terça-feira, 30 de agosto de 2011

É preciso dar uma passo atrás

A Europa vive em crise e, contrariamente ao defendido por alguns, é preciso dar um passo atrás.
Neste post vou justificar o porquê de a estabilização da União Europeia obrigar a alterar a estrutura da Zona Euro: os PIIGS têm que sair.


Guerra e paz.
A tendência dos povos é oscilar entre a guerra e a paz.
No período de paz a economia desenvolve-se e os povos melhoram o seu nível de vida.
No período de guerra a economia regride e os povos pioram o seu nível de vida.
Como a guerra prejudica o agredido e o agressor, é irracional que os povos não levem uma perene convivência pacífica.
Onde estará a racionalidade da guerra?
Todos os dias há noticias de novas guerras pelo que tem que haver uma racionalidade nisso.
Em 1928 um economista, Cournot, começou a desvendar este mistério ao criar o conceito de comportamento estratégico.

Teoria do Monopólio Bilateral.
Vamos supor que existe o indivíduo A que tem 100€ que tem que dividir com o individuo B. Se B não ficar contente com a divisão recusa-a ficando ambos sem nada.
A lógica indica que se o A oferecer 5€, o B aceita porque é melhor que ficar sem nada.
Mas o B tem o poder de chantagiar o A ameaçando que ele vai perder tudo.
O B tem que criar a reputação de que é invejoso.

Será bluff?
Um assaltante entra num banco e diz "abra o cofre ou eu mato-o".
Se o bancário se recusar a abrir o cofre para que é que o assaltante o vai matar?
Depois de morto, de certeza que não abre o cofre.
É uma questão de reputação.

66/33
A evidência empírica indica que a maioria dos indivíduos não aceita uma divisão inferior a 33%.
Quando existe na sociedade um grupo social com um rendimento inferior a 50% da mediana dos rendimentos (o tal limiar de pobreza relativa), esse grupo torna-se violento, deixando de respeitar as normas sociais vigentes.
É esta a razão para a violência observada nos subúrbios das cidades europeias. Já que os mais ricos não nos dão parte significativa do seu rendimento, vamos destruir tudo, inclusive, o pouco que temos.
Uma sociedade não se torna instável por ser heterogénea. Antes, os indivíduos desfavorecidos têm que formar um grupo, por exemplo, os ciganos, os africanos, os judeus, os brancos, os russos, os Alcaidistas.

A moralidade imoral
Os desfavorecidos entranham-se de uma nova moralidade.
     Ladrão que rouba a ladrão tem 100 anos de perdão.
     Roubar para comer não é pecado.
     Deus criou o melro com a missão de roubar para dar de comer aos filhinhos.
     Roubar aos ricos para dar aos pobres é heróico.
     Pecado é roubar e não poder carregar.
     Deus quando criou o Sol foi para todos.
     Desenrascar é próprio do português.

Como se resolve este problema?
Dentro de um país a sociedade tem que ser homogénea.
Então, no fim da I Guerra Mundial a Sociedade das Nações procurou acabar com os Impérios e substitui-los por Estados - Nação. Ainda hoje é essa a filosofia das Nações Unidas.
Pensava-se que a guerra acabaria quando cada povo tivesse um país para governar.

Mas a guerra continuou.
Porque dois povos não podem ser vizinhos e coexistir em paz se um tiver um rendimento muito superior ao outro. Mesmo que o rico não queira imperar sobre o pobre, o pobre ameaça o rico da destruição.
É esta a estratégia da Coreia do Norte.
É esta a estratégia dos PIIGS quando dizemos que vamos destruir o Euro.
À sua pequena escala, é esta a estratégia do Alberto João quando diz que a Madeira quer ser independente.
Força. Já havia de ter sido em 1974.
O que está a acontecer na União Europeia.
A ideia que levou à criação da União Europeia foi que, diminuindo as diferenças no rendimento dos países europeus, diminuiria a probabilidade de aparecerem novos conflitos bélicos.
Enquanto os países menos desenvolvidos receberam rios de dinheiro dos países mais desenvolvidos, as coisas funcionaram bem. O problema começa a surgir quando o desempenho económico da UE piora. Nos últimos 10 anos, o rendimento disponível nos 5 grandes países da UE têm crescido a uma taxa inferior a 1% por ano.
Alemanha: 0.9%/ano; RU: 0.8%/ano; Espanha: 0.7%/ano; França: 0.5%/ano;  Itália: -0.4%/ano.
(PIB per capita, paridade do poder de compra, preços constantes, fonte: Banco Mundial)
Agora, os povos mais desenvolvidos não querem transferir rendimento para os menos desenvolvidos.

Qual a solução para ultrapassar a crise?
Como justifiquei, já não parece um acaso que a crise seja mais grave nos países que adoptaram a moeda única. O caminhar para maior integração leva a que os povos menos desenvolvidos se sintam dentro de um império tornando-se mais ameaçadores da estabilidade.
A solução terá que ser diminuir a integração e não aumentar.
Insistir em maior integração avançando-se para uma governação económica à escala da Zona Euro, é traçar o fim da União Europeia.

Pedro Cosme Costa Vieira

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