quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Até onde cairá a taxa de juro?

Isso é totalmente imprevisível.
A taxa de juro da dívida pública portuguesa está a bater em baixo recordes históricos.
No período 2006-2009, a 10 anos tínhamos uma taxa de juro média de 4,4%/ano. Hoje a mesma taxa de juro está a esbarrar nos 2,0%/ano.

Lembram-se dos 74 esquerdistas caloteiros?
Que diziam há apenas uns meses de que tínhamos que bancarrotar porque a nossa dívida pública seria insustentável com a então taxas de juro maior do que 3,0%/ano?
Que será que dizem agora?

Vamos a umas contas.
Temos uma dívida pública de 130% do PIB, o que parece muito.
Supondo uma taxa de crescimento do PIB de 1,2%/ano, uma taxa de inflação média de 1,9%/ano, uma taxa de juro de 2,0%/ano.
Com um superávite primário de 1% do PIB, atingimos uma dívida de 60% do PIB em 2050.
Para cumprirmos o acordado com os nossos parceiros europeus (redução de 2% do PIB da dívida pública por ano), só temos que pôr de lado 1% do PIB e não os 6% ou 7% que os esquerdistas anunciavam (que é o orçamento da Saúde).

E se a taxa de juro descer?
Se a taxa de juro descer para 1%/ano, nas mesmas condições, já não precisamos de superávite.
Basta o défice público privado ser equilibrado para que em 2050 já tenhamos pago 70% da nossa dívida pública.

Fig. 1 - Evolução da taxa de juro da dívida pública portuguesa (dados: Investing, "previsão" do autor)


E o acordo da Grécia?
É só fumaça mas, com a redução das taxas de juro (sem risco), é possível que a Grécia "pague" a sua dívida de 180% do PIB de forma muito mais suave que o previsto há 4 anos atrás.
Se com taxas de juro de 4%/ano era preciso que a Grécia apontasse para um superávite primário na ordem dos 4% do PIB (para reduzir por ano à dívida 3% do PIB), com taxas de juro de 2,0%/ano, já só é preciso um superávite primário de 1,5% do PIB.

Mas o Salário Mínimo!
Em teoria até pode haver lá ideias boas, o chavão do combate à evasão fiscal e outras conversas, mas não tenho esperança de que isso funcione.
Mas passar o SMN grego dos 580€/mês, já muito maior que o nosso, para 751€/mês, vai destruir toda e qualquer boa ideia.

Fig. 2 - Podem ser boas mas não tenho esperança de que funcionem.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Livre para ser infeliz

Aqui vai algo que parece nada ter a ver com a economia.
O PS, um amigo, pensando que o texto do Padre Anselmo Borges ("Solidão e ética do cuidado", JN, 21 Fev 2015) lhe era dirigido, pediu-me um comentário.

A Sociedade do Descartável
Em termos estéticos, Borges começa com uma citação que tem extensão exagerada (25% do texto) mais porque apenas quer transmitir a ideia de que, além da Sociedade de Consumo em que as pessoas são felizes se tiverem mais coisas (combatida ferozmente no discurso oficial da Igreja), começa a aparecer a Sociedade do Descartável em que as pessoas são felizes por descartarem as coisas que compraram recentemente e que ainda se mantêm como novas.
Não é um pensamento nada de novo já estando mesmo contido no conceito de "amor platónico": antecipamos que a nossa felicidade vem de possuir algo mas, mal nos apropriamos desse algo, deixamos de lhe dar valor. O valor da coisa perde-se não pela mudança do objecto (do bem, que se mantém tal e qual) mas sim do sujeito (de nós, que ficamos saturados).
Confúcio condensa esta ideia na afirmação de que A nossa felicidade não vem de aquirirmos o que não temos ou de recuperarmos o que já tivemos mas sim de darmos valor ao que temos. 
Eu (e esse amigo) sou um contra-exemplo dessa sociedade do descartável porque uso roupa que comprei há já 25 anos e mesmo outra que me deram (por os donos se terem cansado dela).
Mas Borges tem um pequeno erro de leitura do conceito pois condensa a sociedade do descartável como "a sociedade que quer o permanentemente novo, atirando o velho para fora" quando, nessa sociedade, o deitado fora continua totalmente novo, indistinto do que vai ser comprado para o substituir. 

O descartar das relações e a solidão da rejeição.
Borges, afinal, não quer falar das coisas mas da solidão dos "velhos" (por isso é que usa, erradamente, "o velho" para justificar o descartar). No entanto, a comparação que faz entre os bens e as relações é bastante forçada para não dizer mesmo, errada.

O erro na comparação entre bens e relações é que, por um lado, os bens existem (e podemos comprá-los) enquanto que, por outro lado, as relações se criam e são uma partilha entre pessoa, nós e o outro (ou outros). Assim, não são comparáveis. 
Podemos mandar os bens para o lixo mas nunca as relações pois, uma vez criadas, vão perdurar para todo o sempre nas outras pessoas onde continuaremos presentes em pensamento. Quantas vezes encontramos pessoas de quem não temos a mais pequena recordação mas que, tendo-se cruzado connosco no passado, se lembram de nós como se essa relação nunca tivesse terminado?

O paradoxo é que Borges afirma que o combate da solidão obriga à existência de "solidez de relações e de afectos." Mas se caminhamos para a Sociedade do Descartável, todas as pessoas ficarão mais felizes por as relações e afectos serem descartáveis. Nessa sociedade a solidão combater-se-á exactamente com  encontros de curta duração, as pessoas encontrarão solidariedade na Sociedade do Alterne (pois as pessoas nunca poderão ser descartadas). Será  nos transportes públicos, nos cafés, nos tempos de espera que as pessoas encontrarão as relações (que durarão apenas alguns minutos).
Afinal "velhos" é uma metáfora para aqueles que se mantêm na antiga Sociedade do Permanente e os "outros" é uma metáfora para aqueles que entraram na Sociedade do Descártavel.

