segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Costa, o défice de 2015, o Ébola e outras coisas

Qual será o défice público de 2015?
Em 2014, não considerando o Novo Banco e outras coisas irrepetíveis, o défice público foi de  4,1% do PIB (7074 milhões € em 173044 milhões€).
Na execução até outubro 2015, o défice está menor em 1209 milhões de € o que, mantendo-se esta tendência de redução de 121 m€/mês, vamos acabar 2015 com um défice de 5624 milhões €. 
Assumindo para 2015 um crescimento nominal do PIB de 2,0% (1,5% de crescimento real mais 0,5% de inflação), tal traduzirá que vamos fechar 2015 com um défice de 3,2% do PIB.


Não interessa o conto de fadas do cenário macroeconómico dos 12 sábios do PS.
Isso foi conversa para fazer campanha eleitoral. Agora, é preciso pegar nas contas da execução orçamental de 2015 e reduzir, no mínimo, o défice em 0,6% do PIB. Parece que foi este o número negociado pelo Passos Coelho com as instituições europeias.
Então, o défice de 2016 não poderá ficar nada acima dos 2,6% do PIB, com certeza absoluta, sem deslizes.

Mas há o anunciado crescimento do PIB!
Se em 2016 o PIB crescer 2,0%, o que já será 0,4pp acima das melhores previsões das instituições internacionais, pela divisão Défice/PIB, o défice diminuirá automaticamente em 0,1 pontos percentuais. Então, o Costa terá que consolidar (cortar na despesa ou aumentar nos impostos) pelo menos 910 milhões € (de 3,2% para 2,6%).

E, infelizmente agora, em 2010-2014 não existiu Espiral Recessiva.
A economia sofre de uma coisa que se chama Simetria. Quer isto dizer que, se a austeridade do Passos Coelho que entre 2010 e 2014 conseguiu reduzir o défice público de 11,2% do PIB para 4,2% do PIB esteve associada com uma contracção do PIB de 6,5%, então temos

    Elasticidade no PIB do défice = 6,5/11,2 = 0,58.

Este número irá ser aplicado agora que se anuncia aumento do défice público.
Então, o resvalar +0,7% de défice que o Costa quer impor nas contas públicas apenas conseguirá aumentar o PIB em 0,58*0,7% = 0,4% do PIB relativamente à previsão do Passos Coelho e apenas em 2016 (não se repete em 2017 ...). 
Foi este valor que eu meti ao prever 2,0% de crescimento para 2016.

Se o Costa diz que vai reverter tudo ...
Onde é que vai buscar a massa para pagar os aumentos no meu salário e demais funcionários públicos, das pensões, abonos de família, redução do IVA da restauração e mais 910 milhões €?

Mas as instituições europeias ...
Sei de fonte limpa (uma femme da menage) que as instituições europeias vão obrigar o Costa a orçamentar uma redução no défice não só nos 0,6 pp acordados com o Passos Coelho mas ainda mais metade do desvio de 2015, o que vai de 2,7% aos 3,2% o que traduz cortes adicionais de 450 milhões €.
Assim, o Costa vai ter que orçamentar para 2016 austeridade no valor de 1350 milhões €.

Daqui, conclui-se que ...
Não vamos ter OE2016.

Quando terão nascido Adão e Eva?
Os antigos,verificando que cada mulher tinha mais do que 2 filhos, conjecturaram que, andando para o passado, chegariamos a um tempo em que só haveria dois seres humanos, Adão e Eva.
Se há 10000 anos havia 15 milhões de pessoas e há 60 mil anos apenas 400 pessoas, Adão e Eva foram dadas à vida por Deus há 100 mil anos!
Entre nós e a Criação existiram apenas 3500 gerações.

Mas como se sabe que há 70 mil anos só havia 400 humanos?
O método científico tem grande poder de descobrir coisas.
Vamos começar por partes.

Primeiro,  os individuos de uma espécie têm variabilidade genética. Quer isto dizer que eu sou fisicamente diferente dos outros porque os meus genes são uma combinação diferente da combinação que forma cada uma das outras pessoas existente no Mundo. Vamos, por exemplo, olhar para o "Tipo Sanguíneo" que pode ser de reacção A, B, 0 ou uma combinação destes 3. O nosso grupo sanguínio tem a ver com o grupo sanguíneo dos nossos pais.

Segundo, se o gene não se revelar, a sua percentagem na população é estável ao longo do tempo. 
Por exemplo, hoje 97% das pessoas têm o gene HbA (Hemoglobina A) e 3% têm o gene HbA2 (aproximadamente). Então, sendo o gene HbA2 recessivo, 17% da população mundial tem pelo menos um desse gene no seu DNA.
Como o gene HbA2 apareceu por uma mutação, como a proporção deste gene na população se manteve estável ao longo do tempo porque ninguém sabe se o tem ou não, então ocorreu quando havia apenas 6 pessoas no Mundo!
No caso do factor RH+ (o antigéneo D), pela distribuição da prevalência do gene mutante, conclue-se que  a mutação aconteceu na população basca (no Norte da Espanha) e migrou dai com a colonização.
   Bascos => 60% tem pelo menos um gene D+
   Europeus => 40% tem pelo menos um gene D+
   Africanos => 3% tem pelo menos um gene D+
   Indios e Asiáticos => 1% tem pelo menos um gene D+

Sendo que a motação ocorreu já depois de os humanos terem chegado à Europa, então, o número de pessoas que havia nessa altura na Europa seria de 2,5 pessoas

Terceiro, mas existe a "limpeza genética".
De facto, a mutação que deu origem ao gene HBA2 não aconteceu quando havia 6 pessoas no Mundo e na Europa a mutação não aconteceu quando havia 2,5 europeus porque, em termos estatísticos, quando existem poucos individuos (por exemplo, 100), a probabilidade de, pelo acaso estatístico fenómeno estatístico, uma mutação (que corresponderia a 1% da população) pode passar a ser 17% da população (como acontece com o Hb Ab).

Mas, o que é certo
Olhando para a distribuição das variações nos genes, a humanidade veio de África, um grupo de pouco mais de 100 pessoas entrou na Asia há cerca de 70 mil anos e, depois, há cerca de 40 mil anos, veio outro grupo também com pouco mais de 100 pessoas para a Europa.
Da Ásia, migrou também um pequeno grupo para a Australia e, depois, Nova Zelandia, e outro pequeno grupo para a América do Norte e, depois, do Sul.
Incrivel como em 70 mil anos, essas 400 pessoas deram origem às 7300 000 000 que existem actualmente.

Ver, Stanley H. Ambrose (1998), Late Pleistocene human population bottlenecks, volcanic winter, and differentiation of modern humans, Journal of Human Evolution, 34, 623–651.

Será pior o Ébola ou o Aquecimento Global?
O Ébola é muito grave porque é muito contagiosa, mata uma percentagem de 40% dos infectados (até agora, 11340 mortos em 28638 contaminados) e  ainda não acabou. No entanto, a infecção parece controlada já que, de 200 casos por dia verificados há um ano atrás, actualmente há 3 casos por dia. Talvez mais um mesito e a coisa acaba, por agora!

  Evolução do número de novos casos de Ébola (ver, fonte dos dados)

Pior seria o Arrefecimento Global.
Claro que muitas pessoas estão preocupadas com o aquecimento global mas, de facto, não é um problema muito grave.
Haverá terras baixas que ficarão inundadas mas talvez a vastidão do Canadá e da Sibéria se tornem produtivas em termos agrícolas.
Gravíssimo seria o nosso planeta arrefecer 2.ºC. Toda a planífice americana deixaria de produzir trigo!

Pedro Cosme Vieira

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O Cavaco iniciou o processo de transformação do Costa em Primeiro-Ministro.

