sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O António Costa está-se a ver grego

As sondagens são-lhe adversas.
Parafraseando o António Costa quando lançou o ataque ao Seguro "é dificil fazer pior do que ter o PS apenas 2 ou 3 pontos percentuais à frente do PSD+CDS que são apenas o governo que, nos últimos 50 anos, mais cortou no bolso das pessoas."
O problema é que é essa a realidade de hoje. Actualmente, o PS tem menos intensões de voto do que tinha há 1 anos atrás, no tal tempo do Seguro (ver).
 
Fig 1 - Afinal, avancei cedo demais. Deveria ter deixado o Seguro a grelhar mais uns meses e ter aparecido apenas na semana anterior às eleições. 
 
E há a questão da Grécia.
No dia das eleições, à meia dúzia de dias, os do PS gritavam de alegria, que "agora é que os gregos vão ensinar à Sr.a Merkel como se bate-o-pé à austeridade".
Era este mesmo o modelo a seguir em Portugal.
Se na Grécia a Austeridade acabou no dia 25 de Janeiro, em Portugal iria acabar com o PS no próximo Setembro.
 
Acabou a auteridade,
Vivas aos aumento das pensões, do salário mínimo e dos funcionários públicos, vivas à readmissão de todos os despedidos, às novas contratações, vivas aos Russos e abaixos aos Alemães.
 
Venham agora os Russos.
A Crimeia é muito parecida geograficamente com a Grécia e, até ser conquistada pelos mongois, fazia parte do seu território.
 
Fig. 2 - Na antiguidade a Crimeia era "irmã" da Peloponesa
 
Então, se os Russos salvaram a Crimeia das garras da Ucrânia que se quer unir à austeridade imposta pela Sr.a Merkel, também podem salvar os Gregos dessas garras alemãs.
Chegaram mesmo a sonhar que iriam passar a viver na opulência que se vive em Cuba (será que estou enganado?) quando passassem a ser a Base Avançada Russa no Mediterrânico.
A Sr.a Merkel só disse "Desejo todas as felicidades ao povo grego"
 
"Abaixo os mercado e os credores."
Mas para acabar com a austeridade é preciso pedir dinheiro emprestado.
E não se pode ir pedir dinheiro emprestado dizendo que quem empresta é especulador e abutre.
Pois assim, já estamo a ver, ninguém empresta.
Há apenas 5 meses atrás a Grécia conseguia endividar-se a 3,2%/ano (prazo a 3 anos). Hoje, se for ao mercado, tem que pagar quase 20%/ano.
 
Fig. 2 - Evolução das taxas de juro da dívida pública grega a 3 anos
 
Será que a Austeridade irá mesmo acabar na Grécia?
Muito antes pelo contrário, agora vai ser à bruta, não há, não se gasta.
Obrigado gregos por estarem a mostrar ao povinho português o que é a "outra política," o que é a tal "politica de crescimento e emprego" e onde leva o anúncio do fim da Austeridade.
Força Costa que o povo está contigo.
 
Pedro Cosme Vieira

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

As medidas BCE e do novo governo grego

Primeiro vamos à Grécia: vai ter que sair da Zona Euro. 
O Syrisa ganhou, o que é bom para o Passos Coelho (e muito mau para os esquerdistas) pois aquilo vai ser um fracasso total. Mas, contrariamente ao que se possa pensar, o fracasso não virá de o governo grego anunciar o fim da Austeridade pelo aumento das pensões de reforma, salários dos funcionários públicos e descida de impostos porque isso vai ser impossível de concretizar já que o défice público gerado teria que ser financiado com crédito que não há quem o conceda. 

Vai ser como a Venezuela.
O Maduro anunciou muitas medidas mas, depois, não conseguiu concretizar nenhuma porque não teve onde ir buscar os recursos necessário.

Fig. 1 - Esse do Syrisa aprendeu tudo o que sabe de economia comigo (nada) mas eu visto muito melhor, como me fica bem a gravata.

O problema vem do Salário Mínimo.
Em princípios de 2012, o Salário Mínimo Grego era de 751,39€/mês e, por pressão da Troika, desceu para 580€/mês.
Agora, talvez amanhã ou depois, o Syriza vai repor o SM nos 751,39€/mês.

