quinta-feira, 28 de março de 2013

Sócrates - O retorno da mentira como estratégia política

Eu não tinha qualquer esperança que o Sócrates voltasse para pedir desculpa ao País.
Depois de ouvir repetidamente os seus tenentes a defender o desvario do socratismo, naturalmente que o general nunca iria, nem irá, algum dia reconhecer que errou.

Seria tão simples se o bicho fosse inteligente.
Eu, Sócrates, enganei-me. 
Um primeiro ministro tem que tomar decisões políticas baseadas em alternativas tecnicamente sólidas. Como eu sou apenas um político, rodeei-me de técnicos altamente reputados como foi o caso do professor Teixeira dos Santos, professor universitário de macroeconomia numa universidade portuguesa reputada, doutorado em economia por uma universidade americana conceituada e com curriculo governativo no governo do António Guterres e na CMVM.

Eu quero vincar que não percebo nada de economia.
Apesar dos currículos, no final do meu mandato dei conta que esses especialistas não eram competentes. Ao não calcularem o verdadeiro impacto das diversas opções técnicas que me colocaram para eu optar politicamente, fizeram com que as decisões que eu tomei estivessem globalmente erradas.
Em particular, foi-me dito que o ultrapassar da crise de 2008  poderia acontecer com um aumento da despesa e do endividamento públicos e veio-se a verificar que isso despertou vulnerabilidades que nos empurraram para a quase-bancarrota.
Errei duplamente. Primeiro porque escolhi as pessoas erradas para me aconselharem. Depois, não aceitei as criticas que apontavam para o facto das pessoas escolhidas por mim me estarem a encaminhar para decisões erradas.
Apesar de haver quem tenha falhado em termos técnicos, a responsabilidade política da incapacidade de Portugal fazer face à Crise das Dívidas Soberanas de 2011 é totalmente minha.

E, se fosse inteligente, como descalçava a questão do presidente?
O Sr. Presidente foi uma das pessoas que me tentaram avisar de que eu, em termos económicos, estava a ser erradamente aconselhado.
Não nos podemos esquecer que a legitimidade do Sr. Presidente para criticar as opções do governo vem de ter sido eleito à primeira volta pelo voto directo do povo português.
Se o Sr. Presidente se acha melindrado por eu lhe ter fornecido dados errados sobre a execução orçamental de 2011, imaginem como eu fiquei pois também fui enganado. 

E ficava-se por aí.
Ai mas as SCUTS, as PPPs, o resgate, o almoço que nunca existiu, e aquelas mentiras todas?
Não vamos falar disso pois são passado e, reforço, foram decisões que tomei tendo informação errada como base de trabalho.
Vamos avançar.

Fig. 1 - Deixem o passado no passado que agora vou vender medicamentos para o Brasil.  Traquilo que vou ganhar 5x o que ganha o Cavaco mais o Passos juntos e não pago sobretaxas de IRS.

O Sócrates é um tirano.
Nunca falou que deixou de ser primeiro-ministro por vontade dos portugueses.
Nunca disse que tinha uma proposta para o país, fosse o que fosse, e que os portugueses, em eleições totalmente livres, optaram por outra solução governativa.
Vê sempre o poder, e o seu apeamento, como um conjunto de intrigas do Parlamento, do Presidente da República, dos Mercados, dos Banqueiros, de todos os f.d.p. que há por aí e nunca refere que houve eleições e o povo não quis seguir o caminho que ele nos indicou.
Nunca em momento nenhum se viu diferença entre a comunicação ao país do Sócrates e aqueles que o Bashar al-Assad faz na sua televisão estatal a dizer que vai esmagar todos os terroristas que ousam desafiar as suas opções políticas.

Fig. 2 - Uma expressão de ódio, de antes terra queimada que dar o braço a torcer, de destruir todos que lhe fizeram frente.

Quem traduzir as últimas intervenções do Kadafi e do Saddam para português, vai rever a entrevista do Sócrates na RTP-1.

Vamos agora ao défice e à dívida.
O Sócrates não percebe nada de contabilidade. Nada e mesmo que percebesse, a sua política é a mentira e a intriga.
Existem as receitas e despesas do Estado que vão ao Orçamento. No final do ano, é calculado o défice que é reportado à Dívida Pública.
Vamos supor que no fim do ano 0 a divida de Portugal era de 70% do PIB, teve um défice público de 10% do PIB e o crescimento económico foi de -3%. Então a dívida pública no final do ano 1 passaria a ser 82.5% do PIB:
     PIB_1 = PIB_0 x (1 - 3%)
     Div_1 = (Div_ 0 x PIB_0 + Défice_0 x PIB_0 ) / PIB_1
     Div_1 = (Div_ 0 + Défice_0 ) x PIB_0 / PIB_1
     Div_1 = (70% + 10% ) x 1/ (1-3%)
     Div_1 = 82.5% do PIB
A dívida aumentaria 10% do PIB por haver défice e 2.5% do PIB por haver recessão.

Então, a dívida pública actual deveria ser muito menor.
Sim.
Pegando nos dados para 2010, 2011 e 2012, devido ao que é orçamentado (o que está no Orçamento de Estado) a dívida pública deveria estar nos 109% do PIB.
Nos 2 anos do Passos Coelho, o défice e a retração económico so fizeram a Dívida Pública aumentar 16% do PIB.

Então, porque estará nos 123% do PIB?
Porque  no tempo do Sócrates o défice foi muito maior que o contabilizado no orçamento.
Nos últimos tempos apareceram dívidas do tempo do Sócrates nos hospitais, farmácias, empresas públicas, autarquias, etc, etc, etc. que fez a dívida pública aumentar 14 pontos percentuais acima do défice. Mas são dividas que deveriam ter sido orçamentadas no tempo do Sócrates. Mas nesse caso, compara 45pontos de aumento do endividamento do Sócrates (7.5 pontos por ano) com os 8 pontos por ano do Passos.
Portanto, a "boa" governação do Sócrates, com "grandes resultados na consolidação orçamental até 2008", não é melhor que a "péssima" governação do Passos e num ambiente de taxas de juro, contracção da economia e bancarrota f.....didos.

Quem serão as vítimas e os beneficiários do re-aparecimento do Sócrates?
No Judo aprende-se que qualquer movimento do adversário pode ser utilizado para nosso benefício.
Se ele nos puxa, fazemos-lhe uma rasteira interior à perna, um ochi gari. Quando nos empurra, aplicamos-lhe uma queda sacrifício, um yoko sutemi.
A questão está na inteligência e no saber de cada um.
No PS há a questão do candidato presidencial do PS (Costa, Guterres, novamente Alegre?) e a guerra terrível pela chefia do partido.
No PSD há o problema dos autarcas, do desemprego e da austeridade.
A minha previsão é que a reaparição do Sócrates vai ser mais benéfica ao Passos Coelho (recordarmos a política de mentira e o olhar de ódio) e para Portugal (o Sócrates querer rasgar o Memorando) que ao PS.
Mas apenas o futuro o dirá com toda a certeza.

Fig. 3 - Qualquer movimento do adversário é uma oportunidade para o levar à própria derrota.

Outra grande mentira: o Passos foi além da Troika.
O Sócrates e os outros esquerditas acreditam que a maioria do povo português não faz ideia do que está(va) escrito no memorando de entendimento que o governo do PS assinou com a Troika.
Nesse memorando diz logo no ponto 1:

"Objectives: Reduce the Government deficit to below ... EUR 7,645 million (4.5% of GDP) in 2012 ... by means of high-quality permanent measures ..."

