sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A bancarrota Grega

Não se conhecem as condições do "Acordo de Bancarrota" entre a Grécia e os seus credores.
Apenas se sabe que "os credores perdoaram 50% da dívida".
como o credores são pessoas inteligentes, para os o terem aceite é porque não é muito desvantajoso Enquanto não surgem as condições exacta, vou mostrar como a perda de 50% do valor pode não ser tão má para o credores nem tão boa para o país incumpridor como parece à primeira vista.

Fig.1 - Não podes pagar? Mas tens bons activos: duas caixa vazias ..., ora mostra-te de frente...

Swap de obrigações gregas de curto prazo por obrigações europeia de longo prazo
Existia (e ainda existe) um risco muito elevado de a Grécia não pagar nada do que deve. Então, as obrigações gregas (e portuguesas) estão muito desvalorizadas (ou dizemos que as taxa de juro, yields, estão elevadas).

Por exemplo, quem emprestou à Alemanha (sem risco) 100.00€ a um prazo de 10 anos com uma taxa de juro de 2.0%/ano então, a divida grega correspondente (com risco) só vale 19.00€. Quer dizer que os investidores antecipam uma probabilidade de 81% de a Grécia não pagar a dívida.
A divida portuguesa correspondente já só vale 45€ (a probabilidade de portugal não pagar a sua dívida é calculada como 55%).
Se os bancos quiserem reaver hoje o valor emprestado à grécia, por cada 100€ emprestados o "mercado" apenas lhes consegue dar 19€.

A solução, que não acarreta perda para os credores, é trocar, swap, as obrigações grega (a dívida) por obrigações europeias de longo prazo.
Imaginemos a troca de 100€ de dívida por uma obrigação com valor nominal de 60€ que pague um cupão de 3.9€/ano (juros de 6.5%/ano), com uma maturidade de 30 anos e que seja garantida pela Alemanha. Como a Alemanha tem uma taxa de juro de longo prazo de 3%/ano, esta obrigação vale actualmente 100€. Era exactamente isto que o credores queriam.
Como a nova obrigação tem valor nominal de 50€, para as mesmas condições, o credores perdem 15% do crédito que têm sobre a Grécia.
No fundo, é um negócio vantajoso para os banco porque estão a trocar uma dívida de alto risco de 100€ que só vale 19€ por outra dívida de baixo risco que tem um valor actual de 85€.
O cupão de 6.5%/ano foi o valor acordado no  "Resgate Grego 2"

Fig 2 - Mais vale uma na mão que duas a sonhar.

Porque o "directório" não aceitou os 60%?
O resgate dos países falidos tem um custo elevado para o países bem comportados (traduzido pelo aumento da taxa de juro que têm que pagar pela sua dívida). Por exemplo, a taxa de juro da dívida pública alemã aumentou 10% ( de 2%/ano para 2.2%/ano) depois de anunciado o "Resgate Grego 3". Por isso, o valor de 60% pareceu-lhes muito elevado.
Por outro lado, era preciso impor prejuízo aos privados para os usar como instrumento de política.

É muito mais fácil disciplinar  os agentes económicos que os Estados.
Os países bem comportados da Zona Euro não conseguem impor penalizações aos países que se endividam. viriam logo os esquerdista (e direitistas como vemos na Itália e França) dizer que os alemães querem mandar nos países e dificuldade.
Então, a solução é privatizar a função disciplinadora.
Como me disse o meu amigo Samuel, os bancos de um país emprestavam ao Estado, às empresas públicas, autarquias e regiões administrativas todo o dinheiro que eles pedissem. Mais taxa, menos taxa, nunca faltava dinheiro.
Agora vão ter que pensar duas vezes porque, se a coisa der para o torto, é o dinheiro dos accionistas que vai à vida.
No futuro o "mercado" vai ser um agente disciplinador das finanças públicas sem qualquer carga política.

Será que podemos recomeçar o regabofe?
Ninguém mais vai emprestar Dinheiro à Grécia (nem a Portugal). Para a Grécia ter as contas externas desequilibradas terá que se socorrer os dinheiros da Troika. então tem que seguir à rica o programa de estabilidade.
No dia que a Troika disser "não há mais dinheiro", a Grécia (e Portugal) tem que corrigir imediatamente a Balança Corrente. Nem que para isso o porco tenha que tossir.
A cada momento os gregos (e portuguêses) têm que optar entre corrigir as contas em 3 ou 4 anos como acordado com a Troika ou fazê-lo já hoje.

Não está mal pensado.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Pressa trama Portugal e toda a Zona Euro

Este Orçamento é uma não solução, porque não se socorre de todas as variáveis que tem ao seu alcance. Torna-se numa equação impossível porque não tem em conta a variável tempo. Venho defendendo, há muito, essa abordagem realista. Recentemente, vários comentadores políticos (e não só) deram especial relevo a esse facto. Precisamos de cerca de 6 anos para atingir os objectivos/ défices propostos no memorando de entendimento. Economias muito mais fortes (casos do Reino Unido e da Catalunha) do que a nossa adoptaram prazos semelhantes. É urgente negociar, tendo em conta a variável tempo. Com realismo e inteligência chegaremos a uma equação possível. Só nos podemos indignar senão houver essa inteligência.

Sarkozy não resiste aos encantos de Merkel, mas resistirá a Zona Euro à falta de  liderança
de um eixo franco-alemão virado sobre si mesmo?
FOTO: D.R.

A afirmação acima reproduzida foi escrita por Carlos Oliveira Cruz, no blog da Sedes mas subscrevo-a por inteiro. Se há aspecto que me impressiona pela negativa no Memorando de Entendimento assinado por Portugal com essa entidade “legalmente inexistente”, parafraseando o constitucionalista Jorge Miranda,  chamada troika, prende-se precisamente com a aceleração à velocidade da luz do ajustamento orçamental que está a esmagar Portugal.

Como se não bastasse a pressa da troika em colocar Portugal no seu devido lugar (em recessão para só depois poder investir e crescer?), o actual governo olhou para as perspectivas económicas de médio prazo na Europa e assustou-se. Se nós só podemos praticamente contar com as exportações para crescer e se os mercados compradores também parecem não prometer muito para 2012 e 2013, então vamos lá pegar nas receitas da troika e multiplicar por dois , três ou quatro, conforme o caso.

O que impressiona no Orçamento do Estado para 2012 é a pressa, sim é isso mesmo, não HÁ outra palavra que melhor descreva aquele documento. Dirão os mais rigorosos que a culpa é da equação:

Receita da troika + Perspectivas Recessivas da Zona Euro = Portugueses infinitamente mais tramados do que se temia.

Como diz Nicolau Santos, no Expresso, os portugueses vão perder entre 40% a 50% do seu rendimento até 2013. O ministro [Vítor Gaspar] quer tornar-nos a pequena China da Europa.


É justo dizer que as medidas mais brutais do Orçamento, nomeadamente a retenção de um ou dois subsídios (Natal e/ou férias) para os funcionários públicos e pensionistas, resulta de um raciocínio simples:

Metas do défice são para cumprir mesmo + Corte na despesa demora tanto que só terá efeitos quando a troika nos deixar em paz = Toca a cortar despesa + aumentar receita de forma rápida e certeira

Cenário catastrofista em 2014, comparável ao pessimismo do Orçamento para 2012:

Metas do défice cumpridas em Portugal + Palmadinhas nas costas da troika + Recessão profunda + Grécia viu perdoada mais de 50% da dívida mas afundou mais a Zona Euro = Portugal não consegue financiar-se nos mercados a taxas aceitáveis, uma vez que não tem perspectivas de crescimento (dizem as agências de rating) e por contágio da Grécia, e pede perdão da dívida.

