sexta-feira, 28 de junho de 2013

Moçambique tem que regionalizar os benefícios do carvão

Moçambique fica na África Austral.  
Quando, em meados de 1988, acabei o meu curso de engenharia de minas, fui trabalhar para a África do Sul. Nessa altura a África do Sul tinha um PIB per capita em paridade de poder de compra idêntico ao português (a preços de hoje, cerca de 7000€). 
O problema económico que então se vivia na África do Sul era a estagnação. Pensava-se que eram o apartaide, o embargo económico e as guerras internas e com os vizinhos que mantinham a economia paralisada no nível de 1973 (ver, Fig. 2). 
Nas 20 semanas que estive na A. S. conheci muitos moçambicanos que trabalhavam dentro e fora da mina.  Como já cheirava que o apartaide ia acabar, todos previam que, com o seu fim a A.S. iria tornar a crescer como nos anos 1970 e toda a África Austral iria  à boleia desse sucesso.
Mas os analistas estavam errados e, depois de 15 anos de estagnação económica, seguiram-se outros 15 anos de mais estagnação económica. Quando chegamos a 2004, o nível de vida dos sul africanos era exactamente igual ao nível de vida de 1974.
Inacreditável mas aconteceu num país com uma riqueza de recursos minerais única no mundo e com a população mais escolarizada de toda a áfrica negra.


Fig. 1 - África é um continente de barracas


Afinal, o pós-apartaide tem sido um fracasso económico.
Apesar de ter sido uma transição pacífica, a economia continuou estagnada.
Em 1988 o nível de vida da África do Sul era quase 8 vezes o da China e da Índia.
Passados apenas 24 anos, já o nível de vida da África do Sul está abaixo do chinês.
O que pareceria que ia ser a locomotiva diesel da África Austral transformou-se numa máquina a vapor com a caldeira furada.

Fig. 2 - Evolução do PIB pc, ppc da África do Sul (dados: Banco Mundial, adaptação do autor)

Porque será que a coisa parou?
Criou-se a expectativa que tudo iria correr bem, mesmo que nada fosse feito bem.
Pode-se hoje, que está entre a vida e a morte, dizer que o Mandela liderou uma transição pacifica mas criou problemas que levaram à estagnação.
Criaram-se rigidezes no mercado de trabalho para tentar acabar com a mítica "exploração do homem pelo homem" o que fez o desemprego explodir.
Ao criar-se a expectativa que a vida ia melhorar, a poupança caiu. Enquanto a China tem uma poupança interna liquida de 38% do PIB e a Índia 20%, a A. S. está nos 5% do PIB.
Sem poupança e sem haver uma politica coerente de combate à violência, o investimento  desapareceu.
Apesar de termos assistido entre 2004 e 2010 o PIBpc ter crescido 2.4%/ano, a economia está outra vez parada.

Moçambique é uma país muito mais pobre.
Tem lutado ao longo dos anos pelo troféu do "país mais pobre do mundo".
Em 1988 Moçambique estava na linha de pobreza absoluta, aquela linha em que uma percentagem muito grande da população tem uma dieta pobre em calorias (passa fome) e em que, na época da seca, milhares de pessoas passam dias sem nada comer.

Mas, mesmo assim, Moçambique cresceu.
De forma inprevisivel, o motor do desenvolvimento de Moçambique estava no Índico e não na África Austral. O crescimento da China (e da Índia) e as suas necessidades de matérias primas têm-se transformado no motor do crescimento económico moçambicano que, desde 1995, tem crescido, em termos per capita, 4.7%/ano (a Índia tem crescido 6.1%/ano).

Fig. 3 - Evolução do PIB pc, ppc de moçambique (dados: Banco Mundial, adaptação do autor)

Mas Moçambique tem um grande problema: o motor do crescimento está no Tete.
O poder está em Maputo mas o carvão está em Moatize, no Tete.
E as pessoas do Tete e de toda a metade norte do Maçambique acham que não estão a receber os benefícios que resulta das suas riquezas minerais.  
E a Renamo tem grande implantação lá para o Leste pelo que é o representante das aspirações dos povos dessas regiões.
Naturalmente, não tem de estranho pelo que tem que ser aceite como uma reevindicação legitima. 
O governo tem que fazer uma regionalização dos recursos minerais atribuindo a cada região uma parte das rendas dos seus recursos minerais, por exemplo, 2/3, e apenas usar a parte remanescente como receita do orçamento geral do Estado.  Só assim  Moçambique pode continuar no comboio do desenvolvimento que está a ser puxado pela Ásia.


Fig. 4 - Dois camiões de longo curso usados no transporte do carvão moçambicano (auto-estrada M1)

Finalmente, o défice fechou acima dos 10%.
Os do PS devem estar todos contentes porque tal traduz o fim da austeridade.
Com estes números, parece que estamos de volta aos tempos do Sócrates, 2010 e 2011, em que o défice esteve nos 10%. A única diferença é que nesse tempo o governo dizia que o défice tinha fechado nos 5.9% (e ainda dizem que o Gasparzinho nos engana)
Mas não é bem assim porque nesse tempo as nossas contas com o exterior estão altamente desequilibradas e agora estão cada vez mais solidamente positivas.
Durante o governo de Sócrates, o país ia buscar ao exterior 20 mil milhões de euros por ano, um total de 120 mil milhões de euros. Nos dois anos de governo do Passos Coelho + Gasparzinho, Portugal praticamente não precisou de financiamento externo.
Nos últimos 12 meses, Portugal não só não se endividar mais como ainda reduziu o endividamento externo em 2 mil milhões de euros.
Este facto é superior a todas as noticias negativas da execução orçamental.
Está tudo a correr mais ou menos bem.

Fig. 5 - Evolução das nossas necessidades externas de financiamento (dados: INE)

Pedro Cosme Costa Vieira.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

The Teixeira dos Santos Reloaded

Ontem estava com curiosidade de ouvir o Teixeira dos Santos.
O homem já viu que é impossível arranjar um tacho na PT sem fazer um acto de contrição e, como não é burro, pensei que, ao dizer (pedir) à Judite de Sousa que estava pronto, se estava a preparar para abrir o bico.
Mas não. Foi um reload da cassete que eu ouvi em Outubro de 2011.
Então, mantém-se o que eu disse nesse dia:

O que eu queria ter ouvido do TS
 - Enganei-me.
 - Pensava que a expansão da despesa pública seria apenas durante um ano e que depois a economia recuperava mas falhei.
 - Durante a noite acordo com pesadelos e suores frios e penso "será que fiz o melhor que podia ter feito"?
 - Esforcei-me muito mas não fui capaz de estar à altura da crise. Estava convencido da minha razão e não ouvi ninguém pelo que este erro me vai perseguir pelo resto da minha vida.
 - Desculpem-me.

O que eu ouvi
- A culpa é de todos.
- O PEC4 ia-nos salvar.

