sexta-feira, 29 de abril de 2011

Onde pára o sr. ministro das finanças?

O Teixeira pediu a ajuda externa à revelia do Sócrates e demitiu-se no instante em que anunciou a necessidade do pedido de ajuda, com efeito imediato. Agora, mostram umas imagens tremidas do "falecido" ao estilo da antiga União Soviética. Eu tenho Saudades do PEC I e do PEC II que, de facto, eram MECS – Mentiras do Camarada Sócrates. MECS daqueles, precisávamos de mais 20.
“O Nando anda num stress terrível”
Aqui há umas semanas chegou-me aos ouvidos uma frase que hoje explica o que veio a acontecer:
“O Nando está num stress terrível. Não dorme, come compulsivamente, está a engordar 1kg por semana. Tenho medo que lhe dê um ataque.”
Isto estava a acontecer porque a taxa de juro já tinha ultrapassado em muito os 7%/ano que era o  soar do alarme de bancarrota iminente. Mas o chefe do manicómio em autogestão teimava em dizer “Está tudo bem para não dizer que está óptimo, não preciso da ajuda de ninguém, e daqui ninguém me tira. Isto é tudo culpa do Pato Donald e do Pato Coelho”.
Fig.1 - Nós somos os pais de todas as crises 
O dilema do Sr. Ministro das Finanças estava entre cumpriu as ordens de aguentar até ao último homem ou cumprir o dever último cívico de pedir ajuda para Portugal. Acabou por decidir pedir ajuda à revelia do chefe do manicómio e demitiu-se com efeito imediato. Foi um suicídio construtivo.
Agora, estamos numa governação ao estilo da antiga União Soviética. O Secretário-geral morria e começavam rumores disso que eram sempre negados com umas imagens tremidas e de costas do já morto a dar beijinhos a crianças. Entretanto, havia a luta pela sucessão, matavam-se e esfolavam-se uns aos outros, e, quando havia um vencedor, dava-se finalmente conhecimento ao povo de que o grande líder tinha morrido. Andavam nisto uns longos meses.
Ai como eu tenho saudades do PEC I, do PEC II, do Salazar e de quando era criança.
O chefe do manicómio disso que “ainda vão ter saudades do PEC IV”.
Eu tenho saudades é do PEC I, quando o governo anunciava, e eu acreditava, que Portugal era uma maravilha que ia crescer 3% ao ano, que ia ajudar a Grécia, a Irlanda e a Espanha.
Eu tenho saudades é do Salazar, quando o governo anunciava, e eu acreditava, que Portugal era uma super-potência riquíssima, que tinha centenas de tonelas de ouro, que era o maior império da Terra, que mandava o que lhe sobrava para ajudar a Alemanha, que não precisava de ninguém, que viviamos orgulhosamente sós. Ai como o povo era feliz nesse tempo de fábula.
Fig.2 - Ainda vão ter saudades do Bibi
O problema é que Portugal tem que cortar 25 mil milhões de € em cada ano (25 000 000 000 €) e cada PEC só cortava mil milhões pelo que eram precisos 25 PECs. Era tipo uma novela da TVI: ainda  faltavam 21 PECs mas cada úm era anunciado como o último. À cadência de um PEC cada 3 meses, ainda tínhamos PECs para mais 6 anos.
Claro que cada novo PEC que aparece, sempre de forma inesperada e por culpa dos outros, nos deixa saudades da ilusão perdida no PEC anterior.
Na realidade, o que tivemos foram MECS - Mente Camarada Sócrates.
 Fig.3 - Se disseres uma mentira muitas vezes, o povo acredita

Como eu tenho saudades da minha infância em que não havia problemas no Mundo.
 Fig.4 - No mundo de uma criança nunca há problemas
Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O Passos Coelho não vai a Primeiro-ministro

As taxas de juro não param de subir atingindo os 12%/ano e o povo português não sabe o que fazer. Ainda agora as sondagens dão o Sócrates à frente do Passos.
O povo sabe que o Sócrates é mau e que nos levou à bancarrota, mas não tem confiança no Passos porque os dois são em tudo semelhantes: Desde pequeninos que são políticos; Obtiveram o curso em escolas manhosas; Têm um discurso com convicção mas sem conteúdo; A única experiencia de vida é a carreira no partido.
Tenho a convicção que o Passos dará um melhor Primeiro que o Sócrates mas não é uma convicção forte. Diz, desdiz, fala de coisas que não interessam, não diz nada sobre o importante, os do PSD atacam-no, ele responde torto. Tenho eu dúvidas e têm os eleitores.
O Pedro tem que fazer o sacrifício último de desistir de ser candidato a primeiro-ministro e indicar um nome que cause impacto. O PSD ganhando as eleições, o Passos vai para presidente da Assembleia da República.  
Ou isto ou nada porque o Sócrates vai ganhar. Em 2009, a Ferreira Leite também começou à frente do Sócrates, desvalorizou as sondágens e perdeu.
Figura 1 - Evolução das sondagens nas Legislativas de 2009
O Sócrates  em campanha eleitoral é mais forte que o Kadaffi.
O Vítor Bento ou o Bagão Félix são bons nomes para primeiro-ministro.
Mas um nome mesmo bom era eu. Eu tenho a certeza que dou um bom Primeiro.

