sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Contentamo-nos com pouco, diz Mateus

Portugal está sem oposição. 
Observando os telejornais, fala o Jerónimo, a Catarina, a Cristas, o Marcelo e até o do PAN mas ao Rio ninguém vê. 
Rui Rio anunciou, a 12 de Abril, com pompa e circunstância, a criação do Conselho Estratégico Nacional formado por "16 secções temáticas" e coadjuvado pela Comissão Consultiva e pela Comissão Permanente (ver). Alguém alguma vez mais ouviu alguma coisa da boca dos 16 porta-vozes?
Afinal, a montanha pariu um governo sombra morto.
De vez em quando aparece alguém a tentar ser oposição, dizer que as coisas não estão assim tão boas como anunciado pelo governo. E, esta semana, foi Abel Mateus, 

Fig. 1 - De boca fechada não sai oposição.

A economia portuguesa cresce pouco.
Não importa analisar se hoje cresceu mais do que ontem mas sim observar a tendência de evolução.
Para isso, peguei nos dados do Banco Mundial relativamente ao crescimento do PIB per capita e fiz um alisamento exponencial em que cada ano conta 10%. 
O crescimento é maior nuns anos e menor noutros e o alisamento, sendo um valor médio, traduz o crescimento potencial da economia no longo prazo.
O PIB per capita mede melhor a evolução do nível de vida porque corrige o PIB do crescimento da população.
O que observamos é que o crescimento, estando  na década de 1960 nos 6,2%/ano, foi caindo até termos actualmente uma tendência de crescimento de 0,62%/ano.  

Fig. 2 - Crescimento do PIB per capita português, 1961:2017, dados, Banco Mundial

A tendência de queda foi maior no nosso país, PRT, do que na União Europeia, EUU.

Fig. 3 - Crescimento do PIB per capita português e da UE, 1961:2017, dados, Banco Mundial

O que implica que, actualmente, a nossa tendência é de divergência de 0,5%/ano relativamente aos demais países da União Europeia.

Fig. 4 - Crescimento do PIB per capita português e da UE, 1961:2017, dados, Banco Mundial

E o que seria preciso fazer?
Coisas que Zé Votante não quer que sejam feitas.
Por isso, continuaremos neste rame-rame. O Costa vai fazendo discursos inflamados sobre a reposição de rendimentos, os alçapões da direita, os tempos do anterior governo, e o Marcelo vai anestesiando o povo convencendo-o que não dói nada arrancar dentes sem anestesia.

Fig. 5 - Se nos compararmos com a Guiné-Bissau, estamos muito bem.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Haverá futuro para as centrais nucleares?

Há uns dias, Macron anunciou que vai mandar fechar 25% dos reactores nucleares.
Não acredito muito que os reactores vão mesmo fechar porque, estando em funcionamento e dentro do prazo de validade, nada o justifica, mas o principal é que está implícito nas suas palavras que não serão construídas novas centrais nucleares em França.
Será que a França está com medo do nuclear? 
Será que está a ceder à pressão dos radicais ambientais? 
Nada disso, tem antes a ver com a economia e com o risco tecnológico!

Vamos à economia do nuclear.
Fazer um reactor nuclear implica um investimento na ordem dos 7000€ por kw (ver, Hinkley Point).
A amortização deste investimento em 60 anos com uma taxa de juro de 5%/ano traduz um custo fixo de 30€/mês por kw.
Para uma taxa de funcionamento de 93%, o custo do investimento traduz-se então em 4,5cênt/kwh.
Depois, temos o custo em combustível e manutenção que é na ordem dos 2,0 cênt/kwh.
Então, quando vamos projectar fazer uma central nova, o custo de produção é de 6,5 cênt/kwh mas quando estamos a operar uma central "velha" o custo de continuar a trabalhar é de apenas 2,0 cênt/kwh.
Neste momento, a electricidade está a ser transaccionada na ordem dos 5,0 cênt/kwh (MIBEL) pelo que não é economicamente viável fazer novas centrais nucleares sendo, no entanto, economicamente acertado continuar a operar as existentes.

E o que é o risco tecnológico?
É haver uma inovação tecnológica capaz de destruir as tecnologias existentes.
Este conceito de "inovação destruidora" deve-se a Schumpeter.
Nas "maiores" tecnologias existentes (carvão, gás natural, hídrica e eólica), não parece que vá surgir grande inovação. O Carvão emite muito CO2, o gás natural também emite CO2 e está a financiar as ambições da Rússia, a hídrica, já há barragens em tudo que é rio e a eólica já não tem margem para crescer a custos razoáveis. Mas ainda sobra a tecnologia solar que, apesar de ainda ser pouco significativa no produção de electricidade por ser cara. Além disso, baseia-se numa tecnologia, o Silício, que tem mostrado ter muito potencial para melhorar, isto é, para diminuir os custos de produção.

Os custos da electricidade solar.
Como só há luz solar algumas horas por dia, para termos uma produção média ao longo do dia de 1 kw precisamos de um painel de 5kw cujo custo actual com instalação é na ordem dos 7000€.
Para uma amortização em 25 anos a uma taxa de juro de 5%/ano, teremos um custo fixo de 40.5€/mês que se traduz em 5,6 cênt/kwh. Com  custos de manutenção de cerca de 10% deste valor, 0.6 cênt/kwh, temos um custo total de 6,2 cênt/kwh.
Então, o custo da energia solar ainda está acima do preço de mercado mas é competitiva em sistemas "fora da rede", para pequenas potências e durante as horas com sol!

O risco tecnológico.
É que nos últimos 10 anos, o custo dos painéis solares diminuiu para metade.
Se a inovação tecnológica continuar à mesma velocidade, daqui a 20 anos, a electricidade com origem solar estará a 1,6 cênt/kwh batendo o preço de todas as tecnologias actuais.
Nessa altura, durante o dia a electricidade solar vai injectar energia na rede a um custo muito baixo obrigando todas as outras tecnologias a recuperar o investimento apenas nas horas em que não há luz solar. 
Como o nuclear não funciona bem neste tipo de regime, mesmo que em termos físicos o reactor dure 60 anos, em termos económicos, poderá estar obsoleto daqui a 20 anos.