O que teria o PEC 4 de especial?
PEC, PEC, PEC, PEC, PEC, PEC, PEC, PEC, PEC, PEC, PEC, tipo pica-pau a martelar na madeira podre.
Mas o que teria o PEC4 de tão especial que nos ia salvar sem sofrimento? Seria sem a austeridade que vivemos?
Porque é que o PS, continuando a ter o PEC4 na gaveta, não avança com isso para a discussão pública?
O que eu penso é que o PEC4 era pior que a austeridade do Passos Coelho. Se o PEC3 foi cortar 10% nos salários dos funcionários públicos (que ainda hoje perdura), como seria o PEC4 para resolver todos os problemas das contas públicas.
Não vale a pena eu bater mais no dorso do animal pois dali não sai mais nada.
Mais vale fazer o reload do poste Quem será o culpado da crise que Portugal vive?

Fig. 1 - Para reload, reload e meio


Agora falta falar de umas perguntas que recebi por e-mail.
Já que não preciso gastar o meu tempo a repetir-me, fica tempo para as 4 questões muito pertinentes do Ricardo Mendes que já deveria ter respondido há umas semanas mas que ainda não consegui responder.
São interessantes porque mostram que apenas faltam alguns pormenores.
Aqui vão.

1 - Depósitos compulsórios nos bancos comerciais e as notas mortas.
Os depósitos bancários não são notas. Podem ser usados para pagamentos e recebimentos (com o multibanco e os cheques) mas não são, de facto, notas. 
As notas existem para facilitar as transacções económicas mas existem outros instrumentos que também podem ser utilizados com esse objectivo (e.g., o multibanco, os cheques, os tickets refeições, os pontos no cartão Continente). Toda a gente se lembra do usar cheques pré-datados para fazer pagamentos diferidos no tempo.

O controlo do nível geral de preços.
Acontece que os governos querem que haja estabilidade de preços (mandatam o banco central para isso) o que apenas se consegue alterando continuamente a liquidez na economia (os meios de pagamento).
É fácil alterar a quantidade de notas em circulação. O banco central sabe todas as notas que imprimiu (que até estão numeradas) pelo que é trivial aumentar a quantidade de notas (dá-as ao governo que as gasta) .
As "reservas compulsivas" servem apenas para tornar o sistema mais controlável.
Se as reservas compulsivas fossem zero e fossem permitidos outros meios de pagamento alternativos às notas  (por exemplo, o Continente fizesse vendas a descoberto "em cartão"), o Banco Central teria que intervir mais vezes e com quantidades maiores de notas.
Vamos esquecer a lengalenga de que os bancos criam moeda pois estes apenas aumentam a velocidade de circulação da moeda (medida como o stock total de notas a dividir pelo PIB).
Não vamos gastar o nosso pensamento em coisas que só servem para nos confundir a mente. Quando alguém disser que toda a gente fala disso, diga pura e simplesmente bullshit. Também muita gente dizia (e ainda diz) que o Sol andava à volta da Terra.

Pergunte antes?
O que aconteceria se as reservas compulsivas fossem 100% (o banco é um cofre)? A única coisa que aconteceria é que a quantidade de notas em circulação (fora do Banco Central) teria que ser muito maior .
E se fossem 0%? A quantidade de notas em circulação (fora do Banco Central) teria que ser muito menor.
Vendo que não haveria qualquer impacto económico logo vemos que a lengalenga da "criação de moeda" não tem pés para andar. Os depósitos bancários são alternativas às notas (são inside money) pelo que existe necessidade de controlar a sua capacidade de alterar a liquidez total da economia.

2 - Um banco tem toda a liquidez que deseje do banco central à taxa em vigor.
Mas tem que prestar garantias para que a falta de liquidez não seja o resultado de o banco estar falido (o total do activo ser menor que o total de passivo).
As garantias são de todo o tipo mas ponderadas pelo risco de fracassarem.
As garantias que têm menos risco são os títulos de divida pública que são tomados ao valor nominal.
Depois, há os créditos hipotecários que as pessoas têm para com os bancos. Por exemplo, o Ricardo tinha a sua casa hipotecada ao BCP por uma divida de 100000€. Depois de o banco central calcular a  probabilidade de o contracto não ser pago, por exemplo, 3%, o BCP poderia usa este contracto para garantir um empréstimo de 97000€ junto do BCE à taxa de juro em vigor. O crédito hipotecário apenas passaria para o banco central se o BCP falisse.
Poderão ainda ser aceites activos com maior risco (por exemplo, divida das empresas públicas) mas apenas em casos excepcionais de falta de liquidez na economia.
Os activos não precisam ser líquidos no sentido de que são dinheiro mas devem ser transaccionaveis em mercado (que funciona como uma medida do risco) para o banco central poder desfazer-se deles no caso do banco credor falir.

3 - O que aconteceu no Chipre estará correcto?
Quando um agente económico vai à falência alguém vai ter que sofrer o impacto do prejuízo. Se o Estado assumir o prejuizo, somos todos nós que temos o prejuizo. Senão, são apenas os credores.
No caso dos bancos, públicos ou privados, passa-se o mesmo e os "credores" do activo são os accionistas, os obrigacionistas, os depositantes, outros bancos do mercado EURIBOR e as instituições (BCE, FMI, Estado e outras instituições europeias).

Antes da crise do sub-prime a Lei dizia que o fundo de garantia dos depósitos assumia o pagamento das contas bancárias até 25000€ por depositante. Todos nós sabíamos isso mas pensávamos que tal nunca iria acontecer. Toda a gente pensou que era como a claúsula de rescisão do Ronaldo  de 94 milhões € que ninguém imaginou ser possível alguém bater até o Real Madrid se chegar à frente.
Como em 2010 a garantia dos depósitos passou (provisoriamente) para 100 000€ por depositante, no Chipre apenas havia a discutir se as perdas seriam nos depósitos acima dos 25 000€ ou acima de 100 000€ e se seria em todos os bancos (perdas solidarias entre todos os depositantes) ou apenas nos que faliram (cada depositante assumir o risco do negócio).
Foi-se pela solução mais de acordo com o lógica do mercado: perderam as pessoas que não se acautelaram e depositaram o seu dinheiro nos bancos falidos porque estes pagavam (prometiam) um juro muito mais elevado.
Mas nunca ninguém disse que os depósitos estão totalmente garantidos. Nos USA quase todos os dias há bancos que abrem falência.

A fiscalização do Banco de Portugal.
A fiscalização compete, primeiro, a cada um de nós.
Quando nós vamos a um restaurante e a comida cheira a podre não podemos confiar que não nos vai fazer mal porque existe a ASAE.
Mesmo numa passadeira, temos que olhar para um lado e para o outro antes de atravessar.
No caso dos bancos é a mesma coisa. Se o BPP oferecia 6%/ano de taxa de juro e a CGD oferecia 1%/ano, alguma coisa estava mal.
Os bancos são muito difíceis de supervisionar e, também, o Banco de Portugal não é muito competente.

