sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Em Portugal ainda existe censura

Toda a minha vida me senti censurado.
O botão de "cala-te que te vais enterrar" que existe na mente de todas as pessoas, na minha cabeça, normalmente, está desligado.
Começo a falar ou a escrever e, às vezes, vem ao meu pensamento que me vou prejudicar. Vem-me à mente aquele adágio popular:
Ó Herodes ou te calas ou te prejudicas.
Mas lá continuo como uma bicicleta sem travões rumo à parede.
Outras vezes até parece que estou a dizer coisas inócuas mas vem sempre alguém censurar.

Fig. 1 - A censura é um problema cultural.


A blogosfera é extraordinária por ser um espaço sem a mais pequena censura. Sou completamente livre de dizer tudo o que penso, sobre qualquer tema. Claro que respeito os Direitos do Homem. 

O caso mais grave.
Toda a gente, penso eu, tem problemas com os colegas de trabalho. Se não é hoje, será amanhã. Senão, já foi ontem. Eu quero ser como os outros e, certo dia, saiu-me assim numa reunião do Conselho Científico "O única pensamento que ataca a minha mente é matar o sr. prof. tal tal tal". É pá, pensei eu, a minha safa é que ninguém pode ser condenado por pensar seja no que for. Senão, lá tinha eu mais um processo disciplinar. Pensei eu e pensaram os outros pois nunca ninguém falou do assunto.

A saída da Zona Euro.
No sentido de introduzir a discussão da nossa futura saída da Zona Euro, peguei no meu roteiro de saída do Euro e escrevi um trabalho científico.
Penso que vale a pena lerem esse texto "Está na hora de Portugal Sair do Euro".
Tenho recebido criticas sendo que uma encheu o meu ego de alegria

No dia 16 de Setembro recebi esta mensagem
Caro Pedro Cosme,
Acabei de  ler o seu texto e felicito-o porque considero que se trata  de uma proposta muito bem fundamentada e exequível. Aproxima-se muito das minhas próprias reflexões, nomeadamente na proposta de um crawling peg que, do meu ponto de vista deveria ser assegurado dentro do MTC2  se for possível.

Gostaria muito de ter uma reunião consigo para discutir o paper, num dia em que viesse a Lisboa (ou eu fosse ao Porto).
Punha-lhe agora esta questão. Posso usar este seu trabalho como bibliografia para discussão com outras pessoas mesmo fora do meio académico?
Com os meus cumprimentos
João Ferreira do Amaral

É pá, depois de uma pessoa desta craveira gostar do que eu escrevi ao ponto de o achar merecedor de divulgação, sócio, eu sou só cagança.

Mas também tenho recebido outras críticas
1. O meu carro é uma vergonha, está cagado dos pássaros e cheio de lixo, não faço bem a barba e sou engenheiro de buracos sem fundo. Logo, o que eu escrevi não presta.
Esta critica é importante porque recorda que precisamos conhecer as técnicas de Retórica.
Em vez de se concentrarem a identificar o que está errado, pode ser melhorado ou não está claro, perdem o seu tempo a pensar em ataques pessoais. É uma técnica que devemos usar quando não temos nenhuma ideia dentro da cabeça mas o mais produtivo é avançarmos alguma proposta.
Convém conhecermos estas técnicas para conseguirmos separar, nas críticas, as pessoas que nos querem ajudar a melhorar das pessoas destrutivas.

A série de Working Papers da FEP.
A Faculdade de Economia do Porto tem uma série de trabalhos científicos que tem 330 trabalhos on line. Segundo os meus colegas, são trabalhos muito reputados. O problema é que, em média, cada trabalho é lido por duas pessoas por mês (7165 downloads nos últimos 12 meses) e com tendência para a diminuição.

Fig. 2 - Evolução dos dowloads de WP da FEP por mês

Duas por mês parece-me pouco. Mas, para um católico devoto, mais já seria pecado.
Vêm aquele pico? Foi um paper que publiquei sobre o problema da dívida portuguesa.
Ultimamente tenho escrito pouco mas, depois do meu último paper, com o argumento de que é preciso aumentar a "qualidade", vão impor censura ao que eu escrever.

Fig. 3 - Come esta maçã que te levanta o paper. Não que já fiz os 2 downloads deste mês.

2. Nunca viram nada parecido nos livros. Se não está referida nos livros nenhuma "Saída da Zona Euro" logo, eu não posso falar sobre aquilo.
    -Vou referir quem?
    -O Roteiro foi proposto por quem?
    -Como é que pode ser "científico" se saiu da minha cabeça oca?
    -Depois de haver pelo menos 30 saídas, aí já será científico eu escrever sobre como deverá ser uma "Saída da Zona Euro".

Certo dia estavam dois médicos a conferenciar sobre um paciente.
-Nunca vi esta doença, isto não está nos livros, que terapia vamos aplicar?
Diz o outro - Isto parece interessante mas até já peguei nas Sebentas que tinha no sótão e não vem lá nada parecido com isto. Não podemos fazer nada.
Pergunta o paciente - Sr.s doutores, como é?
- Não é científico fazer seja o que for. O melhor é esperarmos pelos resultados da autópsia a ver se, no próximo caso, já sabemos mais qualquer coisa.
Mau. Com cientistas destes mais vale confiarmos nos taxistas e barbeiros que têm solução para tudo.

Nunca ninguém tinha passado o Abu Khatar.
Por isso é que o Gil Eanes está na História Universal. Quem contornou o Cabo de Peniche? Não consta na História.
E do que foi ele à procura quando em 1424 contornou  o Cabo Bojador? Não sabia. Foi preciso redesenhar o Atlas.

Agora veio uma crítica muito importante
3. Vai haver uma corrida aos euros como houve uma corrida aos Dólares na Crise Argentina pelo que Portugal entra num processo caótico imprevisível.
Eu sei que isto não vai acontecer mas, se pessoas que eu muito considero, por exemplo, o OF e o RR, levantaram esta questão, é porque eu não consegui explicar bem o que prevejo que vá acontecer.

Seja como for, o certo é que vamos sair da Zona Euro
A teoria económica identifica algumas condições para que uma Zona Monetária seja estável mas esquecem-se das diferenças culturais. Por questões culturais, nós os portugueses não somos suficientemente rigorosos para podermos pertencer a uma zona monetária onde também se incluem os países do Norte da Europa.
Prova de que não somos rigoroso é o que eu ouço dizerem sobre o buraco da madeira.
Os madeirenses dizem que o Alberto João fez muito bem em mentir e gastar o dinheiro que não tinha porque as coisas já lá estão e os bastardos do cont'nemte vão acabar por pagar. Por isso, volta a ganha com maioria absoluta.
Os do continente dizem ser compreensível que o Alberto João tenha pregado o calote porque desenvolveu a sua região e a culpa foi da falta de controle.
Não há a cultura de que devemos rejeitar o que está errado mesmo que o errado nos beneficie.
Fig. 4 - Não é proibido. Por isso, desenrasca-te.

