quarta-feira, 29 de junho de 2011

Acabou a festa, agora é a doer

O socratismo acabou com uma grande morteirada: no esgar do último minuto de vida, anunciou que o défice se tinha reduzido em 89%.
Desconfiei que este número não passava de uma atordoada. Eu e muita gente, infelizmente, tínhamos razão.
Em 2010, os professores doutores do governo anunciaram que o défice foi de 6.8%. O INE calculou-o em 9.1% mas tinham sido razões sem importância e que não diziam respeito ao governo nem se repetiam.
Em 2011, veio o anúncio de que, com números que o governo tinha, o défice se tinha reduzido em 89%.
BUUUMMMM, TOMA PASSOS, EMBRULHA. VÊ SE FAZES MELHOR.
Agora vieram esses números a público: o défice está nos 7.7%.
Concluindo, o défice era 6.8%, reduziu-se em 89% e ficou nos 7.72%.
É pá, grande conta destes professores doutores.
São quase como eu que sou professor doutor mestre engenheiro. Só me falta ser arquitecto e enfermeiro.
Sabendo eu o dobro destes que fizeram a conta, ... não sei nada.

Fig.1 - Oi cara, você está equivocado. Falo grosso e tenho bigode mas meu nome é Maria Juciara

A sabedoria do povo ignorante.
Para quem tem mais que a 4ª classe, o povo é ignorante pelo que não deveria ter direito a voto. Ouço muita gente dizer isso. E é esse o argumento usado lá para baixo para justificar não haver democracia em Angola.
Mário Soares, o Grande, quis para Portugal fazer vale o princípio de que um grupo de indivíduos ignorantes julga de forma mais sábia do que o que pensa ser sábio julga.
Prova disso é que, na sua sabedoria, a maioria não se deixou enganar. Não acreditamos que a situação de Portugal estava boa para não dizer óptima.

Fig.2 - Os ignorantes fazem sobressair qualidades escondidas que surpreendem pela sua boazura.
Vou me confessar: Segunda estive num teste e uma aluna chamou-me para tirar uma dúvida e usou o dedo para esconder (ver fig. 2) ...  Eu nem olhei ... para o dedo.

E os gregos? Estarão malucos?
Eu tenho um carrito, um pegeoutezeco azul que comprei em 2ª mão mas decidi que dr.a Merkel me tem que mandar um Mercedes-Benz Bi-turbo SLK XPTO.
Decidi que vou partir os vidros do meu carro à marretada, vira-lo de perna para o ar, pegar-lhe fogo, marretar completamente a chaparia calcinada. Depois, declaro um greve geral e não trabalho mais.
Se fizer isso, de certeza que a dr.a Merkel me vai mandar o Mercedes.
Estarei a raciocinar de forma errada?
Estarei maluco?
Fig.3 - Dei cabo do que tinha, agora tenho este novo carro.

Ainda os Estaleiros Navais de Viana do Castelo
O governo não tem poder de choque para liquidar as centenas de empresas públicas que dão milhões de euros de prejuízo por dia. Tem que as entregar a privados com a missão de as liquidar.
O programa de privatização do governo é, neste aspecto, muito sábio. Só privatizando é que se podem resolver os buracos que existem por ai e que são autênticos tachos dos que orbitam o poder.
Bem, na sua sabedoria, o povo quando diz "o Roberto vai para o estaleiro" quer dizer que vai parar de assar frangos.
A solução para esses que defendem a manutenção dos ENVC, reestruturando para ficar tudo na mesma, é entregar-lhes a coisa.
Fazer 724 cotas e dar uma a cada empregado dos ENVC, uma ao presidente da câmara de lá, uma ao Carvalhas da Silva, uma ao Gerónimo e a última fica para o Louçã.
Garanto que daqui a um mês já venderam tudo ao Godinho: vai tudo para a sucata por um envelopezito com duas notas de 5€.
E Portugal poupa 5 milhões de Euros cada mês.
Ai Godinho que se tivesses trazido os carris da Refer, poupávamos 2 milhões de euros por dia. Aquela gaja era só à chapada.
Fig.4 - Aih que hardware. Aih meu Deus que com isto deste cabo da vida ao Adão. Castiga-me.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 25 de junho de 2011

Quanto será preciso diminuir os custos do trabalho?

É evidente que apenas com a redução do custo do trabalho é que se consegue equilibrar a balança de mercadorias. A questão que se discute é a magnitude da redução necessária para que o equilíbrio aconteça.
Ninguém consegue responder com rigor a esta questão mas, comparando com a Alemanha, será necessária uma redução na ordem do 40%.

