segunda-feira, 20 de junho de 2011

O que tinha o Sócrates na cabeça quando nos levou à bancarrota?

Os meios de comunicação social e as pessoas com quem eu falo estão continuamente a fazer esta pergunta.
Encontro respostas para todos os gostos. Há quem diga que o fez porque é teimoso, para se manter mais uns dias no poder, para ajudar os amigos, por maldade, para defender o Estado Social, a Educação, o Grande Capital e o Patronato, e até há quem diga que o fez para ajudar a Alemanha.
Em minha opinião, a razão está em o Sócrates ser um homem de convicções fortes com um rumo errado.
Fig.1 - As maiores tragédias da humanidade foram cometidas por políticos com convicção forte em ideias erradas.

Como funciona a economia?
A produção de bens e serviços é o principal pilar da Humanidade. Se não houvesse produção, desapareceríamos todos da face da Terra.
Fig. 2 - A sr.a enfermeira podia-me dizer onde está a fruta?

A célula da produção é o empresário que usa o seu “saber fazer” (a tecnologia) para combinar trabalho com capital e assim produz uma determinada quantidade de bens e serviços.
Sabido o preço de venda do bem produzido, o salário unitário e a taxa de juro, r, o empresário pode calcular o seu lucro.
O empresário vai escolher a quantidade K* de capital (por trabalhador) que maximiza o seu lucro (ver fig. 3).

A primeira ideia errada: o Socialismo Marxista.
Ao nível de um país, a quantidade de trabalhadores é fixa pelo que o crescimento económico fica exclusivamente dependente do aumento da quantidade de capital por trabalhador (a intensidade capitalística).
Como existe um valor óptimo para a intensidade capitalística então, a tendência da economia é para a estagnação.
Desta forma, o nível de vida das populações não aumenta. O Estado vai ter a missão de ultrapassar o ponto óptimo dos empresários investindo sem olhar à racionalidade económica.
Onde está o erro de raciocínio?
Primeiro erro: ultrapassando-se o ponto óptimo, a produção vem maior mas as populações ficam mais pobres porque o incremento é menor que os juros que é preciso pagar. O valor acrescentado, dado pela soma do lucro com os salários, diminui.
Fig. 3 – Quanto mais irracional, melhor será o investimento público.
Segundo erro:  o Estado não consegue sequer aproximar-se do ponto óptimo quanto mais ultrapassá-lo.
Terceiro erro: Com o tempo acontecem inovações tecnológicas que tornam o capital (e o trabalho) mais produtivo. Estas inovações fazem com que o ponto óptimo se desloque continuamente alimentando o crescimento económico.
O que implicou desta ideia errada?
O Sócrates, e o Guterres, sabiam que o TGV não tinha lógica nenhuma mas estavam convencido que isso era exactamente a prova de que o TGV era um bom investimento público: quanto pior, melhor.
E, convencidos da racionalidade do irracional, fizeram toda a força para que os grandes investimentos públicos (em estradas, comboios, metros, aeroportos, etc.) avançassem mesmo sabendo que não tinham qualquer sustentabilidade económica.
Fig. 4 - Obra do Sócrates: a Auto-estrada "Ali Vai 1" .
A segunda ideia errada: o Socialismo Keynesiano.
Os recursos escassos não são aproveitados no total da sua capacidade física. Por exemplo, as fábricas estão encerradas 80% do tempo.
E existem muitas pessoas que dizem querer trabalhar e que não encontram emprego.
A Taxa de desemprego (dos factores produtivos) é variável ao longo do tempo.
Então, Keynes (1936), primeiro assume que existe desemprego que o mercado não consegue resolver. E, depois, calcula o efeito multiplicador: se o Estado aumentar a despesa pública em 1€, o PIB aumenta 5€. Nem que seja a abrir e a fechar buracos.
Aumentando a economia mais do que a produtividade, o desemprego diminui.
É o “socialismo de mercado”, a terceira via.
Fig. 5 - A despesa pública multiplica por 5 (as bocas a comer).

Onde está o erro de raciocínio?
Primeiro erro: Não existe desemprego (de factores) que o mercado não consiga resolver.
As fábricas estão fechadas a maior parte do tempo porque as pessoas não querem trabalhar de noite nem ao fim de semana. E isto implica que as estradas, comboios, barragens, etc. não tenham ocupação durante grande parte do dia.
Os cozinheiros só têm clientes entre as 12h00 e as 14h00 e entre as 19h30 e as 22h00.
Os Nadadores Salvadores só têm clientes no Verão.
Em minha casa cabiam mais 10 ou 20 pessoas, mas eu não quero cá mais ninguém. Bem, …, se fosse boa.
Fig. 6 - Estas e mais 34 como estas cabiam bem em minha casa. Todas apertadiinhas, hi, hi, hi.

Não estão desocupados, é mesmo assim. Faz parte da vida. Nós queremos que seja assim.
Segundo erro: Se o aumento da despesa pública em 1€ aumentar o PIB em 5€, quando chegar a hora do Estado pagar esse euro, o PIB vai reduzir os 5€ mais 5 vezes os juros. E a pagar juros de 10%/ano, na hora de pagar (que é agora) a pancada é muito forte.
O que implicou esta ideia errada?
Que o Sócrates (e o Guterres) aumentasse a despesa e o endividamento do Estado julgando que estavam a fazer crescer a economia e a combater o desemprego. Mas o problema português não era conjuntural (i.e., de curto-prazo) mas estrutural (de longo-prazo).
Foi encher um balão (com despesa e endividamento) que tinha um furo em vez de remendar o buraco. O que aconteceu é que o buraco foi alargando e agora temos o balão vazio e já não temos fôlego para remendar o buracão.

Fig. 7 - O Sócrates deu o seu melhor, mas não conseguiu engravidar a senhora.

Aquelas da figura 6 são mesmo boas. O meu pai avisou-me para eu desviar sempre o olhar das mulheres boas pois elas iam ser a minha desgraça. Ainda não me desgracei porque elas desviam o olhar de mim.
 No outro dia estive a falar com a minha amiga Raquel e chegamos á conclusão que daquilo não há na FEP.

Fig. 8 - Queres ser boa ou boa economista?

Pedro Cosme Costa Vieira

3 comentários:

Anónimo disse...

Excelente artigo.
Devo-lhe dizer que aprecio especialmente a sua capacidade de escolher a ilustração acertada.

Anónimo disse...

Estas publicações estão cada vez melhores, com um sentido de humor cada vez mais apurado.....
continua o bom trabalho :):):)

Anónimo disse...

Muito bom. Continuem. Publicações deliciosas.

A. Campos (Aluno FEP :p )

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