dias em vinhadalho e depois dependurá-la um mês no fumeiro dê algo comestivel e bom.
Não é nada óbvio que caminhar uma hora por dias não gaste as articulações mas antes pelo contrário.
Não é nada óbvio que bater nas mulheres as faça gostar mais de nós. Bem, esta não deve funcionar.





Quanto mais se estuda mais se sabe
Quanto mais se sabe mais se esquece
Logo, quanto mais se estuda, mais se esquece.
Isto é óbvio.

Pedro Cosme Costa Vieira

A Russia e o Brasil. Quem terá maior potencial?

Não tenho dúvida que a China será uma grande potência.
Se a inevitável democratização da China for um processo razoavelmente tranquilo então, por volta de 2040, algumas províncias da China serão países independentes, talvez as 10 mais interiores e pobres estando a China reduzida a 25% da sua dimensão actual concentrando-se na zona costeira (ver Fig. 1).
A fragmentação de uma federação acontece quando existem regiões que têm um desenvolvimento muito diferentes da média do país. Como as regiões mais ricas não querem subsidiar as regiões mais pobres ou as mais pobres querem viver de subsídios, a união implode. Foi o que levou ao fim da União Soviética (a saída dos países bálticos), da Jugoslávia (a saída da Eslovénia e a Croácia) e que vai levar ao fim da Zona Euro (a saída da Alemanha).

Fig. 1 - Em 2040 a China será democrática, rica e muito menor (a zona a verde).

Em 2040 a China Costeira atingirá a fronteira tecnológica com um PIB per capita de 60000 dólares (preços de 2005) e será uma das duas superpotências mundiais (a outra será o "ocidente", USA + Europa).

Fig. 2 - Evolução do PIB pc da China (1980-2010, Banco Mundial; 2011-2040, minha previsão)

E qual será o futuro da Rússia e do Brasil?
Eu penso que é mais importante o bem-estar do individuo que a força do colectivo. Por exemplo, a Nigéria tem um PIB 8.6 vezes o do Luxemburgo mas a Nigéria é conhecida por Migéria porque é uma miséria viver lá. Isto porque o poder de compra de um luxemburguês é 36.5 vezes o poder de compra de um nigeriano (em paridade do poder de compra, fonte: Banco Mundial, 2010). A dimensão económica da Nigéria vem dos seus 150 milhões de pobres enquanto a pequenez do Luxemburgo deriva dos seus 500 mil ricos.
Temos que ver como tem sido o comportamento dos países em termos per capita.

A população.
Em 1980 o Brasil tinha 90% da população russa e em  2020 terá 150%. A população brasileira está a crescer rapidamente (1.6%/ano) enquanto que a população russa está estabilizada nos 140 milhões. Então, para o nível de vida se manter constante, o PIB do Brasil tem que crescer 1.6%/ano.

Fig. 3 - Evolução da população do Brasil e da Rússia (1980-2010, BM; 2020, minha previsão)

Como tem evoluído o PIB per capita.
Os países mais pobres têm tendência a crescer mais depressa: é o catching up. Como existe difusão da tecnologia dos países mais desenvolvidos para os menos desenvolvidos a preço de saldo (por exemplo, não seria possível haver computadores no meio de África se os custos de desenvolvimento não tivessem sido incorridos pelos países mais desenvolvidos), há uma tendência para que os países mais pobres cresçam mais depressa que os mais ricos.
Nos últimos 5 anos, a taxa de crescimento do PIBpc da Rússia (3.84%/ano) é superior mas quase idêntico à taxa de crescimento do Brasil (3.43%/ano). Isto é bom mas não é nada de extraordinário. Por exemplo, o Peru (+6.1%/ano) e a Argentina (+5.85%/ano) tiveram um crescimento muito superior ao Brasil e ninguém fala disso.
comparando com os países com um grau de desenvolvimento semelhante, como a Rússia (13890USD) tem um PIBpc maior que o Brasil (9405USD), a taxa de crescimento do Brasil está na média enquanto que a Rússia está significativamente acima (ver Fig. 4).

Fig. 4 - Comparação do crescimento do PIBpc do Brasil e da Rússia com os 20 países semelhantes (2006-2010, BM)

A Rússia foi muito penalizada com o desmoronar da URSS tendo reduzido o PIBpc para menos de 50% do nível dos anos 1980. No entanto, desde 1998 (o reinado Putin-Medvedev) tem recuperado rapidamente. Em média, nos últimos 12 anos o PIBpc russo tem crescido 5.65%/ano enquanto que o do Brasil se ficou pelos 2.15%/ano (que é muito bom).

Fig. 5 - Comparação do PIBpc do Brasil e da Rússia (1990-2010, BM)

E o futuro?
O futuro é muito difícil de prever.
Prevejo que a Rússia se vai tornar um país integralmente europeu. Como já perdeu a posição de super-potencia expansionista e a sua população de 140 milhões já está à escala dos países europeus (a Alemanha tem 80 milhões, a França, Itália e Reino Unido têm 60 milhões) com o tempo haverá uma quase integração na União Europeia.
Em comparação com o Brasil, a Rússia tem a vantagem da localização.

O investimento e a poupança.
No período 2000-2010 a formação líquida de capital na Rússia (11.6% do PIB) é bastante superior à do Brasil (6.1% do PIB) (ver Fig. 6).

Fig. 6 - Investimento líquido no Brasil e na Rússia (2000-2010, pp do PIB, BM)

Também existe uma diferença significativa no facto de na Rússia esse investimento ser feito com poupança interna (e ainda fazem investimento no exterior) enquanto que no Brasil é feito com financiamento externo (ver Fig. 7).
O financiamento externo parece interessante mas, a prazo, o pagamento de juros e dividendos faz diminuir o nível de vida da população.