Com pensamentos destes, o futuro é a desgraça
Pensamento 1 - Os cães cagam os passeios, parques e jardins porque é mesmo assim. Como não é proibido, ninguém tem nada com isso e, quem quiser, que olhe por onde anda. O cão não tem culpa de precisar de cagar.
Pensamento 2 - Diz o Código da Estrada que o ciclista tem prioridade nas rotunda, mas passa-se por cima do gajo porque, excepto o ciclista, ninguém liga e a polícia não multa porque não está a ver. E chegando a tribunal, o que nunca aconte, a testemunha não diz nada porque já está morta. No máximo dá uma multazita. Se não metem na cadeia quem matar ciclistas ou peões na passadeira, não faz mal nenhum matar um ou outro. Quem anda pela estrada, que tome cuidado.

Com uma cultura relaxada como a que temos, nunca poderemos implementar o que deve ser feito para nos mantermos nos euros :
      A) a redução dos salários nominais,
      B) o aumento das taxas de juro,
      C) o aumento dos impostos e
      D) a diminuição do "estado social"
até equilibrarmos as contas externas, o défice público e controlar o desemprego.
A Irlanda fez isto tudo sem ser dado um pio. Assim, já corrigiu grande parte dos seus problemas que eram maiores que o nosso. Nós, por continuarmos atulhados em problemas e dúvidas, a taxa de juro não desce dos 12%/ano enquanto que a da Irlanda, que estava pior do que nós, já está nos 8%/ano.

Fig. 5 - Evolução das taxas de juro das Obrigações do Tesouro a 10 anos (fonte: tradingeconomics).

O que é a ciência
Os individuos observam a Natureza e propõem teorias explicativas dos fenómenos observados. Naturalmente que as teorias, por serem propostas por sujeitos e não por objectos, são subjectivas.
Assim, as teorias serão sempre hipotéticas.
No entanto, se for possível a qualquer outra pessoa verificar se a teoria explica de facto (ou não) o fenómeno em discussão então, estamos em presença de conhecimento ciêntífico.
Existirá conhecimento que sai fora desta lógica. Por exemplo, os 10 Mandamentos foram escritospela mão de Deus. É conhecimento religioso e está noutra dimensão da ciência. É um erro tentar usar a ciência para tentar validar (ou invalidar) esta teoria.
Também existe o conhecimento estético. Por exemplo, os quadros do Picaço são belos. Será outro erro tentar explicar a beleza da obra do Picaço com conhecimento religioso.

Este post já vai longo
Por precisar autonomizar como vai funcionar, depois de sairmos do Euro, a Zona Mista Escudo-Euro, prometo escrever no próximo post, brevemente, o que se vai passar em Santo Aleixo dos Mendigos.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A paranoia americana

Nos últimos 10 anos tive a impressão que o Bush reagiu de forma exagerada aos atentados do dia 11 de Setembro 2001. Está certo que morreram 2996 americanos em resultado dos atentados terroristas e, se pensarmos nos individuais, são 2996 tragédias. No entanto, em termos estatísticos, não aconteceu nada. Em 2001, nos USA, por cada pessoa que morreu nos atentados, morreram 14 pessoas em acidentes de trânsito e não houve uma guerra às estradas.

Do que é que os Americanos têm medo?
Há três factos que, desligados, não fazem sentido mas que, em conjunto, fazem soar os sinais de alarme.
1) O Iraque encomendou 54000 metros de tubos de alumínio com 7.44cm de diâmetro interno.
2) O Iraque comprou 550 t de Urânio.
3) O Iraque tem refinarias de petróleo.
As 550t de Urânio estavam inventariadas e "presas" pela IAEA mas estavam lá e constava que o Iraque procurava comprar secretamente Urânio à Nigéria.
Mas para fazer uma bomba atómica é preciso Urânio enriquecido em U235 superior a 50% que é muito difícil de conseguir, ou de Plutónio que obriga a ter uma central nuclear.
Aí surgiu uma questão na minha mente. 

Será que é possível construir uma bomba atómica com Urânio Natural e sem ter uma central nuclear?

É possível. Não é preciso que seja um engenho explosivo mas apenas ser um mecanismo de contaminação radioactiva.

O reactor.
Tem que se usar um moderador sendo o Coke de Petróleo com baixo teor em boro o eleito.
Este material obtém-se como subproduto no Craking do gasóleo feito nas refinarias de petroléo. Por questões de segurança pode-se converter em grafite (que não arde facilmente) mas não é obrigatório.
Constrói-se um cilindro com 20m de diâmetro e profundidade trespassado por tubos de alumínio e envolto em água (que não permite a fuga de radiação).
Fig. 1 - O núcleo com os tubos e o escudo biológico
Seré uma silo com 8000t de Coke de Petróleo que pode fazer parte de uma instalção industrial  completamente disfarçado.

A carga de combustível.
Transforma-se o oxido de Urânio Natural em varas de metal com 1.5 cm de diametro e enfiam-se dentro de varetas de aluminio estanques que se agrupam em conjuntos de 7 que se colocam dentro dos tubos de alumínio que trespassam o reactor.
Fig. 2 - O tubo e a organização do combustível

Não havendo cálculos pormenorizados das características do reactor, não se sabe quanto combustivel é necessário para "acender" a reacção em cadeia. Para isso colocam-se alguns contadores geiguer na parede do reactor. São baratos e de fácil aquisição. Vai-se preenchendo os tubos, de fora para o centro, com combustível nuclear e vai-se marcando o nível de radioactividade num gráfico. Se não houver uma "fonte de neutrões" esta operação  tem que ser feito de forma lenta, levando meses.


A refrigeração.
A potência do reactor vai ser muito inferior ao usado numa central nuclear comercial que consegue 100MWt por m3. Aqui, não é certo qual o nível de potência mas poderá andar, no centro, num máximo de 2MWt/m3 e na periferia em 1MWt/m3.
A refrigeração será a ar atmosférico, em circuito aberto. Para controlar a reacção, haverá a possibilidade de injectar água, também em circuito aberto, nos tubos do meio.
O Alumínio não pode ultrapassar os 250ºC pelo que, caso o ar saia a um temperatura superior a 200ºC, injecta-se água no tubo até que a temperatura desça abaixo desse valor.

Usam-se varas de prata para controlar em caso de emergência o reactor e para o "desligar".


Quanto custa isto?.
Serão precisas 350t de Urânio que custam 35 milhões €, 8000t de Coke de petróleo que custam 3 milhões € e a infraestura custará  20 milhões €. Totalizará 58 milhões €.

E agora?
Agora vem o Cobalto. Pega-se em Nitrato de Cobalto (por ser solúvel em água) compacta-se nas mesmas varetas usadas para o combustivel e enfiam-se em tubos que ficaram livres no centro de reactor (onde o fluxo de neutrões é maior). Num tubo cabem 50 kg de Nitrato de Cobalto Anidro.
Também se pode colocar Cobalto metálico em esferas pequenas em latas tipo "coca-cola" de aço-inox.
A filosofia é colocar num recipiente que não precise manipulação depois da irradiação porque o material vai ficar muito radioactivo.
Lentamente, algum do Cobalto vai-se transformar em Cobalto 60.
Vamos supor acontece a transformação de 0.1% do cobalto em 3 anos. Serão 50g de material radioactivo.
Cinquenta gramas de Cobalto 60 contaminam 370 km2 durante 16 anos com uma nível de radioactividade superior a 40Ci que é o nível da zona de exclusão absoluta de Chernobyl e demorará 50 anos a atingir um nível de radioactividade aceitável.
Então, pegando nestes 50kg de nitrato de colanto e descarregando-o no Rio Hudson, Nova York deixa de poder ser habitada durante dezenas de anos.
On então, mistura-se o cobalto com um explosivo convencional e faz-se a famosa "bomba suja".