A culpa. Prmeiro, Borges pensa que não devem ser os "velhos" a fazer um esforço para combater a sua solidão mas sim os "outros". Isto vem muito da moral cristã (o Messias veio à Terra para nos salvar) mas, porque as relações e os afectos se criam a partir do nada, não podemos pensar assim. Na Sociedade do Descartável em que os "velhos" se sentem perdidos (uma minoria de pessoas desadaptadas), cada "velho" pode combater a sua solidão criando relações e afectos com outros "velhos". Assim, não haverá qualquer necessidade de os "velhos" estarem à espera que os "outros" os salvem. A salvação está entre eles.

A ética. Depois, Borges pensa que os "outros" têm o dever moral de ajudar os "velhos" a vencer a solidão,  quem se tornou "outro" tem a obrigação ética de ajudar quem se quer manter "velho". Mas se o "velho" se quer manter na Sociedade do Permanente por opção própria, se quer ter essa liberdade, então, tem que assumir as suas consequências. 

A maldição. Borges anuncia que aquele que hoje é um "outro", descartando relações e afectos, no futuro será um "velho", vivendo na solidão.
Mas isso obrigaria a imaginar que o que já é "outro", que já vive na Sociedade do Descartável (ou do Alterne), vai querer regredir para a Sociedade do Permanente, procurando exactamente nas relações que descartou (e não noutras quaisquer) a sua companhia. 
E porquê nas relações que descartou e não noutras novas? O que têm de especial as pessoas que conheceu no passado (ou hoje) relativamente às que vai conhecer no futuro?


Isto é um discurso contra a mudança.
A sociedade está em constante mudança, é um constante devir, o que faz com que as gerações mais velhas estejam em constante choque com as gerações mais novas.
Isto é algo que dura há centenas de milhar de anos e que continuará enquanto houver Humanidade.
E Borges já é a geração anterior.
E eu já sou a geração anterior.
Mas a sociedade nunca volta para trás, o progresso é um caminho sem retorno, nunca o que já é "outro" vai querer voltar a ser "velho." 

A Liberdade.
A nossa sociedade evolui no sentido da Sociedade Livre, em que cada um sabe o que é melhor para si e em que apenas as acções declaradamente prejudiciais aos outros (à sociedade) é que são limitadas pela Lei.
Claro que ainda vamos no início do caminho, onde muitas Leis e muitas imposições éticas condicionam o nosso comportamento (e nós o do outro), mas isso vai acabando.
Vemos aproximar o fim da Ética (que não é mais do que a tentativa de uns para condicionar o comportamento dos outros de acordo com as suas convicções de bem e de mal, ideia de Nietzsche), onde cada um é que sabe o que é o bem e o mal (para si) e a Lei trata de lhe lembrar o que é o Mal para os outros.
É a liberdade económica, o famigerado neoliberalismo, de fazermos o que bem nos apetece, trabalhando muito e tendo muitos bens ou não trabalhando e tendo uma vida espartana, despidos dos confortos modernos.
Teremos a liberdade de viver na solidão, na infelicidade ou mesmo de deixar de viver. 
Mas para vivermos de forma livre, sem constrangimentos, teremos que assumir todas as consequências das nossas opções de vida.
Como diz o povo "Quem não trabuca, não manduca."

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Com ou sem acordo, a Grécia não tem futuro risonho

Parece que chegaram a um acordo qualquer.
Mas o problema da Grécia de pouco crescimento económico não resulta do endividamento público e externo e que se possa resolver com um acordo qualquer porque já dura há 40 anos.
Exactamente, se olharmos para a evolução do PIB per capita grego, medida que quantifica o nível de vida dos países, desde 1973 até 2014, a taxa de crescimento grego foi de apenas 0,70%/ano, tendo o crescimento de 3,50%/ano de 1995-2007 sido um bolha de crédito (não sustentado) pois, havendo necessidade de corrigir em 2009-2013, esse crescimento desapareceu totalmente (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - PIBpc grego onde se vê que, retirando a bolha de crédito (a amarelo), desde 1973 o crescimento é de apenas 0,7%/ano (dados: Banco Mundial)

E como nos comportamos?
Em 1973-1975 Portugal tremeu um bocadinho mas recuperou. O nosso problema foi, uma vez na Zona Euro, os governos socialistas terem-se esquecido que uma política de rendimentos e preços generosa levaria ao desemprego e ao endividamento externo. Assim, foram induzidos aumentos nos salários que levaram ao aumento dos preços o que tornou os nossos bens menos competitivos. Por outro lado, a politica de "Estado Social" levaram ao desequilíbrio das contas públicas.

Fig. 2 - PIBpc português onde se vê que, desde 1960 até à entrada no Euro, o crescimento foi robusto, de 3,9%/ano (dados: Banco Mundial)

Comparando Portugal com a Grécia.
Para a comparação ficar mais visíveis vou meter as duas séries num só gráfico.
Vemos que, em 1973, o PIB per capita da Grécia era 50% superior ao nosso e, quando entramos na Zona Euro, já estávamos taco a taco (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - PIBpc grego (laranja) e português (verde) onde se vê que, desde 1973, temos crescido bastante mais do que a Grécia excepto na bolha de crédito grega de 1995-2007 (dados: Banco Mundial)

A nossa economia tem tido bom desempenho.
Nós temos a mania de dizer que somos uns desgraçadinhos quando, de facto, não o somos.
Temos uma taxa de crescimento do PIB per capital mais forte que o grego e mesmo maior que o alemão.

