quinta-feira, 31 de maio de 2018

Dentro de 5 anos, as baterias de lítio estarão obsoletas

As baterias de iões de lítio têm 3 problemas.
A Tesla tem investido milhares de milhões de euros em baterias de iões de lítio para usar em automóveis e em casas "fora da rede" com energia solar (a Powerwall) mas, por causa das suas limitações intrínsecas, está a investir numa tecnologia que a curto prazo vai ficar obsoleta, penso eu.
Primeiro, porque o lítio que é um recurso mineral bastante escasso e caro.
Segundo, porque as baterias demoram um mínimo de 45 minutos a carregar 60% da capacidade máxima.
Terceiro, porque perdem 20% da energia durante a carga/descarga
Quarto, porque em 750 recargas perdem metade da sua capacidade.

A Powerwall é uma bateria de iões de lítio.
É uma criação da Tesla.
Uma casa cujo consumo é 9kwh/dia em que o consumo a partir da bateria é 3kwh/dia (ligado à rede terá um preço de 55€/mês mais as parcelas fixas) precisa de um Powerwall-2 (uma capacidade de armazenamento de 13,5kwh e um preço de 7170€, ver) mais 10 painéis solares 270W (cujo preço é de 3800€). Somando 1000€ para a montagem, amortizando o investimento em 9 anos à taxa de juro de 2%/ano, dá uma mensalidade de 120€/mês, 40€/mês para os painéis solares e 80€/mês para a bateria.
Ok, os painéis solares são competitivos na produção de electricidade mas não podem ter bateria (não podemos usar electricidade à noite)!
Para a bateria durar 9 anos precisamos de uma bateria de 13,5kwh par um uso noturno de 3kwh/dia.

Vamos imaginar uma máquina de lavar roupa. 
Tenho um painel solar 270W que está a produzir 100w.
Tenho uma máquina de lavar roupa que, durante a rotação do tambor, precisa de 300w e, durante a centrifugação, de 600w.
Como a potência produzida é menor que a necessária, vou ter que ter uma bateria que compatibilize a potencia produzida com a potência necessária.
Vou imaginar um ciclo de lavagem com paragens para recarga da bateria.
Lavagem: o tambor roda durante 5 segundos e está parado durante 10 segundos.
Centrifugação: o tambor centrifuga durante 2 minutos e está parado durante 10 minutos.
Para este regime, bastava-me uma bateria de (600-100)*2/60 = 16,7wh = 0,0167kwh mas esta bateria não pode ser de iões de lítio, porque durante cada ciclo de lavagem, vai ser carregada e descarregada cerca de 15 vezes o que implica a sua substituição ao fim de apenas 10 semanas. Além disso, não seria possível carregar a bateria em segundos.

Vamos imaginar um carro híbrido. 
Comecemos por um carro com um motor a explosão de 60 cavalos que está optimizado para uma velocidade de 110km/h.
De repente, vai a 110km/h e aparece-lhe uma subida com uma inclinação de 10% e uma extensão de 2 km.
Neste caso, para manter a velocidade durante a subida vai ser preciso de 45 cavalos extras durante 100 segundos o que é possível com uma mini-bateria de 0,8 kwh (O Tesla tem uma bateria de 40kwh).
Esta mini-bateria também dará para percorrer em para-arranca cerca de 10 km o que também dá para carregar em casa, ir para o emprego e carregar no emprego para voltar a casa.
Se for usado o motor a gasolina, vai ser preciso carregar a bateria em 3 minutos.
No caso de um autocarro urbano eléctrico de 25 toneladas de peso bruto (velocidade média de 15 km/h), seria suficiente uma bateria de 10 kwh para uma autonomia de 8 km (se a recarga demorasse 1 minuto, poderia ser feita nas paragens, a cada 30 minutos).
O problema é que, se a bateria for de iões de lítio dura poucas semanas.

Fig. 1 - Carro híbrido com o ligação mecânica directa gasolina/rodas e motor eléctrico acoplado à caixa de velocidades Schaeffer

A energia eléctrica "híbrida" é muito cara.
Por é produzida a partir de um motor a gasolina (com ISP e IVA sobre a gasolina, 0,70€/kwh) e ainda tem o custo da bateria (mais outros 0,70€/kwh) apenas sendo justificável em termos económicos em para-arranca porque o motor a gasolina não está optimizado para esta situação. Talvez por causa disto é que, no último Sábado, vi nas Festas do Senhor da Pedra em Miramar um Prius híbrido com 4 anos, à venda por 16000€, uma desvalorização de 50%!

A Tesla anunciou ter feito 975 km com uma carga.
O que gastamos no nossa carro, parte resulta do atrito das rodas (cerca de 1,2% do peso), parte da caixa de velocidade e transmissão e parte do atrito com o ar (proporcional à velocidade ao quadrado).
Um veículo a 110 km/h que gasta 5 litros/100km de gasolina, 1,2 litros são para rodas e 3,5 litros são para o ar. Então, se o carro circulasse a 20km/h (e o motor estivesse optimizado para esta velocidade), gastaria 2,0litros/100 km.
Um carro eléctrico, como está optimizado para velocidades lentas, se uma bateria de 50kwh pemite percorrer 400 km/carga, a 20 km/h vai permitir percorrer 1000km. Nada de extraordinário mas, ao fim de algumas viagens, a bateria começa a perder capacidade rapidamente.

