sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Os direitos (como entrave à felicidade) e o equilíbrio de Nash

Nota prévia.
Como mais de 100 pessoas me contactaram por se considerarem as personagens retratadas neste poste, aviso que são referidas situações imaginadas, personagens fictícias, em que qualquer correspondência com uma pessoa viva e que conhecem é pura coincidência.
A linguagem utilizada foi deliberadamente urbana mas onde se lê "carro e casa" pode ser lido "vacas, cabras, ovelhas, pinhais, vinho, lameiros e milho".
Onde se lê "uma betoneira" pode ser lido "um porco" ou "um bezerro".
Onde se lê "uma colega" pode ser lido "um colega", "um agricultor" ou "um pescador" e onde se lê "a filha" pode ser lido "o filho", "os filhos" ou "as filhas".
Onde se lê "autocarro" pode ser lido "carroça de cavalos" ou "burros a zurrar".
Onde se lê "cão a ladrar" pode ser lido "galo a cantar".
Onde se lê "milionária" pode ser lido "tem as caixas cheias de milho, as pipas cheios de vinho, a salgadeira cheia de carne, chouriços e presuntos com fartura, o alpendre cheio de lenha, a horta cheia de legumes e a capoeira cheia de galinhas".

Eu tenho uma colega que é milionária.
Tem centenas de milhares de euros no banco, um rendimento que é o dobro das despesas, bons casa e carro integralmente pagos. Além disso é saudável e não tem ninguém que a chateie.
Dito isto, só podem pensar que é feliz mas não é e tudo por causa dos direitos.
Este exemplo de vida é importante porque tem ligação a conceitos fundamentais da Ciência Económica:

É a Dona Cintilante.

Conceito 1 : Equilíbrio de Nash
O indivíduo até pode estar numa posição que não acha agradável mas conjectura que, se mudar, vai ainda piorar a sua situação.
Por exemplo, uma pessoa está casada e não se sente feliz mas aguenta porque, simulando-se divorciado, vê-se muito mais infeliz "Queixo-me de quê? Já estamos habituados, cozinha bem, é razoável na cama, tenho dois filhos bonitos e, se a deixasse, imagino que ia encontrar uma cabra ainda pior."
O Equilíbrio de Nash, porque nenhum individuo tem incentivos para mudar, traduz uma situação de estabilidade.

Conceito 2:  Óptimo de Pareto
O indivíduo não está num equilíbrio de Nash no sentido de que tem a vontade de mudar mas sabe que, mudando, vai prejudicar outra pessoa.
O exemplo mais simples é a partilha de um prato de comida quando todos estão esfomeados: se um come mais, algum dos outros tem que comer menos.
O Óptimo de Pareto traduz uma situação de instabilidade e conflito principalmente se o "jogo de partilha" estiver incluído num Equilíbrio de Nash.
Por exemplo, um prato de comida grande (tamanho 10) custa 10€ e um prato de comida pequeno (tamanho 1) custa 5€. Encontrando-se 10 amigos cheios de fome em que cada um tem apenas 1,50€, o equilíbrio de Nash é comprarem e dividirem o prato grande. Dentro desta situação, cada um vai querer comer o máximo possível, prejudicando os outros(qualquer situação é um Óptimo de Pareto).

Conceito 3:  Preço / trade-off
O preço vai permitir transformar um Óptimo de Pareto num Equilíbrio de Nash compensa quem perde e penalizando quem melhora.
No exemplo do prato grande, alguém que queira comer mais 25%, vai pagar 0,50€ a alguém que passe a estar disponível para comer menos 25% porque, mais tarde, em vez de ir a pé para casa, vai usar esses 0,50€ para o bilhete do autocarro.
Todos nós nos levantamos de manhã cedo e vamos trabalhar para, no fim do mês, termos o nosso salário (para comprarmos coisas) e o patrão para ter quem faça coisas (que vendo com lucro).Existe então um balanceamento entre o sacrifício e a recompensa.
A mulher com tendência para ser gorda faz dieta e ginásio (sacrifício) para gostarem dela (benefício).

Primeiro problema: ruído.
Os nossos prédios, por causa de regulamentação errada, autarquias corruptas, empreiteiros pouco cuidadosos, tribunais ineficientes e clientes optimistas, têm muito fraco isolamento acústico o que, juntando a pessoas pouco cívicas, dá problemas nocturnos.
No caso concreto, a milionário enquanto tenta dormir ouve o cão e o roncar do vizinho (sim, ronca mais alto que uma betoneira). Já se foi queixar várias vezes e o que ouve é "se não está bem, mude-se".
Claro que, nos bairros da ciganada, mais dia menos dia, isto daria direito a um tiro.
Outra fonte de ruído são os autocarros.

O direito a um ambiente sadio.
Diz a minha colega que a Constituição lhe reconhece o direito a um "ambiente sadio" (Art. 66.º, Par. 1.º) e que, por isso, tem que reclamar até o cão se calar, a betoneira parar de roncar e os autocarros se silenciarem.
O problema é que já lá vão anos e anos e nada mudou, só se enerva, dorme mal e tem o carro todo riscado.

