quarta-feira, 29 de abril de 2015

Eu sou racista

Mas o grave é que não sou o único. 
Um dia, era jovem tenro, fui à Galiza, foi o meu primeiro contacto com estrangeiros. Achei altamente estranho que numa margem do Rio Minho todas as pessoas falassem Português e, apenas a uns metros de distância, já todas as pessoas falassem Espanhol (agora chamam-se Galego). 
Como é que foi possível "convencer" todas as pessoas do lado de cá a falar Português e todas as do lado de lá a falar Galego?

Foi o poder da espada e da segregação.
Eu sinto-me incomodado quando estou num café, num parque público ou num comboio e três ou quatro pessoas a meu lado começam a falar Búlgaro, Ucraniano ou Romeno. Ainda mais me incomoda que falem alto e que um se ria quando outro diz coisas que eu não compreendo. 
Da mesma forma que o Papa Xico se sente incomodado quando vai na sua condução e o carro de trás começa a dar sinais de luzes e a buzinar, todos nós nos incomodamos quando ouvimos e vemos coisas diferentes a "invadir" o nosso espaço.
Tanto incomodava aos nosso antepassados ouvir galego que, quando alguém se atrapalha na fala, dizemos "deixa essa galegada e fala em condições" e a couve mais rija da horta chama-se Couve Galega (quando  essa planta não é originária da Galiza).

Porque será que somos racista?
Quando, há uns anos, a minha cabeça começou a dar sinais de que já não aguentava o stress do dia a dia, comecei a praticar "artes marciais orientais." E foi exactamente no Tai Chi / Chi Kung / Kung Fu que compreendi a razão de sermos racistas.
Não tenha vergonha em reconhecer que é racista pois é algo universal, todos nós somos racistas e isso está gravado nos nossos genes. Até o Bruno Nogueira (ver, Um ataque de Cosme)  e o Louçã (ver, Duarte Gomes e o amigo que afunda os barcos da pretalhada) são racistas pois nenhum defende que a pretalhada tem o direito a vir viver para Portugal (a minha hipótese 1).
Não há ninguém que diga "abram as fronteiras e tragam essas pessoas para cá, sejam mil, um milhão ou 1000 milhões."

Fig. 1 - Na minha vida tenho 6 anos de Tai Chi - Chi Kung - Kung Fu.

No Tai Chi - Chi Kung - Kung Fu o candidato a guerreiro aprende uma coreografia complexa, com uma articulação não natural dos dedos, pés, ombros, etc., o que obriga a um grande e longo esforço de aprendizagem. O objectivo é que seja totalmente impossível uma pessoa olhar para outra enquanto faz a dança  conseguir imita-la (é uma arte interior, i.e., a coreografia era ensinada em segredo).

Mas onde é que isto tem a ver com a "guerra"?
Calma que já lá vou.
Na batalha, as tropas de um exército tentavam penetrar as linhas do outro exército para fazerem assassinatos e sabotagens. E, como os chineses eram muito parecidos uns com os outros, não havia forma de saber quem pertencia a que exército. Então, quando havia dúvida, o soldado era obrigado a executar a coreografia. Se tivesse a mais pequena das falhas na colocação dos dedos, pés, ancas, cabeça ou mesmo na direcção do olhar, era logo identificado como um infiltrado.
A coreografia era a "password".

Fig. 2 - ZZZZZZZAAAAAAAZZZZZ, head-off, não passava de um infiltrado.

E que tem isso a ver com a racismo?
Vamos a ter um pouco de paciência que já lá vou.
Edgar Morin acha, à luz da Teoria da Evolução das Espécies, estranho que o nosso cérebro se tenha desenvolvido com capacidade para fazer coisas que, aparentemente, não contribuíam em nada para a nossa sobrevivência na selva.
É que o nosso cérebro gasta 20% da nossa energia e, não havendo na selva equações matemáticas para resolver nem naves espaciais para pilotar, como é que um cérebro com essas capacidades pode ter contribuído para a nosso sucesso quando mais nenhum animal seguiu esse caminho evolucionário?
Qual era a força de selecção que matava os menos inteligentes e deixava os outros viver de forma a que, ao longo dos milénios, a nossa espécie pudesse ter evoluído até aos cabeçudos que somos?

Teve a ver com os "nossos irmãos."
É que na selva, a principal causa de morte dos hominídeos nossos antepassados eram os outros hominídeos.
Se um grupo ocupava uma gruta e os terrenos de caça que a rodeavam, tinha a constante ameaça de outros grupos que lhe queriam roubar a "herança". Como uma mulher pode na sua vida ter 20 filhos, um grupo de hominídeos rapidamente ficava grande de mais para o seu território pelo que se via obrigado a tentar ocupar outros territórios vizinhos (onde outros já viviam, tendo que ser dominados e destruídos).
Da mesma forma, os leões são mortos principalmente por outros leões e os elefantes por outros elefantes.
Para um grupo prosperar era preciso destruir os grupos vizinhos. Nessa guerra, o Cérebro foi a nossa "corrida às armas" como no Elefante foi o tamanho e os dentes, na Gazela a velocidade e os cornos e no coelho as tocas e o número de filhos.

Fig. 3 - No tempo dela, esta gaja era super-model, era a Gisela Bundchen do Paleolítico Inferior.
.
E de onde vem afinal o racismo?
É que, por um lado, um grupo maior teria maior capacidade para submeter os grupos vizinhos mas, por outro lado, teria acesso a menos recursos naturais (teriam que ser divididos por mais pessoas).
Do lado da inteligência, por um lado, hominídeos mais inteligentes, conseguiam submeter grupos maiores (ficando com acesso a mais recursos naturais por cabeça) mas, por outro lado, gastariam mais energia no cérebro.
A nossa espécie evoluiu num dialogo entre estas duas forças, o tamanho do grupo e a inteligência dos indivíduos.
O racismo vem de 1) no calor da batalha ser preciso identificar os que são "dos nossos" dos que são "dos outros" e 2) evitar a infiltração pacífica de elementos "dos outros" porque iriam consumir os nossos recursos naturais.
Interessante que, se hoje ouvirmos as pessoas da rua, continuam a ser estas as duas razões contra a entrada da pretalhada na Europa, "São uns terroristas que nos vêm matar" e "Roubam-nos os empregos".
Foi preciso evoluir para grupos homogéneos com pequenas (mas crescentes) diferenças entre grupos na língua, no encaraculado do cabelo, na cor da pele ou na dança do Tai Chi. E para isso acontecer, fomo-nos tornando também cada vez mais racistas, conseguindo excluir as pessoas pela mais pequena das subtilezas (por exemplo, matávamos pessoas pelo simples facto de não comerem chouriço).
O criticarem-me por "dar erros hortográficos" sendo que a hortografia não passa de uma convenção que está em constante motação, traduz essa pressão para uniformizar tudo e todos. É a hortografia, o sotaque, a saia ser ou não pelo joelho, o nariz ser grande, as mamas pequenas, essas pequenas pressões vêm dos consfins da selva.

Fig. 4  -Diz a tradição que as alheiras surgiram porque quem não tivesse chouriços dependurados, era queimado na fogueira da Inquisição.

Ser racista e ser inteligente são as duas faces da mesma moeda.
Temos que combater o nosso racismo nas acções e não no pensamento.
E temos que o combater na acção porque o pensamento está sempre dentro de nós e pronto a explodir seja na África do Sul (contra os Moçambicanos e os Nigerianos), na Birmânia (contra os bengalis) ou na França contra os Judeus.
Os ataques são sempre condenados por toda a gente com as mais duras palavras mas estão continuamente a acontecer pelo que só pode ser algo que está codificado nos nossos genes.

