quarta-feira, 27 de julho de 2011

Os salários e o equilíbrio da economia

Portugal tem a sua economia muito desequilibrada: Desemprego, Défice Comercial, Défice Público.
Uma economia de mercado tem múltiplas variáveis que actuam em conjunto para que os desequilíbrios que vão surgindo sejam corrigidos: salários, taxa de juro, nível geral de preços face ao exterior, migrações.
Como na Sic Notícias decorre uma discussão sobre a flexibilidade dos despedimentos e parece-me que o Feyo está engasgado contra o Bernardino, hoje vou começar pelo mercado de trabalho.
A Economia de Mercado.
A economia de mercado pressupõe uma especialização dos indivíduos. Vou condensar todos os indivíduos em dois agentes agregados: os Empregadores e os Trabalhadores.

O mercado de trabalho.
As vontades dos Empregadores encontram-se com as vontades dos Trabalhadores no mercado de trabalho.
Quanto mais elevado for o salário, mais os Trabalhadores procuram empregos e menos os Empregadores oferecem empregos.
O salário relevante em termos económicos é o salário real, W/P, dado pela divisão entre o salário nominal, W, e o nível de preços, P.
Há um salário de equilíbrio de mercado em que a quantidade de empregos procurada é igual à quantidade de empregos oferecidos.
A evidência empírica diz que no equilíbrio ainda existe "desemprego registado" de 4%.
Por razões exógenas ao mercado (por exemplo, uma alteração dos preços), o mercado de trabalho pode caminhar para um situação de desequilíbrio:
      Desequilíbrio 1 - Se o salário real for maior que o valor de equilíbrio haverá desemprego.
      Desequilíbrio 2 - Se o salário real for menor que o valor de equilíbrio haverá "vagas" desocupadas.
O salário real vai evoluir no sentido de corrigir o desequilíbrio.
No caso do desequilíbrio 1, não havendo limitações legais, o salário real vai diminuir o que faz cair  o desemprego e aumentar o número de pessoas a trabalhar. O mercado passa do ponto A para o ponto B (ver Fig. 1).
O desemprego vai ser reduzido por dois mecanismos: por um lado, aumenta a oferta de empregos (são criadas mais vagas nas empresas) e, por outro lado, diminui a procura de empregos (menos pessoas querem trabalhar).

Fig.1 - Correcção do mercado de trabalho quando o salário é muito elevado


Quando o mercado está no desequilíbrio 2, o nível de emprego também vem diminuído mas não haverá desemprego. Pelo contrário, os Empregadores não conseguirão encontrar trabalhadores em número suficiente para as vagas abertas. Então, o salário vai aumentar, aumentando o nível de emprego e a facilidade com que os empregadores encontram novos trabalhadores.
Fig.2 - A curva da procura: a 20€, quero uma; a 15€, quero duas; a 10€, quero quatro. Mas olhando bem, tu pareces-me um homem pá!
Outras variáveis que afectam o mercado de trabalho.
O salário real é a variável que mais afecta o mercado de trabalho. Outra variável importante é a taxa de juro. A produtividade também é uma variável muito importante mas é exógena ao mercado.
Supondo que estamos no equilíbrio A e acontece uma subida da taxa de juro (ver, fig. 3).
Os empregadores, para cada salário, vão querer menos trabalhadores porque, nas economias desenvolvidas, o trabalho e o capital são factores complementares. A taxa de juro traduz o preço do capital pelo que a sua subida leva a uma diminuição do investimento e também da necessidade de trabalhadores.
Fig.3 - Evolução do mercado de trabalho quando há aumento da taxa de juro

Numa primeira fase, o mercado vai passar do ponto A para o ponto B onde aparece desemprego. O mercado ajustando o salário real (diminuindo), o desemprego vai diminuir até termos o nos equilíbrio do ponto C.
A diminuição dos salários vai permitir que o nível de emprego da economia se mantenha quase idêntico à situação inicial.
Portugal, neste momento, está a sofrer um aumento vertiginoso da taxa de juro. Então, por não haver diminuição dos salários reais, o desemprego está a aumentar de forma explosiva e sem dar mostras de abrandar da tendência. Desde 2002, o número de desempregados já triplicou (ver Fig. 4). Recordo que a redução do número de desempregados de 2009-2010 apenas foi transitório e conseguido à custa de défices públicos enorme que nos levaram às gigantescas taxas de juro que agora estamos a pagar.

Fig. 4 - Evolução do número de desempregado (1998-2011, fonte: INE)

Será que flexibilizar os despedimentos vai equilibrar o mercado de trabalho?
Sim.
Uma pessoa sendo despedida, posteriormente vai para um emprego com menor salário.
Mas não é a medida correcta porque a perda do emprego é uma situação muito traumática para o trabalhador. Desvaloriza a sua auto-confiança e causa perda nas suas competências. Claro que haverá sempre necessidade de uma ou outra pessoa ser despedida, mas o ajustamento do mercado não pode ser feita pelos despedimentos mas antes pela descida / subida do salário real.
É melhor que a pessoa não chegue a sair do seu emprego original.
A facilitação dos despedimentos apenas traduz a dificuldade que o Governo tem em flexibilizar os salários.
Porque é que o Código do Trabalho proíbe, mesmo que o trabalhador o queira, haver uma diminuição do salário? Que valor está o Estado a defender? O desenvolver da miséria?
Se qualquer contrato, em caso de dificuldades financeiras da empresa, pode ser revisto, porque é que a empresa em dificuldades não pode propor novos salários?

Fig. 5 - Paguem menos mas dêem-nos trabalho

Sempre que há uma dificuldade numa empresa, se houver activos, os trabalhadores votam invariavelmente pela falência. Ainda não houve nenhum caso em que os trabalhadores propusessem uma redução dos salários. É lógico:
1) Temos prioridade a receber.
2) Recebemos 30 dias por cada ano de trabalho
3) Se tivermos mais de 50 anos, recebemos Subsídio de Desemprego durante mais de 30 meses mais 2 meses por cada 5 anos de serviço.
4) Depois, vamos para a reforma sem penalização.

Dizem que isto vai mudar.
Mas é só para o tempo futuro, blá blá blá, daqui a 10 ou 15 anos já estará plenamente em vigor.
E a taxa de desemprego vai explodindo.
E Portugal vai caminhando para a bancarrota.

Fig. 6 - O diminuir não é assim tão negativo

Não gostei do meu novo nome.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 23 de julho de 2011

Resgate I jaz morto. Vivas ao Resgate II.

O Resgate, desde o nascimento, estava condenado ao fracasso por diversas razões que já apresentei noutros posts. Durou 2 meses.
O Estado Português deve 200MM€ e precisa, em 2011, mais 10MM€ (acordado com a Troika).
O país, Estado mais Particulares, deve ao exterior 400MM€ e precisa, em 2011, pelo menos 12MM€.
Assim, mesmo correndo bem o processo de ajustamento das contas externas, que tenho (e os nossos credores também) 95% de convicção que vai correr mal, nunca seria possível o Resgate I ter sucesso por três razões. 