Para quem tem esperança no futuro da Zona Euro, um clube que exige o cumprimento das mesmas regras de comportamento (orçamental) ao filho que não tem uma perna (Portugal e Grécia são bons exemplos) e àquele que é um atleta de competição (Alemanha e nórdicos, por exemplo), vale a pena ler os sete passos de recuperação da moeda única propostos por George Soros. Ele tem o mérito de ter um pensamento clarividente, sabe o que quer, ao contrário do que acontece com Merkel e Sarkozy, os supostos condutores do comboio do euro, mas que andam muito preocupados com calendários eleitorais internos.


1) Os Estados-Membros da zona do euro concordam sobre a necessidade de um novo tratado, criando um Ministério das Finanças comum na devida altura. Recorrem ao Banco Central Europeu (BCE) para cooperar com o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e enfrentar a crise financeira: o BCE providencia liquidez e o FEEF aceita os riscos de solvência.

2) O FEEF assume, portanto, os títulos da dívida grega detidos pelo BCE e pelo Fundo Monetário Internacional. Este mecanismo ajudará a restabelecer a cooperação entre o BCE e os governos da zona do euro e permitirá uma redução significativa voluntária da dívida grega com a participação do FEEF.

3) O FEEF é então usado para garantir o sistema bancário e não os títulos da dívida soberana. A recapitalização é adiada, mas terá de ser feita a nível nacional. Esta opção está de acordo com a posição alemã e será mais útil para a França do que a recapitalização imediata.

4) Como contrapartida pela garantia, os grandes bancos concordam em seguir as instruções do BCE em nome dos governos. Aqueles que se recusarem não terão acesso à “janela” de redesconto do BCE.

5) O BCE instrui os bancos para manter linhas de crédito e carteiras de crédito, enviando inspectores para controlar os riscos. Este procedimento remove uma das principais fontes da crise de crédito actual e tranquiliza os mercados financeiros.

6) Para lidar com o outro grande problema - a incapacidade de alguns governos de se endividarem nos mercados primários a taxas de juros razoáveis -, o BCE baixa a taxa de desconto, encoraja esses governos a emitir Bilhetes do Tesouro (BT) e incentiva os bancos a manter sua liquidez, na forma desses BT, em vez de efectuarem depósitos no BCE. Todas as compras do BCE são “esterilizadas” pelo facto de este emitir os seus próprios BT. O risco de solvência é garantida pelo FEEF.O BCE pára com as compras no mercado aberto (secundário). A solução permite que países como a Itália consigam financiar-se nos mercados no curto prazo e a um custo muito baixo, isentando o BCE de emprestar aos governos ou imprimir moeda. Os países credores podem indirectamente impor disciplina sobre a Itália, controlando a quantidade que Roma pode pedir emprestado por esta via.

7) Os mercados vão ficar impressionados com a coesão entre as autoridades europeias, entendendo também que estas têm fundos suficientes à sua disposição. A breve trecho, a Itália será capaz de pedir emprestado no mercado a preços razoáveis. Os bancos poderão ser recapitalizados e os Estados membros da zona  euro, beneficiando de um ambiente mais calmo, podem negociar a implementação de uma política fiscal comum [isto é, um Ministério das Finanças europeu].
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CONCLUSÃO

Em suma, falta o factor tempo em todos os planos que estão em marcha. Tempo para cortar na despesa como deve ser e tempo para criar uma política orçamental única na Europa do euro. Os credores estão com pressa relativamente à Irlanda, Grécia e Portugal, Merkel e Sarkozy estão com pressa sob pressão de calendários eleitorais próprios, o Governo português está com pressa e carrega brutalmente na carga fiscal porque leva tempo cortar na despesa (extinguir organismos ou despedir funcionários públicos ou até dispensar aqueles que trabalham nas empresas municipais mas não são funcionários do Estado, fundir organismos e serviços, etc). 

Portugal e a Zona Euro estão sob stress e, como diz o povo, depressa e bem há pouco quem!

Pedro Palha Araújo

domingo, 23 de outubro de 2011

Quem terá razão, o Cavaco ou o Passos?

O Pedro Passos Coelho decidiu baixar os salários da Função Pública dizendo que "ganham mais que a média" e o Cavaco veio dizer que isso violava o Princípio da Equidade.
O Cavaco é professor catedrático de economia e o Passos foi um fracote aluno de economia, pós-laboral e num "curso para adultos". No entanto, neste caso é o Passos que tem razão.
Para vos explicar porque a razão está do lado do Passos, preciso apresentar um dos grandes teoremas da Teoria Económica.

Fig.1 - Nós que vemos, sabemos que este abraço foi pertinente mas quem decide na ignorância corre grande risco de se enganar. Podia estar a abraçar um motoqueiro de bigode.

A Teoria Económica por trás da discussão
A determinação do "preço de venda"
Existem duas formas de determinar o preço de venda de um bem. Por um lado, há o custo médio de produção e, por outro lado, há o preço de mercado.
No caso do trabalho, a análise pelo "custo médio" é difícil. Podemos facilmente determinar o custo necessário para uma pessoa poder trabalhar (transportes, roupa, alimentação, etc.) mas é muito difícil medir o sacrifício de ir trabalhar (levantar-se cedo, deixar de ir para o café todo o dia, estar longe da família, aturar o patrão, etc.).

1. O custo de produção
Os esquerdistas privilegiam o custo médio de produção como forma de determinar o preço de venda. É o principio marxista do "valor trabalho".
Contabilizamos as quantidade de matérias-primas, produtos intermédios, horas de máquinas e ferramentas (bens de capital) e as horas de trabalho usados no fabrico. Depois, multiplicamos as quantidades pelos preços e obtemos o custo de fabrico.
O preço de venda será o custo médio de fabrico.
As empresas, apesar de não saírem de nenhum filme marxista, usam esta técnica para dar um preço aos bens e serviços produzidos internamente. É a Contabilidade de Custos (o mais fino é chamar-lhe Contabilidade Analítica).

2. O preço de mercado
Os direitistas defendem o preço de mercado como forma de determinar o preço de venda. É o principio liberal do "deixar fazer, deixar passar, desenrasca-te". A liberdade de cada um decidir o que produzir e  vender onde bem o entender e pelo preço que puder.
Nós que fornecemos trabalho temos a liberdade de escolher a profissão que quisermos, trabalhar onde quisermos e cobrar o que entendermos.
Na ex-URSS, o Estado tinha um grande peso na tomada de decisão da profissão que as pessoas poderiam exercer. Era como no exército.
Claro que estamos restringidos às decisões dos outros.


No mercado, os compradores encontram-se com vendedores.
Os vendedores procuram o preço máximo e os compradores o preço mínimo.

As diferenças.
Com "preço de mercado", se um produtor conseguir melhorar o processo produtivo passando a produzir abaixo do preço então, terá lucro. Se produzir a um custo acima do preço de mercado, terá prejuízo.
Com o "custo de produção", se um produtor conseguir melhorar o processo produtivo passando a produzir abaixo do preço então, o "regulador" baixa o preço de venda. Se produzir a um custo acima do preço, o "regulador" sobe o preço de venda.
É o que se passa com a água e a electricidade: se custar mais produzir porque eles são ineficientes, sobem-se as tarifas.
O "preço de mercado" incentiva a que o produtor se torne eficiente enquanto que o "custo de produção" não.
Há ainda a dificuldade de avaliar o custo de produção.

