sexta-feira, 26 de setembro de 2014

As ilegalidades do Passos Coelho

O Passos foi denunciado pelo anónimo. 
Disse o anónimo que, "no passado", o Passos foi deputado com exclusividade e recebeu dinheiro de uma empresa qualquer. 
Como estão a ver, o problema de meter tudo "no passado" é como meter tudo "no mar", são coisas muito grandes. 
"No passado" D Afonso Henriques e o D Manuel II governaram o mesmo país (mas não em simultâneo).
"No mar" tomei banho ao mesmo tempo que a Irina (mas calhou em locais muito distantes).

O que se terá provavelmente passado.
O Passos Coelho foi deputado com exclusividade algures no passado, entre 1991 e 1999.
O Passos Coelho recebeu dinheiro da Tecnoforma algures no passado, 2ntre 2001 e 2007.
Foi tudo no passado mas não ao mesmo tempo.

Mas há alguém que nunca tenha cometido uma ilegalidade?
Tenho a certeza que, ao longo da sua vida, o Passos Coelho violou a Lei variadíssimas vezes, talvez tantas ou mais do que qualquer um de nós.
  Há alguém que nunca tenha copiado num teste?
  Há alguém que nunca tenha feito um pedido para arranjar um emprego para um filho?
  Há alguém que nunca tenha excedido a velocidade máxima?
  Há alguém que nunca tenha calcado um risco contínuo?
  Há alguém que nunca tenha estacionado num sítio proibido?
  Há alguém que nunca tenha metido umas despesa duvidosa no IRS?

Eu já cometi muitas violações à Lei. Por exemplo, ando há 4 anos no Judo e, nesse tempo, já tive umas 400 aulas. Será que no dia 20 de Setembro de 2011 meti dinheiro no parcómetro ou será que me esqueci?
Eu sou muito esquecido pelo que tenho a certeza que ... ... ... me esqueci.
Não me esqueci de que me esqueci porque me esqueci sempre, nunca meti dinheiro na máquina. 

Até Cristo pecou.
Há uma passagem num evangelho qualquer em que Jesus diz "alguém que nunca tenha pecado, atire a primeira pedra" e ninguém atirou, nem Ele próprio o que revela que o próprio Jesus cometeu pecados.
Todos nós já pecamos, todos, até o Papa Francisco.

Vamos aos verdadeiros crimes.
Na Segunda Guerra Mundial, a máquina de guerra alemã foi baseada na industria pesada alemã de que o Grupo Krupp era o expoente máximo. Produziram carros de combate, canhões, aviões, de tudo um pouco para dar cabo do canastro ao povinho um pouco por toda essa Europa fora.
Acontece que, no fim da guerra, proprietários, além de verem os bens confiscados, foram metidos na cadeia. O Alfried Krupp foi condenado a 12 anos de cadeia.
E quanto anos esteve preso? 
30 meses.
E depois, o que lhe aconteceu? 
Voltou a ser o dono do império Krupp.
E porquê? 
Porque o grupo estava de rastos e o Krupp era a única pessoa que podia por outra vez a industria pesada alemã a funcionar.
E deu resultado?
Se deu, em poucos anos, a Alemanha voltou a ter uma potência industrial.

Perdoemos ao homem qualquer falhazinha que ele era jovem e inconsciente.
Dizia-se na altura que "se se matassem todos os alemães que cometeram crimes de guerra, deixaria de haver alemães pois os únicos inocentes que existiam já tinham sido mortos pelos que estavam vivos".
Nós precisamos do Passos. Se o Cavaco e a Ferreira Leite já lhe perdoaram a vida negra que ele lhes fez viver, também temos que o perdoar  qualquer as falcatroazita que ele possa eventualmente ter feito.  

Fig. 1 - Nesta imagem vê-se claramente que o anónimo é o Rui Rio.

Quem era o anónimo?
Claramente o Rui Rio em conluio com o António Costa.
É que o homem está a ficar sem tempo, está a ficar sem espaço de manobra. O Costa disse que o seu adversário era o Rio.
O óptimo seria o Passos demitir-se hoje, o Costa ganhar no Domingo e o Rio entrar triunfante na Segunda-feira. 
Mas, pelo hoje, já fracassou.
O Rio já passou à história, e escrevo declaradamente história com letra pequena. Não vai passar de um autarcazeco equivalente ao Cabral (será que alguém se lembra deste?).

E o aumento do salário minímo?
Em termos económicos é um erro mas, em termos políticos, é totalmente acertado.
É errado porque, relativamente ao PIB per capita, o nosso salário mínimo é muito elevado.
É acertado porque foi acordado entre os representantes dos patrões e dos empregados.
É acertado porque, mesmo descendo a taxa da TSU de 34,75% para 34%, a Segurança Social recebe mais. Em 485€ recebia 168,54€ e em 505€ recebe 171,70€.
Por isso, o Passos ser contra o aumento causaria um enorme desgastante político.

