sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O Passos Coelho vai aguentar o governo em gestão

Esta semana tive "informação" previligiada.
O S, um dos 2 ou 3 amigos que tenho, é amigo de um amigo do Passos Coelho, o E.
O amigo do meu amigo até tem o número do telemóvel pessoal do Passos, desde o tempo em que este era um Zé Ninguém, quando liga para esse número, é o Passos que atende, esteja onde estiver. E falam-se amiúde. 
Esta semana, o meu amigo estava muito desanimado porque o seu amigo tinha ouvido de amigos do amigo que este não se iria aguentar em gestão.
Nessas conversas do amigo do amigo ao amigo do amigo do amigo do amigo, foi garantido que hoje, dia da posse do amigo do amigo do amigo como primeiro ministro, este iria dizer ao Cavaco Silva que o teria que substituir se o seu governo fosse chumbado pelos esquerdistas.



A questão é essa.
Agora que o Passos Coelho tomou posse como Primeiro Ministro, apenas o deixará de ser no momento em que morrer ou que o Cavaco Silva der posse a outro primeiro ministro.
Mesmo que o Passos Coelho fuja para o meio do Pinhal de Leiria, que se esconda naquelas grutas por onde andou o Palito, que se exile no Arquipélago das Berlengas, continuará a ser primeiro ministro enquanto não for dada posse, por sua Excelência o Presidente da República, a um novo primeiro ministro.

Na conversa, o Cavaco começou por pedir ao Passos Coelho que se aguente?
"O Governo que hoje toma posse tem plena legitimidade constitucional para governar. Conquistou essa legitimidade nas urnas (...) É a força que ganhou eleições que deve formar governo."
"Pode contar com a lealdade institucional do Sr. Presidente da República (...)
competindo agora aos deputados decidir sobre a sua entrada em plenitude de funções."

E, afinal, o Passos respondeu que vai aguentar o barco.
"Tendo recebido dos Portugueses um mandato claro para governar, aqui assumo hoje, na presença de Sua Excelência o Senhor Presidente da República, a responsabilidade indeclinável de respeitar essa vontade expressa pelos Portugueses."
"Todos devem assumir as suas responsabilidades perante os Portugueses (...), que esperam de nós que estejamos à altura das tarefas que nos aguardam."

O amigo do amigo do amigo estava errado.
Afinal, o Passos Coelho vai aguentar o governo, mesmo que em gestão, o tempo que for necessário. Até que o PS se convença que o melhor que tem a fazer é apoiar o Passos Coelho ou até que haja novas eleições.

Hoje estive a falar com um esquerdista, o H.
Um socialista 4.ª classe que, antes do 25-de-abril, esteve exilado em França e que, por isso, conhece bem o PCP.
Depois de eu puxar por ele, mostrou-se com muito pouca esperança relativamente ao anúncio de que o PCP vai assinar um acordo com o PS. Que, já antes do 25-de-abril, os do PCP chamavam burgueses aos do PS, que a ferida é tão grande que acha impossível poder sarar assim tão facilmente.

A coisa vai decorrer assim.
No caso do PS ser chumbado, o Cavaco vai ficar à espera do Acordo dos Esquerdistas.
Enquanto não chegar o acordo, nada mais dirá nem fará.
Como esse acordo nunca irá chegar, a coisa vai-se arrastar.
Depois, das duas uma.

Hipótese 1. O PS continua na sua de formar um governo esquerdista.
Então, o Passos Coelho continuará com o seu XX governo em Gestão..

Hipótese 2. O PS muda de rumo e decide deixar passar o governo do Passos Coelho.
Então, o Cavado dá posse outra vez ao Passos Coelho (para o XXI Governo Constitucional), é novamente apresentado o Programa do Governo ao parlamento e este entra em plenitude de funções.

"[o Governo] está em boas mãos"


Pedro Cosme Vieira

A probabilidade do PàF falhar é de 67%

Todos devem estar com muita curiosidade sobre a minha metodologia.
Como diabo, pensam vocês, o bloggista assassino de refugiados e de imigrantes chegou ao número de 67%? Parafraseando o Jerónio de Sousa, porque não 50% ou 90%?
Mas aqui vai a minha metodologia.

Os nossos credores são pessoas informadas.
Se nós devemos 230 mil milhões €, essas pessoas devem estar muito preocupadas com o desenrolar das coisas em Portugal.
Então, decidir inquirir essas pessoas todas.
Acham que isso é impossível?
Até pode ser mas eu inquiri-as mesmo usando a diferença entre a taxa de juro a 10 anos da dívida pública portuguesa e alemã.
Quando, em meados de Setembro, todas as sondagens davam o PS à frente nas intenções de voto, o spread atingiu 2,07 pontos percentuais e, quando o PàF ganhou, diminuiu para 1,77 pontos percentuais (ver, Fig. 1).
Então, com o PS a liderar o governo, os credores exigem um spread de 2,07pp e com o Pàf é 1,77pp.
.
Fig. 1 - Evolução do spread entre a dívida pública a 10 anos portuguesa e alemã (dados, Ycharts)

São 0,30 p.p.
Não parece muito mas, em, 230 mil milhões e de dívida, são 690 milhões € por ano em acréscimo de juros que teremos que pagar para podermos ter um governo esquerdista, exigem os credores.
A somar aos 600 milhões€ dos salários da função pública, os 700 milhões de € da diminhuição do IVA na restauração e na electricidade e muitas mias coisas, os esquerdistas vão ter que subir impostos, taxas e taxinhas (como o Costa tão bem soube fazer em Lisboa) para pagar mais 690 milhões e em juros.

A probabilidade.
Calcula-se dividindo o actual incremento no spread relativamente aos 0,30pp,
Se hoje o spread é de 0,20pp, então, os nossos credores dizem que a probabildaide de fracasso do governo do Passos Coeçlho (i.e., de o governo do PAssos Coelho ser igual ao governo esquerdista) é: de 
     0,20/0,30 = 66,67%

O efeito Cavaco já se diluiu.
Quando o Cavaco falou, o spread foi lá para baixo mas, no entretanto, a coisa perdeu-se.
Agora, o Cavaco vai ter que mandar outra marretada.
Estou a imagir a última frase da intervenção de hoje do Cavaco:
"Já estudei todos os cenários e garanto que o Costa nunca será primeiro ministro. E recordo-vos que nunca me engano, nunca me arrependo e que raramente tenho dúvidas."

Agora, esta é para responder à pergunta do Camarada Jerónimo
Porque tem que ser o défice de 3% dado PIB e não 4% ou 10%?
Quando se pensou na criação da Zona Euro, havia duas correntes. Na primeira, a tal que os camaradas chamam de neoliberal, queriam uma solução concorrencial enquanto a outra, "os democratas", queriam uma solução do politeburo.

Como seria a solução concorrencial.
Todos os 28 países da União europeia manteriam a sua moeda e o seu banco central mas, qualquer pessoas, residente em qualquer país, poderia fazer contratos e afixar preços na moeda que bem entendesse.
Se, por exemplo, eu quisesse que o meu contrato de trabalho estivesse em Zelotes polacos, se o Pingo Doce quisesse afixar os preços em Marcos Alemães e o Continente em Liras Italianas, o IRS ser pago em Escudos e o IVA em Pesetas, assim seria feito.
Como cada banco central teria a sua política monetária independente, umas moedas teriam taxa de inflação mais elevada e outras moedas mais baixa.
Com o passar do tempo, "a boa moeda expulsaria a má moeda" e, talvez daqui a 50 anos, todas as pessoas usariam a mesma moeda, talvez a moeda adoptada fosse mesmo o nossos querido Escudo.