Uns dados.
A central fotovoltaica da Amareleja entrou em funcionamento em 2008. Traduziu-se num investimento de 237,4 M€ para uma produção anual de 93000MWh (potência nominal de 46,4 MW). Para um prazo de amortização de 25 anos e uma taxa de juro de 5%/ano, o custo de capital é de 0,181€/kwh.
A central fotovoltaica de Alcoutim vai entrar em funcionamento em 2019. consiste num investimento de 200 M€ para uma produção anual de 383000 MWh (potência nominal de 220MW). Mantendo um prazo de amortização de 25 anos e uma taxa de juro de 5%/ano, o custo de capital é de 0,037€/kwh.
No espaço de 11 anos, o custo de capital (que representa aproximadamente 90% do custo total), reduziu-se em 80% o que traduz uma redução para metade a cada 5 anos.
A esta taxa de progressão, daqui a 10 anos, entre as 9h e as 17h, só haverá produção fotovoltaica.

O funcionamento de uma célula electro-solar.
Esta explicação é só para verem como a tecnologia tem potencial para melhorar.
Neste momento, faz-se um "monocristal" de silício que se corta em fatias com 0,50mm da mesma forma que se faz para os processadores e memorias dos computadores. A diferença é que se vai transformar toda a fatia num só díodo na horizontal.
Usa-se o Silício como "base" dos processadores, memorias e células solares por ser semicondutor, isto é, nem é isolante nem condutor.
O Silício tem 4 electrões na orbital exterior sendo que, quando é "contaminado" de um lado da chapa com  Fósforo passa a existir geometricamente  um electrão a mais. Se do outro lado existirem átomos de Boro, em termos geométricos haverá um electrão a menos (um buraco). Estando os dois "materiais" em contacto, os electrões a mais vão migrar para os buracos criando um "desequilíbrio" eléctrico, positivo do lado do Fósforo, lado n, e negativa do lado do Boro, lado p, criando-se a barreira de depleção. Como o Silício é apenas semicondutor, esse campo eléctrico não se anula.
Quando a Luz atinge um átomo de Silício da barreira e lhe retira um electrão, o desequilíbrio eléctrico atira o electrão para o lado do Fósforo e o "buraco" para o lado do Boro, afastando-se da barreira. Depois, o electrão do lado do Fósforo só consegue atravessar a barreira de volta ao Boro se a tensão for superior a 0,58 volts.
Fazendo uma ligação externa (entre o lado n e o lado p), o electrão vai sair do lado n e "caminhar" até ao lado p, criando-se uma corrente eléctrica com uma voltagem na ordem dos 0,5 volts.
Quando mais luz houver, mais electrões existem em circulação mas a tensão mantém-se sempre a mesma.

Fig. 1 - Esquema de uma célula foto-voltaica. Na barreira de depleção, um electrão do Fósforo vai-se juntar ao Boro criando uma barreira eléctrica.

Actualmente, uma célula fotovoltaica tem 0,25mm mas, em termos físicos, 0,0001mm são mais do que suficientes (i.e., 100 nm).
Agora imaginemos que se inventa um processo que permita criar esse cristal de silício extremamente fino a um baixo custo. Neste caso, imediatamente, tudo o que conhecemos em termos de energia passará a ser história.

E essa coisa da "fusão nuclear".
É dinheiro deitado fora pois essa tecnologia nunca verá a luz do dia.

E quantas horas de sol há por dia?
Em média, num sítio concreto, no máximo são 10 horas por dia pois temos que descontar a primeira e a última hora do dia por a luminosidade ser fraca. A duração do dia varia com a evolução do ano sendo, em Portugal, no máximo de 14h30 e no mínimo de 9h30.
Temos ainda que retirar os dias nublados.
Mas, se houver uma ligação entre regiões com latitudes distantes, o período em que há luz do sol aumenta. Por exemplo, em Paris, quando o Sol nasce já nasceu no leste da Turquia há 2h40 e na Coreia do Sul há 8h.
Com 12000km é possível ligar Portugal à Coreia do sul e, com uma linha suplementar de 7000km, ligar a rede europeia à Norte Americana.
Assim, se a electricidade com origem solar se tornar muito barata, uma ligação trans-continental entre a Europa e a América do Norte vai permitir cobrir o consumo de electricidade durante todas as 24h do dia.

Fig . 2 - "Basta" um cabo de alta tensão com 22500km para termos no hemisfério Norte electricidade solar dia e noite.

Como será o cabo eléctrico transcontinental?
Para haver electricidade com origem solar dia e noite é preciso ligar a Europa Ocidental ao continente americano com um cabo em corrente contínua com 22500km.
Supondo que na hora de ponta de Inverno cada um dos 500 milhões de europeus gasta 1kw, como nesta altura a produção europeia será nula, toda esta energia terá que vir do continente americano. Então, a linha de transmissão terá que ter uma capacidade na ordem dos 500 mil MW, equivalente a 500 centrais nucleares.
Tendo um cabo com 1m de diâmetro a 1,5 milhões de volts capacidade na ordem 50 mil MW, serão precisos 10 cabos desta dimensão.
Quando o dia ainda não tiver nascido em Nova York, a electricidade irá em sentido contrário, da Europa para a América.
A vantagem da corrente contínua é que as perdas são menores, é só preciso o cabo positivo (o cabo negativo é a Terra) e funciona como um tubo de água: pode-se injectar energia em qualquer sítio e mudar o sentido da corrente sem haver preocupação com o ciclo (que viaja ao longo do cabo à velocidade da Luz).

E onde ficam os carros eléctricos?
Carregarão durante o dia, enquanto houver sol e excedente eléctrico na rede, e as suas baterias, se ficarem mais duráveis e baratas, irão fornecer electricidade a sistemas "fora da rede" à noite e nos dias nublados.
O problema é saber se a redução no preço dos painéis solares vai continuar nas próximas décadas.
E por ninguém saber o que vai acontecer no futuro é que estamos em presença de um "risco tecnológico".