Eu já defendi um desconto na TSU.
Para integrar no mercado de trabalho as pessoas menos produtivas que vivem no interior do país, o Salário Mínimo deveria ajustar ao nível de vida concelhio.
Os 505€/mês, com subsídios, correspondem a 725€/mês para o empregador e 524€/mês para o trabalhador.
A minha ideia seria que esse custo diminuísse nos concelhos com menor PIB, por exemplo, haver um desconto de metade da diferença para a média nacional, parte suportada pelo desconto na TSU de forma a que, no mínimo, o trabalhador recebesse 419,22€/mês (o IAS que só é pago 12 x por ano <=> 360€/mês).

Concelho     PIB      SMN-empregador  SMN-Empregado        TSU
País            100%           725€                         450€               11% + 23%
Alcobaçã    80%             652€                         430€                 8% + 19%
Almeida      60%             580€                         410€                 5% + 15%
Alandroal    40%             507€                         384€                 2% + 11%
Celorico      23%             453€                         363€                 0% +  7%

* No cálculo do SMN do empregador uso 12 meses e do empregado uso 14 meses.

Haver SMN igual causa desertificação.
As terras têm PIB per capita diferente porque não há infra-estruturas. Mesmo assim, há pessoas que preferem viver nessas terras mais pobres e ter um emprego. Mas ser o SM igual em Lisboa (PIB de 385% da média) e em Resende (PIB de 26% da média) faz com que as empresas de Resende, que são menos produtivas, não possam contratar as pessoas que querem trabalhar mesmo que por um salário mais baixo porque têm aqui a sua casa e as suas relações sociais.
Seria como termos o mesmo SMN que o Luxemburgo, 1874€/mês: as empresas faliam todas.

O Passos sobreviveu.
Concluo o dia com a certeza que o Passos vai sobreviver ao caso Tecnoforma e o aumento do SMN é um passo largo para a reeleição.
Estou cada vez com mais esperança de que o Passos ganhem as legislativas de 2015.

Fig. 2 - Estou cada vez com mais esperança (de que esse piscar de olho seja para mim)

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Os migrantes, a concorrência e o comércio

A Europa está a sofrer uma invasão. 
Todos os dias ouvimos nas notícias que milhares de pessoas se metem em barcos sem qualquer capacidade de navegação e fazem-se à Europa. Naturalmente, centenas delas acabam afogadas.
Também vemos imagens de centenas de pessoas a tentar saltar o muro que bordeja Ceuta (que já foi nossa).
Mas porque será que isto está a acontecer?

A explicação parece simples.
É que há países onde o saldo populacional (diferença entre nascimentos e mortes) é muito elevado e, em simultâneo, o nível de vida é muito baixo. Pegando apenas em 10 países que nos estão mais próximos, cada ano nascem mais 11 milhões de pessoas do que as que morrem e o nível médio de vida é de apenas 1/4 do português (Ver, fig. 1). 

Mas em Lisboa não se consegue viver bem com 4800€/mês.
Considerando apenas a Etiópia e a Eritreia, há um "excesso" anual de 2,5 milhões de pessoas que, no seu país, têm um rendimento médio de apenas 4,5% do rendimento português. Quer isto dizer que, se em Portugal vivemos com um salário médio nas ordem dos 900€/mês, nestes países têm que viver com um salário médio na ordem dos 40€/mês, já corrigido das diferenças de preços (em termos de Paridade do Poder de Compra). 
Bem sei que um burguês disfarçado de comuna (o Marinho e Pinto) diz que para viver bem em Lisboa são precisos mais de 4800€/mês líquidos. Com esta honestidade, este homem ainda vai chegar a primeiro-ministro antes do António Costa e pelo PCP. 

Fig. 1 - Comparação do nível de vida português com o de alguns países próximos (Dados: Banco Mundial, médias de 2010-2012)

 Mas não há barcos a caminho do Golfo Pérsico.
A Arábia Saudita, Kuwait, Qatar, Emirados Árabes Unidos têm um nível de vida superior ao europeu e, mesmo assim, não há barcos cheios de desgraçados a tentar desembarcar nas suas costas. E a Etiópia está muito mais próximo do Golfo que da Europa.
Se calhar, não é a diferença nos níveis de vida per si que justifica haver tantas pessoas a morrer no Mediterrâneo. Deve ser outra coisa qualquer.

A razão não está no rendimento mas na estado social e no salário minimo.
Os países mais pobres são mais pobres porque as pessoas produzem menos.
E produzem menos porque têm baixas qualificações, biaxo nível tecnológico e não existe capital.
Vamos supor que, de repente, nós investíamos na Etíopia. Claro que esse investimento iria induzir um aumento na produção de cada etíope mas, como o nosso capital precisava ser remunerado, o rendimento do etíopes não aumentaria significativamente. 
Se a tecnologia e o capital forem remunerados de acordo com o seu contributo para a produção, um etíope terá sensivelmente o mesmo salário na Europa que tem na Etiópia.
O problema é pagarmos mais que o salário de equilíbrio além de o nosso "estado social" subsidiar os que conseguem chegar cá mas não se importa com os que ficam lá. 

