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sexta-feira, 11 de abril de 2014

O salário minimo deveria desaparecer, ponto.

Não existe qualquer justificação para a existência de salário mínimo.
Durante muitos anos acreditou-se que fazer uma sangria, um defumadouro ou prometer ir a Fátima a pé curava qualquer doença. E se falarmos com as pessoas mais atrasadas, estas crenças ainda existem.
Da mesma forma, há muita gente que acredita que subir o salário mínimo acaba com a pobreza. 
No entanto, não existe nenhuma razão lógica que ligue umas coisas às outras. Nem as sangrias fazem bem à saúde nem o salário mínimo acaba com a pobreza, muito antes pelo contrário.


Imaginemos o Cristiano Ronaldo.
Vamos supor um mundo em que existe o Cristiano, o Messi, o Bale, o Rooney e o Ibraibrovic mas em que só existe um clube, o Real Duarte, que os queira contratar.
Se o clube contratar os 5 jogadores terá um ganho total de 140 milhões € pelo que poderá pagar até 28 milhões € por jogador. No entanto, como na equipa não podem jogar só atacantes, o ganho de contratar mais um jogador decresce com o número de jogadores previamente contratados.
.. Jogadores contratados --- Ganho total ---- Ganho no jogador 
............ 1 ---------------------- 100M€ ----------- 100M€
............ 2 ---------------------- 127M€ ------------ 27M€
............ 3 ---------------------- 136M€ ------------- 9M€
............ 4 ---------------------- 139M€ ------------- 3M€
............ 5 ---------------------- 140M€ ------------- 1M€
O salário pago não vai depender do total que o clube vai ganhar com as contratações mas apenas com o que ganha com o último jogador e com o que os jogadores vão perder se não forem contratados.
Como não existem mais clubes que possam contratar o jogadores (o clube é "monopolista") então o melhor que o clube tem a fazer é contratar os 5 jogadores (mesmo sabendo que apenas 2 ou 3 vão jogar) pagando um salário de 1M€ por jogador. Desta forma o clube fica com um lucro de 135M€.
Se um dos jogadores se recusar a assinar, terá um prejuízo de 1M€ (pois mais ninguém o contrata) e o clube fica na mesma.

Fig. 1 - Com uma sangriazita e uma benzedela, o joelho vai ao sítio num já está.

E se houvesse mais clubes?
Vamos agora supor que existem 10 clubes a disputar os jogadores com o Real Duarte, RD. Agora, o jogador que se recusar a assinar com o RD por 1M€ pode ser contratado por outro clube induzindo nele um ganho de 100M€.
Então, a concorrência vai fazer com que exista apenas um destes jogadores em cada clube e com um salário próximo dos 100M€. 


Esta é a justificação para haver Salário Mínimo.
Sob o pressuposto de que existe apenas um empregador e muitos trabalhadores então, o salário de todos vais ser igual ao ganho da contratação do último trabalhador (a produtividade marginal do trabalho). Nesta situação o "monopolista" vai ter um lucro muito grande "à custa do trabalhador".
Apesar de a economia produzirá na sua máxima capacidade (estará em pleno emprego) esse ganho não vai para os trabalhadores porque a distribuição da riqueza é favorável ao empresário.


Exemplo numérico.
=> Número de trabalhadores na economia = 100
=> n é o número de trabalhadores empregados
=> Produtividade marginal do último trabalhador contratado = 101 - n 
Resulta daqui
=> Nível de desemprego = 0%
=> Produção de pleno emprego = 5050€
=> Salário de pleno emprego = 1€/trabalhador
=> Total de salários de pleno emprego = 100€
=> Rendimento médio dos trabalhadores (contando com os desempregados) = 1€/trabalhador
=> Lucro de pleno emprego do empresário = 4950€


O impacto do salário mínimo.
A imposição de um salário mínimo fará com que o empregador pague um salário mais elevado a cada trabalhador mas também fará com que algumas pessoas fiquem no desemprego. Desta forma, apesar de o total dos salários ficar maior, por haver desemprego, em termos globais na economia haverá menos bens disponíveis. A questão é que esses bens deixarão de estar disponíveis para o "monopolista" e não para os trabalhadores que, globalmente, ficam a viver melhor. 


