quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A redução do desemprego não existe

Os meios de comunicação social não param de anunciar que, nos últimos dois meses, houve uma redução do desemprego. Mas isto não corresponde à verdade. De facto, houve um aumento de 20 mil o que traduz o acelerar da velocidade de perda de emprego.Vejamos porquê.

A estatística.
A quantificação da taxa de desemprego é complexo porque lida com a vontade das pessoas (se, ao salário de mercado,  pretendem trabalhar mais).
Por exemplo, uma pessoa que trabalha 30h/semana e está à procura de um part-time para trabalhar mais 15h/semana, está 33% desempregada. Outra pessoa que não trabalha porque não quer trabalhar, não está desempregada.
Assim, ninguém sabe em concreto qual a taxa de desemprego.
A Estatística é uma ciência que permite medir fenómenos complexos. Mas os números obtidos pela estatística não são exactos mas apenas tendências.
Por exemplo, dizer que as pessoas que fumam têm uma probabilidade em 50% superior à média de morrer de cancro do pulmão não quer dizer que eu, se fumasse, ia morrer de cancro do pulmão. É apenas um tendência.

O Desemprego.
As variáveis económicas oscilam ao longo do ano, é a sazonalidade. Por exemplo, no verão vendem-se mais gelados que no inverno. No caso do desemprego, acontece o mesmo: no segundo trimestre do ano há menos desemprego que na média:
1.º trimestre   2.º trimestre    3.º trimestre   4.º trimestre
      101%            96%               100%            104%
Como nestes meses muita gente quer gozar férias, por um lado, menos pessoas procuram trabalho e, por outro lado, há necessidade de contratar bastantes pessoas para as actividades de verão.
Entre o 4.º trimestre e o 1.º trimestre, o desemprego diminui 2.3% e entre o 1.º trimestre e o 2.º trimestre, o desemprego diminui mais 5.6% motivado apenas pela a sazonalidade. Sempre que a diminuição é menor que estes valores médios, o desemprego aumentou.
Mas esta diminuição não traduz nenhuma redução do problema do desemprego.

O desemprego aumentou em 20 mil
Se a taxa de desemprego no primeiro trimestre foi de 12.4%, para haver diminuição teria que no segundo trimestre ficar abaixo dos 11.7%. No entanto, ficou-se pelos 12.1% pelo que houve um agravamento de 0.4pp.
O desemprego reduziu para 605 mil pessoa e deveria ter reduzido para 585 mil pessoas. Em termos de tendência, no espaço de um trimestre, o desemprego aumentou em 20 mil pessoas.
Este número traduz uma aceleração do desemprego. Nos últimos 10 anos, em média, o número de desempregados aumento 10 mil por trimestre e neste último, a tendência foi de aumento em 20 mil.
A coisa está a ficar cada vez mais preta.

O governo
Não disse nada o que já é uma diferença para com o Sócrates que todos os anos nos massacrava com a redução dos primeiros 6 meses do ano para se calar com os aumentos dos últimos 6 meses.
Mas esse dava para ir governar a Madeira. Os dois lá, eram como unha e carne.
Vamos então aguardar. Que remédio.

A Madeira.
É a Troika, é a maçonaria, é o socialismo, é a falta de vergonha.
É a prova provada que vamos a caminho ao abismo.
Mais vale chamarmos o Kadaffi, que está no desemprego, para nos governar.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 30 de agosto de 2011

É preciso dar uma passo atrás

A Europa vive em crise e, contrariamente ao defendido por alguns, é preciso dar um passo atrás.
Neste post vou justificar o porquê de a estabilização da União Europeia obrigar a alterar a estrutura da Zona Euro: os PIIGS têm que sair.


Guerra e paz.
A tendência dos povos é oscilar entre a guerra e a paz.
No período de paz a economia desenvolve-se e os povos melhoram o seu nível de vida.
No período de guerra a economia regride e os povos pioram o seu nível de vida.
Como a guerra prejudica o agredido e o agressor, é irracional que os povos não levem uma perene convivência pacífica.
Onde estará a racionalidade da guerra?
Todos os dias há noticias de novas guerras pelo que tem que haver uma racionalidade nisso.
Em 1928 um economista, Cournot, começou a desvendar este mistério ao criar o conceito de comportamento estratégico.

Teoria do Monopólio Bilateral.
Vamos supor que existe o indivíduo A que tem 100€ que tem que dividir com o individuo B. Se B não ficar contente com a divisão recusa-a ficando ambos sem nada.
A lógica indica que se o A oferecer 5€, o B aceita porque é melhor que ficar sem nada.
Mas o B tem o poder de chantagiar o A ameaçando que ele vai perder tudo.
O B tem que criar a reputação de que é invejoso.