Um colega meu estudou este assunto (o Américo).
Construiu um modelo em que deu ao capital o nome de Terra, à remuneração do capital a Renda e o Salário  a diferença entre a produção e a renda.
Vamos imaginar uma situação em que há uma quantidade fixa de terra, 10 arrendatários e que a renda da terra é de 10% do que produzem. Vamos ainda imaginar que existem etíopes disponíveis, tantos quantos quisermos desde que o salário se«ja maior que  30 €/mês.
O aumento do número de pessoas faz aumentar a produção e a renda (em precentagem e em valor) mas faz baixar o salário até que atinge o valor de reserva dos etíopes (de 30€/mês). 
Agora vamos imaginar que as 10 pessoas iniciais são trabalhadores portugueses. Como o seu salário baixa, é preciso cobrar um imposto aos donos da terra para compensar essa perda. Se inicialmente a entrada dos emigrantes vai reduzir a renda líquida da terra, quando entram muitas pessoas (mais de 15 e menos de 39) já ficam todos melhor, incluindo os trabalhadores e os etíopes.

Fig. 2 - A entrada de imigrantes aumenta a produção e a remuneração do capital mas baixa os salários (das actividades em concorrência mas aumenta o das complementares)

No Golfo Pérsico.
Nesses países existem os nacionais que estão protegidos pelo "estado social" e os estrangeiros que são   mão-de-obra contratada no mercado internacional ao preço de concorrência. 
Vamos supor um empreiteiro que precisa de 5000 trabalhadores para construir uma estação de liquifação de gás natural. Primeiro, faz prova de que é um tipo de trabalho que não se adequa aos sauditas. Depois, vai à India, ao Nepal, ao Bangladesh, à Etiópia, à Eritreia, ao Egipto ou ao Sudão e contrata 5000 trabalhadores ao  salário de mercado. É tudo uma questão de oferta e de procura. 
Apesar de um saudita ganhar 5000€/mês, o empreiteiro vai conseguir contratar trabalhadores por um salário de 150€/mês.

Mas isso é uma exploração!
Os esquerdistas dizem que pagar aos imigantes um salário na ordem dos 150€/mês quando pagam 5000€/mÊs aos nacionais é uma exploração. Mas  não se preocupam nada que essas mesmas pessoas estejam a ganhar nos seus países ainda menos. 
As opções morais têm sempre que ser tomadas tendo em consideração as alternativas. 
Primeiro, os etíopes e eritreus vão voluntariamente para a Arábia e podem ir embora quando bem o entenderem. Então, temos que comparar duas situações:
     H1 => Um saudita ganha 4000€/mês e um etíope (a trabalhar na Etiópia) ganha 40€/mês.
     H2 => Um saudita ganha 5000€/mês e um etíope (a trabalhar na Arábia) ganha 150€/mês.

O que será melhor para os etíopes?
Concerteza que é H2 e por isso é que vão voluntariamente para lá. 
No fundo, o discurso esquerdista é um discurso hipócrita. Se for lá longe, lá na terra deles, até podem morrer de fome mas aqui, perto de nós, não os queremos explorar.

Nós podíamos receber um milhão de imigrantes.
Estes imigrantes seriam o motor não só de uma agricultura de mão de obra intensiva mas também iriam dar mais musculo à nossa industria tradicional. Claro que as pessoas estão a pensar que os nossos sectores tradicionais como o textil, o vestuário, o calçado, o mobiliário, estão aperder postos de trabalho. Mas se inundassemos esses sectores com salários de 150€/mês, passaríam a ser muito mais competitivos e, desta forma, ganharíam rapidamente cota de mercado nos países europeus. 
No final poderíamos ter ocupação para a nossa mão de obra cada vez mais escolarizada e preparada e ajudar esses países menos desenvolvidos. 

E acabávamos com os afogamentos.
1 => Permitir a permanência na Europa dependente do contrato de trabalho. 
O empregador procurava por esse mundo fora um trabalhador e assim que o contratasse ele poderia entrar em Portugal. O empregador teria que prestar uma caução com o valor da totalidade dos salários mais a viagem de volta. 

2 => O imigrante teria que manter a ligação à comunidade de origem.
Uma forma de garantir esta condição seria adoptar o exemplo da Suíça, limitar a duração do contrato a um máximo de 9 meses em cada ano. 

3 => O salário, horário de trabalho e demais condições de trabalho seriam livremente negociados entre as partes, em concorrência com o resto do mundo.
Também se poderiam-se impor condições mas pouco exigentes, por exemplo, um salário mínimo de 1,00€/hora e, no máximo, a pessoa poder trabalhar 100h/semana.

As migrações e o comércio internacional.
Se o salário pago traduzisse o contributo do trabalhador para a produção, a pressão demográfica diminuiria porque o salário de um trabalhador particular seria quase igual nos diversos países do mundo. 
Neste caso, o comercio internacional substitui o movimento das populações. 
Em vez de a Alemanha ter lá portugueses a produzir carros, é melhor trazer as fábricas de carros para Portugal e importar os carros.
Se abrirmos as fronteiras ao comercio, haverá muito menos pressão para que as populações se movam. 
Pensemos nos romenos. Antes de entrarem na UE pensava-se que nos iriam invadir. Realmente nos primeiros anos esse fenómeno aconteceu um pouco mas, com a liberdade de comercio, as pessoas ficaram lá.

