quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Já temos um ano de governo esquerdista na Grécia

Dia 25 de Janeiro de 2015, o Tsipras tomou posse como primeiro ministro grego.
Nesse dia bateu o pé à Troika, começou a política de crescimento e emprego, restabeleceu o Estado Social e anulou tudo o que tinha sido destruído pelo neoliberalismo. Agora, passado um ano, está na hora de ver a conquistas do povo grego.

O Salário Mínimo Grego?
O Tsipras prometeu que subiria dos 586€/mês para os 751€/mês que vigoravam antes da Troika intervir (ver). Nem poderia ser de outra maneira pois era uma indignidade um grego trabalhar por menos que 751€/mês. Foi aprovada no Parlamento uma Lei a impor este aumento e hoje, decorridos 12 meses, o Salário Mínimo grego está nos, nos, nos, 586€/mês!

E a idade de reforma grega?
Prometeram que passariam para os 60 anos mas aumentou para os 67 anos (a nossa passou, já em 2016 com o Costa, para 66,17 anos).

E o Crescimento económico grego?
Em 2013 - 2014 a economia grega contraiu 0,5%/ano (crescimento negativo) e, em 2015, vai contrair 0,8%/ano (o Crescimento aumentou mas foi para baixo).
Por oposição, Portugal cresceu nos 3 anos de 2013 a 2015 uma média de 1,3% por ano (que compara com os -0,6 gregos).
Crescemos pouco, dizem o esquerdistas portugueses, mas foi apenas 1,8 pontos a mais do que cresceu a Grécia, 1,28%/ano - (- 0,56%/ano) = 1,83%/ano.

E a taxa de desemprego grego?
Desceu, de 25,9% para qualquer coisa próxima dos 24,0%, o que está totalmente em linha com o que se estava a verificar desde Jan 2013 (uma redução de 0,15 pp por mês).
Em Portugal o desemprego passou de 14,0% para 11,9%, uma redução ligeiramente maior, de 0,18pp/mês.

E as pessoas a trabalhar na Grécia?
O número de pessoas a trabalhar teve um  incremento ligeiro, passou de 3,60 milhões para 3,64 milhões mas em Portugal aumentou  um pouco mais, de 4,45 milhões para 4,50 milhões. Interessante notar que nós, com ligeiramente menos população, temos muito mais gente a trabalhar!

E a dívida pública Grega será que diminuiu com o esquerdistas?
Fechou 2014 nos 178,6% do PIB e 2015 nos 199,7% do PIB (ver)

Como pode alguém acreditar que os Costa+Centeno vão conseguir fazer diferente?
Vamos ver se consegue resolver este enigma.
O Tsipras+Varofaquis prometeram que juntado 1kg de farinha de trigo, 1/16 de um cubinho de levedura, um pouco de sal e 0,7 litros de água a 30ºc e amassando tudo muito bem, metendo depois a coisa num tabuleiro a crescer durante 2 ou 3 horas para , finalmente, meter no forno a 180ºC durante 60 minutos resultaria Leitão à Bairrada.
A Comissão Europeia fez isto tudo com muita fé no Tsipras mas, depois de tirar a coisa do forno, reparou que, em vez do Leitão à Bairrada, tinha Pão de trigo.

Agora vem a pergunta difícil.
O Costa+Centeno prometeram que juntado 1kg de farinha de trigo, 1/16 de um cubinho de levedura, um pouco de sal e 0,7 litros de água a 30ºc e amassando tudo muito bem, metendo depois a coisa num tabuleiro a crescer durante 2 ou 3 horas para , finalmente, meter no forno a 180ºC durante 60 minutos resultaria Leitão à Bairrada.
Agora, a Comissão Europeia acredita que vai sair do forno:
A) Cabrito assado   B) Leitão à Bairrada    C) Pão de trigo   D) Língua de vaca estufada com ervilhas

 Se estiver em dúvida, vai ter que esperar mais uns dias para saber o que o futuro nos reserva.


E o desemprego na França e na Itália...
O Sarkozy e o Berlusconi estavam a destruir emprego mas, desde que o Holland tomou posse em Maio de 2012, o desemprego francês está continuamente a aumentar e o Italiano, mesmo sem Berlusconi, vai no mesmo caminho (ver).

O socialistas franceses prometeram que o desemprego iria diminuir mas aumentou de 9,8% para 10,5% enquanto que na Alemanha reduziu de 5,4% para 4,7%.


terça-feira, 26 de janeiro de 2016

As expectatias racionais, a eficiência de mercado e a crise que vivemos

Acabei de ler um artigo interessante no Negócios.
O autor, Federico Fubini - Project Syndicate (25Jan2016 p.33), critica o facto de as teorias económicas que estavam em "vigor" em 2006 serem exactamente as mesmas teorias económicas que estão em "vigor" hoje, depois de acontecer uma crise económico-financeira de grande dimensão.
Em particular, Fubini critica duas teorias (relacionadas), a das Expectativas Racionais (que Fubini atribui erradamente a Robert Lucas, 1975, mas cuja proposta original se deve a Jonh Muth, 1961) e a sua consequência nos mercados financeiros, o conceito de Mercados Eficientes de Eugene Fama, 1969. 
O que são as Expectativas Racionais.
O indivíduo, limitado pela sua capacidade de cálculo, a informação disponível, o tempo e todas as demais restrições, prevê o futuro da melhor maneira que é capaz.
Isto não quer dizer que vai prever o futuro exatamente como ele vai acontecer mas apenas que não consegue, dada a restrições, fazer melhor do que faz.
Por exemplo.
Eu tenho a possibilidade de apostar no Totobola. As expectativas Racionais dizem que vou escolher os resultados que me dão maior possibilidade de ganhar (ninguém joga para perder). Pensando eu que, por exemplo, a probabilidade de o Sporting ganhar à Académica é de 95%, como quero ganhar e fazer uma tripla não compensa, vou apostar no 1.
As Expetativas Racionais dizem que quem joga faz o seu melhor para ganhar
Será que me posso enganar e o Sporting perder?
Concerteza que sim mas o julgamento quanto a eu me ter enganado tem que ser feito hoje, a priori, com a informação que eu tenho e a minha capacidade de cálculo e não depois do jogo, a posteriori.
E por eu saber que me posso enganar é que só atribuo 95% de probabilidades à hipótese de o Sporting ganhar.

No crédito bancário.
Vamos supor que o Banco em 2006 tem 1000 clientes do tipo A e 1000 clientes do tipo B em que a probabilidade de o cliente do tipo A pagar é prevista (em 2006) como 99,9% e a probabilidade do cliente do tipo B pagar é prevista (em 2006) como 99,0%, previsão feito da melhor forma possível.
O que o banco está a prever é a probabilidade e não que um cliente concreto vai ou não pagar.
Como o banco quer receber, em média, uma taxa de juro de 2,000%/ano, vai ter que cobrar uma margem para cobrir os caloteiros.

