quinta-feira, 28 de setembro de 2017

As sondagens no Porto dão a vitoria a ...

Como sabem, saíram 3 sondagens sobre o Porto. 
Estas 3 sondagens dão muita proximidade entre o Rui Moreira e o PS com o PSD num miserável resultado.
O Rui Moreira ficou um pouco zangado (mas, veremos, não tem razões para isso) e o Álvaro Almeida um pouco triste, deve-se estar a lembrar dos 5-0 do Benfica contra o Basileia :-(.
Como é meu hábito vou pegar nas 3 sondagens, fazer umas contas e apresentar as minhas previsões para os resultados finais.
Eu já expliquei a metodologia num post (penso que há uns 2 anos, aquando das legislativas 2015) mas que não sei onde está, Se, no entretanto, o encontrar, meto-o aqui.
Com a informação disponível (não encontrei as fichas técnicas mas, provavelmente, se procurasse mais teria encontrado), as sondagens de base que vou usar são as seguintes.

Católica Antena1/Rtp CM/Aximage
RM 34,0% 34,0% 39,9%
PS 33,0% 34,0% 20,8%
PSD 13,0% 9,0% 13,0%
CDU 8,0% 8,0% 8,9%
BE 6,0% 7,0% 5,3%
N 1239 1100 900

Assumindo que 25% respondeu que não sabia ou não vai votar, obtive a mega-sondagem seguinte

RM 26,73%
PS 22,46%
PSD 8,73%
CDU 6,19%
BE 4,61%
Não sabe 31,28%
N 3239

Com esta mega-sondagem fiz um bootstrapping no R e obtive a seguinte distribuição de mandatos com a respectiva probabilidade (a bold, o mais provável):
Rui Moreira =>    4 (0,0%)      5 (53,9%)      6 (46,1%)
PS =>                  4 (43,8%)    5 (56,2%)      6 (0,0%)
PSD =>               0(0,0%)       1 (67,4%)      2 (32,6%)
CDU =>              0(0,0%)       1 (100%)       2 (0,0%)
BE =>                  0 (34,9%)    1 (65,1%)      2 (0,0%)

Ainda avaliei mais duas coisas
Probabilidade do Rui Moreira ganhar => 99,96%
Probabilidade do PS ganhar => 0,04%

Probabilidade de Rui Moreira mais PSD fazerem maioria
Rui Moreira + PSD =>    6 (28,7%)      7 (63,9%)      8 (7,4%)
                                        7 ou 8 (63,9% + 7,4% = 71,3%)

Acrescentei a sondagem da Eurosonadagens.
Acrescentei a sondagem da Eurosondagem na qual o Rui Moreira tem 40,8% de intensões de votos e recalculei a minha mega-sondagem

Catolica Antena1/Rtp CM/Axiomage Eurosondagens Perc total
RM 34,0% 34,0% 39,9% 40,8% 27,2%
PS 33,0% 34,0% 20,8% 30,8% 22,3%
PSD 13,0% 9,0% 13,0% 11,0% 8,5%
CDU 8,0% 8,0% 8,9% 6,9% 5,9%
BE 6,0% 7,0% 5,3% 5,4% 4,5%
N 1239 1100 900 836
NS/NR 25,0% 25,0% 25,0% 29,2% 31,6%

Depois, re-estimei os resultados que vieram sensivelmente iguais.
O Rui Moreira sobe aumenta a probabilidade de ter 6 vereadores (de 46% para 74%),
O PSD diminui a probabilidade de ter 2 vereadores (de 33% para 20%)
O BE diminui a probabilidade de ter 1 vereador (de 65% para 50%)
A probabilidade de RM+PSD terem maioria absoluta aumenta (de 71,3% para para 83,9%)

Rui Moreira =>    4 (0,0%)      5 (53,9%)      6 (46,1%)
4 sondagens         4 (0,0%)      5 (26,3%)      6 (73,7%)  Sobe