Faltam os não transaccionáveis.
Há bens que não se podem transportar e que, por isso, não podem ser produzidos nos países pobres.

A venda do Novo Banco não terá perdas.
O Horta Osório afirmou que a venda do Novo Banco vai ter perdas para os bancos a operar em Portugal mas não vai haver.

Vejamos porquê.
Vamos supor hipoteticamente que o Novo Banco vale 900 milhões € e que, tal como o BIC comprou o BPN, aparece alguém que oferece esses 900M€.
Neste caso, os bancos a operar em Portugal terão que assumir um prejuizo de 4000M€. Então, é melhor oferecerem os 4900M€ que é um preço imbatível e digerirem em si o Novo Banco (liquidarem). Apesar de terem, de facto, prejuízo, a prazo têm menos prejuízo que no caso de deixarem que o Nova Banco seja vendido porque retiram um concorrente do mercado.

Fig. 3 - Tínhamos a nossa roupa toda depositada no Novo Banco

Na Ébola, infelizmente, começam a dar-me razão.
Em Portugal existem muitas pessoas que acreditam em maus olhados, bruxedos e outras crendices.
Não há pessoas que acreditam que foram os americanos que mataram o Hugo Chaves com cancro? 
Agora imaginemos as pessoas africanas. Muita gente de lá muita gente pensa que são os Médicos sem Fronteira que andam a matar as pessoas. 
Com uma evolução que considero optimista (fim da doença em 31 de Março de 2015), vamos chegar ao fim do ano com 50 mil casos e teremos um total de 100 mil casos até ao controle total. 

Fig. 4 - Evolução da taxa de crescimento dos casos da Ébola e possível evolução (optimista)

Mas não estou nada optimista. 
Nem eu nem a ONU que declarou ontem a Ébola como uma ameaça à paz e à segurança mundial (ver).
Cada 3 semanas, duplica o número de casos.
Se demorar um ano a controlar a doença, teremos 1 milhão de casos.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 14 de setembro de 2014

A pensão dos homens e das mulheres

Sendo o Portuendes um comentador habitual, tenho que responder à sua questão. 
Sabendo nós que os anos de trabalho e os anos de reforma devem conformar-se com a esperança média de vida , haverá algum dia em que a separação óbvia entre homem e mulher será realizada?

A esperança de vida.
Todos os pares de anos o INE compila a idade das pessoas que morrem na Tabela de Sobrevivência. 
Com os dados é fácil calcular a idade média das pessoas mortas. É este número que se usa como a Esperança Média de Vida à Nascença.

Quem nasce hoje vai viver mais anos.
Porque a idade média usa pessoas que nasceram há muitos anos para trás. como de ano para ano a média da idade dos mortos aumenta, naturalmente quem nasce hoje vai durar muito mais.
Como nos países da OCDE cada ano que passa a idade média de morte avança 0,2 anos, mantendo-se esta regularidade, quem nasce hoje num países desenvolvido vai, em média, morrer aos 96 anos (não vindo a Ébola por aí fora). 

Quem nasce hoje tem que trabalhar mais.
Assumindo que precisamos trabalhar metade da vida, se cada ano as pessoas vivem mais 0,2 anos, é preciso que a idade de reforme também aumente cada ano 0,1 anos.
Alguém que tenha hoje 30 anos, vai ter que trabalhar até aos 65 + 35*0,1 = 68,5 anos de idade.
Alguém que nasça hoje vai ter que trabalhar até aos 65 + 65*0,1 = 71,5 anos de idade.

As mulheres duram mais que os homens.
Sim, é verdade. Nos países da OCDE as mulheres duram mais 6 anos que os homens pelo que, aparentemente, é uma injustiça termos todas a mesma idade de reforma.
Pegando nos dados da tabela de sobrevivencia 2000-2002, os homens deveriam-se reformar 3 anos mais cedo que as mulheres. Os homens deveriam trabalhar até aos 63 anos e as mulheres até aos 65 anos.
Em alternativa, os homens deveriam ter a sua pensão majorada em 25%.


As reformas deveriam sofrer uma reforma.
Deveriam ter uma parte assistencial do tipo do Rendimento Mínimo.
Deveria ter uma parte que resultasse da capitalização dos descontos (da TSU)
Deveria ter uma parte de Seguro de Vida (cobrir o risco de invalidez).
E, sem qualquer dúvida, as mulheres deveriam receber uma pensão menor que os homens (ou trabalhar mais 3 anos).

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Umas respostas a umas perguntas

O Ricardo Mendes costuma-me fazer "off-line" umas perguntas interessantes para partilhar com os demais amigos que seguem o meu blogg.
Algures nas centenas de posts que eu já escrevi, sei que já falei nisto mas nunca é demais repetir estes assuntos porque existe uma confusão nos media sobre estas coisas.