Como nos podemos proteger deste perigo?
Os USA colocaram em órbita satélites que medem o nível de radiação gama emitida pela terra.
O Oxigénio do ar e da água que passa pelo reactor torna-se activo(N16) emitindo radiação gama. Então, sendo usada refrigeração em circuito aberto, é possivel detectar um aumento da radiação gama na zona.
Mas não é certo que consiga ser detectado.
Quanto menor for a potência do reactor, mais dificil será detectá-lo.
Por isso, a paranóia dos americanos, dos israelitas e de outros é ser possível que algures perdido no meio do Irão, da Somália, do Pakistão ou de outro sítio qualquer, alguém tenha um reactor pronto a produzir cobalto 60.

Afinal, o perigo é real.
Existe mas não se pode assustar a população. O povinho acha que é imperialismo os americanos andarem por ai feitos cães danados, mas o perigo de aparecerem atentados radioactivos é muito sério não precisa de nenhuma tecnologia sofisticada.
Americanos, pá, não se destraiam.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 24 de setembro de 2011

Os problemas da Zona Euro parecem culturais

Contrariamente ao que dizem os americanos, a Zona Euro está globalmente bem.
Em 2010, por cada 100€ que se produziram na Zona Euro, houve um superávite corrente relativamente ao exterior de 0.35€ (fonte: Banco Mundial). Assim, globalmente a Zona Euro está equilibrada o que traduz que o Banco Central Europeu é governado de forma perfeita. Não se lhe pode apontar o mais pequeno reparo.
Por oposição, por cada 100€ que se produziram nos USA houve um défice de 3.23€.

Então, qual é o problema da Zona Euro?
A Zona Euro, padece de uma doença que tem duas faces.
Por um lado, há 9 países que gastam mais do que produzem o que obriga a que os outros 8 países gastem menos do que produzem.
Em todos os países há regiões deficitárias e outras que têm superávite. Normalmente nas regiões mais centrais (por exemplo, a região de Lisboa e Vale do Tejo) produz-se maior quantidade de riqueza havendo um processo de transferência de recursos para as regiões menos produtivas (por exemplo, para Trás-os-Montes). Esses mecanismos são diversos e vão desde as transferências da Segurança Social até às Obras Públicas. Mas o mecanismo de transferência não pode tornar as regiões estruturalmente mais pobres num pesado fardo para as regiões mais ricas.
Em termos de países, o défice das contas externas mede-se pela Balança Corrente.
Nos últimos 10 anos, houve Zona Euro 11 países deficitários (Estónia, Irlanda, Eslovénia, França, Eslovaca, Itália, Espanha, Malta, Chipre, Portugal e Grécia) financiados pelos 6 países superavitários (Luxemburgo, Holanda, Alemanha, Finlândia, Áustria e Bélgica).
O mais grave é que, dos 11 deficitários, apenas 2 seguiram um processo firme de correcção do défice corrente (Estónia e Irlanda).
Olhando aos últimos 10 anos, Portugal está ainda pior que a Grécia.

     País                        2010       2001/2010
Luxembourg         +7,96           +9,11
Netherlands          +7,18           +5,79
Germany                +5,69           +4,51
Estonia                    +3,61           -8,30
Finland                   +3,13           +5,13
Austria                    +2,81           +2,42
Belgium                  +0,96           +1,83
Ireland                      +0,47           -2,27
Slovenia                  -0,81           -2,07
France                     -1,74           -0,28
Slovak Republic   -3,38          -4,72
Italy                          -3,47          -1,80
Spain                      -4,57           -6,17
 Malta                       -4,72            -5,70
 Cyprus                   -5,28            -6,45
 Portugal                 -9,89           -9,81
 Greece                  -10,61          -9,55
Tabela 1. Balança Corrente dos países da Zona Euro 2010 e média de 2001/2010 
(% do PIB, fonte: Banco Mundial).

Parece uma questão cultural.
Se repararmos na tabela 1, parece haver uma separação geográfica entre os 8 países que têm as contas externas controladas e os 9 que as têm deficitárias (ver fig. 1). É pá, que coincidência terrivel: em 2010, por cada 100€ produzidos na Zona Euro, esses 8 países bárbaros pouparam 2.27€ (dos quais, 1.51€ foi a Alemanha e 0.45€ a Holanda) enquanto que os países Romanos gastaram a mais 1.93€. A Eslovaca é o único país bárbaro da Zona Euro com défice em 2010.
Não pode ser só coincidência.

Distribuição geográfica dos saldos da Balança corrente na Zona Euro (2010, fonte: BM)

Já estão a ver as fronteiras da Zona Marco e como vai ficar a Zona Euro?
Os dados dos últimos 10 anos indicam que, afinal, estas duas culturas são mesmo diferentes e estão-se a mostrar incompatíveis de pertencer à mesma Zona Monetária.
Os Bárbaros, que representam 46% do PIB da Zona Euro, são diferentes dos Romanos e sentem-se cercados.
Os Bárbaros defendem baixas taxas de inflação e equilíbrio nas contas externas. Em termos de teoria económica são "Clássicos". Em termos dos esquerdista, broquistas, cassetistas são Neoliberais.
Os Romanos defendem elevadas taxas de inflação e regabofe. Em termos de teoria económica são Keynesianos.  Em termos dos "Clássicos" são Xulos que querem viver à custa deles.
Por causa destas diferêncas culturais, a Alemanha vai sair da Zona Euro em 2012.

E os da Madeira?
São keynesianos, deveriam dizer os esquerdista, broquistas, cassetistas.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

As reformas do mercado de trabalho

Numa economia com moeda própria (como o escudo) existem dois instrumentos de política que permitem controlar o mercado de trabalho (o desemprego) e o mercado externo (o défice corrente).

Por um lado, há a desvalorização da moeda. Consegue-se corrigir o desequilíbrios das contas externas com uma desvalorização da moeda porque, instantaneamente a) diminuem os preços dos bens produzidos em Portugual, b) aumentam os preços dos bens produzidos no estrangeiro e c) diminuem os salários reais dos portugueses (e aumentam os no estrangeiro).
Por outro lado, há a inflação. Consegue-se corrigir o desequilíbrio do mercado de trabalho (desemprego) com um aumento da inflação porque facilita, em termos psicológicos, a descida do salário relativamente aos preços relativos (a descida do custo do trabalho).


Está perfeito porque são dois instrumentos para controlar dois mercado.
Por isto é que todos os países deixaram o Ouro e adoptaram moeda própria (em papel).
As economias passam a ser fáceis de conduzir. Até eu, com os meus rudimentares conhecimentos de economia, seria capaz de gerir uma região que tivesse moeda própria. Até o Sócrates era capaz.

O Ricardo Reis cometeu dois pequenos erros.
Eu gosto muito do RR. É um pessoa simpática, agradável e é um dos maiores cientistas económicos do mundo. Por isso, é um grande prestigio para mim conhece-lo pessoalmente.
E enche o meu ego de orgulho poder apontar ao RR estas duas pequenas falhas de raciocínio.