Prazo de amortização muito curto:
Era uma alucinação pensar que Portugal poderia amortizar os 78MM€ em 10 anos (11MM€ por ano). Apenas o conseguiria se alguém nos emprestasse esse dinheiro.
Valor global muito pequeno:
Tornava-se obrigatório que Portugal, em 2 anos, conseguisse reduzir o risco de incumprimento em 80%. Só assim, seria possível arranjar quem nos emprestasse dinheiro a taxas de juro razoáveis (<5%/ano).
Apenas seria possível se descobríssemos Petróleo.
Pouca convicção do governo.
Sendo que o equilíbro da Balança Comercial obriga a reduzir os custos do trabalho.
Sendo que o equilíbrio das Contas do Estado (défice) obriga a subir os impostos 20%.
Não se vê coragem para o fazer.
Morreu o Resgate I, sucede-lhe Resgate II.

O que é uma obrigação.
Quando alguém empresta dinheiro, faz-se um contrato que se chama Obrigação:
O devedor obriga-se a pagar uma soma cada ano, o Cupão, e uma soma no fim do prazo.
Por exemplo, emprestam-me 1000€, pago 50€ no fim de cada ano e, ao fim de 30 anos, pago mais 500€.
No total vou pagar 50 + 50 +50 + ... + 550 = 2000€
O valor que se paga no fim chama-se valor nominal ou valor facial mas o nome técnico é o Par.
O contrato tem uma taxa de juro implícita que se obtém comparando os recebimentos com um depósito a taxa de juro fixa e constante. No exemplo, a taxa de juro implícita é
    50/ r . (1 - (1+r)^-30) + 500 . (1+r)^-30 = 1000
    r = 4.127%/ano

Cada um tem a obrigação de tratar bem a sua mulher

O que ficou acordado com a Grécia.
A Grécia deve 160% do PIB.
A convergência para o equilíbrio será numa trajectória em que a Grécia, daqui a 30 anos, deva 60% do PIB. Isto está bem.
Planeando que nos próximos 30 anos a Grécia vai crescer 1%/ano, que a taxa de inflação na Zona Euro vai ser 1.6%/anos, então, por cada 100€ que a Grécia deve agora, só pode ficar a dever daqui a 30 anos 80€.
A) O valor nominal das novas obrigações será 80% do valor nominal das obrigações actuais.
Isto não quer dizer que os credores vão receber menos. Apenas que daqui a 30 anos vão receber 80€. O resto recebem no Cupão.

Como vai ser a amortização (o Cupão).
A taxa de juro actual das obrigações gregas é superior a 25%/anos. Mas isto acontece porque há um risco muito elevado (>95%) de a Grécia não pagar o que deve.
Como os países da Zona Euro se responsabilizam solidáriamente pela dívida, esta fica sem risco (quase).
B) Foi decidida uma taxa de juro nominal de 4.826%/ano a 30 anos que é o normal/bom para este prazo.
Por exemplo, a Alemanha contratou 3.3%/ano em 21Jul2011.
Combinado o valor nominal com a taxa de juro resulta
C) O Cupão será de 6.42%/ano.
Atenção que a taxa de juro é de 4,826%/ano e não 3.5%/ano como dizem por aí nem 6.42%.
Próximo dos 3.5% será para os valores já acordados no Resgate I.

Será esta operação voluntária ou há incumprimento da Grécia?
Os investidores institucionais vão ser obrigados a trocar os seus créditos por estas novas obrigações.
Técnicamente é um incumprimento porque os investidores não podem continuar com as obrigações gregas até à maturidade. Têm que as trocar.
Mas, de facto, é uma boa solução para os credores pelo que não há necessidade de os obrigar.
Apanhasse a nossa banca transformar os seus créditos nestas obrigações. As cotações das acções voltavam ao nivel de 2006, isto é, multiplicavam por 10.
Só fica a perder quem comprou dívida a taxas de juro mais altas. Mas esse valor já está perdido há muito.

E os particulares?
Ficam com estão mas, como as obrigações estão desvalorizadas, a O Fundo da Zona Euro vai comprar as obrigações gregas no mercado secundário até a taxa de juro (implícita) descer (para os 4.826%/ano?).
Tecnicamente é um incumprimento.
Aparentemente não há qualquer incumprimento porque as pessoas recebem o dinheiro que as obrigações valem hoje mas os Estados estão eticamente proibidos da recompra da dívida para não se sentirem tentados a ameaçar os credores com a bancarrota para assim lhes desvalorizar os activos que depois compram em saldo.
Dai, denominar-se por incumprimento selectivo.

Quais os riscos desta operação?
Sendo que os gregos e os portugueses estão com dívidas colossais porque vivemos como nos países mais ricos do Mundo sem nada produzir, queimando o povinho mais uns carros, elegendo novos gutérres e sócrates,  a coisa descarrila outra vez para o fracasso.
Assim, se não houver ... o quê? Não faço ideia como se pode obrigar povos relaxados a ser sérios.
Ameaçar-nos com quê?
Não sei.
Cheirando a dinheiro, voltam já as greve como no tempo do Cavaco e o Passos vai dar um volta.
Os do PSD tiram-lhe o tapete.
Vamos continuar com défices públicos e correntes colossais.
A Grécia vai voltar a não cumprir com os acordos.

Onde estás meu amor, prometo-te que agora vou fazer dieta.

Porque estou eu sempre a falar de Portugal?
Estas condições vão-se estender a nós. Já começou com a alteração da taxa de juro (perdoaram-nos a penalização dos 1.95pp) e aumentaram o período de amortização.
Daqui a uns dois meses, aplicam-se a nós.
Os 200MM€ que devemos também vão ser passado para o Fundo de Resgate da Zona Euro.

Vou mudar de nome.
O meu nome não é muito apelativo.  Muito grande e com pouca informação.
Tenho que mudar de nome.

O meu nome é Milho, Boa como o Milho.
Ora vejam se não fica melhor:
Cosme da Costa

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Estamos num buraco muito pior que o de 1982

Ontem estive no bar a falar com um colega meu que é especialistão em economia portuguesa, o O.F. Estive à conversa uma hora e meia a ver se sacava informação relevante para vos transmitir.
Numa conversa de "sacar informação" temos que ser agressivos e dizer coisas meio parvas para induzir respostas informativas.
Resultou que o O.F. está optimista porque
1) "A dívida líquida portuguesa está próxima do que era em 1984, 90% do PIB"
2) "Em 1982 a balança corrente era de -13.5% do PIB e passou a +1.7% do PIB em 1985".
"E saímos com certa facilidade dessa situação"

Mas os meus números não dizem isso. Porque será?

A balança corrente.
Quantifica o saldo da balança comercial (importações e exportações), o saldo da balança de serviços (turismo), juros e transferências unilaterais (emigrantes).
Em 1982 o saldo comercial era de -14.9% % do PIB e em 2009 era menor, -7.7% do PIB
Em 1982 as remessas dos emigrantes foram +8.8% do PIB e em 2010 foram apenas +1.4% do PIB
Quando a balança corrente é negativa, tem que entrar dinheiro no país para cobrir esse défice.

A dívida.
Acumulando o défice corrente, obtemos o endividamento do país. Certo?
Está errado. E aqui é que reside a principal diferença, para pior, da nossa situação actual.
É que a dívida ao exterior apenas considera a dívida de residentes a estrangeiros. Não considera a dívida de estrangeiros (que investiram o dinheiro em Portugal) a outros estrangeiros. E mais: se esses estrangeiros se financiarem junto de portugueses, é contabilizado como dívida do exterior a Portugal.
Assim, há muito dinheiro que Portugal deve ao exterior mas que não está contabilizado como dívida pois não vence juros.

