quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Estive à espera da 20.ª sondagem

A AD e o PS continuam estatisticamente empatados mas agora com vantagem para a AD.

Em termos descritivos, nas primeiras 10 primeiras sondagens o PS mostrou mais intenções de voto (30,6% contra 29,7%) e nas últimas 10 sondagens, o PS passou a estar atrás da AD (30,3% contra 32,2%). A inversão ocorreu porque a AD aumentou nas intenções de voto (+2.5pp) e nem tanto pela descida do PS (-0.3pp). 

Agregação das intenções de voto

Apesar de, em termos descritivos, a AD ter melhorado e de o gráfico mostrar uma tendência, em termos rigorosos, não podemos garantir que há uma tendência de progresso da AD.

Evolução da vantagem da AD face ao PS

Fazendo o teste estatístico da tendência da recta da figura anterior, ainda estamos longe de termos um valor estatisticamente significativo.

                    Estimate    Std. Error     t value      Pr(>|t|)

(Intercept)  -1.8582        2.1733        -0.855       0.404

x                  0.2277        0.1736         1.312       0.206

Para ficar garantido a 95% de que há uma tendência de crescimento da AD seria necessário que o valor marcado a vermelho fosse inferior a 0.05.

Agora, posso prever o número de deputados com as 10 últimas sondagens.

O bloco PS+BE+PCP+Livre estão a lutar para ter mais deputados que o bloco AD+IL. As últimas 10 sondagens indicam, em termos descritivos, que estes dois blocos estão empatados em torno dos 92 deputados com vantagem para a direita.

Em termos probabilísticos, a AD+IL tem uma probabilidade de 86% de ganhar este combate.

Se há 2 meses as sondagens indicavam uma probabilidade muito remota de o Montenegro formar governo, agora, as coisas estão totalmente diferentes.

O Partido Comunista arrisca-se a eleger apenas um deputado.

 

Previsão de deputados baseada nas últimas 10 sondagens


O problema do bloco AD+IL é assumir que o CHEGA se vai abster.

Se o Montenegro formar governo, será errado excluir o CHEGA porque terá uma oposição muito forte, com promessas que são impossíveis de realizar como, por exemplo, a convergência das pensões mínimas ao salário mínimo.

É impossível em termos de despesa pública mas também é injusto porque quem trabalha tem custos (deslocações, alimentação fora de casa e roupa) e faz um esforço que não existem nos reformados.


Para avaliar as campanhas eleitorais vou comparar com as 10 primeiras sondagens.

Comparando as primeiras 10 sondagens com as últimas 10 sondagens, o perdedor é o BE (com -6 deputados) e há dois ganhadores, a AD (+6 deputados) e o CHEGA (+5 deputados).

A IL, está-lhe a correr mal a campanha eleitoral, talvez por se concentrar apenas na descida do IRS e do IRC. Talvez estejam com medo ou incapacidade de explicar as vantagens (e custos) do liberalismo.

Em termos relativos, quem perdeu mais nestes últimos 2 meses foi o PCP (perdeu 2/3 dos potenciais deputados) e o PAN que desaparece.

Previsão de deputados baseada nas primeiras 10 sondagens


O CHEGA é o único partido com tendência de subida estatisticamente significativa

Os comentadores querem dizer que o CHEGA está a "esvaziar" mas não é verdade. As sondagens têm oscilações mas, corrigindo essas oscilações, há uma evolução positiva ao longo da campanha eleitoral.

 Quando na primeira sondagem em Novembro o CHEGA aparece com 13.5% das intenções de voto, já se tratava de um aumento extraordinário relativamente aos 7,2% de 2022 (e 12 deputados). A média de hoje anda nos 18% e 46 deputados potenciais.

Claro que o CHEGA não vai conseguir ser o segundo partido mais votado mas nunca ninguém acreditou de que isso seria possível. Mas se se concretizar o aumento de 12 para 46 deputados com voto útil à direita, será um resultado extraordinariamente extraordinário.

Evolução das Intenções de voto no CHEGA nas últimas 20 sondagens


A estatística tem destas coisas.

As sondagens não permitem garantir que que a AD está a melhorar relativamente ao PS mas permitem afirmar que há 2 meses era mais provável o PS ganhar e que hoje é mais provável a AD ganhar.




O problema da imigração não é a imigração mas o esquerdismo pseudo-protetor dos imigrantes

Na economia produzem-se "bens transaccinável" e "bens não-transaccinável".

Um bem transaccionável pode ser produzidos num local e consumido noutro local distante. Por exemplo, um processador pode ser desenhado na Califórnia, produzido em Taiwan com wafers produzidas na China e equipamento produzido na Holanda e na Alemanha, o computador montado em Portugal e, finalmente, usado em Angola.

Um bem não-transaccionável tem de ser produzido no local ou próximo do local onde vai ser consumido. Por exemplo, para uma pessoa dormir em Paris, o alojamento tem de ser produzido em Paris.

Os bens transaccionáveis podem ser importados, por exemplo, apesar de todos termos necessidade de consumir arroz, milho, batatas, carne, peixe, frutas, legumes, um país não precisa de os produzir, podendo importá-los. Por exemplo, Singapura não  produz este tipo de bens e, mesmo assim, os singapuranos não passam fome. 

Os bens não-transaccionáveis não podem ser importados, por exemplo, todas as pessoas precisam de abrigo (de uma casa para morar) e este bem não pode ser importado, tem de ser produzido  no local em que vai se utilizado.


Há operações que têm maior valor acrescentado.

A produção de um bem obriga à execução de muitas operações sendo que umas são simples (e com baixo valor acrescentado) e outras são complexas (e com alto valor acrescentado). Por exemplo, um restaurante produz um bem não transaccioável (uma refeição em Paris) usando operações simples (limpeza, segurança, serviço de mesa) e operações complexas (cozinhar, receber os clientes, decoração). 


Para que servem os imigrantes?

Vamos supor que um "país" que tem 10 nativos. Nesse país existe um restaurante que paga 100€/dia de renda e tem 1 "chefe" que ganha 300€/dia e 9 "indiferenciado" que ganham 100€/dia cada. Com as instalações e os 10 empregados, o restaurante consegue servir 100 refeições por dia a turistas o que dá um custo de 22€/refeição para o serviço (há ainda os ingredientes das refeições que são importados).

Neste "país", cada nativo cria (300+9*100)/10 = 120€/dia de valor e ainda 100€/dia como remuneração do capital.


Vamos supor que os nativos são todos muito instruídos em culinária e há muitos turistas.

É importante assumir que todos os nativos são capazes de executar operações complexas e que há, potencialmente, mais turistas.

O restaurante vai continuar a ter o "chefe" (que ganha 300€/dia) e vai promover os 9 nativos "indiferenciados" a "sub-chefes" que passam a ganhar 200€/dia. 

