quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A falência da Ricon e da Triumph

Os trabalhadores e os esquerdistas dizem que é má gestão. 

Uma empresa é um processo que acrescenta valor.
Assim, a empresa compra matérias primas (e produtos em curso) que, com capital, trabalho e gestão, transforma em "produto final" que tem mais valor que as matérias primas. A diferença chama-se "valor acrescentado".
O problema está na divisão do valor acrescentado.
Os esquerdistas dizem que todo o valor acrescentado deve ir para salários porque são os trabalhadores que acrescentam valor e, para isso, sobem o Salário Mínimo Compulsivo. Também dizem que o Capital e a Gestão não precisam ser remuneradas porque em nada contribuem para o valor acrescentado.

Mas, final, quem é responsáveis pela falência das empresas?
Como podem, no final, os trabalhadores e esquerdistas virem dizer que as empresas falham por má gestão e obsolescência do capital se, quando têm sucesso, é o trabalhador o responsável pela criação do valor?
Não me parece fazer qualquer sentido mas essa falta de sentido é uma característica das esquerdas.
Sendo assim, o melhor é acabar-se com essas coisas de empresas privadas, proibir o investimento e gestores, e passar tudo ao Estado.
Vamos fazer uma Venezuela, terra de oportunidades e bem estar esquerdista, na Europa.

O problema está no Salário Mínimo.
Desde 1995, nos mandatos socialistas, o salário mínimo subiu uma média de 4,4%/ano enquanto que o crescimento nominal da produtividade se ficou nos 3,4% (dados do Banco Mundial) o que traduz que, cada ano socialista, os custos do trabalho aumentaram 1%.
Os sectores têxtil e vestuário, porque estão muito sujeitos à concorrência internacional, têm a maioria dos trabalhadores a ganhar salário mínimo e não aguentam o constante aumento dos custos do trabalho.
Com a previsão de mais anos de esquerdismo no Governo, estas empresas tornam-se de elevado risco (ninguém quer financiá-las) e não há quem queira compra-las em caso de dificuldades.

O que vai acontecer?
Se os esquerdistas querem continuar a aumentar o salário mínimo compulsivo, têm que ficar contentes quando estas empresas fecham.
Não podem, por um lado, querer maiores salários e, por outro lado, chorar quando  falham as empresas que não os podem pagar.
Agora, os clientes destas empresas vão arranjar fornecedores, dentro da UE, na Bulgária ou Roménia e fora da UE, na China, Índia, Vietname ou Indonésia.

Fig. 1 - Sou eu que faço esta roupinha, na Triumph Indonésia, onde ganho 120€/mês.

Os investimentos da Google e da Amazon.
É a deslocalização que, por um lado, leva as nossas empresas têxteis e vestuário e, por outro, traz estas empresas (e já trouxe as de automóveis).
Mas não é investimento porque o processo produtivo destas empresas não tem capital.
Arrendam umas instalações, instalam uns computadores e uns telefones em leasing, recebem uns subsídios e uns incentivos fiscais e, depois, se a coisa corre mal, fazem como a Qimonda, desaparecem de um dia para o outra. 

Fica o turismo?
Motivado pelos problemas no Norte de África, Turquia e Catalunha, o nosso turismo tem crescido enormemente principalmente nas grandes cidades.
Este turismo é muito bom porque é durante todo o ano e usa capital que existe (as casas servem como hosteis).
O problema que tem é que, por um lado, depende de voos baratos e, por outro lado, se a situação no Norte de África melhora, pode acabar.
Esperemos que não.

3 comentários:

Silva disse...


Caro PCV

Antes de qualquer coisa, o salário mínimo é o principal imposto que existe.

O problema não é só o salário mínimo, junta-se também a legislação laboral (embora seja contornável parcialmente pelo trabalho temporário) e os descontos.

Reformas estruturais: abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos.


Todas estas falências irão servir para aumentar a pressão financeira sobre o Estado, além da óbvia punição para esta escumalha que votou nos geringonços.

Zephyrus disse...

Um empregador alem do salario minimo ainda paga dois salarios extra e ferias, alem da Seguranca Social ou do subsidio de alimentacao, e ainda tem a Medicina no Trabalho, entre outros extras... por exemplo, falo da compensacao por nao renovacao de contratos a prazo.

Ora nos estamos dentro de um mercado unico e dentro da moeda unica. Na Europa de Leste temos o caso de um pais com PIB identico ao nosso, a Rep. Checa, onde o salario minimo e inferior a 500 euros... como sera por la a produtividade e o esforco fiscal das empresas?

Quanto custa um trabalhador a uma empresa? Muito mais que um salario minimo...

Parte do problema passa por aumentar a produtividade. Mas como podera haver investimento, se nao ha poupanca? O esforco fiscal consome tudo, e nao saimos deste circulo vicioso.

Ja agora. A Gant nao e uma marca portuguesa. Quantas marcas temos que vendam bem em todo o mundo? Os espanhois, por exemplo, tem a Zara. E nos? Por que motivo nao temos marcas globais?

Vamos supor, por exemplo, que a Amazon nascia em Portugal... e prosperava. Nao tardaria muito a surgirem artigos nos jornais a pedir "regras". A Amazon portuguesa, de um dia para o outro, seria m "grave problema", por estar "desregulamentada". A DECO diria que os consumidores estariam "desprotegidos". A Esquerda diria que os trabalhdores eram explorados. Medicos e nutricionistas falariam dos perigos da venda de suplementos online. As livrarias reclamariam em nome da defesa das lojas tradicionais e "historicas" das cidades. Haveria encontros de "intelectuais" em defesa do sector livreiro tradicional. As grandes superficies pediriam regras em nome da seguranca alimentar, e do perigo da venda de produtos alimentares online.Etc, etc, etc...

Nada disto ocorre em paises anglo-saxonicos... a regulamentacao e o paternalismo estatal sao tambem parte do problema. Somos uma cultura castradora.

Anónimo disse...

Zephyrus.

Excelente análise e comentário. Somos um país com a mentalidade do "Estado paizinho" que tudo regula em tudo se intromete, quase não deixa respirar.

A par deste Estado nasceu uma corja de dependentes que são todos os que você enunciou, e mais alguns.

Manuel Silva

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