segunda-feira, 16 de maio de 2011

A geração à rasca, obrigado por serem lorpas.

Alguém conseguiu convencer os jovens que o melhor caminho para a sua felicidade é defenderem o status quo, os “direitos adquiridos” pelo 25 de Abril. Nada mais errado pois, ao defenderem estão a proteger quem está bem empregado, como eu, e a prejudicar a probabilidade de virem a ter um emprego. Pela minha parte, só tenho que agradecer.
A produtividade e os salários
Para se produzir riqueza é necessário juntar trabalho, capital (por exemplo, máquinas) e ideias (e.g., patentes). Retirando-se à riqueza criada a remuneração do capital e das ideias, fica a produtividade líquida do trabalho.
Em concorrência, com despedimentos livres e com informação perfeita, o salário do trabalhador é igual à sua produtividade líquida (Fig. 1,linha a verde).
O mau investimento público induz uma diminuição nos salários
O investimento aumenta a riqueza produzida. Assim, fazer SCUTS, METROs, TGVs ou rotundas aumenta o PIB. No entanto, como esse aumento é inferior à taxa de juro paga pelo capital pedido emprestado, a produtividade líquida do trabalho diminui: O mau investimento público aumenta o PIB e pode aumentar o emprego mas implica sempre uma diminuição nos salários.
Os contratos de emprego vitalícios e os salários
A produtividade do trabalho aumenta com a experiência e diminui com a idade. Se o trabalhador não puder ser despedidos, o empregador tem que antecipar essa descida de produtividade pagando um salário de equilíbrio igual à produtividade média futura e que é inferior à produtividade da altura. Então, depois dos 30 anos, se o trabalhador trocar de emprego, vai ganhar menos (Fig. 1, área a amarelo).
Fig. 1 – Produtividade e salários com contratos definitivos


Vantagens e inconvenientes para o trabalhador dos empregos vitalícios
Vantagens:
As pessoas provavelmente vivem mais felizes se o seu consumo for constante ao longo do tempo. Supondo que os trabalhadores não são capazes de poupar nos anos em que são mais produtivos (como, por exemplo, o Eusébio) então, viverão mais felizes tendo um emprego menos remunerado mas definitivo.
Também é mais seguro porque o trabalhador pode vir a ser menos produtivo que a média.
Desvantagens:
Se o trabalhador mudar de emprego vai ganhar um salário menor. Então, depois dos 30 anos o trabalhador fica preso ao seu emprego. Pode querer mudar de actividade e não pode.
Se a empresa falir, o trabalhador vai ganhar menos perdendo o sacrifico feito nos anos em que o seu salário foi menos que a sua produtividade.

O salário e a expectativa de crescimento económico
Em Portugal existia a expectativa de que a economia ia crescer via aumento da produtividade do trabalho. Como essa expectativa não se concretizou, os trabalhadores com contratos de trabalho vitalícios têm um salário (Fig.2, linha a azul) superior à sua produtividade (Fig. 2, área a azul). Se houvesse flexibilidade, os salários desceriam.
Fig. 2 – Produtividade e salários com contratos definitivos (com erro na previsão do crescimento)


Obrigado aos à rasca
Eu fui trabalhador precário durante 18 anos (entre 1988 e 2006) e custa. Actualmente observo que existem pessoas capazes e disponíveis para fazer o que eu faço por metade do dinheiro. Isto faz-me pensar que, para não ser despedido, provavelmente teria que aceitar um salário substancialmente inferior. Então, interessa-me que se mantenha impossível despedir quem está empregado.
Por isso, força lorpas. Continuem a lutar pelos que, como eu, estão bem na vida.
Fig. 3 – Bem-aventurado o que acredita sem ver porque será enganado

Pedro Cosme Costa Vieira

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