Esta transformação apenas é possível se forem contratador 23 imigrantes (pagos a 100€/dia) para executar as "operações pouco complexas".

Agora, com um total de 33 trabalhadores, o restaurante passa a conseguir servir 200 refeições por dia (mantém-se o custo do serviço de 22€/refeição).


Qual a vantagem para os nativos?

Se antes, em média, os nativos produziam 120€/dia de valor, com a ajuda dos imigrantes, passam a produzir (300+9*200)/10 = 210€/dia.


Qual a vantagem para os imigrantes?

Como vêm executar operações simples, podem vir de países onde a produtividade é muito baixa, isto é, de países mais pobres.

Ao chegarem ao novo país, aproveitando-se do capital que existe nessa economia, serão mais produtivos e, desta forma, poderão ter um rendimento superior.

Se, por exemplo, no Nepal um trabalhador indiferenciado consegue ganhar 10€/dia, em Paris consegue ganhar 100€/dia e, mesmo assim, contribuir para a melhoria de vida dos nativos.


Os nativos especializam-se nas operações com maior valor acrescentado.

Os esquerdistas dizem que os imigrantes têm de ter os mesmos direitos dos nativos mas isso faz com que deixe de haver ganho para os nativos. Em consequência, ao mais pequeno dos incidentes, aparece nos nativos o ressentimento e a aversão aos imigrantes.

Apenas deixa de haver reservas à entrada de imigrantes se tal induzir um incremento no nível de vida de todos e cada um dos nativos.


O problema é que os nativos "indiferenciados" vão ter perda no nível de vida.

Se não forem desenhadas políticas de compensação, os trabalhadores menos escolarizados vão-se sentir prejudicados. Por isso é que a imigração tem maior nível de rejeição entre os nativos menos escolarizados e com menos rendimentos.


O problema dos imigrantes no Alentejo foi o "combate às máfias de tráfico de pessoas".

Os imigrantes, do Nepal, Bangladesh, Marrocos ou Timor, precisam de alguém que os ajude a arranjar alojamento, alimentação, transporte, segurança e trabalho. 

Os produtores agrícolas precisam de trabalhadores, os senhorios precisam arrendar as casas, os taxistas precisam de fazer transportes e os restaurantes precisam de vender refeições.

O problema é que a combinação das vontades de todos os agentes económicos é difícil, precisa de ser oleada, porque os imigrantes não dominam a língua nem conseguem relacionar-se com os nativos.

A vantagem da economia de mercado é que, sempre que há uma oportunidade de negócio, surgem agentes económicos disponíveis, mediante um pagamento, de fornecer o serviço. Neste caso, surgiram pessoas que ligavam as peças soltas.

Os esquerdistas lembraram-se de chamar a estas pessoas "máfia traficante de pessoas" o que levou ao desmantelamento das ligações económicas. 

Como os esquerdistas não substituíram os "traficantes de pessoas" na prestação dos serviços de ligação, no final, os imigrantes ficaram prejudicados (sem transportes e trabalho e, consequentemente, sem alojamento nem alimentação, a viver na rua como pedintes). Também ficaram prejudicados os produtores agrícolas e os consumidores (estranham o azeite e os produtos agrícolas terem aumentado de preço?).

As crianças nepalesas têm escola e podem estudar enquanto os pais tiverem trabalho nas estufas de Odemira.

O esquerdismo causou prejuízo em todas as pessoas.

Primeiro, causou prejuízo nas "máfias de tráfico de pessoas" que mais não são do que portugueses que forneciam serviços de coordenação económica.

Segundo, ficaram prejudicados os imigrantes porque ficaram sem trabalho e, consequentemente, sem rendimento.

Terceiro, ficaram prejudicados os produtores agrícolas que não têm quem trabalhe nas operações de menor valor acrescentado.

Quarto, ficaram prejudicadas as pessoas que arrendavam as casas e realizavam os transportes.

Finalmente, ficaram prejudicados os consumidores que viram os preços aumentar.


No final , quem ganhou foi o CHEGA.


No poste seguinte vou avançar com políticas capazes de tornar os imigrantes queridos por todos.


sábado, 24 de fevereiro de 2024

Sondagem 18 : Está tudo igual no reino de Portugal

Hoje (23-02-2024) foram publicadas duas sondagens.

Uma da Católica com 1284 respostas da católica e outra da TVI com 800 respostas.

Da mesma forma que o mar calmo não dá para fazer surf, sondagens sempre iguais, não dão notícias.

Com são precisas notícias, há que transformar as pequenas oscilações estatísticas que acontecem de sondagem para sondagem em grandes tendências (que estão totalmente erradas).


De onde vem a oscilação das sondagens?

Vem de duas coisas.

Primeiro, obtêm-se os "dados brutos" seleccionando uma amostra aleatória com alguns milhares de números telefónico e, depois, telefona-se a essas pessoas até terem, por exemplo, 800 respostas válidas. 

Como as pessoas são obtidas de forma aleatória, por sorte e azar, umas vezes caiem mais umas voltadas para um partido e outras vezes, mais outras voltadas para outro partido.

Segundo, a empresa de sondagens transforma os "dados brutos" em "estimativas das intenções de voto" que pondera as observações usando, por exemplo, o sexo, o local de residência, a idade, a escolaridade, sendo que estes ponderadores incluem um factor de ajustamento entre as sondagens de outras eleições  e os resultados eleitorais efectivos nessas datas.

 Apesar de haver este erro, a amostra sendo criada de forma aleatória, permite usar a "generalização estatística".


Mas vamos à tendência da AD versos o PS.

Peguei nas 18 sondagens (não considerei a famosa "sondagem brasileira") e fiz um gráfico da diferença (sem abstenção) entre a AD e o PS.

Depois, fiz um teste estatístico à tendência (a reta a preto).

Há uma pequena tendência de subida da diferença entre a AD e o PS, 0.16 pontos percentuais a cada sondagem (2.7 pp entre a primeira e a última sondagem), mas não é estatisticamente significativa.

Fig. 1 - A vantagem da AD face ao PS está com uma pequeníssima vantagem (em 18 sondagens ).


comparando as primeiras 9 com as últimas 9 sondagens, AD aumenta 1 ponto percentual (passa de 30.2% para 31.2%) e o PS mantém as intenções de voto (passa de 30.5% para 30.6%).

O teste estatístico à tendência usando WLS
AD = c(266,316,290,350,297,328,285,274,304,248,286,293,333,290,330,286,361,316)/100
PS = c(264,286,338,281,319,292,300,359,293,314,341,315,292,267,301,342,299,276)/100
w = c(604,1102,802,575,803,803,611,805,801,637,801,804,1194,504,804,805,1284,800)
difer=AD-PS
dados=data.frame(x=1:18,AD,CHEGA,PS,difer)
summary(lm(difer ~ x, data = dados,weights=w))

O print dos resultados 
Coefficients:
                   Estimate     Std. Error     t value     Pr(>|t|)
(Intercept)  -0.14270    0.23628         -0.604     0.554
x                 0.01624     0.02117         0.767       0.454

Residual standard error: 13.51 on 16 degrees of freedom
Multiple R-squared:  0.03547,   Adjusted R-squared:  -0.02481 
F-statistic: 0.5885 on 1 and 16 DF,  p-value: 0.4542

Para haver uma tendência de crescimento da AD face ao PS estatisticamente significativa a 95%, o valor  0.454 teria de ser inferior a 0.05.

