sexta-feira, 29 de junho de 2012

A santa ignorância do Seguro sobre os 1%/ano.


Portugal está numa crise terrivel e, com ignorantes como o Seguro a candidatos a governantes do nosso país, estamos perdidos.
Os governantes deveriam ter vergonha de em público dizerem "eu não sei". Iam estudar, pediam pareceres a especialistas e depois falavam.

Vejamos a argumentação lógica do Seguro:
"Eu não sei porque o BCE empresta dinheiro aos bancos à taxa de juro de 1%/ano."
"Também não sei porque, em média, estamos a pagar 5%/ano pela nossa dívida pública."
"Sei que o Estado Português deve 200 000 milhões de euros e que paga 10MM€/ano de juros."
"Sei que, se em vez de pagar 5%/ano pagasse 1%/ano, o Estado só pagava 2MM€/ano."
"Posso concluir que não sei porque Portugal não pode poupar 5MM€/ano." (sim, a conta está mal feita).
"Posso também concluir que não sei porque Portugal paga juros e amortiza a dívida pública."

Diz o Seguro ao Galanda.
- Queres que te conte uma novidade fresquinha?
- Diz lá.
- Não sei se tens mulher e filhos.
- Não, não tenho nem mulher nem filhos.
- àhhh
- E qual é a novidade?
- É essa. É eu não saber se tens mulher e filhos.

Então Seguro amigo, vou-te explicar.
Há uma total diferença entre dinheiro e crédito.
Sei que parece a mesma coisa o BCE emprestar dinheiro aos bancos e conceder crédito mas são coisas completamente diferentes.
Eu já referi isso em vários postes mas é uma coisa tão contranatura que não é fácil de compreender pelo que a tua ignorancia é aceitável.
Também não deves saber porque os aviões voam.
Por isso é que não te abalanças a fazer aviões pois nunca levantariam voo.
Mas porque raio fazes força para governar o nosso querido país quando as consequencias da tua ignorância são muito mais graves que o avião não voar?

Devias-te dedicar à filosofia
Antes de destruires ainda mais o nosso querido país e não como a tua sombra que o fez apenas depois.

O que é o crédito?
Eu e o meu vizinho temos "5 alqueires de semeadura" de terra de regadio na qual cultivamos milho.
Na minha terra um alqueire de semeadura são 750m2 e produz, em média, "1 carro" que são 40 "alqueires de peso", 600 kg de milho.
Um ano, por causa do granizo, o meu vizinho produziu 100 alqueires e eu produzi 210 alqueres.
Depois de aturadas negociações, eu concedi-lhe um crédito de 50 alqueires de milho à taxa de juro anual de 2%/ano, amortizável em 5 prestações pagas no fim de cada ano, iguais.
O meu vizinho terá que me entregar 50 x 2%/(1-(1+2%)^-5) = 10.61 alqueires por ano nos próximos 5 anos.

O crédito é sobre bens e serviços que foram produzidos e que podem ser consumidos por uns (os devedores / investidores) em prejuizo de outros (os credores / aforradores) com a promessa de que mais tarde os devedores vão devolver bens de valor equivalente mais um juro.

Eu acredito que o meu vizinho vai honrar o seu compromisso.Eu conheço-o há 40 anos e nunca pregou o calote a ninguém.
Porque é uma pessoa honrada. Não é um caloteiro. É digno da minha confiança.
O meu pai já contava que o pai dele era uma pessoa séria.
Que, durante a guerra, até passou fome mas pagou sempre o que devia.
Se o meu vizinho alguma vez tivesse calutado alguém, eu exigiria uma taxa de juro que me compensasse, em termos estatísticos, do risco de ele voltar a calotar.
Exigiria uma taxa de juro muito mais elevada.

E o que é o dinheiro?
São papeis ou registos "no livro do cantineiro" que nós podemos usar para pagarmos as coisas que compramos.
Se eu tenho uma nota de 20€ no bolso então, posso ir ao mercado e comprar bens e serviços cujos preços somem até 20€.
Inicialmente, o dinheiro serve apenas como unidade de conta que permite que haja um preço para cada bem e serviço. Assim, as quantidades podem ser uniformizadas usando o preço e serem registadas no livro de Deve e Haver ou traduzidas em notas.
O dinheiro também vai ser um intermediário nas trocas tornando independente o que vendemos agora do que vamos comprar no futuro mais ou menos próximo.
Vendo agora milho a uma pessoa e, com o dinheiro recebido, compro amanha galinhas a outra pessoa.
Assim, o dinheiro também servem como reserva de valor entre as transacções, "acumulando" o valor do bem vendido enquanto não nos apropriamos do valor do bem que vamos comprar.

E daqui é que surge a confusão entre crédito e dinheiro.
Mas o dinheiro não são bens nem serviços pelo que é diferente do crédito que trata do empréstimo de bens e serviços.

Mas emprestar dinheiro não é conceder crédito?
Se eu vender os meus 50 alqueires de milho por uma nota de 200€, emprestar essa nota ao meu vizinho que vai ao mercado e compra 50 alqueires de milho, a minha nota apenas serviu como intermediário no contrato de crédito de milho.
Por isso, este empréstimo da nota vai materializar um crédito.
É como a igualdade entre trabalhar uma jorna em troca de 5 alqueires de milho ou receber uma nota de 20€ e ir ao mercado comprar 5 alqueires de milho. A nota é apenas intermediário na troca.
Quando o Estado Português precisa pagar salários, medicamentos, obras, etc., tem que entregar bens e serviços para os funcionários públicos e demais usarem no mercado para comprar os bens e serviços que precisam consumir no seu dia a dia.
Assim, o dinheiro entregue ao Estado, por ser um meio intermédio de uma transacção, tem que ter uma contrapartida real: a economia tem que produzir bens e serviços em quantidade suficiente para que as pessoas possam ir ao mercado e comprá-los.
Como em Portugal se produzem menos bens e serviços que o total consumido (é o défice da balança comercial), é preciso que pessoas do estrangeiro nos emprestem bens e serviços para nós consumirmos. Neste crédito de bens e serviços o dinheiro funciona com intermediário.

E o dinheiro emprestado aos bancos a 1%/ano?
Tem que existir uma determinada quantidade de dinheiro (traduzido em notas e em saldos das contas à ordem) para que a economia funcione bem. Como o dinheiro é intermediário, se houver pouco, os preços diminuiem (é a deflação) e, se houver muito, os preços aumentam (é a inflação).
A quantidade de notas em circulação é cerca de 10% do PIB na Zona Euro e 8% do PIB nos USA. Sim é verdade, na América existem menos notas em circulação que na Zona Euro porque na América as pessoas recebem os salário no fim de cada semana e na Zona Euro recebem no fim de cada mês.
Sendo os salários 60% do PIB, o pagamento do salário no fim de cada mês em notas e a sua utilização ao longo do tempo implica a necessidade de 60%/12/2 = 2.5% do PIB. O pagamento semanal implica a necessidade de 60%/52/2 = 0.6% do PIB.

A estabilidade dos preços
O Banco Central tem que zelar para que a quantidade de moeda em circulação seja a adequada mantendo-se os preços estáveis (uma inflação de 2%/ano).
No caso da Zona euro, o BCE utiliza a "taxa de desconto" para injectar e retirar notas de circulação.
Se o Banco Central precisar de aumentar a quantidade de moeda em circulação, diminui a taxa de desconta (a tal que está na Zona Euro nos 1%/ano).
Se, daqui a um mês, precisar de diminuir a quantidade de moeda em circulação, o BCE aumentará a taxa de desconto.
A taxa de desconto está baixa mas já atingiu nos anos 1990, no overnight, mais de 100%/ano.

Então este dinheiro não é crédito?
Também é mas não como o outro.
Imaginemos que nós, normalmente, temos 100€ no bolso.
Ao determos dinheiro no bolso, estamos a conceder um crédito no valor de 100€, a preços de mercado, ao BCE sem juro.
De facto, essa nota é um crédito mas que o detentor da nota faz ao BCE e sem juros.
No entanto, a nota ao mudar da nossa mão para a do nosso vizinho, não altera esse crédito original feito pelos particulares ao BCE.

É ao contrario do que pensam.
Quando o BCE emite nota, esta-se a tornar devedor e nós é que estamos a conceder um crédito ao BCE. Não é como os comunas e o senso comum parece indicar.
Mas o BCE está muito atento à vontade das pessoas deterem notas no bolso.
Quando a nota sai do meu bolso porque eu vou faço uma compra no mercado, se o vendedor não quer ter essa nota, o contrato de crédito original que eu fiz com o BCE extingue-se pelo que essa nota tem que ser absorvida pelo banco central.
Claro que o BCE não detecta exactamente que essa nota está a mais mas, em termos estatísticos, vai absorve-la de circulação aumentando a taxa de desconto.