Hoje Sua Excelência Cavaco chamou o Costa a Belém.
Depois da conversa, comunicou ao país que "o Presidente da República decidiu (...) encarregar o Secretário-Geral do Partido Socialista de desenvolver esforços tendo em vista apresentar uma solução governativa estável, duradoura e credível." (ver)

Os esquerdistas ficaram danados.
 Mas, no dia 6 de Outubro, Sua Excelência disse "Tendo em conta os resultados das eleições para a Assembleia da República, em que nenhuma força política obteve uma maioria de mandatos no Parlamento, encarreguei o Dr. Pedro Passos Coelho de desenvolver diligências com vista a avaliar as possibilidades de constituir uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do País." (ver)
Não há grandes diferenças.
Ao Passos Coelho disse "uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do País"  e ao Costa "uma solução governativa estável, duradoura e credível."
Não é pelas diferenças nesta frase que podemos ver que o Costa está a ser vítima de um processo diferente do seguido no caso do Passos Coelho.
O problema está no Costa não conseguir o apoio incodicional do PCP e do BE.
Nos últimos 40 anos, o nosso regime político tem sido duplamente presidencial, havendo o Presidente da República e o Primeiro Ministro. A Assembleia da República é um "pau mandado" do Primeiro Ministro.
E o Cavaco quer que assim continue, o Costa para ser Primeiro Ministro a parte da AR que diz que o apoia tem que se submeter à sua vontade, seja ela qual vier a ser.
Se o Costa decidir, como o Sócrates fez, cortar 10% nos salários dos funcionários públicos, injectar dinheiro nos bancos, mandar tropas para combater na Síria ou precisar de cortar pensões ou aumentar as idades de reforma, os deputados que apoiam o governo têm que dizer que sim sem reservas.
E isso materializa-se nas condições impostas.

Parece-me que não vai dar
 
Vamos supor que era imposto ao Passos Coelho que os deputados do PSD e PP teriam que assinar que aprovariam de cruz tudo o que fosse por parte do Governo:


a) aprovação de moções de confiança;
b) aprovação dos Orçamentos do Estado, em particular o Orçamento para 2016;
c) cumprimento das regras de disciplina orçamental aplicadas a todos os países da Zona Euro e subscritas pelo Estado Português, nomeadamente as que resultam do Pacto de Estabilidade e Crescimento, do Tratado Orçamental, do Mecanismo Europeu de Estabilidade e da participação de Portugal na União Económica e Monetária e na União Bancária;
d) respeito pelos compromissos internacionais de Portugal no âmbito das organizações de defesa colectiva;
e) papel do Conselho Permanente de Concertação Social, dada a relevância do seu contributo para a coesão social e o desenvolvimento do País;
f) estabilidade do sistema financeiro, dado o seu papel fulcral no financiamento da economia portuguesa.


Isto não é mais do que a disciplina de voto que vigora para todas estas questões.

Não havendo comprometimento por parte da CDU e do BE ...
Não haverá Primeiro Ministro Costa.

"O esclarecimento destas questões é tanto mais decisivo (...) quanto os desafios da sustentabilidade da recuperação económica, da criação de emprego e da garantia de financiamento do Estado e da economia se manterão ao longo de toda a XIII legislatura."

Devo dizer que ...
O meu amigo PSAS previu a 100% que o Cavaco iria fazer isto: indigitar o Costa mas impondo-lhe a condição de ter garantido pelo menos o Orçamento de Estado de 2016, o que não vai ser possível.
E prova de que o Costa já desistiu é que, rapidamente, entregou a "carta da resposta" sem que a mesma tenha sido subscrita pelas "forças partidárias com as quais subscreveu os documentos 'Posição Conjunta sobre situação política'".



Pedro Cosme Vieira

domingo, 22 de novembro de 2015

Hoje fiz feijoada brasileira

A vida é feita de encontros e desencontros.
Quando há um desencontro, passados uns anos, de vez em quando volta qualquer coisa à memória. No caso dos homens, volta o sabor das comidas que já não comemos. É que cada mão dá um sabor especial mesmo à comida que fazemos todos os dias.
Da carioca ficou a bavarois de leite condensado e a feijoada brasileira.
Como as receitas que aparecem na internet são complexas, tenho que apresentar aqui uma receita muito flexível e simples.


O feijão preto é um condimento.
A feijoada brasileira tem que levar obrigatoriamente feijão preto e mais nada.
É o feijão que dá a cor pretas e o sabor peculiar às carnes.
Não é preciso pensarmos nas carnes secas e salgadas, linguiça e outros enchidos, na couve mineira ou farofa pois o que é importante é o feijão preto.
Comprei meio quilograma de feijão preto por 0,97€ dos quais, ontem à noite, pus 200g de molho em água fria.
Hoje às 11h30, retirei-o da água com a mão (sem a água de demolho), meti-o na panela de pressão e acrescentei água até o cobrir.
Liguei o fogo e deixei cozer com a panela aberta durante 20 minutos.
É importante tirar o feijão à mão porque 1) a água do demolho tem um certo sabor a mofo e 2) o feijão pode ter pedras que ficarão no fundo da bacia. Um dente partido custa 500€ a substituir!

Usei frango, apenas.
Cortei o frango (que comprei por pouco mais de 1,00€/kg) aos bocados e acrescentei ao feijão que estava a ferver.
Acrescentei um pouco de massa de tomate, alho seco, cebola, piripiri (para imitar os enchidos) e cebola às rodelas e agitei tudo. As carnes não ficaram cobertas com água mas, como vou fechar a panela de pressão, a carne libertará liquido suficiente para ficar tudo coberto.
Reparem que não fiz estrugido nem acrescentei qualquer gordura, basta a da pele do frango.

Fiz couve e cenoura cozidas.
Em vez da couve mineira, cortei couve lombarda e cenoura em Juliana (às fatias) e cozi noutra panela.
Fiz também arroz branco.
Para engrossar o molho da feijoada, misturei um pouco de farinha em meio copo de água e, depois de abrir a panela de pressão, verto essa aguada no molho da feijoada e mexo.

E já está pronto a servir.

E a farofa com linguiça?
Não é precisa para nada.
É que o óptimo é inimigo do bom.

Pedro Cosme Vieira

sábado, 21 de novembro de 2015

A adopção pelos gays e a PMA

Na Biblia, a criança é descendencia de quem a registar.
Vejamos o que diz no Livro do Génesis, capítulo 38.
Judá casou-se com Hira tendo tido 3 filhos homens, o primogénito Er, o Onã e o Selá.
Er casou-se com Tamar mas morreu antes de ter filhos.
Então, Judá obrigou Onã a "carregar" na cunhada viúva para que o seu irmão Er tivesse descendência.
Onã, sabendo que a descendência não havia de ser para ele mas para o irmão; quando "carregava" na cunhada, derramava o sémen na terra.

Mas eram parentes!
Como é sabido,  cerca de 10% das mulheres e 10% dos homens não são capazes de ter filhos. Como na sociedade antiga o ter filhos era uma bênção de Deus, seria pena uma mulher não esgotar todas as possibilidades de ter filhos. Então, havia a figura da remissão que era um parente próximo "carregar" a mulher de um parente que não tivesse filhos, caso em que a estatística diz que em metade dos casos dava resultado.

Há muitas mais passagens na Biblia.
Eu não sou um "doutor da igreja" (nem tenho fé) mas um conjunto grande de passagens parece indicar que Deus considera que o adoptado é descendência do adoptante.

Mas vamos à adopção por pessoas do mesmo sexo.
Eu sou um cientista e, por isso, queria saber se existe algum estudo científico que garanta que uma criança criada por dois pais do mesmo sexo resulta num adulto significativamente diferente de outro adulto criado por dois pais de sexos diferentes.
     H0: 2 pais de sexo diferente
     H1: 2 pais do mesmo sexo
como, tanto quanto sei, não existe tal estudo, a argumentação das pessoas contra a adopção gay não é argumentação mas apenas preconceito.

Mas H0 nem será essa.
     H0: Criança institucionalizada na Casa Pia
     H1: 2 pais do mesmo sexo.

Não vejo porque não.
Se há crianças institucionalizadas, casais cujo um dos membros tem filhos sem se saber quem é o outro pai, ou outra razão qualquer atendível, não vejo porque a criança não pode ser adoptada por duas pessoas do mesmo sexo.

É meu filhinho, sai à minha mulher

A Procriação Medicamente Assistida.
Sou totalmente a favor da liberalização total. Da mesma forma que podemos ir fazer ao dentista o que nos apetecer, também quem quiser ter filhos seja por que meio for, deve ter total liberdade para isso mais porque temos um enorme défice populacional.
Em Portugal e demais países europeus nascem 0,6 filhas por cada mulher quando, para manter a população, deveria nascer uma o que se traduz num défice de 50 mil crianças por ano.
Agora que sabemos que as crianças não são uma criação de Deus mas uma obra da Natureza, está na hora de nos deixarmos dessa divinização bacoca do acto da concepção.
Defendo mesmo que deve ser permitido o uso de mães de substituição sem qualquer regulação e, para isso, até pedi uma alteração legislativa muito mais avançada que a que os esquerdistas pretendem aprovar agora. 
Já não pedia mais do que adoptarmos para Portugal a legislação dos Estados Unidos da América que não são nem um país libertário nem selvagem.
Por isso, podem avançar com isso.