Vamos à "nova" tecnologia, os super-condensadores de dupla camada.
Uma bateria de iões de lítio aguenta 1000 recargas até ficar a 50%.
Um condensador de dupla camada aguenta 250 000 de recargas com perdas inferiores a 10%, 250 vezes mais que uma bateria de iões de lítio (para perda de 50%) e usa elementos abundantes (carbono na forma de grafeno e alumínio)!
Além de durar muitas recargas, carrega e descarrega em 1 segundo com possibilidade de potência quase ilimitada (descarregar um pequeno super-condensador de 1kwh em 10 segundos permite um carro híbrido ter uma explosão de potência de 490 cavalos, a potência máxima do V8 do Ferrari F430).

É uma tecnologia que já existe implementada mas que ainda tem problemas.
Por exemplo, o Durablue da Maxwell que é usada para recuperar energia da travagem de comboios. Num comboio com 500 toneladas, uma unidade com 12500kg armazena 50 kwh (custo na ordem do 1 milhão €) é capaz de debitar os 15000hp necessários no arranque que aproveita a energia da travagem e evitar picos de consumo na rede (a potência de rolamento a 100km/h é na ordem dos 500hp).
Num comboio que tenha velocidade máxima de 120km/h e pare a cada 5km, a poupança energética é na ordem dos 75%.

Um problema é o preço elevado e apenas armazenam 1/10 da energia por kg das baterias de iões de lítio mas vejo terem enorme potencial para trajectos citadinos curtos e a baixa velocidade, sistemas estáticos como as soluções  de electricidade solar desligadas da rede e em carros híbridos.
Esta tecnologia, por usar elementos abundantes e baratos, carregar em segundos e poder ser carregado centenas de milhar de vezes, coloca um enorme risco de obsolescência ao investimento em baterias da Tesla.
Como o Elon Musk, dizem, é um génio, estando um de nós está enganado, só posso ser eu (mas o Musk começa a estar com problemas com a comunicação social, tipo o Bruno de Carvalho quando a equipa maravilha começou a perder pontos).
O que achei engraçado é haver Teslas modelo 3 no Espaço a caminho de Marte que na Terra vendidos a 35000 USD (como prometido no site da empresa).
Bem a cotação da Tesla, desde o máximo de 23 de Junho de 2017 (384USD) já perdeu 24% (291USD), 2,5%/mês.

Fig. 2 - Dizes ser uma mulher temente a Cristo? Um de nós dois está enganado.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Será que o Costa resolveu o problema da baixa natalidade?

O primeiro ministro Costa é perito em dizer que resolve problemas.  
Mas, de facto, não resolve nada, muita propaganda e atira o problema para os outros.

Problema 1 - Haver poucas casas para arrendar. O Salazar resolveu construindo centenas de milhares de casas nas grandes cidades (os bairros sociais) e cobrando rendas baixas e em função do rendimento. O Costa resolve proibindo os senhorios de despejar os arrendatários mantendo uma enorme carga fiscal sobre as rendas e deixa as casas do Estado a cair aos bocados.

Problema 2 - Os "salários baixos". O Salazar resolveu criando ambiente para o investimento, fazendo obras públicas com critério e fazendo um acordo de comercio livre com a EFTA. O Costa resolve aumentando o salário mínimo (que são os outros que pagam), mantendo uma enorme carga fiscal sobre os mesmos.

Poderia referir muitos mais problemas que o Costa anunciou que resolveu mas que não resolveu mas isso é o trabalho do Rui Rio que não quer, não sabe ou é incapaz de o fazer. 

Problema 3. A baixa natalidade. Hoje vou falar do problema da natalidade que o Costa disse ser por culpa das políticas de direita, neoliberais, do Passos Coelho e que já resolveu com políticas de apoio à natalidade.
Será que resolveu? Mas que políticas são essas?
Será que já nascem as crianças suficientes?

A evolução da natalidade, 1960-2017.
Para que uma população seja estável, cada mulher tem que ter uma filha o que, em termos médios, se traduz em 2,06 crianças (em Portugal nascem ligeiramente mais rapazes do que raparigas).
O que se observa é que, desde 1982 que nascem menos de 1 rapariga por cada mulher, actualmente, 0,59 raparigas por mulher, 1,30 crianças por mulher.
A grande mentira do Costa é que a queda na fertilidade aconteceu entre 1975 e 1985, muito antes de o Passos Coelho ser primeiro ministro e exactamente nos períodos dos governos esquerdistas, e nunca mais recuperou, aguentando-se baixa durante os governos do Cavaco Silva (PSD), Guterres(PS), Sócrates(PS), Passos Coelho (PSD-CDS) e, estranhamente atendendo ao anunciado, também do Costa (2016-presente).
Assim, nem só o problema não vem do Passos Coelho como o Costa não resolveu nada, continuando com uma ligeira tendência de diminuição (ver, Fig. 1). 

Fig. 1 - Evolução do número de filhos do sexo feminino por mulher (Dados, Banco Mundial e INE)

Porque será que as pessoas deixaram de querer ter filhos?
Para resolver o problema, é preciso compreender as suas causas que, no meu entender, são duas.

