sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ai Seguro, a tua vida Costa, Costa

Os resultados das europeia foram como estava antecipado.
O PSD+PP e o Bloco de Esquerda perderam.
A CDU, o Partido da Terra e o PS ganharam.
Quem perdeu avançou com justificações para diminuir a derrota que não são razões verdadeiras porque não partem da inquirição às pessoas. As máquinas dos partidos deveriam perguntar aos eleitores o porquê de terem votado (ou faltado) nuns partidos e não noutros.
Se não há qualquer dúvida quanto a quem perdeu e a quem ganhou, o problema é que, ao fim de 3 anos no sepulcro, chegou o tempo da ressurreição dos socratistas.
 
A maior parte do tempo, nós queremos ser uma carneirada.
Como todos nós sabemos, o Sócrates foi a cabeça oca do grupo de pessoas que levou Portugal à bancarrota. Em si, o Sócrates não tem nem nunca teve conteúdo intelectual tendo sido apenas um instrumento para que outros pusessem a mão ao poder. É uma pessoa que apenas se preocupa em saber se a sua imagem fica melhor se captada do lado esquerdo ou do direito.
Pessoas assim chegam ao poder porque a maioria de nós, a maioria do tempo, não quer pensar preferindo ser conduzido em carneirada. Um político com boa imagem, com bom tom de voz e que diga que vai acabar com tudo o que está mal e fazer tudo o pensamos ser bom, tem possibilidades de cativar o nosso voto.
É tal e qual como nos comportamos a fazer compras. Nós podíamos comparar o preço e qualidade do  produtos semelhantes e nos diversos hipermercados e escolher o que tivesse a relação qualidade/preço mais favorável mas o que fazemos é comprar as mesmas coisas sempre ao mesmo sítio. Como sempre fez a minha mãe, compramos onde há mais pessoas a comprar porque "não sendo elas burras, fica provado que o produto é bom e barato".

Fig 1 - Ir em carneirada custa muito menos.
 
Estamos no tempo certo para atacar.
Qualquer que fosse o resultado do PS, os socratistas encabeçados pelo António Costa iriam atacar.
Mesmo que o PS tivesse ganho, como "aconteceu" na Crimeia e vai "acontecer" na Síria, com 99,7% dos votos, o ataque aconteceria na mesma porque está no tempo de atacar.
O Costa poderia ter, em Julho de 2011, sucedido ao Sócrates como Secretario Geral do PS mas era tempo demais para estar na oposição.
- Não, nem pensar, vamos arranjar um para queimar, para apanhar com os tiros todos. Deixamos o Seguro brincar um pouco ao faz-de-conta-que-é-secretário-geral e quando, ele estiver já cansado de rebentar com as mina todas do terreno, aparecemos com as tropas de choque, fresquinhas, e seremos os vistos pelo povinho como os salvadores da pátria. Já ninguém se lembrará que mandamos o país à bancarrota.

Fig. 2 - Mas nem tudo o que parece ovelha, é ovelha.

Estar na oposição sem ideias desgasta muito.
Se ouvirmos as intervenções do António Costa, não existe qualquer ideia. Tudo são generalidades copiadas da campanha que o François Holland fez em 2012 e que o levou à presidência da França contra o Sarkozy. Prometeu bater o pé à Sra Merkel entrando pelo caminho do crescimento e do emprego em oposição ao caminho a austeridade traçado pelo seu opositor.
Em 2012 o PS francês teve 51.6% e, como nenhuma das suas generalidades apresentadas na campanha eleitoral poderia dar resultado, ficou-se nas eleições europeias por 14,0%.
Apesar de a maioria de nós não querer pensar, ao longo do tempo quem está no espaço público tem que avançar com as medidas concretas que implementariam  para contrariar a crise que vivemos.
Por as medidas terem que oscilar entre, por um lado, cortar mais ou menos "direitos sociais" e "direitos adquiridos" dos funcionários públicos e, por outro lado, aumentar impostos, o povinho vai lentamente tomando consciência que as generalidades não leva a lado nenhum.
Por isso é que o Costa não podia ascender a secretario Geral em 2011, era muito tempo para queimar.

Há um ano o Costa ainda avançar dois passinho.
Porque antecipou que o governo PSD+PP ia cair.
Se não atacasse e o governo caísse acontecia-lhe o que aconteceu ao Rui Rio no PSD. Deixou em 2010 o Passos Coelho ganhar sem oposição porque antecipava que o Sócrates só sairiam em 2013 e era muito tempo para queimar. O problema é que o Sócrates caiu sem lhe dar tempo de varrer o Passos de lá. Acabou.
Quando o Costa deu conta que o Passos iria aguentar, retirou-se depois de anunciar um acordo denominado "Portugal Primeiro".

Fig. 3 - O equilíbrio é sempre difícil seja entre força e beleza ou entre avançar e proteger a imagem.

Nesse acordo o Seguro comprometeu-se a fazer uma guerra sem quartel contra o governo.
Será que o Seguro está a dar cumprimento a esse acordo?
Sim.
Se antes o Seguro tinha uma politica de "cumprimento do memorando assinado pelo PS", depois disso nunca mais parou a politica do "vou rasgar tudo o que o Passos fizer" e "vamos para eleições antecipadas".
Se o Seguro está a cumprir com o acordado, como vêm agora os socratistas dizer que o costa é uma figura mais capaz de consensos?
Mandam o cão ladrar e ele obedece e, depois, dão o osso ao outro porque não faz barulho.

Será que o Soares e o Costa vão pedir a demissão do Holland?
Não falam disso o que demonstra que a sua acção não resulta do resultados eleitorais mas sim de acharem que é tempo de atacar.