Exemplo numérico.
Vou agora considerar um salário mínimo de 50€/trabalhador
Resulta daqui
=> Nível de desemprego  = 50% (das 100 pessoas só 50 arranjam trabalho)
=> Produção total = 3775€
=> Total de salários pagos = 50 x 50 = 2500€
=> Rendimento médio dos trabalhadores (contando com os desempregados) = 25€/trabalhador
=> Lucro do empresário = 1275€


Mas existe outra possibilidade: um imposto.
Vamos supor que, em vez do salário mínimo, o governo cria um imposto de 70% sobre os lucros e que esse imposto vai ser distribuído pelos trabalhadores. 
Agora, o "monopolista" continua a pagar 1€/trabalhador e a contratar toda a gente pelo que continuaremos a ter uma situação de pleno emprego. 


Exemplo numérico.
Com o imposto de 70% sobre os rendimento teremos:
=> Nível de desemprego = 0%
=> Produção de pleno emprego = 5050€
=> Salário de pleno emprego = 1€/trabalhador
=> Total de salários de pleno emprego = 100€
=> Lucro de pleno emprego antes de imposto = 4950€

Agora vêm os impostos distributivos
=> Imposto (a distribuir pelos trabalhadores) = 3465€
=> Rendimento médio dos trabalhadores (contando com os desempregados) = 44,65€/trabalhador
=> Lucro livre de impostos = 1485€

O imposto regulariza os rendimentos (o rendimento dos trabalhadores fica maior que com o salário mínimo) e o lucro do empresário também fica maior.

Existem alternativa ao Salário Mínimo => IRS progressivo.
Se o problema é a existência de apenas um empregador, o salário mínimo consegue diminuir a "exploração do trabalhador" mas à custa de desemprego e de perda de riqueza.
Pelo contrário, a existência de impostos progressivos (politicas redistributivas) aumenta o rendimento dos trabalhadores (pobres) sem afectar o emprego nem a produção de riqueza.
Então, a existência de um IRS progressivo é mais eficaz na promoção da justiça social que a imposição de um salário mínimo.
Combater a pobreza passa mais por politicas de apoio ao rendimento (rendimento social para os trabalhadores pobres) do que pelo introdução de estrangulamentos no mercado de trabalho.
Esta conclusão aplica-se a todos os preços: não se combate a pobreza proibindo os preços dos bens issenciais de subir (porque deixarão de existir à venda) mas com politicas de apoio ao rendimento dos pobres. 


Mas a Alemanha acabou de introduzir o Salário Mínimo.
É um erro terrível. Recordo que os alemães não são infalíveis tendo mesmo sido os originários das maiores atrocidades vividas no Séc XX.
O SM alemão vai ser de 8,5€/h o que traduz um encargo para o empregador de 19000€/ano (1864h/ano e TSU de 20%). Este valor corresponde a 57,3% do PIB per capita alemão, maior que o nosso SMN de 485€/mês que corresponde a 53,5% do PIBpc.
Por comparação, nos USA o salário mínimo federal é de 5,35€/h, mais baixo que o alemão quando têm um nível e riqueza que é quase 60% maior.
Em termos relativos o SM dos USA é 26% do PIBpc, menos de metade do nosso e do alemão. 
Para a alemanha ter um salário mínimo do nível dos USA teria que ficar pelos 3,40€/h e nós nos 1,40€/h.

Fig. 2 - Agora, o mínimo são 8,50€ à hora.

Depois chamem o Tarzan.
Depois venham com a lengalenga de que o mercado de trabalho americano ajusta muito mais rapidamente que o europeu e com uma taxa de desemprego mais baixa. Digam que é das intervenções do FED e que o nosso BCE tem que fazer o mesmo. 
Para o nosso salário mínimo ficar ao nível do americano, 26% do PIB pc, terá que descer para 292€/mês.


Além do mais, existem muito empregadores.
A teoria e a evidência económica mostra que, havendo 3 empresas, já não existe poder de monopólio. Por isso é que existem em Portugal 3 operadores de telemóvel e 3 canais de televisão.
E é um facto que, para cada trabalhador, existem mais de 3 potenciais empregadores pelo que não existe "monopólio" no mercado de trabalho.
Então, não existe qualquer justificação para a existencia de um salário mínimo e, mesmo que existisse, um imposto progressivo resolveria o problema de forma muito mais eficiente.