PS =>                  4 (43,8%)    5 (56,2%)      6 (0,0%)
4 sondagens         4 (43,4%)    5 (56,6%)      6 (0,0%)   Mantem

PSD =>               0(0,0%)       1 (67,4%)      2 (32,6%)
4 sondagens         0(0,0%)       1 (79,9%)      2 (20,1%)  Desce

CDU =>              0(0,0%)       1 (100%)       2 (0,0%)
4 sondagens         0(0,0%)       1 (100%)       2 (0,0%)   Mantem

BE =>                  0 (34,9%)    1 (65,1%)      2 (0,0%)
4 sondagens          0 (50,4%)    1 (49,6%)      2 (0,0%)  Desce


Probabilidade de Rui Moreira mais PSD fazerem maioria
Rui Moreira + PSD =>    6 (28,7%)      7 (63,9%)      8 (7,4%)     7 ou 8(71,3%)
4 sondagens                     6 (16,1%)      7 (74,0%)      8 (9,9%)     7 ou 8(83,9%)


Tabela de probabilidades combinadas, 4 sondagens (a bold, o caso mais provável)

                 PSD
             1             2
M   5   16,1%    10,2%
      6    63,8%    9,9%

Resultados efectivos.
No dia 1 de Outubro houve as eleições e as sondagens acertaram na vitória do Rui Moreira, os mandatos do PSD, CDU e BE foram o cenário mais provável.
Falharam dando mais ao PS e menos ao Rui Moreira do que se concretizou.

Rui Moreira =>    44,46% = 7 mandatos Significativamente acima das sondagens
PS =>                  28,55% = 4 mandatos   Dentro das sondagens, cenário menos provável
PSD =>               10,39% = 1 mandato  Dentro das sondagens, cenário mais provável
CDU =>              5,89 = 1 mandato   Dentro das sondagens, cenário mais provável
BE =>                  5,34  = 0 mandatos Dentro das sondagens, cenário mais provável

Rui Moreira + PSD =>    54,85 = 8 mandatos Dentro das sondagens, cenário menos provável



#Código R usado nos cálculos que pode ser usado e adaptado por quem quiser
Iter=100000

M<-rep(0,Iter)
PS<-rep(0,Iter)
PSD<-rep(0,Iter)
CDU<-rep(0,Iter)
BE<-rep(0,Iter)
vit<-rep(0,Iter)
M.PSD<-rep(0,Iter)

for (j in 1:Iter)
{
  d<-rep(1,5)
  C<-rep(0,5)
  #Amostra
  dados<- sample(1:6,3239, replace = TRUE, prob = c(26.73,22.46,8.73,6.19,4.61,31.3)/100)
#Com as 4 sondagens fica
#dados<- sample(1:6,4075, replace = TRUE, prob = c(27.17,22.33,8.54,5.92,4.45,31.59)/100)

  for (i in 1:5)
      C[i] <- length(dados[dados==i])/3239
#Com as 4 sondagens fica
#       C[i] <- length(dados[dados==i])/4075

  #Ver quem ganha
  if(C[1] > C[2])
    vit[j]=1
  else
    vit[j]=2
  #distribuição de deputados
  for (i in 1:13)
    {d[which.max(C/d)] = d[which.max(C/d)]+1
    }

  M[j]<-d[1]-1
  PS[j]<-d[2]-1
  PSD[j]<-d[3]-1
  CDU[j]<-d[4]-1
  BE[j]<-d[5]-1
}

#Estatísticas
table(M)/Iter
table(PS)/Iter
table(PSD)/Iter
table(CDU)/Iter
table(BE)/Iter
table(vit)/Iter
M.PSD <- M+PSD
table(M.PSD)/Iter



sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Selminho zero, Câmara zero

Vamos a um bocadinho de história.
Nos princípios do Séc. XX, a escarpa da Arrábida era muito distante do Porto e, por ser muito inclinada, não tinha qualquer interesse económico. Além do mais, não havia a marginal que agora passa junto ao Rio Douro.
Na década de 1940 começou a pensar-se fazer uma nova ponte sobre o Douro (nesse tempo, para automóveis só havia a Ponte Luís I) e em Março de 1952 a Junta Autónoma das Estradas adjudicou ao Prof. Edgar Cardoso um ante-projecto para se fazer uma nova ponte sobre o Rio Douro ligando Gaia e o Porto. 