Fig. 3 - É boa mas tem risco, é mais seguro investir numa professora do secundário.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Lutar pela relação e Jujitsu (Casados à 1.a Vista)

Num episódio qualquer, foram a uma aula de Jujitsu.
Nesse episódio, um especialista disse, mais ou menos, "o Jujitsu ensina-nos a lutar, coisa que precisam fazer nas nossas vidas e nas vossas relações".
Tudo isto está errado e vou tentar explicar porquê.

Primeiro, o Jujitsu.
O Jujitsu é formado por dois caracteres japoneses, Ju que traduz Suavidade e Jitsu que traduz Conhecimento. 
Foi criado pelo Mestre Jigoro Kano na década de 1880 e, apesar de ser uma evolução a partir da milenar arte japonesa de combate corpo a corpo, não foi pensada como uma arte marcial mas apenas como uma actividade para a juventude.
A Suavidade vem exactamente em oposição à dureza do treino militar "aplicado" aos jovens japoneses  de então que os transformava em pessoas duras, sérias, rígida, inflexível, conflituosas e beligerantes. Basta ver os "treinos com bastão flexível" da GNR para verem como ainda hoje os jovens estão a ser formados na brutalidade e sem respeito pelo outro ser humano.
Jigoro Kano transforma a brutalidade numa actividade física com raízes tradicionais mas que forma jovens suaves, alegres, livres, criativos, pacíficos e tolerantes para com os outros.

De Ju-Jítsu a Ju-Do.
Pegando na filosofia socrática de que o sábio é aquele que procura e não o que o sabe, a palavra Jitsu (o Conhecimento) foi substituída pela palavra Do (o Caminho).
Assim, o "Saber da Suavidade" transformou-se no "Caminho para a Suavidade".
Desta forma, o Judo / Jujitsu é um exercício físico no qual uma pessoa, o Tori, executa rotinas físicas complexas, o Gokyo, com a ajuda de outra pessoa, o Uke, de forma mais ou menos colaborativa. 
Sendo um desporto de contacto entre duas pessoas, o Uke serve sempre para podermos  melhorar (em termos físicos e mentais) e nunca para a piorarmos (causando-lhe ferimentos ou vergonha).
No caso de o Uke desenvolver em nós raiva, pensamentos negativos, risco de lesão física e a tendência para a violência, temos que dizer "Desculpa mas isto está-se a tornar desagradável para mim pelo que tenho que interromper o treino". Depois, dizemos ao mestre "Por favor, dispense-me de 'jogar' com o fulano porque é negativo para a minha formação".
Só muito mais tarde é que surgiu o "combate" no qual não existe colaboração entre os atletas mas, ainda assim, cheio de regras para reduzir ao mínimo a possibilidade de haver lesões físicas ou mentais.

A ideia do Judo é evitar o conflito.
E não transformar a nossa vida numa guerra que temos que ganhar.
Quando, na vida, nos aparece uma pessoa pela frente, temos que a "utilizar" para nos tornarmos melhorares pessoas, isto é, mais compreensivos, pacientes, calmos e respeitadores da individualidade do outro.
No entanto, sempre que a pessoa despertar em nós pensamentos destrutivo e violentos, nos causar mal estar, nos está a tornar uma pessoa pior ou mesmo acharmos que a estamos a prejudicar, temos que riscar essa pessoa do nosso convívio.

E quando precisamos dessa pessoa?
Há situações em que, para termos acesso a umas coisas, temos que lidar com pessoas difíceis.
Por exemplo, para mantermos o nosso emprego, temos que lidar com chefes e colegas que nos rebaixam, nos tratam injustamente e nos causam mal-estar. Nesta situação, devemos evitar totalmente o conflito e a luta "externa" e fazer essa luta "internamente" (contra o nosso amor-próprio).
Há um pensamento oriental que diz que "Apenas o muito forte é capaz de pedir desculpa quando tem razão".
A força do Judo serve para pedirmos desculpa a uma pessoa que nos insultou sem razão sabendo que a conseguíamos matar.

Devemos sempre, desinvestir emocionalmente.
Se no nosso emprego nos sentimos mal, nada de lutar por aquilo mas antes desinvestir emocionalmente.
Temos que lutar contra nós, contra o pensamento "Eu sou boa pessoa, vou provar a essa pessoa que está enganada" pois quem não gosta de nós não está aberto a argumentação.
Desinvestir nesses chefes e colegas que nos causam desconforto, evitando falar com eles e reduzindo as conversas ao mínimo possível.
Como há muitas pessoas no Mundo, temos que desinvestir de quem não gosta de nós e canalizar o nosso esforço para as pessoas desconhecidas e de que, no futuro, uma percentagem vai gostar de nós.
Temos que excluir o emprego da nossa vida passando a pensá-lo como "a coisa que deposita dinheiro na nossa conta para o papá poder comprar brinquedos."
Sempre que possível, devemos começar a procurar outro emprego.

Actualmente, os do Jujitsu são arruaceiro.
Pessoas que discordam da filosofia pacifista do Ju-Do, retomaram o Ju-Jitsu esqueceram o Ju.
Aí, o Dave teve toda a razão.
Na aula de demonstração nunca poderia haver um combate como uma "aplicação prática". A aplicação prática foi o que fez o Dave: sendo que até poderia vencer o combate, excluiu-se porque isso iria desenvolver nele a raiva. Pelo contrário, desenvolveu a humildade de dizer à gaja, "estou doente do joelho."
A gaja apenas viu ali uma oportunidade de o humilhar, de lhe chamar cobarde.