Figura 2 - Io sono un primo-ministro così bella e non siamo in bancarotta
Eu mesmo a primeiro-ministro

Como o Churchill, só prometo sangue, suor e lágrimas.
No dia em que tomar posse, vou:
1) Decretar o fim dos Subsídios de Natal e de Férias nos salários e nas pensões.
2) Subir o IVA para 30%.
3) Permitir a subida a taxa de juro dos créditos à habitação.
Depois logo vou estudar os dossiês a ver onde cortar mais.
Garanto que Portugal não vai à bancarrota.
Amigo Pedro,
Sabes que não vais ganhar e Portugal precisa de um bom governo. Assim, tens que fazer o sacrifício de desistir de te anunciares como futuro Primeiro-ministro.
Anuncia já que indicarás para Primeiro-ministro o Pedro Cosme, para Ministro das Finanças o Bagão Felix, que ficas Presidente da Assembleia da República e que o Nobre volta para o Sri Lanka.
Portugal precisa de ti.
Um abraço,
Figura 3 - O amanhã de ontem é o ontem de amanhã. Não te safas.

Pedro Cosme da Costa Vieira

Como o governo do Estado nos levou à bancarrota (parte 1)

(Actualizado a 03/05/2011 com quadro dos encargos de longo prazo com as SCUT)

A tese é certamente contestável, mas valerá a pena reflectir sobre o “cancro” do sector da construção civil em Portugal. A culpa não é dos construtores, mas sim dos sucessivos governos que pura e simplesmente menosprezaram um aspecto fundamental e pouco discutido: a Lei das Rendas. Ao fazê-lo contribuíram para uma bolha imobiliária e para o endividamento das famílias e dos próprios bancos. As empresas de construção foram ainda insufladas com as obras públicas cujo ritmo nunca poderia manter-se eternamente.
                                                        Ciclo vicioso 1


O Estado fechou os olhos e aproveitou também para se endividar, projectando estradas e pontes e descobrindo, a dada altura, a genialidade da engenharia financeira: fazemos hoje e as próximas gerações que paguem (as SCUT e Ponte Vasco da Gama resultam desse génio).

O Estado desequilibrou as contas, o rating da dívida baixou, os bancos portugueses fecharam a torneira a comprar títulos do Tesouro e já só conseguem crédito barato no BCE, os investidores começaram a exigir juros elevados, o Estado carregou as famílias e bancos com mais impostos e a bolha rebentou. 

Estado, banca e famílias ficaram unidos na desgraça e estão de joelhos perante os cobradores do fraque estrangeiros: o FMI, BCE e Comissão Europeia.

São dois ciclos viciosos que, quando vistos em conjunto, explicam em grande medida a  bancarrota de Portugal. Neste post (parte 1) vou concentrar-me só no Estado.

O ESTADO

O Estado, bom empregador desde o início dos anos 90, tem sido pródigo na criação de despesa fixa de longo prazo. Há que pagar salários, pensões, benefícios sociais de país rico (RSI entre outros) e compromissos resultantes das parcerias público-privadas (PPP). Tudo se resolve no momento e o futuro a Deus pertence. O desemprego recuou com os ingressos na Função Pública e as obras são de borla hoje e… amanhã logo se vê. Basta consultar o Orçamento do Estado para 2011 e olhar bem para os compromissos das PPP ao longo do tempo (ver gráfico). São 541 milhões de euros em 2013 e 754 milhões em 2011/12, sem contar com as SCUT (ver segundo quadro abaixo). O barato de então sai caro hoje, como já estamos a sentir na pele. As portagens só não se estenderam agora (15 de Abril de 2011) a todas as SCUT porque estão muitos votos em jogo e as eleições são já a 5 de Junho. 

Fonte: Relatório do Orçamento do Estado 2011

SCUT
Fonte: Relatório do Orçamento do Estado 2011
Dar emprego no Estado era a solução fácil como também podemos constatar pela crueza dos números publicados no último Orçamento do Estado. É verdade que após anos de escalada, de 2005 para cá o emprego no Estado central tem diminuído (ver gráfico), mas é duvidoso que o FMI, BCE e Comissão Europeia achem que tal é “good enough”. 

Fonte: Relatório do Orçamento do Estado 2011


Será crítico se a troika entender que o cancro está no poder local e regional. Aliás, basta ler a declaração de impotência do próprio governo no texto do relatório do Orçamento de 2011:

O  processo de racionalização de efectivos iniciado em 2005 e prosseguido ao longo da anterior  legislatura continuou, em 2010, a demonstrar um comportamento consistente de redução de efectivos face ao número de trabalhadores verificado no final de 2005 (747 880 trabalhadores). Com efeito, se a 31 de Dezembro de 2009 a redução acumulada se cifrava em 72 832 trabalhadores, em 2010 essa redução atinge já os 84 713 trabalhadores.

Fantástico! Mas e o poder regional, local e as empresas municipais?

Não sendo possível concluir quanto à evolução dos efectivos nas administrações regionais, na administração local, contudo, os últimos dados disponíveis indiciam uma evolução contrária. Com efeito, de acordo com o Balanço Social Municípios 2009 da Direcção-Geral das Autarquias Locais (pág. 10) no ano de 2009 ter-se-á registado um acréscimo  de 9732 trabalhadores (7,8%) face a 2008, perfazendo  assim um total de 134 374 trabalhadores nos 305 municípios que disponibilizaram informação.