O Público diz que a CMP expropriou em 1949 um terreno com 2400m2 a Manuel Ferreira Pacheco para a implantação da ponte do lado Norte mas, no site da CMP não encontro referências a essa expropriação. Encontro referências a outra expropriação realizada em 1875 na "pedreira da Arrábida a José Carneiro Quaresma, António Pinto dos Reis e mulher, para conservação da nascente de água que alimenta uma fonte pública ali existente e para se fazerem lavadouros públicos" (Documento/Processo, 1875/12/02 – 1876/01/13).
Seja como for, os terrenos da escarpa da Arrábida foram expropriados seja para o encosto da Ponte da Arrábida seja para proteger uma fonte e construir uns tanques de lavar roupa.

Os terrenos não foram utilizados.
A ponte só precisou de uns 500m2 de terreno e, com a vinda das canalizações, a fonte da Arrábida acabou e os tanques foram destruidos. Assim, a CMP deixou de ocupar os terrenos expropriados para o fim que os tinha expropriado.
Como a escarpa não tinha valor económico, ninguém se interessou por tal abandono.

Alguém começou a utilizar os terrenos.
Em data não referida, Álvaro Nunes Pereira, figura verdadeira ou mitológica, ocupou os terrenos e passou a considera-los como seus.
Notar que os terrenos expropriados para a Ponte estão sem ocupação desde Junho de 1963, data da abertura ao trânsito e os terrenos expropriados para a fonte e para os tanques, talvez há muitos mais anos, não faço a mais pequena ideia.
Com certeza, em data que desconheço, Maria Irene Pereira Ferreira e João Baptista Ferreira ocuparam os terrenos e declararam numa escritura de usucapião que o fazem desde 1970. Esta data pode não ser verdadeira (direi mesmo que não o é) e serve apenas para à data da escritura terem 30 anos de posse pacífica.

Passados 2 meses, a Selminho comprou os terrenos.
Isto indicia que a escritura de usucapião foi "aconselhada" pela Selminho.
Disse-me o Marques Mendes que, depois de em 2000 ter sido levantada a hipótese de haver construção nesses terrenos (no mandato do Rui Rio, amigo do Rui Moreira), os da Selminho começaram a dar umas voltas pela escarpa e encontraram lá uns desgraçados, a Maria Irene e o João, a quem lhes propuseram comprar os terrenos por tuta e meia. Depois, trataram de tudo.

Olhem o facto interessante.
Se a Selminho comprou e pagou uns terrenos pelo preço justo e se esses terrenos não pertenciam aos declarados vendedores, a Selminho só tem que indignar-se contra os vendedores e pedir a devolução do preço pago.
Mas não, a Selminho não pediu nada aos alegadamente falsos vendedores.
Isso quer dizer que o preço paga foi uns tostões.
Alguém me sabe dizer quanto a Selminho pagou pelos terrenos da escarpa da Arrábida?

Agora, quem será o dono dos terrenos?
São os herdeiros dos Manuel Ferreira Pacheco, José Carneiro QuaresmaAntónio Pinto dos Reis e mulher.
Como a expropriação foi feita compulsivamente por uns tostões porque se destinava a determinado uso de interesse público e esse uso não se efectivou (no caso da Ponte) ou deixou de se fazer (no caso da fonte e dos tanques) e, agora, o expropriante quer dar outro uso aos terrenos (construção), em termos legais e morais a propriedade dos terrenos tem que reverter para os herdeiros dos expropriados.
A Câmara Municipal do Porto, presidida por alguém que se diz defensor da propriedade privada, tem que procurar saber quem são os herdeiros e devolver-lhe os terrenos exigindo apenas o pagamento do valor da expropriação actualizada ao presente e descontado o valor do uso que, entretanto, lhe deu.
Recordo que, no tempo do Salazar, as pessoas não tinham meios para se defenderem do Estado.
Alguém me sabe dizer o preço pelo qual os terrenos foram expropriados?  