Mas primeiro, vamos à grande verdade: "se pegássemos em todos os economistas do mundo e ligássemos cabeça de cada um aos pés de outro numa fila bicha, não iam parar a lado nenhum".
Mas temos que reconhecer que hoje se vive muito melhor do que se vivia há 50 anos atrás e isso resulta do conhecimento, seja da engenharia, da medicina, da enfermagem, da história ou da economia.

1 Para que servem os bancos comercias?
Servem, principalmente, para intermediar entre poupadores e gastadores. 

As pessoas poupam para 1) pretendem comprar no futuro um bem valioso; 2) têm medo de, no futuro, terem um necessidade ou uma quebra de rendimento; 3) quando formos velhinhos o nosso rendimento vai ser melhor.

As pessoas pedem emprestado porque 1) pretendem comprar agora um bem valioso para o qual não têm dinheiro; 2) aconteceu um imprevisto de que resultou uma necessidade ou uma quebra de rendimento; 3) são jovens e precisam de dinheiro para estudar; 4) um empreendedor tem uma ideia que precisa de financiar.

Agora vêm os bancos comerciais.
Se eu preciso poupar, ao emprestar a uma pessoa concreta passo a viver o risco de nunca vir a receber esse dinheiro. 
Os bancos comerciais, por terem muitos devedores, conseguem compensar os que bancarrotam com os que pagam bem. Vamos supor que 1% das pessoas não paga o crédito. Então, basta uma diferença de 1% entre a taxa de juro que paga aos depositantes e a taxa de juro que cobra aos devedores para que esse risco seja anulado.

Vamos aos automóveis
O Ricardo é mecânico de automóveis. Os bancos "era como se existisse um intermediario entre mim e o meu cliente ... [que cobraria] uma comissão." 
Vamos imaginar, como acontece nos empréstimos, que o orçamento do carro era sempre o mesmo valor, por exemplo, 10% do valor de mercado. Agora, um mecânico particular com apenas alguns concertos por mês para fazer, passaria a correr um rico muito grande de ir à falência. Tal como fazem os seguros (contra a quebra de vidros ou reboque), mediante um pequeno pagamento, o intermediário compensaria os prejuízos com os lucros, retirando o risco aos pequenos mecânicos.

Porque o Estado americano interveio na GM?
Primeiro, os governantes são eleitos pelos votos dos eleitores. Se as sondagens disserem que a maioria da população quer uma intervenção, os governantes podendo, são "obrigados" a fazer essa intervenção.
Segundo, normalmente, a taxa de juro a que os estados se consegue financiar é muito menor que a taxa de juro que as empresas conseguem. Então, há negócios que são viável com intervenção pública e não o são se forem deixados à sua sorte.
Terceiro, há empresas que têm um impacto positivo na sociedade que, pelo menos no curto prazo, são dificeis de substituir. 
Mas a regra que leva, no longo prazo, a crescimento económico e melhoria das condições divida das pessoas, é deixar falir as empresas que não financiar-se no mercado. Mas todos os países têm que adoptar esta regras pois, caso contrário, haverá problemas.

 Para que serve a taxa de referencia do banco central?
O banco central tem como única função controlar o nível de liquidez na economia (a quantidade de notas em circulação) o que é conseguido observando a taxa de inflação. 
Se a taxa de inflação for baixa, é preciso aumentar a liquidez e, caso contrário, diminuir a liquidez.
A principal forma de aumentar a liquidez é imprimir notas e entrega-las ao governo para que gaste esse dinheiro (o governo passará a cobrar menos impostos que a despesa). Para diminuir a liquidez é rpeciso que o governo entregue notas ao BC que as distroi (o governo passará a cobrar mais impostos que a despesa).
Mas o BC tem outros instrumentos para actuar no curto prazo.
A taxa de desconto é uma forma de actuação de curto prazo: se a taxa diminuir, passará a haver mais notas em circulação e, se aumentar, passará a haver menos notas.
O lucro do BC com a emissão de novas notas e as taxas de juro que cobra são entregues ao governo como "dividendos" (Portugal recebe cerca de 850 M€ por ano do BCE).
Há muitas reuniões porque é muito dificil controlar a inflação. Porque o sistema monetário interfere com a Economia e com as transacções com o resto do mundo, a inflação é muito dificl de controlar.

Porquê 2%/ano de inflação?
Já foram experimentados os valores 0%/ano (e.g., China 1998-2003), 1%/ano, 2%/ano, 2,5%/ano e mais taxas e nenhum deles é melhor que o outro.
Acontece que isto é como o lado em que os carros andam na estrada, com o passar dos anos, os principais países foram introduzindo o valor de 2%/ano como meta para que a taxa de cambio entre as moedas não tenha alterações nominais (se a China tinha 0%/ano o Reino Unido 2,5%/ano então, em média a moeda chinesa valorizaria 2,5%/ano relativamente à libra).