Fazendo a média das sondagens.

Considero as 9 primeiras sondagens, as últimas 9 sondagens e todas as 18 sondagens, sendo a média ponderada pelo tamanho das amostras.

Está tudo completamente empatado.

Se nas primeiras 8 sondagens a AD tinha uma desvantagem de 0.5 pp, nas últimas 8 tem uma vantagem de 0.7 pp, o que não é nada atendendo à oscilação aleatória (que expliquei acima).

Resultados eleitorais (sem abstenção e com 8 partidos) compatíveis com as últimas sondagens

Agora, calcular os deputados.

Considero as 8 últimas sondagens no cálculo dos deputados esperados. Apesar de a AD subir um bocadinho, em termos centrais, ultrapassa o PS mas dentro do intervalo de erro (AD entre 77 e 84 e PS entre 75 e 82, com uma confiança de 95%). 

Previsão do número de deputados na próxima legislatura

O PCP está a afundar e vai ficar com um máximo de 2 deputados.

Um deputado será por Setúbal (onde só elege 2 deputados se tiver 10%) e o outro será por Lisboa (onde só elege 2 deputados se tiver mais de 4%). Vai perder estes deputados para o CHEGA. 

E pode ficar apenas com um deputado, por Lisboa.

O PCP está a trilhar o caminho do CDS, mas de forma ainda mais acelerada, para o desaparecimento. Mais umas eleições e desaparece de vez (a menos que o PS meta dois nas suas listas :-).

O Livre está com forte probabilidade de eleger um deputado por Lisboa mas o PAN precisa de um milagre para não desaparecer. As Pessoas comeram os Animais e, os rateres da motorizada, mandaram a Natureza pelo cano abaixo.


O Montenegro melhorou as suas perspectivas de vir a ser primeiro-ministro.

Apesar de as últimas duas sondagens não conseguirem garantir que a AD está numa tendência de subida para a vitória, em termos probabilísticos, melhoraram bastante as perspectivas do Montenegro.

Sem considerar o CHEGA (pensando que se abstém), na semana passada as hipóteses do Montenegro estava em 1 para 16, esta semana estão em 1/1, tipo, atirar a moeda ao ar e fica se sair cara.

AD > PS e

AD+IL > AD+IL > PS+BE+PCP+Livre (retirei o PAN pois pode cair para qualquer dos lados).

Digamos que Montenegro está verdadeiramente empatado mas terá uma governação muito difícil já que precisa da abstenção do CHEGA e todos os projectos legislativos o que não irá conseguir.


O Montenegro está empatado com quem?
Como o PSD+CHEGA vão ter maioria absoluta, o empate não é com o Pedro Nuno mas com o próximo que o PSD indicar.

Sim, eu prevejo um governo PSD+CHEGA liderado pelo Passos Coelho.


Espero ansioso pela próxima sondagem

Achei interessante um trabalho feito pela Faculdade de Economia do Porto.

Tira esse trabalho conclusões a partir de "ses".

"Se a taxa de crescimento do PIB fosse a partir de 2000 a mesma que entre 1960 e 2000..."

Mas se a minha avó fosse viva e tivesse rodas, seria uma trotinete.

A taxa de crescimento do PIB per capita português entre 1960 e 1973 foi de 7.3%/ano


Posso também dizer que, se a taxa de crescimento do PIB per capita português depois do 25-de-abril-de-1974 fosse a mesma que a observada entre 1960 e 1973, hoje seríamos o país mais rico do mundo.

Talvez chamar o Salazar e o Caetano da tumba para ensinar economia aos especialistas do PSD para passarmos a crescer à séria.

Se tivesse acontecido o que não aconteceu seríamos muito mais ricos que a Alemanha e não somos.


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Do que estão a falar o PS e a AD quanto ao apoio de um ao outro?

Nos últimos dias tem havido um namoro/divórcio constante entre PS e AD.

O Nuno Melo veio dizer que "deve governar quem ganhar e, por isso, a AD deve apoiar o PS se este ganhar".

Depois, engasgou-se todo e desdisse e disse que não desdisse. 

O Pedro Nuno Santos também disse que apoiava, ou melhor, não obstaculizava um governo da AD se esta ganhasse as eleições e logo dizem que desdisse.

Mas não é nada disso do que estão a falar, estão apenas a ponderar 2 cenários pós-eleitorais em que o CHEGA é excluído das contas da governabilidade.


Cenário 1 = Esquerda "manca" ganha

O PS + BE + PCP + Livre + PAN tem mais deputados do que o PSD + CDS + IL

 

Cenário 2 = A direita "manca" ganha

O PSD + CDS + IL tem mais deputados do que o PS + BE + PCP + Livre + PAN


Como o Cenário 1 é muito mais provável do que o Cenário 2 ... 
Atendendo às últimas 8 sondagens publicadas, o Cenário 1 tem mais de 90% probabilidade  e o Cenário 2 menos de 10% de se materializarem na noite do próximo dia das eleições. 

Sendo o cenário 1 muito mais provável, interessa ao Pedro Nuno Santos dizer que deixa a AD governar no caso de acontecer o cenário 2, improvável, mas quer que a AD apoiem o governo PS no caso de se materializar a cenário 1, muito provável.


Mas ainda há o Cenário 3 = a direita "inteira" ter maioria absoluta

O PSD + CHEGA terem maioria absoluta. 

Independentemente de ganhar o PS e de o PS+BE+PCP+Livre+PAN terem mais deputados que a AD+IL,  o cenário mais provável, acima de 99%, é haver uma maioria absoluta do PSD com o CHEGA.

Em termos centrais e antes da sondagem de amanhã que dizem ser extraordinária, em termos centrais, o PSD vai eleger 75 e o CHEGA vai eleger 48 deputados, o que dá 123 deputados, muito mais do que os 116 da maioria absoluta.

E para este cenário 3, quase certo, ninguém diz nada porque nem o Montenegro nem o Pedro Nuno Santos serão  o próximo primeiro-ministro.

Haverá outro do PSD que, na minha previsão, será o Pedro Passos Coelho mas aceito apostas.

Tem cromossomas XX ou XY? Aceitam-se apostas.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

O PS está errado - A reindustrialização é um erro que só nos levará à pobreza

O candidato do PS defende copiar Cavaco Silva, reindustrializando a nossa economia.

