terça-feira, 31 de maio de 2011

Dois erros a evitar no plano de austeridade

O Memorando  de Entendimento entre Portugal e a troika (CE. BCE e FMI) dá alguma margem de manobra ao próximo governo. Ao contrário do que se diz em muitos locais, a camisa de forças é apertada mas deixa respirar um pouco. Há dois erros a evitar e que estão ao alcance do próximo Executivo: reduzir a Taxa Social Única (TSU) de forma universal e subir o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) sem critério. 


Baixar a parte da TSU relativa aos patrões (actualmente em 23,75%) de forma universal pode ser uma asneira. O objectivo da medida no caso da TSU pode ler-se na página 2 do Memorando:

1.3.Na base de uma proposta a estabelecer no momento da primeira avaliação [final de Julho de 2011], o OE 2012 incluirá uma recalibragem do sistema fiscal que seja neutral do ponto de vista orçamental, com vista a reduzir os custos laborais e a promover a competitividade [Outubro de 2011].

Ou seja, o objectivo é reduzir os custos unitários do trabalho com um determinado objectivo: promover a competitividade. Esse objectivo prende-se com a possibilidade de os sectores mais expostos à concorrência, sobretudo aqueles que mais exportam, poderem reflectir no preço final essa diminuição da TSU. Produtos ou serviços mais baratos e com a mesma qualidade tornam-se mais competitivos. Imaginemos o sector das telecomunicações ou electricidade. A TSU seria um subsídio ao lucro. Estes sectores, conforme a troika sublinhou quando esteve em Portugal, não sentem especialmente a concorrência. Mesmo nas telecomunicações, a concorrência é limitada, uma vez que as quotas de mercado interno estão estáveis há muito e o número de players cristalizou. Por isso é que a troika quer liberalizar mais alguns sectores "protegidos" na economia.

Tecnicamente não deverá ser difícil descer a TSU com critério. Quem vender mais de metade do seu serviço ou produto ao exterior ficaria isento. Obviamente que o produto ou serviço teria de ser produzido em território nacional, caso contrário tanto telecomunicações como electricidade alegariam que têm investimentos e parcerias no exterior com um peso considerável.

Quanto ao IMI, os exemplos explicativos são lineares. Imaginemos um proprietário de muitas casas. Quem vai pagar mais imposto, ele ou os inquilinos? Será o dono das casas. Onde está o incentivo ao arrendamento? Quem nunca desfrutou de um verdadeiro mercado de arrendamento (oferta em quantidade e qualidade) e se viu obrigado a comprar casa com empréstimo bancário é castigado porque… porque sim. Mesmo que o mecanismo de actualização das rendas possibilite aumentos maiores e a Lei das Rendas torne mais flexível a recuperação de dívidas e despejos, daí até que o mercado de habitação se transforme a sério ainda vão decorrer uns anos. Nada é automático nos bens não transaccionáveis. Portanto, alguém que já tenha casa há 5, 10, 15 ou mais anos está a imaginar como possível a venda da sua fracção e o arrendamento de um apartamento ou moradia?

A pouca margem de manobra que o próximo Executivo terá na aplicação das medidas genéricas exigidas pela troika permite evitar asneiras. Não queremos cair numa tragédia grega.

Pedro Palha Araújo

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Irá o Estado Social acabar?

O Estado Social é fundamental para a felicidade humana pelo que sempre existirá. A questão que se põe é da dimensão que o Estado deve ter na sociedade portuguesa. Motivado por ineficiências na gestão, há muitas actividades actualmente realizadas pelo Estado que devem ser extintas ou privatizadas. Por exemplo, não há qualquer justificação para que o Estado tenha tantas empresas de transportes.

A eficiência na produção de bens públicos
A produção da maioria dos bens e serviços é mais eficiente quando se aumenta a escala. Por exemplo, localizemo-nos no passado em que sou agricultor e que, para me defender, tenho que construir um muro à volta do meu terreno. Conseguindo eu construir e manter 100 m de muro, terei um terreno com 795m2.
Se eu formar um Estado com mais 2 pessoas, fazendo cada um 100 m de muro, conseguimos 7162m2 de terreno. Se o ganho de eficiência for dividida uniformemente então, a criação do Estado possibilita que a minha riqueza triplique para 2387m2.


