quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

É preciso uma ponte entre a D. Luis I e a Arrábida

Todos sabemos isso! 
Eu nasci na freguesia da Sé da cidade do Porto já faz muitos anos. 
Sou do tempo em que o trânsito dentro da cidade era infernal, muito pior do que agora, horas infindáveis em para arranque e buzinadelas, do tempo em que não havia a Ponte do Freixo, a VCI nem os semáforos. Era o tempo da "prioridade da direita" combatida com o "mete, mete, mete, mete, já entrou".
No entretanto, muita coisa melhorou mas subsiste um grande problema: na parte ocidental da cidade, há visível incapacidade de a Ponte da Arrábida dar vazão ao trânsito, seja para circular, seja para ligar a A28 (a Norte) com a A44, a A29 e a A1.
E a população da cidade diminui para metade e o comercio mudou para os centros comerciais em Gaia e Matosinhos!

E quando há um toque?
Santa Vaca (da expressão americana, holy cow), são horas de desespero, uma manhã de trabalho perdida, muitos litros de combustível desaproveitados, muito carro sobre-aquecido.
Muita gente já pensou neste problema e a conclusão de todos foi que é preciso fazer um novo atravessamento entre a Ponte da Arrábida e a Ponte Luís I e até há propostas arquitectónicas, por exemplo, para uma ponte na zona da alfândega. 
No entanto, todas as ideias foram chumbadas por causa do impacto na paisagem. 
É preciso fazer uma ponte alta como a Ponte Arrábida e isso causa na paisagem uma enorme alteração visual. 
Como somos, em termos estéticos, conservadores, não é possível fazer tal ponte, pelo menos nos próximos 50 anos.

Calma, calma, tem que ser possível!
Tem que se fazer uma ponte que ninguém consiga ver!
O Luís Filipe Meneses pensou num túnel, que é possível em termos de engenharia, mas eu quero uma ponte, grande, enorme mas que ninguém veja.
Pensei eu, "isto tem que ser possível". 
Se, por um lado, o David Copperfield foi capaz de esconder a Estátua da Liberdade e o Sócrates milhões de euros e, por outro lado, dizem (a ucraniana e a minha mãe ;-) que sou a pessoa mais inteligente do mundo, mesmo que precise da ajuda da Santa Vaca, tenho que ser capaz de a esconder, é só uma pontezita sobre o Rio Douro.
Mas como se pode esconder uma coisa tão grande?
Pintando de tinta invisível? Não!
Ficando o mais longe possível da Arrábida? Era essa a ideia da ponte na Alfândega mas não dá porque fica perto da Luís I.
Para uma ponte não causar impacto na paisagem é preciso esconde-la atrás de outra coisa qualquer. 

Passeie, passei.
Já fiz aquele caminho entre pontes muitas vezes, sempre com a pergunta "onde se pode esconder a nova ponte?" na mente.
Como é possível meter uma ponte bem à vista de toda a gente, com toda a gente a olhar e sem que ninguém seja capaz de ver. 
Tem que ser atrás de alguma coisa mas o que há por ali suficientemente grande para esconder uma ponte de enorme dimensão?

Já sei, descobri!
Ora olhe para a figura seguinte! É capaz de ver lá a nova ponte?
Não consegue? Mas olhe que ela está lá !!!!!!

Fig. 1 - A Ponte da Arrábida e, à esquerda, ..., a nova ponte!

A solução é encostar a nova ponte à Ponte da Arrábida.
A Ponte da Arrábida tem um piso com 25,5 m de largura que apoiam em dois arcos com 8,5m de largura cada e, entre eles, há um espaço rendilhado com outros 8,5m. 
No piso actual, tem 6 faixas de rodagem (de 3,25m), uma faixa central (de 1,8m) e 2 passeios (de 2,1m).
A ideia é a nova ponte ficar encostada à actual Ponte da Arrábida, ser apenas mais um arco e mais um espaço rendilhado, iguais em tudo ao que existe ficando perfeitamente misturados com o que lá está.
Uma pessoa que olhe para a linha de horizonte, não vai ver qualquer diferença estética, vai ficar tudo na mesma. A única diferença é que, por baixo, vai passar a haver 3 arcos em vez de dois.

Fig. 2 - A nova ponte está ali, encostadinha, mas ninguém a consegue ver.

A nova ponte.
Actualmente, os elevadores não funcionam por os passeios superiores não oferecerem condições de segurança (são muito estreitos e encostados a carros a passar a mais de 100km/h). 
Começa-se por demolir os actuais elevadores de um lado da ponte, constrói-se a nova ponte e refazem-se os elevadores de forma a ficar, em termos visuais, tudo na mesma.
Durante a construção haverá condicionamento no trânsito mas a ponte pode continuar aberta.
Na ponte aumentada, será possível meter mais 10 baixas de rodagem (de 3,25m) e duplicar a largura dos  passeios para 4 m o que tornará mais seguro o atravessamento por pessoas e bicicletas e possibilitando que os elevadores voltem a funcionar.

Vamos a umas contas.
Vi no JN (2011) que passam na Ponte da Arrábida uma média de 136 mil carros por dia.
Vamos supor que 60% desse tráfego é a horas em que há algum congestionamento.
Vamos supor que com a nova ponte, a vida dos passantes melhorava 0,10€ por passagem.
Resultaria da nova ponte um ganho de 8160€/dia
Vamos supor que a obra se amortiza em 25 anos a uma taxa de juro de 5%/ano.
Dá 43 milhões de euros.
Bastava cobrar uma portagem de 0,10€/passagem entre as 7h30 e as 9h30 e as 5h00 e as 7h00 e a receita seria mais do que suficiente para fazer a nova ponte e ainda para melhorar os 7 km que ligam a A28 (Norte) à A44(Sul).

Fiquei contente com este poste.
Porque, apesar de haver 7300 milhões de pessoas no mundo, tive uma ideia que nunca ninguém teve.
Nem o Edgar Cardoso.

Fig. 3 - Para poderem comparar a actual Ponte da Arrábida com a futura (Fig. 1)

O problema do canal.
Um anónimo levantou o problema de não haver canal para alargar a VCI entre a A28 e a A44.
Primeiro, se a nova ponte "resolver" o problema Campo Alegre /Afurada (2600m) já justifica a obra.
Actualmente, no sentido Norte-Sul, à tarde, a entrada a Norte a partir do Campo Alegre causa muito congestionamento porque o tráfego entra numa pista já com trânsito muito intenso (que vem da VCI). A saída a Sul para a Afurada também causa congestionamento porque os carros têm que cruzar sobre a ponte e a saída é imediatamente a seguir à ponte.
No sentido Sul-Norte, de manhã, a entrada a Sul a partir do "Gaia Shopping" causa muito congestionamento porque entram todos os veículos da Afurada e a pista já tem trânsito intenso (que vem da A44). A saída a Norte para a Campo Alegre é terrível, causa enorme congestionamento porque os carros têm que vêm de Sul cruzar sobre a ponte, a saída é imediatamente a seguir à ponte e a entrada está sempre empancada.
O melhoramento deste nó obriga a alargar a VCI numa extensão de 2000m mas não precisa de qualquer intervenção ao nível dos viadutos.
A ponte mais a melhoria no nó deve custar entre 25 milhões€ e 35 milhões € (fazendo uma proporção com os 54 milhões € que custou da Ponte da Arrábida e os 28 milhões € da Ponte do Infante, a preços de 2017).
Fig. 4 - Nova Ponte (faixas a vermelho) com a melhoria do nó Campo Alegre e Afurada (faixas a azul são as existentes). As 10 pistas na ponte, reduzem para 4 pistas até Boavista/Bessa Leite e, depois, para as actuais 6 pistas.

Segundo, melhorar a ligação A28/A44-A29 (extensão de 6500m) obriga a demolir apenas duas casas.
Passando na auto-estrada, parece que as casas estão encostadas mas apenas em dois pontos não existe o necessário canal com 50m de largura.
Por isso, basta demolir duas casas para passar de 6 faixas para 8 faixas (duas faixas da ponte morreriam no nó do Campo-Alegre / Afurada), o que não tem comparação com abrir outra via com 4 faixas.
Fazer o alargamento em 4 km de VCI deve custar mais uns 8 milhões €, 2 milhões€ por km.