Porque nao adoptamos a postura da islandia?
A Islândia tem moeda própria que pode valorizar e desvalorizar relativamente às outras moedas. Este regime chama-se de "câmbios flexíveis". Nós temos "cambio fixo" relativamente aos outros parceiros da Zona Euro.
Existem opiniões a favor dos câmbios flexíveis (ajustamento mais rápido) e câmbios fixos (custos de transacção). É quase como haver benfiquistas e portistas, ninguém chega a conclusão de quem é o melhor.
Quanto à falência do país, não houve necessidade. Para os devedores, deixar de pagar é bom mas também temos que ver o lado dos credores que andaram a poupar dinheiro.
Uma falência descontrolada pode por em causa as relações entre os estados. Por exemplo, a Espanha poderia passar a desviar a água do Rio Tejo e do Rio Douro para o Sul (rasgando os contratos feitos entre o Franco e o Salazar) alegando que não tinhamos cumpridos os nossos contratos relativamene à divida pública.

2 - A nossa capacidade de pagar a divida nao é uma anedota?
Em termos totais, a dívida pública portuguesa é muito grande mas, em termos individuais, os valores são relativamente pequenos. 
Cada português deve cerca de 20 mil €. Se pensarmos que uma pessoa concluir o ensino obrigatório (12.º ano) custa ao Estado 60 mil €, vemos que a dívida é relativamente pequena.
Corresponde a que uma pessoa, durante os 50 anos de actividade o Estado conseguir cortar ou aumentar os impostos em 30£/mês. 
O pagamento da nossa divida em 50 anos implica apenas reservar 2% da despesa pública para juros e amortizações.
A nossa dívida pública é 130% do PIB e a do Japão é 230% do PIB e ninguém diz que o Japão está na bancarrota.

3 Porquê cortar salários e pensões.
Quando em 2008 chegou a crise do sub-prime, o problema não eram os salários públicos, pensões, subsídios de desemprego, etc. necessários de pagar 2008 mas das regras vertidas na lei que introduziam mecanismos automáticos de aumento da despesa pública. 
Cada 3 anos, os funcionários mudavam de escalão, estando desemrpegado com mais de 52 anos, iam para a reforma, se o marido e a mulher estivessem desempregados, recebiam um complemento e podiam estar não sei quantos anos a receber.
Tudo isso era explosivo e fez com que logo em 2009 o défice saltasse para 10% do PIB.
Os cortes, de facto, não existem pois o total de salários públicos e de pensões que o Estado paga hoje é ainda maior que o que pagou em 2011.
Os governantes (que, diga-se a verdade, teve a sua semente no tempo do Cavaco Silva) prometeu no passado o que sabiam que não podiam dar mas "quem vier que feche a porta". 

4- E quando as máquinas fizerem tudo?
AS máquinas nunca farão tudo. As máquinas permitem que sejam feitas coisas que de outra forma não seria preciso fazer.
Seria possível cortar uma árvore sem haver machados?
Seria possível fazer tábuas sem haver serras?
Seria possível haver Multibanco se não houvesse computadores?
Seria possível voar se não houvesse aviões?
Seria possível alimentar 7125 milhões de pessoas se não houvesse tractores?

"Quando inventarem uma máquina para lavar roupa, outra para lavar a louça e houver restaurantes a cada esquina, a mulher não vai servir para nada" (desconhecido do sec. XIX)

Enquanto pessoas não precisamos de trabalho mas sim de bens e serviços para consumir. 
Daqui a 100 ou 200 anos, se no entretanto o Ébola não nos matar a quase todos, as pessoas vão passar 6 meses de férias a viajar um pouco pelo mundo em bons hoteis e em bons aviões e, nos restantes 6 meses, 70% das pessoas vai trabalhar no sector do turismo.
Hoje uma pessoa compra um carro novo por 10000€ que corresponde a 12 meses de salário médio.
Em 1960, um carro muito pior custava 50 contos que correspondia a 60 meses de salário médio.
E porquê? Por causa das máquinas. E hoje trabalham muito mais pessoas a fazer automóveis que havia em 1960. Mais de 10 vezes.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A inflação e o crescimento

Volta e meia, 
os esquerdistas falam da necessidade de aumentar a taxa de inflação para aumentar o crescimento da Zona Euro. 
O problema é que a inflação não se relaciona com o crescimento económico. É tal qual como pensar que rezar Avé-Marias faz chover ou que assobiar conquista as gajas boas que vemos na rua. 

Abram bem os olhos.
Para ver se encontram alguma relação, coloquei num gráfico a taxa de inflação e a taxa de crescimento do PIB per capita de muitos países do Mundo, médias das décadas 1974-83; 1984-93; 1994-2003 e 2004-2014. Os dados são do Banco Mundial e apresento apenas as taxas de inflação entre 0%/ano e 20%/ano.

Fig. 1 - Só com uns óculos muito especiais é que se vê aqui uma relação entre inflação e crescimento do PIBpc.

Viram alguma coisa?
Quem conseguiu ver alguma relação, também ouviu no debate Costa / Seguro que o PS tem ideias sobre como deve ser a governação do nosso país sem austeridade e sem nos mandar outra vez para a bancarrota.

Fig. 2 - "Bobi, como encontraste uma relação entre inflação e crescimento, encontra-me agora uma ideia do Costa ou do Seguro".