Se o governo tivesse ido "além da troika", teriamos que fechar 2012 com um défice menor que os 7645 milhões€ acordados mas 2012 fechou com um défice de 10750 milhões€ (sem a privatização da ANA).
O Passos Coelho impões medidas de consolidação orçamental 3100 milhões€ abaixo do que o Sócrates  assinou com a Troika. Por mais mentiras que atirem pela boca foram o Passos Coelho está 3100 milhões€ aquém da troika e não além.
Além disso, muitas das medidas são provisórias quando o sócrates garantiu que as nedidas seriam definitivas.
disse o bicho que no tempo dele "pagava subsídio de férias e de Natal" mas esqueceu-se de dizer que o dinheiro acabou e que ele assinou um acordo que implicava cortar tudo o que o Passos cortou e muito mais.
A boa noticia é que a Troika entende que Portugal está-se a esforçar aceitando este desvio como estando "dentro da margem do possível".

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 25 de março de 2013

Poderá a Economia dizer alguma coisa sobre o comportamento humano?

Eu gosto muito de ler os comentários
porque me informam como as mensagens estão a ser interpretadas pelo leitores. Em particular, houve uma dúvida muito interessante (colocada pelo Vegaspar) e que persiste desde que foram criadas as ciências da natureza. Mas é uma "pergunta de algibeira" porque não pode ser respondida pela própria Ciência. Prova de que esta pergunta é apenas destrutiva é o facto de o meu colega e arqui-inimigo Pimenta  a ter colocado nas minhas Provas de Agregação.
E também gosto de ver as fotografias dos meus seguidores. Mas o que me causa mais alegria é ir a um sitio qualquer e pessoas com quem nunca tive contacto físico virem falar comigo porque me conhecem do blog.  
Fig. 1 - Agradeço a todos os meus seguidores e leitores

A pergunta epistemológica.
Será que o comportamento humano, mesmo sendo o resultado de múltiplas contingências, tem Leis da Natureza que possam ser compreendidas pela humanidade?
Se a resposta for negativa então, não haverá lugar para a Economia enquanto ciência que estuda as decisões dos seres humanos quanto à afectação dos recursos escassos e termos que confiar no vazio.

O Vegaspar acha que a resposta é negativa.
Como "as pessoas ... são muitos menos previsíveis do que as máquinas" então, a Economia não pode conter conhecimento sobre o comportamento humano quanto à afectação dos recursos escassos.
De facto, o Vegaspar tem dúvidas que a resposta seja negativa porque utiliza "muito menos previsível" e não "totalmente imprevisível".

A questão epistemológica da existência da Ciência.
A Ciência existe porque são assumidos axiomas que apenas podem ser discutidos pela filosofia e pela religião. 
     A1 -  a Natureza existe.
     A2 -  a Natureza tem Leis.
     A3 - a Humanidade pertence à Natureza. 
     A4 - a inteligência humana é capaz de compreender as leis da Natureza.
A Ciência não pode questionar estas questões porque a sua não verificação faria com que a Ciência deixasse de existir e, não existindo, a sua conclusão de que as condições não se verificam ficaria sem efeito.

Seria como cada um de nós tentar julgar se existe.
S. Tomás de Aquino pensou ter provado a sua existência com "Peco, logo existo" e Descartes com "Penso, logo existo" mas estavam errados pois isto é uma tautologia que parte do pressuposto de que só o que existe é que peca (STA) e que pensa (D).
Mas vamos supor que eu não existo. Então, como penso, fica provado que o que não existe também pensa.
Então, pensar (ou pecar) não é prova suficiente da minha existência.
Claro que o estimado leitor vai dizer que a minha conclusão (não existo e, no entanto, penso) não faz qualquer sentido lógico, mas a lógica parte de premissas e nunca pode a conclusão lógica dizer que as premissas estão erradas.
Fica então claro que nós não podemos, com ciência, provar que existimos.

A previsibilidade da Natureza, a compreensão humana e o conhecimento.
Se a Natureza não tivesse leis, seria totalmente imprevisível.
Se a nossa inteligência fosse incapaz, a Natureza seria previsível mas nós não a conseguiríamos compreender.
Então, a nossa falta de conhecimento resulta de somar a imprevisibilidade da Natureza com a nossa incapacidade. Como não é possível separar estas duas parcelas, a Ciência assume que a Natureza é perfeitamente previsível e que toda a falta de conhecimento resulta da nossa pouca inteligência.
  
Fig. 3 - Primeira Lei da Natureza: quem pousar aqui a mãozinha, leva estalo.

A Estatística.
Mesmo assumindo que a Natureza tem leis perfeitas, a limitação da inteligência humana implica que o grau de detalhe do conhecimento será sempre limitado.
Havendo Leis da Natureza, até que detalhe poderá ir o conhecimento destas leis?
A humanidade desenvolveu a Estatística para compreender, em termos de valores médios, as Leis da Natureza mais complexas.
  
Temos que distinguir o comportamento do individuo do comportamento das grandezas agregadas.
Uma coisa é eu prever se o meu vizinho se vai suicidar nos próximos 12 meses e outra coisa é eu prever quantas pessoas, entre as 10.6 milhões, se vão suicidar em Portugal nos próximos 12 meses.
Apesar de a decisão individual ser altamente difícil de prever, se compararmos as pessoas que se suicidaram em 2003 com as que se suicidaram em 2006, apesar de não terem sido as mesmas pessoas (é evidente) e as tomadas de decisão terem sido completamente diferentes, existem regularidade à escala agregada.
Por mais incrível que pareça, em ambos os anos a taxa de suicídio é crescente com a idade, cerca de 4%/ano (ver, Fig. 2).
Apesar de eu não fazer a mais pequena ideia de qual será a propensão do meu vizinho para se suicidar, eu sei que, em média, a probabilidade de ele se suicidar aumentará com o envelhecimento, cerca de 4% por cada ano.

Fig. 4 - Suicídios em Portugal por cada 100000 homens (Dados: NES)
   
Vamos ver o que acham desta pergunta.
Existem duas padarias a menos de 50 m de minha casa.
Vamos supor que cada padaria vende 5000 pães por dia a 0.10€/pão e que o custo de produção é de 0.08€/pão. Conclui-se facilmente que o lucro de cada padaria é de 100€/dia.
Vamos agora supor que, como estamos a lidar com pessoas, se for como diz o Vegaspar, o seu comportamento é totalmente imprevisível.
Então, se uma das padarias aumentar o preço para 1.00€/pão, será totalmente imprevisível o que as pessoas vão fazer. Se calhar, ainda vai vender mais pães vindo o seu lucro exponencialmente maior.

Alguém acredita nisto?
Apesar de os estimados leitores serem seres humanos imprevisíveis, prevejo com confiança que não acreditam que  padaria que fixar o preço para 1.00€/pão vá vender mais. Acreditam, penso eu, que essa padaria vai ficar sem clientes e a outra vai ficar com os clientes todos.
Mas não estamos a tratar com pessoas que são, em termos individuais, imprevisíveis?
Estamos e por isso é que não posso garantir que não haja uma única pessoa que não compre um pão por 1.00€ mas a maioria não vai comprar.

Vejamos como funciona a Estatística.
Vou comparar o comportamento humano a um jogo de sorte e azar.
Uma pessoa atira um dado de que pode resultar o número 1, 2, 3, 4, 5 ou 6.
Depois, tira esse número de cartas de um baralho com reposição e soma os pontos (as figuras valem 10 pontos).
A pessoa escreve num papel os pontos que obteve. 