Os bancos são quem guarda a maior parte das notas.
Quando nós temos um depósito bancários, os bancos guardam parte desse valor como notas, são as reservas.
Supondo que temos 10000€ na conta à ordem e que as reservas são 25% então, o banco guardará no cofre (do BCE - Banco de Portugal) 2500€ por nossa ordem.
O BCE nos últimos meses detectou que havia pouco dinheiro em circulação. Detectou que as pessoas do Norte da Europa começaram a ter muito "dinheiro no bolso" (depositado em contas à ordem do BCE) e que começou a faltar dinheiro no Sul da Europa.
O mandato do BCE obriga a que a liquidez (a quantidade de notas em circulação) se mantenha em todas as partes da Zona Euro.
Mas esses empréstimo de notas não se traduzem em compra de bens e serviços.
As pessoas querem as notas para as ter guardadas.
Se o BCE não injectasse liquidez nos países do Sul, haveria deflação significativa no Sul da Europa e uma descida da taxa de desconto para zero no Norte da Europa.

E se o BCE emprestasse notas aos Estados?
No dia seguinte, os Estados iriam entregar as notas aos funcionários públicos e aos empreiteiros que iriam para o mercado comprar bens e serviços a pessoa que não queriam deter mais notas. Então, o BCE teria que, no dia seguinte, absorver essas notas de novo aumentando a taxa de desconto para as tais do mercado de crédito (entre 6%/ano e 7%/ano para a Espanha e a Itália).

E se o BCE a taxa de desconto se mantivesse em 1%/ano?
A quantidade de notas aumentava para a mesma quantidade de bens e serviços pelo que os preços (a inflação) aumentaria.
Isso é mau porque nos países que têm uma taxa de inflação mais elevada, o risco é maior pelo que a taxa de juro é mais que proporcionalmente maior.
Em média, quando a taxa de inflação aumenta 1 ponto percentual, a taxa de juro paga pelos agentes económicos aumenta 1.55 pontos percentuais.
Se para uma taxa de inflação de 2%/ano a taxa de juro for 4%/ano, para uma taxa de inflação de 5%/ano, a taxa de juro será 8.7%/ano.

Fig. 1 -Relação entre a taxa de inflação e a taxa de juro real (dados: Banco Mundial, 2005/10)

Para taxas de inflação elevadas a taxa de juro média fica plana porque as pessoas passam a usar outra moeda (dólar, euro, etc.) nos seus contratos. 

Nota final: tenho dado passos à volta da candidata a minha amante.
Já meti conversa e tal, disse que ela estava com muito bom aspecto, que estava mesmo uma brasa.
Contei, como as mulheres gostam, que tive uma juventude muito dificil, blá, blá, blá,
Vamos lá ver como a coisa avança.
Vai ser mais dificil porque cortaram-me substancialmente o ordenado.
Provavelmente vou ter que mudar para uma mulher simpática, sensível e boa companheira (uma feia e gorda).


Fig.2 - Vejam esta fotografia da minha futura amante.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 22 de junho de 2012

As saidas do Euro aproximam-se e serão em conjunto

Enquanto as previsões das eleições na Grécia a pender para os do Loucã, a saída do Euro parecia iminente. Agora que ganharam os do Passos, a coisa acalmou mas as questões económicas de base não ficaram resolvidas pelo que a saída da Grécia da Zona Euro é inevitável.
Como a saída de um país põe em causa a capacidade dos outros países em dificuldade, principalmente a Espanha e a Itália pela sua dimensão, manterem o princípio de que a entrada na Zona Euro é irreversível, então, está a ser desenhado / negociado um plano para a saída conjunta de todos os países em dificuldades da dívida soberana, os PIIGS.
Apenas a Irlanda, pela sua pequena dimensão, poderá ficar.

Fig. 1 - As feias tapam a cara com a bandeira e as gordas apagam a luz. A crise e o amor à pátria são tamanhos que vão gordas, magras, altas, baixas, comunas, fascistas. Marcha tudo.
Como é o plano?
A saída será negociada e anunciada com tempo
Apesar de um país poder sair unilateralmente da noite para o dia, como a União Europeia é um espaço civilizado, de diálogo, concertação e solidário, as saídas vão ser negociadas e enquadradas num plano de auxilio financeiro que permitirá uma transição suave.
Se assim não fosse pensado, não estavam a emprestar 78 mil milhões de euros a Portugal a uma taxa de juro muito abaixo da taxa de juro de mercado nem tinham emprestado a um país em bancarrota como é a Grécia.
Por isso, contrariamente ao que dizem os "pensadores" que replicam o que já aconteceu no passado (copiando a dissolução da Checoslováquia e o fim da URSS), as saídas serão anunciadas com tempo não havendo perdas das poupanças, rotura do sistema bancário ou fecho das fronteiras.
Não será nada dramático e nem vamos sentir um impacto maior que o vivido em austeridade (que irá continuar).

Fig. 2 - A Zona Euro parece um beco sem saida mas tudo tem solução.

1) O fundo de gestão da dívida - Eurobonds
A informação que vai surgindo é que vai ser criado um instrumento financeiro que vai absorver a parte da dívida acima de 60% do PIB dos países intervencionados.
A dívida vai ser garantida conjuntamente pelos países da União Europeia (e não só da Zona Euro).
Este fundo não vai ser aberto ao mercado. Os credores passam a proporção da sua dívida que está acima de 60% do PIB compulsivamente para o fundo. Por exemplo, como Portugal deve 120% do PIB então, um credor de 150.000€, passa 75.000€ para o fundo e os restantes 75.000€ continuam dívida do Estado Português.
Vai ser criado um imposto sobre todos os países da União Europeia para pagar os juros anuais dos créditos passados para o fundo.
A taxa de juro será a das obrigações alemãs a 30 anos
O valor nominal da dívida será paga daqui a 50 anos pelo país devedor. Para uma taxa de inflação de 2%/ano e um crescimento do PIB idêntico, 60% do PIB de 2012 vão corresponder a 8.3% do PIB de 2062.
Prevê-se que a Itália e Espanha continuem a refinanciar a parte remanescente da sua dívida pública no mercado e que Portugal, Grécia e Irlanda evoluam rapidamente nesse sentido. 

2) O comprometimento do país e a retaliação.
Os países intervencionados garantem o equilíbrio das contas públicas e das contas externas num determinado prazo.
Haverá financiamento e monitorização do endividamento do Estado e do sistema bancário.
Se não forem cumpridas as obrigações, o país sofrerá retaliação que poderão passar pela expulsão da União Europeia.
Também os investidores, sabendo que os países têm risco, vão ter maiores cautelas não permitindo o endividamento fácil dos Estados.
Mesmo no caso da expulsão de um país, o fundo continuará a pagar a dívida assumida perdendo-se apenas o pagamento final.

3) Os PIIGS sairão conjuntamente da Zona Euro em 01/01/2013.
Não é possível criar um Euro2 para os PIIGS porque estes países não têm ligações económicas entre si. Apesar de em termos económicos ser possível a união Portugal/Espanha e a união Itália/Grécia, em termos políticos não é viável. Então, cada país voltará à moeda que tinham antes do Euro.
A) Nos primeiros 6 meses, o câmbio será fixo ao Euro.
B) As pessoas serão livres de manter os depósitos bancários e as dívidas em Euros.
C) Haverá uma taxa de juro para os Euros e outra para a moeda local.
D) Posteriormente, haverá uma desvalorização continuada ao longo de 3 anos da moeda local.
E) No final da transição, as novas moedas passam a câmbios flexíveis como actualmente acontece com as moedas de todos os países da União Europeia que não estão na Zona Euro (o ERM II).

A França é o principal entrave à resolução dos problemas da Zona Euro.
A França quer ser a cabeça dos desgraçados mas que seja a Alemanha a pagar as dívidas desses falidos.
O Holland nunca falou em garantir as dívidas públicas dos PIIGS. Fala em Euro Bonds mas garantidas pela Alemanha.
A França poderia criar o Euro2, sair do Euro e formar uma zona monetária em bloco com os PIIGS que faria frente ao Euro.

No BCE2 poderia haver todo o que defende o Holland e demais comunas.
Haveria solidariedade, um banco central flexivel, uma inflação elevada, EuroBonds e mulheres boas.
Pensando bem, a Merkel pode não ser muito bonita mas é melhor que a Lagarde.
Mas aí os franceses usam o principio do "agarrai-me senão faço-me forte e o gajo dá cabo de mim". É que seria a França a pagar a dívida dos PIIGS.
E a demagogia do Holland é grande mas não dá para isso.
Os franceses elegeram um fulado que prometeu descer a idade de reforma porque antecipam que a Alemanha vai pagar.
Mas não querem usar o mesmo princípio relativamente aos outros poqrque serão eles a pagar.

