domingo, 14 de janeiro de 2018

Será relevante fazer rios artificiais?

Sempre que há necessidade de alterar um rio ... 

Surge um grupo de pressão que se auto-intitula defensor do ambiente a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para prejudicar a intervenção.
O problema é que existe algum fundamento para que os rios sejam defendidos da destruição porque um rio tem uma área inundada muito pequena, principalmente nos períodos de verão, e contêm o ecossistema aquático que, sem rio, não pode existir.
Como os ecossistema aquáticos são reduzidos em área e volume e sempre em risco de desaparecimento no verão quando se reduzem a alguns pequenos fundões, naturalmente que têm que ser protegidos.
Mas, penso eu, o problema é que precisamos usar os rios de formas, muitas vezes, incompatíveis com os ecossistemas que lá existem.

Estava no outro dia a ver o Rio Paiva. 
A luz do Sol tem muita energia, cerca de 1000 w/m2, e, como já referi acreditar, talvez daqui por 100 anos (quando já estaremos todos mortos!), toda a energia que usamos em nossas casas e nos nossos carros terá origem directa na luz solar.
Já é tecnologicamente possível transformar a luz solar em electricidade sendo "apenas" necessário resolver o problema dos custos elevados da produção e do armazenamento da energia pois são poucas as horas do dia que tem sol.
Claro que pode acontecer que, semelhante aos actuais cabos de fibra óptica, nesse tempo futuro, vai haver uma rede eléctrica capaz de, à escala global, transportar a energia dos locais com sol para os locais às escuras ou que as baterias serão baratas e usarão materiais que há em abundância mas, enquanto isso não acontece, vai ser preciso usar barragens reversíveis.

Porquê o Rio Paiva.
Numa barragem reversível  existem duas albufeiras, uma de águas vivas e outra de águas mortas. Durante  a parte do dia em que há energia em excesso, bombeia-se água morta para água viva (para cima) e, durante as horas em que há défice de energia, turbina-se a água viva previamente acumulada que se transforma em água morta.
No Rio Paiva, em Alvarenga, existe um local extraordinariamente bom para um sistema reversível que não tem avançado porque "vai destruir o rio menos poluído da Europa".
Mas eu não quero agora falar deste projecto sobre o qual já escrevi qualquer coisa. A questão que eu quero discutir aqui é se poderemos aplicar a engenharia na "criação" de rios e ribeiras artificiais, não poluídos, e onde possa existir um ecossistema ribeirinho semelhante aos naturais.

Qual será a área do Rio Paiva?
O Rio Paiva já é uma coisa grande, drena uma bacia hidrográfica com 850 km2, tem 110 km de extensão desde a nascente na Serra de Leomil até à foz no Rio Douro e um caudal médio na ordem dos 27 m3/s (estimativas a partir dos 25,2 m3/s em Castelo de Paiva / Ponte Bateira) .
Como quase todos os rios, no início começa como um rego de água, muito pequenino, seco a maior parte do ano, depois, passa a uma ribeira atingindo na foz um pouco mais do que 20 m de largura.
Considerando o verão e o inverno, penso ser razoável assumir 9 m de largura e 0,5 m de profundidade  o que faz com que a área total inundada seja de 100 hectares e que o volume de água seja de 500 mil m3.

Será possível construir algo comparável a um rio natural?
O problema dos ecossistemas aquáticos não é o volume de água doce mas sim a falta de locais de águas rasas e fundos de cascalho que são importantes para os peixes pequenos como, por exemplo, a boga, o escalo e o barbo e que estão continuamente ameaçados pela seca, a poluição e que não conseguem competir com a carpa ou são comidos pelo achigã e lúcio que "contaminam" as águas calmas das albufeiras.
Também estou a imaginar os peixes migrantes como a enguia, o sável e a lampreia que não consegum transpor os açudes e as barragens.
Sendo ecossistemas raros e frágeis, penso ser importante experimentar construir rios com águas pouco profundas, menos de 50 cm, fundos em cascalho e águas puras e cristalinas, algo que nunca foi tentado e que deve ser uma área de investigação porque, além da raridade, existem projectos interrompidos que poderiam avançar se houvesse a possibilidade de criar ribeiras artificiais capazes de fazer a "compensação ambiental".