E se não tivesse direitos?
Seguia o meu conselho e mudava-se para um "Equilíbrio de Nash". Não estando bem e podendo mudar para melhor, fazia-o, isolava acusticamente o quartinho.
Cortiça talvez fosse mais bonito mas o melhor seria colar uma espuma de poliuretano expandido com 5 cm de espessura nas paredes e no tecto (do chão não vem ruído), metia outra janela por fora dos estores e ainda um cortina grossa.
O trade-off seria investir 1000€ e ficar com o quarto um bocadinho de nada mais pequenino e sem paredes estanhadas.
O problema?
"Não vou gastar 1000€ quando não sou eu que faço o barulho, isso seria deixar de acreditar no estado de direito e dar parte de fraca. Tenho que exigir os meus direitos, lutar pelo cumprimento da Constituição."
E os 1000€ nem lhe fazem falta nenhuma.

Segundo problema: as relações amorosas.
Imaginem que A encontra B e que, em conjunto, se sentem mais felizes do que em separado.
Esta situação será, em termos globais, um Equilíbrio de Nash e aqui é que está o problema.
É que A pode melhorar ainda mais se "empurrar" o B um bocadinho.
Se o B for à praia quando o A quiser, se o B cozinhar o que o A quiser, se o B fizer o que o A quiser será melhor para o A e, naturalmente, pior para o B.
Claro que o A vai dizer "Se o B me amar vai ficar contente por responder afirmativamente aos meus pedidos, vai gostar de me ver feliz." Mas, com esta afirmação está a confessar "eu não amo o B, tenho é interesse em que ele me faça as vontades."
Quando estas situações são um Equilíbrio de Nash, nem A nem B querem sair da relação, tem um ambiente de constante violência verbal que, muitas vezes, evolui para violência física.

Vamos aos direitos.
Quando A conhece B, o A passa a pensar que adquiriu direitos sobre B.
Mas esses direitos vêm de onde?
Qual é a origem dos direitos?
Onde está o contrato em que esses direitos são instituídos?
De facto, os direitos não existem e são apenas um justificação sem justificação que A usa para "empurrar" o B.

Há duas questões filosóficas relacionadas com a sexualidade.
Imaginem que B não é uma menina de coro, que previamente já trancou com 10 pessoas diferentes.
Será que A, começando uma relação com B, tem o direito de "exigir" relações sexuais a B?
Vamos ainda supor que o B nunca teve relações sexuais com ninguém (que não com ele próprio).
Será que B tem o direito a proibir A de ter relações sexuais com terceiros até um quantitativo de 10?

Isto trás à discussão a Teoria da Relatividade!
O tempo é mais uma dimensão da realidade espacio-temporal.
Sendo assim, em que é que o Passado é diferente do Futuro?
Para a relação actual, em que distingue A ter trancado com 10 no passado com B vir a trancar com 10 no futuro?
Porque impõe A a B que o Futuro é diferente do Passado?
De onde lhe vem este poder?

Vou gritar até fazeres o que eu quero.

Também tenho uma amiga falida.
E o interessante é que ganha o mesmo que a milionária.
O problema é que pensa ter o direito a uma casa num dos sítios mais caros da cidade, a ter a filha num colégio caríssimo, a ter um homem bonito e inteligente (mas que deu à sola).

A minha empregada foi-se hoje embora.
Vejam só.
Contratei uma empregada que veio para Portugal nessas vagas de refugiados da Ex-URSS, veio do Uzbequistão, com pena dela.
Dei-lhe a chave de minha casa.
Tem a minha casa numa desarrumação total.
Nunca a mandei trabalhar nem lhe disse alguma vez "tem que arrumar melhor".
Pedi à minha irmã para a contratar que, depois de lá estar uns meses, me disse "não a quero nem de graça."
É feia como um sapo, gorda e velha.
Teve a lata de dizer mal das camisolas de lã da Pull & Bear que comprei ao cigano (paguei 6€ por 5 camisolas, para o ajudar). Quando lhe fui mostrar as camisolas em horas remuneradas, disse "isso não presta, eu não dava nem 1€ pelas 5".
Hoje disse-me "Se não me pagar mais, vou-me embora."
Deixou a chave em cima da mesa e foi-se embora.

Não se pode ter pena de ninguém.
Eu fiquei na mesma pois já estava farto dela mas, pensando ela que eu estava precisado por ter que tratar da minha mãe acamada, decidir "empurrar" um bocadinho.
Com a máquina de lavar roupa, a máquina de lavar louça, a varinha mágica e a comer sandes, I will survive.

Finalmente, o Teorema de Coase.
Numa economia de mercado (com custos de transacção reduzidos), todos os problemas de relacionamento entre as pessoas podem ser resolvido individualmente, alterando nós o nosso comportamento ou pagando para que o outro altere o seu.
Assim, se as pessoas não se concentrassem em defender direitos que o Estado não consegue fazer cumprir (como o Direito a Constituir Família), todos seríamos mais felizes.
Isto não é mais do que o pensamento de Sidarta Gautama, Buda: A nossa felicidade está dentro de cada um de nós.