Pois! Que dizer de um Estado que não se conhece a si próprio, por inércia ou desinteresse em travar as agências de emprego dos aparelhos partidários? Muitos desconhecem que só o Tribunal de Contas (TC) pode travar em última instância decisões destes poderes, mas como o TC não é o Ministério das Finanças não tem uma visão de conjunto. O TC aprova ou desaprova decisões dos poderes locais ou regionais pelo seu rigor jurídico intrínseco e nada mais. Por isso é que vemos ex-juízes do Tribunal de Contas a falar sobre estas matérias de despesismo (empresas municipais, PPP, entre outras), mas só criticam em público quando já não estão no activo! Coincidência ou não, o actual presidente do TC, Oliveira Martins, era ministro das Finanças quando Portugal foi o primeiro país da Zona Euro a entrar em incumprimento na regra do Pacto de Estabilidade que impõe um limite de 3% do PIB ao défice das contas públicas.
Oliveira Martins

Como pequenos pormenores na gestão da “coisa pública” podem tramar um país…(ver parte 2)

Pedro Palha Araújo

Como o governo do Estado nos levou à bancarrota (parte 2)

Tal como referi no post anterior [Como o governo do Estado nos levou à bancarrota (parte 1)], há pequenos pormenores que podem explicar uma parte importante da bancarrota de Portugal. Apresento dois ciclos viciosos que, quando vistos em conjunto, explicam em grande medida a  bancarrota de Portugal.
Neste post (parte 2) vou concentrar-me só nas famílias e na banca, sem contudo ilibar os governos do Estado.
                                                          Ciclo vicioso 2

AS FAMÍLIAS E A BANCA

Sou senhorio. Posso pôr fim ao contrato de arrendamento, se o mesmo não me convier? Não. A Lei não permite ao senhorio denunciar o contrato, apenas lhe permite actualizar a renda. O contrato continua apenas a poder terminar nos casos em que já hoje isso pode suceder, por exemplo em caso de incumprimento pelo inquilino ou quando o senhorio necessite do imóvel para habitação.

Depois de uma Lei das rendas do tempo da outra senhora, chegámos a Junho de 2006 e o novo diploma responde daquela forma a um senhorio. A actualização das rendas foi de zero em 2010 e de 30 cêntimos por cada 100 € em 2011. O mercado do arrendamento ficou imóvel. Eu tenho muito dinheiro, devo investir em casas para arrendar? Não, obviamente. Os construtores endividaram-se para construir habitação em massa e durante muitos anos o mercado foi absorvendo. As empresas do sector foram pagando à Banca. As famílias não puderam optar entre pagar uma renda (oferta quase inexistente) e o preço do empréstimo bancário.

Quando não há concorrência, reina quem tem a oferta única. O crédito habitação representa 80% do endividamento dos particulares. O sobreendividamento, muitas vezes atribuído ao crédito ao consumo, radica aqui. O consumo é só a cereja no topo do bolo.
                                  Fonte: Banco de Portugal

Para a economia, tudo isto significou endividamento das famílias e de centenas de empresas de construção. E não estamos apenas a falar de um qualquer sector. Em cerca de 33 mil milhões de euros de investimento (Formação Bruta de Capital Fixo) realizado em 2010 no país, 20 mil milhões de euros foram da responsabilidade do sector da construção, 7 mil milhões dos quais em habitação. A parte restante foi para obras do Estado e empresas do privado.

O peso da economia em sectores não transaccionáveis (construção é o paradigma) não tem contribuído para fazer crescer a economia, caso contrário o PIB cresceria e o défice seria menor.

Eis como um ponto fundamental, mas que passa quase despercebido (a Lei das Rendas), pode contribuir para tramar uma economia. Se os portugueses pagassem rendas de 300€ por um T3 em vez de 600€ ao banco, estariam eles próprios e os bancos menos endividados. A construção de casas novas teria sido mais moderada, apostando-se na reabilitação e todos aguentaríamos melhor qualquer  subida de impostos ou cortes salariais. Se, porventura, a aposta de longo prazo dos governos tivesse sido a economia do conhecimento, o aumento das exportações com alto grau de incorporação de tecnologia, o turismo, entre outros exemplos, o PIB poderia ter evoluído de forma mais positiva e o défice (em % do PIB) seria menor.

Festa nas Bahamas. 
Onde a "troika" e os especuladores deviam estar?

Os cobradores do fraque e os investidores/especuladores poderiam estar nas Bahamas de férias, mais preocupados com a reestruturação da dívida grega. Para nós é, definitivamente, o fim da festa.

Pedro Palha Araújo

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Como atacar a crise portuguesa - Medidas imediatas

É preciso cortar os subsídios de férias e de Natal, re-indexar os créditos à habitação e aumentar o IVA para 30%. Dizem o BE o PCP que "o Brasil bateu o pé aos mercado" mas "esquecem-se" de dizer que o Brasil demorou 27 anos para recuperar e que pagou até ao último cêntimo e com juros. Se não fosse assim, ninguém pagava.
Portugal está na bancarrota e agora diz que vai negociar uma ajuda externa.
Figura 1 - Vamos lá negociar. Se não me ajudarem, vou-vos infestar a casa com cheiro a carne podre.
O Lobo Mau
Disse-me o meu avô pela boca da minha mãe que “quem nos diz que é verdadeiro, está a avisar que nos vai enganar”. Quem diz “o lobo mau pode disfarçar-se de avozinha, mas é sempre o lobo mau” está a avisar que é o lobo mau.
Portugal está falido e vai entrar a curto prazo em bancarrota o que nos vai obrigar a abandonar a Zona Euro. O governo assobia para o ar, diz que está tudo muito bem para não dizer óptimo, atira com as culpas para o Pato Donald e o povo quer acreditar. Anuncia mais um aumento do Salário Mínimo, diz em Viseu que as portagens são culpa do Mickey e suspende-as, dá aos da CP o que eles pedem, acorda com os sindicatos no que eles querem, etc.

