quarta-feira, 30 de setembro de 2015

43 – O mistério

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
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Ver o capítulo anterior (42 - O lucro)    




43 – O mistério
Apesar das cartas de chamada, da garantia de que as pessoas tinham emprego e alojamento garantidos e de haver algum fundamento na lei para que os vistos fossem emitidos, as dificuldades eram mais do que muitas. Então, o Levinstone, mesmo contra os seus princípios, teve que seguir o conselho do Jonas, mediante um suborno de 1000€ por cabeça a um funcionários bem colocado, as dificuldades desapareceram. Com os vistos na mão e trabalho lucrativo para as pessoas da aldeia, no terceiro inverno fizeram-se 5 viagens que somaram 160 jovens e algumas dezenas de crianças o que implicou um investimento ligeiramente superior a 600 mil €. Mas foi um bom investimento pois os lucros aumentaram de 10000€ por semana para 35 mil € por semana.
No quarto Inverno, movidos pela ganância do Levinstone, do Goldman e do Dacosta, a chegada dos jovens acelerou ainda mais. O Sr. Costa saia da Aldeia na segunda feira de madrugada, pernoitava na estalagem e, na terça feira à noite chegava à cidade onde os jovens e algumas crianças embarcavam na carruagem de carga. Depois, voltava para a aldeia onde chegava na quinta - feira à noite, começando imediatamente a preparar a viagem da próxima segunda-feira.
As pessoas partiam no comboio da teça-feira à noite e, na quinta-feira, quando chegavam à fronteira, estava lá o Sr. Dessilva à espera, para o caso de haver algum problema. Depois, seguiam até Amesterdão na companhia do Sr. Dessilva que tratava do embarcar das pessoas no transatlantico. Tudo feito de forma célere para que pudesse estar na fronteira na quinta-feira seguinte.
Semana após semana, a aldeia perdia 32 jovens e algumas crianças, sempre mais do que 10, que se iam reunir com os pais.
O Dacosta já geria um prédio inteiro, com mais de 20 apartamentos e estava a negociar outro. O Levinstone, além da construção civil, tinha expandido os seus negócios para a metalomecânica e o Goldman tinha crescido enormemente estando agora a fornecer fardas para a polícia.
Os lucros eram enormes pelo que, mais e mais pessoas foram sendo chamadas, a ponto de as viagens se terem prolongado pela Primavera, pelo Verão e, novamente, pelo Outono e novamente pelo Inverno sem interrupção. Saiam tantos jovens a ponto de, na Aldeia, praticamente deixar de haver pessoas com idades entre os 20 e os 30 anos. O Estalajadeiro, o chefe da estação, o funcionário da imigração, o Levinstone, o Goldman e o Dacosta parece que tinham encontrado uma mina de ouro.
Uma certa quinta-feira, o Dessilva estava na fronteira e, quando chegou o comboio, ficou estranho de não vir atrelada no fim a carruagem de carga que deveria trazer os jovens em transito para a América. Foi falar com o chefe da estação alegando que estava à espera de uma carga que não tinha chegado.
– Realmente, eu sei que todas as semanas vem uma carruagem com carne de porco salgada cujo destino é Amesterdão e o destinatário é o Sr. Newman Dessilva mas hoje, estranhamente, não veio nada. Acho estranho até porque o meu colega costuma sempre mandar um telex a anunciar que a mercadoria foi verificada não precisando de ser vista e hoje não disse nada. Deixe que eu mando um telex ao meu colega da estação onde a carruagem costuma ter origem.
Passado um pouco, veio um funcionário trazer um papelinho ao Sr. Dessilva com o telex que tinha chegado e que dizia apenas que “O fornecedor, o Sr. Costa, não apareceu. Vieram hoje dois almocreves à estação dizer que estão à espera que o Sr. Dessilva venha para tentar resolver o problema grave que aconteceu com a mercadoria.”
O Dessilva ficou preocupado. “O que será que poderá ter acontecido? O mais certo é que as pessoas tenham sido interceptadas à chegada da aldeia do Norte e reenviadas para o Monte. Tenho que partir imediatamente.”
Quando o Dessilva chegou à Cidade, ao descer os dois almocreves que vieram da aldeia tentar encontrar o Sr. Dessilva viram-no do fundo da estação e desataram a correr.
– Sr. Dessilva, Sr. Dessilva, Sr. Dessilva, graças a Deus que veio – gritaram os almocreves enquanto corriam para junto do Dessilva. Neste momento criou-se um certo rebuliço pois os almocreves não podiam entrar no cais de embarque antes de receberem ordem.
– Calma, calma, estou aqui, as malas estão aqui dentro – disse o Dessilva com a mão no ar também para acalmar as restantes pessoas.
– Sr. Dessilva, Sr. Dessilva, aconteceu uma tragédia, uma tragédia terrível. Aconteceu o pior – gritaram ainda à distância os almocreves. Os outros almocreves, com os burros, também se foram aproximando a passo ligeiro da carruagem do comboio onde era preciso ir buscar as malas dos outros passageiros.
– O quê, o que estão para aí a dizer? – É que, como as viagens estavam a correr tão bem, o Dessilva já se tinham esquecido da contínua ameaça que pairava sobre as pessoas da aldeia.
– Mataram quase todas as pessoas da aldeia, ainda fugiram algumas para o monte mas a maior parte morreu, nem o Padre Augusto escapou!
Como as outras pessoas que estavam no cais ouviram a conversa, gerou-se um burburinho “Mataram quem? Quem é que morreu? De que aldeia está ele a falar?”
– Isto não é nada, estes meus carregadores estão a delirar, estão com muita febre e já não comem há vários dias pelo que não dizem coisa com coisa – e, em simultâneo piscou o olho aos almocreves a quem disse baixinho, pensando mesmo que estavam a delirar, “Chiu que esta gente não pode ouvir isso que estão a dizer, vamos falar ali para o fundo. Moços, carreguem as malas e vamos lá para fora.”
O Dessilva não acreditou em nada do que os almocreves tinham acabado de dizer querendo apenas saber o que tinha acontecido, porque a viagem não tinha sido feito e onde estava o Sr. Costa.
– Já lhe dissemos Sr. Dessilva, não houve viagem porque mataram as pessoas- O Sr. Costa está de cabeça perdida, anda pelo monte à procura da Menina Dulcinha que não se sabe se está vivo ou morta. Precisamos da ajuda de alguém pois, neste momento, as pessoas que conseguiram fugir andam perdidas pelo monte, centenas, sem terem abrigo nem o que comer.
– Arranjem então os burros para partirmos imediatamente para a estalagem que ainda temos muitas horas de viagem.
– Mataram tanta gente, velhos novos e crianças – não se cansavam os almocreves de repetir como que em estado de transe.
– Isso não pode ser, vocês estão a confundir, mas vocês viram isso? Viram alguém morto?
– Bem, nós não, pois não chegamos a ir à aldeia. Depois de termos deixado as pessoas no comboio, fizemos a viagem de retorno com o Sr. Costa e, já no meio do monte, encontramos pastores que nos disseram para não voltarmos para a aldeia porque tinham-na destruído e matado quase toda a gente. O Sr. Costa não acreditou pelo que nos aproximamos um pouco da aldeia para vermos o que se tinha passado mas, no entretanto, cruzamos com muitas pessoas que vinham a fugir e tivemos medo. O Sr. Costa continuou viagem sozinho a ver se sabia notícia da filha.
– Eu não me acredito, onde é que estão essas pessoas que fugiram?
– Estão no monte Sr. Dessilva. O Sr. Dessilva precisa fazer um milagre para que não morra toda a gente, são precisos cobertores e comida.
– Só posso actuar de+pois de saber o que realmente aconteceu, Temos, tenho, que ir até lá para ver com os meus próprios olhos.
“Claro que poderia ter havido uma ataque e que poderia ter havido mortos mas quase todas as pessoas? Isso era impensável, era impossível, matarem milhares de pessoas sem mais nem menos? Aquela notícia tinha que estar exagerada e em muito.” – pensou o Dessilva.
Chegaram à estalagem já noite fechada. O Dessilva tentou saber notícias junto do estalajadeiro. Realmente dizia-se que tinha acontecido algo na aldeia do Monte mas ninguém tinha visto nada. Eram um diz que disse de que tinham matado “quase todas as pessoas”. Mas não havia confirmação de nada.
No dia seguinte, ainda o Sol não tinha nascido, o Sr. Dessilva partiu com os dois almocreves em direcção ao Monte. Partiram mesmo sem a protecção de pastores imaginando que a veio da viagem encontrariam alguém com cães.
Apesar de não acreditar de que tivesse acontecido uma tragédia como a relatada, o Sr. Dessilva, decidiu que “à cautela, vamos levar cobertores para podermos passar a noite ao relento e mantimentos que dêem para 5 dias, suficientes para a viagem de ida e de volta.”
Quando chegaram ao cimo do monte, ainda não eram 12h, avistaram ao longe um rebanho de ovelha com dois ou três pastores. O Sr. Dessilva tirou uma luneta do bolso para tentar descobrir se os pastores eram realmente da aldeia. “Vamos ao encontro deles que são dos nossos, assobiem-lhes!” Como os pastores estavam já na encosta, passado pouco mais de meia hora, deu-se o encontro com o primeiro pastor.
– Então o que se passou lá em baixo? – perguntou o Dessilva.