A Casa do Medina.
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa comprou um andar por 650000€ e, anteriormente, os sogros tinham comprado o andar em frente pelos mesmos 650000€.
A questão não é se o preço é alto ou baixo, se a coisa foi adjudicada à Teixeira Duarte ou não.
A questão que coloco é:
Alguém me sabe dizer onde os sogros do Medina foram buscar os 650000€?
Alguém me sabe dizer onde o Medina foi buscar os 650000€?

Agora, vou acabar de fazer a minha sopa.
Tem cenoura (que vou triturar), couve lombarda, cebola, um pouco de óleo de milho e sal e está na minha panela de pressão que ouço daqui.
Vou desligar o fogão para perder a pressão antes da hora do almoço.



terça-feira, 12 de setembro de 2017

Os Rohingya entre o racismo e o nacionalismo

O racismo e a xenofobia é a arma dos esquerdistas.
Quando alguém diz alguma coisa que os esquerdistas não gostam, a armam para o destruir é a acusação de racismo e xenofobia, é-lhe metido na cabeça o carimbo RX.
As mentes fracas, que é a maioria do nosso país, com o título de que são anti-RX, tornam-se elas xenófobas pois excluem do seu convívio, emprego ou mesmo negócio todas as pessoas a que os esquerdistas meteram o carimbo RX na testa.
 
 
Infelizmente, no caso do André Ventura, o CDS-PP enfiou o barrete e a "candidata" a Lisboa foi na boleia sem tomarem consciência de que estavam a ser usados numa estratégia vil de que eu também fui e sou vítima.
 
O que será o racismo e a xenofobia?
É eu pensar que uma pessoa é inferior a mim apenas por pertencer a um grupo étnico ou cultural diferente do meu (ou ser mulher, panasca, bissexual, judeu, islâmico, ou outra cosia qualquer diferente do que eu sou).
Mas uma coisa é o que cada um de nós pensa, e desde que acabou a inquisição e a União Soviética que os crimes de pensamento deixaram de existir (pelo menos em teoria) e outra coisa são os actos que cada um de nós pratica.
Eu posso pensar que os ciganos são todos uns porcos mas, uma vez no mercado, se um cigano me tentar vender uma camisa por 1€ igual a outra camisa que um "branco" que tenta vender por 1,05€, eu compro a camisa ao cigano.
Uma coisa é o que eu penso, outra coisa é um descriminar negativamente alguém pelo simples facto de pertencer a um grupo que eu não gosto.
 
Já agora.
Eu acho que os islâmicos são potencialmente terroristas e um perigo para a segurança dos europeus.
Mas, estranhamente, a minha empregada domestica, a Madina, islâmica, balkar de Kabardino-Balkaria, ela e toda a sua família (que não conheço).
e tem a chave da minha casa! Pode lá entrar com o "terrorista" do marido e explodir-me a casa.
Mas se acho que, no colectivo, os islâmicos são um perigo, em termos pessoas, acho-a uma santa, incapaz de matar uma mosca.
E também o meu amigo do Judo que é da "cabeça da serpente" (isto é, é iraniano) também é um santo que até me convidou para o casamento.

Qual é a fronteira entre o Racismo e o Nacionalismo?
A portaria que regula a descolonização diz que as pessoas que viviam em Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau são cidadãos português se um dos avós tiver nascido na Europa.
A ideia do "ter nascido na Europa" foi uma forma de ultrapassar a clivagem branco/preto.
Interessante que um dos meus companheiros de praia conheceu em Moçambique uma mulata filha de um grego a quem foi dada a cidadania portuguesa! E também um aluno que tinha, retinto da Guiné-Bissau, porque nasceu nos Açores antes do 25 de Abril, era português.
É uma realidade que existem os países e estes, à luz do direito internacional, têm total liberdade para escolher os critérios definidores de "cidadão nacional". Alguns favorecem o nascimento (é cidadão todo o que tiver nascido no território) enquanto que outros favorecem a ascendência (apenas é cidadão aquele cujos pais sejam cidadãos).
 
