sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

As exportações estarão mesmo a aumentar?

O governo diz que sim mas a oposição diz que não.
Para o comum dos mortais não é compreensível a discussão quanto a haver mais ou menos exportações mas para os especialistas, como o seu aumento traduz que o país se está a especializar nas actividades em que tem vantagens comparativas, mais exportações é bom para a saúde.
 
O que é isso das vantagens comparativas?
É um conceito de difícil apreensão mas que um exemplo (com vantagens absolutas) permite dar uma ideia das vantagens do comércio entre o países.
Vamos supor um país frio e chuvoso (a Inglaterra) e um país quente e seco (Portugal). Se as pessoas precisarem de consumir lã e vinho, em vez de cada país produzir ambos (o vinho inglês não presta), o melhor é a Inglaterra produzir lã e Portugal produzir vinho (a Inglaterra tem vantagens relativas na Lã e Portugal tem no vinho). No final, a Inglaterra exporta Lã e importa Vinho e Portugal exporta Vinho e importa Lã e todos viveremos mais felizes. 
Assim, é bom que os países importem muito e exportem muito porque traduz que cada vez mais, as pessoas estão a trabalhar no que sabem fazer melhor.
 
Haverá algum valor que seja bom?
Em termos teóricos, não existe um valor indicativo até porque os países maiores têm menos exportações (em termos de % do PIB) porque têm regiões e processos de fabrico mais diversificados. 
Se pegarmos nos países semelhantes a Portugal (que têm entre 8 e 12 M de habitantes), a média das exportações de bens e serviços é de 43,4% do PIB Para vermos da importância da dimensão do país, a média dos que se comparam com a Espanha (entre 40 e 50 M) exportam 33,9% do PIB.
Corrigido o efeito a dimensão, observa-se que os países que exportam menos também são os mais pobres pelo que não interessa estar muito abaixo da média.
Recordo que, à escala global, o total de exportações é igual ao total das importações pelo que, é bom que os países tenham balanças comerciais próximas do equilíbrio.
  
As exportações mundial aumentam de ano para ano.
É bom exportar mais não havendo um limite superior para as exportações, por exemplo, as exportações do Luxemburgo são 175% do PIB.
No futebol, as equipas são treinada por pessoas cada vez com mais conhecimentos sobre o treino avançado. Também na economia, cada vez mais países são governados por pessoas que cada vez sabem mais de governação.
Juntando a isto a diminuição dos custos de transporte (por exemplo, exportar uma música via internet tem custo quase nulo) o comércio internacional tem crescido de década para década.
É a globalização.

Fig. 1 - A globalização também se traduz na uniformização dos padrões de beleza.
 
As exportações portuguesas estão a crescer e o défice de B&S a diminuir.
Olhando para os dados do Banco Mundial, entre 1986 e 2011 apesar de as exportações terem aumentado 5 pp, de 26% para 31%, estávamos muito distantes da média dos países da nossa dimensão, 44%. Desde 2010 as exportações cresceram 9 pp para 40% do PIB (Fig. 2). Se é bom aumentar as exportações porque traduz uma transformação da nossa economia então, tem que ser realçado o facto de nos últimos 3 anos as exportações terem aumentado o dobro do que tinham aumentado nos anteriores 25 anos.

Fig. 2 - Evolução das exportações em percentagem do PIB (Dados: Banco Mundial)

E a balança de bens e serviços equilibrou.
Os esquerdistas têm referido que as exportações têm aumentado à custa da re-exportação de produtos petrolíferos que são refinados em Sines. Se isso for verdade então, o saldo da balança de bens e serviços mantém-se deficitária em 9% do PIB como se observou na década de 2000. Mas o dados mostram que a balança de B&S corrigiu (Fig. 3). Assim, as exportações não são devidas a re-exportações mas são valor acrescentado português que está a ser usado para pagar as importação dos bens e serviços que precisamos.

Fig. 3 - Evolução das balança de bens e serviços em % do PIB (Dados: Banco Mundial)

Vejamos a evolução das exportações de produtos refinados
Já vimos que a tese dos esquerdistas não colhe mas vou meter as mão na masa e ver as exportações de refinados.
Se as exportações aumentaram 9% do PIB, os esquerdistas a terem razão, as exportações em refinados (produtos 27 e 29) devem ter aumentado nesta ordem de grandeza.
O problema é que a exportações deste tipo de bens só aumentou em 2 % do PIB (Fig. 4), ficando ainda 7% do PIB por explicar.

Fig. 4 - Exportações de produtos refinados (produtos 27 e 29 do INE) em percentagem do PIB.

27: Combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação; matérias betuminosas; ceras minerais
29: Produtos químicos orgânicos

Falso a 78%.
Os esquerdistas sabem que ninguém vai ver se de facto as exportações são causadas pelo aumento dos refinados ou por outra coisa qualquer e, por isso, podem bombardear os novos ouvidos com mentiras grossas que ninguém vai dizer nada.
Até já ouvi o Bagão Felix dizer que "as exportações têm aumentado mas parece que tal se deve à nova refinaria da Petrogal".
Apenas 22%  do aumento das exportações se deve aos refinados.

Fig. 5 - Exportamos esta portuguesa para trabalhar como enfermeira em Inglaterra


Fig. 6- Importamos esta  ucraína para fazer limpezas em Portugal (se a minha fosse assim, eu já tinha ido à falencia economico-financeiras e física).

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A Ucrânia e a Venezuela, é tudo economia

Eu estou muito ligado à Ucrânia 
porque a Olga (que é a minha chefe de manutenção doméstica) é da região de Ternopil (a Ucrânia está dividida em 24 regiões - oblasts mais a Crimeia e Svastopol que é uma base naval russa tipo Guantanamo). Além disso materializa a divisão étnica da Ucrânia porque é meia ucraniana (a mãe) e meia russa (o pai). 
Também tenho alguma ligação à Venezuela porque cruzo-me com muitas pessoas que estiveram por lá, incluindo um tio da minha mãe.
Estes dois países estão ligados pela conflitualidade social. 

Porque será que estão com problemas?
A razão está em anos sem crescimento económico.
Os povos destes países, em oposição aos de outros, vivem na ilusão de que têm direitos adquiridos, que os salários têm que ser dignos, que o capital não pode explorar o trabalho, que não querem as receitas neo-liberias do FMI, blá, blá, blá, blá, toda a conversa que também ouvimos por cá saída da boca dos esquerdistas. 
O problema é que com boas intensões está o Inferno cheio. 

Primeiro, vou comparar a Venezuela com o Chile.
Como sabem, o Chile foi o primeiro país do Mundo a adoptar o que veio a ser denominado pelos esquerdistas como o "neo-liberalisto". Nos finais dos anos 1970, charters de conselheiros económicos da Escola de Chicago voaram para o Chile para implementar as reformas necessárias para o Chile se tornar uma economia competitiva. 
Claro que os comunas criticaram muito isso, atiraram pedras e molotovs e o Pinochet, de forma errada, atirou-os para o meio do mar. O que os esquerdistas aplaudiam era o que se passava em Cuba onde também, e talvez mais, havia fuzilamentos mas disso não interessa falar. 
Por volta de 1980, o PIB per capita da Venezuela (7000USD) era quase 2,5 vezes o PIB pc do Chile e de Cuba (3000USD). O problema é que nos últimos 30 anos o PIB pc da Venezuela estagnou (regrediu  mesmo para 6500USD) e o do Chile multiplicou para 9500USD (ver, Fig. 1).
Ao longo dos últimos 40 anos, o rendimento dos venezuelanos convergiu mas para o nível cubano (ver, fig. 2). Foi a convergencia para o modelo esquerdista da miséria.
Quando os nossos comunas falam do "nivelamento por baixo" deveriam olhar para a Venezuela.
A Venezuela mostra que, afinal, políticas erradas podem mesmo transformar um país riquíssimo em petróleo num país miserável.