Porque surge agora a questão do aumento do SMN?
Porque temos, por um lado, um Passos Coelho que sabe que a subida do SM é negativo para as pessoas e um Portas que tenta praticar demagogia política ao mais alto nível. Compatibilizar as duas coisas é como caminhar na corda bamba mas a alternativa é entregar o cordeiro aos lobos (i.e., entregar o poder aos esquerdistas).
É o dilema retratado na Lista de Schindler. 1) trato mal as pessoas e exploro-as até à exaustão ou 2) faço de bonzinho com as pessoas e os carrascos matam-nas sem pestanejar.
O salário mínimo deveria acabar de vez mas não existem condições políticas para que isso aconteça. O povinho não está preparado para isso.

Em política
As medidas não são absolutamente certas nem erradas pois dependem do impacto que têm na alternância do poder.
Se o Salário Mínimo aumentar 3,1% para para 500€/mês, é mau mas poderá haver medidas na Concertação Social que anulem o efeito deste aumento. Por exemplo,
=> aumentar o número máximo de horas do Banco de Horas;
=> os contratos a termo certo poderem ser renovados até 8 anos;
=> Introdução de flexibilidade em baixa no salário por acordo individual até o limite máximo de 15% do contrato colectivo de trabalho.
É preferivel o dano dos 3,1% corrigido parcialmente com algumas medidas de flexibilização a voltar aos desvarios socialistas.

Pedro Cosme da Costa Vieira

segunda-feira, 18 de junho de 2012

A covardia do António Borges

Na Grécia ganhou um qualquer que diz ser a favor da permanência na Zona Euro e logo vieram pessoas dizer que estávamos safos.
Mas não.
Continuamos condenados a sair do Euro porque os gregos e os nossos governantes não sabem governar um país com câmbios fixos.
Quando se tem moeda própria, a balança corrente deficitária ajusta pela desvalorização da moeda enquanto que em câmbios fixos, como é o caso dos países da Zona Euro, a BC deficitária ajusta pela descida dos salários (e vice versa). 
Isto não tem nada de ideológico nem político. É a forma como funciona a economia.


Fig. 1 - Eu explicava-vos porque os salários têm que descer, se vocês não fossem tão burros. O que me interessa é o tacho. Haaaa, tomai lá.

O câmbio altera-se muito rapidamente.
É normal haver, de um ano para o outro, uma alteração da cotação de uma moeda na ordem dos 20%. Então, estando a economia desequilibrada, a alteração da taxa de cambio muda rapidamente os preços relativos entre os bens produzidos no país e no exterior o que equilibra rapidamente a economia.

Qual é a diferença entre uma desvalorização e uma descida dos salários?
Ao haver uma desvalorização, o poder de compra dos salários reduz-se.
Assim, a prazo uma desvalorização é exactamente igual a uma descida dos salários mas existem diferenças no curto prazo por causa dos mecanismos de transmissão entre os preços e os salários.

Se a moeda desvaloriza 20%, como os bens importados são 30% da economia então, no imediato os preços internos vão aumentar 6%. Desta forma, vistos do exterior, os preços descem instantaneamente 14% e o  poder de compra dos salários diminui instantaneamente 6%.

Se os salários descem 20%, no imediato o poder de compra dos trabalhadores vai diminuir 20% porque os preços mantêm-se. Está aqui a grande diferença. A prazo os preços internos vão descer 14% pelo que o poder de compra dos salários só vai diminuir 6%, tal qual como na desvalorização da moeda, mas demora uns meses a acontecer um ajustamento dos preços.

Desta forma, desvalorizar a moeda 20% ou descer os salários 20% é igual e leva à diminuição do salário real em apenas 6% mas, nos meses iniciais, a descida dos salários tem mais impacto negativo na vida das pessoas e menos impacto no equilíbrio da economia.

Mas os nosso governantes e o novo povo são muito burros.
E não aceitam esta equivalência.
Também metem o Miguel Sousa Tavares como grande comentador de economia. Outro é o "professor". Que é que aquele homem percebe de economia?
São fulanos que de economia percebem tanto como eu percebo de mulheres, menos que nada.
Nada, é zero, mas eu sei coisas erradas. É como os ditos cujo. Percebem muito de economia, da errada.
Mas ganham uma boa maquia como comentadores.
Afinal eu é que sou o burro que não ganho nada (como comentador).
Se os governantes não conseguem convencer o povo desta equivalência, Portugal não pode continuar na Zona Euro.