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Guerra dos taxistas, crises económicas, gajas

Por incrível que pareça, isto está tudo ligado!
O estimado leitor pode pensar que vou ter que fazer um truque de mágica para ligar isto tudo mas vai ver que não.

Vou começar pelas crises económicas.
No antigamente, no tempo do Homem Primitivo, já havia crises económicas que eram causadas pelas oscilações do clima (secas, inundações, geadas), incêndios e invasões.
Ainda mais antigo, no tempo do homem caçador/recolector, os animais podiam ser dizimados por doenças.
Estas crises combatiam-se com migrações e armazenamento (carne salgada, azeitonas, azeite, mel, cereais).
Importante para colocar em perspectiva é que, nesses tempos primitivos, o crescimento do nível de vida era muito lento, não mais de 0,035%/ano (duplicar o PIB per capita a cada 2000).

Depois o crescimento económico acelerou.
Se fizermos o que é costume fazer, produzirmos os mesmos bens, da mesma forma, até atingirmos a perfeição, não haverá crescimento económico porque os recursos naturais são limitados!
Para haver crescimento económico é preciso, usando os mesmos recursos naturais, fazer coisas novas.
Até os caçadores poderiam ter desenvolvido a capacidade de correr atrás dos bichos mas o aumento no nível de vida veio de, em vez de caçar os animais, domestica-los e cria-los em casa.
As pessoas, genericamente, não imaginam as fases da domesticação dos animais mas, tendo eu sido criado na aldeia, ainda consegui ver nas práticas diárias como foi esse processo. Pega-se nos animais em pequeninos, que são adoráveis (javalis, lobos, bisontes, galos, cabras, elefantes, cavalos, etc.), e capá-los para que se mantivessem infantis mas grandes.Depois, já é possível lidar com eles.
Andar pelo mato a recolher bagas e ervas comestíveis foi substituído pela agricultura. Arrancar as plantas fracas e tratar das plantas boas.

É uma prática comum capar os bois para reduzir a bravura (e dizem que melhora a carne)

O progresso económico obriga a haver propriedade privada.
Como os animais domesticados são mais fáceis de caçar que os bravos, se não tivessem dono, seriam os primeiros a ser mortos.
Também os campos agricultados seriam invadidos por toda a gente não valendo a pena cultiva-los.
Por isso, a domesticação dos animais e a agricultura só puderam acontecer depois de ter surgido a propriedade privada.

Nos últimos 70 anos houve 7 crises (já estou a contar com a de 2020), uma a cada 10 anos.
Em termos mundiais, as crises são pouco significativas (quebras relativamente à tendência inferiores a 2%), havendo na comunicação social uma cobertura bastante exagerada.
Entre cada crise, há crescimento do nível de vida.
Dados do Banco Mundial (PIB per capita a preços constantes), cálculos e grafismo do autor.


A guerra dos taxistas.
No meu carro, o custo de uma viagem é de 0,12€/km (incluindo o veículo, combustível, manutenção e algumas portagens).
O preço de um táxi anda na ordem de 1,00€/km.
Se um taxista fizesse 25km/h, teria um rendimento equivalente a um ordenado de 2000€/mês.
O problema é a concorrência fazer com que, a maior parte do tempo, tenha que estar parado à espera do próximo cliente.
Assim, a rentabilidade do taxista depende de não haver concorrência.
Se houver livre entrada, o rendimento vai ser nivelado pelo mínimo que, no conjunto da sociedade, os motoristas estão disponíveis a receber.
Vão entrando no negócio quem não se importa trabalhar por alguns euros por hora.
Por isso é que, em Londres, os taxistas são todos asiáticos. 

Mas isto é o progresso.
Inovações que permitam produzir os mesmos bens usando menos recursos.
No caso, é produzir transportes utilizando menos tempo de taxista.
A pessoa está na praia, em casa a ver televisão, a dormir na sua cama, a escrever em blogues e cai uma SMS no seu telemóvel a dizer "Tens um serviço".
A pessoa levanta a toalha, congela o filme, levanta-se da cama ou adia a escrita e vai fazer o servicinho.
Assim, pode estar ao serviço 24h sobre 24h sem precisar de estar na fila, dentro do táxi, aborrecido com a vida.
Isto é poupança de recursos escassos.

Os táxis, comboios e metropolitano estão condenados.
E não é por causa da UBER mas por causa dos carros autónomos.
Quando, mesmo que daqui a 10 ou 20 anos, os carros puderem circular sem condutor, as pessoas poderão ter um transporte ponto a ponto, passando a ser utilizados mesmo na movimentação de massas veículos pequenos em vez de comboios enormes.
Por exemplo, na auto-estrada A5 cruzam 150 mil veículos por dia que transportam cerca de 200mil pessoas para  espalhar por Lisboa. Com veículos com uma média de 5 passageiros, o transito reduzir-se-à para 40 mil veículos por dia.
Uma pessoa que precisa deslocar-se diariamente dos subúrbios para o centro tem hoje um passe com um custo mensal na ordem dos 100€. Com veículos de 9 passageiros autónomos, muito mais rápidos porque recolhem a pessoa na sua porta de casa e a levam até à porta do destino, o custo ficará em metade.
É o progresso.