Número de filhas por mulher (Banco Mundial)

Outra coisa é a maluquices do aumento do défice público.
Aqui, mesmo que venha a ser um dos beneficiados porque o meu salário vai aumentar, sou totalmente contra porque o peso do estado já é exagerado. 
Metade da nossa economia é Estado, mais do que na China que é, alegadamente, uma economia comunista. 

O que será o aumento do rendimento defendido pelos esquerdistas?
Os esquerdistas fazem-me lembrar quando o Zequinha disse que "o animal que dá o leite é o pacote."
Os esquerdistas também acham que "quem dá rendimento às pessoas é o primeiro-ministro."
Aumentar o salário dos funcionários públicos e as pensões dos velhinhos não é aumento do rendimento das pessoas porque tem que ser financiado com mais impostos que vão retirar rendimento a outros.

Uma mentira repetida muitas vezes torna-se uma verdade.
Foi o Sócrates quem cortou os salários da função pública (no OE2011) e as pensões das pessoas (em 2011 comprometeu-se em cortar 595 milhões € nas pensões) mas os esquerdistas, de tanto repetirem que foi o Passos Coelho, já foi interiorizado pelo próprio Passos Coelho de que foi ele o autor dos cortes.
Mas, além disso, o Passos Coelho não cortou nenhum salário nas empresas privadas que são mais de 80% do total dos trabalhadores.
Se não foi o Passos Coelho que cortou os salários da Função Pública nem dos privados, como pode a esquerda estar sempre a dizer que, agora, vão acabar com os cortes deste governo?

Já compreendi!
Sendo que vão anular os cortes que o Passos Coelho fez e como o Passos Coelho não fez corte nenhum, também não vão repor nada.


Mas, cada vez mais me convenço de que 
o Costa não vai chegar a ser primeiro - ministro nesta legislatura.

Pedro Cosme Vieira

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O dilema de Cavaco

Manter o Passos Coelho em gestão ou dar posse ao Costa.
Penso que o Cavaco já tomou, há muito, a decisão e que as audiências que está a levar a cabo são apenas para ir preparando o país para o inevitável.
O problema está em saber o que é o inevitável (além da morte e de termos que pagar impostos).
 
Em Portugal temos 4 órgão de soberania.
Agora, porque o esquerdistas têm a maioria na Assembleia da República, anunciam ao 7 ventos que o nosso regime é parlamentar mas, de facto, temos 4 órgãos de soberania (Art. 110 da CP):
    o Presidente da República,
    a Assembleia da República,
    o Governo e
    os Tribunais
E existe separação de poderes (Art. 111 da CP).
Isto cria actualmente, um problema porque a AR tem o poder de criar Leis (e alterar a Constituição), o que afecta os demais órgãos de soberania.
 
O Governo existe por si.
O Governo, por ser um órgão de soberania, existe por direito próprio, podendo legislar por Decreto-Lei nas questões da gestão da coisa pública.
O Primeiro ministro é responsável perante o Presidente da República e a Assembleia da República no sentido de que as suas decisões são observadas para que não se podem desviem ou sejam opostas aos objectivos dos cidadãos que o elegeram.
Por isso, sendo o governo órgão de condução da política geral do país (Art. 182.º da CP), tem autonomia muito grande para actuar sendo que a independência entre órgãos de soberania não permite que a AR, o Presidente ou os Tribunais (outros órgãos de soberania) assumam as funções de governação.
A AR, tal como não pode decretar sentença judiciais nem decretos presidenciais, também não pode "governar" aprovando Leis, por exemplo, que acabem com a sobretaxa do IRS, que reponha o salário da função pública ao nível de 2010 ou que desçam o IVA da restauração à revelia do Governo. Seriam (serão) leis claramente inconstitucionais porque violariam o Art. 111.º da CP.
 
Cada órgão tem o seus poderes e o do Presidente é o de ...
Dar posse ao Primeiro Ministro e exonerá-lo quando está demissinário (em gestão).
A Assembleia da República bem pode fazer uma Lei a dizer que o Primeiro Ministro é o António Costa mas isso será, naturalmente, inconstitucional.
Se o Presidente tem um poder (de exonerar o Passos Coelho dando posse ao António Costa), não está obrigado a usar sempre e a toda a hora esse poder que tem.
É como o meu carro que tem o poder de andar a 157 km/h mas que não usa (agora, até está parado).
 
 
Vamos ao governo de gestão.
Os esquerdistas querem fazer crer que vai ser o fim do mundo termos um governo de gestão durante mais 7 meses mas, já temos governo de gestão desde o dia 4 e Outubro, o XIX até 31 de Outubro e o XX desde então, e ainda não caiu o Céu.
O Governo vai governando, fazendo as portarias e os decretos-lei que acha necessários para a governação (gestão) do nosso país naturalmente como sempre fez qualquer governo.
Não pode fazer coisas estruturantes mas, se não as fez nos 51 meses que esteve em efectividade de funções é porque tal não é necessário (nem possível).
 
Vamos ao Orçamento de Estado 2016.
Seja o governo em gestão ou o do PS, não vamos ter OE2016.
Para vermos o que vai acontecer por não haver OE2016, temos que ler a Lei do Enquadramento Orçamental que foi aprovada recentemente (Lei n.º 151/2015 - de 11 de setembro).
Reparem que esta Lei foi aprovada quando as sondagens começaram a dizer que o PàF poderia ganhar em minoria!
Fazer esta Lei 20 dias das eleições legislativas indica que
   1) O Passos se preparou para governar em gestão
   2) O Cavaco decidiu já em Setembro o que vai fazer agora
Para não ficarem dúvidas e por ser pouca coisa, vou transcrever o texto
 
"Artigo 58.º - Regime transitório de execução orçamental
1 — A vigência da lei do Orçamento do Estado é prorrogada quando se verifique:
...
d) A não votação parlamentar da proposta de lei do Orçamento do Estado.
 
2 — A prorrogação da vigência da lei do Orçamento do Estado abrange o respetivo articulado e os correspondentes mapas, bem como decretos -leis de execução orçamental."
 
Genericamente, estes dois artigos dizem que, chegando-se a 1 de Janeiro de 2016, o OE2015 entra uma segunda vez em actuação, prorrogando o seu vigor tal e qual como está hoje com todo o seu articulado, mapas e decretos-leis associados.
Tudo continua em funcionamento, se problemas no motor de arranque.
 
Por exemplo, a sobretaxa do IRS. 
Continuará como está no Art. 191.º do OE2015:
 
"Artigo 191.º - Sobretaxa em sede de imposto sobre o rendimento das pessoas singulares e crédito fiscal
1 — Sobre a parte do rendimento coletável de IRS que resulte do englobamento nos termos do artigo 22.º do Código do IRS, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de dezembro, acrescido dos rendimentos sujeitos às taxas especiais constantes dos n.os 3, 6, 11 e 12 do artigo 72.º do mesmo Código, auferido por sujeitos passivos residentes em território português, que exceda, por sujeito passivo, o valor anual da retribuição mínima mensal garantida, incide a sobretaxa de 3,5 %."
 
Fez-me lembrar a poléica de não haver evolução.
Ninguém foi votar no PàF por causa desta promessa. Foi uma birra do Portas (queria o fim da sobretaxa) que o Passos resolveu sem devolver nada.
Já é bom não termos uma medida extraordinária pois, nesmo se evolução, não vamos conseguir atingir a meta dos 2,7% do PIB exigida pelos europeus.
 
Mas a prorrogação do OE2015 não terá limitações?
Terá na parte em que o governo não pode aumentar a despesa  "com exceção das despesas referentes a prestações sociais devidas a beneficiários do sistema de segurança social e das despesas com aplicações financeiras." (par. 4.º)
Também não poderá lançar novos impostos porque isso tem que ser feito por uma Lei (da AR).
 
Vamos às limitações da prorrogação do OE2015 (Par. 3).
  a) As autorizações legislativas contidas no seu articulado que, de acordo com a Constituição ou os termos em que foram concedidas, devam caducar no final do ano económico a que respeitava a lei;
O OE2015 não tem disto.

b) A autorização para a cobrança das receitas cujos regimes se destinavam a vigorar apenas até ao final do ano económico a que respeitava aquela lei;
O OE2015 não tem disto.
 
