domingo, 27 de fevereiro de 2011

Coisas do governo da nação

O Governo liga a nossa situação de fragilidade económica à importação de petróleo e gás o que é mentira. Em Espanha vai-se proibir a circulação de automóveis a mais de 110km/h mas aqui não, o governo português nesta acertou. Vão ser proibidos os estágios não remunerados o que é uma idiotice.

A importação de combustíveis
Regularmente é apontado pelo Governo que a nossa situação de fragilidade económica resulta da nossa necessidade de importar petróleo e gás. Que somos muito dependentes dessas matérias-primas e que a sua aquisição obriga à saída do país de muito dinheiro. Daí a campanha de substituição dessa fonte de energia por energias alternativas (alegadamente de produção nacional).
Passa-se a mensagem de que o petróleo está muito caro, que se gasta muito combustível nos automóveis pelo também haverá necessidade de investir em transportes ferroviários (o famoso TGV).
Isto não corresponde à verdade, sendo mesmo uma grande mentira, porque Portugal gasta muito pouco dinheiro na importação de petróleo. No ano de 2010, Portugal importou 8023 mil milhões € de Combustíveis e Lubrificantes e exportou 4358 mil milhões € em produtos relacionados directamente com o petróleo (Plástico e suas obras; Borracha e suas obras; Produtos das indústrias químicas ou das indústrias conexas) – fonte: www.ine.pt. Assim, a despesa na importação líquida de petróleo e gás será de 4960M€, fonte: www.dgge.pt, inferior a 3.0€ de petróleo por cada 100€ produzidos no país. Agora comparemos o benefício que retiramos da importação de petróleo e gás com o pagamento de 3.0% do que produzimos.
Comparemos agora o que vamos pagar de juros: devemos 200 mil milhões de €, a 7.5%/ano, dá 15 mil milhões € /a no que é 3 vezes o que gastamos em petróleo. E esse dinheiro foi, em grande parte, enterrado nesses projectos megalómanos de substituição das importações de petróleo e gás e muito mais pretendem gastar. O vento pode não custar nada mas os vira-ventos pagam elevados juros ao estrangeiro.
É fácil ensinar a qualquer criança que vivemos melhor se importarmos bananas de África e vendermos sapatos para lá. Não deveria ser tão difícil meter nas cabecinhas dos nossos governantes que viveremos melhor se importarmos petróleo e produzirmos alguma coisa que saibamos fazer para pagarmos por ele. Todos os países que procuraram substituir as importações acabaram na pobreza. Recordemos-lhes a anedótica Albânia ou a trágica Coreia do Norte.
A velocidade nas auto-estradas
Em Espanha vai-se proibir a circulação de automóveis a mais de 110km/h mas o governo português é contra. Nem tudo o que se faz lá por fora é bom, nem tudo o que se faz por cá é mau. Nesta o governo português acertou.
Quando se pretende gastar milhares de milhões de euros em TGVs porque o povo precisa andar rápido, é uma loucura proibir esse povo de andar rapidamente, por sua conta e ainda pagando impostos. O único argumento válido para limitar a velocidade de circulação automóvel é a segurança automóvel: as nossas auto-estradas não comportam maiores velocidades. Tudo o resto é destrutivo e demagógico.
Os estágios não remunerados
Parece que, para resolver um problema, basta o governo proibir a sua existência. Todos os anos, cerca de 40 mil jovens licenciados entram no mercado de trabalho e demoram algum tempo a encontrar emprego: em média, 20 meses. Durante este tempo, vão namorando os empregos: fazem uns biscates num hipermercado ao fim de semana, e procuram promover-se junto de potenciais empregadores oferecendo-se para fazer uns estágios não remunerados. Depois de andarem 15 anos a prepararem-se para o mercado de trabalho, pagando propinas, livros, viagens e alojamento, mais uns mesitos de “estágio não remunerado” é entendido como um bom investimento.
No meio disto há o mito de que há alguns empregadores que se aproveitam dos estagiários (como se os licenciados fossem mentecaptos que fazem estágio em qualquer lugar). A forma de resolver isso é proibir os estágios.