Fig. 5 - Entre a A28 e a A44-A29, só existem 2 pontos com menos de 50m de largura

O financiamento dos partidos e dos políticos

Eu sou contra os que são contra! 
A nossa democracia tem por base os partidos e as pessoas que os formam, os políticos, e alguns deles (os pequenos) não podem desenvolver o discurso de que estes são genericamente desonestos e incompetentes porque, diz a história, foi sempre esta argumentação que precedeu o aparecimento das ditaduras.
Mesmo que todas as pessoas que formam os partidos tenham más intenções, tenham nascido desonestas e vigaristas, não é acabando com elas que se resolve o problema porque todas as outras também nasceram desonestas e vigaristas. 
A solução não está na caça às bruxas e nos discursos dos "sérios e com boas intenções" contra os "maus e desonestos" mas está, diz a evidência, na transparência e no controlo democrático.
Temos que nos convencer que todos nós, mas mesmo todos, somos intrinsecamente desonestos e que só não estamos a receber 12000€/mês sem nada fazermos porque nunca nos deram essa oportunidade.

O limite do financiamento dos partidos.
Não faz qualquer sentido as dádivas anual aos partidos estarem limitadas a 1500IAS, i.e., 643350 €/ano, independentemente da sua dimensão.
Pelo menos em teoria, a velha lei serve apenas para transformar os partidos em coligações. Por exemplo, o PPD pode receber 643350€/ano e o PSD mais 643350€/ano para, no final, se coligarem. No limite, cada partido podia partir-se em mil partidos e já poderia receber 643 milhões €/ano.

Vamos à devolução do IVA.
Os partidos são como as Testemunhas de Jeová: tudo o que fazem, mesmo que aparentemente não o pareça, tem por fim captar votos. Se os comunistas vendem uma bifana por 1,00€, não estão a pensar no negócio das bifanas mas apenas a tentar captar, pela boca, um votinho.
Também o pescador de carpas, dias antes de lançar o anzol, manda à água milho cozido sem se estar a preocupar com a fominha dos bichos!
Parece-me justo que tudo o que as pessoas dão ao seu partido, na hora de ser gasto, esteja isento de IVA.
Não é justo que, dando eu 100€ a um partido (que o vai gastar na compra de 50 chapéus de plástico com IVA a 23%), o Estado fique com 18,70€de IVA.
Eu defendo mesmo que as doações aos partidos sejam dedutíveis a 100% no nosso IRS e no IRC das empresas.

O que deve haver é transparência.
A única forma de combater a desonestidade das pessoas, incluindo a dos os políticos, é a transparência.
Sempre que uma pessoa fizer uma doação ou um desconto na prestação de um serviço, seja um valor pequeno ou grande, o valor tem que ficar registado na contabilidade do partido que terá que ser pública.
Vamos imaginar que uma concelhia vai fazer uma "acção" precisando alugar uma tenda (preço normal de 1000€) e dar um jantar para 500 pessoas (preço normal de 5000€). Agora, os da tenda vão fazer a coisa por 250€ e o restaurante vai fazer um desconto de 50%. Além disso, as pessoas vão pagar 7,50€/ refeição.
Na contabilidade do partido deveriam ficar registados não só os valores pagos como os descontos:

Almoço para 500 pessoas no dia 30/02/2018
   Aluguer da tenda
      Preço normal C/IVA   1000,00€
              Desconto              750,00€
      Total a pagar C/IVA     250,00€
      IVA pago (23%)            46,75€ 
    Refeições
      Preço normal C/IVA   5000,00€
              Desconto            2500,00€
      Total a pagar               2500,00€
      IVA pago (13%)           287,61€ 
    Vendas 
      500 refeições               3750,00€
      IVA (Isento)                      0,00€  
    
Neste caso, o Partido teria com este jantar um "lucro" de 1334,36€ resultante de receitas de 7000€ (750,00€ + 2500,00€ + 3750,00€) mais o reembolso do IVA no valor de 334,36€ (46,75€ + 287,61€) e  despesas de 6000€ (1000,00€+5000€).

A interpretação da lei antiga.
Estavam a surgir, nas finanças, muitos problemas na classificação do que são actividades políticas e o que não são.
Vejamos o tal jantar.
O jantar durou 2 hora e o candidato do partido falou durante 30 minutos. Então, apenas 25% das despesas é que podem ter dedução de IVA!
Além disso, o candidato falou 10 minutos no principio e 20 minutos no fim. Então, só pode haver dedução em 25% da factura da tenda, na sopa e em metade da sobremesa.
Complicar coisas sem necessidade.

Irá algum partido dedicar-se a negócios?
O grande medo do CDS/PP e do Rui Rio é que os partidos se transformem, tal como os Guardas Revolucionários do Irão, em empresas do "quarto sector".
Parvoíces e demagogia.
As leis não são eternas pelo que vamos dar uma oportunidade à  Lei avançar e logo veremos.
Se o PCP quer ter lá a festa da atalaia, isso não é nenhum negócio, é como os encontros de escuteiros, é uma actividade política.

A Entidade das Contas e Financiamentos Políticos.
O importante é a transparência e esta entidade vai aumentar a transparência das contas dos partidos.
Portugal tem-se transformado num estado judicial e isso tem que ser controlado pois os juízes não têm legitimidade democrática directa.
Excepto nos casos declaradamente contra a Lei, deve-se dar à política o que é da política, ao desporto o que é do desporto, à religião o que é da religião, à liberdade de expressão o que é da liberdade de expressão.
Os partidos têm que prestar contas aos eleitores e não a processos judiciais a que ninguém tem acesso.

O Presidente da República deveria ganhar 30000€/mês.
E todos os políticos deveriam ter aumentos correspondentes.
Não pode um deputado ter um salário exactamente igual ao meu!
Se queremos deputados competentes, o seu salário tem que ser de pelo menos 10000€/mês.
Todos aqueles que desgostam do Trump, recordo que tem apenas um ordenado de 0,85€/ano.

Eu fui condenado por "atentado à ética e aos bons costumes".
É o problema de deixarmos a alguns o poder de interpretar.
O que são actividades políticas?
É mau ter funcionários nas finanças com o poder para interpretar o que tem ou não direito a devolução do IVA
O que é isso da ética?
É maus ter pessoas com o poder de interpretar o que é ético ou não
As pessoas devem estar sujeitas ao que a Lei explicitamente diz mas nunca ao que os outros julgam ser ético ou moral.
É como haver uma brigada do "vestir com bom gosto" (quando não há um código de vestuário) com o poder de aplicar multas a quem veste mal!
Por isso é que digo que deve ser dado à liberdade de expressão o que é da liberdade de expressão.

Sabem o que é a liberdade?
É aceitarmos que os outros façam e digam aquilo que nós não faríamos nem diríamos.
Que façam e digam aquilo que não gostamos e seguirmos em frente como se nada fosse.
É alguém que é contra as mulheres, os panacas ou os pretos, fazer uma entrevista de emprego e contratar a pessoa mais capaz para o lugar, independente da sua condição pessoal.
Infelizmente, há pouca tolerância em Portugal e os menos tolerantes são os esquerdistas (e as beatas)!

O grupo dos 15 no futebol.
A nossa vida política é como o futebol.
Na política existem 2 partidos que acumulam a grande maioria dos votos.
No futebol existem 3 clubes que acumulam a grande maioria das receitas.
Se nos partidos, os pequenos querem, com um discurso moralista, tomar conta da agenda política.
No futebol, juntaram-se os 15 pequenos para chupar as receitas dos 3 grandes.
Eu penso que a concertação dos 15 pequenos é ilegal porque viola a Lei da Concorrência.
Como o Paulo Morais diz, investigue-se.