Fig. 1 – A cooperação na produção
Porque serão os emigrantes portugueses mais eficientes nos países de acolhimento?
A minha riqueza depende do meu esforço mas também do esforço dos outros. Se os outros se esforçarem mais, eu vou produzir mais esforçando-me o mesmo. Voltando ao exemplo, se cada um dos meus 2 vizinhos fizer 200m de muro, os meus 100m vão permitir que eu cerque 67% mais terreno.
Assim, os portugueses são mais produtivos nos países para onde emigram porque essas sociedades são mais eficientes. Os emigrantes aproveitam-se, no bom sentido, da eficiência do meio que os acolhe.
A apropriação da economia pelo Estado

Na produção dos bens públicos, os privados têm dificuldade em receber a compensação certa pela riqueza que criam.
Também pode acontecer o contrário: ser difícil fazer o privado pagar o prejuizo social que causa (e.g., a poluição).
O Estado, baseando-se nesta argumentação, foi lentamente apropriando-se de uma parcela cada vez maior da economia. Começou pela Defesa, passou para a Justiça, para as Vias de Comunicação, para a Banca, o Ensino, a Saúde, para os Seguros, os Telefones, a Televisão, os Transportes, a Electricidade, a Água, o Tratamento de Resíduos, etc. Este processo acabou nas Economias Estatizadas - comunistas.
As economias estatizadas faliram porque o Estado auto-descontrola-se criando, ele próprio, ineficiências. Como as decisões podem ser tomadas sem atender a medida de eficiência, quem controla o governo do Estado desvia-se de procurar o bem-estar das pessoas e concentra-se em questões ideológicas.
Por exemplo, surge num governante a ideia de que fazer um TGV é muito bom e, independentemente de a avaliação custo-benefício ser negativa, avança na mesma.

Haverá um tamanho óptimo para o Estado?
É obvio que sim. Se, por um lado, as economias estatizadas falharam e, por outro lado, nos países falhados surgem pequenos estados (por exemplo, as zonas tribais no Paquistão), fica claro que haverá uma dimensão óptima para o Estado.
Retomando o exemplo. O muro protege-me dos estrangeiros mas os meus vizinhos também não são completamente de confiança pelo que tenho que colocar uma rede a separar o meu terreno dos vizinhos. Se fazer a vedação em rede custar 1/10 de fazer o muro, então, o óptimo é o meu Estado ter entre 50 e 70 habitantes.
Fig. 2 – O tamanho óptimo do Estado
Fig. 3 – Estado a Mais: carros velhos e povo encostado; Estado a Menos: grande disparidade social

Irá a Direita acabar com o Estado Social?
Todo o Estado que responda às necessidades da sociedade é um Estado Social. Logo, todos os Estados democráticos (e mesmo alguns despóticos) são Estados Sociais. A questão está apenas na intensidade com que o Estado deve intervir na sociedade. Hoje, na Europa é evidente que existe Estado a mais. Por exemplo, não existe qualquer racionalidade para que os transportes sejam providenciados por empresas públicas. E essa situação leva à ineficiência e à pobreza. A privatização de certas actividades actualmente realizadas pelo Estado será um factor de melhoria do bem-estar das populações e não o contrário. 
Por exemplo, a privatização do Subsídio de Desemprego, SD.
Este é um exemplo paradigmático porque não parece nada adequado à privatização. Mas é e se o governo tivesse coragem para o fazer, todos ganharíamos.
O SD é um seguro de emprego: o trabalhador paga um prémio por mês (incluído na TSU) para quando perder o emprego ter um subsídio. O prémio andará próximo dos 4% do salário.
Vamos supor que o Estado privatizava o SD. Fazia um concurso público em que dizia as condições mínimas de cobertura do SD e que percentagem dos salários seria para o fornecedor desse seguro. Haveria várias empresas nesse mercado que concorreriam por clientes.
Como as empresas privadas procuram o lucro então, desenvolveriam mecanismo de combate ao desemprego que o Estado não tem.
Iriam lutar para que os trabalhadores não fossem despedidos. Teriam peritos que, em colaboração com os empregadores, geriam as carreiras dos trabalhadores de forma a diminuir a probabilidade de serem despedidos, por exemplo, planeando formação que adequasse de facto os trabalhadores às novas necessidade que vão surgindo dentro de cada empresa.
Iriam procurar activamente que os desempregados arranjassem novo emprego. Um privado seria muito mais dinâmico a desenhar acções que aumentassem a empregabilidade, por exemplo, fazendo protocolos com empresas e formação profissional focalizada nas verdadeiras necessidades do mercado de trabalho.
Fig. 4 – A perda do emprego é um drama 
Eu sei que o desconhecido mete medo mas temos que ter a mente aberta para as novas ideias.
Já imaginou se a UE não tivesse obrigado Portugal a privatizar os telefones?
Ainda hoje não haveria telemóveis em Portugal.
Pense nisso.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 22 de maio de 2011

A Taxa Social Única. Será uma solução para Portugal?

Para resolver os problemas económicos do país existem várias opções. 1)  Descer os salários; 2) Descer a TSU do empregador e subir o IVA; 3) ou subir a TSU do trabalhador; 4) Aumentar o horário de trabalho; 5) Não fazer nada.
O desemprego e o crescimento económico
Normalmente ouvem-se os opinion makers dizer que “sem crescimento, o desemprego aumenta. Como Portugal não tem crescimento, o desemprego tem que aumentar". Isto é uma dedução errada.
O desemprego aumenta quando o custo do trabalho, CT, aumenta.

