segunda-feira, 29 de abril de 2013

Estaremos no fim do capitalismo?

Sempre que há uma crise económica logo aparecem filósofos a anunciar o fim do capitalismo. Felizmente que essas previsões, porque partem de um desconhecimento total sobre o que é o capitalismo, falham e falharão sempre.

O capitalismo é liberdade.
O capitalismo é um termo perjorativo para referir a Economia de Mercado.
Numa economia de mercado cada individuo tem a liberdade de ter a profissão que achar mais adequado às suas capacidades e gastar o seu rendimento do trabalho no que achar melhor para a sua felicidade. Naturalmente que as pessoas estão limitadas pelo meio ambiente em que vivem e pelas decisões das outras pessoas, a restrição orçamental, mas não deixam de ter liberdade de negociar com os agentes económicos que os envolvem a melhor forma de afectar os seus recursos.

Fig. 1 - Na tradição judaico-cristã, a maçã (proibida) simboliza a liberdade da humanidade

Na escravatura não havia liberdade.
O "senhor" comprava o escravo que não tinha liberdade para decidir onde ia trabalhar. Também não tinha liberdade para decidir o que consumia com o fruto do seu trabalho.
Em certa medida, parte da sociedade esclavagista é uma economia de mercado porque há um mercado para os escravos (que podem ser comprados e vendidos por um preço) e entre os "senhores" existe liberdade contractual. No entanto, cada bocadinho em que não exista liberdade contractual causará sempre um bocadinho de perda no bem-estar das pessoas.

Não é preciso dizer que no comunismo não há liberdade.
O Estado é que decide tudo o que se passa na sociedade. Decide onde as pessoas trabalham e o que consomem.

O que é o mercado?
É uma abstracção que reúne as interacções e transacções entre todos os pares de pessoas e evolui para a existência de um preço de mercado. No mercado os agentes económicos "guerreiam" entre si para impor o seu interesse individual, revelando no processo de negociação informação privada sobre os processos produtivos (os vendedores) e sobre as suas preferências e gostos (os compradores). Mesmo quando não se realiza uma transacção, o simples facto do agente económico entrar no mercado e sair sem realizar a transacção já revela informação sobre o que vai na sua cabeça.

Todos nós queremos ser livres.
Para um país acabar com a economia de mercado tem que se transformar numa ditadura feroz. À mais pequena réstia de liberdade, as pessoas vão realizar entre si transacções.
Como todos ambicionarmos a ser livres, o futuro do Mundo terá ainda mais liberdade, em que em todo mundo o mercado será usado para as pessoas poderem dispor livremente da sua vida. Então, a crise que assistimos não é do Capitalismo (a Economia de Mercado) estar no principio do fim mas antes de estar no fim do princípio.
Sabendo que a Economia de Mercado começou a sua difusão com a revolução industrial (no Sec. 18) e sabendo que apenas nas últimas 2 décadas mais de 50% da população mundial converteu-se-lhe (a China, Índia, União Soviética, etc. ), temos que concluir que a economia de mercado está a crescer rapidamente e não a diminuir.

Uma ideia tão simples e tão poderosa.
A liberdade parece incólume mas tem na sociedade um impacto maior que a Bomba Atómica (mas de sentido contrário, construtivo) porque permite que as pessoas se especializem naquilo em que têm maior capacidade de criar valor.

O impacto que teve na China.
Nos primeiros 30 anos da "revolução chinesa", martelaram que o colectivismo e a decisão centralizada seria a chave para o progresso.
Aparentemente tem lógica. Se todas as camisas fossem da mesma cor e feitas do mesmo modelo, parece que seriam feitas de forma mais eficiente. Mas não porque o valor dos bens depende das necessidades das pessoas (dos seus gostos e preferências) e, à partida, uma decisão centralizada não consegue ver quais são as necessidades de cada pessoa.
Nos anos 1960 o PIB francês era 7 vezes o PIB chinês. Nos princípios dos anos 1970, a China decidiu que o comunismo não dava resultado e começou a liberalizar a sua economia. Mais liberdade quer dizer mais Economia de Mercado. Actualmente, o PIB francês está reduzido a 0.35 vezes o PIB chinês e a cair cada vez mais (ver, Fig. 2).
Em 50 anos a economia chinesa multiplicou-se por 60 enquanto que a francesa apenas se multiplicou por 3. E a França é "apenas" o país do Mundo onde o Estado tem mais poder de decisão (medido pelo peso da despesa pública no PIB). Talvez Cuba e a Coreia do Norte tenham mais mas não tenho dados.

Fig. 2 - Evolução da proporção entre a economia francês e a chinesa, 1990-2012, mede o poder do capitalismo (dados: Banco Mundial)

Vou construir uma economia simples.
Para compreendermos o poder da liberdade na criação de riqueza vou raciocinar sobre uma economia simples (baseado no exemplo de Lucas das macieiras) com informação privada que apenas pode ser revelada pelas pessoas.

Existem 3 tipos de macieiras.
Há 1/3 de macieiras altas, 1/3 de macieiras baixas e 1/3 de macieiras de má raça.

Existem 3 tipos de trabalhadores.
Há 1/3 de trabalhadores altos, 1/3 de trabalhadores baixos e 1/3 de trabalhadores doentes.

Como são as produtividades?
Um trabalhador alto numa macieira alta ou um trabalhador baixo numa macieira baixa produzem 100 maças por dia.
Todas as outras combinação fazem com que o trabalhador apenas produza 10 maçãs.

Se o trabalhador não se esforçar, produz menos.
Estas produtividades são atingidas se o trabalhador se esforçar a 100%. Se se esforçar menos, produzirá proporcionalmente menos.

À partida, ninguém sabe o tipo das macieiras nem dos trabalhador.
Olhando para um trabalhador ou para uma macieira, não se consegue ver qual é o seu tipo.
A única coisa que se observa é a produtividade que pode ser dependente do trabalhador (ser doente), da árvore (ser de má raça) ou de um ajustamento fraco.

À partida, ninguém sabe quanto o trabalhador se esforça.
Se o trabalhador produzir 10 maças, não será possível saber se isso se deve ou não ao pouco esforço do trabalhador (pois pode resultar de um mau ajustamento, de ser doente ou de a maceira ser de má raça).

O PIB máximo
Será obtido com os altos a trabalhar nas macieiras altas; os baixos nas macieiras baixas e os doentes nas macieiras de má raça. Além disso, todas as pessoas têm que se aplicar a 100%.
Neste caso, O PIB atingiria o seu máximo teórico de, em média, 70 maçãs por pessoas:
   100 x 1/3 + 100 x 1/3 + 10 x 1/3 = 70

Como será o meu mundo com comunismo.
Quem produzisse mais irá pagar um IRS para sustentar os subsídios dos doentes de forma a que todos tenham o mesmo rendimento.
Como estou numa economia comunista, o Estado vai decidir de forma centralizada que trabalhador vai para qual macieira.

Primeiro problema: a afectação.
O melhor que o Estado consegue fazer afectar aleatoriamente pessoas às árvores. Neste caso, calculando todas as combinações possíveis haverá algumas pessoas que ficam com a árvore certa (22.2%), mas a maior parte ficará trocada (77.8%). Então, a economia vai começar com um PIB de apenas 30 maçãs por trabalhador.
Para ficarem todos iguais, as pessoas que produzem mais (as que, por sorte, calharam numa macieira adequada) sofrerão um IRS de 70% (das 100 maças que produzem, terão que largar 70 maçãs) e as outras pessoas vão receber um subsídio de 20 maçãs (cada um fica com 30 maçãs).

Segundo problema: o povo não se esforça.
Quem tiver, por sorte, numa árvore adequada, se se esforçar apenas 10%, ninguém notará que está a mandrionar porque vai produzir tanto como os que tiveram uma má árvore ou são doentes.
Apesar de um ou dois dos que tiveram sorte se poderem esforçarem a 100%, como no final todos ficam na mesma, a grande maioria vai-se esforçar apenas o suficiente para não ser descoberto. Se houver 10000 pessoas, a diferença entre esforçar-se 100% (produzindo 100) e esforçar-se apenas 10% (produzindo como os outros) é de ficar com menos 0.01 maçãs.
Então, o equilíbrio vai ser parecer que todos tiveram azar ou são doentes. Todos vão produz apenas 10 maçãs.
77.8% das pessoas vão produzir 10 maçãs porque não conseguem produzir mais e 22.2% das pessoas produzem pouco porque não se esforçam.

Fig. 3 - Nos ENVC parecer produtivo é andar em magote de um lado para o outro em passo largo e com as golas viradas para cima

Como é o meu mundo com liberdade (economia de mercado).
Começo por supor que o IRS é na mesma de 70% de forma a termos uma sociedade igualitária.