Falha 1. O RR diz que, a saída de Portugal do Euro implica uma desvalorização do novo Escudo.
Isso só é verdade porque temos uma Balança Corrente, BC, desequilibrada (-10% do PIB) que não queremos equilibrar com a diminuição dos preços pois obrigaria a uma diminuição nos "custos do trabalho" em termos reais e nominais (diminuição dos salários ou aumento do horário de trabalho) que repugnamos. 
Se tivéssemos a BC equilibrada, não aconteceria qualquer desvalorização. Por exemplo, se a França sair do Euro, ninguém prevê que ocorra uma desvalorização do Franco. E, quando em 2012 a Alemanha sair do Euro, observar-se-á uma (pequena) valorização do Marco (< 10%).
Se reduzíssemos os salários nominais em 25%, a saída do Euro não implicava qualquer desvalorização do Escudo.
Então, a implicação não é "sair -> desvalorizar" mas antes "uma BC deficitária -> desvalorizar".

Falha 2. O RR diz que, desvalorizando a moeda, a inflação aumenta.
A inflação é um fenómeno puramente monetário que se controla aumentando ou diminuindo a liquidez da economia (em termos simples, a quantidade de moeda em circulação). Se queremos aumentar a inflação, o Banco Central injecta dinheiro (compra dívida pública). Se queremos diminuir a inflação, o Banco Central retira dinheiro de circulação (vende dívida pública).
Então, a implicação não é "desvalorizar -> inflação" mas antes "aumento da liquidez -> inflação".

Existirá alguma ligação entre "desvalorizar" e "inflação"?
A desvalorização implica um aumento proporcional (quase porque há a margem de comercialização) no preço dos bens importados.
Supondo que os preços locais não variam, que a desvalorização é de 20% (o preço dos bens importados aumenta 25%), e que o peso dos bens importados no consumo é de 20%. Então, a "inflação importada" fica em 5.0%. Por exemplo, na Saída da Argentina do Dólar, os preços dos bens importados aumentou 400% e a "inflação importada" ficou-se nos 25%.
Mas apenas existe "inflação importada" porque o Banco Central não quer manter firme a liquidez (que levaria à queda generalizada dos preços locais). Assim, acumoda a "inflação importada".
Então, a implicação deverá ser "alto desemprego -> permitir a inflação importada".

O Ricardo Reis respondeu-me no dia 27 de Setembro de 2011 o que muito agradeço.

Caro Pedro,
Obrigado pelos teus comentários e parabéns pelo excelente blogue. Em relação às questões que levantas:

Questão 1
Concordo (quase) completamente. Uma premissa no meu raciocínio é que a BC está desequilibrada. Como isso é conhecimento corrente, não achei necessário explicitá-lo no meu texto.

Questão 2
Novamente, não discordo do que dizes. A minha falha é, novamente, de omissão, neste caso de passos no mecanismo. O raciocínio completo seria:
"Com moeda própria, seria de esperar que, por um lado, os agentes económicos esperassem que o Banco de Portugal fosse mais propenso a aumentar a liquidez do que o BCE, e por outro lado que o Banco de Portugal de facto aumentasse a liquidez quer para nos ajudar a recuperar da recessão quer como forma de gerar receita para resolver os problemas de finanças públicas. Quer um mecanismo, quer o outro, levam a maior inflação”.
Mas deixa-me acrescentar que mesmo antes que o banco central aumentasse a liquidez, provavelmente a inflação aumentaria. Se Portugal deixasse o euro, eu esperaria que a taxa de cambio nominal se desvalorizasse mais do que os 20-30% que a nossa taxa de cambio real está sobrevalorizada. Isto porque eu esperaria que aumentassem de imediato as expectativas de inflação no país e que houvesse uma fuga de depósitos para fora do país, logo diminuindo a procura de dinheiro, o que com uma oferta de dinheiro inalterada, resulta logo em inflação.

Um voto final de encorajamento por subires, à tua maneira, o nível da discussão sobre economia em Portugal.

Ricardo

No que ficamos?
A desvalorização não é 100% independente da inflação mas são dois instrumentos diferentes que podem ser perfeitamente controlados. A moeda pode desvalorizar e a inflação ficar exactamente na mesma e a moeda pode ficar exactamente na mesma e haver inflação. Depende tudo de como está a economia.
Em Portugal como temos um duplo desequilíbrio económico (triplo porque as contas públicas também estão desequilibradas), teria que aumentar a inflação para diminuir o desemprego (porque não somos capazes de diminuir os salários nominais) e desvalorizar a moeda para diminuir o défice externo (porque não somos capazes de reduzir os preços).

Qual a importância da agilização dos despedimentos?
O Governo está-se a concentrar principalmente no desequilíbrio das contas públicas mas isso não é suficiente para evitar a bancarrota. Mesmo que Portugal tenha um défice público zero, não tem como  controlar as contas externas. Tínhamos que baixar os preços mas o INE garante que os nossos preços estão a aumentar mais depressa que os dos nossos parceiros comerciais. A nossa economia vai no sentido do precipício total.
O Governo, querendo que fiquemos no Euro, tem que meter pressão do lado dos trabalhadores para que aconteça uma diminuição do nível de salários reais o que irá impulsionar a descida do desemprego e dos preços.
Não há pressão maior que facilitar os despedimentos em conjunto com uma diminuição do Subsídio de Desemprego. É um alicate que aperta dos dois lados.

Mas falta o principal
Que é permitir, em alternativa ao despedimento, o aumento do horário de trabalho ou a redução dos salários dos trabalhadores. Não existe qualquer fundamento moral para o Estado proibir esta liberdade contractual.
Por exemplo, para um salário de 200€/s, 40h/s, o Trabalhador A produz 100u. e o Trabalhador B 80u. O Governo vai dar a hipóteses ao empregador despedir o B mas também deveria ser dada a alternativa de aumentar o horário de trabalho do B para 50h/s ou reduzir o salário para 160€/s.

Vamos supor uma pessoa em Arouca.
Que é uma terra isolada e longe de tudo. Um trabalhador pode preferir em emprego à beira de sua casa a ganhar 300€/mês a ir trabalhar para o Porto a ganhar 600€/mês.
O Estado não se deve meter nestes assuntos.

Descer a TSU dos "novos empregos" vai dar asneira grossa.
Os governantes e os comentadores estão a pensar no efeito directo de não cobrar TSU: os empresários vêm o custo dos novos trabalhadores diminuir pelo que vão contratar mais pessoas.
Mas isso funcionaria no Céu, vá lá, na Alemanha.
Aqui, os malandros vão pensar que se arranjarem uma empresa que os contrate por 1000€/mês e não forem trabalhar, em 15 meses só têm que descontar para a Segurança Social 1540€. Depois vai receber de Subsídio de Desemprego 650€/mês durante 18 meses mais 500€/mês durante 9 meses de Subsídio Social de Emprego que soma 16300€ mais RSI durante um ano ou dois e ainda lhe conta mais 2.5 anos de tempo de serviço para a reforma.
A S.S. recebe 1540€ e vai largar mais de 20mil. Isto é que vai ser um negócio da China.
Os técnicos do governo são da maior incompetência que jamais foi criado à face da Terra.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Madeira ou a república das bananas

Alberto João Jardim apanhado... sem calças


O Governo Regional da Madeira alterou a lei de concessão de avales cinco dias antes de Portugal pedir ajuda externa. O novo regime jurídico, que entrou em vigor a 1 de Abril, tornou mais fácil a concessão de garantias e possibilitou avales a empresas públicas sem a apresentação de contra-garantias e para outros fins que não os de investimento na região. Sem esta alteração, o empréstimo avalizado de 220 milhões de euros contraído pela Electricidade da Madeira já este ano, que vai causar buraco nas contas públicas, não teria sido possível. Este facto noticiado hoje pelo DE é apenas mais um episódio de um autêntico filme de horror que pode ser resumido a alguns números. Estamos nós perante uma república das bananas? Veja o que é uma república das bananas no Wikipedia.