Nós não passamos de selvagens vestidos de fato e gravata.
Mesmo o ataque iniciado pelo Louçã contra mim não passa desse racismo natural, não aceita uma pessoa, a mim, que pensa de forma diferente dele, eu não pertenço ao grupo dele, não pertenço aos esquerdistas desmiolados.
Reparem bem, eu avanço com duas hipóteses 1) trazer a pretalhada para cá de forma segura nos aviões da TAP e 2) afundar os barcos e matar a pretalhada. Eu não digo qual das duas hipóteses prefiro (disse depois que prefiro a hipótese 1) Mas o Louçã não disse que defendia a hipótese 1), disse apenas que eu sou racista (o que é verdade) por ter articulado a hipótese 2.
O Louçã deveria dizer "Um sábio disse que devemos trazer a pretalhado todo para cá porque isso é positivo para nós e, por isso e por questões de humanidade, vou fazer uma campanha para que isso aconteça o mais rapidamente possível."

Se o Estado Português.
Me arrendar 1000km2 de território para eu fazer uma Cidade Franca, eu comprometo-me a receber todas as pessoas que atravessam o Mediterrraneo alojando-as com dignidade pelo menos igual à que têm nos países deles, melhor que nos campos onde estão e sem qualquer custo para Portugal.
Eu aceito nem que sejam 50 milhões e Portugal ainda terá lucro com isso pois eu pago a renda e estas pessoas serão um vasto mercado para os bens portugueses.

Agora a parte mais interessante.
Já tive no meu emprego 3 "processos de averiguações" por causa deste meu blog.
E parece que agora vou ter mais um.
É que o Louçã é um esquerdista e os esquerdistas estão em grande maioria nas universidades.

Fig. 5 - Vamos ter um problema cósmico

PF, enviem um e-mail para pedagogico@fep.up.pt
Nada melhor do que isto para verem que, mesmo 41 anos depois do 25-de-abril-de-1974, a liberdade de expressão ainda é algo que precisa ser defendido.
Pedia-vos o seguinte. Quem achar que eu tenho todo o direito a escrever no meu bloque o que bem me apetecer, por favor envie um e-mail para pedagogico@fep.up.pt a dizer:

"Ex.mo Sr.
O Blog do Cosme não põe em causa o prestígio da Faculdade de Economia do Porto.
Atentamente
"
Obrigado.

Hoje na Farmácia.
Fui comprar uns medicamentos e estive a falar com a Kátia a gabar-me que era um celebridade, que o Bruno Nogueira, aquele alto com uns braços fininhos, tinha feito uma crónica na TSF sobre mim. Eu não ouvi mas, mesmo que tenha dito de mim que eu era pior que o Hitler, não deixa de ser extraordinário. Eu, perdido aqui neste computador ter honra de ser cronicado.
Foi uma oportunidade para meter uma pequena conversa e a Kátia é tão boa. Até sonho com o meu filhinho mais velho a chamar-se Joaquim Kátia e o mais novinho João Kátia.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 26 de abril de 2015

A Cidade Franca

De tudo se pode tirar proveito.
Todos os dias chegam 1000 pessoas às praias europeias depois de arriscarem a sua vida a atravessar o Saara e, depois, o mar Mediteraneo. Se isso é um problema para essas pessoas, também se torna um problema para todos nós porque, uma vez na praia, ninguém sabe que destilo lhes dar. Metem-nas em campos de concentração o que, além de ser mau para os imigrantes, é mau para nós pois custa milhões de euros aos contribuintes europeus.

O Princípio das Vantagens Comparativas.
É uma das grandes descobertas da teoria económica e deve-se a David Ricardo (publicada em 1817).
O PVC mostra que o comércio é positivo para todas as pessoas porque permite que cada um se especialize na actividade para a qual tem mais "queda".
Eu, por exemplo, especializei-me em ajudar os jovens a prepararem-se para a sua vida profissional futura o que apenas é possível porque o Sr. Miranda se especializou a fazer almoços.
Num mundo onde todos estamos especializados somos mais produtivos porque aproveitamos as nossas melhores capacidades, os recursos naturais locais e as economias de escala dos processos produtivos.
Como cada pessoa só realiza uma tarefa, é necessário o comércio para que cada um de nós possa ter acesso a todos os bens que precisa e que não produz.
Se não houvesse comércio não teríamos electricidade, carro nem mesmo casa (não seriamos capazes de produzir cimento). Além disso, um médico não poderia saber tanto como sabe porque não poderia dedicar todo o seu tempo a aprender Medicina (e um engenheiro a aprender engenharia).

Fig. 1 - David Ricardo fez uma das descoberta com maior impacto na humanidade.

Mas a PVC não é óbvio.
Não é óbvio que o comércio entre as pessoas (no mercado) induza melhorias na vida de todas as pessoas. Menos óbvio o era em 1817, quando se pensava que a protecção e a escravatura eram as chaves para que um país fosse rico.
E por não ser óbvio é que ainda hoje os esquerdistas cabeças de vento são contra o "mercado". Dizem-se muito pelas liberdades mas, depois, são contra que as pessoas produzam, vendam, comprem e consumam o que muito bem entenderem e de forma livre (dadas as restrições pois a Economia trata da afectação dos Recursos Escassos).
Como não têm cabeça para compreender o bem que o comércio causa às pessoas, para não reconhecerem a sua pequenes intelectual, diabolizam o "mercado".

David Ricardo era mesmo português.
Vê-se pelo nome que não poderia ser outra coisa que não português.
Apesar de Ricardo ter nascido em Londres em 1772 de pais e avós que nunca estiveram em Portugal, sempre se afirmou como português, desde que nasceu até ao derradeiro dia da sua vida.
Pena que, apesar de ser um dos mais importantes pensadores que a humanidade já teve, esteja excluído do grupo dos nossos Egrégios Avós. Talvez seja pelo facto de ser judeu e de os seus antepassados terem sido expulsos de Portugal.

Mas o que tem o PVC com os desgraçados que se afogam no Mediterraneo?
É que são uma oportunidade para nós. Assim, podemos ajudá-los e, ao mesmo tempo, beneficiar enormemente com isso.
Vamos cobrar uma renda anual a cada pessoa que queira vir viver para Portugal e ver se alguém quer.
Se alguém aceitar pagar renda para viver cá é porque vive melhor aqui (pagando a renda) do que onde está (não pagando) e nós também ficamos melhor porque passamos a receber dinheiro que de outra forma não receberíamos.
É que cada pessoa que chega à Europa vem com uma fortuna escondida debaixo da pele. Considerando o máximo de tempo que uma pessoa pode trabalhar (à luz do Génesis, são 72h/dia), cada pessoa traz dentro do corpo 145 mil horas de trabalho potencial. Se conseguirem produzir 2€ de valor por cada hora de trabalho, cada uma daquelas pessoas transporta quase 300 mil € potenciais. Num horizonte temporal de 50 anos, transportam  6000€/ano de riqueza que no país deles não vale quase nada.
Mas nós portugueses temos medo dessas pessoas, temos medo que nos roubem os empregos e que sejam violentos. Mas eu tenho uma solução óptima para isso.

Fig. 2 - É preciso ajudar estas pessoas

Vamos fazer uma Cidade Franca isolada do resto de Portugal.
Cercamos uma àrea, na Zona Saloia ou no Alentejo, com uma cerca semelhante à que separa Melilla de Marrocos. A cerca terá 200 km de extensão e conterá 3000 km2 de terreno, cerca de 3% do território português (uma área idêntica à área do Distrito de Lisboa).
No meu exercício, a Cidade Franca será uma Zona Internacional. Assim, qualquer pessoa pode ir para lá viver e trabalhar e regressar ao seu país sem necessidade de visto nem passaporte.
Para viver na Cidade a pessoa apenas precisará de pagar uma renda anual.