Vem aí ainda mais desemprego.
É por demais evidente que o aumento dos salários causa desemprego. Vamos supor, por redução ao absurdo, que assim não era. Então, em país nenhum do mundo haveria desemprego porque:
1) todos s trabalhadores querem ver o seu salário aumentado.
2) se o desemprego diminuísse era porque os empresários viam lucro na contratação de novos trabalhadores logo, viam com bons olhos a subida dos salários.
3) O Estado também ficaria contente porque o aumento dos salários faz aumentar o IRS e a TSU.
Estando todos contentes, o salário subiria, nem que fosse para 1000000€/h, até não haver ninguém desempregado.
Não só não haveria desemprego como teríamos todos salários milionários, à escala dos 14 milhões da Liberalidade que o Salgado de um empreiteiro qualquer mas todos os meses.

Com governos ignorantes.
A economia tem muito conhecimento científico consolidado e, quando os governantes acreditam que, fora do conhecimento, são capazes de inventar soluções novas actuam como os santos milagreiros na cura das doenças. 
O paciente que evita os médicos e vai aos santos milagreiros resolve o seu problema morrendo.
O país que é governado por salvadores que repudiam o saber, como o Chaves+Maduro da Venezuela, o país preciso de moeda própria que, com a desvalorização cambiária e a inflação, é capaz de corrigir as más políticas quanto a salários.
Bem sei que todos temos direito a ter uma vida digna mas os salários têm que resultar do que o trabalhador produz e não das suas necessidades.

O que vai acontecer ao mercado de trabalho.
1) Cada vez mais pessoas passarão a trabalhar na economia não registada onde o salário mínimo não será respeitado.
2) As pessoas têm que emigrar.
Isto tudo reduz a receita fiscal.

Figura 2 - A Grécia destruiu 1 milhão de empregos, 22%.

Figura 3 - Portugal destruiu 650 mil empregos, 13%.

No Euro, a liberdade de movimentação de capitais torna-se um problema.
Os agentes económicos sob jurisdição grega têm grande risco de serem espoliados pelo governo (o tal "grande capital" onde se incluem os bancos e os detentores de capitais) que se transmite aos pequenos aforradores. Então, os agentes económicos vão colocar no exterior as suas poupanças.
Nós estamos com taxas de juro (da dívida pública) a 3 anos de 0,80%/ano enquanto que a Grécia está a pagar 12%/ano. Esta diferença de taxas traduz exactamente que os agentes económicos colocam os seus capitais noutros sítios porque não acreditam na solidez da economia grega.
Esta desconfiança acaba com o investimento o que, a médio-prazo, destroi completamente a economia.

Fig. 4 - Ao que fala do "desastre humanitário grego", esta cena deve-se passar lá.

Mas vai ser bom para nós.
Tal como o "comunismo real" da União Soviética fez ver o resto do mundo de que a economia popular era uma miragem, estes comunas com roupagens modernas vão mostrar na Europa de que não passam de bullshit.
Bem sei que o Chaves+Maduro já o tinham provado mas isto é como a Nossa Senhora de Fátima, custa a convencer os ignorantes de que por lá não se fazem milagres.

A "Bazuca" do BCE.
O BCE é obrigado a manter a inflação próxima dos 2,0%/ano. 
Isto é muito fácil de fazer, até eu era capaz.
1) Pega na taxa de inflação pretendida, 2,0%/ano
2) Soma-lhe a taxa de crescimento do PIB na Zona Euro, 1,2%/ano
3) Soma-lhe a diminuição da velocidade de circulação da moeda que traduz o entesouramento, 0,3%/ano
Somando isto tudo, dá 3,5%/ano.
Depois, vê a quantidade de moeda em circulação (em Portugal, cerca de 16 mil milhões €), aplica-lhe esta taxa de 3,5% e dá os 560 milhões € por ano ao Passos Coelho para que ele gaste.

O problema está em olharem ao curto-prazo.
O BCE faz todos os anos esta conta mas, o problema, é saber se a "taxa de inflação de 2,0%/ano" vai ser medida numa janela temporal de 100 anos, de 10 anos, de um ano ou de um mês.
Se for em 100 anos, a regra funciona perfeitamente.
Se for em 10 anos, haverá, no máximo, um desvio de 0,2 pontos percentuais.

Fig. 5 - Inflação na Zona Euro nos últimos 10 anos (dados: BCE)

Se for calculada mês a mês, desde 2008 está dificil de mante-la sobre a meta.

Fig. 6 - A Inflação na Zona Euro tem que crescer para os 2,0%/ano mas não há prazo previsto.