E como será o governo do Costa?
Tal como o Costa aceitou aquelas medidas despesistas (repor salários, aumentar pensões, cortar a CES, acabar com a sobretaxa de IRS, descer o IVA da restauração, etc.) o Passos Coelho também o faria se, para isso, houvesse dinheiro no limite do défice (nos 2,1% do PIB impostos pelos nossos parceiros europeus para 2016 e que o PS quer que resvale para 2,8%). 
Naturalmente, numa democracia em que os governos são eleitos pelos votos do povo, nenhum governante deixa de gostar de dar coisas ao povinho.
O problema é que essas medidas terão que ser financiadas com endividamento ou impostos. E não é razoável estar a prometer dar coisas baseado em endividamento que precisa de aprovação dos nossos parceiros europeus e que não foi conseguido, por exemplo, pelo Syriza para a Grécia.
Não mais é possível re-materializar o discurso socialista de 1995-2011 do endividamento ("há mais vida para além do défice", Sampaio) para dar tudo a todos já (e, depois, logo se vê no que dá).
 
Mas o governo do Costa vai-se arrastar.
Há quem defenda que se deve dar posse ao Costa porque o seu governo não se vai aguentar nem 6 meses.
Mas eu tenho dúvida disso.
Vejamos a Síria. Um governante minimamente preocupado com o seu povo já se teria demitido e realizado eleições há, pelo menos, 4 anos.
Mas os "grandes estadistas" (de que o Costa é uma pequena amostra) não pensam assim. "Eu sei como se deve governar Portugal só que é preciso tempo para o povo ver como o meu caminho é bom" pensará o Costa.
Foi assim que tanta gente já fez na História de que os comunas soviéticos foram apenas um pequeno exemplo.
 
Serão os Costa-Cabral-Galamba-Centeno génios da economia?
Acham lógica a linha de raciocínio destes génios:
O Passos poupou e a dívida cresceu. Então, se o Passos não tivesse poupado, a dívida não teria crescido!
Faz-me lembrar a evidência empírica sobre as gordas:
Como as gordas estão empre em dieta, quem quiser ser magro tem que comer mais.
 
Se são génios da economia, estiveram muito tempo guardados na lâmpada.
 
O que iria acontecer com o governo do Costa.
A proposta de OE2016 tem que ir previamente às instituições europeias que lhe meteriam um chumbo pois não é possível aumentar a despesa, reduzir a receita e, mesmo assim, reduzir o défice relativamente aos 3% de 2015.
sim, a base é 2015 e não um programa fantasioso qualquer.
Seriam meses de desgaste como assistimos na Grécia.
Depois, expurgado de todas as tonterias, o OE2016 do PS não iria passar no parlamento.
Mas o Costa não se demitiria, ficaria na mesma como ficou quando soube da derrota eleitoral, iria transformar essa derrota na "vitória do parlamentarismo".
Acabavamos com o Costa a governar com o OE2015 (do Passos Coelho)
 
Sua Excelência não me chamou para ser ouvido.
Talvez por já saber que o que eu iria dizer é exatamente o que vai fazer.
"Sua Excelência o Sr. Presidente da República tem que materializar o inevitável que é manter o XX Governo Constitucional em funções de gestão."
É pior lá o Costa em efectividade de funções que o Passos Coelho em funções de gestão.

Pedro Cosme Vieira

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Faz 6 dias que o governo está em gestão

Os atentados de Paris retiraram este tema das notícias. 
Claro que os atentados foram terríveis, matar assim pessoas que davam para encher 3 autocarros sem mais nem menos mas penso que, mesmo no meio de tanta selvajaria, os terroristas tiveram um pouco de humanidade.
Imaginemos que os suicidas que entraram no Bataclan levavam um garrafão com 5 litros de gasolina que não custaria mais de 8€! Um bocado de gasolina a arder num espaço fechado e neste momento não estaríamos a falar em 130 ou 140 mortos mas em 1300 ou 1400 mortos.
Penso que não há ninguém, nem os SS dos campos de extermínio, que na hora de carregar no gatilho contra pessoas que nada fizeram de mal não sinta um aperto no estômago. 


Imagem da comitiva de Israel que foi massacrada nas olimpíadas de 1972
 Mas quando há um atentado contra judeus, ... "a culpa é deles que até mataram Cristo"

Mas vamos ao Passos Coelho.
O Cavaco Silva partir para o Arquipélago da Madeira e ninguém o foi ver partir o que, talvez, traduza que vivemos novamente um período de normalidade.
Tecnicamente, temos um governo em gestão desde o dia 4 de Outubro mas não parece fazer qualquer diferença relativamente a um qualquer governo na "plenitude das suas funções".

E o que irá o Cavaco fazer na Quarta-feira?
Assim que o Costa arranjou os "entendimentos políticos" assinados, pensou que iria ao Cavaco mostrar-lhos.
Mas nada aconteceu. Agora, tem lá em casa os papeis assinados mas não sabe o que lhes ha-de fazer.
Agora, tenho a certeza que o Cavaco nunca dará posse ao Costa como Primeiro Ministro mas tenho dúvidas quanto ao que vai fazer. Penso que será uma de duas coisas.

Hipotese 1 => Não vai fazer nada
Vem da Madeira e recolhe-se no Palácio entregue à na sua vidinha. Daqui a uma ou duas semanas, vai numa visita a algum sítio qualquer e um jornalista vai-lhe perguntar "quando é que o Sr. Presidente vai dar posse ao Sr. Dr. Costa?", altura, em que vai aproveitar para dizer qualquer coisa.


Hipotese 2 => Na Sexta-feira vai falar ao país
Na quinta-feira ainda ouve mais umas pessoas, depois fica em meditação e, na Sexta-feira à noite, já depois de os mercados estarem fechados, fala ao país.
 
 
O que o Cavaco vai dizer:
-Atendendo à leitura que fiz dos resultados eleitorais, sendo o Sr. Dr. Passos Coelho é o líder do partido que venceu as eleições, dei-lhe posse como primeiro ministro do XX Governo Constitucional. Recordo que, nunca nos 40 anos que levamos de democracia foi tomada uma decisão diferente. Usando do seu poder constitucional, a Assembleia da República decidiu que esse governo governasse em Gestão. Como, no entretanto, os resultados eleitorais não se alteraram, não encontro razão para rever a minha decisão pelo que, respeitando a decisão da Assembleia da República, manterei o XX Governo Constitucional em Gestão.

Imagem de uma cagarra
A cagarra nada disse que me fizesse mudar de opinião (Cavaco)

Porque será que os esquerdistas não querem reverter a privatização do BPN?
Da EDP, da REN, dos ENVC mas apenas da TAP?
É que a política é como os jogos de futebol, já ninguém se lembra dos resultados do ano passado.
Também, o povo já se esqueceu destas coisas.
Daqui a mais meia dúzia de meses, ninguém se lembrará da TAP.
Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A violação do Tratado Orçamental e o problema do Salário Mínimo

Os Esquerdistas têm vários problemas no seu programa. 

Primeiro, a falta de informação 
As esquerdas estão fragilizadas, não por terem, em termos individuais, perdido as eleições mas por os eleitores não terem, em 4 de Outubro, a informação sobre a possibilidade de isto, um acordo de derrotados, acontecer.
Bem sei que não é nenhuma ilegalidade mas os partidos da esquerda já sabiam que iriam tentá-lo e não transmitiram esta informação ao "mercado eleitoral", o que seria relevante, pelo menos em tese, para só quem votou mas também para quem se absteve.
Quem se absteve sentindo-se confortável com uma vitória relativa da PàF poderia (ou não) ter ido votar se soubesse que os derrotados iriam formar uma aliança.
Agora, sendo que a minha sondagem dá o PàF com maioria absoluta de 117 deputados, o Passos Coelho passou ao ataque pedindo eleições o mais rapidamente possível e as esquerdas passaram à defesa dizendo que "não podemos ter eleições todos os 6 meses".
Mas porque é que não podemos ter eleições todos os 6 meses?

Tu, minha filha, não enganas ninguém!