– O Sr. Dessilva nem vai acreditar, mataram toda a gente e levaram as ovelhas e tudo de valor que havia na nossa aldeia. Neste momento só lá estão os militares que vieram do Vale.

Capítulo seguinte (43 - A destruição)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Os 7 graus da escala do poucochinho

Os 7 graus do poucochinho
Entre a derrota e a vitória por maioria absoluta, existe uma escala de 7 graus de Pucochinho sendo o grau 1 o mais poucochinho e o grau 7 o menos poucochinho.
Concretizando-se as sondagens da Católica e da Intercampus, a vantagem do PSD+PP relativamente ao PS vai ficar nos 16 deputados o que traduz que teremos uma vitória no grau 4 da escala do poucochinho.


Tabela dos 7 graus do poucochinho
O PSD+PP ganha com maioria absoluta (PSD+PP > PS + BE + CDU + Pequenos)
   7) PSD+PP > PS + BE + CDU
   6) PSD+PP > PS + CDU + Pequenos
   5) PSD+PP > PS + CDU
   4) PSD+PP > PS + BE + Pequenos
   3) PSD+PP > PS + BE
   2) PSD+PP > PS + Pequenos
   1) PSD + PP > PS
O PSD+PP perde (PSD+PP < PS)

Como será o 5 de Outubro?
Às 20h do dia 4 de Outubro, quando forem anunciadas as sondagens à boca das urnas, será dito que o PSD+PP ganhou com o grau 4 do poucochinho e, se não lhe acontecer nenhum encobrimento semelhante ao que deu ao Cravinho, minutos depois, o António Costa virá dizer "fui colhido de surpresa pelos resultados eleitorais pelo que me demito de Secretário Geral do PS".
Nas comemorações do 5 de Outubro, já será o Carlos César o secretário Geral interino.

O PS vai implodir

No 6 de Outubro, o Presidente Cavaco Silva vai começar a ouvir os partidos.
No grau 4 da escala do poucochinho, o PS poderá formar governo se tiver o apoio parlamentar da CDU. Mas isso não é viável porque precisaria de uma longa e difícil negociação, impossível para um secretario geral interino.
Então, mais não sobrará ao Cavaco Silva mais do que indigitar o Passos Coelho para formar governo.
 
O Passos Coelho lá fará o seu segundo governo.
O mais certo é que a maioria dos ministros permaneça. Talvez saia o Poiares Maduro e outros que nem me lembro quem mas, a Maria Luís, a Cristas, o Pires de Lima e o da mota (Soares) vão continuar e já fazem, com o Passos  mais o Portas, metade do governo.
Depois, o Cavaco vai dar posse ao governo que vai apresentar o programa à Assembleia da República.
 
Será que o programa de governo vai ser rejeitado?
Se for rejeitado, o governo cai (Art.º 195-d da Constituição Portuguesa).
Não acredito que um secretário geral interino tenha força política para chumbar o governo logo na entrada.
Vai passar com a abstenção do PS e os votos contra de todos os demais partidos da esquerda (somarão 30 deputados contra mais de 100 do PSD+PP).
 
Depois vem o Orçamento de Estado para 2016.
Mas existe a hipótese de o Passos Coelho não fazer um novo orçamento.
Argumentando que "o PS já declarou que vai chumbar o OE2016", o governo pode decidir não apresentar o OE2016 nem o OE2017 a votação.
Se isto acontecer, OE2015 mantêm-se em vigor.
 
Dadas as promessas eleitorais ...
O OE2015 é melhor para o Passos Coelho que um eventual OE2016 onde terá que introduzir as promessas eleitorais. Entre outras coisas ficarão congelados os:
=> Aumentos na Função Pública (O Passos Coelho prometeu que levantava 1/5 do corte de 10% imposto em 2010 pelo Sócrates)
=> Aumentos nas pensões (O Passos Coelho prometeu que subiria as pensões mais baixas)
=> Fim da sobretaxa do IRS (o Passos prometeu alívio de 1/4) e actualização nos escalões de IRS.
 
O Governo vai-se aguentar até ...
Será um governo fraco porque não conseguirá passar Leis na Assembleia da República mas vai governando mês após mês com o OE2015.
Por esta razão é que o Governo tentou fechar todos os dossiês antes do fim da legislatura (por exemplo, a privatização da TAP).
Além do OE2015, vai governar por Portarias, Decretos-lei e uma ou outra Lei para a qual haja convergência com o PS.
 
O governo cairá quando as sondagens forem favoráveis ...
Se as sondagens mantiverem as intenções de voto no PS na casa dos 30%-35% e o PSD+PP na casa dos 35-40%, o governo mantêm-se estável.
Quando as sondagens começarem a dar mais de 40% de intenções de voto no PS, vai haver pressão para que haja uma "união à esquerda" para viabilizar uma moção de censura ao governo.
Também, se as sondagens começarem a dar ao PSD+PP acima dos 45%, o governo vai começar a apresentar "Leis necessárias à modernização do país" para forçar a sua demissão e a marcação de novas eleições.
 
E o factor Presidente?
Podemos pensar que, se tivermos um presidente esquerdistas (tipo Nóvoas), o governo nunca se demitirá pois corre o risco de haver um governo PS+CDU. Mas este governo é impossível de acontecer.
 
