sexta-feira, 23 de março de 2018

O problema dos ciganos

Não é politicamente correcto falar dos ciganos mas vou arriscar. 
Quem sabe se este poste não me vai custar mais um mês de ordenado!
Mas isso pouco me interessa pois quero mesmo falar deste assunto (ia dizer problema mas acho melhor ficar por "assunto") até porque têm sido, nos últimos meses, os meus (e da minha mãe) fornecedores de roupa.
E, como diz a minha mãe, "nunca tivemos tanta roupa".
Além disso, o Presidente Marcelo já falou deste problema (numa visita que fez a um acampamento em Faro).

Porque existem ciganos?
Porque são perseguidos e discriminados (não, não me enganei, na ortografia, como o Feliciano Barreiras fez).
Se todos nós gostássemos muito dos ciganos (digo "nós" como povo europeu e ao longo dos séculos), estes já teriam desaparecidos, diluídos no meio dos povos que foram moldando o nosso genoma e a nossa cultura. Teria acontecido como aconteceu aos escravos africanos, que eram em muito maior percentagem ("Em 1500 já a população de Lisboa era composta por 10% de escravos negros") e que desapareceram sem deixar rasto visível.
Outro exemplo são os judeus que nos países onde eram menos perseguidos se tinham, na maioria, diluído e perdido. Por exemplo, na segunda guerra mundial, os nazis com a colaboração de pessoas de outros países, mataram cerca de 6 milhões de judeus. Esta pessoas foram mesmo mortas mas existe controvérsia quanto a serem judeus pois, muitas delas, já nem se lembravam que tinham ascendentes judeus.
Sim, em Portugal os judeus também "desapareceram".

Os ciganos precisam ser ajudados mas têm uma cultura muito própria.
Os ciganos vivem em grande miséria sendo que o principal problema é a habitação e as utilitidades (água, esgoto e electricidade).
Eu, nas minhas compras de roupa usada, converso com os vendedores e o problema maior que me relatam é a falta de alojamento. Ainda no Sábado passado um chamou-me para uma conversa:
- Oh chefe, você não tem uma barraquita que me possa arrendar?
- Mas o senhor não mora nas barracas da Câmara quem vai para a Marinha?
- Sim, vivo lá mas o vendaval arrancou as folhetas e a Câmara não me quer deixar metê-las outra vez,dizem que nos querem meter dali para fora. E para onde é que a gente vai morar?
(Penso que não é bem verdade, a Câmara não os quer expulsar mas fica a conversa)

Pensei eu!
Mas porque é que estas pessoas não compram um mato e fazem lá umas barracas?
Se o terreno fosse deles, será que algum presidente da câmara iria ter coragem para lhes mandar as barracas abaixo?
Até vinham cá os da ONU, é que nós ainda não vivemos na Síria!
Eu até já identifiquei um mato que está à venda por 21000€ o que, mais despesas, fica nos 22500€.
São 12500m2, numa zona sossegada, perto de uma estrada, que dão à vontade para 30 barracas grandes, estacionamento para as carrinhas e ainda uns cobertos para meter a roupa usada com que fazem a vida.
22500€ para amortizar em 25 anos, dá 100€/mês.

O problema?
Não sei como dizer isto sem ferir suscetibilidades.
Primeiro, se os vizinhos souberem que os ciganos querem comprar o mato, não vão deixar (ninguém os quer por perto). 
Segundo, eu até podia comprar o mato, ser o  "landlord" e cobrar 100€/mês mas o problema é que o cigano procura sempre enganar seja quem for (nunca iria receber a "prestação").
É como o Maradona que, quando marcou o golo com a mão, ficou mais contente do que se tivesse marcado 100 golos com os pés ou o Paulinho Santos que se riu sozinho quando, com uma cotovelada, partiu os dentes ao João Vieira Pinto  (e até eram amigos!).

Os pais querem os filhos longe da outra canalha!
Interessante este facto!
O Presidente Marcelo disse "temos que os integrar" mas, aparentemente, os ciganos não querem viver com os outros. Chegam a um sítio qualquer e até parece que criam problemas para serem expulsos dali.
É que os ciganos são inteligentes e sabem perfeitamente que "integrar" é sinónimo de "destruir", de "aculturar".
Um dia perguntei a uns ciganos se os filhos andavam na escola "Nem pensar, é que eles, depois, ficam com vergonha de serem ciganos, querem ser como os outros. Gente como a outra há muitos e ciganos somos poucos, não estou para sustentar canalha para, no fim, serem gente como a outra, que os sustentem os outros."