37,7%
da população empregada na Madeira trabalha para o Estado (35 mil). Extrapolando para o país em função da população (268 mil habitantes na região autónoma), teríamos 1,4 milhões de funcionários públicos e não 750 mil.

8 mil milhões de euros
da dívida pública madeirense corresponderiam a 188% do PIB a nível nacional

568 milhões de euros
é o défice público da Madei37,7%ra apurado. O défice público nacional deste ano vai sofrer um desvio por causa da Madeira, não de 277 milhões de euros como disse a troika a 12 de Agosto, mas sim de 568 milhõe. Inicialmente, pensava-se que seriam 500 milhões, mas no dia 16 de Setembro o INE e Banco de Portugal precisaram melhor o valor. Extrapolado para o país, o défice nacional não seria de 5,9% em 2011 mas sim de 12%.

1681 milhões de euros
é o valor acumulado das dívidas na Madeira ao longo do últimos anos (1113 milhões desde 2004 + 568 milhões ), aos quais ainda se podem acrescentar mais 220 milhões em garantias prestadas (aval) à Empresa de Electricidade da Madeira.

250 milhões de euros
que o Orçamento do Estado português transfere anualmente para Madeira. O buraco deste ano é mais do dobro: 568 milhões de euros.

4, 9 e 16%
são as taxas de IVA na Madeira. No continente, as taxas são de 6, 13 e 23%.

2%
é o acréscimo salarial de um funcionário público nas regiões autónomas (subsídio de insularidade). 2% é também o corte no número de funcionários públicos previsto no memorando da troika.

3576 milhões de euros
Desde 2000, o Estado português transferiu esta quantia para a região, 2796,2 milhões directamente ao governo regional e o restante às autarquias e freguesias.

2101 milhões de euros
chegaram à Madeira desde 2000 provenientes dos fundos comunitários (914 milhões do QREN 2007-2013).

7,7 mil milhões de euros
foram as receitas fiscais cobradas pela região autónoma nos últimos 11 anos e que ficaram na Madeira.

32,8% do PIB
é quanto vale o buraco de 1681 milhões de euros, tendo como referência o PIB madeirense de 2009 (5,1 mil milhões).
--
Pedro Palha Araújo

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Memorando de Entendimento não fala na TSU

Um português diz uma coisa na Rádio ou na TV e logo o repetem dois ou três. Segue-se-lhe a carneirada toda, onde eu me incluo. Isto aplica-se à TSU e na obrigação imposta pela Troika da sua "major reduction".
Eu li há uns meses o Memorando de Entendimento com a Troika e não me lembrava de ver lá nada especificamente em referência à TSU, nem major reduction nenhuma. Então, fui agora fazer um "find" no documento porque eu tinha que estar enganado. Não era possível tanta gente falar na TSU e ela não estar lá.
Fig. 1 - O governo está a chocar qualquer coisa mas não vai nascer nenhuma solução.

Findei, findei, findei e nada. A única coisa que encontrei foi na p. 2 uma referência genérica ao tax system:

Fiscal policy 2012 - (1.3.) On the basis of a proposal developed by the time of the first review, the 2012 Budget will include a budget neutral recalibration of the tax system with a view to lower labour costs and boost competitiveness [October 2011]

Depois fui ver a tradução para português (que na altura ainda não havia). 

Política orçamental em 2012 - (1.3.) Na base de uma proposta a estabelecer no momento da primeira avaliação [final de Julho de 2011], o OE 2012 incluirá uma recalibragem do sistema fiscal que seja neutral do ponto de vista orçamental, com vista a reduzir os custos laborais e a promover a competitividade [Outubro de 2011].

Vai acontecer o mesmo com a Madeira
Provavelmente vão dizer que, tal com a TSU não está no Memorando e estão sempre a falar nela, também o Buraco da Madeira foi um erro e não existe. Não é um buraco, é um erro de reporte que não tem impacto nas contas públicas. É apenas um problema contabilístico e não implica a República gastar mais dinheiro.
O Gaspar já disse qualquer coisa neste sentido pelo que acredito que daqui a nada o Governo vai avançar com esta anedota.

O que o Governo quer fazer é impossível
O Passos Coelho quer que a raposa coma e que o frango viva.
Quer, por um lado, que os custos do trabalho se reduzam mas que, por oturo lado, os trabalhadores recebam o mesmo salário (e trabalhem o mesmo tempo). Isto é impossível. Só um mágico verdadeiramente magico é que conseguiria tal feito. E, que eu saiba, não existem mágicos verdadeiramente mágicos. Apenas bruxos, tarolas, zarolhos e burlões.
Fig. 2 - As políticas que o Governo está a estudar.

Para reduzir os custos do trabalho só existem cinco soluções que ordeno pelas minhas preferências.

Alternativa 1 - Aumentar o horário de trabalho
Mantendo o salário nominal, o custo do trabalho reduz-se se trabalharmos mais horas.
Há uns anos trabalhava-se 45h/semana e, sem aumentos de produtividade, o Sócrates reduziu o horário para 40h/semana. Os funcionário públicos só trabalhamos 35h/semana e, se em horário contínuo, só trabalham 30h/semana.
Isto tem que ser revertido. Os trabalhadores, públicos ou privados, têm que ver o seu horário de trabalho aumentado de volta para as 45h/semana.
Aqui haveria uma redução, no privado, de 11% no custo do trabalho e, no público, de 22%.

Alternativa 2 - Redução do salário nominal
Mantendo o horário de trabalho, seria necessário cortar os salários. Para conseguir uma redução equivalente a aumentar os horários de trabalho é preciso cortar 80% do Subsídio de Férias e do Subsídio de Natal.
Alternativa 3 - TSU do patrão para o trabalhador
Mantendo o horário de trabalho e os salários, uma redução de 11% nos custos do trabalho obrigam a diminuir a TSU do empregador de 23.5% para 9.5% (uma redução de 14pp) e um aumento da TSU do empregado de 11% para 25%.
O salário líquido reduz-se de 89 para 75 (uma redução de 15%).