Taxa de juro a aplicar a um cliente do tipo A (um spread de 0,102pp)
100%*(1+2,00%) = 99,9%*(1+x) => x = 2,102%/ano

Taxa a aplicar a um cliente do tipo B (um spread de 1,030pp)
100%*(1+2,00%) = 99,0%*(1+x) => x = 3,030%/ano

Um cliente classificado como tipo B vai pagar um spread 0,928pp relativamente ao cliente do tipo A para cobrir o risco acrescido de algum deles (previsto como 10 em 1000) não pagar.

Quando em 2010, se verificou que 100 clientes do Tipo B não pagaram.
Não quer dizer que o Banco poderia, em 2006, fazer uma previsão melhor mas apenas que, com a informação que sabemos hoje, houve uma concretização adversa.
O modelo de previsão vai ser melhorado com a nova informação mas em 2006 essa informação não existia e, agora, não é possível voltar ao passado e refazer as previsões.
Se eu acreditava que o carro cabia entre a árvore e o muro e, depois, não coube, o meu carro fica amassado e já não há nada a fazer. Para a próxima já sei mas é só para a próxima.
Com expetativas racionais não há lugar para arrependimento nem para os remorsos.
Porque é muito importante o trabalho de Muth.
Porque a Ciência Económica precisa saber o que as pessoas pensam hoje quanto ao que vai acontecer no futuro para conseguir prever o que vão fazer hoje.
Por exemplo, hoje estive a falar com uma colega minha que tem potencial para se unir comigo. Se eu antecipasse que, no futuro, ela me vai infernizar a vida, já nem tinha falado com ela.

Tinha-me posto a fugir à máxima velocidade possível.

Também, se o Banco previsse que 10% do clientes do tipo B não iam pagar, ter-lhes-ia imposto uma taxa de juro maior (um spread de 12,333pp).
100%*(1+2,00%) = 90,0%*(1+x) => x = 13,333%/ano
Se queriam, queriam, se não queriam, façam boa viagem.
O que diz em concreto o Lucas Jnr.
Que não vale a pena os governos fazerem políticas económicas expansionistas porque o seu efeito no crescimento económico é zero.
Isto custa a aceitar por parte dos esquerdistas que se querem agarrar ao que o Keynes disse em 1936. Mas, cada vez mais, a evidência é no sentido de que a políticas económicas expansionistas só levam a mais dívida pública para pagar no futuro.
Isto era verdade em 2006, é verdade em 2016 e será verdade quando, em 3016, em for velhinho.
Senão, qual foi impacto no nosso crescimento económico dos défices do Sócrates/Teixeira do Santos?
Uma dívida colossal e nada de crescimento.
E porque é que agora, com o Costa+Centeno, vão dar resultado?
Não vão.
O que diz de concreto o Fama.
Que o que é barato tem gato.
Diz que quem nos oferece uma taxa de juro mais elevada é porque tem um risco superior de nos espetar o calote.
Se olhamos para o carro A que custa 13000€ e vendeu 10 milhões de carros e o carro B que custa 10 il € e vendeu 1 milhão de carros, diz o Fama que o mercado indica que compensa comprarmos o carro de 13000€ pois a diferença no preço vem acompanhada por uma melhoria na qualidade.
Relativamente ao mercado financeiro, se olharmos para uma acção do Millenium BCP (cotada a 0,0375€) e para uma acção da Jerónimo Martins (cotada a 12,250€), 1) as cotações traduzem o valor da empresa agora, dada a informação disponível agora e, que 2) se quisermos investir 1000€, tanto faz comprar 26667 acções do BCP como 82 acções da Jerónimo Martins pois a cotação já traduz todos os problemas das empresas (apenas dependente do perfil de risco do investidor). 
Isto era verdade em 2006, é verdade em 2016 e será verdade em 3016.
Concluindo, a expectativas racionais vão-nos acompanhar até à nossa morte. 
O erro está em haver quem pense que as ER afirmam que os agentes económicos conseguem prever na perfeição o que vai acontecer no Futuro.
Os agentes económicos conseguem maximizar na perfeição a sua utilidade e os mercados são capazes de condensar na evolução das cotações toda a informação relevante sobre o fundamentos económicos porque a medida da Perfeição não é Deus mas apenas o Homem, o perfeito é o melhor que conseguimos fazer dadas as nossas limitações.
Em terra de cegos, "ver bem" é saber usar a bengala.
(Desculpem que o texto deve ter muitos erros ortográficos porque não consegui passar o spelling e eu não consigo escrever em erros Assim que o possa fazer, prometo que faço)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O Draft do OE2016 é um embuste..

Como houve as presidenciais, os comentadores economistas ...
não tiveram tempo para pegar no draft da proposta do Orçamento de Estado 2016 que o Centeno mandou para a Comissão Europeia.(Ver aqui o draft em PDF, Dinheiro vivo).
Este draft é um embuste (estando repleta de astúcia, é usada com o intuito de enganar, ver) que vou desmontar na sua parte mais visível, o enquadramento macroeconómico.
É que, mesmo sem necessidade de olhar para as previsões para a despesa e a receita, a impossibilidade de materialização da previsão alucinada do crescimento do PIB nominal faz com que o défice lá escrito seja de 3,5%.


O Défice público, a dívida pública, o crescimento económico real e a inflação.
A dívida pública mais não é que o somar dos défices públicos dos anos passados. Assim, a igualdade seguinte é por demais evidente (uma equação às diferenças): 
   Dívida no fim em 2016 € = Dívida no fim em 2015 € + Défice em 2016 €      (1)

Como a dívida e o défice são dadas no draft como uma percentagem do PIB, teremos que fazer:

   Dívida 2015 €= PIB 2015 € * Dívida 2015 %    (2)
   Dívida 2016 €= PIB 2016 € * Dívida 2016 %    (3)
   Défice 2016 € = PIB 2016 € * Défice 2016 %   (4)


Substituindo (2, 3 e 4) na expressão (1), obtenho uma igualdade que tem que ser verificada:
   PIB 2016 € * Dívida em 2016 % 
                = PIB 2015 € * Dívida em 2015 % + PIB 2016 € * Défice em 2016 %  (5)

Agora, ainda preciso determinar o PIB 2016 € aplicando a taxa de crescimento real e a taxa de inflação, dados, ao PIB 2015 €:
   PIB 2016 €= PIB 2015 €*(1+ Cresc do PIB) * (1 + Taxa de inflação)   (6)

Penso que não há qualquer dúvida no facto de o modelo às diferenças (1-6) traduzirem a dinâmica de evolução da dívida pública.