Será bluff?
Um assaltante entra num banco e diz "abra o cofre ou eu mato-o".
Se o bancário se recusar a abrir o cofre para que é que o assaltante o vai matar?
Depois de morto, de certeza que não abre o cofre.
É uma questão de reputação.

66/33
A evidência empírica indica que a maioria dos indivíduos não aceita uma divisão inferior a 33%.
Quando existe na sociedade um grupo social com um rendimento inferior a 50% da mediana dos rendimentos (o tal limiar de pobreza relativa), esse grupo torna-se violento, deixando de respeitar as normas sociais vigentes.
É esta a razão para a violência observada nos subúrbios das cidades europeias. Já que os mais ricos não nos dão parte significativa do seu rendimento, vamos destruir tudo, inclusive, o pouco que temos.
Uma sociedade não se torna instável por ser heterogénea. Antes, os indivíduos desfavorecidos têm que formar um grupo, por exemplo, os ciganos, os africanos, os judeus, os brancos, os russos, os Alcaidistas.

A moralidade imoral
Os desfavorecidos entranham-se de uma nova moralidade.
     Ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão.
     Roubar para comer não é pecado.
     Deus criou o melro com a missão de roubar para dar de comer aos filhinhos.
     Roubar aos ricos para dar aos pobres é heróico.
     Pecado é roubar e não poder carregar.
     Deus quando criou o Sol foi para todos.
     Desenrascar é próprio do português.

Como se resolve este problema?
Dentro de um país a sociedade tem que ser homogénea.
Então, no fim da I Guerra Mundial a Sociedade das Nações procurou acabar com os Impérios e substitui-los por Estados - Nação. Ainda hoje é essa a filosofia das Nações Unidas.
Pensava-se que a guerra acabaria quando cada povo tivesse um país para governar.

Mas a guerra continuou.
Porque dois povos não podem ser vizinhos e coexistir em paz se um tiver um rendimento muito superior ao outro. Mesmo que o rico não queira imperar sobre o pobre, o pobre ameaça o rico da destruição.
É esta a estratégia da Coreia do Norte.
É esta a estratégia dos PIIGS quando dizemos que vamos destruir o Euro.
À sua pequena escala, é esta a estratégia do Alberto João quando diz que a Madeira quer ser independente.
Força. Já havia de ter sido em 1974.
O que está a acontecer na União Europeia.
A ideia que levou à criação da União Europeia foi que, diminuindo as diferenças no rendimento dos países europeus, diminuiria a probabilidade de aparecerem novos conflitos bélicos.
Enquanto os países menos desenvolvidos receberam rios de dinheiro dos países mais desenvolvidos, as coisas funcionaram bem. O problema começa a surgir quando o desempenho económico da UE piora. Nos últimos 10 anos, o rendimento disponível nos 5 grandes países da UE têm crescido a uma taxa inferior a 1% por ano.
Alemanha: 0.9%/ano; RU: 0.8%/ano; Espanha: 0.7%/ano; França: 0.5%/ano;  Itália: -0.4%/ano.
(PIB per capita, paridade do poder de compra, preços constantes, fonte: Banco Mundial)
Agora, os povos mais desenvolvidos não querem transferir rendimento para os menos desenvolvidos.

Qual a solução para ultrapassar a crise?
Como justifiquei, já não parece um acaso que a crise seja mais grave nos países que adoptaram a moeda única. O caminhar para maior integração leva a que os povos menos desenvolvidos se sintam dentro de um império tornando-se mais ameaçadores da estabilidade.
A solução terá que ser diminuir a integração e não aumentar.
Insistir em maior integração avançando-se para uma governação económica à escala da Zona Euro, é traçar o fim da União Europeia.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Alemanha vai abandonar o Euro em 2012

Os PIIGS não vão, vamos, conseguir resolver o seu problema de endividamento.Em teoria, se parassemos hoje de nos endividar, podiamos pagar o que devemos ao exterior. O problema é que todos os dias nos endividamos mais e não conseguimos resolver este problema.
Diz o Povo que para grandes males, grandes remédios e, como vamos continuar a arrantar os pés, com mais buracos na Madeira, no Desporto, na Saude, na Segurança Social, em tudo, com suspensões de TGVs em vez de mudanças de rumo, a Alemanha terá que aplicar um grande remédio: sair da Zona Euro.

Fig. 1 - Pus-me a fazer o que não devia e agora estou toda torcida e com dores de costas.