Este acordo tem um grande risco para a Zona Euro.
É que o sentimento contra o Euro pode crescer na Alemanha a ponto de começar a ser posta a hipótese da Alemanha sair do Euro.

E há o facto Ucrânia. 
A Alemanha tem uma muito forte ligação á Polónia e a Polónia à Ucrânia.
Depois da WWII, 13 milhões de alemães tiveram que sair do território que é hoje a Polónia pelo que muitos alemães ainda veem a Polónia como a sua terra natal.
A Polónia, durante mais de 200 anos, formou uma união com a Ucrânia a Lituânia (entre 1569 e 1795).
Vamos supor que a Grécia passa a alinhar pelo lado russo na guerra Rússia-Ucrânia bloqueando a Alemanha na sua política externa.
Vai ser um problema.

Há quem diga que a queda do PIB na Grécia.
Nunca foi observada em nenhum país em tempos de paz.
Claro que isto é tudo mentira.
A Ucrânia teve, entre 1990 e 1997 um queda no PIB de 60%. Em média, a economia ucraniana caiu 12%/ano e estavam em Paz. 
E isto aconteceu em muitos mais países da Ex-URSS mesmo em paz.
Hoje a Ucrânia tem um PIB per capita que é menos de 1/3 do PIB per capita grego (e nosso) e a Moldávia é menos de 1/6.

Fig. 4 - a Grécia tem um PIB pc de 81% da média europeia e 1 em cada 3 europeus vive em países com um PIBpc menor (dados: Banco Mundial).

Vamos ver no que dá mas, além de estar triste por a Grécia não ter rebentado já,  não estou nada optimista como o que resultará disto.

Pedro Cosme Vieira

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Os afogados, a Líbia e os judeus

Os afogados no mediterrâneo.
Quase todos os dias ouvimos notícias de que morrem pessoas afogadas no Mediterrâneo. As estatísticas dizem que são cerca de 8 pessoas por dia e que, provavelmente, ainda mais morrem na viagem até ao barco. Para efeitos de comparação vou supor que morrem 4x este número perdidos ou assassinados no meio do deserto do Saara.
Morrem então 40 pessoas por dia a tentar chegar à Europa.
Como chegam à Europa cerca de 800 imigrantes clandestinos por dia então, quando uma pessoa sai de sua casa para tentar chegar à Europa, uma pessoa em cada 20 vai morrer pelo caminho.

Agora vamos à Guiné-Bissau.
É um país que nos é querido e de que raramente ouvimos notícias.
Neste minúsculo país com 1,65 milhões de habitantes, todos os dias morrem 22 crianças com menos de 5 anos de idade (e escapam 150).

Em Moçambique morrem 260 crianças/dia com menos de 5 anos de idade (e escapam 2500)
Em Angola morrem 450 crianças/dia com menos de 5 anos de idade (e escapam 2100)

Onde param os esquerdistas?
Só nestas 3 nossas ex-colónias morrem 730 crianças/dia, 9 vezes mais do que morrem a tentar chegar à Europa e não há a mais pequena notícia sobre isto.
Porque morrem longe da vista, já não interessa ao debate político.

Afinal, o risco da viagem é relativamente pequeno.
Por cada jovem que morre afogado a tentar uma vida melhor, morreram 4 irmãos de fome, doença e miséria.

O porquê dessa migração.
Por incrível que pareça, é nos países mais pobres, onde não há hospitais, onde as pessoas passam fome, onde há guerras destruidoras, que o saldo populacional é positivo (a diferença entre mortes e nascimentos).
O número de crianças que nascem (e chegam aos 5 anos de idade) diminui em 1% quando o nível de vida aumenta 3% (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - Relação negativa entre o nível de vida (PIBpc ppc) e o número de filhos vivos (dados: WB). As pessoas migram dos países pobres com muitos nascimentos (zona a verde) para os países ricos e com poucos nascimentos (zona rosa). 

Fig. 2 - Em 15 países pobres (<5% do nível de vida da média dos 15% países mais ricos) o saldo populacional é positivo de 10,2 milhões de pessoas / ano e morrem 1,5 milhões de crianças / ano.
Números em milhares

O Egipto e a Líbia.
O Egipto tem 1,00 e a Líbia tem 1,76 (e nós temos 0,09) milhões de Km2.
Então, olhando para o mapa, a Líbia é quase o dobre do Egipto.
Mas o tamanho não conta. O que conta é que o Egipto tem 82 milhões de habitantes e todos os anos aumenta em quase 900 mil pessoas e a Líbia tem 6,2 milhões de habitantes.
Por cada líbio existem 13 egípcios e sempre a aumentar.
Então, o Egipto vai usar este pé dos 21 degolados para transformar a Líbia num "protectorado."
Será o retomar do modelo da Guerra Fria em que a Europa e os USA vão sub-contratar a guerra contra os radicais islâmicos a alguns países aliados.
Não é por acaso que a França decidir vender ao Egipto aviões de caça e ataque ao solo e a "crédito".
Vai ser um tal retalhar carne.

Fig. 3 - O Egipto vai ocupar militarmente a região oriental (a riscado) onde se encontram os campos petrolíferos e a zona ocidental (Tripoli) ficará sujeita a bombardeamentos punitivos (como a Faixa de Gaza).

O fim do judaísmo.
Até ao Séc. XIX, havia na Europa muitas minorias perdidas no meio dos impérios. As minorias foram sempre perseguidas e escravizadas.
A maioria das minorias acabaram por ter direito a um Estado ou por desaparecer por assimilação.
Por exemplo, os Arménios tiveram um Estado entre 1918 (saíram do Império Otomano) e 1920 (entraram no Império Soviético) e têm um país independente apenas desde 1991.
Os judeus, sendo uma minoria europeia, foram sempre perseguidos mas nunca se deixaram assimilar.
Agora existe um estado judaico, Israel, e continuando a perseguição na Europa, naturalmente, os governantes de Israel pedem aos judeus para que vão viver para lá.