O investimento estrangeiro.
Se a EDP construir uma barragem por 500Milhões€ e pedir esse dinheiro emprestado aos espanhóis, este valor é contabilizado na dívida de Portugal ao exterior.
E a Iberdrola construir a mesma barragem por 500Milhões€ com capital espanhol, este valor não é contabilizado na dívida de Portugal ao exterior.
Qual é a diferença real entre estas duas situações?
É que a EDP vai pagar juros aos espanhóis e a Iberdrola vai pagar dividendos aos mesmos espanhóis.

Será assim tão diferente?
Os juros da EDP saem de Portugal.
Os lucros da Iberdrola saem de Portugal.
O investimento estrangeiro (directo ou não), vai no futuro, como os juros, drenar recursos portugueses.
E pode acontecer ainda pior: pode rapidamente ser convertidos em dívida:
A Iberdrola vende a barragem à EDP por 500milhões€ e empresta-lhe esse mesmo valor. Sem mais nada, os 500milhões passam a aparecer na dívida ao exterior.
Em termos económicos é exactamente a mesma coisa mas contabilizada de forma diferente.
É como as PPPs que não contam no endividamento público mas são a mesma coisa.
Ou, nas empresas, os contratos de Leasing.
Assim sendo, como nos comparamos com 1982?
Vou pegar na Dívida Líquida de 1982 e acrescentar-lhe o défice corrente do período 1982/2010.
Obtenho para 2010, uma posição líquida de -173% do PIB. Este valor é muito superior aos 110% do PIB considerados correntemente como o endividamento líquido (o Banco de Portugal indica um número menor, 95%).

Fig. 1 - Comparação entre 1982 e 2010

Vamos amortizar isto em 50 anos.
Primeiro, a balança corrente tem que ir a zero (que será, sem juros, uma correcção de -6% do PIB),
Isto é muito difícil porque já não temos remessas dos emigrantes.
Depois, fazendo uma taxa de juro de 3.5%/ano, uma inflação de 2.0%/ano e um crescimento de 1.6%/ano, temos que libertar mais 3.5% do PIB.
Isto não é possível.
Será preciso uma correcção de 10pp, 17 mil milhões de €.
Será preciso reduzir as importações em 30% sem afectar as matérias-primas usadas nos bens e serviços exportados.
Alguém acredita nisto? Eu não até porque ninguém nos empresta dinheiro a 3.5%/ano.

Vamos é tratar de sair da Zona Euro.
Como o Governo não fala sequer em descer salários, temos que sair da Zona Euro para desvalorizar os custos do trabalho em 30%.

Eu não vi a bola cruzar a linha mas ouvi dizer que já está
3:0 para os ratinguistas

Há um desvio ... colossal
Nada do que tem sido dito corresponde à verdade. Posso garantir porque não não ouvi nada disso.
O que eu penso que aconteceu:
"Digam uma novidade bombástica" disse o PPC.
"Há um desvio, pausa e dedos a enrolar, nas contas públicas, pausa, de 2 mil milhões €" diz o das Finanças
"Não, uma novidade mesmo, que ninguém saiba"
"O Vitor Bento, pausa, está a ficar, pausa e dedos a enrolar, careca"
"É pá, em comparação com a primeira, isto sim, isto é uma novidade colossal"
"Sim, pausa, na Pauásia, pausa e dedos a enrolar, ninguém sabe, pausa, que o Vítor, pausa, é pausa,  careca, e, pausa e dedos a enrolar, sabem do desvio"
pausa, pausa, pausa, pausa, pausa, dedos a enrolar, pausa, pausa, pausa, pausa, dedos a enrolar, ...

A minha última teoria
Eu tenho um colega, que era um bocado gordo, que foi para o governo Sócrates. Lá não usava a roupa de professor. Bons fatos, feitos à medida.
Entretanto emagreceu. Novos fatos. 
No outro dia vi-o e, pumba, voltou a usar exactamente a mesma roupa que tinha antes de ir para o governo. Como está mais magrote, a roupa fica-lhe um bocadito grande. Não faz mal.
O interessante é que agora o Ministro das Finanças usa aqueles fatos azuis feitos à medida
para um gordo.

É pá, o dito cujo teve que deixar lá os fatos que estão a ser re-utilizados.
Isto é que é poupança.


Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pategos 0 - 2 Ratinguistas

Vou pegar noutra variável: o endividamento externo
Já mostrei que a dívida pública nos coloca na Zona Má. Nesse ponto, os ratinguistas ficaram a ganhar 1:0.
Entretanto surgiram dúvidas sobre o UK, os USA e o Japão terem AAA quando estão mal colocados na variável "divida pública" que eu resolvi relativamente bem.
Ficou de fora a França (que tem bom rating e está na Zona Má) e a Espanha (que tem mau rating e está na Zona Boa).
Agora vou apresentar mais uma variável, o endividamento externo total, que acrescenta informação que clarifica um pouco a questão destes cinco países.

Fig.1 - Activos líquidos dos países da OCDE vs. a sua variação anual

Podemos ver que Portugal é o país da OCDE com pior performance.

Os activos líquidos somam aquilo que os agentes económicos de um país (o governo, famílias e empresas) devem ao exterior e subtraem aquilo que os outros países lhe devem (fonte: wikipedia, variação: saldo corrente, Banco Mundial).
Por azar, Portugal é o país mais endividado da OCDE. Logo pegado vêm a Irlanda, a Espanha e a Grécia.
Que coincidência. Se calhar os ratinguistas viram a wikipédia.
A Itália etá no meio juntamente com os USA e o Reino Unido.
O Japão está na zona boa.
Assim, a França (e a Bélgica ), relativamente às finanças públicas, estava na zona má mas, em termos de divida global, está na zona média. Pelo contrário, a Espanha que estava na zona boa relativamente às finanças públicas, em termos de divida global está na zona muito má.
Portugal está na Zona Má das finanças públicas e na zona má da divida global.
Um duplo azar.

Fig. 2 - Encaixa patego, 2:0

O ex-ministro picareta falante, Santos Silva, disse na tv para os outros pategos:
Já houveram dias piores e  haverão dias melhores. Tenha-nos fé. Prontos.
Até me dá gómitos ouvir dizer tão mal do meu Portugal.
Se esse pobo se calasse, não haveriam tantos porblemas.
Assim, estamos fu%$£os. Prontos.
Fig. 3 - Olhem para esta francesa: Muito Boa Zona . AAAAAA ... , fiquei gago.

Pedro Cosme Costa Vieira
Nesta, estamos no Guiness.

BPN: Carta aberta ao Sr. Ministro da Finanças

Ex.mo Sr. Ministro das Finanças
Av. Infante D. Henrique, 1
1149-009 Lisboa

Assunto: Reprivatização do BPN - Proposta de compra

Ex.mo Sr. Ministro,
Venho, respeitosamente, fazer uma proposta de compra de 95% das acções representativas do capital social do BPN – Banco de Negócio Português, detidas pelo Estado Português.
Sendo que sou muito crítico relativamente à capacidade do Governo resolver os gravíssimos desequilíbrios de que a economia portuguesa padece, dizendo publicamente na blogosfera que o destino certo de Portugal é a bancarrota, não me posso esconder no conforto da minha vida simples e ficar apenas a observar de longe o fracasso português.
Assim, nos limites da minha capacidade, abalanço-me a tentar resolver o problema BPN.

