sexta-feira, 3 de abril de 2015

A 4.a guerra mundial no Kenya

Há quem diga que não houve 3.a guerra mundial.
E, se não houve a 3.a, muito menos podemos estar a viver a 4.a guerra mundial.
Mas, de facto, a 3.a existiu, combateu-se na Coreia e no Vietname,  África do Sul / Angola / Moçambique, América Central e do Sul, no Afeganistão e mesmo na Europa Central. 
A 3.a guerra mundial começou logo a seguir ao fim da WW2 e, contrariamente a esta, as maiores batalhas foram distantes da Europa. A última grande batalha foi a do Afeganistão e, simbolicamente, acabou com a queda do muro de Berlim e a reunificação alemã.
A União Soviética desmoronou-se, a China manteve-se politicamente comunista mas converteu-se ao capitalismo e, um pouco por todo o Mundo, as ditaduras comunistas ou acabaram ou converteram-se em ditaduras capitalistas (como em Angola e, em menor grau, em Moçambique que se matem como uma meia-democracia).
A Rússia do Putin, a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e mais uns paisécos ainda querem estrebuchar mas não passam dos derrotados da 3.a Guerra Mundial.
A WW3 foi menos intensa que a WW2 e a WW1 mas durou mais anos, foi uma guerra de 40 anos.

A bomba nuclear.
Interessante que, apesar de haver milhares de bombas nucleares, a WW3 foi combatida sem um único tiro nuclear. Talvez tivesse sido a sua existência que fez a WW3 ter sido uma guerra mais de desgaste económico que de confronto militar puro e duro.

Aqui, tenho que ir ao acordo 5+1 com o Irão.
Com o conhecimento actual, é muito fácil produzir uma bomba atómica.
Pode ser de Urânio 235, o que obriga a ter centrifugadoras para separar o U235 do U238 (que forma 99,3% do urânio). São precisos 60 kg de U235 enriquecido a 98% para fazer uma bomba atómico idêntica à lançada em Hiroshima. O Irão, com os seus 3000kg enriquecido a 20%, já podia construir uma bomba atómica tosca. 
Mas o mais fácil é usar Plutónio 239 produzido num reactor de grafite (do tipo do de Chernobil). A grafite faz-se por cozedura a partir de "condensado de refinação" (sem boro) e, depois, o Pu239 obtém-se por reciclagem do combustível em ciclo rápido. A bomba usada em Nagashaqui foi de Pu239.
O problema de usar o PU239 é que os satélites detectam a reciclagem (o processo liberta radiação) pelo que um processo secreto tem que passar pelo U235.

Mas o importante não é a bomba.
Vamos imaginar que o Irão pretendia que os judeus saíssem de Israel. Podia contaminar o território com Cobalto 60.
O Co60 tem a vantagem de ser fácil de produzir (num reactor nuclear) e da radioactividade decair rapidamente. Se, por exemplo, hoje Jerusalém fosse contaminada com um nível de radioactividade 1000 vezes o recomendado à vida humana, a cidade voltaria a ser segura em apenas 53 anos.
E o Co60 poderia ser discretamente usado na contaminação, a partir do Líbano, do Rio Jordão.

Mas se Israel soubesse da contaminação.
Caia em cima deles como, num dia de calor, moscas varejeiras em cima de carne morta.
Estou a imaginar 8 milhões de pessoas a fugir de Israel para os USA e, depois, um bombardeamento nuclear sobre o Irão que não deixaria pedra sobre pedra.
E, depois, ficava mesmo assim.
Por isso, o mais inteligente foi o Irão se ter comprometido a nunca mais tentar fazer uma bomba atómica.
Até porque a Arábia Saudita (sunitas) deu o OK para que os Israelitas sobrevoem o seu território a caminho do Irão (shiitas).

A 4.a guerra mundial. 
Parece ter duas frentes, a guerra entre islâmicos e cristão (e budistas) e outra entre os islâmicos shiitas (do Irão) e islâmicos sunitas (os outros islâmicos todos). 
No Iraque e Síria a guerra é mais shiitas - sunitas (o IS). 
Em África, a guerra é mais islâmicos - cristãos.

Fig. 1 - A frente de batalha Cristãos- Islâmicos em África (a vermelho).