Será a nossa situação e dos demais PIIGS desesperada?
Os anunciadores da desgraça dizem que se alguém sair da Zona Euro, a sua nova moeda vai desvalorizar 50%.
Isso é completamente falso não tendo qualquer fundamento.
Eu sei que aqueles que me ganharam lá naquele prémio defendem isso mas são uns ignorantes totais. Afirmo-o sem reserva.
Desde a fundação do Euro, a Alemanha manteve a evolução dos custos nominais horários do trabalho nos 2.2%/ano, muito próximo da taxa de inflação.
Nesse período os PIIGS, com a Grécia à cabeça, aumentamos os custos do trabalho o que aumentou os preços e levou à perda de competitividade das empresas.

Fig. 1 - Evolução dos custos horários do trabalho relativamente à Alemanha (Dados: Eurostat)

Agora, Portugal tem que descer os custos do trabalho em 15%.
Não é nada do outro mundo.
Já diminuiu 5% mas ainda é preciso cortar os subsídios de férias e de Natal como aplicado à função pública a toda a gente e aumentar o horário de trabalho em 0.5h/dia.
Não é nada que não se aguente. É muito melhor que ter uma taxa de desemprego de 15.2% e explosiva.
Mas a perda do rendimento vai ser muito menor que 15% porque os preços vão diminuir 10%.

A Grécia, a Irlanda e a Itália têm que descer 20%.
A Irlanda e a Grécia já reduziram os custos do trabalho em 10% relativamente a 2008 mas ainda têm que descer mais 20%. Como a descida na Irlanda foi facilitada pelo governo, o impacto social foi muito menor que na Grécia.

A Espanha tem que descer 30%.
É um trabalho muito mais difícil porque o governo espanhol tem assobiado para o ar e teimado em não fazer nada que facilite o ajustamento do mercado de trabalho.
Está preso à convicção que os salários não podem descer.

A treta do "crescer e criar emprego".
É como estar a afogar e, em vez de gritar para que lhe atirem uma bóia, teimar em dizer que está tudo bem e que tem que aprender a nadar.

Porque será bom o governo facilitar as descidas dos salários?
Os salários vão descer na mesma mas o trabalhador vai passar por um período de desemprego.
Ganha hoje 1000, vai para o desemprego e depois fica a ganhar 700.
Se a empresa não pode ajustar o salário, vai despedir o trabalhador ou falir porque não consegue gerar receita que permita pagar o salário.
Para uma descida de 5% temos uma taxa de desemprego de 15.2%.
Esperar que o mercado de trabalho ajuste por si, vai levar a taxa de desemprego para os 20% durante uns anos.

Dizem que os nossos empresários são maus.
É verdade porque as pessoas inteligentes, como o Louçã e eu, são funcionários públicos.
Há milhares de empresários que não tiram 1€/h de trabalho. E vivem cheios de preocupações. É melhor ser funcionário público.
Temos maus empresários, maus políticos, maus funcionário públicos, maus alunos, maus professores, maus de tudo.
Mas em Marrocos ou na Guiné-Bissau ainda há piores.

Quando a empresa abre falência, perde-se capital.
O trabalhador perde competências, as máquinas ficam sem uso, a carteira de clientes perde-se, há uma grande perda económica. Por isso é que a Irlanda está a ajustar a sua economia sem sobressaltos de maior. 

O António Borges deveria explicar porque os salários têm que descer.Mas é um covarde que pensa que o povo português é tão burro que não vale a pena o aborrecimento de explicar que tem que ser.
"Ai não, eu não disse isso, eu disse é que tenho um tacho qualquer no qual ganho umas pequenas maquias que dão para a despesa do golf e falou-se em cortar-me essa maquia".
"Eu quere continuar a mamar e por isso desdigo o que disse. Força, aumentem os salários a começar pelo meu."
"E façam eólicas e essas merdas que o povo burro gosta"
"Ai não, eu não disser isso."
"Disse que são essa inovações tecnológicas que nos vão colocar na vanguarda do Mundo como os navegadores que deram a conhecer novos mundos ao Mundo".

Será que vamos ficar com salários ao nível dos chineses?Não. Em média, um português ganha o triplo de um chinês e, descendo 15%, ainda ficamos muito acima.
Não é descer 50%, é apenas 15%.
É alguém capaz de me dizer de onde esses iluminados tiram esse número de 50%?
De que cartola?