Há exemplos de aumento do volume dos rios mas eu quero mais.
No verão, o volume dos rios de águas rasas diminui drasticamente e o risco de seca total é tanto maior quanto mais pequeno for o rio, o que leva à morte de todos os peixes. Algumas localidades têm feito algum esforço na construção de açudes, principalmente motivados por questões estéticas, para que os rios que atravessam as localidades não sequem, por exemplo, o açude no Rio Mondego em Coimbra. Além do mais, estes açudes não têm o cuidado de ter escadas de peixes!
Mas eu estou a pensar em algo maior, feito em locais com águas puras e totalmente desproporcional relativamente ao que existe. Estou a pensar pegar num pequeno ribeiro em terras altas, ladeado por terrenos sem qualquer valor económico, e transformá-lo num rico ecossistema aquático de águas rasas, ladeado por vegetação ripária.

Fig. 1 - A linha azul escuro é o ribeirito natural e o intestino grosso representa o rio de águas rasas

A tecnologia será pegar num ribeiro de montanha de águas puras e que tenha a montante uma bacia hidrográfica pequena, sendo suficientes 10 km2, e meter em 2 ou 3 quilómetros, um canal com 10 m de largura, 0,25 m de profundidade e dezenas de quilómetros de comprimento (ver, Fig.1 um esquema que pode ter 5 km de comprimento).
Uma bacia hidrográfica com 10 km2 tem uma produtividade anual na ordem dos 3 milhões de m3 de água.
A minha ideia é uma reengenharia dos arrozais de montanha que existem no sudoeste asiático.

Fig. 2 - Arrozais em terraços de Yunnans, Vietname

Vamos então à engenharia.
Como projecto de investigação, vou pensar, olhando para a Fig. 1, um projecto com 10 m de largura e 25 cm de profundidade.
Vou, como projecto de investigação, imaginar um estudo piloto com 10 km de comprimento, um espelho de água com 100 000 m2 de área.

1) Primeiro passo, é preciso garantir água para o verão.
Temos que pensar se A) o caudal de entrada no rio artificial está limitado ao caudal do riacho existente ou se B) vai ser construído um açude que garanta que, no verão, o rio não seca.
Ambas as soluções estão dependentes das perdas de água por infiltração e por evapo-transpiração o que terá que ser medido no local. Por isso, os números que vou apresentar são apenas ilustrativos.
(Vou imaginar que serão perdidos 2 m3 de água por m2 de espelho de água)

A) Para evitar que o rio seque nos finais do verão, é preciso que no fim da primavera, o rio tenha 2,25 m de profundidade o que será um stock de água in situ. No período de verão, a profundidade vai diminuindo até, previsionalmente, os 0,25m.

B) Para a  profundidade se manter constante nos 0,25 cm, é necessário um stock de água que garanta a entrada dos 200 000 m3 que se vão perder durante o verão. Para isso será preciso construir um açude a montante que armazene essa água.
A água circulará por gravidade desde o açude até ao rio artificial.

A e B) Naturalmente, pode haver um misto entre a solução A) e a solução B), por exemplo, uma  variação de profundidade entre 1,25m e 0,25m e um açude com capacidade para 100 000 m3.

A água pode ser re-circulada (para se manter em movimento).
Se o rio artificial tiver uma inclinação de 0,1m por 1 km e 0,25m de profundidade, terá uma velocidade de 0,05m/s e um caudal de 190 l/s (Usando a equação de Manning, com n = 0,05).
Para manter o rio sempre a correr sem entrada de água (re-circulação total) em 100 km haverá um desnível de 10 m o que obrigará a uma bomba de 10 * 0,19 * 9,81 / 90% = 21 kw.

