O botão de "cala-te que te vais enterrar" que existe na mente de todas as pessoas, na minha cabeça, normalmente, está desligado.
Começo a falar ou a escrever e, às vezes, vem ao meu pensamento que me vou prejudicar. Vem-me à mente aquele adágio popular:
Ó Herodes ou te calas ou te prejudicas.
Mas lá continuo como uma bicicleta sem travões rumo à parede.
Outras vezes até parece que estou a dizer coisas inócuas mas vem sempre alguém censurar.
Toda a gente, penso eu, tem problemas com os colegas de trabalho. Se não é hoje, será amanhã. Senão, já foi ontem. Eu quero ser como os outros e, certo dia, saiu-me assim numa reunião do Conselho Científico "O única pensamento que ataca a minha mente é matar o sr. prof. tal tal tal". É pá, pensei eu, a minha safa é que ninguém pode ser condenado por pensar seja no que for. Senão, lá tinha eu mais um processo disciplinar. Pensei eu e pensaram os outros pois nunca ninguém falou do assunto.
A saída da Zona Euro.
No dia 16 de Setembro recebi esta mensagem
Caro Pedro Cosme,
Acabei de ler o seu texto e felicito-o porque considero que se trata de uma proposta muito bem fundamentada e exequível. Aproxima-se muito das minhas próprias reflexões, nomeadamente na proposta de um crawling peg que, do meu ponto de vista deveria ser assegurado dentro do MTC2 se for possível.
Gostaria muito de ter uma reunião consigo para discutir o paper, num dia em que viesse a Lisboa (ou eu fosse ao Porto).
Punha-lhe agora esta questão. Posso usar este seu trabalho como bibliografia para discussão com outras pessoas mesmo fora do meio académico?
Com os meus cumprimentos
João Ferreira do Amaral
É pá, depois de uma pessoa desta craveira gostar do que eu escrevi ao ponto de o achar merecedor de divulgação, sócio, eu sou só cagança.
Mas também tenho recebido outras críticas
Esta critica é importante porque recorda que precisamos conhecer as técnicas de Retórica.
Em vez de se concentrarem a identificar o que está errado, pode ser melhorado ou não está claro, perdem o seu tempo a pensar em ataques pessoais. É uma técnica que devemos usar quando não temos nenhuma ideia dentro da cabeça mas o mais produtivo é avançarmos alguma proposta.
Convém conhecermos estas técnicas para conseguirmos separar, nas críticas, as pessoas que nos querem ajudar a melhorar das pessoas destrutivas.
A série de Working Papers da FEP.
A Faculdade de Economia do Porto tem uma série de trabalhos científicos que tem 330 trabalhos on line. Segundo os meus colegas, são trabalhos muito reputados. O problema é que, em média, cada trabalho é lido por duas pessoas por mês (7165 downloads nos últimos 12 meses) e com tendência para a diminuição.
Duas por mês parece-me pouco. Mas, para um católico devoto, mais já seria pecado.
Vêm aquele pico? Foi um paper que publiquei sobre o problema da dívida portuguesa.
Ultimamente tenho escrito pouco mas, depois do meu último paper, com o argumento de que é preciso aumentar a "qualidade", vão impor censura ao que eu escrever.
2. Nunca viram nada parecido nos livros. Se não está referida nos livros nenhuma "Saída da Zona Euro" logo, eu não posso falar sobre aquilo.
-Vou referir quem?
-O Roteiro foi proposto por quem?
-Como é que pode ser "científico" se saiu da minha cabeça oca?
-Depois de haver pelo menos 30 saídas, aí já será científico eu escrever sobre como deverá ser uma "Saída da Zona Euro".
Certo dia estavam dois médicos a conferenciar sobre um paciente.
-Nunca vi esta doença, isto não está nos livros, que terapia vamos aplicar?
Diz o outro - Isto parece interessante mas até já peguei nas Sebentas que tinha no sótão e não vem lá nada parecido com isto. Não podemos fazer nada.
Pergunta o paciente - Sr.s doutores, como é?
- Não é científico fazer seja o que for. O melhor é esperarmos pelos resultados da autópsia a ver se, no próximo caso, já sabemos mais qualquer coisa.
Mau. Com cientistas destes mais vale confiarmos nos taxistas e barbeiros que têm solução para tudo.
Nunca ninguém tinha passado o Abu Khatar.
Por isso é que o Gil Eanes está na História Universal. Quem contornou o Cabo de Peniche? Não consta na História.
E do que foi ele à procura quando em 1424 contornou o Cabo Bojador? Não sabia. Foi preciso redesenhar o Atlas.
Agora veio uma crítica muito importante
Seja como for, o certo é que vamos sair da Zona Euro
A teoria económica identifica algumas condições para que uma Zona Monetária seja estável mas esquecem-se das diferenças culturais. Por questões culturais, nós os portugueses não somos suficientemente rigorosos para podermos pertencer a uma zona monetária onde também se incluem os países do Norte da Europa.
Os madeirenses dizem que o Alberto João fez muito bem em mentir e gastar o dinheiro que não tinha porque as coisas já lá estão e os bastardos do cont'nemte vão acabar por pagar. Por isso, volta a ganha com maioria absoluta.
Os do continente dizem ser compreensível que o Alberto João tenha pregado o calote porque desenvolveu a sua região e a culpa foi da falta de controle.
Com uma cultura relaxada como a que temos, nunca poderemos implementar o que deve ser feito para nos mantermos nos euros :
A) a redução dos salários nominais,
B) o aumento das taxas de juro,
C) o aumento dos impostos e
D) a diminuição do "estado social"
até equilibrarmos as contas externas, o défice público e controlar o desemprego.
Este post já vai longo
Por precisar autonomizar como vai funcionar, depois de sairmos do Euro, a Zona Mista Escudo-Euro, prometo escrever no próximo post, brevemente, o que se vai passar em Santo Aleixo dos Mendigos.
Pedro Cosme Costa Vieira
sexta-feira, setembro 30, 2011




