Fig. 1 - Relação entre a descida dos custos do trabalho e a balança comercial
Pensando que conseguimos os mesmos resultados que foram conseguidos na Alemanha no período 2000/2010 em que, por cada 1% de descida do custo do trabalho, a balança comercial melhorou 0.31% do PIB, como Portugal preciso melhorar a balança comercial de -10% para +2.5%, terá que acontecer uma redução nos custos do trabalho na ordem dos 12.5% / 0.31% = 40%.

Se Portugal entrar em bancarrota (que é muito provável), essa correcção de 40% tem que ser feita instantaneamente o que levará ao salário mínimo voltar aos 300€/mês e o salário médio voltar aos 600€/mês.

Vamos ganhar tempo e fazer o trabalho em 10 anos.
Nos últimos 20 anos, a produtividade do trabalho aumentou à média de 1.43%/ano e foi ligeiramente melhor que na Alemanha (1.25%/ano). Vamos pensar que esta tendência se vai manter.
Fig.2 - Evolução da produtividade em Portugal e Alemanha (1991-2008, Banco Mundial)

Vamos assumir uma taxa de inflação média no Zona Euro de 2%/ano.
Somando a inflação aos ganhos de produtividade, se os salários se mantiverem constante em termos nominais nos próximos 10 anos, os custos do trabalho diminuirão 29%, o que ainda deve ser insuficiente.
(1+1.43%)^-10 * (1+2%)^-10 = 71%

A Taxa Social Única
Sobra a famosa TSU dos empregadores que tem que reduzir 15pp., de 23.5% para 8.5pp.
Não é viável financiar esta redução com o aumento do IVA pois obrigaria ao aumento das taxas em pelo menos 7 pp. (a máxima para 30%).
0.85 * (1+1.43%)^10 * (1+2%)^-10 = 0.60

Se Portugal entrar em bancarrota, essa correcção tem que ser feita instantaneamente o que levará ao salário mínimo voltar aos 300€/mês e o salário médio voltar aos 600€/mês.

A redução da TSU poderá ser feita pela descida instantânea de 3 pp. financiada com uma subida do IVA em 2 pp. e a passagem de 0.1 pp./mês da TSU do empregador para a TSU do trabalhador ao longo dos próximos 120 meses.
No final, o trabalhador ficará a descontar 23% e o empregador 8.5% do salário.

 É uma redução muito grande, 30%, do rendimento disponível mas não vejo alternativa.
O horário de trabalho
A minha amiga Manuela Castro e solva falou-me que o horário tem márgem para aumento.
Actualmente é de 40h/semana e que pode aumentar até 45h/semana.
Muito certo: está aqui um ponto onde se podem ir buscar 10% de redução do custo do trabalho.
Aumentar 5 minutos/semana cada mês nos próximos 5 anos.

E o horário da função pública?
Tem que convergir para o geral.
Passar das 35h/semana para as 45h/semana.
Aumentar 10 minutos/semana cada mês nos próximos 5 anos.

 Com o aumento do horário de trabalho, esta redução poderá ficar na ordem dos 20%.
Em vez de os salários ficarem congelados, podem aumentar à taxa de 1%/ano (metade da inflação prevista).
Eu também sou assalariado e tenho que me preparar.
Fig.3 - Até o Pai Natal está à rasca

Serão estes os números certos?
Ninguém sabe em concreto como vai reagir a economia portuguesa a um ajustamento tão violento da balança comercial mas, dia a dia, será feita uma avaliação dos resultados e, se necessário, serão feitas pequenas correcções de trajectória.
Assim que seja atingida a meta de um superávite de 2.5% da balança comercial, o processo de ajustamento pode ser dados por terminado.
Fig.4 - Isto é tão terrivel que deve haver qualquer coisa que está errada

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O peso dos salários na produção é 80%

Comecei por ouvir o Carvalhas da Silva dizer que o peso dos salários na economia era pequeno, menor que 30%. E que havia empresas, por exemplo a Sonae, em que esse peso era inferior a 10% da facturação.
Num sindicalista que quer puxar a brasa à sua sardinha, aceita-se esta análise errada.

Fig. 1 - Fluxo financeiro num produtor tipico (30% trabalho)

Depois ouvi o Louçã repetir isso.
Ele é economista e deveria saber a verdade mas aceita-se num político esquerdista demagógico.
Mais estranho fiquei de ouvir este número em colegas meus.
Pensei, os gajos estão malucos. Mais uns esquerdistas, sindicalistas, demagógicos.
Nos últimos dias ouvi o Miguel Beleza, o Silva Lopes, o João Ferreira do Amaral repetir este número.
Que não valia a pena descer o custo do trabalho porque uma redução de 10% só teria um impacto de 3% nos custos totais.