Bom ano 2018

domingo, 24 de dezembro de 2017

Proposta para Ponte de D. Cosme, no Rio Douro

A cidade do Porto tem a baixa histórica congestionada. 
As guerras no Norte de África, os problemas políticos na Turquia, a confusão na Catalunha e as viagens de avião e os hosteis baratos têm alimentado o crescimento do turismo nas cidades portuguesas de que o Porto/Gaia é apenas um exemplo. Garantiu-me o meu amigo P.S. que até Valongo tem turistas!
Povinho aos magotes quer dizer reabilitação urbana para a reconversão das casas velhas, decrepitas e abandonadas em  locais de apoio aos turistas, actividade económica e animação generalizada sem qualquer mérito dos autarcas (que encontraram nas taxas turísticas a galinha dos ovos de ouro) ou do governo central.
Havendo muito turista, sem nada para fazer, com vontade de circular no espaço público, sem sossego no corpo, caminham em movimento aleatório à espera de encontrar alguma coisa nunca antes vista e que possa ser fotografada e contada para fazer roer de inveja os amigos que ficaram em casa, descansadinhos.
A baixa do Porto é cortada pelo Rio Douro e o turista, vendo de um lado que pouco ou nada há para ver, olhando para a outra margem, vem-lhe à esperança que é lá que está a tal pedra que o José Hermano Saraiva dizia ser do maior significado histórico para a humanidade:

"Foi aqui, nesta mesma pedra, neste mesmo sítio onde estou a pousar a minha mão, que D. Afonso Henriques se apoiou pelas 14 horas e 32 minutos do dia 13 de Setembro de 1127, a meio da Batalha do Courato e da Francesinha contra os mouros liderados pelo Zapussaqueno, num momento de vento e chuva miudinha, com perigo para a própria vida, para arrear o calhau.
Não fosse esse momento de enorme importância para a humanidade, hoje, em vez do courato, comíamos chamuças, em vez de francesinhas, comíamos kebabes e, em vez de coca-cola, bebíamos sumo de tomate."

Sempre segundo a lei do movimento browneano, isto é, andando como uma barata tonta, o turista volta e meia atravessa o Rio Douro pela Ponte Luís I, tanto pelo tabuleiro inferior (onde circulam carros) como pelo tabuleiro superior (onde circula o metro).
Além da esperança que vê na outra margem, a travessia per si já é uma atracção turística.
O ritual da subida das Escadas do Codeçal onde as gordas, logo na curva à direita, já perderam o fôlego e param curvadas com a mão apoiada no joelho, olham para trás para a Ponte Luís I, imaginando ser assim o "momento" com o Brad Pitt em cima delas. O chegar lá cima, ao fim dos 226 degraus, e virar à esquerda por um caminho todo porco e a cheira mal, a recordar o cheirinho da infância, dos tempos em que o povinho dormia com o penico debaixo da cama. Atravessar o Douro pelo tabuleiro superior com a esperança de poder dizer "quase fui trucidado pelo metro", carruagens que quase nunca passam. Subir à Serra do Pilar que, afinal, não é serra nenhuma, "Chama-se Serra do Pilar porque em tempos houve aqui um serração que o Infante Santo usou para construir os mastros das Naus que foram tomar Ceuta aos  infiéis sarracenos". Depois, descer pelas vielas de Gaia, a olhar para um lado e para o outro, na tentativa de encontrar as atracções turísticas que não existem para, finalmente, re-atravessar o rio pelo tabuleiro inferior de volta ao estado de barata tonta.

O problema destas travessias é que os passeios do tabuleiro inferior da ponte são muito estreitos, um metrito, o que causa problemas de segurança aos peregrinos e congestionamento aos automobilistas. Por causa disso, os autarcas do Porto e de Gaia reuniram-se e apontaram a ideia de que há necessidade de construir uma ponte a conta baixa entre a Ponte Luís I e a Ponte do Infante.
Este poste serve para apresentar a minha proposta de arquitectura.

O teste da foto.
O turismo é um negócio que favorece as pessoas das terriolas. Então, quando o artista  projecta uma obra  não pode pensar apenas na funcionalidade directa nem na minimização dos custos pois a obra tem uma funcionalidade indirecta que é chamar turistas.
A coisa até pode não servir directamente para nada, como a Torre Eiffel ou as Pirâmides do Egipto, mas tem que ser uma atracção turística!
Desta forma, para começar, o artista vai ter que responder a duas simples questões filosóficas:

Questão 1: Será que alguém no seu juízo perfeito vai tirar uma selfie com esta merda como fundo?
Questão 2: Será possível identificar o local por esta merda estar como fundo da selfie?

O meu emprego.
É num edifício que os parolos meus colegas (notar que parolo apenas quer dizer que não têm formação estética nem gosto estético sofisticado) acham ser de grande valia arquitectónica.
O problema é que chumba o teste da selfie, nunca lá foi visto nenhum turista a tirar selfies!

Vamos à minha proposta.
Existem 665 m entre a Ponte de Luís I e a Ponte do Infante. A localização que proponho é a meia distância, no ponto em que a Serra do Pilar é mais elevada, com distância suficiente para a ponte se individualizar pois prevejo que se vai tornar a maior atracção Porto.
O mais barato seria uma ponte de betão igual à Ponte do Infante mas, como nunca vi ninguém fotografar tal ponte, eu quero uma coisa diferente, algo nunca visto em mais parte nenhuma do mundo.
Depois de muito pensar, a minha proposta é uma ponte metálica suspensa por dois cabos de aço.
Claro que vão dizer "Mas isso já é por demais conhecido e visto, temos a ponte sobre o Tejo e milhars de outras pontes espalhadas pelo mundo."
Mas eu estou a pensar algo diferente, algo assimétrico, sem pilares e com os cabos ancorados directamente no maciço rochoso das Fontainhas / Guindais (à cota 43m) e da Serra do Pilar (à cota 88m).
Fig. 1 - Vista lateral da nova ponte sobre o Douro, a Ponte de D. Cosme.

Pegando em todas as fotografias tiradas pelos turistas por esse mundo fora, milhares e milhares de milhões de milhões, não existe nenhuma que se assemelhe à minha proposta pelo que será, com  toda a certeza, uma atracção turística capaz de identificar o local de forma única. Quem vir uma selfie com isto, já sabe onde foi tirada. Dirão "You have been in D. Cosme Bridge"

Em planta.
Do lado de Gaia, o acesso à ponte será pelas Caves Burmester que serão destruídas (ver Fig. 2) e, depois, para não destruir a escarpa que vai até ao rio (ver, Fig. 3), passa para cima da água e faz uma curva à esquerda (ver, Fig. 4).
Do lado do Porto, a D. Cosme encosta a 90.º à Av. do Gustavo Eiffel (ver, Fig. 4).

Fig. 2 - Mesmo no sítio onde estão as Caves Burmester (que mudem para outro sítio).
Aquela foto da mulher nua, está mesmo no google street, podem confirmar!

Fig. 3 - Vista da Escarpa da Serra do Pilar com o local de amarração dos cabos (cruzes vermelhas) e "encosto" da Ponte de D. Cosme (traço vermelho).


Fig. 4 - Vista em planta da localização da Ponte de D. Cosme (a vermelho) e dos cabos (a preto).

Ainda falta uma atracção turística.
Ao contrário do que pensa o Sr. Presidente da Câmara, não é preciso meter elevadores na baixa do Porto porque o turista gosta de subir e descer escadarias para ocupar o tempo.
Querem saber quantas pessoas, por ano, sobem no elevador que vai da Ribeira para a Sé?
Zero, nem uma para amostra (aquilo até está fechado).
E no funicular dos Guindais?
Eu passo lá muitas vezes e vão meia dúzia de pessoas, de vez em quando, muito raramente.
Então, a boa atracção turística é o cabo ser uma ponte pedonal a ligar os Guindais à Serra do Pilar, o cabo a abanar, quase com perigo de vida, uma subida difícil, alguns lugar com 30% de inclinação, óptimo lugar para tirar selfies únicas.

O perfil transversal.
Proponho um perfil com 12 metros, dois passeios de 2,2m  e duas faixas de rodagem de 3.75m e, quando à ponte pedonal, proponho 3m (ver, Fig. 5).

Fig. 5 - Corte transversal da ponte onde os cabos mais se aproximam do tabuleiro.