O povo não se vai esforçar na mesma.
Quem tiver, por sorte, numa árvore adequada, vai-se esforçar apenas 10%, sendo a situação aparentemente igual ao caso do comunismo centralizado.
Ninguém sabe se a afectação é boa ou má pelo que, aparentemente, não é possível as pessoas melhorarem a sua vida.

Mas não é bem assim.
Pro cada ttrabalhador sabe se se esforça. Então, quem se esforça mas produz apenas 10 maçãs vai tentar melhorar a sua situação propondo a outra pessoa para trocarem de árvore. Se a outra pessoa tiver uma má árvore, também vai querer a troca. Este processo vai evoluindo período a período até que todos terão uma árvore adequada.
Os altos ficarão com árvores altas, os baixos com árvores baixas e os doentes com árvores de má raça.
Uma pessoas que produz pouco porque se esforça pouco, não vai querer a troca. Então, quem se recusar a trocar está a revelar ao mercado que tem uma árvore adequada à sua capacidade mas que não se esforça.

O resultado final
O PIB fica na mesma nas 10 maçãs por pessoa mas a liberdade de fazer transacções de mercado faz com que apenas 33% das pessoas precisem de se esforçar a 100%. Todas as outras pessoas vão se esforçar apenas 10%.
Então, a liberdade de trocarem no mercado de àrvore permite que 44.4% das pessoas melhore de vida (têm o mesmo rendimento com menor esforço).



Fig. 4 - O resultado final parece o mesmo mas a da direita está mais feliz

E se o IRS for de apenas 15%? 
Existe um nível de IRS abaixo do qual as pessoas esforçam-se revelando a sua capacidade. Vamos supor que 15% está abaixo desse limiar.
Promovendo as trocas de mercado que a afectação melhore, acresce agora que quem não for doentes e se esforçar, terá um rendimento de 85 maçãs (em vez das 10 maçãs). 
A economia de mercado juntamente com desigualdade no rendimento faz com que a economia caminhe para o seu ponto óptimo (um PIB de 70 maçãs por pessoa). Então, o IRS de 15% sobre 2/3 da população que produz 100 maçãs (e fica com 85 maçãs) permite dar um subsídio de 30 maçãs aos doentes (que ficam com 40 maçãs).
 
Apenas se pode melhorar a vida dos pobres se houver PIB para distribuir.
Para as pessoas se esforçarem, não podem todos ter o mesmo rendimento. Então, a sociedade igualitária condena as pessoas à pobreza.
Apesar de na economia de mercado não ser igualitária, os menos produtivos (os doentes nas àrvores de má qualidade) têm maior rendimento que teriam numa sociedade igualitária.
Pode parecer injusto que quem nasce, por pura sorte, mais inteligente que a média ou com mais jeito para jogar futebol, tenha um rendimento superior a quem, por puro azar, não tem essa capacidade. Mas temos que viver com essa injustiça para que quem tem capacidade se esforce.
 
Então, que crise é esta que estamos a viver?
O comunismo acabou e foi substituído pela Economia de Mercado. As sociedades libertadas das tiranias, Rússia, China e, por arrasto, Índia, Bangladesh e Indonésia, tornaram-se economias de mercado começando a crescer rapidamente.
Agora, o desenvolvimento económico dos países pobres obriga a fazer alterações nos países desenvolvidos.
É preciso re-estruturar as economias para não sermos engolidos pelo isolacionismo implícito no discurso de que é impossível competir com os baixos salários asiáticos.
 
O capitalismo, antes de diminuir, tem que aumentar na Europa.
Mas isso passa por aumentar a liberdade das pessoas decidirem as suas vidas, desde os seguros de desemprego às poupanças para a velhice ou doença.
Tal como os países asiáticos desmantelaram completamente o "estado social", o nosso caminha vai também passar por aí.
É preciso mais liberdade, mais liberdade, mais liberdade, mais liberdade.


Fig. 5 - Bye Bye Estado Social

By By modelo social democrata europeu
Temos que seguir o modelo do Norte da Europa (e do Deng Xiaoping) de, em pequenos mas firmes passos, destruir as estruturas socialistas que tolhem o desenvolvimento da nossa Europa.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 26 de abril de 2013

A trajédia do Bangladesh não está debaixo dos escombros

Esta semana, porque no Bangladesh caiu um edifício que albergava milhares de trabalhadores do vestuário que são exportados para cá, logo os esquerdistas vieram a terreiro dizer que a causa era o capitalismos e a exploração dos trabalhadores pelo grande capital internacional.
Com uma falsa moralidade, vieram pedir a proibição da importação dos bens produzidos por essas pessoas miseráveis porque não estão garantidas as condições mínimas da sua  dignidade humana.
Tudo isto é errado porque a tragédia destes países pobres não é nós comprarmos bens baratos feitos por trabalhadores com salários miseráveis e a trabalharem em instalações degradadas. A tragédia desses países pobres é apenas serem pobres.

Fig 1 - O maior negócio no Bangladesh é vender fast food para esta gente toda e tirar fotos a la minute
Porque serão esses países pobres?
Porque foram apanhados pela armadilha de pobreza de Malthus.
A economia desses países esteve centenas de anos baseada na agricultura tradicional onde o progresso tecnológico é muito lento. Então, a população foi crescendo até ao limite da capacidade de produção dos seus campos. Nessas economias o único limite ao crescimento da população era a fome recorrente que matava milhões de pessoas.
Nós, os mais velhos, ainda nos lembramos dessas grandes fomes que atingiam o continente africano e asiático tendo sido as últimas nos anos 1970.
O Bangladesh, com uma área de 1.6 vezes a área de Portugal e um PIB em termos de paridade de poder de compra pouco maior, tem 160 milhões de habitantes para sustentar.
Para imaginarmos como é a miséria do Bangladesh, na área onde nós vivemos e com 70% do nosso salário médio (630€/mês), vivem 10 pessoas.
O salário de uma fábrica de confecção bangladesheana corresponde a viver em Portugal com um salário de 40€/mês.

Como está a pobreza no Mundo?
Por esse mundo fora, o limite minimo de sobrevivencia andará num rendimento de 0.5 dólar americano por dia (200USD por ano). De forma triste, mais de metade da actual população mundial vive em 10 países que há 30 anos tinham um rendimento (PIBpc em ppc) próximo deste valor pelo que grande parte das pessoas destes países morria de fome. 

País
PIBpc 1990
PIBpc 2011
PopulaçãoCrescimento
China1101741819,3%9,5%/ano
India1210322317,8%4,8%/ano
Indonesia200840943,5%3,4%/ano
Pakistan162024242,5%1,9%/ano
Nigeria141722372,3%2,2%/ano
Bangladesh74715692,2%3,6%/ano
Philippines255236381,4%1,7%/ano
Vietnam90530131,3%5,9%/ano
Ethiopia5459791,2%2,8%/ano
Egypt323755471,2%2,6%/ano
Total1290467452,6%6,0%/ano
Quadro 1 - Os 10 maiores países pobres do mundo (dados: Banco Mundial)

Será que se quebrou o circulo da pobreza?
Definitivamente sim na maior parte dos países.
Enquanto que a armadilha da pobreza fazia com que o PIB crescesse apenas à taxa de crescimento da população, nos últimos 21 anos o rendimentos per capita destes pobres veio multiplicado 3.6 vezes.
Se uma trabalhadora textil bangladesheana ganha hoje um salário equivalente a uns míseros 40€/mês nossos, há apenas 21 anos os seus país ganhavam metade, 20€/mês (a preço constantes).
O Bangladesh, apesar de ainda ser um país de grande miséria, as pessoas hoje têm um nível de vida que é o dobro do que tinham em 1990 e o que me dá mais esperança na capacidade do capitalismo trazer o progresso à humanidade é que 2/3 do aumento se ter verificado nos últimos 10 anos.
Até o nosso querido Moçambique duplicou o seu PIBpc.
Interessante que os países que apostaram no combate do desemprego pela flexibilização do mercado de trabalho (com muito baixos salários segundo os padrões ocidentais) entraram no caminho do crescimento enquanto os que martelaram nos princípios de falsa moralidade do "salário justo" estão hoje em pior situação do que estavam em 1990 (países africanos ainda ligados à ditadura socialista herdada da guerra fria). 

Porque comparo com 1990?
Porque foi nessa altura que a ideologia socialista  rebentou de vez na URSS e a generalidade dos países do Terceiro Mundo virou-se para o Capitalismo.
Até 1990 o Zaire teve um nível de vida semelhante ao Bangladesh. Depois de 20 anos de promessas de "outro caminho que não o dos salários baixos", hoje o rendimento de um bangladeshiano é mais de 4 vezes o rendimento de um zairense.