Como é a Zona Euro.
O politburo decidiu que, desde o primeiro dia, haveria apenas uma moeda, um banco central e uma política monetária (inflação entre 1,9%/ano e 2,0%/ano).

Para haver a mesma política monetária ...
Os países têm que ter todos a mesma dívida pública em percentagem do PIB.
Como o Banco Central usa a dívida pública dos países como colateral nos empréstimos, se assim não for, o BCE está a financiar os países com dívida pública mais elevada.
E, resultou da média das vontades de todos os países fundadores do Euro que a dívida pública teria que ser, no máximo de 60% do PIB.

Para ter 60% de dívida ...
A dívida pública é o acumular dos défices públicos.
Então, fez-se uma conta simples.
Assunção 1 => Se a taxa média de crescimento do PIB nominal for de 5%/ano
Assunção 2 => Para termos uma dívida pública constante nos 60% do PIB
Resultado => o Défice público terá que ser de 60% * 5% = 3% do PIB.

É uma conta fácil.
Bem sei que o Camarada Jerónimo só tem a Quarta Classe das antigas mas é fácil compreender que 60 vezes 5 dá 3.

Mas o crescimento está pior que o antecipado.
É que o crescimento nominal do PIB será menor que os 5,0%/ano previstos em 2002.
Assunção 1.b => Se a taxa média de crescimento do PIB nominal for de 3%/ano
Resultado => o Défice público terá que ser de 60% * 3% = 1,8% do PIB.

Fig. 2 -Para termos Euro, as contas públicas têm que ser skynnis

Um abraço Camarada.
Para mim o PCP é como o Sporting. Não gosto mas, quando derrota o Benfica, fico todo contente.
Também não gosto do PCP mas, se arrasar o BE e o Costa, ficarei todo contente.

Fig. 3 - Camarada, dá cabo deles que o meu avô e o meu tio também se chamavam Jerónimo e, dizem, eram f...dos.

É que eu tenho um trauma!
Quando eu era pequenino, a avó da Catarina Martins foi minha professora de piano, a D. Raquel!
Estão a imaginar?
Mais valia a minha mãe ter-me deixado aos cuidados do Bibi!

Pedro Cosme Vieira

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

O que fazer para salvar os "caucasianos"?

Esta semana fui convidado para ir às Caldas da Rainha.
Recebi um e-mail da Rebeca para ir às Caldas falar sobre como a "entrada de povos" põe em causa a viabilidade de "manter uma certa elite europeia e caucasiana no nosso país".
Declinei o convite que muito me honrou por causa da distância.
Não vou fisicamente mas, em Espírito, aqui vai o que eu penso sobre o assunto.

Em termos genéticos, somos todos Namibianos. 
Em termos biológicos, tal como todas as raças de cães têm origem nos lobos cinzentos (Canis lupus), hoje existe um forte consenso na ciência de que todas as raças humanas têm origem nos humanos africanos (Homo Sapien).
Apesar de a Euro-Ásia (Europa e Médio Oriente) ter sido habitada entre 300 mil e 40 mil anos atrás  pelo Homo Neanderthalensis (o Homem das Cavernas), o Homo Sapiens é uma espécie invasora (e não a evolução do Homo Neanderthalensis) que apareceu pela evolução a partir do Homo Heidelbergensis que era nada mais nada menos que o "pai" do Homo Nearderthalensis que ficou a viver em África.
Se compararmos com uma família, o Homo Heidelbergensis vivia na região SUL-Ocidental da África (actual Namíbia, Botsuana, Angola, Zâmbia, Zimbabué, África do Sul) e teve um filho que, há 300 mil anos, abandonou a casa do pai para vir viver para a Europa e Ásia menor  (o Homo Neanderthalensis). O Homo Heidelbergensis continuou a viver na Namíbia e, muitos anos mais tarde, teve outro filho que, há uns 50 mil anos, decidiu seguir as pegadas do irmão mais velho e rumar à Europa e ao resto do Mundo (o Homo Sapien). 

Local de origem e rota migratória da Humanidade

Quem serão os caucasianos?
Eu não conheci o meu avô paterno (morreu 10 anos antes de eu ter nascido) mas, vendo uma vez uma fotografia dele, a sua cara era exactamente a mesma que a do meu tio Adriano.
Todos nós somos ligeiramente diferentes dos nossos pais e dos nossos irmão mas encontramos sempre um parente mais ou menos afastado que é parecido connosco.
Durante a migração dos Homo Sapiens para Norte, as comunidades eram muito pequenas, afastadas entre si e isoladas. Se não era o isolamento geográfico era o conceito de beleza, os que tinham orelhas grandes passaram a ser considerados bonitos penas pelos também de orelhas grandes. Por causa disto e pela necessidade de adaptação a meios ambientes diferentes (muita luz vs. pouca luz), as comunidades foram divergindo em termos de aspecto. 
Divergiu o aspecto e divergiram as línguas.

Vamos às raças humanas.
No Egipto antigo as raças humanas eram divididas em Líbios (branco de barba pobre) Sírios (branco de barba farta), Núbios (negro de barba fraca) e Egípcios (morenos de barba fraca). 
Se pais branco de barba farta (Sírio) tivessem um filho moreno de barba fraca, o seu filho seria um egípcio.

Um líbio, um núbio, um sírio e um egípcio, representados na tumba de Seti I.

Na idade média, 
em Portugal as raças eram quatro, a raça pura (os brancos católicos) e três raças impuras (os judeus, os mouros e o pretos).

No Séc. XIX 
veio a ideia de classificar tudo em termos científicos, ao que a própria espécie humana não escapou (Essai sur l'inégalité des races humaines). Assim, atendendo ao aspecto físico e, principalmente, a cor, a humanidade foi dividida em três grandes grupos:
1) Caucasianos
2) Mongóis
3) Negroides.

E o que serão os caucasianos?
Estranhamente, é um grupo muito vasto e diverso pois inclui não só as populações da Europa, desde os morenos algarvios até aos brancos escandinavos, como também os magrebinos (Norte de África), corno de África (etíopes), Médio Oriente e Ásia central e do Sul.

Os caucasianos são os "originários" não só da Europa como também de vastas áreas da África e da Ásia

Os islâmicos são caucasianos!
Não só os árabes como os marroquinos, turcos, afegãos e paquistaneses são caucasianos pelo que, quando as pessoas se referem a "população caucasiana" de facto querem dizer outra coisa qualquer.

Eu tenho muitas dúvidas.
Como já referi, na minha infância vivi numa aldeia na qual, ao fundo do campo dos meus pais, havia um pequeno ribeiro com dois açudes em pedra maravilhosamente bem feitos. Com a minha curiosidade, cansei-me de perguntar aos meus vizinhos quem tinha feito aquelas obras e todos me disseram "os antigos".
Há pouco tempo dei de frente com um testamento do ano de novecentos e tal, de há mais de 1000 anos, no qual um desses moinhos eram doados.
Extraordinário como há mais de 1000 anos, quando aqueles açudes foram feitos, tudo aquilo era tal e qual como agora mas as pessoas eram outras, na minha aldeia falava-se principalmente árabe.

Gosto de saltar 1000 anos no tempo. 
Gosto de dar um salto de 1000 anos para o passado olhando para aqueles açudes e imaginando as pessoas que, nesse tempo, cultivaram aqueles campos. Mas também, também gosto de fazer um salto de 1000 anos para o futuro, altura em que os açudes ainda ali estarão mas que as pessoas serão outras.