Fig. 2 - Uma quebra de 10% nos custos do trabalho

Eu respeito estes economistas mas este erro é gravíssimo pelo que tenho que fazer um esclarecimento. Estimativas do Lucas colocam o peso dos salários na produção de um país entre 70% e 90%.

Fig. 3 - O grande erro da humanidade

Onde está o erro de análise?
A facturação de uma empresa inclui principalmente bens intermédios que são eles próprios produzidos com bens intermédios e trabalho. Por exemplo, com 30% de peso dos salários, contabilizando-se dois níveis de empresas que produzem bens intermédios, vemos na Fig. 4 que o peso dos salários é de 56% da facturação final, (300 + 165 + 90) /1000.
Fig. 4 - A estrutura de custos com três sectores (56% trabalho)

Nesta análise com três sectores, a diminuição em 10% dos salários já leva a uma diminuição dos custos de produção em 6%.

Fig. 5 - Uma quebra de 10% nos custos do trabalho (3 sectores)
Se estendermos a análise a mais sectores, resulta um peso do trabalho nos custos de produção de 67%.

Mas o capital também inclui trabalho
Incluindo o sector de produção de bens de capital, máquinas, fábricas, estradas, pontes, etc. que também inclui trabalho, o peso ao nível de um país vai para os tais 80%.

Uma redução dos custos do trabalho em 10%, levará a uma queda dos custos de produção em 8%.

Qual será o efeito da descida do custo do trabalho na balança comercial?
Na Alemanha, na década de 2000 houve uma redução de 15% dos custos do trabalho e, cada 1% de redução fez aumentar o superavite comercial em 0.3% do PIB.
 Fig. 6 - Relação entre a descida dos custos do trabalho e a balança comercial
Neste momento, a Alemanha vai avançar com uma redução de impostos porque têm uma balança comercial exageradamente positiva (5% do PIB alemão é um número muito grande).

E se os bens intermédios forem importados?
O meu grande amigo Paulo Sousa levantou esta questão.
É verdade que a diminuição dos custos de produção se torna menor.
Mas não é significativo por três razões:
Primeiro, as importações portuguesas de bens intermédios para usar nos bens exportados são relativamente pequenas. Não chegam a 20%.
Segundo, os concorrentes estrangeiros têm os mesmos preços que nós nas matérias-primas e nos bens intermédios importados. Por exemplo, quando o preço das pelarias (ou do gasóleo) aumenta, tal acontece em todos os países nossos concorrentes.
Terceiro, Um país acrescenta valor às suas importações que depois reexporta (por exemplo, importa peles e exporta sapatos) e, na competitividade, já é descontado o preço internacional das matérias-primas e dos bens intermédios internacionais.
Imaginemos os hipermercados.
Um vende 300€/g de bens usando 30€/g de mão-de-obra e outro precisa de 27€/g de mão-de-obra.
A diferença nos preços de venda é de apenas 1%, mas o cliente é muito sensível a estas diferenças porque tem a noção de que está em presença de margens de comercialização diferentes.
Se assim não fosse, os distribuidores teriam margens relativas enormes, o que não se observa.
O que temos que fixar é que, a nível de um país, a proporção do custo do trabalho no total produzido é muito maior que a proporção na facturação de uma empresa.

Pedro Cosme da Costa Vieira

O primeiro embate: Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Cada empregado dos ENVC dá um prejuízo a Portugal de 6944€ por mês.
Os ENVC anunciaram o despedimento de 53% dos seus 720 empregados. Digo empregados porque lá não se faz nada.
Cada mês, os ENVC precisam de uma transferência do Estado de 5 Milhões de Euros. A dividir pelos 720 empregados, dá uma transferência de 6944€ por mês e por cada empregado.
O que está lá esta gente a coçar?
É fechar já os ENVC, mandar toda esses empregados para casa. Fica muito mais barato pagar-lhes o Subsídio de Desemprego e eles em casa sem estragar mais nada.
Fig. 1 - Sinal de aproximação aos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

O Governo não pode recuar.
Esta é a primeira prova de força do Governo. Se facilitar, não segura mais a situação.
Pode-se dar já por vencido.
Tem que manter o tal preocupado administrador em serviço e despedir sem dó nem piedade aqueles que fizeram o ataque às instalações.
Fig. 2 - Ainda não somos uma república das bananas.


A Câmara Municipal é contra os despedimentos.