Temos que esquecer a expressão “crescimento económico”
Para não entrar em bancarrota, Portugal tem que conseguir no longo prazo uma taxa de juro inferior a 5%/ano. Para isso, é preciso aumentar o saldo da Balança Corrente em 25MM€/ano que representa uma redução das importações em 45%. É muito violento.
Para quem apregou-a que o Brasil recusou pagar aos especuladores, de facto pagou tudo com juros e só decorridos 27 anos é que atingiu o nível de produção de 1980 (dados: Banco Mundial, produção por trabalhador). Atenção que 27 anos não são a brincadeira que o BE e PCP querem fazem crer. A Argentina fez um acordo duro em 1999 e demorou apenas 9 anos a recuperar.
 Figura 2 - O Brasil pagou tudo com juros e demorou 27 anos a atingir a situação de 1980

Se não houver resgate, o ajustamento terá que ser feito num mês. Neste caso temos que nos preparar para uma redução imediata do PIB em 30% e estar 30 anos a empatar. Se houver resgate, talvez a redução possa acontecer ao longo de 3 anos, a diminuição do PIB ficar nos 20% e, se depois tivermos politicos competentes, voltar a atingir em 2020 anos o nível de rendimento que tivemos em 2010.

Figura 2 - Tive que escolher entre uma marretada na cabeça ou duas marteladas nos joelhos.

 O governo não é credível e a oposição tem medo que o povo não aceite a verdade
O governo gritou tantas vezes que estava a ser comido pelo lobo mau que já ninguém acredita na nossa capacidade de mudar de vida. Fazer PECs todos os trimestres, não ajuda nada. Estar sempre a pensar nos amigos que vivem do TGV, Ota, EP, Metro, Carris, STCP, etc., etc., etc. não dá confiança.
Agora são precisas medidas drásticas e imediatas para dar um sinal de confiança. Depois, é preciso continuar. Agora vou só apresentar as medidas que são necessárias imediatamente.

1. Acabar com o Subsídio de Férias e o Subsídio de Natal
Para exportarmos mais e importarmos menos é necessário que os nossos preços diminuam. Como os salários pesam cerca de 70% na economia, uma queda de 2/14 nos salários induzirá uma queda nos custos de produção de 10% e uma consequente descida dos preços.
O corte é legal porque não é uma redução nos salários. É rápido e simples de implementar, tem efeitos imediatos e afecta tanto os salários como a despesa do Estado. Também reduz proporcionalmente a despesa da Segurança Social (que está falida): reformas, pensões, subsídio de desemprego, RSI, etc.
Mas tem que se cortar mesmo, não é para depois dar subsídios e abrir excepções. Deixar o discurso dos “velhinhos, coitadinhos, pobrezinhos” e cortar mesmo a torto e a direito.
Quem em 2011 apresentar um rendimento maior que 86% do rendimento declarado em 2010, chumba com 80% de IRS.
Figura 3 - Lá se foram os subsídios
2. Os contratos de créditos à habitação têm que ser re-indexados à taxa da Dívida Pública
Há 5 anos, os bancos portugueses financiavam-se à taxa de juro EURIBOR. Recordo o Teixeira dizer que a CGD emprestar 5MM€ ao BPN era um grande negócio porque se financiava a 1%/ano e emprestava a 2.5%/ano. A má governação fez com que actualmente os bancos só se consigam financiar a 8%/ano e têm 100MM€ de créditos à habitação a 2.5%/ano: é um prejuízo de 5.5MM€/ano.
Existe um dever moral do Estado nesta situação porque incentivou as famílias ao endividamento e pressionou os bancos para que concedessem crédito.
O governo, para não ter que resgatar os bancos daqui a um ano, tem que permitir a re-indexados dos créditos à taxa de juro pago pela Dívida Pública e estar preparado para financiar as famílias sobre-endividadas. Tem que prever para este problema uma despesa adicional de 3MM€/ano. Gerir Bairros Sociais era pior e custava mais.
Figura 4 - Os primeiros de muitos
3. Aumentar o IVA para 30%
O aumento do IVA induz um aumento rapido nas receitas do Estado, diminui o consumo, as importações e não tem efeito negativo nas exportações.
Apesar da diminuição dos salários reduzir a despesa pública, a receita fiscal também diminui. O Orçamento tem que estar preparado para uma redução de 30% do PIB. A ajuda às famílias endividadas vai aumentar a despesa pública.
É ainda preciso acabar com defice publico que actualmente é de 14MM€.
Figura 5 - O IVA convida-o para a sua festa dos 30%