Olhando para os bens industriais que compramos, parece evidente que a grande maioria é importada da Ásia, os bens com pouca tecnologia, principalmente roupa e calçado, da Índia, Vietname e Indonésia; com tecnologia intermédia, exemplo, televisores e trotinetes, da China e; com tecnologia elevada, como computadores, de Taiwan e Coreia do Sul.

Sendo assim, mais não se pode concluir do que, para sermos mais ricos, temos de incentivar as industrias capazes de produzir os bens que importamos, especialmente, os de elevada tecnologia.

Como o PS tem sempre na sua mente que o Estado deve decidir o caminho que a economia tem de tomar, tornando tudo o que não presta, como a TAP ou os comboios, em "estratégico", o candidato Pedro Nuno Santos quer dar subsídios chorudos a industrias que ele ache "estratégicas".


Nós já vimos muito disso na Europa.

Os USA têm mais do dobro da área da União Europeia. 

A riqueza da União Europeia é 64% da dos USA.

Há alguma razão para a Europa Ocidental ser mais pobre que os USA?

Há a razão dos projectos estratégicos.

A Europa ocidental acha estratégico ter 4000 km de "comboio de alta velocidade" que só dão prejuízo e, não contente, planeia vir a ter 7000 km, umas centenas em Portugal.

Por oposição, os USA têm ZERO, NICLES, BATATA, BOLA quilómetros de "comboio de alta velocidade".

Na UE só se fala de "hidrogénio verde", coisa totalmente ausente da boca dos decisores políticos dos USA.


Vou falar no exemplo dos computadores.

O processador com maior desempenho que existe é o "AMD Ryzen Threadripper PRO 7995WX" que tem um preço recomendado nos USA de 9200€, 10000USD (a PcComponentes está a pedir 18226,60€).

Este processador é fabricado pela TSMC, a empresa de Taiwan que é líder mundial em termos tecnológicos de produção de processadores. o "núcleo" é um chip de 71 mm2  no "Node 5nm" e "Input-Output" são 12 chips com um total de 388 mm2 no "Node 6nm".

A Europa Ocidental não tem capacidade para produzir este processador, apenas tendo capacidade quando a fábrica da Intel na Irlanda estiver operacional (tecnologia americana).

Sendo que é a TSMC que fabrica o processador em Taiwan, pensarão os socialistas que são os trabalhadores desta empresa que criam valor, que, quando alguém compra um processador está a remunerar o trabalho dos taiwaneses.

Mas estão completamente errados, o dinheiro vai em grande parte para os US, para os trabalhadores que desenharam o chip (a AMD é uma empresa que desenha processadores mas que não os produz).

18226,60€ na palma da mão

Quanto pagará a AMD por cada processador feito em Taiwan?

É informação confidencial mas posso calcular uma estimativa.

A TSMC está a cobrar por uma bolacha de 300 mm 11762€ no "Node 5 nm" e 10450€ no "Node 6 nm" (com uma densidade de defeitos de 0.1 por cm2). Então, uma bolacha dá para produzir 820 chips do "núcleo", ficando cada um em 14,50€ e 1900 chips de "Input-output", ficando cada um em 5,50€.

Os 13 chips vão custar 14,50€+12x5,50€ = 80€.

Temos depois o empacotamento, juntar os 13 chips e fazer as ligações, com muita margem, vou aceitar outros 80€.

Traduz isto que fazer o processador mais avançado da actualidade, o "AMD Ryzen Threadripper PRO 7995WX", com tecnologia de ponta, usando trabalhadores altamente especializados e escravos do trabalho, o processador desenhado nos USA é comprado pela AMD em Taiwan por uns míseros 160€ e, depois, vendido em Portugal por 18226,60€.

O custo industrial de produção é menos de 1% do preço de venda.

 

Não precisamos de produzi mas de desenhar.

A produção industrial "cria" apenas 1% do valor acrescentado do Chip, sendo o desenho que cria a maior parte do valor acrescentado (e o IVA :-).

Os trabalhos que criam vais valor acrescentados são nos serviços (de que o desenho de processadores é um exemplo).

Apesar de se dizer que no turismo (que são serviços) os salários são baixos, temos de corrigir pela "competência profissional", isto é, a maior-parte dos actuais trabalhadores do turismo têm pouca competência (não seriam nunca capazes de desenhar chips sofisticados) mas suficientes para fazer camas, lavar e arrumar os hosteis, servir às mesas. Seriam muito menos produtivos na agricultura, pescas ou industria mesmo que esta fosse de alta tecnologia (seria preciso importar estrangeiros).


Os telemóveis são produzidos na China mas os processadores Snapdragon são desenhados nos USA pela Qualcomm.

Os equipamentos são produzidos na China e em Taiwan mas os processadores são desenhados nos USA.

E é nos USA que está o valor acrescentado e, por isso, é que são muito mais ricos do que os europeus.


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Saiu a 16.ª sondagem e, cada vez mais, estamos no empate.

Já foram publicadas 16 sondagens mas os comentários na comunicação social continuam fracos.

As nossas universidades, os professores, interpretam o conceito de probabilidade de forma muito restritiva e limitada. 

Como as nossas universidades são instituições destruidora das novas ideias (só quem diz amém e lambe botas é que progride), esta visão estreita perdura ao longo da décadas, acabando transmitida aos alunos que, depois de entrarem na vida activa, não são capazes de criar conhecimento a partir da informação disponível nas sondagens.

Todos que fomos avaliados numa universidade sabemos que a "verdade" é imposta pela autoridade e não pela razão,  que quem não responder como a autoridade disse ser a "verdade", terá a resposta classificada como errada.


Para que serve a estatística?

A estatística surgiu para descrever problemas naturais que têm "muitos graus de liberdade", isto é, muitos números mas cada número individual contém pouca informação.

Quando um vendedor de "bandeiras do FCP" decide a quantidade de bandeiras que vai levar para a sua banca à porta do Estádio do Dragão, a sua decisão não está dependente do conhecimento aprofundado de um um adepto particular mas da "massa", das centenas de milhar de adeptos do FCP que vão estar presentes no jogo do dia seguinte.

Cada adepto tem muito pouca informação, não sendo possível adivinhar se o adepto vai comprar uma bandeira mas, a "massa" com centenas de milhares de adeptos no seu conjunto mesmo tratada de forma "grosseira", já contém informação que permite ao vendedor prever uma quantidade óptima de bandeiras.

Com os dados dos jogos anteriores, o vendedor consegue prever, em função de algumas variáveis (temperatura, se vai chove,  lugar na classificação, número de jogos já realizados) quantas bandeiras vai, a média e o desvio, vender.

Com os dados tratados no conjunto, apesar de forma grosseira, o vendedor passa a ser capaz de calcular o lucro médio em função do número de bandeiras que vai levar (e a variabilidade do lucro) e, desta forma, determinar o número óptimo de bandeiras.


Onde está o problema das estatística das nossas universidades?