4 - Quem alimentou a nossa festa?
O grande interface entre os aforradores e os gastadores são os bancos comerciais, as companhias de seguros e os fundos de pensões (que quase não existem em Portugal).
Por exemplo, uma pessoa deposita 1000€ num fundo de pensões na Alemanha e esse fundo vai canalizar esse dinheiro para um local que tenha uma relação rentabilidade / risco elevada. Esse local pode ser o Metro do Porto, obrigações do BPI, títulos da divida pública portuguesa ou uma carteira de créditos hipotecários do BCP.
Depois, o Metro do Porto usou esses 1000€ para pagar salários a portugueses.
O BPI usou os 1000€ para emprestar para um crédito pessoal.
O Estado entregou esses 1000€ em RSI e em ordenados aos professores.
O BCP usou os 1000€ para emprestar a empresas portuguesas.
Não foi nenhum português pedir directamente os 1000€ emprestados ao alemão mas fez pressão (pelos votos em governos despezistas, obras nas autarquias e pedidos de empréstimos bancários) para que isso acontecesse.
A balança corrente da Zona Euro está equilibrada pelo que, em termos liquidos, o dinheiro veio para cá de outros países da Zona Euro. Mas como os fundos têm participações de outros fundos, não se sabe com certeza a quem, no fim, Portugal deve dinheiro.
SAbemos que, em termos mundiais, há paises que são credores importantes (as pessoas da China, Japão, Arábia Saudita, etc.) e outros que são devedores importantes (USA, Grécia, Portugal, etc.).
Cerca de metade da divida externa portuguesa (os 78 mil milhões € da Troika mais 50 mil milhões € que o BCE emprestou aos nossos bancos) é de instituições públicas e outra metade é de instituições privadas espalhadas um pouco por todo o Mundo, mesmo de países muito endividados (USA) e pobres (Angola).

Como diz o Razia Pereira.
"Eu não quero pagar essa divida" mas, no tempo do Guterres, do Santana Lopes e do Sócrates, não o ouvi dizer uma única vez  que o défice público tinha que ir a zero pois não queria que Estado Português se endividasse.
Nem agora o diz. Grita por mais endividamento para depois dizer que a divida é impagável.

O nosso maior inimigo é a esperança.
Não foram os políticos incompetentes que nos levaram à bancarrota.
Foi a nossa esperança de, mesmo sabendo que era impossível continuarmo-nos a endividar ao exterior 17 mil milhões € por ano, pensarmos que com dois acorda do tribunal constitucional, uma greve aos exames, duas greves gerais e três manifestações gays, a coisa se resolvia de um dia para o outro e sem doer.
Foi a nossa esperança de que, mesmo sem qualquer lógica, o Holland ia falar grosso à Sr.a Merkel e todos os direitos adquiridos pelo 25-de-abril-1974 iriam ser pagos pelos contribuintes alemães.
É a nossa esperança de que, quando o Seguro for primeiro-ministro, o IRS vai descer, os salários vão subir, o desemprego vai desaparecer, o IVA da restauração volta aos 13% e a economia vai crescer.
É a nossa esperança de que o Mar ou a Agricultura, que contribuem em conjunto com 2.5% do nosso PIB, nos vão salvar (se a agricultura e mar crescessem 40%, o impacto no PIB seria de apenas 1%).

É acreditar que o PEC4 resolvia a nossa crise.
Os esquerdistas tresloucados repetem sem se cansarem que a Sra Merkel estava toda contente com o PEC4. Alguém, alguma vez, jamé ouviu a Sr.a Merkel ou qualquer das pessos que esses loucos referem como tendo dito que o PEC4 era uma coisa excepcional?
Já ouvi muita dessa gentes dizer que o Gasparzinho está a fazer um trabalho notável mas nunca ouvi ninguém dizer que o Sócrates ou o Teixeira dos Santos tenham feito algo de jeito.
Continuam e continuarão em negação.
Eu só tento imaginar como estariamos se essa cambado nos tivesse continuado a governar.

Como é possível?
Termos como líder do PS um cabeça de vento que anuncia como solução para todos os nossos problemas a Caixa Geral de Depósitos pagar as dividas do governo.
Afinal o sócrates não repcisava pedir ajuda a ninguém pois a CGD poderia pagar tudo o que fosse necessário.
Já agora, poderia pagar o Subsidio de Desemprego e os salários aos funcionários públicos.
É um asno de tamanho tamanho que não compreendo como alguém pode responder que vá votar em tal partido.
É a esperança no inverosímel que nos derrota.

Fig. - Muito obrigado a todos os que contribuiram para este número.


Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 26 de junho de 2013

O FED, a causalidade e as expectativas racionais

A causalidade.
Na passada quinta feira, a Semi-Nova  (amiga da minha assistente operacional doméstica), ficou viúva.
- Mas porque morreu o homem? Foi acidente de trabalho? 
A minha assistente identificou que a causalidade foi:
- Como o Sergueianev bebia muita vodka então, o fígado rebentou.
Nos últimos dias tenho andado a convencer a minha mãe de que a Semi-Nova estava boa para tomar conta de nós (ou vice-versa). Claro que a minha mãe disse logo que ela era muito feia e magrita tal e qual uma colega da minha irmã mais nova que, por ser exageradamente feia, se casou com um preso que não se cansava de repetir, Tu és a mulher mais bonita que eu conheci na minha vida.
A rapariga imaginou a causalidade:
- Como ele me ama verdadeiramente então, acha-me muito bonita.
O problema é que o dito cujo omitia o fim da frase, "que conheci na minha vida prisional". Então, quando saiu em liberdade, deixou-a para todo o sempre. A moça ficou de rastos.
Afinal a causalidade era,
- Olhando para estes gajos então, tu és muito bonita.

Fig. 1 - Tens mesmo as melhores mamocas das que se vêm por aqui.

A cadeia trouxe à mente outra causalidade.
A minha mãe teve, em tempos tão recuados que eu não me lembro, uma rapariga como empregada doméstica. Apesar de ser gorda e parecida com um sapo que acabou de comer um saco de batatas, teve um filho que, algures na adolescência, se meteu pelos maus caminhos da vida. Começou por uma estadia de 2 anos "no colégio" por atirar o irmão ao poço e agora está a cumprir uma pena de 12 anos de cadeia por assaltos com violência.
Diz a minha mãe, Quando o João Paulo sair da cadeia, vai-se meter noutra brincadeira e não tarda nada, volta para lá  porque a cadeia é uma escola do crime.

Qual será a verdadeira relação?
Sendo certo que a percentagem de ex-condenados que comete crimes é maior que a percentagem de pessoas no geral, não terá a questão ser colocada ao contrário?
R2 -> "Estadia na cadeia" ---------------------> "Maior tendência a cometer crimes"
R2 -> "Maior tendência a cometer crimes" --> "Estadia na cadeia"
Em termos aparentes.
A relação de causalidade parece ter a ver com a precedência no tempo.
Se dou uma martelada no pé e, imediatamente a seguir, sinto dor então, a martelada causou a dor.
Quando eu era pequenino, volta e meia ouvia uma sirene que lançava ondas de barulho a quilómetros de distância.
óóóóÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓóóóó
Eu, na minha curiosidade infantil, vinha à rua e logo via alguns carros a passar a grande velocidade. Pensava eu para os meus botões, parecem os grilos a sair da toca quando eu lhes encharco a casa com a mangueirinha.
 
Fig 2 - Não tarda nada, o grilo sai a toda a velocidade.