Estas medidas são apenas para começar a respirar
É comparável ao salvamento de uma pessoa em paragem cardio-respiratória. Vai partir algumas costelas mas é isso ou ir dar já de comer às minhocas.
Depois, temos uns meses para avançar com as medidas de re-estruturação da economia que tornem o Portugal sustentável no longo prazo.
 Será isto possível de ser implementado? Não. As taxas de juro aumentam porque ninguém acredita em nós.
Figura 6 - Missão: Salvar Portugal
Que é feito da comissão de acompanhamento do défice?
Que é feito da comissão de acompanhamento das PPP?
Que é feito dos 400 economistas do Banco de Portugal?
Um drogado completamente falido deve-lhe 1000€, trabalha pouco, gasta muito e vai pedir-lhe mais 500€. Para garantir que vai pagar o que deve, nomea quatro amigos para a comissão de acompanhamento da sua cura. Empresta-lhe o dinheiro?
Figura 7 - Ai amigos, como eu gostava de estar enganado
Vem ai o 13 de Maio e tenho uma fezada de que a Nossa Senhora de Fátima vai aparecer para nos salvar
Se o Estado entrar em rotura financeira induz falência das empresas a quem deve dinheiro e deixa de pagar os salários, reformas, etc. Então, qualquer solução fiscal terá um efeito menos negativo que a falência do Estado. Santa Barbara, olhai por nós. Fia-te na Vírgem e não corras.
Figura 8 - Nossa Senhora de Fátima, vinde-nos salvar

 Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 19 de abril de 2011

A bancarrota de Portugal – Teremos que sair da Zona Euro? Parte III

Portugal está falido. Tem um saldo negativo da balança corrente de 17MM€ e tem que passar para um saldo positivo de 8MM€. Isto representa uma diminuição por cada portugues de 200€/mês. Timor vai ajudar Portugal mas não vai ser suficiente.
Ver parte I
Ver Parte II

Timorense está gordo e vai ajudar Portugal a acabar com os mercados sanguinários
1. Santo Aleixo dos Mendigos está falida
Nos últimos 15 anos, Portugal teve um défice corrente de 10% do PIB. O governo, em vez de deixar a quantidade de moeda em circulação diminuir para a economia se equilibrar, endividou-se ao exterior e incentivou o os privados a endividarem-se.
Portugal actualmente deve 380MM€ e devem-lhe 170MM€ tendo uma situação líquida negativa de 210MM€. Para uma amortização em 50 anos da situação líquida terá que pagar (2%/ano de taxa de inflação e 1.5%/ano de crescimento):
     3%/ano -> 3.7MM€/ano -> 2.16% do PIB (Se fossemos como a Alemanha)
     5.5%/ano -> 6.6MM€/ano -> 3.85% do PIB (Condições do resgate da Irlanda)
     10%/ano -> 13.8MM€/ano -> 8.11% do PIB (Taxa que actualmente pagamos)
A situação é mais grave porque temos que pagar pelo que devemos uma taxa mais elevada que recebemos pelo que nos devem. Para um diferencial de 1 ponto percentual temos:
5.5%/ano + 1pp/ano -> 6.6MM€/ano + 1.7MM€/ano = 8.3MM€/ano -> 4.85% do PIB
Portugal tem que reduzir 15% no que gasta.
É uma redução na conta corrente de 25MM€/ano
     O estado tem que reduzir 12.5MM€
     Os privavos têm que reduzir 12.5MM€
Não temos povo nem governantes para que isto seja possível.

2. Santo Aleixo dos Mendigos entra em bancarrota
O governo já anunciou que está em rotura financeira não tendo dinheiro para amortizar a divida externa. O povo ainda tem esperança no resgate do FMI mas, com o aproximar da data sem avançar nenhum acordo, os agentes económicos entram em pânico.
Toda a gente vai tentar levantar os depósitos bancários e transferir os seus saldos para o exterior.
De um momento para o outro, esgota-se a liquidez: deixa de haver euros em circulação.
Não existe outro caminho ao governo que não seja emitir moeda não convertível.
Não existe outro caminho para Portugal que não seja sair da Zona Euro.
Acontece pá. Exilamo-nos na Arábia Saudita.

3. Que mal tem para a Zona Euro a saída de Portugal?
Quando uma família entra em bancarrota, fica sem dinheiro no bolso e os credores têm prejuízo. Mas não vem daí prejuízo nenhum para o sistema financeiro. Com Portugal passa-se o mesmo.
O Cambista é que controla o sistema monetário. Se quem falir dever muito dinheiro ao Cambista este pode entrar em dificuldades mas não é o caso (Portugal deve 50MM€).
O sistema monetário é como um lago onde vivem peixes. Quando um peixe sai do lago, o volume do lago sofre uma alteração muito pequena. Apenas se saísse uma baleia (a Alemanha) é que o sistema estremecia.
Sairmos da Zona Euro não terá qualquer efeito no Euro.
Não nos vale apenas ameaçar que, se sairmos do Euro, a Zona Euro vai à bancarrota porque os nossos parceiros europeus percebem mais de economia que os nosso governantes.
Ainda podíamos fazer um pouco de chantagem mas não funciona. dá o mesmo resultado que Timor anunciar que vai destruir os especuladores sanguinários que estão a sugar o sangue do amigo Portugal.
Agora já posso avançar para uma plano de ajustamento que resolva a gravíssima crise portuguesa.
Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A bancarrota de Portugal – Teremos que sair da Zona Euro? Parte II

A aldeia, aparentemente, passou o teste dos câmbios fixos pelo que aderiu à Zona Euro. Agora o que se discute são os custos de abandonar essa zona cambial e voltar a ter moeda própria.
Ver Parte I
Ver Parte III
Ver a saída soft do Euro
1. Os custos dos câmbios flexíveis
Risco Cambial - Vamos supor que a cotação do Falso é 1€/F e que um agricultor faz um contrato para exportar 1000kg de batatas por 300€ daqui a 6 meses. Se a cotação se mantiver, o agricultor recebe 300F mas se a cotação subir para 1.25€/F, o agricultor só recebe 240F. Estando a maior parte dos seus custos em Falsos, irá ter prejuízo quando pensava que ia ter lucro.
Custos de transacção – A operação de câmbio tem custos administrativos. Por um lado, o Cambista devota recursos ao controle das reservas e, por outro lado, as pessoas gastam recursos a constantemente trocar Falsos por Euros. Se uma zona monetária for pequena, as trocas com o exterior serão muito importantes pelo que os custos de transacção se tornam muito elevados. Assim, não é possível que cada aldeia de Portugal tenha uma moeda própria.
Má governação – Como os desequilíbrios se corrigem com desvalorizações, o Governo pode-se manter incompetente. Além disso, a constante flutuação do câmbio dificulta a identificação pelos aldeões de que o seu rendimento é baixo:
“É o câmbio que o dá. Na França ganha-se mais porque um franco dá 30$00”.