Vamos às previsões do Centeno para 2016.
Défice 2016 % = 2,6% do PIB

Dívida pública 2016 % = 126% do PIB
Dívida pública 2015 % = 126% + 2,7%  do PIB (o 126% é irrelevante no cálculo)
Crescimento real 2016 = 2,1%
Inflação medida no PIB = 2,0%
Daqui resulta um crescimento nominal do PIB em 2016 = (1+2,1%)*(2%) - 1 = 4,14%

Mas as contas não batem certo, certo.
Aplicando as previsões do OE2016 à igualdade 5) com 6), há um erro algébrico que se traduz em o crescimento nominal do PIB implícito nas contas (a inflação e o crescimento Real) é 4,3% assumidas na conta maiores que ser apresentada uma estimativa para o crescimento do PIB 3,65% menor que o necessário para que o  défice de 2,6% se traduz numa diminuição da dívida pública em 2,6 pp.
     Crescimento 2016 %= 2,18%
     Inflação medida no PIB = 2,07%
     Crescimento Nominal do PIB € = (1+2,18%)*(2,07%) - 1 = 4,29%
Mas o gato não está aqui, são apenas 0,15 pontos percentuais a mais no crescimento do PIB.

Primeiro gato => A inflação do PIB.
Por um lado, nas contas está prevista uma inflação do PIB de 2,07% mas, por outro lado, está prevista uma inflação no consumidor de 1,4%. Está previsto que a inflação do PIB vai ser maior em 0,67 pp a inflação no consumidor.
O problema é que no período 1999-2014 a taxa de inflação no PIB, 2,260%/ano, foi praticamente igual à taxa de inflação no consumidor, 2,258%/ano.
Assim, não existe nenhuma justificação para avançar com este desvio entre a previsão para a inflação calculada no PIB e no consumidor.

Qual o significado económico da diferença entre estas duas taxas de inflação?
 A inflação no PIB tem a ver com a evolução dos preços dos bens que as nossas empresas produzem e que vendem para Portugal e para o Exterior (exportações), seja para consumo ou para investimento.
A inflação no consumidor tem a ver com os bens que uma família típica consome e que tem a ver com os bens produzidos em Portugal e no Exterior (importações).
Se a inflação no PIB é superior à inflação no consumidor, então, os bens importados têm um aumento menor que os bens produzidos em Portugal.
Supondo que os bens importados pesam 40% no cabaz do consumidor, teremos:
   Inf.PIB *0,6 + Inf.Externa*0,4 = IPC <=>  2,07%*0,6 + Inf.Externa*0,4 =1,4%

Inf.Externa = 0,57%/ano, Inf. do PIB = 2,07%/ano

No draft, a inflação do exterior é prevista como 0,57% e a dos bens produzidos em Portugal é prevista como 2,07% o que traduz que, os bens produzidos em Portugal ficarão mais caros 1,5% relativamente aos bens produzidos no exterior.

Mas isto não bate certo com a balança comercial.
O aumento do preço dos nossos bens relativamente ao exterior leva a um aumento das importações e a uma redução das exportações pelo que a previsão de melhoria da balança comercial só pode ser uma anedota.
Esse aumento dos nossos preços apenas levaria a um melhoria do saldo da balança comercial se os nossos bens, relativamente a 2015, melhorassem em qualidade, o que não vai acontecer. Então, não é possível vir-se a concretizar a previsto aumento de 4,3%  das exportações (quando, em 2015, aumentou 3,9%)!

Segundo gato => A previsão da inflação e do crescimento pelas instituições internacionais.

Como as tabelas de IRS se vão manter constantes e os salários dos funcionários públicos não vão sofrer alterações no índice (a reposição é contabilizada à parte), um aumento do PIB traduz-se num aumento muito significativo da receita fiscal sem haver aumento da despesa por causa da inflação.
A receita pública em 2014 é de 45% do PIB. Vou considerar, de forma conservadora, que o aumento do PIB nominal tem um impacto de 0,50 na redução do défice. Quer isto dizer que o aumento em 1,00€ no PIB nominal causa uma redução em 0,50€ no défice (porque não há actualização de tabelas nem de salários e quem ganha mais, paga mais IRS).
Então, este crescimento previsto no PIB de 4,29% vai facilitar a consolidação orçamental em 2,15 pp. Se o Costa diz que vai consolidar de 3,0% para 2,6%, 0,4 pp., ainda vai ter uma folga de 3070 milhões € para gastar acima do que o Passos Coelho gastou em 2015.
3070 milhões de euros é muita massa, são 300€ por cada português vivo.

Segundo gato => A previsão da inflação e do crescimento pelas instituições internacionais.
Para o crescimento real do PIB, a OCDE prevê a mesma taxa de crescimento de 2015, i.e., 1,7% (ver) o que compara com os 2,1% do Centeno.
Para a inflação, o Banco Central Europeu prevê 0,7% para a inflação de 2016 (ver) o que compara com os 2,07 do Centeno!
Juntando as previsões mais credíveis e internacionalmente aceites para o nosso crescimento nominal do PIB, teremos:
   Crescimento Nominal do PIB € = (1+1,7%)*(1+0,7%) - 1 = 2,41%
E não os 4,29% do Centeno.

É um desvio no crescimento de 1,88pp.
As contas do Centeno quanto ao crescimento estão exageradas em 1,88pp o que, aplicando o multiplicador de consolidação de 0,5, traduz que o défice está martelado em 1,88*0,5 = 0,94% PIB
São, nada mais, nada menos, que uma marretada que vale 1650 milhões €.

Apenas ajustando a previsão para o crescimento nominal do PIB, o défice passa a 3,5%.
Claro que ninguém vai aceitar um desvio de 78% entre a previsão das instituições internacionais e as previsões do Centeno.

 Nem é preciso olhar para mais nada para verificar que a coisa está muito inflacionada

domingo, 24 de janeiro de 2016

Terá acontecido hoje a primeira derrota do PCP?

Hoje houve dois vencedores.
Primeiro, Marcelo Rebelo de Sousa porque foi eleito à primeira volta contra 9 candidatos.
Segundo, Vitorino Silva porque conseguiu estar taco a taco com o PCP.

E houve dois derrotados.
O Póvoa porque não conseguiu forçar uma segunda volta (onde perderia).
O António Costa porque, com a sua incapacidade de tomar decisões, não conseguiu arranjar um candidato forte como, por exemplo, o Francisco Assis.

E onde fica o PCP?
O PCP ganha sempre pelo que será difícil dizer se ganhou ou perdeu. Mas, desta vez, não vai ser possível esconder a derrota porque esta foi estrondosa não só por o Edgar ter apenas 3,6% dos votos mas principalmente por a Marisa Matias terem conseguido quase o triplo deste resultado, 9,9%.
Em 1976, Otávio Pato teve 7,59% (Ramalho Eanes);
Em 1991, Carlos Carvalhas teve 12,92% (Ramalho Eanes-Reeleição);
Em 2001, António Abreu teve 5,16% (Sampaio-Reeleição);
Em 2006, Jerónimo de Sousa teve 8,64% (Cavaco Silva);
Em 2011, Francisco Lopes teve 7,14% (Cavaco Silva);
Em 2016, Edgar Silva ficou nos 3,8%!