Não é só por o executivo de Viana do Castelo ser do PS, habituado ao regabofe. É mais porque é fácil fazer política autárquica de rua com o orçamento dos outros. Sendo o Estado, figura abstracta e difusa, a pagar, não custa nada.
A solução é passar o activo e passivo (onde se incluem os empregados) da ENVC para a propriedade do Município de Viana do Castelo e a Câmara ficar a geri-los como bem entender. Dando lucro, vai para a Câmara, dando prejuízo, desenrasque-se domo puder, cobre aos seus munícipes taxas e impostos.
Não vamos ver o Sr. Presidente em mais nenhuma manifestação.
Fig. 3 - O fim do regabofe.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 21 de junho de 2011

E a festa acabou com um grande morteiro

Quando eu era criança, lá na minha aldeia, havia uns arraiais popularuchos.
De manhã havia a missa cantada com sermão (onde eu cheguei a mostrar os meus dotes vocais) e à tarde comiam-se umas bifanas ao som de uns cantares ao desafio e de uma banda muito fanhosa de música dita clássica.
À noite havia o arraial que começava sempre com um grupo de ceguetas, os Catarrabios, e continuava com uns mancos, os Filhos da Torre, que cantavam musicas brejeiras que, com as horas, evoluíam para as obscenidades. Volta e meia, o povo tapava-me as orelhas.
Quando chegava à meia-noite começava o fogo de artifício.
Trau, trim, trau trau, Pum,
Depois vinham os foguetes de lágrimas,
Fiuuum, tau tau, lágrimas brancas, shiiium, tau.
Fiumm, tau tau, lágrimas vermelhas e verdes, shiiummm, tau tua tau,
Para anunciar o fim, vinha o morteiro
Fiumm, BBUUUUUMMMMMMMMMMMMMMM.
Era a debandada com os ouvidos a zunir.
Fig. 1 - A grande morteirada

O governo Sócrates também acabou com uma grande morteirada
O governo do Sócrates também teve missa cantada, banda de música, deu de comer bifanas a muita gente e acabou com o fogo de artificio.
Fium, pum, está tudo bem, trim, tim, tum, o défice está nos 5.9%

Depois vieram os foguetes de lágrimas,
Fium, pum, brum, isto está bom, corta salários.
Fium, pum, brum, isto está bom, corta o RSI.
Fium, pum, brum, isto está bom para não dizer que está óptimo, corta os abonos.

Por fim,
Shiummm, BBUUUUUUMMMMMM, o défice reduziu-se em 89% BUUUUUMMMMMMMMM
UUUUUMMMMMMMM
89% de quê?
BUMMMM BUMMMMM
Como o défice era 9.1% do PIB, então passou para 1,0% do PIB.
BBUUUUUUMMMMMMMM
Fium, pum, está tudo bem para não dizer óptimo, trim, tim, tum, o défice está nos 6.8%

E há pessoas que acreditam que a morteirada servia para desentupir os ouvidos.
Fig. 2 - A grande bomba

E o novo governo?
Não me vou esticar muito mas apenas dizer que tem três pessoas extraordinárias e que a sua escolha pelo PPC mostra grande coragem e vontade de resolver o buraco em que estamos.
O Álvaro Santos Pereira, Vítor Gaspar e Paulo Macedo têm 99% de probabilidade de quererem implementar as políticas certas que irão resolver a nossa situação.
Fica 1% para a probabilidade de o PSD dos autarcas mandar o governo abaixo.
O mais complicado vai ser o Ministério da Economia com a necessária reforma do mercado de trabalho.
São tão bons que, se me dessem a escolher entre ser eu o ministro ou eles, preferia que fossem eles. Eu começo-me melhor que a eles pelo que só dava 0.1% de probabilidade de vir a ter sucesso.
Mas querer é diferente de fazer!

Fig.3 - Pense que os problemas já estão resolvidos e tenha bons sonhos

E o Dr. Fernando Futre Nobre?
Foi importante para roubar votos à esquerda (aos PSistas e aos broquistas) mas deu votos ao CDS. No global melhorou a estabilidade da solução governativa CDS+PSD.
Cumpriu a sua função e o PPC fez bem em apresentá-lo como candidato a Presidente da Assembleia da República.
Estou a imaginar os discursos do Dr. Futre Nobre a abrir as sessões:
Umm, euuu, seimen, chiineeeses, euuu, tenhuuu, umm tiro na cabeçaaa, ummmm, digammm, ahaaha
e passadas duas horas,
Aaaaberta.
A coisa ficou bem resolvida e vai cair no esquecimento.

Pedro Cosme Costa Vieira

Fium, pum, brum, isto está bom para não dizer que está óptimo, sobe os medicamentos.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O que tinha o Sócrates na cabeça quando nos levou à bancarrota?

Os meios de comunicação social e as pessoas com quem eu falo estão continuamente a fazer esta pergunta.
Encontro respostas para todos os gostos. Há quem diga que o fez porque é teimoso, para se manter mais uns dias no poder, para ajudar os amigos, por maldade, para defender o Estado Social, a Educação, o Grande Capital e o Patronato, e até há quem diga que o fez para ajudar a Alemanha.
Em minha opinião, a razão está em o Sócrates ser um homem de convicções fortes com um rumo errado.
Fig.1 - As maiores tragédias da humanidade foram cometidas por políticos com convicção forte em ideias erradas.