Alternativa 4 - TSU do patrão para o IVA
Numa conta simples, cada 1pp. de redução da TSU é necessário receber mais 400milhões € de IVA. PAra uma redução de 14pp. de TSU será necessário subir o IVA para 30%.
O Governo fala em "alterar os produtos da taxa intermédia" mas isso será necessário para cobrar "1.23. aumentar em 2012 o IVA em 410 milhões €" a que acresce o IVA sobre a, 5.15., electricidade e gás e, 5.21., sobre as cartas. 
Mantendo o horário de trabalho e os salários, uma redução de 11% nos custos do trabalho obrigam a diminuir a TSU do empregador de 23.5% para 9.5% (uma redução de 14pp) e um aumento da TSU do empregado de 11% para 25%.
O salário líquido do trabalhador reduz-se de 89 para 75 (uma redução de 15%).

Alternativa 5 - Não fazer nada
As empresas vão continuar a falir à força toda, o desemprego a crescer de forma exponencial e, como não há dinheiro para o Subsídio de Desemprego, corta-se (isto está no Memorando (1.13.).
Continuando esta política de avestruz (meter a cabeça debaixo da areia e esperar que tudo passe), vai levar a uma queda do rendimento muito maior.

Passos, como estás a ler este post, manda aumentar o horário de trabalho. Dá a desculpa de que é uma medida provisória e avança.

Fig. 3 - O Passos disse que posso manter os 5€ mas que podes brincar mais 5 minutos.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O problema dos medicamentos a crédito

Os medicamentos são um "Ovo de Colombo": custa muito a descobrir uma molécula com efeitos terapêuticos mas, uma vez descoberta, custa pouco produzir o medicamento.
Por exemplo, supondo que o preço final de venda do medicamento da SIDA é 100€/u. então, 75€/u. vão para o laboratório que descobriu o medicamento, 24€/u. vão para a margem da comercialização (distribuidor e farmácia) e 1€/u. vai para a produção.

Fig. 1 - A suspensão dos pagamento aos fornecedores é o precursor da bancarrota

A concorrência
Se não houvesse patentes que protegessem o investimento feito na investigação então, qualquer um poderia copiar o medicamento. É o que acontece com os genéricos. Desta forma o preço do medicamento ficaria reduzido a 1.25€/u.. Aparentemente seria positivo mas acabava a investigação em novos medicamentos.
Para haver investigação de novos medicamentos a sua descoberta tem que ser lucrativa. Sem patentes, nunca o seria.
Por exemplo, as doenças tropicais, por ocorrem principalmente em países pobres, não têm potencial comercial pelo que a  investigação de novos medicamentos tem que ser subsidiada pela ONU.

A venda a crédito
A estratégia que maximiza o lucro do laboratório é afixar um preço diferente para cada país. Assim, deveria cobrar um preço elevado nos países ricos e um preço baixo nos países pobres que, de outra forma , não compraria o medicamento. Chama-se a isto a "divisão do mercado".
Por exemplo, vendendo o medicamento da SIDA nos países da OCDE a 76€/u. (+24€ para a comercialização), nos países intermédios a 36€/u.(+14€ para a comercialização) e nos países pobres a 5€/u. (+2€ para a comercialização).
Mas é proibido pelo Organização Mundial do Comercio vender a preços diferentes em regiões diferentes. A literatura diz que isso uma prática anti-concorrencial.
Então, uma alternativa permitida é vender a crédito para os países mais pobres sendo os juros imputados ao vendedor.

O preço real de venda
Como os laboratórios não são instituições de crédito, uma vez efectuada a venda, o activo é transaccionado à taxa de juro do mercado.
Por exemplo, o laboratório vende a 100€/u. para a República Centro Africana que só vai pagar daqui a 10 anos. Vamos supor uma taxa de juro de mercado de 35%/ano então, o laboratório vai vender essa divida por 5€ = (1+35%)^-10. Apesar de formalmente vender por 100€, de facto está a vender por 5€.
A República Centro Africana arranja países doadores que comprem os activos ao laboratório pelos 5€/u.
O mais interessante é que o mercado diz automaticamente na taxa de juro quais os países financeiramente mais frágeis e que por isso incorpora automaticamente maior desconto para os mais frágeis.

Esta também é uma das razões para os países venderem bens e serviços que têm no preço final  uma componente fixa muito elevada (por exemplo, aviões comerciais, reactores nucleares, submarinos, etc.): é um desconto no preço real sem o ser no preço nominal.

O problema grego e português.
O medicamento é vendido a 100€/u. dos quais 25€/u. são para a comercialização.
Em Portugal a farmácia recebe 100€/u. a um ano. Então, para uma taxa de juro de 17%/ano (que é quanto está o Risco da República), vai ser equivalente a vender a pronto por 85.5€/u. A farmácia retira  25€/u. e entrega 60.5€/u ao laboratório que paga 1€/u. pela produção. OK, o laboratório teve uma margem de 59.5€/u.
Agora vejamos a Grécia que está a pagar os medicamentos com 3 anos de atraso e com taxas de juro da república na ordem dos 65%/ano.
A farmácia grega vendeu por 100€ mas é equivalente a receber a pronto 22.26€ =  (1+65%)^-3. Descontando os 25€/u. para a comercialização, não fica nada para o laboratório que não consegue pagar os custos de produção.
Naturalmente, o laboratório recusa-se a vender pois, no mínimo dos mínimos, tinha que receber 1€/u.
Acresce ainda o risco de os hospitais gregos começarem a vender os medicamentos, que não pagam, para países terceiros prejudicando as vendas do laboratório.

Será um problema muito grave?
Gravíssimo.
Ai mas as pessoas têm direito a um Serviço Nacional de Saúde universal e de qualidade, blá blá blá blá.
Mas porque será que nos países com menor rendimento as pessoas duram menos tempo?

Fig. 1 - Relação entre esperança de vida à nascença e PIB per capital, ppc (fonte: Banco Mundial)

São os direitos abstratos que depois não há como fazer cumprir.
É como o Alberto João que pensa ser justificação para a divida colossal ter feito muitas coisas.
Primeiro, são obras de pequena utilidade. Se assim não fosse, as obras geravam receitas capazes de amortizar o investimento não sendo preciso carregar os cubanos do cont'nente.
Segundo, se os Madeirenses têm direito a viver bem, também  os de Arouca e os de Marrocos e não me consta que façam lá obras escondidas e depois nos venham apresentar a conta.

Escolhe outro, amigo.
Ser pobre custa muito mas quem não pode, não pode. Não vale a pena berrar.

Pedro Cosme Costa Vieira



sábado, 17 de setembro de 2011

Electricidade: +30%.

Lembram-se do argumento de que o vento e a água são nossos, não custam nada?
Lembram-se do argumento de que os vira ventos iriam permitir a Portugal uma poupança de não sei quantos milhões em importações?
Lembram-se do Sócrates ir dizer à Assembleia Geral da ONU que "Portugalo is the countri of the aeróliques"?

Fig. 1 - Isto é um recurso renovável mas a brincadeira vai-te ficar cara. Quem paga o investimento nas boobies?

Ai meu Deus porque não avisaste o povo que estávamos a ser enganados?
As energias renováveis são um erro colossal que implica um encargo para os consumidores de energia eléctrica de 1350 milhões de euros por ano.
Em 2008 eu antecipei que avançar-se para as energias Renováveis em detrimento do Nuclear era uma opção que teria elevados sobrecustos para o país. Cheguei a ser entrevistado pelo JN e tive muita gente que me atacou. 
Os vira ventos eram o futuro. O ar e o vento eram de graça pelo que não era possível nada ficar mais barato que isso. O investimento ficava para calote, e o Povo acreditou, principalmente os intelectuais.
Agora vem a factura para pagar: é preciso aumentar o preço da electricidade em 30%.
como já toda a gente identificou, aumentando a electricidade 30%, as emrpesas ou vão à falência ou têm que reduzir nos custos do trabalho.
Então, vem ai mais uma redução do nível de vida induzida pelo aumento do preço da electricidade que as famílias pagam mais uma redução no seu rendimento.
É a parte sombria do keynesianismo: investir aumenta o emprego e o produto.