Em concorrência perfeita.
Quando temos um mercado em concorrência perfeita (com muitos vendedores e  compradores em que cada agente económico representa uma pequena percentagem desse mercado), em concorrência e equilíbrio de longo prazo o preço de mercado é igual ao custo médio de produção.
Este teorema é um dos mais importantes da teoria económica.
Não é preciso gastar tempo a ver quanto custa produzir maçãs bastando ir ao mercado e ver qual o seu preço.
Não vale a pena grandes auditorias às contas do BCP para ver as imparidades pois basta ir ao mercado e ver que as acções que em termos contabilísticos valem 1€, estão a ser vendidas por 0.16€.

Onde o Pedro tem razão.
O Pedro acha que os salários dos "empregos privados" são determinados num mercado em "concorrência perfeita em equilíbrio de longo prazo" pelo que traduzem o custo médio de produzir trabalho.
Pensa o Pedro que será injusto diminuir esses salários porque já são iguais ao esforço médio de trabalhar.
Por outro lado, pensa que os salários dos "empregos públicos" não foram determinados no mercado. Por os "trabalhadores públicos" terem muito poder reivindicativo e os governos serem fracos, o salário foi determinado fora do mercado estando acima do "custo médio" de produzir trabalho.
Agora que é preciso fazer alguma coisa para cortar na despesa (e também por uma questão de justiça), é necessário fazer os salários dos "empregos públicos" igualar os salários dos "empregos privados".

Fig. 3 - E, para poupar, é preciso cortar em algum lado.
Por exemplo.
O Pedro deu o exemplo dos transportes públicos. Não encontra nenhuma razão lógica para que um motorista de uma empresa pública de transportes tenha um ordenado superior a um motorista de uma empresa de transportes privada. Como ambos fazem exactamente a mesma coisa, o lógico é que ganhem o exactamente o mesmo.
Parece-me certíssimo.

Outro exemplo.
Quando abre um lugar para um "emprego público" candidatam-se centenas de pessoas. Por exemplo, todos os anos candidatam-se dezenas de milhar de pessoas para meia dúzia de lugares de professor. Isto traduz que o salário é superior ao custo de produzir trabalho. Senão, para uma vaga, haveria um ou dois candidatos.

Onde está o erro do Cavaco.
Está em assumir que o mercado dos "empregos públicos" é concorrencial e que está em equilíbrio de longo prazo. Se assim fosse, o Estado deveria aplicar a receita tanto aos "trabalhadores públicos" como aos "trabalhadores privados", por exemplo, via IRS.

Fig. 4 - Não basta saber o que os livros dizem. É preciso pegar neles e propor uma forma de resolver os problemas que enfrentamos.

3. Uma extensão ao "preço de mercado"
O trabalho não é um bem homogéneo.
Do lado do trabalhador há diferenças na escolaridade, experiência profissional, força física, inteligência, jeito, disponibilidade, idade, sexo, etc.
Do lado do emprego há diferenças no horário, dificuldade técnica, perigo, risco dê despedir, etc.
Como não há um mercado para cada situação (por exemplo, um motorista com 55 anos, 9 ano de escolaridade, 12 anos de experiência, etc. que trabalha numa empresa por turnos, fracota, etc.) então, estende-se o mercado a uma equação homogenizadora:

      Salário = f(características do trabalhador, características do emprego) + e

Isto tem que ser quantificado
Por esta razão é que o Carvalho da Silva veio dizer que "os funcionários públicos ganham mais que a média porque têm mais escolaridade que a média".

É preciso urgentemente que o Banco de Portugal ou o INE, que têm lá milhares de pessoas a "trabalhar", pegue nos dados referentes aos 2 milhões de "trabalhadores privados" e determine a "equação dos salários".
Depois, o Passos terá todas a informação e força política para poder aplicar ao "trabalhadores públicos" os resultados obtidos com os "trabalhadores privados".
E dar uma lição de economia ao Cavaco.

Os consultores fazem benchmarking e re-engenharia.
Esta é para os meus brilhantes alunos, futuros gestores de empresas.
As empresas aprendem pelos preços e produtos que vêm no mercado se são, globalmente, mais ou menos eficientes que a concorrência. Pegam em produtos que vêm à venda mais baratos e melhores que os seus, demontam-nos e tentam aprender como se podem tornar mais eficientes. Isto chama-se re-engenharia.
Como podem outros países mais evoluidos que Portugal viver com menos despesa pública?

Mas, no concreto de cada operação, não é possível retirar informação do mercado.
Por exemplo, sei que um concorrente meu vende o par de sapatos a 5€ e eu não consigo produzir a esse preço. Mas não sei se é por as minhas gaspeadeiras serem lentas ou por o spread que o banco me cobra ser mais elevado.
Os consultores, ao trabalharem com várias empresas do ramo, servem para eu identificar a eficiência de cada actividade não sujeita a concorrência do mercado. Isto chama-se benchmarking.
Apesar de parecer que ter um consultor que trabalha com outras empresas vai revelar segredos do meu negócio, de facto, é um pequeno custo que eu tenho que incorrer para poder utilizar informação agregada (também secreta) das empresas minhas concorrentes.
O consultor diz-me: em média, cada gaspeadeira deveria coser 25 gáspeas por dia e, no seu caso, cosem 27. Logo, não é aqui que está o problema.
Qualquer empresa para ter sucesso tem que fazer re-engenharia e ter um consultou que faça benchmarking.
O mercado é muito grande pelo que eu tenho mais a ganhar que a perder.
Como é a gestão dos transportes públicos noutros países da OCDE em que as empresas públicas não são ruinosas?
Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Quem será o culpado da crise que Portugal vive?

O Fernando, alter ego do Ex - Sr. Ministro Teixeira do Santos, é uma pessoa extraordinária. Em 1991 foi meu professor de macroeconomia e começou a orientação da minha tese de mestrado. Foi, apenas, um dos dois melhor professores da minha vida. O outro é o Rui Teixeira, meu mestre de judo.
Não tivemos qualquer contacto durante os 16 anos em que o Fernando foi TS mas, diziam-me que, quando vinha à faculdade, se mantinha simpático e agradável para com os colegas e demais funcionários.

Será que o TS é o culpado da situação dramática que vivemos?
Não é justo imputar ao Fernando, um companheiro trabalhador, leal, agradável e amigo,  as consequências negativas do guterrismo- socratismo. Há uns dias cruzei com o Fernando e estivemos a falar sobre aulas e sobre este blog. Até lhe mandei um link.
A nossa conversa lembrou-me um colega meu, o Luisinho, que esteve longos anos numa "casa de correcção" porque, aos 12 anos, matou um vizinho à facada. Era bom rapaz e a gente só falava de coisas banais tendo o meu pensamento que analisar cada palavra que eu ia dizer para que não tivesse a ver com facas, facadas, prisões, mortes, nada que lembrasse o "acidente". 
O Luisinho nunca disse a ninguém o que se passou naquele dia mas parecia viver com um enorme peso sobre a cabeça.

Fig. 1 - A quem devemos apontar a culpa?

Apesar da amizade, eu e muita gente queríamos saber de quem é a culpa de termos caído na bancarrota. Às vezes penso que o TS é o culpado enquanto que outras vezes penso que foi uma vítima do socratismo.
Uma pessoa muito sábia defende que o TS foi vítima do Rasputim.

Quem é o Rasputim?
É uma pessoa que é absolutamente incompetente mas que, no entanto, hipnotiza as mentes fracas. Para meu espanto, em 2005 o TS chamou-o para o secretariar. Eu disse logo, se o TS acha o Rasputim competente então, está com a mente fraca. Está esgotado.