Fig. 7 - Poupança líquida no Brasil e na Rússia (2000-2010, pp do PIB, Banco Mundial)

E as previsões do FMI para 2015?
Dão para a Rússia (+4.46%/ano) uma taxa de crescimento do PIBpc superior ao do Brasil (+3,44%/ano).
Se esta taxa de crescimento se mantiver, lá para 2040 (quando a China vai atingir a fronteira tecnológica com um PIBpc de 60000USD), a Rússia estará nos 75% (45000USD) e o Brasil nos 40% (25000USD) da fronteira tecnológica.

Concluindo.
O facto da Rússia ter mais poupança interna, ter as contas externas (a balança corrente) positivas (e o Brasil negativa), ter mais investimento, ter uma população mais escolarizada e ser um país europeu indica-me uma vantagem relativamente ao Brasil.
A Rússia exporta 6 milhões de barris de petróleo por dia. A 100USD/barril são 220 mil milhões USD/ano (10% do PIB). O Brasil ainda não exporta nada.
Mas a minha bola de cristal está um pouco embaciada.

Fig. 8 - É dífícil prever se, em 2040, esta criança vai ser uma caloteira como o Sócrates.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 28 de janeiro de 2012

Porque será que as taxas de juro sobem?

A taxa de juro implícita na dívida pública portuguesa não pára de subir.
E não parece ser o fim do mundo. Continua tudo a funcionar mais ou menos de forma normal.
Mas para compreender o impacto das taxas de juro vou traduzi-las em euros.

A taxa a 30 anos atingiu esta semana 11.288%/ano.
Esta taxa é aplicada a contratos sobre imóveis. Imaginemos uma pessoa que pediu 100 000€ para comprar uma casinha que amortiza em 30 anos. Se a taxa de juro for a EURIBOR mais um spread de 0.5 pontos percentuais (equivalente a uma taxa fixa de 3.8%/ano), a prestação mensal será de 462€/mês. Se pagar os 11.288%/ano, a prestação vem aumentada para 929€/mês (o dobro).

A taxa a 10 anos atingiu esta semana 15.220%/ano.
Esta taxa será aplicada a investimentos em tecnologias maduras (de baixo risco tecnológico) em empresas sólidas, por exemplo, os investimentos da EDP.
Um viravento de 1.5MW de potência que custe 1.5Milhões€ e se amortize em 10 anos, para uma taxa de juros de 4%/ano (a rentabilidade global do activo da EDP é de 6%/ano), implica um custo de 20.73€/hora. Para uma utilização de 25%, implica um custo financeiro de 0.0553€/kwh de energia eléctrica produzida.
Para uma taxa de juros de 15.22%/ano, implica um custo de 32.22€/hora que implica um custo financeiro de 0.0859€/kwh (mais 55%).
Como os contratos especiais pagam na ordem de 0.072€/kwh, as eólicas estão no vermelho (nos primeiros 9 meses de 2011 a Martinfer anunciou um prejuízo de 34.7M€ que a faz entrar em falência técnica).

Fig. 1 - O valor da Martinfer, estrela do choque tecnológico do Sócrates, está a perder-se à razão de 40%/ano (fonte: bolsa PT). Coitados que um foi meu colega de residência e o outro foi aluno da FEP.

A taxa a 5 anos atingiu esta semana 19.822%/ano.
Esta taxa será aplicada nos investimentos normais das pequenas e médias empresas com boa situação financeira, por exemplo,um investimento de ampliação da capacidade produtiva de uma empresa têxtil.
Um investimento de 1M€ a 6%/ano, amortizado em 5 anos, implica o pagamento de 19260€/mês.
A taxa de juro de 19.822%/ano implica o empresário ter que arranjar 25500€/mês (mais 33%).
Como as empresas não podem repercutir os aumentos nos custos financeiros nos preços, vão acumulando prejuízos e, hora a hora, vão derretendo o capital próprio até que entram em falência.
Um ano ou dois ainda aguentam, agora que se está a antecipar que a situação não vai melhorar tão cedo, vão ser falências em catadupa.
E mais desemprego.
É incrível como as pessoas que eu conheço estão a cair todas na situação de desemprego.
Falo com alguém e ou tem a filha desempregada ou o marido ou está ela própria desempregada.
E o que faz o nosso governo?


Fig. 2 - Evolução da taxa de juro portuguesa implícita a 30 anos (fonte: bloomberg)

No tempo do Sócrates a situação degradava-se à cadência de +0.18 pontos percentuais por mês. Era governar sobre brasas.
Depois veio a campanha eleitoral onde a situação se degradou ainda mais rapidamente (+ 0.58 pp/mês). Foi o colapso total do guterrismo-socratismo.
O ppc ganhou e, no início, não lhe foi dado muito crédito mas, depois, a coisa estabilizou a coisa nos números do Sócrates (+ 0.18pp/mês). O interessante é que nestes tempos anunciava-se que está tudo no bom caminho e o povo estava com esperança. Não havia aquele nervosismo do Sócrates a ver Roma a arder.
Agora, entramos nas fase do pânico.
É interessante como rapidamente o Pedro Passos Coelho se transformou num novo Sócrates: anuncia mas não faz nada.
Auela do "acordo ca concertação social" é mais um choque de competitividade para inglês ver.

A causa da subida das taxas de juro são os erros do governo.

Erro 1 - Subida dos impostos sobre os juros e dividendos
Portugal tem uma taxa de poupança muito baixa e precisa de constante financiamento exterior. Então, quem poupa e investe deveria receber uma medalha. Mas o Passos Coelho deve-se ter lembrado daquele iluminado que desceu as taxas de juros dos Certificados de Aforro: poupar diminui o consumo, logo é mau.
Faz-me lembrar o famoso pensamento alentejano:
Penso, ................... Logo, ......................................................... Cansado,
hurrrr bczzzzzz, hurrrr bczzzzzz, ........