Como seremos daqui a 1000 anos?
Qual será o nosso aspectro físico, que língua falaremos, seremos muitos ou poucos, haverá religião, em que trabalharemos as pessoas (ainda faremos sapatos?), como serão os meios de transporte, será que o aquecimento global nos vai transformar numa floresta tropical e será que os açudes da minha aldeia vão, finalmente, desaparecer sob o Mar que já terá subido mais de 100m? 

Será que, daqui por 1000 anos, ainda haverá frango de churrasco?

Eu estou pessimista.
Daqui por 1000 anos eu, todas as pessoas que conheço, com todos os que já me aborreci ou por quem tenho amizade, já estaremos mortos, as nossas carne já terão apodrecido, os nossos ossos já terão sido dissolvidos pela água da chuva. Nessa altura, não só eu não me lembrarei de nada como ninguém se lembrará de nada do que eu fui há 1000 anos atrás.
Os açudes até podem continuar lá, mas mais ninguém fará ideia de que, um dia, eu brinquei por ali.
Talvez as ruelas das nossas cidades ainda sejam as mesmas mas ninguém saberá, e nós muito menos pois já estaremos totalmente mortos, que, um dia, passamos por ali.

E como serão os portugueses?
Actualmente cada mulher europeia tem 1,5 filhos. 
Apesar de a tendência ser de diminuir (e de nós estarmos com 1,23), vamos supor que esta fertilidade se mantém nos próximos 1000 anos e que, em média, as mulheres têm os filhos com 33 anos.
Então, daqui a 1000 anos, a nossa população de 10,5 milhões de pessoas estará reduzida a 1800 pessoas! vamos estar reduzidos à população da minha aldeia.
Lisboa, que hoje tem 550 mil pessoas, terá 100 habitantes, será um lugarejo.
A população da União Europeia, actualmente com 500 milhões pessoas, estará reduzida 85 mil pessoas.

Se a fertilidade portuguesa se mantiver nos actuais 1,28 filhos por mulher (dados, Banco Mundial), daqui a 1000 anos, nós, os actuais 10,5 milhões de portugueses, estaremos reduzidos a 6 pessoas!

Os migrantes também vão acabar.
Em toda a parte do mundo a fertilidade está a diminuir.
Comparando a década de 1960 para 2013,
Na China caiu de 6,0 filhos por mulher para 1,6.
Na Índia caiu de 6,8 filhos por mulher para os 2,5.
Nos USA caiu de 3 filhos por mulher para 1,8.
Em Portugal caiu de 3,2 filhos por mulher para 1,3.
Em África é a única zona onde tem caído mais lentamente, caiu de 6,7 filhos por mulher para 5,0.

As Zonas de onde vêm os migrantes.
Na Síria caiu de 7,5 filhos por mulher para 3,0.
No Afeganistão caiu de 7,7 filhos por mulher para 5,1.
No Iraque caiu de 6,9 filhos por mulher para 4,0.

A fertilidade na Síria, Afeganistão e Iraque está a descer rapidamente (dados, Banco mundial, média nos 3 países).

Agora o meu conselho de política.
Vamos supor que a Rebeca pensa que os portugueses de daqui a 1000 anos devem ser bastantes e parecidos consigo.
Não vale a pena fazer manifestações contra a entrada dos imigrantes, afundar barcos ou construir muros. A História ensinou-nos que fizeram a Grande Muralha da China e que isso não deu resultado nenhum.
A única coisa que pode fazer é ter 20 filhos e incentivar todas as mulheres que fazem parte do grupo de pensadores que fundou a ter também 20 filhos.
Bem sei que vai pensar "mas isso custa muito a criar" mas não é bem verdade.
Primeiro, se em África os criam com 25€ por mês, cá ainda será mais fácil porque a escola e o apoio médico é gratuita e, para quem tem 20 filhos, mete-os num infantário onde não vai pagar nada.
Segundo, se não os puder criar, abre-lhes a porta e Segurança Social toma conta deles.
Terceiro, como dizia a minha mãe, Deus protege quem tem muitos filhos.

Sendo que imagino a Rebeca assim, terei todo o gosto em ajudá-la a fazer as 20 criancinhas e ainda lhe dou 150€/mês para a criação dos nossos filhinhos (por cada um!).

O problema é se os seus (nossos) filhos não têm filhos!
Se, ao longo das próximas 30 gerações, os filhos, dos filhos dos filhos dos seus filhos decidirem não ter filhos, o seu sacrifício em ter e criar 20 crianças será deitado ao lixo.
Mas, quantos mais tiver, maior é a probabilidade de , pelo menos um deles, pensar da mesma maneira e também ter 20 filhos.

Já os estou a imagina, parecidinhos com a mãe e a dizer "Papá, papá, olha a lula que saiu do meu nariz é caucasiana"

Mas, de facto, não sei como será o Mundo daqui a 1000 anos.
Talvez até, depois de recolhidos gâmetas, as crianças nasçam numa chocadeira, às centenas ou milhares de cada vez.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 25 de outubro de 2015

Será um governo de gestão diferente dos outros?

OK, o governo do Passos Coelho vai ser chumbado e, depois, fica em gestão até ... 
ao fim do mandato do Cavaco Silva.
Eu sei isto porque foi exactamente o que o Sr. Presidente da República disse no dia 22 de Outubro.
Vou recordar-vos o seu discurso (truncado, ver o discurso integral).

1) Nomeio o Passos Coelho porque é o líder vencedor das eleições legislativas.
... indigitei hoje, como Primeiro-Ministro, o Dr. Pedro Passos Coelho, líder do maior partido da coligação que venceu as eleições do passado dia 4 de outubro.
Tive presente que nos 40 anos de democracia portuguesa a responsabilidade de formar Governo foi sempre atribuída a quem ganhou as eleições.

2) Apesar de não ter apoio parlamentar, nunca nomearei um governo com esquerdistas. 
Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas.

3) O governo vai ser o do Passos Coelho porque eu assim o decreto mas compete aos deputados decidir se esse governo vai governar em plenitude de funções [ou em gestão]
É aos Deputados que compete decidir, em consciência e tendo em conta os superiores interesses de Portugal, se o Governo deve ou não assumir em plenitude as funções que lhe cabem.

Os "constitucionalistas" dizem que é inconstitucional ...
o Cavaco Silva manter um governo em gestão até ao fim do seu mandato, previsionalmente, o dia 9 de Março de 2016.
Interessante, referiu-me o grande politólogo PSAS, é que esses constitucionalistas nunca referem que norma, artigo ou parágrafo da Constituição Portuguesa é violado.
Dizem que viola mas não sabem apontar o quê nem como.

A menina não pode jogar porque viola o Art.º 13.º, Alínea b) do Código de Indumentária!

Mas o Tribunal Constitucional já declarou que o governo de gestão se pode arrastar no tempo.
No acórdão do Tribunal Constitucional n.º 65 de 2002 diz textualmente "...sabendo-se, além do mais, que a existência de governos com competência diminuída se pode arrastar no tempo,..." (Par. 10) 
"Governo de competência diminuída" é o governo de gestão.
"Arrastar no tempo" quer dizer que a Constituição não limita a duração dos governos de gestão.
Interessante que este acórdão que foi feito a pedido do Jorge Sampaio enquanto Presidente da República para danar o Durão Barroso (quando já estava em governo gestão), vai exactamente servir para grelhar o Costa.