O sistema tem que ser "à prova de calote".
Uma ligação de água e esgotos à rede custa, numa família de 6 pessoas, no mínimo 30€/mês! Para ser "à prova de cigano", o sistema de abastecimento de água potável e de esgotos tem que ser "fora da rede" (que não seja preciso pagar)!!
Imaginemos números exagerados de população e consumo.
30 barracas com 6 pessoas por barraca, são 180 pessoas.
110 litros de água por dia por pessoa, são 20 m3 por dia, 0,25l/s.

1) Faz-se uma captação a uns 100 metros do acampamento, mete-se um doseador de cloro à entrada de um depósito de 20 m3 e já temos água potável para toda a gente sem o problema do "corte por falta de pagamento."

2) Faz-se uma fossa séptica de 3 compartimentos com sumidouro (para tratamento dos esgotos domésticos) com 90 m3, 0.5m3/pessoa.

A) Um compartimento onde entra a água residual e que serve para separar os sólidos (que vão ao fundo) dos líquidos (ainda contaminados mas com muito menos carga orgânica).
B) Outro compartimento, serve de armazenamento dos sólidos (lamas) que serão, uma vez por ano, descarregados para adubar os campos. Se cada pessoa produzir 30g de lamas (peso seco) por dia, diluídas a 95%, é preciso armazenar 40 m3 de lamas por ano (chama-se "água choca").
Como um terreno agrícola pode receber até 4kg/m2/ano de lamas (peso seco), é suficiente pedir a alguém com 1000m2 de terreno agrícola longe dali (a custo zero, e ainda vai agradecer) e "virar a leiva" .
Sempre que se retira parte do compartimento B, as lamas do compartimento A deslocam-se pelo tubo de fundo para preencher o vazio deixado.
C) Um sumidouro que infiltra no subsolo as águas residuais já com pouca carga orgânica.

Fig. 1 - Uma fossa céptica de 3 compartimentos: 
A = decantação, B = armazenamento de lamas, C = sumidouro

Desta forma, a água e o saneamento ficam baratíssimos, na ordem dos 0,10€/m3, e é água segura.
20 m3/dia * 30dias * 0,10€/m3 / 30 barracas = 2,00€/mês por barraca.
Mesmo que os consumos sejam maiores, a factura total da água ficará sempre abaixo dos 100€/mês o que torna possível que, mesmo os ciganos, paguem.
O custo da água é principalmente electricidade para as bombas.

Fazer mais umas infraestruturas.
Dividem-se o terreno em talhões, fazem-se os caminhos em macadame, metem-se os tubos de água e de saneamento e metem-se uma lâmpadas para iluminação pública.

E a electricidade?
Aqui é que está o maior problema porque é razoavelmente caro e os ciganos custa-lhes pagar isto (fazem muitos "desencaminhamentos")
O sistema teria que ser tipo "condomínio" tendo dois níveis de medição.
Ao nível um, seria medido o consumo de electricidade de todo o acampamento e calculado o total facturado.
Ao nível dois, seria medido o consumo individual e o total facturado dividido proporcionalmente pelas barracas.
Assim, se alguém "desencaminhar" electricidade, pagam os outros (que passarão a estar atentos).

Depois, é só fazer as barracas.
Casqueiras de madeira (que é a parte de desperdício quando se fazem tábuas, enchimento com desperdícios florestais como isolamento térmico, casqueiras asfaltadas como telhado (é mais barato que folhetas metálicas e muito melhor) e janelas pequenas para melhorar o conforto térmico.
Já está.