Será que vamos ser governados a partir da Assembleia da República?
No dia 20 de Novembro, o PCP, PS e BE agendaram leis para repor os feriados nacionais.
No dia 26 de Novembro, o PS propõe leis para acabar com a sobretaxa do IRS, da CES e dos cortes nos salários da função pública
No dia 27 de Novembro o BE propõe lei para acabar com os exames no 1.º ciclo.
O PCP reverte a sub-concessão dos STCP e do Metro do Porto e a fusão CARRIS-Metro de Lisboa.
O BE, PCP, PEV acabam com a avaliação dos docentes.

Mas isso é inconstitucional.
Porque o governo é um órgão de soberania (Art. 110 da CP) e existe separação de poderes (Art. 111 da CP) a Assembleia da República não pode legislar sobre matérias que são da competência do governo que é a "condução da política geral do país e o órgão superior da administração pública" (Art. 182 da CP).

E o Cavaco vai meter tudo na gaveta.
Nenhuma Lei pode passar a existir sem a promulgação do Presidente da República (Art. 137 da CP). Assim, se Sua Excelência meter as leis na gaveta, esta deixam pura e simplesmente de existir.
Digamos que lhes acontece como ao XX Governo constitucional, nunca chegam a assumir a plenitude das suas funções.

Segundo, não respeitam o Tratado Orçamental.
Os esquerdistas falam muito no limite dos 3,0% do PIB e que, ter 2,8% do PIB de défice cumpre os tratados europeus mas isso não corresponde minimamente à verdade.

O Tratado de Maastricht.
Neste tratado de 1992 realmente fala no limite dos 3% e é disto que falam os esquerdistas e os da comunicação social. 

  Défice público => Deve ser inferior (ou muito próximo) a 3% do PIB.
  Dívida pública => Não pode exceder 60% do PIB.

Mas o Tratado de Maastricht, é apenas para um país entrar no euro, nada dizendo de concreto sobre o que  um país, já dentro do Euro, tem que cumprir.
Por causa disso, Portugal (e mais países) nunca respeitou estes dois critérios.
Não havendo nada dito, foi assinado o Tratado Orçamental que entrou em vigor em 1/1/2013.

O Tratado Orçamental.
Agora, relativamente ao défice, as condições são muito mais restritivas, reduzindo o défice de 3,0% do PIB para 0,5% do PIB médio. 

  Défice público estrutural => deve ser inferior a 0,5% do PIB

Como se calcula o "Défice estrutural"?
Primeiro calcula-se o défice nominal que, para 2016, será de 183 mil milhões € (crescimento de 1,5%/ano e taxa de inflação de 1%/ano).
Segundo, calcula-se o PIB estrutural corrigindo este valor. Vou usar a taxa de desemprego (previsto em 12,3% para 2016) como medida da diferença entre o défice nominal e o estrutural (desemprego de 5%)
     = 183 * (1-5%)/(1-12,3%) = 198 mil milhões €

Quanto deveria então ser o défice para 2016?
Para respeitarmos o défice de 0,5% só poderíamos ter um défice nominal de
    = 198 * 0,5% = 1000 milhões € 
O PS prevê um défice de 5125 milhões €!

O "programa" das esquerdas resvalam em mais de 4000 milhões €.

Mas o Passos Coelho também não vai cumprir o 0,5%!
Não vai cumprir por causa de ter feito um acordo com as instituições europeias no qual se compromete a reduzir em cada ano o défice em 1600 milhões €, em 0,9% do PIB.
Então, se o Défice público ficar em 3,0% do PIB em 2015 (como tudo parece apontar que será), em 2016 o défice público terá que ser de 2,1% do PIB.
No OE 2016 tem que lá dizer "O Défice será de 2,1% do PIB" mesmo que, depois, chegados a 32 de Dezembro de 2016, o défice possa ser superior em algumas décimas.


Terceiro, o Salário Mínimo não pode subir.
Um salário de 505€/mês, 14 vezes por ano, traduz 42% do PIB per capita.
Considerando o subsídio de refeição, a TSU, as férias e o seguro, corresponde a um custo para as empresas de 5,30€/h e uma receita para o trabalhador de 4,50€/h.

Pode parecer pouco mas não é.
Um trabalhado a ganhar o SM tem um custo de 42,4€/dia.
Sendo a maçã vendida a 0,20€/kg e sendo necessário 2/3 deste preço para pagar o terreno, a árvore e o tratamento ao longo do ano, para não dar prejuízo a pessoa terá que apanhar 650 kg por dia.
Um restaurante para ter um cozinheiro e uma pessoa a servir, são 85€/dia o que obriga a vender muitas e muitas refeições a 5€.

Comparando com os USA.
Os esquerdistas dizem que na América a recuperação foi mais rápida por causa da boa intervenção do Banco Central Americano contra a má actuação do BC Europeu.
Nos USA o SM é de 7,25 dólares por hora que são 6,75€/h.
Se compararmos com o PIB per capita americano, o SM americano é 25%.

Não pode ser mas é!
O nosso salário mínimo é 42% do PIBpc e o americano é de 25% do PIBpc.
Para nos compararmos com a economia americana, teríamos um SM de 300€/mês.

As pessoas têm que ser livres.
Não existe nenhuma razão para que as pessoas não possam, livremente, acordar as condições do seu contrato de trabalho.
Se alguém se disponibilizar para trabalhar por 10€ por dia, não deve ser o Estado a proibi-lo sendo que não consegue garantir emprego a todas as pessoas.

Quarto, ainda é cedo para repor os salários dos funcionários públicos.
Pela mão do Eng. Sócrates, os salários dos funcionários públicos ficaram congelados em 2009 e, em 2010, sofreram um corte até 10%.
Pela mão do Passos Coelho, o horário de trabalho aumento de 35h/sem para 40h/sem.
Se o salário de 2009 for reposto em 2019, nestes 9 anos a inflação vai degradar todos os salário em cerca de 12% o que, acrescentando o aumento do horário de trabalho, traduz uma diminuição do custo da hora de trabalho dos funcionários públicos em 30%.
Não está mau, depois, podem recomeçar a subir de acordo com a inflação e os ganhos de produtividade.



Nunca o Costa será Primeiro Ministro.
Como sabem, eu tenho uma escuta debaixo da cama de Sua Excelência o Presidente da República. E ontem escutei a seguinte conversa:
 - Maria, vamos brincar aos médicos?
 - Oh Bilinho [é assim que a Maria trata Sua Excelência], antes disso, o Costa veio me pedir para lhe arranjares um emprego qualquer...
 - Maria, dixa-te disso pois sabes que eu não sou pressionável, se queres brincar, vamos brincar, senão queres, vamos dormir mas deixa-te disso!
 - Mas o que é que o Costa quer?
- Sei lá! Ouvi dizer que quer ser primeiro ministro das esquerdas mas está a perder o seu tempo.


Pedro Cosme Vieira

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

E o XX Governo não assumiu a plenitude de funções

Bem sei que todos os esquerdistas dizem que o XX Governo caiu ...
mas nada disso é verdade.
Quando Sua Excelência o Sr. Presidência da República dá posse ao Primeiro Ministro (Art. 187.º par. 1.º da Constituição), este começa imediatamente em funções até que seja exonerado pelo Presidente da República (Art. 186.º par. 1.º ) limitado à prática necessários à gestão dos negócios públicos (Art. 186.º par. 5.º ).

Artigo 186.º - Início e cessação de funções
 1. As funções do Primeiro-Ministro iniciam-se com a sua posse e cessam com a sua exoneração pelo Presidente da República.
...
5. Antes da apreciação do seu programa pela Assembleia da República, ou após a sua demissão, o Governo limitar-se-á à prática dos actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos.

Cavaco Silva a fazer pontaria com uma fisga
Onde é que estás Costa? Ainda não percebeste que, enquanto eu estiver aqui, só estás a perder o teu tempo?

Por isso, o governo não caiu.
Nunca se chegou a levantar ou, como disse o Cavaco, nunca chegou a entrar na "plenitude de funções".
Mas, sendo o actual XX Governo Constitucional um governo de combate (disse-o o Passos Coelho), tal como os militares quando se encontram sob fogo andam restejando, anca para um lado e anca para outro lado, também o XX Governo Constitucional irá avançar mesmo sem ter entrado em "plenitude de funções".

mulher nua (e boa) a sair da cama a rastejar
Se não consegue caminhar, rasteja, não sendo por isso que perde todo o seu valor.  

Como disse o deputado paraplégico do BE.
O XX Governo, porque não se conseguiu pôr de pé, vai precisar de um assistente pessoal que o ajude a ganhar autonomia. E, se recordarmos as palavras do Sr. Silva na tomada de posse do XX Governo,  esse assistente pessoal dá pelo nome de Cavaco.