E quais são as diminuições nas competências do governo?
O mesmo acórdão n.º 65 de 2002 diz que nos “actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos” cabe tudo incluindo actos legislativos.
A única limitação é que o governo demissionário terá que declarar e explicar a sua inadiabilidade e a sua capacidade em atingir os objectivos pretendidos (o "requisito constitucional da estrita necessidade").

Um governo de gestão é igual aos outros governos.
Porque o Tribunal constitucional não tem competências para avaliar se a declaração da "estrita necessidade" feita pelo governo em gestão tem cabimento porque é um julgamento político e não jurídico.

"o controlo a cargo do Tribunal Constitucional, ... é um controlo jurídico,... A circunstância de o Governo ter a sua competência ... diminuída não tem a virtualidade de fazer deslocar a competência do Tribunal Constitucional para o domínio do controlo das opções políticas. ... 
o Tribunal Constitucional não pode ir além, quanto ao primeiro [inadiabilidade], da apreciação de uma eventual incongruência ou clara falta de procedência da fundamentação apresentada para a justificação da urgência – aferida de um ponto de vista objectivo e não, apenas, do ponto de vista das políticas definidas pelo governo demitido, designadamente no seu programa – e, quanto ao segundo [atingir o fim pretendido], da manifesta desadequação entre o fim anunciado e a medida proposta" (Par. 13) 
Nestes termos, o Tribunal Constitucional decide não se pronunciar pela inconstitucionalidade... (Decisão) 

Será que os constitucionalistas não conhecem os acórdãos do TC?
Isso ou talvez queiram criar confusão nas pessoas.
Who knows?

A tradição já não é o que era.
Nunca houve um governo de gestão durante 8 meses mas, como diz o Costa, a tradição não vale nada.
Então, se há quebra da tradição de uma das partes (os derrotados acharem-se com direito a formar governo), o Cavaco Silva ataca com outra quebra de tradição: vamos ter um governo de gestão durante 8 meses.

E querem saber porque o Cavaco só falou na quinta-feira?
Porque precisava de falar com o Passos Coelho e com o Portas a saber se aceitavam aguentar o governo em gestão até ao fim do seu mandato.
Claro que os poderia ter chamado a Belém na quarta feira à tarde mas ia levantar suspeitas na comunicação social.
E, se o Passos Coelho dissesse "Não", precisaria de tempo para pensar outra solução mas sem ninguém saber que a solução era de recurso.
Na quinta-feiram aproveitou a normal reunião com o governo.
O Passos disse "eu aguento o tempo que for necessáiro", e o Cavaco avançou.

E será que o Marcelo vai dissolver a Assembleia da República?
Tenho dúvidas mas também foi isso que eu lho aconselhei (Como irá o Professor Marcelo responder à pergunta?)
O Marcelo disse textualmente "Não há nomeação, exoneração ou dissolução anunciadas. A apreciação deve ser feita no momento exacto em que se coloca o problema e não meses ou anos antes."
Esta frase indica que, uma vez tomando posse, se o governo do Passos Coelho continuar em gestão, logo pensará o que fazer.
Sendo o Marcelo um "catavento" que quer ser eleito com os votos da PàF e muitos mais, não poderia dizer nada de mais concreto.

E, nessa altura,  o PSAS pensa algo muito interessante.
Vamos supor que o Marcelo nomeia o Costa e que, como aconteceu e está a acontecer na Grécia, as taxas de juro começam a subir, a República deixa de se poder financiar e é necessário um segundo resgate com amis austeridade. A culpa vai ser atirada à cara do Marcelo por se ter desviado da estratégia traçada pelo Cavaco Silva.
Vamos supor que dissolve a AR, marca eleições e o Costa anunciando que vai fazer governo com o BE e o PCP ganha as eleições. Mesmo que, depois, as coisas corram igualmente mal, a culpa não será sua mas dos eleitores.
Qual pensam que será a direcção tomada por um catavento?

Nada de preocupar.
Que está tudo dentro dos cenários do Sr. Silva.
Está tudo a correr bem e assim vai continuar.

Pedro Cosme Vieira

47 – A infância

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
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Ver o capítulo anterior (46 - A técnica)    