Vou então acabar com gajas.
Para os homens, as gajas são um bem económico estando, por isso, disponíveis a pagar um preço.
Esse preço pode ser monetário (prendas, jantares, viagens) ou psicológico (aturar-lhes as maluqueiras, manias e gritarias).
Quando um homem tem dinheiro e pensa em aumentar a sua felicidade, pensa em comprar um carro novo, comer boas comidas, fazer viagens, comprar roupas mas também pensa em arranjar uma gaja boa, daquelas que fazem parar o trânsito.
Como dizia a ucraniana (já quase me esqueci dela) "uma mulher para ser bonita, cheirosa e apetitosa, gasta dinheiro".
Agora, as questões que coloco.
1) Será que existe progresso tecnológico nas gajas?
Será que as gajas de hoje são melhores do que eram as gajas de há 100 anos ou de há 1000 anos?

2) Será que as gajas têm mesmo a capacidade de melhorar a vida dos homens?
Como dizia um amigo meu (que era muito gordo), "Prefiro comer uma dúzia de pasteis a comer uma gaja".

Está na hora de ir lanchar.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Um corredor BUS na A5

O Fernando Medina parece que quer meter BUS na auto-estrada A5.
Apesar de não me parecer uma pessoa extraordinariamente inteligente (conheço-o enquanto estudante universitário), a ser verdade que quer meter um corredor BUS na A5, tenho que reconhecer que é uma ideia inovadora e que vem quebrar a ideia esquerdista de que temos que voltar para o passado, para os comboios.
É uma ideia boa mas não é suficiente pois, além disso, é preciso construir terminais intermodais carro-BUS com 5000 lugares de estacionamento (do lado do mar) e , do lado de Lisboa, BUS-Metro (em Lisboa).

Fig. 1 -  A A5 tem uma extensão de 25 km e serve liga toda a "linha"

Um bocadinho da história dos comboios.
O comboio, nascido nos princípios de 1800, foi muito importante como "motor" da revolução industrial.
Foi importante porque os processos industriais precisam de grande escala de produção (por exemplo, uma siderurgia) e, consequentemente, de mercado alargados.
Então, o comboio sobre caminhos de ferro puxados por máquinas a vapor, ao diminuírem muito significativamente os preços do transporte, permitiram o aparecimento de grandes zonas industriais que serviam vastos mercados.
O problema da máquina a vapor é que é muito pesada e tem pouca densidade de potência (w/kg).
Por esta razão, os comboios a vapor têm que andar em caminhos de ferro (menor atrito na ligação roda/piso) e o declive das "estradas" tem que ser pequena, nunca mais do que 1%.

Um bocadinho da história dos automóveis.
O automóvel aparece 100 anos depois do comboio, nos princípios dos anos 1900, e o seu aparecimento só foi possível depois do desenvolvimento do motor a explosão (que é muito mais denso).
Em termos físicos, o motor a explosão é idêntico à máquina a vapor mas, em vez de entrar vapor a alta pressão dentro da câmara do motor, dá-se ai mesmo uma explosão de uma mistura de ar e gasolina. 
Assim, num espaço do tamanho de um copo é possível meter a fornalha e a caldeira que, na máquina a vapor, são de enorme dimensão e peso.
Ao ser denso em termos de potência, o motor a explosão permitiu o aparecimento de veículos sobre pneus que transitam em todo o tipo de terreno vencendo declives até 25%.
O motor dos nossos carros têm densidade de potência na ordem dos 1kw/kg enquanto que um motor de  Formula 1 tem densidade de potência na ordem dos 7kw/kg.

O motor do meu carro são 3 copos de 33 cm3

O caminho de ferro está 100 anos atrasado.
Porque já havia caminhos de ferro feitos e porque há a falsa verdade de que sobre ferro os veículos gastam menos energia, os comboios foram-se aguentando, subsidiados pelo poder político.
A tecnologia tem destas coisas, como foi um investimento grande feito ao longo de dezenas e dezenas de anos, com infraestruturas de grande monta, vai-se remendando aqui, colando um bocadito acolá, estendendo mais um quilometro, electrificando, e a tecnologia mesmo que obsoleta vai perdurando no tempo.
Tirando a falsa verdade de que consome menos energia, o veículo de estrada é muito superior ao veículo de carris.
Esta verdade do menor consumo de energia é falsa porque, por um lado, para se aguentar nos carris sem saltar, o comboio tem que ser muito mais pesado. 
Assim, enquanto um autocarro pesa 200kg/ passageiro, um comboio pesa 500kg/passageiro.
Por um lado, o comboio não vence declives o que reduz a comparação a locais planos. 

É uma boa ideia.
Mas tem algumas infraestruturas que é necessário construir e, sem as quais, o sistema não vai funcionar.