Fig. 3 - Se esta vedação é humana em Mililla, também o será na Zona Saloia.

As pessoas residem na Cidade Franca como se continuasse no seu país de origem.
Por exemplo, um eritreu, não tendo passaporte nem visto, compra um bilhete de avião com destino à Cidade. Chegado ao aeroporto de Lisboa, apanha o Shuttle para a Cidade onde fica a residir com o mesmo estatuto que teria se estivesse na Eritreia. Quando pretender viajar de volta à Eritreia, vai no Shuttle até ao Aeroporto de Lisboa e apanha o avião de volta a casa. Se tiver visto para entrar noutro país, também poderá ir a partir da Cidade.
Como as pessoas não podem sair da Cidade para o resto de Portugal, estarem lá não terá qualquer impacto negativo nas nossas vidas.
A pessoa, além da residência, poderá estudar, ensinar, trabalhar, ser empregado ou patrão, poupar, investir, importar e exportar. Por estar dentro da Zona Euro, a moeda será o Euro e haverá livre comércio com os países da União Europeia. É isto tudo que está incluído na renda.
Quem quiser pagar vem.e quem não quiser pagar fica em casa desenrascando-se como puder.

A Cidade Franca será gerida por empresas privadas.
Agora tenho que resolver o problema da gestão da Cidade. Será preciso tratar das infra-estruturas, do abastecimento de água e recolha de lixos, da segurança, da aplicação da justiça e da cobrança dos impostos para pagar esses serviços todos e a renda. Será ainda preciso arranjar investidores que construam as casas e as instalações industriais, de serviços e de lazer.
À luz da economia, o melhor é a Cidade ser privada. Para haver concorrência, a Cidade será dividida em lotes idênticos, (por exemplo, 10), geridos cada um por uma empresa privada (em concorrência). Cada empresa terá que procurar ter um nível de serviços e de impostos que atraia pessoas produtivas e bons empresários para os seus lotes de forma a maximizar os seus lucros.
Sobre os lucros, as empresas pagarão ainda IRC ao Estado Português.

E quantas pessoas terá a Cidade Franca?
Agora passam o Mediterraneo cerca de 1000 pessoas por dia. Imaginemos que esse número aumenta para 2500 pessoas por dia. Num horizonte temporal de 30 anos, darão à costa 27 milhões de pessoas! Somando os filhos, para resolver o problema das praias europeias é preciso, num horizonte temporal de 30 anos, a Cidade ter capacidade para 50 milhões de pessoas.
É muita coisa, a Cidade terá 5 imigrantes por cada português.

Será possível meter 50 milhões de pessoas na Zona Saloia?
É que Portugal tem 10 milhões de habitantes e parece não ter lugar para mais ninguém.
Mas é possível se olharmos para as mega-cidades dos países menos desenvolvidos.
O Distrito de Lisboa tem uma densidade de 810 pessoas por km2 (vivem 2,24 milhões de pessoas em 2760 km2,) mas a zona urbana de Manila - Filipinas tem uma densidade de 15400 pessoas por km2 (vivem 22,5 milhões de habitantes, em 1475 km2). No espaço de um lisboeta cabem 19 manilos (ver, Fig. 4).

Fig. 4 - Comparação entre o Distrito de Lisboa-Portugal e a Área Urbana de Manila - Filipinas

Com uma densidade nesta ordem de grandeza será possível ter 50 milhões de pessoas numa cidade com 3000km2, semelhante em tamanho ao Distrito de Lisboa, sem estarem muito apertadas. Ainda dará espaço para parques e jardins públicos.
E 50 milhões de pessoas a 1000€/ano cada, são 50 mil milhões € por ano de renda, em 4 anos pagam a nossa dívida pública toda.

E, além da renda, teremos muitos outros benefícios.
Portugal vai vender água, 100m3 por segundo, e fazer o tratamento dos esgotos e dos lixos. A água não será problema pois o rio Tejo tem um caudal Médio de 330 m3/s e o lixo tratado previamente na Cidade (reciclando tudo o que seja possível).
Vamos ainda fornecer electricidade e serviços de logística. Fornecer serviços médicos, de educação e bancários.
A Cidade também será a origem de muitos turistas para as nossas praias e mercado para muitos dos nossos bens, hortaliça e frutas incluidas.
Com 50 milhões de habitantes, tudo isto vai render muito bom dinheiro e criar muitos postos de trabalho para os portugueses.
A nossa economia vai evoluir para uma economia de prestação de serviços semelhante à do Luxemburgo (que faz fornece estes serviços aos alemães).

Poderemos ser tão ricos como os luxemburgueses
Se criarmos uma Cidade Franca para acolher os milhões de deserdados que vivem por esse mundo fora, podemos ser ricos e, mesmo assim, ajudar as pessoas.
E isto tudo isto vem do Princípio das Vantagens Comparativas que um português descobriu há quase 200 anos.
Fig. 5 - Seremos todos sheikes árabe, só praia e gajas boas.

Pedro Cosme Vieira.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O PEC 5

O PEC5 é um trabalho desonesto.
Os autores, Mário Centeno (coordenador) Fernando Rocha Andrade, Sérgio Ávila, Manuel Caldeira Cabral, Vítor Escária, Elisa Ferreira, João Galamba, João Leão, João Nuno Mendes, Francisca Guedes de Oliveira, Paulo Trigo Pereira e José António Vieira da Silva, apresentam um texto que é desonesto na análise e um conto de crianças no impacto orçamental e no crescimento do PIB das politicas propostas.

Não passa de um PEC5.
Não passa do retomar da narrativa do PEC 4 em que o Sócrates se dizia capaz, sem qualquer austeridade, de diminuir o défice de 11,2% do PIB em 2010 para 1% em 2014. Seria capaz de uma consolidação orçamental de 2,55 pp por ano.
Agora até não são nada ambiciosos, vão reduzir o défice de 3,2% do PIB em 2015 para 0,9% em 2019 (0,4 pp por ano).
Como podem estas cabeça de vento dizer que o Passos "consolidou de mais" se o Sócrates se propunha consolidar 2,55 pp/ano e era totalmente possível e, agora que o Passos "só" consolidou 2,00 pp por ano (aceitando 1ue em 2015 o défice será de 3,2% do PIB) já é demais?
Os iluminados propõe-se consolidar 2,3 pp (ver, Fig. 1) e acham isso um grande feito mas o Passos ter consolidado 8 pp foram só "políticas erradas".
2,3 pp, até o Varofaquis era capaz de fazer melhor.
Além disso, o Passos consolidou 12 pp nas contas externas.
O PEC5 além de ser menos ambicioso que o PEC 4, também mudaram a causa da crise. Em 2010 a culpa era "da crise internacional" e agora é "das políticas erradas do governo de Passos Coelho". 

Fig. 1 - Comparação entre o conseguido pelo Passos Coelho (azul), o PEC4 e o PEC5 (vermelho tracejado).

As exportações (p.15).
Em termos de média semestral, em meados de 2008 o nível das exportações atingiu um máximo de 3265 milhões € por mês (normalizemos como 100%). Depois, motivado pela Crise-do-sub-prime, no prazo de 10 meses, as exportações caíram 30% para 2310  milhões € por mês.
Os autores fazem uma especulação sobre a razão desta crise mas sem qualquer fundamento. Esta quebra aconteceu um pouco por tudo o Mundo.
Em 2011, no fim do mandato do Sócrates, as exportações voltaram ao nível de 2008 mas no tempo do Passos Coelho, com a economia a contrair 6,7%, as exportações aumentaram 25% para os actuais 4060 milhões € por mês, 25% acima do máximo do socratismo e 75% acima do mínimo de 2009.