Uma nota sobre o nome das cidades do Porto e de Gaia.
É senso comum que, no antigamente, Porto e Gaia eram a mesma cidade que se chamavam Portus Cale mas isso não corresponde ao consenso histórico.
Quando vieram os romanos chegaram à região norte-litoral da Península Ibérica, puseram o nome de Gallaecia a toda a região a norte do Rio Vouga. Cale talvez fosse o nome da deusa mãe dos celta ou o termo usado pelos grego para dizer que a terra era bonita (ver). O certo é que, na altura da chegada dos romanos, a região era muito pouco povoada, a actual cidade do Porto não teria mais de 100 habitantes,  situação que piorou aquando da reconquista (havia constantes incursões ora para matar todos os sarracenos, ora para matar todos os cristãos que se aventuravam nesta terra de atrito entre cristãos a norte e sarracenos a sul).
Com achegada dos romanos, como a sua economia era carregar coisas (madeira, minerais, peixe e carne salgados, cereais e escravos) em barcos para levar para Roma, não havendo estradas, foi construído um porto fluvial/marítimo na Ribeira da Vila no que é hoje a Praça da Ribeira.
Esse porto, naturalmente, era conhecido pelos romanos como o Porto de Cale.
Portus deu origem a Porto e Cale a Gaia.
No Sec. IX, foi re-utilizado o termo Portus Cale para separar o condado da Galiza (na parte norte da Galécia)  do condado que se formou a sul, com as terras conquistadas por Vímara Peresa os mouros.

Fig. 6 - Nesta selfie, quando a menina tirar o braço, vê-se a Ponte de D. Cosme, a maior atracção turística da Península Ibérica e arredores.

Fig. 7 - O que dirá à entrada da ponte para turista ver.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Relatório da Comissão Independente sobre a falta de água em Viseu

O Parlamento gosta de fazer comissões de inquérito. 
Estas comissões não servem para investigar seja o que for mas apenas para meter água fria, abafar, retirar da discussão do momento assunto embaraçosos.
Talvez as comissões mais interessantes sejam as dúzias de Comissões de Investigação ao Crime de Camarate. 

Fig. 1 - Feliz Natal (borrego a 7,15€/kg no Continente)

Mas vamos ao que interessa.
No dia 10 de Novembro de 2017, a albufeira de Fagilde que abastece o sistema de água de Viseu+Mangualde+Nelas desceu abaixo dos 10%de capacidade, ficando com reservas para apenas 15 dias. 
Como o risco de rotura do abastecimento alarmou as populações, decidi criar uma Comissão Independente.

Questões.
A comissão teve como objecto responder a 3 questões:
Q1) O que falhou em Novembro de 2017?
Q2) Pode-se responsabilizar alguém pelas falhas?
Q3) O que fazer para que tal problema não se venha a repetir?

Resposta à Questão 1)
Com os dados que foi possível obter, período 2004-2011, a albufeira esteve abaixo de 10% em 90% dos anos e esteve abaixo dos 5% em 70% dos anos (ver, quadro 1).

Quadro 1 - Volume mínimo e máximo armazenado na albufeira de Fagilde (dados: snirh.apambiente.pt)
Ano Mínimo Máximo
1994 8% 95%
1995 5% 95%
1996 4% 95%
1997 4% 98%
1998 4% 95%
1999 4% 98%
2000 4% 95%
2001 4% 33%
2002 2% 105%
2003 2% 146%
2004 4% 105%
2005 4% 105%
2006 2% 133%
2007 4% 132%
2008 31% 126%
2009 1% 129%
2010 3% 113%
2011 4% 160%
2012 24% 130%
2014 6% 101%
2015 10% 131%
2016 6% 139%
2017 7% 127%

Os meses mais problemáticos foram Dezembro, Janeiro e Fevereiro (probabilidade maior que 50% de o volume estar abaixo de 50%).

A partir de 2005, o gestor da albufeira tentou evitar a sistemática falta de água usando a "margem de segurança" da barragem. Como era normal nos anos anteriores, no dia 3 de Junho de 2017 o nível estava a 127%.
Depois, nos 3 meses seguintes, o gestor não foi previdente.
  No dia 3 de Julho a albufeira atingiu 100% (perda de 1050 m3/hora, 290 l/s), 
  No 3 de Agosto a albufeira atingiu 65%  (perda de 1360 m3/hora, 380 l/s)
  No dia 3 de Setembro a albufeira atingiu 39% (perda de 980 m3/hora, 270 l/s)
Em particular, no mês de Julho verificou-se uma quebra de 16 pp relativamente aos anos antiores (450 mil m3) sem justificação (ver Quadro 2).

Quadro 2 - Comparação entre o volume médio de 2006/2016 e o de 2017
Jun Jul Ago Set
2006/16 127% 119% 86% 59%
2017 127% 103% 68% 32%
Dif 0% -16% -18% -27%

Resposta: Se ponderarmos os diversos usos da água (abastecimento de água potável, caudal ecológico e praias fluviais a jusante), a albufeira tem um problema de sub-dimensionamento.
Para ser possível perdas continuadas de 300 l/s, 1080 m3/h, entre 1 de Junho e 1 de Dezembro, a albufeira deveria ter uma capacidade de 4,8 hm3.  

Resposta à Questão 2)
O gestor foi imprudente mas a parte principal da culpa está com o objectivo inicial da barragem (abastecimento de água a Viseu) ter sido estendido em termos de território e objectivos (o aparecimento do turismo/praias fluviais).

Resposta à Questão 3)
A albufeira tem a margem de segurança mas não nos podemos esquecer que esta margem existe para fazer face a cheias repentinas (que acontecem um dia em cada 1000 anos). Actualmente, a gestão tem sido no sentido de, em Junho, atingir os 140%, quando já não há risco de cheia mas é sempre um risco.
Para manter os 400 l/s entre 1/Jun e 1/Dez são precisos 7,2 hm3 o que, retirando os 3,6 hm3 da albufeira de Fagilde a 130%, obriga a "arranjar" uma reserva adicional de 3,6 hm3, i.e., duplicar a capacidade da albufeira de Fagilde.

No médio/longo prazo, existem 3 opções:
A) Aumentar a altura do coroamento da barragem em 1.5 m (mitiga o problema).
B) Construir outra barragem a montante
C) Fazer uma ligação desde a barragem da Aguieira (15 polegadas, desnível de 185 m, distância de 40 km)

Fig. 2 - Evolução da água armazenada na albufeira de Fagilde e o caudal perdido entre Abril e Dezembro de 2017 (dados, snirh.apambiente.pt)

Nota sobre o preço da água.
O preço que pagamos por consumir mais um copo de água deveríamos ser o custo de produzir e meter em nossa casa esse copo de água. É a regra do "otimo social" Preço = Custo marginal.
Acontece que o preço que pagamos é muito superior ao custo marginal porque o regulador quer que paguemos o preço médio.
Como produzir água, canaliza-la até nossa casa e, depois, levar os esgotos e trata-los tem um custo fixo de investimento muito grande, a estratégia de diluir esse custo fixo no preço da água faz com que consumamos menos água do que seria bom em termos económicos. E isto é particularmente penalizante para os agregados familiar mais pobres e com mais elementos.
Na nossa factura, 10% é "custo marginal" e 90% é o "custo fixo". Não sendo possível pagarmos apenas o custo marginal deveria haver outra estratégia para pagarmos o custo fixo, por exemplo, ser uma prestação proporcional ao rendimento do agregado familiar.
  Consumo da água => 0,25€/m3
  Tratamento dos esgotos => 0,25€/m3
  Contribuição para o custo fixo => 2% do rendimento.
Isto seria bom para todos porque os ricos poderiam passar a regar o jardim e a encher a piscina e os pobres passariam a ter água a preços razoáveis. Além disso, os fornecedores de água poderiam vender mais quantidades (e existem muitas economias de escala) e, assim, acabar com o défice tarifário.
Pensem nisto senhores políticos (enquanto estiverem no Brasil ;-).