Passados poucos minutos ouvia ao longe uma sirene que, mesmo sem ver de onde via, notava que se ia movendo, tiróri, tirori, tirori, tirori.
Finalmente, percorrendo o horizonte com os meus olhinhos pequeninos (mas que viam melhor que agora), não demorava muito a aparecer fumo na direcção em que o tirori se tinha calado.
Concluía eu que a sirene dos bombeiros era a causadora do aparecimento do fumo.
Afinal o que incendiava o fósforo era o barulho de raspar a cabecinha na caixa, zzzzzzzzzzzu.

Certo dia estavam 2 amigos no café
óóóóóóóÓÓÓÓÓÓóóóóóóóó - óóóóóóóÓÓÓÓÓÓóóóóóóóó
- É pá, tenho que ir rápido.
- Então pá, dizias que nunca, já mais, nunca mesmo, nem depois de morto mas afinal tenho que concluir que sempre te tornaste bombeiro.
-Toca a sirene ---> sais rápido ---> és bombeiro!
Não é nada disso, estás completamente enganado.
- Toca a sirene ---> saio rápido ---> arranjei uma amante toda boa cujo marido é bombeiro.

Será que hoje está calor porque os metereológos o anunciaram há uns dias?
Há 3 dias estava um vento frio mas os metereólogos anunciaram que hoje iria estar muito calor.
Será que foi o anúncio que induziu a onda de calor ou os metereólogos apenas previram, bem, o estado do tempo de hoje?

A precedência temporal não indica nada.
Penso que os meus exemplos convencem  que um acontecimento verificar-se antes de outro não obriga a que exista uma causalidade entre o primeiro e o segundo podendo mesmo a relação ser ao contrário.
Para que a causalidade exista tem que haver uma razão lógica que justifique a causalidade.
No caso da sirene dos bombeiros, mais tarde vim a saber que os bombeiros tinham um sistema de alerta que detectava os incêndios antes de ser ver fumo. O fumo e os bombeiros respondiam aos mesmo acontecimento (o incêndio).
Na economia existem relações empíricas que têm uma base teórica forte (por exemplo, se uma economia tiver mais capital então, o trabalho será mais produtivo) mas outras relações empíricas apenas existem porque a variável que a precede é como o cão que ladra antes dos assaltos.

Vamos ao caso do FED e da taxa de juro.
Uma das relações empíricas que existe mas que é do tipo "cão ladra -> ladrão vai entrar pela janela", é a relação entre a restrição de liquidez do FED e o aumento da taxa de juro.
Mas mesmo que o FED não fizesse nada, a taxa de juro subiria na mesma.
A diferença é que se o banco central não actuasse, nos períodos que precedem as crise económicas a inflação ficava muito baixa e nos períodos que precedem a expansão económica, a inflação subia muito.

Basta olhar para o ouro.
Há pessoas que pensam que se a moeda fosse o Ouro, haveria estabilidade dos preços. Mas se traduzirmos o nosso salário em gramas de ouro vemos que isso não é verdade.
Em Jul2010 o SMN seria de 15.645g/mês, em Jul2011 teria diminuído para 14.265g/mês, em Jul2012 já estaria nos 11.265g/mês para voltar em Jun2013 a ser 15.645g/mês. Nestes três anos, o SMN denominado em Ouro variou mais de 10%.

Fig. 3 - Cotação do Ouro Jun2010-Jun2013 (fonte: www.gold.org

Estimado Vivendi, 
É publicamente sabido que Ben Shalom Bernanke é judeu mas não é correcto referirmo-nos a uma pessoa desta forma porque há milhares de anos que ser judeu é motivo de perseguição.
Em Outubro de 2001 fui visitar Belmonte e, vendo a sinagoga fechada, sentei-me num degrau daquela rua estreita lá ao fundo da aldeia, já quase fora do casario em ruínas. Devo dizer que a arquitectura é horrível mas o Gehry está a desenhar outra.
Indo a passar uma velhota com um manado de couves à cabeça, meti conversa e logo se lhe juntaram outras duas ou três.
- As senhoras podem-me dizer onde mora aqui a comunidade judaica?
- Meu senhor, aqui não há judeus, só há uma velhota maluca que diz isso. Isso são tudo invenções de uns que vêm de Lisboa para ouvir um marroquino que vive na casa dessa maluca. Veja lá o senhor que ele diz que é pecado comer coelho e carne de porco.
Mas o pior estava para vir.
- Alto que se calhar o senhor é um desses de Lisboa.
- Se calhar, quem sabe.
Imediatamente viraram costas e continuaram o seu caminho.
Para recordar como nós portugueses somos intrinsecamente maus, recordo aqui António José da Silva, O Judeu.
Se o Vivendi disser publicamente que é judeu (mesmo não o sendo), verá que é imediatamente posto de parte mesmo por quem nunca imaginou e passará a viver com medo.
Isso é a maior prova de que, afinal, não vivemos num mundo livre e seguro.

A causalidade macroeconómica.
O trabalho de Muth (1961) Rational Expectations and Prices Movements ao afirmar que, tal como os metereólogos, os agentes económicos usam  toda a informação que têm disponível para prever o futuro (e não uma regra adaptativa simples), causou uma revolução na Teoria Economia.
Este trabalho foi a semente da Nova Macroeconomia Clássica (que os comunas denominam por neo-liberalismo) na qual se prova que as politicas de estabilização macroeconómica são ineficazes (e.g.Kydland & Prescott, 1977).
Depois de 1961 sabemos que os agentes económicos alteram o seu comportamento antes que se observe a variável à qual eles estão a reagir. 
Por exemplo, sabendo nós que em Outubro vem o fio, em Setembro começamos a arejar a roupa de lã.
Como os bombeiros sabem que nos dias de calor a probabilidade de haver incêndios é muito maior então, antes mesmo de aparecer a mais pequena das fagulhas, já os bombeiros andam pelos matos armados com baldes de água.

No mercado monetário acontece o mesmo.
O FED e demais bancos centrais têm que manter a inflação baixa, na ordem dos 2%/ano e para isso aumentam e diminuem a quantidade de notas em circulação na economia.
A inflação ser alta ou baixa não tem grande impacto na economia mas existe o consenso de que a melhor taxa é 2%/ano. A taxa de inflação não tem significativo impacto económico porque não altera as taxas de juro reais que no triénio 2009-2011 foram de 4.3%/ano com desvio padrão de 9.9 pontos percentuais (ver, Fig.4).

Fig. 4 - Relação entre taxa de inflação e juro real, 2009-2011 (dados: Banco Mundial, estimação ponderada, 85% da população mundial)
  
Como o banco central controla a inflação.
Aumentando (ou diminuindo) a quantidade de notas em circulação, aumenta (ou diminui) a inflação.

O Juan Gomez quer saber como o dinheiro chega aos nossos bolsos.
No longo-prazo, o banco central tem uma taxa de aumento da quantidade de notas mais ou menos fixas,
Taxa de aumento da moeda = Taxa de inflação + Taxa de crescimento do PIB
Por exemplo, se o crescimento for de 2%/ano e a inflação de 2%/ano, a quantidade de moeda aumenta 4%/ano.
Como existe em circulação cerca de 10% do PIB, esse aumento é de 0.4% do PIB, 680 milhões €/ano.
O Banco central dá esse dinheiro que ao governo que compra com ele coisas, indo assim parar ao bolso das pessoas.
No curto-prazo os bancos centrais usam diversos instrumentos desde a "janela de desconto" até à compra no mercado secundário de activos (operações de open-market) passando pela alteração das reservas obrigatórias da banco comercial.