Vamos à Birmânia.
Muitos países têm na sua origem um grupo étnico-linguístico-religioso.
A França é dos falantes de francês, a Alemanha dos falantes de alemão e Portugal dos falantes de português.
No caso da Birmânia, agora chama-se Myanmar, é a fronteira da expansão dos indianos (bengalis) e do islão para Leste. Assim, tem de Ocidente o Bangladesh que é islâmico e bengali, e de Leste a Tailândia, o Laos  e a China (budista/xintoista).
No meio de 51 milhões de pessoas, pouco mais de 2 milhões são islâmicas, pessoas que migraram de ocidente para oriente ao longo dos séculos e de que fazem parte os Rohingyas.
Bem sei que já lá estão há muitos anos, mas não são originariamente dali.
 
Interessante notar que ...
foram os portugueses que levaram os Rohingias para ali, no Sec. XVII, vendidos como escravos.
Quem diria que a raiz daquele problema fomos nós?
Se fomos nós que criamos esse problema, o governo dos esquerdistas tem a obrigação moral de os trazer para cá! Penso que seriam óptimos no combate aos incêndios.
 
Quando houve a independencia da birmânia!
Se calhar, os territórios onde a maioria da população era islâmica/bengali talvez devesse ficar a pertencer ao Paquistão Oriental (actual Bangladesh) mas, por questões de pertença histórica, manteve-se na Birmânia que, agora, não os quer como seus cidadãos.
 
Problemas de nacionalismos.
Um problema como tantos que existem por esse mundio fora. 
Desde a invasão da Krimeia e Leste da Ucrânia pela Rússia, à guerra da China por ilhas perdidas no meio do nada ou o referendo da Catalunha, são tudo problemas de racismo e Xenofobia ou serão apenas nacionalismos?
Será que Israel dizer que é seu cidadão quem for filho de mãe judia independentemente do local de nascimento é racismo ou a pura definição do Estado de Israel como a pátria dos judeus?
 
É sempre difícil traçar a fronteira entre o que é perna e o que já é sapo
 
A culpa de Tancos foi do Passos Coelho.
O roubo do material militar de tancos nunca existiu, foi uma forma de o Passos Coelho dizer que comprou material de guerra sem o ter comprado e, desta forma, ter cortado um pouco mais sem que ninguém tenha visto.
E o corte na cerca não passou de uma forma das "guerreiras da vida" (masi conhecidas por putas) poderem entrar sem o ser pela porta da frente onde teriam que bater a pala aos comandantes.
Quanta empresa diz que compra materias primas e que depois, numa ssalto, inudação ou incêndio diz destruido para reduzir aos lucros?
E coitadinho da Geringonça que foi acusada de ter culpas no cartório quando estão completamente inocentes.
E os incêndios ou mortos de Pedrogão Grande também não aconteceram agora, foram terras queimasdas mortos que já estavam queimadas e mortos há muito ano mas que o Passos Coelho empurrou para a frente apenas para prejudicar o país de maravilha criado pelo Costa.
Por redução ao absurdo, vivemos uns tempos de absurdo.