O estado do sector bancário e a sua evolução futura
O sistema bancário tem mais de 100 mil milhões de euros no crédito à habitação com taxas de juro indexadas à EURIBOR; mais de 50 mil milhões de euros no crédito a empresas públicas falidas; mais de 50 mil milhões de euros no crédito a empresas privadas públicas falidas; mais um incalculável valor, milhares de milhões de euros, emprestados a “grandes devedores” que estão insolventes. Estes activos com rentabilidades negativas fazem com que o sector bancário português esteja falido.
Contrariamente à desinformação que corre, não é por acaso que todos os bancos portugueses foram excluídos do mercado interbancário EURIBOR, todos têm a cotação muito abaixo do par e nenhum se consegue financiar no mercado de obrigações.
Acresce que se tem observado nos últimos 4 anos uma grande contracção do negócio bancário quer em volume quer em margem e com tendência para se agudizar.
Com estes dados são negativos, prevejo que, a curto prazo, encerrem 75% dos balcões existentes e haja uma redução proporcional no nível de emprego.

O BPN é inviável.
Sendo que numa situação normal o BPN dificilmente seria economicamente viável, na situação que se vive é completamente inviável.
Quem prometer o contrário procura enganar alguém.
Tendo eu a certeza de que todas as propostas de aquisição têm disfarçada uma enorme perda financeira futura para o Estado Português, acho-me na obrigação de avançar com uma proposta que, à primeira vista, pode parecer desproporcionada mas que é a melhor opção que o Estado Português tem para proceder à reprivatização do BPN.
O certo é que, aconteça o que acontecer, o Estado Português ainda vai perder muito dinheiro no BPN.
Por exemplo, na proposta publicitada pelo BIC, o Estado Português dá ao comprador 400 milhões de euros.
Eu não me enganei: O Estado Português reforça o capital do BPN em 470milhões de euros e, depois, recebe 70 milhões de euros.
Além do mais, não existe qualquer garantia de que o CGD receba os 5500 milhões de euros que emprestou ao BPN.
O que vai fazer V.Ex.a quando o BPN privatizado ameaçar falir? Vai lá meter mais dinheiro.

A) As condições que proponho para adquirir o BPN são as seguintes:
1.       Será feita uma avaliação da situação líquida do BPN por um grupo independente.
2.       À excepção de 50000.00€ (que passarão a ser o capital social), o Estado Português converte o valor apurado em Obrigações Perpétuas com Cupão Zero mas capitalizáveis à taxa EURIBOR.
3.       As acções representativas do capital social do BPN serão reduzidas a 1 milhão acções com o valor nominal de 0.05€ cada.
4.       Eu compro 95%, 950 mil, dessas acções ao preço de 0.05€ cada.

B) Objectivos a que me comprometo:
1.       Trabalhar com lealdade para que o prejuízo do Estado Português seja o mínimo possível;
2.       Procurar, o mais rapidamente possível, liquidar o volume de negócio do BPN de forma a respeitar o Core Tier 1 necessário;
3.       Pagar, na medida do exequível e o mais rapidamente possível, as obrigações perpétuas.
4.       Lutar para que a liquidação do BPN seja feita o mais suave possível.
5.       Lutar para que os direitos dos trabalhadores e dos credores sejam, tanto quanto possível, respeitados.
6.       Informar continuamente e com total transparência o Banco de Portugal sobre a evolução da situação.

Os meus pontos fortes
Não tenho experiência na gestão bancária. Recordando que os que têm muita experiência levaram os bancos à falência. Então, a minha falta de experiência é a minha principal mais-valia.
O preço líquido da minha proposta é a mais vantajosa.

Ninguém deve aceitar promessas que toda gente sabe serem impossível de cumprir.
Porto, 20 de Julho de 2011

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 19 de julho de 2011

Porque os USA e o UK são AAA?

Esta pergunta é muito pertinente e foi colocada por um comentador a quem agradeço.
Os EUA têm o Dólar que pode desvalorizar. Apenas considerando o último ano, o USDólar já perdeu 13% do seu valor.
Fig.1 - cotação do US Dólares em Dólares por Euro

Os EUA têm a dívida pública denominada em USDolares e, como o Dólar pode desvalorizar, o risco de o Estado falhar no pagamento da dívida denominada em USDólares é muito baixo.
Por exemplo, se o mercado entender que o USA só podem, em termos externos, pagar 50% da dívida  então, o Dólar desvaloriza 50%.
A diferênça entre a cotação máxima (0.85$/€ em 2000) e o a mínima (1.58$/€ em 2008) traduz uma desvalorização de 46%. E a desvalorização é para continuar.
Quem em 2000 tinha 100€ de dívida pública americana (85USD), agora tem 60€.
É um hair-cut de 40% sem ninguém dar conta. 

No final os USA só vão pagar uma parte da dívida (se pensarmos em termos do Euro) mas não há formalmente bancarrota.
Passa-se o mesmo com o Reino Unido.

Se a Grécia não pagar 40% da dívida (denominada em Euros), haverá bancarrota. 

E o Japão?
Isto também acontece com o Japão acrescendo que a dívida pública é detida pelas famílias japonesas. globalmente, o Japão não é devedor ao exterior mas credor. Os USA  devem ao Japão 980 mil milhões USD.

E porque isso não acontece com o Zimbabwé?
Acontece na mesma mas, em termos externos, ninguém empresta dinheiro em Dólares Zimbabweanos. A dívida externa do Zimbabwé é denominada em USDólares pelo que a desvalorização não induz uma diminuição dos pagamentos ao exterior.

E a França?
É um caso grave. Vamos rezar enquanto eu procuro mais umas variáveis. Mas vai ser difícil.
Mas no fundo, no fundo, os ratinguistas estão mais certos que errados e nós portugueses estamos mais errados que certos.

p.s. - em Janeiro 2012 a França desceu o rating.
Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Desvalorizar o Euro? É uma anedota?

Lembram-se do cambista de Santo Aleixo dos Mendigos?
Para explicar como se determinam as taxas de câmbio tenho que voltar lá e recordar o funcionamento de um sistema de câmbios flexíveis. É preciso voltar à aldeia.

O que é uma Zona Monetária.
Uma zona monetária tem uma moeda que circula internamente. Pode ser parte de um país (por exemplo, em Macau circulava a Pataca e não o Escudo), o caso mais normal é ser um país e, no caso da Zona Euro, é formada por vários países.
O Banco Central, BC, tem duas importantes missões.
    1. Tem a Taxa de Juro (taxa de desconto) para controlar a taxa de inflação.
    2. Tem a Taxa de Câmbio para controlar a "saúde das contas externas".
Estas duas variáveis não são perfeitamente independentes: o aumento da taxa de juro também mexe nas "contas externas" e a taxa de câmbio também mexe na taxa de inflação.
No dia a dia, o BC troca euros por moeda estrangeira para as importações poderem ser pagas e troca a moeda estrangeira recebida das exportações por euros.
Fig. 1 - Esquema da Zona Euro (exemplo contra o USDólar).