3,8% é a votação do Vitorino Silva!
O Tino mostrou bastante capacidade para uma pessoa gaga e que apenas tem uma 4.a classe e uma vida de calceteiro. Se o Tino tivesse tido uns pais que lhe tivessem pago um curso na Suíça, concerteza que teria sido reitor de uma universidade e hoje teria ganho as eleições presidenciais.
E 3,8% para o PCP, um partido que se quer de charneira na política portuguesa, é zero, aplicado a umas legislativas daria 3 ou 4 deputados ao PCP!
 Com esta votação num tempo em que não havia voto útil num candidato da esquerda, o PCP iniciou o caminho traçado pelos dinossauros: desaparece transformando-se numas galinha esganiçada.

Com 3,8%, o PCP já não mete medo a ninguém.

Bem, mete medo ao Costa!
Será que este resultado do PCP resultará do seu apoio ao governo do António Costa?
Será que esse apoio vai levar ao desaparecimento do PCP, como aconteceu na Grécia, e a sua substituição pelo BE?
Se o Comité Central pensar que sim, os dias do António Costa como Primeiro Ministro estão contados e tal nada terá a ver com o presidente eleito Marcelo Ribeiro de Sousa.


A "minha" sondagem acertou.
Acertou na parte em que afirmei com certeza que não haveria segunda volta.
Acertou na parte em que afirmei que a votação no Marcelo iria ficar abaixo dos 55,1%.
Mas erraram na parte da Maria de Belém.
Mas tenho em minha defesa que a minha previsão era apenas acerca do "erro" em torno do valor médio dado pelas 3 sondagens publicadas e estas estavam, relativamente à Maria de Belém e Tino, com desvio.
Agora, é esperar pelas próximas, pelas Legislativas 2016.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

A sondagem de todas as sondagens presidenciais

Temos 3 sondagens. 
Procurei no Google informação sobre as sondagens presidenciais de ontem mas não encontrei anda. Então, meti a minha TV para ontem e revi os telejornais.


- - - - - - - - - - -Cat / RTP - - Eur /SIC - - Inter/TVI - - - Sondagem das sondagens
Marcelo - - - - - - - -52% - - - - - 55% - - - - 51,8%- - - - - - - 53,1%
Nóvoa - - - - - - - - -22% - - - - - 19% - - - -16,9%- - - - - - - 19,9%
Maria de Belém - - - 8% - - - - -13,3% - - - 10,1%- - - - - - - 10,4%
Respostas - - - - - -3340 - - - - - 2015 - - - - 1043 - - - - - - - 5298
Indecisos - - - - - - 18% - - - - - 16,1% - - - - 14,5% - - - - - -16,6%
Taxa de resposta -  68% - - - - - ????? - - - - -60,9% - - - -  - 65,7%


Com estes dados posso fazer uma meta-análise.
Primeiro, juntei as 3 amostras numa amostra (a população a usar na meta-análise) maior refazendo os resultados da melhor forma possível dada a informação disponibilizada.



Catolica EuroSond   InterCamp         Total
Marcelo 955 930 462 2347
Novoa 404 321 151 876
Belém 147 225 90 462
Abst 403 324 151 879
Telefonemas 3294 3065 1713 8072
Respostas 2240 2015 1043 5298


#Programa em R usado no cálculo da probabilidade de haver segunda volta
#Marcelo, Novoa, Belem, Outros, Não Respondeu
  Respostas <- c(2347, 876, 462, 734, 3653)/8072 # Respostas relativas nas 3 sondagens
  Marcelo<-0; Novoa<-0; Belem<-0 #Inicializo as variáveis que guarda os resultados de cada candidato
#Faço 100000 "sondagens" por bootstraping
  for (i in 1:100000)
    {sondagem <- sample(c("1M", "2N", "3B", "4O", "5NR"), 8072, prob = Respostas, replace=TRUE)
    s <- table(sondagem) #Conta quantos votos tem cada um
    Marcelo[i] <- s[1]/(8072-s[5]) #Calcula a percentagem dos votos expressos
    Novoa[i] <- s[2]/(8072-s[5])
    Belem[i] <- s[3]/(8072-s[5])
    }
#Resultado do Marcelo correspondente ao percentil 0,01%, 10/100000
sort(Marcelo)[10]
[1] 0.503132

Agrupando as 3 sondagens numa-meta análise, posso concluir que
1 => A probabilidade de haver uma segunda volta é menor que 0,01%
2 => Com um grau de confiança 99%
         Marcelo vai ter entre 51,2% e 55,1%
         Nóvoa vai ter entre 18,3% e 21,4%
         Maria de Belém vai ter entre 9,3% e 11,7%

A probabilidade de o Marcelo ter na primeira volta menos que 50% é remota, inferior a 0,01%

As pessoas gostam de saber o erro a 95%.
Marcelo +-2,1 pp
Nóvoa +-1,7 pp
Belém +- 1,3 pp

#codigo do R
(sort(Marcelo)[100000-250] -sort(Marcelo)[250])/2
(sort(Novoa)[100000-250] -sort(Novoa)[250])/2
(sort(Belem)[100000-250] -sort(Belem)[250])/2

p.s. - Os resultados finais.
As eleições realizaram-se e os resultados foram
Segunda Volta --> Não houve (dentro da previsão)
Marcelo --> 52,00% (dentro da previsão)
Nóvoa --> 22,89% (ligeiramente acima da previsão)
Belém --> 4,24 (muito longe da previsão)


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Afinal, Sampaio da Nóvoa não é licenciado!

A comunicação social criticou muito a licenciatura do Miguel Relvas.
Dizem que houve uma exagerada "creditação das competências académicas e profissionais" em cadeiras, equivalências a artigos de jornal e outras coisas estranhas mas, no fim, foi passado um papel a dizer "Licenciado".
O caso do Professor Doutor António Sampaio da Nóvoa é muito mais estranho pois nem sequer existe qualquer papel a dizer que o homem chegou a frequentar com aproveitamento uma licenciatura.

Onde é que estará a licenciatura do Nóvoa?

O que diz o curriculum no facebook (ver).
É tal e qual o curriculo de Jesus Cristo. Nasceu e viveu até aos 30 anos sem que ninguém lhe conheça o que andou a fazer. De repente, em 1986, aparece doutorado e entrando com este papel na carreira universitária sem que nunca lhe fosse conhecida a licenciatura.
Sobre esses 30 anos da sua vida diz apenas "Historiador de educação, António Nóvoa tem formação em Pedagogia (Ciências da educação) e em História Moderna e Contemporânea, na Universidade de Genéve e na Universidade de Paris IV Sorbonne.
Será que o que deveria ser uma licenciatura é "formação"?

Mas afinal há mais no site pessoal (ver)
Agora já não fala da formação na Universidade de Paris IV Sorbonne. nem fala de ser Historiador de educação. Fala de ser estudante/futebolista "chega à Universidade de Coimbra em 1971, com 16 anos, um ordenado de Juvenil e uma matrícula em Matemática"
Esteve matriculado em Matemática mas não fez cadeira nenhuma porque "partilha o tempo entre o futebol da Académica e os palcos do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra"
Interessante referir que, em 1973, "deixa os relvados de Coimbra trocando-os pela Escola de Teatro do Conservatório Nacional" sem referir a Universidade de Coimbra!