Desejos de bom regresso ao trabalho e, quando alguma coisa lhe correr mal, diga isto mesmo ao patrão: "aparentemente, dei um empurrão ao computador ele avariou  mas, por redução ao absurdo, nunca avariou. De facto foi feito e comprado já avariado".
Pensem um pouco no vestido que antes de ser vestido já era vestido ou na pescada...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

William Carvalho e A Selva

Há muito que queria ler A Selva. 
Quando andava no secundário, havia Os Emigrantes que era de leitura obrigatória (mas que eu não li!) e A Selva, publicado em 1930, de leitura aconselhável (que também não li!).
Bem, recordando esses tempos, não li nenhum dos livros obrigatórios. Se calhar, eu não era um aluno exemplar :-)
Neste mês de Agosto, a Ucraniana mandou-me um dos contos do Tchekov (O Homem na Caixa). Depois, movido pela curiosidade,  estive a ler A Estepe, publicado em 1888, que descreve uma viagem que o autor fez através da parte ocidental da Ucrânia (a que agora está em guerra). Há um relato da paisagem, a estepe, e de como as pessoas viviam lá, incluindo a miséria, a sexualidade e os judeus.
A Selva, 1930, é quase uma adaptação d'A Estepe não faltando a referencia à miséria, à sexualidade e mesmo aos judeus que eram uma ínfima minoria no Brasil (em comparação com a Ucrânia).
Talvez por essas semelhanças e por A Selva ter sido publicada 42 anos depois de A Estepe é que Tchekov é um dos grandes vultos da história da humanidade enquanto que Ferreira de Castro é "apenas" uma referência de trazer por casa.

Mas vamos à Economia d'A Selva.
Primeiro, os fundamentais.
1) Há homens no Maranhão e no Seará disponíveis para trabalhar.
2) Há fazendas de borracha na Amazónia que precisam de trabalhadores.
3) Um dia de trabalho produz mais riqueza na Amazónia (a recolher borracha) do que no Seará (na agricultura convencional). 

Estamos então em presença de um problema de afetação de recursos em que um recurso é "não transaccionavel" (a terra não pode mudar de sítio) e um recurso que é transaccionável (o trabalho pode mover-se).
Este problema seria instantaneamente resolvido se não houvesse "custos de transacção" (a viagem de 3000km).

N'A Selva, o contrato de trabalho incluia um empréstimo inicial.
O trabalhador começa por receber um empréstimo sem prestar garantias para ajudar a família a sobreviver e para a viagem. Este crédito é na ordem dos 2000$00.
Nos "tempos bons", este crédito corresponderia à facturação de 100 dias de trabalho (5 kg/dia de borracha a 4$00/kg). Nesses tempos, mesmo descontando a alimentação que era mais cara que o normal, ao fim de um ano a dívida estaria amortizada e, depois, era tempo de juntar para levar um pecúlio para arranjar mulher e criar filhos.
Mas, nos entretantos, os tempos pioraram. Ferreira de Castro aborda a questão da concorrência da Malásia mas tanbém quer dizer que a pobreza é motivada pela ganância dos patrões.

O problema foi a inovação tecnológica.
As fazendas brasileiras de borracha, onde o avô da minha mãe também trabalhou para, depois, se estabelecer como comerciante em Manaus, funcionaram muito bem até ter havido uma inovação tecnológica na Ásia!
Pelo lado da procura, estava tudo bem, a borracha era usada para fazer pneus (para bicicletas, carros e camiões) cuja produção estava em grande crescimento principalmente durante a Grande Guerra, 1914-1918.
O problema é a procura ter criado inovação tecnológica por parte dos ingleses. Não fossem eles os pais da Revolução Industrial.
E Ferreira de Castro fala da concorrência dos ingleses sem dar conta que essa concorrência apenas existe porque ocorreu uma industrialização do processo.

A tecnologia na Amazónia.
A planta produtora da borracha, a Hevea brasiliensis* Ficus elastica, faz parte da floresta tropical brasileira.
Sendo nativa, no Brasil a tecnologia era recolectora:
Partindo de um ponto à beira de um rio, desbravava-se um caminho pela mata dentro procurando encontrar  árvores da borracha. Este caminho era difícil de iniciar e precisava de constante manutenção.
Como a floresta era impenetrável e ainda não havia drones, não havia possibilidade de escolher previamente o percurso pelo que encontrar mais ou menos árvores era um processo de sorte e azar. Assim, uns caminhos acabavam por ser mais produtivos e outros menos.
O caminho dava uma volta voltando ao ponto inicial e deveria ter uma extensão que permitisse  ser percorrido de manhã (para colocar os copos) e novamente à tarde (para recolher os copos cheios). Em média, um caminho tinha cerca de 10 km com 20 ou 30 árvores produtoras, espaçadas entre si uns 500m.
Dada a pouca densidade das árvores produtoras e a dificuldade do percurso, mais de 80% do tempo de trabalho do trabalhador era perdido. Além disso, o período da cheia impossibilitava o trabalho durante grande parte do ano.