Existem mais umas parcelas que entram nas "contas externas" como sejam a "balança de serviços", os juros e lucros pagos/recebidos e as transferências unilaterias (dos imigrantes/emigrantes).
Chama-se Balança Corrente ao conjunto destas entradas/saídas de dinheiro.
Quando a Balança Corrente é negativa, as reservas em moeda estrangeira do Banco Central diminuem e a quantidade de euros em circulação aumenta. Assim que o Banco Central observa estes movimentos, usa as suas variáveis para controlar o desequilibrio.

Vai desvalorizar o Euro.
Ao desvalorizar o euro, os bens e serviços importados vão ficar, em euros, mais caros. Então, comparando com os bens produzidos internamente, existe uma alteração dos preços relativos que favorece os bens internos.
Mas o poder de compra vai diminuir. A gasolina, os alimentos, etc., porque são importados, vão aumentar de preço o que faz diminuir o poder de compra.
Em termos de bem estar, a desvalorização é perfeitamente equivalente a uma diminuição dos salários, rendas, depósitos bancários e dividas (em euros).
A desvalorização vai aumentar a inflação. Mas é um efeito ténue.
Os produtos importados aumentam de preço. Como importamos 40% do que consumimos, uma desvalorização de 1 ponto percentual, induz um aumento da inflação em 0.4 pontos percentuais.

Vai subir a taxa de juro.
Se a quantidade de euros em circulação aumentar, a inflação aumenta. Para evitar isso, o BC aumenta a taxa de desconto (juro). Assim, as pessoas depositam mais dinheiro no BC.
A subida da taxa de juro também corrige a Balança Comercial. Mas é um efeito ténue.
Do lado da procura, o aumento da taxa de juro diminui o consumo e o investimento (aumenta a poupança).
Do lado da oferta, aumenta a oferta de trabalho: as pessoas querem trabalhar mais pelo mesmo salário o que tem como efeito induzir uma tendência de diminuição dos salários.

O poder equilibrador da Balança corrente da taxa de juro é mais fraco que o efeito da desvalorização.
Se não houver desvalorização, 
     A) A taxa de juro vai aumentar muito (porque o efeito é tenue: já está nos 20%/ano)
     B) Os salários têm que descer de forma significativa (ou aumenta o desemprego: já está nos 13.5%).

Quando a Balança Corrente é positiva, as reservas em moeda estrangeira do Banco Central aumenta e a quantidade de euros em circulação diminuiu. O Banco Central vai usar as suas variáveis de controle em sentido contrário.
     Vai valorizar o Euro.
     Vai descer a taxa de juro (a EURIBOR está com taxas reais negativas).
Interessante ninguém falar nisto: a Zona Euro tem uma taxa de juro muito baixa. E que nós não soubemos aproveitar.

Como estão as balanças correntes das principais Zonas Monetárias?
Agora já podemos raciocinar. Só precisamos de dados das Balanças Correntes.
Se a Zona Euro tiver uma Balança Corrente negativa então, o Euro tem que desvalorizar.
Se a Zona Euro tiver uma Balança Corrente positiva então, o Euro tem que valorizar.

Fig. 2 - Balança Corrente nas Zonas Euro, Dólar, Yen e Libra (1999/2009, Banco Mundial).

Evolução futura das cotações mundiais,
O Dólar tem que desvalorizar dos actuais 1.40USD/€ para 1.70 USD/€;
A Libra tem que desvalorizar dos actuais 0.87 Libra/€ para a paridade, 1.00 Libra/€;
O Yen tem que valorizar dos actuais 110Y/€ para 90 Y/€.
O Euro deve manter. Como a Balança Corrente está quase no zero, a cotação vai-se manter.
O que acontecerá se as moedas não ajustarem à Balança Corrente?
Haverá um aumento do endividamento das Zonas Monetárias deficitárias (USA e UK) que induzirá novas "crises de dívida soberana".
O Baraka quer ir neste sentido e por isso é que existe a guerra do "tecto do endividamento" que o Baraka quer aumentar e os Republicanos não. O aumento do tecto é a semente de termos uma Grécia e um Portugal à escala planetária. Até a BARRACA ABANA.
O Japão poderia aumentar o nível de vida da sua população (pois os combustíveis e os alimentos descem com a valorização da moeda) mas vai acumulando créditos.

É incrível.
Quando um fulano diz uma asneirada gravissíma como, por exemplo, de que o Euro precisa desvalorizar, na rádio, tv e jornais, toda a carneirada repete a asneira.

Fig. 3 -Ou sai asneira ou entra mosca.

Portugal é um manicómio em que os ditos sem tino ecoam boca-a-boca e vão sendo deturpados no processo de criação de novos desatinos.
É um manicómio em autogestão. 
São atordadas umas a seguir às outras. Também se não fosse isso, onde é que eu  ia buscar inspiração?

Fig. 4 - Em Portugal, estas malucas davam opinion makers de economia.

O gajo pensa que sabe tudo.
Pelas minhas palavras parece que eu julgo saber tudo. Ainda nenhum leitor o disse mas eu chego a achar-me um iluminado.
O mais grave é que eu sei pouco de economia. Até porque sou engenheiro e dos fracos.
Então imagino: o que é que aqueles dirigentes e opinion makers têm na cabeça?
O que é aqueles professores catedráticos de economia andam a ensinar?
Não há um número, um raciocínio, nada. É só dizer asneira da grossa.

Os portugueses pensam assim. 
Um colega meu, insigni economista, tem uma filha que estuda num colegio fino.
Os pais reuniram-se e pediram para que os professores proibissem as crianças de ver os "Morangos com Açucar" porque era degradante. Estava indignado porque eles não queria proibir.
Eu, tanso, perguntei: "mas ela não vê os Morangos na escola. Vê-os em tua casa. Desliga isso".
"Aí fica quebrado o laço pai/filha, ela não compreende que é para bem dela,... blá, blá, blá"
Claro que eu pensei, este gajo é larilas (peço desculpa a todos os larilas que têm filhos).

Portugal está igual.
Os políticos não os/as têm no sítio (tintis ou mamocas) para assumir que os salários têm que descer 25%. Não. Argumentam que "o povo não compreenderia, blá, blá, blá" e mandam os alemães que, desde 2000 desceram os custos do trabalho 15% enquanto nós aumentamos 20%, desvalorizar a moeda que tem uma cotação correctíssima.
Fig. 5 - A Miley tem-as no sítio.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 17 de julho de 2011

O mito dos pategos: os ratinguistas são malucos

A saúde das Contas Públicas
Vou um gráfico simples que relaciona a dívida pública dos países da OCDE (pontos percentuais do PIB) e a sua variação média ao longo dos últimos 10 anos (aumento por ano em pontos percentuais do PIB).
Classifico o domínio em três zonas: Boa, Média e Má.

Fig. 1 - Dívida pública (% do PIB, 2009) e o seu aumento médio por ano (1999-2009), BM

Com uma análise simples de duas variáveis disponíveis publicamente (Banco Mundial) fica claríssimo que, na Zona Euro (marcas a vermelho), os casos mais graves são :
     1.º - Grécia
     2.º - Portugal
     3.º - Itália
     4.º - França
     5.º - Irlanda
Que a Alemanha está apenas na Zona Média e que a Espanha aparece já na Zona Boa.
A Bélgica está na Zona Média.
Afinal, não é por acaso que os "mercados atacaram" a Itália e têm deixado a Bélgica e a Espanha em paz.
Bem queríamos que eles se afundassem. É como aqueles que todos os días dizem que o FCP vai terminar a série de vitórias. Que esperem sentados. Dá-lhes Jorge Nuno.