Fig. 2 - No Zaire, como os esquerdistas de Portugal, prometem que vão seguir o caminho do crescimento com salários dignos. Mas não basta prometer. (dados: Banco Mundial)

Porque é uma falsa moralidade.
Porque não propõem alternativa para essas pessoas que não seja morrerem de fome.
Uma coisa era dizerem "eu ganho mil e esses ganham 50 então, eu dou-lhes 900" outra coisa é dizer que não podem trabalhar nessas condições condenando-as a uma miséria muito maior que a que levam.
Em cada país, os salários devem ser os que as empresas puderem pagar para ficar garantido o pleno emprego e não aquilo que os políticos acham ser moral pois a moral não põe pão na mesa.

Vou terminar com o discurso do Cavaco.
No passado dia 6 de Abril, depois do chumbo do tribunal constitucional dos cortes dos subsídios de férias, o Passos coelho e o Gasparzinho foram falar com o Cavaco Silva. Fonte bem colocada disse-me que foram dizer que não tinham condições para continuar. Que estavam a apanhar pancada de todas as partes e que estavam cansados.
Disseram que o Cavaco sabia bem que não havia alternativa a cumprir o que a Troika mandasse pelo que não podia continuar a incendiar o país.
Foi a segunda vez que o Passos foi entregar o poder ao Cavaco.

O Cavaco pensou e viu-se sem alternativas.
Formar um governo com quem? Com a Ferreira Leite?
Então, pediu ao Passos e ao Gasparzinho para aguentarem um pouco obrigando-se a dar um sinal de apoio. E esse sinal foi o discurso do passado 25-abril.
Dizer que é errado aproveitar o descontentamento para vender ilusões de que a austeridade pode acabar, é a maior marretada que alguém pode dar nos opositores ao Passos Coelho, venha essa oposição de dentro do PSD e do CDS ou da oposição.


Fig.3 - Nem que a Ferreira Leite fosse assim boa, eu confiava a vida do meu país nas suas mãos.

Não estamos em tempo de consensos.
Foi o que disse o Churchill relativamente à politica do Hitler.
Agora, com o discurso destrutivo do PS e o tempo a fugir, não mais é tempo de consensos mas chegou o tempo de acção. Só espero que o Passos tenha a mesma firmeza que parecia ter quando apresentou o OE2012.


Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Rogoff e Reinhart - Todos queremos fazer parte da carneirada

A discussão sobre economia nos meios de comunicação social é mais pobre que a discussão sobre o Terceiro Milagre de Fátima.
Pois ninguém fala da banhada do TMF e, pelo contrário, sobre economia fala-se muita mas dá no mesmo pois ninguém acrescenta conhecimento.
Em particular, depois de ouvir o burro do Sócrates, tenho que clarificar o que é esse estudo e contra estudo do Rogoff e Reinhart.
Depois de ouvir o Sócrates não compreendo minimamente como, no fim de 6 anos da tão brilhante governação, ele próprio teve que ir com as calças na mão pedir socorro pois estávamos na bancarrota.
Alguém é capaz de explicar a essa cabeça de tijolo que ele endividou cada português em 10 mil euros para fazer coisas que não servem para nada?

Fig.1 - Eu e o Kim Jung-Il somos estadista do mesmo nível: com meia dúzia de anos de políticas correctas, levamos os nossos países à miséria.

Vamos ao que dizem que diz o estudo.
Dizem que diz que os países mais endividados crescem menos.
Será verdade, será mentira, haverá erro no Excel deles ou dos outros, serão os dados bons ou maus?
Nada disso me interessa porque os dados estão disponíveis para quem os quiser ver e eu tenho o Excel para fazer as contas.
Claro que essa cambada de burros onde se inclui o Sócrates, não fazem ideia que os dados estão online nem como se usa o excel.
Burro só sabe comer palha e urrar.

O que disse esta semana o Sócrates?
Hói, ói, óhi, ó

Vou então buscar os dados.
Fui ao Banco Mundial buscar os dados e calculei o endividamento dos países e o seu crescimento médio nos últimos 5 anos de que existem dados (2007-2011). Usar uma média de 5 anos retira a questão do desfasamento temporal dos efeitos. consegui uma amostra com 72 países responsáveis por 80% do PIB mundial.
Deixo os dados online para verem que não arranjei dados para a China (que tornaria a estimativa ainda mais negativa, -0.0293).
Regredindo o crescimento relativamente à dívida pública com o PIB como ponderador da estimação (porque os países pequenos têm menos importância), tal como Rogoff e Reinhart obtive uma relação negativa entre endividamento público e crescimento económico (ver, Fig. 2):

       Crescimento esperado = 2.74 - 0.0212 Dívida pública (em pontos percentuais)
       R2 = 21.2%

Quer esta estimação dizer que um país com um endividamento público maior em 50% do PIB que a média, cresce em termos esperados menos 1 ponto percentual que a média. 
Apesar da relação ser, em termos médios, de razoável magnitude (se tivéssemos uma divida pública de 60% do PIB, cresceríamos mais 1.2pp do que o que temos agora potencial de crescer), pode-se ver na figura 2 que o modelo tem pouco poder explicativo (há muita dispersão em torno da recta de regressão que se traduz num R2 de 21.2%).
Mas a relação é negativa.

Fig. 2 - Relação entre crescimento económico e endividamento público (dados: Banco Mundial, cálculos e grafismo do autor)

A carneirada não quer usar a cabecinha.
É muito mais fácil ser como as lagartas procissionárias (aquelas dos pinheiros que umas seguem cegamente as outras) do que por a cabeça a pensar e tentar criticar a informação que vai sendo posto cá fora pelos esquerdistas, com o único objectivo de intoxicar o povo no sentido de que o despesismo que usaram durante 15 anos e que nos levaram à bancarrota actual, era a política certa.
Como pode ter sido a política certa se nos deixou na bancarrota?

Mas esta relação empírica não é importante.
Eu podia batalhar nesta relação negativa mas não o posso fazer pois a economia é principalmente uma ciência teórica porque não é possível fazer experiências controladas.
Por exemplo, se eu quero estudar o efeito de um novo medicamento no aumento da esperança de vida de doentes com cancro da mama. Então, pego em 100 doentes, dou a todos comprimidos exactamente iguais mas em que apenas metade deles tem o novo medicamento. Depois, vejo se existem diferenças significativas entre os dois grupos (Tenho que dar medicamento, mesmo falso, a todos para despistar o efeito psicológico).

 
Na economia eu não posso fazer uma experiência controlada.
Não posso pegar em metade dos países e fazer de conta que o endividamento público aumenta sem aumentar, e pegar noutra metade fazer de conta que o endividamento público aumenta e aumenta mesmo.
É por demais evidente que esta experiência não é possível de fazer.
Isto é conhecido na Economia como Critica de Lucas de 1975: com os dados agregados não é possível validar empiricamente as políticas macroeconómicas.
Então temos que fazer, como Galileu introduziu, uma experiência teórica imaginária.

A queda da pena.
A experiência do Galileu pretende contrariar a ideia Aristóteles de que os corpos mais pesados caem mais rapidamente.
Imaginemos um martelo e uma pena. O martelo sendo mais pesado, cai mais depressa. Agora amarremos a pena ao martelo. como o conjunto pesa mais, pela verdade Aristotélica, tem que cair mais rapidamente que apenas o martelo.

 
Vamos à experiência económica imaginária.
Verdade de Sócrates: Mais endividamento público leva a mais crescimento económico.
Então, os países vão quer-se endividar mais para crescer mais.
Como os países com maior divida crescem mais e isso implica que esses países têm mais facilidade em pagar a sua divida pública então, os aforradores vão preferir emprestar dinheiro aos países mais endividados.
Por exemplo, dizendo o BM que, em termos médios de 2007-2011, Portugal deve 85% do PIB e a Suíça deve apenas 25% do PIB então, os aforrados preferem emprestar dinheiro a Portugal relativamente à Suíça e nós teremos muito maior crescimento que a Suíça (não me parece!).
Como o país mais endividado vai ter mais facilidade em captar crédito então, temos que concluir que o mundo vai evoluir para que apenas um país capte toda a poupança mundial, ficando o país com mais crescimento do mundo e a dever milhares de milhões de por cento do seu PIB.
Isto não se observa.

 
Verdade de Rogoff-Reinhart: Mais endividamento público leva a menos crescimento económico.
Então, os países vão querer amortizar a divida para poderem crescer mais.
No limite, os países não terão divida pública.
Mas isto não acontece. Porque será?
É por causa do multiplicador de curto prazo do défice público nos votos.
Os governos são eleitos num ciclo curto e estão sempre pressionado pelas sondagens e pela rua. Ora, amortizar divida pública obriga a cortar despesa pública e a aumentar impostos o que, vemos todos os dias, tem um impacto negativo no apoio dos governos.
Então, o procurar resolver os problemas de curto prazo não permite que os estados evoluam para o endividamento zero.

Fig. 3 - Amor, deixa o blog e anda-te deitar.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 20 de abril de 2013

Vamos resolver os afogamentos no Mediterraneo

Até existem duas estratégias eficientes.
Aparentemente acabar com os afogamentos é muito difícil. Dizem os que é muito caro, que é preciso ser solidário, fazer isto e aquilo para dar dignidade às pessoas mas é um problema muito fácil de resolvel haja vontade política. Assim, vou propor duas soluções simples que, no espaço de uma semana, acabam com os afogamentos.