Um subsídiositos.
As obras nas infra-estruturas podiam ser feitas pela Câmara, tipo uma ajuda em géneros, que não custa assim tanto. 
A electricidade também podia ter um subsídio de "60% em cartão Continente", 30% pago pela "tarifa social" e 30% pelo Continente.
As casqueiras e demais materiais de construção também se poderiam arranjar quase à borliex.
É só haver boa vontade.

sexta-feira, 16 de março de 2018

O homem que matou a cabeleireira é uma vítima

Bem sei que isto vai causar polémica mas vamos a ela. 
Ontem um homem matou uma mulher e dois cães, à facada.
Hoje esse homem apareceu enforcado num poste de Alta Tensão.
Até aqui, é apenas mais um caso da CMTV.
Mas este caso é muito interessante de analisar porque contém os sentimentos mais forte que alguém pode sentir e é uma história que se repete ao longo da História da humanidade. 
Começa com a confiança (e como a confiança é importante), passa pela traição, dá lugar ao desespero, desenvolve a vingança e acaba na loucura descontrolada.
Há tantos casos de "homens bons" que ficam tresloucados e matam por desespero.

Vamos ao que aconteceu.
Uma criancinha nasceu e puseram-lhe o nome de Adolfo. Os pais eram pobres, também cresceu pobre, passou fome, frio, desmazelo, usou roupa dada, rota, teve que abandonar a escola cedo porque era longe, tinha que ajudar os pais no campo e nunca pode comprar um livro.
Adolfo fez-se homem, sempre na miséria de cavar campo de manhã à noite, casou-se nessa aldeiazinha, foi morar para uma barraca que era curral para o gado e, certo dia, porque se via que era trabalhador, alguém lhe disse "anda comigo para a Suíça que arranjo-te qualquer coisa, não podes continuar enterrado nesta miséria".
Lá foi, deixou a aldeia, a mulher, a filha, foi para um meio totalmente diferente, sem saber uma palavra, que sacrifício, mas esforçou-se por vencer, ganhou dinheiro que mandou para a mulher e poupou para, um dia, viver.

A confiança.
Esse dia, um dia, aconteceu, quando conheceu a cabeleireira, mulher fulgosa.
Então, o plano do Adolfo foi pegar no seu dinheirinho, escapar da mulher e da filha que, com o tempo, se tinham transformado em duas cabras, e começar a viver a vida que sempre imaginou poder um dia ter.
Pegou então no dinheirinho, comprou uma casa e um mercedes que meteu em nome da cabeleireira para que "as cabras não mo possam tirar". 
Saiu de casa dizendo, "Adeus filha, até nunca mais". 
"Para onde vais pai?" -Perguntou a filha.
Disse "Vou  viver!" quando não sabia que os dias da sua vida já estavam contados.

A traição.
Chegou a casa da cabeleireira 
-Meu amor, agora vamos viver! - disse o Adolfo
-Adolfo! Tu estás maluco ou quê! Tu não passa de um chato! Põe-te mas é a andar daqui, vai para a porca da tua mulher!
-Mas tua dizias que me amavas!
-Tu és um tanso, bem dizia a minha mãe que és burro como uma porta.
-Mas..., e a minha casa e o meu mercedes...?
- És mesmo burro! Olha para ti! Achas que tens estaleca para uma mulher como eu?  A casa e o mercedes são meus, estão em meu nome, põe é a andar daqui senão ainda chamo a GNR. Até me metes nojo!

O desespero.
Adolfo sentiu um calor invadir-lhe todo o corpo, a cabeça a inchar e as veias da testa a latejar.
Era a adrenalina a inunda-lo como acontece ao soldado no momento que salta da trincheira para carregar sobre o inimigo e nem sente as balas no corpo.
A visão ficou turva, ficou cego de ódio, a boca secou, a respiração ficou ofegante, começou a suar.

A vingança.
Pegou numa faca que tinha ali à mão de semear, foi-se a ela, "Puta" e espetou-lha vezes sem conta.
Não parava de repetir, "Filha da puta, hás-de arder na puta do Inferno!!!!"
Vêm os cães, ladram, ladram, um deles morde-o numa perna mas o Adolfo nada sentiu, enfia-lhe a faca entre as costelas - "Filho da puta, não comes mais da minha ração".
Vem o outro e acontece-lhe o mesmo.
-Filhos da puta, ide fazer companhia a esta cabra que deu cabo da minha vida.