Eu tive muita sorte.
Imaginem que eu tinha um tacho na Raríssimas a ganhar 12000€/mês mais carro.
Teria sido terrível ficar 30 dias sem salário!




quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A Tesla vai falir e não demora muito

O futuro pode ser que sejam os automóveis elétricos. 
Os automóveis precisam transportar energia com eles, quanto maior a quantidade, maior a autonomia.
Neste momento, a melhor forma económica de transportar energia é o gasóleo e a gasolina que contêm  uma potência de 7,0 cavalos durante uma hora por kg de combustível (5,2 kwh/kg, rendimento de 40%, incluindo o aquecimento).
Um automóvel pequeno gasta 4,3 litros de gasolina por 100km o que traduz um consumo de 0,17 kwh/km.

Um automóvel elétrico tem o problema da bateria!
Peso/autonomia.
Uma bateria básica (22 kwh do Renault Zoe R90 22) pesa 290 kg e equivale a 5 litros / 4kg de gasolina.
Assim, um automóvel com um depósito de 32 litros, tem 6 vezes mais autonomia que um automóvel elétrico.

Abastecimento.
Meter gasolina demora 5 minutos. Carregar a bateria demora 5 horas.

Duração.
O depósito de gasolina dura para todo o sempre.
A bateria permite 600 re-cargas e sempre a perder capacidade.

Custo.
O depósito de gasolina custa alguns euros.
A bateria é metade do preço do automóvel elétrico.
O BMW série 1 a gasolina custa 30750€ e é melhor que o Tesla X 75 D que custa 67500€.
Pensando que ambos os carros se amortizam em 15 anos a 20000km/ano (total de 300000km) e que a bateria dura essa quilometragem toda, para uma taxa de juro de 3%/ano temos como custo do veículo, sem combustível nem manutenção, de:

BMW série 1 => 0,129€/km
Tesla X 75 D => 0,283€/km
O meu carrinho a gasolina custa-me (amortização do carro mais combustível) 0,10€/km!

No princípio, parecia tudo bem.
Seria de prever que, inicialmente, a Tesla iria ter prejuízo porque era preciso investir uma grande soma de dinheiro em investigação e desenvolvimento para, depois, ter lucros com os produtos desenvolvidos.
Assim, seria aceitável que entre 2009 e 2012 apresentasse um prejuízo de 36% da faturação desde que esse prejuízo fosse diminuindo com o tempo (e o aumento da faturação). E, realmente, isso foi acontecendo parecendo que em 2014 tinha sido atingido o break even point (ver, Fig. 1).

Fig. 1 - Evolução do prejuízo/faturação da Tesla, 2010 - 2014 (dados, YCharts.com)

O problema, veio depois.
É que, afinal, os produtos não eram assim tão bons e foi preciso reforçar o investimento em I&D.
Desta forma, verificou-se que 2014 não tinha sido o break even point (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Evolução do prejuízo/faturação da Tesla 2014 - 2017 (dados, YCharts.com)

A razão para a Tesla ir falir.
São várias as razões.

1) O produto tem pouca margem.
Quando a Intel desenvolveu o novo processador Core i7-6950X, teve que fazer um grande investimento inicial  mas, depois, consegue diluir esse investimento porque produzir cada unidade custa 20€ e tem um preço de venda de 1400€.
A Intel consegue vender o Core i7-6950X com tal margem porque A) o design é patenteado e B) a performance é bastante superior aos concorrentes existentes no mercado (AMD Ryzen 7 1800X por 425€).
O automóvel elétrico fica muito caro de produzir em relação aos preços a que pode ser vendidos (não há margem para diluir os custos de I&D).
A Tesla está a cobrar preços que são 300% dos preços dos carros idênticos a combustível líquido e, mesmo assim, não consegue ter lucro.

2) É uma inovação incremental.

Em termos de design,
São conservadores, procurando manter total semelhança com os automóveis a gasolina e isto, em termos comerciais e tecnológicos, está errado.
Um automóvel ou um camião não têm nada a ver com as carroças puxadas a cavalos e a bois.
O veículo elétrico também deveria procurar ser diferente em relação aos automóveis atuais. Penso que não se deveriam preocupar com o peso, a aceleração e a velocidade do veículo mas com novas funcionalidades (por exemplo, o estacionar autonomamente e de forma compacta) e com o custo.
E o veículo tem que ser maior e mais lento que os automóveis a gasolina (para conter baterias mais baratas).

Porque me lembrei do estacionamento.
Um carro tem 1,2 m de altura. Então, podemos imaginar um silo-auto com um pé direito de meio piso, apenas 1,25 m o que, em cidade, será muito vantajoso.
O automóvel sendo elétrico e movendo-se autonomamente, pode andar 1 m e parar. Então, esse silo-auto poderia ser gerido como a memória de um computador, em que os automóveis se moveriam sozinhos de um lugar para o outro de acordo com as necessidades: uma área teria os automóveis a recuperar daqui a algumas horas, estacionados encostados uns aos outros (a memória do "disco") e outra área teria os automóveis mais facilmente acessíveis (a memória "cache").
A não emissão de gases e a condução autónoma, permitiria que esse silo-auto fosse subterrâneo e com atmosfera pobre em oxigénio (para evitar incêndios).
Mas o designer teria que pensar outras novas funcionalidades.

Em termos tecnológicos,
Querem usar a baterias de iões lítio porque já existe muito trabalho feito por causa dos portáteis e dos telemóveis.
Mas isto causa dois problemas. Primeiro, os portáteis e telemóveis precisam de pouca energia, cada vez menos. Segundo, já existem muitas patentes sobre este tipo de bateria. Terceiro, em termos de kwh, são muito caras de construir.
Já que queriam fazer um veículo novo, teriam que pensar num tipo diferente de baterias, baratas, pouco desenvolvidas (para poderem ter patentes fortes) e que durassem muito de forma a terem muita margem na  fase da produção. E essas baterias seriam as de metal líquido, a exemplo da bateria Sódio + Enxofre.
As baterias de metal líquido são baratas, sustentáveis (usam metais abundantes) e duráveis (podem ser recarregadas 3000 vezes) mas são grandes, quentes e "perigosas" (em caso de rotura, o metal líquido arde) pelo que o design do veículo elétrico não pode ser semelhante ao do automóvel a gasolina.
Teria que ser um veículo grande, lento, mais um camião ou um suv do que um automóvel utilitário ou coupé.

NOTA: Como a Testa Inc. é cotada em bolsa ...
Este poste não traduz informação de mercado, não aconselho a venda, manutenção ou compra de títulos desta empresa nem de qualquer outra e não tenho qualquer interesse na mesma nem conflito de interesses.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Baixar o preço da electricidade à Maduro

Em Portugal, as utilidades são muito caras. 
As utilidades, utilities em inglês, são a água, esgotos, recolha de lixos, eletricidade e gás e em Portugal são muito caras e uma fatia muito importante do orçamento das famílias de menores recursos. 
São muito caras, dizem os esquerdistas, por causa das rendas excessivas que os governos socialistas "negociaram" no passado.
São muito caras porque, sendo monopólios, os governos não se têm preocupado em criar condições para que possa haver uma diminuição dos custos de produção (que é diferente dos preços).
Neste poste vou falar da eletricidade e mostrar como todos poderíamos ficar a pagar muito menos se tivéssemos um governo que não fosse populista e incompetente.
Bem sei que o Rui Rio e o Santana Lopes também são populistas e incompetentes mas também sei que, num futuro não muito distante, vai surgir uma pessoa competente como foram o Cavaco silva e o Passos Coelho.

A redução do preço à Maduro.
Fase 1 = Faz-se uma campanha na comunicação social contra o grande capital e as rendas excessivas no sector da eletricidade dizendo que os preços têm que diminuir.
Fase 2 = Impõe-se administrativamente uma redução nos preços.
Fase 3 = Começamos a ter cortes de energia nas horas de maior consumo (a qualidade do serviço diminui).