Como funciona a economia?
A produção de bens e serviços é o principal pilar da Humanidade. Se não houvesse produção, desapareceríamos todos da face da Terra.
Fig. 2 - A sr.a enfermeira podia-me dizer onde está a fruta?

A célula da produção é o empresário que usa o seu “saber fazer” (a tecnologia) para combinar trabalho com capital e assim produz uma determinada quantidade de bens e serviços.
Sabido o preço de venda do bem produzido, o salário unitário e a taxa de juro, r, o empresário pode calcular o seu lucro.
O empresário vai escolher a quantidade K* de capital (por trabalhador) que maximiza o seu lucro (ver fig. 3).

A primeira ideia errada: o Socialismo Marxista.
Ao nível de um país, a quantidade de trabalhadores é fixa pelo que o crescimento económico fica exclusivamente dependente do aumento da quantidade de capital por trabalhador (a intensidade capitalística).
Como existe um valor óptimo para a intensidade capitalística então, a tendência da economia é para a estagnação.
Desta forma, o nível de vida das populações não aumenta. O Estado vai ter a missão de ultrapassar o ponto óptimo dos empresários investindo sem olhar à racionalidade económica.
Onde está o erro de raciocínio?
Primeiro erro: ultrapassando-se o ponto óptimo, a produção vem maior mas as populações ficam mais pobres porque o incremento é menor que os juros que é preciso pagar. O valor acrescentado, dado pela soma do lucro com os salários, diminui.
Fig. 3 – Quanto mais irracional, melhor será o investimento público.
Segundo erro:  o Estado não consegue sequer aproximar-se do ponto óptimo quanto mais ultrapassá-lo.
Terceiro erro: Com o tempo acontecem inovações tecnológicas que tornam o capital (e o trabalho) mais produtivo. Estas inovações fazem com que o ponto óptimo se desloque continuamente alimentando o crescimento económico.
O que implicou desta ideia errada?
O Sócrates, e o Guterres, sabiam que o TGV não tinha lógica nenhuma mas estavam convencido que isso era exactamente a prova de que o TGV era um bom investimento público: quanto pior, melhor.
E, convencidos da racionalidade do irracional, fizeram toda a força para que os grandes investimentos públicos (em estradas, comboios, metros, aeroportos, etc.) avançassem mesmo sabendo que não tinham qualquer sustentabilidade económica.
Fig. 4 - Obra do Sócrates: a Auto-estrada "Ali Vai 1" .
A segunda ideia errada: o Socialismo Keynesiano.
Os recursos escassos não são aproveitados no total da sua capacidade física. Por exemplo, as fábricas estão encerradas 80% do tempo.
E existem muitas pessoas que dizem querer trabalhar e que não encontram emprego.
A Taxa de desemprego (dos factores produtivos) é variável ao longo do tempo.
Então, Keynes (1936), primeiro assume que existe desemprego que o mercado não consegue resolver. E, depois, calcula o efeito multiplicador: se o Estado aumentar a despesa pública em 1€, o PIB aumenta 5€. Nem que seja a abrir e a fechar buracos.
Aumentando a economia mais do que a produtividade, o desemprego diminui.
É o “socialismo de mercado”, a terceira via.
Fig. 5 - A despesa pública multiplica por 5 (as bocas a comer).

Onde está o erro de raciocínio?
Primeiro erro: Não existe desemprego (de factores) que o mercado não consiga resolver.
As fábricas estão fechadas a maior parte do tempo porque as pessoas não querem trabalhar de noite nem ao fim de semana. E isto implica que as estradas, comboios, barragens, etc. não tenham ocupação durante grande parte do dia.
Os cozinheiros só têm clientes entre as 12h00 e as 14h00 e entre as 19h30 e as 22h00.
Os Nadadores Salvadores só têm clientes no Verão.
Em minha casa cabiam mais 10 ou 20 pessoas, mas eu não quero cá mais ninguém. Bem, …, se fosse boa.
Fig. 6 - Estas e mais 34 como estas cabiam bem em minha casa. Todas apertadiinhas, hi, hi, hi.

Não estão desocupados, é mesmo assim. Faz parte da vida. Nós queremos que seja assim.
Segundo erro: Se o aumento da despesa pública em 1€ aumentar o PIB em 5€, quando chegar a hora do Estado pagar esse euro, o PIB vai reduzir os 5€ mais 5 vezes os juros. E a pagar juros de 10%/ano, na hora de pagar (que é agora) a pancada é muito forte.
O que implicou esta ideia errada?
Que o Sócrates (e o Guterres) aumentasse a despesa e o endividamento do Estado julgando que estavam a fazer crescer a economia e a combater o desemprego. Mas o problema português não era conjuntural (i.e., de curto-prazo) mas estrutural (de longo-prazo).
Foi encher um balão (com despesa e endividamento) que tinha um furo em vez de remendar o buraco. O que aconteceu é que o buraco foi alargando e agora temos o balão vazio e já não temos fôlego para remendar o buracão.