Olhando para uma pessoa.
O conhecimento que eu tenho sobre o número que a pessoa tem escrito no papel é muito pequeno. Sei que será um número qualquer entre 1 e 60 e posso determinar a função distribuição.
Se fosse pedido que avançasse um intervalo com uma amplitude de 2 como previsão, a probabilidade de errar seria muito grande (a melhor previsão seria entre 22 e 24).
(A probabilidade de eu errar seria de 93%).

Vou agora pegar em 100 pessoas e calcular a média.
Agora, em vez de uma pessoa, tenho a média de 100 pessoas.
Eu ainda não sei em concreto quanto vai dar a média mas, se eu repetir várias a experiência, em 95% das vezes, a média dos pontos das cartas vai estar entre 19.29 e 26.53.
A probabilidade de eu acertar a minha previsão (cair no intervalo ]22; 24])  ainda é pequena, 40%.

Vou agora calcular a média de 10000 pessoas.
Em média, em 95% das vezes, soma dos pontos das cartas vai estar entre 22.52 e 23.25.
Agora, a probabilidade de acertar (cair no intervalo ]22; 24]) na minha previsão já é de 99.9999%.

E estamos a falar de sorte e azar.
Mesmo que o comportamento humano fosse totalmente aleatório (como o exemplo do lançamento do dado e o sorteio das cartas do baralho) e, por tanto, com pouca capacidade de eu prever uma valor para a variável que estou a estudar, havendo regularidade estatística (cada pessoa extrai as suas cartas do mesmo baralho) então, eu sou capaz de prever o comportamento médio das pessoas.
Sou capaz de prever como as pessoas vão reagir ao aumento do preço (a quantidade de pães vendidos vai diminuir).

Estimado Vegaspar, penso que agora vai acabar de ler o poste.
Quando estamos incapazes de destruir a argumentação lógica dos nossos adversários, uma escapatória que está entranhada nos nossos genes é utilizar a resposta religiosa do "não acredito".
Recordo que o conhecimento religioso se baseia apenas na crença.
Antigamente, se alguém dizia, Deus escreveu nas Pedras da Lei que não se pode cobiçar a mulher alheia, nós podíamos dizer, com propriedade, Não acredito. Mas naquele tempo não existia conhecimento científico.
Mas o conhecimento científico baseia-se na prova. Agora, quando alguém nos prova que estamos errados, temos que contra argumentar ou aprender.

No outro dia estive a aturar um aluno muito chato.
Dizia que ia ser como o pai (na parte em que é um empresário de sucesso) mas que, ao mesmo tempo, nunca seria como o pai (que se levanta às 5 da manhã para ir trabalhar e só volta às 23h horas do trabalho).
É o tal sonha das mulher magrinhas com mamas grandes.
O que interessa é que, mesmo tendo fraca média e já andar há 5 anos para fazer um curso de 3, queria ir para uma escola de topo mundial porque assim se tornaria num profissional muito mais capaz. O pai paga o que for.
O que lhe disse foi apenas que não existe nenhum estudo que garanta que quem frequenta uma escola de elite se vai tornar um profissional de elite. O que dizem os estudos (estatísticos) é que essas escolas apenas fazem selecção dos mais capazes.
Controlando a capacidade intelectual, por exemplo, com um teste de QI, não existem diferenças significativas entre as melhores escolas do mundo e as escolas médias.
A Ciência é assim: não basta afirmar ou contra-dizer mas é preciso provar com evidencia empírica e dedução matemática. Acabou o lugar da crença.
Fig. 5 - Tive que escolher e preferi ser magra.

É a estatística.
Não quer dizer que não haja uma pessoa que não fique melhor profissional por frequentar uma escola de elite, mas também haverá outra que ficaria melhores profissional se não a tivesse frequentado.

Garanto que, se os salários descerem, o desemprego diminui.
Não garanto que o Sr. Alberto ou a Dona Micas vá arranjar emprego mas, em termos médios, muito mais desempregados encontrarão emprego e muito menos trabalhadores perderão o seu actual emprego.
Garanto que, se o nivel médio de salário descer 15%, a taxa de desemprego vai descer para próximo dos 10%-
E garanto que isso não terá qualquer efeito na procura interna e que será uma política expansionista (por haver mais pessoas a trabalhar).
Pedro Cosme Costa Vieira.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Será o aumento dos salários a "política de crescimento"?

Há um sofisma que faz o aumento dos salários ser "a política de crescimento".
As mentes dos sindicalistas esquerdistas e outras mentes fracas deduzem pela lógica uma ligação positiva entre salários e PIB.
Chegam mesmo patrões a embarcar nesta lógica torpe quando aplicada aos outros (todos menos eu).

Argumentam que, aumentando os salários, o consumo aumenta o que faz aumentar a procura interna que  aumenta as vendas das empresas.

+Salários -> + Rendimento -> + Consumo -> + Procura Interna -> + Vendas

Depois, adiantam que o aumento das vendas aumenta a produção (o PIB) e diminui o desemprego.

+Vendas -> + Produção -> - Desemprego

Finalmente, mais vendas e mais produção fazem aumentar a receita fiscal e, menos desemprego, faz diminuir a despesa pública pelo que o aumento dos salários, além de aumentar o produto e diminuir o desemprego, também diminui o défice público.

+Salário -> . . . ->  - Défice Público
  
Claro que este esquema que aparenta seguir as regras da lógica é uma ilusão de verdade. É uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para induzir os portugueses em erro.

A prova do erro por redução ao absurdo.
Esta ilusão é fraca porque não resiste à simples prova da redução ao absurdo.
Se aumentar os salários tem efeito tão positivo então, quando o Guterres disser que temos que ajudar aquelas regiões miseráveis que ele visita, que os obrigue a aumentar os salários para um milhão de euros por hora e, logo, todos ficarão ricos.
Mas a prova por redução ao absurdo, por ser uma prova negativa não identifica qual é o erro de raciocínio.
Neste post vou apresentar os erros que os sofistas introduziram na argumentação.


Fig. 1 - Hoops ... mas toda a dedução lógica indica que se trata de uma mulher e das boas

Onde estará o erro?
O erro da argumentação está na omissão de parcelas relevantes.

1. "Esquecem-se" dos rendimentos do capital.
O total que se produz é igual ao rendimento total.
O que se produz na economia, vai ser distribuído pelos diferentes agentes económicos como salários, lucros, juros, rendas e alugueres.
Ao PIB, o Produto Interno Bruto, é preciso retirar a depreciação do capital para obtermos a produção de facto, a produção líquida.

Se o PIB é 100€ então, a produção é de 82€ (18€ são amortizações, diz o Banco Mundial) que é distribuída pelos salários (40€, diz a Pordata) e 27€ para juros, rendas e alugueres (o que falta).
É por demais evidente que os salários são  "rendimento das famílias" mas também o são os lucros, juros, rendas e alugueres (parte).

Para uma produção de 82€.
O rendimento das famílias é de 73.50€ (pordata) e os restantes 8.5€ são "rendimento das empresas" que o investem.
Quer isto dizer que 70% dos lucros, juros, rendas e alugueres vão parar ao rendimento das famílias e 30% vão ser investidas pelas empresas.

E o que acontece ao rendimento das famílias quando os salários aumentam?
É por demais evidente que o aumento dos salários em 1€ tem o efeito imediato de aumentar o rendimento das famílias em 1€ mas também diminui os lucros das empresas em 1€.
Até os esquerdistas reconhecem a existência deste efeito imediato mas contam com a "cadeia virtuosa".
Mas, a diminuição dos lucros em 1€ leva a uma redução do rendimento das famílias em 0.70€ e do rendimento (investimento) das empresas de 0.30€.
Então um aumento dos salários em 1€ tem um efeito directo no rendimento das famílias de +0.30€ à custa de um impacto no rendimento das empresas de -0.30€.

