domingo, 12 de junho de 2011

Porque produzem os alemães mais do que nós?


Toda a gente sabe que existem países pobres e países ricos. Os pobres não o são por lá se trabalhar menos mas antes por haver pouco capital e baixo nível tecnológico.
Os emigrantes são mais produtivos nos países de acolhimento porque se aproveitam do capital e da tecnologia que existem no país de acolhimento.
Este post responde a um desafio do meu grande amigo Samuel Pereira a quem agradeço.
 Porque é que há países onde o trabalho é mais produtivo?
Um país para produzir a quantidade Y precisa de trabalho, N, capital, K, e tecnologia, A.
O capital pode ser físico (máquinas, edifícios, estradas, portos, barragens, etc.) ou incorpóreo (escolaridade, experiência profissional, tradição, relações comerciais, marcas, etc.).
O capital pode ser um recurso natural (por exemplo, bom clima, petróleo, etc.) ou precisar ser produzido e poupado.
O capital aumenta fazendo-se investimento e diminui ao ser amortizado, cerca de 10% por ano.
A amortização não corresponde à depreciação total do capital pois este vai-se entranhando lentamente na sociedade como um activo incorpóreo: o nível tecnológico.

Assumindo uma relação do tipo seguinte (onde o trabalho pesa 70% nos custos de produção)
          Y = A K0.3 N0.7
O consumo mais investimento (poupança) tem que ser igual à produção C + I = Y.
Para uma taxa de poupança de 26% e depreciação de 10%/ano, teremos 
         K t+1 = 0.9Kt + 0.26Y
Na figura seguinte (N= 1 e A0 = K0 = 1) simulo Portugal com uma capacidade produtiva por cada hora de trabalho de 60% da Alemanha (uns 20 anos de atraso).
         A t+1 = 0.98At + 0.01Kt
Fig. 1 - Comparação da produtividade de Portugal com a da Alemanha

Em 1945, a Alemanha estava destruída e Portugal estava inteiro. O que se passou?
Durante a Segunda Guerra Mundial foi destruída grande parte do capital físico da Alemanha (e dos outros países da Europa Central) mas o capital humano e o “nível tecnológico” ficaram quase intactos pois são incorpóreos e estão dentro das cabeças das pessoas. Assim, apesar de em 1945 o nível de capital físico e de produção de Portugal ser superior ao da Alemanha, como não tínhamos “nível tecnológico”, a nossa capacidade de crescer era muito mais reduzida. Ao fim de 10 anos, já tinhamos sido ultrapassados.
Este fenómeno também se observa actualmente na Republica Checa, Croácia e Polónia.
Fig. 2 - Recuperação da Alemanha no pós-guerra


Podemos agora aumentar o capital e a tecnologia à-força-toda como dizem os broquistas?
Infelizmente não podemos porque para investir é preciso poupar e Portugal tem, em termos globais, uma taxa de poupança negativa e a taxa de juro dos mercados externos é proibitivamente alta.
Desenvolver o "nível tecnológico" demora muito tempo e é um resultado do investimento que não podemos fazer.
Desculpamos a nossa incapacidade de poupar com os baixos ordenados mas, por comparação, a China tem salários muito mais baixos que os nosso e as famílias têm uma taxa de poupança próxima de 35%.
Aumentar a nossa capacidade produtiva futura obriga a fazer sacrifícios no presente.
O nosso futuro?
Trabalhar mais horas naquilo que sabemos fazer mais ou menos (máquinas e ferramentas ligeiras, calçado, têxteis e vestuário) e ter salários mais baixos.

É um futuro triste mas fica o consolo de, nos últimos 15 anos, termos vivido como se fossemos ricos quando eramos remediados.
Fig. 3 - A beleza também é capital: O dancing onde esta menina trabalhava já fechou

Os países menos produtivos têm menos capital e menor nível tecnológico.

Pedro Cosme Costa Vieira

Não podemos pensar que vamos produzir coisas high-tech, ser o país modelo das energias renováveis, dos carros eléctricos, com mais doutorados do Mundo porque, assim, vamos acabar como a kimonda: fechamos a porta.

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