Erro 2 - Dizer que em 2011 Portugal teve um saldo primário positivo de 200M€.
Isto é tentar enganar o povinho como fez repetidamente o Sócrates.
Mas houve uma "receita" de 6000M€ que deveria ser contabilizada como um empréstimo que os pensionistas da banca fizeram ao Estado.
Será que os nossos governantes se esqueceram disto?
Pelos vistos sim porque nem está previsto no OE2012 dinheiro para pagar aos pensionistas da banca. O Gaspar pensava que o dinheiro era dado. Coitadinhos de nós que ao leme está um homem ché-ché.
Se tirarmos os 6000M€, o défice fica acima do 7.5% do PIB quando o Sócrates nos tinha comprometido com a Troika a um máximo de 5.9% do PIB.
Já dizem que, se tudo correr bem, vamos atingir essa meta este ano.

Erro 3 - O Gaspar ter dito que "não haverá mais austeridade".
Então como é que se vai controlar o défice público? Por milagre da Nossa Senhora de Fátima?
Vamos todos a pé a Fátima?
Alguém emprestava dinheiro a um falido que dissesse "aconteça o que acontecer, não vou fazer mais austeridade"?

Erro 4 - Deixar cair a meia hora de trabalho.
Assim sem mais nem quê. O povo já estava preparado. As empresas já estavam a aceitar encomendas com desconto a contar com esta meia hora. E pronto, acabou.
Gastam horas e horas a discutir o assunto, a fazer estudos e a convencer o povo e, num minuto, acabou.
Mas que palhaçada é esta?

Diz o Pepe Rápido
Vai ser tão bom a próxima meia hora não foi?

Erro 5 - dizer que a TSU não diminui em nenhuma circunstância.
Isto é uma brincadeira de crianças.
Acordam com a Troika a redução substancial dos custos do trabalho.
Depois elegem a TSU como instrumento de política.
Arrependem-se e avançam com o aumento do horário de trabalho.
Arrependem-se e veem com quê?
Como um prato cheio de nada.
Cortar o Dia de Carnaval?

Como é que vamos controlar os custos do trabalho?
Relativamente aos custos do trabalho dos nossos parceiros da Europa, os nossos custos aumentaram 25% desde o fim do cavaquismo. Se não caminharmos no sentido de corrigir este diferencial, não há forma como evitar a bancarrota total. Catastrófica.
Medida 1     - Recordemos que no cavaquismo o horário de trabalho era de 45h/s. Repor as 9h/dia.
     Será uma redução de 11% nos custos do trabalho.
Medida 2  - Cortar 8 pontos percentuais na TSU dos empregadores.
     Será uma redução de 6.5% nos custos do trabalho.
Medida 2.1  - Cortar os subsídios de Natal e de férias no privado transformando-os em TSU extraordinária.
Medida 2.2 - Cortar os salários milionários com uma TSU de solidariedade (33% entre 15SMN e 30SMN e 66% acima de 30SMN).
Medida 2.3 - Pegar nestas verbas e financiar o corte de 8 pp de TSU de todos os salários privados.
     Será um corte de quase 17% nos custos do trabalho.
Mais o acordado com a UGT e consegue-se estancar a subida das taxas de juro e o caminhar a passo largo para a bancarrota.

Mas não será constitucional aumentar o horario de trabalho sem aumentar o salário?
Resolve-se isso fácil. Aumenta-se o salário do trabalhador proporcionalmente.
Por exemplo, um trabalhador ganha 1000€/mês para trabalhar 40h/s e passa a ganhar 1125€/mês para trabalhar 45h/semana. Assim já é de certeza constitucional, por unanimidade.
Depois, carrega-se o trabalhador com mais 125€/mês de imposto. Vai para a TSU.
Finalmente, pega-se nos 125€ e dão-se ao empregador como "estimula à manutenção do posto de trabalho".
Como o Governo pode cobrar os impostos que lhe apetecer e dar dinheiro a quem quiser, já está.
Isto, em termos económicos, é completamente igual a aumentar o horário de trabalho mantendo o salário.
Mas em termos jurídicos não o é.
Então faz-se assim.
Cumpra-se a lei.

Nota Final. Hoje não apresento nenhuma imagem ilustrativa dos conceitos que apresento (i.e., mulher boas desnudas) por respeito a uma colega minha. É que a senhora fez uma queixa disso ao Ministério Público (e os tais comentários chatos que apaguei). Que estarei a explorar a condição de mulher, o que é um crime à luz da tal constituição.
Nem a dita cuja ter nome de santa nos salva.

Fig. 2 - Esta jovem é professora de uma cadeira muito chata.

A minha colega de gabinete é uma pessoa extraordinária
- No teu ano ias às aulas daquela cadeira muito chata, de não sei quê, do Madureira Pinto?
- Fui a todas e depois ia tirar dúvidas ao gabinete mas nem me lembro do quê.
- Eu não percebia nada daquilo, nem niguém percebia, ninguém fazia ideia do que o homem falava.
- Só me lembro que era muito boa pessoa. Era uma excelente pessoa, mesmo boa. Uma joia de pessoa.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Será que o PIB pode crescer para sempre?

A maioria das pessoas, finas ou burras, professores ou alunos, homens ou mulheres, novas ou velhas, pensa que o PIB não pode crescer para sempre. Como a quantidade de recursos naturais é limitada então, parece por demais evidente que existe um limite físico para o crescimento do que se produz numa economia.
Mas não. O PIB pode crescer para sempre por causa da forma como é calculado.