O aumento de rendimento das famílias é menor que o aumento dos salários e é igual à diminuição do rendimento que as empresas usam para investir (sem pagar dividendos).

+Salários -> + Rendimento das famílias e - Rendimento das empresas


Fig. 2 - É legal pois apliquei a Lei de Lavoisier (nada se perde, tudo se tranforma): cada euro que entra na minha carteira, é um euro que alguém lerpa. 

2. "Esquecem-se" do investimento das empresas na procura interna.
O rendimento das famílias vai ser usado na aquisição de bens de consumo mas também na aquisição de bens de investimento e ambos são procura interna.
Uma pessoa ao comprar arroz e massa (consumo) ou um frigorífico (investimento) está a contribuir para a procura interna.
Os esquerdistas "esquecem-se" do investimento das famílias na procura interna mas, mais grave, "esquecem-se" que o investimento das empresas também é procura interna.
E, já mostrei, que se a procura interna das famílias aumenta 0.30€, a procura interna das empresas diminui exactamente 0.30€.
+ Rendimento das famílias -> Mais procura interna
- Rendimento das empresas -> Menos procura interna

Os efeitos anulam-se pelo que o aumento dos salários não tem qualquer efeito na procura interna.
+ 1€ Salários
->  + 0.3€ Rendimento das famílias e - 0.3€ Rendimento das empresas
-> + 0.3€ procura interna das família e -0.3€ procura interna das empresas
-> efeito nulo na procura interna

O aumento do salário não altera a procura interna.
Considerando todas as parcelas, os salários e os lucros, as famílias e as empresas, conclui-se facilmente que o aumento (ou diminuição) dos salários não tem qualquer impacto na procura interna.
Quebrado esta inflamação da procura interna que parecia lógica então, toda a cadeia de acontecimentos virtuosos alegadamente causados pelo aumento dos salários cai por terra como um baralho de cartas.
Considerar todas as parcelas é um autentico corta fogo que termina a diarreia lógica dos esquerdistas da praça.

Se não tem efeito, poderíamos na mesma aumentar os salários.
O problema é que, ao reduzir os lucros das empresas, o aumento dos salários tem um efeito negativo nos investimentos que são lucrativos o que faz diminuir o emprego (rever O desemprego, o salário e a ignorância dos comentadores).
No mercado de trabalho encontram-se as vontades dos trabalhadores (que trabalham tanto mais quanto mais elevado for o salário) e as dos patrões (que contratam tanto mais pessoas quanto mais baixo é o salário) e o encontro destas vontades aparentemente antagónicas vai determinar o salário de equilíbrio (em pleno emprego).
Quando existe desemprego, é prova que o salário está acima do salário de equilíbrio pelo que, globalmente, todos melhoram (o PIB aumenta, o rendimento das famílias e das empresas aumenta) quando o salário diminui.
Quando existe falta de empregados, é prova que o salário está abaixo do salário de equilíbrio pelo que, globalmente, todos melhoram (o PIB aumenta, o rendimento das famílias e das empresas aumenta) quando o salário aumenta.
Declaradamente, agora que a taxa de desemprego está elevadíssima, todos melhoraríamos se os salários diminuíssem.
Todos, não só os desempregados (que passariam a ter emprego) mas também os empregados que veriam o risco de despedimento diminuir.
E os empregados como eu que, até prova em contrário, não têm risco de desemprego, também temos que ser solidários pois, caso contrário, o nosso país vai rebentar com uma taxa de desemprego elevadíssima.

Fig. 3 - A mim, nunca me faltou trabalho.

Finalmente, os 19% de desemprego.
Eu fui o primeiro a prever, em Fev 2012, que o desemprego iria atingir 19% , que iríamos ter 1 milhão de desempregados (rever, Vejo os números do desemprego com muita preocupação). Na altura, todos os meus colegas disseram que eu estava louco mas o Gasparzinho já veio dizer que o desemprego, algures nos finais de 2013, princípios de 2014, atingirá esta meta. 
A boa notícia é que estamos numa situação de paz social e as famílias estão a aguentar razoavelmente bem a redução do rendimento que o desemprego implica. NEsta parte e na balança corrente, estamos melhor que eu antecipava.
Estou moderadamente optimista que este caso de Chipre, e espero que eles não aceitem as condições da Troika, faça o nosso povo ver que o "outro caminho" que o Seguro promete e que leva seguramente ao abismo.

Como se justifica o equilíbrio da Balança Corrente com o enorme taxa de desemprego?
Em teoria, o nível de salários é uma variável que equilibra a Balança Corrente. Se a nossa BC tinha em 2009/10 um desequilíbrio de 10% que obrigava à redução dos salários para tornar a nossa economia competitiva (aumentar as exportações), a BC equilibrou sem haver redução dos salários o que "prova que os salários não repcisam descer mais" (dizem os esquerdistas).
"Esquecem-se" mais uma vez que a BC equilibra não só pela redução dos salários (aumento das exportações) mas também pelo aumento das taxas de juro (redução do crédito externo que leva à reduçãod as importações).
Se quizermos que as taxas de juro diminuam para os níveis de 1999 (e as ofretas de crédito externo) então, os salários têm que diminuir pois, caso contrário, a BC torna-se a desequilíbrar (o que impossibilitará a descida persistente das taxas de juro).

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 20 de março de 2013

O risco do frio extremo e da altitude

Por estarmos no último dia do Inverno, apetece-me falar do frio.
O corpo humano é muito flexível na sua capacidade de sobrevivência a diferentes condições climatéricas. No entanto, existem situações ambientais extremas para as quais não estamos adaptados. Uma dessas situações é o frio que se verifica no Inverno dos países do norte da Europa e da América (desde a Rússia, ao Canadá) e em locais de altura elevada. Um nosso exemplo de exposição acidental a um ambiente com frio extremo foi o caso do nosso montanhista João Garcia na escalada do Evereste (em 1999).
Quando uma pessoa se encontra num ambiente com temperaturas inferiores a -25ºC precisa de um socorro rápido que, por causa das condições metereológicas adversas e a dificuldade de localização das vítimas, pode ser impossível em tempo útil.
Neste poste vou apresentar a física do calor e propor uma abrigo de emergência de baixo custo que deverá ser colocado (no Verão) em locais que no Inverno possam servir de protecção a pessoas perdidas.
Os percursos pedonais de montanha (Serra da Estrela ou da Ilha da Madeira) são locais que melhorariam a sua segurança se utilizassem abrigos deste tipo.
Nos países muito frios em que as pessoas não conseguem pagar aquecimento, este tipo de abrigo também pode ser usado dentro de casa como local de pernoita (como integrante da cama).


Fig. 1 - Os dias de praia já vêm a caminho.

Vamos agora ao frio extremo.
No Inverno dos Países do Norte (desde a Rússia, ao Canadá) e na alta montanha, shit happens. Actualmente as pessoas desvalorizam as condições metereológicas extremas porque, vivendo em cidade, estão rodeadas por abrigos seguros e habituadas ao socorro chegar rapidamente a qualquer local. Mas quando querem testar a sua capacidade em situações incomuns (por exemplo, o montanhismo), o conforto dos carros e os aparentemente acessos fáceis dão uma falsa sensação de segurança porque, em caso de emergência climatológica, o carro deixa de funcionar e as vias de comunicação ficam rapidamente intransitáveis.

Só as pessoas que sabem nadar é que morrem afogadas.
Dizia repetidamente a minha mãe quando íamos dar um mergulho no Mar.
É o excesso de confiança que coloca as pessoas em situações perigosas.