“É uma barbaridade de [política] e uma barbaridade de [filosofia], de um [governo] que de vez em quando se sente iluminado", André Villas-Boas, 26.02.2011. “É uma idiotice”, Pinto da Costa, 26.02.2011.
Era como diziam os antigos: para aumentar os casamentos, proíba-se o namorar.
Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Sócrates, Chavez e Kadafi: um ponto em comum


José Sócrates, Muammar Kadafi e Hugo Chavez. Quais são as semelhanças? Cingindo-nos ao plano das relações bilaterais e políticas governamentais, as similitudes são maiores do que se possa pensar. Não é demais lembrar que as relações entre os três são "saudáveis" e os contactos frequentes.A venda de Magalhães,só por si, já motivou animados encontros entre o primeiro-ministro português e o chefe de Estado venezuelano. Por outro lado, José Sócrates fez da Líbia uma prioridade da política externa e de Kadafi um aliado.

As estatísticas confirmam a proximidade entre Kadafi e Sócrates: entre 2006 e 2010 as exportações portuguesas para a Líbia aumentaram 70%,  O primeiro-ministro visitou a Líbia quatro vezes em seis anos, recebeu Kadafi em Lisboa durante a cimeira UE-África, abriu uma embaixada em Tripoli e assinou um acordo de cooperação económica e empresarial com "a Grande Jamahiriya Árabe Líbia Popular Socialista". Em Outubro de 2005, visitou pela primeira vez a tenda beduína de Kadafi e classificou-o de "líder carismático". Uma identificação consigo próprio?

A memória nem sempre é um instrumento cómodo. Mas afinal qual será a semelhança entre os três líderes? Avanço apenas uma: "aumentar os salários para prevenir uma indesejável saída do poder". Kadafi está com tantas dificuldades em segurar-se nas rédeas da Líbia que resolveu agora aumentar em 150% os salários  e subsídios sociais (ver aqui). Nada de inédito. Hugo Chavez  faz uso desse expediente com alguma frequência (2008 e 2010).

Os actuais cortes salariais na Função Pública em Portugal poderiam ter sido evitados se o descontrolo da despesa não tivesse sido tanto e se, por mero eleitoralismo, Sócrates não tivesse acedido ao aumento em 2,9% dos trabalhadores do Estado em 2009 e aos acréscimos subsequentes nos apoios sociais (subsídio de desemprego prolongado, RSI, complemento solidário para idosos, majoração do abono de família). É evidente que as causas da actual conjuntura não se resumem aos pontos já referidos, bastando ler alguns relatórios do Banco de Portugal para perceber qual é o conjunto de motivos do imbróglio português e que a crise internacional não desculpa tudo, antes pelo contrário.

De qualquer forma, dar com uma mão para logo tirar com a outra é sempre deselegante e tem um efeito pernicioso junto dos visados. Com a corda na garganta e Passos Coelho já em bicos de pés, Sócrates não hesitaria certamente em tomar uma medida de aumento salarial semelhante à de Kadafi. Mas como não vivemos numa  república do Magrebe, Médio Oriente ou América Latina, as regras são mais apertadas e Angela Merkel teria uma síncope cardíaca se tal facto se verificasse dentro da Zona Euro.

Pedro Palha Araújo

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

De facto o estado grego está apagar 5%/ano, o irlandês 5.8%/ano e o português 6.9%/ano

Uma questão é a taxa de juro que os estados intervencionados pelo FMI e pelo Fundo de Resgate da UE pagam pelo pacote de ajuda que cobre as suas necessidade financeira para operíodo 2011-2013. Outra questão é a taxa de juro implícita na cotação da dívida pública transaccionada no mercado secundário. Importa escrever esta nota porque tenho observado na TV pessoas com responsabilidades a confundir estes duas questões.


O que é um Título de Dívida Pública?
No Mercado Primário, os aforradores emprestam dinheiro directamente aos Estados.
Em termos simples, os aforradores fazem um depósito a prazo no Estado. Por exemplo, no dia 1 de Março de 2011 o aforrador deposita 1000€ no Estado e este promete pagar-lhe 50€ em cada 28 de Fevereiro e devolver os 1000€ em 28 de Fevereiro de 2021. A taxa de juro deste contrato é 5%/ano.
É um contrato diferente dos “depósitos normais” porque  o aforrador só pode recuperar o dinheiro no dia acordado.
Este “depósito” é titulado no sentido em que é escrito num papel: “O Estado Português promete entregar ao portador deste título 50€ cada 28 de Fevereiro e 1000€ em 28 de Fevereiro de 2021”.
Se o Estado entrar em bancarrota, o aforrador não receberá o prometido.