O Passos Coelho já veio dizer que não está a pensar na energia nuclear que, julgo, poderá ser a solução para o nosso problema energético. Mas estará o Passos Coelho a pensar em alguma coisa?
Penso que não.

Em Portugal está tudo condenado aos 30%.
A electricidade subir 30%;
Os impostos subir 30%;
As prestações dos créditos à habitação subir 30%;
A despesa das famílias em Saúde e Educação subir 30%;
Os salários descer 30%.

Está na hora de Portugal declarar a independência da Madeira.
Imagine que vai jantar com os seus amigos, conta a dividir por todos.
Chega a factura e começa a ler:
António, 11.2€; Manuela, 10.5€; Joaquim, 9.9€, Alberto João, 160€.
- É pá, como pode ser isto? - digo eu.
- Está aqui tudo claro, eu era magrinho e aproveitei para comer duas lagostas e beber duas garrafas de champanhe. Eu também pago a minha parte não sei porque vocêes não querem pagar a vossa. Olhem para o meu prato, estão aqui as castas de tudo, à vista de todos, eles não estão a por preço a mais. Eu precisava de defender as minhas células - diz o Alberto João.
-E quem defende as nossas carteiras? - digo eu.
Temos que falar sem tabus sobre vermo-nos livres da Madeira. Não dá para aguentar mais.
Mais vale ajudarmos Timor que dizem bem dos cubanos do cont'nente e sofrem muito.

Os empreiteiros e outros que fizeram as obras sabendo que não havia cabimento de verbas no orçamento para tal, têm que perder o dinheiro. Custe a quem custar.
Se o Passos Coelho entrar com a massa para a Madeira, vou-lhe fazer a maior guerra que me for possível.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 11 de setembro de 2011

Quanto custará Portugal sair do Euro?

É certo que Portugal vai sair do Euro e voltar ao Escudo.
Sabendo que 2/3 da despesa do Estado são pensões, transferências e salários e, no terço que sobra, 35% são despesas de saúde então, cortar a despesa é "destruir" o Estado Social como o conhecemos.
Cortando a despesa à força toda, já será bom se esta se mantiver ao nível de 2010.
Então, os impostos têm que subir pelo menos 20%: IVA para 30%, TSU para 14% + 28%, etc.
Se aos primeiros anúcios de corte na despesa já toda a gente está a berrar, imaginemos quando começarem a tomar efeito os números que, diz o Gaspar, toda a gente conhece porque estão no Memorando de entendimento com a Troika.
O ajustamento vai ser tão violento que o governo não tem capacidade nem vontade de o fazer.
Onde está o Primeiro Ministro? O ministro da Economia? E todos os outros que eu nem sei que existem?
Só vejo o Gaspar e o da Saúde. Os outros estão assustados e escondidos.

Fig.1 - Descobrimos, os ministros estão aqui.

Como já apresentei nuns cálculos, relativamente a 2010, o Estado tem que emagrecer em em 12.5 mil milhões de Euros que é equivalente a cobrar o "imposto extraordinário" sobre o subsídio de Natal todos os meses do ano. Os particulares também têm que reduzir o consumo noutros 12.5 mil milhões de Euros, o que corresponde a cortar em 1/3 o rendimento disponível (fonte: INE).

Os políticos na "fase terminal"
O nosso governo está a entrar na fase terminal do Sócrates de "não precisamos de pedir ajuda a ninguém porque isso destruirá a nossa reputação. Não, Não, Não, Não, Nunca, Já mais."
Já o Salazar tinha tido a sua fase terminal: "Portugal vai manter o império porque senão desaparece do panorama Mundial, mesmo que o façamos orgulosamente sós".
A monarquei já tinha sido vítima do "temos que lutar com unhas e dentes para manter os territórios históricos de Áfirica, o Mapa Cor de Rosa".
Depois, não foi possível manterem decisões impossíveis de manter e cairam nos descrédito.
O Passos Coelho também está na sua fase final do "não podemos sair da zona euro porque será o descrédito total do país" para quando, daqui a uns meses, termos que sair e o governo cair em total desgraça.

Quanto custará Portugal sair da Zona Euro?
Os especialistas dizem que "sair da Zona Euro tratá um grande prejuizo a Portugal" mas ninguém apresenta um número. Alegam, como justificativo da sua ignorância, que seria um caso único pelo que as repercursõses são imprevisivel mas terriveis.
Então meti-me a investigar este caso e cheguei à conclusão que o custo é ZERO.
Não terá qualquer custo.

Onde fui eu buscar este número?
A ciência não se pode reduzir a estudar os fenómenos do Passado tendo obrigação de se debroçar sobre o que vai acontecer no Futuro. Disse o Einstein que é mais importante a imaginação que o conhecimento porque o conhecimento abarca o que existe ou existiu  enquanto que a imaginação abarca tudo o que vai existir.
Se a humanidade se limitasse a estudar o que já aconteceu, ainda vivíamos em cavernas.
Os "bons" sabem muito sobre o passado mas aqueles que ficarão na História são irremediavalmente aqueles que concentram no futuro. Temos que ter paciência e aceitar menos rigor nos que falam sobre o futuro pois esse é o preço de entrar por caminhos desconhecidos.

Eu peguei em três casos do passado,  a URSS, a Checoslováquia e a Argentina, e generalizei-os.

A URSS
Em 31 de Dezembro de 1991 a Ucrânia e o Kazaquistão abandonaram a Zona Rublo e a Rússia e a Bielorrússia mantiveram-se. Nesse dia, em comparação com 1987, os países da ex-URSS já tinham  perdido pelo menos 40% do PIB havendo estimativas de que as perdas já eram superiores a 50%.
Depois deste dia, a Rússia teve perdas maiores que o Kazaquistão mas todos começaram a recuperar decorridos 4 anos.

Fig. 2 - Comparação entre os países que abandonaram o Rublo e os que ficaram

A Checoslováquia
Em 1993 a Checa separou-se da Eslovaquia dividindo a zona monetária. Nos meses seguintes a moeda da Eslovaquia desvalorizou 25% (relativamente à da Checa). No dia da separação, em comparação com 1987, os dois países tinham  perdido 30% do PIB mas retomaram imediatamente uma trajectória de recuperação

Fig. 3 - Os países que "abandonaram" a Checoslováquia

A Argentina
Em 1991 a Argentina dolarizou a sua economia ao câmbio de 1 peso/usd o que teve um efeito económico positivo até à crise brasileira de 1999. Entre 1999 e 2001 a Argentina perdeu 20% do PIB.
Em Janeiro de 2001 a Argentina separou-se do Dólar Americano com uma desvalozização administrativa de 29% (o câmbio passou de 1/1 para 1.4/1) e em Junho de 2001 o Peso tinha desvalorizado 80% (para 5/1). 
No entanto, nesse mesmo Janeiro 2001 a economia começou uma forte recuperação crescendo nos últimos 10 anos à taxa de 7%/ano (fonte: Banco Mundial).