Assumem que as vendas vão ser um valor concreto e, por isso, não podemos avançar com um número partindo das observações do passado.

Quem estudou estatística, no estudo da significância de um parâmetro, vai-se recordar que "O parâmetro é um valor concreto e, por isso, nada mais podemos dizer do que H0: é zero ou H1: é diferente de zero".

No caso das sondagens, o resultado eleitoral (o número de deputados) vai ser um número concreto e, por isso, não podemos dizer a partir das sondagens qual vai ser esse número. 

Sendo assim, os estatísticos das nossas universidades e, consequentemente, os comentadores, ficam-se pela análise à Lapalice ("O PS tem 25% de intenções de voto e a AD de 23% de voto pelo que o PS está à frente nas intenções de voto" :-).


Mas as sondagens têm informação e, por isso, permitem obter conhecimento.

Vamos supor que um país desconhecido, o Baristão, vai a eleições e há dois partidos, o AB e o CD.

Se nada nos for dito, o melhor que podemos dizer é que "a probabilidade de ganhar o AB é de 50%".

Mas se nos for disponibilizada uma sondagem com 1500 respostas, recolhida de forma aleatória, em que o partido AB obteve 25% das intenções de voto, posso afirmar que a probabilidade do AB ganhar é inferior a 50%.

A última máxima dos comentadores é que as sondagens falham mas o que falha são os seus comentários.

Não me vou alongar mais neste ponto pois o estimado leitor já deve estar aborrecido.


Como estão as perspectivas para o dia 10 de Março.

Primeiro, cada sondagem que aparece torna mais claro que o PS e a AD estão empatados mas com uma muito ligeira vantagem para o PS.

Além de haver empate, não existe tendência da AD aumentar nem diminuir, está tudo estacionário, parado, flat.

Fig. 1 - Evolução da "vantagem" da AD relativamente ao PS (16 sondagens publicadas)


Para quem percebe de inferência estatística,  apresento o teste estatístico WLS:

                   Estimate     Std. Error      t value    Pr(>|t|)

(Intercept)  -0.5031      2.3290           -0.216     0.832    Não significativo

x                 0.0194       0.2392           0.081      0.937    Não significativo


Vamos aos resultados.

O que vou afirmar a partir deste ponto é totalmente impossível de ser afirmado pelo estatísticos das nossas universidades. Ficam como o "burro no meio da ponto" dizendo que não posso dizer isto nem o seu contrário.


No sentido de provar que não falham, vou apresentar o intervalo de confiança de 99% e de 95% e garanto que os resultados eleitorais vão cair nestes intervalos de confiança.

Com 99% de confiança, o PS + BE + PCP + Livre vai ficar com uma máximo de 100 deputados e o PSD+CHEGA com um mínimo de 118 deputados (maioria absoluta).

Fig. 2 - Resultados eleitorais que vamos observar na noite de 10 de Março de 2024


E como estamos de probabilidades?

O PCP está a caminhar rapidamente para se reduzir a apenas 2 deputados por Lisboa.

O Livre está na "moeda ao ar" tanto pode eleger como não o rui Tavares por Lisboa.

O PAN está totalmente condenado ao fracasso (tem 5% de probabilidade de reeleger Sousa Real).

As possibilidades do Montenegro aumentaram ligeiramente por causa da descida do BE+PCP+Livre. Neste momento está com uma probabilidade de 1 para 16 de chegar a primeiro-ministro (contando com a abstenção do CHEGA que pode não acontecer) o que é muito poucochinho.

Fig.3 - Não é por os estatísticos dizerem que não posso engravidar que não vou continuar a tentar.


Para confirmação, aqui vão as sondagens que eu tenho.





sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Saiu a 15 sondagem e tudo na mesma

Penso que a decisão dos eleitores já está tomada.

Os partidos que tinham de subir já subiram e os que tinham de descer já desceram.

Agora, é esperar pelo dia 10 de Março e confirmar as sondagens.


No fundo as sondagens nunca falham.

A previsão da percentagem de votos nas eleições com base nas sondagens é uma variável aleatória que pode assumir qualquer valor entre 0% e 100%. Relativamente ao número de deputados, um partido pode ter entre 0 deputados e 230 deputados.

A sondagem contém informação pelo que podemos ter mais confiança nuns resultados do que noutros. Em particular, posso calcular o valor central (a média) e o intervalo de resultados possíveis onde vai cair o valor real com 95% de confiança.

Sendo assim, sendo a previsão de que a AD vai ter entre 72 e 80 deputados não é impossível que, na noite do 10 de Março, possa ter 50 ou 120 deputados, apenas é muito pouco provável.

Digamos que não apostava dinheiro que a AD vá ter maioria absoluta mas não meto a minha cabeça no cepo por isso.


Vamos aos resultados de hoje.

Já tenho 15 sondagens que somam 11650 respostas mas vou considerar apenas as últimas 8 sondagens que somam 6350 respostas (e comparar com as primeiras 7 sondagens).


Para mostrar que a AD não está nada em grande dinâmica, apresento o gráfico da evolução da distância entre a AD e o PS.

É verdade que as últimas 3 sondagens mostram a AD à frente do PS mas, no quadro geral, o PS aparece à frente em 7 e a AD em 7, tudo empatado (a média das 15 sondagens dá 30,2% para a AD e o 30.5% para o PS, mais empatado não podia estar).  

Evolução da diferença nas tendências de voto AD-PS nas últimas 15 sondagens publicadas.

Parece-me é que os partidos mais pequenos se estão a afundar, com os votos a concentrarem-se no PS+AD+CHEGA. 

Evolução nas tendências de voto nos 5 partidos mais pequenos.

É o voto útil a funcionar. Tirando Lisboa e Porto onde os pequenos partidos podem eleger um deputados (precisam de 2.1% e 2.5%, respectivamente), o BE só tem hipóteses em Setúbal e a IL em Aveiro. 

Lista dos 6 maiores círculos eleitorais


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Com a 14ª sondagem, o PS continua empatado com o PSD

 Hoje (12Fev2024) saiu uma sondagem muito pequena.

Tem apenas 504 respostas o que a torna na mais pequena sondagem que foi publicada desde que o governo caiu.

Como é pequena, não tem capacidade para alterar de forma significativa o que sabemos sobre as intenções de voto nas próximas legislativas.

A primeira indicação é que o aumento das intenções de voto no PS foi apenas devido a oscilações estatísticas próprias do processo aleatório das sondagens. 

Dividindo as 14 sondagens que já foram publicadas, nas primeiras 7 a AD tem uma vantagem de 0.7 pp e nas últimas 7 sondagens a desvantagem aumentou para 1.9 pp, uma ridicularia atendendo à aleatoriedade  do processo de amostragem.

Fig. 1 - Intenções de voto com 7 e 14 sondagens, abstenção dividida proporcionalmente

Assim, cada vez mais vemos que o PS está empatado em intenções de voto com a AD.