No Mercado Secundário os aforradores relacionam-se entre si.
Para facilitar a vida aos aforradores (aumentar a liquidez), estes compram e vendem títulos de dívida entre si a um preço que varia no tempo. Se, de repente, o aforrador pensa que o Estado vai entrar em bancarota, fica aflito e quer recuperar o dinheiro mesmo com perdas. Por exemplo, apesar de ter depositado 1000, vende o título por 900€.

Como se relaciona a cotação dos títulos da dívida com a taxa de juro?
O Estado não altera os termos do título, “50€ cada 28 de Fevereiro e 1000€ em 28 de Fevereiro de 2021”, mas, se um novo aforrador comprar este título por menos dinheiro, por exemplo 900€, estão está implicito que vai receber uma taxa de juro maior. Em termos financeiros a taxa de juro i implícita nesse preço resolve  a equação seguinte:
900 = 50/i*(1-(1+i)^-10)+ 1000*(1+i)^-10      ->    i = 6,383%/ano.
Se, minutos depois, a cotação descer para 500€, taxa de juro implícita subirá para 14,940%/ano.

O que se passa com os títulos de dívida gregos e irlandeses?
Esses estados têm actualmente as suas necessidades de financiamento garantidas para os proximos 3 anos pelo que não pedem dinheiro emprestado no mercado primários. No entanto, ambos têm muitas dívidas a 10 e mais anos havendo dúvidas de que estes estados consigam cumprir essas obrigações de longo prazo. Então, os aforradores estão a vender esses título (e outros a comprar) em saldo, antecipando o risco de estes estados entrarem em bancarrota daqui a 10 ou 15 anos.

Seria bom portugal ter pedido (ou vir a pedir) ajuda?
Os estados ajudados estão a pagar uma taxa de juro mais pequena que a implícita no mercado secundário. Se esses estados pedissem dinheiro emprestado no Mercado Primário iriam pagar taxas de juro proximas desses valores e os paises que os estão a ajudar receberiam essa taxa de juro. Então, a Irlanda e a Grécia estão a ser subsidiados pelos outros países europeus. Por exemplo, a Alemanha poderia ser remunerada a 12%/ano e aceita receber 5.8%/ano. Em 33 mil milhões, dá 2 mil milhões por ano à Irlanda.
Se também recebêssemos esse dinheirinho era bom.
Qual será a razão da teimosia?

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 13 de fevereiro de 2011

As crises da Tunisia e Egipto resultam da intervenção estatal errada nos mercados

Para combater a crise de 2007, os governos implementaram políticas que pareciam funcionar no curto-prazo mas que, por serem erradas, no médio-prazo levaram ao agudizar da crise que se traduz em taxas de desemprego na casa dos 30% e contracção económica.

A importância dos mercados e da economia
Os políticos gostam de diabolizar o Mercado fazendo-o um papão, sanguinário, bosque terrivel onde habitam o lobo mau e os especuladores avarentos que destroem a maria, o zé, o quim-nelo e a belinha povinho. É o mercado da dívida soberana que suga os coitadinhos dos países do sul da europa; É o mercado do leite que arrasa os desgraçados dos agricultores; É o mercado de trabalho que explora os miseráveis trabalhadores.
Mas esses politicos sabem que o acesso aos bens materiais é de primordial importância para a felicidade de cada um de nós. Mesmo o candidato que dizia ser a poesia o mais importante da vida, nunca atacou o outro com um poema.
          A crise é total, até acabaram com as quadras de Natal
          Acabaram com os trovadores, com os poetas e com os otários
          Nem sabe quantos cantos fez Camões, só se preocupa com os aviários
          A mim ninguém me cala mas, o melhor, é meter a viola na mala

