A invasão da Ucrânia fez-nos voltar à Guerra Fria.
A Guerra Fria acabou, em 1991, com o colapso da URSS e a consequente queda do Muro de Berlim.
Alguém se lembra de como se combateu a Guerra Fria?
Era em batalhas "indirectas", em guerras por procuração, tirar areia das fundações a ver se caia.
Se a URSS tinha um aliado, logo os USA reforçavam uma facção da oposição para desgastar a URSS.
Essas guerras aconteceram um pouco por toda a parte, começou na Coreia, continuou no Vietname, em África (também em Angola e Moçambique), na América Latina, na Ásia do Sul, no Médio Oriente (de que Israel era o aliado preferencial) e na Europa. As últimas grande batalha foram a Guerra Irão-Iraque e o Afeganistão.
Os USA (e a Europa) decidiram 'perdoar' a URSS.
Nessa altura pensou-se que os regimes comunistas seriam varridos da face da Terra, onde se incluíam os regimes 'democráticos' de Angola e Moçambique mas, estranhamente, foi aceite que esses regimes continuassem desde que realizassem eleições fraudulentas. Foi parecido com manter o regimes de Franco e de Salazar no pós WWII.
Ninguém, quase ninguém, acredita que o MPLA ganhou as eleições.
Ninguém, quase ninguém, acredita que a FRELIMO ganhou as eleições.
Mas fazemos todos de conta, dando aos nossos esquerdistas (que são quem aparece no espaço público comunicacional) a possibilidade de "defenderem o direito internacional" como a justificação para a perpetuação desses regimes ditatoriais.
O Rússia colocou-se a jeito.
Havia quem pensasse que a Invasão da Ucrânia no dia 24 Fevereiro 2022 era uma jogada de mestre por parte do Putin. No meu entender, o ataque a Israel de 7 de Outubro de 2023 fez parte desse movimento expansionista russo, forma de mostrar capacidade de ameaçar "interesses estratégicos ocidentais", fortalecer os seus peões no Médio Oriente e obrigar a desviar recursos da Ucrânia.
O problema foi que o Ocidente (USA, UK e Israel já que a Europa é sempre inconsequente) respondeu com força inimaginável.
Gaza foi arrasada com 100 mil mortos, Al-Assad desapareceu, o Hezbolah (e os seus anunciados 100 mil soldados) desapareceu, o Irão está em ebulição depois de uma campanha de bombardeamentos aéreos e, não menos importante, Israel reconhece a independência da Somalilândia (e talvez venha a reconhecer a independência do Kurdistão).
A Rússia está de rastos.
Onde estavam os mísseis anti-aéreos que o Irão comprou à Rússia?
Onde estavam os mísseis anti-aéreos que a Venezuela comprou à Rússia?
Claro que os nossos comentadores continuam a dizer que a Ucrânia está à beira da derrota, que a Rússia nunca esteve tão forte, que o Trump é um aliado de Putin mas o que vemos é, peça após peça, os aliados da Rússia a cair.
A seguir vai ser Cuba e a Nicarágua.
Sem o petróleo da Venezuela, Cuba não se aguenta.
A Rússia não consegue garantir abastecimentos, a China muito menos porque não consegue projectar poder no Atlântico.
O que se vai passar na Venezuela.
Todos dizem na nossas TVs, mesmo os ligados à direita, que vem ai o caos. Esses mesmos anunciam o caos no Irão se o regime cair e já o anunciavam na Síria.
A ideia do Trump relativamente à Venezuela é aumentar sem limite a produção de petróleo e, assim, secar as fontes de financiamento da Rússia e do "Sul Global".
Não faz sentido o Brasil estar a viver à custa de petróleo em águas profundas (muito caro de extrair) quando a Venezuela tem reservas quase infinitas em águas rasas.
E proteger Taiwan.
No caso de invasão por parte da China, os USA têm mais um instrumento de estrangulamento da economia chinesa (cortar o fornecimento de petróleo).
Vale a pena ouvir o candidato PCP.
Diz que é igualmente a favor da paz na Venezuela, na Ucrânia e Israel mas omite que a Rússia invadiu a Ucrânia (e a paz é a Ucrânia render-se) enquanto que na Venezuela estamos na presença de uma regime ditatorial que roubou, ao longo das décadas, as eleições e matou sem dó nem piedade os opositores. Esquece-se também que o Hamas luta pela morte de todos os judeus e o desaparecimento de Israel.
sábado, janeiro 03, 2026



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