Estratégia 1 - Mandar aviões para trazer as pessoas em segurança.
Faz-se uma "ponte aérea". Vai-se a uma daquelas carcassas da TAP, tiram-se-lhes as cadeiras, e manda-se o avião para o Aeroporto de Túnis para trazer todos que o queiram para Lisboa. Fazendo quatro viagens por dias, dá para trazer umas 500 000 pessoas por ano e fica barato. Mandam-se outras carcassas para Bissau, Maputo e por esse mundo fora e trazem-se todas as pessoas que o queiram em segurança.
Ponto final com os afogamentos.

De onde vem o problema.
Em termos de dinâmica populacional, na União Europeia cada mulher tem 1,2 filhos quando "deveriam" ter 2,1 enquanto que, por exemplo,  na África Sub-Sariana, em média cada mulher tem 5,2 filhos. Então, por um lado, na União Europeia há um défice populacional de 1,5 milhões de pessoas por ano enquanto que nas áreas geográficas visinhas há um "excesso" populacional de milhões e milhões de pessoas.

O problema é que não queremos essas pessoas aqui. Por isso, vem a segunda estratégia.

Estratégia 2 - Afundar os barcos e matar toda a gente.
Em vez de tentar salvar as pessoas que vêm nos barcos precários, "salva-los" atropelando-os com navios portugueses e, depois, todos os que consigam nadar, meter um tiro em cada um. 
Nos primeiros dias vão morrer algumas pessoas, talvez 1000 ou 2000 podendo mesmo chegar aos 5000 ou aos 10000 mas, depois, deixará de haver candidatos à tentativa de atravessar p Mediterraneo de barco.
Antecipando aos pessoas que não vale a pena tentar chegar à Europa desenvoivida, desitem.

Será que alguém morre afogado a tentar ir do Bangladesh para a Birmânia?
No passado também havia muitos naufrágios de pessoas que fugiam da miséria do Bangladesh para a Birmânea mas há já vários anos que isso acabou.
É que, se alguém chegar a terra, matam-no, queimam-no vivo.

Ainda há uma terceira estratégia mas é preciso deixar essa hipocrisia esquerdista de que quem chegar ao lado de cá é um cidadão de pleno directo, com igualdade de direitos face a nós que cá nascemos, mas quem não chegar ficando do lado de lá é um bicho.
Digamos que há "falta de vontade política" seja para afundar os barcos ou para considerar quem chega cá com exactamente os mesmos directos de quem não chega cá.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Porque pede o Passos o apoio do PS?

É importante dar resposta a esta questão, colocada por um leitor,porque, tendo o Governo apoio maioritário na Assembleia da República, não parece ter qualquer lógica a tentativa actual do Passos Coelho de chamar o PS à tomada de decisão do governo.
Vou apresentar duas razões.

Fig. 1 - Como seria ternorento ver o Passos assim abraçado ao Seguro

1. Diminuirá o poder do CDS e dos populistas do PSD dentro do Governo.
Interessa ao CDS estar no poder (porque os seus militantes têm acesso aos benefícios do Estado) mas tem que, nessa posição, maximizar a captação de votos. Quanto mais o governo estiver dependente do apoio do CDS, mais as suas ideias demagógicas terão que ser adoptadas pelo Passos. Ter o apoio do PS fará com que diminua a capacidade do CDS marcar a agenda do Governo.
Passa-se o mesmo com os populistas do PSD, maioritariamente autarcas. Estão-se borrifando para o acontece ao Passos desde que aumente a sua influencia autárquica. Havendo apoio do PS, as vozes de burro que vão surgindo no PSD desaparecem.
 
Fig.2 - Diz o Portas, Só assino mais austeridade se me comprares meia dúzia de submarinos.

2. A ameaça do PS acabar com a austeridade estancou o caminho de redução das taxas de juro.
No curto prazo, até 18 meses, Portugal já se consegue financiar a taxas e juro bastante baixas, já com juro real negativo. Por exemplo, a última colocação 2000M€ de 18Abrl2013 a 12 meses foi a 1.394%/ano.
Com esta taxa de juro, na simulação que fiz no outro dia (Crescimento de 1.5%/ano e inflação de 2%/ano), com apenas 2% de saldo primário, reduzimos o actual endividamento de 130% do PIB para 60% do PIB em 20 anos.
É possível passar toda a nossa dívida que se vai vencendo para curto-prazo  mas envolve muitos riscos de ruptura de tesouraria do Estado.
Por exemplo, se passássemos toda a nossa dívida pública menos a da Troika para 12 meses (130MM€), seria preciso rolar no mercado de dívida soberana cerca de 1.5% do PIB cada semana (2500M€/semana).

Primeiro problema - A taxa de juro parou de descer
 Antes de entrarmos na Zona Euro, as taxas de juro eram muito superiores às taxas de juro do centro da Europa (Alemanha e França, D + Fr) principalmente porque tínhamos risco de inflação.
Mas, no processo de convergência para o Euro, a taxa de juro exigida à República foi reduzindo até ficar com um spread quase nulo face aos dois países nucleares da Zona Euro (ver, Fig. 3).

Fig. 3 - Evolução dos juros a 10 anos da dívida pública portuguesa e do "centro da ZE" (dados: BCE)

Seria bom se a nossa taxa de juro descesse para a tendência de longo prazo (3%/ano) mas o nosso primeiro problema é que, desde 1 de Janeiro, a taxa de juro deixou de descer estando estabilizada em torno dos 6.2%/ano (ver, Fig. 4).
Para esta taxa de juro, para reduzirmos em 20 anos o nosso endividamento a 60% do PIB já precisamos de um superavit do saldo primário de 6.5% do PIB, 11MM€, que não se me parece possível. Por isso, a nossa dívida de longo prazo ainda está insustentável.
 
Fig. 4 - Evolução recente das taxas de juro portuguesas de longo prazo (fonte: bloomberg)
 
O governo pensa que tal resulta do discurso agressivo do PS.
Alguém que empreste dinheiro a Portugal a um prazo de 10 anos, sabe que algures pelo meio vai ter um governo do actual PS. Então, ouvindo deles "acabe-se já com a austeridade" e "renegocei-se a dívida pública", ficam preocupados.  Qualquer pessoa de bom senso antecipa que Portugal vai piorar ainda mais a sua capacidade e vontade de pagar o que deve de forma que não quererá emprestar dinheiro a Portugal a menos que a taxa de juro compense o risco.
Se o PS se tornar a comprometer com o Memorando de Entendimento, pensa o Gaspar+Passos que a taxa de juro vai recomeçar a cair, em esperança, até atingir os 3%/ano (e na taxa a 12 meses descer a barreira do 1%/ano).
 
Problema 2 - Será possível quebrar a barreira psicológica do spread de antes do Euro?
Aqui está um problema mais grave pois traduz um descrédito de longo prazo do nosso país honrar os seus compromissos.
Antes de se das inicio à criação do Euro (em 1992), cada país tinha a sua taxa de juro que traduzia o risco de haver inflação. Nos anos 2003-2005 o nosso spread face aos países centrais (Alemanha e França) era de 4 pontos percentuais. Mas assim que aderimos à Zona Euro, o nosso spread caiu para zero.
Como a crise das dividas soberanas europeias nos atirou com spreads muito altos, a questão que se coloca agora é se, mesmo que a nossa economia responda bem, algum dia voltaremos a quebrar a barreira dos 4 pp (ver, Fig. 5). Actualmente estamos com um spread de 4.4 pp.

Fig. 5 - Será que algum dia vamos tornar a descer a barreira dos 4pp de spread?

A Irlanda ainda não o conseguiu.
No período 1993-1995, o spread da Irlanda era de 1.0pp e actualmente é de 2.1pp.

Eu já não acredito.
Por todas estas razões, o Passos está a queimar o último cartucho a ver se consegue endireitar o barco.
Talvez seja melhor termos um governo do PS com apoio parlamentar do PSD.
Ao discurso de "acabou a austeridade", as taxas de juro vão disparar. Depois o funcionamento da "política de crescimento" precisa de crédito que o PS vai tentar conseguir mandando o Galada mais o Sócrates, cheios de força, renegociar o memorando. Vão trazer um manado de urtigas.
Sem dinheiro e sem crédito, o PS vai-se ver obrigado a fazer reformas para ter algum dinheirito da Troika e aí, o PSD estará na oposição mas mais disponível para as reformas estruturais, a começar pela constituição, necessárias para termos um país moderno e rico.
Já não vimos isto em 1982-85? A tal reforma da Constituição que, partindo do PS, permitiu os Despedimentos Colectivos, os Contractos de Trabalho a Prazo e os Recibos Verdes?
 