E porque não dar, no curto-prazo, dinheiro ao Passos para gastar?
Porque, quando a inflação, no curto prazo, ficar acima dos 2,0%/ano, o BCE teria que pedir ao Passos para lhe devolver o dinheiro, coisa impossível de realizar.
Então, o mecanismo de curto prazo passa por injectar notas no mercado contra activos que, mais tarde, havendo necessidade, podem ser vendidos para que as notas saiam do mercado.

O que diz o conhecimento científico sobre as políticas monetária.
Não têm qualquer efeito sobre a economia nem no longo-prazo nem no curto.prazo.
Nada, nicles (que é o aportuguesamento de alemão nichts), nothing, rein.
Como já expliquei nuns postes antigos de que já não me lembro, o total de moeda em circulação na Zona Euro é de cerca de 1200 mil milhões € e o BCE mantém a inflação nos 2,0%/ano dando todos os anos aos governos cerca de 40 mil milhões € para eles gastarem. Por isso, a "injecção" mensal de 60 mil milhões € não tem nada a ver com problemas no mercado financeiro mas sim no mercado bancário.

O que se passa no mercado bancário.
Na Zona Euro, o mercado interbancário, aquele onde se determina a EURIBOR, não funciona pois os bancos bons não emprestam dinheiro aos outros bancos preferindo guardar as notas no cofre.
Nenhum banco no seu juízo perfeito empresta dinheiro no mercado interbancário (sem garantias fortes) aos nossos BCE, BPI, Caixa, BES, já quase me esquecia que morreu, Novo Banco, e por ai abaixo. Fica o BCE para intermediar os empréstimos porque exige garantias boas.
Pronto, estes 60 mil milhões não são mais do que, normalmente, aconteceria sem qualquer intervenção do BCE.

Mas porquê tanta fanfarra.
Também se juntaram 6 milhões de pessoas nas Filipinas para ver o Papa Xico.
E, regularmente, juntam-se mais de 100 mil em Fátima.
Aqui é igual, o povinho esquerdista ainda acredita numa teoria dos anos 1950 que está completamente morta, de que a inflação faz diminuir o desemprego e aumentar o crescimento económico.

A minha mente tem andado muito ocupada.
A minha campanha para Director tem-me ocupado e, por isso, tenho-vos desmazelado.
Desculpem que já só falta um mesito.
Mas agora, provavelmente, as coisas ainda vão piorar porque
 1) Nos próximos 45 dias tenho que convencer 5 pessoas (num universo de 47) a votar em mim.
 2) Nos próximos 15 dias tenho que escrever "um programa estratégico para 2015-2019."
Mas as coisas estão a correr tal e qual como antecipei quando, em meados de Setembro, decidi em avançar. Os apoios vão aparecendo, as alianças vão-se cimentando e a coisa vai caminhando para onde eu quero.

Estive em Espinho.
No Agrupamento de Escolas Manuel Laranjeira de Espinho a falar de Desenvolvimento Económico e Desigualdade (nas Praceta Dr. Manuel Laranjeira).
A Joana Cordielos convidou-me e lá fui eu, a professora Francelina foi muito simpática e falou deste meu blog ao alunos, uns 80.
Até corei só de pensar nas "minhas" mulheres.
Mas pronto, cada um é como é e eu já não tenho emenda.

Há muito tempo que não falo da minha futura amante.
Calhou num almoço ficar junto a uma porçao de mulherido onde se incluia uma boa para minha amante. 
Fui logo directo ao assunto: "tú é que podias ser minha amante, és boa, a melhor de entre todas as daqui."
Achei interessante a resposta: "tive que chegar a velha para ouvir tamanho elogio."
O que acham? Se calhar, a coisa vai dar, ainda mais se eu vier a ser o Director.
Como lhe disse (e às demais) "vou ter que mandar meter uma cama no arquivo morto pois há coisas que já não consigo fazer de pé, fazem-me doer as costas."

A vida (Pedro Cosme da) Costa (Vieira)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A zanga Holland-Netanyahu

O crime e a guerra.
As sociedades vivem em dois possíveis estados, a Paz e a Guerra.
Quando estamos no estado de Paz, as pessoas quando fogem à Lei estão a cometer um crime e a sociedade responde com o sistema judicial, com investigação policial, detenções, julgamentos, pensa de multa e privativas da liberdade.
Quando estamos no estado de Guerra Paz, não existe Lei (que não a Convenção de Genebra) pelo que as pessoas apenas cometem actos de guerra. Matar na Guerra não é a mesma coisa que matar na Paz. Mas neste estado a sociedade também responde com actos de guerra, com bombardeamentos e com snipers.