Como se calcula o crescimento do PIB?
Pegamos em tudo o que se produziu no ano 2010 e multiplicamos pelos preços de cada bem e serviço de 2010. Obtemos assim o PIB a preços correntes.
     PIB(2010) = Quantidades(2010) x Preços(2010)
O PIB corrente de 2011 é maior que o PIB de 2010 se os preços subirem ou se as quantidades aumentarem.
   PIB(2011) = Quantidades(2011) x Preços(2011)
   PIB(2011)/PIB(2010)  = [Quantidades(2011)/Quantidades(2010)]  x [Preços(2011)/Preços(2010)]
Como a subida dos preços não interessa, temos que calcular o PIB com preços constantes de 2010.
Pegamos em tudo o que se produziu no ano 2011 e multiplicamos pelos preços de 2010.
   PIB(2011) = Quantidades(2011) x Preços(2010)
Temos agora o crescimento em "quantidades" dado por
PIB(2011)/(PIB(2010) = [Quantidades(2011)/Quantidades(2010)]  x [Preços(2010) x Preços(2010)]

Crescimento real do PIB
Subtraindo 1 a cada lado da equação, obtemos a taxa de crescimento do PIB em termos de quantidades.
PIB(2011)/(PIB(2010) -1 = Quantidades(2011)/Quantidades(2010) -1

Como é que pode crescer para sempre?
No ano do nascimento de Jesus no Império Romano o PIB per capita a preços actuais seria na ordem dos 200€/ano.  Em termos actuais corresponde a uma pessoa conseguir viver com 250 kg de trigo por ano mais umas hortaliças. Naturalmente que a principal causa de morte na antiguidade era a fome. Se não matassem o povo nas guerras, ele acabava por morrer de fome.
Assumindo Sabendo que o PIB Supondo Em termos médios, nos últimos 2010 anos, o PIB per capita mundial tem crescido a uma taxa de 0.17%/ano.
Nos últimos 40 anos o PIBpc tem crescido 1.6%/ano estando, em 2010, nos 9200USD e o português em 21500USD€.
Para o PIB crescer sempre basta que apareçam continuamente novos produtos (haja inovação tecnológica) que faça os bens existentes tornarem-se obsoletos com o tempo de forma que os preços de cada bem individual diminua ao longo do tempo.
Neste caso, a forma como se calcula o PIB faz com que possa cresça indefinidamente mesmo sob a restrição da quantidade de recursos naturais ser fixa.

O crescimento da China não prejudica o nosso crescimento
Ao pensar-se que o crescimento total está limitado pelos recursos naturais então, o crescimento dos países asiáticos põe em perigo o nosso crescimento.
Mas tal não acontece porque uma economia globalizada faz com que  apareçam novos bens a uma velocidade maior o que induz uma queda dos preços mais rápida e, consequentemente, um maior crescimento económico.

Fig. 1 - Dedico estas duas mulheres nuas a todas as minhas colegas que se sentem diminuídas pela beleza que costumo apresentar. Estas duas são mesmo boas.

Finalmente o Cavaco e a sua reforma
O Cavaco sofre de Alzheimar. Se repararem ele diz "soube agora quanto ganho de reforma da universidade" quando ele já está reformado há 10 anos. Depois, quando lhe perguntaram pela reforma do Banco de Portugal ele não sabia que estava reformado. Na imagem vê-se que ele é tomado de surpresa e aí recorda-se de qualquer coisa mas não sabe o valor. Vai buscar uma memória retrógrada, "fui do nível 18 com cargo de chefia" mas já não faz ideia do que isso é.
Uma vez vi num filme um maluco que disse "Se aparece uma pessoa cega, todos têm pena. Se aparece um maluco, todos se riem e tentam gozar".
Agora é preciso que protejam o homem e não deixarem que enlouqueça em directo.
Temos que deixar o homem em paz senão não vamos ter Cavaco até ao fim do mandato.
Pessoas com muito mais saúde mental que o Cavaco estão em Lares Séniores.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A austeridade, o consumo e a recessão

Portugal vive em austeridade.
Naturalmente, a austeridade consiste em gastar menos pelo que, naturalmente, a austeridade nos faz viver, no presente, pior.
Existem muitas pessoas que anunciam (os comunas, os socialistas, professores universitários e demais malucos e caloteiros) que a "política" de austeridade não é necessária. Neste poste, por ser um dos malucos, vou provar que a "politica" de austeridade tem alternativas que devem ser imediatamente seguidas.

Fig. 1 - Poupa-me que estás em austeridade.


A austeridade, o consumo e a recessão.
A Procura Interna de um país (o total de coisas compradas) é dada pela aquisição de bens de consumo (o consumo strictum sensu) mais a aquisição de bens de investimento. Assim, quando se diminui o consumo ss, não se diminuiu o total adquirido (a procura agregada) mas apenas se  muda de bens de consumo para bens de investimento.
Vamos supor que um país tem as suas contas externas equilibradas. Se, colectivamente decidir consumir menos desviando a produção para o investimento então, passará a crescer a uma velocidade maior.


É a austeridade expancionista.  
É o que se passa com a China e a Índia. Em média de 2008-2010, a China poupou 52% do PIB e cresceu 9.2%/ano; a Índia poupou 31% do PIB e cresceu 6.2%; Portugal poupou 13.1% do PIB e cresceu -0.5%/ano.
Um país que previlegie o consumo em detrimento do investimento está condenado à estagnação.
Como eu, por mostrar fotografias de mulheres nuas, não tenho credibilidade, quem diz isto são Solow (1956) e Swan (1956).

O grave problema de Portugal é que, desde o início da Guerra de África (1961) que a soma do consumo mais o investimento mais os juros pagos ao exterior é muito maior que a totalidade dos bens e serviços que produzimos. Entre 1975 e 1985 (o PREC), gastamos mais 13%, entre 1985 e 1995 (o cavaquismo) gastamos mais 5% e, entre 1995 e 2010 (o guterrismo - socratismo) gastamos mais 11% do que produzimos (ver Fig. 1).

Fig. 2 - Excesso de consumo português (linha a azul) em % do PIB (fonte: Banco Mundial e Porbase)

Este excesso de "consumo" interno pode ser corrigido de quatro formas diferentes.