Fig. 2 - Evolução das exportações (a azul) e média móvel (a castanho)

Serão as exportações sustentáveis?
Aqui é que está uma tentativa para aldrabar as pessoas: "Tudo indica que os aumentos registados de exportações de bens e serviços não correspondam a uma evolução sustentada, visto que se registam taxas cada vez menores para o seu crescimento." (p.15)

Imaginem um jovem que mede 1,00m, começa a crescer rapidamente e, quando atinge 1,80 m, para de crescer. Será que podemos dizer que a altura não é sustentável porque ele parou de crescer?
Será que, porque ele parou de crescer fica logo certo que ele vai voltar a medir 1,00 m?
É isto que estes aldrabões estão a dizer. As exportações estão nos 4060 milhões € por mês mas vão cair porque as taxas de crescimento estão a diminuir.

Mas depois, na p.39.
No enquadramento macroeconómico, dizem que nos próximos 4 anos as exportações vão aumentar 25%.
Mas no que ficamos? Crescem ou não crescem?
Concerteza que as exportações não vão crescer 25%, 6%/ano. Olhando para a Fig. 2, é evidente que as exportações estão no último ano a crescer a uma velocidade na ordem dos 1,3%/ano e não será previsível termos valores muito superiores a este.

É a famosa "folha de cálculo do Gasparzinho". 
Estes aldrabões tanto poderiam dizer que as exportações vão crescer 6%/ano como que vão crescer 60% por anos, não passam de valores numa folha de cálculo.
E lembram-se do que estes esquerdistas diziam da folha de cálculo do Gasparzinho?
Pois meteram-na na p. 95.

O mercado de trabalho (p. 20).
"No que respeita à evolução do mercado de trabalho, verificou-se uma forte quebra do emprego entre 2011 e 2013"
Isto é totalmente desonesto porque omitem o período 2008-2011 (Sócrates) onde se verificou a maior parte da queda no emprego tendo sido mais do dobro do que se verificou no período  do Passos Coelho.
No segundo trimestre de 2008 atingiu-se o máximo de emprego com 5149 mil pessoas empregadas. Quando o Passos Coelho tomou posse, no segundo trimestre de 2011, o nível de emprego estava em 4788 mil empregos. Entre 2008 e 2011, o Sócrates, mesmo com endividamento massivo do Estado e do país face ao exterior, ambos os défices acima dos 11% do PIB, "destruiu" 9710 empregos por mês que omitem.
Não dão importância nenhuma ao facto de, entre 2008 e 2011, o Sócrates ter "destruído" 9710 empregos por mês mas já é um crime contra a humanidade o Passos Coelho ter "destruído" 4500 empregos por mês, menos de metade da velocidade a que o Sócrates "destruiu" empregos (ver, Fig. 2 onde a área a verde traduz a boa prestação do Passos Coelho relativamente à tendência que "herdou" da "política de crescimento e emprego" do Sócrates).

Fig. 2 - Evolução do emprego em Portugal comparando-se o governo de Sócrates com o de Passos Coelho (dados: INE)

Todas as medidas aumentam a despesa pública mas
na folha de cálculo da p. 95, a despesa pública diminui de 48,6% do PIB em 2014 para 43,1 do PIB em 2019! Conseguem diminuir a despesa pública aumentando a despesa pública.
Isto é um milagre, estes gajos têm que ser canonizados, que isto é um milagre nunca visto, muito mais difícil do que curar 100 paralícos.

Mas vejamos algumas medidas graves.

4.1 => Aumentar a rigidez do mercado de trabalho e a tributação das empresas  (p.31)
=> Fim dos contratos de trabalho a prazo (reduzidos à substituição temporária de trabalhadores efectivos)
=> Acabar com o Despedimento Colectivo (passará a haver um "regime conciliatório" em que a indemnização passa a 18 dias por ano de trabalho).
=> Vão acabar com o Subsídio de Desemprego e criar o Seguro de Desemprego (isto não será inconstitucional?).
=> São os empregadores que pagam para o Seguro de Emprego e quem despedir verá o prémio do seguro aumentado (como quando temos acidentes com o nosso carro).
Dizem que isto se vai traduzir num aumento da carga fiscal das empresas em 100 milhões € por ano (P. 34).
Os patrões que paguem a crise.

Vão criar 300 mil postos de trabalho!
Em 2005, o Sócrates contentou-se em prometer criar 150 mil postos de trabalho mas estes não vão com pequenos números. Têm um sonho que é o dobro do sonho, nunca concretizado, do sócrates: criar 300 mil postos de trabalho (p. 95, na linha do aumento do emprego em taxas).
Aumentar o número de empregos em 6,4% atendendo à normal destruição de emprego, vai ser preciso criar pelo menos 300 mil empregos, 75 mil por ano.
E como é que vão fazer isto aumentando a rigidez do mercado de trabalho?

Fig. 3 - Os "mais 150 mil empregos" transformaram-se em mais 150 mil desemrpegados

Isto está mesmo lá escrito!
Não sei como ainda pode nos dias de hoje haver uma cabeça que pense que proibindo os despedimentos faz aumentar o emprego e diminuir o desemprego. Faz lembrar a minha mãe, totalmente caquéctica da cabeça, que garante que se proibissem o divórcio, haveria muito mais casamentos e acabaria a violência doméstica.
Isto é o maior retrocesso mental que se pode imaginar, equivalente a obrigar as mulheres a ficar em casa para aumentar a natalidade. Tal e qual, a minha mãe e muitas como ela têm a certeza que o que causa a baixa natalidade são os abortos e as mulheres terem emprego.

4.1.4 => Sistema de pensões
É só conversa fiada que se condensa em duas medidas (p. 39):
=> aumentar o número de pessoas que descontam para o sistema
=> diminuir o número de pessoas que recebem pensão do sistema.

Mas isso não são medidas, são sonhos.
Para aumentar o número de contribuintes é preciso desviar os barcos com pretalhada que atravessam o Mediterraneo para o Algarve.
Para diminuir o número de pensionistas é preciso matá-las.
Isto é que seriam medidas não era dizer o resultado que queríamos que acontecesse.

4.1.5 Reposição dos mínimos sociais (P.41).
Isto vai custar muito dinheiro mas dizem que são menos de 100 milhões. Até podiam dizer que eram 50€ pois não juntam qualquer fundamentação nem metodologia de cálculo.

4.1.6 => Mais 790 milhões € de impostos
Chamam-lhe diversificação mas são mais impostos para financiar a SS. Se aumentam as pensões, têm que aumentar os impostos, uma coisa muito simples.
Aumentar o IRC em 240 milhões e por ano
Aumentar o imposto sucessório em 100 milhões € por ano
Aumentar o imposto sobre as transacções financeiras ("rotação excessiva" é isso) em 100 milhões e por ano.
Seguro de Desemprego, mais 100 milhões € por ano a pagar pelos empregadores
E ainda pelo menos 250 milhões € ano caídos do céu.
Só nestas linhinhas são 790 milhões € por ano de aumento de impostos.

De forma alucinada, metem isto juntamente com a redução da TSU!
Mas não tinham dito que os empregadores iriam pagar mais 100 milhões para o Seguro de desemprego?
Como é que vem agora a redução da TSU do empregador?