As pessoas deixaram de cumprir os Mandamentos de Deus.
O grande mandamento de Deus, dito a Adão (Gn 1:28) e repetido a Noé (Gn 9:1), é Crescei e Multiplicai-vos. Até 1970, nas aldeias, os padres massacravam o povinho com o Fazei Cristãos que lá ia acreditando ser esse o caminho para o Céu. Agora, nem as Testemunhas de Jeová o praticam.

Custa muito e não traz qualquer benefício.
Agora, é muito mais dispendioso criar um filho do que era no antigamente.
Apesar da pobreza de então, nesse tempo uma criança de 5 anos de idade já quase se auto-sustentava com os pequenos trabalhos agrícolas que realizava. Arrancar umas ervas, apanhar umas couves ou levar umas cabras ao monte já era suficiente para a pobreza com que viviam as crianças. E as que não se conseguiam sustentar em volta dos pais, iam "servir" para casa de um lavrador ou para Lisboa.
Agora, por pressão social e legal e por causa do custo de oportunidade (uma hora de tempo vale mais dinheiro), ter e criar uma criança tornou-se muito dispendioso.
Fazendo umas contas por alto, 25 anos a 350€/mês, criar um filho fica por 100 mil €.

Por outro lado, os pais não tiram benefício dos filhos.
No antigamente, havia os campos para amanhar, os filhos davam "a féria" aos pais enquanto fossem solteiros e ajudavam-nos na velhice, coisas que agora não existem, antes pelo contrário.
Também, haver lares da terceira idade, pensões e, finalmente, a eutanásia, torna totalmente dispensável ter filhos enquanto garante de uma velhice confortável.

Ponderar enfrentar a velhice com 3 filhos ou 300 mil € no banco, é melhor ter os 300 mil €.
Tenha ou não filhos, o destino é o lar da terceira idade onde 300 mil € permitem escolher um local bem mais confortável. 

Qual é a taxa de contracção potencial da população?
Se os filhos nascem, em média, quando a mãe tem 32 anos e cada mãe tem 0,59 filhas, a taxa de contracção da população vem dada por 0,59^(1/32)-1 = -1,64%/ano.
Isto traduz que continuando apenas com a propaganda, no fim do século, seremos 2,6 milhões.

Como se pode resolver o problema?
Vai custar muito dinheiro seja às famílias (que é óbvio que não o vão fazer) seja aos cofres do Estado.
Se nascem 0,59 raparigas por mulher e era preciso que nascessem 1,0 então, terá que haver um aumento na natalidade de 70%. Isto traduz que, se nascem actualmente 86 mil crianças por ano, terão que nascer mais 60 mil crianças por ano o que é um projecto de dimensão inimaginável.
Será preciso que 20% das mulheres terem 6 filhos para se atingir essa meta
O problema deste problema é que vai custar muito dinheiro a ultrapassar, custo de 6 000 000 000 €/ano.
Se o Costa quer resolver o problema tem que, juntamente com a propaganda, meter de lado 6 mil milhões de euros por ano.
Como são as famílias mais pobres que têm mais filhos, terá que ser este grupo social o alvo do "ataque".
Vou agora avançar com 5 pequenas medidas para além da propaganda.

Medida 1 = Bonificação na pensão de reformados dos pais.
Para o caso da mãe, contar como bonificação nos anos para efeito do cálculo da reforma
1.º filho   => +1 ano; 2.º filho   => +2 anos; 3.º filho => +3 anos; 4.º filho e seguintes => +4 anos
e transferir 10% das contribuições dos filhos directamente para a sua pensão.
Para o pai, atribuir metade destas bonificações.

Medida 2 = Licença de maternidade crescente com o número de filhos.
Para a mãe atribuir
1.º filho   => 4 meses; 2.º filho   => 8 meses; 3.º filho => 12 meses; 4.º filho e seguintes => 16 meses.
Para o pai, atribuir 1, 2, 3 e 4 meses, respectivamente.

Medida 3 = Incentivos financeiros e de habitação.
Para as famílias carenciadas, o abono de família ser crescente com o número de filhos e substancial
Também deve ser atribuída habitação de forma prioritária e a preços reduzidos. Relativamente ao preço normal da habitação social, calculada pelas regras actuais, a família com filhos deverá ainda ter um desconto pagando uma percentagem desse preço normal:
1.º filho   => 100%; 2.º filho   => 70%; 3.º filho => 40%; 4.º filho e seguintes => 10%.
Se na localidade não houver habitação social, faz-se.

Medida 4 = Incentivos no emprego.
Os pais de famílias com 4 ou mais filhos devem ter prioridade na contratação por entidades públicas (Estado, empresas pública e autarquias), mediante uma bonificação substancial na classificação.
Se na localidade não houver emprego público, haver um programa de integração que apoie o emprego privado.

Medida 5 = Fim do preconceito contra os pobres.
Se há as famílias pobres que se disponibilizam a ter filhos para poderem viver dos incentivos públicos, tem que acabar a ideia de que são subsídio-dependentes.