1) Se houver tansos por esse mundo fora que "já estão a tremer das pernas" que nos emprestem mais dinheiro para mantermos o nosso nível de consumo e investimento maluco sabendo que nunca lhes vamos pagar nada então, podemos investir o que aumentará o PIB. Mas, para investir é preciso poupar (a tal austeridade crescente) ou arranjar os tais tansos.
Esta é a opção preferida dos esquerdistas e que tem o seu guru no sócrates, o caloteiro. Argumentam que são os credores (a quem não vamos pagar) que mais têm a ganhar com isto. Destruimos estradas com utilidade (como fizeram no IP4 para Bragança, na linha da Trofa e de Coimbra - quem fez tamanhos crimes merece 25 anos de cadeia) e fazemos estradas para lugares que não têm ninguém e assim fazemos um Portugal rico.
Como é que emprestando dinheiro a alguém que não me paga me pode beneficiar. Irei para o Céu?
Como é que destruindo o que está feito nos faz viver melhor? Será a terapia de dar uma martelado num pé para passar a dor de cabeça?

O Sr. é o da dor de cabeça?
Calma sr. dr.! Eu sou apenas o dador de sangue.
Eu devo ser muito burro mas não tenho disso consciência exactamente por causa de o ser. A prova final de que sou burro é que seria impossível o povo português eleger para primeiro ministro o sócrates se ele fosse tão burro como eu penso.

b) O povinho faz uma mala e vai trabalhar por esse mundo fora mandando o dinheiro para cá.
Os esquerdista dizem que é um indignidade mandar o povo fazer-se à vida. Têm exactamente o discurso do salazar que não dava passaporte a ninguém com medo que o povo "fugisse". O salazar, realmente, dizia ser um homem de esquerda, um progressista.

c) Fazemos como os navegadores quinhentistas que ainda hoje nos enchem de glória. Vamos por esse mundo fora roubar tudo o que consigamos carregar para os barcos. Caçar pretos no golfo da Guiné e vende-los como gado para as américas.
Esta é a minha preferida.
Mas eu falei em quatro hipóteses. Qual será a quarta que não me estou a recordar?

d) Cortamos à boca.
Se calhar, como não há mais tansos por esse mundo fora que mandem dinheiro para aqui, como o povinho quando vai trabalhar para o estrangeiro não manda para cá o dinheiro e como, se tentarmos roubar, mandam-nos a traineira ao fundo então, só fica o cortar à boca.
Se os do PS, da CGTP, os demais comunas e professores universitários meus colegas e outros burros conseguirem especuladores sanguinários, mercados agiotas ou o diabo que os carregue que mandem (não é emprestem é mandem) para cá dinheiro, não será preciso austeridade.
Afinal não há alternativa senão cortar.


O PIB é um número
que, por sí, não tem grande significado. Por exemplo, o PIB diz que cada português cria 16236€/ano de riqueza por ano. Então, uma família de 4 pessoas terá, em média, 65000€/ano de PIB. Mas o salário médio líquido está nos 12000€/ano pelo que pensando a população activa como metade do total, resulta a conta dos comunas de que "o peso dos salários é actualmente apenas 36%, ficando 74% para o grande capital".
Mas isto é um erro terrível.
     17% fica para a depreciação do capital (pois o PIB é calculado em termos brutos e o capital envelhece)
     38% fica para impostos e a crescer
     Restam para o capital, apenas 9%.
Se retirarmos a depreciação e os impostos, os salários ficam com 80% e o capital com 20% do total distribuído para os agentes económicos privados.
O cálculo do PIB tem falhas mas pode ser usado para comparar o nível de bem estar das populações ao longo do tempo. Por exemplo, por cada 1€ de PIB de 1970, hoje existem (no PIB) 2.65€. Hoje realmente vive-se, em termos materiais, muito melhor que em 1970. E, se o leitor não sofrer de amnésia, temos um nível de vida mais que 2.65 vezes o nível de de vida de 1970.
O PIB tem dificuldade em captar o progresso tecnológico. Por exemplo, não consegue incorporar a utilidade do Multi-Banco, das vacinas, dos medicamentos genéricos, etc., pelo que o PIB sub-avalia o crescimento económico.
Como se pode o preço comparar um televisor actual com um televisor de 1970 (a preto e branco)?


A recessão que aí vem.
Como gastamos mais 11% do que produzimos e vamos ter que deixar de o fazer (porque ninguém nos dá mais dinheiro), naturalmente vamos passar a viver pior.
E o PIB, sendo que pretende medir o bem-estar material, vai ter que descer.
Em teoria, se tudo fosse feito de forma perfeita e não houvesse custos de ajustamento, a diminuição do PIB teria que ser 11%.
No entanto, como existem falhas na limitações no PIB, a contracção será maior.
A Finlândia, país modelo de boa gestão, em 2009 contraiu o PIB em 8.2%.
Por isso, será natural nós termos em 2012 - 2013 um recuo na ordem dos 20% no PIB.


Temos que abandonar a austeridade.
Berrar, fazer greves, partir tudo, meter o governo em tribunal, morder os móveis, queimar carros e, se necessário, declarar guerra à Madeira, que assim os alemães vão mandar para cá dinheiro à força toda.
HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRR
O estimado leitor acredita nisto? Muitos dos meus colegas acreditam.


Ainda falta a Madeira.
Porque será que o jardim não declara agora a independência?
Primeiro dizia "se não tivesse gasto o dinheiro, agora tínhamos que fazer austeridade na mesma e os meus amigos não estavam ricos".
Agora está caladinho. Diz que não assina.
Vai à tua vida, arranca com a independência e junta-te à Guiné-Bissau, ficas a fazer parte do Arquipélago dos Bijagós. Ainda ficas rei daquilo.
Ou junta-te a Cuba e chama pelo Tarzan.