Eu pensava que o Fernando se ia votar ao silêncio.
Que ia sofrer em silêncio o remorso da derrota. Que iria acabar a sua vida perseguido pelos pesadelos do Titanic a afundar. Mas não. Para espanto meu, vi o anúncio que o Fernando ia falar sobre "A crise do Euro: consequências e desafios".
O que iria ele dizer?
Será que ia responder às minhas dúvidas?

As pessoas são muito crueis.
Aberta a sessão falou este, falou aquele, cumprimentos para aqui, cumprimentos para acolá até que começou a falar o Representante dos Estudantes.
"Cumprimentos para o Magnífico Reitor, para o blá blá, para o titi titi, para as minhas senhoras e meus senhores".
E o Fernando? Não tem direito a nada?
Fez-se um décimo de segundo de duração indeterminada onde se viveu um silêncio sepulcral seguido de uaaaa..a..a. Parecia aquele instante em que dependuraram o Saddam e ele abanou na ponta da corda.
É pá, que crueldade.

Recebi um e-mail do Presidente da Associação de Estudantes da FEP em 26 out 2011
Caro Professor,
Só não cumprimentei o Professor Teixeira dos Santos por esquecimento.
Foi-me dito que na mesa apenas iria estar eu, o Professor João Proença, o Reitor Marques dos Santos e o Professor Teixeira dos Santos.
Quando entrei no Salão Nobre, apercebi-me que havia mais elementos nessa mesa. Na confusão do momento, com a pressão toda, passou-me completamente!
No final da cerimónia, mal soube da minha grave falha, falei com o Professor Teixeira do Santos para lhe pedir desculpa. O Professor percebeu perfeitamente, não valorizou a questão, até porque nem se apercebeu da minha falha.
Espero que o Professor Pedro Cosme não fique com uma ideia errada sobre mim, foi mesmo um erro meu, não foi intencional.
Deixe-me também dar-lhe os parabéns pelo post.
Um abraço,
João Urbano

O que eu queria ouvir do TS.
 - Enganei-me.
 - Pensava que a expansão da despesa pública seria apenas durante um ano e que depois a economia recuperava mas falhei.
 - Durante a noite acordo com pesadelos e suores frios e penso "será que fiz o melhor que podia ter feito"?
 - Esforcei-me muito mas não fui capaz de estar à altura da crise. Estava convencido da minha razão e não ouvi ninguém pelo que este erro me vai perseguir pelo resto da minha vida.
 - Desculpem-me.

O que eu ouvi.
- A culpa é de todos.
E depois voltou com a tese da "crise internacional".
Vejamos a argumentação.

1. A crise do subprime - 2007
Os bancos avaliaram erradamente o risco do sector imobiliário. Quando vieram as perdas, os Estados tiveram que socorrer os Bancos incorporando nos seus balanços os "activos tóxicos" como os do BPN.

2. A expansão do défice público - 2008/09
Para a crise do subprime não afectar a economia, "todos" os Estados começaram uma política expansionista. Em princípios de 2008 a dívida pública na Zona Euro era de 66.3% do PIB e em fins de 2010 atingiu 85.3% do PIB (fonte: BCE).
Que essa política deu resultados (medido pela diminuição dos spreads relativamente às Obrigações Alemãs).

3. A crise da dívida soberana - 2010
Os "activos tóxicos" introduziram risco no balanço dos Estados pelo que começa a Crise da Dívida Soberana.

4. A crise da dívida soberana passa para os bancos - 2011
A obrigações dos Estados em Crise que fazem parte do balanço dos Bancos fazem degradar a sua situação.
Os Estados vêm-se impossibilitados de socorrer os Bancos porque não se conseguem financiar.

Este raciocínio está errado.
O caminho relatado é de diluição do risco e o TS quer fazer crer que é um caminho de ampliação.
Quando o Estado incorpora os activos tóxicos (5 mil milhões€ do BPN) no seu balanço, estes correspondiam a apenas 4% da sua dívida total (70% do PIB, 120 mil milhões€).
As perdas do BPN traduziram-se, até agora, em 3MM€, abaixo de 2% do PIB.
Sendo que a dívida era 120MM€ em 2007, somamos-lhe os 3MM€ do BPN e ficou nos 175MM€.

Nesta conta falta justificar 52 mil milhões de euros.
O problema são estes 52 e não os 5 de activos tóxicos do BPN que redundaram em perdas de 3.
Então de quem é a culpa destes 52MM€?

A diminução do spread foi muito ligeiro e temporário
E traduziu mais a ideia de que a Alemanha nos ia salvar do que iamos no bom caminho.
Durante o período de convergência dos spreads, a taxa de juro de Portugal desceu à custa do aumento da taxa de juro da Alemanha. Assim que ficou claro que os alemães não vão salvar ninguém, a taxa de juro alemã começou a descer e a nossa a subir explosivamente.

Fig. 2 - Desde 2007 que a taxa alemã (10 anos) não pára de descer (fonte: BCE)

Fig. 3 - Uma ampliação para se ver que a pequena melhoria nos levou à bancarrota (fonte: BCE)

"Todos" não inclue a Estónia nem a Irlanda
A Estónia estava em 2007 com um défice corrente superior ao português e grego.
A Estónia parte de 2007 <-> -16.4% e cortou à força toda para 2008 <-> -10.02%; 2009 <-> + 3.88%  e 2010 <-> +3.61%.
A Irlanda parte de 2007 <-> -5.34% tem problemas em 2008 <-> -5.80% e corta, 2009 <-> - 2.84%  e 2010 <-> +0.47%.
Portugal parte de 2007 <-> -10.15%, descomanda-se para 2008 <-> -12.64%, mantém a loucura de 2009 <-> - 10.93%  e, depois da algazarra dos PECs I, II e II, acaba em 2010 <-> -9.89% encostado à Grécia.

Fig. 4 - Evolução da Balança corrente em resposta à crise do Subprime (fonte: Banco Mundial)

A culpa foi da Europa.
 - Como ninguém foi condenado por défice excessivo, fizemos o que tinha que ser feito. Gastamos à força toda.
Onde é que eu já ouvi isto?
Ouvi-o da boca do Alberto João!

Fig. 5 - Com amigos como eu não precisas de inimigos.

Soluções apontadas pelo TS para resolver a crise.
São o que dizia o Sr. ministro:
1. Mais penalização para quem não respeitar o Pacto de Estabilidade.
Mas nós não somos um Estado Soberano com pessoas sérias no Governo que respeitam os acordos que assinam? Será preciso tratarem-nos como mentecaptos para tomarmos caminho?
2. O "fundo de garantia" dar-nos dinheiro.
Mas não compreendem que o fundo de garantia para nos dar dinheiro tem que o tirar às pessoas dos países que respeitaram o Pacto de Estabilidade?
Fiquei desiludido mas continuamos amigos.

Nota final: Mais uma razão para os salários terem que voltar aos níveis de 1995 é as taxas de juros  terem voltado ao patamar que nos era exigido antes de entrarmos no Euro: 12%/anos (ver Fig. 2).
Eu fiz o grande sacrifício de faltar à minha aula de judo para poder ouvir a comunicação do TS.

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Estará o PedroPC mais troikista que a troika?

O que diz o Memorando da Treta.
Quero dizer, da Troika.
O MT contém um conjunto de generalidades sem qualquer interesse de ver com pormenor.
Conversa muito mal escrita, sem rigor nenhum, feito tudo no joelho.
Nem tem capa, introdução, nada.
Não vale a pena perder um minuto a ler aquele chorrilho de coisas.