Por que acho que o judaísmo vai acabar.
Porque já existem muito poucos e são muito perseguidos.
Em 1490, cerca de 10% da população portuguesa era de religião judaica, hoje é de 0,01%.
Em 1900, 2,2% da população europeia era de religião judaica e hoje é de 0,2%.
No mundo todo actualmente existem 14 milhões de judeus, 0,2% da população mundial (ver), muito falados na comunicação social, mas que comparam com os 20 milhões de amharas de quem nunca ninguém ouviu falar. A mulher do Moisés muito provavelmente era amhara e este povo terá sido na antiguidade, judaica (agora são cristão coptas).
Para manter a proporção de judeus que havia em 1900, seria preciso que houvesse um número próximo dos 60 milhões o que, mesmo assim, seria pouco se compararmos com o vizinho Egipto que tem 82 milhões.

A população judaica está a diminuir em termos absolutos.
Em Israel há mais nascimentos que mortes mas na Europa e nos USA não, nascem muito menos judeus do que morrem. Nos USA a população judaica está a diminuir rapidamente por causa dos casamentos mistos.

Daqui a 100 anos.
Nós já cá não estaremos e o judaismo também estará reduzido a quase nada.
A única hipótese é, daqui a uns anitos, Israel passar a considerar como judeus os cristão coptas (que são 15 milhões) e etíopes (que são 50 milhões) pois são judeus  de origem (cristianizaram-se  no Séc. I, ver). 
São pessoas extremamente pobres que vão aceitar "retornar" ao judaismo.
São um bocadinho mais morena mas, originalmente, os judeus eram assim (como os nossos ciganos) mas que branquearam no Norte da Europa (como os ciganos romenos). 

A Grécia está para rebentar.
É hoje mas estou com muita esperança que aquilo rebente de vez.
Estou eu a rezar e o Passos Coelho.
É melhor cortar já o mal pela raiz do que deixar a coisa arrastar-se, tipo António Costa, com uns sorrisinhos.
Se todos os anos morrem milhões de crianças de fome e de miséria um pouco por esse mundo fora e ninguém se importa, os esquerdistas que berrem à vontade que a Grécia é um desastre humanitário que eu não em vou preocupar nem um bocadinho.

Este fim de semana até dei um frango.
Costumo falar com as ciganas, outra minoria europeia que não tem país, que estão a pedir no parque de estacionamento do supermercado onde faço as compras.
Raparigas novas, totalmente analfabetas, nem os números conseguem ler que vieram da Roménia, da Bulgária e da Moldava onde, dizem, a miséria é mil vezes pior que aqui.
Este fim de semana estive a falar com uma delas que me disse que, se estivesse na Roménia, agora teria 1 metro de neve à porta da barraca e nada para comer. Pediu-me um frango cru para "dar logo de comer às crianças" (tem 2 filhas de um moldavo que desapareceu), foram 2,10€.
Se com 2,10€ posso fazer a diferença, não vou dar milhares de milhões aos gregos só porque querem ser ricos como os alemães.
Que aguentem como puderem pois a ciganada aguenta viver numa tenda feita de papelões e sacos do lixo, sem água, electricidade nem saneamento e também é gente.
O mais interessante é que parecem pessoas alegres.

Disse-me uma delas.
Eu não posso ir à escola porque tenho vergonha de ir com esta roupa.

Fig. 4 - Quem é que não teria vergonha de ir assim vestida para a escola?

Pedro Cosme Vieira

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A escusa fiscal usando paraisos fiscais

Na última semana surgiu o Swiss Leak.
Uma pessoa qualquer publicou uma lista qualquer de contas num banco qualquer que seriam usadas para fugir ao fisco.
Vamos ver se consigo explicar como funcionam esses paraísos fiscais e de como isso não tem mal nenhum.

A residência do titular do rendimento.
O imposto sobre o rendimento, seja IRS ou IRC, é devido pela pessoa/empresa no país onde tem residência fiscal e sobre todo o seu rendimento, independentemente do local de origem.
Vamos imaginar que ia passar umas férias à Espanha e que fazia um vídeo qualquer. E que depois, fazia o seu upload para o Youtube em meu nome e esse vídeo gerava 1 milhão € na China. Como eu tenho residência fiscal em Portugal, as nossas finanças iriam tributar-me em sede de IRS em 48%.
Reparem que o vídeo foi filmado em Espanha e o rendimento seria gerado na China. Se eu morasse no Mónaco, pagava IRS no Mónaco mas como sou residente em Portugal, teria que o pagar aqui.

A tributação na China.
Teria que ser um imposto indirecto, IVA, Imposto de Selo ou uma taxa ou taxinha qualquer mas não IRS nem IRC.

Não ouço os esquerdistas.
Portugal oferece isenção de IRS aos reformados que recebam a reforma noutros países e que a venham gastar para cá. Isto é uma forma de ajudar os velhotes ingleses, franceses, alemães a fugir ao fisco de forma muito mais agressiva do que faz a Suíça ou o Luxemburgo e não ouço os esquerdistas a gritar que isto é um crime fiscal, que estamos a ajudar ao branqueamento de capitais. A razão é que somos beneficiados com as transferências das pensões e os prejudicados são as finanças dos outros países.
É Deus para nós e o Diabo para os outros.
Por causa disto é que existem os paraísos fiscais e a generalidade dos países ajudam as pessoas dos outros países a fugir ao fisco.