O que será ser contra?
Como sou contra a pena de morte, se eu ficasse a mandar no Mundo, a pena de morte acabava imediatamente.
O Seguro e o Costa são contra a Sobretaxa do IRS, o aumento do IRS do Gasparzinho, o fecho das maternidades, o fecho dos hospitais, o fecho dos Estalaleiros Navais de Viana do Castelo, o fecho dos tribunais, haver tantos professores desempregados, os cortes nos subsídios de desemprego, os cortes no RSI, os cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões, etc., etc., etc.
Pensava eu que, sendo contra isto tudo, quando chegassem ao governo iriam acabar com isto tudo.
Se está mal, se eu lutei para que isto nunca acontecesse, se sou contra então, quando chegar lá, isto vai tudo à vida.
Mas não. Vai ficar tudo na mesma.
O máximo que poderá acontecer é que não haverá mais cortes mas isso já o Passos também prometeu.
Afinal, o Passos está a fazer o que eles também fariam mas são do contra.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Quais serão as ideia do Costa e do Seguro?

Ontem estive a falar com PM, um esquerdista. 
Claro que a conversa começou com "Isto está tudo de pernas para o ar, o Passos Coelho está a destruir a nossa economia, estamos próximos do fim do mundo." 
- OK, se o Passos nos está a destruir, temos que voltar às "políticas de crescimento" do Guterres e do Sócrates. O problema é que essas políticas que estiveram associadas a um endividamento externo massivo não fizeram com que crescêssemos, antes pelo contrário. Para não ficar preso na discussão "é efeito da crise internacional" ou "foi ajudado pela expansão alemã" vou usar a Holanda, um país da nossa dimensão e que pertence à Zona Euro, para retirar esses efeitos todos. Em 1992, altura em que foi assinado o Tratado de Maastricht, o nosso nível de vida era 48,5% do nível de vida holandês. Quando o guterrismo-socratismo acabou, em 2011, a relação tinha-se reduzido para 44,6% (ver, Fig. 1).
- Não porque nesse tempo o governo socialista já estava preso à política de austeridade de Maastricht. Temos que nos libertar desse espartilho de austeridade imposto pelos países do Norte.
- Então, temos que voltar ao tempo da Ditadura ou do Cavaco pois foi nessas alturas que houve crescimento económico.
- Mas, se a economia esteve estagnada com o Sócrates por culpa das políticas erradas do BCE,  quando o Passos Coelho a economia começou a cair.
- Pelo menos já viste que com o Sócrates a economia esteve estagnada mesmo com elevado endividamento externo mas os dados dizem que a economia começou a cair em 2005, exactamente quando o Sócrates entrou. Em 2004 tínhamos 47,3% do PIB holandês e atingimos em 2007, antes da crise do sub-prime, 45,1%. Logo, o Sócrates endividou-nos e o PIB pc corrigido do efeito externo diminuiu rapidamente. Estranhamente, foi no tempo do Passos Coelho que a queda parou (ver, Fig. 1).
- Não, bem, não, não percebes nada de economia, nem que mas também, és um burro, isto deriva de, não é possível ter-se uma conversa séria contigo. 

Fig. 1 - PIB per capita português em comparação com o holandês, 1960-2013 (dados: Banco Mundial)
Entre 1960 e 2002, convergimos com a Holanda 0.66 pontos percentuais por ano e, a partir de 1992, passamos a divergir 0,19 pontos percentuais por ano. Alguma coisa tem que ser feita de diferente.

Os preços estão a diminuir.
- As economias europeias estão a corrigir os desequilíbrios das contas externas.
- Mas isso é à custa da redução das importações.
- Diminuição das importações e aumento das exportações que, diz a teoria económica, resultam da diminuição dos nossos preços face ao exterior diminuem. Isto vê-se no facto da nossa taxa de inflação estar 1 ponto percentual abaixo da média da zona euro.
- Isso não interessa, isso é um avanço do grande capital e da especulação.
- Mas estão a diminuir, tens que reconhecer este facto.
- Sim, mas sim, os preços estão a diminuir.
- Trata-se de uma desvalorização da nossa taxa de câmbio real o que aumenta as exportações e a entrada de turistas e diminui as importações e a saída de turistas. Isso é o mecanismo de equilíbrio das contas externas. E isso está a acontecer em Portugal e, principalmente, na Grécia face à zona euro. No nosso caso ainda temos a vantagem de os nossos preços já terem caído 5% relativamente aos da Espanha que é o nosso principal parceiro comercial. E em 2014 continuam a cair.
- Não, bem, não, não percebes nada de economia, nem que mas também, és um burro, isto deriva de, não é possível ter-se uma conversa séria contigo.