Fig. 2 - "Foi aprovada a sua candidatura ao programa Vida Plus, com financiamento máximo de 12 filhos".

quarta-feira, 23 de maio de 2018

As claques de futebol como segmentação de mercado

Actualmente fala-se muito contra as claques. 
Todos os clubes têm claques, grupos de pessoas que vão a muitos jogos gritando palavrões, insultos em apoio à sua equipa e contra as outras.
Por causa de serem (veremos que propositadamente) formadas por pessoas "marginais", alguns dos seus membros têm sido associados a actos de violência.
Sendo o futebol propício a isso e vivendo nós numa sociedade cheia de demagogia e xenofobia, a comunicação social e a classe política têm aproveitado estes incidentes para atacar, genericamente, as claques e os dirigentes desportivos que as apoiam (i.e., todos).
Não nos podemos esquecer que os clubes de futebol foram as únicas grandes instituições democráticas que resistiram ao Salazar, em que quem quisesse poderia ser sócio e em que cada sócio sempre pode votar livremente.

Neste poste vou tentar mostrar, no contexto da segmentação do mercado, que as claques fazem todo o sentido comercial e que só é pena que mais empresas principalmente as públicas (de fornecimento de água e de transportes) não sejam geridas por pessoas inteligentes ao ponto de reconhecerem as vantagens para os consumidores e para as empresa das segmentação do mercado.

Fig. 1- Ficou bonito todo este nevoeiro, parecia o filme Exterminador Implacável

A segmentação de mercado.
É separar os potenciais clientes por grupos com características diferentes. Cada segmento vai ser tratado de forma diference em termos de qualidade e de preço do bem de forma a maximizar o lucro da empresa.
A segmentação é muito importante quando o processo produtivo tem custos fixos relativamente grandes podendo atingir os 100%.

Vejamos o exemplo de transportes públicos urbanos.
Nos autocarros urbanos, 100% do custo de transportar um passageiro é fixo.
O autocarro urbano custa 150000€, amortizável em 15 anos à taxa de juro de 5,0%/ano o que traduz um custo financeiro de 270€/semana. Se o autocarro fizer 6 percursos por dia, 42 por semana, é um custo financeiro de 6,5€ por percurso.
Além do custo financeiro, o percurso tem o preço o combustível (0,25 l/km*1,4€/km = 0,35€/km), o motorista (10€/h) e a manutenção do autocarro (0,05€/km). 
Então, um percurso de 20 km que dure 1,5 horas vai  custar cerca de 30€ = 6,5€ + 7,0€+ 15,0€ + 1,0€.
Para o percurso ser sustentável, para um preço de bilhete de 0,75€, terá que haver 40 passageiros. Como os passageiros não fazem o percurso todo, terá que haver uma ocupação média de cerca de 10 lugares que está muito longe de esgotar a capacidade do autocarro.

Segmentação do mercado das viagens.
Como o custo de meter mais um passageiro de 0€, então, a transportadora aumenta o seu lucro se conseguir captar com um desconto clientes que normalmente não viajam. A arte da segmentação está em conseguir-se separar os clientes que viajam e vão continuar a pagar 0,80€/viagem dos que não viajam vão passam a viajar se o preço for menor.
Vou apresentar algumas forma de segmentar o mercado.

A) Para as pessoas de menores recursos. Criar uma zona na traseira do autocarro, com uma entrada independente, sem aquecimento, com lugares de pé a que se faz um desconto de 50%.

B) Para percursos curtos. O bilhete passa a ser validado à entrada e à saída e serão cobrados apenas os quilómetros percorridos. Supondo que uma viagem média são 5km, poderiam ser cobrados 0,16€/km.

C) Para as pessoas idosas e jovens. Fora da hora de ponta ou em percursos não congestionados, as pessoas com mais de 65 anos e menos de 18 anos terem um desconto de 50%.

D) Descontos ad hominem. Mediante regras flexíveis que tivessem em atenção a situação financeira, familiar, estado de saúde, etc. da pessoa ou agregado familiar, ser atribuído um "estatuto especial" com descontos entre 10% e  90%.

E) Primeira Classe. Também existe a possibilidade de criar lugares com maior qualidade pelo qual se cobra um preço mais elevado.

Estas formas de segmentação serem cumulativas. Por exemplo, um jovem que viajasse na 3.a classe, um percurso de 3 km e com pais toxicodependente (atribuídos ad hominem 50% de desconto)  iria pagar 0,06€ pela viagem, 0,16€/km*3km*50%*50%*50%.

Isto tudo a propósito das claques.
Um bilhete na pior classe para assistir a um jogo de futebol dos 3 grandes ronda os 25€.
Os estádios de futebol, tirando 2 ou 3 jogos por ano, estão às moscas o que, por um lado, deixa os jogadores desmotivados e, por outro lado, não tem qualquer custo meter lá mais espectadores.
Não é bem às moscas, fui buscar estatísticas à ligaportugal.pt e a taxa média de ocupação na época 2017/2018, já com as claques, foi de 60%, 215 mil espectadores para 354 mil lugares.

Os membros das claques, sejam jovens, desempregados, estudantes, gente perdida, bebedolas, drogados, mal criados, destementes a Deus ou lá o que queiram que sejam, não iriam ver qualquer jogo se tivessem que pagar o bilhete normal.
É esta a razão porque os membros das claques só dizem palavrões: é uma forma de a empresa SAD ir buscar clientes à marginalidade que, de outra forma, não iriam, sem prejudicar os "normais" clientes pagantes do bilhete normal.
Então, em vez de ter os lugares vazios, é lucrativo vender bilhetes a 5€ a estes enegúmenos e ainda se ganha animação no espectáculo.
Eu falei em 5€ por bilhete mas ouço dizer que chegam a ser muito mais baratos, talvez 1€ e, por vezes, à borliex.