Na emergência actual o governo tem que actuar para induzir uma descida rápida dos custos do trabalho.1 - Cobra como TSU excepcional aos trabalhadores sobre os subsídios de férias e de Natal como o corte aplicado aos funcionários públicos;
2- Com esse dinheiro, desce a TSU do empregador dos salários inferiores a 1200€, mais nos salários mais baixos, de forma a descer os salários em 15%.

A prazo, o código do trabalho tem que incluir mecanismos para o ajustamento dos salários.

O Borges, o Catroga, o Mexia e toda a cambada só querem um tachinho.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 19 de novembro de 2011

A descida dos salários e o Cavaco: cada tiro cada melro

O total da riqueza produzida num país num ano denomina-se por Produto Interno Bruto, o famoso PIB.
Do total produzido, uma parte vai para remunerar o trabalho (principalmente os salários) e outra parte o capital (os juros e os dividendos). Ainda há uma parte que vai para amortizar o capital que se deteriora.
Em termos gerais e num análise de médio prazo, por cada 100€ de PIB, 65€ vão para remunerar o trabalho, 20€ vão para remunerar o capital e 15€ vão para substituir o capital que se deteriorou.

Supondo o PIB constante, se os salários aumentarem, o capital fica com menor remuneração pelo que o investimento diminui o que prejudica o crescimento económico. É um factor de desequilíbrio.
Se os salários diminuírem, o capital fica com maior remuneração pelo que o investimento aumenta o que favorece o crescimento económico. É um factor de equilíbrio.

Como funciona o crescimento económico
Quando o salário diminui, as empresas que existem ficam mais lucrativas (maior percentagem do PIB vai para o lucro das empresas).
Como as empresas maiores capturam uma parte maior do ganho então as empresas investem para aumentarem de dimensão e os seus lucros.
Também aumenta a poupança (maior percentagem do PIB vai para juros)
Por outro lado, mais pessoas querem ser empresários pelo que nascem novas empresas.

Aí o capitalista explorador do trabalhador vai sair beneficiado
Já se experimentou ser a produção feita pelo Estado. Na China, na URSS, na Albânia, em Israel, em Angola, etc.
Esse processo, parecendo que em alguns países começou por dar resultados positivos, a prazo levou ao empobrecimento dos povos. Hoje apenas subsiste com este modelo a Coreia do Norte. Mesmo Cuba já decidiu abandoná-lo.
Mas ainda há muitas pessoas em Portugal que pensar ser este o caminho a seguir.
Outros pensam que o Sporting vai ser Campeão Nacional.
Eu penso que vou arranjar uma Brasileira toda boa.

A produção deve ficar para os privados.
Como em Portugal qualquer pessoa pode ser empresária e qualquer grupo de trabalhadores pode formar uma cooperativa (que tem benefícios que os empresários não têm), o discurso da "exploração do trabalhador" não faz qualquer sentido.
É igual a dizer que o FCP ganha campeonatos porque o Pinto da Costa é o Papa.
     Sem empresários não há economia.
     Sem lucro não há empresários.
     Logo, sem lucro não há economia.

Porque o Cavaco está Ché Ché 
Portugal tem a sua economia totalmente desequilibrada. Isso traduz-se, entre outras coisas, por um desemprego crescente. Cada semana mais 1000 pessoas ficam desempregadas.
Mais 1000 pessoas desempregadas por semana.


Fig. 1 - Eu não sei onde os do FMI foram buscar a ideia. Eu sou professor catedrático de economia.
És mas é um marreta.

Ter vontade de crescer é uma coisa muito fácil.
O Cavaco dizer que a economia portuguesa tem que crescer é muito fácil. Crescer já é outra coisa.


Fig. 2 - Ajoelhar é uma tonteria. Basta eu crescer 10%/ano para podermos fazer amor em 2040.
Espera por mim querida.

Para equilibrar a economia portuguesa era preciso que o PIB crescesse 33% mantendo os custos do trabalho no nível actual.
Peguemos no PIB per capita (pessoas com idade entre 15 anos e 65 anos) e calculemos a tendência de crescimento da economia portuguesa.

Fig. 3 - Crescimento do PIB pc (15-65 anos) (fonte: Banco Mundial)

Antes do 25 de Abril de 1974 a taxa de crescimento foi de 6.3%/ano.
Antes da entrada na Zona Euro foi de 2.3%/ano
Depois do Euro (1999) foi de 0.6%/ano.
O 25 de Abril de 1974 trouxe-nos muitas coisas positivas mas prejudicou o crescimento.
O Euro diminuiu a taxa de juro mas abusamos da sorte.