Será que os resultados foram bons para Portugal?
Como sabem, depois de termos um governo do Bloco de Esquerda, da CDU ou do Partido da Terra, o pior que nos pode acontecer é ter um governo do PS em que retorne a cancalhada socratista.
Neste sentido, os resultados nas eleições europeias foram perfeitos.
H1- Se o PS tivesse ganho com mais que os 36% que teve nas autárquicas, o Costa não teria força anímica para avançar mas também o PSD+PP teria ficado muito fragilizado. Ao não avançar, o PS concentraria-se em capitalizar a vitória das europeias.
H2 - Se o PS tivesse perdido, o governo ficava reforçado mas o ataque do Costa seria visto como  o cumprimento de um dever para com o partido. Iria avançar o a "nova estratégia" podendo despertar no povinho o sentimento da compaixão.
O PS ter ganho mesmo que ligeiramente faz o Costa ser visto como um oportunista que só esteve a tourear o Seguro. Mas não ter ganho estrondosamente não enfraquece assim tanto o governo.

Fig. 4 - Mas mesmo bom para Portugal era esta jovem dizer-me "gosto tanto da tua inteligência que me tens que fazer um filho, já"


A situação é como um jogo de poker.
Vamos supor que temos uma boa mão. Se o outro tiver uma má mão, é mau para nós porque ele não vai a jogo. Mas se ele tiver uma mão imbatível também é mau para nós porque ele vai a jogo mas nós perdemos. O óptimo é ele ter uma mão que seja média para ele ir a jogo e perder contra a nossa mão.

E o que deve fazer o Seguro?
Aguentar e contra-atacar revelando as verdadeiras intenções dos socratistas.
Deve vir a público que não querem mais que entrar nas listas para deputados à revelia da vontade do povo português que os varreu em 2011.
Fazer uma politica de terra queimada pois só assim o costa e apaniguados desistem.
Estão muitos tachos em jogo, muitos conselhos fiscais de muitas empresas públicas.

Vamos agora ao Tribunal Constitucional.
Eu tenho a certeza que se os cortes viessem, como em 2011, de u governo socialista, o tribunal constitucional os aceitaria como bons.
Aceitou sem qualquer reparo o corte dos 10% no salários dos funcionário púbicos de 2011 porque saíram do governo do Sócrates.
Naturalmente, se o cortes não avançarem para 2014-2015, o único caminho que fica ao governo é o aumento dos impostos.

O IVA pode aumentar até aos 30%.
Com o controle que existe actualmente, o IVA pode aumentar 30%,
  Bens de primeira necessidade ---> de   6% para 8%
  Bens de necessiade interédia ----> de 13% para 16%
  Outros bens e serviços ----------->  de 23% para 30%
Este aumento de 30%, se proporcional, resulta num aumento da receita fiscal em 4200 milhões €.
Agora, o governo só tem que ver quanto precisa e aplicar uma regra de 3 simples.
Se os chumbos do TC andarem nos 700 milhões, será preciso subir imediatamente o IVA máximo para 25% e o intermédio para 14%.
Não estou a ar noviade nenhuma porque não há mais contas a fazer.

Mas o governo tinha uma alternativa.
Mas que não quer usar por razões que eu desconheço.
Era pura e simplesmente extirpar  do nosso ordenamento jurídico o Subsídio de Férias.
Pura e simplesmente decretava que o Subsídio de Férias acabava para pensionistas, funcionários públicos e trabalhadores privados pois foi isso que o Tribunal Constitucional usou para chumbar o corte dos Subsídio de Férias dos funcionários públicos e dos pensionistas.
Era um corte de 7% e todos os salários. Depois, o Estado mantinha o salários congelados e, se os empregadores privados pudesse e quisessem aumentar o salários em 7%, era um problema deles a que o Tribunal Constitucional nada teria a dizer.
Se de duas políticas diferentes resulta exactamente a mesma coia não poe uma ser inconstitucional e a outra constitucional.
Estão a ver como os do Tribunal Constitucional são ceguinho?

Fig 5 - Vivemos un tempos em que os cegos guiam quem vê

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Vem aí mais uma vitória derrotante

As europeias não servem para nada. 
Dizendo-se que o orçamento europeu anual é de 135 mil milhões de euros, parece que a União Europeia é muito importante mas, atendendo a que isso representa apenas 1.05% do PIB, temos que concluir que não tem importância nenhuma. 
Em cada 1000€ de riqueza criada na União Europeia, cerca de 400€ são geridos pelo governo de cada  país e apenas 10€ são geridos pela UE e grande parte dessa verba vai para a agricultura. 
Então, se um voto nas legislativas já vale muito pouco, votar para as europeias vale 40 vezes menos. 

Fig. 1 - Eu não tenho culpa que, procurando "Europeias" nas imagens do Google, apareça o 1.º campeonato nu de futebol. Nestas eleições, eu votava-me em cima da urna.

O que eu quero que aconteça.
Que o Seguro ganhe, por quanto mais melhor pois, desta forma, o PS continua no rame-rame a caminho da grande derrota que irá acontecer em 2015.
Se o Seguro perder, vai aparecer um falhado igual ao Seguro, tipo António Costa, mas, como o nosso povo está sempre à espera de um  dão sebastião que o venha tornar rico sem trabalhar, um euromilhões da governação, se o gajo não se cansar de repetir "nós podemos" e "nós vamos pelo caminho do crescimento", o povinho, tipo as criancinhas que foram atrás da flauta mágica, podem embarcar numa aventura idêntica ao que vivemos com o Guterres e com o Sócrates. 
Discursos bonitos, inflamados e sem conteúdo captam mais votos que discursos de verdade, onde é referido que é preciso cortar despesa e aumentar impostos.
E como eu não quero votar nem fazer campanha pelo bicho, vou faltar à chamada. 

Fig. 2 - Há coisas que não vale a pena fazer. Uma delas é correr na praia atrás das gaja boas e outra é ir votar nas próximas Europeias.