A loucura.
A mente do Adolfo não voltou mais ao seu estado natural.
A carga emocional desestrutura toda a mente, a sede de vingança aumenta a cada segundo, se pudesse, se tivesse um bomba atómica, acabava com a humanidade. O eu dissocia-se do seu corpo passando-se a ver como um elemento estranho à realidade, como se estivesse a ver um filme, alucinações infernais inundaram a sua visão, ouve gritos vindos de toda a parte, gritos vindos do inferno. Pegou no carro e começou a gritar, gritou, gritou, gritou e gritou de desespero. Parou num sítio qualquer, voltou a gritar, gritar e gritar e terminou com a sua vida como se, com isso, fosse começar a tal vida que sempre quis viver.

Há os que recuperam.
Há homens que conseguem recuperar o seu estado normal e que, depois, não conseguem expicar o que aconteceu.
Há heróis que, depois, não querem ouvir falar do que fizeram nem sequer ver quem quer que seja lhes recorde o que se passou.
É a PPST, a perturbação pós-stress traumático.

Porque é que o homem foi uma vítima.
Claro que foi vítima da cabeleireira que mais não era do que uma burlista.
Mas, verdadeiramente, o Adolfo foi vítima da natureza humana, das estratégias que a nossa mente desenvolveu ao longo dos milénios para que conseguíssemos sobreviver enquanto espécie animal perdido num meio ambiente muito agressivo.
Sim, gosto de me colocar milénios atrás, como os nossos antepassados, no meio da savana africana, cercado por leões e hienas, vítima de secas terríveis, de ataques de outros humanos e imaginar como o comportamento de hoje vem desses tempos.
E vem, esta reacção automática e animalesca que transforma "um bom homem" (sim, toda a gente diz destes assassinos tresloucados "era um bom homem") num assassino impiedoso foi o que permitiu, no passado, actos de grande valentia e heroísmo, de David enfrentar Golias, de "um punhado de heróis" enfrentar e vencer os castelhanos que eram muito mais numerosos, de esquecer a dor e a incapacidade e sacrificar a própria vida para "corrigir uma injustiça".

Será que podemos confiar?
Cada vez mais penso que não.
Ao menor sinal de alarme, o melhor é passar ao estado de segurança.
Hoje, tinha muito mais que dizer, mas vou-me ficar por aqui.

Dizia o meu pai: há coisas mais perigosas do que metermo-nos debaixo de um comboio.



terça-feira, 13 de março de 2018

O fim da Terra e a colónia de Musk em Marte

O Musk parece um pastor evangélico apocalíptico. 
Faz um discurso catastrófico sobre o futuro da Terra (aquecimento global dramático por causa dos combustíveis fósseis) para logo apresentar soluções (carros eléctricos e uma colónia em Marte ou noutro planeta qualquer).
O que eu quero falar hoje é sobre essa colónia fora da Terra.

O aquecimento global da Terra. 
Vamos imaginar que acontece muito pior que as piores previsões.
As piores previsões indicam um aumento na ordem dos 4.ºC  que 2100 mas vamos imaginar que a temperatura global média aumenta 10.ºC dos actuais 14.ºC para 24.ºC.
Como as correntes de vento e a água não deixam a temperatura subir acima dos 50.ºC, acontecerá um incremento proporcionalmente maior nas zonas frias o que levará ao descongelar completo da Antárctica e dos territórios árcticos com a subida das águas dos mares talvez uns 100m.
As elevadas temperaturas evaporarão muito mais água dos mares, ventos mais fortes, tempestades violentíssimas com pluviosidades nunca antes vistas.

A guerra nuclear.
Vamos ainda imaginar que, motivado por uma tonteira qualquer, há uma guerra nuclear global em que são disparadas todas as bombas atómicas e todos os reactores nucleares fundem libertando quantidades astronómicas de radiação.

Mais tragédias.
Incêndios descontrolados, terramotos, cheias, vulcões e tsunamis nunca antes vistos atacam a Terra e ainda somos atingidos por um meteorito com 10km de diâmetro que, além da destruição causada pelo choque, traz o Anti-Cristo no seu interior.

E a bio-diversidade?
Vamos ainda imaginar que morrem na Terra 99,99% dos humanos (ficam "apenas 730000") e ainda 99,99% de todos os outros animais, plantas, fungos, bactérias, vírus e pardais.