2) É preciso terreno.
O indicado é escolher um local com pouca valia económica, longe de fontes poluidoras e onde haja água pura e cristalina. Assim, o melhor local será no interior, em zona montanhosa. A construção começará num ribeiro e, depois, será construído o canal do rio artificial aos esses, um ou dois quilómetros para a esquerda e, depois, um ou dois quilómetros para a direita , repetindo-se o processo até ter a extensão pretendida.

Fig. 3 - Corte transversal do rio mostrando a vegetação ripária

3) A construção.
Em ambas as soluções, apenas serão usadas duas máquinas. Uma máquina será de rasto para abrir o canal e fazer o dique lateral com a terra retirada na escavação do canal e uma máquina com cilindro para compactar o solo e o dique de forma a reduzir as perdas por infiltração e evitar roturas no dique.
E, depois, o fundo coberto com uma camada de brita que pode ser produzidas no local e pedras.

Fig. 4 - Máquinas a utilizar.

Se o ribeiro tiver uma inclinação de 1%, o que é típico num ribeiro de montanha, se o canal tiver 10 metros de largura e a zona do dique tiver 20 m de largura, num ir e vir, a perda de nível será de 0,30m o que, numa extensão de 3 km, permite um caudal máximo entre 0,13 m3/s (0,25m de profundidade) e 4,00 m3/s (2,25m de profundidade).

Fig. 5 - Juntam-se uma pedras grandes que haja por lá que se usam para fazer uns labirintos e umas zonas de águas mais rápidas (pormenor do início do rio artificial) e a coisa torna-se uma atracção turística (e um instrumento de combate aos fogos florestais).


Antes do Rio vou falar do Rio Caster.
Porque é uma intervenção tipo do que é feito às ribeiras que passam pelas terriolas.
A Ribeira do Castro nasce em Sanfins-Feira e, depois de percorrer uns 20 km, passa em Ovar, meia dúzia de quilómetros antes de morrer na Ria de Aveiro.
Para a coisa ficar mais bonita, a Câmara de Ovar fez um parque urbano que inclui a ribeira do Caster e onde, além do Açude 5 que já existia, construiu mais 4 açudes que travam completamente a migração dos peixes para cima, especialmente da enguia.
Há guarda rios, amigos do Caster e milhares de ecologistas para dizerem mal de tudo mas, neste caso, ninguém diz nada!!!

Mapa da localização dos 5 açudes

Açude 1 - Vista da ponte da R. Elias Garcia

Açude 2 - Parque urbano

Açude 3 - Parque urbano

Açude 4 -Parque urbano

Açude 5 - Vista da ponte da R. Dr. José Falcão

E ainda tem mais um açude para uma ribeira afluente.

Açude 4.1 - Mais um na foz da ribeira que vem de Travanca e que passa no Sobral 

Só agora posso falar da batalha entre o Rui Rio e o Santana Lopes.
A informação que vou dar é totalmente fidedigna e o próprio Santana Lopes o confirmou na sexta-feira à noite "tenho que pensar em quem vou votar".
O Santana Lopes tinha o apoio de 54,37% dos votantes e o Rui Rio de apenas 45,63%.
O problema é que estas eleições eram "os últimos serão os primeiros" pelo que os apoiantes do Santana Lopes votaram no Rui Rio e o apoiantes do Rui Rio votaram no Santana Lopes.
O Rui Rio ainda pediu ao Pacheco Pereira para dizer qualquer coisa sem sentido a ver se perdia mas já não foi a tempo.
Eleger o Rui Rio foi a pior maldade que lhe poderiam ter feito.