Fig. 1 - Controle do desemprego com uma diminuição dos salários
O ponto C1/N1 de pleno emprego corresponde ao óptimo social.

O custo do CT aumenta quando os salários aumentam mais que a produtividade. Como é difícil diminuir os salários, apenas quando a produtividade aumenta é possível diminuir os CT o que induz a diminuição do desemprego.
A relação Crescimento/Emprego é indirecta e apenas traduz as dificuldades no ajustamento em baixa dos salários nominais.
A Taxa Social Única e os Custos do Trabalho
Sobre o trabalho existem dois impostos: o IRS e a TSU*.
O IRS incide sobre o rendimento global das famílias e tem escalões com taxa crescente.
A TSU incide sobre o rendimento do trabalho e é uma taxa constante. Os trabalhadores por conta de outrem contribuem com 34.75% do salário (23.75% entregue pelos empregadores e 11% entregue pelo trabalhador). Os trabalhadores a recibos verdes contribuem com 29.5% e, caso tenham mais de 80% do seu rendimento num empregador, este entrega os restantes 5%.
Para um salário contratado de 1000€/mês, o trabalhador recebe (antes de IRS) 890€/mês e o empregador paga 1237.5€/mês.
Se a TSU da entidade patronal diminuir 1% do salário (1 ponto percentual, pp), os custos do trabalho diminuem 0.8%.
Se a taxa social única reduzir em 12 pontos percentuais, os custos do trabalho diminuem em 10%.

Consegue-se o controle do desemprego com a descida da TSU do empregador mas obriga a uma descida mais acentuada do custo do trabalho que usando o salário como instrumento de política (ver fig.2).
Fig. 2 - Controle do desemprego com a diminuição da TSU do empregador


O ponto C0/ N2, C2 / N2 não é óptimo social (as pessoas trabalham demais).
Quanto custa diminuir a TSU?
A receita arrecadada pela TSU é idêntica à receita arrecadada pelo IVA: 13.5MM€/ano. Um ponto percentual da TSU vale aproximadamente tanto como 0.6 ponto percentual de IVA: 400M€/ano.
12 pp de TSU são 5MM€/ano.

Onde se vão buscar os 5MM€/ano?
IVA - Para a TSU descer 12PP, o IVA teria que subir 7 pp. Teria que passar a taxa reduzida para 13%, a intermédia para 19% e a máxima para 30%. É possível.
TSU trabalhador - Uma alternativa muito melhor é transferir a TSU do empregador para o trabalhador, mantendo o salário nominal do contrato.
Será uma convergência para o regime de “recibos verdes”.
Assim que o governo tomar posse, num processo faseado ao longo de 36 meses, começa a transferir 0.5 pp/mês da TSU do empregador para o trabalhador até ficar reduzida a 5% para o empregador e 29.5% para o trabalhador.
E aumentar o horário de trabalho?
Parte do aumento do custo do trabalho dos últimos 15 anos deveu-se à diminuição do horário de trabalho. Antigamente era 48h/semana e foi diminuindo até às 40h/semana.
Aumentar outra vez o horário para as 45h/semana (+ 1 h/dia), também é uma solução.

São quatro soluções equivalentes, todas más.
Se os pobres pudessem viver como os ricos, não valia a pena ser rico.
    1) Descer os salários 10% é mau.
    2) Descer a TSU 12pp do empregador e subir o IVA 7pp é ruim.
    3) Descer a TSU do empregador 12pp e subir a TSU do trabalhador 12 pp é horrível.
    4) Aumentar o horário de trabalho em 5h/semana é péssimo.
Compete agora aos políticos escolher o caminho.
Fig. 3 - Eu quero acreditar que o Pai Natal existe.

Mas há a alternativa do Sócrates: não fazer nada.
Dizer que está tudo bem para não dizer óptimo, que o défice está controlado e não fazer nada vai fazer o  desemprego disparar por ai acima.
O Sócrates pode prometer que não é preciso fazer nada e o BE pode dizer que é culpa de 20 terem 1000 tachos mas não é essa a realidade.
Isto é muito pior que adoptar qualquer uma das 4 duras soluções apontadas porque a inactividade diminuirá ainda mais a riqueza produzida no país.
Ao efeito do desemprego vai-se somar o problema da austeridade ficando o Estado sem dinheiro para pagar o Subsídio de Desemprego.
Quando o desemprego atingir 20%, o país fica ingovernável.