Fig. 1 - Evolução do PIB per capita do Chile, Venezuela e Cuba (dados: Banco Mundial, USD2005)

Fig. 2 - Evolução do PIB per capita da Venezuela e Cuba relativamente ao Chile (dados: Banco Mundial)

Também vou comparar a Ucrânia com a Polónia.
Eram dois países do bloco soviético que sofreram bastante com a mudança da economia centralizada para a economia de mercado.
Em 1991 a Ucrânia era mais pobre (um PIB pc de 55%) que a Polónia mas comparável. Decorridos 23 anos de independência, o PIBpc ucraniano diminuiu para 2000USD e, pelo contrário, o PIBpc polaco mais que duplicou para os 11000USD (ver, fig. 3).
Nos primeiros 5 anos de independência o PIB pc da Ucrânia caiu de 55% do PIB pc polaco para apenas 20% e teima em não sair daí (ver, Fig. 4).

Fig. 3 - Evolução do PIB per capita da Polónia e Ucrânia (dados: Banco Mundial)

Fig. 4 - Evolução do PIB per capita da Ucrânia relativamente à Polónia (dados: Banco Mundial)

E assim se constroem e destroem países.
A Ucrânia tem que observar o que a Polónia fez nos anos 1990 (desmantelamento do Estado, flexibilização dos mercados de trabalho e de bens e serviços, abrir a economia ao comercio internacional) e que já tinha sido feito pelo Chile nos anos 1980 e avançar, custe o que custar pois a alternativa é o continuar da estagnação.
Nos anos 1980 o Chile (e a China) avançou com o fim dos "direitos adquiridos" para a flexibilização da economia com base apenas no que os modelos teóricos publicados nos anos 1970 indicavam.
Hoje, dada a vasta evidencia empírica de que a flexibilização dá bons resultados, é muito mais fácil convencer as pessoas de que é esse o verdadeiro e único caminho do crescimento.

Em Portugal vive-se o mesmo problema 
Portugal não cresce desde 1999 e continuamos a arrastar os pés. Umas vezes não se podem aumentar os impostos e é preciso cortar na despesa mas, logo a seguir, não se pode cortar na despesa porque está-se a destruir o "estado social".
Umas vezes "aguentamos até 7%/ano de taxa de juro" (disse-o o Teixeira dos Santos em 2011) para logo se vir dizer que "5,11% é insustentável" (disse-o o Seguro em 2014).
Mas os Estaleiros Navais de Viana do Castelo terem sido liquidados mostra que é possível acabar com as empresas públicas que são o cancro da nossa economia. Mas isso custa muito porque na matriz dos "opinion makers" há semrpe a ideia do Estado secar tudo à volta.
Ainda no outro dia houve um estudo qualquer sobre os STCP feito por um fulano qualquer da FEUP (penso que por um fulano que já foi seu administrador) e lá apareceram as velhas receitas do monopólio. Defendem que é preciso reforçar o monopólio dos STCP proibindo ainda com mais força a concorrência que as empresas privadas fazem "ilegalmente".
Estes iluminados esquecem-se que as empresas públicas apenas existem para garantir o direito constitucional ao transporte dos cidadãos que os privados não queiram fornecer.
O objectivo dos STCP não é transportar as pessoas com prejuízo mas apenas transportar quem não tem alternativa.
Então, sempre que um privado  se proponha fazer o serviço SEM ENCARGOS PARA O ESTADO, a empresa pública tem que recuar.
Pura e simplesmente, todas as linhas que os privados, seja a Gondomarense ou outra qualquer empresa ou pessoa, queiram fazer, façam favor, competindo pelos passageiros baixando o preço e não pagando concessões.
Nas linhas e horários que nenhum privado queira fazer, aí e só aí, entram os deficitários e mal geridos STCP.

E a questão étnica da Ucrânia?
20% das pessoas que vivem na Ucrânia são russos. No Sec. XVIII a Rússia conquistou, como nós fizemos no Sec. XII, os territórios a Sul ao "mouros" e foram-nos colonizando com russos. Em 1944 o Estaline pegou mesmo em toda a população não russa da Crimeia (os Tártaros) e enviou-a para a Sibéria onde morreu mais de metade.
Mas vamos supor que a Ucrânia fica reduzida em 20%. Ainda assim, fica um grande país, com 35 milhões de habitantes e 480 mil km2, o dobro do tamanho do Reino Unido (244000km2)  e maior que a Alemanha (360000km2).
E a história mostra-nos que é mais estável um país pequeno que um aglomerado de etnias que se odeiam.
Os tártaros são os pretos da Crimeia mas actualmente só somam 10% da população. Será que têm direito à auto-determinação e a expulsar a maioria russa, direito que foi reconhecido, em 1948,  ao Estado de Israel?

Fig. 5 - Uma ucraniana é assim (muito diferente da minha chefe de manutenção)

Fig. 6 - Mas não faz muita diferença relativamente a esta russa (também já tive uma chefe de manutenção russa e não era nada parecida com esta barbie)

O mais certo é tudo como ficar como está.
De jure mas de facto a Ucrânia vai passar a ser muito mais descentralizada.
Se o governo actual futuro der autonomia às oblastas e avançar para um modelo federal, a coisa estabiliza como a federação croata -muçulmana da Bósnia que, de facto, são 2 estados. 
Depois, com umas ajudas da UE que podem ser de 8MM€/ano de fundos de coesão (5% do PIB) e com as reformas indicadas pelo FMI, a Ucrânia pode iniciar o caminho de desenvolvimento que a Polónia está a trilhar desde há 20 anos. 
A Ucrânia precisa, no curto prazo, de 20000M€ mas é pouco para recuperar um país europeu que deu 6 milhões de vidas na luta contra o nazismo. Dá só 3300€ por cada morto.
E se compararmos com Portugal que, com 10M habitantes recebeu um resgate de 78000M€ mais 50000M€ de "cedências de liquidez", não é quase nada.