Fig. 2 - Evolução da diferença AD-PS (14 últimas sondagens, abstenção dividida proporcionalmente)

Apesar de as últimas duas sondagens terem sido um pouquinho mais favoráveis à AD, está tudo dentro das normais flutuações estatísticas.

O o PS e a AD "dançam" em torno dos 30% e o CHEGA subiu uns pontinhos (em termos "centrais", subiu de 15% para 18%) não conseguindo identificar quem desceu (a estatística tem destas limitações, em que se conclui que um sobe de forma significativa mas não se identifica nenhum que desça de forma significativa).

Fig. 3 - Evolução nas intenções de voto nos 3 maiores partidos (14 últimas sondagens, abstenção dividida)


Vamos agora aos deputados.

Por causa do CHEGA estar a subir, vou considerar apenas as últimas 7 sondagens (que somam 5546 respostas) e comparar com as primeiras 7 sondagens.

Fig. 4 - Número de deputados (previsão com as 7 últimas sondagens e comparação com as primeiras 7 sondagens)

Como já referi, apenas o aumento no número de deputados do CHEGA é estatisticamente significativo, estando todas as outras variações dentro do erro de amostragem mas posso fazer uma leitura em "termos médios".

Vejo que a AD perdeu 4 deputados (de 79 para 75) e o PS ganhou 3 deputados (de 77 para 80 deputados). Este resultado mostra um empate total entre AD e PS mas com vantagem estatística para o PS (o PS tem 90% de probabilidade de ganhar as eleições).

O CHEGA ganhou 9 deputados à custa principalmente do IL e do BE.

A probabilidade de o Livre e o PAN manterem o deputado é cada vez mais pequena (está nos 20%).


E como fica o Montenegro?

Recordo que para ser o próximo primeiro ministro, a AD tem de ganhar e AD+IL tem de ter mais deputados do que o PS+BE+PCP+Livre (tiro o PAN porque pode dar para qualquer lado). Neste cenário, o Montenegro acredita que o CHEGA se vai abster.

A probabilidade de o Montenegro ser o próximo primeiro-ministro está abaixo de 1%.


O conselho que deixo aqui ao André Ventura para a noite de 10 de Março.

Na campanha eleitoral o André Ventura não diz coisa com coisa mas isso de pouco interessa. O que  interessa saber é que é um homem de direita, liberal em termos económicos e ligado ao cristianismo mas que procura cativar votos na esquerda. Faz muito bem, só mostra ser inteligente (os esquerdistas fazem o mesmo com a separação entre "grande capital e as multinacionais" que têm de pagar a crise e desaparecer e as "micro, pequenas e médias empresas" que têm de ser ajudadas).

As intenções de voto indicam que o PSD+CHEGA tem 99.8% de probabilidade de conseguir a maioria absoluta o que aumenta para 100% se o CDS se abstiver.

O meu conselho é que o CHEGA indique logo na noite das eleições que tem capacidade para formar governo de maioria absoluta em que o primeiro-ministro é o Passos Coelho e o André Ventura é o vice-primeiro ministro. Quanto a ministros, o PSD indica 60% dos ministros (12 ministros onde se inclui a Justiça, Administração Interna e Defesa) e o CHEGA os restantes 40% dos ministros (8 ministros).


Chumba o governo do Açores.

Para mostrar que está mesmo a falar grosso, que não é bluff, chumbo forte no governo do Bolieiro

Penso que o PSD vai ficar assustado, abraça esta proposta (e deitar o Montenegro para o buraconegro) e Sua Excelência Marcelo vai ter mesmo de indigitar o governo PSD+CHEGA.

Fig. 5 - Mesmo careca, estou disponível para ajudar novamente Portugal.


terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

A ideia do Pedro Nuno de os médicos pagarem a sua formação é minha e é liberal.

O liberalismo baseia-se no principio do "utilizador-pagador".

Por força da necessidade cresce das pessoas de cuidados médicos, e por falta de progresso na medicina, há, à escala mundial, falta de médicos.


Por força da falta de progresso na medicina!

Em termos de tendência, cada vez temos melhor qualidade de vida porque se consegue produzir mais bens e serviços com menos tempo de trabalho mas a inovação não acontece em todos os sectores da economia à mesma velocidade.

Por estranho que pareça, a agricultura é o sector onde tem havido mais inovação poupadora de trabalho. Se em 1960 a percentagem de população activa que trabalhava na agricultura era de 41,5% (415 em cada 1000 trabalhadores), em 2023, é de apenas 2,5% (25 em cada 1000 trabalhadores) e, no entanto, produzem-se hoje mais bens agrícolas do que se produziam em 1960.

Por oposição, nos anos 1960 uma consulta médica demorava exactamente o mesmo tempo que demora hoje, 15 minutos, e a ordem dos médicos ainda acha que esse tempo deve aumentar.

Ao não haver inovações na medicina poupadores de trabalho, o progresso nos outros sectores faz com que haja uma crescente necessidade de médicos (e de enfermeiros).


Por força de a medicina estar, artificialmente, cada vez mais complexa.

Quando vamos à nossa médica de família, medimos a pressão arterial, conversamos um bocadinho, pedimos uns medicamentos e são-nos receitadas umas análises clínicas.

Passado uns meses, voltamos lá, mostramos os resultados das análises, conversamos mais um bocadinho, pedimos mais uns medicamentos e, como as análises mostram que está tudo dentro dos valores considerados normais, vamos para casa continuar com a nossa vidinha.

Em pelo menos 95% das consultas, não há qualquer complexidade, está tudo normal.

Se 95% das situações são simples, porque razão, a nossa médica de família teve uma formação universitária que a prepara para as 5% de consultas onde surgem uma questão mais complicada?

Isto é artificial, é uma forma da classe evitar que haja muitos médicos.


Nunca portugal pode pagar os salários que se pagam por ai fora.

Por essa Europa fora, um médico de família ganha em média a 5500€/mês enquanto com outra especialidade ganha uma média de 6700€/mês (14 meses por ano). Portugal não pode competir com estes salários.

Mesmo que as universidades dupliquem o número de alunos formados por ano, os médicos vão fugir à procura de melhores salários.

Esta concorrência internacional faz com que, por exemplo, Moçambique sendo um dos países mais pobres do mundo, tenha de pagar 2600€/mês aos médicos.


A formação médica deveria ser em 3 patamares.

No primeiro patamar, a licenciatura com 3 anos de formação, o aluno aprende situações "normais", o que fazer quanto as análises são normais e o paciente não se queixa de nada. Este patamar permite ainda que o médico faça a triagem e encaminhamento para outros médicos, com a ajuda de ferramentas de Inteligência Artificial. Esta formação é feita em sala de aula, baseado em estudo livresco e com com contacto reduzido a casos clínicos verdadeiros. Os médicos com esta formação serão capazes de resolver 4 em cada 5 situações, casos "normais" de baixa complexidade, e enviar os restantes casos para o médico do patamar seguinte.