O problema da coisa pública é a função objetivo não incluir o bem comum.
O objetivo de cada um de nós é o nosso próprio bem-estar.
Não são os inocentes das Raríssimas e o Sócrates que são desvios ao comportamento humano.
Acham natural que o Rui Rio, pessoa que nunca assinou uma contabilidade, nem os recibos verdes de um engraxador, receba 1500€ por mês da Ordem dos Contabilistas para estar de corpo presente em duas reuniões por ano? Eu acho totalmente natural, eu faria o mesmo ou pior mas eu não digo que sou sério.
E aquele Lacerda que negociou qualquer na TAP porque era amigo do Costa. Depois, ficou com um tachinho na TAP porque era especialista em TAPs. Finalmente, vai substituir o Catroga a receber 40000€/mês porque tem muita experiência em mamadeira na vaca que até voa.

Mas vamos ao que interessa.
Os do meu emprego são pessoas muito sérias, acima de qualquer dúvida.
Acontece que, agora, começaram com obras de manutenção.
Vão mudar a caixilharia das janelas (mas não os vidros), fazer umas melhorias em 10 casas de banho, obras em 7 salas e refazer a canalização do aquecimento. Depois, ainda vão fixar algumas coisas da parede, ver um teto falso que está descaído (não mexem na estrutura) e concertar uma pala em madeira que está podre porque começou a meter água e ninguém mandou impermeabilizar.
Não vão tratar da cobertura nem do piso, o mobiliário vai ficar o mesmo, apenas pequenas coisas.
Agora, feche os olhos, imagine as obras a serem feitas e, agora, vem o preço, 5 600 000€.

Eu não posso dizer onde trabalho!
Se por uma coisa de nada, por ter dito que para resolver o problema do afogamento dos refugiados era mandar os aviões da TAP buscá-los antes de entrarem nos barcos, estive 30 dias sem ordenado ...
Agora, dizer que 5 600 000€ davam para construir um edifício novinho em folha, tudo materiais de primeira categoria, com 30 salas de 80 alunos, uma biblioteca com 500 lugares sentados, 50 gabinetes de estudo, uma sala  para exames com 300 lugares sentados, 20 casas de banho e ainda espaços de convívio à farta vai-me tirar 300 dias.
Como dizia o meu pai, "e esta massa toda, vai ser enterrada em meia dúzia de merdas".

O problema da eletricidade é a variabilidade temporal.
Há variabilidade no consumo e na produção que não são controláveis.

O consumo.
Em média, em 2016 consumimos uma potência de 5600 Mw mas este valor variou entre um mínimo de 4500Mw e um máximo de 11000Mw.
As pessoas consomem menos eletricidade quando as temperaturas são amenas e durante a noite. Assim, o consumo máximo observa-se no Inverno, durante os dias de trabalho e entre as 7h e as 9h e entre as 20h e as 22h. O consumo mínimo observa-se nas noites da primavera e do outono.

A produção.
Há uma parte substancial da potência instalada que está dependente da Natureza (a produção eólica que depende do vento e a produção hídrica que depende das chuvas).

A gestão da rede elétrica.
Em cada instante a quantidade consumida tem que ser pelo menos igual à quantidade produzida.
   Consumo <= Produção
Quando a produção hídrica e eólica é maior que o consumo, tem que se destruir parte da produção
   Consumo = Eólica + Hídrica + Desperdícios
Quando a produção hídrica e eólica é menor que o consumo, usam-se as centrais a combustíveis fósseis
  Consumo = Eólica + Hídrica + Fósseis
Como Portugal tem uma potencia instalada eólica muito grande, que em dias de vento produz mais que o consumo, e ainda se soma que quando há mais vento também chove (as barragens produzem muita eletricidade), há muita eletricidade que "vai para o lixo".
OK, também há exportação e importação mas o mercado externo sofre dos mesmos problemas que o nosso: quando nós precisamos, eles também precisam e, quando temos a mais, eles também têm a mais. Além disso, há perdas na rede e as linhas de transporte para a Europa têm pouca capacidade.

A tarifa bi-horária.
O custo da eletricidade eólica e hídrica resulta da amortização do investimento no equipamento o que faz com que o custo do dia a dia (o custo variável) seja praticamente zero. 
Por causa disso, durante os períodos de menor consumo, a "EDP" vende a eletricidade com desconto de 50%.

Vamos imaginar um mundo daqui a 50 anos, talvez já pós-futurista.
Nesse tempo, toda a energia será produzida por luz solar, apenas 8 horas em cada dia, que é armazenada para gastar durante a noite.
Para um consumo médio de 5600 Mw, será necessário produzir 19600 Mw durante o dia, 5600 Mw para gastar e 14000 Mw para armazenar e usar nas 16 horas em que não há luz solar (assumindo uma recuperação de 80%).
Mas, como será tecnologicamente possível armazenar tal quantidade de energia?
Se hoje pudéssemos transferir eletricidade dos momentos de maior produção e menor consumo para os momentos de menor produção e maior consumo, poderíamos ter um preço mais baixo e, mesmo assim, emitir menos C02 e as "elétricas" terem mais lucro.
Mas transferir, já o estou a imaginar a pensar, obriga a ter baterias e as baterias são muito caras e duram pouco.

Mas não só há baterias! 
Existem as barragens reversíveis que bombeiam a água para cima durante os períodos em que há excesso de eletricidade (e que está no "mercado" a preço quase zero) e que turbinam essa mesma água nos períodos em que há défice de eletricidade (e que está no "mercado" a preço elevado). Com a tecnologia existente, por cada 100 kwh usados a bombear água para cima (comprada a energia a 0,02€/kwh), são posteriormente produzidos 80kwh (vendidos a 0,075€/kwh).
Assim, a barragem reversível é lucrativa (porque tem um custo de 0,025€ para produzir 1kwh que tem um preço de 0,075€) e esta "arbitragem" é boa para o consumidor porque a produção "em ponta" é muito mais cara.

O problema é que as barragens reversíveis precisam de sítios especiais e que são raros.
Há poucos locais no mundo adequados para construir uma barragem reversível com potência instalada acima dos 1000 GW porque é precisam um local onde seja possível construir duas albufeiras que armazenem muita água e estejam a cotas bastante diferentes.
Se imaginarmos uma central capaz de produzir 5600 Mw, os locais talvez se contem pelos dedos de uma mão com alguns dedos cortados.
Mas, por força do destino, Portugal tem um desses locais mesmo à mão de semear.

Fig. 1 - Esquema de uma barragem reversível


A Barragem reversível de Alvarenga (no Rio Paiva). 
Alvarenga fica próximo da cidade do Porto, no Rio Paiva.
Os estudos relativamente à construção de uma barragem nas proximidades da ponte que liga Arouca a Alvarenga começaram em 1915 e apontam para a possibilidade de construir uma barragem com 1000 hm3 de armazenamento, com 150 m de altura e com capacidade para produzir 2000 Mw durante 48 h.

É preciso fazer outra ponte sobre o Douro, à cota baixa.
O investimento público a maior parte das vezes é estúpido e só serve para encher os bolsos de alguém.
Mas há coisas que fazem jeito e uma delas é uma nova ponte sobre o Rio Douro no Porto, próximo do mar à cota-baixa.
Neste momento, o Porto é uma cidade turística à beira rio e tem apenas um atravessamento à cota-baixa (a Ponte Luís I) e que está muito congestionado e que tem passeios muito pequeninos e perigosos.
Então, faz todo o sentido pensar num novo atravessamento à cota-baixa mais próximo do mar.
Quando foram as eleições de 2011, o candidato do PSD, avançou com a ideia de se fazer um túnel (e perdeu as eleições) mas eu que costumo passear à beira rio, penso que vi uma solução melhor e mais barata: a criação de um tabuleiro inferior na Ponte da Arrábida.
Como o tabuleiro inferior da Ponte Luís I está à cota 17 m,  navegabilidade só obriga a que o novo tabuleiro fique acima desta cota, 20m será suficiente.
O novo tabuleiro, feito em arco, pode descarregar toda a carga no maciço rochoso mas, além disso (e talvez fique mais bonito), também pode ser suspenso no arco da Ponte da Arrábida.

Fig. 2 - Um novo tabuleiro inferior na Ponte da Arrábida fica mesmo a matar.