Depois disto tudo!
O planeta Terra ainda terá muito melhores condições de habitabilidades do que Marte!
Ainda assim haverá muitos mais seres humanos na Terra do que alguma vez será possível haver em Marte.
Ainda assim, haverá muito maior diversidade genética e espécies de ser vivos que alguma vez poderá existir em Marte.

As características de Marte.
Como a pressão atmosférica em Marte é, no seu ponto máximo, apenas 1% da pressão verificada na Terra, a água lá ferve a 10.ºC. Então, se uma pessoa caísse lá desprotegida, os seus 37.ºC de temperatura corporal fariam com que explodisse.
Então, seria preciso criar uma estrutura pressurizada onde se introduziria ar comprimido que é constiruido a 95% por CO2.
Em termos de temperatura, em Marte observam-se valores entre -150.ºC (nos pólos, no inverno) e 25.ºC (no equador, durante os dias solarengos) com variações diárias na ordem dos 100.ºC.
Com céu limpo, uma célula solar funciona razoavelmente porque a intensidade da luz solar que chega à superfície não é muito menor que a que chega à da Terra (chega à atmosfera do Marte apenas 44% da intensidade que chega à atmosfera da Terra mas a nossa atmosfera absorve muito maior percentagem). O problema são as tempestades de pó que podem durar mais de um mês e bloqueiam a chegada de luz solar à superfície.
Porque a atmosfera marciana é ténue, a radiação emitida pelo Sol atinge a superfície com grande intensidade.

Porque não construir essa colónia em sítios terrestres extremos?
O meio do deserto mais seco, mais quente e mais desolado da Terra, é mais habitável que Marte porque, pelo menos, tem atmosfera com oxigénio.
Faça-se uma colónia autónoma no Vale da Morte (onde a temperatura chega a ultrapassar os 55.ºC) para testar a capacidade de garantir a sobrevivência de uma população humano no caso de o clima da Terra se alterar dramaticamente e deixem-se das toleiras das colónias nos outros planetas .

Aqui, do meio do deserto, estamos bem e até já tivemos tempo para construiu este monumento.

sexta-feira, 9 de março de 2018

A guerra do aço. Estará o Trump maluco?

Olhe que não, olhe que não. 
Nos últimos dias a administração americana, i.e., o Trump, meteu uma taxa de 25% nas importações de aço e 10% nas de alumínio.
Não vou entrar em pormenores sobre os produtos que estas taxas vão ser aplicadas (porque não sei se incide apenas sobre "chapas, perfis e varas" ou se também vai incidir sobre os metais incorporados nos produtos acabados como os automóveis).
Mesmo que a taxa se aplique aos automóveis, não terá muito impacto, serão menos de 100€ por veículo, menos de 1% do preço total.
Mas o que eu quero discutir é se estas taxas fazem algum sentido ou se o Trump não passa de um louco, populista e perigoso como é pintado pelos esquerdistas.

You are f**ing America and that makes me furious.

O Brexit é a primeira pista.
O Reino Unido vai sair da União Europeia e quer manter o regime de livre comércio com a UE.
Como dizem as meninas testemunhas de Jeová, é 1-0 contra o Trump pois, "se o RU quer manter o comércio livre é porque é bom".
Mas a União Europeia restante diz que não vai permitir, que vai cobrar taxas alfandegárias.
Mau! Quer então dizer que a UE acha mau ter livre comércio com o RU, 1-1 para o Trump.
Por um lado, a UE diz que o Trump é louco por cobrar taxas alfandegárias sobre o Aço e o Alumínio importado mas, por outro lado, quer cobrar taxas alfandegárias sobre tudo o que importar do RU!

A ameaça de retaliação é a segunda pista.
Se a UE vem dizer que vai retaliar criando taxas alfandegárias nos produtos americanos importados, sendo verdade a afirmação de que as taxas alfandegárias são más para todos, a UE vai infligir a si própria um tiro no pé.
Diria que, por agora, ficou 1-2 a favor do Trump.

Porque estão a demorar tanto as encomendas vindas da China?
Comprei umas memorias na China para o meu computador.
No OLX um fulano pediu-me 30€ por umas usadas. Na China comprei, novas, por 4,60€.
Isto foi em Novembro e estando previsto chegarem nos fins de Janeiro, só chegaram esta semana.
Dizem os blogs que é uma tentativa do UE para diminuir as compras directas na china pois não pagam taxas alfandegárias nem IVA.
Mas, então, as taxas alfandegárias são boas?
Diria que, acabou 1-3 a favor do Trump.