Aqui é que está o desacordo.
Segundo o Netanyahu, primeiro ministro de Israel (e o Obama, presidente americano), estamos perante uma guerra e, por isso, tem que se responder com bombardeamentos e execuções com drones.
Segundo o Holland, primeiro ministro da França (e o Bush, antigo presidente americano), estamos perante uma violação da Lei e, por isso, tem que se responder com investigação policial e com prisões (para o Bush, em Guantãnamo) .

Fig. 1 - O Holland pegou-se com o Netanyahu

O que será que disse o Netanyahu ao Holland para o irritar tanto?
Disse-lhe pura e simplesmente "se a França não actuar, actuamos nós e acabamos com esses terroristas."
O Netanyahu disse ao Holland que, se necessário, vai extender a sua politica de "liquidação selectiva de combatentes" ao território francês. Disse o Netanyahu que se liquidam fulano em Damasco ou Teerão, não se inibe nada de liquidar fulanos em Marselha, Lyon ou Paris. 

E porque será que o Obama faltou à marcha?
Pois eu também tive informação sobre isto.
É que a França, Holland e companhia onde se inclui a nossa Ana Gomes, fizeram uma guerra sem quartel contra os americanos por causa da monitorização "ilegal" que fazem na Europa das chamadas de telemóvel. 
Então, deveria ser de pensar que, sendo contra essa prática, nunca pediriam aos americanos para que lhes fornecessem essa informação.
Mas não é que, mal os atentados ocorreram o Holland pediu aos americanos informação sobre as chamadas telefónicas dos terroristas?
Bem, isso não lembrava ao diabo.
Vamos agora à Regionalização.
Achei interessante o Costa/Rio anunciar que vai voltar a Regionalização.
Isto seria parecido com, estando o Portas no governo, anunciar que estava a trabalhar no fim do aborto e do casamento gay.
Voltar ao PS de Costa + PSD de Rio é voltar ao passado, fazer uma ponte sobre o Socratismo como se nunca tivesse existirdo pois o povo ainda se lembra da bancarrota e anunciar o retorno ao "tempo do Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio." Será voltar a 6 de Abril de 2002, ao dia em que o Guterres nos deixou no "pântano."

Fig. 2 - Consegui acabar com a fome e as guerras no Mundo ou talvez não.

Mas afinal o que é o "fim da austeridade" do Costa?
Estive a ouvir atentamente o comicio que deu na TVI e nada.
Não vai repor os "cortes nas reformas"
Não vai repor os "cortes nos salários"
Não vai repor os "cortes nos tribunais"
Não vai repor os "cortes nos hospitais"
Não vai repor os "cortes nas fundações do Mário Soares"
Não vai reverter os "aumentos no IRS"
Não vai reverter os "aumentos no ISP"
Não vai reverter os "aumentos no IVA"
Não vai descongelar as "carreiras da função pública"
Não vai descongelar as "contratações na função pública"
Não vai reverter as "privatizações"

Alguém se lembra da "Novela da Carta"?
Foi uma carta que o Gasparzinho ou já a Maria Luís mandou para não sei quem e que o PS fez uma grande novela à sua volta. Masi alguma vez os esquerdistas falaram da "Carta" que ia entregar o nosso país ao grande capital e aos credores sanguinários da Troika?

A subida do Salário Mínimo e do desemprego.
O Tiago Mota chamou à atenção para isto, que o Salário Mínimo aumento 4,16% e o desemprego  recomeçou imediatamente a aumentar.
O mais interessante é nesse comício da TVI o António costa vir dizer que "o aumento do desemprego é a prova de que a política de austeridade do governo falhou" e não referiu que, no entretanto, o Salário Mínimo aumentou 4,16%, exactamente o contrário da política de austeridade.
Parece-e que o PS quer destruir a nossa economia para, depois, vir dizer que o Passos falhou. 

Mas afinal como irá ser "o fim da austeridade" e o "novo caminho"?
Já temos um apontamento de como será com o Holland mas, no dia 25 vamos mesmo cver como a coisa funciona pois, sendo que o Sirysa vai ganhar as eleições na Grécia, no dia 26 já vamos ver a coisa a funcionar.
So Help we God.