Se eu criasse uma empresa
nas Ilhas Caimão, a Foge ao Fisco SA (da qual eu era o único titular) e vendia os direitos comerciais do vídeo a essa empresa por 1€. Neste caso, seria ela a ser a titular do rendimento gerado na China e pagaria IRC às finanças das Ilhas Caimão (0% de IRC) e não às nossas finanças (os tais 48% de IRS).
Isto é totalmente legal e totalmente lógico, se a empresa é uma entidade per si e se tem sede fiscal num país qualquer, é nesse país que vai pagar IRC.
Se Portugal não quisesse que fosse assim, alterava a lei mas, neste caso, a AutoEuropa não pagaria IRC em Portugal porque os seus donos são residentes na Alemanha.
O problema é que não poderia trazer o dinheiro para Portugal a menos que fosse por empréstimo (não pagaria imposto), doação (pagaria 10% de imposto sucessório e de doações) ou dividendos (pagaria 26,5% de IRS mas se eu fosse uma SGPS não pagaria nada).

Os Estados são monopolistas.
Se as pessoas não tivessem como fugir ao fisco, o Estado passaria a ser monopolista na cobrança de impostos o que faria com que a taxa de imposto aumentasse.
Podemos dizer que o Estado se preocupa com o bem-estar do contribuinte mas a evidência empírica diz que o Estado vai assumindo cada vez mais encargos (com o Estado Social) e, para lhes dar cumprimento, aumenta os impostos até as pessoas não poderem mais.
Por exemplo, na Grécia o primeiro anúncio dos esquerdistas foi contratar mais funcionários públicos, aumentar os seus salários, electricidade gratuita, etc. etc. que traduz despesa pública e "cobrar impostos aos ricos".
O anúncio esquerdista é sempre "cobrar impostos ao grande capital, aos especulares sanguinários e aos ricos" mas acaba em cima de toda a gente porque esse grande capital não existe.

Por exemplo
Nos países nórdicos, nos anos a seguir à Segunda Guerra Mundial aumentaram os impostos "provisoriamente" porque era preciso fazer face à destruição causada pela guerra. O problema é que o "provisoriamente" só acabou passados 50 anos e porque as pessoas começaram a fugir ao fisco.
Se ninguém fugisse, o IRS, o IRC e o IVA iam todos para 80%.

Qual seria o mal de eu fugir com os rendimentos do meu vídeo?
Não haveria mal nenhum e por isso é que os países o permitem.
É que o vídeo iria buscar rendimento à China que de outra forma não viria para cá.
Então, o Governo, periodicamente, dá um perdão fiscal para que as pessoas possam trazer esses rendimentos para cá. Isso já aconteceu com todos os governos fossem do PS, do PSD, do CDS e mesmo do PCP. Já ninguém se lembra mas em 1974/75 quando o PCP estava no Governo, não existia qualquer limitação nem tributação à transferência de dinheiro do exterior para Portugal.
Todos os países procuram captar a repatriamento de capitais sejam os USA, a Inglaterra, a França ou mesmo Cuba.

No que eu trabalhei com uma moça jeitosa.
Podem pensar que foi um treino para fazer criancinhas.
Interessante que fui ver umas estatísticas sobre crianças.
Em 1960 Angola tinha 5,0 milhões e Portugal 8,9 milhões de habitantes.
Agora, por cada 1000 crianças que nascem, em Angola 170 morrem e em Portugal 4 antes de atingirem os 5 anos de idade. Então deveríamos pensar que em Portugal há mais crianças mas não.
Em Angola nascem 960 mil e em Portugal 80 mil por ano crianças  (e em Moçambique mais de 1 milhão por ano).
Dizem que nascem poucas crianças? Juntando apenas Angola e Moçambique nascem 2 milhões de crianças por ano das quais 240 mil morrem antes dos 5 anos de idade.
Morrem muitas crianças mas o importante é quantas escapam de forma que em 1960 estes 2 países que formavam o "nosso império colonial" tinham 12,6 milhões de habitantes (e nós 8,9) e hoje têm 50 milhões (e nós 10,5) e sempre a somar. 

Fig. 1 - Evolução do número de crianças que nascem menso as que morrem antes dos 5 anos de idade, em cada ano (dados, WB)

Foi sobre Investimento Directo Estrangeiro.
Os países menos desenvolvidos têm desvantagens que se traduzem no aumento do custo de produção dos bens. Por exemplo, em Moçambique fica mais caro produzir algodão do que nos USA.
Como o IDE transfere para os países mais atrasados competências, capital e abertura a mercado com poder de compra, os países competem por esse investimento. Como os tratados internacionais não permitem a atribuição de subsídios directos, os países dão incentivos fiscais que, porque têm que ser aplicados a todas as empresas, têm um impacto negativo na receita fiscal. Portugal deu e dá incentivos fiscais (e no preço da electricidade) às fábricas de automóveis e de material electrónico que hoje são a nossa principal exportação.

Fig. 2 - Vamos então trabalhar nisso do IDE

Os preços de transferência.
Se queremos ajudar uma empresa e não podemos dar-lhe subsídios nem reduzir mais o IRC, a solução é permitir que a empresa "importe" das suas sucursais (localizadas em paraísos fiscais", compram bens e serviços a um preço mais elevado que o normalmente cobrado em concorrência).
Por exemplo, se quezessemos atrair a Mercedes para cá, podíamos permitir que a suxursal daqui paguasse  pelo uso da marca 25% do preço de exportação do automóvel (que pertenceria a uma hipotética Mercedes Caimão SA).