O Nemo insiste que o investimento não é igual à poupança.
Mas é sempre (mesmo que o investimento seja involuntário) porque a variação de stocks faz parte do investimento.
Não tem nada a ver com as reservas bancárias pois existe variação involuntária de stocks mesmo numa economia sem moeda.
(Pedia-lhe o favor de reler  A moeda, o Crédito, o financiamento e o juro)

Concluindo, o FED não tem nada a ver com a subida das taxas de juro 
O que acontece é que os governadores dos bancos centrais sabem que quando o risco de recessão aumenta (a crise  aproxima), as pessoas querem guardar notas como activo de refugio o que, se não for respondido rapidamente, causa a queda dos preços. Então, quando a crise se aproxima, o banco central injecta moeda no mercado monetário.
Os bancos centrais antecipam a crise usando de forma cega uma multidão de variáveis de fácil leitura num modelo de previsão do desempenho futuro da economia, por exemplo, o algoritmo rpart do R. Pegam em coisas diversas como "consumo de aço", "número de chamadas telefónicas", "carros que pagam portagem", "pluviosidade do mês anterior", etc., para prever as necessidades de liquidez.
Em sentido contrário, os governadores sabem que, quando a crise se aproxima do fim, as pessoas deixam de querer ter tantas notas pelo que há necessidade de absorver a liquidez em excesso.
Não é que a restrição de liquidez do FED tenha impacto nas taxas de juro mas o FED e a taxa de juro apenas respondem em simultâneo ao fim da crise.

Não são os bombeiros irem passear nas florestas que causam os incendios florestais mas ambos (bombeiros e os fogos) respondem ao calor e à baixa humidade.

O Ouro também antecipa o fim da crise.
O Ouro mas não existe nenhum banco central que tente manter estável os preços em Ouro. Então, a cotação do Ouro aumenta na antecipação das crises (os preços em Ouro diminuem) e a cotação diminui quando se aproxima a expansão económica (os preços em Ouro aumentam).

Fig. 5 - As mulheres boas adoram o Ouro.

Pedro Cosme da Costa Vieira

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Porque estarão as taxas de juro a subir?

As taxas de juro estão a subir. 
Olhando para a nossa divida pública de médio/longo prazo (mais de 1 ano), as taxa de juro estão a subir de forma muito pronunciada (ver, Fig. 1).
Para o prazo de 10 anos, depois de ter atingido em 20 de Maio 2013 o mínimo pós-sócrates de 5.24%/ano, decorrido apenas um mês, voltaram aos 6.80% de princípios de 2011. Não está sequer perto dos 15%/ano de princípios de 2012 mas é uma subida muito importante. Para vermos a magnitude deste aumento, se tivéssemos que amortizar 100000€ a esta taxa em 50 anos, o aumento da mensalidade seria de quase 25% (de 462.50€ para 571.02€).
Supondo que Portugal não estava, como pedem os esquerdistas, sob ajuda da Troika, teria que assumir a subida da taxa de juro o que faria a despesa pública aumentar 3100 milhões € em juros que seria mais que o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas que vigorou em 2012 (2700 milhões €).

Será que vamos estabilizar nos 6.8%/ano?
Ninguém sabe. Se alguém disser que a nossa taxa de juro vai descer (ou subir) apenas anuncia que não percebe nada de previsões. O melhor que pode ser dito é que a taxa de juro se vai manter nos 6.8%/ano para todo o sempre com um desvio padrão na ordem de 1 ponto percentual.
Depois de uma forte tendência de descida, a subida para o patamar de princípios de 2013 (ver, Fig. 2)  traduz que os investidores estão a tentar adivinhar qual será, dentro da nova realidade da Zona Euro, o nosso perfil de risco. Apesar de toda a gente dizer que nunca sairemos do Euro e que nunca o Estado vai bancarrotar como fez o grego, o risco continua lá, ou cá.
Se o nosso patamar for os 6.80%/ano, nunca mais o nosso Estado se poderá financiar em mercado (em equilíbrio).
Cavaco, recordo-te que o FMI nos está a emprestar dinheiro a 2.50%/ano e que a taxa de mercado está nos 6.80%/ano. Não os mandes embora pois sem eles, não há massa. Será que o amigo do Seguro, o Hollande, nos empresta dinheiro a 2.5%/ano?
Amigo Seguro, em vez de mandares o Passos falar grosss à frau Merkel, fala antes tu grosso ao messeure Holland.

Fig. 1 - Evolução das taxas de juro da divida pública portuguesa  a 10 anos (fonte: tradingesconomics)

Mas nem tudo é mau.
No meio de todo o mal que representa uma taxa de juro tão elevada, o bom é que os futuros governos nunca poderão tentar ganhar votos com desvarios públicos.
Assim que apareça um governo despesistas, seja de direita ou de esquerda, imediatamente a taxa de juro vai-lhes meter uma marretada na cabeça. 

Será uma indicação de que o Passos está a descarrilar?
Talvez não porque no último mês as taxas de juro subiram pelo mundo inteiro. Por exemplo, a divida americana subiu 0.90 pontos percentuais voltando ao nível de meados de 2010 (2.50%/ano). Só pela subida da taxa de juro, não podemos dizer que o nosso processo de ajustamento esteja a descarrilar.
Eu penso que estamos a ir mais ou menos, ainda assim melhor do que eu previa em meados de 2011.

Fig. 2 - Evolução das taxas de juro da divida pública americana a 10 anos (fonte: tradingesconomics)

Mas o governo está a falar muito de flexibilização.
Será que vamos entrar pelo caminho da presidenta Dilma Rosseff de prometer dar tudo (o que não temos) a todos?
Estaremos a voltar a rever a transição de 2004 Durão Barroso -> Santana Lopes mas com o Coelho a fazer o duplo papel?
Quando até o Medina Carreira já diz que precisamos pressionar a senhora Merkel, estamos a entrar num periodo dificil.
Vamos ter fé de que isto é apenas até às eleiçoes autarquicas. Pode ser que o Passos esteja a recuar para agrupar e avançar em principios de Outubro com toda a convicção que lhe conheciamos.

Finalmente, sobre as greves às avaliações.
O governo está actuar bem pois se abrir o flanco, acontece como com as greves dos maquinistas da CP do tempo do Sócrates.
Mas a solução de fundo passa pela privatizando das avaliações.
Na América existe uma empresa privada, a ETS, que "vende" testes (o GRE e o TOEFL) cujas notas são obrigatórias nas admissões às universidades públicas e privadas não só americanas mas um pouco por todo o mundo. Por exemplo, o mestrado em economia da U. Nova, uma universidade pública portuguesa, exige o TOEFL e o GRE (ou GMAT).
Qualquer aluno que queira avaliar os seus conhecimentos e capacidades paga cerca de 150€ e faz o teste. A nota é o percentil de alunos que tiveram pior nota que o candidato. Por exemplo, um aluno que tenho 95% traduz que em cada 100 alunos, apenas 5 tiveram melhor nota que ele. 
Independentemente de o aluno vir de um bairro da lata do meio de África ou de uma mansão de Monte Carlo, faz o teste que é avaliado de forma anónima resultando uma nota fala pelo aluno.