O médico optimista.
Há uns meses um velhote meu vizinho tinha um dor e foi ao médico da caixa.
Queixou-se, o médico escutou-o, mediu a tensão, pensou ...
- Caro sr. Costa, está tudo bem para não dizer que está óptimo, não é preciso fazer anda. Vá para casa, coma e beba de tudo que lhe apetecer, goze a vida.
- Mas sr. dr., e a minha dor aqui na barriga? Não seria melhor eu deixar de fumar?
- Isso não é nada, fume à vontade. São os radicais neo-medicais que querem acabar com o seu estado social. Não ligue e vote em mim, o defensor do "nada fazer".
- Eu confio no sr. dr.
Fig. 3 - Acreditou!
 E o nosso futuro?
Se eu mandasse, transferia progressivamente a TSU do empregador para o trabalhador.
Daqui a 3 anos, na medida da melhoria da situação económica, a TSU podia voltar para o empregador.
Passaria a haver um instrumento de ajustamento equiparado a uma taxa de câmbio flexível: a situação piorava, a TSU passava para o trabalhador, melhorava, a TSU passava para o empregador.
Fig. 4 - Portugal preciso de uma variável que controle a economia
Última.
Vi o debate. O Sócrates foi mal preparado e o Passos esteve muito bem.
Isso indica que o Sócrates está a ficar sem assessores de qualidade.  
Os que escrevem o teleponto e preparam as intervenções públicas estão a abandonar o Sócrates. Desde o Mário Soares ao Daniel Bessa, todos dizem que o programa do PSD é corajoso e no bom caminho.
Fica o Santos Silva e poucos mais a martelar as mesma frases das campanhas de marketing de há uns anos atrás. Já parecem o Camarada Cassete Cunhal.
Ainda há quem acredite no Pai Natal mas começo a pensar que o Sócrates não vai lá.
Fig. 5 - Tens que reconhecer que fizeste asneira.
Muito obrigado.
Este blog atingiu hoje as 10000 visitas. Obrigado em meu nome e do meu amigo Pedro Araujo por lerem estas minhas estupidezes.

*Existe a discussão se a TSU é uma aplicação financeira, um prémio de um seguro, uma taxa ou um imposto. É um imposto com receitas consignadas á Segurança Social (do meu grande amigo Mendes de Almeida).
Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O que é a crise financeira

A economia, tal como a vida, apenas existe no presente
Trabalhando no presente, obtemos rendimento que podemos gastar imediatamente ou poupar. A poupança serve para fazermos face a imprevistos futuros (por exemplo, perdermos o emprego) e à normal tendência de, com a idade, deixarmos de ser produtivos.
Como é inviável termos um stock significativo de bens, temos que transformar a nossa poupança em activos financeiros (moeda, depósitos bancários, obrigações ou acções) que, pensamos, um dia nos permitirão comprar bens.
Interessa vincar que, quando poupamos, emprestamos recursos existentes hoje a outras pessoas que os gastam também hoje com a promessa de que vão trabalhar no futuro para nós podermos ter de volta as nossas poupanças. Os bens que vamos comprar no futuro terão que ser produzidos nessa altura.
Fig.1 - O que poupamos é gasto por outros
Em termos económicos, as minhas poupanças não existem fisicamente.
Quando poupo, deixo de comprar bens mas isso não diminui a procura total. Isto porque, quando empresto o dinheiro a uma pessoa, ela vai comprar os bens que eu não consumi. Assim, em termos de equilibro geral, poupar não diminui o consumo total porque os devedores vão consumir o que os credores pouparam.
O que eu emprestei desapareceu e apenas ficou um contrato no qual o devedor se obriga a pagar-me no futuro o que eu lhe emprestei (mais os juros).
Guardar moeda é, em termos económicos, igual a emprestar as nossas poupanças porque o Banco Central (ver, cambista) acomoda a minha poupança emitindo exactamente a mesma quantidade de nova moeda.