Fig. 2 - Venham para a claque do Sporting.

E os bilhete revendidos?
Parece que as claques têm o negócio de revenda dos bilhetes.
Alegando qualquer coisa como "tenho um familiar" ou "tenho um amigo", os membros das claques podem receber bilhetes "sobrantes" que, depois, vão revender.
Esta revenda também faz parte da segmentação pois são bilhetes que nunca seriam vendidos. A venda apenas acontece porque o revendedor, tendo interesse directo, vai-se esforçar muito junto dos seus contactos para poder realizar a venda.
Além disso, este dinheirinho extra é uma forma de claquistas financiarem os jogos fora de casa, especialmente, os que são no estrangeiro.

Poderíamos ser muito mais felizes se mais mercados fossem segmentados.
Além dos transportes, a água, electricidade ou televisão por cabo, porque têm custos fixos muito importantes, deveriam ser fornecidos, por exemplo, às famílias pobres, com desconto significativo.
Também a habitação social poderia ser muito mais segmentada, com casas mais pequenas e hosteis a preços muito reduzidos.
Não compreendo como a Câmara de Lisboa, esquerdistas sempre a falar na especulação imobiliária,  com centenas de casas abandonados, não tem um hostel para as pessoas de baixos recursos poderem viver na baixa de Lisboa, por exemplo, a 15€/semana.
Pegava num prédio qualquer seu, entregava-o a um particular por 20 anos com a obrigação de cobrar 15€/semana e o eventual lucro a dividir 50/50.

Imaginem esta situação.
Um jovem de uma terriola qualquer, filho de pobres, sem um tostão no bolso, quer tentar arranjar um emprego em Lisboa.
Agora, será extremamente difícil (a minha empregada, do Uzbequistão, teve que ficar, com a irmã, muitos dias a viver na rua).
Se houvesse um hostel camarário a 15€/semana, se demorasse 10 semanas a receber o primeiro ordenado, só precisava investir 150€ em alojamento.
Coisas para os esquerdistas pensarem (se é que pensam).

Fig. 3 - Em Kiev, arranja-se um hostel para os 30 dias de Junho por 55€, 1,83€/dia!

terça-feira, 22 de maio de 2018

Porque será que Jesus chorou?

Na final da Taça, quando a derrota era irreversível, Jesus chorou.
Claro que todos pensaram "Jesus queria muito ganhar a Taça porque ama o Sporting" mas não foi nada disto.
Jesus chorou porque, no último mandato no Benfica, quando queria que o Sr. Califa dos Pneus lhe pagasse 500mil€/mês, não se cansou de repetir "Eu sei o meu valor, não é a estrutura que ganha, não é a estrutura que valoriza jogadores, sou eu, Jorge Fernando Pereira de Jesus e não o Califa ou qualquer outro".
Agora, chorou porque ficou provado que quem ganha não é o treinador nem os jogadores, mesmo que ganhem milhões.
Claro que tendo Jesus a capacidade de ressuscitar, ao terceiro dia veio virar o bico ao prego, culpando agora a estrutura directiva do Sporting pelas derrotas.

Fig. 1 - Sr. Jornalista, a culpa é do Bruno de Carvalho por ter dito que os meninos são mimados.

Porque chorou Rui Patrício?
Porque, com o papo cheio de cagança, enfiou um frango no Marítimo e 2 no final da taça.
Dói, para quem se julga o melhor guardar redes do Mundo, deixar um jogador sozinho na frente meter de cabeça um golo ao segundo e, depois, ainda deixar a bola passar por baixo, um jogador que se pensava o melhor guardar redes do mundo

Fig. 2 - O que faz o Rui Patrício encostado ao 1.º poste quando está um jogador solto no 2.º poste?
O que faz o Battaglia na terra de ninguém?

Fig. 3 - Quando a bola chegou à cabeça do avançado, o Rui Patrício estava a meio da baliza e o Battaglia a ver jogar.

Fig. 4 - A esta grande distância, deixa a bola passar por baixo do corpo.


quarta-feira, 16 de maio de 2018

O Bruno de Carvalho tem toda a razão.

Aquilo no Sporting anda um pouco agitado.
Vejamos as estatísticas dos treinadores dos 3 grandes.
O Jorge Jesus recebe 500 mil €/mês (7 milhões por ano) e conseguiu 78 pontos.
O Vitória recebe 100 mil €/mês (1,4 milhões por ano) e conseguiu 81 pontos
O Sérgio Conceição recebe 71,4 mil €/mês (1 milhão por ano) e conseguiu 88 pontos.
Sendo que o Jorge Jesus recebe mais do que todos os outros treinadores da primeira liga juntos, é natural o presidente do Sporting pedir-lhe contas.

Os jogadores e o Jorge Jesus não recebem os ordenados do Marítimo.
Podemos pensar que a equipa do Sporting tem a mesma obrigação de ganhar que o Marítimo mas não é bem assim pois ganham muito mais.
Além disso, o Jorge Jesus tem responsabilidade a dobrar porque foi ele quem escolheu os jogadores e o Sporting paga-lhes ordenados milionários.
Se o Jorge Jesus recebe pipas de dinheiro para escolher e treinar jogadores que custam pipas de dinheiro e a equipa fica em terceiro lugar com menos 10 pontos que o primeiro classificado cujo treinador ganho 1/7, não vejo como se pode melindrar por receber um puxão de orelhas e ser apelidado de incompetente.
Claro que demonstrou incompetência e não tem como defender os jogadores.

