sábado, 14 de janeiro de 2012

O Catroga, a EDP e o saque

As pequenas e médias empresas têm um Patrão.
Há um fulano que arrisca o seu trabalho, criatividade e dinheiro e arranca com 2 ou 3 empregados a fazer uma coisa qualquer sem qualquer impacto mediático ou elevada tecnologia. Faz uns sapatos, camisas, porcos, salsichas, barcos a remos, etc.
Em 90% dos casos, a coisa vai à falência não demora 5 anos e o fulano fica endividado para toda a vida e o seu salário penhorado até morrer.
Em 10% dos casos, depois mete mais um empregado, depois 5 e transforma-se numa empresas de sucesso.
Familiares meu seguiram este caminho nos anos 1960. Uns têm hoje 200 trabalhadores e exportam 95% da sua produção de sapatos para a Noruega e Finlândia. Outros faliram no "25 de Abril", foi-lhes tudo à praça, condenados a uns anos de cadeia por "Burla ao Estado" e, até hoje, têm os seus rendimentos penhorados em 1/3.
Como lançar uma emrpesa e procurar o seu sucesso é algo muito arriscado, tem que haver a esperança nas pessoas de que, tendo sucesso nos seus empreendimentos, terão uma vida regalada.
Não se pode prometer uma perseguição sem fim por parte dos credores quando não tem sucesso e outra perseguição sem fim pelo fisco e pela má lingua quando tem sucesso.
O Patrão tem todo o direito ao seu mercedes, à sua amante, ao seu palacete de mau gosto e ao andarzito de férias no Algarve.

As grandes empresas
São propriedade não de pessoas mas de outras empresas que, por sua vez, são propriedade de outras emrpesas. Estranho não terem pessoas como donos, o que na teoria da governação das empresas se denomina por "names".


Vejamos como exemplo o BCP.
   Sonangol (11.57%) - pertence ao Estado Angolano. Funcionário
   Ocidental Companhia de Seguros (9,60%) - pertence ao BCP (49%) e Ageas (51%) que é uma seguradora inglesa. Funcionário
    Teixeira Duarte (5.68%) - pertence à TD sgps (52%) que é uma empresa familiar
    Grupo Berardo (4.23%) - deve o dinheiro à CGD. Funcionário?
    Grupo Sabadell ( 3.87%) - Banco espanhol. Funcionário
    Pensõesgere - fundo de pensões (3.87%). Funcionário
    Grupo EDP (2.99%). Funcionário
    Caixa Geral de Depósitos (3.00%) - Pertence ao Estado. Funcionário

Se observarmos todas as outras grandes empresas, vemos que o controle das grandes empresas é feita por funcionários. O dinheiro vem, em última análise, dos nossos depósitos bancários e do Estado, depois os bancos e as empresas públicas são donos de outros bancos e de empresas empresas (onde os privados têm meia dúzia de acções que não permitem fazer nada) criando uma estrutura de participações cruzada que faz com que o domínio de facto de uma grande parte da economia esteja na mão de um conjunto limitado de altos funcionários que se elegem como "os iluminados".
Uma vez entrando nesses circuito, seja por indicação de um Estado

É o Golf, a Maçonaria, os clubes de futebol
Estas pessoas encontram-se e, como se vão reformando uns, captam novos iluminados em certos clubes.
Há os senadores (lembram-se dos senadores do PSD?) que governam o sistema e que parecem padrinhos.
Nos dias de hoje fala-se da maçonaria mas qualquer clube serve. A Opus Dei, o SCP, o FCP e SLM, o Golfe da Penina, etc. Uns dias estão na moda uns e outros dias, estão outros.
Pensam que alguém no Norte pode ascender a "iluminado" se não tiver camarote no FCP? Não.

Agora vem o Catroga
A Economia, não só em Portugal mas também, está a saque destas estruturas cruzadas. Por um lado ataca-se o pequeno patronato com inspecções das finanças e carga asfixiante de impostos.
Por outro lado, libertam-se as SGPS da Holanda dessas cargas.
Depois, como as participações na empresas grandes são cruzadas e representadas por funcionários iluminados,"agora aparas-me o pião e votas 50mil€/mês para mim que quando eu for à tua empresas, voto 50mil€/mês para ti".
É uma imoralidade total.

Como se pode resolver isto?
Primeiro. O rendimento do trabalho tem que ter uma Taxa Solidária.
É argumentado que o ordenado é um contrato privado pelo que não compete ao Estado regula-lo.
Também o horário de trabalho é um assunto privado e é proibido que ultrapasse 200h/ano a mais que o horário normal.
Como a principal função do Estado é distribuir rendimento dos mais afortunados para os menos, é preciso criar uma Taxa de Solidária que acabe com este saque.
claro que os políticos não vão querer porque fazem parte, têm esperança de virem a fazer parte ou estão reféns do grupo dos "iluminados".
Esta Taxa Solidária será usada para o financiamento do Rendimento Social de Inserção.