Vamos á física do calor.
O calor é a agitação das moléculas e mede-se em graus centígrados, ºc (entre outras unidades).
Para aumentar a temperatura de uma substancia é preciso fornecer-lhe energia (joules por kilograma por ºc) .

O calor propaga-se por condução. Como a  agitação das moléculas se transmite de umas para as outras, o calor propaga-se ao longo dos materiais por condução.
Existem materiais em que o calor se propaga mais rapidamente (os metais) e outros em que se propaga muito lentamente (os gases).
A propagação do calor é uma perda de energia medindo-se em unidades de potência (joules por segundo que se denominam por watts).
Em termos relativos, a condução de calor através um material mede-se em watts por m2 de exposição numa parede com 1 metro de espessura por grau centígrado de temperatura.

Vamos a exemplos.
      Prata            ->                426 w/m/ºk (é o melhor condutor térmico conhecido)
      Ferro            ->                 80 w/m/ºk
      Granito        ->                   3 w/m/ºk
     Neve compacto   ->          0.7 w/m/ºk
      Tijolo           ->                   0.6 w/m/ºk
      Madeira de Pinho ->           0.12 w/m/ºk
     Neve fofa     ->                  0.15 w/m/ºk
      Lã                ->                   0.04 w/m/ºk
      Ar                ->                   0.026 w/m/ºk
      Espuma de Poliuretano ->   0.022 w/m/ºk
      Vácuo a 95%    ->              0.001 w/m/ºk

Uma parede em granito com 70cm de espessura perde tanto calor (4,3w/m2/ºk) como uma tábuas de madeira de pinho com 2.8cm de espessura ou um pano de lã com 1cm de espessura (porque têm ar aprisionado no seu interior).
Fica desfeito o mito de que uma parede grossa de granito faz casas confortáveis.

E se eu tiver uma sanduiche?
Por exemplo, 9.2 cm poliuretano ensadwichado em chapas de 0.4 cm de aço.
    Aço -> 80 x 100 / 0.4                  = 200000 w/m2/ºk
    Poliuretano -> 0.022 x 100 / 9.2 = 0.239 w/m2/ºk
    Aço ->                                        = 200000 w/m2/ºk

Agora calculamos o inverso (resistência térmica) e somamos resultando:
Resistência térmica da sande -> 4,182
Condutividade térmica da sande é o inverso da resistência -> 0.239 w/m2/ºk.

Em termos práticos, nesta sande, a chapa de ferro é um condutor perfeito do calor.

E uma divisória japonesa de papel de arroz?
Uma divisória com três folhas de papel de arroz (espessura de 0.07mm) separadas por dois espaços com 1 cm de ar é 3x melhor isolante térmico que uma parece de granito com 70cm de espessura.
Extraordinário.

 O calor também se propaga por convecção.
A água é má condutora térmica mas, como a água quente é menos densa que a fria, a circulação da água faz os corpos perderem calor (por convecção). Por esta razão é que quando está vento, o frio fica mais penetrante (entra pela roupa, arrefece-nos o corpo e vai-se embora).
O calor também se perde por irradiação de infravermelhos e por evaporação.

Vamos ao corpo humano.
Nós somos reactores químicos e as reacções que nos permitem estar vivos apenas funcionam a temperaturas próximas de 37ºc.
Ao vivermos produzimos calor.
Quando estamos em repouso, produzimos 80w (1650 kcal/dia). Nesta situação, para o nosso interior estar a 37ºc, a nossa pele deve estar a 33ºc e o ambiente a 28ºc.
Mas quando estamos em actividade produzimos mais calor.

     A ler este blog                   -> 120w,
     Caminhar 5km/h                -> 300w,
     Correr 10km/h                   -> 800w, dez vezes o valor de repouso
     Correr 1 km em 3 minutos -> 1600w.

Uma pessoa com muito boa preparação física é capaz de produzir 800w de calor durante mais de 6 horas seguidas (tremer violentamente de frio). Foi esta capacidade que salvou o João Garcia e a sua falta que levou o seu colega Pascal Debrouwer à morte.

Um abrigo para 2/3 pessoas em ambiente com -30ºc.
O que eu vou apresentar é uma solução de engenharia para um abrigo com capacidade para 2/3 pessoas confortável num meio ambiente com temperatura na ordem dos -30ºC.
O calor que o nosso organismo produz vai ser perdido pela respiração (evaporação de água e aquecimento do ar) e para o ambiente (por condução).
Vou fazer a minha simulação para uma potencia de 120w por pessoa, sendo os valores proporcionais para outros níveis de potencia.

1 - O aquecimento do ar inspirado.
Por cada 1000 j de calor produzido, uma pessoa inspira cerca de 1.2 litro de ar com 21% de oxigénio que expira com cerca de 14% de oxigénio. A potência de 120w precisa de 9.0 litros/minuto, 18 inspirações de 0.5 litros por minuto.
São necessários 12w para aquecer 9 l/m de ar desde -30ºC até 37ºC.

2 - A água que evaporamos nos pulmões.
O ar frio contém pouco vapor de água pelo que o frio desidrata. A uma temperatura ambiente de -30ºC, desidratamos pela respiração cerca de 24 g/h. Evaporar água a 37ºC sem beber implica uma perda 2250 j/g. Então, a desidratação implica uma perda de 18w.

3 - A hidratação
Uma solução que permita a sobrevivência durante vários dias obriga a desviar parte do calor a aquecer gelo para poder ser bebido.
Para nos hidratarmos temos que beber cerca de 1.5l/dia mais a água que evaporamos nos pulmões. então, precisamos derreter 2.0kg de gelo a -30ºC e elevar a sua temperatura até 37ºC que utiliza 12w.

Dos 120w de calor produzido, gastamos 42w na respiração e na água para beber.
Se imaginarmos que o processo tem alguma margem de perda então, já estão gastos 50w, cerca de 40% do calor produzido.

4 - O arrefecimento do corpo.
Temos agora 70w para perder pelas paredes do abrigo.
Se houver 2 pessoas no abrigo, para termos um temperatura na ordem dos 18ºc, o calor perdido pelas paredes do abrigo não podem ser superiores a 3w/ºc.
Utilizar a sandwich de chapa metálica + poliuretano calculado acima como tendo uma perda de calor de 0.239 w/m2/ºk, é possível o desenho da Fig. 2 onde projecto uma pequena janela em vidro duplo.

Fig. 2 - Um projecto de um abrigo para um ambiente com temperatura de -30ºc

E qual a lotação do abrigo?
Se tiver uma pessoa, a temperatura será de -7ºc o que é suportável com roupa de inverno e um saco cama de inverno.
A dimensão é perfeita para 2 pessoas deitadas podendo ter uma terceira pessoas deitada ao contrário. No caso de 3 pessoas, mesmo descendo o nível de actividade até aos 80w (dormir), a temperatura interior ficará nos 18ºc.
Em caso de grande necessidade, o abrigo suporta até 10 pessoas sentadas.

A ventilação.
Assumi que as pessoas usam uma mascara de forma a que o ar expirado seja despejado directamente para o exterior.

Fig. 3 - Esquema da válvula de exaustão do ar expirado

No caso de haver mais de 3 pessoas no abrigo, será preciso ventilação adicional para diminuir a temperatura interna.
No caso da alta montanha, como é preciso beber muita água, para os montanhistas ficarem confortáveis terá que haver 3 pessoas no abrigo.