Além do mais, o Rangel, candidato do PSD, só diz barbaridades.
Já ninguém se lembra mas dizer que dizer barbaridades é mau é tão mau como dizer que dizer conversa de preto é mau. Isto porque barbaridades é a conversa dos povos bárbaros que são os do Norte da Europa. Mas vamos esquecer isso.
O Rangel vem com a conversa que "temos um mar enorme e riquíssimo" é conversa para adormecer mortos. Isso é tudo mentira.
Mar riquíssimo tem Angola, cheio de petróleo e a Noruega não só com petróleo e gás mas também com bacalhau.
O nosso mar não presta para nada. Apenas é bom para tomar banho de água muito fria que até parece congelar os tim-tins.
Penso que quem tomar um banho no nosso riquíssimo mar gelado, nos seguinte 5 anos não consegue fazer filhos, nem com uma caixa de 360 pílulas viagras generis a coisa lá vai (a 0.50€/pílula). 
Imagino que até um preto fica com a coisa do tamanho da de um chinesinho de 2 anos.
Coitado do Rangel a quem o Passos não liga patavina e o Portas até pensa que ele não existe. 

Fig. 3 - Terei uma grande vitória se tiver mais de 2 votos (que são o meu e o da minha mulher).

E como vai o nosso portugalzinho?
Tem altos e baixos.
Os baixos é que o governo anunciou que ia avançar com não sei quantas medidas eleitoralistas e as taxas de juro aumentaram enormemente. 
Se no dia 9 de Maio a taxa a 10 anos estava nos 3.50%/ano, no dia 21 de Maio ultrapassou os 4,1%/ano. Não parece nada mas um aumento de 0.6%/ano sobre toda a nossa divida pública representaria 1300 milhões € por ano a mais de despesa pública. 

Fig. 4 - Consegui esta foto do casamento do Paulo Rangel (sim, sim, é com a Ferreira Leite).
Meu Deus afasta de mim este cálice.

Os altos. 
É que o governo teve que rapidamente arrepiar caminho e anunciar que, afinal, vai avançar com a resolução do problema das empresas públicas de transportes.
Penso que o nosso futuro será cada vez mais assim: o governo diz que vai fazer uma maluqueira qualquer e as taxas de juro sinalizam logo que é preciso arrepiar caminho.
E por hoje fico-me por aqui pois tenho que entrar em período de meditação.

Fig. 5 - Com esse par de meditações vais dar cabo das costas. Deverias segurar o peso com os pés.

Pedro Cosme da Costa Vieira

sexta-feira, 16 de maio de 2014

As más notícias sobre o 1T2014

Há 15 dias estive a falar com OF, um colega meu que sabe muito. 
Nas discussões que tivemos em 2011 eu era muito pessimista. Previa uma contracção do PIB na ordem dos 20% e que a taxa de desemprego poderia atingir os 25% observados actualmente na Espanha.
Eu previa mesmo que a Zona Euro se iria desagregar. 
Ele, nem por isso. Pensava que o PIB iria contrair e o desemprego aumentar mas moderadamente como, de facto, aconteceu.
Então, comecei esta nossa conversa dizendo que ele tinha acertado e que eu tinha sido exagerado. E que, agora que a crise financeira tinha sido ultrapassada com alguma facilidade, agora era tempo de a o desemprego voltar aos 5% e economia voltar a crescer de forma robusta.

-Nem pensar nisso.
Disse ele, o que me deixou desorientado.
- Houve coisas que se fizeram mas foi tudo na base do provisório e extraordinário.
- Os cortes nas pensões, salários de funcionário públicos foram provisórios.
- O ajustamento nas empresas públicas foi fumaça que se desvaneceu no ar.
- Mas isto não é nada em comparação de um problema que nos vai levar, lentamente, à pobreza: temos uma taxa de poupança muito baixa o que leva as nossas empresas à obsolescência tecnológica.
- Sendo as pessoas também capital, a baixa natalidade também traduz a nossa pouca apetência  à poupança.


Precisamos de 20% de taxa de poupança.
Para ser possível re-investir o capital que se vai depreciando e fazer novos investimentos seria necessário ter uma poupança total bruta de pelo menos 20% do PIB.  Se até 1990 tínhamos uma poupança nessa ordem de grandeza, desde então a poupança reduziu para 15% o que não permite substituir o capital que se vai depreciando (ver, Fig. 1). 

Fig. 1 - Evolução da poupança das famílias em relação ao rendimento disponível e total bruta da economia em % do PIB (dados: Pordata e Banco Mundial).

E os dados do 1T2014 vêm mostrar uma forte contracção do PIB.
O PIB contraiu 0,7% relativamente ao trimestre passado o que é muito.
Se tivesse contraído até 0.25% podia ser pensado que eram normais oscilações do PIB relacionadas com o estado do tempo e com o facto da Pascoa ter calhado em Abril. Mas 0.7% já é uma enormidade.
Se olharmos para a série do crescimento trimestral dos últimos 11 anos, quando num trimestre existe uma contracção maior que 0.25%, é quase certo ser seguida por uma crise. 

Fig. 2 - Evolução do crescimento trimestral do PIB, 1T2003-1T2014 (dados: INE). 

E o problema das exportações não é a Galp.
A questão do aumento das exportações desde 2009 é que em 2008 houve uma queda nas exportações de 30% nas exportações que, no entretanto, temos recuperado. Mas a tendencia de crescimento está nos 2,7%/ano (ver, Fig. 3) e não nas taxas astronómicas que o Pires de Lima costuma anunciar.

Fig. 3 - Evolução das exportações totais (dados: INE). 

Mas as contas com o exterior parecem controladas.
Houve uma degradação das contas com o exterior (para um défice de 6€/mês por pessoa) mas a magnitude da "derrapagem" é marginal quando comparada com os valores de 2010, altura em que o défice era de 150€/mês por pessoa. Parece que a derrapagem está dentro do normal flutuar da balança corrente (ver, Fig. 4) e Dezembro foi o melhor ano dos últimos 70 anos.
Esperemos que tenha sido apenas uma pequena flutuação.

Fig. 4 - Evolução da Balança Corrente, J2010-F2014 (dados: Banco de Portugal). 