Quando eu era mineiro ...
Sim, eu já trabalhei numa mina na África do Sul e conheci lá um italiano com quem conversava de vez em quando.
Lembro-me de uma conversa em que ele disse:
 - Vim trabalhar para a África do Sul há 20 anos, em 1968, porque me ofereceram um emprego igual ao que tinha em Itália mas a ganhar um terço do que ganhava lá.
Eu fiquei abananado mas esperei que ele clarificasse.
- Quando ganhamos pouco, nunca estamos preocupados em ser despedidos porque ninguém quer o nosso emprego e os nossos patrões acham-nos competentes.Quando ganhamos muito, é um stress total.
Pensei eu - este homem até tem razão.
Terminou a sua tese dizendo:
- Quando entramos num emprego com salário elevado, temos que garantir que a nossa capacidade é adequada à missão que temos que executar e, pela minha experiência, isso passa por abandonarmos a nossa vida pessoal e, muitas vezes, deixarmo-nos humilharmos com um sorriso na cara. Se não formos capazes, não podemos aceitar porque estaremos a destruir-nos.
Ai perguntei eu "Mas como podemos nos deixar humilhar sem mais nem menos?"
- Não é sem mais nem menos, é pelo ordenado chorudo.

Argumentar que os jogadores se esforçaram?
Os que se esforçaram foram os do Marítimo que ganham uma décima parte do que ganham os do Sporting e ganharam. Foram também os do Braga que quase ultrapassaram o Sporting.
Os do Sporting são estrelas, alegadamente, e tinham a obrigação de ganhar o campeonato.
E, perderem contra o Marítimo demonstrou que não valem mais que uma equipa do meio da tabela.
Já alguém ouviu falar de um tal Ghazaryan, Gaz para os amigos?
Foi o tal que espetou um frango ao Rui Patrício.

Quanto à pancadaria.
Acontece. Foi um exagero mas nada do outro mundo.
O problema é que quem apanhou acha-se acima dos mortais, acha que, por receber centenas de milhares de euros por mês, é um deus que não pode ser chamado à palmatória.
Há que engolir o orgulho e mostrar humildade pois saíram do Funchal totalmente derrotados.

Tanto dinheiro gasto em vão

Finalmente, a corrupção.
Agora é que caímos no absurdo total.
O Jorge Jesus e os jogadores do Sporting ganham balúrdios e, para ficarem em terceiro lugar e perderem com o Marítimo por apenas 2-1 foi ainda preciso subornar os jogadores das outras equipas para facilitarem?
Eu acredito que alguém pagou a Jesus e aos jogadores do Sporting para perder, só pode com tanta qualidade.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Terá sido boa ideia rasgar o acordo com o Irão?

O acordo não faz qualquer sentido!
Olhemos para Portugal.
Nunca assinamos nenhum acordo com os USA ou com quem quer que seja a garantir que não vamos desenvolver a bomba nuclear.
Não assinamos nós nem mais nenhum país do mundo além do Irão e há perto de 200 países.
E nós somos mais capazes de fazer uma bomba atómica do que o Irão.

Os países têm que manter convivência pacífica.
E o Irão não é um país pacífico.
O Obama deu-lhe a oportunidade de ouro de tomar conta do Iraque e, a partir dai, tomaram-lhe o gosto e querem tomar conta do Médio Oriente o que coloca em perigo a Arábia Saudita e Israel.
O Irão tem 80 milhões de habitantes, capacidade para ter 8 milhões de soldados, enquanto que a Arábia Saudita tem apenas 32 milhões, a maior parte estrangeiros.

Os perigos do Irão à ordem mundial.
Vamos supor que o Irão se torna uma potencia nuclear como pretende, sempre pretendeu e sempre pretenderá, tornar-se o novo Saladino que conquistou Jerusalém em 1187 aos cruzados.
Poderá dar a ideia ao Irão que podem entrar pela Arábia Saudita dentro para "socorrer" os shiitas do Iemen, tal como está a fazer já no Iraque e na Síria e que ninguém vai fazer nada.
Depois, ainda podem ter a ideia de que podem financiar uma guerra de desgaste sobre Israel que nada irá acontecer.

Mais dia, menos dia, haverá uma guerra entre Israel e o Irão.
Israel tem, alegadamente, bombardeado posições iranianas na Síria matando algumas desenas de militares iranianos.
Os Russos, para manterem a ideia de que são capazes de proteger o Assad e o Irão, ameaçaram que vão meter mísseis anti-aéreos na Síria para travar as incursões israelitas (e americanas) mas não passam de ameaças porque, na verdade, não querem que esses misseis sejam testados (que se veja que não valem um caracol).
Estas incursões israelitas nunca poderiam acontecer sem o apoio do Trump porque os aviões, mísseis e bombas são americanos. E isto não passa de treinos para avaliar a capacidade militar dos iranianos, e saber até que ponto os russos estão dispostos a enterrarem-se na lama. 

Agora, o Trump apenas empurrou mais um bocadinho.
Faz-me lembrar a resposta do Trump ao maluco da Coreia do Norte:
"Will someone from his depleted and food starved regime please inform him that I too have a Nuclear Button, but it is a much bigger & more powerful one than his, and my Button works!"