E quanto custará isto?
Fica barato.
São 25m2 de chapa zincada de 0.4mm que custa cerca de 125€ (um peso de 90kg).
O poliuretano andará em mais 125€.
Depois fica a porta com janela, o sistema de ventilação e a mão de obra.
Deve ficar abaixo dos 750€ por unidade.
Também não poderia ficar muito mais caro pois é muito parecido com uma arca frigorífico grande (com 3000 litros) sem motor.

O peso total deve ficar nos 150kg.

Será possível ir e vir ao Pólo Norte a pé?
Com o conhecimento que existe actualmente sobre a perda de calor, podemos vestir roupa leve e barata que nos permite sobreviver nas condições climatéricas mais extremas.
O segredo da roupa eficiente é aprisionar o ar o que é conseguido alternando uma camada de uma fibra pouco densa com um película fina impermeável ao ar (corta vento).
Não vale a pena vestir roupa muito grossa se o vento puder penetrar e arrastar o calor para fora.
Uma camisola simples tem uma espessura de 0.4cm e uma em fibra cardada tem 2cm.
Se intercalarmos 3 camadas de fibra com 2cm de espessura com 3 películas de plástico, consegue-se reduzir as perdas de calor (nos 2.5m2 de área que temos) a 2.0w/ºk.
Este isolamento é compatível com uma marcha num ambiente com temperatura na ordem de -30ºc. Interessante bastarem 6cm de espessura de roupa devidamente organizada para resistir a -30ºc.
Para dormir será necessário reforçar o isolamento com um abrigo de neve.


Fig. 4 - Lá para o Norte também se encontram mulheres bonitas

E a comida?
Ir ao Polo Norte e voltar a pé demora cerca de 90 dias.
Se a potencia térmica média for de 240w, serão precisas 5000kcal/dia.
A gordura (azeite, banha de porco, manteiga) tem 9000kcal/kg. Então, nos 90 dias serão precisos 50kg de gordura mais 20 kg de alimentos diversos. A segurança aponta para que, inicialmente, o explorador tem que transportar um mínimo de 100kg de alimentos.
É muita carga para um homem só a pé (com um trenó) mas não é impossível se, com a ajuda do GPS, a carga foi sendo deixada ao longo do caminho (para o regresso).
Numa espedição com meia dúzia de pessoas para diminuir o risco (em caso de acidente ou doença, o socorro é virtualmente impossível), é uma missão realizável e, provavelmente, menos arriscada, mais barata e mais emocionante que subir o monte Evereste.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 19 de março de 2013

O contributo dos expatriados no resgate de Chipre

A nossa comunicação social é maioritariamente esquerdista pelo que as pessoas que lá aparecem são contra a Economia de Mercado que, normalmente, lhe chamam capitalismo.
Os esquerdistas sempre defenderam que os bancos não deveriam ser resgatados e ir à falência. Sistematicamente, esqueceram-se de dizer que neste caso os depositantes perderiam as suas poupanças.
Isso já aconteceu, em parte, na Islandia e os esquerdistas acharam muito bem porque os penalizados foram apenas os ingleses. 
Agora que, isso vai acontecer, em parte, no Chipre, estão contra talvez porque, no meio dos penalizados, estão expatriados russos.
É estar contra o velho ir em cima do burro e ir a pé.

Fig. 1 - Qualquer que seja a política, para os esquerdistas, está sempre errada.

O que se está a passar em Chipre?
Chipre tem uma dimensão de 10% de Portugal. Tem 1.1M de habitantes (nós temos 10.6M) e um PIB de 17MM€ (nós temos 170MM€).
A diferença é que Chipre, de forma semelhante à Irlanda, é uma "praça financeira" tendo em depósitos bancários 400% do PIB (e nós temos 150%).
A Irlanda estava muito exposta aos EUA pelo que foi muito penalizada com a crise do sub-prime.
Chipre estava muito exposto à dívida pública grega. Quando foi "acordado" que haveria bancarrota parcial da divida pública grega, todo o sistema financeiro cipriota entrou no vermelho.

Fig. 2 - Chipre tem boas praias

Estará a economia de Chipre melhor que a nossa?
Também não está nada famosa mas, ainda assim, desde 1995, tem mostrado uma saúde melhor que a nossa.
A média do défice da balança corrente cipriota foi de 4.5% do PIB (o nosso foi de 7.9% do PIB) e do crescimento cipriota foi de 2.5%/ano (o nosso foi de 1.25%/ano).
Por isso, a bancarrota cipriota, numa proporção bastante maior que a nossa, é uma consequencia directa da bancarrota grega.


Fig. 3 - Défice esterno de Chipre e de Portual (dados: Banco Mundial, alisados pelo autor)

Vamos agora à solução do resgate.
Quando a Argentina "saiu" da Zona Dólar e desvalorizou o peso, os depósitos bancários perderam 75% do seu valor relativamente ao USD.
Quando a Islândia "atacou" a sua crise financeira com a desvalorização da coroa, os depósitos bancários perderam 50% do seu valor relativamente ao Euro.
Agora, o Estado cobrar 10% sobre os depósitos bancários, é uma brincadeira de crianças.

Porque aplicar o imposto?
Em termos legais, as pessoas não vão perder os seus depósitos nem ser vítimas de um confisco. Apenas haverá um imposto (como a nossa contribuição Especial de Solidariedade) que vai incidir sobre os valores depositados nos bancos.
O nosso Miguel Cadilhe defendeu que houvesse uma taxa de 4% sobre todo o património imobiliário e os esquerdistas não foram contra porque antecipavam que apenas os "ricos" iriam pagar.
Reforço que os depositantes não vão perder um euro dos seus depositos mas o Estado é que vai cobrar um imposto sobre a riqueza das pessoas.
O imposto poderia ser sobre outra coisa qualquer como, por exemplo, o IVA ou o IRS..

Mas assim, vão ser chamados os expatriados.
Uma parte importante dos depósitos bancários são de expatriados que, por não serem tributados, não são responsáveis pelas garantias que o Estado presta junto dos credores.
Como o dinheiro é para resgatar as perdas gregas acumuladas no sistema financeiro, se não houver resgate os bancos abrem falência e os depositantes perdem parte do seu dinheiro.
Se Chipre fizer como a Islândia (que não aplicou aos expatriados na garantia dos depósitos bancário), os expatriados irão perder os seus depósitos.
Desta forma, é uma solução de compromisso em que os expatriados contribuem com 10% do seu depósito para resolver o problema.
Se fosse aplicado a Portugal, seria  cerca de 20MM€. Só a capitalização bolsista do BCP, com a crise perderam mais que este valor, i.e., os seus accionistas perderam.

Porque os bancos cipriotas estão encerrados?
Não tem nada a ver com o imposto.
Decidindo o governo aplicar um imposto sobre o saldo bancário às 0h do dia 17 de Março, perguntava aos bancos a lista dos titulares e, no fim do mês, mandava uma nota de cobrança com o valor a pagar. Assim como vamos receber o IMI para pagar.
O problema é que os bancos ficaram sem notas e não têm activos bons para materializar as ordens de transferencia para bancos exteriores.

Eu já tratei num post o processo que se iniciou.
1) Os saldos bancários das pessoas são materializados por activos de maturidade longa localizados principalmente no Chipre e na Grécia.
2) As pessoas querem levantar notas ou transferir o saldo bancário para bancos no exterior.
3.1) Os bancos cipriotas não têm activos aceitáveis para transferir para os bancos do exterior como contraparte dos saldos bancários pelo que os bancos exteriores não aceitam as tranferencias.
3.2) os bancos, em média, têm apenas 5% dos saldos em notas no cofre (3.5MM€ para depósitos de 70MM€), pelo que ficaram rapidamente sem notas.
4) Apenas não possíveis transferencias entre bancos igualmente falidos (entre os bancos cipriotas).