Os custos do trabalho estão a aumentar, mas apenas ligeiramente.
Para a digestão da taxa de desemprego são más notícias mas a boa notícia é que em 2013 o aumento foi pequena 1% (ver, Fig. 5).
Relativamente a 2010/2011 os custos do trabalho diminuíram cerca de 10%, 5% no Privado e 20% no público mas, desde o mínimo de finais de 2013, estão a aumentar mais no público que no privado. 

Fig. 5 - Evolução dos custos do trabalho, total da economia, 1T2009-1T2014 (dados: INE, média móvel do último ano). 

Cheira muito a euforia.
O PIB cair foi muito mau mas pode acontecer que tenha sido positivo pois parece ter recolocado juízo no governo.
Há um mesito já só se falava no retomar das obras públicas, na reposição dos cortes nos salários dos funcionários públicos e nas pensões e no aumento do salário mínimo mas os dados negativos que o governo foi conhecendo antes de nós parece que puseram novamente o freio no governo.
Já voltaram a falar em meter novamente as mãos à obra avançando com reformas no mercado de trabalho, nas empresas públicas e na estrutura do Estado.
Vamos a ver se não voltamos a 2009 quando, no auge da crise, o eleitoralismo tomou conta de nós e nos levou, pouco depois, à bancarrota.

Pedro Cosme da Costa Vieira

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O mau, o feio e o péssimo

A "espiral recessiva" deu lugar ao "caminho para a estagnação". 
Hoje estive a ouvir o debate na Assembleia de República e achei interessante os do PS atacarem com a ideia de que estamos a caminho da estagnação. 
Mas se antes estávamos na espiral recessiva e agora caminhamos a passos largos para a estagnação então, isto são boas notícias. 
Mas não. Afinal, como por um passe de mágica, os esquerdistas querem passar sobre o facto da economia estar há vários trimestres a crescer como se isso nunca tivesse acontecido. 
Antes estava mau porque a "austeridade de 2012 ia atirarmos para uma espiral recessiva", depois em 2013 ficou feio porque "a austeridade era continuar a escavar o buraco" e, de repente, ficou péssimo porque a austeridade vai levarmos à estagnação.

Será possível haver algo de positivo para os esquerdistas?
Há. Tudo o que aconteceu no tempo do Sócrates.
A estagnação económica, a desorçamentação e o esconder da dívida pública, os contratos com "os amigos do PS" e o casamento gay

Fig. 1 - A questão não é "Passos, pára de escavar o buraco" mas sim "esquerdistas, parem de tentar puxar o peso morto".

Vamos ao desemprego.
Em princípios de 2000 havia 200 mil pessoas desempregadas. 
Depois, em 2002 houve uma crise de que já ninguém se lembra. Nesse tempo governava o Guterres e, como defendem hoje os esquerdistas, na altura deu inicio à segunda fase da "politica do crescimento e do emprego".
Mas o desemprego começou a crescer e cresceu, cresceu, cresceu mas disso os esquerdistas não querem falar. A política dos subsídios e dos direitos adquiridos transformou a nossa economia num peso morto e todos os dias, semana, sábados, domingos e feriados e ainda nas férias, 100 pessoas passou a cair nas estatísticas do desemprego. 
O Sócrates quando entrou havia 400 mil desempregados e o grande anúncio do bicho foi de que iria criar 150 mil postos de trabalho. 

Fig. 2 - É só para recordar.

Mas a realidade é que, quando foi corrido, havia mais 150 mil desempregados. 
E, dizem os esquerdistas, o governo do Passos Coelho perdeu toda a credibilidade porque não cumpriu com as promessas eleitorais.
E o Sócrates, durante esse tempo todo, implementou PECs extraordinários.

Fig. 3 - Evolução do número de desempregados (dados: ine, série de 1998 e de 2011)

O Passos entrou e o desemprego continuou a subir. Nos 2 primeiros anos aumentou o triplo da tendência do socratismo tendo atingido um máximo de 805mil desempregados. Mas também foi preciso cortar no financiamento externo (no défice das nossas contas com o exterior).

Impossível.
Não é que no últimos ano, o desemprego teve uma redução de 140 mil!
Apesar de estarmos a viver a "espiral recessiva", desde há um ano o desemprego está a reduzir 375 pessoa por dia. 
Cada 3 dias, 1000 pessoas e cada mês, 10 mil pessoas deixou o desemprego.
Isto é apenas extraordinário.

Será que os desempregados morreram?
Isso é problema deles pois quando o desemprego aumentou ninguém quis saber de onde vinham essas pessoas. Se se reformaram, evaporaram, imigraram ou retornaram à Ucrânia não nos diz respeito pois o que interessa é que a taxa de desemprego como medida do desequilíbrio do mercado de trabalho está a reduzir muito rapidamente. 

Mas o governo anunciou a "7 revisão do código do trabalho".
Quer reduzir a "contratação colectiva". 
Em teoria o contracto colectivo agrada a toda a gente porque resulta de uma negociação entre empregadores e empregados mas, pelas grandes diferenças que existem entre as empresas e entre os trabalhadores, esses contratos retiram liberdade de negociação aos trabalhadores e aos empresários de produtividade marginal. 
Um contrato colectivo pode ser bom para as empresas grandes e sólidas que existem em Lisboa ou no Porto e para trabalhadores competentes dessas cidades. Mas para uma chafarica que quer existir numa aldeola de Arouca, com trabalhadores meios mancos cuja única alternativa é cavar terra, essas condições mirabolantes não fazem qualquer sentido. 

Ainda hoje estive a ver um projecto de um infantário.
A Lei é tão restritiva, obrigando a ter tanta coisa mais uma educadora e uma ajudante por cada 10 crianças que um infantário tem que cobrar pelo menos 500€/mês por cada criança.
Isso é impossível. Como podem as centenas de milhar de pessoas que ganham um salário inferior a 600€ pagar 500€ para tomarem conta da criança e apenas durante o dia?
A Lei quer proteger tanto os direitos das criançinhas que o povo tem que as botar abaixo. 
Com os trabalhadores passa-se o mesmo. Protege-se tanto que o povo tem que ficar em casa a coça-los.