Eu estou assustado com as minhas previsões.
Quando, em 2010, a EURIBOR começou a bater mínimos históricos, eu previ que o problema da dívida pública ia fazer com que a taxa de juro em Portugal se desligasse da dos nossos parceiros europeus. Previ que os salários e pensões iriam que descer.
E fiz muito mais previsões catastróficas até a saida de Portugal da Zona Euro.
Muita gente, meus colegas incluidos, disseram que eu estava louco.
Estou como o pai daquile assassino norueguês: eu preferia estar louco a ter razão nas minhas previsões.
O grave é que, sem por em causa estar louco, a evidência tem confirmado as minhas piores previsões. 
Fig. 2 - O Sport mais depressa abre falência que torna a ser campião.

Bullshit.
Há teóricos da televisão, esquerdistas e direitistas, que defendem que a Alemanha deve abandonar a Zona Euro. Que, sendo o único país que faz pressão para que a inflação se mantenha nos 2%/ano, como não temos coragem de descer os salários nominais então, eles saindo, os nossos problemas ficam resolvidos.
É quase como os da Madeira pensarem que o Cont’nete saindo de Portugal, eles mais as Berlengas e os Açores passam a poder gastar à força toda. Isto parece ter lógica. É a famosa Lógica da Batata.
Fig.3 - Presidentes da Madeira, Açores e Berlengas recebem o presidente grego.

Num concurso entraram um alemão, um francês e o Bocage. O concurso consistia em meter uma rolha naquele sítio, fazer pressão e ver quem atingia maior distância. O alemão conseguiu 1 m; o francês 1.1 m e veio o Bocage que fez força, força, pumba, e choveu bulshit durante anos.
Ainda hoje, só sai bulshit da cabeça dos portugueses.

A grande guerra que aí vem
Quando, em 1998, entramos na Zona Euro comprometemo-nos que iríamos manter um défice público inferior a 3% do PIB e um endividamento público inferior a 60% do PIB. Acho até que foi o Guterres que assinou isso. Mas não cumpriu nada. Em 2008 ultrapassamos um défice de 10% e em 2010, 9.17% e só estamos a reduzir porque falimos. A dívida já está nos 95% do PIB e não para de crescer.
Mas em Portugal mandamos nós. O que nós queremos agora é que os alemães mandem para cá massa.
Os alemães, naturalmente, não querem dar nada a ninguém porque não são burros e isso só adia o problema. Aconteceu assim no fim de todos os impérios desde o Austro-húngaro ao Soviético. Então, cada vez que falemos aos alemães em ajuda, eles vão responder com comprometimento. Por exemplo, que temos que escrever na Constituição que vamos cumprir.
A mensagem vai ser que os alemães vivem à nossa custa, são umas sanguesugas, são o grande capital imperialista. Que têm que nos dar dinheiro para nós os podermos ajudar mais e ponto final.
Fig. 4 - Parecem grandes mas aqui ninguém mama.

Ai meu Deus o que a Sra. Merkel foi dizer.
Até veio o Cavaco a terreiro dizer que era uma alarvidade.
Portugal é um país com 800 anos de história, descobrimos o mundo, matamos índios, pretos e demais à força toda. Que não precisamos de lições de ninguém, que os alemães já causaram duas guerras mundiais, que são imperialistas, assassinos, que vivem à nossa custa, que são porcos, feios e maus.
A Espanha quer escrever mas já vai tarde.

A Alemanha vai ficar acossada e isolada.
Claro que a Alemanha vai ficar isolada. Todos querem comer à sua custa pelo que, dos PIIGS, haverá 5 votos a favor da Alemanha mandar a massa e os outros vão-se abster porque não lhes aquece nem arrefece. Por este andar, só haverá contra a Alemanha dar a massa a própria Alemanha.
Vai ser uma guerra sem quartel que repete o fim de todos os impérios. Aconteceu isto sempre: os que são pobres alegam que os que são ricos são exploradores.
 Fig. 5 - Pagas as nossas dividas ou a damos cabo de ti.

A Alemanha vai-se fartar e sai.
A Alemanha não vai resistir à pressão e a Merkel fala com o Sarkozy para, em conjunto, criarem a Zona Marco. A França tem muitas dúvidas, muitos medos e receios, alega que se estava a pôr em causa o projecto europeu, blá, blá blá, je ne sai pá bien, come si come ça, blá, blá, …
Pumba, a Alemanha abandona o Euro de forma unilateral. Às 20h de Berlim de uma sexta-feira qualquer, a Sra. Merkel anuncia que a Alemanha abandonou a Zona Euro e voltou ao Marco.
A essa mesma hora dá-se conta o Luxemburgo, a Bélgica, a Holanda, a Áustria e a Finlândia também anunciam o abandono da Zona Euro e a entrada na Zona Marco.
  Fig. 6 - Vou experimentar carregar neste botão.