Vejo no horizonte estabilidade governativa.
O governo tanto pode durar toda a legislatura (se as sondagem derem resultados próximos dos actuais) como durar 2 anitos (se as sondagens desempatarem) mas, mesmo com uma maioria de 4 na escala do poucochinho, vai haver condições de governabilidade, pelo menos, durante meia legislatura.
 
Apesar de parecerem todas parecidas (as esquerdas), é impossível uma frente comum entre o PS, o BE, a CDU, o Livre e o Marinho e Pinto
 
Pedro Cosme Vieira

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Como estão as sondagens

As "sondagens móveis" já têm mais de 5000 repostas.
Pegando nas sondagens móveis da Intercampus e da Católica, a primeira conclusão que tiramos é que há um aumento médio de um deputado por dia para o PSD+PP.

Fig. 1 - Evolução da vantagem do PàF em deputados (assumindo que +1pp se traduz em +116/44 deputados)

Depois, pegando na média das sondagens.
Todos os dias são inquiridas cerca de 250 pessoas o que, nas duas consagens, dá mais de 5000 pessoas. Pegando nos resultados médios, temos:
         PSD+PP = 39,6%
                 PS = 34,0%
Assumindo uma amostra com 5125 respostas válidas com 27,1% de "abstenção ou não sei" e 60% de resposta ao telefonema, estes resultados traduzem os seguintes intervalos (probabilidade de 95%):
      PSD+PP = entre 37,9% e 41,3%
                   = entre 100 e 109 deputados

              PS = entre 32,4%e 35,7%
                   = entre 85 e 94 deputados

     Diferença = entre 2,8 pp e 8,3 pp
                   = entre 7 e 22 deputados

A probabilidade de maioria absoluta.
Mesmo assumindo que o PSD+PP ainda vai aumentar 5 deputados, é muito remota a probabilidade de conseguir os 116 deputados.

A maioria absoluta obriga a uma alteração estrutural.
Nas sondagens móveis, as pessoas que dizem irem-se abster ou que não sabem responder está na ordem dos 27% enquanto que, nas legislativas de 2011, a abstenção esteve em 41,93% + 2,66% de votos em branco (total de 44,59%).

As sondagens não votam.
O Passos Coelho está com medo (e o Costa com esperança) que, nesta diferença de 20 pontos entre os que respondem nas sondagens e, no final, vão votaram haja uma grande maioria de pessoas que dizem ir votar no PSD+PP.
Se for ao contrário e apenas nesta condição,o PàF terá maioria absoluta.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 27 de setembro de 2015

Os erros do Centeno

O Centeno, sendo político, deixa de ser sério. 
Em democracia, a política é a arte de captar mais votos que os adversários políticos.
Então, politica e verdade apenas andam de mão dada se der votos. Não dando, avança-se com a mentira e a ilusão.
Então, o Professor Centeno transformando-se em político, deixou o rigor que se pede a um "professor de economia" para passar a ser um "vendedor de ilusões"
Mas vamos ao que interessa.

O problema das exportações.
O Professor Centeno veio dizer num momento de desespero que as exportações no tempo do Passos Coelho + Portas não foram diferentes das exportações do tempo do Sócrates.

ISSO È MENTIRA.
A primeira coisa que temos que ver é a taxa de cobertura das exportações que quantifica quantos euros exportamos por cada 100 Euros que importamos.
No tempo do Sócrates (2005-2011) a taxa de cobertura era de 63% o que traduz que por cada 100€ de bens importados, exportávamos 63€.
No tempo do Passos Coelho + Portas, depois do ajustamento de 2001-2013, a taxa de cobertura passou a ser de 83% o que traduz que por cada 100€ de bens importados, exportávamos 83€.
a subida em 2 anos da taxa de cobertura em 20 pontos percentuais é extraordinário e nunca conseguido  por ninguém nos últimos 50 anos.

Fig. 1 - Taxa de cobertura das exportações Jan2005-Jul2015 (dados, INE Portugal)

Vamos agora ao detalhe - As importações.
A taxa de cobertura melhorou 20 pontos por causa das importações (contenção) e exportações (aumento).
Pegando nas importações a preços constantes (i.e., retirando o efeito da inflação), têm oscilados em torno dos 5 mil milhões de euros por mês, estando hoje 5% abaixo do nível de 2008 e ligeiramente 5% acima do valor de 2005 (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Importações a preços constantes Jan2005-Jul2015 (dados, INE Portugal)


As exportações.
Agora vamos às exportações que o Professor Centeno, como político fazendo crer que tinha o rigor de um professor universitário, decidiu comentar num comício do PS dizendo que estavam iguais ao que eram no tempo do Sócrates.
Mas olhando para os dados do INE, as exportações hoje estão 40% acima das exportações médias no tempo do Sócrates e 50% acima do valor de 2005 e 2009.

Fig. 2 - Exportações a preços constantes Jan2005-Jul2015 (dados, INE Portugal)

Meu Deus, não pode ser.
O Professor Centeno, o cabeça da Hidra dos 12 Sábios do PS tentou enganar o povo português?
O Professor Centeno, o génio da economia, mentiu descaradamente ao povo português?
E, depois, dizem os meus colegas esquerdistas que eu é que tenho falta de rigor, envergonho a professoragem e a Ciência Económica. 

Fig. 3 - Alternativa de confiança? Confiança de que viria por ai a politica da intrugice e os Socráticos recauchutados.

Será uma cobertura de 83% mau?
Se é mau, concerteza que 63% era muito pior!
E não é mau porque consegumos captar turistas europeus.
Essa batatada nos países islâmicos do Norte de África, principalmente na Tunísia e no Egipto, desviou muito turismo (barato) desses destinos para o nosso querido país o que tem permitido que, agora, tenhamos a Balança Corrente (as contas com o exterior) positiva e estável.

Fig. 4 - Balança Corrente Jan2010-Jul2015, (dados, Banco de Portugal, alisada por mim).

Finalmente.
Se não gostarem do Passos Coelho, votem no Portas e, se não gostarem no Porta, votem no Passos Coelho.

Fig. 5 - Eu queria votar (as minhas garras) era ai!

Pedro Cosme Vieira

42 - O lucro

Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
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Ver o capítulo anterior (41 - A notícia)    