Fig. 4 - Esta teve que ir abaixo porque eu não tinha os 500€/mês para o infantário

Vamos à produtividade.
A espiral recessiva induzida pela austeridade, dizem os esquerdistas, destruiu a nossa economia.
Se assim foi então, a produtividade deve ter caído. 
Vou então pegar nos dados sobre a produção por trabalhador (do banco mundial) e comparar com o que se passou na Grécia.
Por estranho que pareça, a nossa produtividade tem aumentado 1,5%/ano e, desde 2007, a produtividade tem estado a crescer menos mas não se compara com a forte contracção vivida pela Grécia. 
Afinal os 3 anos de ajustamento não destruíram a capacidade produtiva. 

Fig. 5 - Evolução da produção por trabalhador (dados: Banco Mundial, 100 em 1980)

Vamos à carta (com o 4.º segredo de Fátima).
Como dizem os budistas, a infelicidade da nossa vida resulta de colocarmos metas que pensamos necessárias à nossa realização pessoal. 
Se a meta é atingida, logo pensamos que podíamos ter pensado mais alto e ficamos sem objectivo na vida, Se não atingimos a meta ficamos derrotados porque pensamos sempre que a poderíamos ter atingido.
Com o Seguro tem-se passado exactamente isso. 
Primeiro, falou da espiral recessiva, depois do segundo resgate, por fim meteu todas as cartas na "saída limpinha, limpinha, limpinha".
E agora Seguro para onde vais?
Para a carta.
Tal como o terceiro segredo de Fátima ou o segredo das novelas baratas, agora o Seguro quer ler a carta.

Fig. 6 - Seguro, vai à bruxa que ela lê-te a carta.

Mas afinal o que diz a carta?
Diz que vamos continuar a consolidação orçamental com o fim de atingir em 2018 um défice de 0.5% do PIB.
Diz que o peso do Estado vai reduzir para média da OCDE.
Diz que vamos reestruturar as empresas públicas privatizando as viáveis e fechando as que não têm pernas para andar.
Diz que vamos flexibilizar o mercado de trabalho, reduzindo ao mínimo possível a contratação colectiva e os entraves à contratação e ao despedimento.

Fig. 7 - A carta revela que o Portas é o anti-Cristo e que o Passos é o seu cavalo branco.

Significado de Oposição (ver)
subst. f.
1. contraste: a oposição entre o sonho e a realidade; a oposição entre o branco e o preto
2. acto de estar contra algo ou alguém: a oposição do pai impediu o casamento; uma violenta oposição à mudança
3. grupo político que está contra o governo: os partidos da oposição
"A oposição será sempre popular; é o prato servido à multidão que não logra participar no banquete." - Joaquim Nabuco

Compreende-se então que os esquerdistas tenham que achar tudo mau, feio e péssimo.
"E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque" faz parte da missão deles (Lucas, 23:34).

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Qual será o valor de uma pessoa?

Será importante haver pessoas? 
Já todos sabemos que em Portugal nascem 80 mil crianças por ano e, para manter a população actual, será preciso que nasçam 125 mil por ano. Como já calculei num poste (A promoção da natalidade precisa de medidas radicais), para atingir essa meta é preciso que 7% das portuguesas tenham 12 filhos o que não é possível de conseguir assim sem mais nem menos. 
O problema é que produzir por ano as 45 mil crianças que nos faltam tem um custo anual de 7650 milhões €. 
Para ver se faz sentido produzir essas 45 mil crianças é preciso analisa-las como um activo financeiro. Se o valor de uma nova pessoa for positivo, é bom que nasçam mais pessoas mas, se for negativo, o melhor é que não nasça mais ninguém. 

Fig. 1 - Este homem recebeu 120000USD da mulher por ter tido filhos tão feios (ver)

Quanto valerá uma pessoa? 
Se nos pusermos a pensar na nossa vidinha, não parece ser possível calcular quanto é o nosso valor porque, sem nós, o Mundo não faz qualquer sentido. Mas, se pensarmos noutra pessoa qualquer, já a podemos ver como um activo financeiro. Desta forma, a pessoa é capital produtivo.
Assim sendo já podemos calcular o valor da pessoa como o total da sua produção ao longo de toda a sua vida líquida do que consumir. 

Primeiro, temos que calcular o custo de fazer a pessoa.
Como as pessoas nascem pequeninas, é preciso calcular o custo de fazer a pessoa desde a concepção até começar a trabalhar. 
No momento em que é tomada a decisão de ter a criança é preciso calcular o custo pessoal da gravidez e de aturar, alimentar, educar, criar e escolarizar a criancinha até obter o trabalhador de 25 anos.
    H1 - A gravidez tem um custo pessoal de 7500€ (600€/mês x 9 meses + 2100€ de despesa médica).
    H2 - Criar a criança precisa de uma média de 250€/mês o que soma, nos 25 anos, 75000€. 
    H3 - A escola custa 400€/mês durante 17 anos o que soma 81600€.
    H4 - A assistência média, medicamentosa e infra-estruturas custam 20€/mês somando 6000€.
Somando as 4 parcelas, 7500 + 75000 + 81600 + 6000, ficamos a saber que transformar a ideia numa pessoa licenciada de 25 anos obriga a investir 170000€.
Afinal, fazer pessoas fica muito caro.
Agora, a pessoa que poupa 400€/mês durante 45 anos chega aos 70 anos com um valor líquido disponível de 46000€.

Fig. 2 - Quando as criancinhas nascem ainda não podem trabalhar.

Já podemos calcular quanto custará produzir mais 45 mil crianças por ano.
A 170000€ por pessoa, produzir mais 45 mil pessoas terá um custo anual de 7650 milhões €.
Isto é muito dinheiro pois traduz 10% da receita pública / 5% do PIB.
Sendo que as pessoas não querem ter filhos de livre vontade, não é nada barato substitui-las.