Ficam os falidos.
Passado um minuto, o Sarkozy vai entrar em directo na TV a dizer cobras e lagartos e que se vai manter na Zona Euro.
Durante o fim-de-semana, vai ser a confusão total. Vai ser um foguetório dos esquerdistas, broquistas, cassetistas dos PIIGS.

Durante a semana.
Saem da Zona Euro a Itália, a Espanha, a Irlanda e França.
Saindo a Alemanha e os outros países cumpridores, os credores vão antecipar uma forte desvalorização do Euro. Na segunda-feira, no mercado secundário, as taxas de juro exigidas à Itália e à Espanha vão saltar para os níveis conhecidos na Grécia e em Portugal, para os 50%/ano, cinquenta. Primeiro, a Itália decide abandonar a Zona Euro e, horas depois, sai a Espanha. A Irlanda também abandona a Zona Euro.
A Zona Euro fica reduzida à França dois falidos e uns pequenotes.
A França está numa situação periclitante (rever, quadro 4) pelo que, apesar da boa vontade do Sarkozy, durante a semana as taxas de juro das obrigações francesas vão explodir. Antes de acabar a semana, a França anuncia o abandono do Euro.

Fica na minha mente apenas uma dúvida
A Alemanha vai ficar com muito mais força na Zona Marco do que tem na Zona Euro pelo que a Sra. Merkel é quem vai decidir quem entra e quem fica de fora. Retirando os 6 membros fundadores da Zona Marco, apenas a França, a Estónia e Malta terão condições para ser aceites na Zona Marco.
A França por ser, nos últimos 60 anos, um aliado muito forte da Alemanha, se pedir a entrada, será aceite. Mas tenho dúvida que a França peça para entrada. Vai preferir ressuscitar o Franco Francês.

As Euro Zone Bonds para os países cumpridores.
A Sra. Merkel anunciou que está aberta a garantir solidariamente a emissão de dívida de países cumpridores do Pacto de Estabilidade. Está, através da televisão, a lançar namoro ao Sarkozy. Quando as taxas de juro da dívida pública francesa disparar, a Alemanha lança este tapete vermelho para a França não poder recusar a entrada na Zona Marco. Provavelmente, o nome da moeda muda para Marcu.

E Portugal?
Vai ter muitos problemas. Vai tentar aguentar-se numa Zona Euro reduzida a nós, Madeira e Grécia.
Não vamos aguentar outra semana.

A Zona Euro acabou
Não podemos ficar à espera da nossa falência e do fim da Zona Euro induzida pela saída da Alemanha. Temos que começar já a preparar a nossa saída do Euro.
Temos que pedir à Sra. Merkel que apoie a nossa saída da Zona Euro antes que seja tarde.

  Fig. 7 - No fim da vida, as coisas ficarão bem. Se ainda não estão bem é porque ainda não chegamos ao fim.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Os nossos governantes são mesmo burros

O Krugman pregava que Portugal tinha que aumenar o investimento público, e o Sócrates aplaudia e vinha aquele do olhinho fechado e o delfim dele, o Medina, bater palmas e chamar-me burro.
Vinha aquele da câmara de Lisboa, o Costa,
-aí que esses catastrofistas são uns burros, o Kruman e o Stiglitz que são Premio Nobel sabendo muito mais que esses burros, dizem que descer salários e cortar no investimento é uma barbaridade.

É preciso ser pedagógico.
Um cigano fazia pequenos furtos a um vizino. Umas maçãs, uns pepinos, nada de monta mas chateava.
Certo dia pensou que estava errado e foi falar com o vizinho:
-Aí, sr. vizinho, desculpe-me que eu tenho-lhe roubado umas coisas, mas não volta a acontecer.
- Deixa  lá pá. Não precisas mudar de vida - disse o vizinho 
O cigano acredito e nessa mesma noite foi roubar mais umas coisita. Tentar. Pumba, pumba, chumbou com dois tiros de caçadeira entre os olhos. Emendou-se de vez.

O Krugman foi igual.
Não é preciso fazer isso, gastem mais, invistam em mais TGVs e outras trampas.
Agora vem com os dois tiros de caçadeira entre os olhos:
Portugal está em bancarrota.
Portugal é o pior da Zona Euro
Portugal tem que sair do Euro

Mas isso já eu tinha dito.

Secalhar agora é torcer a orelha e ver que os burros é que sabiam o caminho.

Pedro Cosme Costa Vieira


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Querem uma linha de comboio de carga desde Sines até Madrid. Asneira.