Fig. 4 - Parecem burros mas não são.
Eu antecipo que a França vai ceder
E que dentro e dias este plano seja anunciado.
O facto de o Berlusconni já ter defendido que a Itália deve sair da Zona Euro, é indiciador que a coisa está quase pronta.

Finalmente.
Já não me lembro quem disse que eu estava muito tenso num poste que escrevi.
Pudera. É que só agora dei conta que as maluqueiras do Sócrates me cortou mesmo o subsídio de férias.E para pior, estes insistem nos mesmos erros mas a duplicar.
São mais eólicas mas agora no mar e não fazem nada.
Vou só recordar que quando o Passos tomou posse disse que "dentro de um mês os Estaleiros Navais de Viana do Castelo estão resolvidos". Já passou mais de um ano e ainda não fizeram NADA.
Os comboios continuam SEMPRE EM GREVE.
E o défice a aumentar quer dizer que veêm ai mais medidas de corte.
Fiquei e continuo danado. Até deito fumo pelas orelhas. Grito, chamo-lhe todos os nomes que me veêm à memória e mais dois ou três que invento.

Fig. 5 - Estou á beira de um ataque de nervos.
Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A covardia do António Borges

Na Grécia ganhou um qualquer que diz ser a favor da permanência na Zona Euro e logo vieram pessoas dizer que estávamos safos.
Mas não.
Continuamos condenados a sair do Euro porque os gregos e os nossos governantes não sabem governar um país com câmbios fixos.
Quando se tem moeda própria, a balança corrente deficitária ajusta pela desvalorização da moeda enquanto que em câmbios fixos, como é o caso dos países da Zona Euro, a BC deficitária ajusta pela descida dos salários (e vice versa). 
Isto não tem nada de ideológico nem político. É a forma como funciona a economia.


Fig. 1 - Eu explicava-vos porque os salários têm que descer, se vocês não fossem tão burros. O que me interessa é o tacho. Haaaa, tomai lá.

O câmbio altera-se muito rapidamente.
É normal haver, de um ano para o outro, uma alteração da cotação de uma moeda na ordem dos 20%. Então, estando a economia desequilibrada, a alteração da taxa de cambio muda rapidamente os preços relativos entre os bens produzidos no país e no exterior o que equilibra rapidamente a economia.

Qual é a diferença entre uma desvalorização e uma descida dos salários?
Ao haver uma desvalorização, o poder de compra dos salários reduz-se.
Assim, a prazo uma desvalorização é exactamente igual a uma descida dos salários mas existem diferenças no curto prazo por causa dos mecanismos de transmissão entre os preços e os salários.

Se a moeda desvaloriza 20%, como os bens importados são 30% da economia então, no imediato os preços internos vão aumentar 6%. Desta forma, vistos do exterior, os preços descem instantaneamente 14% e o  poder de compra dos salários diminui instantaneamente 6%.

Se os salários descem 20%, no imediato o poder de compra dos trabalhadores vai diminuir 20% porque os preços mantêm-se. Está aqui a grande diferença. A prazo os preços internos vão descer 14% pelo que o poder de compra dos salários só vai diminuir 6%, tal qual como na desvalorização da moeda, mas demora uns meses a acontecer um ajustamento dos preços.

Desta forma, desvalorizar a moeda 20% ou descer os salários 20% é igual e leva à diminuição do salário real em apenas 6% mas, nos meses iniciais, a descida dos salários tem mais impacto negativo na vida das pessoas e menos impacto no equilíbrio da economia.

Mas os nosso governantes e o novo povo são muito burros.
E não aceitam esta equivalência.
Também metem o Miguel Sousa Tavares como grande comentador de economia. Outro é o "professor". Que é que aquele homem percebe de economia?
São fulanos que de economia percebem tanto como eu percebo de mulheres, menos que nada.
Nada, é zero, mas eu sei coisas erradas. É como os ditos cujo. Percebem muito de economia, da errada.
Mas ganham uma boa maquia como comentadores.
Afinal eu é que sou o burro que não ganho nada (como comentador).
Se os governantes não conseguem convencer o povo desta equivalência, Portugal não pode continuar na Zona Euro.

Será a nossa situação e dos demais PIIGS desesperada?
Os anunciadores da desgraça dizem que se alguém sair da Zona Euro, a sua nova moeda vai desvalorizar 50%.
Isso é completamente falso não tendo qualquer fundamento.
Eu sei que aqueles que me ganharam lá naquele prémio defendem isso mas são uns ignorantes totais. Afirmo-o sem reserva.
Desde a fundação do Euro, a Alemanha manteve a evolução dos custos nominais horários do trabalho nos 2.2%/ano, muito próximo da taxa de inflação.
Nesse período os PIIGS, com a Grécia à cabeça, aumentamos os custos do trabalho o que aumentou os preços e levou à perda de competitividade das empresas.

Fig. 1 - Evolução dos custos horários do trabalho relativamente à Alemanha (Dados: Eurostat)

Agora, Portugal tem que descer os custos do trabalho em 15%.
Não é nada do outro mundo.
Já diminuiu 5% mas ainda é preciso cortar os subsídios de férias e de Natal como aplicado à função pública a toda a gente e aumentar o horário de trabalho em 0.5h/dia.
Não é nada que não se aguente. É muito melhor que ter uma taxa de desemprego de 15.2% e explosiva.
Mas a perda do rendimento vai ser muito menor que 15% porque os preços vão diminuir 10%.

A Grécia, a Irlanda e a Itália têm que descer 20%.
A Irlanda e a Grécia já reduziram os custos do trabalho em 10% relativamente a 2008 mas ainda têm que descer mais 20%. Como a descida na Irlanda foi facilitada pelo governo, o impacto social foi muito menor que na Grécia.

A Espanha tem que descer 30%.
É um trabalho muito mais difícil porque o governo espanhol tem assobiado para o ar e teimado em não fazer nada que facilite o ajustamento do mercado de trabalho.
Está preso à convicção que os salários não podem descer.

A treta do "crescer e criar emprego".
É como estar a afogar e, em vez de gritar para que lhe atirem uma bóia, teimar em dizer que está tudo bem e que tem que aprender a nadar.

Porque será bom o governo facilitar as descidas dos salários?
Os salários vão descer na mesma mas o trabalhador vai passar por um período de desemprego.
Ganha hoje 1000, vai para o desemprego e depois fica a ganhar 700.
Se a empresa não pode ajustar o salário, vai despedir o trabalhador ou falir porque não consegue gerar receita que permita pagar o salário.
Para uma descida de 5% temos uma taxa de desemprego de 15.2%.
Esperar que o mercado de trabalho ajuste por si, vai levar a taxa de desemprego para os 20% durante uns anos.

Dizem que os nossos empresários são maus.
É verdade porque as pessoas inteligentes, como o Louçã e eu, são funcionários públicos.
Há milhares de empresários que não tiram 1€/h de trabalho. E vivem cheios de preocupações. É melhor ser funcionário público.
Temos maus empresários, maus políticos, maus funcionário públicos, maus alunos, maus professores, maus de tudo.
Mas em Marrocos ou na Guiné-Bissau ainda há piores.

Quando a empresa abre falência, perde-se capital.
O trabalhador perde competências, as máquinas ficam sem uso, a carteira de clientes perde-se, há uma grande perda económica. Por isso é que a Irlanda está a ajustar a sua economia sem sobressaltos de maior. 

O António Borges deveria explicar porque os salários têm que descer.Mas é um covarde que pensa que o povo português é tão burro que não vale a pena o aborrecimento de explicar que tem que ser.
"Ai não, eu não disse isso, eu disse é que tenho um tacho qualquer no qual ganho umas pequenas maquias que dão para a despesa do golf e falou-se em cortar-me essa maquia".
"Eu quere continuar a mamar e por isso desdigo o que disse. Força, aumentem os salários a começar pelo meu."
"E façam eólicas e essas merdas que o povo burro gosta"
"Ai não, eu não disser isso."
"Disse que são essa inovações tecnológicas que nos vão colocar na vanguarda do Mundo como os navegadores que deram a conhecer novos mundos ao Mundo".

Será que vamos ficar com salários ao nível dos chineses?Não. Em média, um português ganha o triplo de um chinês e, descendo 15%, ainda ficamos muito acima.
Não é descer 50%, é apenas 15%.
É alguém capaz de me dizer de onde esses iluminados tiram esse número de 50%?
De que cartola?

Na emergência actual o governo tem que actuar para induzir uma descida rápida dos custos do trabalho.1 - Cobra como TSU excepcional aos trabalhadores sobre os subsídios de férias e de Natal como o corte aplicado aos funcionários públicos;
2- Com esse dinheiro, desce a TSU do empregador dos salários inferiores a 1200€, mais nos salários mais baixos, de forma a descer os salários em 15%.