47 – A infância
Bem, já avancei muito no projeto – pensou o Rúben – já tenho os bebés algures no meio de África e, agora, preciso pensar o que lhes vou fazer para os transformar em homens e mulheres adultos. Claro que poderia pensar em trazê-los para aqui, para junto de nós, ou para a nossa aldeia na Europa mas isso ficaria caríssimo e, na aldeia, não há pessoas suficientes para o acolhimento de tantas crianças. Também não podem ficar em África pois, depois, não se sentirão parte da nossa aldeia, é que as pessoas são como os peixes, sentem pertença ao local onde foram crianças. A única solução será um misto de lugares, vão viver em África até terem uma certa idade, talvez 10 anitos, para ser económico e, depois, vão para a nossa aldeia até se tornarem adultos para ganharem ligação ao nosso povo. No entretanto, vêm passar uns tempos à América para conhecerem a nossa confraria.
Vou começar por me concentrar na infância. Primeiro, os gâmetas são recolhidos aqui e na aldeia e, depois, em África multiplicam-se os zigotos e fazem-se os pré-embriões que serão implantados nas mães de substituição. Por uma questão de comodidade, todos os pré-embriões serão transferidos ao mesmo tempo o que fará com que os 7 irmãos fiquem com a mesma idade o que, não parecerá natural mas não há nada que diga que causa problemas às crianças. Multiplica-se os zigotos até termos 42 pré-embriões que se transferem para 14 mães de substituição e das quais irão resultar as 7 crianças.
Ser mãe de substituição vai ser um emprego permanente. A mulher recebe um ordenado mensal para ter a criança e tratar dela. Se, no entretanto, quiser prorrogar o contrato de trabalho, irá tentar voltar a engravidar. Assim, as mães de substituição vão poder ter um emprego estável até pelo menos aos 45 anos de idade.
Se vão nascer 150 crianças por ano, haverá 180 mães de substituição que, se as crianças partirem com 10 anos, vão tratar de 1500 crianças com idades variadas. Dá 8 crianças por cada mulher, o que não me parece muito.
Mas as crianças não poderão ser criadas apenas pelas mães de substituição porque vai ser preciso ensinar-lhes a nossa língua e a nossa cultura. Vai então ser preciso que um casal, com espírito de missão, já viver junto delas como seus pais adotivos para não só serem professores como também para serem o elemento de ligação familiar das crianças à realidade que vão encontrar quando forem viver para a aldeia.
A relação dos pais biológicos com as crianças será flexível, tanto podendo de ser pais incógnitos como, no extremo oposto, irem viver em África e, depois, na aldeia com as suas crianças. Como caso intermédio, manterão uma ligação diária com os filhos  biológicos usando a internet.
Em termos naturais, um casal não pode ter muito mais de 20 filhos. Então, o natural será que cada cada casal adote vinte e tal crianças, os filhos de 3 casais biológicos, passando assim a haver a necessidade de que partam para África 7 casais adotivos por ano. Para reduzir o tempo de permanência dos casais adotivos em África, cada um vai receber 20 crianças recém nascidas e outras 20 crianças com 5 anos. Passados 5 anos, levarão as crianças mais velhinhas para a Aldeia e, as mais pequeninas, passarão para o segundo casal adotivo. Se for assim, será preciso haver em África 35 casais adotivos, o que será suficiente para serem, além de pais adotivos de 40 crianças, os professores do ensino básico para todas as crianças em idade escolar.
Para produzir 150 crianças por ano será preciso uma comunidade com 180 mães de substituição, 35 casais adotivos e um total de 1500 crianças, um total de 1750 pessoas. Se fosse para produzir 150 mil crianças por ano, seria necessária uma cidade com 1,75 milhões de pessoas!
Quando as crianças tiverem 10 anitos e a escola primária concluída, os pais adotivos e as suas 20 crianças vão viver para na nossa aldeia como se fossem uma família. Vão frequentar a escola, calcorrear aqueles mesmos caminhos do monte que eu calcorreei quando era criança e, assim, tornar a dar vida à nossa aldeia.
Com 10 anitos as crianças ainda vão a tempo de desenvolver uma ligação forte de pertença à aldeia e já são autónomas o suficiente para que seja possível um casal dar atenção e apoio a 20 crianças. Não vai ser uma família como estamos habituados a ver porque as crianças terão todas a mesma idade e serão, em termos genéticos, filhas de 3 casais diferentes  mas, mesmo assim, vai ser uma família funcional.
– Sr. Rúben. Sr. Rúben ! Por favor, acorde que está aqui o Sr. Alberto para o levar a casa – disse uma das empregadas da confraria.
– Sim, sim, eu não estou a dormir, passei um bocadinho pelas brasas mas estava com o pensamento ativo! Oh Alberto, sobre a conversa que tivemos esta manhã, estive a falar com o Dr. Cerejeira e já avancei bastante, existe uma solução técnica para fazermos as 150 crianças por ano sem haver necessidade que as nossas mulheres tenham que estar grávidas!
– E isso é mesmo possível Sr. Rúben? Não estará a confundir?
– Não, não, disse-me o Dr. Cerejeira que podemos contratar mães de substituição!
– Ah, assim já ouvi falar nisso mas será praticável!
– sim, é praticável, arranjam-se as mães de substituição num país pobre, talvez em África, está tudo pensado!
– Mas isso, provavelmente, vai custar muito dinheiro!
– Custa o que custar e vamos fazer como o Sr. Dessilva fez quando nos trouxe para cá, cada criança vai, ao longo da vida ativa, pagar o seu custo de produção.
– E o Sr. Rúben está a pensar que serão as crianças a pagar a sua vida?
– Exatamente! Vão ser as pessoas a pagar o custo de as darmos à vida, arranjamos quem financie o projeto como se fosse um investimento normal e, depois, as crianças quando forem adultas amortizam esse investimento!
– E acha ético fazer um contrato com pessoas que ainda não existem?
– Claro que sim, calculo que cada criança vai custar 50 mil € pelo que será preciso que paguem 100€ por mês durante 50 anos. Nenhuma pessoa se vai recusar a pagar 100€ por mês sabendo que é para compensar o ter sido trazida à vida.
– E depois o que vai fazer às crianças?
– Já está tudo pensado. Agora, só preciso de combinar com o Dr. Cerejeira para fazermos uma apresentação à confraria. Ficam em África até aos 10 anos e, depois, vão viver na aldeia com um casal adotivo, cada casal vai tratar de 20 crianças.
– Então o Sr. Rúben acha mesmo que isso é possível? Acha mesmo que vamos poder aproveitar a abertura que aconteceu nas mentalidades dos europeus? Acha mesmo que essa lei que aprovaram lá na Europa vai permitir o renascer da nossa aldeia?
– Sim, sim, penso que temos aqui uma oportunidade única na História de repormos o que foi destruído, agora só preciso que marques uma reunião da confraria para que eu possa apresentar o meu plano para que as pessoas possam decidir.
– Concerteza que sim, vou já anunciar essa reunião.

Capítulo seguinte (48 - A apresentação)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Calma! que 8 meses em gestão não é nada.

Seguindo as palavras do Cavaco e do Costa ...
O PS vai chumbar o governo do Passos Coelhos que fica em gestão (como já está) e, depois, o Cavaco Silva deixa a coisa em gestão até se ir embora, no dia 9 de Março de 2016. 
Sai Cavaco e entra Marcelo que vai resolver o impasse  marcando eleições para dia 5 Junho 2016. 
Dizem que a História não se repete mas, passados 5 anos, as legislativas de 2016 vão ser exactamente no mesmo dia das legislativas de 2011 e com o mesmo resultado, maioria absoluta do PSD+PP. 

Tudo isto é constitucional.
O Costa diz que é constitucional haver um governo das esquerdas mesmo que, em termos individuais, tenham sido derrotadas.
Mas também é constitucional o Cavaco Silva ter nomeado o Passos Coelho.
E também é constitucional deixar o Passos Coelho em gestão até haver novas eleições, quer sejam 8 meses ou 8 anos.

Mas os esquerdistas que mandem para o Constitucional! 
Se os esquerdistas acham que a acção do Cavaco é inconstitucional que mandem para o Tribunal Constitucional o decreto em que o Cavaco nomeia Passos Coelho como Primeiro Ministro. E, um vez chumbado no Parlamento o seu governo, os esquerdistas que mandem ao Tribunal Constitucional um pedido para que o Cavaco seja obrigado a indigitar o Costa.
Mesmo sendo tapados, naturalmente que os esquerdistas não o irão fazer porque sabem que tudo o que o Cavaco está a fazer é totalmente constitucional.

"Mas no dia 1/1/2016 vão cair os cortes!"
Sendo que o Passos Coelho não pode aprovar o Orçamento de Estado para 2016, os comentadores (esquerdistas ou ingnorantes) têm dito que várias medidas como os cortes nos salários da função pública, a Contribuição Extraordinária de Solidariedade, etc., vão cair e que isso induz um aumento imediato na despesa pública de 2500 milhões €.
Sendo assim, é preciso rapidamente (até 31/12/2015) haver um governo nem que seja dos esquerdistas,  capaz de estancar o "caducar destas medidas".

Mas será que isso irá mesmo acontecer?
Nada disso. Como o Cavaco referiu, todos os cenários estavam estudados e, não sendo o Passos Coelho (e o Portas) amador, esta eventualidade já estava prevista na Lei.

A) Vejamos as remunerações dos funcionários públicos.
Os cortes entre 3,5% e 10% das remunerações brutas dos trabalhadores em funções públicas é uma iniciativa do Sócrates do OE 2011 (Primeiro Ministro do PS) e foram consolidadas na Lei n.º 75/2014 de 12 de Setembro.
Lendo esta Lei (mesmo por um esquerdista descuidado), apesar de a Lei dizer no título que vai impor "reduções remuneratórias temporárias", no Art. 4.º, diz que as reduções duram para todo o sempre mas com uma redução de 20%. 
Vejamos o texto concreto:

Artigo 4.º - Reversão da redução remuneratória temporária 
A redução remuneratória prevista no artigo 2.º vigora no ano 2014 a partir da data da entrada em vigor da presente lei e no ano seguinte, sendo revertida em 20 % a partir de 1 de janeiro de 2015.

Assim, em 2016 e em todos os anos que ai vêm em que não haja OE, estaremos no "a partir de 1 de janeiro de 2015" pelo que os cortes serão entre 2,8% e 8,0% da remuneração bruta.
Assim, até há um efeito positivo (menos despesa) nas contas públicas porque a PàF prometeu que em 2016, 2017, 2018 e 2019 os cortes seriam diminuidos para 60%, 40%, 20% e 0%, respewctivamente, e vai-se manter nos 80%.