42 – O lucro
Os meses foram passando e tudo foi correndo bem. Um dia, decorridos já quase 6 meses desde que chegou a segunda fornada de europeus, depois do almoço, o Levinstone apareceu na ourivesaria do Sr. Jonas.
– Boa tarde Jonas, então como vai essa vida?
– Boa tarde Levinstone, a que devo esta honra? Apareceres por aqui assim sem aviso está-me a deixar um pouco preocupado! Será que se passa alguma coisa com os europeus? Será que voltaram os problemas?
– Não, não, nada disso, está tudo a correr muito bem. Eu passei por cá apenas para conversar um pouco contigo sobre o investimento que fizeste na viagem e também queria saber se tens tido notícias do Dessilva.
– Sim, tenho tido, sente-se bem por lá, já lhe perguntei quando pensa voltar pois está-me a fazer falta aqui mas ele está muito apegado às pessoas que lá vivem, diz que sofrem muito.
– Pois o António também me tem dito que há por lá muita miséria.
– Pois até pode ser assim mas não vejo o mais que possamos fazer. Tu com o Goldman e do Dacosta já fizeram um grande investimento e ainda estão a mandar 3000€ por mês para ajudar as crianças. Eu e o Dessilva também tivemos que fazer um grande esforço financeiro para que estas viagens pudesse ir para a frente. Por isso, penso que não há nada mais que possamos fazer!
– Sim, não podemos fazer mais nada, para mim não é tanto a questão financeira mas já não tenho idade para ter mais dores de cabeça. Mas eu vim aqui não foi para falar dos que vivem na aldeia mas sim para falar do teu investimento e das pessoas que estão cá. Estive a falar com o Goldman e decidimos devolver-te o dinheiro que meteste no projecto, tu e o Dessilva.
– Darem-nos os 100 mil €?
– Sim, sim e com 25% de juros. Também pensamos em aumentar o salário que estamos a pagar aos nossos irmãos europeus, é que estamos com remorsos de lhes estarmos a pagar tão pouco ... Mas, como tu és o promotor da vinda das pessoas, tenho que te vir perguntar o que achas desta nossa ideia.
– Mas vocês não me podem pagar e aumentar os salários pois têm primeiro que recuperar o vosso investimento! As pessoas quando vieram para cá foi com a condição de terem esse salário durante 5 anos e ainda estamos muito longe dos 5 anos!
– Mas nós já recuperamos o investimento e já temos 125 mil € para te pagar.
– Mas recuperaram o investimento como? Mas que investimento?
– Os 225 mil euros que metemos no projecto!
– Não pode ser! Vocês já recuperaram o capital que meteram no projecto?
– Está totalmente recuperado, temos 125 mil euros para te dar e ainda mais 100 mil euros para o nosso lucro. Pensei que já o soubesses! Cada semana, estamos a ter um lucro na ordem dos 10 mil €. Por isso é que te vim dizer que te queremos devolver o dinheiro que tu e o Dessilva meteram no projecto.
O Jonas ficou calado durante longos segundos, a pensar, olhando para o ar, abanando a cabeça, franzindo os olhos.
– O que dizes Jonas? Toma lá o cheque dos 125 mil €. Então, não dizes nada?
– Não, não, não, não, estava aqui a pensar, esta tua informação colheu-me totalmente de surpresa, é que eu nem tinha pensado nisso Como, depois de teres feito muitas contas, tinhas dito que o salário não poderia ser maior, imaginei que irias demorar os 5 anos a recuperar o investimento e que, portanto, por agora estarias sem dinheiro!
– Sim, mas enganei-me nas contas, o investimento já está recuperado e já tivemos o lucro que esperávamos ter. Por isso, comecei a sentir remorsos por estar a ter um lucro tão grande à custa dos nossos irmãos europeus!
– Pois, mas o meu pensamento é diferente, se estes vieram com a obrigação de trabalhar com este salário, assim devem continuar, vocês não os podes aumentar.
– Mas assim vou ficar ricos à custa deles!
– Isso não é para aqui chamado, eles comprometeram-se a determinadas condições e, se tu estás a ter lucro, também poderias estar a ter prejuízo, foi um negócio que fizeram. Além do mais, tu ficas risco mas eles também ficam contentes por terem sido resgatados da miséria. A questão que eu estava agora a pensar é que, sendo assim, já há dinheiro para podermos mandar vir mais uma fornada de pessoas. O Dessilva disse-me que há muitas pessoas na aldeia que querem vir para cá e essa margem de lucro tem que se manter porque é um incentivo para que tu te esforces para que essas pessoas possam vir.
– Mas, Jonas, não podemos mandar vir mais ninguém! Como é que vamos convencer os da imigração? Se foi difícil arranjar autorização de entrada para os 64 que cá estão, agora, não vamos conseguir os vistos de entrada.
– Estás a ver o que eu estava a dizer? Já desanimaste! Agora imagina que, se vocês investirem esses 225 mil € na vinda de mais 64 pessoas, se te esforçares a arranjar o visto de entrada, o teu lucro vai duplicar! Eu quero é que te esforces e que, mesmo que movido pela ganância, mandes vir mais pessoas, os rapazes para ti, as raparigas para o Goldman.
– Oh Jonas, amigo, mas eu não faço ideia de como vou convencer os da imigração!
– Eu, conhecendo-te como conheço, sei que vais encontrar uma solução, se for preciso, suborna-os! Não me interessa, vira-te como puderes que o lucro está à tua espera, do Goldman e do Dacosta. Leva o cheque de volta e trata de mandar vir mais gente.
– Eu não tinha pensado assim! Se achas que eu tenho direito a esse lucro, vou então falar com o Goldman e com o Dacosta, vou ver as obras que há por ai a ver se arranjo trabalho para mais homens! Pelo Dacosta, penso que não haverá problema com os apartamentos mas não sei se o Goldman terá capacidade para meter as mulheres, já está a trabalhar de dia e de noite. Vou então falar com eles.
O Levinstone foi pela rua em direcção à obra a matutar no problema moral de estar a enriquecer à custa dos irmãos europeus. “Vou falar com o António a ver o que ele diz”.
– Boa tarde António, preciso colocar-te uma questão.
– Boa Tarde Sr. Levinstone, espero que não seja nenhum problema cabeludo!
– É um problema mas não desses que estás a pensar. Quando o Jonas e o Dessilva nos pediram para vos mandar as cartas de chamada, propusemos o salário de 3,50€/h para os homens e 2,50€/h para as mulheres porque imaginamos que a vossa capacidade de trabalho seria pouca. Acontece que, agora, achamos que vos estamos a explorar e, por isso, tínhamos pensado em vos aumentar o ordenado!
– Isso não me parece problema nenhum Sr. Levinstone, isso é uma óptima notícia!
– Sim, mas agora vem o problema. Como sabes, o Jonas, juntamente com o Dessilva, foi o promotor da vossa viagem e, por isso, é ele que tem a última palavra. Assim, fui falar com ele e, estranhamente, ele é contra!
– É contra? Mas isso não o afecta em nada! Porque razão é o Sr. Jonas é contra essa ideia?
– Argumentou ele que, havendo muitas mais pessoas na aldeia que querem vir para cá, que vocês foram os escolhidos mas que poderiam ter sido outros, que é vossa obrigação trabalhar a esse salário para que a margem de lucro me incentive a mandar vir mais pessoas da aldeia. O que é que pensas disto?
– Antes de poder responder, preciso saber se, no caso de o Sr. Levinstone nos aumentar, manda depois vir mais alguém.
– Não, nem pensar nisso, já tenho dores de cabeça que cheguem e não vou conseguir arranjar os vistos na imigração!
– E, se mantiver o nosso salário, manda vir mais pessoas?
– Bem, sabes como é a ganância humana! Se mantiver a margem de lucro que o contrato me permite ter, talvez ganhe ânimo, talvez me esforce para que venham mais pessoas. Até já estou a pensar em arranjar um sócio e procurar uma nova obra onde possa meter as pessoas.
– Então Sr. Levintone, não tenho dúvida nenhum. Mantenha os nossos salários como estão no contrato e esforce-se para que os nossos irmãos possam vir porque, lá na aldeia, estão a sofrer muito. Nós temos um contrato consigo de 5 anos e, tanto nós como todos os outros que mandar vir, iremos cumprir esse contrato até ao último dia. O Sr. Levinstone não tenha remorsos disso pois, se está a ganhar dinheiro, para nós e para todos os que vai mandar vir, o ganho é muito superior.
– E achas que, se arranjássemos vistos, quantas pessoas haverá na aldeia a querer vir?
– Meu Deus, mesmo com as condições impostas pelo Sr. Dessilva, nós fomos escolhidos de entre mais de mil candidatos! Se o Sr. Levinstone puder mandar vir mais 64 pessoas, ainda ficam centenas e centenas à espera sem poderem vir. Mas se não conseguir mandar vir 64, que venham os que for possível, nem que seja uma só pessoa já será melhor do que nada!
– O problema vai ser arranjar os vistos, vou falar com o Goldman a ver o que ele pensa.
– E eu queria também pedir uma coisa ao Sr. Levinstone que talvez o deixe aborrecido.
– Diz lá António, estou aqui para ouvir a ver se é possível.
– Gostávamos de mandar vir algumas das nossas crianças. Já cá estamos há mais de um ano, temos dinheiro para o bilhete, emprego, casa e, por isso, penso que já podemos mandar vir alguns dos nossos filhos. Eu também mandava vir o meu filho  mais velho, falei no talho e eles empregam-no. Se o Sr. Levinstone falasse com os seus sócios e achassem bem, mandávamos vir algumas crianças.
– Mas António, isso vai custar dinheiro, a viagem das crianças menores que 12 anos é só meio bilhete mas, depois aqui, vai ser preciso o alojamento e a alimentação!
– Se o Sr. Levinstone autorizar, nós cá nos arranjaremos, a minha nora fica a tomar conta das crianças. 
– Eu não vejo porque não hão-de vir, vou então também tratar disso, para que também possam vir algumas crianças.