Pensando que vai tudo continuar como está
Para uma taxa de crescimento de 0.6%/ano, mantendo os salários constantes no níevel actual e pensando que a taxa de inflação na Zona Euro vai ser 2%/ano, vamos conseguir equilibrar a economia em 2022.
O Desemprego estabiliza nos finais de 2022.
Óh Cavaco, quem é que pode esperar por 2022?
Vamos ultrapassar os 25% de taxa de desemprego.

Isto já é ser um  optimista pois os tempos que aí vêm são duros, são tempo de chumbo grosso. Para as taxas de juro de 12%/ano que as empresas têm que pagar, será muito difícil manter os 0.6%/ano de crescimento do PIB.
Para os próximos 10 anos a minha previsão é uma perda média do PIB de 2%/ano.

O Terceiro Segredo de Fátima
Afinal o Terceiro Segredo de Fátima foi mal interpretado. Portugal vai-se safar.
"Vimos um bispo vestido de branco" era o Sócrates.
"subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos" eram as eólicas do socratísmo.
"ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho" eram os credores a perdoar as nossas dívidas.
"Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal" que são o BCE e o FMI a despejar toneladas de dinheiro em Portugal.
Por isso, o segredo quer dizer que nos vão perdoar a dívida que temos, que as eólicas vão dar muito dinheiro e contribuir para que o PIB cresça 10%/ano e o FMI e o BCE vão-nos inundar com todo o dinheiro que queiramos.

Amigo Passos, depois de leres isto vais ter que te desdizer
Querido Passos, fica-te tão bem esse penteado meio despenteado. A tua nova cabeleireira é muito melhor que a antiga. Espero que não seja a do Sócrates pois, se for, daqui a pouco pinta-te o cabelo de branco.
Dizes que não tens nada a ver com os salários dos privados mas a lei proíbe a sua redução.
Tens ou não tens a ver?
E o Salário Mínimo Nacional? São os privados que o decidem ou és tu?
Se não tens nada a ver com o assunto, retira esses artigos da lei e deixa para os privados o que é dos privados.
SMN - Acabou porque o estado não tem nada a ver com os privados
Proibido descer salários - Acabou pelas mesmas razões.

Como diz o Cavaco dos ex-amigos: o que é da lei é com a lei.
Usa esse precedente que o Cavaco já não te vai poder atacar.

Finalmente o BPN
Os meus piores receios estão-se a concretizar: o BIC está a endorecer as negociações e os nossos governantes não têm estaleca para aguentar.
Isto não pode continuar havendo necessidade de avançar rapidamente para a liquidações do BPN que servirá de treino para liquidar o BCP e os restantes bancos portugueses que vão todos falir.

A técnica da "digestão".
Como uma ameba, a CGD engole o BPN mantendo-o num saco digestivo.
Para evitar que Portugal fique rapidamente sem liquidez e haja uma corrida aos bancos, a CGD desmonta os activos financeiros e entrega-os ao Fundo de Resgate Europeu para garantir as cedências de liquidez.
Será preciso assumir um desconto (a negociar com a Troika) que o Estado assume e passa-o para dívida pública.
Fecha todos os balcões do BPN e despede os funcionários redundantes (que são todos).
Como também vai ser preciso liquidar o BCP e depois o BPI, o BES, etc. até não ficar nenhum, a liquidação do BPN vai servir como treino para as equipas de liquidações.
Vai dar uma saga do filme "The Terminator"

"The Bank Terminator 1 - The BPN"
"The Bank Terminator 2 - The BCP"
"The Bank Terminator 3 - The BPI"
Roll on and on and on till the Heaven

O post da inflação está quase pronto. Estou a trabalhar nas perguntas para o meu teste mas ainda vai sair este fim de semana.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A redução do desemprego não existe

Os meios de comunicação social não param de anunciar que, nos últimos dois meses, houve uma redução do desemprego. Mas isto não corresponde à verdade. De facto, houve um aumento de 20 mil o que traduz o acelerar da velocidade de perda de emprego.Vejamos porquê.