O Irão disse que "vai castigar" Israel e é disso que o Trump está à espera.
Israel garantiu que vai bombardear Teerão "com toda a força que tem".
A Arábia Saudita dá total liberdade de acção aos israelitas.
E se as coisas ficarem feias, com ataques massivos a partir do Líbano e da Síria, o Trump "fechar os olhos" a um ataque nuclear por parte dos israelitas ao Teerão.

Se Teerão ficar como Homs, será que alguém se vai importar?

O que o Irão tem que, agora, fazer?
Comportar-se como os outros países.
Deixar de dizer que vai destruir Israel.
Deixar essas toleiras das bombas atómicas.
Tornar-se um país confiável e ordeiro como os outros 200 países que existem por aí.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Futebol - Estarão os grandes cada vez mais grandes?

Há dias veio um artigo no JN sobre isto.
Dizia o artigo, olhando para a diferença pontual entre o quarto classificado e o quinto classificado dos últimos anos, que nunca os grandes foram tão grandes como o são agora e que isso, alegavam, tinha a ver com a distribuição dos direitos televisivos.
Ouviam vários gurus e todos diziam "Eu já o tinha visto e avisado há muitos anos, estamos a matar a competitividade do futebol".
Lembrando-me dos indicadores de concentração de mercado, a análise é muito pobrezinha pois, havendo informação sobre todos os agentes de mercado (isto é, as classificações de todos os clubes), não se pode deitar essa informação fora.

Fui buscar os resultados ao site www.zerozero.pt
 referentes aos últimos 50 anos, os campeonatos entre 1968/69 e 2017/2018.
Para poder comparar os campeonatos que têm diferente número de equipas e diferente forma de classificar as vitórias, primeiro, corrigi para 3 pontos por vitória e 1 ponto por empate e, depois, construí a pontuação como a percentagem de pontos que cada clube teve em comparação com o máximo possível (3 vezes o número de jogos).
Calculei um índice de competitividade subtraindo um do desvio padrão da pontuação a dividir pelo máximo teórico possível (0,316 pontos) o que permite obter um número com um máximo teórico de 100% (as equipas empatam todos os jogos) e o mínimo de zero (a equipa mais forte ganhar os jogos todos, a segunda os jogos todos menos 2, a terceira os jogos todos menos 4, ...).
Fiz um gráfico com os últimos 40 anos e, voi la, não vejo grandes tendências ao longo do tempo:

Fig. 1 - Evolução do índice de competitividade do campeonato de futebol português.
A vermelho, a média de 10 anos.

Depois, meti as ferramentas estatísticas.
Em termos de variáveis relevantes, o que se alterou ao longo do tempo foi o número de equipas do campeonato, variando entre 14 e 20 equipas. Fiz então um modelo de regressão em que as variáveis explicativas são o ano (para ver a tendência de evolução da competitividade com o tempo) e o número de equipas e obtive:

Conpetitividade = 1,748 + 0,0236*N.Equipas - 0,0008*ano
         (t stat.)                     (3,30)                    (-1,27)

O modelo mostra que haver mais equipas aumenta a competitividade (o aumento de uma equipa induz um aumento no índice de competitividade de 2,36 pontos percentuais, significativo a 0,5%) e que o passar dos anos não é significativo (o número é negativo mas muito pequenino e não significativo), o que contraria a opinião dos gurus citados.

Se queremos mais competitividades, temos que aumentar o número de equipas.
Penso que isto tem a ver com a gestão dos planteis.
As equipas fracas têm jogadores fracos pelo que, estarem cansados ou descansados, vai dar ao mesmo e metem outros fracos.
As equipas fortes têm alguns jogadores muito bons que, havendo muitos jogos, ficam cansados, lesionados, sofrem castigos, fazendo com que seja preciso rodar jogadores menos bons.

Fiz o campeonato dos últimos 50 anos.
Peguei nos resultados e fiz um campeonato a 30 equipas (simulado) somando a pontuação calculada referente a todos os anos e escalando a um campeonato com 58 jogos.
Em primeiro lugar fica o FC Porto, com mais 2 pontos que o SC Benfica e os "três grandes" fazem uma grande diferença para o quarto classificado, de cerca de 100 pontos, que é o Guimarães taco a taco com o Braga e o Boavista.
Neste campeonato de 50 anos estão 4 grupos. Os três grandes (Porto, Benfica e Sporting) com 250 pontos, os três médios (Guimarães, Braga e Boavista) com 150 pontos, os três pequenos (Belenense, Setúbal e Marítimo) com 120 pontos e, depois, o grupo dos "de vez em quando" que têm menos de 1/3 dos pontos dos três grandes.
A diferença entre os 3 grandes e os três médios já dura há 50 anos e será assim nos próximos 50 anos.
Interessante notar que apenas os 3 grandes estiveram em todos os últimos 50 campeonatos e que só 10 equipas estiveram em mais de metade dos campeonatos.