A prazo, o código do trabalho tem que incluir mecanismos para o ajustamento dos salários.

O Borges, o Catroga, o Mexia e toda a cambada só querem um tachinho.

Pedro Cosme Costa Vieira

As eólicas no mar são a continuação da loucura do Sócrates

Portugal é um autentico manicómio.
O Sócrates e o Guterres carregaram o país com SCUTS, eólicas, co-geração, metros de superfície, escolas e outras loucuras. Os encargos dessas loucuras traduzem-se na nossa factura da electricidade, Portugal nas SCUTS, e austeridade que nos estão a asfixiar.
Agora é a loucura das eólicas no Mar.
Isto é uma loucura total mas lá estava o Azheilmado Cavaco e o Mexia a dizer que "vamos aproveitar o vento que não custa nada".
Cada vez mais acredito que, daqui a nada, o Sócrates volta e ganha as eleições porque vivemos num autentico manicómio.



Vejamos as contas.
O vento não custa nada. Certo.
Mas a torre custou 23 milhões de euros.
23 000 000 €.
Tem uma potencia nominal de 2Mw.
Os dados dizem que, em média, existe vento para produzir entre 30% e 40% deste valor nominal.
Para uma taxa de juro de 10%/ano (é a taxa de juro de longo prazo da dívida pública portuguesa) e uma amortização em 20 anos, o custo financeiro da produção será entre

Custo financeiro = 0.320€/kwh e 0.425€/kwh
A que acrescem os custos de manutenção e distribuição.
Recordo que a Espanha nos vende electricidade a um preço na ordem dos 0.05€/kwh e que actualmente pagamos cerca de 0.15€/kwh na nossa casa.
A produção eólica, considerando apenas os custos financeiros, custa 2x e 3x o preço que actualmente pagamos na factura.

Será assim que o governo pretende tornar-nos um país rico?
O povinho aceita mais uma vez que estas loucuras nos vão salvar.
E depois vão berrar que não querem pagar.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Poderá a Grécia ficar na Zona Euro sem Euros?

A Zona Euro enquanto zona monetária, não está em crise.
Afirmo com convicção que a ZE é a mais bem governada zona monetária de todos os tempos. A taxa inflação está nos 2%/ano e a sua variabilidade é metade da americana.
Então, a crise que vivemos não é monetária (grande inflação, balança corrente desequilibrada) mas económica em que há a insolvência de muitos agentes económicos.
Se os insolventes estivessem regularmente espalhados por toda a ZE, nem se falava do assunto.
O problema é que os insolventes estão concentrados nos povos do SUL, os PIIGS,  e os diferentes povos que formam a ZE são diferentes em termos de rigor orçamental.

Para compreendermos uma Zona monetária é preciso voltar atrás.
Como os últimos comentários têm mostrado haver uma confusão entre moeda e crédito, sistema monetário e economia, pedia aos estimados seguidores que voltassem a ler os postes sobre o Condado da Negralhada 1 , 2 , 3 , 4.

O Gonçalo resumiu num comentário de enorme clareza como se liga o sistema monetário à economia.
As notas não são valor pois este apenas está nas cenouras que o lavrador produz.
O valor facial das notas, M, será igual à quantidade de cenouras, C, vezes o seu preço, P, vezes a velocidade de circulação da moeda, V.
     M = V. C. P
Se o BCE emitir mais notas, como as cenouras continuam as mesmas, apenas se observa um aumento do preço das cenouras.

Também é digno de nota o Gonçalo, mesmo tendo clareza de pensamento, duvidar do seu raciocínio enquanto os esquerdistas, vivendo na completa ignorância, se arrogam donos da verdade.
É importante rever a necessidade de existência de activos (contrapartida real) para garantir os depósitos bancários (rever, a contabilidade do cantineiro).

A governação da Zona Euro é perfeita.
A moeda tem que garantir a estabilidade dos preços (os fundadores decidiram que a ZE deveria ter uma inflação de 2%/ano) e o equilíbrio da Balança Corrente (o saldo com o exterior igual a 0).
O Governador do BCE mede estas duas variáveis e tem instrumentos de política para encaminhar os valores observados para os pretendidos.

Não é como o Alzheimado Cavaco diz
que "não se pode escrever na constituição o valor do défice nem da dívida pública porque isso não depende do governo".
Isso é mentira.
É intrujice.
É dizer o que o povinho ignorante quer ouvir.
É demagogia da mais rasca.
Não depende o valor em cada momento mas o governo tem instrumentos de política para encaminhar o valor observado em cada momento para o valor que se pretende.
É como a velocidade do nosso carro que depende de a estrada ser a subir (o carro acelera) ou a descer (o carro desacelera).
Nós queremos ir a 90km/h. então, se entramos numa descida em que o carro ultrapassa os 90k/h, aliviamos o pé do acelerador e, em caso de necessidade, travamos. Se aparecer uma subida e o carro diminuir a velocidade, carregamos mais no acelerador.

Para diminuir (aumentar) a inflação, o BCE baixa (aumenta) a taxa de cedência de liquidez. É a famosa "Taxa de Desconto do BCE" que está em 1%/ano. Para compreender este ponto, ver este poste.
Podemos ver que a meta da taxa de inflação na ZE é cumprida na perfeição (a média está muito próxima dos 2%/ano e a variabilidade está nos 1pp, ver Fig. 1) enquanto que a dos USA tem problemas (tem estado sistematicamente acima dos 2%/ano e com uma variabilidade de 2pp, ver, Fig. 2).
  
Fig. 1 - Evolução da taxa de inflação da Zona Euro (1995:1-2012:5, BCE)
  
Fig.2 - Evolução da taxa de inflação dos USA (1995:1-2012:5, BLS)

Para diminuir (aumentar) o saldo da Balança corrente, o BCE valoriza (desvaloriza) a taxa de câmbio do Euro. Este mecanismo é mais complexo mas passa também pela taxa de desconto (uma taxa de desconto maior, valoriza o Euro) e pela compra de euros e venda de dólares (vender dólares valoriza o Euro).
Nos últimos 10 anos, o BCE tem conseguido manter, no médio prazo, os desequilíbrios da BC abaixo de +-0.5% do PIB.

Fig. 3 - Evolução da Balança Corrente da Zona Euro (1999:1-2012:1, BCE)

A ZE é estável porque o BCE não depende de um Estado. 
Como o BCE tem um mandato que não depende de nenhum governo em particular (só é possível alterar os estatutos do BCE com a unanimidade dos Estados membros da ZE, o que nunca será conseguido), é muito mais estável que qualquer zona monetária dependente de apenas um Estado.
 
Qualquer país pode pertencer à Zona Euro.
Qualquer estado pode decidir de forma unilateral passar a pertencer à Zona Euro. Se, por exemplo, a Mongolia decidir que no seu país a moeda passa a ser o Euro, ninguém se pode opor a isso.
A único problema é que não recebe os lucros que resultam da emissão de moeda pelo BCE (cerca de 0.5% do PIB do país).


1 - A Grécia rasga o memorando de entendimento.
A Grécia só sai da Zona Euro se quiser e, actualmente, não quer sair. Então é preciso simular o que vai acontecer ao sistema monetário grego depois de o governo rasgar o memorando de entendimento.

2- Os bancos gregos deixam de poder usar os títulos de dívida pública grega como garantia.
O BCE já não deveria aceitar a divida grega desde que foi classificada como especulativa ("lixo"). A recusa tem que ser total pois, caso contrário, a Grécia emitirá milhares de milhões de euros de dívida pois não a pretende pagar.
Vamos supor que o BCE aceita as obrigações com a taxa de juro actual de 30%/ano e que a Grécia precisa de 10MM€. Então emite 1380MM€ de dívida.
Se a taxa de juro passar para 90%/ano, a Grécia emite 61300MM€, várias vezes o PIB total da Zona Euro mas eles estão-se borrifando pois não é para pagar.
A Zona Rublo explodiu porque a Ucrânia fez isso contra a Rússia.

3 - Os bancos gregos deixam de poder fazer transferencias para o exterior.
Quando um grego transfere 1000€ da sua conta no Millenium BCP Grécia  para o Millenium BCP Portugal,  tem que haver uma contrapartida para esse movimento contabilístico.
O banco grego tem que ter activos no exterior que possa transferir para o BCP Portugal de forma a que o daqui possa, posteriormente, pagar ao depositante grego. Se essa contrapartida não acontecer, o BCP Portugal fica insolvente (fica sem activos para pagar aos depositantes).
Seria como transferir água de uma barragem para outra em que a barragem original está seca.
É o milagre do Santo Louçã.