Fig. 6 - Já não acredito que o Passos consiga segurar a nossa crise.

Pedro Cosme costa Vieira

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O governo do Passos Coelho está por dias

A coisa está preta.
Ontem à noite queria ouvir o resultado da reunião do conselho de ministro que, mais uma vez, reuniu de emergencia para estudar maneiras de ultrapassar o chumbo do tribunal contitucional ao corte do subsídio de férias dos pensionitas e funcionários públicos.
Por volta das dez e pico, veio o anuncio de que a reunião iria durar pela noite dentro pelo que fui-me deitar.
Pensei eu enquanto adormecia que, indo a coisa durar noite fora (ou dentro), talvez chegassem à conclusão que tinha que implementar uma das minhas ideias. Custa sempre dar o braço a torcer mas os especialistões do governo teriam que me pedir a ideia, muito simples, de extender o corte a todos. Também poderiam implementar a ideia que avancei há uns meses de aumentar o horario de trabalho dos funcionário públicos das actuais 35h/semana para as 40h/semana (como nos privados) e passar todos os contractos a 90% (a tempo parcial), com a proporcional redução do ordenado.

Afinal, foi uma noite de farra.
Fontes bem colocadas, indicaram-me que o pessoal esteve toda a noite a contar anedotas sobre auteriade e sob o seguro.

Chegaram-me ao conhecimento estas.
- Na Grécia o povinho está tão magrinho que, nas horas de ponta, são usados táxis a fazer as carreias dos autocarros (num táxi cabem 48 gregos).
- Chama-se iogurte grego porque um grego toma banho num daquelas tacinhas.
- O programa espanhol de ajuda ao fim dos sobre-endividados é um abridor de janelas.
- Se fossem gregos, no naufrágio do titanic não teria morrido ninguém porque as 2200 pessoas a bordo teriam cabido, com folga, em apenas um bote salva-vidas.
- (Esta disse o Portas enquanto o Gasparzinho foi dar uma mijinha). Os gasparzinho faz sexo tântrico para ver se, antes de ele ter conseguido dar 1000 carimbadelas na mulher,  os funcionários públicos recebem o subsídio de férias.
- (Esta perguntou a Cristas) Ó Passos, dizes que não há dinheiro mas se houvesse um temporal, o que dirias aos agricultores?
Que falem com o Seguro.
Fig. 1 - Miau, miau, ... estou tão desanimada. Anda-me abrir a janela ...
Bem queria mas ainda não posso. É que o subsídio de férias ficou para Novembro.

A montanha pariu um adiamento.
Começaram por dizer que vai haver alterações nas escolas de condução Como o Portas ainda não tem carta, é preciso permitir a validação da experiência (a conduzir submarinos).
Depois veio a revelação há vários anos sabida que nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo vão continuar a coça-los. Chegaram mesmo a dizer que o Sócrates queria fazer qualquer coisa, mas nós vamos deixar isso para depois.
Uma jornalista ainda disse que ninguém queria ouvir conversa fiada.
Calma que isto tem uma certa sequência e, na sua vez, falará o júnior.
Lá por fim, puseram o meia leca que entrou anteontem, todo trémulo da voz (eu ouvi na rádio) a anunciar que
A) Vamos cortar na despesa 0.5% do PIB.
Mas onde serão o cortes? perguntou uma jornalista.
- Serão em todos os ministérios mas não sei em concreto onde nem em quê. Lá para fins de Maio pode ser que já se saiba mais qualquer coisa, mas não prometo nada.
B) O subsídio de férias passa-se a chamar subsídio de Natal e o subsídio de Natal passa-se a chamar subsídio de férias.
C) Vamos negociar as PPPs e outras coisas que não me lembro bem, mas isso é muito difícil e logo se verá no que dá.

Se Portugal tem problemas, que accione o Seguro.
A estratégia de adiar é fazer como o PS que assinou (pela mão do Sócrates) um memorando de entendimento para receber dinheirinho e, logo à saída, veio dizer que não assinou nada.
Agora o Passos vai assumir compromissos (que o subsídio será pago em Novembro, que os ENVC ficam na mesma, etc., etc.) para quem vier aguentar.
Mete-se no seguro.

A lista dos 400.
O poder da internet é haver listas de e-mails onde circulam comentários e informação sobre temas diversas. E particular, existe uma lista onde uma pessoa das minhas relações faz parte (o EB) e onde circulam informações reservadas sobre o que se passa no governo, no PSD e em todas as envolventes politicas, financeiras e económicas. Apenas posso dizer que tem lá povo muito bem colocado.
Até há uns tempos, quando o EB passa por mim perguntava sempre, para me gozar, "Então quando saímos do euro?", "Será que o Passos vai aguentar até o fim do mês?". Na última vez que o vi, não me perguntou nada.
Mau, isto está mesmo mau, pensei eu.

A saida do Relvas destruiu a força anímica do Passos.
É como aquele relato de Primo Levi de um nazi ter perguntado a uma mãe judia que levava 2 filhos pela mão, qual deles ela escolhia para morrer. Se ela não escolhesse nenhum, seriam os 2 mortos.
A mãe teve que escolher um, mas acabou por se suicidar.
Não conseguiu viver com a pressão de ter feito uma opção moral altamente reprovável para salvar o que restava da sua família.
O Passos está igual.
Não consegue viver com a ideia de que, para manter o governo a funcionar, tem que aceitar a destruição o seu maior amigo.
Este dilema moral vai-o levar à auto-destruição.

O que vai acontecer até princípios de Maio?
Tudo me indica que foi accionado o gatilho que vai dar inicio a um novo ciclo eleitoral.
O CDS já fala num entendimento com o PS para acabar com a austeridade.
A Troika disse palavras muito duras ao Seguro mas ele não mudou de tecla.
Então, em princípios de Maio, o relatório da Troika vai dizer que Portugal não tem condições para cumprir o memorando de entendimento sem mais medidas de austeridade.
Aí, o Passos vai fazer uma comunicação ao país dizendo:
Portugueses, boa noite.
Estamos agora a concluir os trabalhos da 7ª revisão relativa ao Programa de Assistência Económica e Financeira.
Quero falar-vos com a mesma franqueza com que sempre vos falei, sem rodeios e com o realismo que cidadãos livres e responsáveis merecem dos seus representantes políticos e que a seriedade da situação actual exige.
Para resolvermos a emergência financeira nacional em que o País foi mergulhado em 2011 é preciso implementar as medidas avançadas pelo bloggista maluco.
Como o nosso parceiro de coligação não o quer, o tribunal constitucional não permite cortes da despesa e o PS não mostra vontade de ajudar a encontrar uma solução de consenso, tenho que me demitir para dar oportunidade ao PS de avançar com a sua "política de crescimento".
Demito-me dizendo que o PSD dará todo o apoio parlamentar para um governo minoritário do PS e coligação com o CDS-PP.

Fig. 2 - Aguentar com o Portas em cima fez-me velho em 2 anos.

O Portas mais o Seguro vão arrear.
O Seguro pode ser burro mas não é suicida. Onde é que ele vai arranjar dinheiro para pagar o tal subsídio de Novembro?

Este filme é um remake de 1987.
Pois é.
O filme original Foi quando, no seu governo minoritário, o Cavaco caiu por causa de uma moção de censura do PRD, o PS e o PRD foram chamados a formar governo e se recusaram sem irem a eleições.
Das eleições resultou a maioria absoluta do PSD e o PRD desapareceu.

Como vai ser o cronograma.
Lá para meados de Maio, o Passos demite-se e é dado um tempo para o PS+CDS formarem governo.
O governo não se chega a formar, o Cavaco ouve o conselho de Estado, os partidos e, e, em meados de Junho, dissolve a Assembleia da República.
Marca eleições para o dia 22 Setembro que serão conjuntas com as eleições autárquicas.

Resultados?
O Passos Coelho ganha com maioria absoluta folgada.
O Seguro desaparece.
O CDS desaparece.

Entretanto, vamos viver como os gregos.
So help us God

Fig. 3 - É mais fácil o Passos fazer esta pomba voar que Deus fazer-nos ultrapassar a crise.


Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Será que a dívida pública é pagável?

Os esquerdista que nos levaram ao actual nível de endividamento público gritam que não é possível pagar a tal dívida com que nos carregaram. Que o melhor é pedir mais emprestado e, depois, não pagar e continuar a pedir mais emprestado.

Endividamo-nos para nada.
O problema do endividamento dos últimos 15 anos (o pós-Cavaco) foi que o dinheiro foi gasto em consumo. Prova disso é o facto do crescimento potencial ter caído continuamente 0.8pp/ano.

Fig. 1 - Apesar do endividamento crescente, o crescimento foi decrescente (dados trimestrais anualizados: INE).