Fig. 7 - O Sócrates deu o seu melhor, mas não conseguiu engravidar a senhora.

Aquelas da figura 6 são mesmo boas. O meu pai avisou-me para eu desviar sempre o olhar das mulheres boas pois elas iam ser a minha desgraça. Ainda não me desgracei porque elas desviam o olhar de mim.
 No outro dia estive a falar com a minha amiga Raquel e chegamos á conclusão que daquilo não há na FEP.

Fig. 8 - Queres ser boa ou boa economista?

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A integração com o mercado de trabalho espanhol

A balança comercial

À Escala do Planeta Terra não se importa nem se exporta nada. Assim, somando o saldo comercial de todos os países, dá obrigatoriamente zero: Para um país ter défice comercial, outro tem que ter superávite.
Um país não é eficiente a produzir todos os bens e serviços sendo a mais óbvia das razões o haver diversidade de clima. Por exemplo, em Portugal não se podem cultivar bananas de forma eficiente.
As trocas comerciais entre os países são um factor muito importante no incremento do bem-estar das suas populações sendo tanto mais importante quanto mais pequenos forem os países.
Fig.1 - Balança desequilibrada

Como se equilibra a balança comercial?
Quando os preços internos diminuem relativamente aos externos, as exportações aumentam e as importações diminuem corrigindo-se assim o défice comercial.
Se o país tiver moeda própria, a alteração dos preços relativos é feito facilmente com uma desvalorização da moeda.
No caso português em que temos euros, os preços internos têm que cair o que só é possível se os custos do trabalho diminuírem (os salários).
E se o custo do trabalho não diminuir?
Primeiro, o país endivida-se enquanto puder.
Depois, a taxa de juro sobe o que também leva a balança comercial a equilibrar-se.
Mas a taxa de juro é uma variável muito perigosa porque se, por um lado, faz com que as pessoas poupem mais e consumam menos bens importados, por outro lado, faz com que o consumo interno diminua e com que as empresas invistam menos.
Estes dois efeitos são garras numa tenaz que destrói os postos de trabalho.
Fig.2 - A taxa de juro esmaga o emprego


No final, o salário vai diminuir na mesma porque as pessoas, para arranjar novo emprego, têm que se sujeitar a um salário menor. Mas, no entretanto, há a destruição das empresas, o que tem um efeito muito mais negativo que permitir logo que os salários desçam.
Supondo um trabalhador que gera 1500€ usando máquinas de que resulta um encargo de 300€ de juros então, o empresário pode pagar um salário de 1000€ e ter 200€ de margem.
Se a taxa de juro aumentar 50% e as receitas diminuírem 20%, se o salário não diminuir para 900€, a empresa vai à falência.
Apenas as pessoas mais produtivas conseguirão manter os seus empregos ao salário vigente.

E se mesmo a taxa de juro não conseguir equilibrar? Emigração.
Existindo uma legislação laboral muito rígida, um subsídio de desemprego muito avantajado ou um salário mínimo superior a 30% do PIBpc, o mercado de trabalho só ajusta com taxas de desemprego muito elevadas. Há países com taxa de desemprego na ordem dos 85% da população activa.
Neste caso entra a mobilidade internacional do factor trabalho: os desempregados de longa duração têm que emigrar.
Uma vez emigrados, mandam remessas para os seus países o que permite que se mantenha a balança comercial deficitária. 
Mas este mecanismo de correcção não funciona no logo prazo porque , com o tempo o emigrante vai-se integrando no país de destino, os filhos vão crescendo lá, e acaba por perder as ligações com o país de origem. No caso português, as transferências dos emigrantes medidas pelo peso no PIB tiveram um máximo em 1979 (9.6% do PIB) e têm caido continuamente à taxa de 7.1%/ano.
Fig.3 - Evolução das remessas dos emigrantes (PorBase - Banco de Portugal)

A emigração, no longo prazo, destroi os países pois diminui a sua população a zero.
Por exemplo, a Irlanda tinha, nos princípios do sec. XIX, 8 milhões de habitantes e, no fim desse século, ficou reduzida a pouco mais de 2 milhões.

A integração no mercado de trabalho espanhol obriga a repensar a segurança social.
Será preciso promover um acordo com Espanha para que o trabalhador emigrado possa continuar a manter a sua ligação com a nossa segurança social. Assim, a Espanha transfere a TSU para SS portuguesa e o tempo de serviço em Espanha conta para a reforma, assistência médica e protecção no desemprego do trabalhador.