Passo 1  = Terminais intermodais Carro-BUS
É preciso construir terminais intermodais onde, de manhã, a pessoa que vai na A5 possa parar o seu carro, apanhar o BUS e, voltando à noite de BUS, retomar o seu carro fazendo inversão de marcha para voltar a casa. Se houver 5 terminais (1 a cada 5 km), cada terminal terá que ter lugar para 5000 automóveis (uma área de 100 mil m2).

Passo 2  = Terminais intermodais Metro-BUS
Quando as pessoas chegarem a Lisboa é preciso escoar as pessoas garantindo a fluidez dos autocarros ligando-os ao metropolitano. Vai ser difícil fazer esse terminal no Marquês do Pombal mas talvez seja possível subterrâneo.

Passo 3 = O tal corredor BUS.
Para ser competitivo em termos de tempo face ao automóvel (que vai da porta da pessoa à porta do destino), o BUS não pode estar dependente dos congestionamentos. E aqui é que surge a ideia do Media de construir um corredor BUS na A5.
O óptimo será construir mais uma faixa mas, numa primeira fase, é aceitável que o corredor BUS seja na actual configuração e apenas nas horas de maior tráfego.

Passo 4 = Estender a experiência a outras auto-estradas.
Depois de ver os resultados, estender as ligações a mais autoestradas em redor de Lisboa.

Estou ansioso por ver o "Volvo Gran Lisbon" com 200 lugares sentados a circular na A5








segunda-feira, 10 de setembro de 2018

O problema dos imigrantes e refugiados na Europa

Existe um problema com a entrada de estrangeiros que só os cegos não vêem.
A intelectualidade instalada, de elevada escolaridade, funcionários públicos, a viver em bons bairros, com boas casas com alarme e garagem para meter os bons carros, com empregos protegidos e bem remunerados e filhos em colégios privados não se sente prejudicada pela entrada dos imigrantes e refugiados, antes pelo contrario, porque arranjam jardineiros e empregadas de limpeza com mais facilidade e salários mais baixos.
Sendo assim, não compreendem os "populistas" (como lhes chamam) obterem ganhos eleitorais cavalgando o "problema" dos imigrantes e refugiados.
"Coitadinhos, no país deles sofrem tanto, tratamos melhor um cão aqui do que tratam as crianças lá. Deixem-nos vir que só nos ajudam."

O "problema" são os outros.
Acontece que os imigrantes e refugiados vêm competir directamente com as pessoas de baixa escolaridade, funções indiferenciadas em empregos mal remunerados, a viver em zona degradadas, com os filhos em escolas onde acontece um pouco de tudo, dependentes da segurança social.
Neste poste vou estender ao mercado de trabalho o modelo de comercio internacional com tarifas para explicar como poderemos ajudar todos os refugiados sem prejudicar nenhum português.

Vamos a uma economia simplificada com 2 sectores.
Sector A - "Intelectuais" = Inclui as pessoas de maior escolaridade (médicos, professores, engenheiros, trabalhadores especializados) e os detentores de capital (casas, terrenos, máquinas, fábricas) e que não sofrem a concorrência dos imigrantes. Produzem bens "high tech".
Sector B - "Raia miúda" = Inclui as pessoas de menor escolaridade, que vivem em casas arrendadas, que apenas podem "vender" trabalho indiferenciado. Produzem bens "low tech".
Em cada um dos sectores existem 1000 pessoas.
Inicialmente, os salários do sector A é de 10€/h e do sector B é de 5€/h.
O Sector A vende bens ao sector B ao preço unitário de 1€/u.
Esta situação está representada no quadro 1.


Entram 200 imigrantes.
Porque os imigrantes vêm de países com salários muito mais baixos (por exemplo, em Moçambique é de 0,20€/h), estão muito mais motivados para trabalhar a 5€/h pelo que captam rapidamente os empregos dos trabalhadores indiferenciado locais que vão, na mesma quantidade, para o desemprego (Quadro 2).
Com o tempo, a economia vai ajustar à nova realidade aumentando o emprego e a produção no sector B o que obriga a descer o preço do bem produzido (para vender mais) e diminuir os salários (para, ao novo preço mais baixo, as empresas não irem à falência), situação representada no Quadro 3.
Neste novo equilíbrio, os intelectuais melhoram porque o preço do Bem Low diminui (e, há mesmo um aumento ligeiro do preço do Bem High que produzem) e os raia miúda pioram porque vêm o salário diminuir.

Como podemos resolver a pressão dos imigrantes?
Se em Moçambique ganham 0,20€/h e aqui, a apanhar azeitona ou a apanhar morangos, 5€/h, há uma pressão nas pessoas dos países mais pobres para virem trabalhar para os países mais ricos. Podem dizer que é a guerra mas não é verdade pois ninguém foge para a Guiné Bissau, onde existe paz e nada de racismo. Lá, os de "etnia africana" são tratados como pessoas de pleno direito.
No judo existe uma graduação que é o "Cinto Preto" mas tenho que dizer "Cinto Negro" porque estou proibido de dizer ou escrever a palavra Preto. E também não posso tratar o fazedor de panelas como paneleiro.
O verdadeiro combustível que faz as pessoas fugir para a Europa é a diferença salarial e o resto é uma história da carochinha.