Segundo, as relações amorosas e a vida.
Nunca ninguém deve lutar por uma relação amorosa (como fez o Hugo) pois esta deve ser simétrica e harmoniosa (como defende o Dave).
Uma relação amorosa é entre duas pessoas e ambas têm que entender isso como uma partilha e não um contra o outro em que o homem tem que lutar e conquistas o amor da mulher.
Isso é Sec. XIX e só leva a violência doméstica.
Não quer, a andar, haverá mais quem queira.
Vendo o Dave que a Eliane não gosta dele (caso contrário, não faria uma discussão por causa do frango, teria ido à rua comprar outro e nem falaria no assunto), vendo o Cláudio que a Isabel não gosta dele (caso contrário, não estava sempre a falar "quero ver acção e não palavras" quando nada faz e não consegue ver qualquer qualidade no Cláudio, uma pessoa extraordinária), só têm que desinvestir e abandonar a relação.
Claro que, sendo manipuladoras, essas mulheres vão chorar e deitar ranho, mas é tudo falso.

Não passou de um teste.
O Dave ter avanços sexuais ou humilhar-se foi uma forma de a Eliane se sentir confortável, baixar a guarda e mostrar a verdadeira pessoa que é, conflituosa e sem carácter.
De repente, o Dave tomou consciência de quem tem e disse:

"Faltou-me ao respeito".
Houve um episódio em que o Dave disse desistir da Eliane  "porque faltou-me ao respeito".
Como os antigos dizem do Salazar "Nesse tempo havia respeito", perguntei à minha mãe que está totalmente chonézinha da cabecinha "O que será que o Dave quer dizer com 'faltou-me ao respeito'?".
- Meu filho, quer dizer que a rapariga lhe meteu os cornos.
Os episódios de agora foram gravados no princípio de Novembro e, realmente, nessa altura, as revistas anunciaram que "Eliane corneou o Dave."

Figura 1 - Eu sou easy-going mas também é demais, o gajo a meter-lhe a bandarilha e eu a fazer gaiolas. Será que aquilo não dava para dois? Será que se rompe com o uso?

No dia 20 de Outubro, quando foi visitar o pai doente(desejo-lhe as melhoras), meteu a bandarilha do Tiago em sítio proibido ao Dave.
Como é que uma gaja não quer brincadeira com o marido e vai brincar a torto e a direito com outro?
"Se querias brincadeira, era comigo que sempre estive disponível -  disse o Dave - Agora, acabou e não vale a penas choro e ranho pois não nasci para ser corno e fazer gaiolas".
A mesma pergunta fez o Hugo!

Sobre o PAN e os ditados populares.
O Dave confessou que "Como não consigo dormir, tenho que abater o bicho, fazer uma gaiola".
Isto de "abater o bicho" e "fazer uma gaiola" vai passar a ser crime porque é a promoção da violência contra os animais. Diz o PAN que tem que um tem que ser mudado para "abater o guincho" e o outro para "desentupir a viola".
"Meter-lhe os cornos" também terá que ser mudado pois atenta contra a dignidade dos touros. Terá que ser "Meter-lhe as bandarilhas".

Figura 2 - Abater o guincho

No próximo poste vou dizer porque a França anunciou que vai encerrar 14 reactores nucleares até 2035 (ver, TVI24).

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Os problemas da França e o Brexit

Estes são os temas mais quentes da actual agenda mediática. 
Por um lado, temos a França com protestos por causa de impostos. Por outro lado, temos o Reino Unido às voltas com o plano para sair da União europeia.
Vou começar pela França e, depois, ir ao Brexit (ou ao fim dele).

Os coletes amarelos.
A França é um país com muito elevado nível de vida, com um PIB per capita quase o dobro do nosso, tecnologicamente muito desenvolvido e onde as pessoas se sentem bem. Mas, como em todos os países excepto no Butão (que é o país do Mundo onde as pessoas se sentem mais felizes), as pessoas querem sempre mais.
Por vezes choca-me alguém vir dizer "Não consigo viver com 1200€ por mês" quando por esse mundo fora, milhões e milhões de pessoas têm que viver com 1200€ por ano e não vêm para a rua queimar coisas.
Mas a questão não está em as pessoas quererem mais e mais coisas, vamos aceitar que a ambição faz parte da humanidade. A questão está em as pessoas pensarem que: 
 1) Destruindo tudo a sua vida vai melhorar
 2) Que o governo vai ser capaz de fazer com que as pessoas tenham mais rendimento sem produzirem mais.

A infantilização pela esquerda.
Como são coisas que vêm da esquerda, vou dizer que é uma infantilização já que não posso dizer que são ideias populistas e xenófobas pois ainda tenho algum processo.
São demagógicas porque prometem às pessoas, infantilizando-as, tornando-as mentecaptas, que o Estado pode diminuir os impostos e aumentar a despesa pública seja para pagar subsídios ou prestar serviços.
São xenófobas porque elegem uma parte da sociedade a que chama o "grande capital", o "grande patronato", o "explorador dos animais", a "especulação financeira", como justificação para que a maioria não tenha acesso ao que quer.
Diz a esquerda que "são direitos" mas nunca fala em quem vai dar cumprimento a esse direitos.
Faz lembrar as crianças que gritam "quero aquela merda" e os pais respondem "não tenho dinheiro" mas eles continuam com o berreiro "Mas eu quero, eu tenho direito".

O problema é que nem o bezerro que chora consegue mamar em vaca seca.

O Brexit.
O Reino Unido quer acabar com a "liberdade de circulação de pessoas" mantendo as liberdades de circulação de bens, serviços, ideias e capitais e ainda a inexistência de fronteiras entre as irlandas.
Isto está a ser muito difícil de conseguir, na minha opinião, por má vontade da UE.
Agora, veio o tribunal dizer que, não aceitando os parlamentares do Reino Unido o acordo de partida, podem a todo o tempo até ao dia 28 de Março de 2019 retirar o pedido de saída.
Se meterem um novo pedido de saída no dia seguinte, a saída fica adiada para 29 de Março de 2021.
Penso que, nas actuais circunstâncias, a Teresa May vai suspender sine die a votação do acordo (para que não seja explicitamente chumbado) e vai retirar a comunicação de saída para ganhar mais 2 anos.