Fig. 4 - Como grega, também tenho direito a aparecer no blog do Cosme!

Pedro Cosme Vieira







sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A guerra de París e grega

Pronto, agora que mataram os terroristas, está tudo terminado. 
Naturalmente que ninguém acredita nisso.
O que penso é que foi mais uma batalha de uma guerra que não terá mais fim.

Isto é uma guerra étnica milenar.
Primeiro, é a tentativa de acabar com os judeus.
Depois, é a tentativa de islamizar a Europa.
Hoje foram aqueles 3 mas daqui a uns meses serão outros 3. Numa guerra não é o soldado que é culpado do que se está a passar, não é a sua neutralização que termina a guerra, mas sim a neutralização das populações que dão origem àquele soldado e aos soldados que virão no futuro substitui-lo.

Fig. 1 - Haverá alguma lógica em quererem, desde há milhares de anos, acabar com esta cultura?

As pessoas são como o lixo.
Se atiramos pela janela do carro um bocado de lixo, mesmo que cheio de sujidade e de bactérias, começa por se perder na paisagem para depois apodrecer e ser adubo das ervas.
Se cinco ou dez estrangeiros caírem no meio de outra cultura qualquer, dissolvem-se e desaparecem no meio dos locais.

Alguém sabe o que aconteceu aos Arménios do Porto?
Quando em 1453 Constantinópula foi tomada pelos turcos aos gregos, alguns cristão arménios / gregos refugiaram-se no Porto para onde trouxeram a relíquia de S. Pantaleão de Nicodémia que está na Sé. Ficaram a morar encostados à antiga judiaria de Monchico (em Miragaia, atrás do Palácio da Justiça). Hoje, tirando o Santo padroeiro da cidade, não há qualquer vestígio desse grupo étnico, nem sequer um nome de família, nada, foram totalmente absorvido.

E se atirarmos 30 camiões de lixo borda fora?
O vento vai empurrando o lixo um contra o outro formando montes que se perpetuam no tempo. 
Também se caírem milhões de pessoas no meio de outra cultura, formarão um grupo à parte que se vai perpetuar coeso podendo criar atrito com a sociedade dos locais.

Porque será que as pessoas de cada país são tão diferentes?
Nós falamos português mas logo aqui ao lado falam espanhol, mais além falam francês, alemão, inglês, italiano, romeno, húngaro, etc. etc. etc.
A evidência empírica cavada ao longo dos séculos parece querer mostrar que grupos culturais diferentes não podem partilhar o mesmo território.
Claro que podemos dizer que isso é do passado, que hoje estamos muito mais civilizados do que os nossos avós estavam e também que estão noutras geografias como o Médio Oriente ou África mas não nos podemos esquecer que também e mas também tivemos na Europa a Croácia e a Bósnia (violentadas pelos sérvios) e temos agora a Ucrânia (violentada pelos russos) e outras guerras congeladas. De repente, misturas estáveis de grupos étnicos civilizados instabilizam-se e dão origem a guerras étnicas.

Fig. 2 - Ter uma sociedade cosmopolita pode ser bonito mas não é, no longo-prazo, estável.

Porque será instável a paz entre grupos étnicos?
Tem a ver com a nossa mente ter sido moldada pela selecção natural para identificar padrões. Se um bicho  com um peludo, com uma juba e que faz HUARRR matou uma pessoa qualquer, as outras pessoas teriam que passar a tomar cautela de todos os bichos cabeludos com juba.
Depois, a nossa mente também foi moldada para a retaliação. Se o tal animal peludo com juba matou uma pessoas então, iriam matar todos os animais peludos com juba das redondezas.
Ai mas eles não tiveram culpa, foi outro que no entretanto fugiu, coitadinhos, mas pronto, dali já não nasce mais cabelo.

Morrem mais pessoas atropeladas.
Em França morrem num dia mais pessoas atropeladas do que mortas num ano por islâmicos. Mas a nossa mente não consegue formar um padrão do atropelador. A nossa mente vê-o como uma pessoa qualquer, homem, mulher, branco, preto, novo, velho, cristão, ateu, islâmico, sem padrão.
Se não há padrão, não podemos retaliar.
No caso dos grupos étnicos, forma-se um padrão e esse padrão causa medo. Como o medo causa mal-estar, a pessoa acaba por procurar que todas as pessoas do padrão desapareçam de perto.