Já estou cansado de tanta porcaria.
Mas tem ainda aqui uma muito boa: "o relançamento da economia portuguesa. Este relançamento é feito através da dinamização da procura interna e da poupança das famílias."
Mas estas cabeças de vento não saberão que a poupança mais o consumo é igual ao rendimento e que, por isso, não se pode ao mesmos tempo dinamizar o consumo e a poupança?
Não saberão que cada euro a mais de poupança é um euro a menos de consumo?

Isto é muito pior que o Varofakis.
Muito pior que o fardo de palha que o Portas escreveu sobre a "Reforma do Estado".
É mesmo pior que o pior que o Sócrates pensava fazer (ou alguém pensava por ele).
São 95 páginas de lixo, de retrocesso a 1975, ao tempo do PREC.
A única diferença é, como disse o Santos Silva na TVI, "podemos fazer estas coisas sem tirar a gravata, andar de mota nem pegar na mulher ao colo à vista da Acrópole".
Isto é, são capazes de mandar um país à bancarrota usando sempre gravata (e tendo mulheres horríveis).

Mas existem boas notícias.
É que as taxas de juro estão a subir!
Podem os esquerdistas dizer que, voltando em finais de 2015 à governação do nosso país voltam às políticas socráticas mas não vão conseguir pois não vai haver como financiar.

Fig. 4 - Evolução das taxas de juro da dívida pública portuguesa a 10 anos.

Vai-se repetir o que se passa na Grécia.
Nós, dizem desde 2010, vivemos a situação da Grécia com 1 anos de atraso. Em agora mais uma vez, a nossa taxa de juro começou a subir quando a da Grécia começou a subir nos princípios de Setembro de 2014.
Felizmente o Costa vai perder mas, a ganhar, concerteza que seria esse o nosso caminho, seria esse o caminho do crescimento e do emprego.

Fig. 5 - Evolução das taxas de juro da dívida pública grega a 10 anos

Agora falar um bocadinho do problema da Líbia.
Eu resolvia isso facilmente.
A Etiópia tem 100 milhões de habitantes e um PIB per capita (em paridade do poder de compra) de 1500€/ano. Além disso, a população cresce 2,5 milhões de pessoas por ano.
A Libia tem 6,5 milhões de habitantes e um PIB per capita (em paridade do poder de compra) de 11500€/ano (era 16000 em 2008).
Como mataram na Líbia não sei quantos etíopes (cristãos coptas), isso servia de pretexto para financiar a Etiópia a invadir a líbia e dar cabo do canastro aos fulanos de lá.
Metia lá uns 10 milhões de etíopes e a coisa acalmava logo.
Um barco leva 5000 pessoas e faz a viagem em 7 dias entre a Eritreia e a Líbia em 7 dias. Com 20 barcos,  metia 200 mil pessoas por mês na Líbia, 10 milhões em 4 anos.
Depois, em todo o norte de África, entre a Líbia e o Atlântico, os etíopes (cristão) passariam a funcionar como "zonas tampão" entre a Euriopa Ocidental e o islão radical.
E também melhorava a situação no Egipto e na Africa Sub-Sariana (Mali, Niger, Chade e Nigéria).

Fig. 5 - Metia na Líbia 10 milhões de etíopes e aquilo arrefecia logo.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Don't Cry for me Euro Zone

Portugal tem os cofres cheios. 
Quando a nossa Ministra das Finanças veio, no passado dia 18 de Março, comunicar ao país que tínhamos dinheiro no cofre para fazer face aos nossos compromissos até finais de 2016, estava implicitamente a dizer que já tinha sido decidido (pela Sr. Merkel e companhia) que a Grécia não iria receber mais um euro alemão e que, por isso, ia bancarrotar a curto prazo. 
Como a bancarrota da Grécia vai criar confusão nos mercados não se sabendo com que intensidade nem durante quanto tempo, como precaução, a Maria Luís deu ordens, como fez o Magalhães quando chegou em 1520 à Terra do Fogo e se preparava para atravessar o desconhecido Oceano Pacífico, para que se enchessem os porões com tudo o que pudesse ser comido (no caso, pinguins e focas). 
O Varofakis lá continuou a dizer que "Portugal tinha uma agenda política muito própria" mas o certo é que essa agenda política existe mesmo e que não vai sofrer alterações ao ponto de irmos meter dinheiro na Grécia.

Os franceses também têm uma agenda política muito própria.
No triângulo Berlim, Londres, Paris, a França tem tentando, ao longo dos séculos, assumir-se como o líder dos países latinos, substituir-se a Roma como centro do Império Romano do Ocidente.

fig. 1 - Divisão da Europa Ocidental em 3 áreas de influência geopolítica

A Alemanha está a ganhar terreno.
Olhando para a Fig. 1 vê-se como o desmoronar da URSS abriu espaço à influência Alemanha. No espaço de 20 anos, a Alemanha integrou a sua economia com a polaca, checa, a Eslovaca e dos países bálticos e, com a ajuda da Polónia, está a caminhar para a integração com a economia ucraniana. 
O Reino Unido tem as suas ligações às ex-colónias onde tem importância, além dos USA, o crescimento da antiga Índia (a Índia, o Paquistão e o Bangladesh), da Austrália e Nova Zelândia.
A França sente-se cada vez no meio de nada. As ex-colónias estão com muitos problemas (Norte de África e Médio Oriente) pelo que tenta na Grécia uma cartada.

Michel Sapin.
O ministro das finanças francês tem, nas últimas horas, repetido (juntamente com o Varofaquis) que vai haver acordo com a Grécia mas nenhum dos dois diz quem vai dar o braço a torcer. Se é a Grécia que chama o Gasparzinho para ser ministro das finanças grego, se é a França que abre os cordões à bolsa e resgata o Varofaquis por sua conta e risco ou, finalmente, se é a Sr.a Merkel que vai abrir o cordão à bolsa dos alemães.
Tenho a certeza que ambos estão a pensar na última hipótese, que a Alemanha vai avançar com a massa, mas, vendo que o ministro das finanças alemão diz, do alto da sua cadeira de rodas, que não tem esperança em que haja acordo e a Sr.a Merkel nem se dá ao trabalho de dizer nada, o horizonte grego está  cada vez mais e mais negro, vem ai a bancarrota não demora muitos dias.

Mas o Holland que lhes dá a massa.
Apesar de a França estar com um nível de dívida pública já está acima de 2 000 000 000 000€ e sempre a crescer, 9 vezes a nossa dívida pública, podia com facilidade avançar com uns 100 000 000 000 € para salvar o Varofakis. Era só um aumentozito de 5% no total da dívida pública francesa, não era nada.
Vamos lá esquerdistas, vamos a fazer campanha para que o Holland avance com a massa e deixem o Passos, a Maria Luís e a Sr.a Merkel em paz pois não precisam destes neo-liberiais para nada.

Fig. 2 - Força Holland, vai de moto ajudar o Varofakis.

Será que, se o Costa fosse primeiro ministro metia dinheiro dos portugueses na Grécia?
É bom que lhe façam essa pergunta antes de votarem nesse esquerdista.

É mais uns dias.
Lá vão ter que pegar no meu road map da saída do euro e aplicá-lo à Grécia. 
Bye Bye Grécia.
Bye Bye esquerdistas e o seu "outro caminho" o badalado "caminho do crescimento e do emprego".