O Salazar, quando pensou no Porto de Sines, estava maluco. Imaginou, nos anos 1930, Portugal como o maior império do Mundo, isolado, onde o transporte marítimo faria a ligação entre a metrópole e as pérolas do império. Evidentemente que estava maluco e, além do mais, já passaram 80 anos. Na altura não havia aviões nem camiões TIR.
Nos dias de hoje pensar que Sines vai ser a porta de entrada da Península Ibérica é continuar essa loucura.

A ideia parecer correcta mas a pior das ideias erradas é aquela que parece estar certa.

Primeiro, pensar que, por Sines ser um porto de águas profundas é uma vantagem que vai garantir sucesso ao porto, é não querer ver que os petroleiros descarregam nas bóias e que, com a reabertura do Canal do Suez, os barcos de contentores já não precisam deste tipo de portos. É viver de memórias.
Segundo, Madrid é servido pelo Porto de Valência que dista apenas 350 km em auto-estrada sem portagem. A distância de Sines a Madrid são 660 km, 90% em auto-estrada, mas as portuguesas têm portagem.


Terceiro, 0 transporte ferroviário de contentores não é competitivo relativamente ao transporte em Camião TIR. O Camião carrega o contentor em Sines e leva-o até ao destino, por exemplo, na Zona Industrial de Valadolide. De comboio, tem que fazer não sei quantos transbordos, paragens e esperas.
Quarto, Portugal gastou milhares de milhões de Euros em auto-estradas pelo que não pode agora fazer novas infra-estruturas para lhes retirar movimento. O guterrismo-socratismo cometeu a loucura de fazer auto-estradas onde não viaja ninguém. Este governo quer retirar das auto-estradas o pouco transito que têm. E depois quem as vai pagar? Mais impostos.
Pensar que Sines, com ou sem linha de caminho de ferro é alternativa a Valência, é de uma loucura. Vai ser enterrar mais uns milhares de milhões de euros num projecto que não tem qualquer viabilidade.

No fundo, os governantes são todos iguais: a principio parecem competentes. com o passar do tempo ve-se que têm competência duvidosa, que decidem com base em pareceres errados e que querem mostrar obras megalómanas sem utilidade nenhuma.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Erro crasso: o ataque à classe média


É crítico para o futuro da nação termos crianças bem-educados e saudáveis. Os factos sugerem que, se os políticos não aumentam e usam mais sabiamente os investimentos públicos para as crianças e a tendência actual se mantiver, os menores de hoje vão herdar uma nação que é mais desigual, mais estratificada, e menos competitiva economicamente do que a nação dos seus pais e avós.

Middle-Class family e uma vaquinha,
a combinação perfeita em tempo de crise

Este excerto é de um relatório recente sob o título Declining Fortunes of Children in Middle-Class Families, dedicado à realidade norte-americana e da autoria da Foundation for Child Development. Podia muito bem ser dedicada às famílias portuguesas e ao erro crasso que está a ser cometido pelo actual pacote de medidas de política de desvalorização fiscal, por impossibilidade de proceder a uma desvalorização cambial (cenário possível, embora perigoso, se saíssemos do euro).

Como já disse noutros posts, considero absolutamente absurdo que ninguém com responsabilidades governativas entenda que o pilar fundamental de uma nação é a classe média, nomeadamente porque é de lá que normalmente saem os futuros quadros mais qualificados do país. Veja-se o estudo o estudo “Classes sociais e estudantes universitários: Origens, oportunidades e orientações” (Revista Crítica de Ciências Sociais, 66, Outubro 2003: 45-80), em que o caso de máxima desigualdade de oportunidades é o que, com base nos dados da população portuguesa para 1981, opõe filhos de famílias com ensino superior e filhos de famílias de iletrados, os primeiros com 55 vezes mais hipóteses de chegar à universidade do que os segundos. Somos todos iguais, uns mais do que outros! Não é por acaso que os norte-americanos consideram mesmo que a qualidade de vida das crianças da classe média é uma questão de segurança nacional.

Vejamos alguns exemplos de medidas políticas em Portugal que ignoram a classe média:

   
O preço dos transportes públicos sofreu um aumento extraordinário de 15% a 1 de Agosto. Quem se tramou? A classe alta não anda de transporte público e as classes mais baixas terão tarifas sociais a partir de Setembro.
O IVA na electricidade e no gás passa de 6 para 23%. A classe alta não aquece nem arrefece e as classes baixas terão tarifas sociais.
As deduções em despesas de educação e saúde baixarão brutalmente no IRS a apresentar em 2012 relativamente a 2011. A classe alta não parece preocupada e as classes baixas têm livros dados e não pagam taxas moderadoras ou pouco pagam. Como declaram baixos rendimentos (de forma séria ou não), não pagam de qualquer forma IRS ou pouco pagarão.
O IMI vai subir. As classes baixas vivem em bairros sociais e casas camarárias, pagando quando muito rendas simbólicas.
A Lei das Rendas aguarda reformulação para que o mercado se reactive, constituindo-se como alternativa real aos bancos, e ajudando milhares de famílias da classe média afogadas com prestações do crédito habitação. Os ricos compram mansões ou apartamentos de luxo e as classes baixas contentam-se com as casas que o Estado lhe dá ou arrenda por meio tostão furado.
O custo das propinas e dos livros parecem aumentar à medida que se progride no ensino. Para as classes baixas, esse é um motivo acrescido para o abandono escolar precoce. Para a classe média, o resultado é preparar pior quadros qualificados de que o país tanto precisa.
O cálculo do RSI tornou-se mais generoso nos últimos anos com as famílias numerosas. O abono de família foi praticamente extinto nas classes médias.
O corte nos salários da Função Pública afectou a classe média do Estado. Quem ganhava menos, nada perdeu.
A sobretaxa extraordinária do IRS incide apenas sobre a parte do rendimento colectável que excede o valor anual do salário mínimo por sujeito passivo e tem em conta o número de dependentes por agregado família. A classe baixa safa-se melhor do que a média. As classes altas não estão propriamente à espera do subsídio de Natal para umas despesas extra ou para amortizar o empréstimo da casa.
Onde pára a sobretaxa sobre os dividendos? Onde está a coragem para taxar as operações financeiras, como parece ser o projecto do actual governo italiano? Taxar os depósitos a prazo seria errado, concordo, uma vez que devemos incentivar a poupança numa altura de crise e de perda do poder de compra. Mas o grande capital tem escapado de forma clara ao esforço. Quem tem escapado também é o próprio Estado. Aguardam-se os cortes na despesa supérflua.



Alguns leitores deste blog, concordando comigo, poderão lembrar-se ainda de outros exemplos que ilustram o erro “colossal” (adjectivo na berra) que Portugal está a cometer no que diz respeito à sua classe média.

Pedro Palha Araújo

domingo, 14 de agosto de 2011

Cinco questões de um comentarista


Estive a ler um comentário com umas questões muito pertinentes.
Se os amigos me colocarem dúvidas, torna-se mais fácil eu encaminhar o meu pensamento para as vossas dificuldades. Obrigado.

Questão 1. Antes, no tempo do escudo, as nossas notas perante o endividamento externo iam para o Banco Central de Portugal. Hoje vão para o estrangeiro. Que diferença faz?
A liquidez diminui menos por irem para o Banco Central de Portugal?

Resposta 1: Não era no endividamento porque ninguém emprestava dinheiro em escudos. Quando alguém queria divisas entregava as notas de Escudos ao Banco de Portugal (que as trocava por Divisas) mas não ficava, necessáriamente, lá. Vendo que a quantidade de escudos em circulação tinha diminuido, o BC re-injectava essas notas em circulação pela compra de Titulos do Tesouro aos bancos (operações de Open Market) o que levava à diminuição da taxa de desconto (a extinta LISBOR). Quando a taxa de inflação estava abaixo do objectivo, o BP injectava mais moeda em circulação e, no caso contrário, o BP retirava moeda de circulação (subia a LISBOR). Este mecanismo de esterilização é independente da quantidade de reservas de divisas que eram controladas pela cotação do Escudo.

Questão 2. A diminuição da liquidez com o euro é mais rápida porque? Se sim, não deveria facilitar o ajustamento pela via da deflação?

Resposta 2: Com os Euros, o BCE tem em atenção no nível médio de liquidez (inflação) em toda a zona euro pelo que não consegue controlar a liquidez num país periférico e de pequena dimensão como Portugal. O BCE não pode injectar moeda só em Portugal porque ela caminha para outros sitios, fazendo aumentar a inflação média da zona euro. Isso violaria o seu mandato de estabilidade dos preços.
Realmente a quebra de liquidez induz uma diminuição dos preços. Mas os preços diminuindo, os salários reais (dados pelos salários nominais a dividir pelo nível de preços) aumenta, levando as empresas à falência.
Como os salários nominais não podem descer e o mercado de trabalho não é flexivel, a diminuição da liquidez leva ao desequilíbrio interno da economia: o desemprego explode.

Questão 3. "Guardar moeda é, em termos económicos, igual a emprestar as nossas poupanças porque o Banco Central (ver, cambista) acomoda a minha poupança emitindo exactamente a mesma quantidade de nova moeda." Como funciona isto?