A intermediação financeira – os bancos
Todos sabemos que emprestar é uma coisa muito arriscada. Todos nós já tivemos a experiencia de emprestar coisas a que nunca mais pusemos a vista em cima.
Os banqueiros são especialistas na intermediação entre as pessoas que poupam (credores) e as pessoas que gastam (os devedores). Recebendo uma comissão, o banqueiro encontra pessoas a quem emprestar o nosso dinheiro (que pagam juros) e é um seguro de cobrança: se o devedor não pagar, o banqueiro tem que pagar com o seu dinheiro.
Por causa de ser um seguro de cobrança, o banqueiro tem que ter capitais próprios, as famosas reservas tier 1.
Fig.2 - Recebemos uma promessa em troca das nossas poupanças.
A semente da crise financeira
No passado, os bancos emprestavam dinheiro principalmente ao “sector produtivo”. Existe uma minoria de pessoas com uma aptidão natural para criar novos negócios geradores de riqueza, os empreendedores, e os bancos emprestavam recursos para que essas pessoas pudessem investir em novas capacidades produtivas. Naturalmente que uns negócios faliam mas os casos de sucesso compensavam essas falhas. Os euros que poupávamos eram transformados em “máquinas” (capital produtivo das empresas).
Desta forma, a economia crescia.
Nos últimos 30 anos, os bancos desviaram o crédito para as Famílias e para o Estado que não o aplicaram no processo produtivo. As Famílias gastaram o dinheiro em casas (é capital mas não produz riqueza) e consumo. O Estado gastou o dinheiro em obras faraónicas (são capital mas não produz riqueza) e ajudas ao rendimento dos “coitadinhos”.
As famílias garantiram os créditos com imóveis (que não geram riqueza) e com os salários futuros e o Estado garantiu os créditos com os impostos que vai receber no futuro (pois os investimentos públicos só dão prejuízo).
Como era antecipado que o rendimento das famílias e os impostos arrecadados continuariam a crescer como o verificado nos anos do cavaquismo, 1983/1995, então, os banqueiros avaliaram estes clientes como de baixo risco. Desta forma passaram a cobrar spreads de 1% (1pp) às famílias mantendo 5% (5pp) às empresas.
Fig.3 - A semente da crise
Como rebenta a crise
Como explicado, por um lado, existem as pessoas que pouparam dinheiro (os credores) e, por outro lado, existem as famílias e o Estado que gastaram esse dinheiro (os devedores) de forma não produtiva. A riqueza que os credores pouparam já não existe, não se transformou em “máquinas” mas foi gasta pelo Estado e pelas famílias que se obrigaram a devolvê-la com os seus salários e impostos futuros.
Mas, o desvio massivo do crédito das empresas para as famílias e para o Estado fez com que a economia estagnasse. Desde 1995, em termos globais, a economia portuguesa endividou-se muito mais do que cresceu.
De repente, dá-se conta que o Estado e as famílias não têm capacidade para honrar os seus compromissos.
Fig.4 - Ai que descobriram que estamos falidos
O que fazer agora?
O que poupamos já não existe e as pessoas a quem emprestamos não podem nem querem pagar o que devem. Então, contrariamente ao que os esquerdistas defendem, é preciso dividir o prejuízo mas carregando mais quem gastou o que não tinha.
Atacar os bancos e pedir o reescalonamento da dívida pública é penalizar quem poupou e beneficiar quem gastou sem poder. Mesmo que os banqueiros tenham realizado uma má avaliação do risco das famílias devedoras e do Estado, de facto as famílias devedores e o Estado foram beneficiados. A pessoa que emprestou ao Estado comprando uns certificados de aforro não tem culpa que o Estado tenha desbaratado esse dinheiro em PPP e outras loucuras. Quem elegeu esses governantes, o povo português, é que tem que ser penalizado.
Por isso, força a votar nesses esquerdistas esbanjadores.
Força com mais impostos sobre este povo português caloteiro.
Fig. 5 -Votem em mim que fica tudo resolvido.
Última hora.
A Sr.a Merkel mandou o seu embaixador indagar como, trabalhando-se em Portugal mais que na Alemanha, era possível que os portugueses precisassem que os alemães mandassem para cá camiões de euros.
Penso que há um engano qualquer. Provavelmente não precisamos pedir nada aos alemães mas o Sócrates faz isso para aumentar a auto-estima do povo alemão.
Quando no próximo dia 5 for votar, lembre-se deste gesto tão humano. Passarmos por país falido apenas para ajudar a Alemanha.
Amigo Catroga, esta faz-me lembrar aquela expressão idiomática do Norte:
Pu%# que o pa#$%, c’um ca$%”#% que o Sócrates é mesmo boa pessoa.

Fig. 6 - É mesmo boa pessoa

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 17 de maio de 2011

Vamos todos trabalhar até cair para o lado

Alguém se tem preocupado de forma séria com o crescimento da população na Europa mais evoluída, nomeadamente em Portugal (incluindo o nosso país nesse lote dos mais desenvolvidos)? Não é com políticas activas de natalidade que se resolvem problemas tão essenciais quanto os das receitas da Segurança Social para manter o Estado Social? O remédio é esmagar as famílias com impostos, cortes salariais e encargos mais pesados (IMI) com as casas que têm de ser pagas aos bancos porque não existe um real mercado de arrendamento?

O que têm feito os governos portugueses? O RSI, por exemplo, é um subsídio particularmente generoso quando a família aumenta, mais filhos = mais dinheiro. Mas serão as famílias do RSI, sem preconceito de classes, que vão dar os quadros qualificados de que o país precisa para evoluir na economia do conhecimento? Será este um preconceito ou simples realidade? Felizmente, há excepções e teremos com toda a certeza exemplos de médicos, engenheiros e outros profissionais qualificados que provêm de meios sociais com limitações económicas e culturais. Todos nós conhecemos bons exemplos, sendo que alguns até são figuras públicas. Mas será que é isso que acontece na maior parte dos casos?

Vamos só ver o que acontece com o Rendimento Social de Inserção (RSI), antigamente designado como rendimento mínimo garantido.

RSI

Quem tem Direito?
As pessoas ou famílias em situação de carência económica grave, que cumpram as condições de atribuição.

Se viver sozinho ou sozinha
Até 31 de Julho de 2010
O seu rendimento, incluindo salários e subsídios, seria inferior a € 189,52 (€ 246,39 se estiver grávida ou € 284,28 se acabou de ter uma criança e até ela fazer 1 ano).