E a Rússia?
Não tem capacidade de intervenção porque a sua economia é muito pequena e está a sofrer um grande desgaste na Síria quer financeiro (porque fornece bens a crédito) quer moral pois apoia um regime totalmente sanguinário e que piora a cada dia que passa.
Apesar de, na conversa e face à Geórgia, a Rússia ser uma grande potência, de facto é uma economia da dimensão da França mas com o dobro das bocas para sustentar.
Interessante que na Síria já mataram muito mais que 100 mil pessoas e o regime aguenta-se e na Ucrânia bastou matarem 80 pessoas para o regime cair. Isso mostra que o lugar deles é na União Europeia, custe o que custar.
Vamos ter esperança.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O Robocop 2014

Hoje vou falar um bocadinho de ficção económica. 
A ideia de um artefacto poder libertar o homem dos trabalhos mais penosos e de menor valor já vem desde a pré-história.
Primeiro, domesticamos animais para carregar cargas, puxar carros e arados, correr atrás da presa e para nossa defesa pessoal.
Depois criamos as máquinas movidas pela força hidráulica, pelo vapor e pelos motores a explosão ou eléctricos.
Nas últimas décadas, criamos máquinas programáveis (os robôs) que têm vindo a substituir a força humana em tarefas que se pensava impossível como, por exemplo, pegar numa chapa de aço e transformá-la na carcaça de um automóvel, quase sem intervenção humana.
Um robô não é mais que uma máquina (mecânica ou virtual) que executa tarefas complexas segundo um programa de computador. Aparentemente, o robô é autónomo mas, na realidade, apenas executa as tarefas previstas pelo programador em função da informação que a máquina vai recolhendo do meio ambiente.

"Os robôs vão acabar com os empregos". 
Os pessimistas vêem nos robôs (e na mão de obra barata da Ásia) uma ameaça ao seu emprego mas, na realidade, é a robotização que tem permitido que, ano após ano, fiquemos a viver melhor. Claro que todos nos queixamos da crise mas, se olharmos por cima das flutuações do dia a dia, é um facto que hoje vivemos muito melhor e trabalhamos muito menos e em ocupações muito mais agradáveis que o fizeram os nossos pais e avós quando eram da nossa idade.
Recordo-me de ser criança e de ver os meus vizinhos  (a ti Aurora e o ti Durbalino, que já lá estão) a trabalhar nos campos. Há 40 anos atrás, trabalhavam ao sol e à chuva num trabalho muito duro e nada aliciante, 12h/dia com apenas metade do Domingo para descansar.
A preços de hoje, os meus vizinhos tinham um rendimento de 1,30€/hora pelo que, trabalhando como agora 40h/sem, teriam um salário de 175€/mês, menos que os 178€/mês que recebem os do RSI - rendimento social de inserção, sem fazer nada.
E os meus vizinhos consideravam-se riquinhos.


"E no meu tempo é que era, trabalhar até cair e passar fome de rachar"
diz a minha mãe que se lembra do funeral do pai do ti Durbalino (o pai era armador) "em que foi preciso correr o lugar para pedir umas meias emprestadas e fazer uns sapatos de cartão que, depois de engraxados, até davam uma vistinha" terminando sempre a dizer que "falam de crise mas hoje os filhos andam em bons carros, têm boas casas e os netos andam a estudar, que eu queria e não pude".
Em 1959 o meu pai comprou um carro do mais fraquinho que havia (um Carocha) por 52000$00, que a preços de hoje, são 22500€. Hoje, por este preço, compra-se uma limusina.

Fig 1 - A linha robotizada de montagem de carcaças de automóvel permitiu a democratização do automóvel.

O importante não é trabalhar mas é produzir riqueza.
Numa sociedade o importante não é haver trabalho para fazer pois disso há sempre e em demasia.
O importante é produzir riqueza, bens e serviços, pois é disso que precisamos para sermos felizes.
Depois da produção, apenas há o problema da distribuição que, ao longo dos últimos séculos,  tem sido resolvido razoavelmente bem.
Na Arábia Saudita ou no Kuwait pouco se produz com o trabalho (a produção sai da Terra) e não me consta que as pessoas de lá se queixem de falta de trabalho.

Mas os robôs não são humanoides.
No imaginário das pessoas, um robô tem que ter pernas, braços, tronco e cabeça mas a realidade não tem nada a ver com esse imaginário.
É aqui que falham totalmente as previsões levadas a filmes como o Robocop.
Os robôs mecânicos reduzem-se a um braço. Por exemplo, a estação orbital internacional tem um robô exterior, o Canadarm2, que é usado para apanhar as naves de re-abastecimento. Tem uma forma comprida com 17,6 m de extensão e apenas 35 cm de diâmetro (ver). O Canadarm2 pode "caminhar" por todo o exterior da estação saltando (ora ancora a "mão", ora ancora o "ombro") entre os pontos que têm uma "tomada" de electricidade, auxiliado pelos seus 4 "olhos".

Fig. 2 - A estação orbital internacional tem um robot exterior, o Canadarm2 (a barra vermelha mostra a relação entre o comprimento e o diâmetro do robô).

Hoje a maioria dos robôs é virtual.
É o multibanco que, mediante a informação que introduzimos, vai à nossa conta bancária retirar o dinheiro e encaminha-o para o destino pretendido.
É o pórtico da SCUT que detecta que passamos lá, vai à nossa conta e retira o dinheiro e ainda envia para os clientes da Via Verde uma carta a avisar.
É a execução das ordens de compra e venda de activos financeiro que damos pela internet.
É carregarmos num botão do comando do nosso televisor e o robô ir a um repositório procurar o telejornal que passou ontem e envia-lo para o nosso televisor.
Mas o mais famoso de todos os robôs é o Google que tem um "aranhão" que envia as filhinha (as "aranhinhas") pelos ligações de internet e, assim que uma "aranhinha" chega a um servidor de páginas de internet, reproduz-se e envia filhinhas por esse mundo fora até o "contaminar" todo. Nós também temos vários robôs deste tipo a "trabalhar" no nosso computador (são as "cookies").
Já alguém imaginou quanto empregos se criariam se a recolha, processamento e pesquisa que os robôs virtuais da Google fazem fosse feita pela mão de humanos?
Nenhum. Pura e simplesmente, esse serviço não existiria pois não cria suficiente riqueza para justificar o uso de trabalho humano. Seria idêntico a obrigar os comboios a ser empurrados por humanos pensando que isso acabaria com o desemprego: pura e simplesmente, deixava de haver comboios.

O polícia do futuro já existe.
Mas não tem o aspecto do robocop nem anda por aí a dar tiros.
São as câmaras de vigilância que observam o movimento das pessoas, são os pórticos das autoestradas que seguem os nossos carros, são as torres de telecomunicações que registam por onde passa o nosso telemóvel, são as finanças que sabem quando pedimos factura.

São os drones voadores.
Que têm uma mobilidade muito maior que qualquer robô humanoide.
Os drones podem estar dormentes no porão de um navio qualquer e, a milhares de kilómetros de distancia, alguém decidindo que precisa de informação, o drone obedece e levante voo a caminho do alvo que pode estar a centenas de kilómetros (sem intervenção humana).  
Uma vez nas proximidades do alvo, avisa o seu "senhor" que assume os comandos recolhendo milhares de fotografias e vídeos de elevada resolução.
Além de não haver exposição do operador ao perigo, um mesmo operador pode controlar/utilizar vários drones ao mesmo tempo, multiplicando assim o poder de observação e de fogo.

Como eu imagino o policiamento do futuro.
Vai-se basear na observação.
Haverá sensores capazes de observar com o mesmo detalhe que um polícia em patrulhamento.
Haverá câmaras, microfones, sensores de telemóveis, leitores de matrículas fixos nos locais onde passam mais pessoas.
Haverá também drones que, em caso de necessidade, se movem rapidamente para locais não coberto e é preciso recolher informação, por exemplo, caiu um avião numa zona remota ou aconteceu uma tragédia climática.
A informação recolhida pelo sistema será prescutada pelos robô informáticos, algoritmos complexos que tentam identificar situações anómalas, por exemplo, num pórtico de autoestrada deixarem de passar carros.