O sistema que temos é caro e parcial.
Um professor, só dá 9 meses de aulas por ano porque tem que gastar 2 meses em avaliações, 18% do tempo lectivo. Cada professor custa em média cerca de 30000€/ano e tem 11.5 alunos (dados: 160000 professores para 1844000 alunos, Pordata). Aplicando 18% e dividindo pelos 11.5 alunos, custa 470€ por ano avaliar o aluno.
E a avaliação ao nível das escolas não é comparável.
Bastava fazer um teste que cobrisse todas disciplinas, e a coisa estava feita.

Depois aplicavam-se os rankings.
Os alunos que ficassem abaixo de um determinado percentil, (e.g., 25%), teriam um tratamento personalizado fosse isso estudo acompanhado, ensino profissional ou chumbo. Os 18% de tempo que actualmente os prefessores desperdissam em avaliações sem qualquer objectivo poderiam ser aplicadas a acompanhar estes alunos com maiores dificuldades.

Fig. 3 - Meninos, não se distraiam porque senão vão cair no percentil dos burros.

Mas ainda não disse porque as taxas de juro estão a subir.
Como a taxa de juro está a subir à escala global para os agentes económicso de menor risco de cada zona monetária (divida pública dos USA, Alemanha, China, Japão, UK e Suiça), isto traduz que o crescimento económico vem ai.
A ligação entre a antecipação de que a economia vai começar a crescer e a taxa de juro é conhecida por corolário de Samuelson.
Portanto, é uma boa notícia.

Pedro Cosme da Costa Vieira

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O emprego, o desemprego, o capital e a produtividade

Qual será o desemprego no Bangladesh?
Num comentário o ii-v-i-aflat afirma que a taxa de desemprego no Bangladesh é na ordem dos 25% (referido num site), ainda maior que os nossos 16.7%. Assim, aparentemente, um crescimento robusto e um mercado de trabalho flexível não parecem suficientes para acabar com o desemprego. 
Contrariamente a essas estatísticas, o Banco Mundial indica taxas de desemprego nos países emergentes na ordem dos 5%. De que lado estará a verdade?

Os mercados de trabalho são muito diferentes.
Quando ouvimos falar de outro país qualquer, pensamos que a realidade de lá é parecida com a nossa. Em particular, pensamos o mercado de trabalho dos países pobres é idêntico ao nosso em que a maior parte do rendimento das família resulta dos empregos por conta de outrem.

Mas estamos enganados.
Nos países desenvolvidos cerca de 85% dos empregos são por conta de outrem enquanto que nos países subdesenvolvidos essa percentagem desce para apenas 20%. Nos países pobres mais de 80% têm auto-emprego (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - Percentagem de trabalhadores por conta própria vs PIBpc.ppc, USD (dados: Banco Mundial)
 
Como funciona o mercado de trabalho?
A agricultura começou há cerca de 10000 anos (a revolução do Neolítico) e, ainda hoje, é a base de todas as economia.
Porque a produção agrícola está muito dependente do solo, todos os países têm uma produção agrícola per capita idêntico, cerca de 400€/ano com um desvio padrão de 125€/ano, não tendo qualquer relação com o PIB pc do país (ver, Fig. 2). Isto traduz que, apesar de todos os alimentos nascerem da agricultura, o desenvolvimento económico é um processo de "destruição" dos empregos na agricultura (mas mantendo a produção) e a sua transferencia para a industria e, posteriormente, para os serviços (o êxodo rural).

Fig. 2 - Relação entre a produção agrícola (em €/ano e em % do PIB) e o PIB pc, ppc, preços de 2005, média 2007-11, 1USD=0.72€ (dados: Banco Mundial)

É demagógico apontar a agricultura como o futuro o motor da nossa economia.
Portugal tem uma produção agrícola per capita anual de 380€ (2.4% do PIB) que compara com a Alemanha 214€ (0.9%), a Espanha 540€ (2.7%), a Índia 368€ (17.9%) e  o Bangladesh 192€ (18.9%).
O peso da agricultura nos países com um PIBpc.ppc inferior a 2500€ é cerca de 30% enquanto que nos outros é cerca de 7%.

Como funciona a produtividade.
Para se produzir é preciso, por um lado, capital, K, (máquinas e ferramentas, vias de comunicação, portos, canais de irrigação etc.) e, por outro lado, trabalho, H, (horas de trabalho). O que mistura do trabalho com o capital é a tecnologia, A, cujo nível é (ligeiramente) diferente de país para país.
Além dos factores de produção, o Estado da Natureza, E, também influencia a produção.

O Gasparzinho invocou "o mau tempo" porque a Teoria Económica denomina a parte que não se consegue explicar por "Estado da Natureza".
Como se faltar um dos factores não se pode produzir,  modelizar a ligação entre os diversos factores é normal usar uma função multiplicativa sendo a mais utilizada a isoelástica (denominada de Cobb-Douglas):

     Y = A x T^0.33 x H^0.67 x E

O auto-emprego.
H1) Vou imaginar uma economia em que existem 1000 unidades de capital, 1000 habitantes que trabalham H horas por semana e que o nível tecnológico é 20.5.
H2) Vou imaginar que todas as pessoas são iguais e que o capital, que também é homogéneo, é dividido equitativamente pelas pessoas, 1 u/pessoa.
H3) Como trabalhar é um sacrifício vou imaginar que a pessoa só trabalha se numa hora produzir pelo menos um certo quantitativo, 2.00€.
H4) A produção é a unidade de valor (o preço dos bens produzidos é 1€/unid).

Uma pessoa trabalhando H horas por semana produzirá 

     Y = 20.5 x 1^0.33 x H^0.67 x E

A pessoa vai trabalhar enquanto a produção for maior que 2€ o que acontece quando a produtividade marginal for 2.

    {H: Y'H = 2€/h}  =>  H = 40h/semana

Havendo 1u de capital por pessoa, a produção será de 242.74€/semana e a produtividade média será cerca de 6.00€/h.
Como a produtividade está dependente não só do trabalho como também do capital podemos dividir a produtividade média em 4.00€/h para o trabalho e 2.00€/h para o capital (e por unidade de capital).

Na economia do "auto-emprego" não existe desemprego.
Quando todas as pessoas trabalham no seu negócio, podem trabalhar mais ou menos horas mas nunca estão sem emprego. Quando há um choque exógeno da natureza (o E altera-se), o rendimento da pessoa ajusta instantaneamente. Por exemplo, se a seca fizer E diminuir de 1 para 0.8, o rendimento do trabalhador com 1u de capital passa de 6.00€/h para 4.80€/h.