Mas temos que nos concentrar em 4 pares de números que lá estão.
      2011 <-> 10068m€
      2012 <->  7645m€
      2013 <->  5224m€
      2014 <-<  4521m€
Estes pares traduzem os limites para o défice público do Estado Português em cada ano civil.
Agora, como vai isso ser feito, o PPC que se desenrasque.
O Memorando de Entendimento poderia ter estes pares de números e acabou.

E como está a execução das contas públicas em 2011?
Nos primeiros 6 meses de 2011, ainda sob mando do Sócrates, foram gastos 7568milhões€.
Já só restam 2500milhões€ para o segundo semestre de 2011.
Os números indicam que vai ser difícil fechar o semestre com menos de 6000milhões.
Dá 13568milhões, 7.5% do PIB.
Nós não vamos conseguir acabar 2011 com um défice sequer próximo dos 10068 milhões €.
Mesmo descontando os 1000milhões€ do "cobrança excepcional sobre o Subsídio de Natal", Portugal vai falhar por 2500milhões€.
Excede o "acordado" em 25%.

Teremos que renegociar o Memorando?
Uma fonte*, bem colocada dentro do Governo que não posso revelar, revelou-me que o Memorando já foi renegociado.
A Troika aceita que Portugal, apesar de ficar nos 13568m€, 12568m€ com o meio Subsídio de Natal, anuncie que atingiu os 10068m€. Nem que diga que "vendeu 2500 milhões de litros de água do Atlântico a 1€/litro" aos de Arouca que vão pagar em prestações a partir do ano 2537.
Não interessa.

E para 2012 como estamos?
As formulas de cálculo das pensões de reforma e o aumento do desemprego faz com que a despesa da Segurança Social tenha uma tendência de crescimento de 6.6%/ano. Por aqui há uma tendência automática para que a despesa da SS aumente 2400m€ de 2011 para 2012.
Depois, é preciso reduzir o défice de 13568m€ para 7645m€. São mais 6000m€.
Então, o OE para 2012 tem que prever uma redução de 8400m€ relativamente a 2011.

8400m€ é muita massa.
Os cortes previstos no OE2012 e os aumentos dos impostoss são suficientes para cobrir metade deste buraco. Apenas metade.

Estará o PPC a exagerar?
Uma pessoa que fica 2500m€ abaixo do "acordado" em 2011 e fica pela metade em 2012, não pode estar "além" de nada.
E o PPC prevê uma contracção do PIB de 2.8% e vai ser para aí 13% o que faz reduzir as receitas fiscais.
Ainda falta conhecermos onde vão ser os cortes da outra metade.

*Para que o PPC não fique nervoso, a razão para não revelar a minha fonte é por a ter inventado. Usei apenas informação pública.

Pedro Cosme Costa Vieira

O PIB vai cair 20%

As expectativas adaptativas do Gaspar.
Quando ouvi o Gaspar dizer "já respondi a essa pergunta" pensei, mas o homem não dá conta de que o que disse há 1 minuto já está desactualizado?
Os nossos amigos do governo têm muito pessoal a fazer previsões, corredores de staff, staff, staff, mais o apoio do Banco de Portugal com mais 400 economistas do mais reputado que há e do INE com outras centenas.  No entanto, estão sempre a falhar nas previsões.
Penso haver aqui lugar para grandes cortes sem perdas de eficácia.
Isto acontece porque as previsões são um simples acrescentar aos do mês passado o erro de previsão do mês anterior.

Fig. 1 - Prevejo para 2012 que a Paola Oliveira estará boa como o milho.

O boletim metereológico da RTP era assim.
O Anthímio de Azevedo contou que, nos anos mil novecentos e troca o passo, as previsões para o dia seguinte do boletim metereológico da RTP eram o relatar do que se tinha passado no próprio dia ajustando o erro cometido na previsão da véspera. E acertavam em mais de 90% dos dias.
Mas era nos anos mil novecentos e troca o passo e só lá tinham o Anthímio com uma pequena "prestação de serviços do exterior". Não tinham centenas de economistas a "trabalhar".

Será que nunca ouviram falar nas expectativas racionais?
A gente pega em casos parecidos, vê como foi o ajustamento deles, o impacto que teve no PIB, calcula uns rácios e, mutatis mutandis, aplica ao nosso caso.
Vou pegar nos 3 países da UE que corrigiram de facto (ou tentam) os seus problemas financeiros resultantes da crise de 2007: a Irlanda, a Estónia e a Roménia (fonte: Banco Mundial).

                                        Estónia    Irlanda    Roménia
 Déf. Corrent (2004/8)      -12.7%    -3.8%     -10.6%
 Déf. Corrent (2010)          +3.6%    +0.5%      -4.0%
Ajustamento                       16.3%     4.3%        6.6%
-----------------------------------------------------------------
Var. no PIB                      -19.0%    -12.2%    -8.5%
PIB/Ajustamento                 -1.17        -2.88       -1.29

Média (PIB/Ajustamento) = (-1.17 + -2.88  +-1.29)/3 = -1.78
Desvio padrão (PIB/Ajustamento) = 0.95

Vamos aplicar este número a Portugal
 Déf. Corrent (2006/10)            -10.9%
 Déf. Corrent (2014)                 +1.0%
Ajustamento                              11.9 
-----------------------------------------------------------------
Var. no PIB         11.9x-1.78  =   -19.9%

Mas ainda pode ser pior
Aplicando o desvio padrão, prevejo que a evolução do PIB no processo de ajustamento 2012-2013 vai estar no intervalo (com 67% de probabilidade)
    11.9x(-1.78+0.95) =  - 9.8%
    11.9x(-1.78-0.95)  = -32.5%
Vou arredondar os números
Variação no PIB 2012-2014 = [-10%; -30%]

A probabilidade de que se verifique um decrescimento maior que 2.8% é na ordem dos 95%.
Acreditar nos -2.8%, das duas uma. Ou a Europa vai mandar para cá camiões de dinheiro que permitam manter o regabofe do défice corrente em 10% do PIB ou é acreditar na existência da fada madrinha.

Última Hora: Passos Coelho enviou um e-mail agora mesmo para este blog
Estimado funcionários públicos, duas boas notícias e outra menos boa.
O Gaspar mostrou-me uns gráficos feitos pelo BP e me induziu a anunciar que a solução para Portugal ultrapassar a crise que atravessa era cortar os subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e dos reformados.
No entanto, fiz agora mesmo o download de informação deste extraordinário blog e, afinal, os números estavam errados.

Primeira boa notícia
Vamos suspender imediatamente essa medida. Já comuniquei ao Sr. Presidente da República e ao Sr. líder do PS que acham muito bem.
Toda a gente vai receber o subsídio de férias em Junho e o subsídio de Natal em Novembro.
A segunda boa notícia
As funcionárias públicas vão ficar mais elegantes.

A notícia menos boa 
Também comuniquei ao Sr. Presidente da República e ao Sr. líder do PS que  vamos ficar por ai.
Nos outros meses, provisoriamente e apenas nos anos 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020 e depois logo se vê, não vamos poder pagar mais nada.