Fig. 3 - Polícias destes vão acabar.

O sistema chama uma pessoa.
Classificada pelos robôs uma situação como anómala, o sistema pede a intervenção humana tocando uma companhia na casa de uma pessoa que pode estar a centenas de kilómetros de distancia.
Alguém que está em casa, mesmo uma velhinha qualquer acamada, ouve a campainha e, querendo entrar ao serviço, carrega no OK. Se a pessoa demorar mais que X segundos a responder, o sistema escolhe outra pessoa.
A pessoa que entra on-line recebe na sua conta bancária um quantitativo em dinheiro. Estes quantitativos são determinados em leilão.

O sistema envia informação para avaliação.
No monitor aparecem imagens, sons e outra informação sobre o local onde se passa a situação identificada como anómala com o detalhe que o robô considere adequado para o agente tomar uma decisão mas mantendo tanto quanto possível a privacidade das pessoas que andam no espaço público.
A pessoa acompanha a situação classificando os movimentos das pessoas como normais ou anormais  (como os likes do facebook) e o sistema vai reavaliando continuamente a situação. O sistema, se achar necessário, pede ajuda a mais agentes, recebendo várias classificações para o comportamento de cada indíviduo.

Fig. 4 - Amor, sei que está a gostar de estar aí em baixo mas, como o alarme está a tocar, vou parar e entrar em vigilância.

O sistema envia informação para o local.
Identificada uma situação potencialmente perigosa, o sistema acciona alarmes de incêndio, aconselha caminhos seguros a sair, chama bombeiros para o local ou forças policiais. Recolhe ainda informação para futuramente obrigar os vândalos a pagar os estragos ou para ser usada na prevenção e combate ao terrorismo ou em julgamentos criminais.

Os robôs também são usados na guerra.
São os drones e os misseis, torpedos e bombas inteligentes.

Fig. 5 - Uma verdadeira bomba inteligente.

Vejamos como um robô ajuda o combatente.
Quando se dispara uma arma, imaginando a linha de laser, a bala vai-se desviar do objectivo porque 1) o alvo move-se, 2) a gravidade puxa a bala para o chão e 3) o vento lateral desvia a trajectória da bala. Então, apesar de uma arma de grande calibre como a Braunning 0.50BMG ser capaz de atingir um alvo a mais de 3000m (tem uma velocidade de saída de 1220m/s = 4300km/h), a capacidade humana não consegue fazer os cálculos necessários para a bala corrigir a tragectoria da bala até ao alvo.
Para uma velocidade média de 600m/s, a bala demora 5 segundos a percorrer 3000m pelo que é preciso compesar uma queda relativamente à linha de laser de 125m e, numa pessoa a pé, descontar os passos dados nesse período de tempo.
Agora imaginemos que existem câmaras que seguem o movimento do alvo e a trajectória da bala. Então, o soldado identifica o alvo a atingir e apenas lhe aponta um laser e carrega no gatilho.
A máquina, usando câmaras de observação e formulas matemáticas calcula a direcção em que a bala deve ser disparada. Agora existe a possibilidade de o robô observar, decorridos apenas 0,5 segundos, que a bala se desviou por causa do vento lateral e, re-introduzindo essa informação no sistema, calcular nova trajectória e disparar nova bala. Então, a arma vai disparar automaticamente uma rajada de balas usada cada uma para "medir" os elementos necessários para calcular a trajectória que permite atingir o alvo.

Fig. 6 - AO fim de 0.5s, o sistema robótico detectando que a bala se desviou da trajectória idealizada, corrige o cálculo e faz novo disparo, automaticamente.

Mas cada vez há mais há intervenção humana.
Nos países onde há pena de morte, decidir que uma pessoa deve morrer é uma decisão complexa e moral muito difícil. Mas na guerra, a decisão de matar está no dedo de quem dispara a arma. Ainda pior são os bombardeamentos ou as minas anti-pessoal que matam sem ninguém julgar e decidir em concreto a pertinência de cada uma das mortes causadas.
Contrariamente ao previsto nos filmes apocalíticos, as mortes apoiadas por sistemas roboticos dependem cada vez mais da decisão humana, tomada de forma mais cuidadada e mais informada.
Se compararmos as mortes "cirúrgicas" da guerra israelo-palestiniana com as mortes "tradicionais" da guerra civil síria, vemos como os sistemas tradicionais são uma selvajaria.

Os filmes são sempre pessimistas.
A ficção científica tem uma visão muito pessimista do futuro acabando sempre com uma guerra entre máquinas e humanos em que a humanidade é atirada para a miséria e o sofrimento.
No Planeta dos Macacos a ficção chega mesmo ao limite de o progresso tornar os humanos escravos dos macacos.
Mas o futuro será muito melhor que o presente.
Há 15 dias, enquanto no judo fazia umas cambalhotas, notei uma dor de dentes. Então, na segunda feira passada fui ao dentista e, apesar de me ter doido um pouco, o Barros aplicou um revestimento num dente que tinha erosão na raiz e que não existia ainda há meia dúzia de anos. Se não fosse esse progresso, daqui a pouco o meu dente ia à vida.
Aproveitei para tirar um bocadinho de tártaro e deu que doeu um bocadinho dando para imaginar como seria miserável a vida mesmo do homem mais rico do Séc. XIX quando tinha que arrancar os dentes sem anestesia.

Fig. 7 - Hoje, a cirurgia estética até transforma um bocado de pele murcha numas mamas extraordinariamente boas. 

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Uma má ideia de que resulta algo de bom

O filósofo padre Anselmo Borges. 
Identificou que há ideias que são boas mas das quais, pela complexidade e não linearidade do mundo e das relações entre os homens, resultam coisas más. Umas dessas ideias é a sociedade igualitária mas de que resulta (resultou) a pobreza e a falta de liberdade. 
Pelo contrário, há ideias que são más mas das quais  resultam coisas boas. Uma dessas ideias é o capitalismo onde cada pessoa procura maximizar o seu nível de vida (à custa da exploração dos outros) e da qual resulta (resultou) a diminuição da pobreza e a prosperidade das populações. 
Também a "protecção do emprego" parece ser uma boa ideia e a "facilitação dos despedimentos" uma má ideia mas, de facto, os efeitos são exactamente ao contrário.  

Fig. 1 - Boas ideias podem concretizar-se em graves prejuízos sociais e vice-versa

Os contractos de trabalho precisam de flexibilidade.
Em teoria, nós vivemos num país livre que tem uma Constituição para proteger a liberdade individual das pessoas. Essa liberdade passa pela possibilidade de duas pessoas, desde que estejam no seu juízo perfeito e que não prejudiquem mais ninguém, fazerem entre si um contrato com as condições que bem entenderem.
Art. 405º do Código Civil - Princípio da liberdade contratual (Dentro dos limites da lei, as partes têm a faculdade de fixar livremente o conteúdo dos contratos, celebrar contratos diferentes dos previstos neste código ou incluir nestes as cláusulas que lhes aprouver)
Mas é em teoria porque "os limites da lei" torpedeiam significativamente a liberdade contractual.