«O Governo que hoje toma posse tem plena legitimidade constitucional para governar, [c]onquistou essa legitimidade nas urnas, ... cabendo agora aos Deputados apreciar o Programa do Governo e decidir ... sobre a sua entrada em plenitude de funções ... [mas, no caso de chumbo, este governo] ... pode contar com a lealdade institucional do Presidente da República.» (ver, o texto completo)

Mas, confesso, fiquei triste.
Não só eu como o Passos Coelho, o Portas e todos os "centro-direitistas", olhava-se para a cara deles no parlamento (e para a minha) e não era de alegria.
Eu tive sempre uma pequena esperança de que o Passos passasse, talvez com aqueles 15 seguristas, o recuo do PCP, um milagre qualquer, mas não passou.
Há que ter paciência e cerrar fileiras.

Mas tudo tem um lado bom.
Vamos imaginar que, à última da hora, o PS propunha um acordo com o PàF em que metia aquelas 70 medias onde se incluem a anulação dos cortes criados pelo Sócrates / Teixeira dos Santos (salários dos funcionários públicos, congelamento das pensões, etc.) e o implícito aumento de impostos necessários para financiar isso tudo. O PàF ficaria amarrado de pés e mãos a uma política errada.
Assim, segue o seu caminho até às próximas legislativas que serão no dia 5 de Julho de 2015.



Mas o Cavaco vai aguentar a pressão.
Os seguristas e demais PSistas mostraram que não aguentam a pressão, que não passam de tachistas que fazem lembrar as estruturas do PSD quando o Santana Lopes chegou a Primeiro Ministro em substituição do Durão Barroso, abrindo a porta de par em par para a entrada do Sócrates. 
Mas, ficando lá o Santana Lopes, o resultado também não teria sido diferente relativamente ao que aconteceu com o Sócrates, em 2011 estaríamos na mesma na bancarrota pois o SL é um despesista igual ao Sócrates.

O Passos Coelho vai ficar em gestão.
Eu sempre o disse mesmo quando pessoas das relações do Passos Coelho me diziam "o Pedro não vai aceitar ficar em gestão." 
Não só aceitou como se sente confortável pois as sondagens indicam que, nas eleições de 5 de Junho de 2016, o PàF vai ter maioria absoluta.
Quando o Cavaco Silva sair, no dia 9 de Março, já decorridos 5 meses e 5 dias desde as eleições legislativas (de 4 de Outubro de 2014) e já só faltando alguns dias para a Assembleia da República poder ser dissolvida, não me acredito que o Marcelo, ganhando as presidenciais, dê posse ao Costa.


Os PSD+PP deveriam arranjar um candidato à Presidência da República.
Primeiro, perguntam (em privado) ao Marcelo se ele dá posse ao Costa e, caso ele diga que sim, o PSD+PP têm que avançar com outro candidato à Presidência da República.
Eu vou dar alguns nomes que me tenho lembrado e que têm fortes possibilidades de passar à segunda volta contra o Marcelo (terão grande parte dos 38,6% que votaram PàF no dia 4 de Outubro) e de terem uma vitória contra os esquerdistas.

Aqui vão 5 dos meus nomes
       1) Francisco Pinto Balsemão (fundador do PSD e ex-primeiro ministro)  
       2) Assunção Esteves (ex- Presidente da Assembleia da República)
       3) Paulo Macedo  (ex -ministro da economia)
       4) António Pires de Lima (ex -ministro da economia)
       5) Guilherme de Oliverira Martins (ex-Presidente do Tribunal de Contas)

O acordo com o Pinto Balsemão até pode incluir a clausula de que, se o cargo for muito cansativo, o Balsemão poder renunciar daqui a um anito.
Amigos Passos e Portas, pensem nisto.

O Costa deveria era anular as medidas do Passos Coelho.
O Sócrates cortou o meu salário em quase 10% e o Costa anuncia que vai acabar com esse corte em 2016 porque, alegadamente, foi da responsabilidade do Passos Coelho. Já agora, o Costa deveria acabar com o congelamento das carreiras que também são do tempo do Sócrates.
Mas fará sentido  dizer que acaba a austeridade dos neoliberais revertendo os cortes do seu camarada Sócrates?
Deveria era reverter o aumento brutal de IRS do Gasparzinho.

Quase que me esquecia de dizer.
A maioria parlamentar de 50,75% do PS (32,31%) + BE (10,19%) + PCP  + Verdes (8,25%) encontra-se com a maioria presidencial de 53,95% do Cavaco Silva.
O Cavaco ainda está à frente em 2,2 pontos percentuais.


A aventura esquerdista está a aumentar a nossa taxa de juro em 0,4 pontos percentuais relativamente à taxa de juro alemã o que, na nossa dívida pública de 230 mil milhões €, é uma despesa acrescida em juros de 920 milhões € por ano, mais do que a reposição dos salários da função pública a somar ao corte da sobretaxa de IRS.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 8 de novembro de 2015

Se hoje fossem as eleições o PàF teria 117 deputados

Em 4 de Outuvro de 2015.
O PSD+PP elegeram 107 deputados e o PS 86 deputados  num total de 230 deputados.
Em termos de votos, PSD+PP tiveram 38,57% e o PS 32,31% dos votos expressos.

E quanto teriam o PSD´PP e o PS hoje, dia 8 de Novembro de 2015?
Sei que pelo menos uma pessoa, a SBF, votou o PS mas que hoje, depois de tentar o acordo à esquerda, só trata o Costa por Parvalhão. Mas uma pessoa não serve para eu estimar os resultados eleitorais se fossem hoje as eleições. Então, tenho que ir buscar as sondagens que estão na comunicação social.

As sondagens da Eurosondagem.
No dia 23/09/2015, a Eurosondagem dizia que o PàF obteria 35,5% e o PS 36,0% mas os resultados foram estatísticamente muito diferentes e incompatíveis com os resultados apresentados pela Eurosondagem de 23/09.

As outras sondagens no dia 23 de Setembro e os resultados finais.
Eurosondagem => PàF 35,5% e PS 36,0%.
Intercampus   => PàF 38,4% e PS 34,1%.
Católica => PàF 40,0% e PS 35,0%.

A metodologia da Eurosongagem não é cêntrica
Se acrescentarmos que passados apenas 12 dias depois se veio a concretizar
PàF 38,57% e PS 35,0%, a metodologia da Eurosongame tem um erro de concepção que será preciso corrigir.

PàF => correcção de 38,57% - 35,5% = 3,02%
PS => correcção de 32,31% - 36,9% = -4,59%

Vamos então às sondagens actuais.
No dia 11/09/2015, a Eurosondagem dizia que o PàF obteria 41,0% e o PS 32,50%, concluindo que "parece não ser afectado pelas negociações com BE e PCP".
Mas este valor tem que ser corrigido pelo enviesamento À esquerda da Eurosondagem.

Termos então
PàF => 41,0% +  3,02% = 44,02%
PS => 32,5% - 4,59% = 27,91%

E qual seria a distribuição de deputados.
A melhor previsão usando dados das legislaturas passadas, será que o número de deputados é dado por
PErcentagem * 285,5 - 8,5
Então, se as eleições fossem hoje, teríamos os seguintes resultados
PàF => 44,02%*285,5-8,5 =117 deputados (mais 10 deputados)
PS => 32,5%*285,5-8,5 = 71 deputados (menos 15 deputados)

Relação entre votos e deputados nas legislativas

O PS, em vez de se associar à esquerda, deveria pedir uma alteração da Constituição.
O PS tem medo de que nunca mais venha a ter, contra o PSD+PP coligado, uma vitória eleitoral que lhe permita governar por causa do BE e do PCP.
Mas, o melhor, seria forçar um acordo de governo com o PSD+PP em que seria introduzida na Constituição um bonus de 23 deputados (10%) para o aprtido vencedor.
Assim, rebentava com a ameaça que sente à sua esquerda, do BE e com o PCP.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O "acordo" esquerdista é só a metade

O António Costa apresentou as linhas gerais dos acordos dos esquerdas.
O "acordo" anunciado pelo António Costa só tem uma perna pois contém medidas agradáveis que implicam diminuição da receita fiscal e aumento da despesa pública mas não tem a outra perna, nada diz sobre como esse buraco vai ser financiado.