O que será a integração que tanto se fala?
É a destruição do padrão, é a destruição dos elementos que possam fazer as pessoas parecerem diferentes, é a destruição da cultura (pelo menos em público) das minorias.

Estou muito pessimista.
Vem agora toda a gente dizer que se sentem chocados porque a França é uma grande potência e pode retaliar.
Mas todos os dias 1000 pessoas islâmicas dão às costas europeias.
A prazo, estes incidentes vão aumentar de intensidade, os 500 mil judeus franceses vão sair do país e, daqui a talvez 10 ou 20 anos, teremos a França como temos o Líbano ou Israel, uma estado permanente de guerra civil de baixa intensidade.

E agora um pouquinho sobre a Grécia.
Também foram vítimas de limpeza étnica depois da invasão turca de 1453.
Mas agora é bom para nós portugueses que os esquerdistas ganhem as eleições gregas.
Vamos lá ver como é o tal "outro caminho" que o nosso António Costa diz que, pela sua mão, vai salvar Portugal. Vamos ver o "fim da austeridade", a "política de crescimento e emprego" a "nova economia" mas lá ao longe, sem grandes custos para nós. Depois, ainda temos até Setembro para ver como isso funciona na prática.
Demorou 70 anos a ver que a "Sociedade Perfeita Socialista" era um fracasso mas agora que existe mais informação, 7 meses vão ser suficientes mas vermos que o "outro caminho" é um caminho rumo ao aterro do lixo.

Ainda estou para ver.
Onde os esquerdistas gregos vão buscar dinheiro para descer impostos e aumentar a despesa pública que vai repor o Estado Social quando em meados de Setembro os juros estavam nos 3,3%/ano e já vão nos 14,0%/ano.
Lá vão eles ter que meter o socialismo na gaveta. E os nossos esquerdistas vão carregar na tecla de que a culpa é dos mercados, que é preciso a Grécia pôr os mercados no seu sítio.

Fig. 3 - Evolução da taxa de juro implícita da dívida pública grega a 3 anos

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A sustentabilidade da dívida pública

Começou um novo ano. 
Se compararmos com o início de 2011, as finanças públicas melhoraram substancialmente.
E a economia, comparando com o início de 2013 (que foi o "buraco") também estamos muito melhor.
Essas melhorias traduziram-se em menos desemprego, menos endividamento externo, mais emprego, mais PIB. Também se traduziram por uma descida das taxas de juros da dívida pública para valores nunca antes observados e apenas previsíveis naquela mente que acusavam de se estar sempre a enganar, na mente do Gasparzinho.

Fig. 1 - Em 2015, deixe-me concentrar, o desemprego vai estar nos 12% e a taxa de juro a 10 anos nos 2,5%/ano.

Mais ninguém se enganou?
Eu enganei-me pois previ que chegaríamos a 2015 com taxas de desemprego acima dos 20%.
Eu enganei-me porque previ que nunca mais a taxa de juro descesse abaixo dos 7%/ano.
Eu enganei-me porque previ que o equilíbrio das contas externas iria causa uma contracção no PIB de 30%.
Eu enganei-me porque previ que iríamos sair da Zona Euro.
Nada disto aconteceu.

Ainda bem que me enganei.
Eu costumo dizer aos meus alunos que devemos apostar sempre que o nosso clube do coração perde.
Assim, se perder, ficamos tristes mas, para compensar, ganhamos o prémio. Se ganhar, ficamos contentes mas, para compensar, ficamos com o prejuízo.
No meu caso, fiquei triste por me ter enganado mas, para compensar, acabei de ser aumentado em 40€/mês.

E cadê os outros?
Tantos e tantos esquerdistas batalharam em torno da "espiral recessiva", da "destruição do Estado Social" e da "carta!"
Alguém se lembra ainda da "carta"? Daquela guerra entre o Seguro (e toda a esquerda) com o Passos Coelho por causa de uma carta que foi enviada para não sei onde?
O que será feito dessa carta?
Faz-me lembrar o Terceiro Milagre de Fátima que animou os portugueses durante décadas e, de um dia para o outro, desapareceu.
O que será que dizia a tal "carta" que foi mote da novela política?
Então onde estão essas pessoas que se enganaram a dizer "afinal, o Gasparzinho acertou mais do que nós"?