O que é o mercado e como funciona
Uma pessoa não pode produzir todos os bens que quer consumir. Se o tentasse fazer, teria que se reduzir a uma existência miserável.
Há pessoas que produzem batatas e outras que produzem camisas. Se eu produzo batatas e quero uma camisa, tenho que trocar algumas das minhas batatas pela camisa. Como é dificil encontrar uma pessoa que tenha uma camisa para trocar por batatas, surgiu o dinheiro como bem intermédio nas trocas: eu troco as minhas batatas (com a Maria) por dinheiro e, mais tarde, troco o dinheiro (com o Zé) pela camisa.
O mercado das batatas será formado por todas as pessoas que querem vender (produzem) batatas e as pessoas que querem comprar (consomem) batatas.
No mercado há um preço de transacção. Se a quantidade de batatas que os vendedores pretendem alienar for maior que a quantidade de batata que os compradores pretendem adquirir, o preço de transacção diminui e vice-versa até que estas duas quantidade se igualam.
Quando se encontram no mercado vendedores que têm custos de produção diferentes, o preço de transacção fará com que os vendedores que têm custos maiores tenham prejuizo, acabando por falir. Este mecanismo dinâmico, apesar de parecer maquiavélico, é o motor do progresso e é o que faz com que o nosso ordenado permita adquirir maior quantidade e qualidade de bens.

O que acontece quando há uma crise
Por exemplo, num ano normal produzem-se e consomem-se 100t/dia de hortaliça ao preço de 1€/kg.
Havendo crise ( por exemplo, uma seca), ao preço de 1€/kg só se produzirão 50t/dia de hortaliça. Mas, como a 1€/kg os compradores continuam a querer adquirir 100t/dia, haverá escassez do produto, racionamento. Em termos económicos a crise pode resultar do aumento do preço de um factor de produção, por exemplo, o preço do gasóleo aumentar 25%.
O mecanismo do mercado faz o preço da hortaliça aumentar de forma que os agricultores se sintam motivados a aplicar mais esforço na sua produção. Mesmo com a seca, ao preço de 2€/kg, os agricultores esforçam-se mais conseguindo produzir 75t/dia de hortaliça e os compradores, por o preço ser superior, já só quererão adquirir 75t/dia: as quantidades ficam equilibradas. Mas crise é crise: antes consumiam-se 100t/dia e na crise consomem-se apenas 75t/dia (e aplica-se mais esforço para atingir essa quantidade).
Se, pelo contrário, o governo tentasse combater a crise impondo uma redução dos preços da hortaliça para 0.75€/kg, a crise seria amplificada: em vez de 50t/dia, a produção e consumo reduziam-se para 25t/dia.
Em termos globais, quando há uma crise, produz-se menos pelo que as pessoas terão que consumir menos o que é conseguido pelo aumento dos preços (mantendo os salários constantes) ou pela diminuição dos salários (mantendo os preços constantes). Este mecanismo de mercado faz atenuar parcialmente a crise porque os produtores sentem-se incentivados a aumentar o esforço de produzir e as famílias obrigadas a consumir menos e a trabalhar mais.

O que aconteceu na Tunisia, Egipto, Irão, etc. e em Portugal
Quando começou a crise de 2007, os governos pensaram ser o Super-Homem. Que, munidos de kriptonite, atacavam o sanguinário mercado e a crise estava resolvida. É Natal sempre que o Homem quer e é crise apenas quando o governo deixa.
A táctica dos governos foi induzir aumentos dos salários, pensões e descidas dos preços. Tudo errado. Neste pacote esteve o aumento administrativo do Salário Mínimo português em 25% e manter as rendas inalteradas.
O resultado foi o desemprego disparar e a produção contrair significativamente.
Se o agricultor (com os salários a 400€/mês, o gasóleo a 1€/l, e a hortaliça a 1€/kg) tinha 10 empregados e produzia 1t/dia de hortaliça, com a crise (o gasóleo subir para 1.5€/l) já só podia ter 9 empregados e produzir 0.9t/dia. Para manter os 10 empregados, o salário deveria descer para 375€/mês e a hortaliça subir para 1.1€/kg, mas o salário aumentou administrativamente pelo que ele só pôde manter 8 empregados. Assim, a política que parecia uma passe de mágica no combate à crise, agudizou-a.
Estas políticas de sentido errado aconteceram em grande escala na Tunisia, no Egipto, no Irão, na Argélia e na Jordania. Também aconteceram na Grécia, em Portugal, na Espanha, nos EUA, e em mais paises, democracias e ditaduras, governos de direita e de esquerda. Estas políticas prometeram resolvera crise mas agudizaram-na causando taxas de desemprego que ultrapassam os 30%.
E mesmo o Super Homem, se tomasse o caminho errado, acabava por se afastar do seu objectivo de salvar a humanidade.
A sorte é que as políticas erradas acabam por destruir os políticos incompetentes. O azar é que, no entretanto, há custos muito elevados que todos temos que pagar.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Serão os 7% uma característica nossa?