Corte na receita fiscal
   1) IVA da eletricidade descer de 23% para 13% => - 400 milhões € por ano de receita.
   2) IVA da restauração descer de 23% para 13% => - 200 milhões € por ano de receita.
   3) Acabar com a sobretaxa de IRS => - 760 milhões € por ano
   4) Acabar com a Contribuição Extraordinária de Solidariedade => - 100 Milhões por ano €.
Subtrai 700 milhões € por ano à receita fiscal

Aumento na despesa pública
   5) Acabar com os cortes nos salários dos funcionários públicos => + 600 milhões € por ano.
   6) Descongelar as pensões => + 1000 milhões por ano.
Aumenta 1600 milhões € por ano à despesa pública

Só nestas 6 medidas, o buraco é de 1700 milhões € por ano.
É o tal pontinho que o Jerónimo diz ir dos 3% do PIB para os 4% do PIB.
O problema é que o défice não vai poder aumentar "um pontinho" pelo que ...

Onde está a outra perna do acordo?
Onde é que os esquerdistas acordaram que estes 1700 milhões € por ano vão ser retirados?

O problema do acordo dos esquerdistas vai ser a prótese que vai financiar as medidas agradáveis.

Provavelmente.
O Costa não disse que o IVA da eletricidade irá passar dos 23% para 13% mas, se aquando do aumento foi um berreiro total, uma prova da violência das políticas neo-liberais radicais da direita, concerteza que foi um esquecimento.
Também esquecimento foi a re-nacionalização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo e a anulação da concessão do Metro, dos STCP e da privatização da TAP. 

Salário mínimo?
Afirmou taxativamente "600 euros no fim da legislatura ... um aumento no poder de compra de 10% ao longo da legislatura".
Estas duas coisas são iguais se a taxa de inflação for de 1,95%/ano mas, a diferença para a previsão do BCE também só dá uma diferença de 7€ (subindo 10%, prevê o BCE que os 505€ com mais 10% reais sejam 593€ em 2019).
Isto é extraordinariamente exagerado, altamente destruidor da nossa economia, muito pior que o buraco de 1 % do PIB nas contas públicas.
Nos 900 mil trabalhadores que actualmente ganham o SMN, traduzirá uma despesa acrescida das empresas em 1500 milhões € por ano, em termos reais de 800 milhões € por ano.

Cavaco, contamos contigo.
Como o Marcelo não passa de um catavento, o melhor será Vossa Excelência começar a pensar numa personalidade capaz de o substituir na Presidência da República.
Não haverá por ai ninguém melhor que o Marcelo?
Uma pessoa que os tenha no sítio . 

 
Quanto ao acordo dos esquerdistas, marretada em cima e das fortes

Desculpem por ter sido machista (e não marxista).


Uma pessoa que as tenha no sítio!

Pedro Cosme Vieira

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

É uma perda de tempo

Quando foram falar a Sua Excelência ... 
todos os esquerdistas disseram ao Cavaco Silva que dar posse ao Passos Coelho como primeiro ministro do XX Governo Constitucional seria uma perda de tempo pois havia um acordo à esquerda sólido e que o iria derrubar para, depois, encabeçados pelo Camarada Costa, assumirem-se como o XXI Governo Constitucional.
O Esquerdista Nóvoa veio logo dizer que "se fosse eu presidente, obviamente que daria posse ao António Costa."

Veio a marretada do Cavaco.
"Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.
Aliás, é significativo que não tenham sido apresentadas, por essas forças políticas, garantias de uma solução alternativa estável, duradoura e credível." (ver, o comunicado integral)

A marretada uniu a esquerda!
Foi com o que contra-atacaram os esquerdistas encabeçados pelo Pacheco Pereira:
O discurso do Presidente é "o exemplo lapidar de como as coisas podem resultar exactamente ao contrário", já que, "em vez de dividir o PS uniu o PS, em vez de criar dificuldades para os partidos de esquerda criou uma fúria tão grande que ultrapassou as duas debilidades, fragilizou o Governo que pretendia apoiar e criou um beco sem saída para a sua própria decisão".  (ver, Público).
O que já traduzia que, quando foram falar a Sua Excelência, o "acordo" não passava de uma intrujice.

Afinal, era tudo mentira.
Foram nos dias 20 e 21 de Outubro dizer a Sua Ex.a o Sr. Presidente da República que tinham um acordo quando, afinal, não havia acordo nenhum e hoje, dia 4 de Novembro, vêm mesmo dizer que a coisa está muito tremida.
  -Qual acordo.
  -O acordo!
  -Ah, qual acordo?
  - O acordo?
  - Qual acordo!
  - O Acordo.
(veja, em primeira mão, O acordo de esquerda na íntegra)

Lembram-se de um prefácio qualquer do Cavaco de 2011?
Não me lembro onde escreveu isto mas escreveu mesmo que "Os dados da economia portuguesa pareciam-me negativos mas o Sr. Primeiro Ministro José Sócrates vinha-me dizer que as coisas estavam controladas e a correr muito bem e eu, por obrigação institucional, acreditava. Agora vejo que tudo não passava de mentiras."

Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?(João 18:38)
E Pilatos disse, "São coisas que os demoníacos [dirigentes esquerdistas] afirmam com o único objectivo de chegar ao poder."
Mas, como "Gato escaldado de água fria tem medo", o Cavaco meteu essa conversa do acordo das esquerdas no gavetão das "Verdades afirmadas a pés juntos pelos dirigentes Demoníacos [do PS]."

E agora?
"O político de apelido Costa, entregou-se a Jerónimo, que com certeza lhe reserva um lugar adequado."

Vejamos porque o acordo nunca pode acontecer. 
As pessoas esquecem-se que comunistas morreram às mãos da PIDE a lutar pela implantação da ditadura do proletariado. Pessoas ficaram horas e horas de pé, sem dormir, a apanhar chapadas, fritaram no Tarrafal, perderam empregos e benesses porque acreditavam, tal como São Pedro na salvação eterna, que poderia haver uma sociedade em que todos éramos iguais e ricos. Acreditavam e acreditam com toda a convicção que é possível ter.
Não há Testemunhas do Senhor Jeová que se deixam morrer porque "Deus disse que não podemos receber sangue de outros"?
Não há islâmicos que se explodem agarrados a uma bomba para poderem ter 72 virgens no Paraíso?
Não há os dos PCTP-MRPP que anunciam a "Morte aos Traidores"?
Os PCPs não são como os BEs, vivem na miséria, o Jerónimo com 850€/mês entregando todo o resto do seu rendimento ao Partido.
Os comunas são como os anões, não é deficiência nenhuma, é uma forma diferente, mais pequenina, de se ser humano.

Eu sou uma (mini)gaja boa.

Hoje li uma noticia interessante.
Claro que podem dizer que "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" e, a notícia que li hoje em meios reacionários que recebo na caixa de correio tem a ver com isso.
Nos princípios da década de 1490, cerca de 100 mil portugueses professavam a religião judaica (10% da nossa população seria de 1 milhão de habitantes). Depois, foram condenados à morte e, a forma mais fácil de identificar um judeu era, obriga-la a comer carne de porco que, segundo o Levítico, é pecado. Muitas pessoas preferiam a morrer a meterem o porco para dentro do bucho.
Agora vem a notícia. É que actualmente 57% dos judeus americanos comem regularmente carne de porco (ver).

Será que os comunas vão mudar? 
Não me acredito porque, no dia em que mudarem, desaparecerão.
Por volta de 1450 chegaram a Portugal os cristãos Arménios fugidos do avanço turco e os ciganos.
Os arménios foram muito bem tratados e hoje, não sobra nenhum.
Os ciganos foram excluídos, mortos, escravizados, e hoje ainda existem 40 mil.
Se os comunas se transformarem em pessoas normais, também desaparecerão.

É como a sexualidade católica.
Todos os problemas de adaptação da Doutrina da Igreja à sociedade actual, a homossexualidade, o casamento dos padre, o divórcio e o recasamento, a amancebia, são tudo problemas que resultam de a sexualidade ser entendida como algo ser regulada por Deus. Se foi possível, faz séculos, os católicos terem abandonado o Levítico quanto aos alimentos impuros para captar os romanos ...
“Vocês não poderão comer ... camelo ... coelho... lebre... porco. Tudo o que vive na água e não possui barbatanas e escamas será proibido para vocês" (Levítico 11)

Afinal, não foi uma perda de tempo.
Até o Esquerdista Nóvoa já veio dizer que "o Cavaco actuou muito bem".