No segundo patamar, o mestrado com mais 3 anos de formação, o aluno aprende situações mais complexas mas ainda dentro das "normais", ficando capaz de receber os 20% dos casos encaminhados pelos médicos licenciados e vão ser capazes de resolver uma percentagem elevada, digamos que 4 em cada 5 situações, mas haverá ainda situações "anormais" que precisam de ser encaminhadas para médicos especialistas.

O terceiro patamar, o doutoramento/especialidade com 6 anos de formação, o aluno aprende situações verdadeiramente complexas e específicas, ficando capaz de receber e resolver todos os casos encaminhados pelos médicos mestrados. 


Fui eu quem propões que os médicos devem pagar a sua formação.

Sim, já repetidamente falei sobre isso, tendo sido a última vez em 3 de Outubro passado, no último parágrafo deste post.


Vejamos como o "princípio do utilizador-pagador" resolve o problema da falta de médicos.

Olhando para as propinas da Universidade Católica, cada ano de formação médica tem um custo de 17000€. 

Então, um médico licenciado terá um custo de 50000€ que, amortizado em 40 anos, se traduz numa mensalidade de 130€/mês. Vamos supor que havendo médicos licenciados, o SNS pagava 1500€/mês a cada um. Passaria a pagar 1630€/mês e o médico licenciado "devolveria" 130€/mês ao Estado. 

O médico mestrado terá um custo de 100000€ que se amortiza com 260€/mês. Mais uma vez, este médico mestrado terá um incremento no salários de 260€/mês que vai devolver ao Estado.

O médico doutorado terá um custo de 200000€ que se amortiza com 520€/mês. Mais uma vez, este médico doutorado / especialista terá um incremento no salários de 520€/mês que vai devolver ao Estado.


O médico mantém total liberdade.

Se for trabalhar para o privado ou para o estrangeiro, vai pagar a sua mensalidade tal e qual os médicos do SNS. Esse dinheiro vai ser usado no financiamento das faculdade de medicina, formando mais médicos.


Podemos internacionalizar a formação médica.

Ao haver o princípio do utilizador-pagador, Portugal pode receber alunos de outros países desenvolvidos onde é difícil entrar nas escolas médicas. 

Contrariamente aos riscos (de que os privados mercantilizarem o ensino da medicina), a formação médica pode ser um sector de alto valor acrescentado, com trabalhadores bem remunerados e exportados de serviços, gerador de dinheirinho bom para Portugal.

Então, o senhor professor do que se queixa?


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Se os impostos descerem 5000 milhões, o crescimento passa de 0.8% para 0.9% (e não 3.4% com promete a AD)

Quem o diz não sou eu é um dos "sábios professores catedráticos de economia".

A Iniciativa Liberal lançou em 2019 e a AD copiou em 2023 a ideia que "descendo as taxas de impostos hoje, o PIB passa a crescer mais".

No hoje, o défice (e a dívida pública) aumenta por causa da redução nas receitas mas, no futuro, o PIB vai ser maior. 

Então, por causa do aumento do PIB, no futuro haverá mais receita fiscal que vai compensar (parcialmente) a redução dos impostos hoje. 

Esta ideia já é velhinha e, em termos políticos, foi introduzida por Ronald Reagan na campanha presidencial norte americana de 1980.

Até aqui, dou de barato que possa ser verdade mas os estudos de economia têm um problema, a avaliação da magnitude.

Uma coisa é dizer que "Tomar aspirina aumenta a esperança de vida" sem se saber a magnitude e outra coisa é dizer "Tomar 1 kg de aspirina por dia aumenta a esperança de vida em 3 dias".


Se reduzir os impostos em 5000 milhões de euros, quanto aumentará a taxa de crescimento?

A taxa de crescimento portuguesa tem estado em 0,8%/ano e a AD diz que vai aumentar para 3,4% se os impostos IRS e IRC se reduzirem em 5000 M€ por ano.

Como prova disto apresentam o estudo de Alinaghi & Reed (2021)* que faz um resumo de todos os 49 estudos que já foram publicados sobre o assunto.

*Alinaghi & Reed (2021), "Taxes and Economic Growth in OCDE Countries: A Meta-analysis", Public Finance Review, 49(1) (ver o artigo on line).

O estranho é que estes autores concluem exactamente o contrário do que a IL e a AD defendem:

"We estimate that a 3.5-percentage-point increase in taxes (roughly equivalent to a 10 percent increase) as part of a TaxNegative fiscal package is associated with decreased annual GDP growth of approximately −0.2 percent. 

The same increase in taxes as part of a TaxPositive fiscal package is associated with an increase in annual GDP growth of 0.2 percent. 

This compares with an average annual GDP growth rate of 2.5 percent for the countries in our sample. 

Stated differently, we estimate there is a 0.4 percent difference in annual GDP growth depending on whether the 3.5-percentage-point increase in taxes is part of a TaxNegative or a TaxPositive fiscal package. 

These estimates suggest that taxes, and how taxes are raised and spent, have moderate impacts on economic growth."


Temos então de concluir que:

SE OS IMPOSTOS DESCEREM 5 MIL MILHÕES, O CRESCIMENTO DO PIB AUMENTA DE 0.8%/ANO PARA 0.9%/ANO 

Em termos de magnitude, num espaço de 10 anos, o corte em cada ano de 5 mil milhões de euros leva a um aumento na dívida de 50 mil milhões de euros compensada, pelo um aumento no PIB, em 7 mil milhões.

Em termos de magnitude, reduzindo a receita fiscal em 1€ durante 10 anos, vai causar o crescimento da receita fiscal em 0,14€ (e um aumento na dívida de 0.86€).

Fig. 1 -Como é que orçamento vai fechar? É que nenhum partido apresenta propostas viáveis.


Os dados da economia Americana.

O Ronald Reagan ganhou as eleições e, consequentemente, desceu os impostos de forma substancial (ver). O escalão máximo de IRS desceu de 70% para 28% e o escalão mínimo de 14% para 11%.

Segundo os "sábios da AD" temos de observar um grande aumento da taxa de crescimento do PIB nos anos 1981-1999 mas, olhando para o gráfico, não se consegue ver qualquer aumento!!!!!!!

Seja democrata, republicano, haja aumento de impostos ou redução, a tendência de +2.26%/ano mantém-se imutável até 2008, a Crise-do-sub-prime, quando aconteceu um trambolhão.

Apesar de a Crise-do-sub-prime já ter decorrido há 16 anos, ainda hoje tem um grande impacto económico na economia americana.

Fig. 2 - Evolução do PIB per capita nos USA (dados, Banco Mundial, 1960:2022)


A AD e IL apresentam-nos o Paradoxo de Zenão.