Será que isso causaria prejuízo à Alemanha?
Não porque os rendimentos seriam gerados aqui e não seriam gerados de outra forma (para a Alemanha) e robusteceria a empresa o que faria com que o número de empregos bem pagos na Alemanha aumentasse (pessoas a trabalhar no design e desenvolvimento dos mercedes).
além disso, mais cedo ou mais tarde, a hipotética Mercedes Caimão SA iria transferir esses lucros das Ilhas Caimão para a Alemanha.

Todos os países fazem o mesmo.
Todos os países deixam que as suas empresas usem paraísos fiscais para ganhar vantagem contra as empresas dos outros países mas anunciam que são contra isso.
Toda a gente faz isso mas são como o Frei Tomás, faz como ele diz e não como ele faz.

Só aquele deputado ou ministro inglês é que foi honesto.
Disse ele que só não foje ao fisco quando não pode.
O Cadilhe quando era ministro de qualquer coisa, fugiu à SISA, o Sócrates fugiu a uma comissão que recebeu de um negócio na Venezuela e toda a gente foge, só se não puder.

Foi mesmo isso.
O Sócrates negociou junto do Chaves um negócio de prejudicou os Venezuelanos em não sei quantos milhões e favoreceu uma empresa portuguesa também em não sei quantos milhões.Depois, recebeu uma comissão por isso (parece que de 30 milhões de dólares americanos).
Os venezuelanos não se queixaram e andamos nós a chatear o himenzinho.
Foi como a liberalidade de 20 milhões que o Salgado recebeu de um favorzito feito em Angola ou o Melancia os 50 mil contos que recebeu quando esteve em Macau

Será que amanhã a Grécia vai ser expulsa do Euro?
Não há necessidade disso.
O problema da Grécia não é financeiro, não é a dívida à Troika,  mas é económico, as pessoas querem gastar mais do que são capazes de produzir.
As políticas dos esquerdistas passam pelo aumento da despesa pública (sem terem como a pagar)  e pelo aumento dos salários (sem as empresas produzirem para isso). Então, independentemente da moeda que usarem, o Estado vai ter que deixar de pagar as suas contas e as empresas vão ter que despedir os trabalhadores menos produtivos.
E fica logo tudo resolvido, com o estado em bancarrota e elevadas taxas de desemrpego que vai para a economia informal.

MAs vão sair do Euro.
Porque os esquerdistas não vão querer descer os salários em termos nominais e, sem isso, o desemprego irá aumentar cada vez mais. Dizem que em 1991 na Ucrânia chegou aos 95%.
Os esquerdistas vão querer manter o salário minímo nos 751€/mês (melhor dizendo, nos 256 mil Drakmas por mês) e isso é impossível em euros. Mas saindo, o Drakma desvaloriza 50%, metem as culpas aos especuladores sanguinários e ao grande capital e os mesmo 256mil Drakmas ajustam para ficarem a vale 375€/mês.
O governo Grego é que vai pedir para sair do Euro pois é a única forma de não falar com a Troika e de manter as promessas eleitorais quanto ao Salário mínimo, aos salários e contratações dos funcionários públicos, ao amentos das pensões, electricidade grátitis, e tudo o mais .
Mas no fim, em vez de term o poder de compra dos 580€/mês actuais, ainda vão ficar com menos mas todos contentes porque bateram o pé à Alemanha.

Quanto é o salário de um funcionário público em Cuba?
7 USD, 6,15€/mês.
E lá, dizem os esquerdistas, é que existe o verdaeiro Estado Social.

As minhas eleições.
Já entreguei a candidatura e tive que apresentar o meu curriculum vitae onde escrevi, com orgulho:

5 - Bloguista
Sou fundador do blog Economicofinanceiro.blogspot.com onde escrevo regularmente sobre a realidade económica e financeira portuguesa tendo já acumulado quase 850mil visitas. O blog tem 401 fans do Facebook, 95 seguidores do NetworkedBlogs e 101 membros do Google Rede Social. 
Sou, sem dúvida, o bloggista mais lido de entre todos os economistas portugueses.

Obrigado a todos os meus leitores e seguidores.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A Economia é uma ciência e não uma democracia

Um povo não pode votar para ser rico.
Da mesma forma que uma pessoa eleita mesmo que por unanimidade com a promessa de que vai fazer o rio Nilo desaguar em Marrocos não pode cumprir o programa eleitoral também o grego que foi eleito prometendo que vai iniciar um caminho novo de crescimento económico não o pode fazer.
A Economia é uma ciência e não tarot e, como tal, não existem caminhos alternativos ao programa da Troika que levem ao crescimento e ao emprego.

Fig. 1 - O "outro caminho" é o caminho da lama e da miséria

Primeira verdade = > A Economia estuda a afectação dos recursos escassos.
No mundo existem recursos limitados (recursos naturais e capacidade de trabalho) que vão ser usados na produção de bens e serviços, havendo mais recursos naturais ou as pessoas trabalhando mais, haverá maior produção. Depois, os B&S pode ser consumida ou acumulada na forma de capital (a poupança).
O capital é tudo o que, com sacrifício, foi poupando e acumulado podendo ser máquinas e as ferramentas, melhoramentos nos recursos naturais ou escolaridade.
Ao longo do tempo a produção vai evoluir

Produção(t = 0) <= Função do {Capital(t = 0); Recursos Naturais (t = 0); Trabalho (t = 0)}
Produção (t = 0) => Consumo (t = 0) + Poupança(t = 0)

Capital (t = 1) <= Capital (t = 0) + Poupança(t = 0)
Produção(t = 1) <= Função do {Capital(t = 1); Recursos Naturais (t = 1); Trabalho (t = 1)}

Isto é fatal como o destino.
Como os recursos naturais não se multiplicam e as pessoas não querem trabalhar mais, para haver crescimento económico, i.e., para que a Produção(t = 1) seja maior que Produção(t = 0), o capital tem que aumentar de período para período o que implica que tem que haver poupança.
São tudo decisões difíceis pois poupar prejudica o consumo actual e "no futuro estamos todos mortos" e trabalhar custa muito.