A partir de 1 de Agosto de 2010
A totalidade dos seus rendimentos mensais (incluindo salários e subsídios) é inferior a € 189,52.

Se viver com familiares
O rendimento da família, incluindo salários e subsídios, é inferior à soma destes valores:
Até 31 de Julho de 2010


A partir de 1 de Agosto de 2010
A totalidade do rendimento mensal de todos os elementos do agregado familiar é inferior ao valor máximo de RSI, calculado em função da composição do agregado familiar. Para este cálculo, é utilizada a seguinte uma escala de equivalência:


DESIGUALDADE NO ACESSO AO ENSINO

Segundo o estudo “Classes sociais e estudantes universitários: Origens, oportunidades e orientações” (Revista Crítica de Ciências Sociais, 66, Outubro 2003: 45-80), o caso de máxima desigualdade de oportunidades é o que, com base nos dados da população portuguesa para 1981, opõe filhos de famílias com ensino superior e filhos de famílias de iletrados, os primeiros com 55 vezes mais hipóteses de chegar à universidade do que os segundos. Somos todos iguais, uns mais do que outros!

CONCLUSÃO
Cenário do INE até 2050

O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou recentemente as conclusões do estudo "Retrato Territorial de Portugal 2009" que mostra uma tendência de decréscimo da população portuguesa. O relatório indica que nos últimos dez anos cerca de metade dos municípios portugueses perderam habitantes e a tendência é que os números continuem a baixar. O documento dado a conhecer esta quarta-feira pelo INE estima que nos próximos 90 anos a população portuguesa esteja reduzida a seis milhões de habitantes. Uma péssima notícia para a Segurança Social, isto é, para aqueles que ainda têm uns bons anos até chegar à reforma e podem não receber mais do que uma pensão simbólica. Seremos os novos pobres, falo por mim que nasci em 1969.

Mas o governo não tem feito nada? Seria injusto dizer que nada tem feito. Tem feito mas com uma política de engordar as famílias que potencialmente menos quadros mais qualificados darão ao país. É evidente que existirão todas as profissões, mais e menos qualificadas do ponto de vista académico, mas não é esmagando as classes médias (média-média e média-alta) que o país terá um futuro mais risonho.

Um exemplo concreto a acrescentar ao RSI liga-se com o subsídio de família, alargado e majorado para classes que ganham menos, embora agora o benefício tenha sido retirado. O número de famílias que recebeu abono de família voltou a baixar em Março: menos 70 mil crianças foram abrangidas por este apoio social, que em seis meses foi retirado a 645 mil menores, segundo a Segurança Social. Os casais com um filho com rendimentos acima dos 1257 euros deixaram de receber abono! Mas para ver como é fácil…  não ter direito a abono de família basta consultar as regras.

O remédio, portanto, é trabalharmos todos até cair para o lado, o que pode só acontecer lá para os 80 ou 90 anos. Quando formos 6 milhões de habitantes, o cenário será negro, a menos que a nossa economia tenha  então uma capacidade inaudita de produzir riqueza. Ou então se formos uma mera província espanhola.

Pedro Palha Araújo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Gravíssimo: BES pede garantia do Estado

Ouvi no telejornal e li no JN que o BES vai pedir a garantia do Estado para emitir 1250M€. Foi uma notícia de 20 segundos mas é uma notícia gravíssima.
A taxa de juro que a república está a pagar é elevadíssima, 11.3%/ano a 3 anos. Se o BES vai pedir garantia do Estado é porque não se consegue financiar a esta taxa.
Estou a ouvir o Jerónimo e o Sócrates, e está tudo bem. Que maravilha de país.
Não precisamos fazer nada e, em particular, nada de baixar os custos do trabalho.
Ai como estão enganados.

Apesar de eu pensar e ter dito que Portugal vai entrar em bancarrota, tenho sempre a esperança escondida de que esteja completamente enganado. No fundo, quero acreditar no Sócrates.
Mas esta noticia parce-me a primeira fase da rotura financeira do sistema bancário português.
Hoje fala-se que o hair-cut da Grécia é inevitável e ficará entre os 50% e os 70%.
Nós somos diferentes dos gregos (na língua) mas a coisa está preta.

Valha-me Deus que, provavelmente, antes do fim do mês, a coisa rebenta.

Pedro Cosme Costa Vieira

A geração à rasca, obrigado por serem lorpas.