Será que isto é o fim do movimento de capitais?
Pela parte da Zona Euro, não.
Apenas os agentes económicos não terão o que tranferir.
Quem tiver activos no exterior e os quiser mover para a Grécia, é livre de o fazer.
E quem tiver activos na Grécia e os quiser mover para o exterior, também continua livre de o fazer.
Como o risco da Grécia é muito grande (actualmente, 30%/ano), ninguém vai querer transferir dinheiro para dentro da Grécia e não haverá activos para transferir os saldos bancários para o exterior.
Fica tudo congelado.

4 - As notas de euros vão para o bolso das pessoas.
Como as notas de euros têm valor em qualquer parte do Mundo, as pessoas vão levantar todas as notas que existam nos bancos.
É a corrida aos bancos. Nos últimos tempos os Gregos levantaram 1000M€ por dia.
Como existe uma quantidade muito pequena de notas (abaixo dos 15MM€), isto não dura uma semana.
O governo Grego pode proibir a expatriação de notas mas isso não terá qualquer efeito porque os gregos não vão querer expatriar as notas porque já têm poucas. Vão usa-las no dia a dia para fazer compreas imprescindíveis.

5 - Haverá transferências internas entre bancos gregos.
Os pagamentos passarão a ser possíveis com transferências bancárias dentro de cada banco.
Apesar de os bancos gregos não terem activos, é possível o cliente A com saldo no banco XPTO transferir 100€ para a conta do cliente B também do banco XPTO.
Não será possível fazer transferências entre bancos diferentes gregos porque a solvabilidade de cada um é diferente.
Não haverá possibilidade de comprar bens importados (e.g., gasolina) com transferências.

6 - Aparecerá um mercado de câmbio "Virtuais" / Euros.
Como os saldos bancários deixam de ser convertíveis em notas, passam a ser virtuais. Então, vão começar a ser transaccionados por notas de euro a um cambio que depende do comportamento do governo.
As pessoas atribuirão um cambio diferente aos virtuais de cada banco em função da sua situação económica.
O governo vai injectar "euros virtuais" no sistema para financiar o défice público que está nos 9.1% do PIB, obrigando os bancos a fazer pagamento recebendo como contrapartida títulos da dívida pública (sem meter lá os euros) que não valem nada.
Então, o câmbio dos Virtuais vem por aí abaixo.

Esse câmbio vai ser usado nas vendas de bens e serviços.
Eu estive na minha vida 12 horas em Maputo e nessa altura 1 Rand cambiava-se no banco por 1 Metical. No mercado, as mulheres faziam o câmbio de 1 Rand para 500 Metical. 
Na Grécia vai ser igual. Por exemplo, uma despesa no supermercado se for paga com uma transferência custará 30000€. Se for paga em dinheiro vivo, terá um desconto de 99.9%,  30€ (para um câmbio de 1000 "virtuais" para 1 Euro).
Com uma inflação de 100%/semana, quem tem actualmente 100000€ no banco (o tal valor garantido pelo estado grego), daqui a um mês manterá o saldo de 100000€ virtuais mas que se trocarão no supermercado por compras que valem 5000€ em notas. Daqui a três meses já só darão para compras no valor de 11.61€.

O povo vai tentar stockar tudo o que existe.
Vão meter gasolina em garrafões, esvaziar todo que é prateleira.
O governo vai ter que criar racionamento.

7 - Os salários vão desaparecer.
Na Ucrânia em 1990, o salário dos funcionários públicos desceu abaixo de 5 dólares por mês.
Em moeda virtual, os salários aumentaram, mas os saldos deixaram de ser aceites nas lojas.
Na Grécia vai acontecer o mesmo. Como o Estado não tem como financiar o défice, a desvalorização dos virtuais será tão rápida e violenta que, na prática, os trabalhadores deixarão de receber salário.
O salário é o mesmo ou maior mas estará preso em contas bancárias de banco completamente afogados em títulos de dívida grega que não valerão absolutamente nada.

8 - O Estado vai corrigir o défice rapidamente.
Porque ninguém vai querer fazer fornecimentos ou trabalhar para o Estado.
Como os pagamentos serão em Virtuais que não valem nada, os próprios funcionários públicos que os comunas vão contratar à força toda para combater o desemprego, vão deixar de aparecer ao local de "trabalho".
Não valerá a pena pagar transporte para, no fim do mês, o salário não dar para comprar nada.
Os médicos deixarão de aparecer nos hospitais, os lixeiros ficarão em casa.
Vai parar tudo como acontece na Guiné-Bissau em que os funcionários públicos não recebem desde o golpe de estado.
O que os comunas não querem fazer (cortar na despesa), vai acontecer de forma muito mais violenta mas voluntária pois as pessoas não vão querer vender ao Estado em troca de Virtuais.

9 - Os preços e salários em Euros-Notas vão diminuir.
Que é o que os comunas dizem nunca fazer.
Se tudo correr pelo melhor, os preços em Euros vão cair 40% e os salários 50%.
Se hoje um grego enche o deposito de gasolina trabalhando 1 dias, depois precisará de 2 dias.
E aí a economia vai ajustar, à bruta.

E, tecnicamente, a Grécia já saiu do Euro.
Sim e a nova moeda grega é o Virtual.
Um dia, os bancos vão começar a emitir "cheques ao portador com valor nominal fixo", CPVNF, para serem usados nos locais onde não há multibanco.
Haverá CPVNF de 1M de Vs, de 2M de Vs, de 5M de Vs e por aí fora.
Cada banco emitirá a sua moeda e, a prazo, haverá uma moeda que passará a ser a mais utilizada em concorrência com as notas de Euro.
O governo e o povo continuará a dizer que está na Zona Euro mas já terão uma nova moeda para usar no dia a dia.

Fig. 4 - Venha conhecer, em termos bíblicos, a beleza grega a preço de saldo.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Um ano depois, o resgate dos bancos

Começaram os resgates nos bancos Irlandeses
Depois foram os Gregos, os portugueses e agora são os espanhois.
Tudo isto são o "sarcoma de karposi" do descomando que tomou conta das nossas economias porque a taxa de juro desceu para o nível da taxa de juro alemã.
Antes do processo de convergência para o Euro, os agentes económicos internacionais pensaram que estes países se iam tornar sérios tendo descido a taxa de juro dos 11%/ano para os 4%/ano.
Nós endividamo-nos à farta e, agora que descobriram que era tudo falso, as taxas de juro voltaram a esse patamar para não voltarem mais aos 4%/ano.
Não é por acaso que a média das taxas de juro da dívida pública portuguesas a 10 anos foi no período 1993:1995 de 10.7%/ano e nos últimos 15 meses (2011:1-2013:3) foi de 10.9%/ano.

É o retornar à tendência de longo prazo.
Nem daqui a 10 anos, a correr tudo bem, teremos em Portugal taxas de juro consistentemente abaixo dos 10%/ano.
E o povo tem que saber que isso terá um impacto terrível no nosso nível de vida porque agora estamos muito endividados face ao exterior.

 Fig.1- Evolução das taxas de juro, 10Y, dívida pública, 1993-2012 (dados: BCE, pp)

Apresento o exemplo da França para as pessoas não ficarem com a ideia, como os comunas e berloquistas querem transmitir, de que só as taxas de juro da Alemanha é que desceram.
Todos os países viram as suas taxas de juro descer mas alguns, onde nos incluímos, defraudaram as expectativas e retornaram às taxas de juro anteriores à entrada na Zona Euro.
Claro que toda a gente quer dizer que Portugal, a Espanha e a Itália estamos no mesmo barco, mas ainda há diferenças substanciais (ver, Fig. 1)
A Espanha e a Itália ainda estão muito longe desses valores pelo que, olhando apenas para as taxas de juro, não podemos falar de uma crise verdadeiramente grave.

Os bancos são intermediários entre os aforradores e os investidores/gastadores.
Quem intermediou o dinheiro dos aforradores dos países do norte para os caloteiros dos países do Sul foi a banca.
Imaginemos que existem 1000 aforradores e que cada um deposita 1000€ nos bancos. Se a taxa de juro for de 3%/ano então, os depositantes vão receber 1030€ ao fim de um ano.
Imaginemos que o banco empresta os 1000€ a 1000 investidores em que 5% deles vai à falência (não pagando a dívida). Então, o banco tem que cobrar 8.42%/ano de juros para, no fim do ano, ter dinheiro suficiente para devolver o dinheiro dos depositantes.