A árvore da borracha é vulgar nos nossos jardins

* A Hevea brasiliensis é nativa do Brasil e conhecida por "árvore da borracha do Pará". A árvore que temos nos nossos jardins e casas é a Ficus elastica e conhecida por "árvore da borracha indiana". 
Esta nota deveu-se à chamada de atenção do Pedro Alves que agradeço.
Acrescento que a árvore do Pará é mais produtiva pelo que é a planta usada nas plantações. 
Actualmente, a borracha natural, num total de 12700kt/ano é produzida na Tailandia (4380t/ano), Indonésia (3230t/ano), Vietname (1120kt/ano), China (820kt/ano), Índia (750 kt/ano) e  Malásia (700kt/ano) e praticamente nada no Brasil ( 200kt/ano). A produtividade é na ordem dos 1150kg/ha e o preço na ordem dos 1,20€/kg (ver fonte).

Qual foi a inovação tecnológica?
Os ingleses pegaram em plantas recolhidas na Amazónia e fizeram plantações na Malásia.
Primeiro, desmataram a floresta e, depois, plantaram a Ficus elastica numa malha regular 3 x 10 metros. Na plantação, a densidade das árvores é 1000 vezes maior pelo que podem ser escolhidos os melhores terrenos (livres de inundação e mais próximos do alojamento) e o trabalhador não perde tempo a caminhar nem a desmatar o caminho. Desta forma, num dia de trabalho um malaio produzia 10 vezes mais do que produzia um trabalhador brasileiro e com menos esforço físico.
Se um brasileiro produzia 5 kg de borracha por dia, um malaio produzia 50kg.

Na Malásia, a plantação permitia muito maior produtividade

O problema não estava na exploração do trabalhador.
Estava na concorrencia que a industrialização colocou aos produtores tecnologicamente atrasados.
Interessant Ferreira de Castro nunca ter colocado a questão "Como conseguem os malaios produzir a preços tão baixos?"
O problema das fazendas brasileiras estava na elevada produtividade das plantações concorrentes, com uma diferença de 10 para 1,o que induziu quedas nos preços de tal ordem que as fazendas brasileiras ficaram inviáveis e isto mesmo que o searense trabalhasse apenas para não morrer de fome.
Tanto era evidente que o negócio da borracha como era feito estava condenado que Ferreira de Castro colocou como últimas palavras do patrão antes de ser assassinado "não estou para meter aqui o dinheiro que ganho na criação de bois."

Vamos ao William Carvalho.
No caso de um futebolista, o contrato de trabalho também tem um crédito inicial.
O William quando era gaiato, tal como milhares de crianças portugueses, queria ser um novo "ronaldo" mas, para isso, tinha que ter um bom treinador e jogar numa equipa de futebol e que fosse competitiva.
Estranhamente, mesmo com o melhor treinador do mundo, um jogador não evolui sem "jogo nas pernas" e num ambiente competitivo.
O problema é que uma equipa só pode jogar com 11 e não se podem meter todos os "jovens promessas"  a jogar porque isso iria custar derrotas. Então, cada equipa só pode tentar alguns o que traduz um Custo de Oportunidade.