(...) where a Member State has notified the European Council (...) of its intention to withdraw from the European Union, that article allows that Member State (...) - (...) for as long as the two-year period (...) has not expired - to revoke that notification unilaterally (...) and that revocation brings the withdrawal procedure to an end. (Ver o acordum na versão original)

O Reino Unido terá que alterar a "segurança social".
O desconforto dos países europeus quanto à movimentação de pessoas tem a ver com os apoios sociais.
Podemos dizer que é xenofobia e é mesmo. Os nacionais de um país criaram uma segurança social que apoia as pessoas em dificuldades e agora não aceitam que esse sistema seja usado por estrangeiros.
O mais fácil é alterar as regras.

Vai ter que implementar o sistema mobilete.
Mas o que é isto do sistema mobiliete?
É um sistema usado nas bicicleta eléctricas em que o motor apenas funciona se a pessoa pedalar. 
Tem uma escala que vai de 1 a 9 e se, por exemplo, a pessoa carregar no 6, por cada quilograma de força que a pessoa fizer no pedal, o motor acrescenta 6 quilogramas de força, fazendo com que pessoas fisicamente débeis consigam vencer as subidas.

Se a pessoa deixar de pedalar ou a bicicleta atingir os 25km/h, o motor deixa de "ajudar".

As pessoas recebem "rendimento mínimo" porque são pouco produtivas. 
Não têm escolaridade, são problemáticas, abusam do álcool ou vivem em regiões economicamente deprimidas. Sendo pouco produtivas, não conseguem produzir no emprego valor suficiente para auferir o salário mínimo (no Reino Unido, cerca de 8,8€/hora). 
O sistema "mobilete" aplicado à segurança social vai atribuir um subsídio proporcional ao esforço da pessoa.
Uma pessoa vai à "inspecção da mobilite" e, por exemplo, é-lhe atribuída a relação 0,8/1. Neste caso, por cada euro que a entidade patronal lhe pagar, a segurança social vai-lhe dar mais 0,8€.
Eu Portugal temos um sistema deste tipo (Contrato Emprego-Inserção) em que são pagos 421,32€/mês mais subsídios de transporte e de alimentação para a pessoa "se inserir no mercado de trabalho", a maior parte paga pela Segurança Social.

No final, vai tudo ficar como está.
Mas a vida é mesmo assim, mantêm-se tudo e, na melhor das hipóteses, mudam-se os nomes. 
O Passos Coelho chamava-lhe "cortes" e o António Costa chama-lhe "Cativações".
O Passos Coelho chamava-lhe "Aumento de Impostos" e o António Costa chama-lhe "Justiça Fiscal".
Todos nós já anunciamos variadíssimas vezes "Neste ano que vai entrar é vou ser um novo homem, vou mudar mesmo" mas, acabado o novo ano, olhamos para trás e fizemos tudo na mesma.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Porque não fez Salazar um túnel sobe o Tejo?

Existem muito mais pontes do que túneis. 
E isto não deve ser por caso.
Se fosse fácil fazer o tal túnel sobre o Tejo, pensarão, naturalmente que o Salazar teria pensado nisso e evitaria as 30000 travessias diárias para cada lado e que o Estado subsidiasse a travessia em cerca de 0,6€ por passageiro (relatórios e contas da Soflusa, 2014, muito desactualizadas).

Fig. 1 - Estes 2000 m iriam melhorar a vida de muita gente


Barreiro/Seixal/Cacilhas <=> Lisboa --> 30 mil/dia para cada lado
- - Barreiro <=> Terreiro do Paço --------- 7,6 milhões/ano
- - Cacilhas <=> Cais do Sodré -------------5,3 milhões/ano
- - Seixal <=> Cais do Sodré ----------------1,3 milhões/ano
Barreiro/Seixal/Cacilhas <=> Lisboa -----14,2 milhões/ano
Dá cerca de 200 pessoas por minuto, em hora de ponta.

Um túnel para automóveis tem muitos problemas.
1 = É preciso prever o risco de incêndio.
Os combustíveis e as partes plásticas dos automóveis são altamente inflamáveis e contêm muita energia. Quando surge um incêndio, risco que todos os carros têm mesmo sem ser em resultado de um acidente, como cortar o ar será condenar as pessoas à morte certa, o incêndio propaga-se rapidamente aos outros automóveis e libertando quantidades astronómicas de fumos tóxicos que vão matar toda a gente e ainda destruir o túnel.

2 = Retirar os gases tóxicos.
Os motores libertam gases asfixiantes pelo que a circulação do ar tem que ser abundante, constante e sem risco de ser interrompida. 

3 = A altura livre tem que ser de pelo menos 7 m.
Para acomodar os ventiladores, extractores de fumo e haver uma reserva de ar que permita a sobrevivência das pessoas em caso de acidente, o pé direito tem que ser avantajado.

4 = Tem que haver um túnel de segurança.
Pode tudo correr mal, haver um choque em cadeia seguido de incêndio, abandono dos veículos e falha no extractor de fumos e é preciso salvar as pessoas. Então, tem que existir um túnel de segurança por onde as pessoas possam fugir e o socorro chegar.

Um túnel para comboio também tem problemas.
Sendo eléctrico, não há gases o que diminui as necessidade de ventilação e da altura. 
Não tendo tantos acidentes, retira a necessidade de haver um túnel de segurança.
Mas tem o problema do declive (que está limitado a 1%) e de, em caso de acidente ou avaria, a existência dos carris prejudicar a evacuação do túnel.
De qualquer modo, o Túnel do Canal da Mancha avançou com comboio (e já teve um incêndio grave num camião transportado).

Um túnel para peões e bicicletas.
É uma coisa muito mais ligeira. As pessoas sentem-se confortáveis com um pé direito de 3 m, não há produção de gases tóxicos, o risco de incêndio é muito baixo e não se propaga, o risco de congestionamento na evacuação existe mas é 1000 vezes inferior ao caso dos automóveis (basta um automóvel parado). 
No tempo do Salazar, o futuro e o progresso era o automóvel e, por isso, era impensável um túnel atravessar o Rio Tejo. Hoje, que o futuro já começa a ser a bicicleta e a trotineta eléctricas, já começa a fazer sentido.