Tirando ser feia, gorda e burra, é a mulher perfeita.
Os socratistas andam a dizer que, em 2005 e 2007, houve um período de aumento do crescimento e o que se passou depois de 2008 foi causado pela crise do sub-prime.
Mas a história de um tsunami não se faz com o tempo de calma que medeia entre o tremor de terra e a chegada da onda. O relevante é ver o impacto total e, no nosso caso, numa era de 18 anos, cada vez ficamos com uma tendencia de crescimento menor.  E isto apesar do endividamento que dizem ser a política do crescimento.
Os sócratistas dizem que, tirando o endividamento e os anos em que houve  contracção do PIB, a governação do Sócrates foram apenas anos de grande crescimento económico.
Vigaristas.

Fig. 2 - Diz a dívida pública: coitadinho, quando deu conta, já estava esmagado. Lá se foi a política de crescimento.

Vamos à amortização da dívida.
Para simular a sustentabilidade da nossa divida pública vou considerar que vai atingir em 2014 um máximo de 130% do PIB.
Nas contas de 2012, a execução orçamental refere que as contas públicas tiveram um saldo primário de  0.3% do PIB , 533M€ (quadro 2).

Os juros foram de 8485M€ o que tem implicita uma taxa de juro média de 4.24%/ano.
Interessante que a Troika empresta-nos dinheiro a cerca de 3%/ano e os esquerdistas do PS dizem que é uma taxa muito elevada quando o Guterres e o Sócrates endividaram-se a uma média de 5%/ano e não dão sequer um pio sobre isso.
Vigaristas.

Vou adoptar mais umas hipóteses.
Crescimento económico de longo prazo -> 1.5%/ano
Taxa de inflação -> 2%/ano
Neste caso, daqui a 91 anos conseguimos reduzir a nossa dívida pública a 60% do PIB.

Mas o Gaspar diz que o saldo primário pode atingir 2.5% do PIB.
Neste caso, já só demoramos 25 anos a atingir o endividamento de 60% do PIB.

Fig. 3 - Trajectória da dívida pública portuguesa, 2014-2060

O Japão deve 220% do PIB.
E por lá não dizem que o Estado japonês vá bancarrotar.
Por isso, deixemos os vigaristas a pregar de que têm uma solução mágica apra todos os problemas actuais e, mesmo com um crescimento não muito grande, é perfeitamente possível pagarmos a nossa dívida pública.
Haja vontade. 

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 13 de abril de 2013

O ajustamento da Islândia como case study

A Islândia foi dos países do mundo mais prejudicado pela crise do sub-prime. O seu sector bancário estava muito virado para o mercado americano e inglês e, com a desvalorização dos activos que se verificou nestes países em 2008, foi terrivelmente mais afectada do que nós pela crise internacional.  Mas, o facto de poder desvalorizar a sua moeda permiti que a economia digerisse rapidamente a crise.

Fig. 1 - Vê-se bem na imagem que o mar da Islândia é muito frio e bravo.

E o que separa as nossas economias?
A Islândia tem moeda própria e nós estamos na Zona Euro.
Dizem as teorias que a Islândia tem uma desvantagem relativamente a nós que resulta do risco cambial. Quando uma empresa inslandesa faz um negócio de exportação (em euros), não sabe no dia de receber o dinheiro quanto vai receber em coroas islandesas. Então, um negócio que parece lucrativo pode-se tornar em ruinoso (e vice-versa).
Mas as teorias, e eu tenho massacrado nisto, que os islandeses têm um instrumento que pode ser usado para equilibrar rapidamente a sua economia (em termos de custos do trabalho e preços relativamente ao exterior).

Vamos ver a evolução da cotação da Coroa Islandesa.
Nos sete anos entre o inicio de 2001 e o fim de 2007, a cotação da coroa esteve estável nos 85.1 K/€ com um uma variação padrão mensal de 5.6%. Neste período, a cotação média mensal máxima foi de 95.3 K/€ e a mínima foi 73.0 K/€.

A crise do sub-prime e a desvalorização.
A crise faz com que, a coroa desvalorize da média de 85.1 K/€ para fechar o ano a 180 K/€. Foi uma desvalorização de 50%.
Se no principio de 2008 a gasolina custava 90 K/ litro, no fim de 2008 tinha duplicado de preço.

A recuperação.
Vencida a desvalorização inicial, a coroa estabilizou nos 160 K/€. Comparando a cotação actual com a que existia antes da crise, a coroa desvalorizou 43%.

Será que os salários acompanharam a desvalorização?
Esta questão é crucial para que a desvalorização seja de facto um instrumento de equilíbrio da economia.
Vou considerar a manufactura porque há quem entenda que é o índice por excelência do custo do trabalho em termos de ajustamento macroeconómico (bens transaccionáveis).

Comparando com 2007, os custos do trabalho em 2012 estão 33% acima mas como  a moeda desvalorizou 43%, os custos do trabalho diminuíram quase 30%

2007  -> um período de trabalho custava 85.9 K = 1€
2012 -> o mesmo período de trabalho custa 85.9 x 1.33 = 114,3K = 0,71€

O custo do trabalho face ao exterior diminuiu de 1€/período para 0.71€/período.

Eu já só peço uma diminuição de 15%.

Não estou a pedir muito, apenas metade da desvalorização salarial que sofreram os islandeses num espaço de poucos meses.
Também, em termos relativos, a nossa crise foi muito menos grave mas está-se a agigantar porque o nosso governo não quer mexer nos custos do trabalho.
É impopular.

Vamos ver a evolução da taxa de desemprego.
Por incrível que possa parecer, a desvalorização ajustou quase instantaneamente o mercado de trabalho. A crise teve um efeito imediato de destruir 6% dos postos de trabalho mas, desde então, a economia já recuperou metade desses postos de trabalho. Em Portugal, a evolução foi mais suave (em 2008 só se destruiram 2% dos postos de trabalho) mas, entretanto, não tem parado de aumentar (ver, Fig. 2).

Fig. 2 - Desemprego na Islândia e em Portugal (dados: Satistic Iceland e INE)

E será que a inflação "comeu a desvalorização?
Como os custos do trabalho aumentaram muito menos que a desvalorização, os custos de produção aumentaram relativamente pouco pelo que a inflação acumulada até hoje foi de 47%. então, em termos de euros, os preços diminuíram 20% em euros.

E em Portugal?
Os preços aumentaram 10%.

E na Irlanda?
Os preços aumentaram 3%.

E como foi a bancarrota?
Fui muito mais violenta porque o poder de compra dos depósitos diminuiu com a desvalorização. Assim, quase de um dia para o outro, as poupanças ficaram reduzidas a metade (em termos de euros).

E a história do ingleses?
Os bancos aceitaram depósitos em libras e em euros e depois não conseguiram devolver os depósitos nessas moedas porque a coroa desvalorizou. Então, a transformação em coroas causou perdas de 4 mil milhões de euros aos não residentes.
Esse quantitativo é relativamente pequeno (muito menor que a dívida da Madeira).

Concluindo.
Penso que a Islândia é um óptimo case stude para vermos como a desvalorização equilibra uma economia.
Os custos do trabalho e os preços diminuem imediatamente relativamente ao exterior e, posteriormente, os custos do trabalho aumentam bastante menos que a inflação (33% compara com 47%) pelo que os custos do trabalho diminuem não só face ao exterior como internamente.
Então, estanca-se o aumento da taxa de desemprego.

Pedro Cosme Costa Vieira

quinta-feira, 11 de abril de 2013

A saida do Euro, o empobrecimento e a inflação.

O retorno do Escudo e o empobrecimento.
Eu não li (ainda, pois não o tenho) o livro do meu amigo João Ferreira do Amaral, mas uma das ideias que ele apresentou na televisão fui eu que lha transmiti numa conversa tida aqui no Porto numa conferencia do NIFIP. Não me estou a gabar como o Sócrates (de que foi o melhor aluno do Mundo) mas apenas a fazer um pouco de "história do pensamento": como certa ideia surgiu e o que traduz.
O que eu disse é que, a saída do Euro não implica empobrecimento relativamente a ficar no Euro.
Fiquemos ou não no Euro, o nosso rendimento vai diminuir. Mas a diferença é somente da dinâmica de ajustamento. Como dentro da ZE, o ajustamento se está a mostrar mais difícil (diria mesmo, impossível), a destruição de postos de trabalho e de riqueza serão menores se voltarmos a ter escudos.

Pensará o Amaral que
 os salários podem subir de forma a compensar o aumento da inflação?
Esta dúvida também foi colocada pelo Diogo e vou apresentar as implicações de o salários estarem indexados à taxa de inflação: a economia não ajusta e o nível de preços instabiliza-se o que faz a moeda deixar de ser usada como unidade de valor.
É o que se passa, por exemplo, em Cuba onde os salários acabaram por ser em espécie (bens básicos com um preço próximo dos 35€/mês) e em moeda estrangeira (7USD/mês = 5€/mês).
Como já disse, não posso responder a esta questão que sim nem que não porque não li o livro.

Fig. 1 - O João está um bocadito gordo mas é muito boa pessoa.