A estatística.
A quantificação da taxa de desemprego é complexo porque lida com a vontade das pessoas (se, ao salário de mercado,  pretendem trabalhar mais).
Por exemplo, uma pessoa que trabalha 30h/semana e está à procura de um part-time para trabalhar mais 15h/semana, está 33% desempregada. Outra pessoa que não trabalha porque não quer trabalhar, não está desempregada.
Assim, ninguém sabe em concreto qual a taxa de desemprego.
A Estatística é uma ciência que permite medir fenómenos complexos. Mas os números obtidos pela estatística não são exactos mas apenas tendências.
Por exemplo, dizer que as pessoas que fumam têm uma probabilidade em 50% superior à média de morrer de cancro do pulmão não quer dizer que eu, se fumasse, ia morrer de cancro do pulmão. É apenas um tendência.

O Desemprego.
As variáveis económicas oscilam ao longo do ano, é a sazonalidade. Por exemplo, no verão vendem-se mais gelados que no inverno. No caso do desemprego, acontece o mesmo: no segundo trimestre do ano há menos desemprego que na média:
1.º trimestre   2.º trimestre    3.º trimestre   4.º trimestre
      101%            96%               100%            104%
Como nestes meses muita gente quer gozar férias, por um lado, menos pessoas procuram trabalho e, por outro lado, há necessidade de contratar bastantes pessoas para as actividades de verão.
Entre o 4.º trimestre e o 1.º trimestre, o desemprego diminui 2.3% e entre o 1.º trimestre e o 2.º trimestre, o desemprego diminui mais 5.6% motivado apenas pela a sazonalidade. Sempre que a diminuição é menor que estes valores médios, o desemprego aumentou.
Mas esta diminuição não traduz nenhuma redução do problema do desemprego.

O desemprego aumentou em 20 mil
Se a taxa de desemprego no primeiro trimestre foi de 12.4%, para haver diminuição teria que no segundo trimestre ficar abaixo dos 11.7%. No entanto, ficou-se pelos 12.1% pelo que houve um agravamento de 0.4pp.
O desemprego reduziu para 605 mil pessoa e deveria ter reduzido para 585 mil pessoas. Em termos de tendência, no espaço de um trimestre, o desemprego aumentou em 20 mil pessoas.
Este número traduz uma aceleração do desemprego. Nos últimos 10 anos, em média, o número de desempregados aumento 10 mil por trimestre e neste último, a tendência foi de aumento em 20 mil.
A coisa está a ficar cada vez mais preta.

O governo
Não disse nada o que já é uma diferença para com o Sócrates que todos os anos nos massacrava com a redução dos primeiros 6 meses do ano para se calar com os aumentos dos últimos 6 meses.
Mas esse dava para ir governar a Madeira. Os dois lá, eram como unha e carne.
Vamos então aguardar. Que remédio.

A Madeira.
É a Troika, é a maçonaria, é o socialismo, é a falta de vergonha.
É a prova provada que vamos a caminho ao abismo.
Mais vale chamarmos o Kadaffi, que está no desemprego, para nos governar.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Irá o Estado Social acabar?

O Estado Social é fundamental para a felicidade humana pelo que sempre existirá. A questão que se põe é da dimensão que o Estado deve ter na sociedade portuguesa. Motivado por ineficiências na gestão, há muitas actividades actualmente realizadas pelo Estado que devem ser extintas ou privatizadas. Por exemplo, não há qualquer justificação para que o Estado tenha tantas empresas de transportes.

A eficiência na produção de bens públicos
A produção da maioria dos bens e serviços é mais eficiente quando se aumenta a escala. Por exemplo, localizemo-nos no passado em que sou agricultor e que, para me defender, tenho que construir um muro à volta do meu terreno. Conseguindo eu construir e manter 100 m de muro, terei um terreno com 795m2.
Se eu formar um Estado com mais 2 pessoas, fazendo cada um 100 m de muro, conseguimos 7162m2 de terreno. Se o ganho de eficiência for dividida uniformemente então, a criação do Estado possibilita que a minha riqueza triplique para 2387m2.