Rk Clube N.Camp. Pontos
1 FC Porto 50 255
2 Benfica 50 253
3 Sporting 50 227
4 V. Guimarães 46 151
5 Braga 45 147
6 Boavista 43 145
7 Belenenses 43 127
8 V. Setúbal 41 121
9 Marítimo 37 110
10 Académica 31 75
11 Rio Ave 24 64
12 Farense 23 60
13 Beira-Mar 24 58
14 Nacional 17 51
15 U. Leiria 18 48
16 Salgueiros 18 47
17 P. Ferreira 17 47
18 Estoril Praia 18 46
19 Gil Vicente 18 45
20 Est. Amadora 16 42
21 Portimonense 15 40
22 Varzim 16 40
23 Chaves 15 39
24 Penafiel 13 29
25 Leixões 12 29
26 Sp. Espinho 11 26
27 Moreirense 8 19
28 Tirsense 7 17
29 Olhanense 7 15
30 Barreirense 6 15



Deveria haver o título de Campeão de Inverno.
Quando o campeonato está a chegar ao fim, os estádios estão cheios, as televisões fazem transmissões com grandes audiências, os comentadores ficam todos entusiasmados, as apostas desportivas aumentam.
Tudo isto faz entrar dinheiro no negócio do futebol.
Não custava nada pegar nos pontos da segunda parte do campeonato anterior e soma-los aos pontos da primeira parte do campeonato seguinte para encontrar o "campeão de inverso" a ser encontrado nas vésperas do Natal.
Não implica mais jogos e penso que iria dar um bocadinho mais de emoção.
E seria uma oportunidade de ouro para o Sporting (que, alegadamente, sofre do "Fantasma do Natal").

Fig. 2 - A FPF tem que dar alegrias às mulheres

domingo, 6 de maio de 2018

O Eng. José Sócrates está inocente

O bicho está rico mas está inocente.
Toda a gente sabe que o Sócrates tem muito dinheiro, que esse dinheiro andou por aí a voar e que ele, na sua vaidade, precisou que algum viesse para Portugal.
Eu sei de fonte fidedigna (que não posso revelar) como o Sócrates arranjou o dinheiro e, depois de a explicar, vão ver que o homem não cometeu nenhum crime de corrupção nem fraude fiscal.


De onde veio o dinheiro do Sócrates?
Lembram-se do problema do Pernil de Porco que o Sócrates vendeu ao Chaves?
O Sócrates conseguiu, negócio dele, vender 14 milhões de quilos por ano de carne de porco ao preço de 4,54€/kg sem IVA (ver).
Depois, telefonou a potenciais fornecedores e fechou o negócio com a Agrovarius que é apenas uma consultora na área da alimentação (não tem produção, apenas faz intermediação).
O preço da perna de porco está, em vários talhos, nos 1,88€/kg (sem IVA).
Este negócio fechado pelo Sócrates, da sua total responsabilidade, tem uma margem de lucro na ordem dos 2,66€/kg, um total de 37 milhões de euros por ano.

O Sócrates fez uma empresa.
SAC - Sócrates e Agrovárius Caimão localizada nas Ilhas Caimão.
A carne de porco é comprada em Espanha (a 1,50€/kg) pela SAC e metida num barco. Pelo caminho, a SAC vende a carne à Agrovárius por 4,00€/kg.
O barco segue viagem até à República Boliveriana da Venezuela.
A Agrovárius tem uma margem em Portugal de 0,54€/kg que paga o frete e demais despesas.
A margem de lucro de (4,00-1,50)*14000000 = 35 milhões de euros por ano fica na SAC.

Mas ele era primeiro ministro!
OK, podemos pensar que o primeiro ministro está obrigado a exclusividade mas onde diz isso?
Há alguma lei, decreto-lei, portaria ou regulamento que diga "as funções de primeiro ministro são exercidas em exclusividade, não podendo ser realizados quaisquer negócios privados enquanto exercer a função"?
Se não diz, a isso não pode estar obrigado.
E mesmo que fosse obrigado a exclusividade, o não o ter sido seria um problema disciplinar e nunca um crime (procurem no Código Penal Português).

Cometeu o Sócrates fraude fiscal?
O Sócrates, enquanto residente em Portugal, está obrigado a declarar os seus rendimentos, mesmo que surjam nas Ilhas Caimão.
Acontece que os rendimentos são da SAC que é tributada em sede de IRC (nas Ilhas Caimão) e a SAC nunca distribuiu dividendos pelo que o Eng. Sócrates, enquanto accionista, nunca teve rendimentos.
A SAC teve uma liberalidade com o amigo do Sócrates no valor de 23 milhões e, enquanto empresa, é livre de o fazer e responde perante as autoridades fiscais das Ilhas Caimão.
O Amigo do Sócrates era obrigado a declarar essa doação mas ficou amnistiado "Regime Excepcional de Regularização Tributária".
Notar que os 23 milhões do amigo do sócrates foram uma gota de água nos 4600 milhões transferidos entre 2006 e 2012 (ver)e, tanto quanto me consta, não há processos contra os donos dos outros 4577 milhões.
O amigo do Sócrates tem a liberalidade de lhe emprestar algum dinheiro e pagar algumas contas.
Apesar de a AdSAC ter um lucro de 35 milhões€/ano, enquanto o Sócrates não receber dividendos, não é devedor que qualquer imposto em Portugal.

E há mais negócios com o Chaves.
As casas pré-fabricadas fornecidas, depois, pelo Grupo Lena que lucrou 146 milhões (ver).
Por isso, eu penso que o Sócrates tem 200 milhões € mas isso não faz dele um criminoso.
É o mundo dos negócios, também o Amorim meteu 500 milhões de euros na Galp e ninguém perguntou de onde essa massa veio.

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