B) Vejamos a sobretaxa do IRS.
Apesar de o OE 2015  dizer que "É aprovado pela presente lei o Orçamento do Estado para o ano de 2015" (Par. 1.º do Art. 1.º do OE2015), de facto, o OE2015 mantem-se em vigor até que novo orçamento seja aprovado, nem que seja apenas em 2500.
Chegando a 2016, o OE2016 fica totalmente em vigor mas dividido em 12 fatias, uma para cada um dos meses do ano, é o famoso "governo por duodécimos".
E a sobretaxa de IRS, estando no Art.º 191 do OE2015 (Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro), vai-se manter plenamente em vigor para todo o sempre com a devolução que vier a ser observado em 2015 (havendo em 2015 uma receita de IRS+IVA superior ao orçamentado em 2015).
Como o PàF anunciou na campanha que iria acabar com a sobretaxa de IRS, o congelar do OE2015 terá um impacto positivo na Receita Fiscal.

C) Vejamos a Contribuição Extraordinária de Solidariedade.
Está no Art. 79 do OE2015 (Lei n.º 82-B/2014, de 31 de dezembro).

1 - As pensões, ... são sujeitas a uma CES, nos seguintes termos:
a) 15 % sobre o montante que exceda 11 vezes o valor do indexante dos apoios sociais (IAS), mas que não ultrapasse 17 vezes aquele valor; 
b) 40 % sobre o montante que ultrapasse 17 vezes o valor do IAS.

Esta vai, pelo que diz no parágrafo 10.º, muito provavelmente,  acabar:
10 — As percentagens constantes do n.º 1 devem ser reduzidas em 50 % em 2016 e eliminadas em 2017.

Digo "muito provavelmente" porque "devem ser reduzidas" não me parece ser um imperativo legal.
Se for entendido que não é um imperativo legal, continuará tal e qual como está o que terá um impacto positivo na Receita Fiscal.


Com o Passos 8 meses em gestão, vai ficar tudo mais ou menos igual ao que temos em 2015

Vai tudo correr bem.
O Passos não vai poder aumentar impostos nem reduzir despesa pública mas também não será preciso para manter o défice público controlado.
Por isso, não será qualquer problema para o país o Passos Coelho ficar até finais de Junho de 2016 em gestão. 

Mesmo que ...
Os esquerdistas comecem a aprovar legislação com impacto no aumento da despesa pública, redução da receita fiscal e negativo na economia como, por exemplo, revogarem os cortes das remunerações dos funcionários públicos, impuserem um aumento do Salário Mínimo Nacional para 600€/mês, o IVA a 13% na restauração ou a nacionalização da produção da electricidade (defendido pelo PCP e pelo BE),  o Cavaco tem poder para torpedear estas leis.
Começa por esgotar o prazo, depois manda para o Tribunal Constitucional, depois veta, volta outra vez à AR, mete na gaveta e, no entretanto, a Assembleia da República é dissolvida.
E o PS também não vai aguentar uma guerra de desgaste deste tipo quando vir, dia a dia, as eleições a se aproximar dando mais e mais razões ao Presidente Marcelo para, uma vez no lugar, anunciar eleições por "as instituições não estarem no seu normal funcionamento".

Vamos ter calma que a coisa está calma
Quando as sondagens davam o PS a ganhar, as taxas de juro da dívida pública iam aumentando.
Assim que saiu a sondagem da Católica+RTP 1 a dizer que a PàF iria ganhar, as taxas de juro começaram a descer até atingirem um mínimo com a maioria da PàF.
No entretanto, o estrebuchar do Costa fez a coisa aumentar mas, depois do anúnico de ontem, a coisa voltou a cair.

As taxas de juro diminuiram 0,4 pontos com a eleição da PàF, subiram com o estrebuchar do Costa e voltaram a cair com a indigitação do Passos Coelho.


Será que 0,4% são alguma coisa?
Portugal deve 230 000 000 000€ (230 mil milhões de euros).
Se aplicarmos este valor à totalidade da nossa dívida, são 920 milhões € por ano, muito mais que o famoso corte de 600 milhões € necessário, segundo o Passos, nas pensões.
E os esquerdistas teriam que ir buscar estes 920 milhões € de incremento nos juros a algum lado, mais impostos ou mais austeridade.

Concluindo, estou com o Cavaco.
É preferível manter o PAssos Coelho 8 meses em gestão que dar posse a um governo de esquerdistas derrotados.
Que lutem mas é por terem uma vitória, mesmo que por poucochinho, em 2016!

Pedro Cosme Vieira

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A vingança do Cavaco

A Esquerda sempre acusou Sua Ex.a de ser um zombie.  
Durante os 9,5 anos que já leva como Presidente da República, os esquerdistas sempre acusaram o Cavaco Silva de ser uma nulidade. Que nada pensa, nada diz, nada faz de jeito, oscilando entre a figura de morto-vivo e a figura de vivo-morto.
Os seus defensores políticos também o achavam um meio morto mas, lá avançavam com o único argumento plausível que era que "O Presidente não tem poderes! É praticamente uma Rainha de Inglaterra".
Os esquerdistas re-atacavam com "Se fosse um Presidente dinâmico como o Jorge Sampaio, iria usar a sua magistratura de influência, iria buscar poderes onde eles parecem não existir."


Agora é o tempo do Cavaco.
A Constituição Portuguesa dá 2 poderes ao Presidente da República que são duas autênticas bombas atómicas.


1.a Bomba Atómica
Tem o poder de escolher, nomear e dar posse ao Primeiro Ministro.
Este poder não tem qualquer limitação objectiva, podendo o PR escolher a pessoa que bem entender e pensar o tempo que achar necessário.
"Compete ao Presidente da República...
f) Nomear o Primeiro-Ministro, nos termos do n.º 1 do artigo 187.º [Art.º 133.º da CP]
[depois de] ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais" (2º do Art. 187 da CP).
  
2.a Bomba Atómica
Dissolver a Assembleia da República com a limitação de que tem que durar pelo menos 6 meses.
"Compete ao Presidente da República...
e) Dissolver a Assembleia da República, observado o disposto no artigo 172.º, ouvidos os partidos nela representados e o Conselho de Estado"  [Art.º 133.º da CP];
"1. A Assembleia da República não pode ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição" (1.º do Art.º 172.º da CP).


Cheira-me que isto do Costa não vai dar em nada e eu nunca me engano e raramente tenho dúvidas.


As opções do Cavaco.
Vamos pensar que o Cavaco não quer dar posse ao Costa.
Vai ter que empatar a coisa o máximo possível, até que venha o Prof. Marcelo, que poderá dissolver a Assembleia da República uns dizem que no dia 5 de Abril (6 meses desde a eleição) e outros no dia 25 de Abril (6 meses desde a posse) .
Sendo para empatar, tem apenas dois caminhos.


Caminho da Acção => Passos + Chumbo + Gestão + Dissolução (Marcelo)
Sendo que o PS ainda não tem o acordo fechado principalmente com o PCP, o Cavaco dava posse o mais rapidamente ao Passos Coelho (hoje mesmo), mandava-o apresentar o Programa de Governo o mais rapidamente à Assembleia da República esperando que o PS, tomado pelo choque e por ainda não ter acordo, deixasse passar o governo.
Não passando, ficaria em gestão até o Cavaco se ir embora, no dia 9 de Março.


Caminho da Inacção => Gestão + Passos + Chumbo + Dissolução (Marcelo)
O argumento do Costa para não ter já apresentado o acordo com a "esquerdas radicais" e o Orçamento Previsional para 2016 é que ainda não houve tempo para fechar todos os dossiês.
Mas os comunas vieram dizer "temos acordo para o PS ser governo mas temos que ver o Orçamento de Estado a ver se votamos a favor."
Então, o Cavaco vai dar esse tempo ao Costa e às esquerdas.
O Costa que faça o Acordo sem pressas, que apresente um Orçamento de Estado previsional para que o seus parceiros da coligação se possam pronunciar e, no entretanto, não nomeia ninguém.