Fig. 2 - A ideia de viver pobremente resulta em roupas fresquinhas

A falta de liberdade contractual no mercado de trabalho.
Mesmo que um trabalhador queira e ache muito bem, não pode fazer o seguinte contracto: 

CONTRATO DE TRABALHO
Fulano de tal, trabalhador, e JJMST Lda, empregador, acordam livremente o seguinte:
1 => O contracto é por tempo indeterminado.
2=> O Trabalhador tem a opção de rescindir  o contracto quando o entender, com um pré-aviso de 3 meses.
3=> O empregador tem a opção de rescindir o contrato sempre que a produtividade média dos últimos 6 meses do trabalhador seja menor que 250 pontos, com um pré-aviso de 3 meses.
4=> O ordenado de cada mês são 250€ mais 1€ por cada ponto de produtividade. 
5=> Produtividade = (explicitar aqui a formula que pondera a riqueza criado pelo trabalhador e que é um índice entre 0 pontos e 1000 pontos).
Este contracto parece-me bem e tem duas formas de flexibilidade (salário e despedimento) que actuam no mesmo sentido: os trabalhadores menos produtivos não podem ser tratados da mesma forma que os mais produtivos sob pena de a empresa ter que fechar as portas e mandar todos à sua vidinha.
  
O que diz a Constituição.
Alegadamente, a constituição portuguesa está a promover a segurança no emprego:
Artigo 53.º da Constituição - Segurança no emprego (É garantida aos trabalhadores a segurança no emprego, sendo proibidos os despedimentos sem justa causa ou por motivos políticos ou ideológicos.)

A Constituição Portuguesa retira a liberdade ao trabalhador de incluir no seu contrato de trabalho a opção do empregador o despedir, alegadamente, para seu bem.

A justificação do legislador.
O legislador retira a liberdade ao trabalhador porque acha, por um lado, que
1) O trabalhador é um mentecapto, maltrapilho e sem capacidade para negociar ou recusar o emprego quaisquer que sejam as condições apresentadas pelo empregador e, por outro lado, que
2) O empregador, apesar de ser um sanguessuga que quer explorar o coitadinho do trabalhador, vai-o contratar independentemente das condições impostas pelo legislador.

Mas vejamos como a ideia boa funcionam mal na prática.
Como o legislador não garante o emprego, quando a produtividade esperada do trabalhador é menor que o custo esperado do trabalho, o trabalhador vai ficar no desemprego para todo o sempre.
Então, uma ideia que à partida é boa (a não exploração dos trabalhadores) vai resultar num fracasso (o desemprego de longa duração).
Então, é preciso alterar esta situação e implementar a ideia que é má (a facilidade no despedimento) a ver se o seu efeito é bom (combater de facto o desemprego de longa duração).

Fig. 3 - Queres que eu te mostre como isto funciona na prática? Não tens carteira para isso. 

Um exemplo numérico.
1 => Para simplificar , vou assumir que os trabalhadores se esforçam ao máximo independentemente da avaliação, ordenado e risco de desemprego.
2 => A produtividade do trabalhador, P, depende do ajustamento entre as características do trabalhador, T, e as caraterísticas da empresa, E. Por exemplo, as macieiras altas precisam de trabalhadores altos e a baixas de baixos.
3 =>  As características do trabalhador e da empresa apenas são observáveis em ambiente de trabalho.
4 => Pela contratação colectiva o salário é igual para todos o trabalhadores.
5 => Como as características do trabalhador não são observáveis na entrevista, em termos práticos, o trabalhador cai aleatoriamente na empresa.

Por exemplo, a produtividade é dada por P = 1000€ - |E - T| com E e T uma variável não observável na entrevista que pode estar entre 0 e 1000.
Vou agora ver o impacto da ideia boa e da ideia má.

H1 => Os trabalhadores não podem ser despedidos (ideia boa).
A produtividade do trabalhador vai ser uma questão de sorte e de azar. Se a distribuição das características for uniforme, em média o trabalhador vai criar 666,7€ de riqueza.
Assumindo que 2/3 da produtividade são para remunerar o trabalho então, os trabalhadores terão que se contentar com um salário que nunca poderá ser maior que 444€. Se o salário (imposto pela contratação colectiva) for superior a este valor, a empresa não contrata ninguém e o povo fica no desemprego para todo o sempre.
A imposição legal da "segurança no emprego" vai condenar ao desemprego as pessoas que, em expectativa, produzem menos que o salário imposto pela contratação colectiva.
Mesmo um trabalhador bem ajustado (mais produtivo que o salário que recebe) não pode negociar um aumento de salário porque, se sair para outra empresa, não fica garantido que se mantenha mais produtivo que a média (o bom ajustamento).
Também por o ajustamento entre as caraterísticas dos trabalhadores e das empresas ser fraca,  os trabalhadores não se sentem bem no posto de trabalho. O altos ficam com dores de costas e os baixos com dores de braços.

H2 => Os trabalhadores podem ser despedidos (ideia má).
Como existe dificuldade na avaliação, o que é muito exagerado pelos esquerdistas, vamos supor que as empresas são apenas capazes de identificar os 20% trabalhadores menos produtivos.
No curto prazo, a flexibilidade nos despedimentos vai ter terríveis consequências na vida de algumas pessoas pois vão ser despedidos 20% dos trabalhadores

Mas a prazo, virão as consequências boas.
Primeira => A produtividade média dos 80% dos trabalhadores que matêm o emprego aumenta para 760€ o que permite o aumento dos salários para 500€.
Segunda => Mesmo pensando que o salário é de 500€, os 20% despedidos (que, em média, produzem apenas 444€ e que em H1 nunca arranjariam novo emprego) vão ter facilidade em arranjar outro emprego porque, se o ajustamento for fraco, podem ser novamente despedidos. Dos 20% despedidos na primeira fase, 80% terão melhor ajustamento que no emprego anterior ue apenas 4% dos trabalhadores vai perder o emprego pela segunda vez.

Os salários serão superiores, será mais fácil arranjar emprego e todos serão mais felizes.
A continua repetição do processo de avaliação e despedimento dos trabalhadores menos produtivos vai fazer com que o ajustamento vá melhorando ano após ano até ao máximo (1000€). Assim sendo, os salários médios podem aumentar de 444€ para 666€.
Também se torna mais fácil uma pessoa arranjar um emprego mesmo a ganhar 500€ (quando sob H1 nunca arranjaria) porque, em caso de fraco ajustamento, pode ser despedido.

O drama do desemprego 
Não é a pessoa ficar desempregada mas, uma vez no desemprego, passar a ter muita dificuldade em arranjar um novo emprego.
Com facilidade no desemprego vão diminuir os contratos a termo certo pois, se o trabalhador não corresponder, vai à sua vida.

Fig. 4 - Se não houvesse divórcio, esta mulher nunca se teria casado.