Capítulo seguinte (43 - O mistério)

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

A determinação do "erro da sondagem"

OK, hoje o Costa vai-se deitar com azia. 
A sondagem da TVI deu PSD+PP = 37,0% e PS = 32,3%
A sondagem da TV 1 deu PSD+PP = 42,0% e PS = 37,0%
Sendo que outra sondagem disse que o PS estava um poucochinho à frente, os leitores devem-se perguntar se podemos afirmar com base nestas duas sondagens de que, o povo português está maioritariamente  com o PSD+PP.

1) Posso já dizer que a vantagem do PSD+PP sobre o PS é significativa a 95%.

2.1)Que a votação no PS está entre 31,2% e 36,2% com probabilidade de 95%;
2.2) Que a votação no PSD+PP está entre 36,9% e 42,3% com probabilidade de 95%;
2.3) E que a vantagem do PSD+PP sobre o PS está entre 1,5 pp e 10,3 pp com 95% de probabilidade

Vamos agora ver como eu pude dar estas respostas a partir das sondagens de hoje.

Anda cá Costa, que nunca passarás de Presidente de Câmara

A perspectiva Clássica.
Neste quadro conceptual, eu assumo que na população ambos os partidos têm os mesmos votos e calculo, depois, a probabilidade de observar uma amostra teórica com uma diferença maior ou igual que a observada na sondagem. 

H0: A percentagem do PSD+PP é igual à percentagem do PS. 
H1: A percentagem do PSD+PP é diferente da percentagem do PS.

Para responder a esta questão tenho que assumir que ambos os partidos têm na população a mesma percentagem dada pela média das sondagens, ponderado pelo número de respostas.

H0: ambos os partidos têm (37,0%+32,3%+42%+35%) / 4 = 36,575%

Agora, tenho que refazer a amostra
Casos válidos = 1024+1027 = 2051
Abstenção e não respostas = (25% + 7%)*1027 + 22,2%*1024 = 556 => 27,1% dos casos válidos
Respostas no PSD+PP e no PS => (2051 - 556) * 36,575% = 547 => 26,7% dos casos válidos
Respostas nos outros partidos = 2051 - 556 - 2*547 = 401 => 19,5% dos casos válidos
Sucessos no telefonema =(59,5% + 61%)/2 = 60,25%

Agora, vou retirar 10000 amostras.
Para isso, vou usar o programa R

Resultado.
A distância de zero aos percentis 2,5% e 97,5% é de 4,2 pontos percentuais.
Como a média das duas sondagens indicam uma vantagem do PSD+PP de 4,85 pontos
    ((37,0% - 32,3%) + (42% - 37,0%) )/2 = 4,85
A perspectiva clássica apenas permite dizer que
Pode-se rejeitar H0 (a hipótese de que ambos os partidos estão empatados) ao nível de sigificância de 5%.

A perspectiva Bayesiana.
Neste quadro conceptual, eu conheço a amostra e vou, num espaço de populações, ver que população poderia dar origem a amostra que tenho.
Apesar de parecer uma perpectiva estranha, só assim posso determinar os "intervalos" das votações dos partidos e da vantagem.

Agora, tenho que refazer o cálculo
Casos válidos = 1024+1027 = 2051
Abstenção e não respostas = (25% + 7%)*1027 + 22,2%*1024 = 556 => 27,1% dos casos válidos
Respostas no PSD+PP => (37,0%*1024 + 42%*1027)*(1-27,1%) = 591 => 28,9% dos casos válidos
Respostas no PS => (32,3%*1024 + 35%*1027)*(1-27,1%) = 503 => 24,6% dos casos válidos
Respostas nos outros partidos = 2051 - 556 - 2*547 = 401 => 19,6% dos casos válidos
Sucessos no telefonema =(59,5% + 61%)/2 = 60,25%

Resultados.
Posso apresentar resultados mais ricos.
O PS está entre 31,2% e 36,3% com probabilidade de 95%;
O PSD+PP está entre 36,9% e 42,3% com probabilidade de 95%;
A vantagem do PSD+PP sobre o PS está entre 1,5 pp e 10,2 pp com 95% de probabilidade
A probabilidade de o PSD+PP estar acima do PS é de 99,6%;
A probabilidade de o PSD+PP estar acima dos 44% é de 0,1%.

As vantagens do uso de métodos de simulação.
É que não preciso saber qual é a função de distribuição da população nem dos estimadores.

Código de R utilizado
#Para a perspectiva clássica
#Primeiro, os dados da amostra retirados da TVI e da RTP1
resp.validas <-2051; perc.resp <- 0.6025; perc.abst <- 0.271

# Vamos determinar sob a hipotese H0: perc.ps = perc.psd.pp
#Percentagem dos partidos num telefonema válido
prob.ps <- 0.267; prob.psd.pp <- 0.267; prob.outros <- 0.195

# Agora, vou repetir a experiencia muitas vezes (vou fazer 10000)
 ps<-0;  psd <- 0
 for (i in 1:10000)
   {
    # Vou telefonar até obter 2051 respostas válidas
    #1 é PS; 2 é PSD+PP; 3 são outros; 4 é abstençao e 5 é chamada não valida
    # vou extrair muitos telefonemas
    amostra<-sample(1:5,2*resp.validas,prob=c(prob.ps,prob.psd.pp,prob.outros,perc.abst,1-perc.respostas), replace=TRUE)
    # Agora, escolho as primeiras respostas válidas até dar 2051
    amostra <- amostra[amostra!=5][1:resp.validas]
    #Guardo as respostas nos 2 partidos maiores
    ps[i] <- table(amostra)[1]
    psd[i] <- table(amostra)[2]
   }

# finalmente, já posso calcular o desvio entre zero e os percentis 2,5% e 97,5%
(sort(ps-psd)[10000-250]+sort(ps-psd)[10000-250])/2/(resp.validas*(1-perc.abst))

# Para a perspectiva bayesiana
#Primeiro, os dados da amostra retirados da TVI e da RTP1
resp.validas <-2051; perc.resp <- 0.6025; perc.abst <- 0.271