As taxas de juro e o acordo da concertação.
O Gaspar e o Álvaro estão a ficar como o sócrates.
As taxas de juro não param de subir batendo todos os dias recordes;
O desemprego está em explosão;
A balança corrente não corrige;
E eles vêm com "estamos próximo de um ponto de viragem".
É a viragem mas é do barco, como aquele italiano. O país vai virar de pernas para o ar.
Há a descida de rating e a taxa de juro implícita da divida pública Espanhola e Italiana descem, a Áustria emite dívida a 50 anos (3.837%/ano) e a Portuguesa bate recordes. Até meados de Julho 2011 a taxa de juro Irlandesa estava acima da portuguesa e hoje (20 Jan2012) Portugal fechou 6.36 pontos percentuais acima da Irlanda.
Vamos no bom caminho, para o inferno.

Fig. 3 - Não compreendo como alguém pode dizer que Portugal está no bom caminho. Só se for para a bancarrota. Mais um que vai estudar Ciência Política para França.


Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 14 de janeiro de 2012

O Catroga, a EDP e o saque

As pequenas e médias empresas têm um Patrão.
Há um fulano que arrisca o seu trabalho, criatividade e dinheiro e arranca com 2 ou 3 empregados a fazer uma coisa qualquer sem qualquer impacto mediático ou elevada tecnologia. Faz uns sapatos, camisas, porcos, salsichas, barcos a remos, etc.
Em 90% dos casos, a coisa vai à falência não demora 5 anos e o fulano fica endividado para toda a vida e o seu salário penhorado até morrer.
Em 10% dos casos, depois mete mais um empregado, depois 5 e transforma-se numa empresas de sucesso.
Familiares meu seguiram este caminho nos anos 1960. Uns têm hoje 200 trabalhadores e exportam 95% da sua produção de sapatos para a Noruega e Finlândia. Outros faliram no "25 de Abril", foi-lhes tudo à praça, condenados a uns anos de cadeia por "Burla ao Estado" e, até hoje, têm os seus rendimentos penhorados em 1/3.
Como lançar uma emrpesa e procurar o seu sucesso é algo muito arriscado, tem que haver a esperança nas pessoas de que, tendo sucesso nos seus empreendimentos, terão uma vida regalada.
Não se pode prometer uma perseguição sem fim por parte dos credores quando não tem sucesso e outra perseguição sem fim pelo fisco e pela má lingua quando tem sucesso.
O Patrão tem todo o direito ao seu mercedes, à sua amante, ao seu palacete de mau gosto e ao andarzito de férias no Algarve.

As grandes empresas
São propriedade não de pessoas mas de outras empresas que, por sua vez, são propriedade de outras emrpesas. Estranho não terem pessoas como donos, o que na teoria da governação das empresas se denomina por "names".


Vejamos como exemplo o BCP.
   Sonangol (11.57%) - pertence ao Estado Angolano. Funcionário
   Ocidental Companhia de Seguros (9,60%) - pertence ao BCP (49%) e Ageas (51%) que é uma seguradora inglesa. Funcionário
    Teixeira Duarte (5.68%) - pertence à TD sgps (52%) que é uma empresa familiar
    Grupo Berardo (4.23%) - deve o dinheiro à CGD. Funcionário?
    Grupo Sabadell ( 3.87%) - Banco espanhol. Funcionário
    Pensõesgere - fundo de pensões (3.87%). Funcionário
    Grupo EDP (2.99%). Funcionário
    Caixa Geral de Depósitos (3.00%) - Pertence ao Estado. Funcionário

Se observarmos todas as outras grandes empresas, vemos que o controle das grandes empresas é feita por funcionários. O dinheiro vem, em última análise, dos nossos depósitos bancários e do Estado, depois os bancos e as empresas públicas são donos de outros bancos e de empresas empresas (onde os privados têm meia dúzia de acções que não permitem fazer nada) criando uma estrutura de participações cruzada que faz com que o domínio de facto de uma grande parte da economia esteja na mão de um conjunto limitado de altos funcionários que se elegem como "os iluminados".
Uma vez entrando nesses circuito, seja por indicação de um Estado

É o Golf, a Maçonaria, os clubes de futebol
Estas pessoas encontram-se e, como se vão reformando uns, captam novos iluminados em certos clubes.
Há os senadores (lembram-se dos senadores do PSD?) que governam o sistema e que parecem padrinhos.
Nos dias de hoje fala-se da maçonaria mas qualquer clube serve. A Opus Dei, o SCP, o FCP e SLM, o Golfe da Penina, etc. Uns dias estão na moda uns e outros dias, estão outros.
Pensam que alguém no Norte pode ascender a "iluminado" se não tiver camarote no FCP? Não.

Agora vem o Catroga
A Economia, não só em Portugal mas também, está a saque destas estruturas cruzadas. Por um lado ataca-se o pequeno patronato com inspecções das finanças e carga asfixiante de impostos.
Por outro lado, libertam-se as SGPS da Holanda dessas cargas.
Depois, como as participações na empresas grandes são cruzadas e representadas por funcionários iluminados,"agora aparas-me o pião e votas 50mil€/mês para mim que quando eu for à tua empresas, voto 50mil€/mês para ti".
É uma imoralidade total.

Como se pode resolver isto?
Primeiro. O rendimento do trabalho tem que ter uma Taxa Solidária.
É argumentado que o ordenado é um contrato privado pelo que não compete ao Estado regula-lo.
Também o horário de trabalho é um assunto privado e é proibido que ultrapasse 200h/ano a mais que o horário normal.
Como a principal função do Estado é distribuir rendimento dos mais afortunados para os menos, é preciso criar uma Taxa de Solidária que acabe com este saque.
claro que os políticos não vão querer porque fazem parte, têm esperança de virem a fazer parte ou estão reféns do grupo dos "iluminados".
Esta Taxa Solidária será usada para o financiamento do Rendimento Social de Inserção.