Os bancos também são seguradores do crédito.
Se o negócio bancário fosse apenas a intermediação do crédito, seria um negócio fácil.
Sabendo o total de depósitos, D, e o diferencial entre a taxa de juro passiva, p (que pagam aos depositantes) e a taxa de juro activa, a (que recebem dos devedores), calculavam o lucro:

    Lucro do banco = D.(a - p) - despesas administrativas

O problema é que os bancos também intermedeiam riscos (os aforradores querem risco zero e cada devedor têm um risco próprio de não pagar) que é desconhecido porque apenas se vai concretizar no futuro (como um seguro de vida). Então, o lucro actual vai depender do que o contabilista pensa ser o risco dos clientes, r, dado como a percentagem de devedores que não vai pagar

    Lucro do banco = D.(ap - r) - despesas administrativas

Se houver um defeito no calculo do risco (o contabilista for optimista), o banco parece que dá lucro mas, feitas as contas no fim, dá prejuízo.
Neste caso em que a taxa de juro activa não incluiu um spread suficiente para compensar das pessoas que não pagam, os bancos ficam sem activos para devolver o dinheiro dos depositantes.

É isso que está a acontecer em Portugal.
Os bancos pensaram que o crédito para compra de habitação com hipoteca e o crédito às empresas públicas, autarquias e Estado não tinham risco pelo que fizeram contratos de longo prazo com spreads exageradamente baixos.
Como o erro de avaliação do risco se traduz num subsídio aos devedores, verificado este erro, o Estado te a obrigação, por via legislativa, de corrigir este problema.
Ao tomar os devedores como coitadinhos e sabido que os depositantes não podem perder o seu dinheiro,  não resta outra solução que não seja o Estado cobrir o diferencial.
Como o dinheiro não cai do Céu, mais cedo ou mais tarde, essa injecção de capital vai-se traduzir em mais austeridade e mais impostos.

O que deveria o Estado fazer?
Deveria permitir que os Bancos cobrassem aos clientes a taxa de juro que equilibra o sistema.
Por exemplo, devia-se utilizar o sistema dos USA (de que os esquerdistas aplaudem por pensarem que o Obama impôs ao FED uma politica monetária expacionista) em que os contratos os contratos estão indexados à Dívida Pública Americana a 10 Anos.
Se tal estratégia fosse utilizada em cada país da Zona euro, não haveria necessidade de os Estados resgatar os bancos.
Mas esta re-indexação está parcialmente prevista na recapitalização.
O plano de recapitalização da banca pressupõe que os bancos vão pagar uma taxa de juro de 8.50%/ano e que "os créditos à  economia concedidos pela banca terão esta taxa de juro como referência de forma a que esses créditos não têm impacto negativo na rentabilidade do sistema bancário".
Assim, está implícita uma indexação a uma taxa muito diferente da EURIBOR mas apenas para os novos contratos.
Como o risco das pequenas e médias empresas anda na ordem dos 5%/ano então, nos créditos previstos no acordo de resgate da banca

As taxas de juro dos créditos a conceder às P.M.Es serão próximas dos 15%/ano.
Haverá alguma PME que consiga rentabilidades desta ordem de grandeza?
Haverá algum banco português que consiga pagar 8.5%/ano do dinheiro que o Estado lá vai injectar?
Só se for a vender droga ou tabaco de contrabando.

Como o sistema bancário chegou à situação actual?
Os esquerdistas vão pelo caminho mais fácil: foi a ganancia dos banqueiros.
Eu investiguei trabalhos científicos, pensei muito sobre o assunto e cheguei a uma conclusão algo estranha:

A culpa foi de o mercado bancário se ter tornado concorrêncial.
O monopólio, no geral, é mau para a sociedade porque o monopolista cobra um preço muito elevado e não tem incentivos a melhorar os seus produtos. Com a abertura de um mercado à concorrência, observa-se a diminuição do preço e a melhoria da qualidade dos produtos.
Todos nós observamos isso, por exemplo, nos telefones. Depois das décadas do marasmo do monopólio da PT, o aparecimento dos outros operadores reduziu o preços a quase zero.
Mas no caso do mercado bancário, a "descida do preço" traduziu-se em baixar os critérios de avaliação do risco dos clientes.
Assim compreende-se que a CGD, uma instituição bancária que durante anos foi o exemplo da gestão cautelosa, tivesse engolido o negócio da compra do BCP pelo Berardo sem pedir garantias.
Agora tem um calote de 1 000 000 000€ para digerir.
Quando é que este calote aparece nas contas da CGD?
Talvez quando se souber quanto é o calote do BPN: nunca.

O número de bancos aumentou e o mercado reduziu.
Antes de entrarmos na Zona Euro, a poupança em euros constantes dos portugueses aumentava 4%/ano.
Isto traduzia-se num negócio bancário em expansão que acomodava a existência de mais bancos e mais balcões.
O problema é que, após a nossa entrada na Zona Euro, a poupança em Euros começou a diminuir rapidamente (-3.0%/ano).
Também não ajuda nada terem dado cabo dos Certificados de Aforro e terem aumentado a tributação dos juros para 25%. Estão mesmo a dizer que não interessa que o povo poupe. O que o Estado quer é que a Festa Continue.
Assim, uma sistema bancário que estava dimensionado para um mercado em crescimento, tornou-se sobre-dimensionado. Assim, tos balcões viram-se obrigados a aceitar clientes de elevado risco assumindo que os mesmo eram de baixo risco (as tais empresas públicas, empreiteiros sem capital, autarquias e Estados falidos e famílias sem rendimentos para pagar os seus empréstimos).

Fig.2 - Poupança bruta dos portugueses no ano, 1970-2010 (dados: Banco Mundial, € constantes)

E agora? Vejamos o exemplo da recapitalização do BCP.
No nossos sistema bancário está-se a passar a maior fraude contabilistica de que há memoria.
Por um lado, os bancos apresentam lucros mas, por outro lado, o capital diminui.
Em 31 de Março de 2011 o BCP reportava um capital de 7207M€ que correspondiam a 7207 M.acções com um valor nominal de 1€.
Em 31 de Março de 2012 o BCP reporta um capital de 4560M€, 0.633€/acção.

Em 2011, o BCP teve um prejuízo de 2647 M€.
A minha sabedoria diz que, exceptuando as entregas aos sócios (dividendos ou reduções de capital), as reduções no capital próprio resultam apenas e tão só de prejuízos.
E está nas conta de balanço do BCP que o capital reduziu 2547M€ entre 31/3/2011 e 31/3/2012.
Claro que eu é que percebo pouco de contabilidade pois o BCP refere um lucro de 41milhões€.
Os avaliadores de mercado dizem que o BCP só vale 640M€, 0.089€/acção.
Vamos supor que em 2000 o Vítor Baía tinha 10M€ em acções do BCP que lhe permitia gastar 16670€/mês durante os próximos 50 anos. Agora já só pode gastar 270€/mês. Naturalmente que aquela mulheraça o deixou e não se convence da falência.
Imagine quantas pessoas viviam bem das aplicações financeiras em empresas sólidas e que agora estão na miséria.

Fig. 3 - Cotação do BCP, 2000-2011 (dados: bolsapt, € constantes)

O Estado vai começar por "tomar firme" 12500M.acções (500M€ a 0.04€/acção) do BCP.
Quer isto dizer que, se os privados não forem ao aumento de capital, o Estado injecta os 500milhões ficando com 63.5% do capital do BCP.
Vamos ser optimistas e acreditar que os privados subscrevem integralmente o aumento de capital.
Depois, o Estado injecta mais 3000M€ em "CoCo - obrigações contingentes" remuneradas à taxa de 8.5%/ano.

O BCP terá que pagar 255M€/ano.
Se neste momento o BCP está a ter prejuízos terríveis, onde vai arranjar estes 255 milhões€/ano?
Se o BCP não conseguir pagar os 3000 M€ até 2017, estas são convertidas em capital à cotação de 0.04€/acção.
Então, mesmo que os privados vão agora ao aumento de capital, como o banco não vai conseguir resgatar estas obrigações, em 2017, o Estado ficará com 79.2% do BCP.
Isto é um desincentivo grande a que os provados metam dinheiro pelo que o Estado vai ficar com
O Estado vai ficar com 92.4% do BCP.
Mas a coisa não vai chegar a 2017.
Por a base usada para calcular as necessidade de capitalização estar sobrevalorizada.
É considerado que o BCP tem 4560M€ de capital quando os especialistas dizem que só tem 640M€.
Então, algures entre agora e 2017, o descobrir dos buracos vai obrigar o Estado meter mais 4000M€ no banco.

O BPI está na mesma situação ou ainda pior.
Também teve uma redução enorme no seu capital sem reportar prejuízos.
O Estado vai injectar de 1500M€  para um valor bolsista na ordem dos 430M€.