O Cavaco vai optar pelo Caminho da Inacção (actualização: errei).
O Caminho da Acção tem vários problemas:
Problema 1 => O Passos teria que propor nomes para o futuro governo, tarefa difícil quando o Costa anuncia que o governo não vai passar.
Problema 2 => Chumbado o Passos em finais de Outubro, teria que ficar em gestão até às novas eleições, o que seria muito atacável pelo Costa alegando "Eu estou aqui e estou com a Dona Estabilidade".


O Caminho da Inacção é inatacável.
1 => O governo actual continuará em gestão.
2=> Se questionado, o Cavaco dirá que "O Presidente está a pensar na melhor solução para o país."
3 => O tempo vai passando e o Costa vai sendo frito em lume brando.
4 => O Costa não pode pedir pressa porque o Cavaco (e a Comunicação Social) vão-lhe pedir
"os termos do acordo das esquerdas" sobre o qual ele deixa de poder dizer "não tive tempo".
5 => Em Janeiro de 2016, vêm as Presidenciais com o Costa a apanhar mais uma banhada.
Se uma derrota causa estragos, duas seguidas, será muito pior.
6 => No último dia como Presidente da República, já só faltando um mês para a Assembleia da República poder ser dissolvida, o Cavaco dá posse ao Passos Coelho alegando que "não quero deixar este assunto por resolver."
7 => O Marcelo toma posse, passados 10 dias o governo do Passos Coelho cai e, "tudo indicando, que as instituições não estão no seu normal funcionamento," o Marcelo deixa o Passos em gestão mais um mesito até haver novas eleições legislativas.


Mas o Caminho da Inacção não será mau para Portugal?
Nem tanto assim.
O Passos vai governar por duodécimos, repetindo o Orçamento de Estado de 2015.
A Assembleia da República pode aprovar leis despesistas mas o Costa terá medo disso pois pode ser chamado à governação!
Como gostam de chamar exemplos estrangeiros, a Bélgica, país com um PIB per capita o dobro do nosso, esteve 541 dias sem governo (entre 13 de Junho e 5 de Dezembro de 2011).
Por isso, vai tudo funcionar bem e são só mais 6 meses!


Agora, querem saber a minha fonte?
Pessoa bem colocada na Casa Civil colocou uma escuta debaixo da cama do Cavaco e da Maria.
Apesar de a inacção do Cavaco parecer uma grande jogada estratégica, de facto, o homem está mesmo zombie, está com a cabeça confusa, não sabendo o que deverá fazer.
- Maria, Maria, ajuda-me que não sei o que fazer, o Costa anda-se a rir de mim!
-Nibinho, deixa isso e toma a pastilha para poderes dormir.
- Mas o país está à minha espera!
- Decansa que a Constituição não te impõe um prazo. E lembra-te que já temos os nosso filho criados e a morte aproxima-se rapidamente de nós.


O Cavaco vai falar nada dizendo.
A cada hora que passa sem nada dizer, mais e mais pessoas irão acreditar que este poste é baseado em informação fidedigna.


O bichinho parece inofensivo mas tem garras

O Cavaco optou pelo Caminho da Acção.
Mas, além de nomear o Passos Coelho como Primeiro Ministro, proferiu um discurso tão duro contra as esquerdas que tornou claro que nunca dará posse ao Costa. De deu posse ao Eng. Sócrates (que odiava) e que daria ao Costa (que odeia) desde que ganhasse as eleições. Quem perdeu tem que ir para a oposição.

Não vale a pena!
Os esquerdistas disseram ao Cavaco que "é uma perda de tempo para Portugal nomear o Passos Coelho porque vai levar chumbo" Mas o Presidente respondeu com "é uma perda de tempo para Portugal chumbar o Passos Coelho porque o Costa nunca será indigitado por mim como Primeiro Ministro." 
Agora está na mão dos deputados (e não dos secretários gerais) mas, se o PS chumbar o governo já sabem que o Cavaco prefere manter o Passos Coelho até que, em Maio, haja novas eleições que meter lá um governo refém de partidos que defendem nos seus programas uma nossa "saída" da Europa e da Nato..

Agora, a bola está no lado do PS. Vamos ver se a vão mandar para fora.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 18 de outubro de 2015

46 – A técnica

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
______________________

Ver o capítulo anterior (45 - A lei do retorno)    