Fig. 2 - Um túnel 12m x 5m permite a circulação de 250 e-bikes/minuto em cada sentido

E se fosse um tubo parte túnel e parte ponte?
A principal dificuldade à construção do túnel é que, nessa zona, o Rio Tejo tem uma profundidade de 50m o que faz com que um túnel enterrado tenha que vencer um desnível desde a entrada até ao fundo do rio de pelo menos 70m.
Para o caso do metropolitano, para termos uma rampa com 1% de inclinação, será preciso esticar o túnel dos 2km da travessia para 17km, 7.5km a descer e outros 7.5km a subir.
Agora vamos imaginar uma inclinação de projecto de 4%. Esta inclinação é compatível com uma bicicleta a descer desengatada a 30km/h e a subir a 12km/h se o motor eléctrico debitar 250w. Mas, mantendo os 2km da travessia, o túnel ainda vai ficar muito longe do fundo do rio.
Descendo 40 m, ainda ficamos a 30 metros de "altura". Não faz mal, o túnel transforma-se em ponte subaquática.
Fig. 3 - O tubo da fig. 2, parte do percurso é túnel e outra parte é ponte subaquática.

Os esforços no tubo.
O tubo desenhado na fig. 2 não tem esforços verticais pois o peso do betão é totalmente equilibrado pela impulsão da água. Assim, fica quase a flutuar no meio da água.
Os esforços sentidos vão ser causados pelo caudal do Rio Tejo, mais forte em dias de cheia, e pelos movimentos das marés a entrar e a sair. 
Assim, a ponte vai trabalhar na horizontal e não, como normalmente, na vertical, havendo necessidade de cabos ancorados no fundo do rio e a "viga caixão" ser horizontal (concentrar betão do lado poente e nascente do tubo, ver fig. 2).

Fig. 4 - Na ponte subaquática, os esforços são horizontais e causados pelo movimento da água, mais fortes de Nascente para Poente. 

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

O monopólio bilateral, a Graça e o Zé Luís

Somos casados, logo, discutimos.
Esta regra de vida tem preocupado os pensadores ao longo da história.
Lá no judo há uma gaja toda boa que vai levar as suas duas crianças à aula. Como nunca apareceu o pai das crianças, logo, deve ser "solteira".
Eu nem olhava para ela porque acho que as mulheres só contribuem para a infelicidade dos homens mas, numa das últimas aulas, para não parecer panasca disse-lhe um olá e ela respondeu com um sorriso ... 
Fig. 1 - e, na aula seguinte, com umas leggings pretas, a matar! Assim, mesmo, quando eu cheguei, virou-se de costas e abriu um bocadinho as pernas.

Mas onde eu queria chegar.
Vamos supor, o que nunca vai acontecer, que eu conversava com ela mais um pouco. Daqui a nada, começávamos a discutir!
Não nos conhecemos de lado nenhum, são tudo sorrizinhos. Se nos começássemos a conhecer, vinham discussões, insultos, desconsiderações e amuos.
Isto tem tudo a ver com a Economia!

A Graça e o Zé Luís são o casal típico.
Um deles, no caso, a Graça, faz do outra capacho (como dizem os nossos amigos brasileiros), faz gato sapato do Conde tratando-o abaixo de cão.
Se fosse o contrário, diriam que o homem era manipulador, tóxico, destrutivo e que estávamos em presença de violência doméstica (sim, não esquecer que um homem foi condenado por não querer fazer sexo com uma mulher e ninguém se insurgiu) como é a mulher a fazê-lo, já se aceita.
Nós, continuando assim o mundo, vamos acabar como seguranças, motoristas e pedreiros sob ordem das gajas.

As relações são um monopólio bi-lateral.
Há um vendedor e um comprador, sem concorrência, que procuram determinar o preço a que vão transaccionar um bem.
Para o vendedor, o custo de produção é 10€ (valor desconhecido do comprador), para o comprador, o valor do bem são 20€ (valor desconhecido do vendedor).
O preço vai ser um valor entre 10€ e 20€. Se for 12€, o vendedor vai ganhar 2€ e o comprador 8€. Se for 18€, o vendedor vai ganhar 8€ e o comprador 2€.
Agora, é preciso travar uma guerra na qual o vendedor quer o preço o mais alto possível e o comprador o preço mais baixo.
O vendedor tem que convencer o comprador de que o custo de produção é muito elevado enquanto que o comprador tem que convencer o vendedor de que dá pouco valor pela coisa.

Este problema de "divisão do ganho" é central à economia.
O empresário tem que dividir a margem das vendas entre o lucro, ganho seu, e os salários, ganho dos trabalhadores.
O Orçamento de Estado tem que ser dividido entre o "eleitorado do PS" e o "eleitorado dos outros".
Podemos representar o problema num quadrado, a "caixa de Edgeworth", em que as potenciais soluções de transacção formam a "linha de contractos" que liga o canto inferior esquerdo ao canto superior direito da caixa.

O que quer o Zé Luís?
O Zé Luís está à procura de emprego. 
Quando viu a casa, imaginou-se a trabalhar naquele hostel que a Graça gere.
Aquilo foi tipo uma "entrevista de emprego".
Disse-me o Marques Mendes que a casa pertence ao ex-marido-careca-meio-brasileiro! Estão a perceber porque a Graça lhe engraxa a careca e ele não "lhe dá bola"?
Ela disse que deixou o careca porque foi corneada. Já perguntaram à actual mulher do careca se ele alguma vez a corneou? Nunca, o que traduz que a Graça tem muita conversa mas vale pouco na cama.
O Zé Luís experimentou mas nunca mais pois, ao ver tamanha coisa, Sua Alteza passou a Conde de Alpendurada.

Reparem bem.
O Zé Luís é uma boa pessoa tanto que não levou as 3 ex-mulheres ao tal jantar (disseram-me que são umas cabras, mais ou menos como a Graça).
Quando aquela cabra da Sónia levou o ex-cabeça-rapada ao jantar, o povo achou mal, que era um insulto ao marido actual.
Sendo o Zé Luís uma pessoa, se tivesse qualquer sentimento libidinoso pela mulher, sentia-se incomodado. Mas sentiu-se muito bem porque "Era um jantar com o dono da casa".
Sendo a Graça "a patroa", há que ter respeitinho. 
  