Pedro Cosme Vieira


domingo, 1 de novembro de 2015

48 - A apresentação

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
______________________

Ver o capítulo anterior (47 - A infância)    





48 - A apresentação
Naqueles dias que decorreram até à reunião da confraria onde o Rúben iria apresentar o seu projecto, as ideias foram evoluindo. Assim sendo, na hora combinada, já estava tudo estudado e pronto a ser exposto aos confrades. Por ser o presidente da confraria, foi o Alberto que abriu a reunião.
– Boa noite amigos confrades, como sabem, há umas dezenas de anos a nossa aldeia que fica na Europa foi destruida, quase todas as pessoas que lá viviam foram mortas, as casas destruidas de forma que hoje, a nossa terra é uma sombra do que foi no passado. Agora, os descendentes dos que tentaram destruir o nosso povo vivem atormentados com esse crime pelo que, para se tentarem redimir deste crime histórico, aprovaram a Lei do Retorno na qual reconhecem o direito a todas as pessoas do nosso povo de regressar à aldeia. Assim, está aberta a possibilidade das pessoas descendentes dos habitantes originais da nossa aldeia ancestral poderem ir viver para lá, com igualdade de direitos com as pessoas do Vale. O problema é que, como todos nós sabemos,  nascem poucas crianças na nossa comunidade, não mais de 40 por ano, pelo que, pensando que as crianças continuarão a vir ao mundo pela decisão dos seus pais, essa lei não terá utilidade prática e que, portanto, a nossa aldeia ancestral estará definitivamente condenada ao desaparecimento. Mas, porque há quem pense de forma diferente, o Sr. Rúben e o Sr. Dr. Cerejeira vão fazer uma pequena apresentação sobre a forma de transformar esta lei aparentemente inútil numa oportunidade para ressuscitar a nossa comunidade ancestral.
As pessoas estavam curiosas sobre o que o Sr. Rúben iria dizer e, por causa dessa curiosidade, a sala estava a rebentar pelas costuras, com mais de 1000 pessoas, a maior parte de pé, e muitas mais ainda lá estariam se coubessem. Depois das palmas, fez-se então um silêncio sepucral.
– Boa noite. Como sabem, nasci na aldeia faz muitos e muitos anos e, por isso, estou a ficar velho e próximo da eternidade. Quando era criança, a miséria era grande, os ataques eram frequentes, o monte pouco dava e o foral era elevado mas, pelo menos na minha memória, éramos uma comunidade viva e onde as pessoas viviam relativamente  felizes e com confiançaa certeza de que o nosso povo perduraria ao longo dos séculos. Mas a tragédia tocou-nos e a grande maioria das milhares de pessoas que viviam na aldeia, mais de 9000, desapareceram de um dia para o outro e as casas e tudo o demais foi destruido. Decorridos estes anos todos há a possibilidade de refazermos aquela comunidade mas, para isso, temos que arranjar milhares e milhares de pessoas o que  parece impossivel já que somos apenas 3000 e nascem-nos apenas 40 crianças por ano. Como nunca me dei por derrotado, penso que para grandes problemas temos que encontrar soluções novas e, com esta máxima, peço-vos que ouçam o que o Sr. Dr. Cerejeira tem para vos dizer sobre como a medicina nos podem ajudar a trazer a nossa aldeia de volta.
– Boa Noite, eu sou médico e o Sr. Rúben incumbiu-me de investigar uma forma de, usando as melhores práticas médicas, propor uma forma de arranjarmos pessoas suficientes para repovoar a nossa aldeia que fica na Europa sem sobrecarregar as nossas famílias. Imaginando que cada jovem que for para a aldeia vai ter um filho, a questão a que tenho que responder é como será possível produzir 4500 jovens. A minha ideia é que esse número seja distribuido ao longo de 30 anos, numa média de 150 jovens por ano. Depois de muito discutirmos, existe uma solução técnica perfeitamente testada e com sucesso garantido que é recolher aqui os gametas dos nossos casais, óvulos e espermatozoides, implantar os embriões resultantes em mulheres de substituição que serão contratadas e viverão num pais africano e, depois, quando tiverem 10 anos de idade, as crianças passarão a viver na nossa aldeia como filhos adoptivos de um casal, 20 crianças por casal. Como será preciso que cada um dos nossos casais tenha cerca de 7 crianças, a única coisa que fica em aberto e para a qual será preciso fazer estudos experimentais, é saber até que ponto é possível duplicar os ovócitos para conseguir, com uma recolha de óvulos, atingir as 7 crianças.
Depois do silêncio, explodiu um borburinho "Mas como será isso possível? Como vai ser possível financiar isso" ouvia-se de várias partes da sala.
– Bem, como já disse, em termos médicos, é completamente possível e em termos económicos, o Sr. Rúben vai-vos dizer como pensa financiar este projecto. Vou então passar a palavra ao Sr. Rúben.
– Obrigado Dr. Alberto, vou então passar à parte do financiamento. Segundo informação recolhida, o processo médico costará cerca de 10000€ e sustentar a criança desde que nasce até atingir a maioridade deve custar 40000€. Assim, serão precisos 50000€ para produzir um jovem. Claro que, para produzirmos 4500 jovens, serão precisos muitos milhões de euros mas, pensando que este investimento vai ser distribuido ao longo de algumas dezenas de anos, será possível arranjar o financiamento necessário. Depois, da mesma forma que o Sr. Dessilva conseguiu financimento para nossa viagem para cá porque nos comprometemos a pagar esseinvestimento com o nosso trabalho, estes 50 mil € vão ser amortizados por cada jovem mediante a entrega de 10% do seu rendimento durante os 50 anos da sua vida activa. Cono todos nós nos disponibilizamos para pagar a nossa vinda para cá, também os nossos jovens terão que pagar esses 50 mil € soubendo que esse é o preço de terem sido dados à vida.
Criou-se novo burburinho na sala. "Mas as crianças vão ser filhos de quem? Será ético obrigar os jovens a pagar a sua vida? E se os jovens não quiserem viver na aldeia? E se volta a aparecer a doença? "
– Calma que eu vou responder a todas as perguntas.
– As crianças vão ser adoptadas, teremos que arranjar casais que se voluntariem para viver em África com as crianças, talvez 20 crianças por casal, para lhes ensinar a nossa língua e serem a ponte emocional e cultural das crianças com a nossa aldeia. Depois, essas famílias vão, depois, viver para a aldeia até que as crianças se tornem adultas. Teremos que discutir se será necessário dizer a cada criança quem são os seus pais genéticos ou se essa informação se irá perder, havendo apenas uma identificação de quem é irmão de quem.
– É difícil imaginar como podemos impor a alguém "Só nasces se pagares 10% do rendimento que vais ter durante a vida". Mas, por um lado, esta imposição não é nada de novo relativamente aos pais que têm um filho pensando que este vai cuidar deles durante a velhice. E quanto à imposição não será algo verdadeiramente obrigatória, mas estou persuadido que todos os jovens irão pagar a sua parte nos custos de terem sido dados à vida.
– Os jovens vão viver na nossa aldeia entre os 10 anos de idade e serem adultos mas a obrigatoriedade para viverem na aldeia não será total. Penso que, tal como nós temos soudades do local onde fomos crianças, os nossos jovens vão mater uma ligação com a nossa aldeia mas, se quiserem vir viver para junto de nós ou para outro local qualquer, não haverá problema nenhum nisso, continuarão a ser um reforço para que o nosso povo perdure no tempo.
– Finalmente, se a doença voltar, não vos vou dizer como o problema poderá ser resolvido mas não podemos deixar de caminhar porque há o risco de cairmos. Quando uma criança nasce há o risco de não corresponder ao que os pais anseiam mas isso não pode fazer com que deixem de ter, de todo, filhos. Vamos indo e vamos vendo.
A discussão continuou até que mais ninguém quis fazer perguntas.
– Sendo que não há mais questões - disse o Alberto - vou então dar por fechada esta reunião. Agora, cada um de nós vai para casa pensar nesta questão, discutir com os seus familiares as vantagens e inconvenientes deste projecto e, daqui a uma semana, vamos proceder a uma votação em que todas as pessoas se vão pronunciar quanto a avançar ou não com o projecto do Sr. Rúben. No caso de o projecto ser aprovado, daremos então início aos procedimentos para que possamos dar início à produção das crianças.

FIM

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