Alguém conseguiu convencer os jovens que o melhor caminho para a sua felicidade é defenderem o status quo, os “direitos adquiridos” pelo 25 de Abril. Nada mais errado pois, ao defenderem estão a proteger quem está bem empregado, como eu, e a prejudicar a probabilidade de virem a ter um emprego. Pela minha parte, só tenho que agradecer.
A produtividade e os salários
Para se produzir riqueza é necessário juntar trabalho, capital (por exemplo, máquinas) e ideias (e.g., patentes). Retirando-se à riqueza criada a remuneração do capital e das ideias, fica a produtividade líquida do trabalho.
Em concorrência, com despedimentos livres e com informação perfeita, o salário do trabalhador é igual à sua produtividade líquida (Fig. 1,linha a verde).
O mau investimento público induz uma diminuição nos salários
O investimento aumenta a riqueza produzida. Assim, fazer SCUTS, METROs, TGVs ou rotundas aumenta o PIB. No entanto, como esse aumento é inferior à taxa de juro paga pelo capital pedido emprestado, a produtividade líquida do trabalho diminui: O mau investimento público aumenta o PIB e pode aumentar o emprego mas implica sempre uma diminuição nos salários.
Os contratos de emprego vitalícios e os salários
A produtividade do trabalho aumenta com a experiência e diminui com a idade. Se o trabalhador não puder ser despedidos, o empregador tem que antecipar essa descida de produtividade pagando um salário de equilíbrio igual à produtividade média futura e que é inferior à produtividade da altura. Então, depois dos 30 anos, se o trabalhador trocar de emprego, vai ganhar menos (Fig. 1, área a amarelo).
Fig. 1 – Produtividade e salários com contratos definitivos


Vantagens e inconvenientes para o trabalhador dos empregos vitalícios
Vantagens:
As pessoas provavelmente vivem mais felizes se o seu consumo for constante ao longo do tempo. Supondo que os trabalhadores não são capazes de poupar nos anos em que são mais produtivos (como, por exemplo, o Eusébio) então, viverão mais felizes tendo um emprego menos remunerado mas definitivo.
Também é mais seguro porque o trabalhador pode vir a ser menos produtivo que a média.
Desvantagens:
Se o trabalhador mudar de emprego vai ganhar um salário menor. Então, depois dos 30 anos o trabalhador fica preso ao seu emprego. Pode querer mudar de actividade e não pode.
Se a empresa falir, o trabalhador vai ganhar menos perdendo o sacrifico feito nos anos em que o seu salário foi menos que a sua produtividade.

O salário e a expectativa de crescimento económico
Em Portugal existia a expectativa de que a economia ia crescer via aumento da produtividade do trabalho. Como essa expectativa não se concretizou, os trabalhadores com contratos de trabalho vitalícios têm um salário (Fig.2, linha a azul) superior à sua produtividade (Fig. 2, área a azul). Se houvesse flexibilidade, os salários desceriam.
Fig. 2 – Produtividade e salários com contratos definitivos (com erro na previsão do crescimento)


Obrigado aos à rasca
Eu fui trabalhador precário durante 18 anos (entre 1988 e 2006) e custa. Actualmente observo que existem pessoas capazes e disponíveis para fazer o que eu faço por metade do dinheiro. Isto faz-me pensar que, para não ser despedido, provavelmente teria que aceitar um salário substancialmente inferior. Então, interessa-me que se mantenha impossível despedir quem está empregado.
Por isso, força lorpas. Continuem a lutar pelos que, como eu, estão bem na vida.
Fig. 3 – Bem-aventurado o que acredita sem ver porque será enganado

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 13 de maio de 2011

É urgente acabar com os comboios

Os comboios são uma tecnologia completamente ultrapassada. Por isso é que a CP, REFER e Metros dão tanto prejuízo. Tal como já acabaram os carros puxados a bois e os cavalos de transporte, os comboios também têm que acabar para o bem de Portugal.
Esta é a minha segunda medida de fundo.
A antipatia pela mudança
Eu treinei Kung-Fu mas era fracote porque não executava as danças como está definido há milhares de anos. Como professor, também classifico os meus alunos um pouco desta forma. Rotular como excelente a pessoa que repete o passado é uma forma da sociedade conservar a sua estrutura actual. Apesar de a mudança ser necessária para o progresso, as pessoas têm medo do desconhecido preferindo a estabilidade e o marasmo.
Fig. 1 – Cuidado que eu sou Kung-Fu-dista. Hiarrr… r… r… i… i… ó… ó…
Nas empresas também existe aversão à mudança. Se for possível, as tarefas serão executadas como sempre o foram. As empresas apenas melhoram quando têm a concorrência de uma minoria de indivíduos, os empreendedores, que ousa inovar avançando com novos produtos e métodos de produção mais eficientes. As empresas antigas mudam ou abrem falência.
As empresas públicas, por os seus prejuízos serem financiados pelos impostos, nunca abrem falência (até ver). Mais grave é o Estado, numa tentativa para diminuir os prejuízos, fechar o mercado à concorrência e à inovação.
O caso dos comboios
Comboio é um substantivo colectivo. É uma récua carregada; Um grupo de muares carregados; Uma manada de cavalgaduras em fila.
Fig. 1 – O comboio que governa Portugal
Um muar transporta às costas uma mulata que são 3 alqueires. Como andar sobre carris tem menos atrito, o mesmo muar, puxando uma carruagem sobre carris de madeira, transporta 5 mulatas.
 