Está estudado no markting.
É conhecido na ciência económica como "problema da slot machine". Quando uma pessoa, no casino, joga num slot machine, apenas troca de máquina em condições extraordinárias porque não tem informação sobre as outras máquinas e não quer  ficar com a ideia que "se eu não tivesse mudado, tinha ganho".
Também quando uma pessoa compra um produto, namora com uma mulher, vai a um supermercado, só troca se acontecer algo de anormalmente negativo com a coisa que tem.
Na política é igual.
O Costa só perderá em 2019 se acontecer algo terrível, semelhante ao que aconteceu em 2011 com o Sócrates, em 2002 com o Guterres ou em 1995 com o Cavaco Silva. Não é a oposição que ganha as eleições nem quem lá está que as perde mas são é a conjuntura que faz as coisas mudar.
O eleitor não quer facilmente trocar algo que conhece para algo desconhecido.
Daqui até 2019, vamos ver o Rio aos papeis, a tomar da maldade que fez ao Passos Coelho (ter que ser líder da oposição sem ser deputado) e a sofrer, semana após semana, os resultados negativos das sondagens.

Fig. 6 - "Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste? Com esta é que me tramaram! "

A menos que aconteça rapidamente uma crise económica muito grave, vai ser totalmente trucidado, humilhado, transformado em carne picada e, em 2019, vai ter um resultado muito muito muito muito pior que o resultado que o Passos Coelho teve em 2015 e, quem sabe, até pior que o Santana Lopes em 2005.
No próprio dia das eleições, vai-se embora para nunca mais voltar a ser visto.

Fig. 7 - "Sabes Rio, fiquei tão triste por ter perdido que vim até aqui chorar um bocadinho no ombrinho da Santanette" 

Acrescentei este gráfico para ilustrar o comentário.
Podemos ver na figura seguinte o crescimento do PIB português (linha azul), a tendência que é decrescente (linha castanha) e os períodos de crise (sombreado a cor de rosa).
Pior que as crises é a tendência de crescimento (que se denomina por crescimento potencial) estar continuamente a decrescer e próxima de zero.

Fig. 8 - Taxa de crescimento do PIB português, %/ano, (dados, Banco Mundial)






3 comentários:

Silva disse...


"O Costa só perderá em 2019 se acontecer algo terrível, semelhante ao que aconteceu em 2011 com o Sócrates, em 2002 com o Guterres ou em 1995 com o Cavaco Silva."

Caro PCV

Em 1995, não havia acontecido nada, só mesmo a saída de Cavaco mas Nogueira era consistente, o aperto tinha sido entre 1991-1993.

Guterres saiu porque quis, dando a desculpa do pântano, apenas tinha perdido as autárquicas, ou seja, também não tinha acontecido nada.

Sócrates teve azar, os financiadores acordaram para a vida e deixaram de financiar o país, por isso, demitiu-se para ir a eleições e foi corrido pelos eleitores.

Os eleitores continuarem a votar em Costa e no resto da Geringonça, apenas confirma mais uma vez que são uns verdadeiros filhos da puta. Não é um exclusivo nacional, lá fora também fazem o mesmo.

Assim sendo, enquanto houver financiamento o PVEC (processo de venezuelização em curso) irá continuar.

gonçalo costa disse...

Quando é que foi a ultima vez que estivemos sem estar em crise mais de 5 anos ?
Acho que nunca nos últimos 50 anos ....em 2014 começou a haver recuperação económica ...2015......2016...2017,,,,EH LÁ estamos em 2018...oh Diabo e as eleições são no fim de 2019 .
O Riu ainda se safa

Económico-Financeiro disse...

Estimado Gonçalo,
A economia é como o mar: tem ondas.
Se considerarmos que uma crise global se identifica pela contracção das economias americana e inglesa, entre 1960 e 2008 tivemos 4 crises: 1974, 1980, 1991 e 2008, o que dá uma média de uma crise a cada 12 anos e uma contracção média de 8%. Por isso, em termos esperados, a crise global virá em 2020!

Em Portugal tivemos algum desfasamento e mais 2 crises, 1975, 1983, 1993, 2003, 2008 e 2011, com média de 8,3 anos o que indica, em termos esperados, a crise em 2019.

Um coisa é certa: vem ai outra crise só não se sabe quando, dai o nervosismo dos mercados financeiros.

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