Também podemos promover o que é nacional.
Fig.4 - Não queira essas galdérias estrangeiras. Esta portuguesa é séria e faz-lhe o servicinho.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Défice comercial: aumentar as exportações ou diminuir as importações?

O défice comercial de Portugal e da Grécia são claramente maiores que os de qualquer outro país da OCDE o que justifica que os credores pensem que não vamos pagar o que devemos.
Será bom se este problema for corrigido reduzindo as importações mas o óptimo seria que também conseguíssemos aumentar as exportações.

O défice comercial de Portugal e da Grécia.
Em termos de balança comercial com o exterior, Portugal tem um défice comercial muito pronunciado o que faz os nossos credores não acreditarem na nossa capacidade em pagar o que devemos.
Apesar de querermos fazer querer que há muitos países nesta situação, de facto só existimos nós e a Grécia.
Sendo o "grau de abertura" igual a (importações + exportações)/2 em termos de pontos percentuais do PIB, visualiza-se na fig.1 que nós dois somos casos únicos entre os países da OCDE.

Fig. 1 -Grau de abertura e défice comercial (2009, Banco Mundial)

Em média, os países com maior grau de abertura têm o comercio externo equilibrado mas não é condição necessária pois a Japão é uma economia "fechada" que está equilibrada.
A maioria dos países da OCDE tem saldos comerciais positivos. Se excluirmos os USA, os restantes países da OCDE têm um excedente comercial de 1.0% do PIB.
Os USA são um problema grave a médio prazo porque têm um défice comercial astronómico.

Como corrigir o défice comercial português.
Os optimistas dizem que podemos corrigir o défice aumentando as exportações.
Infelizmente, os dados indicam que quando as exportações aumentam 1€, as importações aumentam 1.18€ aumentando assim o défice comercial (ver fig.2).
Fig. 2 - Aumento das exportações e o aumento das importações (1993-2011, INE)

Os realistas dizem que temos que corrigir o défice diminuindo as importações.
Infelizmente, não vai ser fácil porque os dados indicam que quando as importações diminuem 1€, as exportações diminuem apenas 0.95€. Ainda que não seja estatisticamente significante, o défice comercial diminui 0.05€ (ver fig.3).
Fig. 3 - Diminuição das importações e a diminuição das importações (1993-2011, INE)

Comparando o comportamento do défice quando as exportações aumentam ou quando as importações diminuem, apenas será possível corrigirmos o défice comercial diminuindo as importações.
Mas, mesmo assim, será preciso observar-se uma alteração na estrutura das importações: menos bens de consumo e mais matérias-primas e bens intermédios.
O grau de abertura de Portugal e da Grécia é pequeno.
Além de corrigir o défice comercial, outra necessidade que temos é aumentar o grau de abertura da economia portuguêsa. A correcção do défice e o aumento do grau de abertura estão interligados mas são dois problemas independentes.
O grau de abertura dos países decresce com a sua dimensão pois os países maiores produzem uma gama mais diversificada de bens e serviços. Comparando com os países da OCDE, Portugal e a Grécia têm a sua economia muito fechada ao exterior apenas encontrando paralelo com a Austrália e a Nova Zelândia que são ilhas no fim do mundo (ver, fig.4).
No caso Português, o óptimo será, num prazo de 10 anos, aumentarmos as exportações em 50%, de 28% para 42% do PIB e controlar as importações (passar apenas de 37% para 40%).

Fig. 4 - Dimensão do país e grau de abertura (2009, Banco Mundial)

Como vamos aumentar as exportações portuguesas?
O aumento das exportações terá que ser feito pelo aumento da integração na economia europeia, em particular na espanhola, integrando o nosso sector produtivo na cadeia de valor das grandes marcas europeias.
Também temos que integrar o nosso mercado de trabalho no mercado de trabalho espanhol. Na próxima sexta-feira vou propor como fazer essa integração.
Exportar para Angola e Venezuela a crédito é deitar mercadoria e dinheiro ao mar pois esses países apenas nos compram porque não vão pagar.
Caro Sócrates aprende que vender não custa, custa é vender e receber.
Estimados leitores, desculpem que hoje o meu humor não está inspirado.

Pedro Cosme Costa Vieira

Desigualdades em Portugal: o grande desafio

O Memorando da troika visa basicamente equilibrar as contas públicas e fazer algumas reformas. O fundamental seria conseguir reformar a gestão da coisa pública por forma a que Portugal reduzisse a prazo as enormes desigualdades de oportunidades, espelhadas nas assimetrias sociais que colocam o país de rastos no índice de Gini. Como podemos ter tantos portugueses a abandonar precocemente o ensino secundário e tão bom desempenho no número de doutorados? Falta uma política de desenvolvimento equilibrado.