Há cerca de 2500 anos, o filósofo Zenão de Eleia colocou a seguinte questão:

Vamos fazer uma corrida entre o Aquiles, rápido atleta, e uma tartaruga mas a tartaruga parte 10 metros à frente de Aquiles.

Começa a corrida e, quando o Aquiles chega ao lugar onde estava a tartaruga, esta já lá não está.

O Aquiles prossegue a corrida e quando chega ao novo lugar onde estava a tartaruga, esta também já lá não está.

Este processo repete-se indefinidamente pelo que se tem de concluir que Aquiles nunca chega à tartaruga.

Naturalmente, todos sabemos que esta conclusão está errada, o Aquiles chega à tartaruga e ultrapassa-a porque o tempo entre cada "mini-corrida" diminui rapidamente para zero (não se mantendo verdade que a situação se repete até ao infinito do tempo).


Passados 2500 anos, "sábios economistas" não conhecem o Paradoxo de Zenão!

É que diminuindo os impostos em 5 mil milhões de euros, a receita fiscal vai aumentar mas em apenas 700 milhões.

Não dá nem para um buraco de um dente.


O PCP também tem problemas com a magnitude ao falar dos lucros.

Os do PCP dizem que " Os principais grupos económicos têm 25 milhões de euros de lucros por dia. Está tudo dito. A banca tem 12 milhões de euros por dia."

Não sei se é verdade ou mentira mas vamos assumir que é verdade.

Estamos a falar de apenas 3.5% do PIB. Mesmo que os lucros acabassem de todo, cada português iria receber mais 2,50€/dia. Não me parece valor capaz de acabar com a a pobreza em Portugal.

E o PCP diz que bastaria parte deste lucro para resolver todos os problemas dos portugueses.

Só posso concluir que o PCP acha que, mais um eurito por dia, e estava tudo resolvido! 


O André Ventura também não percebe nada de números.

O Ventura diz tudo e o seu contrário e faz muito bem porque, desta forma, consegue cativar o voto de quem antes apoiava os esquerdistas.


Nos Açores, a AD apenas governa porque o CHEGA tirou votos ao PS.

A AD tem exactamente os mesmos resultados eleitorais que tinha antes de cair e agora pode governar porque o PS desceu de 28 para 25 deputados.

É para isso que serve o André Ventura, mostrar aos esquerdistas que há políticas alternativa igualmente viável.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

Com a 13.ª sondagem, o CHEGA está mesmo a subir

Saiu hoje (5/2/2024) saiu uma sondagem da Católica.

Com esta sondagem a subida do CHEGA torna-se estatisticamente significativa*  (com um nível de significância de 5%).

Olhando para a evolução dos resultados das 13 sondagens já publicadas, a AD e o PS estão a dançar em torno 30%, o CHEGA está a subir à custa da descida dos partidos mais pequenos. Digamos que é a evolução no sentido do "voto útil" de quem quer protestar, seja de direita, de esquerda ou do centro, no CHEGA!

Mas repito que, em termos individuais, a tendência de descida da AD e da IL não são estatisticamente significativas.

Evolução das intenções de voto 15-Nov / 2-Fev


Vou precisar de excluir as primeiras sondagens.

Como observei alterações, vou excluir as 5 primeiras sondagens (até meados de Dezembro) ficando com as últimas 8 sondagens (6456 observações).

Além, disso, vou considerar 35% de abstenção (que foi observado em 2022).

Comparando as primeiras 5 sondagens com as 7 últimas sondagens, a AD e a IL descem e o PS e o CHEGA sobem mas, como já disse, apenas a subida do CHEGA é estatisticamente significativa.


Análise dos resultados

A AD está estatisticamente empatada com o PS mas é muito mais provável  o PS ganhar (93,4%)

A probabilidade de o Montenegro poder governar é de apenas 0.2% (AD>PS e AD+IL >Esquerda)

É provável que o CHEGA tenha entre 43 e 49 deputados. 

A probabilidade de PSD + CHEGA ter maioria absoluta é de 96,8%.

O mar das sondagens tem ondas mas está a ficar flat (a imagem é criada por AI)


*Resultados estatísticos

                    Estimate   Std. Error   t value    Pr(>|t|)    

Tendência     0.4404     0.1520        2.897      0.0145 *  



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Já temos 12 sondagens para as legislativas.

Hoje saiu a sondagem da ICS-ISCTE onde o CHEGA parece estar em crescendo.

Mas como já repeti 11 vezes, temos de ver se esta última sondagem altera, com significância estatística, os resultados. Olhando para o gráfico com as 12 sondagens, anda tudo a oscilar mas parece tudo na mesma (com excepção do CHEGA que parece estar a subir). 

Evolução das intenções de voto no 8 partidos mais votados (dividindo a abstenção)

Em termos médios, o PS está 1.3 pontos à frente da AD


Como está a evoluir a AD relativamente ao PS?

Com 12 sondagens continua a parecer que a AD se está a fundar relativamente ao PS mas continuam a ser apenas oscilação estatística (Tendência= -0.005743; t-stat =-1.665; Pr(>|t|)=0.127). Neste momento a AD está 1.3 pontos abaixo do PS quando estava a 1.4 pontos.

Evolução da diferença das intenções de voto entra a AD e o PS

Como está a evolução do CHEGA?

Com 12 sondagens a subida do CHEGA já está quase significativo a 5%  (Tendência= 0.004087 ; t-stat =2.173 ; Pr(>|t|)=0.0549) mas ainda falta um bocadinho para podermos ter a certeza.

Mas mesmo sem tendência clara, o CHEGA está com 17.5% de intenções de voto o que é uma enormidade.

Evolução das intenções de voto no CHEGA


Vamos agora aos deputados

O PSD vai eleger 75 deputados, ainda menos 2 deputados que os que foram eleitos no mandato do Rio e que já foi o pior resultado de sempre do PSD. 
O PS está com mais 2 deputados que a AD (e mais 4 que o PSD) mas muito abaixo dos 120 que tem actualmente. 
O CHEGA está com potencial para eleger 45 deputados.
Nos pequenos partidos, o Livre vai perder o deputado, o PAN é provável que o mantenha e o PCP vai ficar reduzido a um garfo de três dentes.



Análise dos resultados

O PS vai ganhar com uma probabilidade de 82%.
A probabilidade de o Montenegro ser o próximo primeiro-ministro  é ZZZEEERRROOOO (a AD ficar à frente do PS e a AD+IL+PAN ter mais deputados do que o PS+BE+PCP).
A probabilidade de o Passos Coelho ser o próximo primeiro-ministro é de 98.6% (o PSD+CHEGA ter maioria absoluta).
Fico contente por ser provável o PAN eleger a deputadasita. Já disse muito mal dela mas aquela mulher rija da Madeira deu-me a volta.
Até penso que é justo que a Mónica Freitas seja a substituta do Albuquerque na Presidência da Madeira. Afinal, o PSD apenas pode meter lá novo presidente pela acção sábia da Mónica.


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