O livre comércio é bom mas é preciso repartir os ganhos de forma justa.
O comércio é bom para a humanidade por duas razões.

1) Escala mínima e economias de escala.
Os processos de produção têm uma escala mínima eficiente e, depois, há uma escala em que a eficiência é máxima (até onde se exploram as economias de escala).
Quando a eficiência é máxima, o custo médio de produzir cada unidade é mínimo.
Por exemplo, não é eficiente fazer uma fábrica de automóveis para produzir 10 automóveis por ano!
Sendo que, por exemplo, a escala de custo médio mínimo é produzir 1 milhão de automóveis por ano e existem 100 marcas de automóveis, um país mesmo que grande como a Alemanha (vendem-se cerca de 5 milhões de carros novos por ano) não pode produzir todos os automóveis de todas as marcas que os alemães querem comprar. Assim, vai produzir milhões de umas marcas (Mercedes, Audi, VW, ...) e comprar milhões de outras marcas (Toyota, ...).

2) Vantagens comparativas.
Há regiões que, por causa de características locais, são mais eficientes a produzir uns bens que outros bens. Então, à escala global ficaremos todos melhor se cada região se especializar a produzir os bens em que tem vantagens comparativamente às outras regiões.
Se, por exemplo, Portugal tem mais sol e calor que os países do Norte da Europa, especializa-se em turismo e esses países especializam-se noutras coisas.

Vamos a um exemplo.
Existem 3 bens  e 3 países (ou regiões). 
As diferenças locais fazem com que as capacidades de produção de cada trabalhador sejam diferentes em cada país. Os trabalhadores até podem ser iguais mas, localmente, a sua capacidade de produção é diferente (por exemplo, se vivem à beira mar podem ser mais eficientes a servir esplanadas e, se vivem no monte, a pastorear ovelhas).
Imaginemos que as produtividades são as seguintes (em unidades por pessoa):

Bem 1 Bem 2 Bem 3
País 1 15 5 5
País 2 10 10 15
País 3 5 15 10

Imaginemos ainda que os consumidores querem adquirir a mesma quantidade de cada bem e que, em cada região, existem 1000 trabalhadores/consumidores.

Se não houver comércio. 
Cada região vai aplicar
  545 trabalhadores na actividade onde é menos eficiente,
  273 onde é medianamente eficiente e
  182 onde é mais eficiente,
Parece totalmente contra a lógica mas são as actividades menos produtivas que vão ocupar a maior parte dos trabalhadores.
Cada pessoa vai receber um salário que lhe permitirá adquirir 2,75 unidades de cada um dos bens.

Se houver comércio.
Cada região vai aplicar os 1000 trabalhadores na actividade em que é mais eficiente, consumindo-se localmente 1/3 dos bens produzidos e exportando-se 2/3 para as outras regiões de onde se importam os outros bens.
Agora, cada trabalhador vai ter um rendimento que lhe permite consumir 5,00 unidades de cada um dos bens.
Cada país passará a produzir 15000 unidades de apenas um bem consumindo 5000 e exportando 10000. Também vai importar 5000 unidades de cada um dos outros bens (que não produz).

Entra aqui a flexibilidade a que o esquerdistas chamam "neo-liberalismo".
Sem comércio, 82% dos trabalhadores está em actividades onde é pouco produtivo que são denominadas  pelos esquerdistas como "sectores tradicionais".
Para aumentar a produtividade é preciso abandonar esses sectores o que, no curto prazo, é conseguido com falências, desemprego e pobreza das pessoas que vivem deles.
Mas, se esse processo de flexibilização não existir, a economia não pode progredir para o novo equilíbrio.
Vemos como os esquerdistas são contra a "destruição da agricultura, das pescas e do pequeno empresário, do despejo dos velhinhos dos centros históricos" mas essa destruição é a única forma de melhorarmos, globalmente, a nossa produtividade.

