domingo, 14 de setembro de 2014

A pensão dos homens e das mulheres

Sendo o Portuendes um comentador habitual, tenho que responder à sua questão. 

Sabendo nós que os anos de trabalho e os anos de reforma devem conformar-se com a esperança média de vida , haverá algum dia em que a separação óbvia entre homem e mulher será realizada?

A esperança de vida.
Todos os pares de anos o INE compila a idade das pessoas que morrem na Tabela de Sobrevivência. 
Com os dados é fácil calcular a idade média das pessoas mortas. É este número que se usa como a Esperança Média de Vida à Nascença.

Quem nasce hoje vai viver mais anos.
Porque a idade média usa pessoas que nasceram há muitos anos para trás. como de ano para ano a média da idade dos mortos aumenta, naturalmente quem nasce hoje vai durar muito mais.
Como nos países da OCDE cada ano que passa a idade média de morte avança 0,2 anos, mantendo-se esta regularidade, quem nasce hoje num países desenvolvido vai, em média, morrer aos 96 anos (não vindo a Ébola por aí fora). 

Quem nasce hoje tem que trabalhar mais.
Assumindo que precisamos trabalhar metade da vida, se cada ano as pessoas vivem mais 0,2 anos, é preciso que a idade de reforme também aumente cada ano 0,1 anos.
Alguém que tenha hoje 30 anos, vai ter que trabalhar até aos 65 + 35*0,1 = 68,5 anos de idade.
Alguém que nasça hoje vai ter que trabalhar até aos 65 + 65*0,1 = 71,5 anos de idade.

As mulheres duram mais que os homens.
Sim, é verdade. Nos países da OCDE as mulheres duram mais 6 anos que os homens pelo que, aparentemente, é uma injustiça termos todas a mesma idade de reforma.
Pegando nos dados da tabela de sobrevivencia 2000-2002, os homens deveriam-se reformar 3 anos mais cedo que as mulheres. Os homens deveriam trabalhar até aos 63 anos e as mulheres até aos 65 anos.
Em alternativa, os homens deveriam ter a sua pensão majorada em 25%.


As reformas deveriam sofrer uma reforma.
Deveriam ter uma parte assistencial do tipo do Rendimento Mínimo.
Deveria ter uma parte que resultasse da capitalização dos descontos (da TSU)
Deveria ter uma parte de Seguro de Vida (cobrir o risco de invalidez).
E, sem qualquer dúvida, as mulheres deveriam receber uma pensão menor que os homens (ou trabalhar mais 3 anos).

Pedro Cosme Costa Vieira

6 comentários:

Portuendes disse...

Muito obrigado pelo post, com o qual concordo em absoluto.

Carlos Neves disse...

oportuno e corajoso...
agora quero ver como é que se safa quando elas começarem a protestar :)
a igualdade de direitos quando nasce é para todos...

Nuno Cruces disse...

Dada a existência das pensões de sobrevivência, isto é mais ou menos indiferente em casais (heterosexuais).

Por outro lado, a esperança média de vida a usar nas contas deveria sempre ser a do conjuge sobrevivo, o que atira o valor já hoje para perto dos 90 anos.

Não esquecer que o valor esperado do máximo de duas distribuições é mais alto que o máximo de dois valores esperados.

Um "detalhe" raramente falado, que torna as pensões de sobrevivência verdadeiramente explosivas.

jorge gaspar disse...

"Dada a existência das pensões de sobrevivência, isto é mais ou menos indiferente em casais"

excepto no facto de os homens viverem menos tempo de reforma. trabalham uma proporção maior de tempo de vida.

Nuno Cruces disse...

Para a Seg. Social é (quase) indiferente quem vive mais tempo. No caso normal o estado paga 100% da pensão do sobrevivo e 60% da do conjuge até à morte do sobrevivo.

Sim, a mulher beneficia disso mais vezes, mas nesse caso a pensão de sobrevivência supostamente foi constituída pelos descontos do marido. Se o marido morrer primeiro, descontou para 100% da sua pensão até à sua morte e 60% da sua pensão até à morte da mulher, enquanto a mulher descontou para 100% da sua pensão até à sua morte.

A mulher precisaria de mais descontos (e tem tipicamente menos), mas a diferença não é assim tão grande. Além disso, este sistema sugere que ambos estão a descontar para o agregado familiar e não como indivíduos.

Individualizar a segurança social ao ponto de se fazer discriminação sexual implica também alterar radicalmente as pensões de sobrevivência.

Portuendes disse...

Este comentário não é sobre o post em causa, mas sobre o Ebola, tema que o prof. Cosme Vieira tem tratado frequentemente. Copiei da bbc: "Prof Ball argues: "It is increasing exponentially and the fatality rate seems to be decreasing, but why?Is it better medical care, earlier intervention or is the virus adapting to humans and becoming less pathogenic? As a virologist that's what I think is happening."
There is a relationship between how deadly a virus is and how easily it spreads. Generally speaking if a virus is less likely to kill you, then you are more likely to spread it - although smallpox was a notable exception. Prof Ball said "it really wouldn't surprise me" if Ebola adapted, the death rate fell to around 5% and the outbreak never really ended.

Interessante e lógico, principalmente se pensarmos que um vírus é um sistema muito eficiente determinado pela evolução.

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