A solução?
Da mesma forma que se aplicam tarifas alfandegárias aos bens importados, passar-se a aplicar uma tarifa alfandegária à mão de obra importada.
Essa tarifa alfandegaria seria usada para compensar os trabalhadores locais que ficaram prejudicados, por exemplo, perdoando a TSU aos locais que ganham salários mais baixos e protege-los mais no desemprego (por exemplo, estendendo o prazo do subsidio social de desemprego).

Em termos quantitativos.
Penso que os 23% da taxa do IVA estariam bem.
Um trabalhador estrangeiro pagaria sobre o seu salário bruto uma taxa de 23% para auxiliar os trabalhadores portugueses que sofressem o impacto negativo nos salários e no risco de desemprego da sua entrada.
Se, por exemplo, um português ganhasse 5€/h, um estrangeiro ganharia 3,85€/h.

E quando se naturalizasse?
Estes trabalhadores teriam que vir com um visto temporário de trabalho que não servisse para a naturalização.
O visto teria uma duração máxima de 9 meses, não renovável no mesmo ano civil, período durante o qual o estrangeiro poderia trabalhar as 1865 horas correspondentes a um ano normal de trabalho.
Os outros meses teria que voltar à sua terra natal para não perder "as ligações familiares, de amizade e culturais".
Se o individuo não tiver um país para onde retornar (ou não for seguro), mediante o pagamento de uma taxa, a Guiné - Bissau dá-lhe acolhimento.
Para pedir a nacionalidade portuguesa será preciso estar cá 6 anos consecutivos, não contando o tempo dos vistos temporários de trabalho.
Os filhos de pessoas com este tipo de visto temporário de trabalho não adquirem a nacionalidade por nascimento. No caso de não terem país, mais uma vez, mediante uma taxa, registam-se na Guiné-Bissau.

E se a intelectualidade mantiver o discurso de chamar racista à raia miúda?
Como disse Galileu, eppur si muove (mesmo que todos nós acreditemos e afirmemos com total convicção que o Sol anda à volta da Terra, em nada alteramos a realidade de que a Terra se move à volta do Sol).
Lentamente, os políticos que defenderem o fecho das fronteiras vão ganhando votos até que quem defende o contrário perde o poder.
Não foi isso que aconteceu na América do Norte com o Trump?
Se eu fiquei um mês sem salário com o argumento de que defendo valores contrários à ética europeia, estes que começam a ganhar eleições na Europa ..., se fossem os mesmo intelectuais a mandar, só a pena de morte.
O problema para os intelectuais que vivem vidas protegidas (a esquerda caviar) é que, em democracia, a moral e a ética não é algo absoluto retirado de um livro sagrado mas antes a opinião da maioria.

Mas quem disse que a esquerda caviar defende a democracia?

Só uma nota final.
Eu faço parte da intelectualidade instalada pelo que a minha empregada é uma dessas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Será boa ideia descer o preço dos transportes públicos de passageiros?

Não.
No mercado dos transportes públicos de passageiros existem as empresas públicas e as empresas privadas.
Os transportes privados têm que cobrar um preço capaz de cobrir os seus custos.
Os transportes públicos têm uma vantagem "desleal" face aos privados porque recebem subsídios do Estado para cobrir a diferença entre o custo de produção e o preço cobrado.
Descer ainda mais o preço dos passes dos transportes das empresas públicas tem dois efeitos negativos na economia:
1) Os consumidores não pressionam os gestores das empresas públicos no sentido do aumento da eficiência  e da qualidade do serviço.
2) Dá aos consumidores (aproveitado por políticos demagógicos) a falsa ideia de que os privados são ineficientes e que a qualidade do serviço é má "em comparação com os transportes geridos pelo Estado".

A Gondomarense é uma das vítimas disso.
A Gondomarense, empresa de transportes que serve populações nos subúrbios do Porto, não recebe dinheiros do Orçamento do Estado, como os STCP e o Metro-Porto, para cobrir prejuízos. Então, o serviço que presta ao cliente tem, naturalmente, menor qualidade.

Eu proponho um túnel no Rio Tejo.
Em vez de andarem às voltas com os preços, melhoravam o sistema de transportes.
Uma boa ideia é um túnel entre Cacilhas e a Praça do Comércio, uma coisa com apenas 2 km de extensão que iria revolucionar os transportes de passageiros entre a Margem Sul e Lisboa.

Fig. 1 - Local da ligação Cacilhas-Praça do Comércio

Vejamos como seria feita a coisa de forma barata.
Os 2 km são divididos em 4 caixotões com 500 m de extensão, pré-fabricados em betão armado na Noruega, que são, posteriormente, transportados para a zona da obra e afundados.
Uma draga abre um sulco no fundo do rio a 30 m de profundidade, os caixotões são inundados, afundados e enterrados na vala previamente aberta e ligados uns aos outros de forma estanque.

Fig. 2 - Esquema da secção do túnel (via simples)

Porquê na Noruega?
Porque os caixotões são construídos na vertical e, para isso, é preciso um local muito profundo (com mais de 500m de profundidade), com águas calmas e com bom acesso ao mar o que se verifica nos fiordesda Noruega.
Depois, os caixotões são colocados na horizontal para poderem navegar.