Não é a inovação que faz a economia crescer!
O Costa é um ignorante e, por isso, está continuamente a afirmar que "precisamos de inovação para crescer" quando o que precisamos é de re-estruturação da economia.
Precisamos que os sectores em que as pessoas são menos produtivas diminuam em favor dos sectores em que as pessoas são mais produtivas.
Por exemplo, a Cristas fez a "lei dos desejos dos velhotes das zonas históricas".
Tínhamos prédios inteiros nos centros do Porto e de Lisboa que não produziam qualquer riqueza, foram despejados para a periferia e substituídos por actividades relacionadas com o turismo que induziram grande desenvolvimento nos centros das cidades.
E Portugal tem crescido apenas à conta disto.
Os esquerdistas eram totalmente contra a flexibilidade do mercado dos arrendamentos mas, agora, chamam para si o mérito do crescimento do turismo e da renovação dos centros históricos.

Vamos às tarifas do Trump.
Não há qualquer dúvida que o comércio induz ganhos de produtividade e de bem estar.
O que seria de cada um de nós se tivesse que produzir todos os bens e serviços que consome!
Mas o problema está na divisão do ganho.
Se no exemplo eu fui boa pessoa e dividi o ganho igualmente pelos 3 países, normalmente, no mundo real, um país consegue sempre apropriar-se de uma fatia maior do ganho (e por isso é que existem negociações).
Podem todos melhorar mas uns melhorar mais do que outros, por exemplo:
  País 1, cada consumidor passa de 2,75 para 3,00
  País 2, cada consumidor passa de 2,75 para 5,00
  País 3, cada consumidor passa de 2,75 para 7,00

O que diz o Trump.
"Com a guerra comercial todos vamos perder mas uns, os que estão a dizer que vai ser o fim do Mundo, vão perder mais do que nós".
E, realmente, se os USA forem a País 1, o Canadá e o México o País 2 e o resto do mundo (onde se inclui a UE) o País 3, quem vai perder mais é o resto do mundo.

O que poderão fazer os países visados?
As taxas distorcem o mercado e reduzem o comércio o que, globalmente é mau.
Mas alguma coisa tem que ser feita e a solução é o que a UE quer impor ao Reino Unido: o país que tem ganhos desequilibrados tem que pagar contrapartidas ao país menos beneficiado.
Sendo que na actual situação o Trump quer reduzir o défice comercial, essas contrapartidas não precisam ser transferências financeiras como se faz na UE (ajudas ao desenvolvimento) mas podem ser sobre a Balança Comercial:
  1) Auto imposição de um limite às exportações (como já aconteceu no passado por parte do Japão)
  2) Criação de incentivos à importação de bens produzidos na América do Norte.

Concluindo.
Em termos económicos, faz todo o sentido que os Americanos se sintam prejudicados pelos países em industrialização acelerada e estes países têm que se sentar à mesa das negociações e encontrar formas de dividir os ganhos do comércio com os USA.
como, naturalmente, os países beneficiados não querem abrir mão do que têm conseguido, a única forma é impondo tarifas aos produtos importados.

Como gostas de mim e eu vivo triste, com saudades da minha mãezinha, vais ter que me compensar.

quarta-feira, 7 de março de 2018

A oposição e a governabilidade

O Costa está muito contente por o PSD ter perdido o pio. 
Já alguém se perguntou para que é que o Rio se candidatou a presidente do "maior partido da aposição" se não quer fazer oposição?
Não teria sido melhor ter-se candidatado a qualquer coisa num dos partidos da geringonça?
Porque não no partido dos animais?

Imaginem o FC Porto sem rivais.
Imaginem que o Pinto da Costa (e os demais dirigentes) só diziam bem uns dos outros e reuniam-se para "procurar consensos alargados".
Imaginem ainda que o Vincent Aboubakar, antes de rematar à baliza, olhava para o guarda redes e apontava-lhe com o dedo o lado para o qual ia rematar "não fosse o desgraçado atirar-se para o lado errado".
Imaginem ainda que o Yacine Brahimi caia na área por um encosto do Fábio Coentrão, o árbitro reunia com os dois mais algumas testemunhas e chegavam todos a um consenso. 
Naturalmente que o futebol espectáculo acabava.
Continuaria o futebol "solteiros contra casados" mas aquele que move multidões, nunca mais.
Tem que ser uma "guerra total" porque as pessoas mesmo que pacíficas no seu dia a dia, têm no seu interior o gene da guerra, querem que "os nossos" dêem "cabo do canastro aos lampiões e aos lagartos".