Já vimos guerras destas em Moçambique.
Na década de 1980, na "batalha" de Moçambique também havia mortandades de civis. Mandavam parar um comboio e matavam toda a gente, centenas de uma vez.
Isto acontece porque é muito mais fácil matar 100 civis do que 1 militar. E. como os militares são civis com armas, matando civis, estão a matar sucedâneos de militares.
Na frente africana, seja no Kenya, RCA ou Chade, a táctica militar é matar à força toda.
MAs isto não vai levar a lado nenhum

Vejamos uns números.
No Kenya mais Etiópia há 140 milhões de pessoas enquanto que na Somália só há 11 milhões. Se hoje houvesse uma guerra em que por cada somali morto houvesse 5 etíopes e quenianos mortos, no fim do dia não haverá ninguém na Somália e ainda haveria 85 milhões de pessoas na Etiópia e no Kenya.
Além disso, por cada criança que nasce na Somália, nascem 10 no Kenya e na Etiópia.
Por isso, esta guerra a ser nos tempos medievais, já teria acabado com a aniquilação ou redução à escravatura de todas as pessoas que vivem na Somália.
Mas hoje existem os Direitos Humanos.

Um dia a "maioria" zanga-se.
O problema é que nessa frente de batalha não existe Convenção de Genebra nem Direitos Humanos.
Já vimos uma pequena amostra na República Centro Africana em que, de um dia para o outro, os cristãos começaram a caçar e a matar islâmicos. Também vimos uma amostra na Birmânia onde cidades inteiras desapareceram do mapa.
É que as pessoas vivem com grande carência material. Se em Portugal o salário líquido médio anda nos 800€/mês, nesses países as pessoas têm que viver com muito menos (cálculo em paridade do poder de compra, dados, Banco Mundial):

Portugal => 800€/mês
Kenya   =>    80€/mês
Etiópia   =>   40€/mês
Somália =>    20€/mês

Fig. 2 - Se em Portugal temos 800€/mês, no  Kenya, Etiópia e Somália têm muito menos

Alguém se está a imaginar a viver com um salário de 20€/mês, 40€/mês ou mesmo de 80€/mês?
É muito difícil, têm carências de toda a espécie, vivem em barracas, não têm roupa, comem só farinha  de milho cozida, passam sede, não têm assistência médica nem medicamentosa, não podem ir à escola, trabalham horas infindas. 
Estes "pequenos" massacres não causam dano nenhum na população queniana que, todos os dias, aumenta em 3000 pessoas (seriam precisos 20 destes massacres por dia).
Mas causam a enraivização e desumanização da população. 
De repente, dá-se um massacre como se viu no Ruanda.

É a "pacífica" guerra demográfica.
Apesar de ser pacífica, lentamente torna-se tensa quando a população que vai invadindo tem uma cultura difícil de ser assimilada.
Vamos ver no que dá.

A semana passada não disse nada.
É que na sexta-feira passada foram as eleições lá no meu trabalho, quero antes dizer, emprego, e eu perdi.
Quase que ganhava como CDU na madeira.
Na primeira votação, só me faltaram 8 votos para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
E na segunda votação, só me faltou apenas 1 voto para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
É que na primeira votação um candidato teve 11 votos e o outro 28 e na segunda votação, um candidato teve 7 votos e o outro 8.
(Falta dizer um pequeno pormenor: é que em ambas as votações, eu tive zero votos).
Naturalmente, fiquei a pensar na minha quase vitória, foi por um voto que não retirei a maioria absoluta ao que ganhou. 

Tive uma vitória à Álvaro Cunhal.
Eu andei toda a semana a gabar-me da minha grande vitória à Álvaro Cunhal mas uma comuna achou que eu não tinha tido vitória nenhuma "Tanto quanto sei, o Camarada Cunhal nunca teve zero votos."
Mas penso que chegou a ter, lá no tempo do Salazar, e que, mesmo assim, achava-se vitorioso.

Fig. 3 - Toda a semana a comemorar a vitória

Até me subiu a tensão arterial.
Esta semana fui ao médico e ele detectou que eu estava a ver pior e que a minha tensão arterial estava alta. Tinha a mínima a 9.
Imaginem que eu tinha verdadeiramente ganho! O mais certo seria que já estivesse morto.
Além disso, antes da eleição houve uma apresentação seguida de uma sessão de perguntas. Não é que um berdameco insinuou que este meu blog põe em causa o bom nome da instituição onde trabalho? E, ainda para mais, foi um aluno daqueles das associações, os que se dizem todos irreverentes e que querem mudar o mundo para melhor.
Como diz o povo, há males que vêm por bem.
Muita sorte para o verdadeiro vencedor que bem vai precisar dela.

Pedro Cosme Vieira

2 comentários:

vazelios disse...

ahahah :)

Deixe-se disso professor.

Se tivesse ganho provavelmente teria menos tempo para escrever aqui.

E aqui ninguém quer isso!

Económico-Financeiro disse...

Interessante o Papa Xico ter, no Domingo de Pascoa, dito que o martirio de cristão no Quénia traiza que estávamos a viver a 3.a guerra mundial.
Penso que leu este meu post de Sexta-Feira Santa!
(presunção e água-benta...)
pc

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