        Salários acima de 15 SMN, TS = 33%
        Corresponde aproximadamente ao salário do Cavaco
        O valor acima de 7275€/mês tem que pagar uma TS de 33%.
        Por exemplo, um salário de 10000€/mês terá que pagar de TS (10000-7275)*33% = 899€/mês.

        Salários acima dos 30 SMN, TS = 66%
        O valor acima de 14550€/mês vai pagar uma TS de 66%.  
        Por exemplo, o salário do Catroga, 45000€/mês, vai pagar
             (14550 - 7275)* 33% = 2401€/mês
             + (45000 - 14550)* 66% = 20097€/mês
        Total a pagar de TS 22498€/mês

Segundo. Deixar de perseguir os patrõezecos.

Nota Final.
Eu até pareço um comuna. Mas reparem que os comunas não querem avançar com medidas moralizadoras como esta. Falam, falam, falam, mas querem ser como aquele coronel angolano que, em pouco tempo, amealhou 340 milhões de euros para meter numa empresa qualquer.
Não há gente séria. Não garanto que se me "oferecessem" 45mil por mês eu não me vendesse.
5% aos pobrezinhos da China.

Isto vai de mal a pior.
Sendo que a minha esperança no antigo governo se perdeu e a neste governo nunca foi grande, está cada vez menor.
Isto não vai dar noutra coisa que não seja na bancarrota.

Sobra a questão da "re-indexação da taxa de juro" tenho que utilizar um poste inteiro.

Pedro Cosme Costa Vieira

4 comentários:

angelo disse...

este post parece me um pouco confuso. e os ultimos tambem

angelo disse...

e tenho uma grande pergunta para fazer: como é possível os valores do banco de portugal para a balança de bens e serviços e para a balança corrente e de capital. (ja nao me lembro o que era a balança de capital). Não tinha sido só salazar a conseguir balanças correntes positivas e durante a guerra? o vitor gaspar tambem consegue? espanta-me como tão depressa se vai conseguir corrigir as balanças, quando tinham défices de mais de 10%. este ano a BBS ja será ligeiramente positiva (e parece-me que é o mais importante) e para o ano a balança corrente e de capital tambem vai ser positiva. (se puder fazer uma introdução sobre a balança de pagamentos agradeço)

Fernando Ferreira disse...

Caro Pedro,
O Pedro claramente identifica o emaranhado de relacoes da minoria que em Portugal (e, ao fim ao cabo no mundo) representa os tais 1% dos quais os 99% tanto se queixam. Nao e' dificil entender que 99% desses 1% enriquecem a conta das suas ligacoes ao poder politico que por sua vez controlam o Estado.
Tendo dito isto, e' evidente que nao concordo com a sua primeira medida para resolver o problema da imoralidade da economia. O Pedro diz que:
"Como a principal função do Estado é distribuir rendimento dos mais afortunados para os menos..."
Sendo o Estado, o poder politico, o combustivel que alimenta toda esta imoralidade, como se pode atribuir ao Estado esse papel "distributivo"?
O que acontece e' que o Estado acaba por tirar riqueza da economia real, de quem produz e trabalha, para a distribuir pelos grupos e empresas que lhes estejam proximas, na forma de subsidios, beneficios fiscais, monopolios, etc.
Nao devemos esquecer que redistribuir riqueza, isto e', privar o individuo A da sua propriedade privada e entrega-la ao individuo B e', igualmente imoral. A primeira funcao do Estado deveria ser exactamente a oposta, a defesa incondicional da propriedade privada.
Agora quando falamos de casos de enriquecimento indevido, individuos que claramente enriquecem a custa do trabalho dos outros, esses casos sim, devem ser activamente combatidos.
Cumprimentos!

Manuel Martins disse...

Descobri este blog graças ao autor do excelente livro informativo ‘’ Acabou-se a festa’’. Não tenho dúvidas que livros como este, escritos por pessoas sábias e livres, dão um grande contributo à sociedade portuguesa porque só com conhecimentos transmitidos com uma linguagem acessível se pode comunicar a realidade do País à maioria da população.

Mais, como este blog segue a mesma linha directriz, dou os meus parábens aos responsáveis deste magnífico trabalho porque estas atitudes pedagógicas-científicas devem levar louvadas num País onde se prentedeu e se pretende não se diluir os consecutivos ‘’arranjos de corredor’’ junto do povo para alimentar-se uma elite predadora contrária aos fins de uma República.

Na verdade o provérbio ‘’Quem tem olho em terras de cegos é REI’’ foi sempre o alicerçe das nossas elites e o resultado está à vista de todos: um País (quase) na bancarrota. O reverso da medalha, fruto de uma República com uma visão sem estratégia, hoje muitas dessas elites vão também cair no burraco que cavaram ao longo de décadas!

O meu muito obrigado pelo vosso trabalho e já ganharam mais um leitor.

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