Segunda verdade => As vontades das pessoas encontram-se no mercado.
Ouvem muito falar do "mercado" mas provavelmente nunca ninguém vos explicou o que isso é. De facto não passa do local onde se encontram das vontades das pessoas.
Se eu quero trabalhar e existe um empresário que quer contratar um trabalhador, o mercado é,
  =>do lado da oferta, a entrevista em que eu me apresento, digo as minhas competências e o salário que pretendo e,
  => do lado da procura, o empresário que apresenta a empresa, as necessidades do posto de trabalho e o salário que pretende pagar.
A variável em discussão no mercado vai ser o preço (o salário de equilíbrio) e a quantidade (haver ou não contratação).
Por exemplo, para o tipo de trabalho que vou fazer, peço 5000€/mês e o empresário, para as minhas competências, oferece-me 600€/mês. Vamos discutindo longamente e chegamos a "equilíbrio" nos 850€/mês. Este preço é bom para mim e bom para o empresário pois, caso contrário, o mercado equilibrava pela quantidade: se fosse mau para mim eu não aceitava o emprego (continuava a escrever no blog) e, se fosse mau para o empresário, não me contratava (deixava o lugar por preencher).

A concorrência.
Como no mundo não existo apenas eu nem apenas esse empresário, para mim até poderia bom um salário de 700€/mês mas não o aceito porque tenho a convicção de que indo a mais entrevistas consigo arranjar uma proposta de 850€/mês. O empresário não me paga 1000€/mês porque tem a convicção de que entrevistando mais pessoa, consegue um trabalhador por 850€/mês. Então, os 850€/mês é o preço de mercado concorrencial e serve de medida para todos os "mercados bilaterais".

E se houver um preço mínimo obrigatório?
Vamos supor que tinha havido eleições nas quais o candidato vitorioso tinha prometido que o Salário Mínimo iria aumentar para 1000€/mês.
Na minha entrevista, o empresário saberia que não conseguia contratar ninguém por 850€/mês mas, mesmo assim, só me pagaria esse salário se eu, em previsão, conseguisse produzir mais do que 1000€/mês.
Se assim não fosse, eu ficaria desempregado.

Então para que serve o Salário Mínimo?
Serve apenas para, quando há muitos trabalhadores (concorrência na oferta) e apenas um ou dois empresários (monopólio na procura), o empresário não esmagar o trabalhador que vai à entrevista.
Mas todas sabemos que existem muitos empregadores, milhares e milhares, pelo que o problema do monopólio do lado da procura não existe. Então, a existência de salário mínimo apenas tem objectivos eleitorais junto de eleitores que são ignorantes em Economia mas com o custo social de causar a exclusão do mercado de trabalho das pessoas menos produtivas como sejam os jovens, as mulheres e as pessoas de baixa escolaridade e competências.

O Salário Mínimo causa exclusão.
Se quem ganha 400€/mês é pobre, o que será uma pessoa que não consegue arranjar trabalho porque tem pouca escolaridade e competências?
Vai ser criado um protestante manipulável pelas elites que se dizem da esquerda para obrigar o governo a manter os seus privilégios. Reparem que todas as pessoas que aparecem na TV a dizer que "em Portugal existe muita desigualdade" têm rendimentos bem acima da média.

Vamos agora à Grécia ver o que fizeram nos últimos 4 anos de Troika.
Em 2012 a taxa de desemprego grego já estava nos 20% quando o governo grego aceitou a descida do salário mínimo para os 580€/mês (quando a Troika queria que descesse para 450€/mês).
A questão do salário mínimo é uma questão científica e não uma decisão política pois, caso o fosse, todos os governos subiriam o SMN para pelo menos 500000€/mês.
Em termos técnicos, se o SMN ultrapassar os 35% do PIB per capita começa a excluir do mercado do trabalho muitas pessoas.

O que fizeram os gregos?
Na Grécia, até à 2007 o SMN esteve nesse valor aceitável mas no período pós crise do sub-prime aumentou significativamente (por causa do aumento nominal e da diminuição do PIB pc) até atingir em 2011 56% do PIBpc. O ajustamento obrigou a que em 2012 o SMN descesse de 751€/mês para 580€/mês, desceu de 56% do PIBpc para 45% (ver, Fig. 2). Claro que deveria descer para 451€/mês mas já foi qualquer coisa.
Contas: o PIBpc grego é de 18222€/ano (WB, 2013), multiplicando por 35% e dividindo por 14 meses, dá 451€.

Fig. 2 - O SMN grego desceu 20 pontos 

A descida do SMN grego foi acompanhada por uma descida do salário médio de 20% (ver, Fig. 3). 

Fig. 3 - Os custos do trabalho grego desceram 20% 

A descida dos custos do trabalho parou o crescimento do desemprego e inverteu a tendência (ver, Fig. 4).

Fig. 4 - Em meados de 2013 o desemprego começou a diminuir.

E qual deveria ser o salário mínimo português?
Deveria ser igualmente de 450€/mês pois actualmente temos o mesmo PIB pc grego. Em termos económicos o aumento do SMN para 505€/mês foi um erro (o SMN passou a ser de 39% do PIBpc) mas, em termos políticos, teve que ser.
O SMS grego acabou de ser aumentado por decreto para 751€/mês (58% do PIBpc) o que vai ser uma tragédia no mercado de trabalho pois o ajustamento será feito pela quantidade (o desemprego vai recomeçar a crescer).