Como pode ter dado aulas sem ser licenciado?
Mesmo sem referir qualquer licenciatura, aparece em 1977 como docente do politécnico, "de 1977 a 1979, Sampaio da Nóvoa dá aulas no Magistério Primário de Aveiro e reconhece a importância do futuro na escola e nos professores."

 Não mais refere a "formação na Universidade de Paris IV Sorbonne".
 "Com 25 anos, parte num Fiat 127 com destino à Europa. Tem alguns contactos em Bruxelas, mas acaba por ficar na Suíça. Depois de diplomado em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra, é convidado para prosseguir estudos de doutoramento, ao mesmo tempo que dá aulas. Defenderá a sua tese em 1986, sobre a história dos professores em Portugal."
Fala que foi com 25 anos, o que daria 1976 até porque também diz que esteve até 1976 em Lisboa no Teatro mas, passado apenas um ano, já está a dar aulas em Aveiro!
 
Afinal refere, Paris serviu para fazer um segundo doutoramento!
Não foi a licenciatura porque só aparece em Paris já em 1996, ano em que passa a Catedrático em Lisboa, mas para concluir um segundo doutoramento sem nunca referir quando o começou. Digamos que a criança nasceu sem a mãe alguma vez ter estado grávida.
"Em 2006, completa um segundo doutoramento, na Universidade de Paris IV- Sorbonne, em História Moderna e Contemporânea."
E quem foi o orientador dos seus doutoramentos? E qual foi o título? E onde estão depositadas estas teses para poderem ser consultadas e lidas? 
Nada é dito.

A licenciatura do Novoa foi um  conjunto de equívocos.
Penso eu que interpreto a informação da forma seguinte:
Andou na escola primária, depois no liceu e, com isto, somou 11 anos de escolaridade.
Depois, andou matriculado em Matemática sem fazer nada e frequentou a Escola de Teatro do Conservatório Nacional durante 4 anos mas sem obter qualquer grau académico porque essa escola e demais conservatórios não davam nada, nem sequer o bacharelato.

Em 1976, com 25 anos, sendo filho de pais ricos, pegaram no menino e mandaram-no para Geneve para ver se dava um rumo à vida louca.
Lá partiu o doidivana com a carteira recheada e, chegando à Suiça, disse "eu tenho dinheiro para pagar as propinas e já tenho 15 anos de escolaridade, estão aqui os meus diplomas, sendo que 4 anos são de ensino pós-secundário."

Na Suiça não faziam ideia do que era a Escola de Teatro do Conservatório Nacional pelo que deram equivalência a umas coisas e umas validações a outras e deram-lhe, ao fim de uns meses, um "diploma em ciências da educação."

Chegando cá, mostrou esse diploma e, como nesse tempo o país estava dominado pela desordem, deram-lhe uma espécie de equivalência a uma licenciatura. Nesse tempo (e penso que nem agora) em Portugal não existia uma licenciatura em ciências da educação!

Depois, apareceu com um doutoramento, no tempo em que ninguém tinha doutoramento, e já ninguém mais lhe perguntou pela licenciatura.

O Novoa veio dizer hoje (21Jan) que é licenciado em Ciencias da Educação em 1984 (ver).
Que fez um "diploma" em 2 anos em Geneve, Suiça e que isso lhe deu equivalência a uma licenciatura em Ciencias da Educação na Universidade de Aveiro.
O problema é que fui à Universidade de Aveiro e essa licenciatura não existe (ver)!
Depois, pensando "OK, fui um cusro que existiu e que já acabou" fiz uma pesquisa no Google Licenciatura + "Ciencias da Educação" + Aveiro e não há uma única pessoa no mundo que diga no seu curriculo ser licenciada nisto.
Estranho, haver uma licenciatura com apenas um licenciado e logo por equivalencia de um curso de 2 anos.
Mas há muitas mais coisas estranhas no Mundo como, por exemplo, haver extraterrestres no meio de nós e ninguém os conseguir ver.

Reparemos bem no dicploma dos tais estudos avançados. Diz lá mesmo que é uma pos-graduação complementar da licenciatura que o Nóvoa nbão tinha mas disse que tinha em Teatro ou outra coisa qualquer que não era verdade.


Eo que é o Diplome de Études Advancees?
É um mestrado e, por isso, é que durou 2 anos (ver).
Eu, por exemplo, tenho um mestrado em economia, um doutoramento e a agregação mas não sou nem poderei ser licenciado em economia sem realizar um curso de licenciatura.

É que com o meu pai aconteceu o mesmo!
Andou muitos anos no seminário maior da diocese do Porto e, quando concluiu esses estudos secundários, foi mandado para casa "à espera de ser chamado por Deus". Ia todos os dias ajudar o padre da terra na missa e os meses foram passando. Como um tio dele era uma padre muito famoso (o Padre Manuel Alves Correia), foi às falas com o Sr. Bispo do Porto (Agostinho de Jesus e Sousa, 1942-1952) que lhe disse "vais estudar para a Universidade Pontifícia de Salamanca e, quando tiveres o curso, vens cá que eu ordeno-te padre."
O problema é que D. Agostinho, no entretanto, morreu e o bispo seguinte, o D. António, disse "Não"

Mas agora vamos ao que interessa. 
Os estudos no seminário em Portugal não eram equivalente aos estudos nos liceus. Assim, tecnicamente, o meu pai tinha a 4.a classe. Mas chegando a Espanha, os estudos dos seminários serviram como equivalentes aos estudos liceais.  
Frequentando então, com aprovação, o curso em filosofia em Salamanca, mas que em Portugal de nada valia porque, por um lado, não tinha o secundário,  por outro lado, as universidades estrangeiras não eram reconhecidas cá e, finalmente, o curso só tinha a duração de 3 anos (e cá, eram 4). 

Em 1976 a nossa vida estava muito, muito dificil.
Então, a minha mãe foi a Lisboa para "resolver a nossa vida". Andamos de um lado para o outro, a é e nos autocarros sem bilhete (entravamos pela porta de trás), e acabamos no Ministério da Educação (era ministro o Souto Maior Cardia) onde a minha mãe usou de tudo na tentativa de tocar o coração de alguém. 
Eu também fui para ajudar (tinha 10 anos) e que, por causa do cansaço da viagem de comboio que tinha durado mais de 10 horas e por outras horas infinitas a andar a pé e a fugir do pica, só dizia "vamos emboia" e "tenho fome". 
Falou com este e com aquele, de Pilatos passava-mos para Caifás e eu sempre a dizer "Vamos emboia" até que apareceu um senhor que disse  "A senhora garante sob juramento de que o seu marido fez mesmo uma licenciatura em Espanha?"
A minha mãe viu ali mesmo a luz da Nossa Senhora de Fátima "Que este meu filhinho morra aqui mesmo à nossa vista se o que eu afirmo não for verdade, juro por minha honra e pela saúde dos meus de que o meu marido fez a licenciatura em Espanha com a classificação de Provato."
-Então, não se preocupe mais que isto já está resolvido, dentro de dias vai receber o despacho em casa.
Realmente, passados uns dias chegou a nossa casa um despacho do ministério a dar "equivalência ao grau de licenciado em filosofia com a média final de 10 valores".
O problema é que, para "agradecer este milagre da Nossa Senhora", fui obrigado a ir todos de manhã todos os dias à missa e a rezar o terço antes de deitar "para toda a vida" e aminha mãe foi duas vezes a Fátima a pé (tinha prometido "ir e vir"). O bom é que "para toda a vida" não durou assim tantos anos.
Com esse documento, o meu pai tornou-se professor, efectivou-se quando tinha 62 anos e acabou por, aos 70 anos, se reformar "por inteiro".