Será bom haver politicas macroeconómicas de estabilização?
Vamos supor que os ciclos económicos oscilam entre anos maus (em que E = 0.8) e anos bons (em que E = 1.2) e que a pessoa pretende trabalhar em média 40h/s.

Se houver regularização do rendimento a pessoa vai trabalhar mais nos anos maus. Trabalha 51.7h/s nos anos maus e 28.3h/s nos anos bons o que lhe permite um rendimento constante de 230.75€/s.

Se houver regularização do horário de trabalho a pessoa trabalha 40h/sem o que lhe permite ter um rendimento médio de 242.54€/s (194.19€/s nos anos maus e 291.28€/sem nos anos bons). A pessoa poupa 97.09€ nos anos bons para gastar nos maus.

Se a pessoa adoptar a estratégia óptima (poupando nos anos bons para os maus) vai trabalhar mais nos anos bons. Trabalha 18.1h/sem nos anos maus e 61.9h/sem nos anos bons o que lhe permite um rendimento médio de 252.21€/sem (114.20€/s nos anos maus e 390.22€/sem nos anos bons). A pessoa trabalha mais 21.9h/sem e poupa 276.02€ nos anos bons  para gastar e descansar nos maus.
É interessante observar que a oscilação da produtividade permite um rendimento médio superior ao caso em que não acontecem choques da natureza (242.74€/sem)

Podemos ver que a regularização macroeconómica vai diminuir o rendimento médio da pessoa.

Porque é que nos países pobres as pessoas produzem pouco?
Nos países pobres trabalham-se mais horas que nos países ricos pelo que a diferença na produtividade não vem do trabalho.
Fica o capital e o nível tecnológico.
O nível de capital no Bangladesh é de cerca de 450€ por pessoa e 67.5% da população é activa.
O nível de capital em Portugal é de cerca de 30000€ por pessoa e 56.0% da população é activa.
Isto traduz que em Portugal existe 53600€ de capital por posto de trabalho e no Bangladesh apenas existe 667€ por posto de trabalho.
O nível de capital associado a um emprego em Portugal é 80 vezes o nível no Bangladesh. Tal traduz que cada trabalhador português ter 1 unidade de capital enquanto que um bangladesheano ter apenas 0.0125 unidades.
Atendendo à diferença de capital, o bangladesheano produziria apenas 1.43€/h, 23% da nossa produtividade.
E o nível tecnológico no Bangladesh é inferior ao nosso (e.g., por causa da baixa escolaridade) pelo que a produtividade vem ainda mais reduzida (para 6.6% da nossa produtividade).

É por não terem capital. 
Não é, como dizem os esquerdistas, por os salários serem baixos nem por o grande capital explorar os desgraçadinhos.
Não é, como dizem os direitistas, por serem malandros, pretos, azuis ou amarelos nem por serem governados por pessoas corruptas.
Não é nada disso.
A produtividade em Portugal é 15 vezes a do Bangladesh  porque temos 80 vezes mais capital por trabalhador que o Bangladesh.
No Bangladesh é normal um empresário começar o seu negócio com um microcrédito de 200€ (para comprar um fogão, uma panela e um toldo para arrancar com um restaurante de rua). Em Portugal o mesmo tipo de negócio precisa de 16000€ (uma rulote).

Fig. 3 - A vida deste bangladesheano é repetir, como há milhares anos, os movimentos de uma bomba de água manual.

Como se aumenta o capital?
A falta de capital apenas pode ser resolvida (lentamente) com muito trabalho e pouco consumo (pois a poupança interna é o motor do investimento).
Apesar de capital estrangeiro (o investimento directo estrangeiro) poder ser muito positivo por levar não só capital como também difundir tecnologia, a evidência empírica indica que apenas os países que investiram principalmente com base na poupança interna é que conseguiram abandonar a pobreza (por, a prazo, o pagamento de juros, lucros e amortizações ao exterior drenar os recursos gerados).
Além disso, os estrangeiros têm um percepção do risco diferente dos nacionais (cobram juros maiores).

Finalmente as estatísticas do desemprego.
Uma taxa de desemprego de 5% da população activa traduz que o Bangladesh tem 5.0 milhões de desempregados (a população activa é de cerca de 100 milhões de pessoas). A questão é que a população empregada por conta de outrem é menos que 20 milhões de pessoas. Então, retirando da equação as pessoas auto-empregadas, temos 5 milhões de desempregados num universo de 20 milhões de pessoas. Assim medido, o desemprego será de 25% dos empregados por conta de outrem (e não dos activos).

E porque existem estes 5 milhões de desempregados?
Porque o progresso implica (ou é causado) a passagem de trabalhador por conta própria para trabalhadores por conta de outrem. Revendo a Fig. 1, o aumento de 1% do PIB pc implica que 0.25% da população deixa o emprego por conta própria e procura um emprego por conta de outrem.
Estando o Bangladesh a crescer mais de 5%/ano, todos os anos, além das pessoas que vão nascendo (2%/ano), cerca de 1.2 milhões de trabalhadores transita do auto-emprego para o mercado dos empregos por conta de outrem (6%/ano dos empregos existentes).
Naturalmente que custa a digerir a massa de pessoas que entra continuamente no mercado de empregos por conta de outrem.


Fig. 4 - Como isto está a murchar vou ter que deixar o auto-emprego e arranjar uma coisa mais fixa.

Concluindo com o exemplo do Brasil.
O primeiro passo do desenvolvimento é a agricultura libertar pessoas que passam para pequenas actividades em auto-emprego.
Depois, as pessoas em auto-emprego começam a entrar no mercado de trabalho por conta de outrem onde os salários (e a produtividade) são maiores.
O processo dinâmico de transição, apesar de ter associadas taxas de crescimento elevadas, não pode ser acompanhado pelo aumento dos salários dos diversos sectores porque o melhorar da qualidade de vida dá-se pela passagem do auto-emprego (com rendimentos muito baixos) para os empregos por conta de outrem (com salários apenas baixos).
Um país, como o Brasil, que tenha uma lei que incorpora no Salário Mínimo o crescimento do PIB está condenado a que o processo de desenvolvimento económico estagne.

Fig. 5 - Os presidentes brasileiros querem-se apresentar como chefes de estado de uma grande potência mundial esquecendo-se da pobreza que existe por toda a parte. 

Eu tenho atrasada a resposta a alguns comentários.

Pedro Cosme da Costa Vieira

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O crescimento económico dos USA, Japão, Europa e da Ásia

Consta que a Europa está em crise.
E logo surgem vozes "especialistas em Economia" a dizer que a Europa, por seguir uma politica monetária restritiva, está a seguir o caminho do Japão de estagnação económica. Dizem ainda que os USA, porque têm politicas expansionistas, têm muito maior crescimento económico.
Mas os dados do Banco Mundial não dizem nada disso. O que separa os USA dos demais países desenvolvidos é o crescimento da população e não o aumento de produção por cada pessoa (que mede, verdadeiramente, o progresso económico). 
Crescimento económico no período 1996-2011.
Para vermos se existem diferenças estruturais entre os USA, Japão e os maiores países da Europa vou considerar a média dos últimos 15 anos (1996-2011) da informação disponibilizada pelo Banco Mundial (ver, Quadro 1).