Mas o desemprego é problema deles, o nosso é a Balança Corrente.
Até podem ter taxas de desemprego de 99% porque isso é problema deles. Por isso, subirem o SMN para 751€/mês ou para 3000€/mês não nos afecta em nada, apenas afecta a eles.
O nosso problema (o problema dos não residentes na Grécia) traduz-se pelo défice na Balança Corrente que contabiliza todas as transacções económicas de um país com o exterior.
Se um país tiver a Balança Corrente deficitária terá obrigatoriamente que se endividar no exterior. Como o risco de bancarrota do estado grego é muito elevado, nenhum particular empresta dinheiro à Grécia pelo que, não sendo o financiamento da Troika, a balança corrente ajusta pela taxa de juro: o preço do crédito torna-se tão elevado que se torna impossível aos agentes económicos gregos endividarem-se face ao exterior.

Fig. 5 - As contas gregas com o exterior equilibraram-se

Agora, não é preciso a Sr.a Merkel fazer nada.
Concerteza que os gregos nunca pagarão nada do que devem mas não se vão endividar mais.
Há já vários anos que ninguém empresta um cêntimo à Grécia nem aos bancos gregos que não a Trioka pelo que não podem importar mais do que exportarem (mais o turismo e transferência).
Se o Holland, Putin, Obama ou outro qualquer quiser dar dinheiro aos esquerdistas gregos, eles podem gastar. Senão, vão ter que continuar o caminho actual de austeridade.

Como vai ser o mecanismo futuro.
Até ao dia 25 de Janeiro, quando o Governo tinha défice não previsto no Programa de Ajustamento pedia à Troika autorização para emitir dívida pública. Os bancos compravam essa dívida (i.e., emprestavam o dinheiro ao Estado a 3,5%/ano) porque sabiam que no dia seguinte podiam utilizar esses papeis de dívida pública para obter financiamento junto do BCE (a 0,25%/ano).
Agora, o BCE disse que não aceita mais esses papeis de divida pública grega como garantia de empréstimos. Quer isto dizer que o BCE acredita que o Estado Grego vai entrar em bancarrota total e, por isso, dá valor zero a esses papeis.

O que vai acontecer.
Lembram-se do "espaço bancário único" que os esquerdistas defenderam? Pois vai ser usado para apertar os gregos.
O balanço dos bancos gregos vai ser recalculado considerando que a dívida pública grega vale zero.
Depois, banco a banco, se o balanço continuar positivo, o Banco Central Grego, BCG, pode emprestar dinheiro para permitir que os depositantes transfiram os seus saldos para onde quiserem (naturalmente, para fora da Grécia). Se der negativo, o BCG tem que "resolver" o banco criando o Banco Bom (com as dividas aos BCE, os depósitos até 100mil€ e activos bons que garantam esses depósitos) e o Banco Mau com o resto (como fizeram com o BES). Depois, mediante a entrega dos activos bons, o BCG pode emprestar o dinheiro até um máximo global de 60 mil milhões € (caso o BCE não rasgue o Memorando da Troika!). O Banco Mau fica entregue a si próprio (como o nosso BES está) e o mais natural é que declare falência.
Um a um, os banco gregos terão que ser resolvidos.

E o futuro?
A economia é melhor que a saúde onde, havendo abordagens alternativas tipo bruxo, o paciente morre.
Os esquerdistas vão implementar medidas totalmente erradas e contra tudo o que se sabe em Economia. O desemprego vai crescer, a economia afundar e, daqui a uns meses ou anos, vão perder as eleições contra um candidato qualquer que vai promete chamar a Troika de volta e retomar o "caminho da austeridade".
Foi exactamente isso que nos aconteceu em 1974 com tudo a virar para o caminho soviético para, logo em 1977, o Mário Soares (alegadamente esquerdista) ter que chamar o FMI (e outra vez em 1982).

A história é assim.
Alguém se lembra que na WWII os alemães nazis mataram 6 milhões de ucranianos soviéticos? Alguém se lembra de como os ucranianos odiavam os alemães e amavam os russos?
Alguém acharia possível que hoje os países da "Europa de Leste" odeiassem os russos como odeiam e que a Alemanha fosse a grande aliada da Ucrânia contra a Rússia?
Com a Grécia vai ser igual. Estes esquerdistas batem com a cabeça na parede, com isso ajudam o novo povo a ver onde vai dar o "outro caminho" do António Costa e, daqui a uns tempos, tudo volta ao normal.
Volta a Troika e tudo será esquecido mas com os gregos mais pobres.

Falta uma palavrinha sobre o António Costa.
Os camaristas de Lisboa anunciaram em parangonas que reduziram o endividamento da câmara.
Lá no meio falaram em voz baixa que as receitas do IMI explodiram.
Mas isso aconteceu porque a Troika assim obrigou o Passos Coelho a fazer.
Afinal foi a Troika e a politica de Austeridade que meteu dinheiro na Câmara de Lisboa.
E o Costa não disse que " assim que o PS for governo, vamos acabar com essa espoliação dos proprietários de imóveis imposta pelos ditames da Sr.a Merkel".
Mau!

Já há muito que não falo do Ébola.
Desde Dezembro que as coisas estão a correr bem ao ponto de, em pouco mais de um mês, o número de novos casos ter reduzido para metade. Em Dezembro estava nos 110 casos por dia, agora está nos 55 casos por dia, a manter-se a tendência, em Março haverá 25 casos por dia em fins de Abril 10 casos por dia e em Maio acaba com uns 10 mil mortos.

Fig. 6 - Novos casos de Ébola por dia estão a diminuir (dados: ver wiki)

Pedro Cosme Vieira

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