Sou diplomada pela Universidade de Genéve.
Tem a minha equivalência!

E como estão as contas do Orçamento de Estado?
O Costa veio hoje dizer que era esta semana. Que desta é que não passava.
O problema é que, quando o Passos Coelho começou a fazer o planeamento do OE2016, a comissão europeia obrigou-o a reduzir o défice em 0,9pp relativamente a 2015.
Depois, veio dizer ao Costa que poderia resvalar um bocadinho mas que tinha que ficar em 0,6pp.
Hoje houve uma fuga de informação em que a comissão dizze que "o défice em 2015foi de 3,1% pelo que em 2016 não pose passar de 2.5% do PIB."

O que eu soube da UTAO!
Apesar de estar aqui perdido, há almas caridosas que me fazem chegar informação.
Que mantendo tudo o que o Passos Coelho fez e disse que iria fazer para 2016, seria muito difícil atingir os 2,8% que o Costa anucia como a sua meta pelo que, "acabandpo com a austeridade" isso torna-se totalmente impossível.
Mas hoje o Cabral já veio dizer "Acabou a austeridade e começou a contenção"
E os esquerdistas a mandar recado (ver)

 Afinal, o novo caminho é apenas a mudança de uma palavra.

E o que acontece se o Costa não respeitar a imposição de Bruxelas?
Não sei mas, pelo menos, acrescenta risco o que faz com que a diferença entre a nossa taxa de juro e a taxa de juro alemã a 10 anos esteja a subir perigosamente. Desde princípos de Dezembro que já subiu 0,6 pp percentuais que, se fosse aplicada a toda a dívida pública, se traduziria numa despesa adicional em juros de 1400 milhões € por ano.
Começar uma guerra com a Comissão é 3/4 do caminho para termos que pedir novo resgate no prazo de apenas alguns meses.

 Evolução do Spread da dívida pública a 10 anos portuguesa relativamente à Alemã considerando o zero como o spread médio na semana das eleições de Outubro de 2015.

Transcrevi mais umas palavras trocadas entre o Costa e o Passos.
O PC e o BE já estão na televisão a falar em "por em causa o acordo."
Agora, já estou em condições de dizer o que o Passos Coelho respondeu ao Costa quando este ao seu gabinete pedir apoio para o OE2016.
- Onde está a tua garantia ao Cavaco de que o teu apoio à esquerda era sólido? Agora, tens que assumir as consequencias dessa tua má opção pois não faz qualquer sentido democrático o partido que ganhou as eleições suportar o governo do partido que perdeu as eleições. Por isso, demites-te agora e marcamos eleições para o próximo dia 5 de Junho. 
Mas, para não pensares que te estou a impor alguma coisa, ainda te dou duas hipoteses:
H1 - Manténs-te em gestão até que o governo saído das próximas eleições possa tomar posse.
H2 - Sais já e o Cavaco dá, amanhã mesmo, novamente posse ao governo que derrobaste juntamente com os esquerdistas.


Agora, amigo Costa, só tens que decidir se queres o tiro entre os olhos ou no coração.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Presidencias - Quem defenderá melhor a Vaca Sagrada?

Eu tenho estado em silêncio sobre as presidenciais. 
A razão prende-se com ser um assunto que não interessa a ninguém e que, por isso, não compensa em leitores o tempo que poderia aplicar a escrever sobre este tema sem qualquer interesse picante. Mas vou ter que responder à dúvida de quem defendeu, defende e defenderá melhor a Constituição Portuguesa.


A Constituição é tão importante que há países que não têm.
Os esquerdistas têm centrado a sua batalha contra o Marcelo na afirmação de que eles são melhores defensores da Constituição.
Mas isso não deve ser assim de tão grande importância porque até há países sem constituição!Claro que está a pensar que tais países só podem ser primitivos e bárbaros, onde o trabalhador é sugado até ao tutano pelo capitalismo selvagem, talvez o Sudão ou a Papúa Nova Guiné. Mas não, são países desenvolvidos como Israel, Nova Zelândia, Reino Unido e a Arábia Saudita. E os Estados Unidos da América, apesar de terem constituição, reduzem-na a uma folhita com 7 artigos.

Mas, afinal, o que é a Constituição?
Para andarmos na rua com o nosso automóvel, por exemplo, tem que haver leis que regulem o tráfego. Naturalmente, todas as pessoas têm que ser obrigadas a andar apenas num lado da estrada (no nosso caso, o direito), têm que ceder prioridade aos carros que, nos cruzamentos, aparecem pela direita, não podem estacionar em sítios que prejudiquem o normal fluir dos outros carros, etc.
Então, como sociedade, transmitimos a um órgão coletivo, a Assembleia da República e o Governo, o poder de fazer legislação que regule o trânsito rodoviário.
Se, no nosso parlamento de 230 deputados, a maioria aprovar uma Lei, toda a gente tem que a cumprir.

Mas nós temos uma Constituição.
A Constituição não foi, como os 10 Mandamentos, escrita por Deus no Monte Sinai (alegado pelo Profeta Moisés) mas apenas por homens.
Em 1975, mulheres e homens onde se incluía o Marcelo, escreveram a Constituição Portuguesa porque acharam bem ter um patamar legislativo que fosse mais estável que resulta do poder legislativo só precisar de 50%.

Alguém disse que
1) Talvez fosse boa ideia separarmos a Lei que trata dos órgãos de soberania, a sua eleição e os seus poderes, do resto da legislação.

2) Em termos teóricos há o risco de, um dia, uma maioria PSD+CDS mandar fazer exames, depois vir uma maioria PS+PC+BE que os anula para, passados uns meses, voltar uma maioria PSD+CDS para os mete outra vez em pé, numa sequencia sem fim.
Há o risco de uma maioria PSD+CDS fazer o horário da Função Pública igual ao horário dos privados (40 h/sem), depois vir uma maioria PS+PC+BE que reduz o horário (para35h/sem) para, passados uns meses voltar a maioria PSD+CDS a meter o horário nas 40h/sem.
Claro que unanimemente disseram "Isso nunca irá acontecer porque nós e os futuros políticos queremos todos o melhor para o nosso país mas, pelo sim, pelo não, vamos criar umas Leis que sejam difíceis de alterar."