Bye Bye TAP.
Na Ciência Económica existe uma situação teórica (em que o custo unitário de produção é decrescente com a dimensão da empresa) em que, ceteris paribus (mantendo tudo o resto constante),  haver uma só empresa no mercado (um monopólio) é melhor para as pessoas que haver duas (ou mais) empresas (concorrência). 
Esta foi a justificação usada pelo Salazar para a Lei do Condicionamento Industrial (os monopólios do antes do 25-de-Abril-de-1974) e é usada hoje pelos esquerdistas para justificar a existência de empresas públicas deficitárias, em particular, a guerra pela manutenção da TAP como empresa pública.

Mas essa ideia está completamente errada.
Porque, uma vez que só exista uma empresa no mercado, os trabalhadores vão sugar a "renda do monopolista". Prova de que isso acontece é que as greves são exactamente nas empresas públicas monopolistas, na TAP, CP, ANA, etc., etc., etc.

Querem saber qual é a melhor solução para a TAP?
A TAP não vale a ponta de um chavo, não vale um tostão furado, só dá prejuízo atrás de prejuízo.
Então, se Portugal der a TAP pelas dívidas, temos que ficar todos contentes.
Desta forma, a melhor solução não é dar 10% nem 20% aos funcionários da TAP, é dar-lhes 100% e eles que rebentem com aquilo, que metam lá o PC e as suas comissões de trabalhadores e que vão para o Inferno com aquilo.
Mas o que eles querem é 20% pois sabem bem a TAP como está não a aguentam nem 6 meses. Querem é 20% acreditando que os donos dos restantes 80% se vão esforçar para que a TAP funcione e eles a mamar os salários chorudos.

Fig. 3 - Vermo-nos livres da TAP o mais rapidamente possível.

Fui dar uma vista de olhos ao Brasil.
O meu amigo Jorge, colega cego do judo, foi passar um mesito com os sogros ao Brasil.
Por causa disso lembrei-me de ir ver ao Banco Central do Brasil as estatísticas do Saldo da Balança Corrente que quantifica o endividamento dos brasileiros face ao exterior.
Não fiquei muito admirado porque já há anos que previ esta evolução (O Brasil vai ser uma grande potência mas em sonho) mas os números são enormes.
O Brasil está-se a endividar 8 000 000 000 € por mês face ao exterior. Cada brasileiro, novo ou velho, homem ou mulher, endivida-se 40€/mês face ao exterior.
Actualmente, a Grécia, a Rússia e o Brasil são os grandes riscos da economia mundial.

Fig. 4 - Balança Corrente brasileira 1995_2015 (dados, Banco Central do Brasil)

Vão ter que aguentar.
Amigos brasileiros, depois de anos a prometerem-vos que a "repartição da renda" iria ter um efeito enorme no crescimento da economia, que os "baixa renda" iriam gastar o dinheiro todo em bens de consumo e que o consumo é o motor do crescimento económico, começa a vir o resultado: taxas de juro na casa dos 15%/ano.
Aguentem que em 1520 o Fernão Magalhães também aguentou a comer carne de foca e de pinguim e consta que sabe pior que lamber aquele óleo preto que sai do cárter do motor dos nossos carros.

Fig. 5 - Anda lamber um bocado de óleo do cárter.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Faltam 6 meses para as eleições

O tempo passa depressa.
Lembro-me do dia 5 de Junho de 2011 em que fui votar no Passos Coelho porque, enquanto exerci o meu dever, o pára-brisas do meu carrito estalou. 
Nesse dia estava muito calor e, talvez por causa disso, o vidro deu de si.  
Nessa altura Portugal estava em total bancarrota e parecia que os astros me estavam a dizer que as coisas iriam de mal para pior.
Ainda andei dois anitos com o vidro estalado mas, no entretanto, tive que substituir, primeiro, o vidro porque chumbou na inspecção e, finalmente, o próprio carro porque rebentou a correia de transmissão. 
Por as eleições terem sido antecipadas (o Sócrates demitiu-se quando ficou sem dinheiro para gastar), em vez de o mandato durar os normais 4 anos, vai durar mais 4 mesitos.

São os 4 meses que a Grécia pediu.
Interessante que, dos 4 meses do "plano ponte" acordado com "as instituições", já passaram 2,5 meses e os gregos ainda não fizeram nada do que se propuseram fazer e, por causa disso, não receberam mais nenhum reforço de verbas.
Sim, reforço pois continuam a receber as verbas acordadas com a Troika para 2015 via emissão de dívida pública de curto prazo que o BCE aceita como colateral. 
Por exemplo, aqueles 450 milhões € entregues esta semana ao FMI vieram de 1000 milhões € "adiantados" ao sistema bancário pelo BCE (e que já estavam acordados desde 2010, com revisões).
Vamos supor que o Varofakis tinha dito "não pagamos ao FMI" então, não teria recebido os 1000 milhões € do BCE.

Mas vamos aos 6 meses que faltam ao Passos Coelho.
Estes meses serão de campanha eleitoral. Mas é uma campanha estranha porque não existe oposição ao governo. 
Isto já parece a campanha angolana com a diferença de os elementos da "nossa" oposição não estarem enfiados na cadeia legal mas sim na cadeia da falta de ideia. 
A única coisa que o António Costa (o nosso "líder" da oposição) consegue fazer em termos políticos é dizer "eu estou disponível".

Que é feito do "outro caminho"?
Onde andará o caminho do bater o pé à Sr.a Merkel, de nos unirmos aos gregos para rasgarmos o Memorando de Entendimento e para corrermos com a Troika daqui para fora?
Onde andará o "caminho do crescimento e do emprego" que vai rebentar com a "espiral recessiva" da "política austeritária dos neo-liberais de direita que governam Portugal"?
Onde andará o caminho que "vai inverter a destruição do Estado Social e o empobrecimento dos portugueses levados a cabo pelo Passos mais o Portas"?

Ontem estive a falar um colega meu esquerdista (com o PM).
Que, como sempre, veio com uns chavões tipo "a politica fiscal tem um multiplicador-elasticidade no produto maior que um pelo que uma expansão da despesa pública terá como efeito um crescimento acelerado do produto, da receita fiscal e, consequentemente, uma redução do desemprego e do peso da dívida pública."
O meu outro colega PS perguntou "mas não foi isso que tentou o Sócrates e que redundou na bancarrota?"
E eu ataquei ainda mais forte, "oh pá, deixemos Portugal e o Sócrates porque são pequenos de mais para mim. Olhemos para os gajos da Venezuela, do Brasil, de Angola e da Rússia que precisam lá de ti urgentemente porque estão a cortar na despesa quando, dizes tu, tem que aumentar. Afinal esses esquerdistas são neo-liberais camuflados perigosíssimos, vais ser mais famoso como conselheiro económico destes comuna que os fulanos neo-liberais da Escola de Chicago que ajudaram o Boris Yieltsing a desmantelar a URRS. De certeza que vais ser prémio Nobel da Economia."
"Como assim" disse ele todo surpreendido.
- Então não é que Cuba, Brasil, Angola e Rússia, em resposta à quebra dos preços do petróleo, entraram em austeridade quando deveriam, como dizes, fazer exactamente o contrário, despesa pública com fartura como fez o nosso Sócrates + Teixeira dos Santos em 2008-2010? Estou a ver que, é por causa da austeridade que a economia destes países está em crise e não o contrário. Avança para lá e com força. Vais ser recebido como o Yuri Gagarine quando retornou do Espaço.
Mas aí, veio a questão fulcral.
"Bem, vê-se bem que não percebes mesmo nada de economia" - disse o tal esquerdista - "É que estas políticas só dão resultado em países desenvolvidos como, por exemplo, na Alemanha."