E que vai o Estado fazer em 2017?
No final de o Estado injectar os 7500 M€ no BCP num total de 20000M€ se contarmos os outros mais pequenos, o seu valor será zero.
Os 120000M€ do imobiliário à taxa de juro de 2.5%/ano quando deveria estar a 6.5%/ano, traduz perdas total de 40000M€.
Os privados (os accionistas dos bancos) já perderam metade deste valor e agora vai o Estado assumir os outros 20000M€.
Depois, vai haver duas hipóteses.
   H1. Vender estes bancos ao BIC por 40M€ (se em 2017 não tiver também já falido).
   H2. Fundir todos com a CGD e liquidar as operações ficando um balcão em cada sede de concelho.
Eu inclino-me mais para a hipótese 2 porque o negócio bancário português não tem lugar para tantos players.

Ainda o que nos safa são os 50000M€ do LTRO.
A Europa ter emprestado 50000M€ ao nosso sistema bancário a 1%/ano traduz uma transferência a fundo perdido de 5000M€/ano (pois os nossos bancos não se conseguiriam financiar nem a 11%/ano).
São estes 50000M€ a 1%/ano que estão a permitir o Pedro Passos Coelho dizer que estamos a corrigir as nossas contas externas (a balança corrente).
Obrigado Sr.a Merkel por nos mandar essa massa.

Fig. 4 - A miss Merkel, mais nova, era uma braza.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Um ano depois, é urgente baixar os salários

Chegou ao fim o primeiro ano do governo do Pedro Passos Coelho.
Na tomada de posso eu achei que o governo não ia a lado nenhum.
A meio do ano, previ que o governa não chegava ao Natal.
Depois veio o Orçamento de Estado 2012 que implementou muitas das ideias que eu defendo neste blog.
Apenas faltaram dois grandes pormenores:

A) A subida das taxas de juro para os nossos bancos não irem à falência; 

B) A descida dos salários para combater o desemprego.
A teimosia do governo em não actuar nestas variáveis macroeconómicas vão levar o PPC ao fracasso total.
Prevejo que, assim, não se vai aguentar mais um ano.


Fig. 1 - Dizem que eu sou parecido com o Gaspar a ponto de já me terem pedido um autógrafo. Mas eu sou mais bonito.

O que levou o Marcelo Caetano ao fracasso?
Fez quase tudo bem.
Começou por aumentar as liberdades individuais, reduzir a censura e as prisões arbitrárias.
Acelerou a liberalização e a internacionalização da economia portuguesa.
Durante os 6 anos do seu reinado, o nosso PIB cresceu, em média, 8.2%/ano.
Mas bastou não fazer uma coisa, que implicou outra e que o levou ao fracasso total.

Mas não teve coragem para acabar com a Guerra de África e proceder à descolonização.
  -"Quem falar nisso comete um crime contra Portugal. É um traidor à pátria."
  -"Portugal é inviável como país sem África"
  - "Portugal é do Minho a Timor"
  - "Só diz isso quem não conhece o povo português nem percebe nada de geopolítica."
  - "Enquanto houver portugueses, Angola será Portugal".
Mas era Angola ou era Portugal? Faria mais sentido a musica cantar "Enquanto houver portugueses, Portugal será Portugal".

Não acabando a guerra, não podia haver democracia porque nas colónias havia mais pessoas que em Portugal. Se o Soares não cortasse a coisa, o nosso primeiro presidente teria seria o Samora Machel.
A democracia deveria ter avançado nas eleições legislativas de 1973.
Não pode avançar, o Caetano caiu passados uns meses na desgraça total.
E quem perdeu mais foi Portugal.

Agora estamos na mesma com a história dos salários.


Fig. 2 - A irmã do Gaspar é melhor que a irmã do Ronaldo

O povo intelectual de esquerda
e o Cavaco (porque está alzheimado) dizem não compreender como a descida do salário pode resolver os problemas que Portugal enfrenta.
Se não compreendem isto então, não compreendem porque não se aumentam os salários para o dobro.
A conclusão de que reduzir os salários é mau para resolver a crise portuguesa, implica directamente que aumentar os salários vai resolver a dita crise.
Se aumentar 50% não resolver, aumentam-se 100% ou 200% ou 1000%.

Se os salários de toda a gente aumentarem para 50000€/mês,
   => 1) As pessoas vão aumentar o rendimento disponível
   => 2) O consumo aumenta
   => 3) As empresas vão aumentar as vendas
   => 4) Aumenta o IRS e o IVA
   => 5) O PIB aumenta
   => 6) A crise acaba.
O amigo não acredita nisto?
Então acredita que é preciso descer os salário só não sabe porquê.

A relação causal está errada
A) Os salários sobem
=> 1) As empresas ficam com custos de produção mais elevados
=> 2) As empresas não conseguem aumentar o preço porque estão a concorrer com os nossos parceiros da Zona euro que não aumentaram os salários
=> 3.1) As empresas diminuem a produção concentrando-se nas actividades em que têm maior margem despedindo os trabalhadores das actividades menos produtivas.
Lá se vão os 4.a classe e 12.º Novas Oportunidades para o desemprego
=> 3.2) As empresas pretendem manter o nível de actividade ou não têm actividades suficientemente produtivas. Como não conseguem aumentar o preço, têm prejuízo indo à falência.
Lá se vai o resto.

=> 4) Aumenta o desemprego  
Apesar do rendimento das pessoas que continuam a trabalhar aumentar, como há muitas mais que são despedidas

=> 5) O Rendimento das famílias diminui.
Aumento dos salários => Aumento do desemprego => Redução do rendimento disponível
A partir daqui vem o que já tinha antecipado: a tragédia

A descida dos salários funciona de forma simétrica
=> 1) As empresas ficam com custos de produção menores
=> 2) Como o mercado da ZE é muito grande, as empresas baixando o preço vão aumentar mais que proporcionalmente os lucros.
=> 3.1) As empresas aumentam a actividade quer nas actividades mais lucrativas quer contratando  trabalhadores menos produtivos
Os 4.a classe e os jovens arranjam emprego
=> 3.2) Nascem novas empresas.

=> 4) Diminui o desemprego  
Apesar do rendimento das pessoas que continuam a trabalhar diminuir, como há muitas mais que são contratadas

=> 5) O Rendimento das famílias aumenta.
Diminuição dos salários => Diminuição do desemprego => Aumento do rendimento disponível
A partir daqui vem a resolução da crise.

Mas os meus colegas comunas que se armam em grandes sabedores em economia perguntam

E onde pára a descida do salário?
Para quando a taxa de desemprego atingir "Zero".
Em termos técnicos este "Zero desemprego" não aparece nas estatísticas como o número zero sendo uma taxa de desemprego próxima dos 5% da população activa.
A taxa de desemprego a que corresponde o "Zero desemprego" varia de país para país e depende de como as pessoas respondem aos inquéritos "se estão ou não à procura de emprego" e se se inscrevem ou não na Segurança Social.
Se, por exemplo, os inscritos tivessem automaticamente isenção no IMI (os dois membros desempregados corresponder a zero e um desempregado corresponder a 50%), a taxa de desemprego em Portugal ultrapassaria os 25% da Espanha.
Por isso, os 25% de desemprego da Espanha não são maiores que os nossos 16%.

 Mas aí os socialistas, esquerdistas, cavaquistas e outros alzheimado atacam com esta 
Uma senhora gorda foi ao médico, ao dr. Cavaco.
- Sr. doutor, estou mal do castrol, diabetes, gota, pelo que tenho que emagrecer senão morro.

- Minha senhora tem 2 alternativas.
1) Comer menos fazendo o mesmo exercício físico que faz (descer os salários)
2) Fazer mais exercício físico comendo o mesmo (trabalhar mais horas pelo mesmo salário)
- Mas sr. doutor, nenhuma destas me serve porque eu sou esquerdistas.

- Bem, pode experimentar um caminho que os esquerdistas dizem dar resultado
Ficar mais alta (aumentar a produtividade)
- aí sr. dr., vou então ficar mais alta.
Morreu.

Aumentar a produtividade não é uma brincadeira de crianças.
Se fosse fácil, não havia países pobres. Éramos todos como o Luxemburgo e a Suíça.
E mesmo países aumentavam ainda mais o seu nível de vida.
Há alguém que pense que na Guiné-Bissau é uma miséria porque eles gostam?
Pegar de marcha-a-ré ainda há quem goste mas de viver na miséria, nem os que acreditam que é um caminho para ir para o Céu.

Fig.3 - Subir os salários é boa ideia mas é uma ilusão. Não passa de um monte de areia molhada.