É proprio do Homem errar. É proprio do Português errar e pôr a culpa nos outros.
Muitos culpam os especuladores estrangeiros por a Dívida Pública Portuguesa estar a pagar 7%/ano. Mas somos nós os responsáveis pois essa taxa é característica da nossa personalidade colectiva.

Porque será que existe taxa de juro?
Faz parte da natureza animal considerar o presente mais importante que o futuro. Isto acontece porque se não se comer hoje, não chegamos a amanhã. Portanto, essa tendência está entranhada nos nossos genes e na nossa cultura.
A preferência pelo presente traduz-se numa taxa de juro: se eu tiver todos os dias 20€ de rendimento, existe uma taxa de juro que faz com que eu consuma exactamente 20€ por dia. Se a taxa de juro for menor, eu endivido-me para consumir mais no presente e menos no futuro. Se a taxa de juro for menor, eu empresto dinheiro consumindo menos no presente e mais no futuro.
A taxa de juro revela de forma quantitativa de que forma uma sociedade prefere o presente ao futuro: quanto mais elevada for, mais prefere o presente.
Em termos técnicos chama-se Taxa de Preferência Temporal ou Taxa de Desconto da Utilidade.

Porque na Alemanha a taxa de juro é menor que em Portugal?
Em termos culturais, existe uma correlação entre as horas de luz solar e a taxa de juro. As sociedades expostas a mais exposição solar preferem o presente enquanto que os que têm invernos longos, preferem o futuro.
Isto acontece porque no passado, havendo um longo período de inverno, apenas sobreviviam os que guardavam o máximo possível de alimentos durante o curto verão. A evolução levou a que ficasse entranhado nas sociedades do Norte uma taxa de preferência temporal pequena. Os do Sul, porque havia produção todo ano, podiam gastar tudo hoje que amanhã haveria sempre qualquer coisa.

Qual a implicação desta diferença cultural (que poderá ser genética)?
Tudo parece indicar que  a taxa de preferência temporal  dos alemães é 2%/ano enquanto que a taxa dos Portugueses é 7%/ano.
Estando os dois países separados, reina na Alemanha uma taxa de juro de 2%/ano e em Portugal de 7%/ano. Com a Zona Euro, as taxas de juro ficaram iguais em ambos os países e iguais à média. Sendo a Alemanha 12 vezes maior que Portugal, resultou uma taxa média de (12x2% + 7%)/3 = 2.385%/ano.

Com esta taxa, os alemães passaram a poupar e os portugueses a gastar. Não foi o Socrates nem o Guterres porque havia a Manuela e o Cavaco e os portugueses não os quiseram. Foram os Portugueses que, por terem uma taxa de preferência temporal de 7%/ano que escolheram governantes que gastassem muito.
E os Alemães também têm candidatos que prometem gastar muito, mas perdem as eleições.

Qual o futuro?
Agora atingimos o equilíbrio. E nunca mais vamos deixar de pagar 7% de taxa de juro. Nunca mais. Pagávamos antes de 1995 e vamos pagar depois de 2010. Foram 15 anos de regabofe.
Recordo que quando alguém se endivida, pode consumir mais no presente, mas vai consumir menos no futuro. E o futuro de Portugal começou no dia 1 de Janeiro de 2011.
É o dá em viver no Futuro.


Pedro Cosme da Costa Vieira

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