Já imaginaram ter colegas de trabalho como a Paola?
Eu até trabalhava de graça.
Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 16 de outubro de 2011

O corte nos subsídios de Natal e de Férias vai avançar nos privados

O Pedro Passos Coelho é boa pessoa.
Perguntam-lhe uma coisa e ele, seriamente, diz a sua opinião. Como, tirando a ópera, não tem qualquer conhecimento sobre qualquer assunto e tem que dar uma resposta, sai qualquer coisa.
Era como se me perguntassem se, daqui a 1342,33 dias, vou estar a comer um iogurte com pedaços de morango. Eu diria que sim. Que o iogurte faz bem e que por isso, vou estar a comer um. Mas nem sei se isso calha de dia ou de noite, à semana ou ao Domingo. Mas nesse dia logo se via.
O PPC é igual mas para ele, 1342.33 dias correspondem a algumas horas.
Depois o Gaspar mostra-lhe uns gráficos, ele ouve silenciosamente e diz
    -Mau, isto está pior do que eu pensava.
Abana a cabeça, morde o lábio de baixo e remata
    - Ó Vítor pá, se não fosses tu, estávamos perdido. Obrigado pá. Ainda bem que o Cavaco me falou em ti.
    - Ó Vítor, não te preocupes, pá. Enquanto fazes mais uns gráficos, eu vou fingir que tomar o pequeno almoço ali para os lados da RTP a ver se está lá algum jornalista e digo, como que sem querer, que é preciso fazer mais qualquer coisa.
     - Achas assim bem Vítor? Tu sabes mais mas, se fores tu a falar, o governo pára 15 dias. Tu demoravas para aí umas 300 horas só na introdução.

A medida mais dura do Orçamento de Estado para 2012
É o corte dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e nas pensões de reforma. O PPC veio dizer que "nos privados não se corta porque não melhora em nada as contas públicas".
Depois foi ver o gráfico do Gaspar e corrigiu logo com "não prometo que estas medidas sejam suficientes".
O que será que o PPC viu que o assustou? Olhem o gráfico:

Fig. 1 - Evolução dos custos do trabalho, 2000:1-2011:2 (fonte:INE)

Os custos do trabalho traduzem quanto custa, em média, produzir uma unidade de valor. Sendo maior que 100 traduz que os salários aumentaram mais que a produtividade.
    - Ó Vítor, não pode ser. Então em 2011 fica 33% mais caro produzir uma unidade de valor que custava em 2000? Agora estou a perceber as falências de empresas terem disparado e a nossa industria não conseguir exportar e o desemprego estar em explosão.
    - Ó pá, estou a ver que é necessário que os custos do trabalho retornem aos valores de 2000.
     Depois disse o Gaspar
     -  E para isso é preciso, além de aumentar o horário de trabalho em 0.5h/s (-6,25%), cortar o 13.º mês (-7.1%), cortar o subsídio de férias (-7.1%) e ainda aumentar o horário de trabalho mais 0.5h/s (-6.25%).

Passadas 4 horas
     - Vítor, vou rezar para que a Troika nos dê 4 anitos para a implementação destas quatro medidas. Senão, terei que as meter já em 2012.
     - eu gosto de te ouvir mas o tempo passa. Ainda agora ia tomar o pequeno almoço e já está na hora de comer as sandes. Ó Cristas, anda cá,  traz a marmita e vem comer connosco.
     Depois das sandes, o Gaspar rematou.
     - Eu li no blog de onde tiramos o OE2012 que estas 4 medidas serão suficientes se a produtividade do trabalho não se degradar o que será difícil atendendo a que lá está previsto que o PIB caia 20%.

Passadas mais 4 horas 
     - Isto precisa de um trabalho colossal. Isto é pior que cantar a Traviata de um folgo só.
     - Bem, eu disse que ia tomar o pequeno almoço mas parece que já são horas de lanchar. Ó Vítor, não abras mais a boca senão tenho que ir lá jantar.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 15 de outubro de 2011

Ai que o Orçamento de 2012 me caiu na cabeça.

Eu tenho uma grade dúvida.
Será que o Passos tirou o Orçamento de Estado para 2012 deste blog?
    A) Desistir do corte na TSU e aumentar o horário de trabalho.
    B) Cortar o subsídio de Férias e de Natal dos Funcionários Públicos.
    C) Cortar as pensões de reforma.
    D) Acabar com  a taxa intermédia do IVA já estava previsto no Memorando.
    E) Meter portagens em mais sítios além das ex-SCUTS. Já não sei onde está.
Sendo que eu propus e defendi estas medidas (e mais), tenho que estar feliz e contente.
E, em certa medida, estou. Mas é uma marretada na minha cabeça de funcionário público.

Como era a minha vida em 1988?
Quando eu era estudante vivia na miséria mas achava-me feliz.
recordo-me que em 1988, ano em que fui finalista na FEUP,  tinha um orçamento de 11 contos por mês, 132 contos por ano, dado pelo Estado. A preços de 2012 e somando os 1000€ das propinas, equivalia a ter agora 43 contos por mês para pagar quarto, alimentação, roupa e tudo mais. Não dava para nada.
Durante 5 anos, tomei 2 cafés e fui uma vez a uma discoteca no Brasília que me custou 300$00.
O que me safava é que tínha umas colegas amigas, mais velhinhas um ano, boas, mesmo boas, que, no fim de cada ano, me davam os livros e apontamentos delas. Agora são professoras de "Trabalhos Manuais" no Ensino Básico.
Eram a Cristina (morena) e a Laura (ruiva). Engenheiras mesmo boas.

Fig. 1 - Carrega os livros que o resto não é para tu carregares.


Fiquei um JRICO - Jovem, Rico, Importante e Convencido.
Comecei a trabalhar na UP em 4 de Maio de 1989 a ganhar 95 contos por mês, 1330 contos por ano.
Estava tão rico que comprei na Baraton, uma loja na Avenida dos Aliados que fazia saldos, 5 camisas, 5 pares de calças e um casaco de ganga com pêlo por dentro (que ainda tenho) que totalizaram 15 contos.
Na faculdade até os meus colegas relapsos tinham receio em me tuar (neologismo brasileiro que eu acho graça, tratar por tu).
Até deixei crescer bigode e engordei uns kilitos.
Até tinha namorada, uma brasileira extraordinária.

Fig. 2 - Na minha memória, a minha brasileira era como esta.

Sentia-me o maior da cantareira.
E, se eu corrigir esse salário pela taxa de inflação e considerando apenas 12 meses, dá 257 contos para 2012, uns 1285€/mês. Depois do corte dos 30% que sofri, ainda fico a ganhar um pouco mais.

Fig. 3 - Evolução do meu salário, preços de 1989 (fonte: autor)

Claro que, do mês em que mais ganhei, ter uma uma redução de 30% é duro, mas ainda fico a ganhar mais do que quando era JRICO.
Não dá para mais.

Uma colega minha, a Guidinha,
Defende que as mulheres são todas iguais. Que prova da falta de inteligência dos homens é andarem atrás das mulheres ditas boas. Que na "hora da verdade" dá tudo no mesmo.
Realmente há as mulheres que são iguais às outras. Que nessa hora, tanto vale aquela como aqueloutra. São assim simpáticas como a minha avó. Em vez de comprarmos uma caixinha de bombons ou um perfume para oferecer, compramos uma caxinha de Viagra.
Mas depois, há as outras. Aquelas que não são iguais a estas. Peças únicas que deixam um fulano maluquinho, capaz de largar o décimo terceiro mês, o subsídio de férias e ainda ficar com um ar-feliz.
O Passos Coelho é "como as outras". A gente larga mas custa.

Fig. 4 - Amô, cara, esta carimbadela acaba de custá a tu o subsídio de férias e o 13.º Valeu?
Valeu, valeu. Daqui a um ano venho cá outra vez largar, com gosto, os subsídios.