Segundo, temos que calcular a produção liquida da pessoa. 
P1 => Vamos imaginar que a pessoa trabalha 45 anos, entre os 25 anos e os 70 anos de idade.
Retirando da riqueza criada com o trabalho os impostos e o consumo, obtemos a  produção liquida da pessoa.
Na nossa conta os impostos considerados incluem apenas a parte do rendimento necessária para pagar o uso dos bens comuns (segurança pública, estradas e embelezamento público) pois a educação e e segurança social fazem parte do cálculo do valor da pessoa.
P2 => Vou supor que a pessoa, em média, poupa 400€/mês.
Sob estes 2 pressupostos, durante os 45 anos a pessoa tem uma produção líquida de 216000€.
          400€ x 12 x (70-25) = 216000€. 

Finalmente, temos que calcular o custo da velhice.
Se a pessoa não morrer aos 70 anos mas aos 82 anos, distribuindo os 46000€ pelos 12 anos dá para o indivíduo consumir 300€/mês e ainda gastar 2800€ no funeral.

Quais são as contas finais?
Nesta simulação, o valor da pessoa é zero pois os 216000€ que poupe durante os 45 anos de actividade é exactamente igual ao que consome em criança, jovem e na velhice.
Apenas se cada nova pessoa vieira poupar mais de 400€/mês é que será lucrativo para os existentes que se criem mais pessoas.
P3 => Assumindo a pessoa com um activo financeiro, será razoável usar uma taxa de juro.
Para  1%/ano (real), só valerá a pena fazer novas pessoas se pouparem pelo menos de 510€/mês (durante os 45 anos em que trabalha).
P4 => Se for autonomizado o sistema de pensões, a pessoa tem que poupar pelo menos 430€/mês para pagar a sua criação e formação.

Como as famílias assumem 50% do custo de criação dos filhos, apenas é lucrativo ter filhos se estes retornarem mais de 215€/mês. Para o Estado que paga os outros 50% do custo de criação dos filhos, apenas é lucrativo se as novas pessoas pagarem mais de 215€/mês de impostos (além dos usados para pagar o uso dos bens comuns e o sistema de pensões).

Afinal, haver menos filhos permite termos um maior nível de vida.
Como ter e criar filhos é um investimento de 170000€ por cabeça distribuído entre a família e o Estado então, cerca de 80% do capital de um país são as pessoas.
Então, não houver crianças vamos o consumir o capital (humano) o que faz com que o nosso nível de vida fique maior à custa do desaparecimento da comunidade no futuro.
É a lógica normal de um investimento: se não pouparmos no presente, viveremos melhor agora mas pior no futuro.
O problema da dinâmica das populações é que no futuro serão outros os que viverão aqui e como nós já não temos ambições de imortalidade, vivemos melhor se não tivermos filhos.

E as nossas pensões de velhice?
Para haver pensões de velhice (de 300€/mês) é preciso que as pessoas poupem enquanto trabalham e não que existam portugueses no futuro. Para termos 300€/mês precisamos poupar 65€/mês durante 45 anos que compara com a necessidade de poupar 510€/mês para repormos a população. Esta diferença acontece porque não temos que repor o capital humano.
Então, se investirmos os 65€/mês nos países em crescimento, conseguiremos ter um rendimento disponível maior em  445€/mês do que se criarmos filhos que tornem a Segurança social sustentável.
Precisamos ter um excesso das contas com o exterior na ordem dos 5% do PIB para, quando só houver velhos em Portugal, recebermos as nossas pensões com os rendimentos vindos do exterior.
É exactamente isso que está a fazer a Alemanha que tem mantido um excedente com o exterior na ordem dos 6% do PIB.

É que os países pobres criam pessoas de forma muito mais barata.
Uma criancinha nascida na Índia atinge a idade de trabalhar com um custo na ordem dos 5500€ porque vivem com menos recursos e começam a trabalhar aos 13 anos.
H1 => Gravidez e assistência médica custa 300€.
H2 => Criar a criança entre o nascimento e os 12 anos custa 25€/mês, um total de 3600€.
H3 => A escola custa 25€/mês durante 4 anos, um total de 1200€.
H4 => A assistência média, medicamentosa e infra-estruturas custam 2,5€/mês somando 360€. 

Fig. 3 - Fazer uma indiana boa é muito mais barato do que fazer uma portuguesa fraca.

O único problema é o que o Maquiavel diz sobre os estrangeiros.
Maquiavel identifica que, mesmo sendo mais económico contratar legionários estrangeiro que manter um exército de nacionais, é um perigo usar legionários porque, vendo eles que estamos numa posição de fraqueza, aliam-se ao nosso inimigo e tomam como para si tudo o que tentamos defender.
Também aplicar as nossas poupanças no estrangeiro, vendo eles que estamos velhos e decadentes, pura e simplesmente fazem o que defendem os nossos esquerdistas: não pagam.
A nossa dívida pública é formada exactamente pelas poupanças das pessoas dos países em decadência demográfica que precisam, no futuro, de receber de volta o dinheiro para poderem viver uma velhice digna.
A decadência demográfica da Europa vai, no futuro, colocar problemas de segurança do tipo do que se observa na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. De tipo diferente, o contínuo influxo de milhares e milhares de imigrantes através do Mediterraneo também nos vai colocar problemas de segurança.
A solução é tudo menos fácil.

O valor da criança também tem a componente das externalidades.
Além da avaliação de mercado dado pela diferença entre o custo de produção e a produção, o valor da pessoa tem uma parcela que resulta do ganho que causa em todas as outras pessoas, por exemplo, porque melhora a nossa segurança colectiva.
No caso de Israel, a existência de mais um potencial soldado tem elevado valor colectivo.
Imaginemos que haver mais uma pessoa causa em cada um de nós um ganho equivalente a recebermos 0,001€. Então, nos 10,5 milhões de portugueses o ganho total somará 10500€ que irá acrescentar ao valor financeiro da pessoa.