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
USA43,61,630,900,73
JPN31,30,670,050,62
DEU33,51,16-0,071,23
FRA31,41,110,650,46
GBR33,51,580,600,97
ITA30,30,250,64-0,38
ESP29,41,741,280,47
Média37,51,280,600,69
Quadro 1 - Performance económica das 7 maiores economias desenvolvidas, 1996-2011 (dados: Banco Mundial). PIBpc,ppc em milhares de USD.

Os USA (e a Espanha) têm um crescimento mais forte mas se retirarmos o efeito do crescimento da população, a Alemanha e o Reino Unido crescem mais rapidamente que os USA. O Japão cresce 0.62%/ano que é apenas 0.11 pp abaixo dos USA.

Como podem os alemães estar errados?
Interessante ninguém gritar que a França e a Espanha têm 1/3 do crescimento económico da Alemanha estando ambos sob a mesma politica monetária. E que a Itália, também nas mesmas circunstancia, tem crescimento negativo.
A França tem um crescimento 0.18 pp abaixo do Japão.

Como se compara Portugal?
Portugal é um país relativamente rico (poder de compra de 70% da média das 5 maiores economias europeias e 50% dos USA) mas o crescimento económico per capita é zero (ver, Quadro 2).
Os 15 anos considerados englobam os governos do Guterres, Durão (2 anos), Santana Lopes (meses) e Sócrates.
Se o Guterres e o Sócrates anunciam terem sido tão bons governantes, porque será que o nosso crescimento foi 0?

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
PRT22,80,280,260,03
Quadro 2 - Performance económica portuguesa, 1996-2011 (dados: Banco Mundial) PIBpc,ppc em milhares de USD.


Fig. 1 - O trabalho infantil é errado mas a alternativa é morrer de fome (esta criança nepalesa ganha 0.08€/hora e um adulto ganho 0.20€/h)

Vamos agora aos países mais pobres.
Os esquerdistas acham que na Ásia se exploram os trabalhadores.
A questão é que nos 10 grandes países pobres do Mundo (um PIB pc em paridade de poder de compra inferior a 15% dos USA) vive ligeiramente mais de metade da população mundial e só se produz 10% da riqueza mundial.
Se cada um de nós abdicasse de 10% do seu rendimento, o rendimento de metade da população mundial poderia mais que duplicava mas isso está fora de questão. O que dizem os esquerdistas é que esses pobres estão a destruir a nossa industria pelo que têm que ser proibidos de exportar para cá o que produzem.
O objectivo não é melhorar as suas vidas mas , demagogicamente, dizer que se eles não tiverem emprego, viveremos melhor e eles também!
A pobreza apenas se combate com trabalho e esses países estão, com muito sacrifício, a percorrer o caminho do crescimento económico (ver, Quadro 3).
Se hoje são muito pobres, havendo crescimento económico, amanhã serão menos pobres.

PaísPIBpc,ppcPIB (%/ano)Pop (%/ano)PIB pc (%/ano)
China530910,590,619,98
India25897,731,586,15
Indonesia35065,511,204,32
Pakistan22924,671,872,79
Nigeria19356,882,624,25
Bangladesh13295,971,384,58
Philippines33344,881,912,97
Vietnam24997,161,185,98
Ethiopia7698,392,465,92
Egypt50784,681,882,81
Média43509,021,018,01
Quadro 3 - Performance económica dos 10 países pobres mais populosos, 1996-2011 (dados: Banco Mundial) PIBpc,ppc em milhares de USD.

Ouvir todos os dias noticias de milhões de pessoas que vivem na miséria entristece mas observar que mais de metade da população mundial vê o seu nível de vida melhorar 8%/ano mostra que as tragédias noticiadas, por mais trágicas que sejam, dão uma visão parcelar e errada do que está a acontecer no Mundo.
Um crescimento de 8.01%/ano traduz que, a cada 9 anos, o rendimento das pessoas duplica.
Se o crescimento económico nestes 10 países continuar esta tendência, em 2030 terão um nível de vida semelhante ao nosso.
 
Mas estarão todos os países pobres a desenvolverem-se?
Infelizmente não.
Os dados parem indicar que os países mais pobres (<2500USD, 20% da população mundial) estão quase presos numa armadilha de pobreza (ver, Fig. 2). Pegando nos países abaixo desse limiar (um PIBpc,ppc médio de 1777USD), o crescimento do PIBpc é de 3.58%/ano, muito inferior aos 8.01%/anos dos 10 maiores países pobres (ver, Quadro 1).

 
Fig. 2 - Relação entre crescimento económico e PIBpc, ppc (1996-2011, dados: Banco Mundial)

Os países verdadeiramente pobres.
1.400 milhões de pessoas vivem nos países mais pobres e levam uma vida verdadeiramente desgraçada (com a criança da Fig. 1).
O que temos que dizer a essas pessoas é que vale a pena esforçarem-se. Que há apenas 20 anos na China vivia-se pior que actualmente se vive nesses países e hoje na China já se tem um nível de vida comparável ao do Brasil.

Por falar no Brasil.
O crescimento baseado no consumo e na re-distribuição, no curto prazo pode parecer que dá frutos mas, muito mais cedo do que julgam os esquerdistas, transforma-se num pesadelo. AS manifestações em São Paulo traduzem que as pessoas pensavam que vinha aí o maná mas a realidade está-se a transformar na estagnação económica.
Não há volta a dar. Para a qualidade de vida melhorar de forma sustentável é preciso poupar e investir.
É perigoso promete crescimento economico baseado em mais consumo.

Fig. 3 - Crescimento do PIBpc brasileiro (Dados, Banco Mundial e Tradingeconomics)

Fig. 4 - Os sapatos brasileiros estão cada vez melhores

Finalmente, vou ao Irão.
As pessoas não votaram em grandes visões para o mundo mas apenas olharam para a economia chinesa.
Pode haver uma grande intoxicação ideológica, afirmar ao mundo que estão com capacidade para destruir Israel, que são uma potencia nuclear, etc.  mas as pessoas reparam que em 1980 (o ano seguinte à revolução) um iraniano tinha um nível de vida 13 vezes o de um chinês e hoje está ela por ela.
Em 1980 a economia iraniana representava 55% da economia chinesa e hoje representa 5%.
Alá encheu o Irão de petróleo mas os homens que o governam alegadamente em seu  nome têm feito o nivel de vida das pessoas diminui ao longo do tempo.
Por mais que se queira dizer que a liberdade economica é má, que leva à exploração do homem pelo homem, o bom desempenho económico daqueles 10 paises do quadro 1 é a melhor demonstração que o "deixar fazer, deixar passar" é o principal factor de progresso da humanidade.
É incrivel como a China, a mais feroz das ditaduras comunistas, se tornou a mais forte demonstração das virtudes do capitalismo.


Está tudo encaminhado para o próximo poste ser sobre o desemprego nos países pobres.
E não vale a pena falar da greve dos professores pois estão a tentar defender previlégios que é impossivel manter.
Não é possivel mantermos milhares de professores sem aulas e que se recusam a mudar de escola.
Se não querem trabalhar, rua.

Pedro Cosme da Costa Vieira

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