O despedimento por extinção do posto de trabalho.
Nos anos seguintes ao 25-de-Abril-de-1974, como a Constituição garantia a segurança no emprego, quando uma empresa ia à falência, o Estado assumia o pagamento dos salários. Isso aconteceu com n empresas tendo o BPN sido o último caso (com custos astronómicos). O problema é que, como o Estado não tinha como assumir os encargo laborais de todas as empresas falidas, o legislador teve que assumir a evidência de que, em caso de falência, é constitucional o trabalhador ir para casa.
Depois, deu mais um pequeno passo (imposto em 1982 pelo FMI) de que é jconstitucional despedir no caso da extinção do posto de trabalho.
Em termos conceptuais podemos imaginar que a empresa é dividida em micro-empresas que agregam postos de trabalho semelhantes (por exemplo, os 5 soldadores da empresa formam a micro-empresa de soldadura). A extinção do posto de trabalho é a falência parcial de uma das micro-empresa. O legislador não quis levar a analogia ao extremo de cada micro-empresa ter apenas um trabalhador pelo que foi necessário explicitar um critério para escolher o trabalhador a despedir.

A menor antiguidade na micro-empresa.
Aplicou-se o principio militar de que "a antiguidade é um posto". Assim, será despedido o trabalhador que esteja há menos tempo ao serviço.
Este critério é economicamente errado porque não permite ficar com os trabalhadores mais produtivos. Mesmo que a empresa contrate trabalhadores mais produtivos que o existentes, em caso de extinção do posto de trabalho, terá que ficar com o menos produtivos.
Seria como se as equipas de futebol tivessem que meter em campo os jogadores mais antigos no clube e não quem jogasse melhor. O Benfica já se teria safo do Eusébio mas ainda teria que meter o Chalana.
Este critério, além de não promover a eficiência económica, é muito penalizador para os jovens (que serão sempre os primeiros a despedir).

A pior avaliação de desempenho.
O pior critério de todos é a antiguidade pelo que qualquer critério será um melhoramento.
A pior avaliação de desempenho é o critério perfeito. Apesar de as mentes burocratas  imaginarem dificuldades na avaliação, mesmo com falhas, é melhor que a antiguidade.
Por exemplo, é muito difícil avaliar um jogador de futebol mas é possível ,medir os kms percorridos, as recuperações e perdas de bola, passes de curta, média e grande distância feitos bem e mal, assistências para golo, golos marcados, desarmes, cortes de cabeça, remates à baliza certos e errados, faltas sofridas e cometidas, etc.
Também num empresa é possível medir muitas coisas pelo que, a dificuldade à partida não pode ser uma desculpa para esta hipótese deixar de ser experimentada pois qualquer coisa é melhor que a antiguidade.

E isto facilita o despedimentos?
E de que maneira porque a extinção do posto de trabalho pode ser por flutuação da actividade económica.
Imaginemos uma empresa que vende 100 no Inverno (precisa de 10 trabalhadores) e 200 no Verão (precisa de 12 trabalhadores). Antigamente, a empresa contratava no principio do Verão 2 trabalhadores que tinha que despedir no princípio do Inverno e ficar com os antigos.
Com a nova regra  vai despedir os 2 trabalhadores que têm pior avaliação de desempenho. Agora vão ficar os 2 mais recentes (se tiverem melhor avaliação) e sair 2 dos mais antigos (se tiverem pior avaliação).
Se a empresa "precisar" despedir 5 couratos, pode contratar excesso de pessoal no Verão (15 em vez dos 12) passando a ter folga para despedir no Inverno os tais 5 em vez de 2. É um pequeno custo de ajustamento.

Será constitucional?
Seria inconstitucional se já não tivesse sido declaro constitucional o despedimento por extinção do posto de trabalho. Reforço que o posto de emprego já terminou e que o Constitucional já deliberou que isso é "justa causa" para despedir o trabalhador. Agora, o TC vai-se apenas pronunciar-se sobre o critério para escolher a pessoa que vai para casa em comparação com a antiguidade.
Se o regulamento de avaliação de desempenho for legal então, o seu uso como critério para escolher a vítima da extinção é totalmente constitucional.

Vamos ao crescimento económico do 4T2014.
O INE anunciou hoje que o PIB cresceu 0,5% no 4 trimestre de 2013. A oposição desvaloriza mas no espaço de 3 trimestres o PIB já cresceu 1,8%, quase tanto como nos 6 anos do reinado do Sócrates, 2,1%.
Claro que gritam muito que o mandato do Passos Coelho está acompanhado por um empobrecimento total de 4,7% que, somando ao empobrecimento de 2,4% do tempo do Sócrates, já totaliza, desde 2008, 7,1% de contracção do PIB. Mas não nos podemos esquecer que o mandato do PP Coelho é de consolidação orçamental (está a metade) e das contas externas (está totalmente feito).

Fig. 5 - Evolução do PIB relativamente a 2005 (Dados: INE)

Se em 2,5 anos corrigir um défice da balança corrente em 11% do PIB e contrair o défice público de 10% para 5,3% do PIB com uma contracção do PIB de apenas 4,7% não é um bom resultado, o melhor é fechar o Santuário de Fátima de vez pois, em comparação, os milagres que lá fazem não prestam.

Gastar à tripa forra => Uma boa ideia que deu em fracasso.
O Sócrates com a sua política de crescimento baserada em "investimentos públicos estratégicos" financiados com endividamento e uma política de salários e rendimentos expansionista resultou num ténue crescimento e numa crise financeira muito profunda que nos perseguirá muitos e muitos anos.

Austeridade => Uma má ideia que deu em sucesso.
O Gasparzinho com uma política de contracção, austeridade e sacrifíco seguida pela sua irmã gémea  Maria Luíz conseguiu equilibar as contas e dar inicio a uma veradeira trajectória de crescimento económico.

Mas voltamos aos "investimentos públicos prioritários".
Em Setembro de 2013 o governo criou o GTIEVAS (Grupo de Trabalho para as Infra-estruturas Estratégicas de Valor Acrescentado) para identificar as novas obras faraónicas (no valor de 5500 milhões de euros) que se deverão fazer nos próximos 7 anos.
A boa notícia é que 5500M€ em 7 anos são apenas 0,5% do PIB.

Fig. 6 - É uma obra para um faraó pequenino.

Mais comboios.
O necessário era acabar com as linhas de caminho de ferro deficitárias (que são todas) que existem mas lá volta o relatório a aconselhar que se enterrem mais 2800 milhões € em novas linhas de caminho de ferro e obras sem qualquer racionalidade económica. Andamos anos e anos a enterrar milhares de milhões € em autoestradas e agora defendem que o transporte de mercadorias tem que passar a ser de comboio. Então para que se fizeram as autoestradas?

Fig. 7 - Por linhas tortas só Deus escreve direito

Mais portos estatais.
Se era preciso acabar com o sequestro de que os portos são, há muitos anos, vítimas à mão dos estivadores, privatizando-os às fatias para promover a concorrência, vem o GTIEVAS aconselhar a enterrar mais uns milhares de milhões em monopólios que não levam a lado nenhum.

Para terminar, a questão da minha amante.
Já há muitos meses que não tento arranjar uma amante.
Ataquei uma que não tinha nada de especial e nada, depois outra do mesmo calibre e nem resposta. Então, digamos que cai no grupo dos desanimados (e que os esquerdistas dizem já incluir centenas de milhares de pessoas).
Mas hoje revi uma que me animou um pouco e parece que há barulho na capoeira.