Hoje tive uma visita do passado.
Quando eu era pequenino, uma vizinha minha que estava na França tinha 3 filhas, mais novas que eu mas com um cabelo muito comprido. Já lá vão 40 anos.
Hoje às 20h tocaram-me muito à porta lá de baixo mas eu não fiz caso. Depois, telefonaram-me e eu vi que eram as Testemunhas do Senhor Jeová. Não liguei porque estava mesmo na hora de jantar.
Mas, passado um bocadinho, tocaram mesmo na minha porta e eu tive que ir abrir.
Era a Raquel, a testemunha habitual, e outra, morena, cabelo comprido, tipo cigana que disse, "Eu sou a Ilda, a filha da Georgina do Pamparão."
Eu fiquei altamente irritado por estar na hora do jantar mas, para controlar a minha raiva, fui para a cozinha (comer) e deixei-as a falar com a minha mãe (que já quase não diz coisa com coisa).
Depois, passado meia hora, vim falar com elas e moça está toda boa, ainda com cabelo muito comprido (usa trança) mas em nada parece ter 48 anos e um filho com 30 anos!

A lição foi interessante, tratou-se de um exercício de exegese.
1 = Se Jesus, que era Deus, era amigo de Lázaro é porque Lázaro era bom aos olhos de Deus.
2 = Se há Céu, espaço de felicidade eterna, como Lázaro era bom aos olhos de Deus, quando Lázaro morreu, foi para o Céu.
3 = Jesus chorou quando soube que o amigo Lázaro tinha morrido pelo que sabia que Lázaro estava num sítio pior que a Terra.
4 = Jesus ressuscitou Lázaro porque o queria bem e este não disse "Foste mau porque me trouxeste de um sítio muito melhor."
Daqui fica mais do que provado que, quando as pessoas boas morrem, não vão para o céu. 

Sem mais nem quê, a Pamparoninha disse "o meu casamento correu mal, estou divorciada" e terminou com uma frase bíblica que, normalmente, é usada pelos borguistas: "Nascemos do pó e ao pó voltaremos."
Eu até pensei em lhe pedir o telefone ... para discutirmos mais aprofundadamente esse mandamento de Deus do "crescei e multiplicai-vos".
Mau! - pensei logo eu - Será que vou acabar, a "vender bíblias" porta a porta?
Pensei logo no ditado popular: "5 minutos em cavalo novo dá um mês de dores de costas."

Fig. 3 - Eu venho com a mensagem do Deus cujo nome é Sr. Jeová. 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Uma barragem é uma gestão de stocks

Hoje vou resolver dois problemas que têm afligido o país. 
Neste blog digo muita asneira e, para me castigarem, a minha entidade patronal cortou-me 30 dias de vencimento.
Como acho que não foi suficiente, para me redimir, vou esforçar-me na resolução de 2 problemas que muito têm afligido o nosso país.

A) A falta de água em Viseu
Se o gestor da barragem de Fagide adotar duas pequenas regras de gestão (em finais de Junho, a albufeira tem que estar a 125% da capacidade e não fazer descargas quando a barragem está abaixo dos 50%), nunca mais haverá falta de água em Viseu.

B) As explosões das caixas multibanco
Também bastam duas pequenas coisas (uma pequena pressurização das caixas multibanco e meter um alarme anti-gás) para resolver este problema de uma vez por todas.

Claro que ficam muitos problemas por resolver (por exemplo, sempre houve roubo em Tancos ou foi tudo apenas um exercício contabilístico?) mas deixo isso para os esquerdistas pois compete a eles a construção da sociedade utópica! Ou será que já se deixaram disso e agora querem apenas o voltar para trás, a "reposição do que existia em 2008"?.
A minha empregada (que nasceu na URSS), queria a reposição da URSS mas esqueceu-se de um pequeno pormenor: o fim da URSS aconteceu a 26 de Dezembro de 1991 não porque a Ucrânia tenha declarado a independência ( a 24/08/1991) mas porque, mais de 18 meses antes, a Federação Rússia já tinha saído da URSS (a 12 de junho de 1990, com o Boris Yeltzin) e sem Rússia não poderia haver USRR.

A gestão de um albufeira.
Gerir uma albufeira é como gerir um stock. Assim, a água que está na albufeira para fazer face aos períodos em que a entrada de água (que é controlado pela natureza) é menor que a saída de água (que é controlado pelos clientes e pelo gestor da albufeira).
O consumo de água pode ser humano (produção elétrica, agricultura e pecuária, industria e serviços, doméstico) ou ecológico (descargas para garantir a qualidade da água para os peixes e demais animais e plantas selvagens).

Vamos ao modelo de gestão.
Para ser preciso constituir um stock tem que haver variabilidade na entrada, na saída ou em ambos.
Se essa variabilidade é perfeitamente conhecida, o problema é de cálculo muito fácil. 
Vamos supor um sistema que os caudais de entrada e de saída são conhecidos e variáveis (maiores no verão segundo) a seguinte regra:

Quadro 1
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Média
Entrada 133 167 200 167 133 100 67 33 0 33 67 100 100
Saída 85 75 100 85 100 115 130 130 110 75 65 130 100


Neste caso, para garantir que há água nos meses de verão, é preciso uma albufeira com capacidade para armazenar 355 unidades de água. Se a albufeira for mais pequena que este valor, nos meses de Janeiro haverá rotura de abastecimento.

Quadro 2
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Saldo 48 92 100 82 33 -15 -63 -97 -110 -42 2 -30
Stock inic. 0 48 140 240 322 355 340 277 180 70 28 30

O problema é a variabilidade imprevisível e não controlável da entrada.
Estive a ver dados sobre o caudal médio diário que entra na Barragem do Alqueva (em http://snirh.apambiente.pt).
A média desde 15/11/2005 foi de 99,86 m3/s.
O problema não resulta de o caudal ser variável (desvio padrão de 193,7 m3/s) havendo muitos dias com baixo caudal (um dia em cada quatro, o caudal foi inferior a 8 m3/s) mas por ser imprevisível (de um dia para o outro, o caudal varia em 49 m3/s) e não controlável (temos que aceitar o que a "mãe natureza" nos quiser dar).

Fig. 1 - Caudais médios diários que entram em Alqueva (dados, http://snirh.apambiente.pt/)

O volume da albufeira para regularizar o Guadiana.
Se, por exemplo, quiséssemos que o caudal de saída em Alqueva fosse constante, 99,86 m3/s, usando os dados históricos da Fig. 1, a albufeira teria que ter uma capacidade útil de 8400 hm3 que corresponde a 2,7 anos de escoamento médio (a barragem do Alqueva tem uma capacidade útil de "apenas" 3150 hm3).
Como os dados históricos são de apenas 12 anos, com 8400 hm3 ainda não ficaria garantido a 100% que não haveria alturas em que seria preciso diminuir o caudal de descarga (e outros em que seria preciso aumentar). 

Fig. 2 - Evolução do nível de uma hipotética albufeira de regularização do Rio Guadiana com 8400hm3 (Caudais da Fig. 1)

Vamos dimensionar Fagilde.
O problema é que preciso de séries histórica que, apesar de existirem, não estão on-line no SNIRH.

Saídas.
Sobre consumos municipal, existe uma série mensal que está disponível para 1997, 1999, 2000 e 2001.
É pouco para fazer alguma coisa mas "martelando" a coisa, o consumo médio é na ordem dos 200 litros/s e pouco variável (em Junho, Julho, Agosto e Setembro o consumo é cerca de 20% acima da média). 
Servindo uma população de 130 000 pessoas, 200 l/s traduz um consumo médio de 4 m3/pessoa por mês.

Entradas.
Preciso do caudal do rio e existem dados mas não estão disponíveis.
Existe a série da altura de água na Ponte de Fagilde que começa em 1/06/1917 mas que, por razões que não sei explicar, só está disponível on-line até 1923 e com buracos!
Com a altura de água e a Curva de Vazão, é possível calcular o caudal. Também existe o problema de, apesar de ser fácil de medir no local, a curva de vazão para a Ponte de Fagilde não estar disponível!
Vou então fazer um dimensionamento adoptando o regime de Alqueva depois de escalados os valores para um caudal médio é 4760 l/s.
Penso ser um dimensionamento conservador porque o Rio Guadiana, sendo de uma região mediterrânica com um verão muito longo e seco, tem um caudal muito mais variável e imprevisível que o Dão. 
Mas o Rio Dão é mais curto.