Resposta 3: O BC mede, via taxa de inflação, a quantidade de moeda em circulação. O BC tem várias variáveis que observa todos os dias (compras de aço de construção, cimento, adubos, portagens nas auto-estradas, chamadas telefónicas, consumo de electricidade, EURIBOR, etc.) e com isso constrói uma estimativa das necessidades de liquidez da economia. Observando uma diminuição da liquidez, injecta moeda e, caso contrário, retira moeda.
A liquidez aumenta com a quantidade de moeda em circulação e diminui com o entesouramento dos particulares (diminuição da velocidade média de circulação)

Questão 4. Não poderia fazer uma discussão/ensaio sobre o interesse e as vantagens de Portugal em ter uma moeda forte como o euro ou mais fraca como o escudo. Não é esta uma das questões mais importantes?

Resposta 4: A moeda ser forte ou fraca tem apenas a ver com a taxa de inflação do país que tem essa moeda. Se houver inflação, a moeda não pode ser usada como reserva de valor (porque desvaloriza) pelo que se diz fraca.
Portugal pode ter Escudo e ser uma moeda forte. Mas para se construir uma reputação de que não vai haver inflação, é preciso um historial de muitas décadas com inflação baixa.
O Euro é uma moeda forte porque a Alemanha e a Fraça dão-lhe essa reputação: nos últimos 50 anos, estes países tiveram uma taxa de inflação baixa e, se perguntarmos na rua, a grande maioria dos povos destes países é a favor desta política monetária.
Quantas pessoas importantes portuguesas aparecem na televisão portuguesa a pedir maior taxa de inflação? na Almanha não existe ninguém que o afirme.

Qual o interesse de uma moeda forte?
Em termos teóricos, não existem vantagens nem inconvenientes em ter uma moeda forte. O importante é que a taxa de inflação seja constante. Se variar, os investimentos de longo prazo passam a ter um risco acrescido pelo que há uma tendência para que não se realizem.
A evidencia empirica diz que os Estados que permitem uma taxa de inflação elevada têm menos rigor em manter essa taxa de inflação estável. Por isso, os agentes económicos localizados em Estados com taxa de inflação mais elevada têm que pagar taxas de juro reais mais elevadas pelo que o investimento e o crescimento económico fica menor.

Os USA, onde as pessoas têm um poder de compra 50% superior ao da União Europeia, desde a independencia em 1776 que têm um Historial de inflação baixa. Por exemplo, nos últimos 100 anos (em que travaram 2 guerras mundiais), a taxa de inflação média foi de 3.25%/ano e nos últimos últimos 25 anos foi 2.93%/ano.
O USDólar é a moeda de referência em todo o mundo porque mais nenhum país do mundo tem um historial de inflação baixa minimamente comparável.

Questão 5. Relativamente ao endividamento do cambista, é possível os Bancos centrais endividarem-se de qualquer maneira? Não são assistidos ou acompanhados por nenhuma entidade de supervisão?

Resposta 5: Os países são livres de conduzir a politica monetária que quizerem. Quando o BC conduz cambios flexiveis desvalorizando quando há defice corrente e valorizando quando há superávite, a situação é estável, sendo a moeda convertível. Isto funciona mesmo em países muito pobres.
Um regime de cambios flexiveis bem governado precisa de reservas de divisas pelo menos na ordem do valor das importações de 6 meses.
Por exemplo, Moçambique importa 4.8MM€ por ano pelo que deve ter pelo menso 2.4MM$ em divisas.
Como moçambique paga uma taxa de juro elevada (>10%) estas divisas seriam um encargo grande. Então, se o BCM se comportar adequadamente, o FMI empresta este dinheiro sem cobrar juros.
Depois, o FMI dá aconselhamento técnico quanto às políticas monetárias e de câmbios.

A generalidade dos governantes pensam que o trabalho do BC é uma brincadeira. Se o broquista more que é economista pensa isto, imagine como será dificil convencer o Chaves de que a governação do BC é uma ciência.  Nestes caso de má governação, o BC fica sem reservas, a moeda deixa de ser convertível e as reservas do BC têm que ser compradas.

Pedro Cosme Costa Vieira

Não é possível diminuir a despesa

O Gaspar disse que ia diminuir a despesa em 9%, menos 7MM€.
Então fui ver as contas do Estado que estão no EuroStat e fiquei assustado.
O homem só pode estar enganada.