2. Santo Aleixo dos Mendigos passou o teste dos câmbios fixos
O Cavaquismo foi a fase de reestruturação da economia para ser possível deixar os câmbios flexíveis e entrar no período de teste dos câmbios fixos. O Cavaco flexibilizou a economia e foi diminuindo a flutuação da cotação do Escudo e, no seu segundo mandato, começou com os “câmbios fixos sem endividamento”.
3. A Balança Comercial desequilibra-se um pouco
Vamos supor que existe um muito pequeno desequilíbrio da Balança Comercial, BC: As exportações diminuem de 100€/dia para 99€/dia, e as importações mantêm-se nos 100€/dia. Cada dia há uma saída líquida de 1€ para o exterior o que faz diminuir a quantidade de Euros em circulação na aldeia.
A economia é pouco flexível porque, por exemplo, os salários não podem diminuir. No entanto, como existe uma taxa de inflação na Zona Euro de 2%/ano, é suficiente a queda da inflação em Santo Aleixo dos Mendigos para 0.5%/ano para, ao fim de uns meses, a BC de equilibrar.
4. A Balança Comercial desequilibra-se muito
Vamos supor que existe um grande desequilíbrio da Balança Comercial, BC: As exportações diminuem de 100€/dia para 90€/dia, e as importações mantêm-se nos 100€/dia. Cada dia há uma saída líquida de 10€ para o exterior o que faz diminuir rapidamente a quantidade de Euros em circulação na aldeia.
Se a economia for flexível nos preços e salários, a diminuição da liquidez irá fazer os preços e salários diminuir o que aumenta as exportações e diminui as importações equilibrando a BC.
Se a economia não for flexível (porque os salários não podem diminuir), a diminuição da inflação não é suficiente para ajustar a economia pelo que a liquidez vai diminuir muito até deixar de haver moeda em circulação. Neste caso haverá graves problemas económicos: falências, desemprego e empobrecimento.
O mecanismo de ajustamento de pequenas oscilações pelo diferencial das taxas de inflação é que tem levado alguns economistas a defender que a inflação na Zona Euro deveria aumentar para 5%/ano: Já que não temos coragem politica para diminuir os nossos salários, os outros que aumentem os deles.
Em 1993 acontece uma crise económica que induz um forte desequilibro na BC. Mesmo assim, a economia portuguesa mostrou-se capaz de ajustar atingindo 1995 já equilibrada. Como uma crise implica diminuição da qualidade de vida (senão não se chamava crise), surgiu o Guterres a prometer o paraíso e o povo acreditou.
O Guterres decidiu abandonar os “câmbios fixos sem endividamento”.
5. A aldeia de Santo Aleixo dos Mendigos aderiu à Zona Euro
O Guterres escondeu que Portugal se estava a endividar e os nossos parceiros acreditaram. Isso aconteceu porque o endividamento foi desorçamentado: Foram as empresas públicas, as PPP e os particulares que tiveram o principal papel nesse processo.
No dia 31 de Dezembro os Falsos são cambiados à cotação fixa que estava vigente e o Euro começou a circular no dia 1 de Janeiro.
6. O que fizeram o Guterres – Sócrates – Teixeira?
O raciocínio do Guterres - Sócrates – Teixeira foi que a crise era passageira e já tinha acabado.
Então, julgaram que não havia necessidade de flexibilizar mais a economia. Mas a liquidez continuava a baixar pelo que o Estado se começou a endividar no exterior e a injectar esses euros na aldeia. Também incentivou os privados a endividarem-se, por exemplo, bonificando os juros do crédito à habitação, descendo a taxa de juro dos Certificados de Aforro e fazendo pressão sobre os bancos e as empresas.
No mês seguinte deram conta que, afinal, a crise ainda não tinha acabado mas agora já estava terminada.
O governo endivida-se mais e incentiva ainda mais os privados a endividarem-se ao exterior.
O Governo continua a anunciar todos os dias que a crise já acabou.
A crise perdura há 15 anos e Portugal acaba por entrar em bancarrota.
5. Não há grande problema em sairmos da Zona Euros
Sair da Zona Euro é fazer a viagem de volta para os câmbios flexíveis. De Euros passa-se a Eurês com câmbios flexíveis. Não existe nenhum problema grave nisso. Introduzem-se apenas os normais problemas dos câmbios flexíveis: risco cambial, custos de transacção com o exterior e o Governo poder continuar a governar mal.
O Governo decide criar uma nova moeda, o Eurês
Contrata os Israelitas (que serão os únicos capazes de guardar segredo) a imprimir 50000milhões de Eurês.
Num dia de nevoeiro, no telejornal das 20h, o Sócrates anuncia:
“Acabamos de sair da Zona Euro. Por causa do Passos Coelho e do Rato Mickey, saímos da Zona Euro. Vamos ficar muito mais ricos porque agora podemos fazer notas.”
Nesse momento desactiva as Caixas Multibanco, interrompe as transferências internacionais em Euros, e chegam os aviões carregados com notas de Eurês que são distribuídas durante a noite pelos bancos.
Os Euros existentes nos bancos passam para o Banco de Portugal que fica o Cambista e faz-se a transferência dos saldos, salários e preços ao câmbio de 1Eurês/€.
Depois, logo se vê como evolui a cotação do Eurês que irá diminuir até a BC se equilibrar. Uma vez equilibrada a BC, pode-se passar de novo para câmbios fixos e re-entrar na Zona Euro.
E as nossas dívidas?
Haverá uma parte das dívidas que fica em Euros e outras passa para Eurês.
Os bancos e o governo avaliam no total de dívidas a percentagem que é ao exterior e, por uma questão de justiça relativa, aplicam essa percentagem a todas as dívidas que se compensam entre eles. Por exemplo, eu devo ao banco 50000€ e o governo calcula que a percentagem em Euros é de 30%. Eu pago os 15000€ à cotação do dia mais os 35000Eurês. Se a cotação do Eurês diminuir, as minhas dívidas em Euros aumentam proporcionalmente.
Mas isto é grave? Não. É perfeitamente equivalente a uma diminuição dos salários.
É obrigação do governo informar o povo e compete a este decidir se quer uma coisa ou outra.
Fica para a parte III ver se a bancarrota obriga Portugal a sair da Zona Euro