Fig. 2 - Índice de Preços no Consumidor relativamente à média da Zona Euro, desde a implementação dos câmbios fixos, 1999-2013 (dados: EuroStat)

A nossa economia já não precisa de novo financiamento externo.
- As taxas de juro desceram em todos os países. Não foi só em Portugal que as taxas de juro desceram mas também na Grécia desceram. E isso foi por causa do BCE ter mudado de política.
- Não é verdade que as taxas de juro tenham alguma coisa a ver com a política do BCE porque esta  mantém-se a mesma: procura cumprir o seu mandato que é fazer com que a inflação na Zona Euro seja de 2%/ano. Como a inflação está bastante abaixo deste valor, o BCE tem que fazer alguma coisa para aumentar a quantidade de moeda em circulação pois faz-se inflação com mais moeda. A diminuição das taxas de juro é por, genericamente, os países do Sul já não terem necessidades de novo financiamento externo. No caso Português, entre 1995 e 2011 Portugal endividou-se uma média de 13,4 MM€ por ano, um total de 210MM€. Nos últimos 24 meses, não precisamos de novo endividamento.
- Não, bem, não, não percebes nada de economia, nem que mas também, és um burro, isto deriva de, não é possível ter-se uma conversa séria contigo.

Fig. 3 - Endividamento Externo desde 1/1/1996 (dados: Banco de Portugal)

Mas não se consegue controlar o défice público.
Durante 2013 parecia que Portugal estava condenado ao fracasso porque as taxas de juro tinham estabilizado num nível proibitivamente alto. Por exemplo, a taxa de juro a 10 anos ficou parada nos 6,0%/ano. Nessa altura o discurso oficial era que "se a taxa de juro descer para 4,5 a 5%, já não precisamos de segundo resgate". Acontece que, como por milagre, depois da Mensagem de Natal do Cavaco, os financiadores do nosso país convenceram-se de que nos estamos a esforçar para pagar a dívida pública. Então, o quarto milagre de Fátima aconteceu: as taxas de juro a 10 anos estão em volta dos 3,0%/ano (ver, Fig. 4). Sendo assim, podemos fazer de conta de que em 2014 o défice vai ser de 4,0% do PIB e que em 2015 vai ser de 2,5% do PIB.
Não vai ser mais isso é o que defendem os esquerdistas pelo que devem estar contentes.

Fig. 4 - Evolução da taxa de juro da República a 10 anos (dados: Investing)

Grande parte das "despesas extraordinárias" são recuperáveis
Algumas, como a "regularização" da dívida das empresas públicas não tem mais recuperação mas os 4900M€ que Estado injectou no BES /  Novo Banco vão ser totalmente recuperada mas o BES tinha lá garantias públicas. Vamos ser optimistas.

Vamos agora ao Ébola.
Quando as coisas são terrivelmente terríveis nós temos tendência para não pensar nelas.
O Ébola é um desses casos, ninguém quer pensar nisso mas a coisa vai mesmo chegar cá e não vai demorar nem seis meses.
Os factos são que:
    1 => 90% das pessoas infectadas morrem.
   2 => Hoje contaminam-se 150 pessoas por dia enquanto há um mês, contaminava-se 50.
   3 => A Nigéria teve um caso em 27/Julho e disse que estava tudo perfeitamente preparada mas, em 21Ag já tinha 21.
   4 => O foco no Zaire já leva quase 100 contaminados.
   5 => Nos mais de 2000 mortos, só um é que é branco!

O que devemos fazer?
Daqui a 1 mês haverá 450 novos casos por dia, daqui a dois meses 1500, no Ano Novo 5000 e, daqui a 6 meses, haverá 100000 novos casos por dia.
100000 por dia é uma enormidade. Na Segunda Guerra Mundial morreram 30000 pessoas por dia, daqui a 6 meses a Ébola vai estar a matar o triplo.
O plano de combate não pode passar pelos actuais hospitais pois já estão cheios e ocupados por pessoas doentes que são particularmente vulneráveis ao Ébola.
O governo tem que começar rapidamente a trabalhar na contingência de, no espaço de algumas semanas,  ter que criar uma rede de isolamento com pelo menos 100 mil camas.
Como a chave do sucesso é o isolamento, a melhor solução será, em cada cidade, adaptar os apartamentos de uma zona habitacional para hospital.
Vai mesmo ser preciso cercar essas zonas com contentores de forma a que não entre nem saia ninguém..

Escrevi qualquer coisa que saiu no Diário de Notícias.
A Ana Margarida, que é uma pessoa muito simpática, desafiou-me a escrever qualquer coisa sobre as medidas do BCE e se isso terá algum impacto na nossa economia.
O BCE tem que controlar a inflação "abaixo dos 2,0%/ano mas próximo". Como agora está nos 0,3%/ano, muito abaixo da meta, tem que fazer alguma coisa. Mas, em termos médios, desde que existe Euro, a inflação foi de 1,95%/ano. Não está mal.
Podem ver aqui => Comentário no Dinheiro Vivo sobre a intervenção do BCE

Fig. 5 - Evolução da inflação na Zona Euro e média desde 1/1/1999 (dados: BCE).

Será que me esqueci de referir o que dizem o Costa e o Seguro?.
Não, não me esqueci. É que não dizem nada.
Antes falavam do Holland, de que ele seria o modelo da actuação da nova esquerda.
Agora fazem-me lembrar o meu amigo PM "Não, bem, não, não percebes nada de economia, nem que mas também, és um burro, isto deriva de, não é possível ter-se uma conversa séria contigo."

Fig. 6 - São estes os sapatos que estão a alimentar as nossas exportações.

Pedro Cosme Costa Vieira

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