Depois vou falar dos bancos, da taxa de juro e da recapitalização.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Estive na Universidade de Aveiro - parte II - a solução

No poste parte I da minha viagem a Aveiro do dia 12 de Março
descrevi as vantagens e desvantagens económicas de termos entrado na Zona Euro e o caminho que nos levou à bancarrota. Neste poste vou referir os desafios que enfrentamos e, em termos de teoria económica, apresentar o que é preciso fazer para nos podermos manter na Zona Euro.
Como eu não acredito que Portugal se consiga manter na Zona Euro, apresento também um procedimento para um país poder sair do Euro sem grandes sobressaltos.
Como diz o povo, há coisas que é melhor antes do que tarde. É o caso da saída do euro que não devemos estar à espera da bancarrota total para iniciarmos os procedimentos para voltarmos ao Escudo.

Portugal tem três problemas muito graves.
A) O défice das contas públicas que se acumulou ao longo dos anos numa dívida publicaa que é maior que 125% do PIB de um ano (considerando as ppp) e que continua a aumentar.

Fig. 1 Défice público português (dados: Eurostat)

B) O défice da balança corrente que se acumulou numa divida externa equivalente a 125% do PIB de um ano e que continua.

Fig.2 - Défice da Balança corrente portuguesa (dados: eurostat)

Estes dois problemas são independentes mas estão ligados por pertencermos ao euro-sistema de cedência de liquidez. Apesar de uma parte substancial dos títulos de dívida pública ter sido adquiria por agentes económicos residentes em Portugal (bancos), estes usaram os títulos como colaterais para se endividarem junto do euro-sistema (outros bancos da Zona Euro e do  Banco Central Europeu).
Agora iniciou-se um programa de ajustamento, a austeridade pública, que pretende corrigir estes dois problemas.

Fig.3 Défice da Balança corrente portuguesa (dados: Banco Mundial)

D) A taxa de desemprego extremamente elevada e em crescimento tendo já ultrapassado os 15% da população activa.
Fig.4 Desempregados em Portugal, milhares (dados: INE)

Agora, o que precisamos fazer?

A Austeridade do Estado.
O Estado Português gasta mais do que recebe: é o défice. Como o povinho gosta de receber massa e não gosta de pagar impostos, os governantes populistas gastam e mandam para calote.
Como desde meados de 2010 que quase ninguém empresta dinheiro ao nosso querido país, para manter o o actual nível de despesa, há duas alternativas:
a) Gasta e não paga. Promete e rasga a promessa. Diz que são SCUTS e depois manda a factura a alguém.
b) Aumenta os impostos e taxas. O povinho não quer pagar.
Então, só fica mesmo a austeridade.
Cada um em sua casa faz como quiser, mas o nosso estado não tem cheta para gastar.

A balança corrente, BC.
Agrega as transacções do mercado de bens e serviços, as transferências (remessas do emigrantes e dádivas a fundo perdido) e os ganhos de capital (juros e dividendos).
Pela definição, a produção mais a balança corrente vai ser usado em consumo e em investimento:
    PIB + BC   =   Consumo + Investimento
Mas também sabemos que a poupança é igual à produção menos o consumo:
    Poupança    =  PIB - Consumo    <=>   Consumo  =  PIB - Poupança
Então, deduz-se que o saldo da BC é a diferença entre a poupança interna e o investimento:

BC = Poupança - Investimento
Assim, posso usar o modelo IS, Investment & Saving, para compreender o funcionamento da BC.
Em economia fechada, a BC está obrigatoriamente equilibrada (I = S).
Já em economia aberta, fazendo um gráfico IS, os locais fora do ponto de encontro traduzem desequilíbrios da BC que, no caso português, é negativo desde 1995 tendo sido na década 2000-2011 mais negativo que 98% dos países (em termos de população).
A influência da taxa de juro na balança corrente.
Quando a taxa de juro aumenta, não é certo como vai evoluir o PIB, i.e., se aumenta ou diminui (ver fig. 2). Mas é certo que a poupança interna aumenta.
Também é certo que o investimento diminui.
Assim, quando a taxa de juro aumenta, aumenta a poupança e diminui o investimento pelo que o aumento da taxa de juro é um movimento equilibrador da balança corrente deficitária.

Fig. 1 - Para diminuir o défice da BC, a taxa de juro real vai aumentar. 
  
O Mercado de Trabalho.
No mercado de trabalho temos, por um lado, os trabalhadores que se oferecem para trabalhar (a oferta, S) e os empresários que precisam de trabalhadores para aplicarem no processo produtivo (a procura, D). Posso estudar a dinâmica do mercado de trabalho como o mercado de um bem em que o preço de transacção é o salário real (horário).
O desemprego será a diferença entre a oferta e a procura de trabalhadores.

A influência do salário real na taxa de desemprego.
Quando o salário real aumenta (i.e., os custos do factor trabalho), w, as empresas tornam-se menos lucrativas pelo que a procura de trabalhadores diminui. Do lado da oferta, não é certo a influência do salário real na oferta de trabalho. A evidência empírica diz que um aumento definitivo do salário, no longo prazo faz diminuir a quantidade oferecida. No entanto, no curto prazo o aumento do salário real faz aumentar a oferta de trabalhadores porque mais pessoas querem trabalhar e cada pessoa quer trabalhar mais horas.
Havendo uma situação de desemprego acima dos 4% (que é a taxa de desemprego "zero"), uma descida do salário real vai induzir um aumento da quantidade procurada de trabalhadores e uma diminuição da quantidade oferecida de trabalhadores.
Estando o salário em wo onde o desemprego é elevado, a redução do salário real para w1 vai reduzir a taxa de desemprego pelo reforço das contratações e um enfraquecimento do número de pessoas que querem trabalhar.

Fig. 2 - Para diminuir a taxa de desemprego, o salário real vai diminuir. 

Os esquerdistas querem fazer crer que existe um ciclo vicioso
A diminuição dos salários -> reduz o rendimento -> reduz o consumo -> reduz a procura agregada -> reduz a actividade das empresas - > aumenta o desemprego -> ---

Mas esta ligação está errada porque a redução do rendimento dos trabalhadores é mais que compensado pelo aumento do rendimento dos desempregados que passam a estar empregados. Assim, quando existe desemprego elevado, inicia um ciclo virtuoso

Diminuição dos salários -> aumenta o número de empregados  -> reduz o rendimento dos empregados mas aumenta o rendimento dos ex-desempregados + baixam os custos de produção -> diminuem os preços -> aumenta a procura agregada (consumo + investimento + exportações) -> aumenta a actividade das empresas - > diminui o desemprego -> ...

Como a maioria das pessoas são trabalhadores por conta de outrem, todos queremos acreditar que descer os salários em termos nominais não combate o desemprego. Por isso é que é muito difícil observar uma descida nominal do salário médio da economia portuguesa.

A taxa de juro que corrige a BC também afecta o mercado de trabalho.
No processo de correcção da balança corrente, a taxa de juro real aumenta a taxa de desemprego (ou diminui o salário real).
Por um lado diminui a procura de trabalhadores porque o aumento dos custos financeiros torna as empresas menos competitivas. Por outro lado, os trabalhadores querem trabalhar mais porque querem antecipar o rendimento (pois vai render mais juros).
Se o mercado de trabalho é rígido (o salário mantém-se), o aumento da taxa de juro faz aumentar o desemprego  diminuindo a percentagem de pessoas empregadas (de N0 para N1,r) o que induz uma contracção do PIB.
Se o mercado de trabalho é flexível, o salário real diminui de w0 para w1 levando a um aumento da percentagem de pessoas empregadas (de N0 para N1,f) o que induz uma expansão do PIB.

Fig. 3 - O aumento da taxa de juro aumenta o desemprego ou diminui o salário real. 

Podemos concluir que em Portugal a taxa de desemprego aumenta porque a taxa de juro está a aumentar muito (para corrigir o grande défice da BC) e o mercado de trabalho é rígido. O aumento da taxa de desemprego é o mais forte indicador de que o nosso mercado de trabalho é rígido.

Fig. 4 - Se alguém encontrar um indicador que diga que o nosso mercado de trabalho é flexível, é mentira.

Precisamos controlar a despesa pública e corrigir a balança corrente porque fazem aumentar a taxa de juro que destroi as empresas e faz explodir o desemprego
Precisamos descer os salários reais para diminuir o desemprego e baixar os preços, equilibrando por este lado a balança corrente.

Será possível fazer isto estando Portugal na zona euro?
Não.
Não penso que seja possível descer os preços e os salários em termos nominais.
Sempre que se fala nisso é um ruído de fundo enorme.
Por isso, vai ser um constante degradar da situação económica, em que o indicador mais terrível será a taxa de desemprego, mas também a falência das empresas.

Por exemplo, a Portugal Telecom.

Fig.5 - A Portugal Telecom oferece 6.85%/ano porque não se consegue financiar lá fora

Desculpem que o procedimento da saída da Zona Euro ainda vai ter que ficar para uma terceira parte.
Afinal, aquilo em Aveiro foi uma autentica injecção.
Pedro Cosme Costa Vieira

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