Fig. 1 – A cooperação na produção
Porque serão os emigrantes portugueses mais eficientes nos países de acolhimento?
A minha riqueza depende do meu esforço mas também do esforço dos outros. Se os outros se esforçarem mais, eu vou produzir mais esforçando-me o mesmo. Voltando ao exemplo, se cada um dos meus 2 vizinhos fizer 200m de muro, os meus 100m vão permitir que eu cerque 67% mais terreno.
Assim, os portugueses são mais produtivos nos países para onde emigram porque essas sociedades são mais eficientes. Os emigrantes aproveitam-se, no bom sentido, da eficiência do meio que os acolhe.
A apropriação da economia pelo Estado

Na produção dos bens públicos, os privados têm dificuldade em receber a compensação certa pela riqueza que criam.
Também pode acontecer o contrário: ser difícil fazer o privado pagar o prejuizo social que causa (e.g., a poluição).
O Estado, baseando-se nesta argumentação, foi lentamente apropriando-se de uma parcela cada vez maior da economia. Começou pela Defesa, passou para a Justiça, para as Vias de Comunicação, para a Banca, o Ensino, a Saúde, para os Seguros, os Telefones, a Televisão, os Transportes, a Electricidade, a Água, o Tratamento de Resíduos, etc. Este processo acabou nas Economias Estatizadas - comunistas.
As economias estatizadas faliram porque o Estado auto-descontrola-se criando, ele próprio, ineficiências. Como as decisões podem ser tomadas sem atender a medida de eficiência, quem controla o governo do Estado desvia-se de procurar o bem-estar das pessoas e concentra-se em questões ideológicas.
Por exemplo, surge num governante a ideia de que fazer um TGV é muito bom e, independentemente de a avaliação custo-benefício ser negativa, avança na mesma.

Haverá um tamanho óptimo para o Estado?
É obvio que sim. Se, por um lado, as economias estatizadas falharam e, por outro lado, nos países falhados surgem pequenos estados (por exemplo, as zonas tribais no Paquistão), fica claro que haverá uma dimensão óptima para o Estado.
Retomando o exemplo. O muro protege-me dos estrangeiros mas os meus vizinhos também não são completamente de confiança pelo que tenho que colocar uma rede a separar o meu terreno dos vizinhos. Se fazer a vedação em rede custar 1/10 de fazer o muro, então, o óptimo é o meu Estado ter entre 50 e 70 habitantes.
Fig. 2 – O tamanho óptimo do Estado
Fig. 3 – Estado a Mais: carros velhos e povo encostado; Estado a Menos: grande disparidade social

Irá a Direita acabar com o Estado Social?
Todo o Estado que responda às necessidades da sociedade é um Estado Social. Logo, todos os Estados democráticos (e mesmo alguns despóticos) são Estados Sociais. A questão está apenas na intensidade com que o Estado deve intervir na sociedade. Hoje, na Europa é evidente que existe Estado a mais. Por exemplo, não existe qualquer racionalidade para que os transportes sejam providenciados por empresas públicas. E essa situação leva à ineficiência e à pobreza. A privatização de certas actividades actualmente realizadas pelo Estado será um factor de melhoria do bem-estar das populações e não o contrário. 
Por exemplo, a privatização do Subsídio de Desemprego, SD.
Este é um exemplo paradigmático porque não parece nada adequado à privatização. Mas é e se o governo tivesse coragem para o fazer, todos ganharíamos.
O SD é um seguro de emprego: o trabalhador paga um prémio por mês (incluído na TSU) para quando perder o emprego ter um subsídio. O prémio andará próximo dos 4% do salário.
Vamos supor que o Estado privatizava o SD. Fazia um concurso público em que dizia as condições mínimas de cobertura do SD e que percentagem dos salários seria para o fornecedor desse seguro. Haveria várias empresas nesse mercado que concorreriam por clientes.
Como as empresas privadas procuram o lucro então, desenvolveriam mecanismo de combate ao desemprego que o Estado não tem.
Iriam lutar para que os trabalhadores não fossem despedidos. Teriam peritos que, em colaboração com os empregadores, geriam as carreiras dos trabalhadores de forma a diminuir a probabilidade de serem despedidos, por exemplo, planeando formação que adequasse de facto os trabalhadores às novas necessidade que vão surgindo dentro de cada empresa.
Iriam procurar activamente que os desempregados arranjassem novo emprego. Um privado seria muito mais dinâmico a desenhar acções que aumentassem a empregabilidade, por exemplo, fazendo protocolos com empresas e formação profissional focalizada nas verdadeiras necessidades do mercado de trabalho.
Fig. 4 – A perda do emprego é um drama 
Eu sei que o desconhecido mete medo mas temos que ter a mente aberta para as novas ideias.
Já imaginou se a UE não tivesse obrigado Portugal a privatizar os telefones?
Ainda hoje não haveria telemóveis em Portugal.
Pense nisso.

Pedro Cosme Costa Vieira

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