Fig. 1 - É o bicho, é o bicho, vou-te agarrar.
O EuroStat validou para 2010 um défice público de 15829M€, 9.17% do PIB. Refere que, por um lado, que a receita do Estado foi de 71664M€ e que, por outro lado, a despesa foi de 87493M€. Assim, por cada 100€ de riqueza criada em Portugal, em 2010 os portugueses confiaram ao Estado 41.53 € e este gastou 50.71€, resultando numa transferência para o povo de 9.17€. Assim, não se pode dizer que pagar impostos seja um roubo pois o Estado devolve mais dinheiro do que o que cobra.

Fig. 2 - Receitas e despesas do Estado, M€, 2010, EuroStat

O défice é bom, mas, ano após ano o Estado Português foi ficando cada vez mais endividado a ponto de em 2010 precisar de pedir emprestados 49 MM€, principalmente para amortizar dívida vencida e pagar juros. Este processo de endividamento “tipo D. Branca” fez com que os credores perdessem a certeza de que vamos pagar o que devemos, exigindo cada vez maior taxa de juro.
Como mais ninguém nos quer emprestar dinheiro, Portugal acordou com a Troika um plano de resgate no qual nos comprometemos a acabar com o défice.
Pensando que se consegue parar o crescimento da despesa nos 90MM€, então as receitas do Estado têm que aumentar 25.6%.

Estão a ver a enormidade desta missão?
O IVA tem que aumentar 6 pp. mais os 2 pp. da TSU. A Taxa normal tem que ficar nos 31%.
A taxa do IRS tem que aumentar, em média, mais 6 pp.
As taxas moderadoras têm que aumentar 25%.
Isto é terrível. Isto parece-me impossível de fazer.

Cortar na despesa é cortar nas transferências sociais
Vamos agora ver com mais detalhe as contas do Estado.
Vou-me concentrar nas contas da Segurança social. As receitas totalizam 21.0 M€ (a TSU são 13.5MM€ e soma outras verbas) e tem como despesa 37.7 MM€ em Transferências (reformas, RSI, abono de família, etc.) e 21.1 M€ em salários. São 2/3 da despesa.
Assim, a SS tem um défice de 16.7MM€. Tirando a SS, o resto do OE tem um saldo positivo de 850M€.

Fig. 3 - Receitas e despesas da SS, M€, 2010, EuroStat


Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Quanto vale um aluno de 10 valores?

Estimados amigos,
Andam por ai às voltas com as notas a matemática e a português serem negativas.
A questão que os avaliadores têm que responder é quanto vale um aluno de 10 valores.
Não deve valer nada.
Uma pessoa que saiba falar português com apenas uma calinada aqui e outra acolá, tem que ter 10 valores. A escola tem que construir cidadão integrados, válidos e produtivos não é poetas e trovadores.

Metade da população tem uma inteligência abaixo de 100
Ou estas pessoas ficam com a terceira classe, ou a escola é inclusiva como nos países mais desenvolvidos e faz o melhor possível com estes cidadão. Se fizemos como o Hitler que os matava, aí sim, podíamos ter uma escola só para a elite. Mas não pode ser assim.
O 10 deve ser entendido como uma medalha dos paraolímpicos. Uma medalha na maratona quer dizer que sabe caminhar. Anda muito mais depressa que um acamado. Óptimo.
Antes que tudo, a escola tem que valorizar os indivíduos que tem para que se tornem trabalhadores mais produtivos, mais criativos, cidadão mais integrados, mais felizes mais do que são e não os melhores do mundo.

Para que serve aprender português?
Um dia fui arguir uma tese a Coimbra e o orientador era grego. Dizia ele, para que é que eu perdi tempo na escola a aprender grego? Para que é que se perde tempo a ensinar português? É a língua materna, cada um aprende por si. Temos que ter aulas é de inglês e de outras línguas estrangeiras.
Fala mal? faz parte da cultura, é um regionalismo. É mesmo assim.

As notas deveriam ser assim
Criou-se a norma de que o aluno com 10 tem aprovação. Então, como Deus tem inteligência infinita e os homens têm a que têm, as notas devem ser adaptadas à humanidade. O vinte está lá para reconhecer os alunos que são muito bons. E esses representam 10% da população.
Deveria ser uma distribuição normal mais ou menso com  média 15 valores e o desvio padrão 3.33 valores.
Em 10 mil alunos, deveria haver as seguintes notas:

Nota:      5         6          7             8              9              10           11           12
Alunos:  23       34       72           141         251          410         613         840
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Nota:       13           14           15            16             17           18           19           20
Alunos:  1049     1200       1254       1200        1049         840        613         410

Que fazer aos alunos com negativa
Esses 10% de alunos com negativa deveriam ter ensino personalizado e não voltar a assistir a aulas nas quais não compreenderam nada. Isso só cria frustração e violência.

A menina fala português? Vi logo que não. Não me safo.

Pedro Cosme Costa Vieira

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