Fig. 4 - A saída da Argentina da Zona Dólar

A crise Argentina é o que mais se parece com uma saida da Zona Euro: os depósitos estavam denominados em USD que também circulava como moeda corrente.

Generalização
Pegando nos quatro casos que estudei (sairam da Zona Rublo; Ficaram na Zona Rublo; Sairam da Zona Checoslovaca; Sairam da Zona Dólar), é aceitável pensar que as perdas da URSS se devem à restruturação da economia que precisou passar de uma "economia planificada" para uma "economia de mercado" e não pela saida da Zona do Rublo.
A imediata recuperação da Checa, Eslovaca e Argentina criaram em mim uma frote convicção de que não haverá perdas por um país sair da Zona Euro.

Mas as dívidas ficam denominadas em euros pelo que aumentam
Este é o principal argumento para nos "obrigar" a ficar na Zona Euro mas é falso.
Se ficarmos na Zona Euro o rendimento (salários) vai diminuir 25% e temos que pagar as mesmas dívidas.
Se saírmos da Zona Euro, o rendimento mantem-se mas as dívidas aumentam 25%.
Actualmente ganhamos 1000 e pagamos uma prestação de 250.
Se ficarmos na Zona Euro, passamos a ganhar 750 e continuamos a pagar 250.
Se voltarmos ao Escudo, continuamos a ganhar 1000 e passamos a pagar 333.
Isto é perfeitamente equivalente pelo que não haverá qualquer perda.

O mal já está feito
O prejuízo não resulta de saírmos ou ficarmos na Zona Euro mas já está feito e não há como o evitar.
Foi feito no dia em que decidimos gastar mais que o que tínhamos o que levou ao nosso enorme endividamento externo.
É como aqueles que fumam toda a vida e depois morrem numa "prova de esforço". Não foi a prova que os matou mas o facto de terem fumado toda a vida.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A constituição e o limite ao endividamento

Estimado Francisco, obrigado pela questão.
A taxa de juro real de longo prazo exigida a Portugal está acima de 10%/ano. Real quer dizer que se retira da taxa nominal, 12 ponto tal, a taxa de inflação, 2%/ano. Estas taxas de juro levam qualquer país à miséria. São taxas observadas apenas em países em guerra.
A taxa está elevada porque os credores não acreditam que Portugal vá pagar o que deve. Ou vai entrar em bancarrota ou vai abandonar o Euro.
Nunca nenhum país conseguiu manter-se numa zona monetária (i.e., o câmbio fixo) depois de os credores anteciparem que iria sair.

Fig. 1 - Angola, diz a Constituição, é uma Democracia.
Erfuhr von der portugiesischen (este aprendeu com os portugueses)

É uma profecia que se faz auto-concretizar.
Imagine que um barco de recreio que afunda a 10 km da costa e decorrida uma hora chega o pedido de socorro aos helicopteristas. Se estes estão a jogar sueca e dizem "éh pá, o mar está muito bravo, vão morrer todos na mesma, não vale a pena apressarmo-nos", automaticamente que morrem todos.

Será que o Salazar era um froxo?
Nunca mais as taxas de juro vão descer. Isto já aconteceu centenas de vezes e nunca teve solução. É esta a razão porque cada país tem a sua moeda. O Francisco não se recorda, mas nas "províncias ultramarinas" começou por circular o Escudo mas o Salazar teve que criar uma moeda para província. Mesmo dizendo que eram parte integrante de Portugal, não conseguiu manter a províncias ultramarinas integradas na Zona Escudo.
Até o Macauzito teve que ter a Pataca que ainda hoje perdura. A China não integrou Macau na sua Zona Monetária. Serão os chinas nabos e nós os mais finos do Mundo? Mau. Eu sou democrata e 1300 milhões a dizer que não funciona e 10 milhões a dizer que funciona, eu vou pelos 1300 milhões.

Eu andava no Thai Shi
E havia um Grande Mestre Chinês que, uma vez por ano, vinha de Inglaterra dar uma aula. Batia com o pé no chão e o prédio estremecia todo mas eu, está quieto que isto é frágil. "Nau, Nau foot stlong, stlong". Um dia, "stlong, stlong, bummmm, aiiiiiii, xhau xhing stal fui di do". Partiu o tornozelo.

Escrever na Constituição
Portugal assinou tratados com a UE na qual se comprometeu a ter um défice menor que 3% do PIB, tendencialmente 0% e uma dívida pública inferior a 60% do PIB, tendencialmente 30%. Mas nunca cumpriu. E o governo do Guterres, Santana Lopes, Sócrates, Alberto João e grande percentagem da população portuguesa está-se borrifando para isso.
Então, assinar mais papeis não aumenta a nossa credibilidade em nada.
A sr.a Merkel pensou que, se os PIIGS escreverem na Constituição, talvez eu consiga convencer os alemães a ajudá-los.

É perda de tempo.
Vamos supor que se escreve na constituição que a défice tem que ser menor que 3% do PIB. Na lei do orçamento, tudo bem: se estiver lá previsto um défice maior que 3%, a lei de orçamento será inconstitucional.
O problema está na concretização do orçamento. Como se faz quando houver um desvio? o Estado não paga? Os credores perdem o dinheiro? O tribunal de contas tem que dar visto prévio? mas agora já é praticamente assim e ninguém cumpre.

O que está escrito na Constituição
Que toda a pessoa tem direito a constituir família. E as feias e gordas que não arranjam ninguém o que podem fazer? Metém o Estado em tribunal? Pedem ao Tribunal Constitucional que lhes arrange um parceiro? Pedem indemnização ao Estado? Ainda na sexta-feira passada uma veio a minha casa com essa conversa. A Constituição, a Constituição, ... Fui logo consultar um advogado que me disse que todos temos obrigação de promover o cumprimento da Constituição pelo que vou ter que a carimbar. Lá terá que ser por obrigação da Constitucional.
O Afeganistão escreveu na Constituição que é um estado laico e que a pessoa pode ter a religião que quiser. Alguém acredita que vão dar cumprimento a isto?
O Kadaffi também dizia que era um democrata.

Não vale a pena perder tinta com isso.
É como um mulher feia pensar que dizendo trinta vezes seguida que é bonita que melhora. Não vale a pena. Ninguém vai acreditar que, de repente, vamos mudar de caloteiros para cumpridores.
E depois mete-se o Alberto João a Primeiro Ministro.
E é pior escrever pensando que os nossos problemas vão ficar resolvidos, depois constatar que as taxas de juro se mantêm altas, e o povo ver que o Governo não sabe o que anda a fazer.

Temos é que tratar dos nossos problemas.
Cortar salários o que irá reduzir o desemprego, aumentar as exportações e trazer crescimento económico.
Aumentar os impostos e reduzir as reformas, abonos, assistência médica, ensino, para reduzir o endividamento do Estado.
Sair do euro.
Tudo o resto é dar rebuçados benzidos pelo Padre Pio pensando que curam o cancro.

Um abraço,

Pedro Cosme Costa Vieira

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