# Vamos determinar sob a hipotese H0: perc.ps = perc.psd.pp
#Percentagem dos partidos num telefonema válido
prob.ps <- 0.246; prob.psd.pp <- 0.289; prob.outros <- 0.195

# Agora, vou repetir a experiencia muitas vezes (vou fazer 10000)
 ps<-0
 psd <- 0
 for (i in 1:10000)
   {
    # Vou telefonar até obter 2051 respostas válidas
    #1 é PS; 2 é PSD+PP; 3 são outros; 4 é abstençao e 5 é chamada não valida
    # vou extrair mais telefonemas
    amostra<-sample(1:5,2*resp.validas,prob=c(prob.ps,prob.psd.pp,prob.outros,perc.abst,1-perc.respostas), replace=TRUE)
    # Agora, escolher as primeiras respostas válidas
    amostra <- amostra[amostra!=5][1:resp.validas]
    #Agora vejo as respostas nos 2 partidos maiores
    ps[i] <- table(amostra)[1]
    psd[i] <- table(amostra)[2]
   }

#Valor mínimo e máximo do PS
sort(ps)[250]/(resp.validas*(1-perc.abst))
sort(ps)[10000-250]/(resp.validas*(1-perc.abst))

#Valor mínimo e máximo do PSD+PP
sort(psd)[250]/(resp.validas*(1-perc.abst))
sort(psd)[10000-250]/(resp.validas*(1-perc.abst))

#Valor mínimo e máximo da diferença PSD+PP - PS
sort(psd-ps)[250]/(resp.validas*(1-perc.abst))
sort(psd-ps)[10000-250]/(resp.validas*(1-perc.abst))

#Probabilidade de o PSD+PP ficar à frente do PS
margem  <- psd-ps
(length(margem[margem>0]+length(margem[margem==0])/2))/10000

#Probabilidade de PSD+PP ter mais de 44%
resultado.psd<-psd/(resp.validas*(1-perc.abst))
length(resultado.psd[resulta.psd>0.44])/10000

Pedro Cosme Vieira

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

O Costa já é passado

Imagino o sofrimento do homem.
Depois daquela entrada de Leão, "soube a pouco", com que brindou a vitoria(zinha) do Tó Zé Seguro nas Europeias, agora, quando todas as sondagens dão a derrota mais do que certa do seu PS, o homem só deve rezar a Deus para que este pesadelo passe o mais depressa possível.

D. Sebastião.
O Costa, o desejado D. Sebastião, quando acorda de manhã, pensa que estar nas vésperas das eleições com as sondagens a darem-no como derrotado só pode ser um pesadelo. A ideia nocturna de que o PS vai perder contra o Passos Coelho + Portas não pode passar de uma alucinação.
É impossível o PS estar a perder contra "o pior governo que existe desde o tempo do Condado Portucalense".
Pensa ele, "não pode ser pois até uma minhoca seria capaz de esmagar esta direita austeritária"

Fig. 1 - Vou exterminar a direita pois, quem ganha por poucochinho é capaz de poucochinho.


Depois, vem a realidade.
Depois de tomar consciência de que o anúncio da derrota é real, pensa logo seguir as pegadas do seu homólogo mítico, do D. Sebastião, que desapareceu na batalha contra os "dois Reis mouros". Sendo que se sente incapaz de ganhar a batalha contra os "dois Primeiros neoliberais" (o Primeiro Passos e o Vice-Primeiro Portas), a sua vontade é desaparecer.
O problema é o espírito de missão, o seu desaparecimento durante a batalha levará ao debacle do esquerdismo, ao colapso total dessas ideias que já nos levaram uma vez, em finais de 2010, à bancarrota.
começando com  "Estou ... disponível para ... liderar essa mudança e garantir um Governo sólido em Portugal" vai acabar derretido num lago de aço líquido com um "Hasta la vista baby" (ao estilo do "Exterminador Implacável").

Fig. 2 - Os meus sinceros agradecimentos ao Camarada Costa.

Vamos ao "Choque na Procura" do programa dos 12 sábios do PS.
Agora que o homem está derrotado, é fácil identificar onde errou.


1) Menosprezou o adversário.
O Pedro Passos Coelho é uma pessoa muito agradável, "perdeu" 10 minutos a falar com uma velhota sobre os cortes na sua pensão, vai às compras ao supermercado (não manda o Perna) e, disseram-me que, nos momentos mais difíceis, era ele que dava banho à Laura.
O Costa vendo tamanha fragilidade, pensou "quando eu entrar vai ser como uma faca quente a cortar manteiga". 
Mas, como a mosca frágil sobreviveu aos fortes Dinausauros, o Costa deveria estar de sobreaviso porque já antes o frágil Passos Coelho tinha ralado as feras que existem no PSD, desde o Rio ao Capucho passando pela Ferreira Leite e pelo Pacheco Pereira, e sem precisar de levantar a voz.
Também o Portas, frágil com as velhotas, trucidou tudo o que havia para trucidar no CDS a ponto do Freitas do Amaral se ter suicidado com a frase "Em Portugal só houve dois estadistas, o Dr. Sá Carneiro e o Eng. Sócrates."

Fig. 3 - Parece frágil mas, vendo como dominou o Portas, só pode ser duro como o aço.


2) O Costa foi aluno cábula.
Esta sábia observação é do meu amigo SP. Os alunos cábulas chegam ao exame e, em face de uma questão difícil, respondem invariavelmente "eu tenho lá em casa uns apontamentos escritos por sábios que têm a resposta para essa questão."
O Costa, também questionado sobre o que iria fazer se fosse Primeiro Ministro dizia sem se cansar que "isso está tudo estudado, está na sebenta dos 12 sábios do PS."
O Costa fez o outsourcing do programa do governo acreditando que iria ganhar as eleições fazendo a figura do avozinho simpático, do Pai Natal que promete "um futuro melhor" sem concretizar como o vai conseguir, de uma cabeça de cartaz que aparece a distribuir sorriso, beijos e abraços.

Fig 4 - "Ai que criança linda" - disse o Costa a pensar que "para arrasar a PàF, um beijinho nesta criança ranhosa é melhor que uma bomba atómica."

3) Não se soube acompanhar.
Vejamos o círculo da Cidade Invicta, do Porto. Até o Quintanilha pode ser uma muito boa pessoa mas na campanha eleitoral são precisas pessoas dinâmicas, que vão ao bairros, às associações dos mancos e pernetas, aos mercados, que andem na rua no porta a porta, no terra a terra, e o Quintanilha não é pessoa para isso. É um homem de 70 anos, já cansado, que passou a sua vida no gabinete e no laboratório, habituado a falar com pessoas que aceitam a razão como o palco da discussão das ideias.
A politica não é nada disso, é a paixão, o clubismo, a ideologia.

Fig. 5 - O Costa nem sequer conseguiu que o Emplastro o quisesse acompanhar.

4) Destruiu a "máquina" do PS.
Houve uma sondagem qualquer do CESOP em que as pessoas associaram o António Costa à palavra "Oportunista".
A ideia de que fez do Seguro uma espécie de carne para canhão para, depois, aparecer nas vésperas das eleições a colher os frutos da travessia do deserto, enraizou-se no povo e nos camaradas do PS.
Quando vai a uma arruada ou comício, altura em que precisava que alguém arranjasse autocarros de povo e pagasse bifanas, camisolas e bonés para chamar o povinho, olha para um lado e para o outro, e não vê ninguém.
A vitória do Costa contra o Seguro é que foi uma "vitória de Pirro": ganhou a batalha (contra o Seguro) mas, ao mesmo tempo, destrui a máquina do PS que precisava para poder chegar ao dia 4 de Outubro com possibilidades de discutir a vitória, mesmo que fosse por poucochinho.