O que eu quis dizer.
Nos últimos anos, nós tivemos um nível de vida artificialmente elevado porque cada português estava a endividar-se ao exterior à média de 150€/mês. Cada um de nós pode julgar que não se endividou mas o acesso a ensino, saúde, segurança, etc. gratuitos e transportes, vias de comunicação, electricidade, etc. altamente subsidiados obrigou o Estado a endividar-se em nosso nome.
Nós somos responsáveis por essa divida porque votamos nos políticos que, implicitamente, disseram no programa eleitoral que se iriam endividar.
Como era o Estado que se endividava (para mantermos o nosso conforto), parecia que o nosso nível de vida resultava do esforço do nosso trabalho mas não. Também resultava do endividamento feito pelo estado no exterior e que um dia teria que ser pago com juros.
Esse dia, infelizmente, chegou em 2011. Tivemos que parar o endividamento e, nos anos que aí vêm, teremos que começar a amortizar a dívida ao exterior.
Então, estamos a começar a sentir uma diminuição do nosso nível de vida que, pensamos, é empobrecimento quando não é. De facto, temos menos rendimento disponível não por produzirmos menos (que também acontece) mas porque não temos o oxigénio do crédito externo.

Fig. 2 - O que eu quis dizer foi que muito boa, mesmo, é esta pessoa

Comparar o empobrecimento com Euro vs. com Escudo.
Ter Euros ou Escudos é, em termos estáticos de longo-prazo (sem atender à dinâmica de ajustamento), exactamente igual. É o modelo de Mundll-Fleming.
Se os mercados de trabalho (salários) e de bens e serviço (preços) fossem perfeitamente flexível, poderia haver apenas uma zona monetária no Mundo (a mesma moeda poderia ser usada por todos os países, por exemplo, o Ouro).
Salários perfeitamente flexíveis seria, por exemplo, ter uma economia em que todos nós fossemos trabalhadores por conta própria. Se o campo não desse batatas, ficávamos sem salário.
Num patamar mais sofisticado, também teríamos salários perfeitamente flexíveis se a nossa empresa distribuísse o lucro/prejuízo pelos trabalhadores da empresa (depois de pago um juro pelo capital).
Porque os salários não são flexíveis.
Porque há uma especialização das pessoas.
Por um lado, temos os trabalhadores por conta de outrem, uma massa de pessoas (mais de 90%) que quer ter rendimento fixo. Pretende uma actividade em que, mesmo ganhando menos em termos médios, não tenha risco de ver o seu rendimento diminuir de um mês para o outro.
Por outro lado,  temos os empresários, uma minoria de pessoas (menos de 10%) que não se importa de ter rendimento variável. Como são uma minoria, em média o rendimento dos empresários é superior ao rendimento dos trabalhadores, mas tem risco.
Fig. 3 - Para ficarmos na ZE, os nossos trabalhadores têm que ser assim flexíveis
Se tivesse dois empregos à escolha.
Imagine uma empresa cuja margem mensal (depois de pagar juros, e demais coisas mas antes dos salários que considero incluir a TSU) por trabalhador segue uma distribuição normal com média 1000€ e desvio padrão também de 1000€. Essa empresa vai-lhe propor que escolha um de dois contratos de trabalho.
Contracto 1 - Salário fixo de 750€/mês.
O lucro do empresário será uma variável aleatória com média 250€ e desvio padrão de 1000€. Quer isto dizer que existe uma probabilidade de 40% do empresário ter prejuízo.
Contracto 2 - Salário de 250€/mês + 1/2 da margem.
Em média, o salário vai ser o mesmo mas vai variar de mês para mês, podendo ser menor que zero (7% de probabilidade) . Provavelmente, vai-se esforçar mais porque vai receber metade da margem.
Mesmo pensando que se vai esforçar o mesmo, como o risco é partilhado com o trabalhador, o empresário fica com menor probabilidade de ter prejuízo (31%).
Ao empresário interessa ter menos risco pelo que ainda está disponível para lhe pagar um bónus de 5€/mês.
Qual era o contracto de trabalho que preferia? 
Se optou pelo Contracto 1, não tem nada de errado fazendo mesmo parte da grande maioria. Eu, na minha vida, optei pelo Contracto 1.
Estamos vocacionado para ser trabalhadores por conta de outrem.
Se optou pelo Contracto 2, tem espírito de empresário.
O ajustamento dentro do Euro.
(os números são apenas ilustrativos)
Como os trabalhadores não querem que o seu salário diminua e o ajustamento da economia obriga a haver variações (para cima e para baixo) dos salários então, o mercado ajusta pelas quantidades: no períodos de expansão os salários aumentam e, nos períodos de crise, os salários mantêm-se mas há despedimentos.
Normalmente, o máximo que os trabalhadores estão disponíveis para suportar é o congelamento nominal do salário que implica, dentro do Euro, a uma quebra de 2%/ano no salário real. 
O nosso problema é que o nossa economia está tão desequilibrada que não é suficiente uma redução dos salários em 2%/ano. No caso (que não é o nosso, ver Fig.  , mas o grego) de a produtividade por trabalhador cair mais de 2%/ano, o equilíbrio com salários nominais constantes apenas acontece para taxas de desemprego muito acima dos 50%.
Até onde pode ir a taxa de desemprego?
O limite é 100%.
Eu já o disse e ainda ninguém acreditou que podemos atingir taxa de desemprego acima de 50%. Na transição da Ucrânia para a Economia de Mercado, a taxa de desemprego ultrapassou em muito os 50% (os empregos remunerados chegaram a ser menos de 25% da população activa) .
Ninguém acreditava que fosse possível um país da ZE ter uma taxa de desemprego superior a 20% mas a Espanha e a Grécia já estão acima dos 26%.
Mais dia menos dia, os salários nominais vão ter que diminuir.
Por muito que custe ao Passos Coelho, mais dia, menos dia, vai ter que haver uma alteração legislativa que permita a diminuição dos salários nominais.
O mais certo é que isso saia na próxima semana, durante a avaliação de emergência da Troika.
Vamos imaginar duas pessoas que ganham actualmente 1000€/mês, uma deve 50000€ e outra tem 50000€ de depósitos bancários (correspondente a 50 meses de salário).
No futuro, o salário diminuindo para 750€/mês, os mesmos 50000€ passarão a corresponder a 66.7 meses de trabalho.
Como os preços vão cair 15%
A perda do poder e compra é de apenas 10% mas a dívida aumenta, em termos de meses de trabalho, em 33%.  Em termos de rendimento, ambas as pessoas ficam mais pobre em 10%.
Relativamente às poupanças, a pessoa endividada fica mais pobre porque deve mais meses de ordenado mas a que tem poupanças fica mais rica porque tem acumulados mais meses de ordenado (66.7 meses) e o poder de compra do seu dinheiro aumenta.
O ajustamento com escudos.
A moeda vai desvalorizar 25% e, mantendo-se o salários em termos nominais, os preços dos bens importado vão aumentar 33% pelo que os preço vão aumentar 13% por causa da incorporação das importações (vou supor 40%).
A pessoa ficando com o mesmo ordenado (200 contos), passa a ter menos 10% de poder de compra (porque o preços aumentaram). Então, em termos de rendimento, não há um empobrecimento relativamente ao ajustamento dentro o Euro.
Relativamente às poupanças, a pessoa endividada fica mais pobre porque deve mais dinheiro (devia 50000€ = 10000contos e passa a dever 50000€= 13333 contos) o que corresponde a 66.7 meses de ordenado  (uma desvalorização de 25% implica uma valorização da contraparte em 33%).
É exactamente igual.
O empobrecimento (a redução do salário e o aumento da dívida em meses de salário) é exactamente o mesmo estejamos dentro do euro ou fora.
Foi isto que eu disse ao meu amigo João Ferreira do Amaral.
A saída da Zona euro não causa empobrecimento porque isso vai acontecer mesmo que fiquemos no euro.
É exactamente igual.
Onde está a diferença?
Na dinâmica do ajustamento.
Dentro do Euro, os salários e os preços têm que diminuir em termos nominais o que, nos países do Sul da Europa, se está a mostrar muito difícil. No Escudo, ocorre uma desvalorização (como aconteceu na Islândia) e logo a coisa se compõe.
E se os salários ajustarem ao aumento dos preços?
O Diogo também colocou esta questão.
Imagine que Portugal saía do Euro e ficava com moeda própria.
1. Os sindicatos sabem que uma desvalorização da moeda nacional, embora mantenha os salários nominais, faz reduzir os salários reais (o poder de compra baixa). Não poderão eles (se é que já não o fizeram) indexar os salários à inflação nos contratos de trabalho?
E se isso é possível, não perderia a desvalorização a sua eficácia?


Vamos ver que a economia não ajusta.
Naturalmente que perde toda a eficácia termos Escudo. Afirmo mesmo que não teremos Escudo.