46 – A técnica
Tem que dar – pensou o Rúben – tenho que arranjar uma forma de dar utilidade à lei do retorno. Para que se deram ao trabalho de fazer a lei do retorno quando parece evidente ser impossível arranjar pessoas que queiram retornar? Talvez os do Vale não procurassem mais do que uma forma de redimir o massacre daquela noite sem, de facto, fazerem nada. Mas as intenções não interessam, o que interessa é que temos que arranjar uma forma de os ajudar a redimir os seus pecados passados. O problema é que ninguém vai ter 6 ou 7 filhos para os mandar para a Europa! – Nesse momento veio-lhe à mente a sua infância, as pregações do padre que havia lá na aldeia, o Padre Augusto, e que falava com o Espírito Santo – Vai ter que ser uma coisa assim, vir uma inspiração divina ...
O Rúben ficou com aquela pergunta na cabeça, como conseguir convencer alguém a criar e educar filhos para, depois, os enviar para a Europa? Durante os pensamentos, inclinou a cabeça para o lado e caiu no sono.
– Sr. Rúben, acorde por favor! – Era o Dr. Cerejeira, um médico já reformado que também gostava de ir conversar à confraria – Acorde que o sono é o princípio da morte.
O Dr. Cerejeira tinha sido das primeiras crianças a nascer na América de um casal da aldeia. Sendo muito inteligente, estudou com a ajuda da confraria e fez-se médico.
– Bom dia Dr. Cerejeira, eu não estava a dormir, estava apenas a passar pelas brasas, ainda bem que apareceu pois estou às voltas com essa lei do retorno, o Sr. Dr. já ouviu falar disso?
– Já, já, quem é que não ouviu falar! Querem remediar o massacre mas, agora que o mal já está feito, não há nada que possam fazer para o remediar. Se mataram as pessoas como é que agora as podem trazer de volta à vida?
– Pensando assim, nunca nenhuma falta poderia ser redimida! Lembre-se que uma floresta arde e volta a nascer mas com outras árvores. Com os povos passa-se o mesmo, as pessoas morrem mas outras nascem para ocupar o lugar de quem partiu.
–Até pode ser, bem sei que o Sr. Rúben tem saudades da infância vivida no meio desse monte, mas não há nada que, agora, possa trazer aquela aldeia de volta à vida. REceio mesmo que, mais ano menos ano, não haverá uma única pessoas a viver lá.
– Tenho saudades de ser criança, da beleza da natureza e da camaradagem que lá existia mas nenhumas saudades da miséria com que vivi a minha infância, de como os meus pais sofreram para que eu não morresse de fome. Eram tempos muito duros.
– Acredito que sim, que, mesmo com a miséria, lhe sobrem memórias bonitas da sua infância mas, agora, mesmo que as condições de vida lá nessa aldeia tenham melhorado muito, penso que ninguém vai querer partir daqui para voltar a viver lá.
– Quando soube da lei, pensei que haveria pessoas interessadas em ir mas, depois de falar com algumas, tive que me convencer de que não há ninguém, talvez os velhos como eu mas nós não contamos, seria apenas para irmos ajudar as estatísticas das mortes. Mas ainda não me dei por derrotado, ainda tenho esperança que possa ser encontrada uma solução, é que se fizeram a lei para que se pudessem redimir do passado, nós também temos que fazer um esforçosinho para aproveitarmos esta oportunidade. Sendo que o Sr. Dr. chegou enquanto eu estava com estes pensamentos, só pode ser um sinal do Espírito Santo a dizer que este problema se pode resolver com a tecnologia médica.
– Mas resolver o problema como?
– Segundo contas que estive a fazer com o Alberto, para um dia voltar a haver na Europa tantas pessoas como as que foram mortas, será preciso fazer aparecer a partir do nada, em termos mitológicas, a partir do barro, 150 pessoas todos os anos e durante 30 anos. Isso é uma enormidade pois, sendo nós poucos, cada um dos nossos casais terá que ter 7 filhos além dos que já têm, o que nos pareceu impossível de todo.
– Totalmente de acordo, nenhum casal vai querer ter 7 filhos para os mandar para a aldeia. Mas eu, enquanto enviado do Espírito Santo, com é que entro na equação qeu vai resolver o problema?
– É que temos que pensar numa forma diferente de fazer essas 150 crianças!
 – Que eu saiba, as crianças apenas se fazem de uma maneira, a maneira tradicional!
– Sim e não, também existe a medicina, a procriação medicamente assistidas! E se as crianças que precisamos fossem feitas usando os últimos avanços tecnológicos?
– Mas isso não resolve nada pois é preciso ter, na mesma, uma mãe que dê a criança ao mundo e uma família que crie e eduque a criança!
– Eu estava a pensar em algo mais industrial e menos humano, recolhiam-se óvulos e espermatozoides dos nossos casais e, depois, arranjavam-se mulheres de substituição algures num país pobre, talvez em África. Assim, talvez já fosse possível arranjar as 150 pessoas por ano sem sobrecarregar ninguém, seria apenas uma aplicação financeira, as pessoas seriam criadas desde pequeninas até serem adultas com o objectivo específico de irem viver para a nossa aldeia e pagariam uma mensalidade por as termos dado à vida!
– Sim, em termos técnicos isso é possível mas nunca foi aplicado a essa escala e com um objectivo dessa natureza. Para ajudar um casal que tem dificuldades procriativas é uma coisa mas para refazer a população de uma aldeia que foi exterminada no passado nunca foi sequer imaginado e, muito menos, tentado.
– Então o Dr. Cerejeira acha que isso é mesmo tecnologicamente possível!
– Perfeitamente possível, a recolha dos gâmetas, a fertilização, o desenvolvimento do zigoto até a obtenção dos pré-embriões e, finalmente, a sua posterior implantação no útero de uma mulher dando origem a uma gravidez são tudo tecnologias perfeitamente compreendidas e testadas, com já milhares de sucessos. O único problema é não só a escala como também, em termos éticos, as crianças nascerem fora de uma família e para dar cumprimeto a um objectivo pré-determinado e que inclui um encargo financeiro.
– Vamos deixar os problemas éticos para depois pois primeiro tenho que imaginar o processo produtivo. Recolhiam-se aqui os gâmetas e, depois, enviavam-se para um país onde seriam feitos os outros procedimentos, apenas teríamos que ter casais que se disponibilizassem a fazer a doação dos gâmetas!
– Mas ainda há algumas dificuldades. É que para um casal para ter esses 7 filhos que pretende enviar para a aldeia, será preciso obter uma média de 80 óvulos por mulher o que obriga a uns 5 procedimentos de recolha, o que não é nada agradável.
– Mas então não é um óvulo, uma criança? Para 7 crianças não basta recolher 7 óvulos?
– Não, nem perto disso, em termos estatísticos, num ciclo de estimulação hormonal em que se consigam recolher 16 óvulos, 4 vão falhar a fertilizados e outros 4 vão falhar o desenvolvimento pelo que se vão obter apenas 8 pré-embriões. Actualmente, o processo que vai da recolha até ao pré-embrião tem um sucesso na ordem dos 50%.
– E daqui nascem 8 crianças!
– Também não pois a implantação tem uma taxa de sucesso relativamente baixa, depois de transferidos para o útero, em média, são precisos 6 pré-embriões para termos uma criança.
– Mas isso é uma perda muito grande, perdermos essas crianças todas por falhas técnicas!
– Talvez seja por falhas técnicas mas essas perdas também acontecem numa gravidez natural. De facto, não sabemos quantas falhas são por dificuldades de implantação e quantas são por o pré-embrião ter falhas genéticas.
–Temos que arranjar forma de reduzir o número de ciclos. E não será possível duplicar os ovócitos como acontece com os gémeos verdadeiros?
– Pois, isso até poderá ser tecnicamente possível mas nunca foi testado e até é proibido. Se a fertilização in vitro já coloca problemas éticos, muito mais problemas colocará fazer as crianças como se fossem salsichas, centenas iguais. Até poderia ser possível mas não pode ser feito, já imaginou saber que foram feitas mais 200 indivíduos geneticamente iguais a si?
– Isso não me afligiria em nada. Eu sou eu de forma independente dos outros serem ou não geneticamente iguais a mim,  o meu pensamento e tomada de consciência seriam sempre os meus. Mas eu não estava a pensar em 200 mas apenas num número que permitisse ter as 7 crianças com apenas um ciclo de recolha, talvez 4 iguais!
– Assim já é uma ideia mais razoável mas a estatística não funciona bem assim e até talvez seja possível fazer melhor do que isso, talvez parte das causa da falha na implantação não sejam erros genéticos e, por isso, a multiplicação dos ovócitos possam permitir que nasçam crianças que, de outra forma, nunca nasceria. O problema é não haver dados que permitam calcular quantos ovócitos falham devido a terem erros genéticos. Sem fazer ensaios, não posso dizer nada mas a ideia já me parece razoável, talvez nascessem alguns gémeos mas controlávamos esta questão impondo um número máximo às cópias transferidas, por exemplo, 4 cópias!
– O Dr. está a ver como isto está a avançar com a sua ajuda? Ainda é capaz de pensar que não foi o Espírito Santo que o enviou? Vamos imaginar que se conseguiam recolher 16 ovócitos dos quais resultavam 8 ovócitos. Multiplicando por 4 teríamos 32 que, dividindo por 6, já dava quase 5,5 crianças, muito próximo do pretendido. Se implantássemos 5 cópias de cada pré-embriões já seríamos capazes de conseguir as 7 crianças de uma só recolha, o que diz a este meu número?
– Bem, é tecnicamente possível mas, sem ensaios, não posso garantir nada, tanto pode acontecer que tenhamos 5 gémos iguais como apenas2 ou 3.
– Já estou a imaginar todo o processo, recolhem-se aqui os gâmetas, enviam-se para um sítio qualquer e faz-se lá a fertilização e a multiplicação dos ovócitos e, depois, os pré-embriões são implantados nas mães de substituição e espera-se que nasçam as crianças.
– Gostei muito desta nossa conversa mas a sua continuação tem que ficar para outro dia porque ainda tenho que ir visitar os meus netos.
– Não só conto com a continuação desta nossa conversa como já dou como certo que o Dr. Cerejeira me vai ajudar na elaboração do projecto que hei-de apresentar à confraria.
– Concerteza que pode contar com o meu contributo, vou começar já a trabalhar nisso.

Capítulo seguinte (47 - A infância)

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