Vamos agora á Dívida Pública.
Portugal deve 130% do PIB.
A taxa de juro a 5 anos está em 1,36%/ano.
A taxa de inflação prevista é de 1,9%/ano
O crescimento do PIB vou prever que seja 1,5%/ano

Cenário 1 - Não pagamos nem um euro.
Este cenário traduz que, tirando os juros, a despesa pública iguala a receita pública.
Então, não se vai amortizar a dívida pelo que os juros vão passar integralmente para nova dívida. Todos os anos, vamos ao mercado pedir dinheiro emprestado para amortizar a dívida que se vai vencendo mais o dinheiro necessário para pagar os juros.
De facto, isto é totalmente equivalente a não pagar nunca a dívida, nem um cêntimo quanto mais um euro.
Por estranho que pareça, mesmo não pagando nada mas dizendo que vamos pagar tudo, a divida vai diminuindo.
Neste cenário "tapa buracos", em 2050 a nossa dívida pública estará reduzida a metade, a 65 % do PIB e, daqui a 100 anos, já teremos "pago" 90% da actual dívida.

Muito estranho.
Ao dizermos que vamos pagar tudo, mesmo não pagando nada, a dívida vai sendo cada vez menor.
Isso acontece por causa da inflação (de 1,9%/ano) ir degradando o poder de compra do dinheiro (do stock da dívida) e por o crescimento económico (de 1,5%/ano) ir tornando o stock da dívida relativamente mais pequeno.

Cenário 2 - E se pagarmos 1% do PIB?
Neste caso, pagaremos 1700M€ por ano em juros e amortização (crescente à taxa de inflação e do crescimento do PIB).
Já é qualquer coisinha mas não é nada em comparação com os 8 mil milhões € anunciados pelos caloteiros catastrofistas xuxalistas.
Neste cenário de "pagamento ligeiro", em 2050 já teremos amortizado 70% da nossa dívida e, em 2080 já não deveremos nada.
Entregando todos os anos apenas 1% do PIB para pagar juros e amortizações, em 2080 já não deveremos nem um cêntimo. 

Como compara com o orçamento da saúde?
Os caloteiros catastróficos xuxalistas dizem que "é preciso pagar em juros tanto como gastamos em saúde".
Isso é totalmente falso pois, em termos técnicos, comparam coisas não comparáveis pois estão a comparar uma grandeza fixa em termos nominais (os juros) com uma grandeza que cresce proporcionalmente ao PIB.
No OE2015 a saúde fica com 5% do PIB.
Vamos então supor que 5% do PIB vai para a amortização da dívida. Então, daqui a 20 anos já não deveríamos nem um tostão. Os 220 mil milhões € de dívida pública já estariam totalmente amortizados.
E, concerteza, não vamos amortizar a dívida em 20 anos.

O que diz o "tratado orçamental."
Diz que, quando a dívida pública está acima dos 60% do PIB, é preciso reduzi-la em 2% do PIB cada ano.
Então, se em 2015 estamos com 130% do PIB, teremos que atingir 60% do PIB em 2040.
E para isso, precisamos de exactamente +1% de saldo primário
Em 2013-2014 o saldo primário foi de -0,5% do PIB e em 2015 está previsto que seja +0,9% do PIB.
Por isso,  é razoável prever termos no longo prazo uma média de +1% de saldo primário.

Quando nos endividamos.
No tempo do Guterres e do Sócrates nenhum desses caloteiros que se dizem tão preocupado com a Economia portuguesa veio dizer "parem com o défice e com o endividamento que, mais tarde, isso vai-nos asfixiar."
Nada disso, foi "mais défice e mais dívida que precisamos de manter o Estado Social."
O Sócrates dizia mesmo que era sustentável pagarmos uma taxa de juro de 7%/ano.
Onde estavam os caloteiros nessa altura?
Talvez na PT, no BES, na TAP, na CGD ou noutro tacho qualquer a ganhar milhares.

Fig. 2 - Não te preocupes que podes ter tudo isto por 1% do teu orçamento.

E como vão as minhas eleições?
Vai andando.
Até parece a contenda Passo / Costa.
Eu ataquei com um blog onde digo coisas, apresento propostas, faço trinta por uma linha mas a "oposição" mantém-se calada, fazem de morto.
Como disse o Presidente Cavaco, procuro não fazer promessas demagógicas mas, às vezes, a pena foge-me.
Vamos a ver no que dá lá para Março.

Fig. 3 - Cuidado que pode estar só a fazer de morto.

Pedro Cosme Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code