Será que agora Portugal já vai entrar no bom caminho?
Não. Está na direcção certa mas Portugal tem quatro problemas muito graves e o Governo só se está a preocupar com o primeiro.

1. Equilibrar as contas públicas.
Aqui, o OE2012 vai funcionar. Para cortar a despesa será necessário cortar as transferências da Segurança Social (corte de pensões de reforma), os salários dos funcionários públicos e a despesa na Saúde (corte nas horas extraordinários e imposição de cortes nos salários nos hospitais empresa).
Será ainda preciso cortar nas Empresas Públicas não só nos salários como na capacidade instalada. 
Como o défice público é enorme, é ainda necessário aumentar a receita via aumento do IVA.
Não consegui ver o que vai acontecer ao IMI mas, provavelmente, vai aumentar, como diz no Memorando da Troika, para o dobro. E também é um alvo apetecível para equilibrar as contas das Autarquias que estão completamente falidas. Dizem que precisam já de 2.5 mil milhões de € para pagar dívida já vencida a fornecedores.

2. Equilibrar o mercado de trabalho.
O desemprego está em explosão e é preciso parar este problema.
Eu já tinha calculado, antes das eleições, que era impossível descer a TSU. Dado o desequilíbrio da SS, o Governo vai é ter que subir a TSU.
Para reduzir os custos do trabalho fica a redução nominal dos salários e o aumento do horário de trabalho.
O OE2012 "permite" um aumento de 6.25% na duração do horário de trabalho.
É muito pouco pois, comparando com os custos do trabalho em 1995 (quando acabou o cavaquismo) e a produtividade, é necessário baixar os custos do trabalho em 25% mas é um princípio.

Dizia um professor meu, o elisé,
O melhor para Primeiro Ministro é um fulano ignorante porque rodeia-se de pessoas competentes.
O Sócrates era ignorante mas também era burro e achava-se o maior.
Eu penso que tem que ser ignorante, simpático, agradável, humilde e inteligente para compreender que precisa rodear-se de pessoas competentes. Além disso, fica perfeito se cantar ópera.
O Passos ao justificar a não aplicação do corte dos subsídios nas empresas privadas "porque isso não resolve o problema das contas públicas portuguesas" demonstra que tem todas as qualidade para ser um grande primeiro-ministro.
Grande argumento sócio.

Fig. 5 - Lá, Lá-Lá-Rá, Lá-Lá-Rá, Lá-Lá-Rá-á-á-á-á-á. É ceguinho mas canta bem. 

Isto vai ficar para o OE2013
É preciso aumentar o horário de trabalho em 1h/s e também acabar com os subsídios de Férias e de Natal nos empregos privados.
E será ainda preciso aplicar este corte aos trabalhadores privados.
Em  contrapartida, é necessário aumentar o horário dos funcionários Públicos para as 45h/s. Como o Governo quer diminuir o número de Funcionários Públicos, é necessário que os que ficam, trabalhem mais tempo.
Isto vai ter que ser feito rapidamente. Lá para um "orçamento rectificativo" a meio de 2012.

3. Equilibrar as contas externas.
A Balança corrente tem um desequilíbrio de 1500 milhões de € por mês. Portugal, sem contar com as amortizações da dívida externa, precisa de se endividar nesta todos os meses nesta soma para podermos comprar os  bens básicos como alimentação e energia.
O Estado está-se a endividar a 750Milhões€ de 15 em 15 dias, com prazos a 3 meses, quando toda a gente sabe que daqui a 3 meses não haverá dinheiro para pagar isso.
É um desespero total.

Mas para equilibrar a Balança Corrente
É preciso que os preços dos bens e serviços produzidos em Portugal diminuam. A taxa de inflação não mostra isso pois a portuguesa é maior que a da Zona Euro. Claro que isto está a acontecer principalmente nos "bens não transaccionaveis" fornecidos por empresas públicas (nos transportes, gás e electricidade).
O governo pensa que, ao aumentar o horário de trabalho em 0.5h/s, quebra de 6.25% nos custos do trabalho, levará a uma automática descida dos preços dos bens exportados.
Pesando os custos do trabalho de 30% no curto prazo e 60% no médio, haverá, no máximo, uma quebra nos preços dos bens exportáveis em 2012 em 1.8 % e em 2013 de outros 1.8%. 
É muito pouco.
Para equilibrarmos a coisa é preciso aplicar aos privados os tais cortes dos subsídios e o aumento do horario do trabalho em 1h/s. Já haveria uma quebra de 15% nos preços dos bens exportáveis que já será significativa.
Mais mês, menos mês, o Passos vai ler isto e pumba, aplica.

4. Equilibrar o sistema financeiro.
Isto é muito complicado.
Os sistema bancário tem 100 mil milhões e em crédito à habitação mais 50 mil milhões de € de crédito às empresas públicas indexado à EURIBOR, com spreads muito baixos.
Actualmente estes activos têm uma rentabilidade negativa na casa dos 5%/ano: os bancos estão a cobrar 3%/ano e a pagar 8%/ano. São 7.5 mil milhões € por ano de prejuizo para os bancos.
tendo um capital contabilistico de 40 mil milhões de €, de 2007 até agora, isto tem levado à queda rápida das cotações dos bancos e vai levar a sua falência em 2013.
O governo pensa que, como está a acontecer na Irlanda em que as taxas de juro estão a descer rapidamente (desceram, em 3 meses, de 14%/ano-15Jul para 8%/anos-15Out).
Que não será preciso fazer nada.
Vamos rezar para que isto aconteça. Fia-te na Virgem e não corras.

Mas o corte vai diminuir o PIB
Claro mas não podemos ligar muito.
Os salários dos funcionários públicos e as pensões entram directamente no PIB. Menos 1€ nos salários implica menos 1€ no PIB.
Se, pelo contrário, o governo cobrasse uma taxa de 15% de IRS sobre os salários, já não haveria diminuição do PIB.
Mas dava tudo na mesma.
Por isso, o PIB vai cair pelo menos 20% e temos que estar preparados para este número.
Cada dia que falarem em revisão das previsões, será um número pior até chegarmos aos 20%. Foi o que aconteceu na Argentina em 2001 e na Estónia em 2008.
Só não aconteceu em Portugal em 2008-9 porque o Sócrates martelou, mentiu, enganou e afogou-nos em dívidas.
Em economia não há milagres. Não conheço ninguém que tenha chegado a santo por causa de um milagre económico.

Depois vou falar do "indignados".

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 8 de outubro de 2011

O Brasil vai ser uma potência mundial mas em sonho.

O Brasil é muito grande.
Nos seus 8460 mil km2 cabia toda a União Europeia mais o Japão e a Índia e ainda sobrava muito terreno. A sua população (195M) é equiparável ao conjunto da Alemanha (84M), França (65M) e Reino Unido (62M).
Com estes números colossais é natural que os brasileiros aspirem a ser uma potência mundial.
Mas não basta querer ser. É preciso fazer por isso e os factos económicos apontam no sentido contrário.

Fig.1 - Mapa do Brasil

A situação económica do Brasil
Em 1960 o Brasil arrancou para 20 anos de forte crescimento económico, conseguindo uma taxa de 7.3%/ano (ver Fig. 2). Nesta altura, os brasileiros pensaram que tinha começado o arranque para se tornarem a terceira potência mundial.
Depois veio a terrivel década de 1980 que iniciou 20 anos de crescimento anémico (+2.0%/ano) o que fez com que, lentamente, o povo tenha perdido a esperança.
Caiu o Muro de Berlim, uma oportunidade, mas o Brasil não pôde ir a jogo porque estava falido.
Em 2003 voltou a esperança com o Lula. Foi um pequeno sinal (+3.6%/ano) mas o optimismo tomou conta do povo brasileiro. Só festa, samba, foguetório por tão pouco.
  