A Alemanha tem problemas de Contas Públicas e não pode andar a dar dinheiro a toda agente como se fosse o Pai Natal.
O país com contas públicas mais saudáveis são a Finlândia mas é um país muito pequeno. É como o pisco alimentar 4 ou 5 cucos. Há que ter juizinho na cabeça.

Fig. 2 - Não qeuro saber, quero paparoca. Não olhes assim e vai trabalhar.

Os dirigentes portugueses, começando no Presidente da República e passando pelos grandes financeiros, podem berrar muito mas isso só serve para provar duas coisas:
  Primeiro: Que somos governados por um bando de incompetentes.
  Segundo: Somos governados por um bando de mentirosos.

Fig. 3 - Um futuro dirigente português: "Afianço que estou a olhar para as sardas".

Será assim que Portugal vai aumentar a sua credibilidade?

O que serão os milagres?
Quando decidem que aconteceu um milagre dizem "aconteceu uma cura que não sabemos explicar".
Mas isto é a definição de ignorância. Acontecem coisas que eu não compreendo, que eu não sei explicar.
Então a minha vida está cheia de milagres. Mas eu não acho isso?
Mas há nais um pormenor.
É a ignorância dos que pensam que sabem tudo. Daqueles que não aceitam a sua limitação intelectual.
Então, quando ouvir alguém dizer "não compreendo como fazem isto a Portugal, ratinguistas e os 'mercados' são uns malucos, blá. blá, blá" deve ser lido como
"Eu sou um ignorante mas tenho a mania que sou o maior".

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Poderá a energia nuclear resolver algum dos problemas de Portugal?

A PERE é um fardo herdado do guterrismo-socratismo.

Sob o enquadramento da Produção Eléctrica em Regime Especial, principalmente durante os 6 anos do socratismo, foram assinados contratos de longo-prazo que penalizam os consumidores de electricidade em cerca de 1350 milhões de € por ano.
A co-geração calor/electricidade será responsável por um encargo de 350milhões€/ano e a energia eólica por um encargo de 1000milhões€/ano.
Este encargo de 11€/mês por cada português torna as empresas menos competitivas e as famílias mais pobres.

Fig. 1 - Carrega e não bufes.

Os custos das principais tecnologias de produção de electricidade.
A electricidade, em termos económicos,  não é um bem homogéneo.
Sendo que a procura varia ao longo do tempo, existem tecnologias que respondem à variação e outras não. Digamos que umas tecnologias têm uma "entrada na rede" que é totalmente controlável pela vontade humana (o gás natural) e outras não dependem em nada dessa vontade (a eólica).
Esta é uma das principais razões para não se dizer que a tecnologia com custos de produção mais baixos é a melhor.
Fig. 2 - Comparação das diversas tecnologias de produção de electricidade

Os custos da Fig. 2 foram obtidos com os seguintes pressupostos:

Fig. 3 - Cálculo dos custos de produção (exemplo com um taxa de juro real de 5%/ano)

A taxa de juro real é obtida retirando a taxa de inflação da taxa de juro efectiva.

Comparação entre o nuclear e o carvão.
Custo total e taxa de juro.
Para taxas de juro reais menores que 5%/ano, o carvão e o nuclear são as tecnologia que têm menores custos de produção. Quanto mais baixa for a taxa de juro mais vantagem tem o nuclear (por exemplo, nos USA ou na Alemanha o Estado paga taxas reais na ordem do 1%/ano).
No caso de Portugal, com taxa de juro reais muito acima dos 10%, não existe qualquer viabilidade económica para o nuclear.

Custo efectivo e factor de carga.
Como o nuclear tem um custo fixo muito elevado (2/3 do total), o seu custo efectivo aumenta muito se o factor de carga, a procura, diminuir. Então, a potência nuclear instalada só pode responder à procura eléctrica de Vazio descontando em termos probabilisticos a produção hidro e eólica (que têm custos de muito curto prazo quase nulos).
No caso de Portugal, a procura de Vazio é cerca de 4000MW e a mas a produção hidro + eólica, em mais de 25% do tempo, é superior a este valor.
Também por esta razão,  não existe qualquer viabilidade económica para o nuclear em Portugal.

Fig. 3 - Belezura, eu sou o carvão para deitar. Jorge Nuno me mandou para aquecer o quarto seu. Desentope aqui meus bicos do gás.

O que se pode concluir? Vamos rasgar os contratos da PERE.
Portugal não aguenta os encargos da PERE pelo que o caminho apontado será a "renegociação" dos contratos assinados pelo guterrismo-socratismo em nome do Estado Português e procurar novas condições que partilhem as perdas entre os consumidores e os agentes que assinaram esses contratos porque eles já sabiam que eram muito pesados para Portugal.

Fig. 4 - Precisam rasgar contratos? Não se esqueçam do especialista.

E se alguém nos quiser vender um relógio de ouro por 10€?
Claro que é roubado. E a nossa lei diz que "quem recepta coisa roubada, fica sem ela".
Esses contratos são autênticos roubos.
Podemos dizer que são tecnologias que custam muito dinheiro e se que não fossem estas empresas seriam outras. Que criaram muito postos de trabalho, que foi um desafio que o Estado lhes lançou, blá, blá, blá, ...
O do relógio alegou que teve que correr quilómetros para fugir ao antigo dono, que o relogio tinha gravado "para a minha amada lady Betty" e teve que pagar a um relojoeiro para alterar isso, blá, blá, blá, ...

Fig. 5 - Tens que ter paciência pá. Olha o equilíbrio Zen pá ...

Mas é ilegal
Nada é ilegal para o Estado. Altera-se a lei. Altera-se a Constituição. Já não digo que façam como o Chaves: um telefonema para que alterem "voluntariamente" os termos do contrato, senão mete os fulanos na cadeia por Atentado à Segurança do Estado.
Lá terá que ser: chamamos o Vale Tudo.

ALTERNATIVA - UMA CANTADA À ESPANHA
A Espanha produz 7000 MW eléctricos em centrais nucleares que quer fechar.
Tem aumentado muito o uso de carvão para responder ao aumento da procura.
Mas quer reduzir as emissões de CO2 para a atmosfera.
E aumentar a produção de energias renováveis.
Está aqui uma oportunidade de negócio para nós.

Fig. 6 - Só tenho pena que não sejas feia e gorda para veres como eu verdadeiramente te amo. Tira, tira que eu estou prisioneiro da tua inteligência, ah ah ah ah ah .... Rezamos depois ah ah ah ah ah ... Isto é asma.

Vamos convencer os espanhois.
A Espanha, apesar de estar em crise, consegue taxas de juro muito mais favoráveis que Portugal. E as centrais nucleares são produzidas pela Alemanha e França que terão interesse no seu financiamento.
Nestas condições, será possível arranjar financiamento com uma taxa de juro real abaixo dos 5%/ano.
Os espanhois podíam "comprar" (o mais correcto é dizer pagar) a energia da nossa PERE e contabilizá-la como produção deles em "tecnologias limpas".
Nós, como contrapartida, deslocamos as centrais nucleares deles para Portugal.
Neste negócio, não se diz à Espanha que ia pagar as loucuras do nosso PERE mas contabilizamos cada tonelada de CO2 não emitida a 20€/tonelada o que dá 2 c.€/kwh. Para 8000Mw dá os 1350milhões€ por ano que precisamos.