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 17 de abril de 2011

A bancarrota de Portugal – Teremos que sair da Zona Euro? Parte I

Antes de responder a esta questão tenho que explicar como funciona uma zona monetária e como o sistema responde a um desequilíbrio externo. Simulo uma aldeia que tem uma moeda e comparo o seu funcionamento em câmbios flexíveis e em câmbios fixos.
A aldeia de Santo Aleixo dos Mendigos
Tem moeda própria, o Falso. Circulam na aldeia 10000F e o governo do sistema cambial é assegurado pelo Cambista que tem reservas de 1000€ e 1000F.
As transacções dentro da aldeia são em Falsos e as realizadas com o exterior são em Euros. Por exemplo, um agricultor compra uma camisa ao Alfaiate por 10F; o Alfaiate compra no exterior 5€ de pano, um agricultor vende no exterior 10€ de batatas.
Para poderem comprar bens no exterior, os aldeões trocam os Falsos por Euros e, quando voltam de vender bens ao exterior, trocam os Euros por Falsos.
1. A Balança Comercial da aldeia está em equilíbrio com uma cotação do Falso de 1€/F.
Cada dia uns aldeões cambiam 100F por 100€ que gastam na importação de bens. Nestas operações, o Cambista reduz as suas reservas em Euros para 900€ e aumenta as suas reservas em Falsos para 1100F. A quantidade de Falsos em circulação diminui em 100F.
Outros aldeões exportam produtos no valor de 100€ que cambiam por 100 Falsos. Nestas operações, o cambista aumenta as suas reservas em Euros para 1000€ e reduz as suas reservas em Falsos para 1000F. A quantidade de Falsos em circulação aumenta em 100F.
Ao fim do dia mantêm-se as reservas e a quantidade de moeda em circulação.
2. A Balança Comercial desequilibra-se e o Cambista implementa câmbios flexiveis
Há uma crise e os exportadores começam a exportar apenas 90€ por dia o que desequilibra a Balança Comercial, BC. Se o cambista não actuar, as suas reservas em Euros diminuem, as em Falsos aumentam e a quantidade de Falsos em circulação diminui.
O Cambista estabelece uma regra de ajustamento da cotação do Falso em função das reservas cambiais: Quando as reservas em Euros diminuem (e as em Falsos aumenta), o Cambista desvaloriza o Falso (e vice-versa).
A diminuição da cotação do Falso induz um aumento proporcional no preço dos bens importados (que diminui as importações) e uma diminuição proporcional no preço dos bens exportados (que aumenta as exportações). Por exemplo, à cotação de 1.1€/F, as importações diminuem para 95€/s e as exportações aumentam para 95€/s, ficando a BC equilibrada.
O câmbio flutuante bem feito é um mecanismo muito forte de ajustamento da economia.