Desvalorização -> 25%
Inflação -> +13% (efeito directo dos bens importados na produção e no cabaz de bens)
H1: Salário ficam fixos -> os custos de produção mantêm-se pelo que os preços dos bens produzidos em Portugal mantêm-e em termo nominais e diminuem em termos de exterior
-> há uma redução do salário real e os preço face ao exterior diminuem 12%
A economia ajusta

H2: Salário aumentam 13% -> os custos de produção aumentam 11% (os salários pesam 80% nos custos de produção)
-> a inflação aumenta para 20%
-> os preços face ao exterior já só têm uma redução de 5%

-> Salário aumentam mais 7% -> os custos de produção aumentam 5,6%
-> A inflação aumenta para 23%
-> Os preços face ao exterior já só têm uma redução de 2%

-> Salário aumentam mais 3% -> os custos de produção aumentam 2%
-> A inflação aumenta para 25%
-> O salário real fica na mesma e os preço face ao exterior ficam na mesma

Agora há ajustamento, havendo necessidade de nova desvalorização.
A economia não ajusta.

A desvalorização será tremenda e a moeda (o escudo) deixa de ser aceite pelos agentes económicos que passa a transaccionar em dólares ou euros.
Ficamos novamente sem moeda! (a boa moeda expulsa a má moeda).

Os salários não vão acompanhar a inflação.
Se fosse o Galanda a governar ou outro maluco qualquer, ficaríamos como o Zimbabwe que, em Nov 2008, teve uma taxas de inflação de 79600000%/mês, "apenas" 55% por dia. Um dia ganhávamos 100$ para logo no dia seguinte já termos sido aumentados para 155$ e, passada uma semana, já ganharmos tanto num dia (2150$) como, antes uma semana, num mês inteiro.
Em 10 anos de "políticas de crescimento" à PS, baseado em expansão monetária para financiar uma despesa pública crescente, o Zimbabué perdeu 56.7% do seu PIB (ver, quadro 1).
 Isto é que verdadeiramente resolver crises à socialista, aguenta, aguenta.
200020012002200320042005200620072008200920102011
Crescimento-6,1%-6,5%-12,1%-13,6%-8,2%-7,7%-4,4%-5,5%-14,1%-1,3%9,0%9,3%
Acumulado-6,1%-12,2%-22,8%-33,3%-38,8%-43,5%-46,0%-49,0%-56,2%-56,7%-52,8%-48,4%
Quadro 1 - Evolução do rescimento do PIB no Zimbabué (dados: indexmundi)


Aí, a nossa moeda de facto seria outra qualquer (apesar de legalmente termos escudos, na rua só veríamos euros).
No final, o ajustamento ter mais ou menos inflação, vai ficar na psicologia das pessoas e na demagogia dos governantes mas acontece sempre mais rapidamente que em câmbios fixos.
Se houvesse inflação de 20%/ano e o governo congelasse as pensões e os salários dos funcionários públicos, seria constitucional. Como a nossa mais alta magistratura pensa que isso é substancialmente diferente de cortar o subsídio de férias então, a falta de conhecimento dos nossos órgãos de soberania não permite continuarmos na Zona Euro.

Não se ganha competitividade, apenas se equilibra a economia.
A desvalorização é uma descida do preços do bens que vendemos ao exterior (e um aumento do preço dos bens importados) não sendo um ganhar de competitividade mas apenas um ajustamento da nossa economia à competitividade que temos.
Como tudo na vida, há uma taxa de cambio que equilibra a economia.
A taxa de desvalorização da moeda será igual à taxa de inflação menos os ganhos de produtividade relativamente aos nossos parceiros comerciais.
Se tivermos uma desvalorizações de 0.1%/dia, que não parece nada do outro mundo, no fim do ano acumulamos quase 50% de desvalorização.
Ganhar competitividade é aumentar os salários reais (a moeda chinesa está a valorizar-se 3%/ano face ao USD, ver Fig. 4, com uma inflação superior à americana em cerca de 2%/ano, o que traduz ganhos de 5%/ano na competitividade).

Fig. 4 - Nos últimos 3 anos a moeda chinesa valorizou quase 10% face ao USA com inflação mais elevada, o que traduz verdadeiros ganhos de competitividade (tradingeconomics)

Pergunta ainda o Diogo
Já que os custos do factor trabalho estão altos, as empresas podem estar a investir em tecnologias mais capital intensivas. Se for o caso, a produtividade por trabalhador está a aumentar. Ou seja, pode não seguir logicamente que mais desemprego implique quebras na produção.

Normalmente, este efeito acontece (apesar de ligeiro), mas da produção total (que se chama produtividade total do factores por trabalhador) há que pagar os outros factores (o capital e a tecnologia). Apesar da produtividade aumentar, a parte destinada ao trabalho diminui porque apenas os trabalhadores mais produtivos continuam empregados.
Mais uma vez, há um valor em equilíbrio de pleno emprego em que o total destinado a salários é máximo.
No caso português a PTF por trabalhador está estável (mas com tendencia negativa) o que traduz que não estamos a ficar mais produtivos mas também que não se assiste a uma destruição qualitativa da estrutura produtiva (destroe-se proporcionalmente à perda de empregos).
fig. 5 - Produtividade total dos factores por trabalhador (Dados: Eurostat, cálculos e grafismo do autor)
Finalmente, a Ferreira Leite.
O Diogo termina com a justificação para a Ferreira Leite (e outros recauchutado da direita), que na campanha contra o Sócrates anunciava cortes a torto e a direito e chegou mesmo a afirmar que a hemodiálise tinha que ser repensada, ter vindo agora dar um derrote no Passos Coelho e no Gasparzinho gritando aina mais alto que o Sócrates, o desmiolado que a austeridade tem que acabar.
Aguenta o CES Manuela.

2. Em Portugal, por estarmos em câmbios fixos, as políticas fiscais são eficazes para aumentar o produto. Logo, não admira que os governos as tenham vindo a adoptar (nem que seja para ganhar eleições). Ora, essas políticas expansionistas resultaram em défices orçamentais (ainda que as politicas tomadas não tenham feito o produto crescer).
Na mesma lógica, em câmbios flexíveis, os governos usariam políticas monetárias expansionistas...

Mas em câmbios flexíveis (com o escudo) os políticos seriam diferentes.
Porque essa política seria no mesmo dia vista como errada Tal como não se pode esconder o Sol quando nasce, o Banco de Portugal teria que deixar desvalorizar o escudo (por falta de reservas cambiais) o que encareceria imediatamente a gasolina, e por aí fora.
As (potenciais) tendências inflacionistas não me preocupam porque o aumento da inflação e a desvalorização, contrariamente a serem um problema, são o que obriga os governos demagógicos a abandonar as políticas monetárias expansionistas.
Mostro apenas o exemplo do Zimbabué que em 2007 um maluco (o Mugabe) pensou que emitir moeda faria todos serem ricos e esse mesmo maluco, em 2009, chegou à conclusão que isso era uma loucura total. Actualmente, esse mesmo maluco decresta que a inflação te que andar nos 2,5%/ano.
Até o pior dos governantes, até aqueles que aprenderam economia no, no, no, ... na Independente e se dizem ter sido o melhor aluno de não sei quê aprenderão rapidamente que a politica monetária expansionista faz perder eleições.
  

Fig. 6 - O mesmo maluco que levou a inflação a milhões%, trouxe-a cá para baixo.
Fig. 7 - Mesmo maluco, aprendeu. Actualmente, a inflação no Zimbabué está igual à inglesa!

Apenas há 7 países no mundo com inflação elevada.
O tradingeconomics diz que apenas há 7 países no Mundo com taxa de inflação superior a 20%/ano.
São eles a Síria (50%/ano), Sudão (48%/ano), Irão (39%/ano), Malawi (38%/ano), Sudão do Sul (24%/ano), Venezuela (24%/ano) e Bielorússia (23%/ano).
É para este clube que os esquerdistas no querem empurrar. As pessoas dos dois países mais ricos deste grupo (Irão e Venezuela) têm um nível de vida (traduzido pelo GDPpc ppp) que é metade do nosso.
E há quem diga por aí que a crise está que não se pode aguentar! Experimente cortar o seu rendimento a metade, e ficamos conversados sobre o "outro caminho" que os esquerdista dizem ter para o nosso querido país.

No lo podemos olvidar.
Não nos podemos esquecer que o Santana Lopes deu cabo do Durão Barroso e que os seu governo governo (de curta duração) com o Bagão Felix como Ministro das Finanças, foi dos mais despesistas que Portugal teve.
E agora, os recauchutados do PSD com o Rui rio à cabeça estão a preparar o assalto ao poder para implementar a tal "política de crescimento".
Ainda vamos ter no PSD e PP quem venha defender um governo com o Santana Lopes, o Sócrates e o Alberto João.
Temos que gritar bem alto,
no pasarán

Pedro Cosme da Costa Vieira

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