Vejamos o contrato da "jovem promessa"
O jovem promessa, sem formação nem jogo nas canetas, vale 600€/mês a jogar no Fanhões de Baixo.
Mas, com o devido apoio, pode vir a valer milhões.
Então, o Sporting, antes de lhe dar a formação ao potencial craque, faz um contrato de longo prazo.
Supondo que o jogador tem 12 anos e que vale hoje, num horizonte temporal até aos 35 anos, uma média de  600€/mês. Então, o valor actual do jogador será de 75000€ (taxa de juro de 3%/ano)
   VA = 600*14 / 3%*(1-(1+3%)^-23)
Vamos supor que, por causa da concorrência, o sporting oferece um contrato até aos 35 anos de 1000€/mês, o que traduz um investimento acima do seu valor actual de mercado de 50000€.
A estes 50000€ acrescem as despesas de formação e o custo de oportunidade.

O Jogador joga muito.
Vamos supor que, chegado aos 22 anos, o jogador continua com os 1000€/mês mas que agora um clube estrangeiro está disponível a pagar 350 mil€/mês (até fazer 35 anos). Como o jogador tem um contrato de 1000€/mês com o Sporting então, pode ser trespassado por 43,5 milhões €.
Isto porque para o clube estrangeiro tanto dá pagar 350 mil€/mês como dar 43,5 milhões€ pela transferência ao Sporting e pagar 1000€/mês ao William.

O problema é que o jogador não vai querer jogar a ganhar 1000€/mês!
Existem estudos que dizem que o ser humano é invejoso.
Numa divisão, em que A determina a proporção e B aceita ou recusa, caso em que ambos perdem tudo, quando Adá a B menos de 30%, é quase certo que B vai recusar perdendo ambos tudo. Se A proposer 50%, é quase certo que B aceita.
Neste caso, se o William receber pelo menos 120 mil€/mês, quase com certeza que vai recusar, deixando de jogar.
Se a 1000€/mês o jogador vale 43,5 milhões€, a 120 mil€/mês desvaloriza para 28,5 milhões€.

Qual é o poder negocial do William?
O único poder é a greve de zelo, pura e simplesmente, recusar a transferência e deixar de jogar.
Como ganha o mesmo, e este é o problema da "economia igualitária socialista" defendida pelo esquerdistas, não se esforça.

O problema n'A Selva acabou por ser a falta de incentivos.
E é referido pelo autor.
Como o trabalhador nunca mais se libertava da dívida, pura e simplesmente, deixava de trabalhar. Só fazia o mínimo para não morrer de fome e ter direito a uma bebedeira de vez em quando.
Má tecnologia e errados contratos de trabalho levaram as fazendas de borracha à falência.

Como deveria ser o contrato de trabalho do seringueiro?
Além de dever informação que permitisse calcular o salário, devia haver uma partilha do resultado extraordinário do esforço do trabalhador de, pelo menos, 30%.
Assim, primeiro, deveria ser dito o rendimento esperado do trabalhador:

A) Em média, um seringueiro consegue recolher 1000kg/ano de borracha que é paga a metade da cotação de Belém que é actualmente de 5$00/kg.
B) Em média, os mantimentos para um ano custam 3000$00.

Depois, deveria ser dado um incentivo extra:

C) Metade de tudo o que conseguires produzir acima dos 1000kg, vai directo para a tua conta-poupança

Finalmente, uma claúsula de salvaguarda para partilhar o risco:

D) Se, por alguma razão, ao fim de 5 anos não conseguires saldar a dívida, esta será perdoada e ficas com o saldo da conta-poupança e ainda 10% de tudo o que facturaste.

É o salário por objectivos.
Em vez do contrato do jovem jogador ser 1000€/mês terá que ter ainda objectivos:
A) 1000€ por cada jogo realizado na equipa principal
B) 5000€ por cada golo marcado.
C) Uma claúsula de rescisão razoável.

Já me faz lembrar o André Carrillo.
Pressionaram o jogador, castigaram-no, proibiram-no de treinar e, no fim, pagaram um ano de salários, ele não jogou e receberam um monte de nada.
E o jogador também nunca mais se encontrou (porque o Benfica não tinha espaço para o meter).
Só espero que o Sporting tenha aprendido alguma coisa mas parece que não.

Se o Carrillo não tem sorte no jogo, tem sorte na mulher

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