Podemos fazer um fundo de investimento que crie crianças.
Vamos dividir as pessoas em "voluntárias" e em "investimento".
As pessoas "voluntárias" são as criadas pelas famílias de forma voluntária para retirar o normal benefício de ter uma criança.
As pessoas "investimento" são promovidas e financiadas pelo fundo de investimento que substitui as famílias.
As pessoas "voluntárias" têm a obrigação de dar assistência aos seus pais.
As pessoas "investimento" não têm obrigações familiares mas têm que ressarcir o fundo do investimento realizado, em média, em 220€/mês durante 45 anos.
Este valor será função da taxa de juro que assumi de 1% mas para 2%/ano cada pessoa terá que pagar 300€/mês.

Fig. 4 - Esta fornada correu bem

E como vai o fundo de investimento actuar?
Como um normal fundo de investimento.
Por um lado, o fundo vai ao mercado captar recursos junto de investidores. Tendo este fundo o aval do Estado, a taxa de juro conseguida deverá ser semelhança à taxa de juro da dívida pública.
Por outro lado, o fundo vai promover o aparecimento e criação das 45 mil criancinhas por ano.
O fundo procurará minimizar os custos de produção das criancinhas e maximizar o seu potencial de rendimento.
A divida de cada criancinha "investimento" ao fundo vai crescendo até aos 95000€ (previsionalmente) e depois a criancinha vai amortizando a sua dívida até não dever mais nada.

Muita se irá falar sobre a natalidade, muitos estudos serão feitos, projecções avançadas e debates agendados mas nada será feito.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Valha-nos DEO

Esta semana aconteceram coisas importantes. 
Por um lado, foi a publicação do DEO - Documento de Estratégia Orçamental.
Por outro lado, foi concluído o programa de resgate (a 12.ª avaliação da Troika).
Estes dois acontecimentos são duas faces da mesma moeda pois o programa de resgate  apenas poderia ser encerrado depois de publicado o DEO.


Mas o que é o DEO?
É uma espécie de Orçamento de Estado, OE, mas pluri-anual.
Por causa das leis e contractos que o Estado assinou no passado, no presente existe despesa pública que é paga com a receita pública. Apesar de quando se promulga uma Lei se fazerem (ou dever-se-iam fazer) previsões do seu impacto futuro nas contas públicas, porque a envolvente económica muda continuamente (ou porque há um erro deliberado de previsão), com o passar do tempo acumulam-se desvios que é necessário corrigir.
É como o GPS que, apesar de à porta de nossa casa traçar o melhor itinerário para irmos até o Algarve, a meio do percurso terá que o ajustar porque há sempre acidentes que causam alterações no tráfego.
Da mesma forma, anualmente o OE faz pequenas correcções na trajectória geral das politicas do Estado de forma a ajustar as finanças públicas à realidade em constante mudança.

Fig. 1 - O Mundo está em constante mudança.

Em 2011 desenhou-se uma trajectória de consolidação da contas públicas até 2014.
Os governos socialistas exageram as receitas futuras e desvalorizam as despesas futuras.
Então, em princípios de 2011 Portugal foi à bancarrota. Foi assim necessário entrar num programa de emergência semelhante ao Rendimento Social de Inserção que nos obrigou a cumprir metas para o défice público.
O programa de emergência tinha por fim baixar o défice público de forma a que  a nossa dívida pública parasse de crescer.
No programa de resgate, partindo de um défice público de 10% do PIB (em 2009-2010),o Sócrates viu-se obrigado a dizer que atingiríamos 2.5% em 2014. O Gasparzinho conseguiu adiar as metas mas em troca, em vez dos 2.5%, aceitamos a meta dos 0.5%.

Ano................2010...|....2011........2012......2013.......2014...|...2015......2016......2017......2018
PEC4...............7.3%.|.....4.6%........3.0%.....2.0%.......1.0%..|
Memorando 1 ...........|....5.9%........4.5%......3.0%.......2.5%..|
Memorando 2 ..........|...................................5.5%.......4.0% .|.... 2.5%..............................0.5%
DEO..........................|..................................................3.9%..|.....2.5%.....1.6%.....0.8%.....0.1%
Realidade ......9.8%.|...4.3%..... ...6.4%... ..4.9%........ ...........|

Relativamente ao Memorando 1 assinado em 2011 pelo Sócrates, fechamos 2013 com um desvio de 1.9% do PIB, 3500 milhões €, que ainda é preciso corrigir.
O DEO surge porque, em termos políticos, não há condições para estender o resgate e ainda estamos com um défice muito acima dos 0.5% do PIB.
Então, em vez de um novo memorando de entendimento, o governo teve que se comprometer publicamente (e de forma "voluntária") a atingir essa meta em 2015/16. Exagerou para os 0.1% do PIB para acumudar as derrapagens em que somos peritos.


O que diz verdadeiramente DEO?
Primeiro, diz que existe um plano para que no OE2015 o défice seja de 2.5%. Como ainda faltam 6 meses para a apresentação do OE2015, este plano ainda vai sofrer ajustamentos. 
Segundo, diz que, dando umas marteladas nuns (subida do IVA e a TSU) e aliviando a pressão noutros (nos funcionários públicos e nos pensionistas) é possível que o PSD+CDS venha a ganhar as eleições de 2015.


Será eleitoralismo?
Concerteza que sim e ainda bem que assim o é porque todo todo o governo democrático deve ter os eleitores como único guia das suas decisões. Desta forma, a Democracia torna-se a melhor forma de organização da sociedade porque é muito mais difícil convencer (a maioria d) os eleitores da bondade das más políticas do que implementar as boas politicas (esta ideia é de alguém).
Se, no fundo, o objectivo do governo é melhorar a vida das pessoas então, tem que se preocupar em captar votos.
Como é preciso captar votos, a ciência na política é fazem-se estudos que quantifiquem o impacto de cada medida do governo no eleitorado. No caso concreto, o Passos+Portas quantificaram quantos votos o governo perde por cada euro de aumento no IVA e na TSU e compararam essa perda com quantos votos ganha por cada euro de aumento dos salários dos funcionários públicos e das pensões.
Sendo que o Passos Coelho está obrigado a caminhar para contas públicas equilibradas, a sua arte é caminhar num fio a navalha em que vai tirar a uns (os eleitores fixos na esquerda) e dar a outros (os eleitores potenciais do CDS e PSD) com o fito e maximizar a probabilidade de ser re-eleito.
Concerteza que os estudos mostram que o mix de medidas previstas no DEO dá votos.