 Fig.1 - Esta água benta é para os esquerdistas defensores da Sagrada Constituição beberem durante a campanha presidencial pois andar de feira em feira faz muita sede.

Pelo sim, pelo não, amarraram-se todos a uma maioria de 2/3 (ou 4/5).
O PSD e o PS, que na Constituinte tinham 197 deputados num total de 250, decidiram ser boa ideia amarrarem-se um ao outro criando um conjunto de leis que apenas podem ser alteradas com o voto de 2/3 dos votos (com limitações temporal) ou 4/5. No caso atual em que temos 230 deputados, a constituição pode ser alterada com uma maioria de 154 deputados e não com a normal dos 116 deputados.
O único problema desta "lei constitucional" é que não poderia ser demasiadamente detalhada porque isso iria impossibilitar que os futuros governos pudessem governar. Então, a Constituição, além da definição dos Órgãos de Soberania, apenas tem um conjunto de generalidades.

Será que o IRS, IRC, IMI, IVA e o ISP que pagamos estão na Constituição?
O Gasparzinho aumentou os impostos e ninguém disse ser inconstitucional porque a Constituição fala disto no artigo 104.º mas apenas de forma muito genérica. O que lá diz é apenas senso comum que qualquer pessoa com dois dedos de teste diria que não poderia ser de forma diferente e, por isso, nem era preciso que lá estivesse.
Alguém imagina que o IRS não tivesse em atenção o rendimento do agregado familiar?

Artigo 104.º - Impostos
1. O imposto sobre o rendimento pessoal visa a diminuição das desigualdades e será único e progressivo, tendo em conta as necessidades e os rendimentos do agregado familiar.
2. A tributação das empresas incide fundamentalmente sobre o seu rendimento real.
3. A tributação do património deve contribuir para a igualdade entre os cidadãos.
4. A tributação do consumo visa adaptar a estrutura do consumo à evolução das necessidades do desenvolvimento económico e da justiça social, devendo onerar os consumos de luxo.

Também diz lá que ...
Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade (Art. 36.º).

A Constituição é "vítima" de interpretação.
Quando o Nódoa atacou a Maria de Belém dizendo "Não a ouvi a defender a Constituição quando o Passos Coelho cortou os Subsídios de Férias e de Natal dos funcionários públicos". O problema é que, não era nem é certo que tais cortes, em presença da bancarrota do Estado Português, sejam inconstitucionais. E por isso é que o acordum do Tribunal Constitucional foi por maioria e a razão da declaração da inconstitucionalidade não foram os cortes em si mas sim, principalmente, não haver igualdade entre funcionários públicos e privados. À Luz do Acordum, se o Passos Coelho tivesse suspendido, como na altura defendi, os subsídios em todos os trabalhadores, tal já seria constitucional.

Porque será que os esquerdistas falam tanto na Constituição?
Porque foi escrita quando o PC tinha o poder das ruas. No tempo em que foi capaz de influenciar o voto do Partido Socialista, coisa que nunca mais acontecceu nem acontecerá (?).
Agora, como bem mais de 2/3 (mesmo, mais de 4/5) dos deputados são dos partidos "burgueses", há o "perigo" de a Constituição ser extirpada de todo o esquerdismo que ainda contém.
 
  Fig. 2 - Boa Constituição

Por falar no Art. 36.º da Constituição Portuguesa.
O tal que diz que "Todos têm o direito de constituir família." Sendo que rpetendo ocnstituir família, não sei onde me dirigir para obrigar o Estado ou alguém a dar cumprimeto à Constituição. Claro que não queria uma esganifada daquelas que o Arroja referiu mas, porque não a Fifi!
Chegou ao meu ouvido "Devias estar mais atento pois a Fifi está disponível, ou melhor dizendo, esteve mas parece que já não está!"
A Fifi é lá minha colega não docente nem investigadora, há uns 20 anitos era um colosso e agora, nos seus 40 anitos, está mais ao menos, está benzinho, OK, é boa.
Mas eu não tenho hipoteses nenhum e vou contar alguns factos para verem que não tenho hipoteses.

Eu devo estar um farrapo.
Na sexta-feira tive que ir ao meu emprego por causa do exame e deixei a minha mãe sozinha. Quando, às 16h30, cheguei a casa, o Zé (guarda os carros) estava muito aflito "Oh pá, veio ai o INEM e levou a tua mãe, eu estive lá a ver e tinha uma asa partida, caiu e ficou partida."
Eu lá tive que justificar a minha ausencia "Sabes Zé, tive que deixar a minha mãe um pouco sozinha porque tive que ir trabalhar."
- E tu trabalhas em quê - perguntou-me o Zé
 - Trabalho no Porto
- Mas em que? Nas obras? Mas tu não precisas enquanto a velhota estiver viva pois tens a pensão!
Aterrei de fuça no chão.

(A minha mãe, não é nada de muito grave, está internada no Hospital Santos Silva à espera de ser operada ao cotovelo. Para uma pessoa diabética, que faz hemodiálise, tem cancro, demência moderada e não caminha, não é nada.)

Quando vou comprar coisas ao supermercado.
As pessoas que vão à minha frente, recebem o troco, o recibo e vão-se embora.
Quando chega a minha vez, a menina coloca moeda por moeda na minha mão sempre a dizer, "Está a perceber?" E quando me dá a factura, pega na esferográfica e explica-me aquelas verbas todas, quanto custou a carne, quanto tive de desconto, quanto tenho no cartão e que, no caso de não gostar de alguma coisa, que tenho 15 dias para devolver. "Vai ali àquele balcão, entrega a coisa e dão-lhe um cartão onde metem o dinheiro, não se preocupe."
No talho s senhoras são muito atenciosas comigo "Leve esta carnezinha que está em promoção de 50%" e rematam sempre com "Eu sei que ser pobre custa muito meu senhor."

As minhas colegas largadas.
Volta e meia, tal como a notícia da Fifi, vem a notícia de que "Fulana apanhou o homem na cama com outra" ou apenas que "O homem desaparceu de casa." Havia uma em quem eu até talvez tivesse algum interesse constitucional. Mesmo pensando que "Um carro abandonado na Auto-estrada deve ter algum problema" dei um pequeno passo no sentido de, sabem do que eu estou a falar.
Nada.
Depois, surgiu outra com ainda mais problemas, parada na autoestrada e sem rodas, classificada como "Muito boa pessoa."
Mesmo assim, nada.
Agora a Fifi?

Não vale a pena eu perder o meu latin.
É assim como o Tino de Rans e os outros 8 tintos! Será que algum deles imagina vir a ser, algum dia, eleito Presidente da República?
Nem sei porque gastam latim.

Fig. 3 - Mesmo sendo boa pessoa e ter sido largada, não me deu troco. Lá se vai o Art. 36.º da Constituição (vendo bem, até tem a sua gracinha! Um olhar maroto!).