Fig. 8 - O barulho na capoeira desperta a esperança da raposa de que uma galinha se tresmalhe.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Investimento, crescimento, salários e desemprego

Ontem ao almoço o meu amigo SP lembrou-me desta discussão. 
Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) começaram a dizer no espaço público que a nossa economia precisava de um "ajustamento em baixa dos salários para combater o desemprego e melhorar as nossas contas com o exterior", os esquerdistas gritaram, berraram, guincharam e zurraram que o desemprego apenas poderia ser combatido com mais investimento (em TGVs, autoestradas e energias renováveis), mais crescimento económico e salários mais elevados (para aumentar o consumo). 
Até houve uns da Universidade do Minho que escreveram que diminuir os salários (pela transferencia da TSU) até causaria aumento do desemprego. Na altura dei-lhes uma marretada que, naturalmente, não gostaram nada. Ainda no outro dia vi um deles, que até é bom rapaz, mas fizemos de conta que não nos vimos.

Mas, decorridos 3 anos, o desemprego está a diminuir rapidamente.
Depois de uma taxa de desemprego (sem correcção da sazonalidade) de 18,1% em Janeiro de 2013, 930 mil pessoas desempregados, o desemprego começou a cair e atingiu no fim de 2013 uma taxa de 15,3%, 812 mil desempregados. 
Nos últimos 11 meses, o número de desempregados diminuiu em 710 por cada dia útil num total de 172 mil. Se descontarmos os 5,5% da "taxa de pleno emprego" (non inflationary unemployment rate), em apenas 11 meses, 22% dos desempregados saíram dessa situação.
Fixemos este valor de 22%.

"Mas está pior que em Junho de 2011" (esquerdistas).
Os defensores da catástrofe que resultou do governo Sócrates + Teixeira dos Santos, mesmo já tendo  a voz embargada, querem comparar o actual nível de desemprego (15,3%) com o nível que existia no último mês de Sócrates (12,1%). Assim, dizem que as politicas do Coelho, globalmente, fizeram o desemprego aumentar em 3,2% da população activa, mais 150 mil desempregados.
Mas então, esses esquerdistas também precisam comparar a taxa de desemprego no fim do socratismo (12,1%) com o que se verificava na data da sua entrada, em Março de 2005 (8,3%). O socratismo aumento o desemprego em 3,8% da população activa, mais 200 mil desempregados, quando tinha prometido criar 150 mil postos de trabalho. Foi apenas um desvio entre o prometido e o concretizado de 350 mil postos de trabalho.
a brilhante politica de investimento e crescimento teve pior impacto que a "catastrófica politica de austeridade" do Passos Coelho. 
E tudo indica que o Passos vai chegar ao fim do seu mandato com a taxa de desemprego que encontrou quando tomou posse (ver, Fig. 1). Vamos chegar a meados de 2015 com 12,1%.

Fig. 1 - Taxa de desemprego (dados:INE). Só um cego não vê que está a cair. 

"Não pode ser. O emprego tem que estar a diminuir" (esquerdistas).
Apesar de ser por demais evidente que o desemprego está há 11 meses a cair, os esquerdistas continuam a afirmar que da "politica catastrófica neo-liberal e de direita" só pode acontecer destruição de emprego. 
Com este pressuposto na cabeça, a diminuição do desemprego só pode ser por causa da emigração e do crescimento dos desanimados. Esta tese já foi apresentada com grande destaque no JN e ontem mesmo fez capa no Diário Económico ("Emigração explica 2/3 da queda da taxa de desemprego") mas É COMPLETAMENTE FALSO.

A verdade, que já apresentei no outro dia (ver o poste), na fase de 2008-2012, por cada 3 empregos destruídos, duas pessoas foram para o desemprego e 1 pessoa perdeu-se (foi para a emigração e para a inactividade). Mas esta perda de activos foi 1/3 e não 2/3. Quer isto dizer que, se não fosse esta perda, em princípios de 2013 a taxa de desemprego teria atingido os 23%.
Mas olhando para os dados trimestrais do Eurostat (ainda não saíram os dados do 4T2013), no 1T2013 essa tendência inverteu-se: havia então 4433 mil empregados e no 3T2013 havia mais 120mil, 4554 mil empregados.
Por cada 19 pessoas que saíram do desemprego foram criados 20 postos de trabalho. Assim, recuperou-se um desanimado.

"Então, o investimento aumentou desmedidamente" (esquerdistas).
Como o desemprego está a diminuir tão rapidamente, se as teses dos esquerdistas estivessem certas iríamos observar nas estatísticas um enorme aumento do investimento privado (já que o público está , felizmente, parado). 
Fui ao INE buscar os dados e, para meu espanto, o nível de investimento mantém-se abaixo dos 65% do nível do primeiros mandato do socratismo (nos 6MM€/trim para uma depreciação de 7,5MM€/trim o que dá um investimento liquido negativo).

Fig. 2 - Evolução do investimento, MM€/trim, preços constantes (dados: INE)

Não é possível.
Estou confuso. Já compreendo porque os do PS andam meio abananados com estas coisas do desemprego ao ponto do João Galamba vir agora defender que "o preferivel é aumentar os impostos".
Mas não foi este mesmo Galamba que, em 2012, quando o Gasparzinho anunciou um "brutal aumento dos impostos", veio gritar a pedir cortes na despesa pública?
Decorrido um ano, afinal, o PS vem dizer que o Gasparzinho estava no bom caminho e o que é preciso é aumentar ainda mais os impostos.

Fig. 3 - "Escreva o que eu digo pois sou uma pessoa de uma só palavra: quando for o PS a mandar, vamos aumentar os impostos e anular os cortes na despesa porque é a despesa que combate o desemprego".

Os custos do trabalho diminuíram.
Quando em 2010 o falecido António Borges e o vivo Vítor Bento (e eu) gritaram pela necessidade de diminuir os custos do trabalho fosse pelo aumento do horário de trabalho, da diminuição dos salários ou da flexibilização do mercado de trabalho, a esquerda chamou dois prémios Nobel e um fulano qualquer brilhantíssimo (o meu ex-amigo Ricardo Reis) para contra-gritarem que, para o desemprego diminuir, os salários tinham que subir. 
Também vieram os sindicatos e os patrões pedir um aumento do salário mínimo mas a pagar peo Passos Coelho.
A lógica era que, mais salários transformam-se em mais consumo que se transforma em mais procura o que leva as empresas a empregar mais pessoas diminuindo o desemprego e a despesa em apoios sociais.
É a argumentação mais estúpida que algum ser humano pode avançar. 
É como dizer que comer mais emagrece porque se gasta mais energia na digestão.
Mas os custos do trabalho reduziram 15% relativamente aos nossos parceiros da Zona Euro, exactamente como eu achava necessário. Foram 5% ainda no tempo final do Sócrates e mais 10% no período inicial do Passos Coelho (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - Evolução dos custos do trabalho relativamente aos nossos parceiros da ZE (dados: Eurostat)

Retomemos o número.
Uma queda de 15% nos custos do trabalho induziram até agora uma queda no desemprego de 22%.
Então, cada 1% na redução nos custos do trabalho induzirm uma redução de 1,5% no número de desempregados.
Afinal, o modelo teórico que garante que uma redução nos custos do trabalho induz uma redução no desemprego (e um aumento no emprego) está mais certo que toda a evidencia empírica que esse pseudo-craques esquerdistas foram arranjar para negar o que dizia (e diz) a teoria.