Mas não estarei toldado pelo aumento que vou ter?
Não porque eu defendo que os actuais cortes nos salários dos FP e nos pensionistas deveriam continuar para todo o sempre.
Mas também sei que esta medida aumenta a probabilidade de o Passos continuar mais 4 anitos no governo o que, na minha óptica, é muito melhor que meter lá o Seguro. 
E, supondo que nos próximo 5 anos a taxa de inflação média é de 1,6%/ano então, quando em 2019 os salários atingirem o nível de 2011 terão sofrido uma desvalorização de 16%.
Esta desvalorização é maior que o corte progressivo que atinge o meu salário em 12% porque se aplica a todos os salários
Mesmo que tenhamos por meta o salário de 2014, nos próximos 5 anos haverá uma inflação de 8% que é maior que a reposição dos salários.
Em termos psicológicos e em termos de desvalorização dos salários mais baixos da administração pública (que, aprece, estão mais elevados que no privado), a reposição dos cortes em 5 anos é melhor que o aumento do salário que existe em 2014 à taxa de inflação.

há ainda o aumento do horário de trabalho.
O horário de trabalho ter aumentado de 35h/s para 40h/s, de que já ninguém fala, vai permitir que os serviços funcionem sem contratarem mais ninguém o que traduz uma poupança anual de 2,0% (os que vão morrendo).


Também é uma forma de condicionar o PS.
Ao prometer reverter no próximo mandato os cortes dos salários dos funcionários públicos feitos pelo Sócrates em 2011, está a esvaziar as possibilidade do PS.
O que é que o Seguro vai agora prometer?
Aumentar o salários e pensões em 2.9% como fez o Sócrates em 2009?


Em substância o DEO não é uma alteração substancial à trajectória de consolidação orçamental.
E porque os nossos credores sabem fazer contas, as taxas de juro mantêm-se em mínimos históricos.
Por exemplo, a taxa de juro a 5 anos estava e, Dezembro nos 5.0%/ano e está há um mês nos 2.5%/ano.

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro da dívida pública a 5 anos

Vamos imaginar que temos um crescimento de 1,2%/ano e que queremos amortizar totalmente a nossa dívida pública de 130% do PIB em 65 anos (uma média de 2 pontos por ano).
A descida de 5.0%/ano para 2.5%/ano tem um impacto nas contas públicas de 1.82% do PIB que, em termos actuais, traduzem uma poupança de 3400M€ por ano.

......Taxa.de.juro.....superávite.primário
......5.0%/ano..................3.475%
......4.5%/ano..................3.047%
......4.0%/ano..................2.649%
......3.5%/ano..................2.284%
......3.0%/ano..................1.952%
......2.5%/ano..................1.654%
......2.0%/ano..................1.389%

A história não é como os caloteiros dizem.
Os caloteiros dizem que Portugal precisa de um superávite primário de 5% do PIB para pagar a sua dívida pública. De facto, com as taxas de juro actuais é possível uma taxa de juro média na ordem dos 2,0%/ano e, neste caso, só precisamos de um superávite de 1.39% (e, nos próximos 10 anos, um défice médio de 1.0%).
É um número totalmente possível pois ainda está acima da "regra de ouro" (um défice de 0.5%) a que todos os países da Zona Euro estão obrigados.

A Ucrânia está a caminhar a passos largos para a bosnização.
Os noticiários falam de que nas cidades do Leste a maioria da população é russa e que essa maioria está a revoltar-se contra o governo ucraniano.
De facto no Leste da Ucrânia a maioria das cidades têm maioria populacional russa mas, porque a população de etnia ucraniana é mais rural, no conjunto das regiões do Leste os russos são sempre minuritários. O melhor que os russos conseguem é em Luhansk e Donetsk onde, mesmo assim, estão abaixo dos 40% (dados de 2001).

.....Região.......Russos.....Ucranianos
.....Luhansk.....39.1%.......58.0%
.....Donetsk ....38.2%.......56.9%
.....Kharkiv......25.6%.......70.7%
.....Zaporizhia..24.7%.......70.8%
Censo de 2001

Fig. 3 - População russa na Ucrânia (a amarelo o que a Rússia quer e a verde de onde os russos serão expulsos em massa)

As cidades vão ficar cercadas.
O moderno poderio militar fez prever que nunca mais haveria cercos a cidades. O problema é que as guerras deixaram de ser em "fogo forte" e passaram a ser em "fogo brando" onde não existem verdadeiros exércitos em confronto mas apenas conjuntos milicianos desorganizados.
O cerco às cidades da Bósnia foi o modelo que se repete hoje na Síria e que vai acontecer no Leste da Ucrânia.

A Rússia está atada de pés e mãos.
Pode intervir mas se ninguém intervém na Síria o mais certo é enviar armamento e milicianos mas não vai poder entrar com o exército.
Mesmo que entre, a única hipótese vai ser expulsar a maioria Ucrânia para Ocidente.

E o que vai acontecer no Ocidente?
Ontem morreram 4 pró-Ucrânia no Leste e hoje 31 pró-Rússia no Ocidente. Amanhã os russos matam 50 ucranianos no Leste e morrem 100 russos no Ocidente.
Daqui a nada vamos ver centenas de milhar de pessoas em marcha.
Vai ser uma tragédia evitável se a Rússia falasse claramente que queria adquirir territórios à Ucrânia, propunha um preço e logo negociavam a coisa.
Vai ficar mais caro aos russos e prevejo que, daqui a 20 anos, não haverá metade dos russos que existem actualmente na Ucrânia.

Fig. 4 - Tudo muda, tudo volta a mudar e volta tudo ao ponto de partida.

Pedro Cosme Costa Vieira

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