O que quer a Graça?
Como diz a música do Marco Paulo ("uma lady na mesa, uma louca na cama"), a Graça quer um lacaio que seja gentleman à mesa, um Nuno Rogeiro nas conversas, uma estaca na boca das amigas, um touro na cama e sem lhe pagar um tostão.
Quer um escravo para todo o serviço, naturalmente, à borliex.

Compreendo o Hugo aturar a Ana.
É que a gaija é boa como tudo.

Fig . 2 - Estou a imaginar o Hugo a acordar de manhã e sentir o cheirinho da ratazana.
  
Fig. 3 - Aconselho a Ana a lançar o perfume "Acqua di ratta by Ana"

Assim, gajas boas como o milho, um gajo aguenta estoicamente como eu aguentei a ucraniana quando só me apetecia dar-lhe um tiro.
Agora aturar um velhota? Já nem Jesus seria capaz de levantar o Lázaro.

Fig. 4 - "Queres festa Graça? Compra um massajador que eu também passo as camisas a ferro."

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O futuro dos veículos electricos

Eu tenho sido um critico dos carros eléctricos.
E a minha crítica tem a ver com o preço que é muito mais elevado que os carros a gasolina.
Para avaliarmos o custo de um veículo eléctrico, comparemos  o ZOE e o Twingo que são dois carros equivalentes, o primeiro eléctrico e o segundo a gasolina.
O Twingo é um nadinha mais pequeno que o ZOE mas atinge uma velocidade máxima maior.

ZOE Limited Flex Z.E. 40
Preço (sem bateria) = 28992€ (ver)
Leasing da bateria = 38€/mês + 0,05€*km, mínimo de 69€/mês (ver)
Consumo de 19kwh/100km (revista Autoesporte)
15000km/ano, amortização em 15 anos,  carga na hora de vazio (0,12€/kwh), taxa de juro de 2%/ano.
     Amortização do carro -> 0,15€/km
     Leasing da bateria -> 0,08€/km
     Energia -> 0,02€/km
Total = 0,015 + 0,08 + 0,02 = 0,25€/km.
Preço da electricidade (bateria + energia na tarifa média) = 0,80€/kwh

Twingo Limited
Preço  = 11240€
Leasing da bateria = 0€, bola, batata
Consumo = 4,2 l/100km
15000km/ano, amortização em 15 anos,  Gasolina (1,60€/l), taxa de juro de 2%/ano.
     Amortização do carro -> 0,06€/km
     Leasing da bateria -> 0
     Gasolina -> 0,07€/km
Total = 0,06 + 0,0 + 0,07 = 0,13€/km.

Comparação
Por quilómetro percorrido, o preço do Twingo Limited é metade do preço do ZOE.
E a gasolina do Twingo Limited ainda paga 0,03€/km em ISP (com IVA) e a tarifa dos 0,12€/kwh é insustentável quando houver um número significativo de veículos eléctricos.
Quem não acreditar nestas contas só pode querer viver enganado.


Fig. 1  - O Twingo fica por metade do preço do ZOE (por km), paga ISP e não espera no abastecimento.

Evolução dos impostos sobre os veículos automóveis
Em 2017, cada português pagou 525€ em impostos relacionados com os automóveis a combustíveis fósseis.
Se andássemos todos em automóveis eléctricos, onde iria o Costa buscar os 5500 milhões de euros?

Quadro 1 - Evolução dos impostos sobre os veículos a combustíveis fósseis (www.dgo.pt)
Ano 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015
ISP 3169 2530 2434 2409 2306 2116 2102 2093 2117
ISV 1187 918 693 809 627 362 352 466 573
IUC 150 150 128,4 146 173,6 197,3 255,6 276,4 285
IVA* 1002 793 719 740 674 570 565 589 619
Total 5507 4391 3975 4105 3780 3245 3275 3424 3595
Ano 2016 2017
ISP 3259 3364
ISV 672 757
IUC 310 334
IVA* 904 948
Total 5145 5403
*IVA sobre o ISP e sobre o ISV, milhões de €.

Será que os veículos eléctricos têm futuro?
Prevejo que terão um grande futuro mas em pequenino!
A máquina a vapor aplicou-se a comboios e barcos mas não automóveis porque a máquina era enorme.
Veio o motor a explosão e já foi possível construir automóveis e, mais tarde, motorizadas.
O motor eléctrico tem a vantagem de poder ser muito pequenino, por exemplo, cabe dentro de um relógio de pulso, com o problema das baterias.
Estando as baterias cada vez mais económicas e leves, fica aberto o caminho para a miniaturização dos meios de transporte.

Os mini, micro e nano meios de transporte.
O Tesla está a fazer carros electricos semelhantes ao que de melhor há em carros a gasolina. Caros confortáveis, enormes, potentes, bonitos mas também estão a aparecer novos veículos que não têm nada a ver com esse design.
Serão veículos de baixo peso (inferior a 50kg), baixa potência (inferior a 1500W), baixa capacidade de armazenamento (inferior a 1 kwh) e pequena autonomia (inferior a 50km).

Os mini-veículos.
Scooters, bicicletas, cadeiras de rodas e caixões motorizados!
Por exemplo, uma bicicleta com uma potência de 250W e uma bateria de 0,4 kwh (1% da do ZOE 40), tem uma autonomia de 40km para uma velocidade média de 20km/h. Terá um preço na ordem dos 500€ e um custo na ordem dos 0,10€ numa viagem de 10km que, na cidade do Porto, custa 1,60€ de autocarro (bilhete Z2).
O site da CP diz que "são permitidas bicicletas elétricas (com potência máxima contínua de 0,25 kW), desde que em dimensão/espaço ocupado, não considerando a bateria, se assemelhem a uma bicicleta tradicional." (ver)


Fig. 2 - Bateria de 375wh, potência de 250w, autonomia teórica de 50km, 18kg de peso. Pode circular na CP sem pagar bilhete.