Fig. 6 - O Rio é outro que não arranjou o timing certo.

Vamos ao Défice Público de 2014.
Ok, era de 4,5% e passou a ser de 7,2% do PIB.
Ok, 4,5% já era mau e 7,2% é bastante pior.
Logo, os esquerdistas devem estar todos contentes porque isso deve traduzir que os Passos Coelho+Portas bateram o pé à TROIKA.
Ai não? Os esquerdistas não estão contentes? Mas não eram eles que diziam ser preciso mais tempo e mais dinheiro para ajustar o défice público? Assim, só podem estar contentes.

Agora, temos que chamar o Sócrates para nos salvar!
É que o homem, ajudado pelo grande sábio do PS Teixeira dos Santos, com o PEC IV teria conseguido meter o défice de 2014 em 1% do PIB e sem um euro de austeridade.
O Passos Coelho+Portas, mesmo poupando, só conseguiram 7,2%!

5) Aqui está mais um erro do Costa.
Em vez da sebenta dos 12 sábios, deveria ter feito o plano da sua governação copiando o PEC IV, concerteza, esse plano milagroso levaria o povinho a votar no Costa quase por unanimidade.
Os slogans da campanha seriam reduzidos a
"O povo unido quer o PEC IV desenvolvido".
"O povo cansado quer o PEC IV implementado".
"O povo xoné quer o PEC IV de pé".
Fig. 7 - A urna onde o povo português vai votar o PS e o Costa.

E como vai ser o défice de 2015?
Concerteza que não vai ficar nos 2,7% do PIB e, se ficar nos 3,5% do PIB, já será um bom número, traduzirá uma consolidação de 1 ponto percentual relativamente a 2014. Em ano de eleições não aumentar o défice já irá para o Guiness e com uma vitória eleitoral.
A mira do governo está apontada para os 2,99% do PIB mas não penso ser possível.

E como vai ser o défice de 2016?
Para efeito das contas da TROIKA, em 2016 vai-se consolidar mais um pontinho, vamos apontar para os 2,0% mas ficar nos 2,5%.
Ok, quando o governo vender o Novo Banco vai meter como "receitas extraordinárias" 5020 milhões de euros (os 4900 mais os 120 de juros!). Então, vamos ter em 2016 um saldo positivo em torno dos 0,3% do PIB, nunca antes conseguido na nossa história.
É que, contrariamente ao BPN em que o dinheiro se perdeu, os 4,9 mil milhões do Novo Banco vão ser recuperados a 90% (pois a CGD vai ter no negócio perdas de 500 milhões €).

Vamos às sondagens.
Peguei nas sondagens diárias da Católica e da Intercampos, calculei a vantagem do PSD+PP e fiz a média entre as duas.

Dia     Distância do PàF ao PS Deputados
24-Set    6,0p.p.                             +15,8
23-Set    4,9p.p.                              +12,9
22-Set    4,6p.p.                              +12,1
21-Set    4,5p.p.                             +11,9

Neste momento, o PSD+PP já está 16 deputados acima do PS e a apenas 10 da maioria absoluta.

Estarão o PSD+PP e o PS em empate técnico?
Nem pensar.
Vamos supor como bom o erro de análise das sondagens de 3,1% dado nas fichas técnicas.
Contrariamente à leitura feita pelos comentadores e jornalistas, a ficha técnica diz 3,1% e não 3,1 pontos percentuais.
Assim, o erro da previsão do PSD+PP será de 39%*3,1% = 1,22 pontos percentuais e a do PS será de 33%*3,1% = 1,04%.
Agora, temos que calcular o erro da diferença a partir destes erros individuais
Como a correlação entre as estimativas é ligeiramente negativa, vou fazer zero. NEste caso mais desfavorável, o erro da diferença será dado por:
    (1,22^2+1,04^2)^0,5 = 1,6 p.p.
    (e não pela soma das margens de erro, 1,22 + 1,04 = 2,26 p.p.)
Então, a estatística t da margem entre as candidaturas é de 6 / 1,6 = 3,74 que é muito superior ao limite de 2,1 dos 95% da estatística t.

Acresce que a minha simulação por Método de Bootstrapping tem mostrado que a vantagem do PSD+PP é totalmente significativa.

Tenho que falar um bocadinho do défice externo.
As importações aumentaram e o balança comercial desequilibrou (um pouco) mas esta balança é apenas uma parte das nossas contas com o exterior pois ainda há o turismo (balança de serviços), as transferências dos emigrantes e outras coisas.
Somando tudo, temos a Balança Corrente que continua positiva em cerca de 125 milhões € por mês (média dos últimos 24 meses) o que traduz um superávite de 0,8% do PIB.
Por isso, as contas com o exterior mantêm-se positivas e estáveis.

Fig. 8 - Evolução da balança corrente portuguesa mensal 2010:1 - 2015:7 (dados: Banco de Portugal)

Finalmente, a VW.
Há uns 15 ou 20 anos a Intel lançou um processador que, relativamente à tendência, conseguia fazer mais contas que a concorrência. Mais tarde, veio-se a descobrir que esse processador cometia erros e teve que ser retirado do mercado.
Também o motor a gasóleo da VW poluía menos e consumia menos que os motores da concorrência.
O problema é que não era ao mesmo tempo, quando poluía menos consumia mais e quando consumia menos, poluía mais.
Foi um chico espertismo incompatível com a imagem de rigor dos alemães que vai ficar caro.
Também o meu pegeaut 107 anunciava um consumo de 3,8l/100km e o melhor que consegui foram 4,25l/100km e o motor é da Toyota.

Fig. 9 - A VW sempre nos habituou a ter bons motores

Pedro Cosme Vieira

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

41 - A notícia


Crime e Redenção 
Pedro Cosme Vieira
______________________

Ver o capítulo anterior (40 - A oportunidade)    