Fig. 3 - A Noruega é especialista em construir coisas compridas nos fiordes

Não poderia o metro passar por ali?
Não porque o metro tem rodas de aço e é preciso um veículo com rodas de borracha!
Todos sabemos que o metro anda com rodas de aço sobre carril permite poupar um pouco de energia mas tem o problema de não conseguir vencer inclinações superiores a 2%.
Para descer da cota de superfície à cota menos 30 m, com uma inclinação de 2%, seria precisa uma rampa de cada lado com 2 km de extensão, triplicando o custo da obra.
Com rodas de borracha, é aceitável uma rampa de acesso com uma inclinação de 20%, reduzindo-se a rampa a uma extensão de 200 m.

Via simples ou via dupla?
Via simples é mais barato e é suficiente para o tráfego previsto.
Um veículo com 100 m de extensão e 2,5 m de largura transporta 1000 pessoas de pé.
Se o sistema funcionar totalmente em via simples, só terá um veículo que anda para a frente e para trás.
A uma velocidade de 25 km/h, a travessia demora 5 minutos. Juntando o tempo de entrada e de saída dos passageiros, permite uma cadência de uma viagem de ida e volta a cada 30 minutos (uma capacidade de 2000 pessoas por hora).
Se tiver via dupla no meio permitindo o cruzamento de dois veículos, permite duplicar a capacidade (uma viagem a cada 15 minutos, 4000 pessoas por hora).

Fig. 4 - Em vez de rampa, pode ser um elevador a ligar a superfície ao túnel submerso

Já imaginaram os ganhos de bem-estar?
Em vez de demorar os actuais 35 minutos, passar a demorar apenas 5 minutos, sem os problemas causados pela ondulação e vento forte do Inverno?
Este bocadinho ainda vai melhorar a rentabilidade do Metro do Sul que tem enorme falta de clientes.
Isto sim, seria zelar pelo bem estar das pessoas e não tonteiras de políticos demagógicos.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Married at first sight e Comunismo

Aparentemente, são duas coisas que não têm nada a ver! 
"Married at first sight" é um programa de televisão em que pessoas casam com desconhecidos enquanto que o Comunismo é uma alternativa ao Capitalismo (à Economia de Mercado).
Mas vamos ver que são duas realidades semelhantes na sua base: substituir a decisão dos indivíduos pela decisão de um perito.
Dizem os esquerdistas e demais mentecaptos que, sendo um perito tomar a decisão, vai-se conseguir um melhor resultado.
Mas não e o exemplo vem, não só do programa de TV como da Venezuela, Coreia do Norte, Nicarágua e demais países governados por esquerdistas.

Estatísticas do "Married at first sight".
Neste programa de entretenimento, homens e mulheres candidatam-se a casar, fornecem alguma informação quanto às suas características e o que pretendem e, depois, os peritos fazem os casais "de forma científica".
Sendo a escolha feita por peritos, a taxa de sucesso deveria ser muito grande mas, pegando nos resultados da Austrália, Nova Zelândia, USA, UK, Alemanha, França, Dinamarca e Itália, num total de 147 casais, apenas 16 mantiveram o casamento no fim do programa o que traduz uma taxa de sucesso muito baixa, na ordem dos 10%.

Porque falham os peritos?
Porque não têm informação detalhada sobre as características de cada indivíduo nem sabem rigorosamente o que cada um pretende no seu parceiro.
Esta critica não é minha mas da Escola Austríaca e, para o casamento, de Gary Becker com o seu trabalho de 1973 e 1974, "A Theory of Marriage".
Vejamos o que dizem estes autores.
Existem muitas pessoas sendo que a maior parte é incompatível. Vamos assumir que, se juntarmos duas pessoas aleatoriamente, 99% estarão separadas ao fim de um mês.
A primeira fase de selecção é pelas características públicas de fácil observação como seja o aspecto físico. Olhando rapidamente para uma mulher, logo separamos um pequeno grupo que nos poderia agradar. 
Na segunda fase, é preciso observar características que estão escondida (por exemplo, se ressona ou se mexe muito a dormir) e, mais difícil, outras estão dependentes das características da outra pessoa (por exemplo, se conversa temas interessantes).

Como deveria ser o programa.
Se a taxa de sucesso de "encontros perfeitamente aleatórios" é de 1% e os peritos só conseguem 10% de sucesso, para termos uma taxa de sucesso na ordem dos 95%, é preciso que cada pessoa escolha num universo de pelo menos 500 pessoas!
Isto obriga a dividir o programa em fases em que, a cada fase, o indivíduo atribui uma classificação entre 1 e 10 pontos às pessoas que com ele interagiram e os peritos fazem o ajustamento seguinte tendo em atenção as classificações.

Preliminar - Screening.
Inicialmente haverá 1000 pessoas, 500 homens e 500 mulheres.
Cada pessoa vai visualizar ao longo de um dia fotografias e informação quanto ao peso, altura, idade, características da família, profissão e outra informação pública de cada um dos 500 potenciais parceiros.
Desta fase resultará uma matriz 500 x 500 de classificações com 125000 valores a partir da qual um programa de computador optimizador selecciona as 100 pessoas / 50 casais mais compatíveis.