Vamos imaginar que aquilo do Benfica se passava no Porto.
Se a CMTV fosse entrevistar alguém, ouviria uns dizer "Não nos comem mais por lorpas, carago! estes 4 campeonatos já ninguém no los tira, o tempo do Capote e do Salazar já acabou" e outros "Prefiro ouvir dizer que um assessor qualquer apanhou perpétua do que ouvir dizer que perdemos o campeonato por sermos anjinhos, quanto mais 4 de uma assentada". Finalmente, começaria logo a circular um peditório para se fazer uma estátua ao mártires detidos.

A oposição é muito importante.
Porque as outras pessoas têm uma visão diferente da nossa.
Bem sei que não é agradável estarmos sempre a ouvir "isso está mal" mas, se queremos melhorar, temos que ouvir, pensar naquilo que os outros dizem e ver até que ponto os opositores têm razão.
Só sociedades em que a oposição é forte é que há progresso.
Pelo contrário, nas sociedades onde quem tem opiniões contrárias é perseguido, ridicularizado e perseguido,  só existe infelicidade, atraso e falta de liberdade.

Logo, os opositores têm que se esforçar.
Mesmo que concordem com tudo, têm a obrigação de fazer o "papel do advogado do Diabo". Procurar mesmo pormenores para criarem uma oposição.
Não foi em "5 ou 6 pormenores" que o FC Porto apanhou 0-5 do Liverpool?
Eu, antigamente, dizia aos meus alunos "por favor, esforcem-se em me colocar questões difíceis, daquelas em que eu vou ter que dizer 'Desculpa, eu não vou poder responder agora para não interromper a fluência da aula mas depois, voltarei a isso'" que é a tradução para professorês de "entalaste-me".
Estas questões são importantes não só para o aluno que as faz (porque tem que realizar um constante exercício de crítica ao que eu vou dizendo) como para os colegas que, no momento da pergunta, vão tentar construir a resposta. Naturalmente que para mim pode ser um aborrecimento mas também é positivo porque aumenta a minha motivação para preparar a aula "tenho que ver isto e aquilo não vá entalarem-me". 

Portugal tem um grave problema de desenvolvimento. 
A oposição deveria pegar nisto e debater o porquê do nosso atraso.
Em 2006, na sua campanha para as presidenciais, o Cavaco Silva perguntou "porque será que a Espanha tem um PIB maior que o nosso e cresce mais do que nós?"
Se compararmos a produtividade (o PIB per capita considerando as pessoas com idade entre os 15 e os 64 anos), a nossa 55% da conseguida nas 5 maiores economias europeias (Alemanha, RU, França, Itália e Espanha). Isto traduz que, em média, cada português produz 55€ quando um cidadão desses 5 países produz 100€.
Mas o problema não é esse, é que em 1970, a relação era de 50% o que mostra que nos últimos 50 anos só progredimos 0,1 ponto por ano.
E ainda pior, nos últimos 25 anos temos estado a piorar. Em 1990 atingimos um máximo de 59% edesde então, paulatinamente, temos estado a cair.

Fig. 1 - Convergência da produtividade de Portugal para as 5 maiores economias da UE 
(PIB per capita de pessoas com idades 15-64, dados do WB, cálculos e grafismo do autor)

Em Portugal está-se a criar uma ditadura do vácuo.
O governo é um vácuo de ideias e a oposição outro vácuo de ideias.
"O que faz falta é a inovação e o investimento"
"O que faz falta é o povinho desmatar a floresta" 
"O que faz falta é animar a malta"
Mas já são 50 anos e nada de resultados.
Como dizia o Jesus, "Nada, batata".

Como se pode ser alternativa sem ser oposição?
No meu emprego há quem pense o mesmo.
O mandato do director está a acabar e vai haver eleições daqui a pouco.
Como pode alguém apresentar-se como alternativa se, nestes últimos 4 anos, a única oposição (mesmo que pequenina, reduzida a alguns emails e 30 dias de suspensão sem salário) fui eu?
Claro que não pode.

O Passos Coelho tentou dar uma pedrada no charco.
Acabou eleito como "a encarnação do Diabo".



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