Fig. 2 – Esta mulata é carga de mais para o meu comboio
Em Portugal, nos anos 1950, nas minas ainda se usavam comboios de mulas sobre carris de madeira.
Os comboios mecanizados
Começam em Portugal em 1856 concorrendo com os burros e bois no transporte de carga e com os cavalos no transporte de pessoas. Nessa altura, ir do Porto a Lisboa a cavalo demorava uma semana e implicava trocar 15 vezes de montada. A mesma viagem de comboio demorava 12horas. Um burro transportava 45kg (em carreiro) e uma junta de bois 500kg (em estrada macadame) e percorriam 30km por dia. O comboio de carga transportava 500t e percorria 300km por dia.
Quando, no início do Sec. XX, surge o automóvel com motor de explosão interna (carros, carrinhas, furgonetas, camionetas e camiões), a estrada asfaltada, e as grandes reservas de petróleo do Médio Oriente, o comboio ficou completamente obsoleto.
O automóvel é tecnologicamente superior porque é flexível.
Por exemplo, um camião carrega fruta num pomar no meio de Marrocos e, passadas 24 horas, está a descarregá-la dentro de um hipermercado em Matosinhos. Num contentor climatizado, sem transbordo, paragens, ligações, greves, nada. Esse mesmo camião recolhe sapatos em Felgueiras e, passadas 24 horas, está a descarregá-los na Marks & Spencers em Londres.
Fig. 3 – Sr. Costa, quando, em Marrocos, aparece um sinal com uma mulher deitada com uma cadeira em cima, não é o que pensa
As carreiras Porto-Lisboa.
Um autocarro faz a ligação Porto Lisboa em 2h45m e o bilhete é mais barato que o do comboio.
O Comboio recebe subsídios e ainda dá um prejuízo terrível. O autocarro paga imposto de circulação, ISP, IVA, Portagens e ainda tem que dar lucro senão o BE diz que fogem ao fisco.
Vamos pensar nos terminais de autocarros que o Estado construiu nestas cidades: NADA. A Praça das Cebolas em Lisboa é uma vergonha. A Cordoaria no Porto é outra vergonha.
Porque é que os autocarros não podem receber passageiros nas estações de serviço das auto-estradas? É uma vergonha.



A questão ambiental
Uma carrinha (15l/100km) de 1+8 lugares, lotada, emite 50g de C02/km por passageiro, um autocarro (45l/100km) de 50 lugares, lotada, emite 25g de C02/km por passageiro. Somando, numa viagem Porto Lisboa, a carrinha emite 15kg/passageiro, o Alfa, lotado, emite 13Kg/passageiro (fonte: CP) e o autocarro emite 7.5kg/passageiro. E o gasóleo paga uma imensidão de ISP alegadamente pelas emissões de CO2 que o comboio não paga.
O comboio tem que desaparecer como os carros de bois desapareceram
Não é privatizar, é acabar de vez com os comboios.
O Estado, em vez de deixar morrer uma tecnologia ultrapassada há 100 anos, sobrecarrega os automóveis com proibições, taxas, impostos, portagens, alvarás, multas e atribui aos comboios subsídios, avais, compensações, subvenções. Com que lógica?
A CP mais a REFER (para não falar dos Metros) dão mais de 3 milhões de euros de prejuízo por dia. Estes números não aparecem nas contas porque são classificados como “investimentos” mas que nunca mais vão ser amortizados.
E têm que ser construídos terminais de autocarros decentes para as empresas privadas do sector rodoviário poderem funcionar livremente e com qualidade.
Porque é que não existem terminais rodoviários nas auto-estradas à entrada de Lisboa e de Porto com 20mil lugares de estacionamento e ligações em Shuttle com o centro da cidade?
Penso que é por sermos governados comboios.
Última hora: Provavelmente Marrocos vai ter TGV antes de Portugal
Li no JN que o governo está muito preocupados com a possibilidade de Marrocos ter TGV antes de Portugal. Ao que nós chegamos, estarmos a competir com Marrocos por um lugar no Guinness.
Fig. 5 – Olhi u tapét bárátu. É igualu no TGV do Marôcu.


Já estou preocupado porque, se o Sócrates não ganha as eleições, ainda a Grécia declara a bancarrota antes de nós e lá se vai o guinness.
Ultíssima hora: O pêlo púbico do Catroga
O pêlo púbico aparece no ser humano depois da puberdade e é curto, grosso e encaracolado.
Há um animal, o pthirus pubiso, que vive exclusivamente nessa zona pilosa do ser humano  e que, por causar prurido, está em perigo de extinção.
As expressões idiomáticas associadas ao pêlo púbico traduzem a ideia de que o assunto tem pouca importância.
Fig. 6 – Ai c'um Catroga, isto é que é uma pentelhada a sério.

Pedro Cosme da Costa Vieira

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