Fig. 4 - A teoria sempre disse e diz que, quando o desemprego é elevado, a redução dos salários diminui o desemprego e aumenta o emprego. Negar isso é a mesma coisa que dizer "eu sou estúpido".

Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Os Mirós são para vender e a dívida pública é para pagar

O problema da nossa comunicação social são os pormenores. 
É a morte do Eusébio, são 6 pessoas afogadas no Meco, é um ferido que anda 400km para ser socorrida, é uma onda que invade umas esplanadas, é uma ventania que arranca uns plásticos de umas estufas, é a amante do Hollande. 
De entre essas pequenas notícias, nos últimos dias surgiram duas com especial força.

Os Mirós devem ser vendidos.
O Joan Miro i Firrà (1893.1983) é, sem qualquer dúvida, um dos maiores criadores artísticos que jamais existiram. Porque as obras dos grandes criadores são raras e dão prestigio a quem as possui, parece natural que tenham muito valor e custem muito dinheiro e, por isso, sejam para quem pode.
Como nós não podemos, vendam-se os aneis para podermos ficar com os dedos.

Fig. 1 - Mulher boa em frente do Sol (Miró, 1950), litografia avaliada em 100€

O BPN foi gerido à moda do Sócrates.
O BPN fez muitos negócios ruinosos para ajudar amigos, por exemplo, emprestou 176000€ para alguém, talvez de um partido, comprar um VW Golf em segunda mão. 
Nessas loucuras, não sei se comprados verdadeiramente ou para ajudar alguém, acabou com 85 quadros do Miró, intangiveis que usou como garantia de um empréstimo de 4800 milhões € junto da Caixa Geral de Depósitos.
Exactamente, quatro mil e oitocentos milhões de euros garantidos por 85 quadros que estão avaliados em trinta e cinco milhões. Cada euros de avaliação em quadros serviu, no tempo do Sócrates, para a CGD emrpestar 137€ ao BPN que nunca foram pagos nem nunca o serão pelo que temos que ser nós todos, com impostos e cortes, a tapar esse buraco. 

Os Mirós não nos dizem nada.
Forma escolhidos segundo os gostps e interesses de figuras menores em termos asrtísticos, burocratas  do BPN, sem qualquer preocupação quanto ao interesse nacional.
Tal é pouco o interesse da colecção que nenhum museu, famoso ou de vão de escada. pediu as obras emprestadas para as mostrar.
Quanto aos Mirós em termos genéricos, não conheço nenhum museu português que anuncie ter Mirós em exposição ou que tenha alguma vez programado uma mostra usando um Miró como cabeça de cartaz. Não conheço nenhuma pessoa que tenha ido visitar um museu português para ver um Miró.
E tenho a certeza que se for pedido a cada português 4,00€ para evitar a venda dos 85 Mirós, ninguém os dá de livre vontade.
Se fossem obras de autores portugueses de referencia como, por exemplo, Vieira da Silva, Columbano, Grão Vasco, Almada Negreiros, José Malhoa, Joséfa de Óbidos, Cargaleiro, Pomar, Cesariny, Nadir Afonso ou Paula Rego, fazia sentido haver um certo burburinho. Mas de um espanhol qualquer, que nunca viveu em Portugal, não faz sentido.

Fig. 2 - Tenho a certeza que um museu com 85 mulheres destas, mesmo que a entrada fosse de 500€, chamava turistas de toda a parte do mundo, repetidamente

Interessante o argumento dos comunas.
Não há ninguém que consiga seriamente afirmar que veio pelo menos um turista a Portugal para ver um Miró. 
Existe algum estudo que avalie o impacto dos nossos museus no turismo?


Mas, mesmo assim, os esquerdistas vieram com argumentos económicos, com bilhetes de entradas em museus e vinda de turistas estrangeiros, quando são tão contra essas questões mercantilistas. 

ZZZZZZZZ EEEEEEEE RRRRRRRRR OOOOOOOO
Alguém sabe quantos estrangeiros vêm a Portugal para visitar um  museu?
A esquerda continua a pensar que estamos no tempo do regabofe, do Estado comprar tudo o que apetece porque fica-se a dever e, depois, a divida não é para pagar.
Gasta-se a crédito e depois diz-se que a dívida é ilegítima.
Faz-me lembrar as famosas gravuras alegadamente rupestres de Foz Côa.
Diziam que o parque iria ter milhares e milhares de visitantes e vê-se hoje que, contando com as criancinhas das escolas que são obrigadas a ir lá, tem menos de 20 visitantes por dia. Três grupozitos.

A dívida pública é para pagar.
Os da esquerda tentar por em causa o apgamento da divida pública a ver se as taxas de juro param de descer.
A questão que se discute é se será possível o Estado pagar o que deve seguindo apenas um caminho orçamental normal.
O Pacto Orçamental indica um défice público de 0,5% do PIB. Se em 2013 o défice "económico" vai ficar nos 5,3% do PIB, terá que continuar a reduzir até atingir os 0,5% do PIB. A minha previsão é que vamos atingir essa meta no fim do próximo mandato (do Passos Coelho)

          Ano          2013     2014      2015      2016     2017       2018       2019
          Défice       5,3%     4,4%      3,5%     2,6%     1,7%       0,8%       0,5%

Previsão da taxa de crescimento do PIB.
Nos últimos anos, o PIB por trabalhador tem aumentado 1,2%/ano. Vou juntar a esta taxa o facto de o emprego dos actuais 15,3% de desempregados representar um crescimento do PIB total de 10%, repartido ao longo dos próximos 10 anos.

Vamos atingir 50% do PIB em 2050.
Se conseguirmos, como estamos obrigados pelo pacto orçamental, atingir e manter um défice público de 0,5% do PIB, em 2050 a dívida pública atinge os 50% do PIB que se verificava em 2000 (nessa altura vou estar a comemorar os meus 85 anos de idade).
Para mantermos um défice de 2% do PIB, se a taxa de juro média da dívida pública for de 3%/ano, precisamos de um superavite primário (i.e., sem juros) de 2% do PIB.
Vai ser duro mas é possível desde que não voltemos a ter governos caloteiros do tipo dos do Sócrates, Guterres ou Santana Lopes em que se faz despesa a crédito para logo argumentar que "pagar a divida pública é uma brincadeira de crianças".
Interessante como o que gastamos a mais em 12 anos nos vai demorar quase 40 a pagar.

Finalmente, as sondagens.
O Seguro esteve uns dias a fazer de morto mas teve que reaparecer porque as sondagens começaram a ser-lhe desfavoráveis.
Com a queda do desemprego e das taxas de juro e com o aumento do emprego e do PIB, cada vez mais povinho vai-se convencer que o Gasparzinho estava certo e que o "outro caminho" não passa de banha da cobra.
Será que na noite das eleições europeias, em finais de Maio, o Seguro vai cair abaixo do palanque?

Fig. 3 - Os do governo estão à minha frente mas é só um bocadinho

Pedro Cosme Costa Vieira

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