Agora o processo vai seguir o seu caminho e vai terminar de uma de duas formas.

A) A Troika garante as transferencias.
Todas as transferencias para o exterior são garantidas pela Troika pelo que, em caso dos activos cipriotas não corresponderem ao valor nominal, assumimos todos com os nossos impostos as perdas cipriotas de forma solidária (que são as perdas gregas).
Mesmo neste caso, o risco de novo imposto vai fazer com que os depósitos diminuam mais de 50% mas o sistema vai estabilizar.
Parte dos depósitos vão ser garantidos pelos russos (como o reino Unido fez com a Islândia e depois perdeu o dinheiro) para terem uma base naval no mediterraneo pois a única que têm, a da Síria, está condenada a desaparecer.

B) Chipre quer seguir o seu caminho.
Nunca mais será possível o levantamento ou a transferencia para o exterior dos saldos bancários. Vai ser tipo o BPN mas à escala de um país (pequeno).
Acaba a mobilidade de capitais (pois o estado pode apropriar-se dele) e a economia vai funcionar com transferencias electrónicas internas. 
Num prazo de alguns meses, vai surgir uma nova moeda e o Chipre sai da Zona Euro.
Recordo que imprimir notas demora pelo menos 1 mês.
Será escusado dizer que o câmbio vai fazer com que as pessoas recebam muito menos que os 90% que se discute agora.

É o problema dos vasos comunicantes.
A economia é uma toalha curta que cobre uma mesa.
A técnica dos esquerdistas (que foi a mesma do Hítler) é convencer as pessoas de que tudo é independente de tudo.
É possível o Estado aumentar despesa, diminuir os impostos e ficar sem défice.
É possível as empresas aumentar os salários, diminuir os preços e aumentar os lucros.
É possível os devedores bancarrotarem e, mesmo assim, os credores receberem o seu dinheiro.
É possível uma mulher emagrecer aumentando ao mesmo tempo as mamas.
Mas não é.
Os comunas querem fazer querer que o BCE e a Troika são coisas que vêm do inferno para darem cabo da felicidade dos países intervencionados mas, cada euro que eles perdoam a um país acaba por ser mais um euro que temos que pagar de impostos.
Puxa-se a toalha de um lado para tapar o nosso lugarzinho, destapa-se de outro lado.
Puxa-se a toalha para perdoar parte da dívida aos gregos, carrega-se os cipriotas com perdas dos depósitos bancários.
Perdoa-se aos cipriotas, carrega-se nos nossos impostos.

É este o "outro caminho" do PS.
Olhem ao que eu vos aviso.
Podem não gostar do Passos coelho porque hoje vivemos pior que vivíamos no tempo do Sócrates. Mas aquilo era falso baseando-se num endividamento externo insustentável.
O caminho que nos apontam os do PS, mais despesa, mais salários, menos impostos, abaixo a Troika, é o caminho de Chipre.
Estou a rezar ao Santo Padre para que os do Chipre não aceitem as condições da Troika pois isso vai permitir que abandonemos a demagogia esquerdista e nos salvemos.

Já que falei no Santo Padre.
Os comentaristas papais que aparecem na televisão são a coisa mais burra que eu alguma vez vi.
Até a minha mãe, nos seus 82 anos e com a cabeça queimada da hemodiálise e diabetes, acha uma bestice total.
Não interessa se o Papa é gordo, magro, feio, bonito, simpático ou preto. Interessa é que ele responda às perguntas da Igreja, dos fieis da Igreja.
Vou recordar 10 perguntas que o Papa tem que responder porque as nossas sociedades já as aceitaram com toda a naturalidade:

     A) O  casamento dos padres é para avançar?
     B) A democratização da governação das paróquias é para avançar?
     C) Os divorciados continuam ex-comungados?
     D) As mulheres podem aspirar à ordenação?
     E) Os métodos anti-concepcionais são pecado?
     F) Os sexo como actividade recreativa continua pecado mortal?
     G) Os gays continuam excomungados?
     H) O aborto continua pecado mortal?
     I) E a eutanásia?
     J) Passarão as outras religiões a ser caminhos válidos para a salvação?

Se não responder afirmativamente pelo menos a uma destas questões, será uma perda de tempo termos mais este papa. Se o pontificado vai ficar reduzido a comentários sobre a cor dos sapatos, se a janela do papamóvel está aberta ou fechada, se ele fala italiano ou espanhol, mais valia terem lá o nosso Jorge Nuno Pinto da Costa.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 17 de março de 2013

O desemprego, o salário e a ignorancia dos comentadores

O conhecimento ciêntífico é o guia das solução técnicas eficientes.
A Economia é uma ciência que ao longo dos anos permitiu que compreendêssemos como as coisas económicas funcionam. Em particular, sabemos hoje muito bem como se relaciona o desemprego com o salário. Mas, de forma incrível, as pessoas que aparecem na comunicação social, muitas deles apelidando-se de reputados economistas, apresentam apenas algumas ideias de senso comum demonstrando que não sabem absolutamente nada sobre Economia.
Absolutamente nada.

Até o meu ex-amigo.
Que se zangou comigo quando me deveria ter agradecido eu ter evitado que ele se enterrasse em merda até ao pescoço na sua análise da TAP, veio no outro dia dizer que "o mercado de trabalho português não precisa que se faça mais nada porque já é muito flexível". Interessante o dito cujo como não conseguiu explicar como, sendo alegadamente tão flexível, a taxa de desemprego involuntário está tão elevada. É que a teoria económica (que afirma ele perceber muito mais que eu) diz que num mercado perfeitamente flexível, a taxa de desemprego involuntário é zero.
Sim, o desemprego é involuntário pois refere-se a pessoas que querem ter emprego e não conseguem arranjar.
Eu nem digo o nome dele para não pensar que eu persigo a sua ignorância. E tenho que ser democrático pois há muitos mais como ele.

Fig. 1 - Anda cá meu filho que, como se vê, o meu forte é Teoria Economia.

Vamos então ver o que desenvolveu a teoria económica.
Aqui vamos ter que perceber um pouco de derivadas e de maximização.

A produção.
O valor acrescentado (facturação das vendas menos preços dos produtos intermédios) de uma empresa, Y, é conseguida com os factores produtivos Trabalho, N, e Capital, K.
Em termos matemáticos, a função produção f transforma os factores produtivos em valor acrescentado segundo uma proporção:

     Y = f (N, K)

Mais capital e mais trabalho implicam maior valor acrescentado (as derivadas parciais de f são positivas) mas a cadência decrescente (as derivadas parciais de segunda ordem são decrescentes):

      f 'N > 0;   f ''N < 0
      f 'K > 0;   f ''K < 0

Esta forma funcional traduz que usando mais factores de produção consegue-se produzir mais mas que há congestionamento:
Se eu tenho 10 trabalhadores e contracto mais 1, mantendo o número de máquinas que tenho então, a produção aumentará mas menos que 10%.

O lucro.
As empresas querem maximizar o seu lucro, L, que é a diferença entre o custo de produção e a facturação.
Se o preço de venda unitária é P, o salário é W e a taxa de juro (e de depreciação) é I, o lucro vem dado por:
     L = f (N, K).P - N.W - K.I

Qual a quantidade de mão de obra que maximiza o lucro?
A primeira condição de maximização, a derivada do lucro em ordem ao número de trabalhadores, L'N, é zero, implica que:
     L'N = 0  ->   f 'N = W/P

A segunda condição de maximização, a segunda derivada do lucro em ordem ao número de trabalhadores, L''N =  f ''N  <0 permite concluir que, quando o salário real, W/P, aumenta, a empresa despede trabalhadores (e vice-versa).
     N'W < 0

Também se conclui que, aumentando a taxa de juro, o investimento diminui (e vice-versa).
     L'K = 0  ->   f 'K = I/P ->   K'I < 0

Será preciso ser um génio para perceber esta argumentação?
Como esta argumentação é simples e as pessoas que comentam são mais inteligentes do que eu então, tenho que concluir que essas pessoas não falam como economistas mas como defensores de ideologias políticas e com o fim de induzir os ouvintes no erro.