Pessoas com 18-24 anos que  têm
pelo menos o Secundário
Fonte: OCDE (2010)
Universo 34 países (Portugal com seta 
a vermelho)

Abandono escolar: pessoas 20-24 anos que
completaram no máximo o ensino  básico
Fonte: OCDE (2010)

Universo 34 países (Portugal com seta 
a vermelho)































E o contraste com o desempenho de Portugal nos doutoramentos...
Número de doutoramentos em Portugal



















Amartya Sen é um consagrado Nobel da Economia que nos veio falar do papel instrumental da liberdade enquanto modo como os diferentes tipos de direitos, oportunidades e habilitações contribuem para o alargamento da liberdade humana em geral, promovendo assim o desenvolvimeno. De acordo com Sem, temos cinco tipos de liberdade instrumental:



1)        Liberdades políticas (incluindo direitos cívicos), nomeadamente a possibilidade de vigiar e criticar as autoridades. Nada a dizer sobre esse aspecto. O 25 de Abril de 1974 resolveu esse problema;
2)      Os dispositivos económicos dizem respeito às oportunidades respectivas de que os indivíduos dispõem para utilizar os recursos económicos. O modo como é distribuída a crescente riqueza gerada fará a diferença. A disponibilidade e o acesso ao financiamento podem ter uma importância crucial nas capacidades que os agentes económicos podem ter. Nesta matéria, Portugal pecou por excesso e tanto o Estado como as empresas e famílias sobreendividaram-se.
3)      As oportunidades sociais respeitam aos dispositivos que as sociedades organizam em favor da educação, dos cuidados de saúde, etc, que têm influência na liberdade concreta de os indivíduos viverem melhor. A iliteracia pode ser um obstáculo de monta à participação nas actividades económicas. Nesta matéria, é curioso como nós estamos mal no retrato da educação pré-universitária, mas damos nas vistas nas taxas de crescimento do número de doutorados.


O Índice de Gini mede a relação entre dois grupos de rendimentos: os 20% mais ricos contra 20% mais pobres. Quanto mais alto for o resultado, mais desigual é a distribuição de rendimento. O índice de Gini é sobretudo utilizado para medir a desigualdade da riqueza (ou do rendimento). Assim, a 0 corresponde o mínimo de desigualdade na distribuição da riqueza, o que significa que todos os indivíduos têm riqueza igual. O valor 100 corresponde ao máximo de concentração e desigualdade, o que significa que toda a riqueza é possuída por um só indivíduo.  Portugal está infelizmente bem pontuado (35,4%).
Índice de Gini - fosso entre 20% mais ricos e 20% mais pobres
Fonte: Eurostat/Pordata

4)    As garantias de transparência têm a ver com a clareza e esclarecimento. Quando essa confiança é seriamente atingida, a vida de muitas pessoas pode ser afectada negativamente pela falta de lisura. Tais garantias têm um papel instrumental na prevenção da corrupção, da gestão irresponsável e dos arrangismos subterrâneos. Os exemplos portugueses são por demais conhecidos e discutidos à mesa do café. Ninguém confia em governos que dizem que não aumentam impostos e fazem o contrário, dizem que as contas públicas estão controladas e o défice e dívida pública disparam inesperadamente em poucos anos, ninguém confia numa sociedade que se move por arranjos políticos e onde a corrupção tudo resolve.  Segundo a Transparency International, a percepção dos níveis de corrupção em Portugal está a aumentar de novo.


Corrupção: ranking da Transparency International




5) A previdência social é para Amartya Sen fundamental, por forma a garantir a segurança de algumas pessoas mais vulneráveis que podem sucumbir à miséria. O sistema pode abarcar tanto subsídios e pensões quanto bancos alimentares e redes de apoio públicas e privadas. Como sabemos, toda esta rede, muito dependente directa ou indirectamente do Estado, está sob ameaça devido à conjuntura económico-financeira. O Estado Social está em risco. A questão é se devemos tentar reformá-lo visando a sua sustentabilidade (políticas de natalidade é a medida de fundo que falta e que não teria efeitos mais perenes) ou se devemos enterrá-lo, encolher os ombros e dizer com aparente realismo que a terceira idade será cada vez mais sinónimo de miséria ou perda significativa da qualidade de vida.


    Já dizia Hamlet que "“Há mais coisas no céu e na terra,Horácio, do que pode sonhar tua filosofia”

    Se formos menos reactivos e mais pró-activos, a crise do Estado Social pode ser resolvida. Com fatalismos não vamos lá.


Pedro Palha Araújo

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code