Ora grande caminho.
Ora uma teoria económica que se diz capaz de acabar com a pobreza dos países mas que, afinal, só é eficaz nos países ricos e contra-producente nos pobres! É como aqueles tratamentos de combate às rugas da pele anunciados na TV que só se aplica a moças com menos de 25 anos.
Eu até já posso anunciar que tenho uma erva especial que faz os bois crescer até aos 10000kg sobe a condição desses bois serem acinzentados e de raça "elefante africano."
Também posso garantir que quem comer um pão diariamente durante 100 anos morrerá com mais de um século de vida.

Mas vamos aos números.
Nestes últimos 4 anos muita coisa aconteceu e podemos usar muitos números para medir o desempenho do governo do Passos Coelho mas o mais informativo é a Balança Corrente. Depois vou ainda mostrar o emprego e, por fim, as exportações.

A Balança Corrente.
Mede as nossas contas com o exterior.
Se somarmos o dinheiro de tudo o que exportamos mais as transferências que recebemos e subtrairmos o dinheiro de tudo o que importamos e transferências que enviamos, temos o saldo da Balança Corrente que, sendo negativo, traduz que nos estamos a endividar face aos exterior.
No tempo em que o Sócrates foi primeiro ministro, nos 75 meses entre Abril de 2005 e Junho de 2011,  Portugal endividou-se face ao exterior em 99423 milhões €, uma média de 125€/mês por cada português. Isto traduz que, nestes 75 meses, em média, cada família de 4 pessoas, endividou-se 500€/mês face ao exterior.
No tempo do Passos Coelhos como primeiro ministro, os 43 meses entre Julho de 2011 e Janeiro de 2015, Portugal emprestou ao exterior (reduziu o seu endividamento) em 8253 milhões €, uma média de 18€/mês por cada português. Isto traduz que, neste 43 anos de austeridade, cada família poupou 72€ face ao exterior.
Nos últimos 24 meses cada português está a poupar 36€/mês face ao exterior.

Fig.1 - Evolução do nosso endividamento face ao exterior (dados: Banco de Portugal)

Isto é um resultado notável.
No espaço de poucos meses, cada família deixou de se endividar 500€/mês e passou a poupar 150€/mês o que pareceu uma redução no nível de vida de 650€/mês.
Mas é esta redução no endividamento face ao exterior (e não à quebra nada economia) que dá a sensação de aperto à carteira dos portugueses. É isto que reduziu o nosso nível de vida.
Naturalmente, todos viveríamos melhor se fosse possível endividarmo-nos face ao exterior para todo o sempre pensando que "o pagamento das dívidas é uma brincadeira de crianças" (Sócrates). 

Mas houve destruição de 15% do emprego.
Foi toda a parte da economia que vivia do crédito, a construção civil e tudo que lhe estava ligado.
Mas essa destruição começou em 2008 e não em 2011 quando o Passos entrou (ver, Fig. 2). No dia em que tomou posso já se tinham auto.destruído 7,5% dos empregos e os esquerdistas diziam que era da crise internacional. No tempo do Passos, auto-destruíram-se mais 7,5%.  
O desemprego só não aumentou 15 pontos porque muitas destas pessoas eram Ucranianos que trabalhavam na construção civil e que foram para a Polónia que está com grande crescimento económico (foi o que aconteceu ao marido da Vira, a minha antiga empregada) e outra parte foram portugueses que partiram para Angola e para a Europa. 
A boa notícia é que o emprego tem vindo a recuperar, a economia já recuperou 1 emprego em cada 6 perdidos no período 2008-2013.

Fig. 2 - Destruição do emprego atingiu 15% relativamente ao nível de 2002-2008 (dados: INE)

E temos as exportações.
Considerando os preços de 2012, nos primeiros 6 meses de 2008, exactamente quando as nossas exportações atingiram o seu máximo, exportávamos 3265 milhões € por mês.
Com a crise do sub-prime, no ano seguinte as exportações desceram 30% para 2300 milhões € por mês.
No entretanto foram recuperando e actualmente já representam mais de 4000 milhões € por mês.
Em tendência, as exportações hoje estão 30% acima do valor de 2008 o que traduz a transformação da nossa economia especialisando-se nas actividades em que temos vantagens comparativas.

Fig. 3 - Evolução relativa das exportações portuguesas a azul (dados: INE)  e série alisada (a castanho)

A linha de tendência indica que as exportações estão agora com dificuldades em crescer. O problema de Angola se ter rendido à austeridade e também o Brasil, vai colocar nos próximos meses dificuldades às nossas exportações. Mas não podemos olhar para a taxa de variação e esquecer que cresceram 30% relativamente a 2011 e 60% relativamente a meados de 2009.

Até tu, esquerdista francês!
O primeiro ministro francês, o Manuel Valles, veio a Lisboa dizer bem das políticas do Passos Coelho.
Só disse estar de acordo quando a "somos amigos e socialistas" mais nada.
Coitado do Costa, até dá pena. Até se assusta com as jornalistas.

Aquele comuna, o Póvoa do Varzim é um leão (de papel, felizmente).
É um esquerdista perigoso porque, propondo-se a uma eleição, diz que não aceita a legitimidade democrática do Passos Coelho e do Portas.
Disse o comuna "se eu fosse Presidente, obviamente o Passos Coelho não se teria lá aguentado nem um ano."
Mas o Passos Coelho foi eleito pelo voto livre e consciente do povo português.
Cá temos outro chavista que, se fosse presidente em vez do Cavaco, não só teria demitido o Passos Coelho como lá teria metido de volta o Camarada Sócrates.
Afinal, o que este homem dava era carcereiro em Évora!

Fig. 4 - Queremos cá o Póvoa do Varzim que até o esfolamos vivo.

Será que vai avançar a coligação PSD+CDS?
Tive uma informação de que só ainda não avançou porque o Passos Coelho está à espera das sondagens.
As sondagens dizem que uma coligação PSD+CDS é ganhadora mas o Passos Coelho é de opinião de que não vale a pena ganhar se for para ter apenas uma maioria relativa.
Então, se as sondagens não derem alguma probabilidade de o PSD+CDS terem maioria absoluta, o PAssos é de opinião que cada um deve ir por si e dar a vitória (de Pirro) ao PS. Nessa altura o Costa vai à sua vida e quem vier pode fazer uma coligação com o Portas.
É que em democracia é preciso haver soluções de governação.
Depois, as políticas desse PS com uma vitória à tangente será igual à dos esquerdistas grego: não há dinheiro, não há vinho nem mulheres da vida.

Um abraço,

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A 4.a guerra mundial no Kenya

Há quem diga que não houve 3.a guerra mundial.
E, se não houve a 3.a, muito menos podemos estar a viver a 4.a guerra mundial.
Mas, de facto, a 3.a existiu, combateu-se na Coreia e no Vietname,  África do Sul / Angola / Moçambique, América Central e do Sul, no Afeganistão e mesmo na Europa Central. 
A 3.a guerra mundial começou logo a seguir ao fim da WW2 e, contrariamente a esta, as maiores batalhas foram distantes da Europa. A última grande batalha foi a do Afeganistão e, simbolicamente, acabou com a queda do muro de Berlim e a reunificação alemã.
A União Soviética desmoronou-se, a China manteve-se politicamente comunista mas converteu-se ao capitalismo e, um pouco por todo o Mundo, as ditaduras comunistas ou acabaram ou converteram-se em ditaduras capitalistas (como em Angola e, em menor grau, em Moçambique que se matem como uma meia-democracia).
A Rússia do Putin, a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e mais uns paisécos ainda querem estrebuchar mas não passam dos derrotados da 3.a Guerra Mundial.
A WW3 foi menos intensa que a WW2 e a WW1 mas durou mais anos, foi uma guerra de 40 anos.