E o que dirá a evidencia empírica?
O máximo que poderiam dizer era que "a Teoria Económica está errada" mas isso era como ir a um médico e este dizer-nos que "coma carne intermeada e beba vinhaça à vontade, continue a fumar e a sua vida sedentária que a sua saúde vai melhorar porque a medicina está toda errada".
Se o meu médico de família me dissesse isto, eu mudava logo de médico.
Se alguém que se afirma economista diz que a Teoria Economia está toda errada ou vai ser brevemente prémio Nobel em Economia ou não percebe nada da poda.
A evidencia empírica indica que, na Alemanha, por cada 1% de diminuição dos custos do trabalho, a taxa de desemprego diminui 1 ponto percentual (Fig. 2). Em Portugal, os custos do trabalho têm aumentado e, por cada 1% de aumento, a taxa de desemprego aumenta 0.7 pontos percentuais (Fig. 3).

Fig. 2 - Na Alemanha, a descida dos custos do trabalho em 1% induziu uma redução de 1 ponto percentual na taxa de desemprego (dados: Eurostat e Banco Mundial, cálculos do autor)

Fig. 3 - Em Portugal, os custos do trabalho têm estado sempre a subir. A descida dos custos do trabalho em 1% induz uma redução de 0.7 pontos percentuais na taxa de desemprego (dados: Eurostat e Banco Mundial, cálculos do autor)

Penso que estamos conversados.
Não vale a pena apresentar aqui dados para mais países mas em todos se observa uma relação entre o aumento dos custos do trabalho e a taxa de desemprego.

Para reduzirmos o desemprego para 10%.
Como está em 20% (o valor de equilíbrio já será este), será preciso reduzir rapidamente os custos do trabalho em 15%.

Será que alguém quer que o desemprego diminua?
Tenho muitas dúvidas que os esquerdistas e PSDistas tipo Alberto João da Madeira, queiram que a taxa de desemprego diminua.
Querem é que o país rebente para depois aparecerem como os salvadores da pátria.
Se queremos que o desemprego diminua, é preciso diminuir os custos do trabalho.

Porque é que o nosso mercado de trabalho não é flexível?
Ser flexível não é ser haver despedimentos facilitados como pensa o meu ex-amigo.
Se eu tenho um empregado e preciso reduzir os custos do trabalho, não me vale a pena despedir trabalhadores pois, pelo Contrato Colectivo de Trabalho, o novo trabalhador que eu contratar, terá exactamente o mesmo salário que o anterior.
Ser flexível é eu poder reduzir o salário dos meus trabalhadores e haver flexibilidade no horário de trabalho.

Mesmo que o empregado queira, a Lei proíbe-o.
Vamos supor que eu vou aplicar despedimento colectivo aos meus trabalhadores e que estes, em alternativa, dizem querer ficar a ganhar menos 15%.
Isto é pproibido por Lei.
Podem-se despedir trabalhadores contra a sua vontade mas diminuir os salários abaixo do Contrato Colectivo de Trabalho é proibido.

Passos, como sou teu amigo, aqui vai a minha solução.
Tens que propor a suspensão parcial e temporária dos Contractos Colectivos de Trabalho.
Se é constitucional os despedimentos de trabalhadores com vinculo definitivo por mutuo acordo, é menos grave a redução temporária dos salários por mútuo acordo.
Primeiro, fazes uma campanha a dizer que tem que ser mas apenas por mútuo acordo e quando esteja em causa um despedimento colectivo.
Depois, falas com o Álvaro e apresentas uma proposta de Lei que permita que, de forma voluntária, os salários possam provisoriamente ser reduzidos até 15% abaixo do previsto como mínimo no Contrato Colectivo de Trabalho.
A duração da redução acordada será um ano, podendo o acordo ser renovado enquanto a taxa de desemprego for superir a 8%. 
Se, por a taxa de desemprego for menor que 8%, a redução não puder persistir, haverá uma reposição de 0.25% do salário por mês.

Vou terminar com Chipre.
Eu sempre defendi que a saída do euro não poderia passar pelo congelamento das contas bancárias porque isso introduz risco nos outros países que estão em dificuldade.
Provavelmente, Chipre vai sair do Euro, fazendo uma desvalorização forçada das poupanças depositadas nos bancos.
Cobrar um impostos sobre o património é aceitável mas sobre os depósitos parece-me injusto pois não atende à riqueza líquida das dívidas das pessoas.

É o caminho que o Seguro nos tem apontado.
O que se está a passar em Chipre é o que nos aconteceria se lá tivesse continuado  o Sócrates e é o que nos vai acontecer se tivermos o Seguro a desgovernarnos.
Gastar mais dizendo que com isso, ficamos a dever menos. Parece de loucos mas há muito povo que quer acreditar nisto.
É como o Chaves que acreditava que num país do terceiro mundo, Cuba, ia encontrar a imortalidade. Morreu.
Mas não é só o Seguro e de mais esquerdistas. Também o Alberto João e muitos outros do PSD e CDS (como o Bagão Felix) prometem mundos e fundos pensando safarem-se com as mordomias que têm acumuladas. Estão centenas do PS, PSD e CDS ao cruzar da esquina a ver se tomam conta do Poder, custe-nos o custo que custar, nem que seja a bancarrota.

Fig. 4 - Custa, mas depois até sabe bem.

Fui caminhar e voltei com a proposta de lei (20h07).

Lei n.º XXX/2013
Dado que o desemprego é o maior flagelo que vive a sociedade portuguesa, é necessário utilizar medidas de emergência no combate a esta calamidade.

Art. 1-º - Aplicabilidade da Lei.
1 - A assinatura de acordos baseados nesta lei apenas é possível A) se a taxa de desemprego apurada pelo INE referente ao trimestre anterior for superior a 8%; B) o contrato de trabalho for a termo incerto ou a termo certo com vínculo reforçado.
2 - O contrato a termo certo com vínculo reforçado, é inicialmente de 30 dias e, se não for denunciado pela entidade patronal, o seu termo avança 1,5 dias por cada dia trabalhado, com um máximo de 24 meses. Por exemplo, se o trabalhador já cumpriu 6 meses de trabalho então,  o contrato tem o seu termo a 4 meses de distância.

Art. 2-º - Limitações à liberdade contractual.
1 - O salário pode ser reduzido até 15% relativamente ao previsto no Contrato Colectivo de Trabalho aplicável.
2 - O acordo tem a duração de 1 ano, renovável sempre que exista vontade das partes e se verifiquem as condições previstas no par. 1.º do art.º 1.º desta Lei
3 - Uma vez denunciado o acordo de redução de salário e não havendo acordo para o período de transição para o salario anteriormente auferido, a entidade patronal é obrigada a aumentar o salário 0,25% do salário inicial a cada mês.

Art. 3-º - Salário acordado inferior ao SMN.
1 - O salário acordado pode ser inferior ao SMN mas tem que ser pelo menos igual ao IAS.
2 - Se o salário acordado for inferior ao SMN, o trabalhador terá um crédito de 44,5%  da diferença que abaterá na TSU do trabalhador.
Pedro Cosme Costa Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code