Fig.2 - Crescimento do PIB, Brasil - 1960/2010, USD de 2000 (fonte: Banco Mundial)

Se analisarmos em termos de PIB per capita (ver Fig. 3), no período 1980-2000 a economia brasileira esteve mesmo estagnada (+0.2%/ano) e, nos últimos 10 anos está a crescer (+2.4%/ano) mas, para quem quer ser uma potência, isto não é nada. Matendo-se esta taxa, o Brasil apena atinge o actual PIBpc português em 2050.

Fig. 3 - Crescimento do PIBpc, Brasil - 1960/2010, USD de 2000 (fonte: Banco Mundial)

Por que será que o Brasil não arranca? 
Há quem defenda que o crescimento é puxado pelo consumo. Estes são os "keynesianos", os da esquerda.
Dizem que, para um país crescer é preciso aumentar o consumo (e, consequentemente, combater a poupança). Há que favorecer a distribuição dos rendimentos dos que têm mais (e poupam mais) para os que têm menos (e consomem mais).
É este o processo que está a aquecer a economia brasileira.
Mas está pensamento está errado porque, para uma economia crescer, é preciso investir em nova capacidade produtiva.
E para haver investimento tem que haver poupança.
Para crescer é preciso diminuir o consumo. Estes são os "novos clássicos" que são seguidos na China e na Índia. Os esquerdistas chama-lhes neoliberais.

Perguntem aos esquerdistas, broquistas, keynesianistas que dizem que o consumo faz aumentar o crescimento como justificam a relação negativa entre o consumo e o crescimento verificada nos dados (ver Fig. 4). 
A linha de tendência foi calculada usando as 100 maiores economias (que representam 95.0% do PIB mundial, 2010, fonte: Banco Mundial) pelo WLS em que o ponderador é a dimensão da economia. Acrescente 10 pp ao consumo  por o investimento ser em termos brutos (uma proxy da amortização). Na banda entre as linha a verde acumulam-se 2/3 dos 100 países (em termos de PIB).

Fig. 4 - Crescimento do PIBpc e consumo, média 2000/2010, pp do PIB (fonte: Banco Mundial)

O aumento do consumo em 1 pp do PIB implica a diminuição do crescimento em 0.24 pp.
R2 = 80.4% (a variável consumo explica 80% do crescimento)
O investimento no Brasil sempre foi pequeno e está em queda pelo que a economia tem uns pequenos arranques mas pára logo.

Fig. 5 - Investimento Bruto, Brasil - 1960/2010, % PIB,  (fonte: Banco Mundial)

O Brasil teve e tem como principal problema a falta de poupança.
O povo brasileiro não tem hábitos de poupança. A taxa de poupança em 2010 foi de 15% do PIB. É uma sociedade de consumo, comparável com as mais evoluidas, em que as pessoas não estão dispostas a abdicar do conforto presente para fazer a economia crescer.
Mas não existe outra forma de crescer de forma sustentada que não seja pelo poupar e investir.
Mesmo investir com a poupança exterior (capital estrangeiro) não é solução. A economia cresce mas, como é preciso pagar os juros, a riqueza disponível para os nacionais não cresce. Mesmo assim, pontualmente o investimento estrangeiro é importante porque transfere tecnologia mas não pode substituir a poupança interna.

A falta de poupança é uma bomba relógio.
Não havendo investimento, os equipamentos vão-se tornando obsoletos, o design dos produtos fica démodé, a economia torna-se menos competitiva, o crescimento diminui. Aí, o Governo, dizendo que vai estimular a economia, começa a incentivar o consumo o que desequilibra as contas do país (ver fig. 5) até que, de repente, vem a "crise financeira". O Brasil, em 2007, entrou neste processo (Ver, fig. 6)

Fig. 6 - Balança Corrente, Brasil - 1960/2010, % PIB,  (fonte: Banco Mundial)

Como será a próxima década no Brasil?
O Investimento é cada vez menor. O défice corrente está a piorar. Não prevejo nada de bom.
Mais ano menos ano, vai estourar como estourou em 1979 e em 1999.
Talvez aguente até 2019 mas, indo como vai, estoura.

Mas o Brasil é dos BRICS que são o futuro.
O Brasil é tipo uma pessoa sem auto-estima que se enche de orgulho quando alguém lhe faz um elogio. E esse alguém é a China, o dragão, que usa os BRICS como arma política.
Re-olhemos para a posição dos BRICS na Fig. 4. O Brasil está a milhas da China e da Índia e junto da Africa do Sul.

Em 1980, a economia brasileira representava 50% da economia total dos BRICS.
Em 2010 já só representa 16% e, dentro de 10 anos, representará 10%.

Em 1980, a economia chinesa representava 21% dps BRICS.
Em 2010 já representa 57% e, dentro de 10 anos, representará 70%.

Quando a China aparece em algum forum internacional não quer parecer agressiva e, por isso, leva a reboque um país da América do Sul, um da Europa, um de África e a bomba humana Índia.
Importantes vão ser a China e a Índia. O Brasil é uma dama de honor.

Fig. 7 - Dimensão económica do Brasil, Índia e China - 1960/2010, USD 2000,  (fonte: Banco Mundial)

Em 1970, a economia chinesa valia metade da brasileira. Em 2010 já vale 3.5 vezes.

Vejamos o investimento
A China investe 45% do PIB, a Índia 35% e o Brasil 17%.

Fig. 8 - Investimento no Brasil, Índia e China - 1960/2010, %PIB,  (fonte: Banco Mundial)

Peso do Brasil na Economia Mundial
O Brasil é a sexta "economias" mundial mas representa apenas 2.2% do PIB global.
Apesar de as três maiores economias estarem a perder importância, essa fatia não está a passar para o Brasil mas vai para a China e para a Índia.

Ano
USA
EUU
JPN
CHN
IND
BRA
1970
30,76%
32,52%
14,03%
0,82%
0,96%
1,57%
1980
29,13%
30,40%
14,95%
1,04%
0,89%
2,44%
1990
29,09%
28,06%
17,09%
1,83%
1,11%
2,07%
2000
30,73%
26,36%
14,49%
3,72%
1,43%
2,00%
2010
28,24%
23,35%
12,24%
7,84%
2,35%
2,21%
Cresc. (1990/2000)
3,43%
2,23%
1,18%
10,42%
5,46%
2,54%
Cresc. (2000/2010)
1,67%
1,30%
0,82%
10,47%
7,76%
3,58%
2020 prev.
25,95%
20,69%
10,34%
16,52%
3,86%
2,45%
Tabela 1 - Peso comparativo do Brasil na Economia Mundia (fonte: Banco Mundial)

Espelho meu, espelho meu, será que o Brasil vai ser uma potência mundial?
Já o é e continuará a ser. É a potência do Futebol, do Samba, das mulheres bonitas e da goiabada.
Mas da economia e da geopolítica, nunca será uma potência.
Tinham que reduzir muito o consumo porque 2.45% não conta para nada.
Se o Brasil (ou Portugal) quiser voltar a ter crescimentos na casa dos 6%/ano tem que reduzir o consumo em 20 pontos percentuais do PIB.

Proverbio chinês
Se queres comer mais maçãs e és leviano, abana a árvore que tens. Se és sensato poupa esses esforço e planta mais macieiras.

Pedro Cosme Costa Vieira

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