A BC desequilibra-se, o Cambista mantém o câmbio fixo mas a moeda perde a convertibilidade
A diminuição da moeda em circulação induz uma diminuição nos preços (deflação) que é uma força equilibradora da BC: preços mais baixos fazem expandir as exportações e diminuir as importações.
No entanto, como as reservas cambiais são pequenas (10%) e existe rigidez na diminuição dos preços, só é possível manter a convertibilidade em câmbios fixos quando há pequenos desequilíbrios na BC. Se os desequilíbrios forem grandes, as reservas em euros esgotam-se antes de haver ajustamento o que implica a perda da convertibilidade da moeda que é um mecanismo muito forte de correcção da BC.
A generalidade dos países é mal governada (por exemplo, pelo Chaves) pelo que não tem moeda convertível:
Provavelmente o Chaves não é esta mas se o google diz que sim, quem sou eu para dizer que não.
A BC desequilibra-se e o Cambista pretende manter o câmbio fixo e a convertibilidade 
Vamos supor que a economia é pouco flexível pelo que a diminuição em 10% da quantidade da moeda em circulação não é suficiente para equilibrar a BC. O Cambista precisa endividar-se em Euros para reduzir ainda mais a quantidade de Falsos em circulação. Endividando-se em 500€, consegue aumentar as suas reservas em Falsos para 500F e diminuir a quantidade de moeda em circulação em 50%.
O câmbio fixo com endividamento é uma estratégia aceitável quando existe excesso de exportações (como é o caso da China com endividamento negativo) mas pouco recomendável para combater défices pronunciados da BC pois pode levar à bancarrota do Cambista.
O objectivo primordial do FMI é evitar que os cambistas entrem em bancarrota. É um mecanismo de ajuda mútua em que os cambistas das aldeias com excedente cambial ajudam os cambistas das aldeias com défice cambial. Mas os cambistas ajudados têm que diminuir a liquidez da aldeia senão nunca mais há equilíbrio externo.
Isto porque existem cambistas que pedem Euros emprestados e depois, emprestando Falsos aos aldeões, evitam o ajustamento (tipo Guterres).
Cada aldeia tem a sua moeda
Contam-se mil aldeias e mil moedas diferentes no país. Nesse caso, teoricamente o cambista de Santo Aleixo dos Mendigos terá reservas das 1000 moedas diferentes e terá 999 taxas de câmbio. Tal seria impraticável pelo que o Cambista apenas terá reservas de 3 ou 4 moedas (Falsos e, por exemplo, Euros e Dólares). Uma pessoa que queira Contrafeitos que é a moeda de Santa Edwiges dos Endividados, troca primeiro Falsos por Dólares e, uma vez chegada à outra aldeia, troca Dólares por Contrafeitos. Dá muito trabalho.
Nota final: A variável mais importante para medir o desequilíbrio da aldeia é a Balança Corrente mas a Balança Comercial é de mais fácil compreensão.


Pedro Cosme Costa Vieira



sábado, 16 de abril de 2011

Cobradores do fraque estrangeiros em Portugal


Estou profundamente convencido que a repetição sucessiva de mentiras, meias-verdades, equívocos, sacudidelas da água no capote (a culpa não é certamente minha), injúrias pessoais sucede a tal ritmo na vida política portuguesa que o cidadão comum já nem quer saber. Ele quer que não o chateiem e, sobretudo, que não lhe vão continuamente ao bolso para corrigir desvarios de uns eleitos que foram gastando, gastando e agora estão aflitos e a discutir de quem é a culpa da intervenção do FMI & Ca. Trata-se do mesmo efeito que advém da repetição de imagens violentas (guerras, doenças e fome). Já conseguimos olhar para o ecrã, ver uma criança morrer ou amputada e vamos dormir sossegados. Chama-se a este fenómeno o “efeito da dessensibilização”. No plano político, aconteceu o mesmo, infelizmente.

Mas há que tentar ir um pouco além da patine que cobre toda esta amálgama de números relativos à dívida pública, juros e flic-flacs políticos. Só nos faltava mesmo o Dr. Fernando Nobre, o anti-partidos mais mediático da actualidade, concorrer nas listas de  um partido… laranja, depois de ter sido mandatário do Bloco de Esquerda nas eleições europeias. Ser anti-partidos significa amar a todos por igual? Não, ele já esclareceu: só quer mesmo ser presidente da Assembleia da República e caso não seja eleito abandona o Parlamento, deitando ao lixo a confiança de quem votou em si.

O sociólogo norte-americano Robert Fishman considera que Portugal foi injustiçado pelos mercados. Num artigo publicado no "New York Times, Fishman acha mesmo que Portugal estava a lidar bem com a crise instalada desde 2008, mas os predadores/especuladores tramaram o país. Uma visão idílica: quem nos empresta dinheiro é especulador quando olha para o risco de falência do Estado e pede juros mais altos, mas é frequente ser chamado de financiador quando compra barato ou caro e nos vai dando balões de oxigénio. Normalmente, os especuladores e financiadores são exactamente os mesmos. Os amigos no mercado da dívida pública seriam os bancos portugueses, impelidos a comprar títulos que como colaterais já nem eram aceites por instituições financeiras estrangeiras, uma vez que o rating da república está no limiar da classificação de lixo?

A realidade está nos “fundamentals” da economia portuguesa e não nesta patine de jogos políticos e comentários conjunturais. Bastam dois indicadores, sem menosprezo pelos restantes: dívida pública e dívida externa, sendo que parte da primeira é responsável pela segunda. Em percentagem do PIB: as Administrações Públicas são responsáveis por 46,2% e o sector financeiro por 32,7% da dívida externa líquida. Menos simpático é o retrato da dívida externa bruta: 226% do PIB português.

Fonte: Procedimento dos Défices Excessivos, INE (2011)

                                   Fonte: Banco de Portugal


A culpa não foi de qualquer partido em particular e nem da crise financeira. Olhando para o espectro temporal da dívida pública e externa, temos os governos de António Guterres, de Durão Barroso, de Santana Lopes e de José Sócrates. Basta seguir a curva ascendente nos gráficos. O problema vinha de há muito tempo. O famoso “monstro” (dívida externa), assim designado por Cavaco Silva em 2000, não tem parado de crescer, colocando-nos a todos nas mãos de estrangeiros. Sim, é verdade, os estrangeiros mandaram agora para cá uns cobradores do fraque, mas estes não se limitam a vir buscar o que é de terceiros. Ditam as nossas políticas para a próxima década. Os nomes são conhecidos: FMI, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

Pedro Palha Araújo

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