A bomba nuclear.
Interessante que, apesar de haver milhares de bombas nucleares, a WW3 foi combatida sem um único tiro nuclear. Talvez tivesse sido a sua existência que fez a WW3 ter sido uma guerra mais de desgaste económico que de confronto militar puro e duro.

Aqui, tenho que ir ao acordo 5+1 com o Irão.
Com o conhecimento actual, é muito fácil produzir uma bomba atómica.
Pode ser de Urânio 235, o que obriga a ter centrifugadoras para separar o U235 do U238 (que forma 99,3% do urânio). São precisos 60 kg de U235 enriquecido a 98% para fazer uma bomba atómico idêntica à lançada em Hiroshima. O Irão, com os seus 3000kg enriquecido a 20%, já podia construir uma bomba atómica tosca. 
Mas o mais fácil é usar Plutónio 239 produzido num reactor de grafite (do tipo do de Chernobil). A grafite faz-se por cozedura a partir de "condensado de refinação" (sem boro) e, depois, o Pu239 obtém-se por reciclagem do combustível em ciclo rápido. A bomba usada em Nagashaqui foi de Pu239.
O problema de usar o PU239 é que os satélites detectam a reciclagem (o processo liberta radiação) pelo que um processo secreto tem que passar pelo U235.

Mas o importante não é a bomba.
Vamos imaginar que o Irão pretendia que os judeus saíssem de Israel. Podia contaminar o território com Cobalto 60.
O Co60 tem a vantagem de ser fácil de produzir (num reactor nuclear) e da radioactividade decair rapidamente. Se, por exemplo, hoje Jerusalém fosse contaminada com um nível de radioactividade 1000 vezes o recomendado à vida humana, a cidade voltaria a ser segura em apenas 53 anos.
E o Co60 poderia ser discretamente usado na contaminação, a partir do Líbano, do Rio Jordão.

Mas se Israel soubesse da contaminação.
Caia em cima deles como, num dia de calor, moscas varejeiras em cima de carne morta.
Estou a imaginar 8 milhões de pessoas a fugir de Israel para os USA e, depois, um bombardeamento nuclear sobre o Irão que não deixaria pedra sobre pedra.
E, depois, ficava mesmo assim.
Por isso, o mais inteligente foi o Irão se ter comprometido a nunca mais tentar fazer uma bomba atómica.
Até porque a Arábia Saudita (sunitas) deu o OK para que os Israelitas sobrevoem o seu território a caminho do Irão (shiitas).

A 4.a guerra mundial. 
Parece ter duas frentes, a guerra entre islâmicos e cristão (e budistas) e outra entre os islâmicos shiitas (do Irão) e islâmicos sunitas (os outros islâmicos todos). 
No Iraque e Síria a guerra é mais shiitas - sunitas (o IS). 
Em África, a guerra é mais islâmicos - cristãos.

Fig. 1 - A frente de batalha Cristãos- Islâmicos em África (a vermelho).

Já vimos guerras destas em Moçambique.
Na década de 1980, na "batalha" de Moçambique também havia mortandades de civis. Mandavam parar um comboio e matavam toda a gente, centenas de uma vez.
Isto acontece porque é muito mais fácil matar 100 civis do que 1 militar. E. como os militares são civis com armas, matando civis, estão a matar sucedâneos de militares.
Na frente africana, seja no Kenya, RCA ou Chade, a táctica militar é matar à força toda.
MAs isto não vai levar a lado nenhum

Vejamos uns números.
No Kenya mais Etiópia há 140 milhões de pessoas enquanto que na Somália só há 11 milhões. Se hoje houvesse uma guerra em que por cada somali morto houvesse 5 etíopes e quenianos mortos, no fim do dia não haverá ninguém na Somália e ainda haveria 85 milhões de pessoas na Etiópia e no Kenya.
Além disso, por cada criança que nasce na Somália, nascem 10 no Kenya e na Etiópia.
Por isso, esta guerra a ser nos tempos medievais, já teria acabado com a aniquilação ou redução à escravatura de todas as pessoas que vivem na Somália.
Mas hoje existem os Direitos Humanos.

Um dia a "maioria" zanga-se.
O problema é que nessa frente de batalha não existe Convenção de Genebra nem Direitos Humanos.
Já vimos uma pequena amostra na República Centro Africana em que, de um dia para o outro, os cristãos começaram a caçar e a matar islâmicos. Também vimos uma amostra na Birmânia onde cidades inteiras desapareceram do mapa.
É que as pessoas vivem com grande carência material. Se em Portugal o salário líquido médio anda nos 800€/mês, nesses países as pessoas têm que viver com muito menos (cálculo em paridade do poder de compra, dados, Banco Mundial):

Portugal => 800€/mês
Kenya   =>    80€/mês
Etiópia   =>   40€/mês
Somália =>    20€/mês

Fig. 2 - Se em Portugal temos 800€/mês, no  Kenya, Etiópia e Somália têm muito menos

Alguém se está a imaginar a viver com um salário de 20€/mês, 40€/mês ou mesmo de 80€/mês?
É muito difícil, têm carências de toda a espécie, vivem em barracas, não têm roupa, comem só farinha  de milho cozida, passam sede, não têm assistência médica nem medicamentosa, não podem ir à escola, trabalham horas infindas. 
Estes "pequenos" massacres não causam dano nenhum na população queniana que, todos os dias, aumenta em 3000 pessoas (seriam precisos 20 destes massacres por dia).
Mas causam a enraivização e desumanização da população. 
De repente, dá-se um massacre como se viu no Ruanda.

É a "pacífica" guerra demográfica.
Apesar de ser pacífica, lentamente torna-se tensa quando a população que vai invadindo tem uma cultura difícil de ser assimilada.
Vamos ver no que dá.

A semana passada não disse nada.
É que na sexta-feira passada foram as eleições lá no meu trabalho, quero antes dizer, emprego, e eu perdi.
Quase que ganhava como CDU na madeira.
Na primeira votação, só me faltaram 8 votos para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
E na segunda votação, só me faltou apenas 1 voto para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
É que na primeira votação um candidato teve 11 votos e o outro 28 e na segunda votação, um candidato teve 7 votos e o outro 8.
(Falta dizer um pequeno pormenor: é que em ambas as votações, eu tive zero votos).
Naturalmente, fiquei a pensar na minha quase vitória, foi por um voto que não retirei a maioria absoluta ao que ganhou. 

Tive uma vitória à Álvaro Cunhal.
Eu andei toda a semana a gabar-me da minha grande vitória à Álvaro Cunhal mas uma comuna achou que eu não tinha tido vitória nenhuma "Tanto quanto sei, o Camarada Cunhal nunca teve zero votos."
Mas penso que chegou a ter, lá no tempo do Salazar, e que, mesmo assim, achava-se vitorioso.

Fig. 3 - Toda a semana a comemorar a vitória

Até me subiu a tensão arterial.
Esta semana fui ao médico e ele detectou que eu estava a ver pior e que a minha tensão arterial estava alta. Tinha a mínima a 9.
Imaginem que eu tinha verdadeiramente ganho! O mais certo seria que já estivesse morto.
Além disso, antes da eleição houve uma apresentação seguida de uma sessão de perguntas. Não é que um berdameco insinuou que este meu blog põe em causa o bom nome da instituição onde trabalho? E, ainda para mais, foi um aluno daqueles das associações, os que se dizem todos irreverentes e que querem mudar o mundo para melhor.
Como diz o povo, há males que vêm por bem.
Muita sorte para o verdadeiro vencedor que bem vai precisar dela.

Pedro Cosme Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code