O nuclear terá mais vantagens para Portugal?
Os 8000Mw eléctricos efectivos correspondem a uma potência instalada de 10000Mw que se traduz num investimento de 2 mil milhões€ por ano, durante 20 anos. Desse total, pelo menos metade fica em Portugal.
Cria durante os 20 anos da construção mais de 25000 empregos directos na construção civil.
Cria 10000 empregos bem remunerados durante o funcionamento, 5 mil engenheiros.
Como a Espanha tem um consumo eléctrico de Vazio na ordem do 20000Mw e com tendência crescente, a potência nuclear instalada poderia ser ainda maior, ir até aos 15000Mw para uma produção efectiva de 12000Mw eléctricos.

Terá inconvenientes?
Claro que sim. Senão, os espanhois queiram-nas lá. Eles não são burros de todo.
Tem o perigo de perda radioactiva por acidente como aconteceu em Chernobyl ou Fukushima.
E temos que aceitar que vamos ficar com os resíduos radioactivos para sempre.
Mas Portugal tem baixo risco de terramoto, é um país seguro, estável, com um nível de desenvolvimento tecnológico razoável. Com bons locais para o armazenamento dos resíduos.
Mas se queremos continuar a viver bem, temos que aceitar riscos.

Um acidente pode ser muito grave mas o risco é muito baixo.
O risco de morrermos num acidente de viação é milhões de vezes maior.
O risco de morrermos de cancro da pele por irmos à praia é milhões de vezes maior.
O risco de morrermos engasgados a comer é milhares de vezes maior.

Fig. 7 - Eu quero a mulher radioactiva. Zzzz ...

Onde instalar a coisa?
A localização de uma potência tão elevada tem que ser feita junto ao mar, para ter uma boa Fonte Fria o que diminui o investimento e aumenta o rendimento, e para ter acesso ao transporte pelo marítimo.
Tem que ficar o mais próximo possível de Espanha, ser numa zona de baixo risco sísmico e ficar a mais de 20km  das cidades e infra-estruturas importantes.
Mas também tem que estar próximo de populações que possam fornecer 25000 trabalhadores.
E, ser numa zona economicamente deprimida, com taxas de desemprego elevadas.
Este local existe entre Aveiro e a Figueira da Foz. Vai captar mão de obra de toda a Região Norte.

Fig. 8 - O local óptimo para a central nuclear.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Títulos da dívida pública: a suprema embrulhada

Pescadinha de rabo na boca ou o imbróglio
das dívidas soberanas europeias


De acordo com os instrumentos do FEEF (Fundo Europeu de Estabilidade Financeira), teoricamente já é possível que um Estado receba dinheiro e depois o use para recomprar uma parte da sua dívida, normalmente com um desconto significativo”, referiu o porta-voz do ministro das Finanças, Martin Kotthaus, citado pela Reuters há dias. Pressionados pela Alemanha, os estados da Zona Euro até já admitem que os privados participem nos custos de uma eventual reestruturação da dívida grega. É como uma família em que uns emprestam dinheiro aos outros e as regras relativas ao pagamento e juros vão sendo alteradas ao longo do tempo. É família, ninguém leva a mal.

Vou vender a minha casa, um bem que possuo (podia ser o meu ordenado, isto é, a minha capacidade de criar riqueza, um activo de qualquer forma), mas depois vou ao banco (o FEEF não me aceita) e vou conseguir recomprar a casa a um preço mais baixo e o banco até me faz um crédito bonificado nessa circunstância. Se o mercado imobiliário recuperar (mercado secundário!) até vendo outra vez o imóvel. Faz todo o sentido! A engenharia financeira não tem limites, como se constatou em 2008.

É uma das maiores embrulhadas que já se viu. Já tínhamos percebido que havia bancos europeus que iam ao mercado primário e secundário da dívida comprar títulos da dívida do respectivo país ou de outros estados. Se necessário, até recorriam ao BCE, pagando uma taxa de 1% para se financiarem para comprar… títulos das dívidas soberanas. A propósito, os bancos são grande parte dos privados que serão chamados a participar nos custos de uma reestruturação ou recalendarização da dívida grega e quiçá de outros países. O BCE nunca irá gostar muito desta solução porque andou a comprar títulos da dívida dos países periféricos no mercado secundário. De quem é o capital do BCE? Dos bancos nacionais da Zona Euro...

Engenharia financeira = ideias brilhantes

Tal como sugerem alguns economistas, entre eles o director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, José Reis, mais valia que o BCE emprestasse aos Estados da Zona Euro. Por outro lado, poderão ter alguma razão aqueles que defendem as eurobonds, que no fundo já existem quando o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (gerido pela Comissão Europeia e que apoia a UE-27) e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira emitem dívida para financiar pacotes de ajuda acordados com países como Portugal e Irlanda (Grécia não beneficiou até agora do FEEF porque obteve apoio antes da sua criação).

Suspeito que a Zona Euro já entrou num processo de fuga para a frente. Os problemas avolumam-se. A Itália é já uma preocupação e eventuais problemas com a Espanha fazem parte dos piores pesadelos europeus. As agências de rating não dão tréguas, pese embora a Comissão Europeia pareça agora empenhada em criar uma estrutura própria de notação financeira. A solução pode amenizar os downgrades do triunvirato norte-americano e até o BCE diz que a Moody’s pode avaliar Portugal como “lixo” que em Frankfurt assobia-se para o ar e aceitam-se os títulos da dívida portuguesa como colateral.

Pedro Palha Araújo

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A falência soft de Portugal: a saída da Zona Euro

Em Abril, quando escrevi sobre a falência de Portugal,  prometi que ia dar uma visão de como poderia ser a falência soft. Prometer é fácil mas essa missão veio-se a tornar muito difícil.
Então pensei: vou-o fazer quando o blog atingir 30000 visitas. Isto porque nunca imaginei que tal fosse possível de acontecer.
Mas aconteceu, o que agradeço, pelo que estou obrigado a avançar com o roteiro para a saída do Euro.

Fig. 1 - Muito obrigado.

Vamos sair do Euro.
Cada vez é mais evidente que  Portugal e a Grécia (e, com menor grau de certeza, também a Irlanda, a Espanha e a Itália) vão sair da Zona Euro.
Isto porque, apesar de constantes anúncios de medidas duras, no concreto nada acontece em termos de equilíbrio da economia  em termos de Défices do Estado e da Balança Corrente (os famosos "Défices Gémeos")
Nos média já se fala disso há algum tempo mas ainda ninguém apresentou um possível roteiro para uma bancarrota controlada.

Tenho que o fazer eu.

Acredito que a Alemanha já está a desenhar um plano para implementarmos quando se verificar que o "resgate da troika" falhou.
Fig. 2 - Foi bom mas acabou-se.