41 – A notícia
Na aldeia, apesar de se saber que a viagem estava suspensa “por causa de um problema que o António há-de resolver”, o Dessilva continuava a dar as aulas de inglês como se, a qualquer momento, fosse chegar a ordem de marcha para os 15 casais de jovens que foram seleccionados para a segunda viagem. Todos os dias ao jantar o Dessilva dizia “Amigo Costa, temos que acreditar pois a esperança tem que ser a última a morrer”. No entanto, como o passar dos meses, as pessoas começaram a desconfiar que o “problema” que o Sr. Dessilva tinha referido no dia em que voltou era mais grave do que anunciado e que, o mais certo, seria o António não ser capaz de o resolver. O desânimo minava porque, estando previsto que a segunda viagem seria 6 meses depois da primeira, decorridos já 9 meses ainda não havia qualquer ideia de quando poderiam partir. Além do mais,apesar de o Dessilva dizer continuamente de que “A ordem de marcha vai chegar a qualquer momento”, via-se na sua expressão facial que não ia ser assim.
“Será que falhei na escolha do António? Será que, contrariamente ao que eu avaliei, o António é incapaz de resolver o problema?” pensava o Dessilva.
Mas um dia, ainda o Sol não tinha nascido, alguém bateu energeticamente à porta do Sr. Costa gritando “Sr. Costa, Sr, Costa, tem aqui uma carta da América dirigida ao Sr. Dessilva”. É que o Polícia Vieira, sabendo da preocupação das pessoas, tinha enviado ainda de noite uma pessoa do Vale trazer esta carta à porta da aldeia, a partir da qual, um moço foi a correr levar à casa do Sr. Costa para que o Sr. Dessilva a pudesse ler imediatamente. Foi a Sr.a Celeste que abriu a porta que já estava na cozinha a preparar o pequeno almoço.
– Bom dia moço, o que se passa então?
– Tenho esta carta que chegou hoje mesmo da América e que vem dirigida ao Sr. Dessilva!
– Uma carta! Mas a porta ainda está fechada!
– O Polícia Vieira mandou-a por um paquete!
–Dá-ma então cá e pega 50 cêntimos que eu mesmo a entrego ao Sr. Dessilva.
Mesmo sabendo que o Sr. Dessilva ainda estava a dormir, a Sr. Celeste foi bater-lhe à porta do quarto. “Sr. Dessilva, Sr. Dessilva, acorde se faz favor porque chegou agora mesmo uma carta da América. Devem ser as boas notícias de que estamos todos à espera!”
– Entre, entre Sr.a Celeste, esperemos que sejam boas notícias!
O Dessilva abriu a carta a medo pois poderia ser a dizer que o problema com o Joaquim tinha piorado e que, por mais, mais ninguém poderia partir. A carta era curta e codificada para evitar a intersecção da informação pelas autoridades do Vale:
Amigo Dessilva,
Quando meti os teus 31 peixes no lago, houve alguns que não se adaptaram, batiam contra as paredes e mordiam os outros. Acontece que, uma noite, aqueles a quem chamavas Joaquim, Aires e Órfã saltaram do lago e acabaram por morrer. Agora, como o lago tem capacidade para 64 peixes, vai ser preciso adquirir mais 36. Só é preciso que me mandes a lista dos que queres para que eu os possa adquirir.
Um abraço do teu amigo Jonas
– Graças a Deus que são boas notícias, os jovens vão poder partir e mais do que os previstos, vou ainda ter que ir à lista dos suplentes buscar mais 3 casais! Mas também estão aqui más notícias, o Joaquim, o Aires e a Órfã morreram, não sei em que circunstâncias, mas vai ser preciso alguém avisar as famílias e talvez pedir ao Padre Augusto para que dobre o sino e reze uma missa em respeito pelas suas almas – disse o Dessilva.
– Demos graças a Deus – repetiu a Sr.a celeste - eu trato disso mas antes vou ter que avisar o Sr. Costa!
Quando nessa mesma manhã o sino dobrou a dobrar, toda a gente ficou a saber que morreu alguém pelo que se procuraram informar. Como o Sr. Dessilva nunca falou dos problemas, a notícia que circulou foi que “Houve um acidente na América no qual morreram o Joaquim, o Ariel e a Órfã, paz às suas almas.”
O Sr. Dessilva, depois de confirmar quais as pessoas iriam seguir viagem, escreveu numa carta a lista dos 36 nomes e pediu que alguém, no dia seguinte, a fosse levar à Aldeia do Norte para que no Vale ninguém ficasse a saber que os jovens iriam emigrar.
No dia seguinte bem cedo, dois pastores fizeram-se ao caminho para Norte com o fim de meter a carta ao correio. Também muitas pessoas aproveitaram para enviar notícias para os seus familiares que estavam na América havia 9 meses sem novidades da aldeia. Porque o tempo estava bom, ainda estávamos no princípio do Outono, a viagem correu muito bem. Por 10€, os pastores passaram a noite numa arrecadação da estalagem e ainda comeram uma sopa quente que, com o que levavam, fez um bom jantar. No dia seguinte, antes do pôr do sol já estavam de volta à aldeia.
Nessa noite ao jantar, o Dessilva fez uma proposta ao Sr. Costa.
– Sabe Costa, estou com esperança de esta viagem não vá ser a última e, como já estou a ficar um pouco gasto, vou ter que arranjar alguém mais jovem que acompanhe os jovens na nas próximas viagens principalmente na parte da travessia do monte!
 – O Sr. Dessilva acha mesmo que mais pessoas poderão partir para a América?
– Penso que a pior parte está feita. Estando resolvido o problema do Joaquim, se estes 36 que vão nesta segunda viagem se comportarem bem, conhecendo eu como o Levinstone, o Goldman e o Dacosta gostam de ter lucro, mais pessoas serão chamadas!
– Mas quem são essas pessoas de que o Dessilva nunca antes falou?
– São quem envia as cartas de chamada, financia a viagem e arranja trabalho para os nossos jovens, são pessoas que fazem o bem mas desde que lhes dê lucro.
– E o Dessilva está a pensar em alguém em particular para o acompanhar na viagem?
– Estou a pensar numa pessoa que seria a certa. Essa pessoa está mesmo aqui, é o amigo Costa. Tendo menos 20 anos do que eu, até ter a minha idade ainda vai poder fazer muitas viagens.
– Bem Sr Dessilva, eu até gostava de ajudar mas não sei nada dessa viagem, conheço o caminho do monte, a aldeia do Norte, a cidade mas não conheço mais nada, pouco sei de inglês, acho que não vou ser capaz!
– Eu tenho a certeza que o Costa é capaz, é um homem culto, viajado, negocia em feiras, já lidou com todo o tipo de pessoas e essas falhas que apontou podem ser corrigidas. Primeiro, pode frequentar a escola de inglês e, mesmo nesta primeira viagem sabendo pouco inglês, acompanha-me para ganhar experiência e a confiança das pessoas que já tenho do nosso lado, o estalajadeiro e o chefe da estação. Depois, aos poucos, vai ganhando experiência e vai ver que tudo se tornará fácil.
– Sendo assim, aceito ser o seu aprendiz.
Chegado a Outubro, num dia sem chuva, o Dessilva, o Costa, os jovens, os carregadores com os burros e os pastores com os cães fizeram a travessia do monte. Na aldeia do Norte, o estalajadeiro aceitou, agora sem protestos, que as pessoas as pessoas e os animais passassem a noite no curral do gado, agora por 525€ por haver mais 5 pessoas. Na estação de caminhos de ferro também não houve problemas pois o chefe da estação, sabendo que iria ficar com os mais de 3300€ da diferença entre os 38 bilhetes de 3.ª classe que iria cobrar e o bilhete da carruagem de carga onde as pessoas iriam fazer a viagem, até ficou todo contente, preparou uma carruagem de carga com bastante palha, uma divisão para dar alguma privacidade, fartura de lenha para o fogareiro e reforçou a água mandando meter dois pipos na carruagem. Na fronteira, instruídos pelo chefe da estação, ninguém se aproximou sequer da carruagem e, chegados Amesterdão, tudo correu pelo melhor.

Na América, a integração correu bem e os agora 64 jovens reforçaram a reputação de que eram tementes a Deus, trabalhadores e dígnos de confiança. O António sentia remorços por ter matado aqueles 3 mas, ao olhar para aqueles 36 companheiros, não deixava de pensar que “se aqueles 3 não tivessem morrido, nunca estes poderiam ter vindo para a América.”

Capítulo seguinte (42 - O Lucro)

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