Afinal, para os esquerdistas, há Constituição e Constituição.
O tribunal constitucional veio ontem dizer que o corte das subvenções vitalícias pagas aos deputados não podem ser cortadas porque isso viola o princípio constitucional da confiança.
Interessante ter sido o mesmo argumento para justificar a inconstitucionalidade de todos os cortes impostos pelo governo neo-liberal do Passos Coelho + Paulo Portas.
Mas agora, a Marisa Martins indignou-se, que tinha vergonha de viver num país com tal Constituição, que os deputados que pediram a inconstitucionalidade são um bandalhos e, finalmente, que os juízes do Tribunal constitucional são uns faxistas reacionários neoliberais.
 Mas a Constituição não é para defender independentemente de ser a nosso favor ou contra?
Afinal, os esquerdista apenas querem impor a sua própria vontade.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O Orçamento de Estado para 2016

O Centeno disse que hoje seria o dia de apresentação do resumo do OE2016. 
O Orçamento de Estado é uma análise previsional de quais vão ser as despesas e receitas que o Estado irá ter no ano seguinte. 
No caso dos países que pertencem à Zona Euro, têm que entregar até 15 de Outubro um projecto de qual irá ser o Orçamento de Estado do ano seguinte, tudo em previsão pois os verdadeiros valores só Deus os sabe. Basta uma folhinha Excel na qual o Governo diz qual vai ser a despesa, a receita e o défice públicos do ano seguinte. São só 3 números mas que, porque estão dependentes de outras, também têm que ir acompanhados pelo "enquadramento macroeconómico", isto é, as grandezas macroeconómicas mais importantes nas contas públicas como sejam o PIB, a taxa de desemprego, as exportaçõs e importaçõs, e a taxa de juro média a pagar pelo stock de dívida pública. 
Naturalmente, pode ser mais detalhado, por exemplo, ter previsões para a Segurança Social.

Mas, sendo apenas previsões ...
Sim, são previsões pelo que o Governo pode dizer o que bem entender, aumentar salários vai fazer reduzir a despesa, diminuir o IVA da restauração vai aumentar da receita, reduzir o horário dos funcionários públicos tem impacto zero, o crescimento económico vai ser como já não vemos há mais de 15 anos e o desemprego vai reduzir para metade. 
O problema é que, se "os 12 sábios do PS" puderam na campanha eleitoral dizer o que bem entenderam porque era para pacóvio ver, agora, essa folhinha Excel vai ser verificado pelas instituições europeias e, depois, no verdadeiro Orçamento de Estado de 2016, tem que ser materializada em medidas concretas.
Por exemplo, se a previsão for que "a Receita Fiscal vai aumentar 20% relativamente a 2015", terá que, posteriormente, haver aumentos nas taxas de imposto que tornem atingível essa previsão.
Também, como a taxa de crescimento do PIB tem um impacto grande nas contas públicas, terá que estar em sintonia com as previsões das instituições internacionais como o FMI, a Comissão Europeia e a OCDE.

O impacto do crescimento do PIB é positivo nas contas públicas.
Quando o PIB aumenta, o principal efeito orçamental é ao nível da receita fiscal, IVA, IRS, ISP, etc., que aumenta mais do que proporcionalmente (mantendo as taxas e os escalões, um aumento de 1% no PIB causa um aumento maior que 1% na receita pública, talvez 1,4%, ver, p.44). Num segundo nível, reduz a despesa pública porque o desemprego diminui o que faz aumentar a receita da segurança social e diminuir a despesa em subsídio de desemprego. Num terceiro patamar menos impostante, como o défice e a dívida são medidos como percentagem do PIB, o crescimento económico também tem um efeito positivo nas metas orçamentais. 
Numa conferência que estive há uns anos, já não me lembro bem qual era o número que apontavam para a consolidação alemã mas era qualquer coisa parecida com uma consolidação de 0,7 pontos percentuais por cada 1,0% de crescimento do PIB.

No seu plano, o PS prevê um crescimento de 2,6%!
O problema é que ninguém prevê um crescimento tão elevado. O Banco de Portugal prevê 1,9% (ver) e as Comissão Europeia apontam para 1,7% (ver, p.3). 
Esta diferença de 0,9 pontos percentuais entre a previsão de quem fez as contas no PS e as previsões de quem sabe e conta teria um impacto positivo no défice entre 1000 milhões € e 1100 milhões €

Fig. 1 - O problema é que só quem acreditar que isto são 20 cm é que vai acreditar que, em 2016, o crescimento do PIB vai ser de 2,6%.

Portugal está obrigado a reduzir o défice em 0,6% po PIB.
Informações que "fugiram" da Comissão Europeia e que não foram confirmadas é que a CE vai obrigar o Costa a cortar o défice em 0,6pp relativamente aos 3,0% apurados para 2015. Isto obrigaria a ter um défice de 2,4% contra os 2,8% propostos pelo Costa. Nesta diferença de o,4 pontos estão 700 milhões € de desvio.

Somando as duas parcelas em que há desacordo.
Falta 1% do PIB, 1750 milhões €, para poder ser fechada a folha Excel.

 Fig. 2 - Será coisa boa o que o Costa/Centeno vão destapar hoje (?) sobre o OE2016?

Agora, relativamente às presidenciais.
 Soube por uma escuta telefónica que tenho no pin do Passos Coelho de quatro coisas importantes.

Fig. 3 - A minha escuta está no meio da bandeira que o Passos tem na lapela

Primeira - O Portas demitiu-se do governo (na cena do "irrevogável") e abandonou, agora, a chefia do CDS-PP porque quer sair do armário e acha que isso é incompatível com ser chefe de um partido cristão e de direita.


Segunda - Existe um acordo entre o Professor Marcelo, o Dr. Passos Coelho e o Dr. Paulo Portas de que o governo esquerdista tem que conseguir aprovar o Orçamento de Estado para 2016. Se isso acontecer, o PàF aceita a actual situação de governo de derrotados. Mas, se o OE2016 não nascer, o Parlamento será dissolvido e marcadas eleições Legislativas para 5 de Junho.
Como Costa tomou posse no dia 26-11-2015, tem até ao dia 9 de Abril para ter o orçamento votado e aprovado. Tem 90 dias para o apresentar (até ao dia 24 de Fev) e mais 45 dias para o discutir. Depois, leva com a dissolução que pode acontecer a partir do dia 4 de Abril (6 meses depois das eleições).
 
Terceira - O Costa foi hoje falar com o Passos Coelho para lhe pedir que o PSD se abstenha na votação do OE2016! É que, afinal, as contas dos 12 sábios estavam mal feitas, havendo necessidade de cortar pelo menos 1750 milhões € relativamente às "contas feitas".

Quarta - O Passos Coelho já tem preparadas as anulações das anulações para serem aprovadas ainda em Junho de 2016.

Fig. 4 - O Costa pensa-se um equilibrista mas não há nenhum equilibrista que não tenha caído

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