segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

A poluição do Rio Tejo e o tratamento terciário

A poluição de um rio não é um fenómeno pontual. 
Vamos imaginar que há um acidente (por exemplo. uma estação de tratamento que avaria) em que são despejados 10000 m3 de água poluída no Rio Tejo.
Como o rio tem pouco volume, essa água poluída vai caminhando rumo ao mar, matando tudo por onde passa. Mas, passando, a poluição acaba para todo o sempre.
Mas a poluição de um rio não funciona assim. São esgotos contaminados que são continuamente despejados e que, por isso, nunca acaba. 

Porque são despejados esgotos contaminados.
Quando despejamos água, esta leva matéria orgânica, principalmente da sanita.
Essa matéria orgânica vai ser capturada nas estações de tratamento de esgotos.
Primeiro, são retirados os elementos sólidos que sedimentam ou são facilmente filtráveis (o tratamento primário), depois são usados floculantes e coagulantes para retirar partículas pequeninas e moléculas dissolvidas (o tratamento secundário) e, finalmente, a água é oxigenada e exposta a bactérias e plantas que vão degradar as moléculas que continuam dissolvidas (o tratamento secundário).
Até aqui tudo bem.
O problema é que, estando as nossas centrais de tratamento vítimas da filosofia do "compacto, pequeno e rápido" e o tratamento terciário precisar de grandes volumes e muito tempo, os efluentes são descarregados nos rios com uma quantidade muito grande de matéria orgânica dissolvida.
Essa matéria orgânica descarregada não é tóxica mas vai roubar o oxigénio e, assim, matar os peixes e anfíbios e potenciar o aparecimento explosivo de insectos (que, normalmente, os peixes comem), mau cheiros e espuma.

Quanta matéria orgânica descarrega cada pessoa?
O problema dos nossos esgotos não está na água que lá metemos mas sim na matéria orgânica que esta transporta pelo que devemos evitar meter no lavatório ou na sanita óleos e comida que devem ser metidos no caixote do lixo (dentro de uma garrafa ou saco de plástico).
Cada pessoa "produz" cerca de 125 g de fezes por dia pelo que uma central de tratamento de efluentes para uma população de 2 milhões de pessoas vai ter que ser capaz de retirar da água 250 toneladas de matéria orgânica por dia.

As fábricas de pasta de papel.
A Celtejo tem capacidade de produção de 200 000 toneladas de pasta de papel (ver) que é feita a partir de madeira de eucalipto.
O problema está no facto de a pasta de papel ter 100% de celulose enquanto que a madeira de eucalipto só tem 52% de celulose! Desta forma, por 1000 kg de pasta de papel produzida, vão ter que ser rejeitados 923 kg de matéria orgânica.

A tecnologia da pasta de papel.
A madeira (52% celulose, 24% Polioses, 20% Lignina e 4% outros) entra e é triturada e misturada com água e Soda Cáustica.
Depois, vai para um digestor onde as Polioses, a Lignina e os outros são separados da celulose ficando dissolvidos na água.
A água rejeitada é neutralizada com Ácido Sulfúrico e depois, vai para o tratamento.
Se a Celtejo produz 200000 t/ano, também "produz" 260 t/dia de matéria orgânica dissolvida na água, tanto como 2 milhões de pessoas, de que se tem que ver livre ao menor custo possível.

A culpa é do Passos Coelho.
Se não estivesse lá o Costa, os esquerdista não paravam de berrar que era a desregulação e a falta de inspecções. Que o neo-liberalismo estava a destruir o pais.
Como está lá o Costa, está tudo calado e, afinal, são sedimentos acumulados nas barragens (no tempo do Passos Coelho).

O que fazem as outras fábricas de pasta de papel?
Como são próximas do Mar, metem tudo num tubo e vão descarregar a alguns quilómetros da costa, onde não se vê nem causa grande dano (pelo menos, os esquerdistas não dizem nada).

Será que a poluição no Tejo coisa tem solução?
Tem três.
Primeira => fechar as fábricas de pasta de papel.
Segunda => fazer um cano ao longo do Rio Tejo até ao Mar (250 km!!!!).
Terceira => fazer tratamento terciário aos efluentes que actualmente são descarregados no Tejo. 

Como deve ser o tratamento terciário.
Faz-se um canal com 25 metros de largura e 2 m de profundidade serpenteando ao longo das curvas de nível para os lados de Coxerro e Salgueiral, onde existem plantas (parece que o Jacinto de Água é muito bom para depurar águas residuais), aeradores e peixes (as carpas aguentam viver nas águas residuais). A extensão do canal terá que ser o suficiente  para que a matéria orgânica seja destruída.
Ouvi dizer que a Celtejo capta e descarrega 15000 m3/dia no Rio Tejo. Se for necessário a água residir 12 meses no canal, serão precisos 110 km.
Fazer o Canal é barato, só ocupa de 1000 ha (que vai ser positiva para a vida selvagem) e tem poucos custos de manutenção e funcionamento.
Penso se melhor investir num canal com 110 km do que ter o Rio Tejo poluído ao longo de 110 km!!!

Este Tejo está uma porcaria

1 comentários:

Silva disse...


Caro PCV

Não obstante as soluções apresentadas, continuo convicto que a verdadeira solução continua a ser a de que o consumidor tem que pagar o verdadeiro custo dos recursos que consome seja a nível familiar ou empresarial.

Lá teriam os consumidores que poupar no consumo da água e os empreendedores teriam um verdadeiro incentivo para arranjar novas soluções para o problema da água.

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