Semana 1 - Speed dating.
Cada pessoa seleccionada vai-se reunir com 50 potenciais candidatos em encontros rápidos.
Se cada encontro demorar 30 minutos, mais almoços, jantares e actividades para fazer TV, o processo vai demorar toda a semana.
Nesta fase passam 40 pessoas / 20 casais.

Semana 2 - Experimentação.
As pessoas vão conviver 24 horas juntos. Nesta fase já não será "todos-contra-todos" mas serão seleccionadas apenas as 7 pessoas mais próximas.
Nesta fase passam 16 pessoas / 8 casais.

Semana 3 - Fase final.
Só agora é que as pessoas começam as tais 6 semanas do programa "Married at first sight".

Vamos então ao Comunismo.
O Comunismo (melhor dizendo, a Economia Planificada) defende que deve ser um planificador central a decidir a afectação dos recursos escassos da economia.
Dizem eles que, por um lado, o Capitalismo (melhor dizendo, a Economia de Mercado) cria desigualdades e, por outro lado, não consegue ver todas as possibilidades (por exemplo, um vendedor em Almodôvar nunca se encontra com um comprador de Freixo de Espada à Cinta).
Mas, sendo o comunismo melhor que o Capitalismo, não se compreende porque as sociedades que adoptaram o Comunismo acabaram por fracassar. O caso que nos tem chegado mais recentemente é o da Venezuela em que, para acabar com a pobreza, criaram-se milhões de pobres.
Se o Chaves ainda conseguiu manter as coisas (o nível de vida aumentou cerca de 1,6%/ano), com a entrada do Maduro, com o aumento da inflação e o controlo administrativo dos preços e dos salários, foi a catástrofe total com perdas no nível de vida de 50% (ver, Fig. 1 , dados do Banco Mundial, grafismo meu).
Se em 1960 o nível de vida na Venezuela era quase o triplo do nosso (o que justificou a emigração em massa), em 2018 o nosso é o triplo do venezuelano.

Fig. 1 - Evolução do PIB per capita venezuelano e português (dados, Banco Mundial)

Comparemos a economia com o casamento.
As pessoas quando nascem, a única riqueza que têm é o trabalho.
todos nós que não vamos herdar grande coisa, vendemos o nosso trabalho para podermos comprar bens e serviços.
Acontece que nem todos os empregos nos servem, havendo locais onde somos mais produtivos e locais onde somos menos produtivos; locais onde o sacrifício é maior e locais onde o sacrifício é menor.
Nós até estamos disponíveis para receber um salário menos num emprego mais agradável, mais próximo de casa, socialmente mais reconhecido, mais adequado aos nossos gostos.
Do lado do empregadores, também precisam escolher os trabalhadores certos. Até estão disponíveis a pagar um salários mais elevado aos trabalhadores que julgam mais adequados.
Este processo de "casamento" tem informação que é pública e outra que apenas se descobre em ambiente de trabalho.
Do lado do trabalhador, temos como informação publica a idade do trabalhador, habilitações académicas, altura, peso, anteriores empregos, se é casado, filhos, pais, etc. Do lado do empregador temos o local, tipo de actividade, salário, horário, e informação de outros trabalhadores.
Mas, é no ambiente de trabalho que o trabalhador avalia se o trabalho é desagradável, se os colegas são insuportáveis, se o patrão é mesquinho, se o trabalho lhe corre bem. E é só então que o empregador consegue ver se o trabalhador é dedicado, capaz e produtivo.
Sem esta informação que cada um descobre no local de trabalho, não é possível fazer um ajustamento bom e é aqui que falha o Comunismo: o planificador não tem informação suficiente.

Vamos agora ao Rui Rio.
Todos nós sabemos que é uma nulidade, até ele o sabe.
O discurso dele faz-me lembrar um aluno fraco que, colocado um problema, responde "Vão ver como eu sou inteligente e tenho uma solução brilhante para o problema. Já respondi a 3 problemas na Câmara do Porto e agora vou mostrar que sou o melhor do Mundo. A minha resposta vai ser, a partir de hoje, copiada por todos os meus colegas. Só tenho pena que os meus amigos estejam sempre a dizer que eu não presto."
E fica-se por aqui, resposta de grilo.
Está calado enquanto há os incêndios, depois de criticado pelos que querem ver oposição aos erros da geringonça aparece a dizer "Em vez de me criticarem deveriam estar calados porque não se criam incêndios durante os incêndios, antes, apoiamos com o nosso silêncio. O tempo da política é agora em que já não há incêndio" para logo se remeter novamente ao silêncio.
Claro que o Santana Lopes não é muito melhor mas ainda tenta dizer qualquer coisa mesmo que desconexo e sem sentido. Faz o que pode.
O que eu tenho reparado é que, quer o Rio quer o Santana, há em melhor estado nos lares da terceira idade.

Fig. 2 - Tempo de ir dormir a sesta.

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