Porque é que o resgate falhou?
Os normais mecanismos de ajustamento da economia (variações na taxa de juro, na taxa de inflação e nos salários nominais) funcionam bem quando o sistema está  apenas um pouco desviado do equilíbrio.
Nestas situações, o Governo não precisa fazer nada e pode ainda adoptar políticas ligeiramente erradas que, mesmo assim, a economia acaba por se equilibrar.
É como aquelas dietas malucas em que as madames querem fazer uma caminhada a alta velocidade sem comer: o organismo vai  sentir-se cansado e cheio de dores musculares pelo que, quer queiram quer não, têm que parar para poupar energia.

Na situação actual, em que o desequilíbrio é muito profundo e afecta tudo, é necessário que o governo adopte medidas firmes e muito diferentes do que é normal fazer.
Será, principalmente, necessário induzir a
     Diminuição dos salários e flexibilização dos contratos de trabalho;
     Diminuição das pensões de reforma e outras transferências sociais;
     Subida das taxas de juro dos contratos a taxa fixa (habitação);
     Liquidação/falência das empresas públicas;
     Agilização dos tribunais mexendo nos "direitos fundamentais" do cidadão.

Como o Governo acredita na estratégia de anunciar que vai fazer e nada fazer e os normais mecanismos  de equilíbrio automático não actuam de forma suficientemente rápida então, a falência de Portugal é inevitável: vão falir os bancos, as empresas, as famílias e o Estado.

Sendo inevitável a saída da Zona Euro, uma saída controlada terá um impacto menos negativo que uma saída à bruta.

Fig. 3 - Quando der para o torto, o melhor é saber por onde sair.
Primeiro passo: fixação dos preços e salários em Euros e em Escudos.
Anúncio a 1 de Outubro de 2011
Efectivação a 1 de Janeiro de 2012
Como o Escudo só foi abandonado há 10 anos, 80% da população ainda raciocina com os preços em escudos. Por isso, será aconselhável manter o câmbio de 200.482 Escudos para 1 Euro.
O câmbio Euro/Escudo mantém-se, inicialmente, fixo.

Segundo passo: Reintrodução do Escudo em circulação juntamente com o Euro.
Efectivação a 1 de Abril de 2012
As caixas multibanco começam a dar escudos mas também Euros.
Os supermercados, o Estado e demais passam a estar obrigados a receber em Escudos e em Euros.

Fig. 4 - O melhor é usar as mesmas notas.

Reintrodução do Banco de Portugal como banco Central
Será necessário que o Banco de Portugal comece a controlar a liquidez e a reintroduzir o mercado aberto de Escudos ressuscitando a taxa de juro LISBOR.

Terceiro passo: Redenominação da moeda dos contratos.
Efectivação no dia 1 de Julho de 2012
Todos os contratos de trabalho, as reformas e as prestações sociais passam a estar denominados em Escudos.
(este ponto não é obrigatório) Os contratos do Estado também passam a estar denominados em Escudos . Haverá contratos com o exterior que será necessário que se mantenham em Euros para não se tratar de um incumprimento externo.
A partir deste momento, tudo o que esteja no perímetro do Estado (Estado central, empresas públicas, autarquias e empresas autárquicas, regiões) apenas pode fazer novos contratos denominados em escudos.
Esta medida evitará que o Estado se endivide para além da sua capacidade de pagamento.

O roteiro não pode induzir uma corrida aos bancos
A redenominação não pode implicar o incumprimento das obrigações externas nem a saída massiva de capitais pelo que:
Os depósitos bancários e as dívidas bancárias continuam a ser denominadas em Euros.
Se os depósitos bancários não continuarem em euros, haverá uma corrida aos bancos o que induzirá a bancarrota descontrolada de Portugal.
Não pode ser.
O Escudo não terá credibilidade para ser reserva de valor.
Como vai funcionar o sistema bancário:
Uma pessoa recebe o seu salário em Escudos e  deposita-o no banco em Euros (ao câmbio, inicialmente fixo)
Quando for levantar 50 contos ao Multibanco, é feito o câmbio e retirado da conta os correspondentes Euros.
Quarto Passo: Passagem a "câmbio fixo" deslizantes.
Inicio a 1 de Outubro de 2012.
A passagem a câmbios flutuantes induzirá flutuações muito fortes na cotação até atingir um equilibro entre os 240$/€ e 260$/€ (uma desvalorização entre 20% e 30%).
O melhor será a utilização de um período (1 ano) de desvalorização deslizante.
Passando no dia 1 de Outubro de 2012 à cotação de 201.00/€, a cotação diminui às 0horas de cada Domingo mais 1.00$/€ até atingir, no dia 15 de Setembro de 2013, a cotação de 250.00$/€.

Fig. 5 - Desliza, desliza que eu estou aqui em baixo à tua espera.

Quinto Passo: Passagem a câmbios fixos.
Início a 1 de Outubro de 2013.
Os câmbio deslizante fará a cotação ir para um câmbio de equilibro pelo que é expectável que a cotação se mantenha facilmente fixa.
Mantendo-se os câmbios fixos durante o período de ajustamento (até 2020), podemos voltar a entrar na Zona Euro com esta nova cotação (250$/€).
Se a situação não estabilizar, será necessário passar a câmbios flexíveis e continuar com o Escudo.
  
Como os salários e os preços vão ser denominados em Escudos, a desvalorização do Escudo induzirá uma  descida dos salários e dos preços (em euros) dos bens e serviços produzidos em Portugal e um aumento dos bens e serviços importados (em escudos).
Esta variação dos preços relativos induzirá um aumento nas exportações e uma diminuição das importações.

Onde entra o "novo plano de ajuda"?
O prejuízo de sairmos do Euros será, no máximo, de 50mil milhões€
Este valor é o aumento da dívida externa líquida, 200milmilhões€, induzido pela desvalorização do Escudo em 25%.
Mas o prejuizo será muito maior se teimarmos em ficar na Zona Euro sem fazer as duras medidas de ajustamento necessárias para equilibrar a nossa economia.

Participação do Estado nas perdas: 30 mil milhões €
Da perda total de 50 mil milhões€, prevejo a necessidade de o Estado ajudar as famílias e as empresas que vão perder a capacidade de pagar as suas dívidas.
Este problema não pode ser passado para os credores porque implica a falência do sistema bancário.
O Estado terá que fazer um plano de ajuda às famílias e empresas que vão ficar insolvente.
Supondo que o Estado vai cobrir 1/4 das perdas cambiais dos activos dos bancos (que são cerca de 450 mil milhões €), para uma desvalorização do Escudo em 25%, o "novo plano de ajuda" terá que cobrir cerca de 30 mil milhões de euros, (25% de 450 mil milhões€) / 4, a somar à divida pública.
Fig. 6 - A jovem quer uma ajuda? Uns 100 euritos? Quer dizer, uns 20 contos?
Portugal vai ainda precisar de muito mais dinheiro.
Esta necessidade existe mesmo que Portugal se mantenha na Zona Euro.
Eu estimo esse valor em 420 mil milhões de € ao longo dos próximos 50 anos.
Esta verba deve ser negociada quanto antes e juntamente com o roteiro da saída.

Afinal, podemos sair da Zona euro sem grandes traumas ou aflições.
Se os problemas forem pensados e as soluções implementadas com cabeça, nada é impossível de resolver.
Mas duas coisas são certas. Uma é que vamos morrer. Outra é que nos próximos anos, o nosso rendimento vai diminuir cerca de 25%

Pedro Cosme Costa Vieira

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