Os "caixões motorizados" vão ser utilizados quando os carros forem autónomos, nas viagens longas, podermos fazer uma viagem de 500 km enquanto dormimos.

Fig. 3 - Como o "caixão motorizado autónomo" não precisa de janelas, vai ser aerodinâmico e barato. 

Fig. 4 - Este veículo tipo caixão (bicicleta a pedal Arion1) anda a 120km/h com 750w de potência, 1 cavalo. Tem câmaras em vez de janelas.

Os micro-veículos.
Patinetes/trotinetas
Têm um enorme potencial já a curto prazo pois são muito baratos (na ordem dos 350€) atingem grandes velocidades (25km/h), percorrem grandes distâncias (30km) e podem ser levadas debaixo do braço (pesam 12kg).
As cadeiras de rodas serão para pessoas que querem mais conforto e que, por terem mais idade, não se sentem à vontade com a patinete eléctrica.

Fig. 5 - Consegue-se uma Xiaomi M365 na Gearbest.com por 330€
Velocidade máxima de 25km/h e autonomia de 30km.

Fig. 6 - Atravessar o Porto (da Estação da Campanhã à Rotunda da Boavista) com a FIIDO ou a Xiaomi demora 15 a 20 minutos.

Os nano-veículos.
Também vão aparecer skates, patins e mesmo sapatos eléctricos!
Sapatos? Estarão a pensar, "Que absurdo, o bloguista enlouqueceu de vez"
Mas é nos sapatos eléctricos que eu vejo mais futuro.
Com uma roda no calcanhar, tanto podemos andar em "modo esqui" em que, a cada passo, deslizamos uns 3 metros, ou em modo "super homem" com um pé à frente e outro atrás. De qualquer forma, será possível caminhar à velocidade do Carlos Lopes, a uns 20km/h, com uma autonomia de 10km sem qualquer esforço. A bateria de 0,5kg vai estar presa à cintura e, nos climas frios, vai também fornecer aquecimento à pessoa.


Fig. 7 - Já só falta meter um nano-motor e uma bateria à cinta.

O que vai ser pedido ao Estado.
Não é subsídios nem isenções fiscais mas vias onde os micro-veículos e as pessoas com sapatos a motor possam circular em segurança. Se se construíram auto-estradas especialmente para os carros, também vai ser preciso construir vias de circulação para os micro-veículos que não umas pinturas amarelas a dizer "via para bicicletas".
Também é preciso construir locais de aparcamento seguros, de onde seja difícil roubar os micro-veículos e onde possam ser recarregados.

Fig. 8  - Uma ciclovia a ligar Barreiro-Seixal-Almada-Lisboa com um túnel sobre o Rio Tejo (ver). Total de 12,5km com 2,5km em 3 túneis (a vermelho) e 10 km à superfície (a verde).

Fig. 9 - O túnel para peões Kanmon passa por baixo do mar ligando as ilhas de Kyushu e Honshu (Agradecimento a jfdr pela referência)



quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A irrelevância de Marcelo chama-se Tancos

Tive o seguinte pesadelo! 
Vou pela rua e pergunto às pessoas por quem vou passando "Diga, por favor, os 100 problemas que a afligem ou afligiram desde que nasceu".
Feita a pergunta a todos os portugueses, depois, calculei quantas pessoas referiram Tancos.
Contei, contei, e foram, foi, uma pessoa, Sua Excelência o Senhor Presidente da República Portuguesa Professor Marcelo Rebelo de Sousa.
Apenas uma pessoa acha que Tancos está entre os 100 problemas que lhe afligem a vida.

Não pode ser!
No dia seguinte tive um pesadelo ainda maior! Perguntei pelos 1000 problemas, toda a noite a fazer a contar inquéritos e quantas pessoas referiram Tancos?
Contei, contei, e foram, foi, a mesma uma pessoa, Sua Excelência o Senhor Presidente da República Portuguesa Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

Fig. 1 - Foi gravíssimo ter morrido toda a sua família afogada na banheira mas Tancos ..., é que, eu não sei de nada, mas o Marques Mendes disse que roubaram cento e trinta e duas bombas atómicas, três porta aviões com 5 mil homens fardados a bordo e ainda um submarino nuclear armado com o Manuel de Oliveira ao leme da câmaras (dos torpedos?). Já imaginou? O Manuel! Que perigo! É que, não sei de nada, mas deve ter a carta caducada!
Ai o Manuel já morreu? Eu não sei de nada, ninguém me informou de nada! Vou demitir o gajo da casa ... mortuária da Belém SAD.

O Marcelo é uma pessoa extraordinária.
Conseguiu pegar na Presidência da República que o Cavaco Silva tinha resgatado ao estilo caravana do circo Dr. Táquí Tálí Tácolá (isto é, do Mário Soares) e transforma-la numa nova "rainha de Inglaterra" ao estilo Américo Tomás, adaptada, com as selfies, ao século XXI.
Agora, como começou a ver que chegando a algum lado, ninguém lhe ligava um caracol, arranjou um "problema gravíssimo" que não existe, nunca existiu nem nunca será problema algum na vida dos portugueses.

E pensar que eu votei nele! 
Mais valia ter votado no outro palhaço que chegou a reitor de uma merda qualquer sem nunca ter feito qualquer licenciatura. E ainda pensar que o Ministério Público perdeu tempo com a licenciatura do Relvas que, pelo menos, fez 4 cadeiras!
Dr. Relvas.

Vamos um bocadinho ao Trump.
Os esquerdistas já o viam a ser posto fora com um "impichema" como fizeram à Presidenta Dilma mas não é que o fulano conseguiu a maioria no Senado e sem senado não há "impichema"!
Isto pode não parecer muito mas, em 2014, o Obama não conseguiu, perdeu 9 senadores tendo o Senado passado para os republicanos (53 em 100) e 13 deputados na "Casa dos Representantes" passando também a ser controlada pelos Republicanos (247 em 415).
Por isso, atendendo a que o Trump foi repetidamente referido como o presidente americano com maior taxa de rejeição, teve muito bons resultados.

Velha lá o "impichema" Mayweather!

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code