O resultado é de!!!!!
Usando um consumo médio de 200 l/s, seria suficiente uma albufeira com 920 mil m3 e a de Fagilde tem  o triplo, tem 2800 milhares de m3!
Este volume traduz que existe uma coeficiente de segurança suficiente para nunca haver falta de água para abastecimento doméstico.
Então, alguma coisa falhou! 

Terá sido a seca?
Não.
Na série que tenho de 1917-1923, o nível do rio está na ponte de Fagilde a zero apenas 6 dias por ano (que traduz caudal zero), e está abaixo da média apenas 100 dias por ano. 
Acresce que os 2800 mil m3 da albufeira dão para consumir 200 l/s durante 162 dias com o caudal do rio a zero.
Sendo estatisticamente impossível ter havido em 2017 um série com 162 dias seguidos em que o caudal do Rio Dão em Fagilde foi zero, não veio daqui o problema.

Arranjei mais uns dados.
Na Ribeira de Coja, o caudal é medido nos Moinhos de Pepim mas só há dados disponíveis para 8,9 anos, entre 1/10/1981 e 30-09-1990.
O caudal médio é de 2803 l/s e a série mais longa com caudal zero (abaixo de 1% da média) foi de 108 dias (entre 11/07/1989 e 26/10/1989), longe dos 162 dias.

Também arranjei um dado interessante sobre a capacidade da alfufeira de Fagilde. 
Apesar de a Wikipedia dizer que a capacidade é de 2 800 000 m3, os dados do SNIRH indicam 8 meses em que a capacidade esteve acima dos 3 000 000 m3 tendo atingido 3 570 000 m3 em Junho de 2005!
Pensando que o mínimo indicado (160 000 m3 em 12/2005) traduz o volume morto, a albufeira parece ter uma capacidade de 3 410 000 m3 que daria para um consumo de 200 l/s durante 197 dias com o Rio Dão seco, desde o dia 17 de Maio até ao dia 1 de Dezembro.


Terão sido os incêndios?
Não.
Os carro dos bombeiros grandes têm uma capacidade média de 12 m3, entre 4 m3 e 16 m3.
Se houvesse 100 carros de combate a incêndios (que não houve), fossem buscar água 10 vezes por dia e se o incêndio tivesse durado 10 dias (que não durou), retirariam 120 mil m3.
Mesmo somando os aviões e os helicópteros, não houve tal retirada de água mas, mesmo que tivesse havido, a albufeira deveria ter 2000 mil m2 de reserva pelo que não foi daqui que veio o problema.

Foi má cabeça do gestor da albufeira.
Fui buscar a turbinação da hidroeléctrica de Fagilde e estão disponíveis dados entre 1/10/1999 e 31/12/2007. Mais uma vez, não compreendo porque os dados não estão acessíveis até 2017.
A central tem uma capacidade máxima de 10 m3/s e, em média, a central turbina 40% dos dias um caudal médio de 4,8 m3/s.
Vejamos a tabela dos dias em que houve turbinação e o total do caudal turbinado em cada mês:

Quadro 3
Mês Dias Caudal (hm3)
1 66% 6,40
2 79% 9,72
3 82% 11,28
4 70% 6,32
5 22% 1,18
6 0% 0,00
7 0% 0,00
8 0% 0,00
9 0% 0,00
10 18% 2,49
11 53% 7,45
12 70% 10,69

Como a água para consumo humano tem muito mais valor que a água para turbinar, a turbinação só deve acontecer quando a albufeira está cheia. E olhando para esta tabela, até Abril, com certeza que a albufeira estava cheia mas, em Maio, tenho as minhas dúvidas e, em Outubro, tenho a certeza que não.
Claro que não tenho os dados sobre o nível da barragem nos dias de turbinação mas quase de certeza que o problema do esvaziamento está nesta má gestão.

Olhemos para o Quadro 1. 
A barragem em Maio e Junho de 2017 com certeza quase a 100% que estava cheia mas em Setembro a turbinação acontece com pouca água na barragem a pensar que as chuvas estão a chegar.
O problema é que em 2017, as chuvas não chegaram e a albufeira ficou sem água.

Já sei porque tem dias com volume superior à capacidade máxima.
A albufeira está vazia à cota 300,00m e atinge a capacidade máxima de 2,8 hm3 à cota máxima de 310,15m. No entanto, depois, ainda tem uma margem de segurança até 311,60m que pode ser usada quando não há risco de cheias (Maio e Junho). Foi atingida a cota 311,48 em 30/Maio/2011, armazenando com 154% da capacidade máxima (cálculo meu, 4,3 hm3).
Pelos dados disponíveis (1/1/2002 a 6/12/2017), relativamente a Novembro de 2017, o principal problema foi a albufeira estar em Junho a 90% (quando o normal seria estar acima nos 120%).
Se a albufeira tivesse em Junho com 125% ( em Junho de 2005 estava a 127,5%), chegávamos a finais de Novembro 2017 com a albufeira a 30% e não a 5%.

CapacidadeDiaDiasPerda
100%=>07-03-201712426
90%=>09-07-201712270
80%=>21-07-20179360
70%=>30-07-201710324
60%=>09-08-201710324
50%=>19-08-201714231
40%=>02-09-201713249
30%=>15-09-201723141
20%=>08-10-20173398
10%=>10-11-2017     

O que fazer para o futuro?
Com duas pequenas regras de gestão, nunca mais haverá falta de água em Fagilde
1 = Em finais de Junho, a albufeira tem que estar a 125% da capacidade.
2 = Descargas para outros fins que não o consumo humano e emergências (incêndios) só pode acontecer quando a barragem estiver acima dos 50%, isto é, tiver mais de 1400 mil m3 na albufeira.
Estas regras não excluem fazer-se uma barragem de terra no Alto Dão (como já expliquei noutro poste) e alguém obrigar as entidades públicas a tornarem públicos os dados que têm para que o conhecimento possa avançar.
Teses de mestrado poderiam ser feitas com estes dados e não podem ser feitas.

O problema dos multi-bancos também tem solução fácil
Uns fulanos, talvez portugueses, talvez de outro sítio qualquer, descobriram que metendo gás que usamos para cozinhar dentro das caixas multibanco, estas explodem completamente.
Isto tem uma solução muito simples.
1 = O interior da caixa tem que estar pressurizado. Recolhendo ar num sítio seguro (uma tomada de ar no telhado do edifício), um ventilador de 0,01 bares mete esse ar dentro da caixa multibanco de forma a tornar impossível que entre gás para a caixa a partir da rua.
2 = Haver, dentro da caixa, um alarme de gás. 

Finalmente, a minha empregada anda a ver se ... me encrava a vida.
Por mais estranho que pareça, eu tenho uma empregada e, mais estranho ainda, é muçulmana do Uzebequistão, a Feruza.
A Feruza tem uma amiga (a Madina que também já foi minha empregada e que também, estranhamente, é muçulmana mas da Cabárdia-Balcária) que quer ajudar livrando-a da filha que é rabugenta, só come, dorme e reza.
São capazes de adivinhar quem é o melhor candidato a pato?
A mocinha, conheço-a de quando tinha 13 anos (foi minha colega de Kung Fu) e era uma criança adorável mas, agora com 24 anos, parece que está como o diabo.
No outro dia dei um casaco comprido à mãe (Berska) e arranjei-lhe duas madames para ela trabalhar. Hoje, pelo sim pelo não, mandei uma prendinha à rapariga, um saco branco Hello Kitty. Tudo coisas que obtive das minhas irmãs a preço zero e que tentei dar à ucraniana mas que não aceitou.
Se calhar, para remissão dos meus pecados, vou ter que ajudar a Madina!

A mocinha nua, é bonitinha mas, vestida, não dá para ver nada (sim, na rua ela anda assim vestida)

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