        Salários acima de 15 SMN, TS = 33%
        Corresponde aproximadamente ao salário do Cavaco
        O valor acima de 7275€/mês tem que pagar uma TS de 33%.
        Por exemplo, um salário de 10000€/mês terá que pagar de TS (10000-7275)*33% = 899€/mês.

        Salários acima dos 30 SMN, TS = 66%
        O valor acima de 14550€/mês vai pagar uma TS de 66%.  
        Por exemplo, o salário do Catroga, 45000€/mês, vai pagar
             (14550 - 7275)* 33% = 2401€/mês
             + (45000 - 14550)* 66% = 20097€/mês
        Total a pagar de TS 22498€/mês

Segundo. Deixar de perseguir os patrõezecos.

Nota Final.
Eu até pareço um comuna. Mas reparem que os comunas não querem avançar com medidas moralizadoras como esta. Falam, falam, falam, mas querem ser como aquele coronel angolano que, em pouco tempo, amealhou 340 milhões de euros para meter numa empresa qualquer.
Não há gente séria. Não garanto que se me "oferecessem" 45mil por mês eu não me vendesse.
5% aos pobrezinhos da China.

Isto vai de mal a pior.
Sendo que a minha esperança no antigo governo se perdeu e a neste governo nunca foi grande, está cada vez menor.
Isto não vai dar noutra coisa que não seja na bancarrota.

Sobra a questão da "re-indexação da taxa de juro" tenho que utilizar um poste inteiro.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O erro político da concretização da verdade. A Ferreira Leite.

A Ferreira Leite é uma mulher muito tensa que tem o grande defeito de, partindo de uma verdade genérica que ninguém pode contestar, querer concretizar com exemplos.
O problema da política é que toda a gente concorda que é preciso acabar "com a guerra no mundo" e com o "sofrimento das criancinhas" mas, quanto se concretiza o que é preciso fazer, quando a coisa cai em cima de nós, parou parou parou parou.
Passa-se isso com a situação portuguesa. Toda a gente concorda que é preciso diminuir a despesa pública.
Para o Estado pagar o que gasta precisa cobrar mais impostos. Como ninguém quer pagar impostos - "os ricos que paguem", temos que concordar que o Estado deve cortar na despesa.

Mas cortar onde?
Depois vem a concretização.
Num primeiro patamar fica a Saúde que é uma parcela muito grande da despesa pública.
A primeira pancada foi a descida da comparticipação nos medicamentos.
A segunda pancada foi a subida nas Taxas Moderadoras.
Mas isso ainda não dá para nada. Quais vão ser as medidas seguintes?

Ideias da Ferreira Leite?
Se um velhinho tiver dinheiro, paga e será tratado com tudo que há de melhor no Mundo.
Senão tiver, reza e morre em paz.
Mas isto é terrível de ser dito.

É como aquela imagem
Dos americanos a simular mijar para cima de 4 afegãos mortes. Ninguém quer saber quem os matou. Apenas se preocupam em saber se eles estão ou não a mijar para cima deles. Matem à vontade mas nada de mijar.
De facto eles não mijaram porque no Afeganistão anda toda a gente desidratada. Só ao fim de beber 48 imperiais é que dá alguma vontade.

Quando um pobre morre, aumenta o PIBpc
Se olharmos por esse mundo fora, há países pobres onde, em média, as pessoas duram 45 anos e países ricos onde duram 85 anos.
Como nenhum povo nasce à partida para durar pouco, o mais certo os pobres não terem a qualidade da assistência média que os mais ricos têm . Também por isso é que é melhor viver num país rico que num país pobre.

Fig. 1 - Relação entre a Esperança de Vida à nascença e o PIBpc, ppc

O que é o PPC?
Um leitor perguntou-me o que é o PPC que em inglês se escreve PPP.
Quer dizer Paridade do Poder de Compra.
Existem bens que têm um preço idêntico em todo o mundo, são os bens transaccionaveis, por exemplo, o acuçar e a farinha de milho.
Mas existem outros bens e serviços que, por serem produzidos localmente, têm um preço muito variável, por exemplo, uma refeição num restaurante.
Desta forma, existe uma tendência para que os países mais pobres tenham um nível médio de preços mais baixo.
Então, o rendimento per capita de cada país dá uma medida incompleta do nível de vida porque há grandes diferenças nos preços.
O Banco Mundial usa um índice para corrigir esse efeito.
Supondo um cabaz médio de bens cujo preço são 1000USD nos Estados Unidos da América, no país mais barato do mundo (a Gâmbia) são precisos apenas 333USD para comprar um cabaz equivalente e no país mais caro do mundo (a Noruega) são precisos 1500USD.
Então, ganhar 100USD/mês na Gâmbia é equivalente a ganhar 450USD/mês na Noruega.
Em Portugal serão precisos 840USD.

Mas é preciso fazer alguma coisa
Nas notícias parece que Portugal está uma maravilha. Estão sempre a anunciar descidas da taxa de juro mas são mentiras. Desce um dia mas sobre três seguidos.
Até Junho de 2010, a taxa de juro (a 10 anos) esteve estável nos 5%/ano. Desde então a tendência é um aumento de 0.40 ponto percentuais por mês.
E a taxa de desemprego não pára de aumentar e os nossos governantes perdem o tempo a ver se é mais meia hora, menos um dia de casamento.
Acordem para a realidade que já ninguém se casa.

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro (yield) a 10 anos da dívida pública portuguesa

Aquela pequena descida já daria no tempo do Sócrates para aberturas de telejornais.
Pelo menos o Passos Coelho não diz nada.
Tenho andado ocupado
A escrever um roteiro para que um país possa sair da Zona Euro para mandar para  wolfson.prize cujo prémio são 250 mil libras.
A filosofia é a simplicidade. Baseio tudo em apenas duas medidas com impacto local
1. Redenominação dos salários a escudos;
2. Re-indexar os contratos de créditos a uma taxa de juro que traduza as condições de financiamento dos bancos portugueses.
O resto fica tudo igual, incluindo os depósitos bancários e as dívidas que ficam em Euros.
Penso que funciona.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 7 de janeiro de 2012

Hoje decidi alterar a moderação dos comentários

Estimados leitores,

Hoje decidi alterar a moderação dos comentários.
A minha linha editorial neste blog é informar as pessoas.
Pego num tema que penso importante para a generalidade do meu povo, arranjo dados disponíveis publicamente (que indico sempre a fonte para poderem confirmar) e processo a informação de forma o mais rigorosa e acessível que posso.
Uso principalmente as bases de dados do Banco Mundial, da OCDE, do INE e da tradingeconomics.
Em média uso 10 horas para seleccionar, organizar e condensar informação  (mais os meus 20 anos de estudo de Economia) num texto que o estimado leitor consegue absorver em 15 minutos.
Assim, se o texto for útil a 1000 pessoas, consigo produzir 9750h de valor por semana (apesar de o "valor trabalho" ser uma mentira do marxismo).
Sinto-me útil à sociedade.

Nunca baseio o meu texto na autoridade.
Como o conhecimento que apresento não é religioso, obtido pela revelação divina a algum iluminado que depois a prega ao povinho, procuro sempre provar tudo o que afirmo.
É obvio que a acção de uma pessoa nunca é perfeitamente objectiva. A selecção da informação que faço já tem em si um inviesamento ideológico, no entanto tento sempre fundamentar as minhas opiniões em dados e teorias económicas aceites e validadas empiricamente por reputados autores.
E, quando critico uma teoria, uso sempre o princípio do contraditório.
Se falo numa pessoa e essa pessoa me faz chegar o seu ponto de vista, incluo-o no poste.

Claro que as minhas previsões são mesmo minhas.
Quando eu digo que os chinocas estão bem intencionados é uma opinião minha que apenas o futuro o poderá dizer. Mas apresento a informação que usei na construção da minha opinião.
Quando eu digo que é melhor uma mulher bonita, boa e simpática que uma mulher feia, gorda e antipática, é abusivo porque não conheço as mulheres.
Mas as minhas opiniões também acrescentam valor aos textos.
É como irmos ao médico e ele relatar-nos o que dizem as análises. Ficamos desconsolados porque o que queremos saber é a opinião dele à certa da nossa saúde. Saber "se o dr. acha que está na hora de deixarmos o vinhito".

Os comentários
Há comentários importantes, informativos para os leitores e que me ajudam na escolha dos temas. Frequentemente vejo que não foi clara a forma como escrevi.
Há comentários que não têm informação mas que ajudam a ver como a crítica fácil está errada.
Mas há outros comentários que são grosseiros, sem qualquer informação e que apenas usam uma técnica de rétorica. São pessoas que não dizem onde as coisas estão erradas e atacam num pormenor qualquer.
    "Tem erros ortográficos logo não tem credibilidade nenhum"
    "Tem mulheres boas logo o que diz não deve ser tomado a sério"
    "Chamou-lhe chinocas logo é um bandalho"
    "Ai que invocou a ciganada, seu racista que não tem credibilidade nenhuma"
    "Chamou-lhes pretos o que, num professor universitário, deita por terra tudo o que possa dizer"
    "Eu já li muita coisa e isso está tudo errado"

Cada dia que passa mais me convenço que estou certo.
Mas não dizem em concreto o que está errado.
Até hoje ainda ninguém disse, porque não teve interesse ou não o conseguiu fazer, que houvesse erro no mais pequeno pormenor ou no mais pequeno número que apresentei.
Pensei que fossem cilindrar as minhas deduções e não.
Estou admirado.

Eu sei que são os meus colegas.
Pela escrita até era capaz de apostar nomes mas, se o fizesse, revelava ser esquizofrénico.
Genericamente, são pessoas que se acham donas do saber.
Quando alguém quiser falar sobre a área em que se dizem especialistas, tem que lhes pedir autorização.
Esses sábios de papel, quando confrontados com os problemas do dia a dia não conseguem avançar com nada. Atiram com o "eu sou professor catedrático de economia há mais de 20 anos", "mas quem pensa que é para dizer isso". "eu é que sou especialista". 
Depois, atiram com livros, artigos, teorias, nomes, e mais entulho mas, analisada a conversa, não conseguem articular um raciocínio lógico.
E eu volto à carga, ataco com números, mando-lhes um e-mail e ficam calados.

Fig. 1 - É tão bom conhecer sábios destes

A história do Galileu foi há 500 anos mas repete-se todos os dias na academia.
Vêm o Loucã? "É o grande capital, a especulação, os mercados, blá blá blá" mas no concreto, não é capaz de explicar nada.
As pessoa habituadas a invocar a "autoridade" para justificar o que dizem não vêem que os textos existem per se. Uma vez escritos, passam a ser independentes do autor. Os dados estão lá e são públicos.

Uma senhora foi queixar-se à esquadra
- Senhor guarda, roubaram-me 20€ no autocarro, tinha o dinheiro aqui no sutie e um malandro roubou-mo.
-Mas a senhora não deu conta?
- Dei mas pensei que ele estava bem intencionado.

Por isto tudo, agora os comentários passam a ser mais dificeis de fazer.
Peço desculpa às pessoas bem intencionadas.
Recordo que qualquer pessoa é livre de fazer um blog e escrever lá o que lhe vier à cabeça, identificando-se ou não.
Não podem é parasitar o meu blog com comentários sem interesse nenhum (na minha óptica).

Pedro Cosme Costa Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code